21 setembro, 2017

Primeira Jornada Mundial dos Pobres


A data foi instituída pelo Papa Francisco na carta apostólica ‘Misericórdia e mísera’, publicada no encerramento do Jubileu da Misericórdia. O documente pede que o dia seja “um sinal concreto” do Ano Santo extraordinário. Diante dessa realidade, a CNBB e a Cáritas Brasileira preparam a primeira Jornada Mundial dos Pobres que será realizada de 12 a 19 de novembro e terá como tema apresentado pelo papa “Não amemos com palavras, mas com obras”. 

O “Dia Mundial dos Pobres”, a ser celebrado dia 19 de novembro, quer ajudar as comunidades e cada batizado a “refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho”, referiu o Papa na mensagem. A Cáritas Brasileira, juntamente com a Comissão Episcopal Pastoral para Ação Transformadora da CNBB, pretendem mobilizar a Igreja no Brasil e a sociedade em geral para a Jornada Mundial dos Pobres através da Semana da Solidariedade.

A posposta é realizar atividades concretas que sensibilizem as pessoas para que tenham atenção e cuidado com os pobres. Entre as iniciativas, está o projeto Ruas Solidárias que propõe que as pastorais e movimentos realizem atividades em sua localidade, utilizando a hastag #cuidardaruasuperarapobreza.

A ideia é utilizar um espaço que pode ser uma casa, praça ou até mesmo em uma paróquia como ponto de apoio para momentos de celebração, arrecadação de roupas, atividades sociais e rodas de conversas. A campanha sugere também que no dia 19/11, as celebrações sejam com as pessoas que participaram das atividades durante a semana. 

Fonte: CNBB

20 setembro, 2017

É urgente voltar a Marx para entender nova fase da economia!

Nick Nesbitt afirma que nem a esquerda nem os neoliberais têm explicação adequada para a atual transformação do capitalismo, com a automatização da produção e a substituição quase completa da mão de obra humana. Para ele, é urgente voltar a "O Capital", de Marx, cujo primeiro volume completa 150 anos.
A entrevista é de Luís Costa, publicada por Folha de S. Paulo, 17-09-10’7.
Um século e meio depois de Karl Marx lançar o primeiro volume de "O Capital", a sua análise da economia capitalista ainda hoje é a ferramenta teórica mais importante para compreender o mundo do trabalho, avalia F. Nick Nesbitt, 52, professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.
Nesbitt organizou "The Concept in Crisis: Reading Capital Today" [Duke University Press, 328 págs., R$ 405,94, R$ 84,60 em e-book] (o conceito em crise: ler "O Capital" hoje), livro que acaba de ser lançado nos EUA e rediscute o clássico "Ler o Capital" (1965), escrito pelo marxista francês Louis Althusser (1918-90).
Nesbitt, que leciona no departamento de literatura comparada, afirma que Marxantecipou o que ele chama de "capitalismo pós-humano", isto é, uma dupla tendência à eliminação gradual do trabalho humano das cadeias produtivas e à precarização da força de trabalho.

Eis a entrevista.

A economia global não é mais industrial como aquela de que Marx falava. Por que retornar a "O Capital" hoje?
Alguns leitores de Marx gostariam de fazer crer que seus vastos escritos são pouco mais que uma descrição das condições de exploração da classe trabalhadora no século 19. Eu, ao contrário, penso que o Marx genial e duradouro deve ser encontrado, mais que em seus prodigiosos textos políticos, na obra-prima sem paralelos que é "O Capital".
Marx gastou toda a energia intelectual das últimas três décadas de vida para descrever não só as condições da classe trabalhadora no século 19. "O Capital" transcende a especificidade histórica de seu lugar e momento de escrita. Como o subtítulo diz, é uma crítica sistemática da economia política do capitalismo, com a proeza e a influência da ordem de "Princípios da Filosofia do Direito", de Hegel [livro publicado em 1820], ou mesmo de "A República", de Platão [datada do século 4º a.C.].
Marx trabalhou para desenvolver uma compreensão conceitual da natureza, da forma e das estruturas do sistema capitalista.
Ao contrário das incontáveis descrições superficiais do capitalismo –preços e lucros, as perdas e os luxos dos capitalistas e das nações, as condições dos trabalhadores, a política de produção, distribuição, consumo e redistribuição da riqueza– que agraciam os anais do liberalismo e da esquerda tradicional, "O Capital" é, sobretudo, um trabalho de filosofia conceitual e crítica.
Diante das enormes transformações potencialmente catastróficas do capitalismo hoje –transformações que apenas se aceleraram neste século–, se quisermos compreender as forças que atualmente conduzem a globalização, não aprenderemos nada olhando para as estatísticas e as análises neoliberais sobre PIB, emprego, lucro, crescimento e outras categorias do cálculo econômico, que são apenas descritivas. Em vez disso, devemos voltar à análise conceitual de Marx.
Que debates o sr. procura criar ou revisitar no livro?
Como organizador, acima de tudo, pretendi ultrapassar a estúpida, superficial e moralista interdição de um dos grandes pensadores do século passado, feita em razão das tragédias de sua biografia. Althusser passou a maior parte de sua vida frequentando clínicas psiquiátricas, para culminar em um ataque de insanidade que custou a vida de sua mulher e sua própria existência pública.
Em segundo lugar, quis chamar a atenção para a leitura filosófica e conceitual iniciada por Althusser e seus alunos [o livro de Nesbitt tem capítulos escritos por frequentadores dos seminários que deram origem a "Ler o Capital", como o filósofo Étienne Balibar].
Trato "Ler o Capital" como a maior realização filosófica de Althusser para entender as crises, transformações e potencialidades do capitalismo tardio. O livro argumenta que Marx construiu em "O Capital" uma filosofia da forma-valor que é surpreendentemente pressagiadora em nos ajudar a entender o capitalismo contemporâneo.
Na contramão do revisionismo e das rupturas pós-marxistas dos anos 1960, Althusser se manteve fiel a uma leitura marxista-leninista tradicional. Essa ainda é uma perspectiva teórica e política viável?
Penso que não. A virtude contemporânea de "Ler o Capital" é ter deixado de lado as inclinações políticas datadas de Althusser, concentrando-se unicamente na crítica teórica do capitalismo.
Althusser afirmava que "O Capital" era mais bem compreendido entre operários do que entre intelectuais, porque estes não experimentavam a exploração de que fala o livro. O sr. concorda com essa afirmação?
Acho que essas afirmações de Althusser não são mais do que atormentada má-fé de um brilhante pensador iconoclasta em sua recusa a deixar o Partido Comunista francês, tentando encaixar-se em seu próprio círculo existencial.
Embora qualquer um possa potencialmente compreender "O Capital", esse trabalho filosófico-crítico é de ordem de complexidade totalmente diferente de algo como o "Manifesto Comunista". Com um livro tão complexo e exigente, qualquer um que fizer o esforço de entender seus volumes interpretará seus argumentos de acordo com posições subjetivas.
Ao mesmo tempo, podemos alcançar uma compreensão mais aguda da lógica objetiva do texto, como ocorreu, acredito, nas últimas décadas de pesquisa.
O que havia no século 19 e ainda há de equivocado sobre a visão econômica de Marx entre estudiosos?
A economia dominante continua ignorando o poder de muitos dos conceitos-chave de Marx: força de trabalho, valor excedente absoluto e relativo, tempo de trabalho socialmente necessário, tendência à queda da taxa de lucro. No entanto, o conceito fundamental para a crítica de Marx é sua teoria do valor-trabalho [relação entre o valor da mercadoria e o tempo dedicado à sua produção].
Ao abandonar qualquer forma da teoria do valor-trabalho, de [Adam] Smith a Marx, a economia neoliberal ganhou na habilidade de quantificar e analisar lucros e os vários movimentos internos ao capitalismo, mas perdeu a capacidade de entendê-lo como uma prática social, para não falar dos meios para construir qualquer crítica viável a suas crises, danos e limites.
É possível verificar empiricamente a ideia de que o desenvolvimento do capitalismo resultaria em maior prejuízo para os trabalhadores?
A leitura atenta de "O Capital" aponta para uma grande transformação na estrutura e na operação do capitalismo na atual conjuntura histórica. É um desenvolvimento que eu chamaria de capitalismo pós-humano, tendência recém-dominante no capitalismo do século 21 para a força de trabalho humana tornar-se o que Marx chamou de "infinitesimal e em extinção".
Essa tendência não é contrariada pelo fato de que, desde a década de 1980, sempre mais pessoas no mundo "trabalham" (em condições sempre mais precarizadas).
Pelo contrário, são duas consequências da mesma tendência.
Esse aumento numérico é a forma visível da tendência de que a humanidade continua a depender do trabalho assalariado para a sobrevivência. A desvalorização da força de trabalho é, por outro lado, a forma conceitual da tendência, em que a automação reduz constantemente o valor da força de trabalho aos níveis "infinitesimais".
Até a década de 1940, todo o algodão era colhido à mão. Hoje, em um mercado global, um colhedor de algodão na Índia, que ainda trabalha com as mãos, compete com colheitadeiras automáticas no Texas, que colhem, com um único motorista, 300 vezes mais por dia.
No passado, novas commodities e novos setores de serviços reempregavam força de trabalho dispensada devido à automatização de outros segmentos. Hoje, as novas áreas e processos criados já são automatizados.
Pode-se argumentar que o capitalismo entrou nessa nova fase nos últimos dez ou 20 anos. Sua característica é a automatização generalizada dos processos produtivos, com a tendência de eliminação de postos de trabalho não só no Norte mas também no Sul, de forma ainda mais devastadora.
Os sinais dessa transformação estão em toda parte, mas sua natureza e as forças que a dirigem mal foram compreendidas, a meu ver, tanto pela esquerda quanto pelos economistas neoliberais.
Por volta do ano 2000, estudiosos da tecnologia diziam que seria impossível fabricar um carro de forma totalmente automatizada; hoje não só vemos tais carros nas estradas como temos previsões de que 85% de toda a produção global possa estar automatizada dentro de uns 20 anos.
No entanto, esse processo ainda não foi devidamente compreendido como um momento no desenvolvimento histórico e estrutural do capitalismo. Nos artigos sobre o assunto, encontramos meras descrições desses novos processos de automatização e seus efeitos sobre PIB, trabalhadores, salários e empregos, mas nunca uma explicação que vá além de referências vagas e superficiais a "competição" global e "forças do mercado".
É por isso que a análise de Marx sobre a estrutura do capitalismo é mais urgente do que nunca.
Embora as transformações que têm ocorrido desde o ano 2000 não pudessem ser fenomenologicamente percebidas por Althusser em 1965, elas eram bem compreendidas por Marx, que claramente delineou a lógica estrutural desse processo em "Fragmento sobre as Máquinas", texto de 1858.
Para formular o que pode ser uma política pós-capitalista, acredito que seja necessário atingir uma compreensão clara e adequada sobre a natureza e os limites dessa nova forma do capitalismo. O lugar para começar e desenvolver esse entendimento contemporâneo, com toda complexidade e rigor, tenho certeza de que continua sendo a obra-prima de Marx.
O que é ser marxista hoje?
Há mais de 150 anos, os escritos políticos e filosóficos de Marx são a referência mais penetrante para a crítica sistemática do capitalismo e a luta militante para derrubar seu reinado de iniquidade sobre uma parcela cada vez maior da humanidade. Ao mesmo tempo, ao longo do século passado, "marxismo" e "marxista" designaram uma sistemática incompreensão e simplificação de sua teoria.
Não me consideraria um "marxista". Sou um estudioso da monumental crítica conceitual de Marx ao capitalismo, tentando compreendê-la para desenvolver o mais rigorosamente possível sua implicação para o capitalismo contemporâneo e o imperialismo tardio.
Talvez, então, ser marxista hoje significaria, no mínimo, a recusa firme em abandonar o pensamento de Marx e orientar a própria crítica e ação na luz que ele lança sobre os obscuros desastres da era atual do capitalismo pós-humano.
Fonte: IHU

Noite de Oração pela Paz terá apresentação de grupo indígena

Foto: Mário Azanha

O grupo indígena Nhandewa fará uma das apresentações durante a 14ª Noite de Oração pela Paz na próxima quinta-feira (21) às 20h no auditório dona Guilhermina em Maringá.
Organizado pelo Grupo de Diálogo Inter-religioso (GDI), este ano o evento terá como conferencista Emerson Damásio de Araújo, membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República; ministro ecumênico e diretor administrativo da Religião de Deus.

Um dos objetivos da Noite de Oração pela Paz é combater a intolerância religiosa. O evento realizado em Maringá tem sido referência para o mundo, por conseguir reunir líderes de diversas denominações, tais como da fé bahá´í, budismo, candomblé, catolicismo, espiritismo, evangélicos, islamismo, religião de Deus e umbanda.

Índios
A partir de 2018 a religião indígena passará a integrar a coordenação do Grupo de Diálogo Inter-religioso. A decisão foi tomada este ano pelos membros do GDI.

A Noite de Oração pela Paz é aberta ao público.

Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

16 setembro, 2017

Dom Edson Damian obrigada por essa visita amiga.

Uma visita abençoada!
Dom Edson Damian obrigada por essa visita amiga.

Dele o convite para ir conhecer sua diocese...nossa...um sonho...

Hoje acolhi em minha casa para o jantar Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. 
Com certeza, não por acaso, mas não sei como começamos nos comunicar por e-mail por volta  de quatro anos.
Hoje de manhã uma linda surpresa, ao Abrir o e-mail um era de dom Edson onde ele dizia - estou em Maringá podemos nos encontrar a tarde?

Conhece-lo foi maravilhoso.
Humildade, carinho, alegria, simplicidade, sabedoria e profetismo presente nele.

Sâo Gabriel da Cachoeira onde ele atua como bispo está localizada no oeste do estado do Amazonas, na fronteira com Colômbia e Venezuela.
As terras indígenas abrangem mais de oitenta por cento do território municipal.
É um dos maiores municípios do Brasil.
Diocese mais isolada, mais indígena e mais pobre do Brasil.

Nas fotos, eu, ele, minha mãe, meu pai, minha cunhada, minha sobrinha e meu irmão.

14 setembro, 2017

Oração

Senhor, Tu és, na verdade, o fundamento de toda a fraternidade, porque és Pai, porque nos ensinas a amar como Tu amas. Falo muito de fraternidade, de comunidade, de paz. Mas, muitas vezes, fico à espera de ocasiões extraordinárias para viver e testemunhar essas realidades. Nem sempre me dou conta de que é no dia a dia, no cumprimento dos meus deveres de comunidade, no apoio discreto aos irmãos, no morrer a mim mesmo, em tantas pequenas coisas, que posso dar a vida, construir a fraternidade. Ilumina-me, Senhor! Faz-me ver que a caridade cristã é algo de muito concreto, simples e quotidiano. Amém

Fonte: dehonianos

13 setembro, 2017

CEBs NO CONTEXTO URBANO. A cidade desafia as CEBs. J. B. Libanio

As CEBs conservam a vocação de ser presença no coração da vida da cidade, carregada de problemas sociais.



A cidade desafia as CEBs.  As injustiças sociais no campo aparecem, sob certo sentido, de maneira bem escandalosa. A cidade tende a escondê-las. Ao assumir as grandes transformações culturais, as pessoas, mesmo pobres, sentem que participam de seus benefícios: eletricidade, aparelhos domésticos, produtos industrializados a preço acessível. Tal fato anestesia a consciência crítica. Dificulta as lutas. Ao vir para cidade, pensa-se que já se goza automaticamente de seus benefícios. E por isso, perde-se certa garra de luta.

Com efeito, gente que nas CEBs do interior reivindicava pelos próprios direitos, ao cair na grande cidade, diminui o fôlego. A cultura pós-moderna, com a inundação gigantesca de programas de TV e com outros recursos da informática, avassala a mente com propaganda. Tal universo de informação e de entretenimento termina por cansar as pessoas a ponto de elas não encontrarem energia para outras atividades. Passa-se facilmente de consciência combativa para acomodada.

Os líderes estudantis e operários, que, em décadas anteriores, conseguiam mobilizar os afiliados para comícios, assembleias e greves, lutam tenazmente para chegar até a eles por causa dos entraves que as cidades cada vez maiores põem e por influência da cultura pós-modernidade presentista e paralisadora.

As CEBs, que no passado desempenharam papel relevante na vida política do país a ponto de terem estado na origem de mobilizações e movimentos sociais populares, e também do Partido dos Trabalhadores, sofrem, nas cidades, da inércia crescente em face da política. Há enorme descrédito de tal atividade humana em consequência de vergonhosos escândalos por parte dos atuais políticos. Não há dia em que as manchetes não estampem casos de corrupção na administração do bem público.

O arrefecimento da prática religiosa na cidade

A cidade em relação à prática religiosa está a provocar-lhe o arrefecimento. Dificulta o exercício dos atos religiosos que na vida rural se seguiam cuidadosamente.  Já não se veem, com a clareza da vida rural, os antigos símbolos católicos, invadidos por outras religiões, especialmente pelas igrejas neopentecostais. As distâncias aumentam. A vida urbana acelera o ritmo das pessoas. A queixa geral: não se tem tempo para nada. De fato, na cidade o problema do tempo se torna cada vez mais grave. Um dos entraves para o crescimento da vida das CEBs vem de as pessoas não conseguirem hora para reunir-se. (nas cidades grandes, gasta-se muito tempo no trânsito, por exemplo.  A vida religiosa parece minguar.

O isolamento das pessoas e o cultivo do espírito comunitário.

A cidade aproxima fisicamente as pessoas. Agrupa-as em quantidade gigantesca. E curiosamente produz o efeito contrário. Em vez de socializá-las, isola-as no anonimato e no individualismo. Impera a regra: “salve-se quem puder”. Teme-se que estabelecer relações com as pessoas próximas traga invasões da privacidade.

Então surge o desafio para as CEBs urbanas. Como conseguir um equilíbrio entre o isolamento e a invasão exagerada da intimidade num ambiente de excessiva proximidade física.  As CEBs têm muito a oferecer com a experiência de ser comunidade. A origem primeira das CEBs aconteceu em torno de círculos bíblicos, celebrações, lutas sociais. As pessoas se reuniam para rezar, debater, celebrar, organizar mutirões. Essas realidades continuam importantes e mais ainda na cidade.

Os pilares das CEBs

Importa muito conjugar a dimensão comunitária, a preocupação social e a religiosidade. Sem esses três traços a CEB perde a característica própria. A cidade inibe, sob certo aspecto, os três elementos. Dificulta as reuniões comunitárias. Reduz o tempo para a convivência e assim impede o pessoal organizar-se comunitariamente.  Sem muita motivação e empenho, dificilmente as pessoas se reúnem para leitura orante da bíblia, para celebrações e reuniões, a fim de programar atividade social. E sob esta perspectiva, ela impede o empenho social.

CEBs evangelizam a religiosidade na cidade.

As CEBs conservam a vocação de ser presença no coração da vida da cidade, carregada de problemas sociais. Cresce nas pessoas certo desejo espiritual, provocado pela violência e dureza da vida urbana. As CEBs constituem-se pequeno oásis de espiritualidade.  A explosão do fenômeno religioso reflete a carência de toque espiritual no mundo atual.  Mas é preciso evangelizar a religiosidade. A religiosidade que não pede conversão, ainda não se deixou evangelizar. As CEBs têm potencial poderoso de ajudar as pessoas envolvidas na onda espiritualista para que descubram a exigência de mudança de vida. Mas em que direção? Na direção de uma conversão que, em última análise, assuma o serviço aos pobres, necessitados, marginalizados da sociedade. Então, o último passo da conversão da religiosidade se dá no compromisso, na práxis da caridade. Experiência que as CEBs conhecem de longa data e de que, portanto, têm muita experiência.

A cidade está a exigir das CEBs transformações profundas. Vale o princípio básico de toda mudança. Olhar para o passado, recolher os valores fundamentais e conservá-los. Perceber-lhes os limites e abandoná-los. E, sobretudo entregar-se à tarefa criativa. Ficam, portanto, estes questionamentos:

Que elementos das experiências anteriores vividas pelas CEBs merecem ser conservados?
Que elementos se consideram definitivamente superados e, portanto, não cabe teimar retê-los?
Finalmente, que novas perspectivas a cidade abre para as CEBs?

Fonte: www.cebsdobrasil- Nordestão- Batista Silva GT comunicação

Fonte: CEBs do Brasil


Lançamento do Hallel 2017


"Queremos o preto e o favelado no centro do processo decisório"

Com a crítica de que os partidos que estão no poder não têm discutido temas como o genocídio da população negra e as incursões policiais nas periferias do País, a Frente Favela Brasil luta para se transformar em legenda.
Lançado em 2016, o movimento acaba de protocolar um pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e agora corre para coletar quase 500 mil assinaturas para se transformar no 36º partido político brasileiro. Se fizer isso até outubro próximo, poderá disputar as eleições de 2018.
O principal objetivo da sigla é combater as desigualdades que assolam o povo negro e periférico por meio da construção de um "projeto de oportunidades". A diferença, diz o seu presidente Wanderson Maia, de 28 anos, é que, em vez de buscar terceiros que a represente, a Frente Favela vai atuar para colocar o preto e o favelado nos espaços de poder. “Todos nós sempre estivemos longe do debate político central”, afirma Maia, que vive em Brasília.
Servidor público e cientista político, Maia divide a presidência do partido com Patrícia Alencar. Na Frente Favela, a ideia é que 50% dos quadros partidários sejam compostos por mulheres.
Nesta entrevista publicada por CartaCapital, 12-09-2017, Wanderson Maia fala sobre os planos do partido. A legenda quer representar os 54% da população brasileira que se autodeclaram pretos ou pardos e, embora defenda pautas progressistas, o movimento não se identifica com a esquerda brasileira. "Levamos bandeiras históricas da esquerda, mas não nos sentimos contemplados pelos partidos que aqui estão."
Wanderson Maia, da Frente Favela, evoca a filósofa Sueli Carneiro: Entre esquerda e direita, somos pretos. 
Wanderson Maia, da Frente Favela, evoca a filósofa Sueli Carneiro: Entre esquerda e direita, somos pretos. Foto: Divulgação.
Eis a entrevista.
Por que a Frente Favela quer se tornar partido? Qual o objetivo?
O objetivo central da Frente Favela é promover a igualdade de oportunidades para os pretos e para os favelados e periféricos de todo o País. Precisamos ter a consciência étnico-racial de que os negros foram alijados de toda a estrutura social, a eles foram renegados vários direitos fundamentais. No governo, a esquerda promoveu algumas políticas de inclusão, mas algo ainda residual para a realidade negra do Brasil e para a realidade daqueles que vivem em comunidades periféricas.
Todos nós, tanto negros quanto favelados, sempre estivemos longe do debate político central, longe dos temas centrais dos programas dos partidos tradicionais. Então, além de promover a igualdade de oportunidades, o partido pretende promover a auto-organização do povo negro e favelado para que possam participar politicamente a partir da nossa estrutura partidária. Queremos o preto e o favelado no centro do processo decisório.
Hoje, os negros participam da política em seus guetos partidários, sendo representados por aqueles que sempre estiveram no processo decisório político: os brancos das classes mais abastadas do País. Então a ideia é fazer com que a envergadura do partido sejam os negros, as mulheres e os favelados.
A Frente Favela foi lançada em 2016, e vocês já disseram que o impeachment de Dilma Rousseff influenciou o movimento. Como se deu essa influência?
Naquele momento houve no País uma falsa polarização, como se estivessem em disputa dois modelos de fazer política totalmente diferentes um do outro, azul e vermelho. Isso nos influenciou porque, naquele contexto do impeachment, havia um debate interno de onde nós deveríamos nos enquadrar.
Essa foi uma cobrança que a polarização exerceu sobre todos os brasileiros, cada cidadão deveria ser ou coxinha ou petralha, ou azul ou vermelho. Isso colocou para nós, pretos e favelados, uma reflexão. Em que momento o genocídio da população negra está sendo discutido no PT ou no PSDB? Em que momento questões como as incursões policiais nas favelas, que são caras para a população preta e para a população periférica, estão sendo discutidas?
O Estado de exceção já existia para a população periférica, que sempre viveu a ausência da Constituição, a ausência da garantia de seus direitos fundamentais. Isso não foi plataforma política em momento algum, nem na campanha eleitoral de 2014, nem no debate do impeachment, nem na discussão sobre a superação da crise econômica.
Se o partido for criado de fato, de que forma vocês vão se apresentar ideologicamente? Esquerda ou direita?
Nós evocamos a frase de uma das teóricas que temos como referência, que é a Sueli Carneiro, feminista negra: Entre esquerda e direita, nós permanecemos pretos. É claro que as nossas bandeiras históricas têm muito mais familiaridade com as bandeiras da esquerda, do bem-estar social, da intervenção do Estado em alguns aspectos da economia. Mas esse debate do genocídio da população negra, da violência que afeta as nossas comunidades, seja pela ausência do Estado, seja pela presença do Estado de maneira violenta, esse debate gera questões políticas que, para nós, são diferentes do debate da esquerda atual.
Então é assim que a gente se posiciona: levamos bandeiras históricas da esquerda, mas não nos sentimos contemplados pelos partidos de esquerda que aqui estão.
Quais são as outras bandeiras?
Valorização da nossa história e da cultura negra; oportunidades de trabalho e pleno emprego; e educação pública, gratuita e de qualidade.
São bandeiras que o campo de esquerda vem trazendo, mas com a diferença central da estrutura partidária e de representação. Essa é a inovação que o Frente Favela traz. O partido não traz as bandeiras históricas apenas em teoria, como ideologia programática no estatuto da legenda, mas procura trazer o protagonismo de cada favelado e cada preto do País. São eles que vão compor as diretorias municipais, estaduais e nacional do partido. É nessa questão da representação que a gente quer atuar como diferencial dentro da esquerda.
Vocês já estão escolhendo os candidatos que eventualmente disputariam as eleições pelo Frente Favela? O rapper MV Bill está sendo cotado?
Definitivamente ainda não estamos nessa discussão eleitoral de quem serão os nossos pré-candidatos ou os nossos futuros candidatos. Estamos na fase de construção da estrutura interna do partido e da coleta de assinaturas.
Com a legenda na mão, com o registro do partido proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, aí sim faremos as prévias, as discussões e as convenções do partido para debater de que forma vamos nos colocar no quesito eleitoral.
Por enquanto nós temos o apoio de vários artistas, de pessoas que se identificaram com o nosso programa e que estão somando na organização interna do partido. O MV Bill e outros artistas, intelectuais negros e pessoas que estão na mídia e que vêm desse contexto de subúrbio ou favela, a participação deles gira em torno não de candidaturas, mas de apoio ao partido, de fazer a Frente Favela acontecer.
Vocês precisam de quase 500 mil assinaturas para obter o registro junto ao TSE. E, para que possam disputar as eleições de 2018, vocês têm menos dois meses para fazer isso. Qual a expectativa? Vai dar tempo?
Nós estamos com uma expectativa bastante otimista, porque muita gente tem nos procurado se colocando à disposição como voluntário, para fazer acontecer as assinaturas. Estamos crescendo muito em termos de organização e acho que vai ser possível.
As pessoas têm olhado para o sistema político atual e não têm visto nada parecido com a iniciativa do Frente Favela. E as pessoas têm entendido que o nosso partido pode ser uma alternativa a todos esses gargalos que existem no sistema político atual, no sentido de que pode ser interessante mudar os atores para [colocar no poder] alguém que tenha os pés na comunidade, que realmente use o Sistema Único de Saúde.
Como vocês veem a questão da política real, a formação de alianças? De que forma vocês vão se colocar?
Ainda estamos maturando essa questão das alianças porque, se você ainda não é um partido, essa política real naturalmente fica um pouco distante. Mas vamos compor com quem tenha real compromisso com as nossas bandeiras, com aquilo que de fato vai beneficiar o povo pobre, de favela, de periferia e os negros.
Você falou sobre genocídio da população negra e incursões policiais violentas nas favelas. Dentro das bandeiras que o Frente Favela vai defender está prevista também a discussão de uma nova política de drogas?
Nós ainda não avançamos muito nesse debate, não conseguimos definir uma plataforma. Precisamos aprofundar a pauta da segurança. Estamos esperando passar esse processo de coleta de assinaturas e de convenções partidárias para poder tirar uma posição fechada. Mas nós acreditamos que a forma como a segurança é exercida pelo Estado precisa mudar sem dúvida alguma. Porque, no modelo que está colocado atualmente, o combate às drogas e as incursões policiais são muito em função dessa guerra às drogas, que acaba prejudicando a população mais pobre do País. Muitos inocentes morrem nessas incursões policiais. Na prática, a guerra às drogas acaba virando uma guerra aos pobres.
Então isso já demonstra que a política de drogas atual está calcada em preconceito. Há muito para desmistificar na sociedade, mas para isso é preciso um debate mais profundo com todos que estão compondo o partido para que a gente apresente alternativas. Porque fica difícil eu dizer algumas questões que a gente possa defender em política de drogas sem propor alternativas a esse modelo que aí está. E a sugestão envolve políticas de saúde, de segurança pública, várias questões transversais.
O partido defende a igualdade de gênero. Porque essa questão é importante para vocês?
É importante porque a maioria da população com a qual a gente dialoga são as mães de família. A gente não pode negar isso, não pode negar o papel que as donas de casa têm no processo de mobilização política, de participação comunitária. A voz dessa mulher é fundamental para discutirmos políticas para as mulheres e outras questões transversais como saúde e educação.
Ter igualdade de gênero é fundamental para que a gente consiga dialogar de fato com as nossas origens populares, e é por isso que 50% de todas as instâncias partidárias devem ser preenchidas por mulheres, desde o diretório municipal até o nacional.
Para encerrar, gostaria que você explicasse como vai funcionar essa regra de que parlamentares eventualmente eleitos pelo Frente Favela terão que doar 50% de seus salários.
Todos os parlamentares eleitos terão que doar 50% de seus salários deles para uma fundação que está em processo de criação junto à fundação do partido. A ideia é que essa fundação possa beneficiar as comunidades nas área social, em saúde e educação.
Nós também queremos reduzir a ideia de que a vida política é uma trajetória de enriquecimento pessoal. Um salário de 33 mil reais [deputado federal], mesmo que reduzido a 50%, é um bom salário. Para quem veio da realidade de comunidade, de periferia, ou para quem é negro e tem os piores salários, quando comparados aos de outras etnias, é um bom salário. E a outra metade do dinheiro poderá retornar à comunidade que o elegeu, em benefícios para a sociedade.
Fonte: IHU

Núncio na colômbia: Papa nos explicou como fazer para nos reconciliarmos


Bogotá (RV) – O Papa Francisco veio dar “o primeiro passo” entre nós e as pessoas se uniram ao Papa, prontas a dar os primeiros passos necessários para fazer retornar a paz ao país.

Esta é uma das considerações do Núncio Apostólico na Colômbia, Arcebispo Ettore Balestrero, ao fazer um balanço à Rádio Vaticano da viagem apostólica do Papa à Colômbia:

“Uma primeira impressão é o rosto dos colombianos que o esperaram, que choraram, que o abraçaram, que se apegaram a ele: quase que significando que o Papa veio para mostrar não somente que devemos dar o primeiro passo, mas que o primeiro passo pode ser dado e que a Colômbia é capaz de fazer isto. Portanto, deu a esperança aos colombianos, a esperança de um futuro diferente. Ele como que representou e recolheu a vontade dos colombianos de virar a página e a possibilidade de fazê-lo, porque estamos no momento em que isto é possível e diria também necessário. Construir um país sobre bases diferentes, sobre bases do amor, do respeito, das capacidades dos seus habitantes, também sobre a base de um respeito dos direitos humanos e da dignidade de cada pessoa”.

RV: O Papa quis entrar de certa forma “na carne” – como diria ele – do processo que a Colômbia se prepara para viver. Considerando também a sua história, considerando a reconciliação, uma reconciliação verdadeira, não política, não técnica. Como ele disse: é necessário partir do coração das pessoas, sobretudo do coração de quem sofre. Assim, na sua opinião, depois daquilo que o Papa disse, de que modo a Colômbia se apresenta diante desta necessidade?

“Acredito que a Colômbia se apresenta com uma grande receptividade, ao menos em nível de povo. No sentido de que existe uma vontade, como eu dizia antes, de virar página, de redescobrir a outra pessoa; existe sobretudo uma vontade de olhar para frente. O Papa veio catalisar este desejo, expressá-lo e dar a ele uma certa orientação, porque nos explicou como fazer para nos reconciliarmos, nos explicou o que é necessário: o respeito pela outra pessoa, o reconhecimento das vítimas, da verdade, o valor da justiça e que a verdade e a justiça são dois fatores que juntos são indispensáveis para construir um novo país. Me parece que oPapa, de uma forma ou outra, traçou um caminho que a população colombiana deseja percorrer e tem necessidade de percorrer”.

RV: Um tema aparentemente secundário da viagem foi o da vulnerabilidade. O Papa falou sobre isto ao acolher uma daquelas jovens com necessidades especiais diante da Nunciatura, com necessidades. No dia seguinte, durante a Missa em Medellín,  retomou este tema. De certa forma, isto poderia representar de forma simbólica o caminho da Colômbia. O quanto é importante sentir-se vulneráveis para recomeçar?

“É importantíssimo reconhecer a própria vulnerabilidade, que é evidente na Colômbia, mas é muito mais importante ainda -  como disse o Papa – tomar consciência de que todos somos vulneráveis, que também aqueles que aparentemente são mais fortes, são mais violentos, na realidade têm feridas muito profundas. O Papa nos ensinou que Deus dentro de nós deseja curar e pode curar esta vulnerabilidade, estas feridas: sozinhos não conseguimos. O povo colombiano sozinho, abandonado à própria sorte, não pode. Mas por isto, acredito, houve esta acolhida tão apoteótica do Papa. Milhões de pessoas na Missa em Bogotá, na Missa em Medellín, mas também milhões de pessoas pelas ruas. Por que? Porque vem para expressar no seu hábito branco o desejo, para projetar para o exterior o desejo interior de mudar, de uma cura profunda. E nos diz que somos capazes de fazê-lo, nos diz que com Cristo que cura as feridas humanas, cada um de nós pode curá-las, e nos diz também para olhar para as feridas dos outros com misericórdia, conscientes de que cada um tem as suas e que porém, todos juntos, podemos melhorá-las, todos juntos podemos curá-las e acredito e espero que a partir de agora se possa começar um caminho de cura dentro do país”.

RV: Para concluir poderíamos dizer assim: o Papa Francisco veio à Colômbia para dar o primeiro passo. A Colômbia agora, na sua opinião, como conseguirá dar os passos sucessivos?

“Os passos sucessivos vão depender dos colombianos. Acredito que o primeiro passo fundamental será o de tomar consciência daquilo que o Papa nos disse, reviver isto e depois começar a colocar em prática, começar a colocar isto em prática em nível de família, porque a grande violência e a vulnerabilidade estão dentro da família, mas colocar isto em prática também em nível de povoados e como Igreja assumir a mensagem do Papa e procurar divulgá-lo, de vivê-lo e testemunhá-lo na vida dos pastores e de todos os fiéis”.

(JE/AdC)

Fonte: Rádio Vaticano


12 setembro, 2017

III Semana de Espiritualidade 2017

Inscrições:

PUCPR - C.A. de Teologia  
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Crise econômica, desemprego e preconceito aumentam risco de suicídio - Ipea


Em todos os países episódios de suicídio são registrados, mas segundo dados da OMS, 75% dos episódios ocorreram em nações de baixa e média renda em 2012.


A reportagem é de Helena Martins e publicada por Agência Brasil, 11-09-2017.


A cada 40 segundos, um suicídio ocorre no mundo. Ao todo, são 800 mil registros anuais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora tenha forte componente individual, determinantes sociais - como questões econômicas - também têm influência em diversos casos investigados. Episódios de suicídio são registrados em todos os países, mas segundo dados da OMS, 75% dos episódios ocorreram em nações de baixa e média renda em 2012.


Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre austeridade e saúde diagnosticou, a partir da análise de diferentes estudos, que as crises econômicas e o consequente aumento do desemprego aumentam o risco de suicídio e de mortes decorrentes do abuso de álcool.


Falta de esperança, dificuldades de se enquadrar no ambiente social e econômico são problemas apontados pela autora da análise e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Fabiola Sulpino Vieira.

Crise e austeridade

Em momentos de crise, a demanda por atendimento de saúde cresce, tanto pela degradação das condições de saúde quanto pela dificuldade de ter acesso a um serviço privado. Por isso, a possibilidade de ocorrência de suicídios pode aumentar com a adoção de políticas de austeridade.

“A crise gera uma série de problemas, à medida que você provoca uma situação de instabilidade muito forte. Quando vem a austeridade, que geralmente vem por meio do corte de despesas da área social, você acaba tirando possibilidades de mitigação dos efeitos da crise na vida das pessoas”, explica Fabiola.

Após analisar vários países que enfrentaram crises ao longo da história, a pesquisadora concluiu que aqueles que mantiveram políticas de reinserção das pessoas no mercado de trabalho e renda mínima, além de serviços públicos de saúde e educação, “não só mitigaram os efeitos da crise sobre a situação de saúde das pessoas, como também tiveram resultado em conseguir retomar o crescimento econômico em um prazo mais curto do que os que adotaram a austeridade”.

Enfatizando a necessidade de prevenção, o estudo alerta que “programas de proteção social e voltados para o mercado de trabalho podem reduzir o risco de desfechos negativos sobre a saúde mental e problemas relacionados ao abuso de álcool, além disso, podem promover a saúde e o bem-estar”.

A situação do Brasil

O Brasil não está fora desse quadro. O país tem taxa proporcional de suicídio baixa. Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, foram registrados 10.653 óbitos por suicídio no Sistema de Informação de Mortalidade, taxa média de 5,2 por 100 mil habitantes, praticamente metade da média mundial, que é de 11,4 casos para o mesmo grupo. No entanto, tem sido diagnosticado um crescimento constante do número de ocorrências, especialmente, em relação a determinados grupos sociais.

Jovens

“Fatores puramente econômicos como o desemprego e a renda causam maior impacto sobre a taxa de suicídio ao grupo de pessoas mais jovens”, destacou o Ipea, em pesquisa sobre determinantes sociais do suicídio, publicada em 2010. Pressão social por sucesso e desemprego estrutural entre os jovens são alguns dos fatores que explicam essa situação, segundo o Ipea. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no mundo, segundo a OMS.

A questão de gênero é outra questão destacada na análise. Verificando microdados do Ministério da Saúde relativos ao intervalo entre 2000 e 2010, o Ipea constatou que 79% das vítimas são do sexo masculino. Já estudo que trata da relação entre acesso às armas de fogo e suicídio destacou que, quando consideradas apenas as mortes cometidas com armas de fogo, esse percentual chega a 88%.

Brancos

A diferença racial não aparenta ser tão determinante na análise das ocorrências gerais. Há 5% a mais de vítimas brancas. Quando destacado o uso da arma de fogo, esse percentual aumenta em quase dois terços.

“Isto provavelmente reflete que os indivíduos de cor branca são em média mais ricos que os não brancos e, portanto, possuem mais facilidade de adquirir armas de fogo”, avalia o Ipea.

O estudo aponta ainda que a disponibilidade de armas desse tipo pode favorecer a ocorrência de suicídios, de forma geral.

Indígenas

O acesso às armas de fogo em regiões de fronteira ou nas regiões agrícolas, onde muitos conflitos são registrados, ajuda a compreender a distribuição geográfica das ocorrências. Exemplo disso é o número bastante elevado de suicídios em Mato Grosso e no Amazonas. Enquanto a média nacional é de 5,2 casos por grupo de 100 mil habitantes, nesses locais a taxa é de 13,6 e 11,9, segundo dados do Mapa da Violência 2017.

LGBTs

Em 2016, a ocorrência de casos desse tipo no âmbito da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) chamou a atenção do Grupo Gay da Bahia (GGB) que, todos os anos, produz relatório sobre violência homofóbica. O grupo registrou 26 suicídios, sendo 21 gays, três lésbicas e duas pessoas transexuais. O número deve ser maior, já que a pesquisa contabiliza apenas casos noticiados por jornais e pela internet.

Políticas públicas

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza acompanhamento psicológico e psicoterápico, incluindo terapia ocupacional, bem como assistência hospitalar a todas as pessoas com transtornos mentais ou problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

Preocupado com o crescimento do número de suicídios, em 2006, o Ministério da Saúde publicou as Diretrizes Nacionais de Prevenção do Suicídio (Portaria 1.876/2006) e o manual dirigido aos profissionais das equipes de saúde mental dos serviços de saúde.

A iniciativa integra a Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, que tem como objetivo reduzir as taxas de óbitos por esta causa, bem como as tentativas e os danos associados aos sujeitos envolvidos, além de estruturar a rede de suporte social e comunitária.

Em nota enviada à Agência Brasil, o ministério destacou que o Brasil está entre os 28 países, de um universo de mais de 160 analisados pela OMS, que tem uma estratégia de prevenção desse tipo. A portaria que estabelece a política está sendo avaliada pelo Comitê de Enfrentamento do Suicídio, criado recentemente pelo órgão, que deverá atualizar as diretrizes da estratégia.

O ministério também tem trabalhado em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV) – serviço que oferece apoio emocional por meio de ligação telefônica, a fim de evitar o suicídio – para ampliar o alcance do serviço de apoio gratuito por telefone para todo o país até 2020.

08 setembro, 2017

6º Encontrão das CEBs - Arquidiocese de Maringá


6º Encontrão Arquidiocesano das CEBs
Dia 1º de outubro
Das 13h30 às 17h00
No Colégio Carlos Démia - cidade de Maringá


Com alegria convidamos a todas e a todos para o 6º Encontrão Arquidiocesano das CEBs, cujo tema é “CEBs e os Desafios do Mundo Urbano” e o lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7), dia primeiro de outubro, das 13h30 às 17h00 no Colégio Carlos Démia, cidade de Maringá.

Deus escuta o clamor do povo que sofre opressões no mundo urbanizado e convoca as CEBs a participar – junto a todas as pessoas de boa-vontade – de sua libertação. Esta é a intuição profunda do 6º Encontrão Arquidiocesano das CEBs que unirá musica e dança na apresentação dos desafios do mundo urbano reafirmando as Comunidades Eclesiais de Base como o caminho, o sinal de esperança, na certeza que o nosso Deus habita no campo e na cidade.

O povo de Israel, as discípulas e discípulos de Jesus viveram e anunciaram o evangelho em grandes cidades, cidades com todas essas lógicas de violência, de opressão e ali souberam ser sinal de nosso Deus, souberam ser fermento de Cristo, souberam manter os valores de hospitalidade e acolhida, acolhidos no amor de Deus e por isso eles são sinal que as cidades não precisam ser lugar da violência e opressão, mas podemos construir a cidade de Deus, o Reino de Deus, marcar nossas cidades com essa presença. É isso que queremos reafirmar no encontrão das CEBs, onde cada um depois reforçado a fé vai continuar a caminhada.

Para o papa Francisco "As artes expressam a beleza da fé e proclamam a mensagem da grandeza da criação de Deus" e isso é lindo. A arte envolve, tem sido assim os encontrões das CEBs, as pessoas não apenas vão participar, mas vão como sujeito do encontrão.

A dinâmica do 6º Encontrão será apresentar os desafios do mundo urbano através de música e dança.Cada região pastoral recebeu um desafio e um ritmo, a letra da música deve falar do desafio do meio urbano apresentando as CEBs como o caminho, o sinal de esperança.

- Região Pastoral Jandaia do Sul: meio ambiente e sustentabilidade, ritmo nordestino.


- Região Pastoral Sarandi/Nossa Senhora das Graças: arte, cultura, esporte e lazer, ritmo rock / anos 60.

- Região Pastoral São José Operário: cidade excludente, mobilidade e migração, ritmo samba.

- Região Pastoral Nossa Senhora Aparecida: violência, ritmo hip hop.

- Região Pastoral Catedral: tecnologias de informação e comunicação, ritmomarchinha.

- Região Pastoral Santa Cruz: moradia, ritmo: ciranda.

- Região Pastoral Castelo Branco: trabalho, ritmo valsa.

- Região Pastoral Paranacity: saúde e educação, ritmo: sertanejo gauchesco.


Importante: - Levar canecas e/ou copos. Atitudes simples como utilizar canecas e copos permanentes podem minimizar problemas ambientais.