31 agosto, 2018

''Caro Dom Viganò, eis o pensamento de um pároco''


Abaixo, carta aberta do Pe. Francesco Murana endereçada a Dom Carlo

Para mim ha muitas vozes que clamam no deserto...,
Muitas vozes caladas...
A injustiça reside na omissão dos justos.

Ele lutava para mudar a situação e não conseguia. O sofrimento de(...) Não aguento ficar calado, pois já escutei o som da trombeta e o grito de guerra!” (Jr 4,19).

Aí chega um certo momento, tem quem não aguenta...e grita...

É assim, e infelizmente na maioria das vezes os que não aguentam e não se calam, não são compreendidos...


Leiam e faça sua interpretação.



Publicamos aqui a carta aberta do Pe. Francesco Murana, pároco de Milis, Diocese de Oristano, Sardenha,  na Itália, endereçada a Dom Carlo Maria Viganò.

A mensagem foi publicada no jornal L’Unione Sarda, 29-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Excelentíssima Eminência,

Escrevo-lhe a partir das páginas de um jornal “de periferia”, aquelas periferias tão amadas tanto pelo Senhor (que cresceu em Nazaré, no seu tempo uma aldeia de montanha) quanto pelo atual pontífice, o Papa Francisco.

Quem lhe escreve é um padre que estudou em Roma e que teve muitas possibilidades para encontrar um espaço “cômodo e adequado” para se esconder em um dos tantos escritórios e dicastérios que o enorme aparato da Cúria Romana oferece.

Mas eu escolhi, ainda em 1986, ir para a periferia da Sardenha, cortando-me, assim, as pernas de toda “carreira” possível.

Se o Senhor quiser outra coisa de mim, Ele inventará as estradas para que eu faça outra coisa e em outro lugar.

Nestes anos que se passaram (32!) vi acontecer de tudo dentro do clero. Fiquei parado e calado no meu lugar, tentando dar tudo de mim. Alegrei-me e alegro-me porque temos um papa como Francisco.

Ele é verdadeiramente humano e não é hipócrita (em sentido grego! Não é um ator, não desempenha um papel). É ele mesmo e – por mais sincero que seja – às vezes escorrega em linguagens de pároco, e – como eu também sou pároco – eu me sinto menos sozinho.

Sinto-o próximo.

Ao contrário, em relação ao senhor, sinto-o distante.

À parte que o senhor deveria ter se contentado em ter chegado aos 77 anos e ter levado uma vida mais do que cômoda e reverenciada... pergunto-lhe: o que o senhor quer ainda? Eu sou um padre do interior por opção, mas o senhor realmente acredita que não é possível ver nas suas acusações contra o Papa Francisco outros motivos e outras intenções?

O senhor acusa o Papa Francisco de silêncio.

Mas o senhor se dá conta de que o senhor também pode ser acusado da mesma acusação, já que acordou depois de cinco anos? Como o senhor dormiu durante cinco anos, nas próximas 11 páginas, conta-nos o que sonhou? Envergonhe-se.

Diante de todos nós, padres que cuspimos sangue todos os dias, em solidão: vocês brincam de ser prelados, servidos e reverenciados em tudo.

Tão viciados em poder que não veem mais nada, corroídos de ciúmes pelo muito tempo que têm à disposição, nunca saciados com o que recebem e sempre olhando para “os lugares que importam” ocupados pelos outros.

Tenho certeza de que o Papa Francisco é capaz de fritar um ovo e lavar as meias sozinho.

Do senhor, não; do senhor eu só tenho a certeza de que, a fim de cavalgar um capricho feito “pelo bem da Igreja”, é capaz de desenterrar o esterco alheio.

Eu estou na Igreja: o que o senhor fez de bem por mim e pelos paroquianos com quem eu vivo? Nada. Na língua sarda, o senhor é um “imboddiosu”: alguém que pega um novelo que não é seu e fica fazendo nós no fio; forçando assim a fiadora a perder tempo desfazendo-os para continuar tecendo...

O trabalho seguirá em frente, mas teremos perdido tempo graças ao “imboddiosu” de plantão.

Graças ao senhor, perdemos – pela enésima vez – rosto e tempo.

Olhando para o senhor, eu quero outra coisa e em outro lugar.

Pe. Francesco Murana
Pároco de Milis
Diocese de Oristano



Fonte: IHU

No Brasil, nem metade da população adulta alcança o Ensino Médio

O Ensino Médio no Brasil é um gargalo a ser superado pelas escolas e pelo Estado, para que o país avance na educação. A defasagem da qualidade do ensino nesta etapa sugere mudanças na matriz educacional do País. Apenas 58,5% dos jovens concluem a educação básica até os 19 anos de idade; e a maioria dos que conseguem concluir sai despreparada para o mercado de trabalho. Como consequência, o Brasil mantém um elevado número da sua população adulta que não concluiu o Ensino Médio. Em 2017, 811 mil pessoas recorreram à Educação de Jovens e Adultos (EJA) para finalizar o processo de escolarização.


A reportagem é de Camila Costa, publicada por Agência Rádio Mais, 30-08-2018.

A informação é da Pesquisa, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016-2017 (Pnad 2016-2017), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas frequentando o EJA no ano passado na etapa do ensino médio é 10,6% maior do que a registrada em 2016. Leia mais aqui.

“Em certa medida, a reforma do ensino médio é positiva nessa direção. Estabelece deveres positivos e, como somos uma democracia, e uma democracia inclusiva, e é importante o alcance integral do entendimento dessa palavra, temos no Brasil grande contingente da população adulta brasileira com baixa escolaridade, e tem que se dar atenção a esse contingente até porque é o contingente, sociologicamente falando, mais fragilizado”, pondera o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi.

A oferta de ensino médio articulado com a educação profissional no Brasil permitiria o desenvolvimento de competências pertinentes ao mundo do trabalho, com vistas à melhoria da qualidade desta etapa de ensino e à inserção profissional dos jovens, segundo Lucchesi.

A recomendação do setor da indústria, enviada aos candidatos à presidência da República nestas eleições, é criar condições para implantar a nova Lei do Ensino Médio e revisar marcos regulatórios, a exemplo da aprendizagem profissional.

Dados da Pnad indicam que o País abriga cerca de 70 milhões de pessoas com mais de 18 anos sem o Ensino Médio completo. “Estamos tendo um grande desafio de aumentar o contingente de jovens que vão fazer o ensino médio, ajustar a adequação idade série, bem como melhorar a qualidade aberta à educação, concomitantemente, temos que corrigir o problema da matriz educacional”, observa Lucchesi. Para o grupo etário de 15 a 17 anos, o ideal seria frequentar o ensino médio, porém, apenas 68,4% estavam na idade/série adequada em 2017, mesma de 2016 (68,0%), de acordo com a Pnadcontínua.

O olhar, segundo ele, deve se voltar, principalmente neste momento, para a reforma do Ensino Médio. Para a especialista em gestão escolar Juliana Diniz, os tempos mudaram e a educação pede dinamismo e um ajuste às novas tecnologias. “Num contexto da modernidade com todas essas possibilidades de mudanças aceleradas, quando você considera esse cenário e coloca um componente de qual lugar estamos nas escolas no país, claro que temos cases de sucesso, mas de regra estão com a cabeça e mentalidade do século 19, 20, educando alunos do século 21, quando pensa nesse lapso, nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinadas habilidades e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, considerando ele pessoa de potência”, declara Juliana.

30 agosto, 2018

O Lamento e o Grito

O lamento mantém os olhos fixos sobre as ruínas de um edifício, de um projeto ou da história, seja esta pessoal ou coletiva. O grito procura entre os escombros algo que sirva de alicerce para recomeçar o movimento, escreve Alfredo J. Gonçalves. Assessor das Pastorais Sociais.


Eis o artigo.

O lamento chora as perdas da crise ou da tragédia, sopesando suas nefastas consequências. O grito enxuga as lágrimas, ergue a cabeça e põe-se novamente em marcha. O lamento costuma estacionar no saudosismo, insistindo sobre “como eram bons aqueles tempos”! O grito, feita a análise da caminhada e ciente de que a história não se repete, tira as lições dos avanços e recuos, apontando para horizontes alternativos. O lamento tem um tom sufocado e oprimido, não raro silencioso ou silenciado de quem, ferido e abatido, se fecha num isolamento estéril e ineficaz. O grito se levanta, coloca a voz nas asas do vento, reúne outros gemidos ainda embrionários, sai às ruas e praças, manifesta-se e mobiliza-se em vista de mudanças urgentes e necessárias, de uma transformação histórica.

Em outras palavras, enquanto o grito vê nas ruínas e nas turbulências sinais de nova criatividade, o lamento limita-se a contabilizar os estragos e perdas. Enquanto o grito, apesar de tudo, mantém uma postura ao mesmo tempo crítica e ativa, o lamento destila o gosto amargo de uma passividade incapaz de tomar qualquer iniciativa. Enquanto o grito, mesmo em tempos difíceis, acentua o lado positivo de uma retomada, o lamento não encontra meios para superar “este vale de lágrimas”. Em síntese, enquanto o grito faz dos escombros uma encruzilhada para um futuro de justiça, direito e paz, o lamento permanece voltado para o passado, curtindo a saudade do berço ou do paraíso perdido.

Não convém, entretanto, estabelecer uma fronteira nítida, precisa e taxativa entre lamento e grito. Essa fronteira costuma ser móvel e escorregadia. Lamentos e gritos se mesclam e se entrelaçam nos entraves da existência. Muitos lamentos, após um período inicial de prostração, acabam por maturar e, com força redobrada, se convertem em gritos de guerra. E inversamente, muitos gritos, após um momento de euforia precoce e superficial, retrocedem a um estado de desânimo, de apatia e de desencanto, como se improvidamente lhes faltasse o oxigênio da esperança. Na história recente do Brasil, não seria difícil multiplicar os exemplos desse tipo de superação ou desse tipo de retrocesso.

Por isso é que, na 24ª edição do Grito dos Excluídos, na Semana da Pátria, de pouco serve limitar-se a um lamento sobre a desigualdade, a violência e os privilégios dos setores dominantes. O país vive uma crise prolongada e prepara-se para as eleições. Em tal contexto, a crítica é sempre válida, evidentemente, mas com a condição de voltar-se para alternativas futuras viáveis. O tempo de ruas e praças compactas pela multidão organizada, o tempo e das mobilizações espetaculares não volta com a rapidez de nossas expectativas. Talvez seja hora de garimpar nos escombros da crise: retirar as pérolas que motivaram ações passadas, mas, ao mesmo tempo, abandonar vícios nem sempre reconhecidos e bem avaliados. A crítica sem a autocrítica costuma ser um ingrediente do populismo nacionalista. É hora, sobretudo, de acreditar nos pequenos gestos, nas pequenas ações, no trabalho de base miúdo e persistente, na semente oculta no seio da terra, nas novas e criativas expressões e linguagens – no sentido de superar o lamento e avançar decididamente para um grito pelo “Brasil que queremos”, onde seja respeitada “a vida em primeiro lugar”.

Quem sabe seja o caso de retomar a intuição e o esquema do movimento profético no antigo Israel. No Livro das Lamentações, por exemplo, seguindo o título da obra, o profeta lamenta amargamente a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém, ocorrida no ano 587 a.C., seguida do exílio de seus habitantes para a Babilônia. O lugar de culto e a cidade santa, símbolos da religião e da identidade da nação, encontram-se inteiramente devastados. Varridos pela fúria do inimigo. O pranto adquire a tonalidade de um luto fúnebre. Mas o texto não se limita às “lamentações”. A partir dos próprios lamentos, emerge um profundo sentimento de confiança; no Deus fiel da Promessa, e na força organizativa da população. Passa-se do lamento ao grito. De fato, o fio condutor do livro, seu valor e mensagem essencial, é justamente o grito pela reconstrução da identidade do povo, do país e da própria história.

Fonte: IHU

29 agosto, 2018

Migrantes. "Mandá-los de volta? Pensem bem". Os vídeos que o Papa quis ver

Nos vídeos solicitados por Francisco o horror dos campos de refugiados líbios.
A reportagem é de Nello Scavo, publicada por Avvenire, 28-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Torturas de um migrante na imagem parada de um dos vídeos vistos também pelo Papa Francisco. Não publicamos o vídeo porque é muito violento (Foto: Avvenire)
A fita adesiva utilizada para fechar a sua boca é a única imagem que o olhar pode suportar. O resto, tira o sono. Os golpes. O facão e o punhal que perfuram. O garoto africano com mãos e pés amarrados, despido, para que o martírio possa ser visto. E ele que rasteja, que luta, que grita enquanto suas bochechas incham porque não conseguem dar vazão às lágrimas dos condenados. Isso foi o que o Papa Francisco viu. Ele quis que lhe fossem mostrados os vídeos dos campos de internação líbios que chegaram através das batidas dos tambores do smartphones daqueles que, ao contrário, conseguiram sair vivos. "Eu vi um vídeo onde se vê que acontece com aqueles que são mandados de volta - disse Bergoglio aos jornalistas retornando da Irlanda. Foram filmados os traficantes, as torturas mais sofisticadas". Francisco ficou sabendo que pessoas próximas a ele estavam na posse de vídeos que demonstram sem sombra de dúvida qual é a condição dos milhares de pessoas presas nos campos dos traficantes de seres humanos.
Os filmes exibidos semanas atrás a Bergoglio são páginas de terrível crueldade. A confirmação de que a Líbia não é aquele "porto seguro" para aqueles que fogem da fome e das guerras. O pontífice, em silêncio, observou aqueles dramas, inicialmente apenas relatados pela imprensa, e agora visíveis aos olhos. Ninguém que tenha visto pode esquecer os olhos estarrecidos diante do inferno do garoto que implora como pode, com lágrimas, enquanto chuta para afastar os torturadores. Ele no chão, e eles atacando. Pelo menos cinco e ninguém que queira parar. Eles se divertem enquanto batem mais forte. Esfaqueiam transformando o rosto do garoto em uma massa, até que a pele negra acaba coberta de sangue e pó, e se mistura na lama que tem a cor da morte, mas a morte não vem. Na sala de tortura, o garoto procura por uma fuga que não existe. Não desiste, o garoto. Leva os golpes, mas não quer desmaiar. Depois, outro covarde, aquele com o celular, chega mais perto, porque os destinatários do vídeo, talvez os parentes aos quais pedir mais dinheiro, corram a se endividar para pôr fim àquele suplício. E ele, o garoto que era negro e agora é só suor e púrpura, ainda luta entre o instinto de sobrevivência e o desejo de que o homem que se tornou um monstro, aquele que com uma mão, está mutilando-o a golpes de facões e com a outra segura um revólver, se decida a apertar o gatilho. E acabe de uma vez. Depois o vídeo, filmado com mão firme e ângulos estudados, como alguém que não é iniciante na danação dos últimos, é interrompido.

Mercado de escravos na Líbia (Foto: Avvenire)
Será que aquele garoto ainda está vivo. Será que alguém pagou um resgate. Será que está moribundo e agora, mudado para sempre, subiu em um barco. Será que foi salvo e levado para a segurança, na Europa. Ou foi interceptado e levado de volta ao matadouro dos migrantes.
Não é o único vídeo que o Papa Francisco assistiu. Ele quis olhar, o pontífice, aquelas imagens. No filme não há somente a dor, o medo, o choro daqueles que sofrem e as lágrimas de quem olha. Há também o esgar do ser humano do rosto normal, que em um instante revela outra natureza. E golpeia, sádico e implacável, por gosto e por dinheiro. Para intimidar os escravos e as escravas. Ou para se gabar com os outros de ser capaz de agarrar um homem, esquálido e impotente, já acostumado às agressões e às ameaças, convencido de que dessa vez também vai apanhar, mas vai sobreviver. Enquanto o agarra pelos cabelos, ao assassino bastam nove segundos para matar e jogar fora a cabeça.
Por isso, como tinha dito com toda a razão o Papa, aludindo aos que gostariam de de rejeitá-los, antes de "mandá-los de volta é preciso pensar bem".

Fonte: IHU

II Semana de Saúde Mental PUCPR Maringá

Quem puder participar, muito bom. 

No dia a dia em nossas CEBs precisamos estar preparados para sermos presença amiga de nosso Deus diante das necessidades e dores de nosso povo.


II Semana de Saúde Mental PUCPR Maringá
De 10 a 14 de Setembro de 2018.

Programação 

- O Racismo Enquanto Determinante de Adoecimento Social e Psíquico 
Dia 10 das 08h às 9h40

-  Alimentação e Seus Impactos na Saúde Mental 
Dia 10 das 09h40 às 11h10

-  Competitividade, Consumo e Individualidade na Atualidade 
Dia 10 das 19h às 20h30

-  Corrupção e Falta de Limites 
Dia 11 das 08h às 09h40

-  Exercício Físico e Depressão
Dia 11 das 19h às 20h30

-  Ansiedade e Depressão: Fatores de Risco e Proteção
Dia 12 das 08h às 09h30

-  O Reiki na Promoção da Saúde Mental
Dia 12 das 14h às 15h30

- Eu Me Tornei Um Voluntário: Motivação, Desejo e Compromisso com a Vida 
Dia 12 das 19h às 20h30

-  Como se Sentir Integral numa Caixa de Sapato? Questões e Decisões 
Dia 13 das 09h às 10h30

- Autismo: Causas, Efeitos e Possibilidades 
Dia 13 das 14h às 15h30

-  Comunicação Não Violenta: A Comunicação que Conecta Vidas 
Dia 13 das 19h às 20h30

-  Estresse na Adolescência 
Dia 14 das 08h às 09h30

-  Aspectos Jurídico-Penais da Eutanásia
Dia 14 das 19h às 20h30

Denuncie crimes eleitorais pelo aplicativo “Voto Legal”



Denuncie crimes eleitorais pelo aplicativo “Voto Legal”

O Conselho de Leigas e de Leigos da Arquidiocese de Maringá e a OAB Maringá lançaram nessa terça-feira (28) o Comitê 9840, de combate à corrupção eleitoral. 

A  OAB Paraná  lançou o aplicativo “Voto Legal” para que seja feita as denúncias de crimes eleitorais. 


É gratuita e a ferramenta  e está disponível no Google Play e no App Store.

As denúncias poderá ser  feitas de forma pública ou anônima, com a inserção de texto, vídeo, áudio ou foto.

Qualquer pessoa com a ferramenta poderá denunciar irregularidades eleitorais.

28 agosto, 2018

Memória de três grandes homens. Ambos faleceram no dia 27 de agosto.


Curiosidade
Memória de três grandes homens. Ambos faleceram no dia 27 de agosto.

- Dom Hélder Pessoa Câmara
Nascimento: 7 de fevereiro de 1909, Fortaleza-Ceará
Falecimento: 27 de agosto de 1999, Recife, Pernambuco
O chamado “Arcebispo Vermelho”.
Grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil.
Continua inspirando vidas e movendo corações. Sua vida é verdadeiro dom de Deus feito à sociedade e à Igreja brasileiras.
"É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.". Linda essa frase de Dom Hélder.

- Dom José Maria Pires
Nascimento: 15 de março de 1919, Córregos, Minas Gerais
Falecimento: 27 de agosto de 2017, Belo Horizonte, Minas Gerais
Para dom José o oitavo sacramento é a alegria. "Sempre se diz que quando alguém alegre entra em uma casa é como se em um quarto escuro, a janela se abrisse para a luz entrar."

- Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida
Nascimento: 5 de outubro de 1930, Rio de Janeiro
Falecimento: 27 de agosto de 2006,São Paulo
Os pobres eram os únicos que sabiam onde encontrá-lo.
Ali morava o bispo, o “Pai dos Pobres”.

Oração

Senhor, vivemos num mundo fortemente agitado pela falta de uma cultura bem definida, de uma tradição comum aceite por todos, de uma clara hierarquia de valores e normas de referência. Esmagados pela pressa e pela busca da eficácia, muitas vezes nos deixamos conduzir por critérios de discernimento baseados na funcionalidade, na utilidade, na eficiência. Como os escribas e fariseus, facilmente trocamos o essencial pelo marginal, o importante pelo urgente, o aparecer pelo ser. Cuidamos do exterior, e descuidamos a pureza e a beleza do coração. Fala-nos, Senhor, e guia-nos pela tua Palavra, pela tradição viva da Igreja, da história, dos acontecimentos, das pessoas. Fala-nos pelo teu Espírito. Que o fragor dos maus não nos tornem surdos à tua voz. Amém."

Fonte:Dehonianos

Evangelho - Mt 23,23-26


Naquele tempo, disse Jesus: 
23Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! 
Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, 
e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, 
como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. 
Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 
24Guias cegos! 
Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 
25Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! 
Vós limpais o copo e o prato por fora, 
mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 
26Fariseu cego! 
Limpa primeiro o copo por dentro, 
para que também por fora fique limpo. 
Palavra da Salvação. 

27 agosto, 2018

Dia do Psicólogo - 27 de agosto


Perversidade


Trabalhadores do mundo inteiro, hoje incapazes de se unir, só têm a perder uns 200 anos de luta, mais ou menos.




A crônica é de Luis Fernando Verissimo, publicada por O Estado de S. Paulo, 26-08-2018.

Eis o texto.

Trabalhadores do mundo, uni-vos – não que vá fazer alguma diferença. Os trabalhadores do mundo são vítimas da globalização perversa, que aboliu as fronteiras para empregadores atrás de mão de obra barata e desregulada, mas não para eles. Nenhuma solidariedade é possível num mundo em que o capital vai atrás do lucro onde quer e o único internacionalismo permitido ao trabalho é a migração ilegal e o tráfego tétrico de empregos exportados cruzando com desemprego importado.

Economistas neoclássicos dizem que o exercício continuado do livre-comércio dará razão ao ur-clássico David Ricardo, que no século 18 teorizou que Estados nacionais explorando suas respectivas vantagens em recursos naturais, capacidade industrial e mão de obra acabariam se complementando e todos ganhariam com isso, inclusive os trabalhadores, no melhor de todos os modelos econômicos possíveis. Mas o Ricardão tinha outra teoria, que chamava de “a lei férrea dos salários”. Para ele, mesmo no melhor dos mundos teóricos, os salários tenderiam a se estabilizar ao nível da subsistência mínima, já que o trabalho é um recurso universalmente disponível e infinitamente substituível.

A organização do trabalho a partir do século 19 e o crescimento dos sindicatos parecia desmentir esse fatalismo de Ricardo, pois os trabalhadores aos poucos deixaram de ser o lado indefeso do modelo ideal. A legislação social, em maior ou menor grau, nos países industrializados – ou em países como o Brasil, em que a legislação de Vargasprecedeu a industrialização – inviabilizava a teoria de Ricardo, pelo menos em tese, e retirava as condições para a confirmação da sua lei férrea. A globalização perversaestá restaurando essas condições. O trabalho organizado perde a sua força até em países como a França e a Alemanha, onde sindicatos e movimentos sociais sempre tiveram grande participação política, e a receita para “responsabilidade” econômica aqui no quintal passa pela flexibilização de leis trabalhistas e outros eufemismos para roubar do trabalho o seu poder de barganha. Trabalhadores do mundo inteiro, hoje incapazes de se unir, só têm a perder uns 200 anos de luta, mais ou menos.

Mortalidade materna aumenta


Taxa passou de 62 óbitos por 100 mil nascimentos em 2015, para 64,4 em 2016

"... o aumento na taxa da mortalidade infantil pode ser reflexo do empobrecimento da população, do desmonte de políticas públicas para as áreas sociais e da queda na cobertura da Atenção Básica e hospitalar, em decorrência do corte de recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS). "


De André Antunes, publicado no site Brasil de Fato, em 27/08/2018

Mortalidade materna aumenta 

A mortalidade materna voltou a subir no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a taxa passou de 62 óbitos por 100 nascimentos, no ano de 2015, para 64,4 mortes maternas em 2016.

Embora evitável, a mortalidade materna é aquela decorrente de causa relacionada ou agravada pela gravidez, parto ou até 42 dias após o parto. Trata-se de indicador importante da qualidade da assistência à saúde da mulher durante o pré-natal, parto e puerpério.

Em 2000, o governo brasileiro se comprometeu em reduzir a mortalidade materna para uma meta de 35 óbitos para cada 100 mil nascimentos até o ano de 2015, como parte dos objetivos estabelecidos de desenvolvimento do milênio assumidos junto à Organização das Nações Unidas (ONU). O que não ocorreu.

No Repórter SUS desta semana, produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz, a pesquisadora da Fiocruz Maria do Carmo Leal, coordenadora da pesquisa “Nascer do Brasil”, alerta que o aumento na taxa da mortalidade infantil pode ser reflexo do empobrecimento da população, do desmonte de políticas públicas para as áreas sociais e da queda na cobertura da Atenção Básica e hospitalar, em decorrência do corte de recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Confira trechos da entrevista:

Essa informação que aparece sobre o óbito materno aparece associado com outra, o aumento da mortalidade infantil. Juntando essas duas [taxas] podemos imaginar que talvez isso não seja uma flutuação. Embora o aumento tenha sido discreto [entre 2015 e 2016], já represente uma tendência de aumento de mortalidade de crianças e de mães, frente à situação de desfinanciamento do setor público que estamos vivendo. Não apenas do setor público de saúde, mas também dos programas sociais.

Sabemos que houve uma diminuição do investimento em programas que eram voltados aos segmentos mais vulneráveis socialmente da população brasileira, como o Bolsa Família. E qualquer mexida, no sentido de piorar as condições mínimas de vida desse segmento, pode colaborar para um aumento do risco de morte.

Particularmente com as crianças, aumentou a mortalidade por diarreia, o que significa, exatamente, o óbito ligado à situação de pobreza. Em relação às mulheres, o que a gente viu no óbito materno é que esse aumento ocorreu nas áreas mais pobres, no Norte e Nordeste. Isso parece traçar um perfil de que a situação de saúde, a piora desses indicadores está também refletida na piora da condição de vida dessa população.

Fatores 

A mortalidade materna é muito sensível a dois fatores, a Atenção Básica no pré-natal, onde é identificada uma série de problemas que a mulher possa ter na gestação e ser resolvida, ao minorar a sua gravidade.

O óbito materno está bastante ligado a boa ou má condição de assistência às mulheres no [atendimento] hospitalar, onde hoje 99% das mulheres ganham seus bebês. Estamos vivendo, também no sistema público hospitalar, dificuldades de falta de insumos, de medicamentos e [presença de] profissionais desestimulados. Na falta de condições de trabalho, os profissionais ficam desanimados para fazer as suas tarefas, por falta de meios para atuar.

O óbito materno está muito associado com a atenção na hora certa para o problema que se apresenta. Por exemplo, esse empobrecimento da população pode diminuir também as condições para a mulher se deslocar rapidamente para o hospital.

Então, esse conjunto de coisas pode colaborar para que o aumento da mortalidade materna esteja acontecendo.

Imagens de satélite registram um mundo em chamas

O mundo está em chamas. É que aparece na imagem da Worldview da NASA. Os pontos vermelhos sobrepostos na imagem designam aquelas áreas que, usando bandas térmicas, detectam ativamente incêndios.


O artigo é de  Por Lynn Jenner, publicado no site  EcoDebate, em 24/08/2018, a  Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

Imagens de satélite registram um mundo em chamas 

A África parece ter os fogos mais concentrados. Isto pode ser devido ao fato de que estes são os incêndios agrícolas mais prováveis. A localização, a natureza generalizada e o número de incêndios sugerem que esses incêndios foram deliberadamente estabelecidos para administrar a terra. Os agricultores costumam usar fogo para devolver os nutrientes ao solo e limpar o solo de plantas indesejáveis. Enquanto o fogo ajuda a melhorar as culturas e pastagens, o fogo também produz fumaça que degrada a qualidade do ar.

Em outros lugares, os incêndios, como na América do Norte, são incêndios florestais em sua maior parte. Na América do Sul, especificamente o Chile teve um número horrível de incêndios florestais este ano. Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Montana constatou que: “Além da baixa umidade, ventos fortes e temperaturas extremas – alguns dos mesmos fatores contribuindo para incêndios nos Estados Unidos – a região central do Chile vive uma mega seca e grandes porções de suas diversas florestas nativas foram convertidos em plantações de árvores mais inflamáveis, disseram os pesquisadores. ” Mais sobre este estudo pode ser encontrado aqui: https://phys.org/news/2018-08-massive-south-central-chile.html#jCp

No entanto, no Brasil, os incêndios são incêndios florestais e incêndios provocados pelo homem, destinados a limpar os campos de detritos da safra da última safra. Os incêndios também são comumente usados ??durante o período de seca do Brasil para desmatar a terra e limpá-la para criação de gado ou outras finalidades agrícolas ou de extração. O problema com esses incêndios é que eles crescem fora de controle rapidamente devido a problemas climáticos. As condições quentes e secas, juntamente com o acionamento do vento, disparam longe de sua área de queima prevista original. De acordo com o site Global Fire Watch (entre 8/15 e 8/22) mostra: 30.964 alertas de incêndio.

A Austrália também é onde você tende a encontrar grandes incêndios florestais em suas áreas mais remotas. Verões mais quentes e secos na Austrália significarão estações de fogo mais longas – e a expansão urbana na mata nativa está colocando mais pessoas em risco quando esses incêndios eclodirem. Para grandes áreas no norte e no oeste, a temporada de incêndios florestais foi antecipada em um total de dois meses até agosto – até o inverno, que começou oficialmente em 1º de junho. De acordo com o Bureau Australiano de Meteorologia (Bom), o período de janeiro a julho de 2018 foi o mais quente em NSW desde 1910. À medida que o clima continua a mudar e as áreas se tornam mais quentes e secas, mais e mais incêndios florestais irromperão em toda a Austrália.

O aplicativo de visão de mundo do Sistema de Informações e Sistemas de Observação da Terra (EOSDIS) da NASA fornece a capacidade de navegar interativamente por mais de 700 camadas globais de imagens de satélite de resolução completa e, em seguida, fazer o download dos dados subjacentes. Muitas das camadas de imagens disponíveis são atualizadas dentro de três horas de observação, essencialmente mostrando toda a Terra como parece “agora. Esta imagem de satélite foi coletada em 22 de agosto de 2018. Fogos ativos, detectados por bandas térmicas, são mostrados como vermelhos

Cortesia de imagem: Visão de mundo da NASA, Sistema de dados e informações do Sistema de Observação da Terra (EOSDIS)

Para ver a imagem na Worldview: https://go.nasa.gov/2BRck1Z

24 agosto, 2018

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!



Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que seu caminho é o único.
(Paulo Coelho)

A eleição mais perigosa do século


Milhões de brasileiras e de brasileiros serão chamados a transformar sua história através do voto nos níveis nacional e estadual.

"Perigosa porque a mesma maioria do eleitorado que apoia Lula - composta por pequenos assalariados, agricultores familiares, trabalhadores informais, estudantes pobres, moradores da periferia - corre o risco de perder direitos conquistados há décadas. É o que já está ocorrendo agora." 


O artigo é de Ayrton Centeno, publicado no site Brasil de Fato, em 22 de Agosto de 2018.

Essa eleição será estranha porque o seu principal personagem e o líder de todas as pesquisas está preso numa cela de Curitiba. Perigosa porque a mesma maioria do eleitorado que apoia Lula - composta por pequenos assalariados, agricultores familiares, trabalhadores informais, estudantes pobres, moradores da periferia - corre o risco de perder direitos conquistados há décadas. É o que já está ocorrendo agora.

Candidatos do campo conservador, como Geraldo Alckmin, que tem 40% do horário eleitoral, prometem, por exemplo, extinguir o Ministério do Trabalho, Jair Bolsonaro ataca o regime de cotas e ambos defendem as reformas de Michel Temer e as privatizações. A vitória de qualquer um deles significará o prosseguimento da agenda do golpe e mais perdas para o mundo do trabalho.

“É preciso conversar com o povo, esclarecer”, propõe o jornalista e profissional de marketing político, Paulo Cézar da Rosa.  Mas ele tem uma visão otimista da cena política. "As pesquisas têm mostrado que os setores de menor renda estão compreendendo o que está acontecendo. E nos de maior renda, muitos que apoiaram o golpe, já estão se dando conta de que foram enganados”, avalia. E prossegue: “Começam a perceber que existem dois projetos de Brasil e que é preciso ver de que lado está o candidato. Não é uma tarefa simples, mas precisa ser feita”.

Trabalhismo x conservadorismo

Para Rosa, o pleito de 2018 não pode ser entendido como “normal”. Mesmo assim, sustenta que, no plano federal, algo se manterá inalterável: a velha polarização entre PT e PSDB. É o que também assinala o cientista político Benedito Tadeu César. “Vai se repetir aquilo que já acontecia no passado, quando se confrontavam o trabalhismo de Getúlio-Jango-Brizola e o conservadorismo de Carlos Lacerda e da UDN”. A partir de 1989, o trabalhismo passou a ser encarnado pelo PT e seus aliados, inclusive o PDT, enquanto a dupla PSDB & DEM incorporou o lacerdismo. De um lado, a proposta de desenvolvimento autônomo; do outro, o neoliberalismo dependente.

Tanto César quanto Rosa não acreditam no fôlego de Jair Bolsonaro. “Vai estacionar, talvez cair”, diz César. Nos últimos dias, Rosa percebeu um fenômeno: “Vi Lula crescendo e a direita com medo de que qualquer candidato que venha a substituí-lo ganhe a eleição. Por isso este movimento de reforço do Alckmin e esvaziamento do Bolsonaro”.

César enfatiza que, apesar da candidatura de Henrique Meirelles, do MDB, gestada para defender o governo federal, Alckmin não conseguirá se descolar de Temer e seu governo, o mais impopular da história do país. “Além disso, nunca ninguém se elegeu presidente com uma plataforma de privatização e de retirada de direitos. O próprio FHC, quando candidato, nunca disse que ia privatizar”, repara.

Ao citar Alckmin, Rosa trata-o como “uma operação internacional”. Tais ações - argumenta - são do tipo “jurídico-político-midiáticas” e com os Estados Unidos sempre por trás. “O  lavajatismo - continua -  insere-se nisso. É uma operação de guerra não convencional -  híbrida - infinitamente mais barata do que aquela do Oriente Médio. Após a primeira fase, necessitam proteger o processo através de ‘novos políticos’ alinhados com a agenda”. É onde entra o candidato tucano.  “O PSDB e não o MDB, como alguns pensam, é o partido do golpe. O Alckmin agora vai entrar de “chefe das operações”, dizendo que o gerente que eles botaram - o Temer - não deu conta do recado”, acredita. “E, aqui no Rio Grande, o Eduardo Leite vai dizer a mesma coisa do Sartori”, prevê.

Disputa no Rio Grande do Sul

César considera a disputa gaúcha mais nebulosa do que a nacional. Salienta que o fato de José Ivo Sartori controlar a máquina governamental, ter bastante visibilidade e do MDB estar presente em todos os municípios pode favorecê-lo numa campanha curta. Aliás, o tempo escasso para afirmar novos candidatos deve beneficiar as figuras mais conhecidas. No passado, os gaúchos apostaram na novidade, o que aconteceu com Germano Rigotto em 2002 e mesmo Sartori em 2014. “Agora, o Eduardo Leite vai tentar ocupar este lugar do ‘novo’, mas terá inúmeros problemas para fazer isso…”, entende Rosa.   

Após o linchamento midiático da classe política, há um grande temor do avanço da abstenção em 2018. “Vamos ter muita abstenção e votos brancos e nulos”, admite Rosa. Mas acha que, para a esquerda, o pior já passou. “Em 2016, o eleitor de esquerda não foi votar e o PT perdeu sete milhões de votos. Não perdeu para outros partidos, mas para a abstenção, a desilusão. De lá para cá, muita coisa mudou. Agora serão os eleitores da direita e da centro-direita que terão dificuldade”, imagina.

Olho vivo, eleitor!

Com 35 partidos legalizados, o Brasil complica e muito a vida dos eleitores.  Além dessa sopa de letrinhas, é preciso escolher entre milhares de candidatos a deputado federal e estadual, senador, governador e presidente. Não é fácil, ainda mais quando nem tudo é o que parece ser. O novo pode representar o velho e aquilo que se apresenta como avançado pode ser muito mais atrasado do que se pensa.

Na hora do voto, é preciso atentar, por exemplo, para duas armadilhas: o candidato que vive trocando de partido e o partido que troca de nome. No primeiro caso, a responsabilidade é da legislação eleitoral. Tolerante com a infidelidade partidária, permite que o eleito carregue seu mandato para outra agremiação e desta para uma terceira sem maiores problemas, desconsiderando sigla e eleitor.

No caso dos partidos, o exemplo mais emblemático é o do PP, o Partido Progressista que, apesar da denominação, pertence ao campo conservador.  Já foi Arena, mudou para PDS, virou PPR, depois PPB e converteu-se em PP. Enquanto Arena, foi quem sustentou a ditadura de 1964.

Geralmente, a mudança se dá pelo desgaste do nome anterior. Funciona assim: filme queimado, nome trocado. Filho também da Arena e irmão gêmeo do PP, o DEM antes era PFL. Apesar de batizado como “Democratas”,  se formou na base civil da ditadura quando era Arena.

O Patriota, nanico que tem candidato à presidência, é o mesmo PEN, o antigo Partido Ecológico Nacional. Mudou sua graça para abrigar Jair Bolsonaro. Abandonou também a causa ambiental e adotou as bandeiras anti-aborto, pela liberação de armas de fogo e pela redução da maioridade penal. Mas Bolsonaro não veio.

Se o PEN mudou para Patriota, o PTN transformou-se em Podemos. De novo, o nome mais esconde do que revela. A inspiração veio do Podemos espanhol, sigla de esquerda. Mas o Podemos brasileiro coloca-se à direita do jogo político. Seu candidato à presidência é o senador Álvaro Dias, ex-PSDB. No Rio, sua cara é a do ex-jogador Romário. Um e outro votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Ambos, portanto, são responsáveis pela situação atual do país.

Também o PMDB alterou o nome.  Sob Temer e após o golpe que ajudou a desfechar em 2016, tornou-se novamente MDB, nome que recebeu como uma das duas agremiações políticas consentidas pelo regime militar, quando era proibido usar o termo “partido”.

Estreando nas eleições presidenciais, o Partido Novo é, na verdade, um representante do velho liberalismo do século 19. Afirma-se como “de direita” e contra as cotas nas universidades. Defende a privatização da Petrobras e do Banco do Brasil e a “flexibilização” do porte de armas de fogo.  

Dos 35 partidos que vão disputar a preferência dos brasileiros, o mais jovem é outra evidência de como as aparências podem enganar. O PMB, Partido da Mulher Brasileira, teve uma bancada de 20 deputados federais. Nela, havia apenas duas mulheres. Afirma-se como antifeminista e anti-aborto. A sigla das mulheres chegou a lançar candidatura ao governo gaúcho em 2018, mas desistiu. Concorreria com um homem…

Mulheres são maioria no eleitorado, mas pouco mais de 10% no Congresso

As mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros, somando 77.337.918 cidadãs aptas a votar, o que significa 52,5% do eleitorado. No entanto, a representação feminina é pouco superior a 10% das cadeiras do Congresso. Os homens são 69.901.035, ou seja, 47,5% do total. Mas ocupam mais de 90% das vagas do Senado e da Câmara de Deputados. Os dados são do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral.

A diferença a favor das mulheres é de 7.436.883, número superior à soma de todo o eleitorado de nove capitais, a saber Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Florianópólis, Aracaju, Teresina, João Pessoa, Palmas e Maceió.

O maior contingente de mulheres está situado na faixa entre 45 e 59 anos. São 18,7 milhões. Logo depois, vem a faixa entre 25 e 34 anos com 16,1 milhões, seguindo-se as eleitoras com idade entre 35 e 44 anos, com 15,8 milhões. O eleitorado masculino também é mais concentrado nessas três faixas.

Quase quatro milhões e meio de eleitores votarão pela primeira vez nas eleições do dia 7 de outubro, quando serão eleitos, além dos cargos de presidente e vice-presidente da República, deputados federais, estaduais ou distritais, dois senadores por estado e os governadores dos 26 estados, mais o Distrito Federal. Houve um crescimento de 3,14% em comparação às eleições de 2014.

Nos segmentos sem obrigação de votar, a faixa de 16 a 18 anos registrou queda de 14,5% do eleitorado na comparação com 2014. Entre os eleitores acima de 70 anos, ao contrário, ocorreu um aumento de 11,1% em relação às eleições presidenciais anteriores. Hoje, representam um contingente de 12,1 milhões de cidadãos aptos a votar.

A maior parte do eleitorado possui ensino fundamental incompleto. Representam 25,8% dos eleitores. Ou seja, 38 milhões de cidadãos. Outros 33,6 milhões, ou 22,7%, concluíram o ensino médio. Com ensino superior são 13,5 milhões ou 9,1%. E seis milhões de eleitores – 4,4% – são analfabetos.

Uma inovação de 2018 refere-se à condição dos transexuais e travestis. Pela primeira vez, eles poderão usar o nome social para a identificação no processo eleitoral. A norma foi aprovada pelo TSE no dia 1º de março deste ano e, desde então, 6.280 pessoas fizeram a escolha de se registrarem ou atualizarem seus dados para ter acesso a esse direito.

Homilia do Papa Francisco - Santa Missa para os Migrantes (6 de julho de 2018)



Homilia do Papa Francisco - Santa Missa para os Migrantes (6 de julho de 2018)

«Ouvi isto, vós que esmagais o pobre e fazeis perecer os desfavorecidos da terra (…). Eis que vêm dias em que lançarei fome sobre o país, (...) fome de ouvir as palavras do Senhor» (Am 8, 4.11).

A advertência do profeta Amós revela-se ainda hoje de veemente atualidade. Quantos pobres são hoje esmagados! Quantos desfavorecidos são feitos perecer! Todos eles são vítimas daquela cultura do descarte que repetidamente foi denunciada. E, entre eles, não posso deixar de incluir os migrantes e os refugiados, que continuam a bater às portas das nações que gozam de maior bem-estar.

Recordando as vítimas dos naufrágios há cinco anos, durante a minha visita a Lampedusa, fiz-me eco deste perene apelo à responsabilidade humana: «“Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim”, diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós» [Insegnamenti I(2013)-vol. 2, 23]. Infelizmente, apesar de generosas, as respostas a este apelo não foram suficientes e hoje choramos milhares de mortos.

A aclamação de hoje ao Evangelho contém este convite de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28). O Senhor promete descanso e libertação a todos os oprimidos do mundo, mas precisa de nós para tornar eficaz a sua promessa. Precisa dos nossos olhos para ver as necessidades dos irmãos e irmãs. Precisa das nossas mãos para socorrê-los. Precisa da nossa voz para denunciar as injustiças cometidas no silêncio – por vezes cúmplice – de muitos. Na realidade, deveria falar de muitos silêncios: o silêncio do sentido comum, o silêncio do «fez-se sempre sempre assim», o silêncio do «nós» sempre contraposto ao «vós». Sobretudo o Senhor precisa do nosso coração para manifestar o amor misericordioso de Deus pelos últimos, os rejeitados, os abandonados, os marginalizados.

No Evangelho de hoje, Mateus narra o dia mais importante da sua vida: aquele em que foi chamado pelo Senhor. O Evangelista recorda claramente a censura de Jesus aos fariseus, com tendência fácil a murmurar: «Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (9, 13). É uma acusação direta à hipocrisia estéril de quem não quer «sujar as mãos», como o sacerdote e o levita na parábola do Bom Samaritano. Trata-se duma tentação muito presente também nos nossos dias, que se traduz num fechamento a quantos têm direito, como nós, à segurança e a uma condição de vida digna, e que constrói muros, reais ou imaginários, em vez de pontes.

Perante os desafios migratórios da atualidade, a única resposta sensata é a solidariedade e a misericórdia; uma resposta que não faz demasiados cálculos, mas exige uma divisão equitativa das responsabilidades, uma avaliação honesta e sincera das alternativas e uma gestão prudente. Política justa é aquela que se coloca ao serviço da pessoa, de todas as pessoas interessadas; que prevê soluções idóneas a garantir a segurança, o respeito pelos direitos e a dignidade de todos; que sabe olhar para o bem do seu país tendo em conta o dos outros países, num mundo cada vez mais interligado. É para um mundo assim, que olham os jovens.

O Salmista indicou-nos a atitude justa que, em consciência, se deve assumir diante de Deus: «Escolhi o caminho da fidelidade e decidi-me pelos vossos juízos» (Sal 118/119, 30). Um compromisso de fidelidade e de juízo reto que esperamos realizar juntamente com os governantes da terra e as pessoas de boa vontade. Por isso, acompanhamos atentamente o trabalho da comunidade internacional para dar resposta aos desafios colocados pelas migrações atuais, harmonizando sabiamente solidariedade e subsidiariedade e identificando recursos e responsabilidades.

Desejo concluir com algumas palavras dirigidas particularmente aos fiéis que vieram da Espanha.

Quis celebrar o quinto aniversário da minha visita a Lampedusa convosco, que representais os socorristas e os resgatados no Mar Mediterrâneo. Aos primeiros, quero expressar a minha gratidão por encarnarem hoje a parábola do Bom Samaritano, que parou para salvar a vida daquele pobre homem espancado pelos ladrões, sem lhe perguntar pela sua proveniência, pelos motivos da sua viagem ou pelos seus documentos: simplesmente decidiu cuidar dele e salvar a sua vida. Aos resgatados, quero reiterar a minha solidariedade e encorajamento, pois conheço bem as tragédias de que estais a fugir. Peço-vos que continueis a ser testemunhas da esperança num mundo cada vez mais preocupado com o próprio presente, com reduzida visão de futuro e relutante a partilhar, e que elaboreis conjuntamente, no respeito pela cultura e as leis do país de acolhimento, o caminho da integração.

Peço ao Espírito Santo que ilumine a nossa mente e inflame o nosso coração para superarmos todos os medos e inquietações e nos transformarmos em instrumentos dóceis do amor misericordioso do Pai, prontos a dar a nossa vida pelos irmãos e irmãs, tal como fez o Senhor Jesus Cristo por cada um de nós.