30 janeiro, 2014

Os desafios a partir do 13º Intereclesial das CEBs


Os desafios a partir do 13º Intereclesial das CEBs

Tive a graça de participar do 13º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que aconteceu em Juazeiro do Norte-CE, terra do padre Cícero, de 7 a 11 de janeiro de 2014.

O tema foi “Justiça e Profecia a Serviço da Vida” e o lema “Romeiras do Reino no Campo e na Cidade”.

Foi maravilhoso estar com o povo de Juazeiro do Norte, um povo acolhedor, fraterno e de muita fé, nascida do testemunho do padre Ibiapina e do padre Cícero, da beata Maria Madalena do Espírito Santo Araujo e do beato José Lourenço, com a fé encarnada do povo das CEBs, nascida do grito profético por justiça e da certeza de que uma nova Igreja é possível e também um novo mundo.

Pela primeira vez em sua história, o intereclesial das CEBs recebe uma mensagem de um papa. Ao ser apresentada na celebração de abertura foi como fermento na massa.

O Número de participantes superou as expectativas: Mulheres: 2248; Homens: 1788; Bispos: 72; Padres: 232; Religiosas/os:146; Evangélicos: 20; Outras religiões: 35; Estrangeiros: 36; Indígenas: 75; Ampliada/Assessoras/es: 68 totalizando 5046 incluindo as equipes de serviço e visitante.

Marcante foi os gritos das excluídas e dos excluídos que ecoaram: gritos de mulheres e jovens que sofrem com a violência e de tantas pessoas que sofrem as consequências  do agronegócio, do desmatamento, da construção de hidrelétricas, da mineração, das obras da copa do mundo, da seca prolongada no nordeste, do tráfico humano, do trabalho escravo, das drogas, da falta de planejamento urbano que beneficie os bairros pobres; de um atendimento digno para a saúde e outros.

O Intereclesial foi uma ponte história entre as lutas do passado com as lutas atuais. Reafirmou que as CEBs são sinais de profecia e de esperança presentes na Igreja e na sociedade. 

Os desafios despertados foram muitos, no campo e na cidade, de fazer uma Igreja mais próximo que sente o “cheiro das ovelhas”, que assuma de fato a opção pelos pobres. Desafios de fazer que nas CEBs aconteça o protagonismo da juventude, o serviço à vida, a prática da justiça, a vocação profética e o compromisso missionário.

Enquanto nas CEBs as coisas acontece do jeito simples, há espaço da vida eclesial baseada no sucesso – na fama – nos grandes eventos (show). Para muitos as CEBs não existem porque não estão na mídia, não fazem parte da programação católicas da TV, diante deste fato, o grande desafio é não deixar morrer esse jeito simples e transformador das CEBs fazer acontecer. Jeito simples que leva a Igreja sentir o “cheiro das ovelhas”.

A cidade desafia as CEBs, as injustiças sociais no campo aparece mais visível. Acidade consegue esconder mais, o povo tem acesso a carro, eletrodomésticos e outros e tudo isso parece que anestesia o povo, anestesia a consciência crística, a consciência de uma participação mais ativa, na sociedade, na política, claro que também e de forma expressiva indusido pela grande mídia. Embora a cidade aproxima fisicamente as pessoas,  ela ao mesmo tempo produz efeito contrário, em vez de socializá-lás – isola-as no anonimato e no individualismo. As pessoas se regem antes pelos interesses.  As pessoas e os lugares passa a ter importância se levar algum interesse.

O Intereclesial deixou a certeza, que as CEBs é jeito normal da Igreja ser, enraizadas na Palavra de Deus, leva a Igreja adiante em sua missão evangelizadora com a prática da justiça e profecia a serviço da vida.

Encerro trazendo presente a frase dita pelo índio Anastácio, que em tom profético, proclamou: “Roubaram nossos frutos, arrancaram nossas folhas, cortaram nossos galhos, queimaram nossos troncos, mas não deixamos arrancar nossas raízes”.


Morre padre João Batista Libânio


"opção pela Teologia da Libertação foi um desabrochar de toda uma vida"


Continuará vivo na caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Libânio, faleceu na manhã de hoje, 30, em Curitiba (PR), vítima de um infarto.
Doutor em Teologia, por mais de 30 anos, padre Libânio dedicou-se ao magistério e à pesquisa teológica, o que levou ao seu reconhecimento mundial. Ele escreveu 36 livros e foi coautor de vários outros.

O sacerdote foi assessor da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) e colaborador no Instituto Nacional de Pastoral e em comissões episcopais da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

29 janeiro, 2014

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - Maringá – Paraná

Recadinho das CEBs

Nesta quinta-feira, 30 de janeiro, eu e o Padre Dirceu Alves do Nascimento, juntamente com as/os coordenadoras/res e vices das nove CEBs que compõe a Paróquia Nossa Senhora da Liberdade, vamos programar a caminhada de nossas queridas Comunidades Eclesiais de Base para este ano de 2014.

Convidamos todas e todos quem queiram contribuir nessa caminhada.

Será ás 20 horas, no Centro de Pastoral Social (CPS).

28 janeiro, 2014

Cubanos do terceiro ciclo do Mais Médicos começam a chegar hoje

O primeiro grupo de médicos cubanos do terceiro ciclo do Programa Mais Médicos desembarca na noite de hoje (28) em Fortaleza, de acordo com o Ministério da Saúde. No total, 2 mil médicos cubanos começam a chegar hoje a Fortaleza, Brasília e São Paulo. Nas três capitais, os médicos cursam o módulo de acolhimento e avaliação do programa antes de serem encaminhados aos municípios onde vão trabalhar. A previsão é que eles comecem a atuar em março. 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanha a presidenta Dilma Rousseff em viagem a Cuba e se reuniu ontem (27) com os médicos cubanos que embarcam para o Brasil e para essa etapa do Mais Médicos.
Os cubanos vem ao país por meio do acordo de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Eles são chamados para preencher as vagas não ocupadas por candidatos brasileiros e demais estrangeiros.

Ainda não está definido o local de atuação desses médicos. A distribuição ocorrerá após o encerramento do prazo que os profissionais brasileiros têm para decidir se querem migrar do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) para o Mais Médicos.
Além dos cubanos, o terceiro ciclo do Mais Médicos terá 891 médicos selecionados por meio de inscrições individuais. Atualmente, em todo o país, 6.658 profissionais estão atuando pelo Mais Médicos em 2.166 cidades e 28 distritos indígenas, de acordo com o Ministério da Saúde. A meta do governo é preencher 13 mil postos até o fim de março.

Fonte: Agência Brasil

CPT pede aos ruralistas que aprovem o PEC do trabalho escravo sem alteração

“Ruralistas, aprovem a nova lei do trabalho escravo (PEC) sem alteração na definição legal do trabalho escravo”, pede a CPT à Bancada ruralista.  

Eis o texto

Nos dias de hoje, a escravidão é outra e se apresenta de diferentes maneiras. Em todas elas, os trabalhadores têm sua dignidade negada por meio de condições degradantes de trabalho ou por jornadas que vão além do que se pode suportar, sendo em alguns casos forçados a trabalhar sob violência, ameaça ou dívida fraudulenta. São tratados como mercadoria.
Graças à adoção de uma nova lei mais dura contra o trabalho escravo (PEC do Trabalho Escravo 57A/1999) temos como melhorar a vida de milhares de brasileiros hoje submetidos à escravidão. Este é um problema grave a ser enfrentado com coragem. A solução não é negá-lo. Trabalho degradante é trabalho escravo, e trabalho escravo é crime.
Ruralistas, aprovem a nova lei do trabalho escravo (PEC) sem alteração na definição legal do trabalho escravo.
Por que isso é importante?
Desde 1995, mais de 46 mil trabalhadores foram resgatados da escravidão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o Brasil como uma referência na luta contra a escravidão contemporânea. Mas este não é suficiente. Precisamos de uma legislação mais radical contra esse crime horroroso.
A luta pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo já tem 19 anos. Pelas pesadas consequências legais resultando desta prática, a nova lei irá dissuadir o empresariado de usar o trabalho escravo. Quando aprovada a PEC, o empregador irá perder sua propriedade se nela for constatado o uso de trabalho escravo. Essa propriedade será destinada a famílias sem terra ou sem teto.
Graças a pessoas como você, comprometidas com a luta pela erradicação da escravidão, a PEC do Trabalho Escravo foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Agora que estamos perto de a lei ser definitivamente aprovada no Senado, os Ruralistas querem alterar a definição da escravidão moderna na atual legislação, descaracterizando o que é trabalho escravo.  Isso faria com que milhares de casos em que pessoas estão submetidas a condições degradantes análogas às de escravos deixassem de ser considerados.
Está na hora de acabar com a escravidão no Brasil. Exija que a bancada ruralista aprove a nova lei do trabalho escravo (PEC) sem alteração na definição legal do trabalho escravo.
Fonte: Portal da CPT

24 janeiro, 2014

A Desigualdade social mundial dá para ser revertida?

A reportagem é de Marcelo Justo, publicada pela BBC Brasil, 23-01-2014.

No Fórum Econômico Mundial de Davos - que nesta semana congrega políticos, empresários e personalidades com um volume de negócios equivalente a quase a metade do PIB americano -, a desigualdade foi identificada como uma das principais ameaças à economia mundial.

Mas, ainda que todos concordem com a gravidade do problema, haverá esforços para solucioná-lo?

Nos últimos 30 anos, segundo a Oxfam, o 1% mais rico da população passou a abocanhar renda ainda maior, em 24 dos 26 países que forneceram dados sobre o período. O Brasil é citado como um dos poucos países onde a desigualdade está diminuindo.

Nos EUA, em 1978, um salário anual médio equivalia a US$ 48 mil (em valores atuais), e 1% da população ganhava US$ 390 mil. Em 2010, o salário médio caiu para US$ 33 mil, enquanto 1% da população ganhava mais de US$ 1 milhão.

O período coincide com a hegemonia da crença neoliberal promovida entre os anos 70 e 80 por políticos como Augusto Pinochet, no Chile, Ronald Reagan, nos EUA, Margaret Thatcher, no Reino Unido.

A ideologia, que emergiu triunfante com a queda do Muro de Berlim, prega regulação mínima do Estado sobre a atividade econômica, liberdade absoluta ao mercado e redução dos impostos aos mais ricos, a fim de promover o crescimento econômico.

Oxfam defende iniciativas que vão na direção oposta: "É preciso um combate global à evasão a paraísos fiscais. Um sistema de impostos progressivo. Um salário digno", disse à BBC Mundo Ricardo Fuentes-Nieva, chefe de pesquisas do órgão.

Estados costumam ser as únicas entidades capazes de intervir significativamente na redução da desigualdade em nível nacional, mas, para tal, necessita de dinheiro para financiar investimentos em saúde, emprego, educação ou previdência social.

Distorções
Nas últimas décadas, a elite mundial contribuiu decisivamente para o "desfinanciamento" estatal: segundo o Tax Policy Center, dos EUA, desde a década de 1970, a carga de impostos caiu para os mais ricos em 29 dos 30 países nos quais há dados disponíveis.

No mesmo período, o número de paraísos fiscais alcançou 50 a 60 jurisdições, que, segundo cálculo da revista The Economist, são o destino do equivalente a quase o dobro do PIB dos EUA.

O diretor da ONG Tax Justice InternacionalJohn Christensen, ilustra o impacto dos paraísos fiscais.

"No âmbito de indivíduos, a perda em receita fiscal é de cerca de US$ 225 bilhões. Em âmbito corporativo, ocorre uma distorção de preços.

(Multinacionais) pagam pouco ou nada (para manter o dinheiro) no paraíso fiscal e, no país de origem, pagam menos do que deveriam porque seus ganhos ficam muito abaixo da realidade", afirmou à BBC Mundo.

 Isso provoca distorções tragicômicas. Um único edifício nas ilhas Cayman, chamado de Ugland House, é a sede oficial de 18 mil empresas.
 Nos Estados Unidos, Delaware, cuja população não chega a 1 milhão de pessoas, existem 945 mil empresas, mas de uma por cabeça.
 E o Google faturou US$ 5 bilhões no Reino Unido em 2012, mas praticamente não pagou impostos por isso.

Políticas
A globalização financeira, a desregulação e a capacidade de mover a produção de um país a outro converteram esse poder econômico em uma força capaz de dobrar governos.

"A elite mundial está impondo políticas de Estado que lhes favoreçam", opinou Ricardo Fuentes-Nieva. "Isso produz uma 'deslegitimação' da democracia e do Estado."

O relatório da Oxfam diz que, em pesquisas conduzidas em seis países - Brasil, Espanha, Índia, África do Sul, Reino Unido e EUA -, a maioria dos entrevistados opinou que as leis tendem a favorecer os mais ricos.

ONG fez um chamado por mais responsabilidade à elite global - chamado que, segundo Fontes-Nieva, pode ter mais apelo por conta da profundidade e da extensão de potenciais turbulências globais.

 "Estamos ante um perigo de ruptura do contrato social. Desta vez, o conjunto da sociedade, inclusive a classe média, se vê afetada. Precisamos lembrar que tratam-se de políticas públicas que podem ser mudadas. Se não forem, o impacto prejudicará as próprias elites, porque a crescente exclusão de consumidores pode acabar produzindo uma sociedade economicamente doente."

Sinais de debilidade não faltam: segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego mundial será de 6,1% neste ano, em comparação com 5,5% em 2008. Entre os jovens, a taxa será de 13,1%.

A íntegra do relatório, em espanhol, pode ser lida aqui.

Desigualdade: cerca de 3,5 bilhões de pessoas ganham o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do mundo

Segundo a Oxfam, cerca de 3,5 bilhões de pessoas ganham, somadas as suas rendas, o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do mundo.

A desigualdade mundial é tão forte que até a Cúpula dos Ricos de Davos, que começou ontem, citou-a como uma das grandes ameaças para a economia global. Um relatório da organização humanitária Oxfam, divulgado na segunda-feira, apresenta uma comparação que revela os extremos do desequilíbrio social em pleno século XXI. Segundo os cálculos da Oxfam, a metade da população mundial – cerca de 3,5 bilhões de pessoas – recebem o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do planeta. Esta aparente confluência no diagnóstico, feita por uma ONG que luta contra a pobreza global e o Fórum Econômico Mundial, organizador de Davos, termina na identificação do problema.

Em uma pesquisa da consultora internacional Pricewaterhouse Coopers, publicada ontem, fica claro que as mil multinacionais que financiam o Fórum acreditam que a desregulação e a redução do déficit fiscal são fundamentais para lidar com os problemas econômicos globais. Discordando disso, a Oxfam considera que é preciso acabar com os paraísos fiscais, promover um sistema tributário progressivo e salários dignos, condições que são rejeitadas pelas multinacionais.

O jornal Página/12 conversou com o chefe de Pequisas da OxfamRicardo Fuentes-Nieva (foto), a respeito dos desafios para se promover uma maior igualdade, em um mundo globalizado.

A entrevista é de Marcelo Justo, publicada por Página/12, 23-01-2014. A tradução é do Cepat.
  
Eis a entrevista.

A Oxfam está participando em Davos e concordou com a avaliação do Fórum Econômico Mundial a respeito dos perigos que a desigualdade apresenta. Entretanto, essa concordância para por aí?
Em nosso relatório, vimos que em 24 dos 26 países do mundo em que há informação estatística dos últimos 30 anos, a desigualdade cresceu. Posto de outra forma, sete em cada 10 pessoas do mundo vivem em um lugar mais desigual do que há 30 anos. Uma segunda conclusão de nosso relatório é que os ricos têm uma crescente influência nos processos políticos, que apresentam sérios problemas de legitimidade. Por último, pensamos que não há razões para que isso continue assim. É uma questão que pode ser corrigida com políticas concretas.
Justamente, o caminho que vocês apresentam é totalmente o contrário daquilo que se promove em Davos.
Nós acreditamos que deve haver um combate global contra a evasão fiscal e os paraísos fiscais. O estouro financeiro de 2008 aprofundou a desigualdade, a partir dos programas de austeridade que foram levados adiante para solucionar uma crise que teve sua origem nos mais ricos do mundo e em sua especulação financeira. Os paraísos fiscais foram fundamentais nesta especulação e constituem uma das chaves da ausência de financiamento dos estados, pois distorcem a política governamental. Por um lado, forçam as políticas de redução fiscal para os mais ricos, para que não recorram à evasão e fuga de capital, por outro, impedem políticas sociais e econômicas que reduziriam a desigualdade em razão da queda da arrecadação fiscal. Desde os anos 1970, a carga tributária baixou para os ricos em 29 dos 30 países em que existem dados disponíveis. Esta é uma política impulsionada pelo crescente poder político dos ricos e o desequilíbrio em favor das corporações na distribuição dos benefícios econômicos entre trabalhadores e o capital.
O argumento mais citado em favor de salários baixos e vantagens fiscais é a competitividade das empresas, em um mundo globalizado. Sem questionar a globalização atual, não parece haver solução ao problema da desigualdade.
É um ponto muito importante. Parte desta concentração da renda está relacionada à globalização que, ao mesmo tempo, teve aspectos positivos, ajudando milhões de pessoas a saírem da pobreza. Porém, o certo é que o salário real médio decresceu em muitos países. Também não se pode dizer que este fenômeno se deve pura e exclusivamente à globalização. Os avanços tecnológicos, que surgiram da globalização, foram enormes e geraram uma redistribuição econômica para grupos que tem maior nível de educação. Contudo, ao mesmo tempo, a concentração da renda, que vimos nos últimos dois anos, não pode ser explicada por este fator, porque a globalização é um processo que está em marcha há muito tempo.
Por muito tempo, a América Latina foi um dos lugares mais desiguais do planeta. Como vocês avaliam a situação da região, nos últimos dez anos?

Acreditamos que ocorreram grandes progressos que demonstram que as coisas podem melhorar, caso exista vontade política. Programas sociais como Bolsa Família no Brasil, Trabalhar na ArgentinaChile Solidário eOportunidades no México, colocaram a América Latina na vanguarda de políticas inovadoras de intervenção estatal para lidar com a desigualdade. No entanto, é verdade que isto não foi suficiente. Os protestos no Chile ou no Brasil são sinais de que fica muito a desejar.  Mesmo assim, a tendência é animadora na América Latina e muito melhor do que em outras partes do mundo.

O que pode ocorrer, caso não se modifique esse panorama de crescente desigualdade global? 

Estamos diante de um perigo de ruptura do contrato social e de uma dissolução da ideia de cidadania. Se os governos não refletem a vontade de grande parte da população, começam a perder legitimidade, dinamismo e colocam em risco a democracia, os direitos humanos e outras conquistas. Nesse sentido, independente se a avaliação que Davos faz, a respeito da desigualdade como uma das ameaças da economia mundial, é um mero exercício de relações públicas, acredito que não é interesse das próprias companhias de Davos que esta situação transborde. Este transbordamento não irá acontecer de um ano para o outro, mas há um risco de que a sociedade se torne esclerosada com um impacto concreto econômico e com um risco crescente de explosão social, porque, nesse momento, a desigualdade está afetando ao conjunto da sociedade de muitos países, incluindo as próprias classes médias, que foram uma das grandes perdedoras da crise de 2008.

23 janeiro, 2014

MST comemora 30 anos de luta e resistência.


Ocupar, resistir e produzir. Neste dia 22/01/2014, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemora 30 anos de luta e resistência. 

MST alfabetizou mais de 50 mil trabalhadores em 30 anos

Da Página do MST

O acesso à educação é um direito humano fundamental. Desde a retomada da luta pela terra, em 1984, no Acampamento da Encruzilhada Natalino, no Rio Grande do Sul, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) busca garantir que os acampados e assentados tenham acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis.

Mais de 50 mil pessoas já aprenderam a ler e escrever no MST, fruto do entendimento de que alfabetizar os trabalhadores é um passo importante para a transformação social. Além disso, foram formados mais de 8 mil educadores que atuam em escolas no campo.

“O compromisso do movimento com a alfabetização é que enquanto existirem analfabetos, o MST vai estar na luta para alfabetizá-los. É a mesma convicção de que enquanto existir um trabalhador campesino sem o acesso a Terra continuaremos lutando pela Reforma Agrária”, afirma Cristina Vargas, do setor de educação do MST. No entanto, o acesso à escola é um desafio permanente para os camponeses e camponesas.

Ainda nos primeiros anos do MST, surgiram as primeiras escolas, denominadas de “Escolas de Acampamentos”, que mais tarde passam a ser chamadas de Escolas Itinerantes. A existência dessa prática educativa garantiu a escolarização de muitas crianças e adultos, permitindo que esta experiência fosse reconhecida pelos órgãos públicos do Rio Grande Sul.

Durante esses 30 anos, que serão comemorados nesse ano durante o VI Congresso Nacional do MST, a ser realizado entre os dias 10 e 14 de fevereiro, em Brasília, o movimento estima que foram construídas aproximadamente 1200 escolas públicas - estaduais e municipais - nos assentamentos e acampamentos, das quais 200 são de ensino fundamental completo e em torno de 100 vão até o ensino médio, nelas estudando em torno de 200 mil crianças, adolescentes, jovens e adultos Sem Terra.

Também faz parte da atuação do MST os trabalhos educacionais através dos cursos de nível técnico que capacitam os trabalhadores Sem Terra a atuar em cooperativas, além de cursos de graduação, como licenciatura, pedagogia, direito, jornalismo, administração. Já foram criados 50 turmas de cursos técnicos de nível médio e superiores em parceria com Universidades e Institutos federais, em um total próximo a 2 mil estudantes.

Fechar escola é crime!

O MST defende que a escola esteja onde o povo estiver. Os camponeses têm o direito e o dever de participar da construção do próprio projeto de escola, respaldados no princípio constitucional de que a educação é direito de todos e dever do Estado.
No entanto, após décadas de lutas por conquistas no âmbito educacional, cada vez mais escolas no campo estão sendo fechadas.

Em oito anos, mais de 24 mil escolas deixaram de atender crianças e adolescentes filhos de trabalhadores rurais. No ano de 2002, existiam 107.432 escolas do campo.

Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036, significando o fechamento 24.396 estabelecimentos de ensino, sendo 22.179 escolas municipais.

O Brasil ainda possui 14,1 milhões de analfabetos, o que corresponde a 9,7% do total da população com 15 anos ou mais de idade. Um em cada cinco brasileiros é analfabeto funcional, ou seja, lê e escreve, mas não consegue compreender, interpretar ou escrever um texto.

21 janeiro, 2014

Água de Maringá. Quem é culpado, os pesqueiros ou a Sanepar?

Com relação ao gosto de barro e o cheiro ruim da água fornecida pela Sanepar em Maringá, nos últimos dias, os integrantes da força-tarefa criada para fiscalizar, mapear e analisar a água do rio Pirapó, procurou identificar a origem das microalgas Oscillatoriales, presentes no rio Pirapó, principal manancial de abastecimento público de Maringá. A Sanepar diz que as microalgas não representam riscos à saúde humana, apesar de provocarem odor e sabor na água tratada. 

Na coletiva realizada hoje, 21, na Sanepar, confirmou que a origem da água com gosto e cheiro ruins foi uma propriedade rural que possui vários tanques às margens do rio Pirapó, em Sabáudia, com a possibilidade das algas terem vindo também de outras propriedades ribeirinhas.

Quem é culpado, os pesqueiros ou a Sanepar?

Talvez, seria viável alguém lembrar a Sanepar que “carvão ativado” tem um excelente poder de clarificação, desodorização e purificação de líquidos e que ela pode usar a quantidade suficiente para resolver o problema da água em Maringá, sem risco nenhum para a humanidade e todos os seres vivos.

Descaso pelos menos favorecidos na cidade de Maringá


 

A situação das famílias que ocuparam o Conjunto Atenas II e foram levadas dias atrás para a desativada Escola Municipal Delfim Moreira, na zona rural de Maringá, é de calamidade. As fotos acima foram tiradas pelo Observatório das Metrópoles, que realizou visita técnica ao local. Os relatos são impressionantes. São 17 famílias morando em 13 salas, dentre elas, cozinha, secretaria e despensa. Por não haver espaço, duas famílias estão dormindo no corredor. Ainda sobre o espaço restrito, os móveis ficam no corredor ao relento e a mercê da chuva. Alguns estão preocupados em perder o pouco que têm. Muitos estão com problemas de saúde, que atribuem à contaminação na água, que afetam principalmente as crianças. Há moradores com crise de vômito e diarreia. Existem apenas dois banheiros coletivos e há presença de ratos e baratas no local. Há riscos para as 40 crianças no local como portões soltos, janelas quebradas que não cumprem sua função de vedação e proteção contra o frio. Além disso, ainda se encontram sem acesso ao transporte público.

Do: Site do Rigon

20 janeiro, 2014

América Latina terá desemprego estável até 2016

Divulgado hoje (20/01/2014) o relatório Tendências Mundiais de Emprego 2014 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Relatório aponta que, em 2013, o número de desempregados no mundo aumentou 5 milhões. Com isso, o número de pessoas sem emprego é cerca de 202 milhões, o que representa uma taxa de desemprego mundial de 6%. 

Segundo o relatório Tendências Mundiais de Emprego 2014, a fraca recuperação da economia mundial não foi capaz de levar a uma melhora no mercado de trabalho.

No ano passado, a maior parte do aumento do desemprego mundial foi registrada nas regiões da Ásia Oriental e da Ásia Meridional que, juntas, representam 45% das pessoas em busca de emprego, seguidas da África Subsaariana e da Europa. Por outro lado, a América Latina contribuiu com menos de 50 mil desempregados para a cifra mundial do desemprego.

De acordo com a OIT, se a tendência atual se mantiver, o desemprego mundial continuará piorando e pode chegar a 215 milhões de pessoas em 2018. Nesse período, serão criados cerca de 40 milhões de novos empregos por ano, que representa um número menor do que os 42,6 milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente.

TJ-PR abre inscrições para concurso de cartórios extrajudiciais

O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) abre nesta segunda-feira (20) as inscrições do concurso público para cartórios extrajudiciais. A quantidade de vagas oferecidas é a segunda maior na área do país. “O concurso do Paraná é um dos mais esperados, pois todos os cartórios do estado já estão instalados, funcionando, ao contrário de outros estados em que os vencedores do concurso terão que implantar novas unidades. São 503 ofícios vagos, sendo 326 por provimento e 177 por remoção”, conta o coordenador do curso preparatório Concurso de Cartório, Heverson do Valle.

As inscrições devem ser feitas até 18 de fevereiro pelo site www.ibfc.org.br do Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação, organizadora do concurso. O valor da taxa de inscrição é de R$ 200. Podem concorrer bacharéis de Direitos e pessoas que exerceram a função notarial ou registral por dez anos ou mais. Serão destinadas 5% das vagas a pessoas com deficiência.

O concurso é composto por seis etapas. A primeira será uma prova objetiva com 100 questões aplicadas no dia 30 de março. Segundo Heverson do Valle, a etapa inicial é classificatória e as notas costumam ser altas. “Para se diferenciar o candidato deve apostar em questões específicas sobre Direito Notarial e Registral, buscando estudar conteúdo específico destas áreas”, completa.

Histórico
Em julho de 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que fosse realizado no Paraná concurso público para o preenchimento de cartórios extrajudiciais. Ao todo, cerca de 31% das 1,1 mil serventias paranaense eram ocupadas por não concursados. 

O certame foi marcado para o dia 8 de dezembro de 2012, o qual foi suspenso por uma liminar do CNJ baseado em pedidos de candidatos, que alegaram problemas técnicos na aplicação da prova.

Concurso de Cartório
Concurso de Cartório é o único curso dedicado exclusivamente aos concursos públicos de ingresso e remoção na atividade notarial e registral. As aulas online e presenciais preparatórias em todo o país contam com os melhores e mais experientes profissionais da área. O curso promove o conhecimento a respeito dos concursos na área do Direito notarial e de registro, disseminando informações específicas e organizando cursos voltados para profissionais da área e futuros tabeliães e registradores.

Contato: 0800 604 6699

Água: força-tarefa marca coletiva

Fonte: site do rigon

Os integrantes da força-tarefa criada para fiscalizar, mapear e analisar a água do rio Pirapó e seus afluentes marcaram as 10h de amanhã uma entrevista coletiva, na Sanepar. Nos últimos dias, a força-tarefa procurou identificar a origem das microalgas Oscillatoriales, presentes no rio Pirapó, principal manancial de abastecimento público de Maringá. A Sanepar diz que as microalgas não representam riscos à saúde humana, apesar de provocarem odor e sabor na água tratada. Na reunião, técnicos da Sanepar e representantes da Polícia Ambiental, do Instituto Ambiental do Paraná e demais órgãos (Defesa Civil Estadual e Municipal, Corpo de Bombeiros, e Secretaria Estadual de Meio Ambiente) vão repassar informações sobre as ações realizadas e encaminhamentos definidos.

17 janeiro, 2014

Palestra sobre o MÉTODO SEL HEALING (Autocura)

Segue convite de uma interessantíssima Palestra sobre o MÉTODO SEL HEALING (Autocura) na próxima quinta-feira, dia 23, às 19 horas, no Auditório Hélio Moreira, cidade de Maringá.
Veja o site: www.absh.org.br




Estudo mostra que quanto mais velha a árvore, mais ela absorve dióxido de carbono (CO2) na atmosfera

Quanto mais velha é uma árvore, mais ela captura dióxido de carbono (CO2) na atmosfera para continuar a crescer, revelou um estudo [Rate of tree carbon accumulation increases continuously with tree size] publicado nesta quarta-feira sobre o impacto das florestas no aquecimento global.
A reportagem é da Agence France-Presse, reproduzida pelo portal Yahoo Notícias. 16-01-2014.
Os resultados dos trabalhos, publicados na revista científica britânica Nature, indicam que em mais de 400 tipos de árvores estudados, são os espécimes mais velhos e, portanto, os maiores de cada espécie os que crescem mais rápido e que, consequentemente, absorvem mais CO2.
Estes cientistas contradizem o postulado segundo o qual as árvores velhas contribuiriam menos na luta contra o aquecimento global.
“É como se para os humanos, o crescimento se acelerasse depois da adolescência ao invés de se retardar”, explicou para a AFP Nathan Stephenson, um dos autores deste trabalho.
As árvores absorvem da atmosfera o CO2, principal gás causador do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, e o armazenam em seus troncos, seus galhos e suas folhas.
As florestas desempenham, assim, um papel de reservatórios de carbono, mas até que ponto elas retardariam o aquecimento é um assunto em aberto.
“Já sabemos que as florestas antigas estocam mais carbono do que as florestas mais jovens”, explicou Nathan Stephenson. Mas, prosseguiu o pesquisador, “as florestas antigas têm árvores de todos os tamanhos e não está claro quais cresceram mais rápido, capturando assim a maior quantidade de dióxido de carbono”.
Este estudo dá uma resposta clara a esta questão: “para reduzir o dióxido de carbono presente na atmosfera, é melhor ter árvores grandes (ndr: e, portanto, antigas)”, resumiu o cientista.
“Este conhecimento vai nos permitir melhorar nossos modelos para prever como as mudanças climáticas e as florestas interagem”, ressaltou Nathan Stephenson.
Cerca de quarenta cientistas participaram deste estudo, que analisou os dados dos últimos 80 anos de 670.000 árvores de 403 espécies diferentes existentes em todos os continentes.

Álcool é responsável por ao menos 80 mil mortes por ano nas Américas, alerta OMS

Cerca de 80 mil mortes por ano nas Américas poderiam ser evitadas se não houvesse consumo de álcool, de acordo com estudo da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) que aparece na edição atual da revista científica Addiction.

A reportagem foi publicada pelo sítio ONU Brasil

O estudo da assessora da OPAS/OMS de informação e análises de saúde, Vilma Gawryszewski, e da assessora sênior em abuso de substâncias e álcool, Maristela Monteiro, se concentrou nos padrões de mortes relacionadas com o álcool entre 2007 e 2009 em 16 países. As autoras examinaram dados somente dos casos em o álcool foi especificamente mencionado – como doenças do fígado vinculadas ao álcool e distúrbios mentais e de conduta por causa do consumo de álcool.
Elas descobriram que o álcool foi a causa “necessária” – que a morte não teria ocorrido sem a ingestão de bebida – numa média de 79.456 casos por ano.
Segundo as autoras, isso representa apenas “a ponta do iceberg de um problemas mais amplo”, já que o álcool está relacionado com uma ampla gama de doenças e condições, incluindo doenças cardíacas e cerebrais vasculares, ferimentos com armas de fogo, suicídios e até alguns tipos de câncer.
A pesquisa mostra uma grande variação no número de mortes de acordo com os países. A maior taxa é de El Salvador (cerca de 27,4 a cada 100 mil mortes anuais), Guatemala (22,3), Nicarágua (21,3), México (17,8) e Brasil(12,2). Na outra ponta estão Colômbia (1,8), Argentina (4), Venezuela (5,5), Canada (5,7) e Costa Rica (5,8). Entretanto, o consumo de álcool é maior nos países com menores taxas de mortalidade.
O risco também varia por idade. No Brasil, Equador e Venezuela, por exemplo, as taxas começam a aumentar na faixa dos 40 a 49 anos, seguem estáveis e depois caem entre os indivíduos com mais de 70.
O documento destaca que mortes relacionadas ao álcool podem ser evitadas com políticas e intervenções que reduzam o consumo, incluindo restrições sobre disponibilidade, aumento de preços por meio de impostos e regulação da propaganda. A região, porém, é “fraca” nas políticas de resposta ao problema.
“Mortalidade nas Américas por doenças, condições e lesões quando o álcool é causa necessária nas Américas, 2007-2009” está disponível somente em inglês. Para acessar, clique aqui.

Carta dos Bispos participantes do 13º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base ao Povo de Deus


“Vós sois o sal da terra (...) Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14).

Nós, bispos participantes do 13º Intereclesial de CEBs, em número de setenta e dois, como pastores do Povo de Deus, dirigimos nossa palavra a vocês participantes das Comunidades Eclesiais de Base com seus animadores e animadoras e demais irmãs e irmãos que assumem ministérios e outras responsabilidades.

Em Juazeiro do Norte (CE), terra do Padre Cícero Romão Batista, na centenária diocese de Crato, nos encontramos com romeiros e romeiras, e com eles também nos fizemos romeiros do Reino.

Acolhemos com muita a alegria a carta que o Papa Francisco enviou ao Bispo Diocesano D. Fernando Pânico trazendo a mensagem aos participantes do 13º intereclesial das CEBs e que foi lida na celebração de abertura.

Participamos das conferências; dos testemunhos no Ginásio poli-esportivo, denominado Caldeirão Beato José Lourenço; de debates e grupos em diversas escolas (ranchos e chapéus) situadas em diversas áreas das cidades de Juazeiro e do Crato; das visitas missionárias às famílias e a algumas instituições; da celebração em memória dos profetas e mártires da fé, da vida, dos direitos humanos, da justiça, da terra e das águas realizada no Horto onde se encontra a grande estátua de Pe. Cícero comungando com a causa dos pobres: povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais sofredores e com a causa do ecumenismo na promoção da cultura da vida e da paz, do encontro. Tivemos também a grande alegria de participar da celebração eucarística de encerramento na Basílica de Nossa Senhora das Dores quando todos os presentes foram enviados para que no retorno às comunidades de origem possamos ser de fato sal da terra e luz do mundo.

Estamos vendo como as CEBs estando enraizadas na Palavra de Deus, aí encontram luzes para levar adiante sua missão evangelizadora vivenciando o que nos pede a todos o lema: “Justiça e Profecia a serviço da vida”. Desse modo, cada comunidade eclesial vai sendo sal da terra e luz do mundo animando os seus participantes a darem esse mesmo testemunho.

Muito nos sensibilizaram os gritos dos excluídos que ecoaram neste 13º intereclesial: gritos de mulheres e jovens que sofrem com a violência e de tantas pessoas que sofrem as consequências do agronegócio, do desmatamento, da construção de hidrelétricas, da mineração, das obras da copa do mundo, da seca prolongada no nordeste, do tráfico humano, do trabalho escravo, das drogas, da falta de planejamento urbano que beneficie os bairros pobres; de um atendimento digno para a saúde...

Sabemos dos muitos desafios que as comunidades enfrentam na área rural e nas áreas urbanas (centro e periferias). Nossa palavra é de esperança e de ânimo junto às comunidades eclesiais de base que, espalhadas por todo este Brasil, pelo continente latino-americano e caribenho e demais continentes representados no encontro, assumem a profecia e a luta por justiça a serviço da vida. Desejamos que sejam de modo muito claro e ainda mais forte comunidades guiadas pela Palavra de Deus, celebrantes do Mistério Pascal de Jesus Cristo, comunidades acolhedoras, missionárias, atentas e abertas aos sinais da ação do Espírito de Deus, samaritanas e solidárias.

Reconhecendo nas CEBs o jeito antigo e novo da Igreja ser, muito nos alegraram os sinais de profecia e de esperança presentes na Igreja e na sociedade, dos quais as CEBs se fazem sujeito. Que não se cansem de ser rosto da Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas e não de uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças, como nos exorta o querido Papa Francisco (cf. EG 49).

Para tanto, reafirmamos, junto às Cebs, nosso empenho e compromisso de acompanhar, formar e contribuir na vivência de uma fé comprometida com a justiça e a profecia, alimentada pela Palavra de Deus, pelos sacramentos, numa Igreja missionária toda ministerial que valoriza e promove a vocação e a missão dos cristãos leigos (as), na comunhão.

Com o coração cheio de gratidão e esperança, imploramos proteção materna da Virgem Mãe das Dores e das Alegrias.

Juazeiro do Norte, 11 de janeiro de 2014, festa do Batismo do Senhor.




16 janeiro, 2014

Carta final do 13º Intereclesial de CEBs do Brasil ao povo de Deus.


Carta final do 13º Intereclesial de CEBs do Brasil ao povo de Deus.

Irmãs e irmãos da caminhada,
“Maria pôs-se a caminho ... entrou na casa e saudou Isabel ... bem aventurada tu que acreditaste ... as crianças estremeceram de alegria no ventre ...” (cf. Lc 1,39-45)

Em atitude romeira, o povo das Comunidades Eclesiais de Base de todos os cantos do Brasil colocou-se a caminho respondendo ao chamado da grande fogueira acesa pela Diocese de Crato-CE, convocando para o 13º Intereclesial. A luz da fogueira alumiou tão alto que fez acorrer representantes de Igrejas irmãs evangélicas e de outras religiões. Até foi avistada em toda a América Latina e Caribe, Europa, África e Ásia.

O Cariri, “coração alegre e forte do Nordeste”, se tornou a “casa” onde se encontraram a fé profunda do povo romeiro, nascida do testemunho do padre Ibiapina e do padre Cicero, da beata Maria Madalena do Espírito Santo Araújo e do beato Zé Lourenço, com a fé encarnada do povo das CEBs nascida do grito profético por justiça e da utopia do Reino.

Houve um encontro entre a Religiosidade popular e a Espiritualidade libertadora das CEBs. As duas reafirmaram seu seguimento de Jesus de Nazaré, vivido na fé e no compromisso com a justiça a serviço da vida.

Bem aventurado o povo que acreditou!

A moda da viola e da sanfona cantou este acreditar. As palavras de dom Fernando Panico, bispo de Crato, na celebração de abertura confirmaram este acreditar, proclamando: as CEBs são o jeito da Igreja ser. As CEBs são o jeito “normal” da Igreja ser. Jeito normal de o povo de Deus responder no hoje à proposta de Jesus: ser comunidade a serviço da vida.

Ao ouvir a proclamação desta boa noticia, o ventre do povo que veio em romaria para Juazeiro do Norte ficou de novo grávido deste sonho, desta utopia. A esperança foi fortalecida. A perseverança e a resistência na luta foram confirmadas. O compromisso com a justiça a serviço do bem-viver foi assumido.

E a alegria estourou como fogos a vista e do meio da alegria escutamos a memória da voz querida de dom Helder Câmara, a se fazer ouvir: Não deixem a profecia cair! Não deixem a profecia cair!

A profecia não caiu. Ecoou nas palavras do índio Anastácio: “Roubaram nossos frutos, arrancaram nossas folhas, cortaram nossos galhos, queimaram nossos troncos, mas não deixamos arrancar nossas raízes.”

Raízes indígenas e quilombolas que afundam na memória dos ancestrais, no sonho de viver em terras demarcadas, livres para dançar, celebrar e festejar a terra que é mãe.

Emergiu a memória do padre Ibiapina, que já incentivava a construção de cisternas de pedra e cal e o plantio de árvores frutíferas, para conviver com a realidade do semiárido. Reanimava assim a esperança e a dignidade do povo sertanejo. O protagonismo da beata Maria Araújo canalizou os desejos mais profundos de vida e vida em abundância, o que incomodou os grandes e a hierarquia eclesiástica. O padre Cícero e o beato Zé Lourenço continuaram acolhendo os excluídos no mesmo espirito de Ibiapina.

Organizaram a comunidade do Caldeirão movida pela fé, trabalho, fartura e liberdade. Esta forma de convivência com o semiárido tem continuidade nas CEBs, nas pastorais e entidades comprometidas com os pobres,
A profecia ecoou na análise de conjuntura, que levou a constatar que o Brasil ainda precisa reconhecer que no campo e na cidade, não basta realizar grandes projetos. O grande capital prioriza o agro e hidronegócio e as mineradoras, continuando a expulsar do campo para concentrar as pessoas nas cidades, tornando-as objeto de manipulação e exploração, de concepções dominadoras e produtoras de profundas injustiças. O povo continua sendo despojado de sua dignidade: seus filhos e filhas definham no mercado das drogas e no tráfico de pessoas; é destituído de seus direitos à saúde, educação, moradia, lazer; a juventude é exterminada, obscurecendo a possibilidade de se projetar no futuro por falta de oportunidades; ainda existem preconceitos e outras violências marcam as relações de etnia, cor, idade, gênero, religião. Percebemos que transformar os cidadãos e cidadãs em consumidores é ameaça para o “Bem Viver”.

Ranchos (miniplenários) e chapéus (grupos) tornaram-se espaços de partilha das experiências de busca para compreender a sociedade que é o chão onde as CEBs labutam e vivem.

E nos passos de padre Cicero, as CEBs se tornaram romeiras nas veredas do Cariri, conhecendo realidades e comunidades; vivenciando a firmeza dos mártires e profetas; experimentando a partilha e a festa do jeito que o povo nordestino sabe fazer.

A sabedoria dos patriarcas e das matriarcas nos acompanhou resgatando a memória e orando: “Só Deus é grande”, “Amai-vos uns aos outros”.

A grandeza de Deus se revela nos romeiros, povo sofrido que ao assumir a organização da romaria, na prática da solidariedade, na reza e no canto dos benditos se torna protagonista e ressignifica o espaço da vida diária.

O amor é manifestado na profecia da mulher que no acariciar, no amassar o pão, na liderança e revolução carrega em seu ventre nossa libertação; na profecia que por amor à justiça se torna ecumênica; em Jesus de Nazaré que por primeiro viveu a justiça e a profecia a serviço da vida e nos desafia a sermos CEBs Romeiras do Reino no campo e na cidade.

A vivência comunitária no terreiro do semiárido renovou nosso acreditar.

Exultamos de alegria como as crianças que saltaram de alegria no ventre das mães vislumbrando o novo. O Reino se fez presente no meio de nós.

Seus sinais estão presentes na irmandade: oramos e refletimos, reavivamos à nossa frente rostos de mártires e profetas da caminhada, refletimos e debatemos, formamos a mesma fila para comer juntos a gostosa comida do Cariri, à mesma pia lavamos nossos pratos. Na circularidade do serviço, do canto, do testemunho reafirmamos o compromisso de ser CEBs: Romeiras do Reino, profetas da justiça que lutam pela vida, a serviço do bem-viver, sementes do Reino e da sua Justiça, comunidades profetas de esperança e da alegria do Evangelho.

Romeiros e romeiras sempre voltam para seu chão, repletos de fé e esperança. Nós também voltamos como romeiros e romeiras grávidos da utopia do Reino que é das CEBs. Voltamos para nosso chão, com uma mensagem do papa Francisco, bispo de Roma e Primaz na Unidade. Dele recebemos reconhecimento, encorajamento, convite a continuarmos com pisada firme a caminhada de sermos Igreja Romeira da justiça e profecia a serviço da vida.

Juntamo-nos à voz de Maria que louvou ao Deus da vida que realiza suas maravilhas nos humilhados. Unamos nossas vozes á sua para com ela derrubar os poderosos de seus tronos e elevar os humildes, despedir os ricos de mãos vazias e encher de fartura a mesa dos empobrecidos.
Irmãs e irmãos, vos abraçamos com amorosidade.

Amém, Axê, Auerê, Aleluia!

Participantes
Mulheres: 2248 
Homens: 1788 
Bispos: 72
Padres: 232
Religiosas/os:146 
Evangélicos: 20
Outras religiões: 35 
Estrangeiros: 36 Indígenas: 75 
Ampliada/Assessoras/es: 68

Total (incluindo as equipes de serviço e visitante): 5046