30 abril, 2014

Seis dicas de conteúdos sobre tolerância, violência contra a mulher e desigualdades


Para professoras e professores que desejam trabalhar questões de gênero com suas alunas e os seus alunos e também para outros grupos, o Porvir preparou uma lista com 6 dicas de conteúdos sobre tolerância, violência contra a mulher e desigualdades. As dicas foram pesquisadas na plataforma Escola Digital e em recentes sugestões ligadas ao tema. Confira a lista para o ensino:

1 - Panorama geral sobre nova mulher brasileira

Baseado em dados do censo 2010, realizado pelo IBGE, o infográfico apresenta aspectos e perfil da nova mulher brasileira. Com navegação interativa pelas ilustrações, o usuário pode acessar dados sobre o espaço da mulher no mercado de trabalho, as disparidades de salários entre gêneros e a presença feminina no ensino superior.

2 - Narradores de Javé – Questão de Gênero

A partir de um trecho do filme Narradores de Javé, obra brasileira dirigida por Eliane Caffé, é possível trabalhar as discussões sobre minorias e preconceito de gênero. O filme narra acontecimentos da pequena cidade de Javé, que seria submersa pelas águas de uma represa. No decorrer da obra são apresentadas questões que mostram o esquecimento das mulheres na história da cidade, que foi fundada pela heroína Maria Dima.

3 - Lei Maria da Penha em Cordel

De forma divertida e bem humorada, o vídeo apresenta a legislação sobre a violência contra a mulher em forma de cordel. O vídeo está disponível no YouTube e possui duração de 5:56. Ele faz parte do DVD Mulher de Lei, do cantor e educador cearense Tião Simpatia. A linguagem é ilustrativa e simples de entender.

4 - Women in the 19th Century: Crash Course US History #16
Se o professor desejar estabelecer um paralelo sobre as discussões sobre gênero nos EUA, o vídeo Women in the 19th Century, disponibilizado no YouTube, pode ser uma boa ferramenta. Ele apresenta como as questões de igualdade de direitos e sufrágio universal foram abordadas pelas mulheres do século XIX, nos EUA.

Para dar base as discussões do ensino superior, também selecionamos duas opções:

5 - Mooc colaborativo online sobre feminismo

O mooc Diálogos sobre Feminismo e Tecnologia conta com a colaboração de participantes para destacar o protagonismo feminino. Na plataforma, os próprios estudantes conseguem escrever e compartilhar informações adicionais sobre o tema.

6 - Colunas sobre Sexismo

A coluna publicada on-line por Kelly J. Baker, Ph.D. em religião da Universidade Estadual da Flórida, se propõe a discutir questões sobre gênero, o papel da mulher no século 21 e desigualdades. Os textos podem servir de base para análises e discussões em sala de aula.

Pronunciamento da Presidenta Dilma pelo Dia Internacional do Trabalho

1º de Maio, 25ª Romaria da Trabalhadora e Trabalhador da Arquidiocese de Maringá


29 abril, 2014

Dia Internacional da Dança



Hoje, dia 19 de abril é o dia Internacional da Dança, sendo assim resolvi jogar um pouquinho de capoeira, já que ela também é uma dança. 

O vídeo completo pode ser visto no link:

Foi uma apresentação no II Encontrão das CEBs na paróquia N. Sra. da Liberdade, onde o Pe. Dirceu Alves do Nascimento e eu assessoramos. 

28 de Abril – “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho”


Assédio Moral e Violência Organizacional estão entre os motivos de adoecimento e acidentes com trabalhadores. Projetos que coíbem prática tramitam no Congresso.

A reportagem é publicada pelo portal da CUT

28 de abril é o “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”, instituído em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina nos Estados Unidos em 1969.

Em todo o mundo ocorrem centenas de milhares de acidentes do trabalho a cada ano. No Brasil, segundo dados oficiais, em 2012 foram registrados 705 mil acidentes de trabalho, gerando 14.755 casos de invalidez permanente e 2.731 mortes.

Contudo, esses números representam apenas uma pequena parte da realidade, pois se referem unicamente aos trabalhadores vinculados à Previdência, não incluindo os servidores públicos estatutários. Além disso, não consideram os milhões de trabalhadores informais e os autônomos.

A legislação brasileira determina a notificação obrigatória das ocorrências de acidentes e doenças do trabalho pelas empresas, no entanto elas descumprem sistematicamente essa exigência, principalmente quando se tratam de doenças do trabalho.

Adoecimento gera riscos no ambiente de trabalho

Nos últimos anos vem aumentando significativamente a ocorrência de doenças mentais entre os trabalhadores das mais diversas atividades econômicas. Essa situação se dá em razão da exigência cada vez maior por ganhos de produtividade. Os mecanismos utilizados pelas empresas para cobrança de metas e outras formas de controle da produção caracterizam-se, normalmente, como prática de assédio moral e violência organizacional, produzindo grande sofrimento mental levando frequentemente a quadros de incapacidade para o trabalho.

O Brasil gasta bilhões em recursos públicos com assistência médica, benefícios por incapacidade temporária ou permanente e pensões por morte de trabalhadores vítimas das más condições de trabalho. Além disso, tais acidentes e adoecimentos afetam a vida dos trabalhadores não apenas do ponto de vista econômico, mas também social e profissionalmente.

Assédio moral no trabalho: uma prática que adoece e mata

O assédio moral no trabalho é um fenômeno observado em diversos países. Embora não seja uma prática nova ele ganha maior dimensão a partir dos anos 90 com a implementação de novas formas de gestão do trabalho e intensificação da cobrança por produtividade. Como consequência, há o aumento de diversas formas de adoecimento mental, levando os trabalhadores algumas vezes ao suicídio.

Marie France Hirigohyen, psiquiatra francesa, pela primeira vez usou a terminologia a definindo como “toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho.”

Para Hainz Leymann, médico alemão pioneiro no tema que já 1984 desenvolvia seus estudos “assédio moral é a deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas) que se caracterizam pela repetição por longo tempo de duração de um comportamento hostil que um superior ou colega (s) desenvolve (m) contra um indivíduo que apresenta, como reação, um quadro de miséria física, psicológica e social duradoura.”

Nos últimos 20 anos houve muitos avanços na compreensão do tema e vários trabalhos acadêmicos passaram a identificar outras práticas não enquadradas exatamente como assédio moral, mas trazendo igualmente sofrimento e outras consequências danosas aos trabalhadores. O conceito tem sido ampliado para assédio organizacional, assédio moral coletivo, violência organizacional, violência psicológica no trabalho, caracterizando-o como instrumento de gestão. As empresas o utilizam como forma de pressão por aumento de produtividade omitindo-se e até justificando a prática de seus gestores, chegando muitas vezes a estimula-las.

Cobranças insistentes por cumprimento de metas inatingíveis, estímulo à competição exacerbada entre colegas, divulgação de rankings, exposição vexatória de trabalhadores por não atingimento de níveis produtividade impostos, são algumas situações recorrentes.

Centrais se manifestam por legislação contra violência organizacional

O Brasil, diferentemente de diversos países, não tem legislação federal para coibir essas práticas, em que pese vários projetos de lei tramitar atualmente no Congresso Nacional. Por isso em 2014 as centrais sindicais elegeram o Assédio Moral e a Violência Organizacional como motes das manifestações do “28 DE ABRIL – DIA MUNDIAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO”, com o objetivo de pressionar os parlamentares a criar legislação com essa finalidade.

Veja os conteúdos de alguns projetos de lei sobre assédio moral em tramitação no Congresso:

PL 2.369/2003 de autoria do deputado federal Mauro Passos (PT/SC) institui indenização a ser paga pela empresa quando o trabalhador for vítima de assédio moral além de obrigar o custeio de todo tratamento se for verificado dano à saúde. Estabelece também obrigatoriedade de medidas educativas e disciplinadoras, sujeitando a empresa a multa de R$ 1.000 por empregado caso não sejam feitos investimentos em prevenção.

PL 80/2009 do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE) visa impedir, por determinado período de tempo, que empresas condenadas por práticas de coação moral no ambiente de trabalho venham a licitar com a Administração Pública, propondo a inclusão na Lei 8.666/1993 (Lei de Licitações) de dispositivo criando o “Cadastro Nacional de Proteção contra a Coação Moral no Emprego”.

PLS 121/2009 de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE) inclui o assédio moral entre as condutas vedadas aos servidores públicos, listadas no artigo 117 da lei que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais (Lei 8.112/1990). No artigo 132 desta lei, o projeto inclui a penalidade de demissão ao servidor que infringir a regra de vedação à prática do assédio moral.

PL 7.202/2010 dos deputados federais Ricardo Berzoini (PT/SP), Pepe Vargas (PT/RS), Jô Moraes (PCdoB/MG), Paulo Pereira da Silva(SDD/SP) e Roberto Santiago (PSD/SP) propõe alteração do texto do inciso II alínea “b” do artigo 21 da Lei nº 8.213/1991 (Lei Previdenciária), para incluir a ofensa moral como acidente de trabalho.

PL 6.757/2010 do deputado federal Vicentinho (PT/SP) propõe o acréscimo da alínea “h” no Art. 483 da Lei 5.452/1943 (Consolidação das Leis do Trabalho) para incluir a coação moral entre os atos motivadores da solicitação da recisão de contrato por justa causa pelo trabalhador contra a empresa.

PL 6.757/2010 do deputado federal Vicentinho (PT/SP) propõe o acréscimo da alínea “h” no Art. 483 da Lei 5.452/1943 (Consolidação das Leis do Trabalho) para incluir a coação moral entre os atos motivadores da solicitação da recisão de contrato por justa causa pelo trabalhador contra a empresa.

Esses projetos, uma vez transformados em legislação, em muito contribuirão para a eliminação do assédio moral e de outras formas de violência psicológica promovidas pelas empresas, adoecendo e até matando trabalhadores.

E se reduzirmos a jornada trabalhista para 6 horas?


Vejam só, Gotemburgo começará uma experiência para saber se trabalhar 6 horas por dia é mais benéfico para a produtividade, a saúde e a felicidade dos trabalhadores.

A reportagem é de Carmen López e publicada pelo jornal El País

O debate não é novo, mas foram os suecos que se decidiram a provar sua eficácia: Gotemburgo (a segunda cidade em importância da Suécia) fará um experimento para constatar o sucesso ou o fracasso da redução da jornada trabalhista para 6 horas diárias, segundo declarou Mats Pilhem, conselheiro da prefeitura e pertencente ao Partido da Esquerda, ao jornal sueco The Local.

A proposta do ensaio é simples: a metade dos funcionários da prefeitura manterão sua jornada habitual de quarenta horas semanais enquanto a outra metade desenvolverá uma jornada diária de 6 horas. Todos os trabalhadores ganharão o mesmo salário (é provável que os do segundo grupo estejam esfregando as mãos neste momento pensando no tamanho de sua sorte). Dentro de um ano serão avaliados os resultados do estudo para decidir que tipo de horário é mais benéfico para a sociedade de modo geral. “Esperamos que os trabalhadores de nosso modelo tenham menos dias de baixa por doença e se sintam melhor física e mentalmente após ter jornadas trabalhistas mais curtas”, explicou Pilhem.

A prova da redução da carga horária da jornada trabalhista obteve mais vezes resultados irregulares. Pilhem em suas declarações faz alusão a uma fábrica automobilística da própria cidade que obteve conclusões positivas. Seus opositores, no entanto, lembram o caso da cidade de Kiruna, que depois de dezesseis anos com a jornada reduzida decidiu voltar à jornada original por motivos econômicos e de saúde.

Seja como for, o que evidencia a decisão das autoridades suecas é a preocupação europeia com a duração das jornadas trabalhistas, que causam problemas que vão desde a conciliação trabalhista e familiar até à produtividade e eficiência das empresas. Há apenas algumas semanas, a França anunciou que engenheiros e consultores eram obrigados a desligar seus celulares e dispositivos eletrônicos corporativos durante 11 horas por dia para tentar acabar assim com as jornadas trabalhistas intermináveis. Isto é, desligar o computador e o celular do trabalho e esquecer deles até a manhã seguinte, uma ação que para muitos e muitas é inimaginável nos dias de hoje.

Na Espanha, o problema é quase maior devido aos horários que, por si só, já são estendidos, e à cultura do “presentismo” trabalhista que impera na sociedade há alguns anos e é agravada por fatores como a crise. No entanto, alguns setores começaram a criar iniciativas para que os horários de trabalho sejam moldados de modo que haja uma melhoria na vida social e familiar das pessoas. É o caso, por exemplo, da Associação para a Racionalização dos Horários Espanhóis (ARHOE) cujo manifesto defende por “uma profunda modificação dos horários na Espanha, que nos ajude a ser mais felizes, a ter mais qualidade de vida e a ser mais produtivos e competitivos.”

Um dos objetivos do manifesto é favorecer a igualdade entre o homem e a mulher, já que as jornadas trabalhistas que são maratonas afetam especialmente às mulheres. De fato, o partido político sueco Iniciativa Feminista, é um dos principais defensores do experimento da redução das horas de trabalho já que fará a vida trabalhista bem mais acessível às mulheres com filhos. Até o momento, as medidas que estavam sendo tomadas pareciam encaminhadas a adaptar a vida pessoal e familiar com o trabalho (com a extensão dos horários dos colégios, por exemplo) mas parece que as coisas começam a mudar, ao menos no resto de Europa. Do resultado do experimento de Gotemburgo pode ser que possam extrair os roteiros para avançar na direção adequada para a verdadeira conciliação.

Maria, a mulher que vai a Emaús [Maria Soave]


"Os contos das Marias geram o
en-canto da vida"
(Lc 24,13-35)

Maria, um nome tão comum. Quando não se conhece o nome de uma mulher, tenta-se chamá-la de Maria e, muitas vezes, se acerta. Maria, um nome tão comum. Provavelmente, ela se chamava Maria.

Era uma mulher baixinha. Os lindos cabelos negros recolhidos em castas tranças. Este era o costume obrigatório das mulheres judias de boa reputação.

Maria gostava dos seus cabelos soltos; eram macios e espalhavam um perfume quente de azeite de oliva e de flores de jasmim.

Às vezes, de noite, à luz fraca de uma vela, Maria penteava os seus longos cabelos negros acariciando-os suavemente. Cleofas gostava de olhar a sua esposa perdida em pensamentos longínquos se penteando à luz frágil de uma vela. Cleofas gostava, à noite, de se perder no cheiro quente de azeite de oliva e de flor de jasmim. Eram casados há pouco tempo. Um casamento feito de sonho, amor e diálogo.

Há alguns meses tinham conhecido o grupo de Jesus. Um grupo como muitos outros existentes na Galiléia daquele tempo.

Um grupo como os outros e, ao mesmo tempo, tão diferente.

Quantas crianças participavam daquele grupo! Eram filhos de algumas discípulas e discípulos de Jesus.

Crianças amadas, acolhidas...

Para elas tinha espaço no grupo. Jesus adorava brincar com elas, carregava-as no colo e, ao entardecer, sentado debaixo de uma grande figueira, contava estórias, que chamavam sonhos bons nos corpos cansados daqueles pequenos. Jesus costumava dizer que o Reino de Deus é para as crianças. Maria e Cleofas sorriam ouvindo aquelas palavras. Nos olhos e no coração dos dois apareciam os rostos sonhados dos filhos do futuro, filhos e filhas, todas as pessoas empobrecidas, que viveriam num mundo diferente, um mundo de partilha, de amor, de carinho; um mundo com o mesmo cheiro do Reino de Deus.

O grupo de Jesus, um grupo como os outros e, ao mesmo tempo, tão diferente.

Quantas mulheres participavam do grupo de Jesus! Mulheres casadas e solteiras, viúvas... Mulheres discípulas, ministras da palavra e da fração do pão.

O grupo de Jesus, um espaço para crianças e mulheres, um espaço para todos os empobrecidos.

O grupo de Jesus, lugar de resgate da vida digna. Pessoas contando histórias que devolviam a esperança ao povo massacrado pelos impostos dos romanos e do templo. O grupo de Jesus, gente de carinho e de cura, mulheres e homens conhecedores da cura das ervas e das palavras boas que saram feridas da alma e do coração.

Maria, um nome tão comum. Um nome que não precisa ser citado nos livros de história. Ela, a esposa de Cleofas, provavelmente era conhecida só como a "Maria de Cleofas".

Maria, discípula do grupo de Jesus. Fazia já duas noites que sonhos assustadores visitavam o repouso de Maria.

Ela acordava, de repente, com o coração na garganta e o rosto molhado de lágrimas amargas.

O sono tranqüilo do descanso não iria mais voltar e os olhos, cheios de lágrimas, ficariam assim, abertos, fixando tristemente o vazio até as primeiras luzes da alvorada.

Há dois dias, na lua cheia da primavera, Maria tinha presenciado a morte do amigo.

Jesus, morto como bandido incômodo ao poder do templo e do imperador romano.

Foi impossível consolar o amigo. Foi obrigada, como outras mulheres do grupo, a ouvir os gritos de Jesus de longe, porque os soldados ameaçavam de morte todas as pessoas que ficassem muito perto das cruzes.

Uma pergunta trágica estava enroscada na garganta de Maria, parecia crescer à noite e quase a sufocava.

Por que tanta violência? Por que o amigo Jesus tinha sido morto? Ele, o meigo contador de estórias para mulheres, pobres e crianças... Ele, que fazia a esperança de um mundo melhor, sem exploradores e explorados, voltar a brilhar nos corpos das pessoas...

Ele, que, superando todos os orgulhos patriarcais, fazia das mulheres discípulas amadas...

Tudo estava acabado... Tudo... E a tristeza sufocava a garganta de Maria.

Cleofas também acordava, à noite, quando Maria acordava.

Ele sabia muito bem que Jerusalém nunca tinha sido um lugar acolhedor e seguro para a gente da Galiléia nem para quem aderia a idéias e práticas novas, ainda menos agora, com a morte de Jesus.

Decidiram então sair da cidade e tentar recompor os pedaços da vida e dos sonhos estraçalhados após a morte do amigo.

Saíram bem cedinho, às primeiras luzes, quando o dia ainda não é dia e a noite não é mais noite. Saíram abraçados, para se proteger do medo, do frio e da sufocante tristeza.

Tinham que percorrer alguns quilômetros. A palavra boa começou a se fazer espaço entre o nó da garganta de Maria. Ela lembrava os contos do amigo.

Lembrava as palavras e as estórias que nunca cansava de ouvir. Estórias de cura, de amor, de perdão, de partilha... Estórias do Reino de Deus. Estórias já cantadas e contadas desde Moisés até os profetas e profetisas... Estórias do Sonho de Deus!

A tristeza e o desânimo enroscados na garganta e no coração de Maria suavemente se desmanchavam, deixando lugar para uma doce saudade... O coração do casal ia se aquecendo na memória do amigo amado.

O sol começava a brilhar entre a planície e as montanhas e Cleofas percebia de novo o cheiro quente de óleo de oliva e de flor de jasmim nos cabelos de Maria.

Chegaram em casa, cansados e famintos. Maria, como sempre, foi buscar um pão guardado na despensa.

Não precisaram de palavras... O silêncio estava grávido de sentido. A vida cria símbolos: o pão. Os símbolos criam ritos: a fração do pão. E os ritos devolvem a vida e a esperança:

"Ele não está entre os mortos, ressuscitou! A vida tem sempre a última palavra!"

27 abril, 2014

Carta aberta à 52ª Assembleia Geral da CNBB Sobre as CEBs no Documento de Estudo 104: “Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia”

Por amor à Igreja, permito-me fazer um pedido à próxima Assembleia Geral da CNBB: que, na reelaboração do Documento além de torná-lo mais claro, mais conciso e mais objetivo seja retomada a visão teológico-pastoral das CEBs dos Documentos de Medellín, assumindo o método "ver, julgar, agir” (analisar, interpretar, libertar), que "nos permite articular, de modo sistemático, a perspectiva cristã de ver a realidade; a assunção de critérios que provêm da fé e da razão para seu discernimento e valorização com sentido crítico; e, em consequência, a projeção do agir como discípulos missionários de Jesus Cristo" (Documento de Aparecida DA, 19).
Essa visão teológico-pastoral das CEBs no Documento sobre uma Nova Paróquia deveria ser central, deveria ser seu eixo estruturante, sua espinha dorsal. Leia na íntegra agui

Eu só peço a Deus

23 abril, 2014

Padre Sidney Fabril convida para 25ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora da Arquidiocese de Maringá

Mística da 25ª Romaria da Trabalhadora e do Trabalhador da Arquidiocese de Maringá

Acabei de chegar da preparação da mística de abertura da 25ª Romaria da Trabalhadora e do Trabalhador, vai ser muito linda, mais muito linda mesmo. Padre Sidney Fabril vai ser simples, más linda. Obrigada Padre Dirceu Alves pela ajuda.

25ª Romaria da Trabalhadora e do Trabalhador a Arquidiocese de Maringá

Agora a caminha da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, para preparar a mística de abertura da 25ª Romaria da Trabalhadora e do Trabalhador da Arquidiocese de Maringá. Vamos priorizar esta data e juntos construir este momento lindo.


22 abril, 2014

Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe

Começou hoje (22) a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que vai até o dia 9 de maio, com um dia de mobilização no próximo sábado, 26 de abril.

Devem ser vacinadas:

- Crianças a partir dos seis meses até cinco anos incompletos
- Pessoas com 60 anos ou mais
- Trabalhadores de saúde
- Povos indígenas
- Gestantes
- Mães até 45 dias após o parto
- População privada de liberdade
- Funcionários do sistema prisional
- Pessoas portadoras de doenças crônicas não-transmissíveis ou com outras condições clínicas especiais. Essas pessoas terão que apresentar prescrição médica no ato da vacinação.


A escolha dos grupos prioritários segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), e o governo brasileiro se baseia em estudos que apontam que a vacinação pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza.

15 abril, 2014

Programação da 25ª Romaria da Trabalhadora e do Trabalhador da Arquidiocese de Maringá


Dia primeiro de maio de 2014

15h – Acolhida – concentração – Praça do antigo aeroporto – hoje SETRAN.

16h – Oração inicial e Apresentação da realidade do mundo do trabalho.

16h45 – Caminhada até a Igreja Matriz São José Operário – Iluminação da realidade do trabalho com a Palavra de Deus e o Ensino Social da Igreja.

17h20 – Chegada e Partilha do lanche. 

18h – Celebração da Eucaristia – Encerramento da Novena do Padroeiro.

19h – Bênção dos símbolos do trabalho e entrega do Cordão de São José.

RECADOS IMPORTANTES:
1 – Levar 1 kg de alimento não perecível para ser doado às pessoas de outros países que estão trabalhando na região em situação de vulnerabilidade social;
2 – Levar um símbolo do seu trabalho para ser abençoado;
3 – Levar lanche para a partilha; 
4 – Levar copo ou garrafa para tomar água e suco a fim de não poluir a natureza com copos descartáveis.


Diz o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”:
“O trabalho não somente procede da pessoa, mas é essencialmente ordenado a ela e a tem por finalidade. Independentemente do seu conteúdo objetivo, o trabalho dever ser orientado para o sujeito que o realiza, pois a finalidade do trabalho, de qualquer trabalho, permanece sempre a pessoa humana. Ainda que não possa ser ignorada a importância do componente objetivo do trabalho sob o aspecto da sua qualidade, tal componente, todavia, deve ser subordinado à realização da pessoa humana, e portanto à dimensão subjetiva, graças à qual é possível afirmar que o trabalho é para a ser humano e não o ser humano para o trabalho e que a finalidade do trabalho, de todo e qualquer trabalho realizado pelo ser humano - ainda que seja o trabalho mais humilde de um ‘serviço’ e o mais monótono na escala do modo comum de apreciação e até o mais marginalizador – permanece sempre a própria pessoa humana” (nº 272).

10 abril, 2014

Prefeito de Maringá quer comprar carro de luxo com dinheiro público - isso é inaceitável

É inaceitável a atitude do prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin (PP), que mandou comprar com dinheiro público um carro de luxo. 
De acordo com o edital de licitação, o veículo deverá ser um utilitário esportivo fechado, tipo caminhonete, versão SUV para sete assentos, preparado para utilização em terrenos e condições climáticas adversas.
Acabamento interno com bancos em couro, rodas em liga leve, tração 4x4, potência de no mínimo de 170 C, barras longitudinais no teto e coluna de direção regulável, são apenas alguns dos opcionais exigidos. 
O vereador Humberto Henrique (PT) protocolou um requerimento solicitando a suspensão do processo licitatório em que a Prefeitura de Maringá pretende gastar até mais de R$ 181 mil em um único automóvel para atender o gabinete do prefeito.  Humberto informou que, além do requerimento, vai oficializar o prefeito pedindo explicações sobre a necessidade de um veículo com os detalhes e o valor divulgados.

Em Maringá-Pr instalada CPI da Dengue

Na sessão de hoje (10), os vereadores da cidade de Maringá instalaram a CPI da Dengue, em função da epidemia na cidade confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, esta semana. De acordo com o governo estadual, Maringá possui mais de 300 casos da doença para cada grupo de 100 mil habitantes.

“Não é um problema novo e muito menos impossível de resolver para um município que apresenta superávit de arrecadação como Maringá. Vamos apurar as responsabilidades desta crise e buscar soluções para ela”, informou o presidente da Casa, Ulisses Maia (SDD) que junto com Carlos Mariucci (PT), Humberto Henrique (PT), Manoel Álvares Sobrinho (PCdoB) e Mário Verri (PT) assinou o requerimento de instalação da CPI da Dengue.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) será composta por cinco membros a serem escolhidos até a próxima segunda-feira (14). Eles terão como função apurar:
1- os métodos utilizados pelo Poder Executivo relativamente ao serviço de coleta e de destinação dos resíduos sólidos domiciliares;
2- a fiscalização no tocante aos criadouros em áreas privadas, além da eliminação dos mesmos;
3- a ação de eliminação dos criadouros em áreas públicas, sobretudo em terrenos baldios e áreas de fundo de vale;
4- as campanhas e as ações oficiais de prevenção e combate à dengue realizadas a partir de janeiro de 2013;
5- o atendimento aos munícipes com suspeita ou com confirmação da dengue.


08 abril, 2014

Plano Brasil Sem Miséria

Criado em 2011 pelo governo federal, o Plano Brasil Sem Miséria reúne uma série de ações para promover o acesso das pessoas mais pobres, especialmente os beneficiários do Programa Bolsa Família, à qualificação profissional e ao mercado, seja por meio do trabalho assalariado, autônomo ou associado. Uma dessas iniciativas é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) Brasil Sem Miséria, criado para aproveitar a imensa capacidade de trabalho e empreendedorismo do brasileiro. 

Em todo o país, já foram realizadas mais de 1 milhão de matrículas em 560 cursos. No Paraná, a população mais pobre mostra sua vontade de se qualificar e buscar melhores condições no mercado de trabalho. Já são 23,1 mil matrículas desde 2011. Até o final deste primeiro semestre, serão abertas mais 18,8 mil vagas em 216 municípios do estado.

Semana Santa um convite para recomeçar uma vida nova


Quantos cristãos, mulheres e homens, propõem recomeçar uma vida nova. 

Para nós cristãos, a “semana Santa” é marcada pelo mistério de nossa fé “vida, morte e Ressurreição de Jesus”.

Somos convocados a vivermos intensamente o sacramento da reconciliação e assumirmos a missão de batizados.

Para seguir Jesus, é preciso amar uns aos outros, um amor tal que, igual como Jesus fez com os seus discípulos, se ajoelha e lava os seus pés, como gesto inquietante de serviço e de acolhida inalcançável.

A entrega de Jesus foi tanto que chegou a fazer-se Sacramento Permanente em um pão e em um vinho que converte em Alimento seu Corpo e seu Sangue para todas e todos que queira segui-lo. Ficando assim instituída a Eucaristia.

É... Quantos cristãos, homens e mulheres, esta semana propõem recomeçar uma vida nova. Estar atento é preciso, cabe lembrar que, manipulado, teve quem, acolheu Jesus com ramos, cantando Hosana o Filho de Davi, depois gritou: crucifica-o.

No Evangelho de João 14,12 Jesus diz: eu garanto a vocês: Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço.

As discípulas e discípulos assumem a missão de ser presença viva de Jesus no meio do Povo de Deus. Dar continuidade as suas obras.

Quantas obras, quanto testemunho Jesus nos deixou com sua vida pública, que acredito precisa ser resgatado, torna-lo presente no nosso dia a dia.

O povo tinha liberdade de chegar até Jesus, Ele era fácil de ser encontrado, estava sempre no meio do povo, presente nos mementos difíceis, a serviço da comunidade.

Mt 8, 14-15 - Jesus vai à casa de Pedro e cura sua sogra que estava com febre
Mt 26,6 - Jesus estava na casa de um leproso
Lc 8, 41-42 - Um homem que estava com sua filha de 12 anos morrendo, vai até Jesus e pede para ele ir visitar sua filha e Ele vai.
Lc 10,38 - Em quanto caminhava, Jesus entrou num povoado e foi acolhido na casa de uma mulher chamada Maria.

Jesus provoca, se opõem contra os valores impostos pelo sistema opressor. Enfrenta doutores da lei, fariseus e todos e tudo que é contrario ao projeto de Deus.

Mc 2, 1-2 - Multidão de pessoas se reuniu na casa... e Jesus anunciava a Palavra.
Lc 7,36 - Jesus na casa de um fariseu que não se considerava pecador, acolhe uma mulher considerada pecadora.
Lc 10,38- Em quanto caminhava, Jesus entrou num povoado e foi acolhido na casa de uma mulher chamada Maria.
Lc 14,1 - Num sábado Jesus vai comer em casa de um dos chefes dos fariseus.
Lc 19,1-10 - Jesus é criticado por que foi na casa do pecador Zaqueu.
Mt 19,1-10 - Jesus garante, todas as vezes que vocês derem de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, visitar alguém na prisão,... é a mim que o fazem.
Lc 6,20-26 - Jesus diz felizes..., felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês, por causa de Filho do homem.
Lc 24 - Jesus aproxima como amigo dos discípulos de Emaús e caminha junto, escuta, sente seus problemas e a realidade que estão vivendo, conversa com eles, retoma a sagrada escritura, na sagrada escritura eles descobrem com Jesus sinais de vida e de esperança. No caminhar junto, como amigos, encontram um novo sentido para suas vidas.

No domingo de ramos Jesus entra em Jerusalém, montado num jumentinho.
Interessante, ele não estava montado num belo cavalo, nem numa camioneta ou carro de luxo de nossa época.

Não usava coroa na cabeça, mantos ou túnicas luxuosas, nem camisas de ceda ou ternos caríssimo, ostentação de tantos homens e mulheres de ontem e de hoje, da hierarquia que até hoje permanece em tantos meios.

Jesus montado num jumentinho e vestes simples do povo. O jumentinho e a vestes simples simboliza simplicidade, humildade e igualdade Demonstrando que ali estava no meio do povo para servir e resgatar a vida e a dignidade.

A “Semana Santa” traz presente aquele dia em que Jesus morreu. Quis vencer com sua própria dor o mal da humanidade. O dia da ausência, da dor, de esperança. O próprio Cristo, esta calado. Ele é verbo, a Palavra esta calada. Tudo esta consumado.

O anúncio do amor de um Deus que desce conosco até o abismo de que não tem sentido, do pecado e da morte. Do absurdo grito de Jesus em seu abandono e em sua confiança Extrema, “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”.

Mas esse silêncio não é silêncio, é a plenitude da palavra, resplandece o mistério da cruz.

É que “o Pai entregou o seu filho para que toda aquela e todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jô 3,16).

Trazemos presente o aniversário do triunfo de Cristo, a vitória da vida sobre a morte, a redenção e libertação do pecado da humanidade pelo Filho de Deus.

São Paulo nos diz: “Aquele que ressuscitou Jesus Cristo devolverá a vida a nosso corpo mortal”.

Celebrar a Páscoa é celebrar a libertação, não apenas de um povo, de uma nação isolada, mas do mundo inteiro. É celebrar o resgate e a reabilitação de homens e mulheres que se encontram caído. Libertação do egoísmo, complexos, individualismo, preconceitos, discriminação, comodismo. Libertação dos/as excluídos (as) e perseguidos (as).

A Páscoa é convite para seguirmos o testemunho das que sempre foram, são e serão, sacerdócias, profetas, discípula, apóstolas embora infelizmente nem sempre aceitas e reconhecidas. Seguir o testemunho das mulheres, para quem Jesus ressuscitado aparece primeiro e as envia.
E com alegria e coragem elas vão e anuncia:
“JESUS RESSUSCITOU”


Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Muito lindo. Acredito que os Pequenos gestos, podem transformar pessoas, realidades, sentimentos e gerar incentivos. São com as pequenas coisas, com os pequenos gestos que Cristo se revela e nos ensina.

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - Pároco Pe. Dirceu Alves do Nascimento

Arquidiocese de Maringá


01 abril, 2014