16 agosto, 2019

Arquidiocese de Maringá - 7º Encontrão Arquidiocesano das CEBs




7º Encontrão Arquidiocesano das CEBs será realizado dia 29 de setembro
Abertura do Mês Missionário Extraordinário convocado pelo Papa Francisco

Com alegria convidamos a todas e a todos para o 7º Encontrão Arquidiocesano das CEBs, momento que marcará abertura do Mês Missionário Extraordinário, convocado pelo Papa Francisco na Arquidiocese de Maringá.

O tema do Encontrão é “CEBs Batizados e enviados – ‘A Igreja de Cristo em missão no mundo’” e o lema "A quem eu te enviar, irás" (Jr 1,7), dia vinte e nove de setembro, das 13h30 às 17h30 no Ginásio Chico Neto, cidade de Maringá - Pr.

A evangelização é uma obra coletiva, “a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com solidariedade e atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói”. (MV, 15).

A missão nasce do encontro gostoso e lindo com Jesus que dá novo horizonte a vida de cada pessoa, a vida de cada um de nós, a vida da comunidade. O mundo é transparente, isso significa que nossa ação de evangelização não deve ter barreiras e nem fronteiras.

 “Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.” (EG 49)

Cantorias, reencontro, povo alegre, sorrisos bonito tem marcado os encontrões das CEBs. O nosso povo quer se expressar, e nas CEBs ninguém é mais importante e o povo faz e é sujeito, e isso é lindo.

O Sétimo Encontrão Arquidiocesano das CEBs continuará reafirmando a importância de retomar de maneira consciente a vida de comunidade se quisermos ser fiel a igreja de Jesus Cristo, porque este é o sentido de ser igreja.

O bonito nos Encontrões das CEBs é que não somos uma multidão, somos um grande número de pessoas, porque cada uma e cada um vão como sujeito do encontro, onde depois reforçado a fé vai continuar a caminhada.

A dinâmica do 7º Encontrão é o logo do Mês Missionário Extraordinário. O logo mostra uma cruz missionária cujas cores tradicionais lembram os cinco continentes, cada região pastoral recebeu uma cor para desenvolver.

Região Pastoral São José Operário - Cruz
Região Pastoral Sarandi - N. Senhora Das Graças - vermelho
Região Pastoral Jandaia do Sul - verde
Região Pastoral Castelo Branco- branco
Nossa Senhora Aparecida - amarelo
Região Pastoral Catedral - azul
Região Pastoral Santa Cruz - Amar sem Condições
Região Pastoral Paranacity - Ouvir e Acolher

Nosso abraço fraterno, e até o Encontrão das CEBs.

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá

14 agosto, 2019

É preciso enfrentar o clericalismo antes de tentar reformar o sacerdócio

Infelizmente não são apenas os clérigos (bispos e padres) que são  clericais, existem também leigas e leigos, que age como se fossem senhores feudais em uma sociedade feudal.
  
clericalismo é “uma expectativa, que leva a abusos de poder, de que os ministros ordenados sejam e devam ser melhores do que qualquer outra pessoa do Povo de Deus”.




“Os leigos, o clero e a Igreja, todos sofrem com a cultura do clericalismo. Ela distorce as nossas relações humanas e corrompe o corpo de Cristo. E o pior de tudo: ela não é fiel à visão de Cristo.”

O comentário é do advogado e padre aposentado Peter Daly, da Arquidiocese de Washington, nos EUA. Após 31 anos de serviço paroquial, ele trabalha hoje com instituições de caridade católicas. O artigo foi publicado por National Catholic Reporter, 13-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se o sacerdócio deve ser reformado, devemos enfrentar a doença do clericalismo. Não será fácil. O clericalismo está tão profundamente enraizado em nossas estruturas e em nosso modo de pensar que quase não conseguimos imaginar como as coisas poderiam ser de outra forma.

Em sua “Carta ao Povo de Deus” de 2018, o Papa Francisco condenou os pecados de abuso sexual e de abuso de poder na Igreja. Ele ligou esses pecados ao clericalismo. “Dizer não ao abuso é dizer não com força a todas as formas de clericalismo.”

O que é clericalismo?

Associação dos Padres Católicos dos EUA publicou um “white paper” sobre o clericalismo em junho de 2019 [disponível aqui, em inglês]. Ele define que o clericalismo é “uma expectativa, que leva a abusos de poder, de que os ministros ordenados sejam e devam ser melhores do que qualquer outra pessoa do Povo de Deus”.

Em outras palavras: os clérigos (bispos e padres) são formados frequentemente para pensar que são separados e postos acima de todos os demais membros da Igreja. Sua palavra não deve ser questionada. Seu comportamento não deve ser questionado. Seu estilo de vida não é questionado. Eles governam a Igreja como se fossem senhores feudais em uma sociedade feudal. Muitas vezes é assim que eles se veem – como senhores do feudo, até mesmo com brasões, títulos de nobreza e todas as regalias que acompanham a “superioridade”.

Não são apenas clérigos que são clericais. Os leigos geralmente fomentam o clericalismo ao sempre fazerem deferência ao “Padre” e colocando o “Padre” em um pedestal. O clericalismo é experimentado em milhares de palavras e ações que se somam a uma “cultura” ou atmosfera. O clericalismo se mostra quando:

- os seminaristas dizem que são chamados para “os cálices, e não para os calos” (em outras palavras, nada de trabalho físico);

- as pessoas dizem: “Nada está bom para o Padre”, ou: “O Padre nunca paga nada”;

- padres e bispos gastam enormes quantias de dinheiro da paróquia e da diocese consigo mesmos, sem nenhum controle. Por exemplo, redecorando a casa paroquial, construindo uma nova residência episcopal, fazendo viagens de luxo às custas da Igreja ou dando generosos presentes uns aos outros com o dinheiro da Igreja;

- quando o padre diz: “Esta é a minha paróquia. Ame-a ou deixe-a”.

- quando os seminaristas universitários de 18 anos usam roupas clericais para se diferenciarem;

- quando os pais dizem a seus filhos: “Nunca questione um padre”;

- quando as pessoas dizem que “os padres estão perto de Deus”;

- quando os bispos priorizam evitar o escândalo em vez de proteger as vítimas de abuso pelos padres;

- quando paróquias prósperas são fechadas porque há falta de padres, quando há diáconos e leigos prontamente disponíveis para manter a comunidade em atividade.

Todas essas coisas são sintomas de clericalismo. A cultura do clericalismo pode ter consequências terríveis.

Grande Júri da Pensilvânia em 2018, instituído para estudar o abuso sexual clerical, deu alguns exemplos notórios de padres e bispos que foram protegidos das consequências do abuso sexual por uma “cultura” de clericalismo. Padres eram rotineiramente transferidos a fim de evitar escândalos, mas nada era feito para alertar as pessoas nas suas novas sedes. Padres voltavam ao ministério após um “tratamento” em centros de tratamento administrados pela Igreja que não tinham equipes profissionais nem eram administrados com competência. Mesmo depois de se provar o abuso e de serem removidos do ministério, padres continuavam recebendo apoio financeiro, enquanto as dioceses jogavam duro contra suas vítimas. Acordos de confidencialidade impostos às vítimas como parte da conciliação serviam apenas para proteger a Igreja de escândalos, e os clérigos, das consequências de suas ações.

relatório do Grande Júri da Pensilvânia deu vários exemplos de crianças que foram espancadas por falarem “mal” de um padre quando contavam suas histórias de abuso. Em um caso, uma menina que contou ao seu pároco sobre uma agressão sexual contra ela por outro padre da paróquia foi humilhada na frente do seu pai biológico e obrigada a se retratar da “história inventada” sobre a sua agressão. O Grande Júri disse: “Seu pai não acreditou nela e arrastou-a para casa, gritando com ela e dando-lhe tapas no caminho. Quando finalmente chegaram em casa, ela foi espancada ainda mais pelo pai, dessa vez com um cinto, cuja fivela feriu-a”.

Enquanto uma “cultura” do clericalismo significar que os pais acreditam nos padres em vez das angustiantes histórias dos seus próprios filhos, será muito difícil responsabilizar os padres e os bispos.

Até mesmo o Papa Francisco é culpado por esse tipo de preferência clerical por parte de alguns membros do Vaticano. Quando o cardeal australiano George Pell foi condenado por abuso sexual de vários meninos pelo tribunal na Austrália, ele foi autorizado a continuar como prefeito para a economia (responsável pelo dinheiro) no Vaticano, aguardando recurso. Uma das vítimas de Pell cometeu suicídio. Pell, assim como o ex-cardeal Theodore McCarrick, era protegido pelo clericalismo. Ele era um dos membros do “clube masculino” mais exclusivo da Igreja, o Colégio dos Cardeais.

De certa forma, padres e bispos também são “vítimas” do clericalismo. Se o clericalismo nos coloca em um pedestal, ele também isola o clero de amizades comuns. Somos sempre “o Padre” ou “Sua Excelência”, e nunca apenas Pedro ou João. Se o clericalismo dá maior controle ao padre e ao bispo, ele também lhes confere maior responsabilidade. Ter uma “autoridade” inquestionável para falar sobre tantos assuntos também significa que se espera que os padres tenham respostas para além da sua competência.

O relatório da Associação dos Padres Católicos dos EUA também observou: “O clericalismo em leigos bloqueia a resposta necessária que ajuda a manter a Igreja fiel ao Evangelho, e bloqueia a resposta que os ordenados precisam para servir adequadamente à comunidade”.

Os leigos, o clero e a Igreja, todos sofrem com a cultura do clericalismo. Ela distorce as nossas relações humanas e corrompe o corpo de Cristo.

E o pior de tudo: ela não é fiel à visão de Cristo. Ele nos chama a todos a sermos líderes servidores, e não governantes imperiosos.

“Vocês sabem: os governadores das nações têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. Entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo de vocês. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (Mateus 20, 25-28).

Fonte do texto: IHU

Nossa Senhora da Glória, Padroeira de Maringá


13 agosto, 2019

Marcha das Margaridas 2019


“Somos de todos os novelos
De todo tipo de cabelo
Grandes, miúdas, bem erguidas 
Somos nós as Margaridas”.  









Fonte das fotos: Cartilha Marcha das Margaridas

09 agosto, 2019

Dia dos Pais


Naturalização do Horror: Frei Betto mostra, em dez passos, o que Bolsonaro quer fazer com o Brasil


Na campanha eleitoral, a empresa BS Studios, de Brasília, criou o jogo eletrônico Bolsomito 2K18. No game, o jogador, no papel de Bolsonaro, acumulava pontos à medida que assassinava militantes LGBTs, feministas e do MST. Na página no Steam, a descrição do jogo: “Derrote os males do comunismo nesse game politicamente incorreto, e seja o herói que vai livrar uma nação da miséria. Esteja preparado para enfrentar os mais diferentes tipos de inimigos que pretendem instaurar uma ditadura ideológica criminosa no país. Muita porrada e boas risadas.” Diante da reação contrária, a Justiça obrigou a empresa a retirar o jogo do ar.

Mas o governo é real. Dissemina o horror e enxerga em quem se opõe a ele o fantasma do comunismo.



Eis o artigo


Naturalização do Horror: Frei Betto mostra, em dez passos, o que Bolsonaro quer fazer com o Brasil

Por Frei Betto

Estou convencido de que Bolsonaro sabe o que quer, e tem projeto de longo prazo para o Brasil. Adota uma estratégia bem arquitetada. Enumero 10 táticas mais óbvias.
Segue artigo de Frei Betto publicado no Brasil de Fato (SP), dia 8 de Agosto de 2019.

Em 1934, o embaixador José Jobim (assassinado pela ditadura, no Rio, em 1979) publicou o livro “Hitler e os comediantes” (Editora Cruzeiro do Sul). Descreve a ascensão do líder nazista recém-eleito, e a reação do povo alemão diante de seus abusos. Não se acreditava que ele haveria de implantar um regime de terror. “Ele não gosta de judeus”, diziam, “mas isso não deve ser motivo de preocupações. Os judeus são poderosos no mundo das finanças, e Hitler não é louco de fustigá-los”. E sabemos todos que deu no que deu.

Estou convencido de que Bolsonaro sabe o que quer, e tem projeto de longo prazo para o Brasil. Adota uma estratégia bem arquitetada. Enumero 10 táticas mais óbvias:

1. Despolitizar o discurso político e impregná-lo de moralismo. Jamais ele demonstra preocupação com saúde, desemprego, desigualdade social. Seu foco não é o atacado, é o varejo: vídeo com “golden shower”; filme da “Bruna, surfistinha”; kit gay (que nunca existiu); proteção da moral familiar etc. Isso toca o povão, mais sensível à moralidade que à racionalidade, aos costumes que às propostas políticas. Como disse um evangélico, “votei em Bolsonaro porque o PT iria fazer nossos filhos virarem gays”.


2. Apropriar-se do Cristianismo e convencer a opinião pública de que ele foi ungido por Deus para consertar o Brasil. Seu nome completo é Jair Messias Bolsonaro. Messias em hebraico significa ‘ungido’. E ele se acredita predestinado. Hoje, 1/3 da programação televisiva brasileira é ocupado por Igrejas Evangélicas pentecostais ou neopentecostais. Todas pró-Bolsonaro. Em troca, ele reforça os privilégios delas, como isenção de impostos e multiplicação das concessões de rádio e TV.

3. Sobrepor o seu discurso, desprovido de fundamentos científicos, aos dados consolidados das ciências, como na proibição de figurar o termo ‘gênero’ nos documentos oficiais e dar ouvidos a quem defende que a Terra é plana.

4. Afrouxar leis que possam imprimir no cidadão comum a sensação de que “agora, sou mais livre”, como dirigir sem habilitação; reduzir os radares; desobrigar o uso de cadeirinha para bebês etc.

5. Privatizar o sistema de segurança pública. Melhor do que gastar com forças policiais e ampliação de cadeias é possibilitar, a cada cidadão “de bem”, a posse e o porte de armas, e o direito de atirar em qualquer suspeito. E, sem escrúpulos, ao ser perguntado o que tinha a declarar diante do massacre de 57 presos (sob a guarda do Estado) no presídio de Altamira, respondeu: “Pergunta às vítimas”.

6. Desobstruir todas as vias que possam dificultar o aumento do lucro dos grandes grupos econômicos que o apoiam, como o agronegócio: isenção de impostos; subsídios a rodo; suspensão de multas; desativação do Ibama; diferençar “trabalho análogo à escravidão” de trabalho escravo e permitir a sua prática; sinal verde para o desmatamento e invasão de terras indígenas. Estes são considerados párias improdutivos, que ocupam despropositadamente 13% do território nacional, e impedem que sejam exploradas as riquezas ali contidas, como água, minerais preciosos e vegetais de interesse das indústrias de produtos farmacêuticos e cosméticos.

7. Aprofundar a linha divisória entre os que o apoiam e os que o criticam. Demonizar a esquerda e os ambientalistas, ameaçar com novas leis e decretos a liberdade de expressão que desgasta o governo (The Intercept Brasil), incutir a xenofobia no sentimento nacional.

8. Alinhamento acrítico e de vassalagem à direita internacional, em especial a Donald Trump, e modificar completamente os princípios de isonomia, independência e soberania que, há décadas, regem a diplomacia brasileira.

9. Naturalizar os efeitos catastróficos da desigualdade social e do desequilíbrio ambiental, de modo a se isentar de atacar as causas.

10. Enfim, deslegitimar todos os discursos que não se coadunam ao dele. Michel Foucault, em “A ordem do discurso” (2007), alerta para os sistemas de exclusão dos discursos: censura; segregação da loucura; e vontade de verdade. O discurso do poder se julga dono da verdade. Não por acaso, na campanha eleitoral, Bolsonaro adotou, como aforismo, o versículo bíblico “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 32). A verdade é ele, e seus filhos. Seu discurso é sempre impositivo, de quem não admite ser criticado.

Na campanha eleitoral, a empresa BS Studios, de Brasília, criou o jogo eletrônico Bolsomito 2K18. No game, o jogador, no papel de Bolsonaro, acumulava pontos à medida que assassinava militantes LGBTs, feministas e do MST. Na página no Steam, a descrição do jogo: “Derrote os males do comunismo nesse game politicamente incorreto, e seja o herói que vai livrar uma nação da miséria. Esteja preparado para enfrentar os mais diferentes tipos de inimigos que pretendem instaurar uma ditadura ideológica criminosa no país. Muita porrada e boas risadas.” Diante da reação contrária, a Justiça obrigou a empresa a retirar o jogo do ar.

Mas o governo é real. Dissemina o horror e enxerga em quem se opõe a ele o fantasma do comunismo.

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 *Frei Betto é escritor, autor de “A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco), entre outros livros.

Fonte: Iser Assessoria

08 agosto, 2019

"A nossa mão, sempre estendida para ajudar o outro"

Papa Francisco: a mão de Jesus é a nossa mão, sempre estendida para ajudar o outro


O Papa Francisco, na primeira Audiência Geral depois da pausa de verão, retomou a série de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, comentando o milagre de Pedro da cura de um paralítico, em nome de Cristo. A nossa mão que ajuda o próximo a se levantar "é a mão de Jesus".

O Papa Francisco retoma as tradicionais Audiências Gerais das quartas-feiras. Neste dia 7 de agosto, na Sala Paulo VI e devido ao calor forte do verão italiano, os fiéis puderam acompanhar a catequese do Pontífice sobre os Atos dos Apóstolos, em continuidade à reflexão do final de julho quando fez uma pausa de férias.

“Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6): a cura de um paralítico de nascença que agora caminha, anda e louva a Deus. O Papa Francisco refletiu sobre a primeira narração de cura do Livro dos Apóstolos e enalteceu a ação concreta dos Apóstolos Pedro e João que testemunharam a verdade do anúncio do Evangelho, demonstrando como agem em nome de Cristo.

A "relação" com o outro que acontece no amor

Francisco recordou que a lei da época impedia de oferecer sacrifícios a quem tinha algum tipo de deficiência física, em consequência de alguma culpa, e inclusive impedia o acesso ao Templo em Jerusalém. Mas, como narra o Evangelho, o paralítico, “paradigma de tantos exclusos e descartados da sociedade, estava ali para pedir a esmola de todos os dias”, quando os Apóstolos trocaram olhares com ele e Pedro disse: “Não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (At 3,3-6).

Essa foi a relação estabelecida entre o paralítico e os Apóstolos, o mesmo modo em que Deus ama se manifestar, ressaltou Francisco, “na relação”, sempre no diálogo, com a inspiração do coração, através de um encontro real entre as pessoas que pode acontecer só no amor.

Igreja pobre para os pobres

Ao tratar do Templo, onde na frente se encontrava o paralítico, o Papa explicou que, além de ser um centro religioso, era um lugar de trocas comerciais. E por essa dimensão do espaço, Jesus tinha se manifestado contrário várias vezes.

“ Mas quantas vezes eu penso a isso quando vejo alguma paróquia onde se pensa que é mais importante o dinheiro que os sacramentos! Por favor! Igreja pobre: peçamos ao Senhor isso. ”

A Igreja que não fecha os olhos, mas abre o olhar

Aquele mendigo paralítico, encontrando os Apóstolos, não encontrou aquele dinheiro, mas “o Nome que salva o homem: Jesus Cristo, o Nazareno”. Pedro invocou o seu nome e ordenou o paralítico a se levantar e andar, tocou no doente e o ajudou a ficar em pé.

“ E aqui aparece o retrato da Igreja, que vê quem está em dificuldade, não fecha os olhos, sabe olhar a humanidade no rosto para criar relações significativas, pontes de amizade e de solidariedade no lugar de barreiras. Aparece o rosto de ‘uma Igreja sem fronteiras que se sente mãe de todos’ (Evangelii gaudium, 210), que sabe pegar na mão e acompanhar para se levantar – não para condenar. Jesus sempre pega a mão, sempre procura levantar, fazendo com que as pessoas se curem, que sejam felizes, que encontrem Deus. ”

O Papa descreveu essa atitude como “a arte do acompanhamento”, que se caracteriza pela delicadeza com o próximo, dando sinais de proximidade, como a troca respeitosa e cheia de compaixão de olhares.

"E isso fazem os dois Apóstolos com o paralítico: olham ele, dizem ‘olhem para nós’, seguram a sua mão, o fazem se levantar e o curam. Assim faz Jesus com todos nós. Pensemos nisso quando estivermos em momentos ruins, em momentos de pecado, em momentos de tristeza. Aí está Jesus que diz: ‘Olhe para mim: eu estou aqui!’. Vamos pegar na mão de Jesus e deixar que nos levante.”

Estender a mão ao outro: sempre!

Os Apóstolos Pedro e João nos ensinaram a confiar na “verdadeira riqueza que é a relação com Jesus”, afirmou o Papa. Uma tarefa que também cabe a nós, acrescentou o Pontífice, ao finalizar a catequese de hoje:

“ E nós, cada um de nós, o que temos? Qual é a nossa riqueza, o nosso tesouro? Com que coisa podemos tornar ricos os outros? Peçamos ao Pai o dom de uma memória agradecida ao recordar os benefícios do seu amor na nossa, para dar a todos o testemunho de louvor e reconhecimento. Não esqueçamos: sempre a mão estendida para ajudar o outro a se erguer; é a mão de Jesus que, através da nossa mão, ajuda os outros a se levantar. ”

Veja o resumo da catequese de hoje:

O livro dos Atos dos Apóstolos mostra como o anúncio do Evangelho é confirmado pelos milagres e sinais que o acompanham. O primeiro deles é a cura dum paralítico de nascença que, todos os dias, era colocado à porta do Templo de Jerusalém para pedir esmola. Um dia, pelas três da tarde, Pedro e João sobem ao Templo e seus olhos cruzam-se com o olhar daquele mendicante que pede uma esmola. Os apóstolos acolhem aquele olhar, aceitam um encontro real com aquele homem enfermo, ativam uma relação: «Dinheiro, não temos! Mas damos-te o que temos: 


“Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” E ele de um salto, pôs-se de pé e começou a andar». Encontrando os Apóstolos, o mendicante não encontra dinheiro, mas o Nome que salva: Jesus Cristo Nazareno. Pedro e João ensinam-nos a confiar, não nos meios materiais – sem dúvida, necessários –, mas na verdadeira riqueza que é a relação com Jesus ressuscitado. De facto, como dirá o apóstolo Paulo, «somos tidos (…) por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). O nosso tudo é o Evangelho, que manifesta o poder do nome de Jesus que realiza prodígios. Prova disto é o paralítico curado: agora caminha, salta e louva a Deus. Pode viver celebrando o Amor de Deus que o criou para a vida e a alegria.

Fonte: Vatican News
Andressa Collet – Cidade do Vaticano  

07 agosto, 2019

ELE NÃO é o culpado


De quem é o texto não sei. Esta nas redes sociais.

 ELE NÃO é o culpado

O Bolsonaro, não é o culpado!


O culpado, é o meu parente, o meu vizinho, o meu amigo...
O culpado, é o teu parente, o teu vizinho, o teu amigo.

O atual presidente, sempre defendeu a ditadura e a tortura... Sempre defendeu a sonegação de impostos. Sempre foi racista, homofóbico, xenófobo e preconceituoso. Não tinha plano de governo. Nunca foi sociável, não compareceu a um debate sequer. Ele sempre foi assim, sempre!

O verdadeiro culpado, é o meu parente, o meu vizinho, o meu amigo....

Ele disse sempre que não entendia de economia. Ele sempre chamou índios e quilombolas de vagabundos. Ele sempre falou, que se eleito, índios não teriam um centímetro de terra.

Sempre defendeu a caça de animais selvagens, e a liberação dos agrotóxicos.

Várias vezes, demonstrou que não gostava do povo, do povo mesmo. E fez várias manifestações contra os pobres. Defendia abertamente, que a mulher deveria receber um salário menor menor que o do homem.
E mesmo assim, a tua parente, a tua vizinha e a tua amiga votaram nele.

Ele sempre foi contra a educação pública. E mesmo assim, a minha amiga, que é professora, votou nele.

 Sempre foi contra a quase tudo que é público, e mesmo assim o meu vizinho, funcionário da CEF, votou nele.

 Ele não sabe conversar, e mesmo assim, o meu parente metido a "intelectual" votou nele.

Ele se diz Cristão, mas defende armas, grupos de extermínio e passou a campanha apontando arminha, p todos os lados. E os meus parentes, vizinhos e amigos que não saem da igreja e que p tudo dizem: "glória a Deus, Graças a Deus, Aleluia e em Nome de Jesus", votaram nele.

Todas a conquistas sociais estão indo p o espaço. E os nossos parentes, nossos vizinhos e os nossos amigos ainda defendem a reforma da previdência. Que é tão maravilhosa que os políticos, militares e o judiciário não farão parte dela...

"Uma mulher cananéia"

No Evangelho de hoje, Mt 15,21-28, Jesus diz:

"Mulher, grande é a tua fé!"


"Uma mulher cananéia"

No Evangelho de hoje, Mt 15,21-28, Jesus diz:
"Mulher, grande é a tua fé!"

As migalhas com as quais a cananéia se contenta é um protesto e, ao mesmo tempo, uma profecia.   

Na mulher cananéia em que Jesus reconhece o tamanho de sua fé,  a antecipação da profética da superação dos limites da missão e da evangelização. 

A bondade de Jesus e a fé da cananéia superam qualquer privilégio.

Essa mulher pagã mostra que pelo pão que alimenta tanto uns quanto os outros, o abismo que há entre os cachorrinhos e as filhas e filhos são superados.

O protesto da cananéia se dá porque aos pobres não se deve reservar somente as migalhas, porque as migalhas revelam a existência de barreiras que separam as filhas e os filhos dos cachorrinhos. 

E a profecia da da mulher, as migalhas são também pão para dar a Vida ao mundo, porque o pão é mesmo tanto para os cachorrinhos quanto para as filhas e os filhos.

Na mesa do pão partilhado e doado por amor somos todos iguais na mesma mesa e nos mesmos dons. Isso é lindo.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Mateus 15,21-28


Naquele tempo:
Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia.

Eis que uma mulher cananéia, vindo daquela região, pôs-se a gritar:

'Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim:

minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!'

Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma.

Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram:

'Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós.'

Jesus respondeu: 'Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel.'

Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar:

'Senhor, socorre-me!'

Jesus lhe disse: 'Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos.'

A mulher insistiu: 'É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem
as migalhas que caem da mesa de seus donos!'

Diante disso, Jesus lhe disse:

'Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!'

E desde aquele momento sua filha ficou curada.

Palavra da Salvação.

06 agosto, 2019

8º Turma do Curso Nacional de Fé e Política do CEFEP



Curso de Formação Política para cristãos   

Estão abertas as inscrições para a 8º Turma do Curso Nacional de Fé e Política do CEFEP

O curso tem duração de dois anos: 2020 e 2021, com duas etapas presenciais na segunda semana de janeiro em Brasília e aulas na modalidade EAD (à distância) durante o ano.

Destina-se à lideranças de Igreja que atuam em movimentos sociais, pastorais e organismos e pessoas com responsabilidades em organizações e movimentos sociais e pretendentes e ocupantes de cargos públicos.

Conheça melhor o curso 


Curso de Formação Política para cristãos  

Critérios de participação
- Identidade cristã de vivência e participação;
- Militância política: sindical, popular, partidária, conselhos municipais paritários e outras áreas;
- Compromisso de ser agente multiplicador para a entidade que o apresentou para o curso;
- Compromisso de participar das etapas previstas pelo curso e de realizar os trabalhos solicitados;
- Conclusão do ensino médio;
- Conhecimento de internet para o curso a distância;
- Carta de apresentação da entidade que envia.  

Destinatários
- Lideranças das comunidades eclesiais, pastorais sociais, movimentos e organismos;
- Pessoas com responsabilidades em organizações e movimentos sociais e pretendentes ou ocupantes de cargos em instâncias políticas.  

Inscrições para o Curso
Secretaria do CEFEP, ou pelo site
www.cefep.org.br      
Onde encontrará o link para a ficha de inscrição.  

Para as taxas de inscrição e do curso, e as possibilidades de conseguir bolsa de estudo, colher informações na secretaria e endereço eletrônico abaixo).

Centro Nacional de Fé e Política DOM HELDER CÂMARA - CEFEP Endereço: SGAN Quadra 905 Lote “C” 70.790-050 Fone: 61 3048 7910 / 61 98155 7198 E-mail: cefep@cnbb.org.br - Site: www.cefep.org.br
 
Programação

Primeira etapa 15 dias (90 horas)
Sempre na segunda quinzena de janeiro
- Leitura da relação Fé e Política na Bíblia e nos Padres da Igreja Primitiva;
- Ensino Social da Igreja: princípios básicos;
- História da Política e da Economia e as grandes etapas do capitalismo;
- História da formação social, econômica, política e cultural do Brasil;
- Comunicação e Política;
- A Legislação Eleitoral do Brasil;
- Noções de Bioética e sua atualização;
- Projetos para o Brasil: Os Projetos dos partidos políticos e dos movimentos sociais;
- Metodologia do trabalho científicado.

Segunda etapa 15 dias (90 horas)
Sempre na segunda quinzena de janeiro
- Cidadania e direitos humanos, nos últimos 50 anos, e a contribuição da Igreja neste processo;
- Leitura da relação Fé e Política: no Vaticano II, nos documentos da - - -  - Igreja na América Latina e no Brasil;
- Alternativas, protagonismo e experiências educativas:
- Orçamento participativo e controle social;
- Conselhos Municipais de Direitos ou paritários;
- O trabalho e a economia solidária;
- Agroecologia e a economia sustentável;
- Agricultura familiar;
- Cultura de paz contra a Violência.

Integra o Curso um Artigo Científico com orientações específicas

Parte presencial em Brasília-DF

• Duração:
360 horas em um ano e meio – 180h de curso presencial e 180h à distância, em parceria com a PUC-Rio.

Local da parte Presencial:
Centro Cultural Missionário (CCM) Brasília-DF

Vagas:
50 Participantes

Certificados
Especialização ou Extensão Universitária pela PUC-Rio

Educação a distância (180 horas) em parceria com a PUC-Rio
- Ética, Fé/Espiritualidade e Política;
- História das Instituições Políticas no Brasil;
- História da Formação Social, Econômica, Política e Cultural do Brasil;
- A Constituição de 1988 e os Direitos Humano;
- Bioética: implicações éticas, teológicas e políticas;
- Ensino Social da Igreja (as encíclicas sociais).

Encontros regionais dos participantes do curso nos meses de junho e julho


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  Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Câmara”

 O Centro Nacional de Fé e Política "Dom Helder Câmara" (CEFEP) é uma iniciativa da CNBB - um serviço à Formação  Política dos cristãos leigos e leigas, sob a presidência da Comissão Episcopal para o Laicato.

Possui três eixos:
- Curso Nacional de Formação Política,
- Rede de assessores,
- Articulação das Escolas Locais de Fé e Política.  

Objetivos

- Fomentar em nosso país um pensamento social cristão à luz do Ensino Social da Igreja e dos valores evangélicos.
 -  Contribuir com a formação de lideran-ças inseridas na política, em suas diferentes formas e níveis, a partir de uma reexão bíblica, teológica, das ciências sociais e da losoa – para a construção de uma sociedade justa, solidária, democrática, pluricultural e pluriétnica.
             

O sociólogo, o padre e ex-seminarista

O artigo que segue, uma contribuição do meu amigo Teólogo Celso Pinto Carias sobre a formação dos futuros presbíteros da Igreja Católica.


"Sabemos bem que houve um processo de renovação na formação seminarística no pós-concílio. Mas experiências interessantes foram interrompidas sem maiores reflexões. “Visitadores Apostólicos” impediram que pudéssemos vislumbrar um caminho mais condizente com a realidade atual. Nos últimos trinta anos, mesmo tentando manter uma eclesiologia a partir da Lumen Gentium, foram continuados processos em perspectiva centralizadora e autoritária na formação".
O comentário é de Celso Pinto Carias, doutor em Teologia pela PUC- Rio e assessor do setor CEBs da CNBB.

Eis o artigo. 

Seminaristas de várias dioceses e congregações religiosas se reuniram no mês de julho de 2019 para um encontro específico entre eles. Alguns dias depois o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, um católico que reconhecidamente vem prestando um grande serviço a Igreja no Brasil, fez uma breve reflexão a partir da carta que os mesmos seminaristas publicitaram após o encontro. O titulo dado por Pedro foi: “Seminaristas: batalha perdida?” No dia 31 de julho o padre Kauê Antonioli, de Porto Alegre, RS, publica uma resposta na qual procura contextualizar os seminaristas na perspectiva de uma juventude que, segundo ele, não está mais entre os extremos.
Ora, entro na conversa não para polemizar, mas para oferecer um olhar que considero fundamental se queremos, de fato, levar a sério o processo de formação dos presbíteros na Igreja Católica. É muito comum, em processos como este, “jogar a poeira para o fundo do tapete”, e não enfrentar os desafios de frente. Como a Igreja Católica é hegemônica e tem condições econômicas para manter formação de seminaristas, podem-se negligenciar questões chaves que irão repercutir negativamente no futuro, e futuro próximo.
Sou católico. Teólogo, casado, dois filhos, 57. Sou da diocese de Duque de Caxias, RJ. Fui seminarista por cinco anos. Fui colega de muitos seminaristas na graduação feita na PUC-Rio. Dei aula em seminário por doze anos e em um instituto teológico religioso por dez. Ainda hoje, de alguma forma, pela inserção pastoral, tenho contato com este universo.
Mas sem delongas, vamos ao ponto chave. Sabemos bem que houve um processo de renovação na formação seminarística no pós-concílio. Mas experiências interessantes foram interrompidas sem maiores reflexões. “Visitadores Apostólicos” impediram que pudéssemos vislumbrar um caminho mais condizente com a realidade atual. Nos últimos trinta anos, mesmo tentando manter uma eclesiologia a partir da Lumen Gentium, foram continuados processos em perspectiva centralizadora e autoritária na formação. Seminários fechados, seminaristas tratados com bajulação, critérios fracos na recepção de candidatos, pois a “necessidade” falava mais alto que a qualidade. Evidentemente com exceções. Porém, tal caminho acabou por reforçar, como o Papa Francisco tem insistido veementemente, o clericalismo.
Muitas vezes, seis ou sete anos de seminários não altera em nada, ou pouco, aquilo que está nas pretensões do candidato a presbítero. Os grandes formadores são os padres midiáticos. Encontrei formadores com excelente qualificação, mas se a Igreja como um todo não vive uma realidade de maior participação laical, se não aprofunda a eclesiologia de uma Igreja como Povo de Deus, se privilegia quase que exclusivamente o Código de Direito Canônico, o trabalho dos bons formadores vai pelo ralo. Sem falar no fato que hoje entram muitos seminaristas sem uma boa ou nenhuma iniciação cristã, que é uma questão fundamental. Naturalmente o seminário não dará conta disso.
Torna-se presbítero e na primeira reunião com o Conselho Pastoral, coloca o Código de Direito Canônico na mesa e diz: “eu mando aqui, este conselho é meramente consultivo”. Ou seja, tudo gira em torno de uma ESTRUTURA DE PODER. Assim, a batina, que não considero uma veste necessária para o nosso tempo, torna-se não um instrumento de desprendimento, serviço ao sagrado, mas sim um símbolo de vaidade e poder. Pelo poder sagrado pode se esconder uma série de situações.
Portanto, não se trata de generalizar ou culpar a juventude, mas de colocar, honestamente, as questões que estão em jogo no processo formativo. Questões de ordem psíquica, econômica, pastoral, enfim tudo que pode contribuir para ajudar no processo. E pelo amor de Deus, certas comparações são completamente fora de propósito. Comparar a qualidade teológica de Leonardo Boff com a do Pe. Paulo Ricardo, por exemplo. Os chavões de que não existe espiritualidade naqueles e naquelas que procuram refletir a teologia a partir da libertação, de que não existe santidade entre tais escolhas é um absurdo. Poderíamos listar aqui muitos exemplos de dedicação, desprendimento, pobreza a serviço do Reino de Deus, mas basta falar em martírio. Muitos deram a vida por causa do Evangelho.
Podemos dizer que existe até certo clericalismo na chamada “Igreja da Libertação”, pois quantos leigos e leigas estão em processo de canonização? Agora, já existem muitos, começando por Dom Oscar Romero, que entraram para a Ladainha. Nada contra Dom RomeroDom HelderIrmã Dulce, muito pelo contrário. Porém, por aí se pode perceber que existe uma crítica completamente superficial em torno da espiritualidade e santidade do caminho da libertação. Pode-se falar também do estilo de vida, como por exemplo, Dom Pedro Casaldáliga, doente e idoso vive na simplicidade da Prelazia de São Feliz do Araguaia/MT.
Assim sendo, o caminho é ter “cheiro de ovelha”, coragem de entrar na lama e correr risco de ficar enfermo com os que precisam (EG 49). É extremamente preocupante que a Evangelli Gaudim se torne um texto esquecido quando Francisco passar, como ficou esquecida a Evangelli Nuntiandi de São Paulo VI.
Não dá, não dá para depositar nas costas de candidatos jovens um poder sagrado que ele mal consegue elaborar na própria vida. Escrevi um artigo ainda em 2003, publicado na REB, no qual afirmo ser muito arriscado “impor as mãos” (gesto do rito de ordenação) na cabeça de alguém com menos de 30 anos. Hoje mudo para 35. Há exceções, sim há. Mas elas não fazem a regra, muito pelo contrário. Precisamos listar aqui os escândalos?
Enfim, nossa colocação se dá em vista de um novo contexto, de uma mudança de época, como afirma Aparecida, e que setores consideráveis não querem reconhecer. É preciso enfrentar com serenidade tudo que está em jogo. Celibato, participação das mulheres, uma igreja toda ela ministerial, maior transparência econômica, para citar outras situações. Se, como tanto deseja o Papa Francisco, estas questões não forem enfrentadas, aí sim será uma batalha perdida. É preciso uma profunda reformulação estrutural. Se nada for feito nesta direção, se estará “enxugando gelo”.
Fonte: IHU