08 janeiro, 2023

As CEBs clamam pela Democracia, pela paz e a justiça!

“Os justos gritam, Javé escuta, e os liberta de todos os apertos.” (salmo 34:18)

No dia de ontem, oito de janeiro de dois mil e vinte e três, sofremos com o ato contra a democracia, repudiamos a invasão, depredação e atos terroristas e golpistas das sedes do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) por parte de grupos de extrema direita. Atos esses frutos do governo do anterior presidente da República; da indústria de armas entre outros; de grupos econômicos que tem nos últimos anos obtendo grandes lucros em detrimento do sofrimento de grande parte da população de baixa renda e degradação ao meio ambiente.

Nossa fé nos ensina “Eu creio em um só Deus todo poderoso” a mulher e o homem não é Deus. Nos últimos quatro anos emerge toda uma ideologia política de extrema-direita; famílias tiveram suas relações abaladas; divisão na igreja; consciências sendo manipuladas; um estado ferido; a radicalização de uma extrema direita que defende a ditadura, a violência e o racismo.

É preciso a união, é preciso empenhar a própria vida na luta pela verdade e justiça, na luta pela democracia para que todas e todos possam viver dignamente. Essa é a luta que constrói a paz. “Os justos gritam, Javé escuta, e os liberta de todos os apertos. ”, o nosso Deus sempre toma o partido dos justos, amando-os, ouvindo os sues clamores, liberando, cuidando e protegendo.

Que o nosso Deus libertador, que ouve o clamor de seu povo, que ama a todas e a todos com o amor de mãe ilumine, proteja e guia o povo brasileiro, os povos do mundo, os governantes do Brasil e de todas as nações.

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Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs

Um dia triste para a história do Brasil – invasão terrorista nos palácios Três Poderes em Brasília!

Ato contra a democracia.

Neste domingo, dia oito de janeiro de dois mil e vinte e três, uma minoria bolsonarista radical invadiu e vandalizou os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), destruíram tudo.

Uma minoria que não aceita o resultado das eleições, uma minoria antidemocrática golpista que quer impor os que eles querem por meio de atos criminosos. Querem acabar com a democracia brasileira, são criminosos, precisam ser presos e responsabilizados.

Hoje um dia muito triste para a história de todos nós brasileiras e brasileiros. Não iremos esquecer, iremos superar, defenderemos sempre a democracia.

“Os justos gritam, Javé escuta, e os liberta de todos os apertos.” (salmo 34:18)

Parque do Japão decoração e iluminação especial de Natal

Um passeio com a família curtindo o que nos é oferecido.

Dia -07/01/2023
Às 18h30 e às 20 horas




Nas CEBs o Pobre não é prioridade, é sujeito. Isso incomoda.


Segue texto que escrevi para reflexão.


Nas CEBs o Pobre não é prioridade, é sujeito. Isso incomoda.

O pobre quando deixa de ser prioridade e passa a ser sujeito, seja na dimensão social ou religiosa, incomoda e gera até raiva em muitos — revela uma tensão profunda presente na história das sociedades e também na caminhada das igrejas.

Durante muito tempo, o pobre foi visto sobretudo como objeto de assistência. Era alguém a quem se devia ajudar, socorrer ou proteger. Essa atitude, embora possa conter gestos de solidariedade, muitas vezes mantém uma relação vertical: alguém ajuda e outro apenas recebe. Nessa lógica, o pobre continua sem voz, sem participação e sem poder de decisão sobre sua própria vida.

Quando, porém, o pobre deixa de ser apenas “prioridade” — no sentido de destinatário da caridade — e passa a ser sujeito de sua própria história, a realidade muda profundamente. O pobre começa a falar, organizar-se, reivindicar direitos, interpretar a realidade a partir de sua experiência e participar das decisões que dizem respeito à sua vida. Nesse momento, ele deixa de ser apenas alguém a ser ajudado e passa a ser protagonista.

É justamente esse protagonismo que muitas vezes incomoda.
Incomoda porque questiona estruturas injustas, privilégios históricos e modos estabelecidos de exercer poder. Quando o pobre toma a palavra, ele revela as contradições do sistema econômico, social e até religioso. Sua voz pode desvelar desigualdades que antes eram naturalizadas ou escondidas.

Na dimensão social, isso aparece quando populações empobrecidas se organizam em movimentos, associações, ocupações ou lutas por direitos. Não pedem apenas ajuda; pedem justiça. E justiça exige mudanças estruturais, o que provoca resistências daqueles que se beneficiam da ordem existente.

Na dimensão religiosa, o mesmo fenômeno ocorre quando os pobres assumem seu lugar na vida da Igreja, interpretam a Palavra de Deus a partir de sua realidade e participam ativamente da missão.

Nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) os pobres não são prioridades - não são apenas destinatários da evangelização, mas sujeitos eclesiais. Isso pode gerar tensões, porque desloca a compreensão de Igreja de uma estrutura centrada apenas na autoridade para uma comunidade de irmãs e irmãos que caminham juntos.

A própria Bíblia testemunha esse movimento. Deus não apenas socorre o pobre, mas o levanta, o faz sujeito da libertação. No Êxodo, o povo escravizado se torna protagonista de sua saída. Nos Evangelhos, Jesus não trata os pobres como objetos de piedade, mas os coloca no centro do Reino e os reconhece como bem-aventurados (Mt 5,3; Lc 6,20).

Por isso, quando o pobre se torna sujeito, ele não ameaça a verdadeira fraternidade; ao contrário, revela o caminho do Evangelho. O incômodo e até a raiva que surgem em alguns contextos mostram o quanto ainda estamos presos a estruturas que preferem o pobre silencioso ao pobre consciente.

Reconhecer o pobre como sujeito é dar um passo decisivo rumo a uma sociedade e a uma Igreja mais justas, onde se constrói juntos a história, não há dúvida, as CEBs são, por excelência, um espaço de sinodalidade onde o pobre não é prioridade e sim sujeito – a Igreja tem a obrigação de reconhecer o papel fundamental das Comunidades Eclesiais de Base, desde sua origem até os dias atuais.