25 setembro, 2026

Eleições 2026: à luz do Evangelho, que projeto de sociedade queremos?



 Segue um texto, escrevi para uma reflexão:


Eleições 2026: à luz do Evangelho, que projeto de sociedade queremos?

Jesus não nos deixou uma lista de candidatas e candidatos, nem indicou partidos. Mas nos mostrou, por suas palavras e atitudes, um caminho para construir relações humanas segundo o projeto de Deus: colocando no centro a vida, a dignidade humana, a justiça, a fraternidade e o cuidado com as pessoas mais vulnerabilizadas.

Ao anunciar sua missão, Jesus proclama:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou para anunciar a Boa-Nova aos pobres...” (Lc 4,18).

Diante das Eleições 2026, essa Palavra nos provoca a olhar para a realidade do nosso povo e perguntar: que projeto de sociedade queremos construir?

Não basta conhecer promessas de campanha. É importante conhecer propostas, trajetórias e compromissos concretos. Precisamos perguntar: quais candidaturas apresentam caminhos para enfrentar a pobreza, a fome, a exclusão e a violência? O que propõem para a saúde, a educação, a moradia, o trabalho, a renda e o acesso aos direitos? Como compreendem a democracia, a participação popular, as políticas públicas e o cuidado com a Casa Comum?

A escolha eleitoral, para quem vive a fé cristã, pode ser também um exercício de responsabilidade cidadã. Não se trata de uma atuação partidária da Igreja, mas de uma presença cidadã e profética na sociedade, comprometida com o bem comum e com a dignidade de todas e todos.

Por isso, talvez a pergunta não seja: Qual candidata ou candidato é de Jesus? Essa resposta não cabe a nós dar em nome de Jesus.

A pergunta que podemos fazer é outra:

Quais critérios do Evangelho devem orientar nossas escolhas?

Jesus nos ensina a reconhecer sua presença nas pessoas que têm fome, sede, estão sem moradia, doentes, excluídas ou necessitadas de cuidado (cf. Mt 25,31-46). Isso nos desafia a olhar para as propostas políticas a partir da vida concreta das pessoas, especialmente daquelas que mais sofrem.

E a responsabilidade não termina no dia da votação. Participar da democracia também significa acompanhar as pessoas eleitas, fiscalizar, cobrar compromissos, participar dos espaços públicos, fortalecer a organização popular e contribuir para a construção de políticas públicas que promovam a vida e o bem comum.

Nas Eleições 2026, somos chamadas e chamados a escolher com liberdade, consciência e responsabilidade. O Evangelho não nos entrega nomes; oferece-nos critérios. E nos convida a colocar a vida, a dignidade humana, a justiça, os pobres, o bem comum e a Casa Comum no centro das nossas escolhas.

Cada dia uma nova emoção

 

Olá, Vorcaro não é marqueteiro, mas pode ser decisivo para a derrota de Flávio.

.Previsão do tempo. Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, as pesquisas apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. O sonho de uma bala de prata de Lula está cada vez mais distante e poucos utópicos dentro do campo petista acreditam que a disputa será resolvida no primeiro turno. As torcidas, agora, comemoram a conquista de um ponto percentual de seu candidato sobre o adversário, mesmo que a diferença seja estatisticamente insignificante. E, se as pesquisas estiverem corretas, ao contrário do sonho dos social-democratas dos trópicos, a polarização não vai se dissolver e a terceira via não vai decolar. Pelo contrário, há uma tendência à antecipação do voto útil já no primeiro turno, o que tem favorecido Flávio Bolsonaro nesta reta final. Segundo a PoderData, o vôo de galinha de Augusto Cury não deve ultrapassar os 6%, e as tentativas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos de serem o Plano B da extrema-direita devem acabar em fracasso. O que não significa que os candidatos nanicos sejam insignificantes. Pelo contrário, são esses 15% ou 20% de votos previstos que devem fazer com que o pleito vá para o segundo turno. Assim, em um cenário polarizado, quem pode ser decisivo é o eleitor moderado, que ganha entre 2 e 5 salários mínimos, tem ensino médio e vive principalmente no Sudeste. Outra constatação é que a crise do STF não alterou os números. Porém, ela colocou a corrupção no centro da campanha, o que pode contribuir para o aumento das taxas de abstenção, votos brancos e nulos, devido à onda de descrédito com a política e as instituições, avalia o cientista político Jairo Nicolau. Neste caso, é difícil prever quem sairia ganhando ou perdendo. Se, por um lado, Lula poderia favorecer-se de um maior comparecimento das mulheres às urnas, como tradicionalmente ocorre, por outro, o aumento da abstenção da população de baixa renda, que já costuma ser alto, daria vantagem a Flávio Bolsonaro. Mas tudo isso são previsões e só depois do dia 3 de outubro teremos algumas certezas.

.Apostando alto. Sem uma mudança significativa nas intenções de votos na última semana, Lula partiu para a ofensiva em todos os campos. Primeiro, como chefe de Estado, tradicionalmente abrindo a assembleia da ONU, Lula provavelmente fez seu discurso menos internacionalista e mais doméstico. O que não significa que tenha poupado Donald Trump. Pelo contrário, o presidente brasileiro mandou às favas a química e jogou peso na soberania, com o mote de que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, e que não aceitará ingerência nas eleições, nem nos minerais críticos. A preocupação de Lula não é retórica, como comprovam o relatório da ABIN sobre a interferência dos EUA e as ações do PT no TSE e no STF sobre o financiamento estrangeiro na campanha Bolsonaro. Já o Lula candidato se reencontra com outro flanco aberto, o alto empresariado, num concorrido jantar organizado pelos grupos Esfera e o Prerrogativas. Mais do que a sinalização de que está disposto a conversar, o que o empresariado espera, nos bastidores, é o compromisso de Lula com austeridade e há até quem sonhe com um anúncio de Luiz Carlos Trabuco Cappi, ex-presidente do Bradesco, como futuro Ministro da Fazenda. Mas a carta na manga de Lula mesmo é a proibição das bets. Ainda que dentro do próprio Planalto ou na campanha houvesse quem defendesse uma versão mais paliativa, a reação positiva nas redes sociais à proposta e a vergonha que os clubes de futebol passaram defendendo as casas de apostas entusiasmou Lula. Por fim, a última estratégia petista é garantir a presença nas urnas nos dois turnos, especialmente da população com mais de 60 anos, onde a popularidade de Lula leva vantagem, e que tem a seu favor o fato de que a presença eleitoral conta como prova de vida do INSS.

.Concorrência desleal. Depois de sociedades em resorts, viagens em jatinho e rodadas de whisky e charutos, as últimas novidades no caso Master são a suspeita de favorecimento que recai sobre o ministro do STF, Kássio Nunes, em julgamento de precatórios que seriam de interesse do banqueiro e as declarações de amor entre Vorcaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Com isso, a moda lançada por Flávio Bolsonaro de dizer que nunca teve relação com Vorcaro, para logo em seguida ter que explicar uma foto ou uma mensagem suspeita, pegou de vez. Mas nada se compara ao enrosco em que o próprio Flávio está metido. Sim, o candidato do PL também voou no jatinho de Daniel Vorcaro. E, em 2024, esteve junto com seu pai, Jair Bolsonaro, em um jantar com o banqueiro. Mas isso não é o pior. A nova fase da Operação Carbono Oculto, mirou no que viu e acertou no que não viu. Ao investigar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma distribuidora de combustíveis pelo país, a PF deu de cara com Antonio Carlos Freixo Junior, um dos patrocinadores do filme Dark Horse. E, em outra investigação, adivinha quem foi encontrado em uma foto ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz fazendo um safári pela África do Sul? Sim, ele mesmo, Flávio Bolsonaro. O que não seria problema se os dois não fossem suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes do INSS. E, se isso não bastasse, a PF descobriu que, em 2023, o então senador Flávio destinou uma emenda parlamentar no valor de R$200 mil para “Peixe”, um miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco. São tantos rolos envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro que dá até para se perder. Assim, se o “corruptômetro” popular fosse coerente, Lula seria reeleito já no primeiro turno. Mas, por incrível que pareça, no reino do eleitor informado pelas redes sociais, onde os bots podem determinar os rumos da opinião pública, a esquerda é tão suspeita quanto a direita, como mostra a última rodada da AtlasIntel. Claro, a mídia convencional também dá sua contribuição para este cenário distorcido. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro envia ao ministro André Mendonça uma ação contra Lula por envolvimento com Vorcaro e o ministro Luiz Fux está preocupado com as visitas que Lulinha fez ao Senado. É por essas e outras que “In Fux we trust”.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Ainda cheira a enxofre: 20 anos do discurso de Chávez na ONU. Na Revista Opera, Carlos Ron mostra a atualidade do líder venezuelano.

.Premiado, filme ‘NAZA’ com depoimentos de militares sobre táticas genocidas de Israel chega ao Brasil. Documentário reúne relatos de 24 militares sobre mortes intencionais de palestinos. No Brasil de Fato.

.'Está tudo interligado': como o domínio tecnológico do Norte Global promove o colonialismo digital. Especialistas analisam os impactos sistêmicos da IA. No Sputnik.

.Como as ideias atravessam fronteiras. Em A Terra é Redonda, Celso Pinto de Melo reflete sobre os dilemas políticos latino-americanos.

.Na crise atual, Kwame Nkrumah voltou a ser leitura obrigatória. Na Jacobina, Muryatan Barbosa mostra a atualidade do livro “Neocolonialismo: estágio superior do imperialismo”.

.Scarpa mostra que futebol é a maior plataforma cultural do Brasil. O Uol fala sobre o impacto do clube do livro fundado por Gustavo Scarpa.


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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

24 setembro, 2026

Vote 13!


 

#Leia na íntegra o discurso de Lula na ONU

Discurso impecável, histórico, que agiganta o nosso País

Presidente foi o primeiro chefe de Estado a discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas 2026


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu os trabalhos na Assembleia Geral das Nações Unidas e foi o primeiro chefe de Estado a discursar na ONU, em Nova York, na terça-feira 22 de setembro de 2026.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, essa frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, a frase teve seu destinatário, o presidente dos EUA, Donald Trump.

Lula mandou um recado aos EUA e aquelas e aqueles que são traidores da pátria: “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano.”

Lula foi muito aplaudido.

#Leia na íntegra o discurso de Lula na ONU:


Meus cumprimentos ao Presidente da Assembleia Geral, Embaixador Khalilur Rahman, de Bangladesh.

Saúdo cada um dos Chefes de Estado e de Governo e delegadas e delegados presentes.

Dirijo-me em particular ao Secretário-Geral das Nações Unidas.

Ao longo de seus dois mandatos, António Guterres foi testemunha direta dos crescentes desmandos das superpotências.

Senhor Presidente,

Esta é a décima ocasião em que abro o Debate Geral desta Assembleia.

Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas.

O sentimento que me move hoje é o da indignação.

A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena.

Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez.

A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.

Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais.

Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir.

Não desconheço as realidades do poder.

Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo.

A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política.

Num mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade.

Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade.

Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de estado. É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome.

Esta Assembleia corrigiu recentemente distorções históricas.

Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Aprovou a representação mais precisa do mapa-múndi.

Agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade.

Somos chamados a optar entre:

multilateralismo ou unilateralismo;

democracia ou extremismo;

soberania ou subordinação.

Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um Estadista.

Yasser Arafat e Yitzahk Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz.

Foram derrotados pelo ódio.

Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.

Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes.

A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade. Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que israelenses e palestinos possam viver em segurança.

Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra, quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional. Famílias em todo o mundo pagam pelo aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.

A guerra entre Rússia e Ucrânia se arrasta há cinco anos, em um drama humanitário que continua a ceifar vidas.

Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha.

A diplomacia é a única opção.

Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo.

Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.

O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.

Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos. Os países da região conheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular.

A democracia está novamente em xeque.

Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.

A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos.

O povo venezuelano merece definir o próprio destino.

A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições.

A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional.

Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais.

Senhor Presidente,

O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado.

Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades.

Trabalhadores são roubados.

Mães perdem seus filhos.

Policiais não voltam para suas casas.

As pessoas estão cansadas da violência.

Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo.

Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.

Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos.

Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. O crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando.

Criamos em Manaus o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, reunindo autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos.

Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil.

Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime.

A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo.

Crime organizado e corrupção andam juntos.

O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.

Senhoras e senhores,

Os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos.

A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos.

Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas.

Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência. Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da covid-19.

Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas.

Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis.

Até pouco tempo, a resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional.

Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, foros que reúnem os maiores emissores de carbono.

É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.

A natureza nos recorda a cada dia que o planeta é um só.

As geleiras do Himalaia estão derretendo. Um Super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes partes do globo.

Seus efeitos golpearão sobretudo os mais vulneráveis.

O Brasil vem demonstrando que é possível aliar crescimento econômico com redução de emissões.

Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como as da Margem Equatorial.

Não renunciaremos à agenda ambiental. Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, mostra que é possível mudar antigos paradigmas.

A floresta vale mais em pé do que destruída.

Continuaremos reduzindo o desmatamento, que caiu pela metade na Amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos.

Temos autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental.

O Brasil é referência mundial em energia verde. Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

Senhor presidente,

Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades.

Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das big techs e da Inteligência Artificial.

Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência.

Estão promovendo uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial.

Como adverte o Papa Leão 14, “as decisões sobre tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade”.

Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos.

A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro.

Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares.

O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio.

Aprovamos uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.

Vamos assegurar a justa remuneração de artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual.

Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros.

Senhoras e senhores,

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são alvo de ataques de forças reacionárias, que desejam naturalizar injustiças.

A desigualdade e o subdesenvolvimento resultam de escolhas políticas.

É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte.

É necessário cortar privilégios e investir em educação e saúde gratuitas e de qualidade.

Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças. Mas mudar não é retroceder.

Não é subtrair direitos.

Não é reeditar teorias de supremacia racial ou de submissão feminina.

Não é recolonizar o Sul Global.

Mudar é avançar para um futuro de mais participação e mais conquistas.

É criar e compartilhar soluções públicas efetivas para os desafios do desenvolvimento por meio de um Estado democrático, forte, eficiente e capaz.

É apostar no espírito de solidariedade e na cooperação com a África, a Ásia e a América Latina e Caribe.

Iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Painel Internacional sobre Desigualdade nascem dessa vontade política.

O Brasil tem pressa de se tornar uma nação desenvolvida e socialmente justa.

Adotamos um modelo econômico que se assenta na distribuição de renda, na geração de empregos e na valorização do salário.

Apostamos na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social.

O Brasil voltou a crescer de modo sustentado. Somos o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto.

Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações.

Ainda há muito a ser feito.

O mundo do trabalho está em transformação.

Pessoas idosas querem permanecer ativas. Jovens desejam empreender.

O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família.

No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana.

Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres.

Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho.

Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência.

Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar.

Senhor presidente,

Ao receber o Nobel da Paz, Martin Luther King afirmou que “aquilo que pessoas voltadas para si mesmas destruíram, outras pessoas voltadas para o próximo podem reconstruir”.

A ONU nasceu sob o signo da esperança.

Ao longo de oito décadas, contribuiu com a descolonização, promoveu os direitos humanos e apoiou o desenvolvimento sustentável.

Protegeu migrantes e refugiados, condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa.

Essas foram conquistas de lideranças que ocuparam este pódio movidos pela indignação diante das injustiças de seu tempo.

Homens e mulheres que se recusaram a aceitar a guerra como destino, o colonialismo como direito, o apartheid como sistema legítimo.

Foi dessa capacidade de dizer “não” às desigualdades que nasceram algumas das maiores transformações que vivemos.

Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz.

Quero concluir com uma mensagem sobre o meu país a todos os que nos ouvem.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo.

Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão.

Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.

Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha.

Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto.

Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.

A democracia brasileira pertence aos brasileiros.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho.

Que Deus nos abençoe a todos.

Muito obrigado.


Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Maravilhoso discurso do Presidente Lula na ONU, em Nova York, em 22/09/2026


 

18 setembro, 2026

#8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Hoje, olhando para tudo o que vivemos, meu coração se enche de alegria, emoção e profunda gratidão.

Os Encontrões Arquidiocesanos das CEBs nasceram de um sonho que tive a graça de idealizar: reunir o povo de Deus, fortalecer a comunhão e renovar a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base.

O primeiro aconteceu em 22 de outubro de 2025, com o tema “Com firmeza e com carinho, para retomar o caminho”. A proposta foi acolhida e ganhou força com o apoio do bispo, dos padres, das lideranças e de todo o povo de Deus.

E, no dia 13 de setembro de 2026, vivemos o 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs, no Ginásio de Esportes do Colégio Marista, em Maringá, com o tema “De São Francisco à Laudato Si’: a fé que floresce na religiosidade popular” e o lema “Na simplicidade do povo, Deus cuida da vida.”

Foi uma tarde de fé, alegria, sorrisos lindos, cantoria, cultura, encontro e celebração da vida.

Um momento muito especial foi a entrega do Texto-Base das CEBs da Arquidiocese de Maringá, elaborado por mim com muito carinho, estudo, oração e compromisso com essa caminhada. Entregá-lo ao povo de Deus foi colocar nas mãos das comunidades um instrumento para conhecer, refletir, aprofundar e fortalecer a identidade e a missão das CEBs. Que ele possa chegar às paróquias, aos CPPs, aos CPCs, às comunidades, as pastorais e movimento e aos grupos, tornando-se instrumento de estudo, diálogo e construção coletiva.

Ter a graça de coordenar e apresentar este 8º Encontrão foi uma alegria que guardarei com muito carinho.

Hoje compreendo ainda mais que aquele sonho não pertence mais somente a mim. Ele se tornou caminho, comunhão, compromisso e vida compartilhada.

Minha gratidão a todas e todos que acreditaram, apoiaram, rezaram, trabalharam e fizeram acontecer.

A Deus, toda a minha gratidão. Ao povo, todo o meu carinho. E às CEBs, a minha esperança de continuarmos caminhando juntas e juntos, com firmeza e com carinho.