10 abril, 2026

Corra, Lula, corra

Olá, Lula corre contra o tempo, contra a morosidade do Congresso e contra a rejeição do eleitorado.

.O custo da vitória. Estamos em abril e as pesquisas apontam a consolidação de um cenário eleitoral polarizado, competitivo e indefinido entre Lula e Flávio Bolsonaro. O desafio do petista é duplo. Por um lado, superar a rejeição de 44% dos eleitores, um índice consideravelmente maior do que os 37% que rejeitam Flávio. Por outro, Lula precisa enfraquecer seu rival, o que passa por iniciar uma campanha de desgaste prolongado. A avaliação de parte dos aliados do presidente é a de que martelar no tema da rachadinha ajudaria mais a direita do que a esquerda porque arrastaria a campanha para a vala comum do tema da corrupção. O melhor caminho seria taxar Flávio de entreguista e lambe-botas de Trump, aproveitando a má fase do presidente norte-americano e apelando para o espírito nacionalista dos brasileiros. Mas nada disso vai funcionar se a população não perceber que o Planalto governa a seu favor. E aí está o principal gargalo. O desempenho econômico do país não é uma maravilha, mas também não vai tão mal quanto a impressão dos eleitores. Ao longo da segunda metade do mandato, Lula tem investido bilhões em políticas sociais abrangentes, como o Gás do Povo, Luz do Povo e a isenção do Imposto de Renda. Mas, com o elevado endividamento familiar e os juros nas alturas, é como enxugar gelo. E, depois que o ex-aliado do governo, Gabriel Galípolo, deu continuidade a política de austeridade de seu antecessor na presidência do Banco Central, só resta ao Planalto dar um jeito no endividamento. O sinal de que algo vai mal é que, mesmo com a desocupação em baixa e a renda em alta, o consumo no varejo não aumenta e uma das causas é o escoamento da renda para as Bets. Por isso, o governo planeja lançar uma segunda edição do projeto Desenrola de renegociação de dívidas baseado na experiência pioneira lançada por Haddad em 2023. A proposta é refinanciar dívidas com descontos que podem variar de 30% a 80%. A novidade, além da possibilidade de usar parte do FGTS que pode chegar a R$ 7 bilhões, é que o governo pretende proibir o uso de BETs para quem aderir ao programa, buscando cortar o mal pela raiz. Resta saber se, ao ponto que o problema chegou, uma medida desse tipo não seria vista como impopular.

.Férias sem fim. O carnaval já terminou, a páscoa ficou para trás, mas se depender dos presidentes da Câmara e do Senado, o ano no parlamento será um feriadão sem fim. Seja para não dar palco ao escândalo do Master, em que Hugo Motta e Davi Alcolumbre têm relações no mínimo pouco republicanas, seja porque a prioridade são os palanques eleitorais. Pior para o governo que vê seus projetos sendo cozinhados em banho-maria. No caso do fim da escala 6x1, Motta chegou a anunciar que o governo não enviaria um novo projeto e que a discussão giraria em torno da PEC que tramita no Congresso. O governo negou justamente porque duvida que o Congresso aprove antes de junho. Além disso, o Planalto quer aplicação imediata da nova regra do 5 x 2 sem período de transição. Um projeto de urgência do Executivo também obrigaria o Congresso a votar em 45 dias, com um quorum menor de aprovação do que de uma PEC. Para responder à pressão do Planalto, a CCJ marcou a votação do seu parecer para a próxima semana. Outra proposta em disputa é a da regulação dos trabalhadores de aplicativos. Esta sim deve ir à votação na próxima semana, mas neste caso, há discordâncias dentro do próprio governo, considerado como o projeto “que foi possível” pelo Ministério do Trabalho e insuficiente pela Secretaria Geral. Em quaisquer das hipóteses, o governo não conseguiu emplacar o pedido de um pagamento mínimo de R$10 aos trabalhadores por corrida. Por fim, a Câmara deve desengavetar a votação de uma vaga para o TCU, tradicional prêmio de aposentadoria vitalícia para ex-deputados, que mexe com os bastidores e acordos na casa. Em comparação com o Senado, a Câmara até está proativa. Nos domínios de Davi Alcolumbre, depois de finalmente ter marcado a sabatina de Jorge Messias, a única prioridade é encerrar CPIs. Depois do fim melancólico da CPI do INSS, chegou a vez da Comissão que investiga o Crime Organizado ter o mesmo destino. A tentativa de colar no Banco Master também não funcionou e o pedido de prorrogação não foi aceito por Alcolumbre. Sem conseguir ouvir Roberto Campos Neto, que faltou pela terceira vez à Comissão, nem a ida de Gabriel Galípolo deu alguma relevância ao fim dos trabalhos. Para surpresa só do Planalto, o presidente do BC defendeu seu antecessor na comissão. A CPI chega ao fim justo na semana em que a Receita Federal confirmou que Daniel Vorcaro pagou R$80 milhões em dois anos para o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre, além de pagamentos para o portal Metrópoles, escritórios de advocacia e empresas ligados a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD), ACM Neto (União Brasil), o ex-ministro do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, e os ex-ministros Guido Mantega, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

.Todos juntos e separados. A família Bolsonaro deveria estar vivendo o seu melhor momento dos últimos três anos. Afinal, preso e caminhando para o ostracismo, Jair conseguiu impor o nome de Flávio como candidato, mantendo a direita refém da família por mais algum tempo, eliminando os concorrentes do mesmo campo, consolidando o filho como o adversário de fato de Lula e ainda viu seu partido - o PL - crescer na janela partidária. Mas a família e os bolsonaristas gostam mesmo é de uma boa briga em público. Além das disputas entre Michelle e os enteados, que envolvem a estratégia do PL em Santa Catarina e no Ceará, Eduardo resolveu atacar Nikolas, que tem um projeto político próprio e está em contagem regressiva para se descolar dos Bolsonaros. Aliás, Nikolas sabe bem como é impedir que alguém do mesmo campo cresça, afinal ele também está tentando barrar a entrada do senador Cleitinho no PL. Além das brigas, Flávio tem que lidar com a verborragia do irmão Eduardo e com a possibilidade de uma deserção do agronegócio para a candidatura Caiado, que afinal de contas representa muito melhor a turma do latifúndio e do veneno. Neste caso, Flávio poderia escolher a senadora Teresa Cristina (PP) como vice para manter a lealdade deste setor ou buscar uma alternativa entre empresários. Apesar de todo burburinho e das disputas internas, o que é realmente relevante é que o bolsonarismo conseguiu manter a unidade político-ideológica da extrema-direita, como se vê nas plataformas e ações das supostas candidaturas alternativas. Como Flávio, a única bandeira que Ronaldo Caiado apresentou até agora foi… a anistia a Jair Bolsonaro. Já o Novo de Romeu Zema determinou que todos os candidatos a qualquer cargo devem obrigatoriamente defender o impeachment de ministros do STF, outra bandeira própria do bolsonarismo.


.Ponto Final: nossas recomendações.

.O culto ao apocalipse por trás da guerra de Trump contra o Irã. No Intercept, Alain Stephens explica porque o fundamentalismo evangélico apoia a guerra.

.Por uma nova estratégia para terras raras e IA. Frente ao entreguismo da direita, o desafio é uma resposta baseada em soberania e desenvolvimento. No Outras Palavras.

.Parasita digital (IA): a pirataria dos saberes que destrói recursos naturais alimentada por grandes data centers. Em entrevista ao IHU, Miguel Nicolelis analisa a farsa do conceito de Inteligência Artificial.

.SOS Orçamento: o escândalo dos R$ 61 bilhões para emendas. No Poder360, Roberto Livianu denuncia a perda de controle do orçamento público e propõe a restrição às emendas.

.ATL 2026 começa com Indígenas cercados pela mineração e foco em bancada inédita no Congresso. Povos originários lutam nas ruas e no parlamento pelo direito de existir. Na Samaúma.

.Não vou deixar de ser quem eu sou só porque é difícil. Marcia Barbosa, reitora da UFRGS, relata os desafios de uma mulher que ocupa espaços de poder. No Sul 21.

.Quem consome livros no Brasil? Os dados são surpreendentes. Mulheres pretas e pardas ganham destaque, segundo pesquisa. Veja o resultado no Farofafá.

.Se o povo não chega ao cinema, o cinema chega ao povo. Projeto do MTST leva produção audiovisual gratuita a ocupações urbanas. No Emerge Mag.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

02 abril, 2026

Quinta-feira Santa – Amor que se faz serviço


 

Tríduo Pascal

Segue um texto que escrevo para melhor compreendermos e celebrarmos.


O Tríduo Pascal não é três dias isolados, é um único grande mistério celebrado em três momentos, no qual a Igreja faz memória viva da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Ele começa na noite da Quinta-feira Santa e vai até a Vigília Pascal, culminando no Domingo de Páscoa.

O Tríduo Pascal é a celebração do amor de Deus que, em Jesus, serve até o fim, entrega a vida na cruz e vence a morte com a ressurreição, renovando em nós a esperança e o compromisso com a vida.

Celebrar o Tríduo é fortalecer a comunidade; é fazer memória de Jesus na vida do povo; é renovar a missão de transformar a realidade com o Evangelho.

- Quinta-feira Santa – Amor que se faz serviço

Na celebração da Ceia do Senhor, recordamos a instituição da Eucaristia, o sacerdócio e o gesto do lava-pés.

Jesus, na última ceia, não apenas partilha o pão e o vinho, mas entrega sua vida como alimento. Ao lavar os pés dos discípulos, ensina que: quem ama, serve; quem segue Jesus, vive para os outros.

É um convite pessoal e um convite forte para nossas comunidades - a fé precisa se traduzir em serviço concreto, especialmente aos mais pobres e esquecidos.

- Sexta-feira Santa – Amor que se entrega até o fim

Na Sexta-feira Santa, contemplamos a paixão e morte de Jesus na cruz. Não há missa, mas uma celebração da Palavra, adoração da Cruz e comunhão Eucarística.

Aqui somos chamados a compreender que Deus não elimina o sofrimento, mas entra nele por amor.

Esse dia nos provoca a olhar para as cruzes do povo (dor, injustiça, violência) e assumir compromisso com a vida e a dignidade. A cruz não é o fim, mas expressão máxima do amor fiel de Deus.

- Sábado Santo e Vigília Pascal – A luz vence a escuridão

O Sábado é dia de silêncio e espera. À noite, celebramos a grande Vigília Pascal, a mais importante de todo o ano litúrgico.

Elementos centrais:
.. A luz do fogo novo (Cristo luz do mundo)
.. A Palavra que recorda a história da salvação
.. A água (batismo, vida nova)
.. A Eucaristia da ressurreição

Alegria radiante, a vida venceu a morte! Cristo ressuscitou!
Momento de renovar a esperança; a fé comunitária e o compromisso com uma vida nova.

O Tríduo Pascal nos conduz por um caminho:
.. Quinta-feira: amar servindo
.. Sexta-feira: amar até a cruz
.. Sábado: amar acreditando que a vida vence

Domingo de Páscoa – Vida nova para todos

O Domingo de Páscoa celebra a vitória de Cristo sobre a morte. Não é apenas um fato do passado, mas uma realidade viva - onde há amor, justiça e partilha, a ressurreição acontece.

Para nossas comunidades ser Igreja pascal é ser sinal de vida em meio às mortes do mundo, é viver a alegria que gera compromisso.

Que cada um de nós, cada comunidade viva intensamente o Tríduo Pascal, deixando-se envolver pelo amor que serve, se entrega e renasce, transformando a vida em esperança e compromisso.

Horários das Celebrações do Tríduo Pascal e das Missas de Domingo da Páscoa na Arquidiocese de Maringá

A Arquidiocese de Maringá comunica os horários das Celebrações do Tríduo Pascal, de 2 a 4 de abril, e do Domingo da Páscoa, 5 de abril, em todas as paróquias dos 27 municípios que pertencem ao seu território.

Clique AQUI e confira os horários das Celebrações.


27 março, 2026

Aparecida Gratidão!


Nesse dia 27 de março, sua Páscoa.

Da coordenação das CEBs da Arquidiocese de Maringá.

Gratidão, Aparecida, por sua vida doada, pela amizade sincera e pela caminhada fiel nas CEBs.

Seu testemunho de amor, partilha e compromisso com o Reino permanece vivo em nossas comunidades. Seguimos com saudade no coração e esperança na ressurreição. Descanse na paz de Deus.

Meus sentimento de solidariedade à família e amigos. Que Deus, com sua infinita bondade, conforte a todas e todos neste momento de dor e saudade.

17 março, 2026

9º Intereclesial das CEBs do Paraná

Segue material que escrevi para uma preparação para o Intereclesial


9º Intereclesial das CEBs do Paraná
30 de abril a 03 de maio de 2026 em Curitiba.

Tema: CEBs, fortalecendo a caminhada Sinodal no Cuidado da Casa Comum.
Lema: “Caminhavam juntos, partilhavam o Pão e perseveravam nas orações e no Bem Viver (cf. At 2,42)


CAMINHADA SINDODAL


Ao acompanhar e ler alguns trechos nas redes sociais do Papa Leão XIV, a respeito da sinodalidade, para ele é uma atitude, uma abertura, uma disposição para entender e que cada membro da Igreja tem uma voz e um papel a desempenhar por meio da oração, da reflexão… por meio de um processo. Existem muitas maneiras de que isso possa acontecer, mas por meio do diálogo e do respeito mútuo. A sinodalidade é uma forma de descrever como podemos nos unir e ser uma comunidade, buscar a comunhão como Igreja, de maneira que seja uma Igreja cujo foco principal não está em uma hierarquia institucional, mas sim em um senso de ‘nós juntos’, ‘nossa Igreja’.

A sinodalidade é um dos eixos centrais do pontificado do Papa Francisco e expressa um modo de ser Igreja profundamente enraizado no Evangelho e na tradição dos primeiros cristãos. Mais do que um conceito teórico, trata-se de um caminho espiritual, pastoral e missionário que convida todo o povo de Deus a caminhar junto. Não é uma moda passageira, segundo o Papa Francisco, mas uma exigência do Evangelho para o nosso tempo. Ela aponta para uma Igreja mais humana, fraterna e comprometida com a transformação do mundo, onde todas e todos caminham juntos, escutando-se mutuamente e discernindo a vontade de Deus na história.

A sinodalidade encontra seu fundamento na experiência das primeiras comunidades cristãs, especialmente em textos como Atos 2,42-47, onde os fiéis viviam a comunhão, a partilha e a escuta da Palavra. Também se inspira no Concílio Vaticano II, que recuperou a imagem da Igreja como “Povo de Deus”, valorizando a corresponsabilidade de todas e todos os batizados.

Segundo o Papa Francisco, a sinodalidade se sustenta em três dimensões fundamentais:

- Comunhão: reconhecer que todos pertencem ao mesmo Corpo de Cristo, superando divisões e exclusões.

- Participação: garantir que todos tenham voz, especialmente os pobres, as mulheres e aqueles que historicamente foram silenciados.

- Missão: caminhar juntos não por si mesmos, mas para anunciar o Evangelho e transformar a realidade.

Um elemento essencial da sinodalidade é a escuta. Não apenas ouvir opiniões, mas acolher o que o Espírito Santo diz por meio do povo. O discernimento comunitário torna-se, então, um exercício espiritual profundo, onde a Igreja busca a vontade de Deus na realidade concreta.

A sinodalidade exige uma verdadeira conversão: sair de estruturas autorreferenciais e clericalistas para uma Igreja mais simples, próxima e servidora. O Papa Francisco insiste que o clericalismo é um dos maiores obstáculos à sinodalidade, pois impede a valorização dos dons do povo de Deus.

A sinodalidade está intimamente ligada à ideia de “Igreja em saída”, outro conceito-chave do Papa. Caminhar juntos significa também ir ao encontro dos que estão nas periferias existenciais e sociais, promovendo justiça, dignidade e cuidado com a vida.

São muitos os desafio autuais, viver a sinodalidade não é simples, implica aprender a dialogar em meio às diferenças; superar resistências internas; formar comunidades mais abertas e participativas; cultivar espiritualidade de comunhão.


CUIDADO DA CASA COMUM


Essa perspectiva dialoga fortemente com o caminho sinodal da Igreja: caminhar juntos, escutar, discernir e agir em favor da vida.

“Cuidar da Casa Comum” é reconhecer que a Terra é dom, responsabilidade e missão. É assumir que a vida humana está profundamente ligada à vida do planeta e que não há futuro possível sem justiça social e equilíbrio ambiental. É um chamado a amar — de forma concreta e comprometida — tudo aquilo que Deus criou e confiou às nossas mãos.

O conceito de “Cuidado da Casa Comum” tornou-se uma expressão central especialmente a partir da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Seu significado vai muito além de uma preocupação ecológica: trata-se de uma visão integral da vida, da fé e da responsabilidade humana no mundo.

A “Casa Comum” é o planeta Terra entendido não apenas como espaço físico, mas como lar compartilhado por toda a criação: seres humanos, animais, plantas e todos os ecossistemas. Essa expressão rompe com a ideia de domínio absoluto do ser humano sobre a natureza e reforça a noção de interdependência. No livro do Gênesis, o ser humano é chamado a “cultivar e guardar” o jardim (Gn 2,15), indicando uma missão de cuidado, e não de exploração.

Não se pode separar o cuidado com a natureza do cuidado com as pessoas — especialmente as mais vulneráveis, por isso o Cuidado da Casa Comum” propõe uma ecologia integral, ou seja, uma visão que une:

- Ecologia ambiental: preservação da natureza, combate à poluição, cuidado com a água, o ar e a biodiversidade.

- Ecologia social: atenção às desigualdades, pois os pobres são os mais afetados pela degradação ambiental.

- Ecologia econômica: crítica a modelos de produção e consumo que geram exclusão e destruição.

- Ecologia cultural: respeito aos saberes dos povos originários e às culturas locais.

- Ecologia espiritual: reconhecimento de que toda a criação é dom de Deus e possui um valor sagrado.

Nesse sentido, há uma dimensão profundamente profética, pois questiona estruturas econômicas e políticas que colocam o lucro acima da vida, sendo assim, necessário a dimensão ética e profética. Cuidar da Casa Comum é também um imperativo ético que denuncia o consumismo desenfreado; a exploração irresponsável dos recursos naturais e a cultura do descarte. E anuncia um novo modo de viver baseado na sobriedade, solidariedade e justiça.

Essa perspectiva dialoga fortemente com o caminho sinodal da Igreja: caminhar juntos, escutar, discernir e agir em favor da vida. O cuidado não é tarefa individual isolada, mas missão coletiva, exige a dimensão comunitária e sinodal e se realiza nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), nas outras formas de comunidades, nos movimentos sociais, nas políticas públicas e nas práticas cotidianas de cada pessoa.

Como recorda a Laudato Si’, “tudo está interligado”. Portanto, ferir a natureza é, de certo modo, ferir a própria humanidade. Cuidar da Casa Comum é também um ato espiritual, a dimensão espiritual implica: contemplar a criação como obra de Deus - cultivar gratidão - rever hábitos de vida - viver uma espiritualidade encarnada, que une fé e compromisso com a realidade.

Um chamado à conversão ecológica, não se trata apenas de ideias, mas de uma transformação concreta da forma de viver, produzir e se relacionar. O “Cuidado da Casa Comum” é um convite à conversão ecológica, que envolve: mudança de mentalidade - revisão de estilos de vida - compromisso com práticas sustentáveis - engajamento social e político.


“CAMINHAVAM JUNTOS, PARTILHAVAM O PÃO E PERSEVERAVAM NAS ORAÇÕES E NO BEM VIVER” (CF. AT 2,42)


O texto de Atos dos Apóstolos evidencia elementos fundamentais da vida da primeira comunidade cristã, que se tornaram referência inspiradora para a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). A passagem descreve não apenas práticas religiosas, mas um modo de viver a fé de forma comunitária, solidária e missionária.

A não era vivida de forma individual, mas partilhada e aprofundada na comunidade. A mesa partilhada era sinal da presença de Cristo e fortalecia a unidade da comunidade. Nas CEBs, essa dimensão aparece nas celebrações da Palavra, nas liturgias simples e na espiritualidade comunitária. A espiritualidade era parte essencial da vida cotidiana, sustentando a missão e a comunhão entre os membros. Isso evidencia uma dimensão social da fé, em que a comunidade busca superar desigualdades e cuidar dos mais necessitados. Esse aspecto inspira fortemente a prática das CEBs, que unem fé e compromisso com a justiça. Por causa desse modo de viver, a comunidade era estimada pelo povo e crescia continuamente. O crescimento da Igreja aparece como fruto do testemunho de vida, e não apenas da pregação.

Atos dos Apóstolos evidencia um modelo de Igreja comunitária, fraterna, orante, solidária e missionária, centrada na Palavra, na partilha e na celebração. Por isso, essa passagem é frequentemente considerada um paradigma bíblico inspirador das Comunidades Eclesiais de Base, que buscam viver a fé de forma participativa, comprometida e encarnada na realidade do povo.


BEM VIVER


O conceito de Bem Viver nasce das cosmovisões dos povos originários da América Latina. Ele propõe uma forma de vida centrada na harmonia entre as pessoas, a comunidade e a natureza, em contraposição ao modelo dominante baseado no crescimento econômico ilimitado e no individualismo.

Essa visão rompe com a lógica moderna de progresso, que frequentemente coloca o lucro acima da vida. No Bem Viver, a centralidade está na vida plena, na dignidade, na reciprocidade e no cuidado. A natureza é entendida como sujeito de direitos, e não como objeto de exploração. A terra, a água e todos os seres possuem valor próprio. A comunidade é o espaço central da vida. O bem individual está ligado ao bem coletivo. Práticas como solidariedade, partilha e cooperação são essenciais.

Bem Viver propõe uma vida baseada no necessário, evitando o consumismo. A felicidade não está no acúmulo, mas na qualidade das relações. Valoriza-se a pluralidade de culturas, saberes e modos de viver, reconhecendo que não existe um único caminho para o desenvolvimento. A espiritualidade não é separada do cotidiano, mas está presente nas relações com a natureza, com os outros e com o sagrado.

O Bem Viver também se apresenta como crítica ao sistema econômico global, que gera desigualdades sociais, degradação ambiental e exclusão. Ele questiona a ideia de desenvolvimento baseada apenas no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e propõe novos indicadores de qualidade de vida, centrados no bem-estar integral. Nesse sentido, ele dialoga profundamente com propostas contemporâneas como a ecologia integral e a construção de sociedades mais justas e sustentáveis.


INTERECLESIAIS DAS CEBs


Os Intereclesiais das CEBs são fonte de animação, espaço de grande troca de experiências, reflexões e orações da Igreja simples, alegre, criativa, ecumênica e profética. Uma grande partilha da acolhida fraterna e sorrisos contagiantes, das comidas gostosas, da cantoria e alegria, do saber falar e do saber ouvir, das muitas lutas e festas, da profecia e das muitas sementes lançadas.

Os intereclesiais são iluminações para a esperança de algo novo que acontecerá como uma semente se deixa romper sob a terra, deixar morrer do velho para nascer o novo, do como fazer nascer da Igreja clerical uma Igreja popular, afirmação da Igreja como Povo de Deus apresentada no Concílio Ecumênico Vaticano II.

Os intereclesiais são essa fonte de animação, no Regional Sul II, o Paraná, envolvidos pelo símbolo do estado a “Gralha Azul” e a “Araucária”. Da Gralha Azul a mística que envolve vem de sua inteligência e seus diversos termos vocais para se comunicar e sua habilidade de esconder a sua comida, o pinhão, para comê-lo depois, sem saber que isso vai dar continuidade nas plantas. Da Araucária, a mística em torno de serem dioicas, expressão de gênero, existe uma árvore feminina e outra masculina. Na árvore feminina, em uma estrutura denominada estróbilo, ou pinha, se desenvolvem os pinhões.

Uma espécie dioica é aquela em que os gâmetas femininos (ex.: óvulos, oosferas que são célula sexual feminina das plantas) e os gâmetas masculinos (ex.: espermatozoides e anterozóides que são célula sexual masculina das plantas) são produzidos por indivíduos distintos, femininos e masculinos, respectivamente.

Aos participantes do intereclesial a quem as paróquias das Arq/Diocese enviam para vivenciar a expressiva experiência dos intereclesiais é fundamental o conhecer, acolher, envolver e comprometer-se com as CEBs - a Igreja onde os pobres deixam de ser prioridades, e passam ser sujeitos da missão evangelizadora e sujeitos de sua própria história.

Os intereclesiais das Comunidades Eclesiais de base, as CEBs, acontecem em nível nacional e nos intervalos desses acontecem nos Intereclesiais Regionais. Em cada tema escolhido as reflexões e a partilha de como as CEBs se inserem na realidade do povo, para ser sinal de esperança e vida.


O TREM - SÍMBOLO DOS ENCONTROS INTERECLESIAL DE CEBS NO BRASIL


Segundo Pe. Nelito Dornelas (em memória), Frei Betto é mineiro, ele morava em Vitória, em uma favela, quando acontecem os intereclesiais, o primeiro em Vitória, do Espírito Santo em 1975.

Vitória e Belo Horizonte tem o maior trem de passageiros do Brasil, que liga as duas capitais, mais ou menos 600 km de distância, essas duas capitais são simbolizadas pelo trem de passageiros. Então Frei Betto foi quem idealizou essa imagem para CEBs, a partir dessa experiência do maior trem de passageiros que liga essas capitais, explica Nelito.

Recorda Nelito, assim foi consolidado e foi também no encontro que aconteceu no Espírito Santo, em que frei Carlos Mesters estava assessorando as comunidades de São Mateus, lá também foi confirmado à ideia do trem de passageiro como símbolo das CEBs.

Então essa ideia explica Nelito, vai nascer do Frei Betto, que é mineiro morando em Vitória, onde acontece o primeiro intereclesial das CEBs e São Mateus, Espírito Santo, ali que vai nascer marcado pela experiência do trem de passageiros que o povo tinha como único meio de transporte barato, simples e popular.

A imagem tem a ver também com essa ideia de coisa do povo, coisa simples, coisa dos pobres, onde todo mundo pode entrar, levando sua carga, levando sua bagagem, levando seus mantimentos, porque o trem sempre foi isso, um meio de transporte barato do povo, assim conclui Nelito a explicação do trem como símbolo.

E a CEBs diz Nelito, simbolizam isso, lugar dos pobres que podem entrar com sua bagagem, sua cultura, sua história, com tudo aquilo que é, quer ser e precisa ser e pode ser para de fato ser Igreja dos Pobres.

10 março, 2026

Nas CEBs o Pobre não é prioridade, é sujeito. Isso incomoda.

Republico um texto que escrevi e publiquei  08 de janeiro de 2023 - continua atual

A baixo segue o texto, quem desejar ler na primeira publicação, clique aqui.


Nas CEBs o Pobre não é prioridade, é sujeito. Isso incomoda.

O pobre quando deixa de ser prioridade e passa a ser sujeito, seja na dimensão social ou religiosa, incomoda e gera até raiva em muitos — revela uma tensão profunda presente na história das sociedades e também na caminhada das igrejas.

Durante muito tempo, o pobre foi visto sobretudo como objeto de assistência. Era alguém a quem se devia ajudar, socorrer ou proteger. Essa atitude, embora possa conter gestos de solidariedade, muitas vezes mantém uma relação vertical: alguém ajuda e outro apenas recebe. Nessa lógica, o pobre continua sem voz, sem participação e sem poder de decisão sobre sua própria vida.

Quando, porém, o pobre deixa de ser apenas “prioridade” — no sentido de destinatário da caridade — e passa a ser sujeito de sua própria história, a realidade muda profundamente. O pobre começa a falar, organizar-se, reivindicar direitos, interpretar a realidade a partir de sua experiência e participar das decisões que dizem respeito à sua vida. Nesse momento, ele deixa de ser apenas alguém a ser ajudado e passa a ser protagonista.

É justamente esse protagonismo que muitas vezes incomoda.
Incomoda porque questiona estruturas injustas, privilégios históricos e modos estabelecidos de exercer poder. Quando o pobre toma a palavra, ele revela as contradições do sistema econômico, social e até religioso. Sua voz pode desvelar desigualdades que antes eram naturalizadas ou escondidas.

Na dimensão social, isso aparece quando populações empobrecidas se organizam em movimentos, associações, ocupações ou lutas por direitos. Não pedem apenas ajuda; pedem justiça. E justiça exige mudanças estruturais, o que provoca resistências daqueles que se beneficiam da ordem existente.

Na dimensão religiosa, o mesmo fenômeno ocorre quando os pobres assumem seu lugar na vida da Igreja, interpretam a Palavra de Deus a partir de sua realidade e participam ativamente da missão.

Nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) os pobres não são prioridades - não são apenas destinatários da evangelização, mas sujeitos eclesiais. Isso pode gerar tensões, porque desloca a compreensão de Igreja de uma estrutura centrada apenas na autoridade para uma comunidade de irmãs e irmãos que caminham juntos.

A própria Bíblia testemunha esse movimento. Deus não apenas socorre o pobre, mas o levanta, o faz sujeito da libertação. No Êxodo, o povo escravizado se torna protagonista de sua saída. Nos Evangelhos, Jesus não trata os pobres como objetos de piedade, mas os coloca no centro do Reino e os reconhece como bem-aventurados (Mt 5,3; Lc 6,20).

Por isso, quando o pobre se torna sujeito, ele não ameaça a verdadeira fraternidade; ao contrário, revela o caminho do Evangelho. O incômodo e até a raiva que surgem em alguns contextos mostram o quanto ainda estamos presos a estruturas que preferem o pobre silencioso ao pobre consciente.

Reconhecer o pobre como sujeito é dar um passo decisivo rumo a uma sociedade e a uma Igreja mais justas, onde se constrói juntos a história, não há dúvida, as CEBs são, por excelência, um espaço de sinodalidade onde o pobre não é prioridade e sim sujeito – a Igreja tem a obrigação de reconhecer o papel fundamental das Comunidades Eclesiais de Base, desde sua origem até os dias atuais.

08 março, 2026

Quando a dignidade das mulheres é respeitada, toda a humanidade floresce


 

Dia Internacional da Mulher. Quando a dignidade das mulheres é defendida, a vida floresce para todos.


Dia Internacional da Mulher. Quando a dignidade das mulheres é defendida, a vida floresce para todos.

Neste Dia Internacional da Mulher, elevamos nossa gratidão a Deus pelo dom da vida e pela presença transformadora de nós mulheres na história, na Igreja, nas comunidades, na sociedade.

A Sagrada Escritura nos recorda que mulheres e homens foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27). Por isso, toda nós mulher carrega uma dignidade sagrada que deve ser respeitada, cuidada e promovida.

Celebramos hoje as inúmeras qualidades que marcam a presença feminina: a capacidade de gerar vida, de cuidar, de resistir nas dificuldades, de manter viva a esperança e de construir caminhos de solidariedade e justiça.

Contudo, este dia também nos convoca à profecia. Ainda são muitas as mulheres que sofrem violência, discriminação e desvalorização. Como comunidade de fé e como sociedade, somos chamados a denunciar essas realidades e a trabalhar unidos para que toda mulher viva com respeito, segurança e dignidade.

Inspirados pelo Evangelho, que sempre valorizou e acolheu as mulheres, renovemos nosso compromisso de construir relações baseadas no amor, na justiça e na fraternidade.

Que este dia renove em todos nós o compromisso com uma sociedade mais justa, onde mulheres e homens caminhem juntos no respeito, na igualdade e na promoção da vida.

Celebramos as conquistas, honramos as lutas e renovamos a esperança: quando a dignidade das mulheres é respeitada, toda a humanidade floresce.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Assessora das CEBs na Arquidiocese na Arquidiocese de Maringá, coordenadora das CEBs na Província Eclesiástica de Maringá e membra da coordenação das CEBs no Regional Sul II da CNBB.

06 março, 2026

O poderoso chefão

6 de Março de 2026

O poderoso chefão


Olá, no imaginário da direita Lula é o bandido, mas na vida real da política brasileira o chefe de quadrilha é um banqueiro.

.Bomba atômica. Se alguém em Brasília tinha esperanças de que o caso Master fosse esfriar aos poucos, ela não só acabou, como deu provas de que ainda há muito combustível para queimar até outubro. A nova prisão de Daniel Vorcaro acrescentou à ficha criminal a liderança de uma organização criminosa. O núcleo central era “A turma”, uma espécie de milícia privada que monitorava autoridades e desafetos, acessando ilegalmente informações sigilosas de instituições de segurança pública e ameaçava jornalistas e funcionários. O coordenador da milícia e chefe de segurança de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, tentou tirar a própria vida após a prisão. O esquema criminoso envolvia o pagamento de mensalidades para que dois diretores do Banco Central atuassem a favor do banqueiro dentro da instituição durante toda a gestão Campos Neto, o que só foi denunciado e investigado na atual gestão de Gabriel Galípolo. As mesadas de Vorcaro incluíam também sites de notícias e jornalistas. Diante de tantas evidências de que a quadrilha de Vorcaro continuava agindo e ameaçando desafetos ou testemunhas, até André Mendonça achou estranho que Paulo Gonet e a PGR não tenham visto perigo para a sociedade ou motivo para prisão. Principalmente porque a ação da PF dá indícios de que há mais sujeira e mais tentáculos a serem descobertos. Por exemplo, Vorcaro tinha conhecimento prévio sobre procedimentos investigativos em andamento. Já Mariana Barbosa lembra que as suspeitas sobre a família Vorcaro remontam a 2016 e que o banqueiro não foi preso em 2020, quando o Master ainda se chamava Banco Máximo, porque foi salvo por uma decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do TRF da 1ª Região. E evidentemente toda a lama transborda para dentro do Congresso. A lista vip de amigos de Vorcaro aumenta a cada dia e até Nikolas Ferreira, que pedia “fora Toffoli” no domingo, precisou explicar, na segunda, o que fazia no jatinho do dono do Master. Agora, enquanto uma parte dos parlamentares tenta ressuscitar uma CPI do Banco, a do Crime Organizado vê nos episódios o impulso que precisava para reverter as derrotas da semana passada, quando foi impedida de quebrar o sigilo da família Toffoli. Diante de tudo isso, André Mendonça foi catapultado à peça central das eleições, afinal passa por ele também o caso do INSS. Segundo um deputado do centrão, se alguns ministros possuem metralhadoras e fuzis, Mendonça tem duas bombas atômicas.

.Um dia após o outro. Com tantas crises em andamento, a ideia de que a eleição presidencial é um jogo ganho ficou para trás. Os reflexos eleitorais são evidentes, ameaçando inclusive a hegemonia petista na região nordeste. Com isso, o caminho escolhido pelo PT para definir os palanques estaduais é a paciência e o diálogo com as lideranças nacionais e regionais. Lula sabe que é urgente recuperar a popularidade, que sofreu um novo baque em fevereiro. O cenário que já era difícil se complicou ainda mais com o alastramento do conflito no Oriente Médio. Não só por razões diplomáticas, mas também pelas econômicas. Afinal, o petróleo brasileiro pode até se valorizar no mercado internacional, mas o saldo geral para o país tende a ser negativo com o aumento da instabilidade financeira, prejuízo às exportações para a Ásia, encarecimento dos combustíveis e pressão sobre a inflação e os juros. Já no Congresso, uma das maiores apostas do Planalto para alavancar a popularidade, o fim da escala 6 X 1, avança a passos lentos frente às resistências da direita, do empresariado e do chove-não-molha de Hugo Motta. Lula procura atenuar os conflitos reeditando o velho discurso trabalhista da negociação entre patrões e empregados com a mediação do Estado mas sem garantias de que alguém abrace a ideia. Mas nem tudo está perdido. Como já era de se esperar, a PEC da Segurança Pública avançou mais rápido que a mudança da escala de trabalho e foi aprovada na Câmara, embora a versão original do Planalto tenha sido modificada ao longo das negociações. No Senado, depois de muitas idas e vindas, o acordo do Mercosul com a União Européia foi aprovado, uma pauta tida como prioritária por Lula, ainda que suas vantagens para o país sejam duvidosas. E, na CPI do INSS, a quebra do sigilo bancário e fiscal de Lulinha, uma sonhada bala de prata da direita para sangrar o Planalto até o fim - referendada por Davi Alcolumbre - passa por uma queda de braços entre o presidente da Comissão, Carlos Viana, e Flávio Dino. É que o ministro do STF acolheu o recurso de outra investigada e decidiu pela anulação das quebras de sigilo “no atacado” feitas pela CPI. Mesmo assim, com a divulgação de que Lulinha movimentou cerca de R$ 19,5 milhões nos últimos 4 anos, uma parte do estrago já foi feito.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país. A Pública narra a trajetória que vai da cooperação nuclear entre Irã e Estados Unidos à guerra atual.

.Quem são as quatro principais ditaduras de estimação dos EUA. Conheça os aliados pouco democráticos dos Estados Unidos no Oriente Médio. No Esquerda Online.

.Bolsonaristas usam desinformação para desacreditar dados econômicos do IBGE. Aos Fatos mostra como a rede de desinformação liderada por Flávio Bolsonaro mira nos índices econômicos do governo Lula.

.Estudo da Unicamp estima até 4,5 milhões de empregos com redução da jornada. Estudo que integra o “dossiê 6 x 1” mostra os potenciais benefícios de uma redução da jornada de trabalho 44 para 36 horas semanais. No Uol.

.Donos do vento: capital estrangeiro domina 70% das usinas eólicas no Nordeste. Em entrevista ao Conversa Bem Viver, a pesquisadora Monalisa Lustosa comenta sobre os impactos sociais e a dependência econômica da “energia limpa”.

.Justiça restaurativa pode reparar danos da Guerra de Canudos. A ação civil pública do município de Canudos contra a União para o reconhecimento oficial da Guerra de Canudos como massacre e a reparação pelos danos causados à população em 1897.

.Sucrilhos, para ficar fortinho e crescer. Lobby, açúcar em quantidades obscenas e muita publicidade infantil. Podcast do O Joio e o Trigo conta a história do cereal criado para combater o desejo sexual.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.