16 janeiro, 2019

2014 – 13º Intereclesial das CEBs – Juazeiro do Norte (CE)

Foto: Eu, Pe Sidney Fabril e Pe. Genivaldo Ubinge


Momento inesquecível!
2014 – 13º Intereclesial das CEBs – Juazeiro do Norte (CE)
Participaram do encontro 4.036, desses 2.248 mulheres e 1.788 homens, 72 bispos, 232 padres e 146 religiosos e religiosas, 75 lideranças indígenas; 20 membros de outras Igrejas cristãs, 35 pessoas pertencentes a outras religiões, 36 estrangeiros e 68 assessores e membros da coordenação ampliada. E, pela primeira vez na história, um Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base recebe uma mensagem de um papa. A mensagem do papa Francisco dirigida aos participantes do 13º Intereclesial trouxe muita alegria e renovou a esperança de uma Igreja pobre e dos pobres comprometida com a justiça e a profecia a serviço da vida.  

Felicidade é como uma borboleta


Comissão Pastoral da Terra divulga balanço da questão agrária no Brasil no ano de 2018



Comissão Pastoral da Terra divulga balanço da questão agrária no Brasil no ano de 2018

No ano que se encerrou, os povos da Terra, das Águas e das Florestas viveram a porção de um tempo ainda mais triste que está por vir. Em 2018, segundo dados parciais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o índice[1] de famílias despejadas foi 65% maior do que o ano anterior e os recursos destinados à Reforma Agrária e às políticas públicas para o campo chegaram ao ápice do sufocamento. 2018 também foi o ano de consolidação da tendência de privatização de terras públicas e o ano em que o poder privado se sentiu autorizado a promover o terror no campo, estando envolvido em 81% dos conflitos por terra e por água. Em síntese, 2018 foi de domínio violento do agrohidronegócio e do latifúndio no campo brasileiro. Confira:

Durante o governo de Michel Temer, não foram poucos os ataques e os retrocessos aos direitos conquistados pelo povo brasileiro por meio de sua luta histórica. Atacaram direitos trabalhistas, eliminaram ou reduziram investimentos em saúde, educação, cultura, esportes, políticas para minorias, entre tantas outras áreas estratégicas e primordiais para a vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Em especial, atacaram frontalmente a Reforma Agrária, a regularização de territórios quilombolas e a demarcação de terras indígenas.

Em tempos de golpe, assistimos ao poder judiciário negar o cumprimento da sua única missão: a justiça. Decisões judiciais de alto impacto passaram a ser explicitamente objetos de manipulação dos jogos de poder. O legislativo, protagonista do golpe, mais um ano se viu reduzido ao ator passivo dos interesses econômicos do mercado. O golpe de 2016 só poderia se tornar um “crime” perfeito se os seus arquitetos garantissem em 2018 a vitória do aprofundamento do projeto político que derrotou a democracia em 2016. E assim aconteceu.

No meio desse cenário, nós, sociedade civil, não conseguimos defender de forma eficaz, com os meios e as narrativas que dispomos, nossos direitos sociais, civis e políticos e não conseguimos evitar os riscos decorrentes dos ataques à nossa pouca e frágil democracia.

Reforma Agrária silenciada – A Reforma Agrária, direito da sociedade brasileira e obrigação do Estado, foi reduzida ao completo silêncio em 2018. O número de novas famílias assentadas durante o Governo Temer foi praticamente reduzido a zero. Por outro lado, na lógica da privatização de tudo, Temer promoveu a fragmentação e a consequente vulnerabilização das famílias assentadas, na medida em que implementou uma intensa política de titulação individualizada de lotes. Segundo o Incra, a titulação é o instrumento que transfere o imóvel rural ao/à beneficiário/a da Reforma Agrária em caráter definitivo.

Só em 2017, foram expedidos 26.523 Títulos de Domínio e 97.030 Contratos de Concessão de Uso, o que supera a soma dos últimos dez anos. O objetivo foi beneficiar o mercado de terras, pois muitas famílias fragilizadas podem ceder à pressão do agronegócio e do latifúndio e venderem seus lotes. Em outras palavras: os assentamentos da Reforma Agrária, fruto exclusivamente de décadas luta de milhares de famílias sem-terra, estão agora disponíveis à reconcentração fundiária uma vez titularizados.

Antes, só era permitido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) emitir títulos às famílias assentadas quando fosse constatada a independência estrutural do assentamento. A medida, até certo ponto, impedia a transferência em larga escala de terras para o controle do capital. Agora, o Incra se transformou em um balcão de negócios de terra, uma “imobiliária estatal”.

Outro ataque se deu em uma das áreas mais estratégicas: a dos orçamentos para as políticas de Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário que, em 2018, chegaram ao seu valor mínimo histórico. O valor destinado à obtenção de terras em 2018 foi de 83,7 milhões, sendo que em 2015 esse valor foi de 800 milhões. O orçamento para a Assistência Técnica nos assentamentos também sofreu grande corte. Em 2015, o orçamento para essa área foi de 355,4 milhões, enquanto que no ano de 2018, o valor destinado foi 19,7 milhões. Esses são somente alguns exemplos do recuo histórico do orçamento para não solucionar os problemas do campo no país.

Venda de Terras para estrangeiros: ameaça na agulha – Uma das principais reivindicações políticas do capital no Brasil é a aprovação do projeto de lei que possibilita a venda de terras no país para estrangeiros. A legislação brasileira em vigor – Lei 5.709/1971 – limita a compra de terras por estrangeiros, inclusive para empresas brasileiras com controle acionário estrangeiro. Através do Projeto de Lei 2.289/2007, ao qual se encontram apensados outros PLs, como o de nº 4.059/2012, propõe-se a liberação quase que irrestrita da venda de imóveis rurais a estrangeiros. O PL de 2012 foi destacado como uma das prioridades da Frente Parlamentar Agropecuária e apresentado ao presidente Temer como uma das reivindicações prioritárias junto à bancada ruralista na negociação de apoio ao impeachment de Dilma Rousseff. Atualmente ele encontra-se em regime de urgência para votação na Câmara dos Deputados e pode ser votado a qualquer momento.

Se esse Projeto for aprovado como pretendem os ruralistas, será possível a estrangeiros comprarem até 100 mil hectares de terra, além de arrendar mais 100 mil. A titularidade de terras a estrangeiros é, normalmente, limitada a apenas três módulos rurais e à prévia autorização do governo. Este é na prática o maior programa de concentração de terras a ser implementado no país. E o pior, com a entrega de terras aos interesses externos, a soberania do país na produção de alimentos estará também ameaçada.

Outro objetivo deste projeto político e econômico é, além da já conhecida criminalização de movimentos sociais, a também criminalização de Organizações Não Governamentais (ONGs), tratadas como se fossem agentes de uma conspiração internacional para internacionalizar o Brasil. Essa absurda contradição denuncia o verdadeiro jogo de interesses econômicos do latifúndio e do agrohidronegócio, nos quais sem-terra, quilombolas, indígenas, comunidades tradicionais, áreas protegidas e organizações sociais são alvos a serem destruídos.

Conflitos no campo – Em contextos de golpe, de tomada de poder por uma direita reacionária e odiosa, o latifúndio e o agrohidronegócio encontraram as portas abertas e, com o consentimento do poder público, atuaram de forma violenta e autoritária no campo. De acordo com dados parciais da Comissão Pastoral da Terra, 81% dos conflitos pela terra e pela água tiveram o envolvimento do poder privado, sob a conivência do poder público.

Nesse cenário, os principais alvos da violência foram as diversas categorias de povos e comunidades tradicionais, correspondendo a 64% das vítimas dos conflitos, seguidas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra e dos assentados e assentadas, representando 32%, e de pequenos/as proprietários, sendo estes 2% das vítimas de violência no campo, de acordo com dados parciais da CPT.

De modo geral, o projeto político e econômico em curso vem atuando estrategicamente na tomada de áreas tradicionalmente ocupadas com o intuito de se apropriar dos bens naturais, bem como da vida das populações que resistem nesses territórios. Um forte exemplo foram os dados divulgados recentemente pelo Projeto Jornalístico Latentes, que estima que existam no país 4.536 focos de conflitos iminentes em decorrência somente da exploração mineral e que podem vitimar comunidades quilombolas, povos indígenas, comunidades de assentamento, além de unidades de conservação.

Do mesmo modo, empresas de energia eólica, pecuária, cana-de-açúcar e outros grandes empreendimentos privados e do latifúndio continuaram protagonistas de violências que tornaram territórios camponeses verdadeiros campos de guerra e de exploração. Assim foi, por exemplo, para as comunidades camponesas dos estados acompanhados pela CPT Regional Nordeste II (que engloba os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas,).

Campo de guerra para as comunidades camponesas que vivem no agreste Pernambucano e sertão Paraibano, que estão sendo impactadas pelo avanço desenfreado de parques eólicos que, a despeito de discursarem em defesa de uma energia sustentável, possuem inúmeros impactos invisibilizados que colocam a vida dessas populações em risco.

Campo de guerra também na Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, onde centenas de famílias camponesas que vivem na área denunciam incansavelmente os impactos causados por grandes empresas de fruticultura irrigada e seus agrotóxicos.

O campo de guerra também pôde ser visto no município de Sertânia, sertão de Pernambuco, onde, por várias ocasiões em 2018, jagunços a mando de proprietários aterrorizaram a vida de famílias sem-terra acampadas na Fazenda Jaú, provocando perseguições, tiroteios, queimadas de barracos e deixando nove pessoas ameaçadas de morte.

Campo de guerra, cenário de destruição foi o que ocorreu no dia 07 de agosto de 2018, na comunidade de Pau a Pique, no município de São José dos Ramos (PB), quando a Polícia, em uma reintegração de posse, destruiu 80 hectares de alimentos produzidos pela comunidade que vive no local há três gerações.

Campo de Guerra, cenário de destruição foi o que ocorreu no acampamento Dom José Maria Pires, no município de Alhandra (PB), no dia 08 de dezembro de 2018, quando dois trabalhadores rurais sem-terra foram barbaramente assassinados em um crime ainda impune.

Estes fatos são somente breves exemplos do que aconteceu no cotidiano das comunidades camponesas no ano de 2018 no país e são também tristes pré-anúncios de futuras ameaças e violências que certamente passarão com muita resistência e luta.

O momento exige-nos enfrentar o desafio de reconstruir o caminho que nos levará a um novo ciclo de conquistas. Haveremos de resistir com lucidez crítica contra toda ameaça à vida dos pequenos e da nossa Casa Comum, junto às comunidades e povos do campo. No meio da noite escura caminhar é preciso, sabendo que um novo amanhecer está garantido, pois toda noite escura carrega em si a madrugada. Não vamos deixar que nos roubem a esperança.

Recife (PE), janeiro de 2019.

Comissão Pastoral da Terra Nordeste II

[1] O índice de famílias despejadas é a relação entre o número total de famílias despejadas e o total de ocorrências de despejos. Ao dividir o número de famílias despejadas pelo número de ocorrências de despejo, obtemos o índice de famílias despejadas.

Mais informações:

Cristiane Passos (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6400 | 99307-4305
Renata Albuquerque (assessoria de comunicação da CPT Nordeste II): (81) 99663-2716


Fonte: CNBB

14 janeiro, 2019

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!


Cáritas Brasileira lança a campanha #EuMigrante em parceria com a Signis Brasil Jovem



A Cáritas Brasileira, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com um conjunto de organizações, lançou na última quinta-feira, 10 de janeiro, a Campanha #EuMigrante baseada na ideia de que migrar é um direito humano.  “Migrar diz respeito à mobilidade espacial das pessoas, ou seja, trocar de casa, de cidade, de região, de estado ou de país. Esse processo ocorre desde o início da história da humanidade. Todos nós temos, em nossas famílias, realidades migratórias, deslocamentos. Uns migram por escolha, outros são forçados a isso”, diz o texto de divulgação do projeto.

A campanha #EuMigrante tem como objetivo mostrar a realidade e o drama vivido pelos migrantes, em especial os venezuelanos, que chegam ao Brasil e será executada até o dia 30 de junho deste ano. As ações buscarão sinalizar caminhos para ajudá-los no processo de integração, como pede o papa Francisco: “acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados”.

A campanha faz parte do Programa Pana, que é uma iniciativa desenvolvida pela Igreja do Brasil, por meio Cáritas Brasileira, com apoio da Cáritas Suíça e do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O objetivo de sensibilizar e mobilizar pessoas e recursos para a questão migratória no Brasil, com foco para a crise humanitária vivenciada na fronteira Brasil & Venezuela.

Fases e  momentos: A campanha #EuMigrante estrutura-se em três momentos: 1) Sensibilização; 2) Mobilização; e 3) Integração. A proposta é que ao longo do primeiro semestre de 2019, diversas ações sejam dinamizadas pelo país, buscando visibilizar a realidade migratória no Brasil a partir da ação do Projeto Pana que ao longo de um ano, visa favorecer mais de 3.500 pessoas, sendo, pelo menos, 1.224 delas migrantes venezuelanos, a partir da integração em sete capitais do Brasil: Boa Vista (RR); Brasília (DF); Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Velho (RO); Recife (PE) e São Paulo (SP). Nesse processo, 612 pessoas já estão sendo integrada nessas capitais.

As iniciativas têm como referência as Casas de Direitos, espaços onde são desdobradas as ações do Programa Pana, que estão situadas nas sete capitais. As Casas são ambientes para acolhida e garantia de direitos aos migrantes. Nesse sentido, uma equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais, advogados, educadores e psicólogos, atende e acompanha os migrantes.

No site da campanha eumigrante.org é possível verificar as diversas maneiras de ajudar, seja com quantias em dinheiro ou doações de móveis, eletrodomésticos, roupas e calçados em bom estado de uso, bem como produtos de limpeza e de higiene pessoal.  A Campanha #EuMigrante nasce da parceria entre a Cáritas Brasileira, que é uma instituição com mais de 62 anos de história no país, que atua como uma rede solidária, com cerca de 15 mil agentes espalhados por todo o território nacional, com a Signis Brasil Jovem que tem pouco mais de um ano de existência, um novo setor da Associação Católica de Comunicação – Signis Brasil, fundada há 10 anos.

Mais informações:
Osnilda Lima – osnilda@caritas.org.br WhatsApp (61) 98366-1235
Ricardo Alvarenga – ricardo@signisbrasil.org.br WhatsApp (98) 98275-7760
Franklin Machado – franklinecops@gmail.com WhatsApp (48) 99696-4144


Fonte: CNBB

13 janeiro, 2019

"Estou só o restinho"

"Estou só o restinho"
Cheguei e sentei.
Uma senhora sentada no banco atrás tocou meu ambro e disse "tudo bem Lucia".
Simultaneamente um senhora bem idosa, miudinha, rosto de quem ja muito lutou, abraçou-me, então perguntei a  ela: 
Tudo bem com a senhora.
Ela respondeu:
Estou só o restinho.

Essa celebração que iniciará a dez minuto na paroquia São Mateus Apóstolo, que já é rica pelos mistérios que celebramos enriqueceu-se mais, meu coração queima de forma que não consigo explicar...

11 janeiro, 2019

Há dois anos tenho vivido emoções e as complexidades de cuidar de meus pais!


Emoções e Complexidades!

Há dois anos tenho vivido emoções e as complexidades de cuidar de meus pais, principalmente minha mãe.Tem sido uma fase desgastante, triste, complexa e emocionante.

A cada dia um aprendizado de como ser filha de pais envelhecidos e doentes.

Não tem mágica para facilitar a luta comigo mesmo no dia a dia para vencer o cansaço, manter a calma, ser paciente e carinhosa, más não é fácil.

O desafio da contínua necessidade de renunciar muitas vezes a mim mesmo. Não é fácil deixar de fazer o que gosto para dedicar-se a eles.  

A fé e o amor é o que me faz ser capaz de superar os meus limites.  

11 de Janeiro Dia Mundial de Controle da Poluição por Agrotóxicos


Agrotóxico: o envenenamento da Casa Comum

Estamos diante de um cenário socioambiental visivelmente degradado e que se encaminha para um colapso planetário. Isso é o que demonstra as diversas informações, resultantes de inúmeras pesquisas produzidas desde a metade do século passado, que apresentam o futuro pouco promissor que tem sido construído pela humanidade. Atualmente, as alterações ambientais são perceptíveis no cotidiano de todos, é notável, por exemplo, as alterações sofridas, nas últimas décadas, no regime de chuvas ou mesmo nas condições climática, além da redução do número e qualidade de fontes de água potável e na perda da biodiversidade local, entre muitas outras. Perante esta realidade, todos os seres humanos são chamados a assumir, com responsabilidade, os danos que suas atitudes e estilo de vida provocaram no refinado equilíbrio ecossistêmico, e a promover as transformações necessárias para reduzir os impactos e a preservar as relações de vida. Neste processo, os cristãos desempenham um papel fundamental, pois o cuidado e proteção com a casa comum é compreendida como uma missão dada ao ser humano por Deus ao criá-lo, onde "O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden, para que o cultivasse e guardasse" (Gn 2,15), portanto "viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa" (LS 217).


Frente a isso, a Arquidiocese de Maringá, através da ARAS/Caritas, lança luz sobre uma questão de grande impacto socioambiental para a região de sua abrangência, trata-se do altíssimo índice de consumo de Agrotóxico e suas consequências para o equilíbrio e saúde das comunidades locais.


O Brasil, desde o ano de 2008, é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas kg/litros por ano. Entre os anos de 2005 e 2015 o mercado mundial de agrotóxicos teve um incremento de 93% no consumo destes produtos, no Brasil este aumento foi de 190%. O estado do Paraná, desde o ano de 2009, é o terceiro estado que mais utiliza agrotóxicos em sua agricultura. A quantidade utilizada no período de 2012 a 2014 representou uma média anual de 12,21Kg/ha, um consumo 34,9% maior que o apresentado para o estado do Rio Grande do Sul neste período. No ano de 2015 o consumo no Paraná foi de 100.572,8 toneladas, e os municípios pertencentes à Arquidiocese de Maringá consumiram um montante de 5.093,4 toneladas destes produtos, o que correspondeu a um aumento de 27,5% em relação ao ano de 2013. Dos cincos municípios do Estado que apresentaram a maior relação entre o número de estabelecimentos que utilizam agrotóxicos e o total de estabelecimentos do município, dois pertencem a nossa Arquidiocese, sendo: Floresta e Itambé. Dos quinze produtos mais consumidos no Paraná, quatro são proibidos na União Europeia (UE); em 2017, o segundo agrotóxico mais consumido foi o Paraquate, proibido desde 2009 na UE pelo altíssimo risco de contaminação, e por provocar morte devido à necrose dos rins e morte das células dos pulmões.


A média nacional per capta do consumo de agrotóxico por ano é de 7,3 litros, para o estado do Paraná esta média é de 8,7 litros. No ano de 2015, assustadoramente, 9 municípios da Arquidiocese tiveram médias superiores a 30 litros de agrotóxico/pessoa/ano, conforme tabela abaixo:



No Estado do Paraná são notificados em média 830 casos por ano de intoxicação por agrotóxico, entretanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula que para cada 1 casonotificado outros 50 são subnotificados. Entre os anos de 2013 e 2017 foram registrados 450 casos de intoxicação por agrotóxico para a Arquidiocese de Maringá, sendo os municípios com maior incidência: Maringá, Marialva, Jandaia do Sul, Sarandi, Mandaguari, Bom Sucesso e Itambé.

Outro fator alarmante corresponde às causas de óbito, as neoplasias (tumores) ocupam a segunda posição dentre as causas de óbito no Paraná e apresentam taxas crescentes desde a década de 1990, onde 224 municípios do Paraná (56%) evidenciam taxas superiores à média do estado. No ano de 2017 as neoplasias foram a maior causa de morte para os municípios de Doutor Camargo e Floresta, e a segunda maior para Jandaia do Sul, Mandaguaçu, Mandaguari, Marialva, Maringá, Marumbi, Paiçandu, Paranacity e Sarandi. Existem pesquisas científicas que comprovam outros efeitos nocivos causados por agrotóxicos, como a carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva, neurotoxicidade, efeitos de desregulação endócrina e mutagenicidade. O glifosato, agrotóxico mais consumido pelo Paraná, foi classificado como provável cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde.

Assim, consciente da gravidade desta realidade e dos seus impactos para a vida e o bem estar das populações dos municípios que constituem a Arquidiocese de Maringá, bem como do papel que a igreja, de forma profética, deve desempenhar em prol da defesa da vida e do cuidado e preservação da nossa casa comum, propomos duas ações práticas de imediato, sendo elas:


Contribuir ativamente na coleta de Assinaturas em favor do Manifesto em apoio ao Programa Estadual de Redução de Agrotóxicos e a proibição da pulverização aérea por agrotóxicos no estado do Paraná.

Realizar uma Mesa Redonda sobre a temática do uso de agrotóxico, como forma de divulgar e incentivar a discussão, contribuindo para conscientização das comunidades cristãs e da sociedade civil. O evento acontecerá no dia 26 de setembro de 2018 às 20h (local ???)


Você pode cuidar da casa comum!


Contribua com a coleta de Assinaturas e participe da Mesa Redonda sobre o uso dos Agrotóxicos

Denuncie o uso de agrotóxicos e a pulverização aérea que cause danos às moradias, comunidades, criações, culturas, mananciais e recursos de água - ADAPAR (44) 3245-4448; Ministério Público (44) 3226-0484; IAP (44) 3226-3665.

Não realiza capina química em seu terreno urbano ou propriedade rural.
Consuma e produza produtos orgânicos.

Fonte: ARAS/Caritas

10 janeiro, 2019

Depressão


Excelente reflexão do Pe. Genivaldo Ubinge, sobre a decisão estúpida do presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro de sair do Pacto Global para a Migração


Excelente reflexão do Pe. Genivaldo Ubinge, sobre a decisão estúpida do presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro de sair do  Pacto Global para a Migração.  

"Deliberadamente" significa propositalmente, com intenção; pode ser sinônimo de refletidamente, uma tomada de decisão a partir de uma discussão racional. 

Indeliberadamente, significa sugere algo irrefletido, feito de qualquer modo. 

Ai que está, ninguém, nem a ONU nem o Papa, está propondo uma abertura de fronteiras INDELIBERADAMENTE. Mas justamente o contrário disso. Entendendo a migração como um fenômeno global, propõe um pacto, um plano que, DILIBERADAMENTE, ou seja, discutido e assumido pelas Nações como esforço para lidar com os problemas deste fenômeno por viés humanitário.

Por isso, a decisão mais estúpida (ou anti-humanitária) de um governo e sair deste acordo e considerar o fenômeno da migração, isolando-se do mundo.  


Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS



Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS

Ela chega de mansinho, assim como quem não quer nada. Num dia, você acorda triste, desanimado. No outro, bate uma sensação de vazio e uma vontade incontrolável de chorar, sem qualquer motivo aparente. A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido – até mesmo entre os próprios pacientes.

Considerada um transtorno mental afetivo, ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades corriqueiras, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear.  

De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo. Isso significa que quem sofre de depressão tem a sua rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada.

Atualmente, mais de 120 milhões de pessoas sofrem com a depressão no mundo – estima-se que só no Brasil, são 17 milhões. E cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da doença.

Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, sentimento comum a todas as pessoas em algum momento da vida. Brigar com o namorado, repetir o ano escolar e perder o emprego são motivos para deixar alguém triste, cabisbaixo. Isso não significa, porém, que o sujeito está com depressão. Em alguns dias, ele, certamente, vai estar melhor.

O desconhecimento real do funcionamento desse transtorno afetivo é o principal responsável por um dos maiores problemas para quem sofre com a depressão: o preconceito. Para Marcos Pacheco Ferraz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ele ainda existe e prejudica muito o paciente.

– Principalmente no ambiente de trabalho, onde há competições e cobranças por bom desempenho, é comum as pessoas nem comentarem sobre a enfermidade. Nesses casos, o melhor é tirar férias ou licença médica.

E não é só isso. A ignorância em torno da doença faz com que familiares e amigos, na tentativa de ajudar, piorem ainda mais a condição do depressivo.

Frases como “tenha um pouco de força de vontade”, “vamos passear no shopping que melhora”, “você tem uma vida tão boa, tá com depressão por que?” e “se ocupe com outras coisas que você não terá tempo de pensar em bobagens”, funcionam como uma bomba na cabeça de quem já se esforça, diariamente, para conseguir sair da cama.

– Isso mostra que as pessoas não conhecem o transtorno. Achar que é frescura ainda é comum. Elas não imaginam que o paciente não consegue reagir. Não depende de força de vontade.

A designer C.N., 35 anos, que passou por uma depressão severa há alguns anos, sabe bem o que é isso. Mesmo trabalhando em um ambiente com pessoas bastante esclarecidas, ela cansou de ouvir esse tipo de comentário. E os efeitos eram devastadores. Ela conta que “até críticas sobre o meu médico eu ouvi. Uma colega disse que ele não devia ser bom, pois depois de um mês de tratamento eu já deveria estar curada.”

– É incrível o poder que algumas palavras tem sobre o doente. A primeira coisa que as pessoas perguntavam era o motivo da minha depressão, pois eu tinha uma vida tão boa, uma família, filha, um casamento bacana, um emprego legal. O fato de não ter uma explicação para a doença me deixava péssima. Era um sentimento de culpa enorme.

Por isso, Ferraz diz que é muito importante a participação da família no tratamento. Eles precisam saber o que devem e o que não devem fazer em relação ao doente. Para ele, “fazer com que todos entendam o mecanismo do transtorno e como agem os remédios é fundamental para o sucesso do tratamento. Ainda existe o mito de que antidepressivo vicia, o que é um grande engano.”


Fonte do texto: Revista Pazes
Fonte da foto: Google Imagem

Um bom livro e um bom vinho são melhores do que muita gente

Por Karen Curi em Crônicas


Um bom livro e um bom vinho são melhores do que muita gente

Por Karen Curi em Crônicas

Estou ficando velha e a cada dia mais medrosa. Tenho medo de tudo. Do escuro, de espíritos, de barata, de montanha-russa, até de manga com leite — melhor evitar. Não me convide para programações radicais, como descer numa tirolesa ou pular de uma cachoeira. Para quê? Já estou velha para algumas emoções. Quanto mais perto dos 40, mais me convenço de que já vivi o bastante para saber, pelo menos, o que eu não quero fazer.

Hoje eu sei que não preciso mais me agarrar à adrenalina para me sentir viva. Ler um livro, assistir a um filme, encontrar um amigo me fazem melhor do que voar de asa delta, por exemplo. Chega uma época em que não precisamos mais de autoafirmação. Nós nos conhecemos tão bem que já não fazemos a menor questão e o mínimo esforço para agradar aos outros. Não temos mais a necessidade de nos sentir aceitas, da mesma forma que também não aceitamos qualquer um e qualquer programa.

Uma coisa é certa: o nível de exigência aumenta impetuosamente com os anos e isso reflete em todos os aspectos. Para sair de casa, só se a companhia for excepcional. Para entrar num relacionamento, nem se fala. Depois dos 30, nós só namoramos se valer muito a pena. Antes só do que mal amada. Se isso é bom? Claro que sim! Fica quem quer ficar e vai embora quem deve ir.

Deixo a pressa para os jovens que têm fôlego para nadar — não sei por que — contra a maré do amanhã. Os anos me ensinaram, e vão ensinar aos afobados, que a vida não pode ser vivida em apenas um dia, e que não se deve beber todos os drinks em uma noite só. O tempo e a ressaca estão aí para provar que o mundo gira igual para todos, mesmo que tenhamos a impressão de que para nós só existem duas velocidades: câmera lenta ou avanço rápido.

Mas não podemos ter medo de envelhecer. Nós não vamos nos transformar em monjas solitárias, apenas nos tornaremos mais seletivas, mais cautelosas e mais reflexivas. É mais ou menos assim; enquanto, antes, nós nos lançávamos ao mar sem pensar, agora observamos as ondas primeiro, sentimos o vento, e molhamos um pé de cada vez.

Apesar de andar medrosa, confesso que eu não temo amadurecer. Sabe por quê? Porque a maturidade me fez enxergar que eu não tenho o controle de nada e de ninguém, senão de mim mesma. Já não ponho a culpa nos outros e nem carrego culpa que não me pertence. Estou mais leve e, ao mesmo tempo, mais forte. Aprendi a me proteger da dor ao invés de apenas curar meus ferimentos. Entendi que perfeição não existe, nem príncipe encantado, e muito menos a felicidade eterna.

Enfim, a mulher madura não tem medo de ficar sozinha. Tem medo de ficar mal acompanhada! É preferível a solidão fiel do que a companhia traiçoeira. Um bom livro e um bom vinho são melhores do que muita gente…

09 janeiro, 2019

Saiba mais sobre a Aldeia Maracanã, alvo de ataques no Rio

Aliado de Bolsonaro, deputado estadual eleito fez declarações de ódio contra indígenas na última semana.


Você já ouviu falar na Aldeia Maracanã? Localizada na zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, a aldeia urbana foi erguida por indígenas de diferentes etnias, em 2006, no terreno onde era abrigado o antigo Museu do Índio. Muito se falou sobre a aldeia, em 2013, quando o terreno foi alvo de disputa a partir da intenção do governo do estado do Rio de derrubar o prédio para construção do Complexo do Maracanã, que receberia partidas da Copa do Mundo de 2014.

Após o anúncio da medida polêmica, indígenas e inúmeros movimentos populares resistiram. A reação, que gerou diversas ocupações e desocupações do terreno, fez o ex-governador Sérgio Cabral voltar atrás e prometer a implantação de um centro cultural do índio. Mas, quatro anos depois, recheados de escândalos de corrupção no estado, nada foi feito. Os indígenas permanecem no local e aguardam o resultado de um processo judicial para que consigam a posse definitiva do terreno. O julgamento deve acontecer em fevereiro.

O cacique José Urutau é uma das lideranças que segue em resistência. Em 2013, ele chamou a atenção do país ao ficar em cima de uma árvore por pelo menos 26 horas como um dos protesto contra a desocupação da Aldeia Maracanã. O cacique chama atenção para importância da aldeia: único espaço de referência indígena que restou na cidade do Rio de Janeiro.

“Vieram mexer com a nossa espiritualidade, esse local é um patrimônio espiritual para a gente. Aqui viviam os povos Maracanã e Tupinambá, era um grande aldeamento. Nós não viemos até o Maracanã, a cidade que veio até nós. A cidade é um grande cemitério indígena que nos engoliu. Nós aqui não temos estrutura nenhuma, mas seguimos lutando”, explica.

CRIME DE ÓDIO

Nas últimas semanas, populações indígenas vem sofrendo uma série de ataques e ameaças das mais diferentes esferas dos governos. Um dos ataques foi feito pelo deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), o mesmo que destruiu uma placa em homenagem a Marielle Franco em um ato de campanha. Ele afirmou que a Aldeia Maracanã é "lixo urbano" e defendeu que a área seja utilizada com atividades que visem lucro.

“É uma declaração racista e fascista, que representa acima de tudo a incitação ao ódio. Estamos vivendo ataques institucionais nas três esferas de governo: municipal, estadual e federal. Essa fala acirra o ódio que as pessoas que não entendem a questão indígena tem. É no mínimo irresponsável um representante do povo agir dessa maneira”, exclama o cacique.

Para Leif Grünewald, antropólogo e professor visitante do programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a declaração reflete a forma mais perversa de racismo que existe.

“Mostra o total desconhecimento do que é o Brasil e o que são os povos tradicionais. Mais grave ainda é dizer não os considera como gente, isso reforça o caráter fascista desses políticos. Na Alemanha o que aconteceu foi justamente isso: não considerar os judeus humanos foi justificava para todo tipo de atrocidade e violência contra essas pessoas”, explica.

O deputado eleito ainda declarou que, "quem gosta de índio, que vá para a Bolívia, que além de ser comunista ainda é presidida por um índio". Em seguida, autoridades bolivianas também reagiram com indignação às declarações, inclusive o presidente Evo Morales.

"Lamentamos o ressurgimento da ideologia de supremacia racista. Perante a intolerância e a discriminação, nós povos indígenas promovemos o respeito e a integração. Temos os mesmos direitos porque somos filhos da mesma Mãe Terra", escreveu Morales em sua conta de Twitter.

De acordo o advogado da Aldeia Maracanã, Araão Araújo, dois processos estão sendo registrados contra o deputado eleito: um criminal e outro de danos morais. Também estão sendo organizadas ações de apoio, como um abaixo assinado que já tem adesão de diversas organizações internacionais.  

“Ele cometeu crimes gravíssimos com essa declaração. É crime de intolerância, crime de ódio. Enquanto servidor público ele tem a obrigação de promover a dignidade humana, não atacar e promover o ódio”, explica o advogado.

DESMONTE DA FUNAI

O ataque aos indígenas também veio de forma institucional como um dos primeiros atos de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) na Presidência. Na última semana, Bolsonaro assinou uma medida provisória em que autoriza que a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas no país seja feita pelo Ministério da Agricultura, não mais pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O órgão tinha essas como umas de suas principais atividades nos últimos 30 anos.

“Essa medida é uma bomba atômica. Ela legitima e autoriza a violência, que já existe, mas também impede e mobiliza populações de acionarem determinados mecanismos que funcionavam para eles. É golpe cruel e violento demais com populações que sofrem muito. Esse novo contexto vai exigir muita mobilização política dos índios. De qualquer modo, o estrago a curto prazo pode ser enorme”, avalia o antropólogo Leif Grünewald.

A Funai foi criadaem 1967 em substituição ao Serviço de Proteção ao Índio, fundado em 1910.

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A aldeia urbana foi erguida por indígenas de diferentes etnias, em 2006, no bairro Maracanã, na zona Norte do Rio de Janeiro / George Magaraia.

Fonte: Brasil de fato
Mariana Pitasse,9 de Janeiro de 2019  
Edição: Eduardo Miranda  

O que é o Pacto Global para Migração, que Bolsonaro decidiu abandonar?


Antes mesmo da posse do novo governo, o capitão reformado fazia críticas ao documento da ONU

O Pacto Global para Migração, documento internacional debatido no âmbito das Organizações das Nações Unidas (ONU), tem sido alvo recorrente de Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe governamental. Nesta terça-feira (8), o Ministério das Relações Exteriores pediu a diplomatas brasileiros que comunicassem à Organização das Nações Unidas (ONU) que o Brasil saiu do acordo. A informação foi divulgada pela rede de notícias BBC e ainda não foi oficializada pelo Itamaraty.

O Pacto, que começou a ser discutido em 2017, estabeleceu diretrizes para o acolhimento de imigrantes. Os países signatários se comprometem a dar uma resposta coordenada aos fluxos migratórios, a colaborar para que a garantia de direitos humanos não seja atrelada nacionalidades, e a adotar restrições à imigração somente como último recurso.

Estima-se que 258 milhões de pessoas vivam em um país diferente do seu país de nascimento – um aumento de 49% desde 2000 –, de acordo com números divulgados pelas Nações Unidas no mês passado.

Antes mesmo da posse, Ernesto Araújo, agora chanceler, afirmou que o Brasil deixaria o Pacto sob o novo governo. Na ocasião, em 10 de dezembro de 2018, o governo Temer (MDB) e representantes de outros 164 países aderiram ao acordo. Nove dias depois, a Assembleia Geral da ONU se posicionaria favoravelmente aos termos do Pacto por maioria: 152 foram favoráveis ao endosso da instância, 24 não se posicionaram, 12 se abstiveram e 5 foram contrários. 

O último bloco foi formado por Estados Unidos, Hungria, Israel, República Tcheca e Polônia, todos países governador por conservadores. Já empossado, Bolsonaro prometeu ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que a saída brasileira se efetivará. O enfraquecimento simbólico do Pacto interessa ao governo republicano de Donald Trump, que tem como uma das propostas a construção de um muro na fronteira com o México. 

O novo governo brasileiro argumenta que o Pacto violaria a soberania nacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, rebateu o argumento, utilizado por diversos países contrários ao Pacto, afirmando que o documento não permite que as Nações Unidas imponham políticas ou sanções aos países signatários. 

Catia Kim, advogada e integrante do Projeto Migrantes Egressas do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), explicou ao Brasil de Fatopontos polêmicos em relação ao Pacto. O primeiro deles é que, formalmente, o documento não tem status de tratado internacional, portanto, não gera obrigações para o país no direito internacional e tampouco integra o ordenamento jurídico nacional. 

“O pacto é uma carta de princípios, não tem um caráter vinculativo, como outros tipos de documentos, como tratado internacional. Ele não cria novos direitos, isso é muito importante destacar”, diz.

O objetivo do documento, segundo ela, é o de estabelecer “diretrizes e objetivos para políticas públicas locais para concretizar tratados que já existem”, tendo dois grandes eixos: o compartilhamento de informações e dados entre os países – incluindo para casos de tráfico de pessoas – e o aproveitamento do potencial social e econômico da migração para o desenvolvimento. 

Como não há obrigações formais, também não há sanções. Entretanto, Kim alerta que a saída brasileira pode gerar “desconforto diplomático” e reações no campo da política internacional que podem afetar os interesses brasileiros nas relações exteriores. 

“Abandonando, nós podemos, por exemplo, ter dificuldades para a vinda de mão de obra especializada de outros países [um dos temas do Pacto]. Se isso se tornar uma questão diplomática complexa, com parte dos países signatários pressionando para que o Brasil se mantenha, pode ser que haja eventuais problemas para brasileiros em outros países”, conjectura. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as posições do governo Bolsonaro sobre o Acordo Climático de Paris, também criticado pelo novo governo, poderiam inviabilizar um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. 

Antes de tomar posse, o capitão reformado do Exército utilizou a França como suposto exemplo negativo do impacto da imigração. A mensagem foi rebatida pelo embaixador Francês nos EUA, o que pode indicar que a relação diplomática com o país europeu pode ser tensionada pelas opções de Bolsonaro e sua diplomacia.

Fonte: Brasil de Fato
Rafael Tatemoto ,8 de Janeiro de 2019 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira  

Em nota CIMI aponta medidas inconstitucionais do governo Bolsonaro sobre direitos indígenas



O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou no último dia 4 de janeiro uma nota na qual repudia as medidas que pretendem gestar o país a partir de propósitos que visam desqualificar os direitos individuais e coletivos de comunidades e povos tradicionais, atacar lideranças que lutam por direitos, ameaçar e criminalizar defensores e defensoras do meio ambiente, indigenistas, entidades e organizações da sociedade civil. Conheça, abaixo, a íntegra do documento.

O presidente da República Jair Bolsonaro, minutos depois de sua posse, em 01 de janeiro de 2019, editou a Medida Provisória 870/2019. A MP tem a finalidade de estabelecer a estrutura do governo, os objetivos e funções de seus ministérios e órgãos e as medidas a serem adotadas pela administração pública federal.

Dentre as medidas está a transferência da Fundação Nacional do Índio (Funai), que até então encontrava-se no Ministério da Justiça (MJ), para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Concomitante a isso, retirou da Funai as suas principais atribuições, de proceder aos estudos de identificação e delimitação de terras, promover a fiscalização e proteção das áreas demarcadas, bem como aquelas onde habitam povos que ainda não estabeleceram contato com a sociedade nacional.

O governo, além de esvaziar as funções legais do órgão de assistência aos povos e comunidades indígenas, transferiu para o Ministério da Agricultura, comandado por fazendeiros que fazem oposição aos direitos dos povos, a atribuição de realizar os estudos de identificação, delimitação, demarcação e registro de áreas requeridas pelos povos indígenas. Em suma, o governo decretou, em seu primeiro ato no poder, o aniquilamento dos direitos assegurados nos artigos 231 e 232 da Constituição Federal, carta magna do país. Bolsonaro atacou severamente os povos indígenas, seus direitos fundamentais a terra, a diferença, o de serem sujeitos de direitos e suas perspectivas de futuro.

Entregar a demarcação de terras indígenas e quilombolas aos ruralistas – transferindo tal responsabilidade da Funai e do Incra ao Ministério da Agricultura – o governo desrespeita as leis e normas infraconstitucionais, bem como afronta a Constituição Federal. Fere, de pronto, o Art. 6º da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – sobre povos indígenas e tribais, promulgada pelo Decreto n 5051, de 19 de abril de 2004, bem como afronta o Art. 1º do Decreto 1775/1996, Art. 19 da Lei 6001/1973 e os Arts. 1º e 4º do Decreto nº 9010/2017. A medida fere ainda os direitos culturais dos Povos Indígenas com fundamento no Art. 129, inciso V, da Constituição Federal.

O Conselho Indigenista Missionário vem a público repudiar tais medidas e denuncia-las como sendo componente de um conluio articulado pela bancada ruralista, empresários da mineração e da exploração madeireira com o objetivo desencadear um intenso processo de esbulho das áreas demarcadas, entregá-las a empreendimentos da iniciativa privada do país e do exterior e, além disso, inviabilizar novas demarcações de terras tradicionais.

No entender do Cimi, o governo recém-empossado pretende gestar o país a partir de propósitos que visam desqualificar os direitos individuais e coletivos de comunidades e povos tradicionais, atacar lideranças que lutam por direitos, ameaçar e criminalizar defensores e defensoras do meio ambiente, indigenistas, entidades e organizações da sociedade civil, ou seja, todos aqueles que se colocarem contra o projeto de exploração indiscriminada das terras e dos recursos nelas existentes. Não é à toa que a mesma medida provisória, determina que uma Secretaria de Governo, chefiada por um militar, faça o monitoramento de atividades e ações de organismos internacionais e organizações não governamentais no território nacional.

Nos discursos de posse do presidente e de seus ministros houve a sinalização de que o governo agirá de modo autoritário, haja vista afirmações de que não se pretende ouvir propostas que não as dos segmentos políticos e econômicos que o governo defende. Os pronunciamentos do ministro-chefe da Casa Civil dão sinais de que teremos um governo sectário, que atuará sem ouvir a sociedade civil organizada.

O Cimi confia que os Poderes Legislativo e Judiciário, quando forem chamados a avaliar e a se manifestar acerca do que está sendo deliberado e proposto, agirão com imparcialidade, prudência e sobriedade para desfazer todas proposições consideradas ilegais, tais como o deslocamento da competência da demarcação de terras da Funai para o Ministério da Agricultura e a ausência de consulta livre, prévia e informada aos povos e comunidades originárias e tradicionais estabelecidas pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ratificada pelo Estado Brasileiro, portanto aceita e incorporada ao ordenamento Jurídico do país.

Acreditamos que, a partir do protagonismo dos povos indígenas, das demais comunidades e grupos sociais afetados pelas medidas arbitrárias do governo Bolsonaro, serão desencadeadas intensas articulações, campanhas e mobilizações – no país e no exterior – com o objetivo de chamar a atenção de organismos e sociedades para a desastrosa política posta em prática no Brasil, conclamando a todos a se manifestarem junto às autoridades, na perspectiva de que a Medida Provisória 870/2019 seja rejeitada pelo Congresso Nacional assegurando então que os direitos individuais e coletivos tornem-se prioritários frente aos interesses políticos e econômicos corporativos.

Brasília, 04 de janeiro de 2019

Conselho Indigenista Missionário