28 outubro, 2026

Flávio Bolsonaro investigado por corrupção e lavagem de dinheiro


Flávio Bolsonaro logo depois de perder a eleição para Lula em uma virada histórica, em um jatinho particular, fez uma rota obscura e acaba de pousar nos Estados Unidos, descumprindo a ordem do STF de entregar o passaporte e não deixar o país.

O Senador Flávio, fugiu do Brasil para escapar da Justiça e o governo Trump confirmou que irá conceder vistos a ele e sua família. Se Flávio conseguir asilo, ele pode nunca mais responder pelos crimes dos quais é investigado.

Um investigado por corrupção e lavagem de dinheiro não pode ganhar um passe livre para escapar de responder à Justiça brasileira.

Atualmente, ele é investigado por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse no caso do Banco Master e por possível lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas. 

26 outubro, 2026

#Lula fala pela 1ª vez após vitória

#Lula fala pela 1ª vez após vitória: ‘Vamos mudar o jeito de governar, vamos fazer o povo participar mais’



Presidente também criticou big techs, associou Flávio Bolsonaro a milícias e que vai governar com Congresso.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 25-10-2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez após a vitória eleitoral deste domingo (25). O petista prometeu “mudar o jeito de governar este país”.

“Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, disse.

Ao comentar o processo eleitoral, Lula criticou a atuação das grandes plataformas digitais, as big techs, e afirmou que seu governo deverá avançar na regulamentação dessas empresas. Segundo ele, a campanha foi marcada por tentativas de interferência externa no resultado das eleições.

“Nessa eleição, a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regular”, afirmou. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando bilhões e não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.

O petista também fez críticas ao adversário derrotado, Flávio Bolsonaro, a quem associou ao “milicianismo”, e classificou o resultado eleitoral como uma derrota do negacionismo e da desinformação.

“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira, e eu confesso a vocês que, cada vez que ia ao debate, eu ficava constrangido, porque eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com BRICS, G20, G7, discuto os principais assuntos do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país”, disse Lula.

‘Moral da tropa’

O presidente agradeceu especialmente à juventude, aos idosos e aos militantes que participaram da campanha. Também destacou o papel do deputado federal André Janones (Rede-MG) na mobilização digital de seus apoiadores durante o segundo turno.

“Quero agradecer a esse companheiro Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar o moral da nossa tropa”, afirmou.


Lula também elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que seguirá ao seu lado no próximo mandato. “Feliz o presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade que eu tenho no Alckmin”, disse.

Saúde e educação

Entre as prioridades anunciadas para o próximo governo, Lula destacou a ampliação das políticas de cuidado com a população idosa, a valorização das mulheres, a educação pública e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Tenho que governar para 215 milhões, para todas as idades, mas, no próximo mandato, eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os velhinhos”, afirmou.

Na educação, o presidente prometeu ampliar o ensino em tempo integral e criar uma versão universitária do programa Pé-de-Meia. Também defendeu investimentos na formação científica e tecnológica para reduzir a dependência brasileira de tecnologias estrangeiras.

“Nós queremos universalizar a escola de tempo integral no ensino médio, vamos criar o Pé-de-Meia universitário para que nenhum jovem ou menina desista de estudar porque tem que trabalhar”, declarou.

“Vamos ensinar mais matemática e engenharia porque eu não quero depender de IA americana ou chinesa, quero criar uma brasileira”, acrescentou.

O presidente também comentou a composição do Congresso Nacional e rejeitou a avaliação de que enfrentará dificuldades para governar em razão do perfil conservador dos parlamentares eleitos.

“Já tem gente falando que eu vou ter muita dificuldade para governar porque está muito conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar para aprovar as coisas”, afirmou.

Lula disse ainda que pretende realizar reuniões com representantes de diferentes setores da sociedade antes do início do novo mandato, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres.

“Tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, com os educadores, com os cientistas, com as mulheres”, declarou.


Fonte do texto: IHU

#Uma eleição histórica - Lula reeleito: o povo nas urnas e a força da mobilização coletiva!


#Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República em 25 de outubro de 2026, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), no segundo turno, para exercer seu quarto mandato presidencial, conquistando um inédito tetra, para o mandato de 2027 a 2030.

Conforme informado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lula obteve 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.

Esses números nos convidam a refletir sobre a importância da mobilização popular. Quando o povo se movimenta, dialoga, participa e acredita na força da ação coletiva, a democracia ganha vida.

A mobilização não termina nas urnas! É preciso continuar acompanhando, cobrando e participando das decisões que afetam a vida do povo. Afinal, sonhar coletivamente é também construir, em conjunto, caminhos para um Brasil mais justo, fraterno e solidário.

A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08


A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97% das urnas estavam apuradas. O presidente foi reeleito com 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro (PL). Lula é o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito pela quarta vez pelo voto popular.

A campanha no segundo turno foi marcada por uma grande mobilização dos apoiadores do presidente Lula, garantindo uma virada inédita na história do país.

Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno à frente de Lula. Desde 1989, todos os candidatos à presidência que saltaram na frente não perderam a eleição. Essa é a primeira vez que o presidenciável que largou atrás vira e vence a eleição.


25 outubro, 2026

#Lula é Tetra juntamente com a Força do Povo!


Luiz Inácio Lula da Silva, um dos maiores líderes populares do mundo e figura central da história contemporânea do Brasil. Da infância pobre no sertão de Pernambuco, dos tempos de greves no ABC ao quarto mandato como presidente da República, a trajetória do ex-metalúrgico simboliza a força da luta coletiva e o poder de transformação social que nasce do povo, símbolo da luta e da esperança do povo brasileiro.

A força do povo nas ruas é uma demonstração de que a democracia se constrói com participação popular e luta coletiva. Foi contagiante ver milhares e milhões por todo o nosso Brasil. Movimentos populares e sociais têm o poder de derrubar ditadores.

A participação popular nas ruas é fundamental para fortalecer a cidadania e a democracia em uma sociedade, pois quando as pessoas se unem e se manifestam publicamente em defesa de seus direitos e valores, em defesa da democracia estão exercendo sua voz e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A extrema direita e os grupos econômicos ligados ao grande capital sentiram o que é a força do povo. Força das trabalhadoras e trabalhadores, força dos estudantes, força da juventude, mulheres e homens de todas as idades.


• Mandatos anteriores: Lula foi eleito em 2002, reeleito em 2006 (completando dois mandatos consecutivos) e venceu novamente a eleição de 2022, cumprindo o seu terceiro mandato.

• Contexto de 2026: conquistou feito inédito na história política brasileira de conquistar quatro mandato presidencial por voto popular.







Eleições 2026 - Prorrogação do horário de votação

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou neste domingo (25/out/2026) a prorrogação do horário de votação do 2º turno das eleições até as 19h, pelo horário de Brasília, em todo o Brasil. 

A decisão foi tomada depois de um relato sobre a oferta insuficiente de transporte público em 3 municípios da Bahia.

#Eleições 2026 - Restrições na circulação do transporte coletivo em diversas cidades do país.



BANDITISMO


Denúncias de redução ou falta de ônibus em diferentes cidades brasileiras, o que levou a pedidos de prorrogação do horário de votação.

Cidades com relatos de problemas no transporte

De acordo com as notícias publicadas durante o dia, os principais locais citados foram:

- São Paulo (SP): denúncias de circulação de uma frota de ônibus inferior à prevista.

- Salvador (BA): ônibus retidos nas garagens e determinação da Justiça Eleitoral para recompor a frota.

- Feira de Santana (BA): relatos de redução do transporte coletivo.

- Lauro de Freitas (BA): também citada nos pedidos de ampliação do horário de votação.

- Recife (PE), Teresina (PI), João Pessoa (PB) e Maceió (AL): mencionadas em declarações sobre dificuldades no transporte.

- Sergipe: houve denúncias de insuficiência de ônibus em municípios do estado.

- Petrópolis (RJ): também foi citada em relatos sobre problemas no transporte.

Esses relatos não significam que todas essas cidades tenham tido a frota inteira reduzida ou que a responsabilidade tenha sido oficialmente confirmada em todos os casos

Como é bom sonhar em coletividade!

 

Como é bom sonhar em coletividade!

Neste dia eleitoral, logo depois de votar, ao ver as multidões nas ruas, um pensamento me veio ao coração: como é bom sonhar em coletividade!

Há algo de muito significativo quando tantas pessoas se movimentam, se encontram e carregam consigo sonhos, esperanças e expectativas. Cada pessoa tem sua história, suas razões e suas escolhas, mas a vida em sociedade nos convida a olhar para além de nós mesmas e nós mesmos.

Independentemente do resultado das urnas, fica uma certeza: é preciso que as mobilizações continuem em compromisso coletivo para todos os dias.

A democracia não se esgota no voto. Ela se fortalece quando participamos, dialogamos, respeitamos as diferenças, defendemos direitos e nos comprometemos com a vida de todas e todos, especialmente de quem mais precisa.

Sonhar em coletividade é acreditar que ninguém constrói uma sociedade sozinha ou sozinho. É compreender que os sonhos ganham força quando se tornam compromisso, organização e ação compartilhada.

Na caminhada do povo de Deus, essa esperança também nos provoca: que nossos sonhos não sejam apenas desejos individuais, mas sementes de fraternidade, justiça, paz e vida digna para todas as pessoas.

Como é bom sonhar em coletividade! Mas é ainda mais bonito quando, juntos, transformamos nossos sonhos em caminhos de esperança e ações concretas de transformação.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

O fascismo não


 

Eleições 2026 - Multidões nas ruas das capitais brasileiras







23 outubro, 2026

Olha Virada!


Bispos católicos afirmam que Flávio Bolsonaro representa ameaça à democracia


 

Eleições 2026 - Votar é assumir uma responsabilidade coletiva


 

Estaremos nas ruas

Olá! O que escrever que todo mundo já não saiba?

O que está em jogo neste segundo turno é muito mais do que o resultado das eleições ou dos próximos quatro anos. O que realmente está sendo decidido é em que tipo de país viveremos nas próximas décadas e o lugar que o Brasil vai ocupar no mapa da geopolítica global.

Um hipotético governo Flávio Bolsonaro não teria nada de moderação e os contra-freios institucionais dificilmente garantiriam os direitos democráticos. Pelo contrário, seguindo a lógica de que o pior Congresso brasileiro é sempre o próximo, vamos ter duas casas com maiorias de extrema-direita e um STF convulsionado e com ministros ávidos por fazer acordos que salvem o próprio pescoço. Também é óbvio que será mais um governo submisso à Donald Trump e que, portanto, minerais críticos, petróleo e tudo o que os Estados Unidos demandarem, incluindo os nossos dados desejados pelas big techs, serão entregues.

Todos nós já conhecemos também o programa econômico dos Bolsonaros, sem reajustes salariais, com congelamento das aposentadorias e cortes de direitos trabalhistas e sociais. Sem contar os retrocessos na política ambiental, cultural e civilizatória, incluindo ataques aos direitos das crianças e adolescentes, indígenas, mulheres, população negra e LGBTQIA+ tão odiados pelos Bolsonaros e seus aliados. Podemos ter dúvida sobre quando Vorcaro e Jair serão libertados, mas não o quanto é temeroso entregar a Presidência da República a alguém que acumula dezenas de suspeitas e investigações.

Por outro lado, se Lula ganhar, a vida também não promete ser fácil. Teremos que enfrentar com unhas e dentes um Congresso ávido por retirar direitos e emparedar o governo. Mas seguiremos tendo o direito de lutar e sonhar com dias melhores.

Portanto, se você está lendo isso antes de domingo (25/10), as próximas horas serão decisivas. Cada ação e cada voto contam e o diálogo nunca foi uma arma tão importante, seja ele com ex-bolsonaristas, conservadores, eleitores de direita, indecisos, pessoas que não foram votar, etc.

Seja como for, saiba que você participou de uma das eleições mais desiguais da história do Brasil. O comportamento da Meta e de outras big techs fez o debate de 1989 parecer coisa de criança. Assim como o comportamento militante do TSE, a coerção dos patrões e muitas outras irregularidades já conhecidas ou que ainda virão à tona.

Se você estiver lendo isso no futuro, esperamos que esteja sorrindo. Porque foi também uma eleição em que milhões de cidadãos comuns sentiram-se como soldados de um exército que defende o direito ao futuro. Uma eleição em que a juventude, junto com milhões de trabalhadores, ocupou as ruas e protagonizou manifestações que são e serão fundamentais para garantir conquistas ou evitar retrocessos.

As análises e reflexões voltam na próxima semana.


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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

22 outubro, 2026

Eleições 2026: Deus Ouve os Clamores do Povo. E Nós?


Eleições 2026: Deus Ouve os Clamores do Povo. E Nós?

Que sociedade estamos construindo e quem se beneficia das decisões políticas?

Ao nos aproximarmos das eleições, somos convidadas e convidados a refletir não apenas sobre quem merece nosso voto, mas sobre qual projeto de sociedade queremos construir.

A realidade brasileira é marcada por profundas diferenças econômicas. A população trabalhadora — assalariadas e assalariados, trabalhadoras domésticas, profissionais autônomos, trabalhadoras e trabalhadores rurais, pequenos comerciantes e tantas outras pessoas — sustenta a sociedade com seu trabalho. Mesmo assim, muitas pessoas enfrentam dificuldades para garantir alimentação, moradia, transporte e outras necessidades básicas.

As famílias de baixa renda convivem com maiores dificuldades e, muitas vezes, dependem de políticas públicas e serviços sociais para assegurar direitos essenciais. A classe média, embora tenha maior poder de consumo, também pode depender do salário mensal e enfrentar insegurança financeira. Já a população rica e muito rica concentra rendimentos elevados e, em muitos casos, patrimônios, empresas e investimentos.

Essas diferenças não determinam como cada pessoa pensa ou vota, mas nos ajudam a compreender que as decisões políticas e econômicas afetam de maneiras diferentes os diversos grupos sociais.

E o nosso voto, considera essa realidade?

Se você tem uma microempresa ou uma empresa de pequeno ou médio porte, no comércio, na indústria ou nos serviços, pergunte-se: a que grupo pertence a maior parte de sua clientela? À população trabalhadora, à população de baixa renda, à classe média ou à população rica e muito rica?

Entre os planos de governo, qual apresenta melhores condições para que seus clientes tenham poder aquisitivo e possam consumir seus produtos e serviços?

E você, trabalhadora ou trabalhador, que depende do emprego para sustentar sua família: qual projeto de governo oferece melhores perspectivas para a continuidade da empresa em que trabalha, a manutenção dos empregos e a valorização do trabalho?

A economia está interligada. Quando há trabalho e renda, as pessoas consomem, o comércio se movimenta e as empresas podem crescer. Quando faltam emprego e poder aquisitivo, toda essa dinâmica é afetada.

Por isso, precisamos olhar além dos discursos e das preferências pessoais. É necessário comparar propostas e perguntar: quais delas enfrentam a fome e a pobreza, fortalecem a saúde e a educação públicas, promovem trabalho digno, reduzem desigualdades e respeitam a democracia e os direitos humanos?

Deus viu, ouviu e conheceu os clamores do seu povo

No livro do Êxodo, Deus diz a Moisés:

“Eu vi, eu vi a miséria do meu povo [...] Ouvi o seu clamor [...] conheço as suas angústias.” (Êxodo 3,7)

Deus não permanece indiferente ao sofrimento do povo. Ele vê, ouve, conhece suas necessidades e chama Moisés para participar do processo de libertação.

Essa passagem nos provoca a olhar para o Brasil de hoje. O que temos visto e ouvido? Quais são os clamores que vêm das ruas, das comunidades, dos locais de trabalho e das famílias? O que nos dizem as pessoas que enfrentam o desemprego, a fome, a falta de moradia e as dificuldades para ter acesso aos serviços essenciais?

Diante desses clamores, não basta ouvir os discursos eleitorais. Precisamos examinar as propostas e as práticas de quem pretende governar e perguntar a quem elas beneficiam?

Jesus também nos ensina que o compromisso com as pessoas mais necessitadas está diretamente ligado à nossa relação com Ele (Mateus 25,31-46). Como cristãs e cristãos, não podemos separar a fé das escolhas que afetam a vida do povo.

Votar é assumir uma responsabilidade coletiva

Assim como Moisés foi chamado a participar da libertação do povo, cada cidadã e cada cidadão tem a responsabilidade de contribuir para a construção da sociedade.

Neste segundo turno, somos convidadas e convidados a avaliar os projetos de governo e suas consequências para a vida da população. Qual deles apresenta propostas mais consistentes para garantir direitos, enfrentar as desigualdades, promover trabalho digno e responder aos clamores do povo?

Não se trata de acreditar cegamente em promessas, mas de analisar, comparar e escolher com consciência, responsabilidade e compromisso com o bem comum.

O Evangelho não nos oferece uma lista de candidatos, mas nos apresenta critérios para discernir nossas escolhas.

Se acreditamos em um Deus que vê, ouve e conhece os clamores do seu povo, precisamos também perguntar a nós mesmas e a nós mesmos: estamos vendo? Estamos ouvindo? Estamos comprometidas e comprometidos com a transformação dessa realidade?

Que sociedade estamos construindo? Quem se beneficia das decisões políticas? E que lugar ocupam, em nossas escolhas, as pessoas que mais precisam?

Que nosso voto seja expressão de uma fé comprometida com a vida, a justiça, a fraternidade e a esperança, para que todas as pessoas tenham vida, e vida em abundância (João 10,10).

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

21 outubro, 2026

Movimento Vovó Vota defende consciência cidadã contra abstenção

Brasil tem cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos

A quebradeira de coco Maria Alaídes participa do movimento Voto 70+ - Maria Alaídes Alvas de Souza/ Arquivo pessoal

Na paisagem rural da comunidade maranhense de Ludovico, cidade de Lago do Junco a 300 quilômetros de São Luís, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, caminhou 600 metros para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

Para conscientizar outras idosas sobre a importância de votar, no entanto, ela percorre distâncias bem maiores. Na prática, ela faz uma busca ativa para que outras trabalhadoras e avós, como ela, não deixem de exercer o direito ao voto.

O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, o que corresponde a 10,6% dos eleitores. Essa população tem voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988 e histórico de alta abstenção.

Na comunidade em que Maria Alaídes vive, são 150 famílias, mas ela se preocupa com outras cinco comunidades da região: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.

“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.

Como liderança de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela defende que é pela participação popular que se conquistam direitos e políticas públicas.

“O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”.

Entre as prioridades dela está o enfrentamento das mudanças climáticas, que impactam diretamente as atividades das quebradeiras.

A estimativa é de que existam mais de 300 mil trabalhadoras nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Participação popular

Mulheres entusiasmadas com as eleições como Maria Alaídes, mesmo em uma faixa etária em que o voto não é obrigatório, fazem jus à histórica luta pelo sufrágio feminino.

A abstenção de pessoas com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo levantamento do Movimento Voto 70+.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.

No intuito de que essa abstenção caia ainda mais no próximo domingo (25), o movimento apartidário promove a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições.

Uma das mensagens é que, mesmo que a pessoa não tenha votado no primeiro turno, pode participar no segundo, sem nenhuma restrição.


Maria Albino Costa não votou no primeiro turno, mas vai comparecer às urnas no próximo domingo (25) - Maria Albino Costa/ Arquivo Pessoal

Agora, eu vou

Na cidade de Orizona, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque achou difícil ir às urnas com tantos números para anotar ou lembrar. No último dia 4, o eleitor escolheu deputados, senadores, governadores e presidente.

“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”

A aposentada já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica, e diz que não gosta de faltar na eleição porque passou muito tempo sem votar durante a ditadura (1964-1985). Ela também quer ser exemplo para os sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.

A filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família a cursar o ensino superior, e conta que sente muito orgulho da trajetória da mãe. Tanto que costuma citá-la em suas aulas na área rural e na região urbana onde já ouviu manifestações machistas de alunos contra o voto feminino:

“Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço”.

A professora aposentada Maria José Cantarelli já baixou o e-título - Maria José/ Arquivo Pessoal

Tive medo

A professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, que mora em Olinda (PE), também não votou no primeiro turno. Aliás, há 12 anos deixou de participar das eleições.

No entanto, ela conversou em casa com os filhos e com a neta, e chegou à conclusão de que o momento exige abrir uma exceção. Ela se ressente do clima de acirramento emocional nas ruas.


“Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”, lembra.

Ela guardou o título eleitoral no armário e não encontrou mais. No entanto, já baixou o aplicativo e-título para votar no dia 25.

Maria José disse que guardou, durante toda a vida, os comprovantes eleitorais e que vai voltar a tê-los na carteira. A neta, que também é Maria, tem 19 anos e ficou feliz com a decisão da avó.
Voto por direitos

Inspirações para essas avós não faltam, como na casa de Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, que hoje mora na cidade maranhense de Nova Iorque (a 560 quilômetros de São Luís-MA).

Ela diz que o direito à cidadania possibilitou que ela lutasse para que os 10 filhos frequentassem a escola.

“Eu sempre dizia ao meu esposo que eles iam estudar. Eu não estudei porque não tive oportunidade. Mas meus filhos, sim. Por isso é muito importante votar”.

Ela espera que a eleição garanta representantes que não deixem faltar remédio ou alimentos para crianças ou idosos.
Dificuldades

No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, espera que não passe pela dor de cabeça que teve no primeiro turno, quando enfrentou filas longas: “demorou um tempo para começarem a chamar os mais idosos”.

Também não foi fácil para a aposentada paulista Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo. Ela precisou subir escadas em seu local de votação.

Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que pessoas idosas tenham atendimento prioritário nos locais de votação, sem necessidade de aguardar na fila comum.

Além disso, devem ser garantidas medidas de acessibilidade que assegurem autonomia e segurança durante o processo de votação.

Beatriz contou com a ajuda do filho para chegar à sala de aula e à urna. Para escolher seus candidatos, levou em conta a postura em relação aos temas de saúde e educação.

"Não adianta ser eleito e ficar sentado lá. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população".


Suely Mendonça tem orgulho em participar das eleições - Fernando Frazão/Agência Brasil

Memórias

No dia 25, as pessoas idosas também levarão a memória da importância de votar. Inclusive porque não puderam escolher o presidente por mais de duas décadas.

A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, diz que se emociona ao caminhar até a seção de votação:

“É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.

Ela recorda que os professores não podiam mencionar as letras de música e que os filmes e as peças de teatro eram censuradas.

“Eu participei das Diretas Já, o pontapé inicial da redemocratização. Eu nunca associei meu voto a um partido. Eu escolhia o candidato pelos compromissos assumidos com a gente e os que tinha lutado contra o regime ditatorial”.

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Fonte: AgênciaBrasil

Luiz Cláudio Ferreira, Luciano Nascimento, Guilherme Jerônimo e Ana Cristina Campos
Publicado em 21/10/2026 - 10:54
Brasília

Mateus 13,13


Com salário de senador, Flávio Bolsonaro levaria ao menos 15 anos para pagar a mansão

Com salário de senador, Flávio Bolsonaro levaria ao menos 15 anos para pagar mansão de R$ 6 milhões citada por Lula em debate da Band.

A mansão do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Brasília foi um dos assuntos abordados no debate da Band deste domingo (18). Ao comparar o próprio patrimônio ao do adversário, o presidente Lula (PT) questionou a origem dos recursos usados na compra do imóvel. “Esse cidadão, que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de R$ 10 milhões.”

O tema surgiu com uma pergunta do petista. “Mas me explica como é que você comprou uma casa de R$ 10 milhões com salário de senador?”. Flávio Bolsonaro respondeu que comprou o imóvel “com trabalho”.

Lula, então, usou a própria situação como parâmetro. “Eu sou presidente há 12 anos e tenho um apartamento de 190 m² de R$ 1,5 milhão”, afirmou. Na mesma fala, Lula relacionou a compra da mansão do adversário ao BRB, banco investigado no caso Master.

O imóvel, no Lago Sul, bairro nobre da capital federal, custou R$ 5,97 milhões, um pouco abaixo do valor mencionado por Lula. Uma simulação feita pelo Brasil de Fato com base no Portal da Transparência do Senado mostra que, se dependesse apenas do salário de senador, Flávio Bolsonaro levaria cerca de 15 anos para pagar a casa se guardasse cada centavo do que recebe. O cálculo desconsidera juros, despesas pessoais e outras fontes de renda.

Segundo os dados de remuneração do candidato à presidência, ele recebeu cerca de R$ 2,9 milhões líquidos em salários e subsídios entre fevereiro de 2019, ao completar o primeiro mês de mandato no Senado, e setembro de 2026. Em 92 meses, isso representa uma média de cerca de R$ 31,6 mil por mês. O valor da mansão equivale a mais que o dobro de tudo o que ele teria recebido como senador em quase oito anos. O último salário líquido recebido por Flávio Bolsonaro foi de R$ 35.187,20.

O imóvel foi comprado em 2021. Na ocasião, o senador e a esposa, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, deram uma entrada de R$ 2,87 milhões, valor que corresponde a cerca de sete anos e meio do salário líquido médio de Flávio Bolsonaro no Senado. O restante, R$ 3,1 milhões, foi financiado no Banco de Brasília (BRB) em 360 parcelas, com prazo de 30 anos. A dívida, porém, foi quitada em 2024, três anos depois da compra. O valor financiado equivale a pouco mais de oito anos de salário líquido do parlamentar.

Investigação da PF

A Polícia Federal (PF) investiga as condições do financiamento. A apuração foi revelada pelo jornal O Globo e é um dos focos do inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a relação do Banco Master com o BRB.

De acordo com as reportagens, o contrato previa juros de 3,71% ao ano, abaixo da média de cerca de 4,85% praticada pelo próprio BRB naquele período. As supostas irregularidades foram apontadas por uma auditoria independente que o banco contratou depois da mudança em sua diretoria, e o relatório foi entregue à PF em fevereiro. Quando o contrato foi assinado, o BRB era presidido por Paulo Henrique Costa, preso neste ano no âmbito da Compliance Zero.

O financiamento já havia sido questionado na Justiça em 2024, em ação popular movida pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF). Ela sustentava que o empréstimo foi concedido em desacordo com as regras internas do banco e que a renda informada pelo casal não seria suficiente para a operação.

Quando a compra veio a público, em 2021, Flávio Bolsonaro declarou renda mensal de R$ 56 mil, vinda do salário no Senado e de outras fontes, e afirmou ter capacidade financeira para arcar com o financiamento. Em vídeo divulgado à época, disse que a transação era legal e resultado da venda do imóvel onde morava e da participação em uma loja de chocolates.

Após a quitação, em 2024, o senador afirmou em nota à imprensa que, além da atividade parlamentar, é “empresário e advogado” e que seus recursos são lícitos e “fruto do suor de meu trabalho”. Questionada naquela ocasião sobre quais seriam os clientes e as atividades empresariais do parlamentar, a assessoria não respondeu. Em novembro de 2024, o jornal O Globo identificou ao menos dez ações em que Flávio Bolsonaro atua como advogado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sobre a investigação da PF, a defesa do senador afirmou que a regularidade do empréstimo “já foi atestada judicialmente, com decisão transitada em julgado”. Segundo a nota, a Justiça concluiu que a operação “não trouxe risco ou prejuízo ao banco”, tratando-se de “operação legal, corriqueira e que já foi integralmente quitada”.

Patrimônio declarado

A mansão também puxou o crescimento do patrimônio que Flávio Bolsonaro declara à Justiça Eleitoral. Em 2026, ao registrar a candidatura à Presidência, ele declarou R$ 8.186.555,83 em bens, um aumento de R$ 6.444.797,68 em relação a 2018, quando informou R$ 1.741.758,15 ao concorrer ao Senado.

Além da mansão, avaliada em R$ 6,2 milhões na declaração, o senador informou R$ 1 milhão em um fundo de investimentos, R$ 568,7 mil em conta bancária, R$ 103,7 mil em poupança e um automóvel de R$ 133 mil.


Proposta de Flávio Bolsonaro desfigura o Bolsa Família e pode aumentar a miséria


A assessora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, disse nesta segunda-feira (19) que haverá uma regra de transição limitada de até dois anos para que os beneficiários do Programa Bolsa Família encontrem emprego ou abram o próprio negócio, caso o candidato de extrema direita seja eleito presidente. Nessa data, seria preciso provar que conseguiu um emprego ou abriu um negócio.

Marques, entretanto, não esclareceu de que forma esse prazo seria contado. Também não detalhou quais seriam os critérios para desligamento e retorno ao programa. Mais tarde, após a repercussão negativa, Marques foi às redes sociais e tentou amenizar, dizendo que a proposta não significaria uma exclusão dos beneficiários.

Atualmente, o principal critério para o recebimento do benefício é a renda familiar e não impede que as pessoas estejam trabalhando, além de ter uma regra de transição que garante uma saída do programa, com diminuição gradual do benefício. Segundo o governo, 5,1 milhões de beneficiários do Bolsa Família já saíram do programa, desde 2023, após aumentar a renda familiar.

O limite de renda inicial para beneficiários do Bolsa Família é de R$ 218 por pessoa (per capita). Ou seja, toda a renda da família, dividida por todos os membros, deve ser de até este valor. Se a família melhorar de condição econômica, o governo federal tem regras de transição para que o beneficiário se estabeleça no mercado antes de deixar o programa.

Quando a renda da família ultrapassa R$ 218 por pessoa, a família pode continuar recebendo 50% do valor do benefício que recebia antes, por um período de até 12 meses. É a chamada Regra de Proteção. Para estar nela, a renda mensal por pessoa não pode ultrapassar o valor de R$ 706.

“O objetivo é evitar o cancelamento imediato do benefício, reconhecendo que a superação da pobreza não acontece de forma automática com a conquista de um emprego. Esse é um processo gradual, que exige um período de adaptação e estabilização”, diz nota do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Além disso, para manter o benefício, a família deve garantir a frequência escolar das crianças e a vacinação, por exemplo.

O programa de Flávio Bolsonaro desfigura o programa como transferência de renda, além de apostar na precarização do trabalho que já existe para quem é beneficiário, apontam os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato.

Dois aspectos chamam atenção do que foi revelado pela assessora econômica de Flávio Bolsonaro: a ideia de que as pessoas possam deixar o programa a partir do empreendedorismo e o apontamento de que a regra de transição vai ser aplicada ao fato de o beneficiário, ou seja, o titular, passar a ter emprego formal. Hoje, a regra leva em consideração o conjunto da família.

Para a professora do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Verônica Ferreira, o beneficiário não está fora do mercado de trabalho, mas tem um trabalho precário, com muita gente em “situação de bico, de viração”.

“Na realidade, as pessoas já estão se virando, fazendo coisas, só que as coisas que as pessoas fazem estão na informalidade, naquele nível de precarização assim mais resiliente. E o que fazem não é suficiente para garantir uma renda”, aponta a assistente social, que critica o modelo do bolsonarista por não apresentar o que seriam esses critérios de empreendedorismo.

Além disso, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não lembra das principais beneficiárias do Bolsa Família, que são as mulheres, e de seu trabalho invisível de cuidados das crianças, da família.

“Esse trabalho é fundamental para romper com o ciclo da pobreza, garante a saúde, garante a educação e é um trabalho amparado pelo Bolsa Família”. Para a professora, “haverá um aumento da miséria e da insegurança alimentar caso esse projeto se concretize”.

“É mais do mesmo velho baile no Hotel da Transilvânia. Não tem muita novidade”, ironiza o educador social e representante do estado de São Paulo no Fórum Nacional de Trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), Allan Carvalho. “É a precarização da precarização. Eles tornam o capitalismo ultrasselvagem, o neoliberalismo em hiper-neoliberalismo, o estado mínimo em micro, e eles vão arrochando, arrochando sem parar”, aponta.

Para o educador, o projeto de Flávio quer reduzir a assistência social à mera porta de saída. “Acaba virando uma obsessão compulsiva que distorce a própria razão de ser da política e inviabiliza tudo aquilo que a Constituição preconizou: proteção social interrelacional”.

Flávio Bolsonaro sempre criticou o Bolsa-Família. Na terça (13), o senador se reuniu com cerca de 500 empresários, em São Paulo (SP), e apresentou um plano econômico que propõe, entre outros pontos, revisar os critérios de concessão e permanência no Bolsa Família. Sobre a proposta atual, Marques falou em liberdade: “A gente quer que você se liberte, a gente não quer perpetuar as pessoas na pobreza”, afirmou.

A proposta anuncia o empreendedorismo como saída sem garantir nenhum tipo de viabilidade. “Na verdade, ele reproduz, com aparência técnica, o discurso conservador de sempre de que as pessoas vão trabalhar, vão poder trabalhar no mercado de trabalho, o que é extremamente frágil. Além de insustentável, porque não tem nenhuma avaliação concreta sobre a situação de pobreza e de trabalho precário”, critica Alan Carvalho.

“Ele não está falando de gerar postos de trabalho, de concurso público, de trabalho formal. Ele está falando de empreendedorismo, que é, na verdade, trabalho mais precário. A informalidade traz problemas para a previdência, funciona em um ciclo vicioso de formas sucessivas porque não tem arrecadação. É uma crônica de morte anunciada”, destaca Carvalho.


20 outubro, 2026

Local de votação ainda pode mudar até o dia 25 da eleição

TREs alertam para verificar em sites oficiais ou no e-Título



Lucas Pordeus León - repórter da Agência Brasil
Publicado em 20/10/2026 - 12:07
Brasília


Mesmo que o eleitor tenha consultado o local de votação com antecedência, ele deve verificar novamente a informação no dia da eleição, no domingo (25), antes de sair de casa.

Outra dica é votar pela manhã, para ter mais tempo de se deslocar caso a seção eleitoral tenha mudado de lugar.

A Justiça Eleitoral tem alertado que o local das seções eleitorais pode mudar até o próximo domingo (25), dia do segundo turno. Na última sexta-feira (17), chegava a 4 mil o número de seções alteradas após o primeiro turno, mas nova divulgação na segunda-feira (19) informou um número menor, de 444 seções.

“Até o dia da realização do segundo turno, cada um dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais divulgará, por todos os meios de comunicação disponíveis, os locais de votação eventualmente modificados”, diz nota conjunta dos TREs.
Onde conferir o local de votação

O eleitor deve conferir o local de votação apenas nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, seja no botão “onde votar” do aplicativo e-Título, ou nos portais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos TREs.

Nos últimos dias, têm circulado diversas mensagens em grupos de WhatsApp ou nas redes sociais com links não oficiais sobre locais de votação que não são confiáveis.

O eleitor não deve consultar o local de votação em links que não sejam os oficiais da Justiça Eleitoral.
TREs explicam mudanças

Em nota conjunta, os TREs alegam que as mudanças nos locais de votação ocorrem apenas quando é “absolutamente necessário”


“Os motivos são sempre extraordinários e estão relacionados a situações climáticas extremas, problemas não identificados previamente nas estruturas dos prédios utilizados como locais de votação e questões de segurança pública”, diz nota dos presidentes dos 27 TREs do país.

Ainda segundo a nota do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), o TSE não tem ingerência sobre essas alterações.
Alterações confundem eleitor

As mudanças nos locais de votação nos últimos dias podem confundir os eleitores, avaliou o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo.


“Realmente, mudar de 4 mil para 400 seções modificadas é uma coisa esquisita, mas eu não vejo nenhum tipo de dolo [má-fé] para atrapalhar o eleitorado. Eu acho que é desencontro de informação”, explicou.

Rollo acrescentou que é comum ocorrerem mudanças excepcionais de locais de votação antes do pleito, devido a mudanças no clima ou na estrutura das escolas.

“Sempre lembrando que o Brasil é muito grande, então, pode ser que chova hoje no Sul ou no Norte, e a escola fica prejudicada para domingo. Com isso, é atualizada a informação, mas vão ser algumas seções eleitorais, só em algumas escolas, e não baixar de 4 mil para 400”, acrescentou.

Ainda segundo o especialista, a Justiça Eleitoral não teria condição de informar as mudanças em local de votação individualmente, para cada eleitor, por causa dos cadastros, que não são completos, com e-mail ou número de telefone.

“Não daria para fazer a comunicação para essas pessoas individualmente. Mas a Justiça Eleitoral pode fazer essa comunicação via grande imprensa, colocar nos jornais de papel, colocar nas televisões abertas, nas rádios. Isso dá para melhorar”, concluiu.