30 outubro, 2026
Nada será como antes
Olá! Nem a esquerda nem a direita saíram das urnas da mesma forma que entraram.
.Esperança equilibrista. Foi uma vitória histórica. Lula não apenas derrotou Flávio Bolsonaro, como também Donald Trump, Javier Milei, a extrema-direita latino-americana e mundial, as big techs e, de lambuja, André Mendonça e Kássio Nunes. Tudo isso com uma votação expressiva, impossível de ser questionada, apesar das tentativas iniciais dos derrotados. Mais do que à trajetória do maior líder popular da história do país, a vitória se deve às mobilizações de milhões de pessoas nas ruas e nas redes, como o próprio Lula reconheceu em seu discurso, indicando que a comunicação digital e a participação popular devem ter maior espaço no próximo governo. Com um Congresso controlado pela extrema-direita, a ficha no Planalto caiu de que as mobilizações serão mais decisivas para garantir a governabilidade do que os acordos com o centrão. É verdade que o governo precisa dos votos do centrão, mas a expansão do PL também assustou a outra turma da direita e as conveniências mútuas podem levar à recondução de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de nomes para compor o governo. Mas, vitaminado pelas ruas e pelas urnas, o Planalto já avisou que desta vez não vai admitir traição. Lula contabiliza tudo isso olhando para os muitos desafios pela frente: a bomba da dívida pública e o fracasso do arcabouço fiscal; a pressão da Faria Lima por cortes sociais - outra que não sabe perder e usou a bolsa para chantagear o governo no dia seguinte; a reforma do Judiciário; a regulação das big techs e, claro, a relação com os Estados Unidos. Sem contar que o governo Lula 3 ainda não terminou e o Planalto ainda quer fechar o ano limpando a pauta, aprovando a PEC da Segurança, a MP das Bets e apresentar o projeto da Tarifa Zero.
.Wilson! A trajetória de Flávio Bolsonaro nessas eleições acabou tão desacertada quanto começou. Feito sucessor por peso do sobrenome e por capricho do pai, o zero-um chegou a cogitar sua desistência logo de saída se lhe pagassem o preço certo. Mas, ao longo de 2026 a candidatura emplacou, derrubando concorrentes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema e mostrando que o bolsonarismo continuava encantando o eleitor conservador. Com um programa vago e aproveitando os ventos do antipetismo e da insatisfação com o governo, o barco avançou apesar das intempéries dos incontáveis escândalos em que Flávio estava metido. Não se pode dizer que o saldo da aventura foi negativo. No primeiro turno, a candidatura de Flávio saiu na frente, e ainda ajudou a puxar votos para o PL, que elegeu 121 deputados e 19 senadores, tornando-se o maior partido dentro do Congresso, além de 6 governadores. Porém, quando a mobilização dos eleitores de Lula ganhou corpo, a confusão tomou conta da campanha bolsonarista, baseada na soberba, na negação do passado e no vazio de propostas reais. Frente à derrota e ao reconhecimento do resultado por parte das instituições da República e da comunidade internacional, inclusive do próprio PL e aliados, Flávio optou pelo golpismo, num gesto desesperado para manter vivo seu chiqueirinho. Rogério Marinho, ficou ao lado do pupilo até o final, talvez tentando convencê-lo a não navegar no oceano incerto da contestação das urnas. Mas o rapaz preferiu a fuga e o vitimismo, mantendo o padrão recorrente entre os seguidores do ex-capitão. Agora, ao abandonar eleitores e aliados à própria sorte e afirmar ser um exilado político que lidera a oposição desde o exterior, Flávio se tornou uma caricatura, um náufrago que perdeu a razão e conversa com uma bola de vôlei numa ilha distante. Nem mesmo Donald Trump endossou tamanha irracionalidade. Seu destino deve ser o mesmo de Eduardo Bolsonaro: um pária internacional condenado pela Justiça brasileira e refém dos interesses norte-americanos, enquanto for útil.
.O novo que ainda não nasceu. Depois das eleições de 2026, nada será como antes. A começar pelo futuro do lulismo e da esquerda. Lula é o principal personagem dessa história desde 1989. Participou de sete disputas presidenciais, venceu quatro delas e fará seu último mandato. Neste período, a esquerda se tornou mais plural, com partidos antigos e novos, do centro à extrema-esquerda, como PDT, PSB, Rede, PSol, UP, dentre outros. Mas o PT continua sendo o principal partido desse campo, o que é reforçado pela cláusula de barreira que penaliza as pequenas agremiações. Houve também renovação de quadros, com jovens deputados eleitos e com futuro promissor. Mas ainda não há uma liderança com a envergadura sequer próxima à de Lula e, para piorar, aquele cotado inicialmente como seu sucessor, Fernando Haddad, não só perdeu a eleição para o governo de São Paulo como foi queimado na ingrata tarefa de ministro da Fazenda. Agora, a esquerda tem apenas quatro anos para resolver esse imbróglio ou contentar-se com um picolé de chuchu. Do outro lado, o bolsonarismo vive seu próprio dilema. Talvez seja cedo para decretar seu fim, como querem alguns, mas certamente está em curso um desfecho ambíguo e frágil. Apesar do sucesso eleitoral do PL e dos cinco membros da família Bolsonaro que se elegeram no Congresso, o agrupamento segue sem liderança depois que Flávio cometeu suicídio político e enquanto Jair estiver preso. Afinal, todo mundo sabe que Carlos Bolsonaro e Jair Renan são incapazes de liderar coisa alguma, e é provável que Michelle tente carreira solo. Daí a insistência do PL na anistia ou no indulto ao ex-presidente. Outro cotado para a liderança do bloco, Tarcísio de Freitas, continua demonstrando pouca pressa e muito receio de indispor-se com os Bolsonaros. Além disso, a extrema-direita se renovou ainda mais do que a esquerda e uma parte desse campo, como o MBL, mesmo compartilhando o viés fascistizante do bolsonarismo, não pretendem ficar à sua sombra. Alguns analistas mais otimistas ainda apostam que, com o ocaso do bolsonarismo, haveria espaço para a reconstrução de uma direita democrática, o que parece improvável tendo em vista o cenário latino-americano e mundial. Mas isso só o tempo dirá.
.Ponto Final: nossas recomendações.
.Mapeamento expõe rede de interesses estrangeiros que atua em favor de Flávio Bolsonaro. Pesquisa mostra a rede de relações internacionais montada para interferir nas eleições brasileiras. No Brasil de Fato.
.As abelhas na cidade: a organização dos entregadores da China em Ganzhou. Como os entregadores estão organizados na China. Na Revista Opera.
.Pessoal, urgente: dá para replicar o Exército do Lula em outros países?? No Diplô Brasil, Gabi Juns analisa o sucesso do Janonismo cultural.
.Prisão ou porta – o Bolsa Família nos dados. Pedro Paulo Zahluth Bastos detalha o impacto do Bolsa Família para o país. Em A terra é Redonda.
.Como a imaginação radical pode nos salvar. Na Jacobin, Livia Almendary fala sobre a força da arte e da literatura na batalha contra o fascismo.
.Overman: com Caco Ciocler, filme inspirado em quadrinho da Laerte derrota vilão ‘Capitalista Imundo’. No Conversa Bem Viver, Caco Ciocler fala sobre seu novo filme.
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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.
Verás que uma filha tua não foge à luta!
Por trás de cada voto registrado no domingo, existe uma mulher, uma história, um sonho e muita luta!
Somos força que não se dobra! Fomos às urnas, mulheres de 16 a 108 anos, para defender nossos direitos, fortalecer a democracia e reafirmar que nossa voz importa.
Somos lindas, somos esperança, somos resistência e somos presença. Uma presença terna, forte e transformadora na família, na comunidade e em todos os espaços onde estivermos.
Somos mulheres! Somos luta, coragem e transformação. E não fugimos à luta!
28 outubro, 2026
Flávio Bolsonaro investigado por corrupção e lavagem de dinheiro
O Senador Flávio, fugiu do Brasil para escapar da Justiça e o governo Trump confirmou que irá conceder vistos a ele e sua família. Se Flávio conseguir asilo, ele pode nunca mais responder pelos crimes dos quais é investigado.
Um investigado por corrupção e lavagem de dinheiro não pode ganhar um passe livre para escapar de responder à Justiça brasileira.
Atualmente, ele é investigado por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse no caso do Banco Master e por possível lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas.
26 outubro, 2026
#Lula fala pela 1ª vez após vitória
#Lula fala pela 1ª vez após vitória: ‘Vamos mudar o jeito de governar, vamos fazer o povo participar mais’
Presidente também criticou big techs, associou Flávio Bolsonaro a milícias e que vai governar com Congresso.
A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 25-10-2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez após a vitória eleitoral deste domingo (25). O petista prometeu “mudar o jeito de governar este país”.
“Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, disse.
Ao comentar o processo eleitoral, Lula criticou a atuação das grandes plataformas digitais, as big techs, e afirmou que seu governo deverá avançar na regulamentação dessas empresas. Segundo ele, a campanha foi marcada por tentativas de interferência externa no resultado das eleições.
“Nessa eleição, a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regular”, afirmou. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando bilhões e não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.
O petista também fez críticas ao adversário derrotado, Flávio Bolsonaro, a quem associou ao “milicianismo”, e classificou o resultado eleitoral como uma derrota do negacionismo e da desinformação.
“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira, e eu confesso a vocês que, cada vez que ia ao debate, eu ficava constrangido, porque eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com BRICS, G20, G7, discuto os principais assuntos do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país”, disse Lula.
‘Moral da tropa’
O presidente agradeceu especialmente à juventude, aos idosos e aos militantes que participaram da campanha. Também destacou o papel do deputado federal André Janones (Rede-MG) na mobilização digital de seus apoiadores durante o segundo turno.
“Quero agradecer a esse companheiro Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar o moral da nossa tropa”, afirmou.
Lula também elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que seguirá ao seu lado no próximo mandato. “Feliz o presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade que eu tenho no Alckmin”, disse.
Saúde e educação
Entre as prioridades anunciadas para o próximo governo, Lula destacou a ampliação das políticas de cuidado com a população idosa, a valorização das mulheres, a educação pública e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Tenho que governar para 215 milhões, para todas as idades, mas, no próximo mandato, eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os velhinhos”, afirmou.
Na educação, o presidente prometeu ampliar o ensino em tempo integral e criar uma versão universitária do programa Pé-de-Meia. Também defendeu investimentos na formação científica e tecnológica para reduzir a dependência brasileira de tecnologias estrangeiras.
“Nós queremos universalizar a escola de tempo integral no ensino médio, vamos criar o Pé-de-Meia universitário para que nenhum jovem ou menina desista de estudar porque tem que trabalhar”, declarou.
“Vamos ensinar mais matemática e engenharia porque eu não quero depender de IA americana ou chinesa, quero criar uma brasileira”, acrescentou.
O presidente também comentou a composição do Congresso Nacional e rejeitou a avaliação de que enfrentará dificuldades para governar em razão do perfil conservador dos parlamentares eleitos.
“Já tem gente falando que eu vou ter muita dificuldade para governar porque está muito conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar para aprovar as coisas”, afirmou.
Lula disse ainda que pretende realizar reuniões com representantes de diferentes setores da sociedade antes do início do novo mandato, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres.
“Tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, com os educadores, com os cientistas, com as mulheres”, declarou.
Fonte do texto: IHU
#Uma eleição histórica - Lula reeleito: o povo nas urnas e a força da mobilização coletiva!
#Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República em 25 de outubro de 2026, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), no segundo turno, para exercer seu quarto mandato presidencial, conquistando um inédito tetra, para o mandato de 2027 a 2030.
Conforme informado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lula obteve 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.
Esses números nos convidam a refletir sobre a importância da mobilização popular. Quando o povo se movimenta, dialoga, participa e acredita na força da ação coletiva, a democracia ganha vida.
A mobilização não termina nas urnas! É preciso continuar acompanhando, cobrando e participando das decisões que afetam a vida do povo. Afinal, sonhar coletivamente é também construir, em conjunto, caminhos para um Brasil mais justo, fraterno e solidário.
A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08
A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97% das urnas estavam apuradas. O presidente foi reeleito com 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro (PL). Lula é o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito pela quarta vez pelo voto popular.
A campanha no segundo turno foi marcada por uma grande mobilização dos apoiadores do presidente Lula, garantindo uma virada inédita na história do país.
Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno à frente de Lula. Desde 1989, todos os candidatos à presidência que saltaram na frente não perderam a eleição. Essa é a primeira vez que o presidenciável que largou atrás vira e vence a eleição.
Fonte: Brasil de Fato
25 outubro, 2026
#Lula é Tetra juntamente com a Força do Povo!
Luiz Inácio Lula da Silva, um dos maiores líderes populares do mundo e figura central da história contemporânea do Brasil. Da infância pobre no sertão de Pernambuco, dos tempos de greves no ABC ao quarto mandato como presidente da República, a trajetória do ex-metalúrgico simboliza a força da luta coletiva e o poder de transformação social que nasce do povo, símbolo da luta e da esperança do povo brasileiro.
A força do povo nas ruas é uma demonstração de que a democracia se constrói com participação popular e luta coletiva. Foi contagiante ver milhares e milhões por todo o nosso Brasil. Movimentos populares e sociais têm o poder de derrubar ditadores.
A participação popular nas ruas é fundamental para fortalecer a cidadania e a democracia em uma sociedade, pois quando as pessoas se unem e se manifestam publicamente em defesa de seus direitos e valores, em defesa da democracia estão exercendo sua voz e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A extrema direita e os grupos econômicos ligados ao grande capital sentiram o que é a força do povo. Força das trabalhadoras e trabalhadores, força dos estudantes, força da juventude, mulheres e homens de todas as idades.
• Mandatos anteriores: Lula foi eleito em 2002, reeleito em 2006 (completando dois mandatos consecutivos) e venceu novamente a eleição de 2022, cumprindo o seu terceiro mandato.
• Contexto de 2026: conquistou feito inédito na história política brasileira de conquistar quatro mandato presidencial por voto popular.
Eleições 2026 - Prorrogação do horário de votação
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou neste domingo (25/out/2026) a prorrogação do horário de votação do 2º turno das eleições até as 19h, pelo horário de Brasília, em todo o Brasil.
A decisão foi tomada depois de um relato sobre a oferta insuficiente de transporte público em 3 municípios da Bahia.
#Eleições 2026 - Restrições na circulação do transporte coletivo em diversas cidades do país.
BANDITISMO
Denúncias de redução ou falta de ônibus em diferentes cidades brasileiras, o que levou a pedidos de prorrogação do horário de votação.
Cidades com relatos de problemas no transporte
De acordo com as notícias publicadas durante o dia, os principais locais citados foram:
- São Paulo (SP): denúncias de circulação de uma frota de ônibus inferior à prevista.
- Salvador (BA): ônibus retidos nas garagens e determinação da Justiça Eleitoral para recompor a frota.
- Feira de Santana (BA): relatos de redução do transporte coletivo.
- Lauro de Freitas (BA): também citada nos pedidos de ampliação do horário de votação.
- Recife (PE), Teresina (PI), João Pessoa (PB) e Maceió (AL): mencionadas em declarações sobre dificuldades no transporte.
- Sergipe: houve denúncias de insuficiência de ônibus em municípios do estado.
- Petrópolis (RJ): também foi citada em relatos sobre problemas no transporte.
Esses relatos não significam que todas essas cidades tenham tido a frota inteira reduzida ou que a responsabilidade tenha sido oficialmente confirmada em todos os casos
Como é bom sonhar em coletividade!
Como é bom sonhar em coletividade!
Neste dia eleitoral, logo depois de votar, ao ver as multidões nas ruas, um pensamento me veio ao coração: como é bom sonhar em coletividade!
Há algo de muito significativo quando tantas pessoas se movimentam, se encontram e carregam consigo sonhos, esperanças e expectativas. Cada pessoa tem sua história, suas razões e suas escolhas, mas a vida em sociedade nos convida a olhar para além de nós mesmas e nós mesmos.
Independentemente do resultado das urnas, fica uma certeza: é preciso que as mobilizações continuem em compromisso coletivo para todos os dias.
A democracia não se esgota no voto. Ela se fortalece quando participamos, dialogamos, respeitamos as diferenças, defendemos direitos e nos comprometemos com a vida de todas e todos, especialmente de quem mais precisa.
Sonhar em coletividade é acreditar que ninguém constrói uma sociedade sozinha ou sozinho. É compreender que os sonhos ganham força quando se tornam compromisso, organização e ação compartilhada.
Na caminhada do povo de Deus, essa esperança também nos provoca: que nossos sonhos não sejam apenas desejos individuais, mas sementes de fraternidade, justiça, paz e vida digna para todas as pessoas.
Como é bom sonhar em coletividade! Mas é ainda mais bonito quando, juntos, transformamos nossos sonhos em caminhos de esperança e ações concretas de transformação.
Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
23 outubro, 2026
Estaremos nas ruas
Olá! O que escrever que todo mundo já não saiba?
O que está em jogo neste segundo turno é muito mais do que o resultado das eleições ou dos próximos quatro anos. O que realmente está sendo decidido é em que tipo de país viveremos nas próximas décadas e o lugar que o Brasil vai ocupar no mapa da geopolítica global.
Um hipotético governo Flávio Bolsonaro não teria nada de moderação e os contra-freios institucionais dificilmente garantiriam os direitos democráticos. Pelo contrário, seguindo a lógica de que o pior Congresso brasileiro é sempre o próximo, vamos ter duas casas com maiorias de extrema-direita e um STF convulsionado e com ministros ávidos por fazer acordos que salvem o próprio pescoço. Também é óbvio que será mais um governo submisso à Donald Trump e que, portanto, minerais críticos, petróleo e tudo o que os Estados Unidos demandarem, incluindo os nossos dados desejados pelas big techs, serão entregues.
Todos nós já conhecemos também o programa econômico dos Bolsonaros, sem reajustes salariais, com congelamento das aposentadorias e cortes de direitos trabalhistas e sociais. Sem contar os retrocessos na política ambiental, cultural e civilizatória, incluindo ataques aos direitos das crianças e adolescentes, indígenas, mulheres, população negra e LGBTQIA+ tão odiados pelos Bolsonaros e seus aliados. Podemos ter dúvida sobre quando Vorcaro e Jair serão libertados, mas não o quanto é temeroso entregar a Presidência da República a alguém que acumula dezenas de suspeitas e investigações.
Por outro lado, se Lula ganhar, a vida também não promete ser fácil. Teremos que enfrentar com unhas e dentes um Congresso ávido por retirar direitos e emparedar o governo. Mas seguiremos tendo o direito de lutar e sonhar com dias melhores.
Portanto, se você está lendo isso antes de domingo (25/10), as próximas horas serão decisivas. Cada ação e cada voto contam e o diálogo nunca foi uma arma tão importante, seja ele com ex-bolsonaristas, conservadores, eleitores de direita, indecisos, pessoas que não foram votar, etc.
Seja como for, saiba que você participou de uma das eleições mais desiguais da história do Brasil. O comportamento da Meta e de outras big techs fez o debate de 1989 parecer coisa de criança. Assim como o comportamento militante do TSE, a coerção dos patrões e muitas outras irregularidades já conhecidas ou que ainda virão à tona.
Se você estiver lendo isso no futuro, esperamos que esteja sorrindo. Porque foi também uma eleição em que milhões de cidadãos comuns sentiram-se como soldados de um exército que defende o direito ao futuro. Uma eleição em que a juventude, junto com milhões de trabalhadores, ocupou as ruas e protagonizou manifestações que são e serão fundamentais para garantir conquistas ou evitar retrocessos.
As análises e reflexões voltam na próxima semana.
Agora, vamos à luta!
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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.
22 outubro, 2026
Eleições 2026: Deus Ouve os Clamores do Povo. E Nós?
Eleições 2026: Deus Ouve os Clamores do Povo. E Nós?
Que sociedade estamos construindo e quem se beneficia das decisões políticas?
Ao nos aproximarmos das eleições, somos convidadas e convidados a refletir não apenas sobre quem merece nosso voto, mas sobre qual projeto de sociedade queremos construir.
A realidade brasileira é marcada por profundas diferenças econômicas. A população trabalhadora — assalariadas e assalariados, trabalhadoras domésticas, profissionais autônomos, trabalhadoras e trabalhadores rurais, pequenos comerciantes e tantas outras pessoas — sustenta a sociedade com seu trabalho. Mesmo assim, muitas pessoas enfrentam dificuldades para garantir alimentação, moradia, transporte e outras necessidades básicas.
As famílias de baixa renda convivem com maiores dificuldades e, muitas vezes, dependem de políticas públicas e serviços sociais para assegurar direitos essenciais. A classe média, embora tenha maior poder de consumo, também pode depender do salário mensal e enfrentar insegurança financeira. Já a população rica e muito rica concentra rendimentos elevados e, em muitos casos, patrimônios, empresas e investimentos.
Essas diferenças não determinam como cada pessoa pensa ou vota, mas nos ajudam a compreender que as decisões políticas e econômicas afetam de maneiras diferentes os diversos grupos sociais.
E o nosso voto, considera essa realidade?
Se você tem uma microempresa ou uma empresa de pequeno ou médio porte, no comércio, na indústria ou nos serviços, pergunte-se: a que grupo pertence a maior parte de sua clientela? À população trabalhadora, à população de baixa renda, à classe média ou à população rica e muito rica?
Entre os planos de governo, qual apresenta melhores condições para que seus clientes tenham poder aquisitivo e possam consumir seus produtos e serviços?
E você, trabalhadora ou trabalhador, que depende do emprego para sustentar sua família: qual projeto de governo oferece melhores perspectivas para a continuidade da empresa em que trabalha, a manutenção dos empregos e a valorização do trabalho?
A economia está interligada. Quando há trabalho e renda, as pessoas consomem, o comércio se movimenta e as empresas podem crescer. Quando faltam emprego e poder aquisitivo, toda essa dinâmica é afetada.
Por isso, precisamos olhar além dos discursos e das preferências pessoais. É necessário comparar propostas e perguntar: quais delas enfrentam a fome e a pobreza, fortalecem a saúde e a educação públicas, promovem trabalho digno, reduzem desigualdades e respeitam a democracia e os direitos humanos?
Deus viu, ouviu e conheceu os clamores do seu povo
No livro do Êxodo, Deus diz a Moisés:
“Eu vi, eu vi a miséria do meu povo [...] Ouvi o seu clamor [...] conheço as suas angústias.” (Êxodo 3,7)
Deus não permanece indiferente ao sofrimento do povo. Ele vê, ouve, conhece suas necessidades e chama Moisés para participar do processo de libertação.
Essa passagem nos provoca a olhar para o Brasil de hoje. O que temos visto e ouvido? Quais são os clamores que vêm das ruas, das comunidades, dos locais de trabalho e das famílias? O que nos dizem as pessoas que enfrentam o desemprego, a fome, a falta de moradia e as dificuldades para ter acesso aos serviços essenciais?
Diante desses clamores, não basta ouvir os discursos eleitorais. Precisamos examinar as propostas e as práticas de quem pretende governar e perguntar a quem elas beneficiam?
Jesus também nos ensina que o compromisso com as pessoas mais necessitadas está diretamente ligado à nossa relação com Ele (Mateus 25,31-46). Como cristãs e cristãos, não podemos separar a fé das escolhas que afetam a vida do povo.
Votar é assumir uma responsabilidade coletiva
Assim como Moisés foi chamado a participar da libertação do povo, cada cidadã e cada cidadão tem a responsabilidade de contribuir para a construção da sociedade.
Neste segundo turno, somos convidadas e convidados a avaliar os projetos de governo e suas consequências para a vida da população. Qual deles apresenta propostas mais consistentes para garantir direitos, enfrentar as desigualdades, promover trabalho digno e responder aos clamores do povo?
Não se trata de acreditar cegamente em promessas, mas de analisar, comparar e escolher com consciência, responsabilidade e compromisso com o bem comum.
O Evangelho não nos oferece uma lista de candidatos, mas nos apresenta critérios para discernir nossas escolhas.
Se acreditamos em um Deus que vê, ouve e conhece os clamores do seu povo, precisamos também perguntar a nós mesmas e a nós mesmos: estamos vendo? Estamos ouvindo? Estamos comprometidas e comprometidos com a transformação dessa realidade?
Que sociedade estamos construindo? Quem se beneficia das decisões políticas? E que lugar ocupam, em nossas escolhas, as pessoas que mais precisam?
Que nosso voto seja expressão de uma fé comprometida com a vida, a justiça, a fraternidade e a esperança, para que todas as pessoas tenham vida, e vida em abundância (João 10,10).
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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
21 outubro, 2026
Movimento Vovó Vota defende consciência cidadã contra abstenção
Brasil tem cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos
A quebradeira de coco Maria Alaídes participa do movimento Voto 70+ - Maria Alaídes Alvas de Souza/ Arquivo pessoal
Na paisagem rural da comunidade maranhense de Ludovico, cidade de Lago do Junco a 300 quilômetros de São Luís, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, caminhou 600 metros para votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. 



Para conscientizar outras idosas sobre a importância de votar, no entanto, ela percorre distâncias bem maiores. Na prática, ela faz uma busca ativa para que outras trabalhadoras e avós, como ela, não deixem de exercer o direito ao voto.
O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, o que corresponde a 10,6% dos eleitores. Essa população tem voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988 e histórico de alta abstenção.
Na comunidade em que Maria Alaídes vive, são 150 famílias, mas ela se preocupa com outras cinco comunidades da região: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.
“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.
Como liderança de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, ela defende que é pela participação popular que se conquistam direitos e políticas públicas.
“O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”.
Entre as prioridades dela está o enfrentamento das mudanças climáticas, que impactam diretamente as atividades das quebradeiras.
A estimativa é de que existam mais de 300 mil trabalhadoras nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Participação popular
Mulheres entusiasmadas com as eleições como Maria Alaídes, mesmo em uma faixa etária em que o voto não é obrigatório, fazem jus à histórica luta pelo sufrágio feminino.
A abstenção de pessoas com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo levantamento do Movimento Voto 70+.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.
No intuito de que essa abstenção caia ainda mais no próximo domingo (25), o movimento apartidário promove a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições.
Uma das mensagens é que, mesmo que a pessoa não tenha votado no primeiro turno, pode participar no segundo, sem nenhuma restrição.

Maria Albino Costa não votou no primeiro turno, mas vai comparecer às urnas no próximo domingo (25) - Maria Albino Costa/ Arquivo Pessoal
Agora, eu vou
Na cidade de Orizona, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque achou difícil ir às urnas com tantos números para anotar ou lembrar. No último dia 4, o eleitor escolheu deputados, senadores, governadores e presidente.
“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”
A aposentada já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica, e diz que não gosta de faltar na eleição porque passou muito tempo sem votar durante a ditadura (1964-1985). Ela também quer ser exemplo para os sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.
A filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família a cursar o ensino superior, e conta que sente muito orgulho da trajetória da mãe. Tanto que costuma citá-la em suas aulas na área rural e na região urbana onde já ouviu manifestações machistas de alunos contra o voto feminino:
“Eu conto histórias de minha mãe e de outras mulheres que não tiveram direitos. A gente precisa garantir nosso espaço”.

A professora aposentada Maria José Cantarelli já baixou o e-título - Maria José/ Arquivo Pessoal
Tive medo
A professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, que mora em Olinda (PE), também não votou no primeiro turno. Aliás, há 12 anos deixou de participar das eleições.
No entanto, ela conversou em casa com os filhos e com a neta, e chegou à conclusão de que o momento exige abrir uma exceção. Ela se ressente do clima de acirramento emocional nas ruas.
“Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”, lembra.
Ela guardou o título eleitoral no armário e não encontrou mais. No entanto, já baixou o aplicativo e-título para votar no dia 25.
Maria José disse que guardou, durante toda a vida, os comprovantes eleitorais e que vai voltar a tê-los na carteira. A neta, que também é Maria, tem 19 anos e ficou feliz com a decisão da avó.
Voto por direitos
Inspirações para essas avós não faltam, como na casa de Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, que hoje mora na cidade maranhense de Nova Iorque (a 560 quilômetros de São Luís-MA).
Ela diz que o direito à cidadania possibilitou que ela lutasse para que os 10 filhos frequentassem a escola.
“Eu sempre dizia ao meu esposo que eles iam estudar. Eu não estudei porque não tive oportunidade. Mas meus filhos, sim. Por isso é muito importante votar”.
Ela espera que a eleição garanta representantes que não deixem faltar remédio ou alimentos para crianças ou idosos.
Dificuldades
No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, espera que não passe pela dor de cabeça que teve no primeiro turno, quando enfrentou filas longas: “demorou um tempo para começarem a chamar os mais idosos”.
Também não foi fácil para a aposentada paulista Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo. Ela precisou subir escadas em seu local de votação.
Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que pessoas idosas tenham atendimento prioritário nos locais de votação, sem necessidade de aguardar na fila comum.
Além disso, devem ser garantidas medidas de acessibilidade que assegurem autonomia e segurança durante o processo de votação.
Beatriz contou com a ajuda do filho para chegar à sala de aula e à urna. Para escolher seus candidatos, levou em conta a postura em relação aos temas de saúde e educação.
"Não adianta ser eleito e ficar sentado lá. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população".
Suely Mendonça tem orgulho em participar das eleições - Fernando Frazão/Agência Brasil
Memórias
No dia 25, as pessoas idosas também levarão a memória da importância de votar. Inclusive porque não puderam escolher o presidente por mais de duas décadas.
A aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, diz que se emociona ao caminhar até a seção de votação:
“É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.
Ela recorda que os professores não podiam mencionar as letras de música e que os filmes e as peças de teatro eram censuradas.
“Eu participei das Diretas Já, o pontapé inicial da redemocratização. Eu nunca associei meu voto a um partido. Eu escolhia o candidato pelos compromissos assumidos com a gente e os que tinha lutado contra o regime ditatorial”.
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Fonte: AgênciaBrasil
Luiz Cláudio Ferreira, Luciano Nascimento, Guilherme Jerônimo e Ana Cristina Campos
Publicado em 21/10/2026 - 10:54
Brasília
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