10 julho, 2026

Rumo às finais

Rumo às finais

Olá, se a trupe de Neymar ficou pelas oitavas, na política, agora é que começa a fase do mata-mata.

.Do pescoço pra baixo é canela. Jogando no campo do adversário, nas audiências do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o governo brasileiro demonstrou uma paciência e precisão dignas do ataque norueguês. Enquanto, publicamente, o Planalto afirma que, em termos de negociações, tudo o que podia, já foi feito; na prática, aposta em outra frente, a OMC, onde os EUA é obrigado a negociar com o Brasil se quiser destravar suas pautas globais. Sem fazer uso da palavra na audiência, o Brasil viu 63 das 78 entidades presentes se manifestarem contra o tarifaço, inclusive organizações estadunidenses. O Itamaraty aproveitou e foi para o ataque, afirmando em nota, que “entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil”. Aliás, o Itamaraty saiu de sua letargia para também criticar a classificação das facções criminosas como terroristas de forma unilateral e de alertar que isso poderia significar inclusive o uso da “força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.” Na estratégia petista, o flanco continua sendo a segurança pública, como se vê nas dificuldades da campanha de Fernando Haddad em São Paulo. Com as propostas do governo paradas no Congresso, restam as ações da PF como cartão de visita do governo sobre o tema. Mas nem só de futebol-arte vive a política. Pensando em vencer em outubro, o Planalto também distribuiu acenos ao núcleo duro da oposição: pagou R$32 bilhões em emendas parlamentares até junho; negocia uma medida provisória sobre as dívidas do agronegócio, que podem ter um impacto fiscal de R$140 bilhões, e tem mandado recados ao mercado financeiro de que, em comparação com os Bolsonaros, Lula sim é um gestor fiscalmente responsável e austero. A favor de Lula contam ainda as previsões de elevação de crescimento da economia pelo FMI e o despreparo de Flávio para lidar com crises, já que ser fã de Donald Trump não ajuda a derrubar tarifas e nem a lidar com cenários como uma nova disparada dos preços do petróleo.

.Mais perdido em campo que a seleção brasileira. Apesar de senador experimentado e candidato à presidente, Flávio Bolsonaro tem se mostrado tão habilidoso na política quanto Casemiro com a bola. Isso começa pela tentativa de surfar na onda da nova direita latino-americana com o apoio de Trump, que fracassou e deu a Lula o argumento da soberania. Percebendo o erro, o candidato do PL aproveitou a audiência do USTR em Washington para tentar reverter a situação. Além de participar de penetra, Flávio argumentou que as tarifas foram uma resposta do governo norte-americano à perseguição sofrida por seu pai no Brasil. Uma tese que não poderia nem sequer ser assumida pelo governo Trump, sob pena do tarifaço ser revertido na Suprema Corte, e ainda ajudou a confirmar o argumento de Lula de que a família Bolsonaro conspirou para sabotar a economia brasileira junto com o governo dos Estados Unidos em nome de seus próprios interesses. Mas quando joga em casa, a inabilidade de Flávio não é menor. O problema não são apenas os aliados na política fluminense e nacional que não saem das páginas policiais por envolvimento com todo o tipo de contravenção. É que, ao queimar as pontes com Michelle, Flávio perdeu uma importante aliada, a senadora Damares Alves, ampliou o fogo amigo bolsonarista contra si mesmo e ainda afastou o público feminino, do qual nunca foi muito próximo. Nesse caso, a escolha de uma mulher para vice é uma oportunidade para mitigar o problema e contrastar com a chapa Lula-Alckmin. A ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, seria uma potencial “Posto Ipiranga” de Flávio, tida como favorita devido à sua interlocução com a Faria Lima, o que também ajudaria a colocar a economia em primeiro plano na campanha, como insiste Valdemar Costa Neto. Porém, ela tem dois problemas: sua ligação com o Banco Digimais, investigado recentemente por um escândalo financeiro, e a falta de apoio de seu partido, o Republicanos, que ainda discute se apoiará a candidatura do PL ou manterá neutralidade, como provavelmente farão o União Brasil e o Progressistas. Já a vereadora do PL, Priscila Costa, preferida de Michelle, seria o nome ideal para apaziguar as relações familiares, mas com menor peso político. Há também os partidários de um quadro mais ligado ao agronegócio, como Tereza Cristina (PP), mas a atual senadora tem outros planos políticos.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.‘Não somos uma nação em disputa e não somos uma colônia’ . O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel concede entrevista exclusiva ao Brasil de Fato.

.Como Milei quer transformar a Argentina em um laboratório desregulado de IA e quais os riscos. O plano argentino de oferecer desregulamentação e impunidade para atrair as Big Techs. No Brasil de Fato.

.A IA não vai acabar com o trabalho – vai piorar os empregos. No Intercept Brasil, Juliane Furno escreve sobre o papel da IA na reorganização do trabalho sob o capitalismo.

.O Brasil de empreendedores desamparados. O Outras Palavras mostra como a realidade dos trabalhadores autônomos está distante da ideologia do empreendedorismo.

.Veja quem são os pré-candidatos ao governo e ao Senado em cada estado. A relação de todos os pré-candidatos aos governos e ao Senado nos 26 estados e no Distrito Federal. Na Folha.

.O que a "remada viking" da Noruega revela sobre a cultura sindical do país. Na Jacobin, as raízes sindicais e coletivas da comemoração da torcida norueguesa.

.Bubista, o treinador de Cabo Verde, a voz dos pobres no futebol. As preocupações sociais do técnico da seleção mais simpática da Copa. No Instituto Humanistas.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.


Pessoas estão mais felizes em 2026 do que 12 meses atrás

O Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede os níveis de felicidade da população, mostra em 2026 que as pessoas estão mais felizes em 25 dos 29 países pesquisados. 


No Brasil, 28% dos entrevistados se dizem muito feliz, 52% bastante feliz, 15% não muito feliz e 5% nada feliz – a média global é 18%, 56%, 22% e 5%, respectivamente. Somando quem se declara feliz (80%), o Brasil registrou um aumento de 2 p.p. em relação à 2025.

Para os brasileiros, se sentir amado é o que mais contribui para a sua felicidade (34%), revela o estudo. Na sequência, estão a saúde física e mental (31,4%) e o relacionamento com a família e os filhos (29,4%).

Quando se trata de se sentir muito feliz, os homens brasileiros são maioria (29,3%) versus 26,4% das mulheres. Elas, por outro lado, superam os homens que se sentem bastante felizes (54,3%), enquanto 50,4% deles declaram se sentir da mesma forma.

A pesquisa também mostra que a felicidade começa alta na juventude, diminui por volta dos 50 anos, mas depois sobe para atingir seu pico após os 70 anos. No Brasil, a soma daqueles que se dizem muito felizes e bastante felizes, entre 50 e 74 anos, é de 82%, a maior média por faixa etária. A Geração Z (nascidos aproximadamente entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2010), por outro lado, é a que mais afirma estar “nada feliz” (5,6%).

Os países com a maior porcentagem de pessoas felizes são a Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). O Brasil, que também apresenta um alto índice, com 80% da população se declarando feliz, foi o país o que mais citou a fé religiosa ou vida espiritual como um motivo que contribui para a felicidade (22%), frente a 10% da média global.

Os dados apresentam também uma correlação entre renda e felicidade. Pessoas com renda mais alta tendem a ser mais felizes (79%) do que as de renda mais baixa (67%).

Felicidade x infelicidade

Se os relacionamentos pessoais e a saúde são o maior motor da felicidade, a infelicidade é causada, principalmente, por um fator externo: a situação financeira. No Brasil, esse foi o motivo citado por 54% dos entrevistados (57% na média global), seguido de saúde mental e bem-estar (37%) e situação habitacional ou condições de vida (27%). A situação financeira é citada também por todas as gerações em território nacional, na seguinte ordem: 67,5% Baby Boomers, 62,2% Geração X, 49,1% Millennials e 48,6% Geração Z.

“Não importa a sua idade, onde você mora ou quanto você ganha. Se você está infeliz, suas finanças pessoais são a causa mais provável dessa infelicidade”, afirma Lucymara Andrade, Diretora de pesquisas de marca na Ipsos.

A Ipsos Happiness Report 2026 destaca ainda que a percepção sobre a economia do país como fonte de infelicidade diminuiu em 2026. Em 18 dos 29 países, mais pessoas acreditam que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior, o que pode explicar parte do aumento geral da felicidade.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em 29 países, por meio de sua plataforma online Global Advisor e, na Índia, por meio de sua plataforma IndiaBus, entre quarta-feira, 24 de dezembro de 2025 e sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. A Ipsos entrevistou um total de 23.268 adultos com 18 anos ou mais na Índia, de 18 a 74 anos no Canadá, República da Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos, de 20 a 74 anos na Tailândia, de 21 a 74 anos na Indonésia e Singapura, e de 16 a 74 anos em todos os outros países.

No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.

A precisão das pesquisas on-line da Ipsos é calculada usando um intervalo de credibilidade, sendo que uma pesquisa com N=1.000 tem uma margem de erro de +/- 3,5 pontos percentuais e uma pesquisa com N=500 tem uma margem de erro de +/- 5,0 pontos percentuais. Para mais informações sobre o uso de intervalos de credibilidade pela Ipsos, visite o site da Ipsos.

Sobre a Ipsos

A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 mercados. A companhia, que tem globalmente mais de 6.000 clientes e 20.000 colaboradores, entrega dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades para facilitar a tomada de decisão das empresas e das organizações. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de marketing, comunicação, mídia, customer experience, engajamento de colaboradores e opinião pública. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e medem a opinião pública ao redor do mundo.

09 julho, 2026

Região Pastoral Nossa Senhora Aparecida - #8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Preparando do 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Tema: De São Francisco à Laudato Si’: a fé que floresce na religiosidade popular 
Lema: “Na simplicidade do povo, Deus cuida da vida


Ontem, 19 de abril, estivemos com a Região Pastoral Nossa Senhora Aparecida.

Oferecemos formação sobre os três eixos que será desenvolvido no Encontrão:

- São Francisco de Assis
- Encíclica Laudato Si’
- Religiosidade Popular

Com muita alegria, a região pastoral acolheu o subtema que irá desenvolver e apresentar no 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs.



03 julho, 2026

Igreja Católica lança campanha de solidariedade e fraternidade às vítimas dos terremotos da Venezuela: “SOS VENEZUELA”



Como doar:

PIX: doe@caritas.org.br

Cáritas Brasileira
CNPJ: 33.654.419/0001-16
Banco do Brasil
Agência: 452-9
Conta corrente: 53.377-7

A Igreja Católica lançou nesta quarta-feira, 1º de julho, a campanha “SOS Venezuela – Solidariedade e Fraternidade”, uma mobilização nacional para arrecadar recursos destinados às famílias atingidas pelos terremotos que devastaram a Venezuela.

Inspirada na primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, a campanha reafirma o compromisso da Igreja com a promoção da vida, da fraternidade e da solidariedade diante das situações de sofrimento humano.


Registro de La Guaira, região mais afetada pelos terremotos na Venezuela. Foto: Cáritas Venezuela


Tragédia humanitária

No dia 24 de junho, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram as regiões centro-norte e costeira da Venezuela. Os tremores também foram sentidos em estados da região Norte do Brasil. Novos abalos sísmicos, de magnitudes 4,9 e 4,6, foram registrados nos dias 26 e 29 de junho.

Segundo dados divulgados pelas autoridades venezuelanas e por organismos internacionais, milhares de pessoas foram afetadas pela tragédia, que provocou mortes, desaparecimentos, desabrigados e graves danos à infraestrutura de diversas comunidades.

Diante desse cenário, a Igreja reafirma sua missão de estar próxima daqueles que sofrem. Como recorda São Paulo: “Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele” (1Cor 12,26).

A presença solidária da Igreja

Ao longo da história, a Igreja tem respondido às grandes tragédias humanitárias em diferentes partes do mundo, oferecendo assistência material, apoio espiritual e esperança às populações atingidas por terremotos, guerras, enchentes, secas e outras situações de emergência.

Foi assim após o terremoto no Haiti, em 2010; diante dos terremotos na Turquia e na Síria; nas enchentes que atingiram diversas regiões do Brasil; e em tantos outros momentos em que comunidades inteiras precisaram reconstruir suas vidas.

Os Papas também têm insistido nesse compromisso. Bento XVI convocou a comunidade internacional à solidariedade com o Haiti. O Papa Francisco recordou diversas vezes que a proximidade é o primeiro passo para restaurar a esperança. Na encíclica Magnifica humanitas, o Papa Leão XIV convida toda a Igreja a tornar-se “tecelã de esperança”, compartilhando os dons e os bens com quem mais necessita.

“Com a mesma fé de Maria, tornemo-nos tecelões de esperança no nosso mundo, partilhando o que somos e o que temos”, diz a Encíclica Magnifica Humanitas.

Nesse caminhar solidário, a Igreja no Brasil, de mãos dadas, abre o convite solidário para doação a favor dos irmãos e irmãs enlutados, desabrigados e que sofrem as consequências do terremoto.

Os recursos arrecadados no Brasil serão destinados ao apoio das ações de resposta humanitária coordenadas pela Cáritas Venezuela, contribuindo para a aquisição de alimentos, água potável, kits de higiene, medicamentos, materiais de abrigo temporário e outros itens essenciais para as famílias afetadas.

Além da resposta imediata à emergência, a campanha busca apoiar os processos de recuperação das comunidades atingidas, fortalecendo iniciativas que contribuam para a reconstrução da vida, da dignidade e da esperança.

A iniciativa também expressa a compreensão da Igreja sobre a promoção integral da pessoa humana. Diante de uma tragédia dessa dimensão, cuidar da vida significa responder às necessidades materiais, mas também fortalecer os vínculos comunitários, restaurar a esperança e reafirmar a dignidade de cada pessoa.

Convite à solidariedade à toda a sociedade

Em carta conjunta, as presidências da CNBB e da Cáritas Brasileira convidam toda a Igreja e a sociedade brasileira a participar da campanha:

“Conclamamos as arquidioceses, dioceses, paróquias, comunidades, congregações religiosas, movimentos, pastorais, instituições de ensino e todas as pessoas de boa vontade, brasileiras e brasileiros, a se unirem nesta corrente de solidariedade e oração pelo povo venezuelano”, cita trecho de carta assinada pelas presidências da Cáritas Brasileira e CNBB.

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Partidas e partidos

Partidas e partidos

Olá, a Copa entra na reta final, e os candidatos entram no aquecimento.

.Fogo no parquinho. A crise aberta pela dissidência de Michelle com Flávio Bolsonaro poderia ter sido bem maior se as atenções não estivessem todas voltadas para a Copa. O que não significa que o problema seja pequeno. O principal saldo da treta familiar até agora foi o afastamento das mulheres, que representam 52% do eleitorado brasileiro. Dessas, 48% votariam em Lula e apenas 29% em Flávio, segundo a pesquisa Nexus/BTG Pactual, ou seja, um desempenho que inviabiliza qualquer vitória da candidatura bolsonarista. O tom misógino do influenciador Paulo Figueiredo ao defender Flávio só piorou a situação, confirmando que os bolsonaristas não gostam mesmo de mulher na política. Em resposta, Flávio tentou reduzir danos, criticando o aliado e reunindo-se com um grupo de mulheres que o apoiam em um evento sem muita repercussão. Até a senadora Damares Alves, tradicional defensora dos valores patriarcais, entrou em cena, somando-se à Michelle no que cada vez mais parece uma dissidência de gênero. É claro que a ex-primeira-dama sabe que não tem condições de desbancar Flávio em sua candidatura presidencial. Seu movimento busca disputar o futuro do bolsonarismo, resgatando a fidelidade pessoal ao líder (Jair) e opondo-se ao excessivo pragmatismo político dos enteados. O que, na prática, por agora, pode levar ao seu próprio isolamento político, com seu desligamento do PL Mulher e desistência do Senado, arrastando junto a candidatura de Flávio. Enquanto isso, a esquerda aproveitou a crise para tirar uma casquinha nas redes, inclusive para abafar os próprios problemas. Já Flávio, tenta ancorar sua campanha cada vez mais em aliados externos, sejam eles os Estados Unidos, o movimento sionista ou a direita latino-americana. Mas isso só reforça o argumento de Lula de que é uma família de traidores da pátria, o que, aliás, um grupo de deputados petistas tenta tipificar como crime. E para surpresa de ninguém, Trump deixou mais uma vez o vassalo brasileiro a ver navios. É que a tentativa de uma jogadinha ensaiada, onde Flávio posaria de negociador e Trump reverteria o tarifaço depois do seu apelo, não foi além da imaginação do candidato brasileiro.

.Atacantes e retranqueiros. Faltando menos de 100 dias para as eleições, Lula tem mantido uma vantagem sobre Flávio Bolsonaro que não é nem confortável, nem segura. Assim como a aprovação do governo tem melhorado, mas a passos de formiga. Sem autorização para jogar parado, o governo tentou entregar o máximo possível antes do 4 de julho, data limite da legislação eleitoral para este tipo de anúncio, em especial para as camadas mais populares, como o novo Plano Safra para a agricultura familiar. O problema do candidato Lula continua sendo o mesmo do presidente Lula, o Congresso Nacional. É verdade que Hugo Motta, tentando manter a boa relação com o Planalto, vai dar um gás antes do recesso e atender as demandas do governo sobre o novo limite para os micro-empreendedores e o PL de combate à misoginia. Porém, no Senado, Davi Alcolumbre instituiu a Operação Tartaruga, sentado em cima dos projetos prioritários do governo. Na prática, o Senado não vai votar nada até as eleições. Só que na gaveta de Alcolumbre também está a grande bandeira de Lula para 2026, o fim da escala 6x1. E mesmo que o presidente do Senado sinalize que vai defender a redução da jornada sem transição, a aprovação deve ficar só para depois de outubro. De positivo para o Planalto, apenas o adiamento da votação da aposentadoria especial a agentes comunitários de saúde, que estava sendo acelerada para colocar uma bomba fiscal no colo do governo. Fora este, o único acordo possível entre Lula e Alcolumbre é a defesa de Jaques Wagner, que recebeu afagos do presidente do Senado e gestos de amizade de Lula. Afinal, mesmo que as pesquisas apontem desgastes depois da operação no caso Master, o ex-líder do governo segue liderando as pesquisas para o Senado na Bahia. De qualquer forma, em alguns dias a Copa acaba, o Congresso já está praticamente em recesso e os partidos têm até 5 de agosto para realizarem suas convenções e definirem as chapas. Acabou o aquecimento e agora toda partida é uma final.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.EUA x Brasil: a intervenção subterrânea. No Outras Palavras, Sara Vivacqua analisa a nova doutrina de guerra ao terror de Trump na América Latina.

.“Bancada das bets”: quem são os aliados das casas de apostas no Congresso Nacional. Sob a bandeira da liberdade econômica, parlamentares de direita jogam a favor das Bets. Na Pública.

.Enquanto escolas do campo são fechadas, programas educacionais do agronegócio se espalham pelo país. Foram mais de 110 mil unidades educacionais rurais fechadas nos últimos 25 anos. Veja n’O Joio e o Trigo.

.O Método Sueli Carneiro: livro de Cidinha da Silva reúne 81 lições da pensadora. O Nós apresenta o livro de Cidinha da Silva que relata os aprendizados ao longo dos quase quarenta anos de convívio com Sueli Carneiro.

.Momento China USP #67: O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, ganha tradução para o mandarim. A tradutora chinesa Silvia Yan explica porque a obra de Darcy Ribeiro foi considerada prioritária para os chineses entenderem o Brasil. No Jornal da USP.

.100 anos de Alexina Crêspo: relembre guerrilheira feminista que defendia reforma agrária ‘na marra’. O Brasil de Fato relembra a trajetória da dirigente que participou das Ligas Camponesas e do MST.

.A matemática do gol de falta. Na Piauí, Sérgio Rodrigues analisa os efeitos do planejamento estatístico sobre um dos momentos mais artísticos do futebol.


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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

E se o Brasil virar uma Venezuela?

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato" (03/07/2026).

E se o Brasil virar uma Venezuela?

Quem diria que a divisão da Terra em camadas, a união das placas da América do Sul e do Caribe e a capacidade da litosfera de segurar suas tensões trariam mais más notícias para um país que está tendo um 2026 já bastante desafiador, e desde seus primeiros dias.

Não, este não é um texto sobre geologia. Mas, no dia 24 de junho, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela, afetando especialmente a capital, Caracas, sua região metropolitana e o litoral, com ênfase na cidade de La Guaira.

Em um ano no qual sua população já viveu um bombardeio que deixou diversos militares mortos e muitos moradores traumatizados, que teve como consequência o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cília Flores, aparentemente os Estados Unidos não são o único inimigo — mesmo que sigam sendo um dos principais.

Passados nove dias da maior tragédia natural vivida pela Venezuela em mais de um século, a força e a dedicação para resgatar a população são inspiradoras. No último informe, o número de mortos ultrapassava os 2,2 mil, mas o de resgatados era mais de 6,4 mil. Os feridos e desabrigados são muitos, mas há assistência interna e estrangeira, abrigos temporários, hospitais de campanha, equipes de resgate e campanhas solidárias.

A solidariedade nessas horas merece atenção. Porque ela vem de países que estão mais bem supridos, como a China, de alguns que têm seus próprios escombros a lidar, como a Rússia, e até daqueles que conhecem bem o que é passar por dificuldades, mas não por isso deixariam de estender as mãos, como Cuba.

A Venezuela não está sozinha. Pelo menos, não agora. Já são mais de 30 países que enviaram equipes de resgate e ajuda humanitária para este momento tão difícil. Afinal, é preciso buscar, quebrar, apoiar, medicar, confortar, cuidar e, para tudo isso, quanto mais pessoas, melhor. A Organização das Nações Unidas está envolvida e tem até cachorros vietnamitas participando da busca por sobreviventes.

Mas e depois? Em algum momento, infelizmente, a busca deve parar de encontrar pessoas com vida e vai servir mais para oferecer um fim de respeito para quem padeceu. Os feridos serão tratados e receberão alta, podendo voltar a viver, mas não necessariamente voltar à vida anterior, porque passar por um evento deste tamanho muda um destino para sempre.

E o país passará por um longo processo de reconstrução. O caminho, me parece, é este: destruição, busca e acolhimento, aceitação, superação e reconstrução. Mas como realmente ocorre o processo de reconstrução e recuperação de uma nação que sofre influências externas na intensidade que acontece com a Venezuela?

O país vive uma crise histórica devido às sanções e bloqueios impostos pelos Estados Unidos, que minam aspectos econômicos e dificultam o acesso a equipamentos e tecnologias de resgate essenciais — e não só agora, que são ainda mais necessários.

Essa agressão política reduz o potencial de resposta rápida da Venezuela para lidar com um desastre natural como este, pois não há insumos, não há profissionais qualificados, não há abertura e sequer há dinheiro para superar as adversidades. E não são só os Estados Unidos: a União Europeia trata essa tragédia da mesma forma que faria há 500 anos, com indiferença e insensibilidade.

E, se é para ser justa, os próprios Estados Unidos estão fazendo parte da ajuda humanitária nos resgates após os terremotos. Enviando médicos militares e, de alguma forma, aumentando sua presença em um lugar onde ela já é imposta? Sim. Mas essa é a realidade.

Ainda assim, a dupla agressão, política e natural, poderia fazer qualquer um desistir. Mas, tal qual os brasileiros, os venezuelanos não desistem nunca. A força latina de um povo que lutou para se libertar corre no sangue da sua população até agora, e é isso que os mantém em frente.

Cada novo sobrevivente é comemorado. Cada nova ajuda é celebrada. A esperança, a dedicação e o empenho que já faziam parte do dia a dia do venezuelano, inclusive em um ano com mais debilidades, tentam se fortalecer em meio a tanta dor.

A Venezuela resiste. A Venezuela se recupera. Não vai ser fácil. Assim como a última semana foi bastante triste e pesada, infelizmente este sentimento vai perdurar e os próximos meses não serão leves. Mas, sem esperança, fica difícil viver. E se tem uma coisa que o latino-americano tem, é vontade de viver.

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Rafaella Coury
Supervisora de edição