14 agosto, 2026

Eleições em tempos de El Niño

 


Olá, apesar da calmaria, os tempos não prometem tranquilidade.

.Sem céu de brigadeiro. Lula é o favorito nas eleições, mas a campanha mal começou. A vantagem do petista é a retomada das boas relações com o centrão depois de diversas crises. Hugo Motta, por exemplo, abriu o voto em Lula, e Alcolumbre reaproximou-se de olho em sua futura reeleição à presidência do Senado e, talvez, em troca da indicação de Rodrigo Pacheco ao TCU. O resultado é que Lula é o único candidato a presidente com partidos aliados, um feito inédito na história da República, o que significa mais recursos, palanques estaduais e tempo de campanha na TV e nas rádios. Por outro lado, como já se esperava, Trump e a direita latino-americana estão aí para tentar atrapalhar o projeto de reeleição. Mas o resultado vai depender muito da habilidade do governo e da campanha petista de fazer desse limão uma limonada. A exemplo da sequência de críticas de quinta série que Milei tem feito a Lula, que pode mais ajudar do que atrapalhar o presidente brasileiro. Já o tarifaço dos Estados Unidos é um assunto mais delicado porque tem impactos econômicos relevantes. Por hora, o Itamaraty levou a questão para a OMC, onde recebeu o apoio da China, o que pode atenuar o tom eleitoral da medida imposta por Trump. A ideia é explorar as contradições internas do governo norte-americano, apoiando-se nos setores econômicos afetados pelas tarifas e enfraquecer a ala ideológica de Marco Rúbio, que sonha com uma nova versão da Doutrina Monroe. Para completar o quadro, o Planalto receia que a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia dê fôlego para a campanha da direita brasileira nas redes. Além dos problemas externos, Lula tem que gerir as pressões vindas do mercado, cujas controvérsias atingem sua própria equipe de campanha. O novo mantra da Faria Lima é o fantasma do descontrole da dívida pública. Neste debate encontra-se, de um lado, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que reconhece o problema e contemporiza com as preocupações do mercado e, de outro, a ala dos economistas desenvolvimentistas, como Sérgio Gabrielli e Luiz Gonzaga Belluzzo, que criticam a austeridade, culpam as altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central e defendem a ampliação dos investimentos públicos.

.02 e o comando maluco. Se Donald Trump é o verdadeiro adversário, os problemas de Lula só não são maiores porque seus concorrentes eleitorais são fracos. Por mais espaço e repercussão que Caiado e Zema tenham na mídia, o desempenho dos dois ex-governadores até aqui é microscópico. Já Renan Santos, aplicando a fórmula de polêmicas e redes sociais do MBL em nível nacional, pode não crescer para chegar ao segundo turno, mas já ganhou a simpatia da Faria Lima. O que não é nenhuma surpresa, pois tanto o candidato, quanto esses eleitores são gente branca e rica de São Paulo e provavelmente estudaram juntos na infância. Quanto ao líder da direita nas pesquisas, Flávio Bolsonaro, ainda não conseguiu criar um fato novo positivo em sua campanha. Ao contrário, além de dever explicações sobre o caso Dark Horse, Flávio apareceu nas manchetes por mentir no currículo sobre um curso de pós-graduação que nunca fez e por não conseguir registrar a candidatura, porque alguém o filiou no Missão, no endereço “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”. Curiosamente, a maior ajuda a Flávio tem vindo do principal alvo da sua campanha, o STF. Enquanto a base bolsonarista defende o impeachment de ministros e o próprio Flávio anuncia outras propostas para reduzir os poderes da Corte, os dois indicados por seu pai tem dado uma forcinha na campanha: Kassio Nunes Marques relativizando sempre que o candidato do PL descumpre as normas eleitorais, e André Mendonça, que quando não está trocando farpas com a PF, também passa um pano para as ações de Flávio no TSE.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Doutrina Donroe: a próxima etapa. Reunião de Trump com 60 governos do mundo aponta caminho para o retorno da supremacia norte-americana. No Outras Palavras.

.Infográfico mostra como o tarifaço mudou o mapa das exportações brasileiras aos EUA. Levantamento do G1 revela quais estados perderam e quais ganharam espaço no mercado estadunidense.

.Uma voz de luta e esperança: as visitas de Fidel ao Brasil. Pesquisa do Instituto Tricontinental mapeia o contexto e a repercussão das 6 visitas do líder cubano ao Brasil.

.Desigualdade de renda persiste no Brasil, aponta relatório. O Observatório Brasileiro das Desigualdades revela o abismo econômico e social do país. No Correio Braziliense.

.O Rio nunca prendeu tanta gente de terno. No Intercept, Cecília Oliveira detalha as operações da PF que revelaram uma rede do crime organizado no Rio.

.Dez documentários brasileiros premiados para assistir no streaming. A Gama indica documentários dos últimos dez anos que estão disponíveis em plataformas.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

07 agosto, 2026

Que Deus abençoe e proteja todos os pais, e aos pais falecidos, a graça da ressurreição.


Paternidade: presença que gera vida

Neste Dia dos Pais, vale a pena olhar para a paternidade com esperança e responsabilidade. O papel de um pai não é apenas sustentar a família financeiramente, mas estar presente na vida dos filhos. Essa percepção nos convida a uma profunda reflexão.

Ser pai é mais do que cumprir uma função; é construir uma relação. A presença cotidiana, o diálogo, o carinho, a escuta e o cuidado deixam marcas que o tempo não apaga. As filhas e os filhos crescem não apenas com aquilo que recebem, mas também com quem caminha ao seu lado.

Vivemos em um mundo marcado pela pressa, pelo excesso de trabalho e por muitas distrações. Por isso, a presença tornou-se um gesto de amor. Um pai presente ensina valores, fortalece a confiança, ajuda a enfrentar os desafios da vida e participa da formação humana e espiritual de suas filhas e filhos.

A Bíblia nos apresenta um Deus que caminha com seu povo, que não abandona, que cuida e acompanha. A paternidade humana encontra aí uma inspiração: ser presença que protege sem dominar, orienta sem controlar e ama sem medida.

Também é importante recordar que muitas pessoas exerceram e exercem a paternidade de formas diversas: pais biológicos, adotivos, avôs, padrastos, tios, educadores e tantas lideranças que assumem responsabilidades de cuidado e acompanhamento. Toda paternidade vivida com amor, compromisso e respeito pela dignidade da vida torna-se sinal do cuidado de Deus.

Que este Dia dos Pais seja um convite para renovar os laços familiares e comunitários. Que nossos pais sejam valorizados, apoiados e incentivados a viver uma paternidade cada vez mais próxima, afetiva e comprometida com a vida.

A presença é um dos maiores presentes que um pai pode oferecer. E quando a presença se transforma em cuidado, diálogo e amor, ela faz florescer a esperança nas famílias, nas comunidades e na sociedade.

Que Deus abençoe e proteja todos os pais, e aos pais falecidos, a graça da ressurreição.

Estudo mostra que “ser presente no dia a dia” é a principal característica de um bom pai

A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados divulgou em 2026 um estudo sobre a percepção das brasileiras e dos brasileiros em relação à paternidade. O levantamento foi publicado por ocasião do Dia dos Pais e traz alguns dados bastante interessantes sobre como a sociedade enxerga o papel do pai hoje.

Esse levantamento oferece um ponto de partida muito rico: a sociedade brasileira está reconhecendo que a paternidade se expressa sobretudo na presença, no cuidado e na convivência, o que dialoga diretamente com temas como corresponsabilidade familiar, educação das filhas e dos filhos e cultura do cuidado.

Destaque:
49% - “Ser presente no dia a dia” define um bom pai
3% - “Provedor financeiro” como principal característica
Cerca de 50% - Acham os pais de hoje menos participativos

O dado mais marcante é que quase metade dos brasileiros (49%) considera que a principal característica de um bom pai é estar presente no cotidiano dos filhos, acompanhando a educação, os cuidados, o diálogo e a convivência. Em contraste, apenas 3% apontaram a função de provedor financeiro como a principal característica da paternidade. Isso indica uma mudança importante na percepção social: o modelo tradicional centrado apenas no sustento econômico perdeu espaço para a valorização da presença afetiva e da participação concreta na vida familiar.

Outro resultado relevante é que aproximadamente metade da população acredita que os pais de hoje são menos participativos do que os pais do passado. Esse dado revela uma percepção ambígua: ao mesmo tempo em que a sociedade valoriza mais a presença paterna, muitos brasileiros entendem que essa expectativa ainda não está sendo plenamente correspondida.

A pesquisa também sugere que a paternidade contemporânea é associada a elementos como afeto, cuidado, diálogo, acompanhamento da rotina dos filhos e responsabilidade compartilhada, enquanto a dimensão exclusivamente financeira aparece como secundária.

O recado do Mercado



Olá, Flávio Bolsonaro colhe os louros, mas quem dita a ofensiva contra Lula é a Faria Lima.

.Ataque coordenado. Terminadas as convenções é que a campanha começa mesmo. Em poucos dias, Lula sofreu golpes em diferentes flancos. A orquestração dos ataques fica evidente quando os três maiores jornais do país estampam a mesma manchete no mesmo dia sobre Lulinha, o primeiro alvo. A tentativa de associar o entorno da presidência ao escândalo do INSS foi seguida por denúncias de valores recebidos pelo ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, o que causou a primeira baixa com seu afastamento da coordenação de campanha. Tudo isso turbinado por postagens da campanha de Flávio nas redes sociais. O outro flanco foi a divulgação dos documentos sobre Jaques Wagner no inquérito do Banco Master. Tanto a abertura de inquérito contra Lulinha, como as revelações sobre o ex-líder do governo, têm em comum investigações da PF e a autorização de André Mendonça. Mas não significa necessariamente um jogo combinado, pelas tensões registradas entre a PF e o ministro do STF. Além dos ataques diretos, Lula também enfrenta a pressão da Faria Lima, disfarçada nos editoriais como “preocupações do mercado”, que visa, nas palavras de Igor Felipe, “diante das dificuldades para derrotar Lula nas urnas, sequestrar seu próximo governo e tutelar a política econômica”. E se o governo quiser reforço na munição, não conte com a ajuda do Congresso para destravar pautas importantes, como o fim da 6x1. Se é para o Legislativo voltar a trabalhar, só se for para ajudar o agronegócio. Também não conte com Gabriel Galípolo, que não atrapalhou nem ajudou ao reduzir pela quarta vez seguida a taxa Selic, mas cortando apenas 0,25%, o que mantém o Brasil na dianteira dos maiores juros do mundo. Apesar disso, o maior problema de Lula não vem de dentro das fronteiras nacionais. A ação de Trump para influenciar as eleições brasileiras segue escalando, com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e a continuidade dos ataques pela via argentina. E nesta guerra, Lula não pode contar nem com seu Ministro da Defesa.

.PL em dose dupla. A nova ofensiva da direita, mas principalmente dos jornalões, contra o governo surtiu efeito. Depois de semanas estabilizadas, as pesquisas apontam uma queda nas intenções de votos em Lula e uma recuperação de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL também parece ter encontrado seu mote de campanha: combate à corrupção e segurança pública (Surpresa!). Com isso, os escândalos do INSS, Lulinha, Jaques Wagner e temas afins devem continuar em destaque. Mas nem por isso os problemas do candidato bolsonarista ficaram para trás. Depois de procurar desesperadamente uma mulher para compor sua chapa, Flávio teve que se contentar com um homem de seu próprio partido que, ainda na véspera, havia sido lançado como candidato ao Senado. O que determinou a jogada improvisada foi uma mudança no comportamento do centrão, hoje mais interessado em garantir seus mandatos legislativos e gordas emendas do que apoiar um candidato à presidente. O que passa também pelos interesses regionais. De um lado, a possibilidade da senadora Tereza Cristina (PP-MS) se tornar vice de Flávio foi inviabilizada por um acordo de não agressão entre o PT e o PP no Piauí, que deve beneficiar a reeleição de Ciro Nogueira ao Senado, e ela mesma talvez prefira ser presidente do Senado que vice-presidente da República. Por outro lado, a indicação de Alfredo Gaspar ajudou a tirar do caminho um concorrente à vaga no Senado por Alagoas, favorecendo a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) contra seu arquirrival Renan Calheiros (MDB-AL). Mas, mesmo que as pesquisas deem esperanças a Flávio, a longo prazo sua vida tende a ser difícil. É verdade que ele conseguiu galvanizar os eleitores da direita e conquistar uma parcela dos independentes. Porém, seu crescimento ocorreu principalmente entre os homens, e o público feminino ainda simpatiza majoritariamente com Lula. Situação que pode piorar quando o currículo de seu vice vier a tona, especialmente a acusação de estupro contra uma adolescente de 13 anos. Nesse caso, um plano B poderia ser a indicação de Michelle Bolsonaro a vice de Flávio em uma chapa puríssimo sangue. Por fim, assim que a campanha começar, a debandada dos partidos do centrão deve pesar, revertendo-se em pouca “máquina” eleitoral em estados decisivos como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.O que falta Israel fazer? O Outras Palavras reproduz entrevista com Francesca Albanese, relatora especial da ONU para a Palestina.

.A vida em Cuba sob asfixia energética. Como é o dia-a-dia do povo cubano para sobreviver às sanções norte-americanas. No Brasil de Fato.

.A verdadeira história da terra onde a canadense Belo Sun quer arrancar ouro. Cinco décadas de prisões ilegais, torturas, violência sexual, destruição de roças e disputas fundiárias que abriram caminho para o projeto de mineração. Na Sumaúma.

.Daniel Perez: por que Trump escolheu deputado anticomunista para embaixada no Brasil. Quem será o novo embaixador de Trump no Brasil. Na Agência Pública.

.Empresas de Porto Alegre mostram que é possível deixar a escala 6×1 para trás. No Brasil de Fato, conheça as experiências de cafeterias e supermercados que adotam as escalas de trabalho 4x3 e 5x2.

.O que está por trás da campanha contra o voto feminino? Nos Estados Unidos e no Brasil, influenciadores e políticos de direita defendem a volta ao passado.

.Quando Bolsonaro proibiu o Amor. André Forastieri revela a lista de palavras proibidas pelo governo Bolsonaro na EBC.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

06 agosto, 2026

Concurso INSS

A remuneração atual varia de R$ 6.355,13 a R$ 16.769,79

Não há limite máximo de idade para participar do concurso do INSS.

A única exigência etária é que o candidato tenha pelo menos 18 anos completos NA DATA DA POSSE.

O concurso deverá ser aprovado em breve pelo governo, saíra o edital.

Não espere o edital INSS sair para começar a se preparar!

Procure em fontes confiáveis na internet mais informações e se existe material disponível para estudo.

24 julho, 2026

6ª Jornada Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas convida à proximidade com os idosos

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No próximo domingo, 26 de julho, a Igreja celebra a 6ª Jornada Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas, instituída pelo Papa Francisco e celebrada anualmente no quarto domingo de julho, próximo à memória litúrgica de São Joaquim e Sant'Ana, avós de Jesus. Em 2026, o tema escolhido é "Eu nunca te esquecerei" (Is 49,15), um convite para que toda a comunidade cristã renove seu compromisso com o cuidado, a valorização e a presença junto às pessoas idosas.

A mensagem da Jornada recorda que Deus jamais abandona Seus filhos e filhas, especialmente aqueles que, muitas vezes, experimentam a solidão, a fragilidade ou o sentimento de invisibilidade. Inspirada nas palavras do profeta Isaías, a celebração reforça que cada pessoa idosa é preciosa aos olhos de Deus e ocupa um lugar insubstituível na vida da família, da Igreja e da sociedade.

Na Arquidiocese de Maringá, a data também destaca a missão da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), que atua por meio de visitas domiciliares, acompanhamento, escuta e promoção da dignidade dos idosos. Com a dedicação de centenas de líderes voluntários, a pastoral leva esperança, orientação e solidariedade às pessoas idosas, especialmente às que vivem em situação de vulnerabilidade, fortalecendo vínculos familiares e comunitários.

Mais do que uma comemoração, a Jornada é um chamado para que as comunidades promovam uma verdadeira cultura do encontro entre gerações. Os avós e as pessoas idosas são guardiões da memória, da fé e da história das famílias. Seu testemunho de perseverança e esperança continua sendo um dom para a Igreja e uma inspiração para as novas gerações.

Neste domingo, as paróquias são convidadas a recordar a data em suas celebrações, rezando de modo especial pelos avós e pelas pessoas idosas, incentivando gestos concretos de proximidade, visita e acolhida. Afinal, cuidar dos idosos é reconhecer neles a presença viva de Cristo e testemunhar o amor de Deus que nunca esquece Seus filhos.

Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

Deus prefere a pequenez!

Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele nos deixa livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, procura abrir caminho mesmo em meio ao joio e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.
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Leia a análise na postagem a baixo intitulada: Yes, we can!

Cidadãs e Cidadãos, Lideranças comprometidas com a vida e com a democracia precisam cultivar um olhar atento, crítico e amplo sobre a realidade. Compreender os acontecimentos políticos, econômicos e sociais é essencial para discernir os desafios do presente e os caminhos do futuro.

A análise é uma sugestão de leitura para ampliar o debate e a reflexão. Como em qualquer tema de interesse público, é sempre importante buscar informações em diferentes fontes sérias, confiáveis e bem fundamentadas, formando uma compreensão crítica da realidade.

Leia a análise na postagem a baixo intitulada: Yes, we can!

Yes, we can!


Olá, faltando pouco mais de dois meses para as eleições, o governo já sente um clima de vitória. A única dúvida é se o mérito é de Lula, de Flávio ou de Trump.

.Tariflávio. Como esperado, o novo tarifaço chegou com uma sobretaxa de 25% sobre uma ampla lista de produtos de exportação brasileiros, mais 12,5% sobre aqueles supostamente relacionados ao trabalho escravo. Do ponto de vista econômico geral, o impacto das tarifas deve ser pequeno. Além disso, Trump corre o risco de fortalecer a concorrência, aprofundando a perda de importância relativa dos Estados Unidos na balança comercial brasileira. Já do ponto de vista político, o saldo do tarifaço foi positivo para o Planalto. Em poucos dias, a avaliação pessoal de Lula deu um pequeno salto, com a aprovação do eleitorado indo de 42% para 46% e a desaprovação caindo de 50% para 47%. Mas não foi só a opinião do povão que mudou. Mesmo que uma lista de produtos tenha sido isenta - como carnes, minérios e remédios - a medida assustou os exportadores brasileiros. Tirando a Fiesp, o restante do empresariado viu o governo não como problema, mas como solução. Além de liberar R$18 bilhões em créditos para os setores atingidos, o Planalto discute a possibilidade de medidas de reciprocidade contra as exportações norte-americanas. Mas o mais provável é que Lula siga apostando no diálogo com Washington, nas críticas públicas a Trump, e nos fóruns internacionais - como a OMC - enquanto mantém os donos do PIB debaixo de suas asas. Claro, quando o assunto é a relação da candidatura petista com o andar de cima, nem tudo são flores. No caso da Faria Lima, que também ensaia uma aproximação com Lula, a fala do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que defendeu o aumento do salário mínimo e o controle de capitais, gerou certo alvoroço, além da banca colocar preço no apoio com um novo ajuste fiscal, mas também serviu de alerta para o governo afinar o trabalho em equipe antes que a campanha comece. Por fim, o tarifaço de Trump ainda cumpriu o papel de dar materialidade ao tema da soberania e do espectro da intervenção estrangeira nas eleições. Mas, ao contrário de se sentir ameaçado, Lula talvez acredite que Trump e Marco Rubio sejam seus melhores cabos eleitorais.

.O recruta em seu labirinto. Flávio Bolsonaro chega à sua convenção sem vice na chapa, sem conseguir atrair o apoio do União Brasil e do PP, a federação do centrão que optou pela neutralidade, nem do Republicanos do suposto aliado Tarcísio de Freitas, e sem a confiança do presidente do próprio partido. Aliás, quando Valdemar afirma que será Jair e não o candidato Flávio quem escolherá a vice na chapa, também sinaliza que Bolsonarinho é mesmo só um candidato de fachada. O apoio da família também continua sendo crucial para que sua candidatura seja um fracasso. O irmão Eduardo ganhou o green card americano logo no momento em que é implantado o novo tarifaço no Brasil. Talvez empolgado com o salvo conduto que ganhou de Trump, Dudu disparou a metralhadora contra o restante da direita, como Ronaldo Caiado e Kim Kataguiri, além da madrasta Michelle. Ela, por sua vez, também seguiu jogando gasolina na fogueira da campanha do Ceará, onde teve a queda de braço com os enteados. Mas, Flávio também é capaz de afundar sua candidatura por conta própria. Mesmo ensaiando uma trégua tardia com a madrasta, ele repetiu o feito do pai, reunindo embaixadores para repetir a ladainha sobre as urnas eletrônicas, conseguindo apanhar não só do PT, como de Caiado e Zema. Mais do que manter a coesão do bolsonarismo, Flávio aposta mesmo em um argumento que justifique as ingerências de Trump sobre o país. Mas se o discurso soa bem para o tiozão do zap, ao lembrar que a família é afeita ao golpismo, Flávio também afasta a Faria Lima. E tão ruim quanto perder o apoio da turma do dinheiro é a incapacidade de conseguir o voto evangélico, desconfiado com as relações de Flávio com Daniel Vorcaro. A situação, que já era ruim com o episódio Dark Horse, só foi confirmada com a revelação de que o escritório de Flávio emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas do esquema de Vorcaro, e poderá ficar ainda pior com o aprofundamento da investigação autorizada pelo STF sobre o financiamento do filme.

.Centrãoquistão. Se nas eleições presidenciais a disputa será novamente entre a esquerda e o bolsonarismo, nos governos estaduais é muito provável que o centrão saia fortalecido. Na região sul, a gaúcha Juliana Brizola é a aliada de Lula com melhores chances entre os candidatos, ainda que numa disputa acirrada com o bolsonarista Tenente Coronel Zucco. O também bolsonarista raiz Jorginho Mello lidera em Santa Catarina, enquanto no Paraná, o cenário favorece o bloco conservador, impulsionado pelo espólio político de Ratinho Júnior (PSD), mas em disputa com o reconvertido bolsonarista Sérgio Moro (PL). Na região sudeste, maior colégio eleitoral do país, o medo do petismo é que Tarcísio de Freitas vença no primeiro turno, enquanto Eduardo Paes, um aliado de Lula em versão light e ampla, lidera no Rio. Em Minas, o cenário para a sucessão no Palácio Tiradentes permanece pulverizado, mas sob liderança do senador Cleitinho (Republicanos), um aliado menos controlável pelo bolsonarismo, enquanto o PT solucionou a lambança que ele mesmo criou com o lançamento de Patrus Ananias. A força lulista obviamente está no nordeste, onde o Partido demonstra força na Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte, com uma eleição difícil no Ceará e apoiado também na força do PSB na região, especialmente Pernambuco onde Lula tem o apoio de João Campos, mas não enfrenta resistências da atual governadora Raquel Lyra (PSD). Mas é no centro-oeste e na região norte que o centrão e parte do bolsonarismo têm maior força, liderando ou disputando entre si nos pleitos. O mais próximo que o lulismo tem de apoiador é Omar Aziz (PSD), segundo colocado no Amazonas.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.O plano de Donald Trump para interferir nas eleições dos EUA. Na Pública, James Green mostra os passos de Trump para evitar que os democratas assumam o controle da Câmara.

.IA chinesa avança e desafia domínio dos EUA. Como a política chinesa de código aberto ameaça a hegemonia norte-americana e a propriedade intelectual privada. No DW.

.China quer reduzir dependência do agronegócio brasileiro: o plano que assusta o Brasil. O 15º Plano Quinquenal chinês tem como meta ampliar a soberania alimentar, o que a longo prazo pode significar menos importações do Brasil. Veja na BBC.

.Com alta de 74% em 16 anos, eleitorado idoso ganha força, mas enfrenta desafio da abstenção. Os idosos representam 23% do eleitorado nacional, mas sua participação política é decrescente. Veja na NP.

.Quem na Academia é contra a Universidade Indígena? Rafael Guerra de Oliveira responde às críticas contra a Universidade Federal Indígena. No Outras Palavras.

.O avanço da extrema direita nas Américas ameaça a Amazônia e reduz as chances de sobrevivência. Na Samaúma, veja o impacto da conjuntura política latino-americana sobre a questão ambiental.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.