21 agosto, 2026

Um grande passado pela frente


Olá, em mais uma eleição polarizada, a bola de cristal da esquerda e da direita continua sendo o espelho retrovisor.

.Naftalina. Se depender dos lançamentos oficiais das candidaturas presidenciais, ninguém deve esperar grandes novidades na terceira eleição disputada entre petistas e bolsonaristas. Ao invés de propostas para o futuro, tanto Lula quanto Flávio apostam no passado. De volta ao berço do PT e de sua própria trajetória, Lula conseguiu emular o famoso comício da Vila Euclides, relembrou sua história política e marcos de seus governos, apostando na nostalgia como valor, como se viu também no seu primeiro vídeo de campanha. A estratégia parte da ideia de que a juventude não conheceu ou não reconhece as políticas dos governos petistas como conquistas, mas também aposta num setor do eleitorado que nunca foi tão numeroso, os 60 +, onde Lula tem superado os adversários. Tanto que eles foram citados no discurso, assim como as mulheres - outro fiel da balança - e devem ganhar destaque nos programas de governo. Por sua parte, Flávio repete o passado para tentar convencer o eleitor de que ele é o pai. Os bolsonaristas partiram do seu berço eleitoral, Copacabana, e Flávio pretendia ir no dia seguinte para Juiz de Fora, palco da facada de 2018. O discurso de lançamento repetiu o mote Deus, Pátria e Família, e o discurso antipetista, que no fim das contas é o que dá liga à extrema-direita. Além disso, não se pode esperar novidades nos programas de governo. Lula deixou de fora a possibilidade de Tarifa Zero e reforçou políticas que não conseguiu implementar neste mandato, como a criação do Ministério da Segurança Pública. Já Flávio, repetiu as promessas do bolsonarismo de limitar a ação do STF e requentou os símbolos de Milei, como a motosserra, para propor um Estado mínimo. Mas os contrastes dos programas não estão só nas propostas. A palavra “educação” é citada 42 vezes no programa de Lula e apenas 9 no de Bolsonaro. A palavra mais repetida no programa petista é “cultura”, 86 vezes, e no programa bolsonarista são “facções criminosas” e “segurança”, 9 vezes, seguida por “agronegócio”, com 7 menções. Porém, talvez não sejam só os candidatos que estão presos ao passado, mas também os eleitores. A pesquisa Quaest continua demonstrando a polarização do eleitorado: Lula vence no nordeste, entre as mulheres, católicos, pretos e pardos e até 2 salários mínimos; Flávio vence no sul e sudeste, brancos, evangélicos e acima de 2 salários. Para Alon Feuerwerker, a polarização é ainda mais simples: é basicamente entre quem acha que o Estado deve aumentar impostos sobre os ricos para garantir o bem-estar social da maioria e quem acha que o Estado não funciona e não deve se meter na economia e na sociedade.

.Heranças malditas. O tom consevador das eleições também é reflexo do perfil dos candidatos: será a eleição menos concorrida desde 2010, com candidatos em média mais velhos e mais ricos que nas anteriores, enquanto o PT sai enfraquecido, com o menor número de candidaturas desde as eleições de 1994. O sentimento de volta ao passado é fruto, ainda, das dificuldades de superar velhos problemas. Por mais que Lula sonhe em elevar o debate, o tiroteio em torno da corrupção deve prevalecer tanto porque a direita achou o escândalo de Lulinha para explorar - turbinado pela mídia - quanto porque o envolvimento de Flávio com Vorcaro não pode ser ignorado. Outro problema antigo é a questão ambiental. Há 20 anos, a descoberta do pré-sal embalou o sonho de um Brasil próspero, autônomo e ambientalmente sustentável regado a royalties de petróleo. Agora, a descoberta de reservas na margem equatorial deve ser explorada pela campanha petista como um novo “passaporte para o futuro”, com poucas preocupações sérias com o meio ambiente. Mas, a verdade é que o fim da “taxa das blusinhas” hoje dá mais votos que a preservação de florestas e rios. O principal avanço em relação ao passado nessas eleições parece ser mesmo a retomada do discurso da soberania, mas, nesse caso, a pauta não tem a ver com o petróleo e sim com a agressividade de Washington na área comercial. Por isso, Lula - o presidente e o candidato - seguirá buscando o diálogo como solução, mas também denunciando nos fóruns internacionais a conduta imperialista de Trump e a tentativa de ingerência nas eleições brasileiras. Mas a pior contradição da esquerda está dentro de casa e é a relação de amor e ódio com o centrão. O silêncio da campanha petista sobre o clientelismo e o fisiologismo regado a emendas parlamentares se explica pelo pragmatismo da própria eleição, já que todos dependem dos “currais” eleitorais controlados pelos caciques do centrão. Além disso, o Planalto conta com a boa vontade dos presidentes da Câmara e do Senado para manter acesa a esperança de fazer andar o fim da jornada 6X1.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.A reprimarização do Brasil e a possível virada. Marcio Pochmann reflete sobre as quatro décadas de financeirização e as oportunidades da conjuntura atual. No Outras Palavras.

.Mineradoras estrangeiras detêm 4 a cada 10 projetos de terras raras no país. O Repórter Brasil mapeia os investimentos em terras raras no Brasil.

.Super-ricos do Brasil pagaram só 4,6% de Imposto de Renda em 2023, contra 27,5% da classe média. Relatório da Oxfam mostra a realidade regressiva do sistema tributário brasileiro. No Brasil de Fato.

.A promessa de ‘legado da COP30’ em Belém começa com um data center sem licença ambiental. O BEL1 avança sem respostas sobre licenciamento, consumo de energia e impacto ambiental e social. No Intercept.

.Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil. A Pública mapeia quem são e o que propõem os candidatos policiais e militares.

.A poesia encarnada de Pedro Casaldáliga. Maria Salete Magnoni analisa a poesia do bispo que enfrentou a ditadura e os ruralistas do Araguaia. No Outras Palavras.

.O que significa ser socialista nos EUA hoje? Na Pública, James Green analisa o avanço e os limites do socialismo democrático no centro do imperialismo global.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

Mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

Na mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado em 1º/09, Leão XIV alerta para as feridas provocadas pelas guerras e pela degradação ambiental e recorda que a construção da paz exige uma conversão pessoal e coletiva. “As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor.”




MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA LEÃO XIV

PARA O XI DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO
PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO 2026

1º de setembro de 2026

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“Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices” (Isaías 2, 4)


Queridos irmãos e irmãs,

Nosso Senhor Jesus Cristo veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância (cf. Jo 10, 10). Este dom da vida está no cerne da nossa missão como discípulos e do chamamento comum para construir uma civilização do amor. Ao celebrarmos este Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, somos mais uma vez convidados a contemplar o dom da vida e a valorizar a terra que a sustenta, pois estas são formas concretas de louvar o nosso Criador.

Hoje, testemunhamos muitas crises e muito sofrimento humano. Parece, ao mesmo tempo, que a perturbação do equilíbrio harmonioso da criação está a acelerar. Estes fenómenos não deixam de estar relacionados: constituem um único apelo à cura e à paz, proveniente dum mundo ferido.

O Deus da vida, revelado em Jesus Cristo, oferece uma paz que o mundo não pode dar: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz» (Jo 14, 27). Esta paz não é superficial nem efémera, mas brota do amor perene de Cristo e do seu cuidado por cada pessoa humana.

No entanto, esta promessa de paz contrasta fortemente com as realidades que observamos em muitas partes do mundo. O profeta Isaías falou de um tempo em que as nações «transformarão as suas espadas em relhas de arados» (Is 2, 4), mudando aquilo que destrói a vida naquilo que a sustenta. Hoje, porém, testemunhamos com demasiada frequência exatamente o contrário, já que os esforços continuam a ser direcionados para a violência e a guerra.

A guerra deixa feridas que vão muito além do campo de batalha. Ela ceifa vidas, separa famílias e obriga milhões de pessoas a fugir para longe dos seus lares, aumentando assim o medo, a injustiça e a divisão (cf. Gaudium et Spes, 77-82). A guerra deixa também para trás uma destruição social e ecológica que perdura por gerações. Além disso, a interação entre os conflitos armados e a degradação ambiental cria frequentemente um ciclo vicioso, que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, e compromete a segurança alimentar. Isto faz crescer a pobreza, a desigualdade e novas tensões sociais que podem contribuir para o surgimento de mais conflitos.

Mais ainda, a guerra cria feridas que danificam todo o tecido da vida, prejudicando não só as pessoas e as comunidades, mas também a sua rede mais ampla de relações com a inteira família humana e a sua harmonia com a criação. Isso revela uma incapacidade ainda maior de viver à imagem e semelhança de Deus, de respeitar a vida e de cuidar da terra que nos foi confiada. Não se trata apenas dum fracasso político, mas também moral e espiritual. Enraizada em desejos distorcidos e no uso indevido da liberdade e do poder humanos, a guerra apresenta-se como um contratestemunho do Evangelho da paz.

As crises mencionadas acima exigem não só responsabilidade, mas também uma conversão do coração que dê fruto numa maior fidelidade a Deus, no amor mútuo e no respeito pelo dom da criação. Realmente, as discórdias que vemos no mundo, como a violência, a injustiça e a degradação ecológica, não são simplesmente o resultado de sistemas ou estruturas insuficientes, mas estão ligadas «com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem» (Gaudium et Spes, 10). Na verdade, o coração humano é o lugar onde acontecem as lutas fundamentais e onde a nossa condição decaída se revela. Não é meramente a sede das emoções, mas o centro da pessoa: o lugar onde convergem razão, desejo, vontade e consciência. É aqui que lutamos com desejos contraditórios que existem dentro de nós entre amor e indiferença, verdade e ilusão, justiça e injustiça (cf. Tg 1, 14–15). As feridas da guerra e a degradação da terra estão, portanto, intimamente ligadas à condição do coração humano. Os conflitos que atormentam a humanidade são, em muitos aspectos, a expressão exterior da discórdia e da divisão interiores. Quando o coração está deformado, as relações sofrem e as estruturas que construímos começam a refletir essa desordem.

O Papa Bento XVI recordou-nos que «os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos» (Homilia na Santa Missa para o início do ministério petrino do Bispo de Roma, 24 de abril de 2005). Isto convida-nos a reconhecer que, de certa forma, o que está quebrado à nossa volta também está quebrado dentro de nós. Portanto, para construir uma sociedade pacífica não devemos apenas reformar as estruturas, mas também renovar os nossos corações. As causas profundas dos conflitos e da exploração da criação têm origem numa crise ética e cultural, que inclui a perda do sentido dos limites, a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade, concedida por Deus a cada pessoa humana.

O apelo profético a «transformar as espadas em relhas de arados» (Is 2, 4) não é simplesmente um ideal para as nações, mas um chamamento individual, que nos convida a transformar o mal em vida. Esta transformação, todavia, não pode ser alcançada por meio de mudanças apenas exteriores. Ela exige, em colaboração com a graça de Deus, uma conversão pessoal e coletiva mais radical: um regresso a Deus, que reordenará os nossos desejos, curará as nossas feridas e nos ajudará a crescer na virtude.

Sem esta transformação interior, a paz continuará a ser frágil e de curta duração. Mas, onde os corações se renovam, começam a abrir-se novas possibilidades. O que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação. Este é o caminho da autêntica conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia (cf. Francisco, Laudato Si’, 217). A paz, então, começa no coração e flui para as nossas relações, comunidades e para o mundo inteiro.

Embora os desafios que temos pela frente sejam enormes, Deus não nos deixa sem os meios para a cura e a transformação. Em vez das armas de guerra, o Deus da paz concede-nos a força para curar, reconciliar e construir uma civilização do amor. Desta forma, somos chamados a salvaguardar os muitos “ecossistemas” que nos foram confiados: os ecossistemas da criação, das relações humanas e do próprio coração humano.

Imaginemos um mundo em que as energias atualmente investidas na guerra fossem canalizadas para o desenvolvimento humano integral, a superação da pobreza, a proteção da dignidade humana e a reconciliação entre os povos. Tal visão reflete a fé na vinda do Reino de Deus.

As verdadeiras ferramentas para construir a paz não são as armas de destruição, mas sim a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor. Estas qualidades brotam de corações moldados pelo Evangelho e sustentados pela graça de Deus. Só estas qualidades possuem o poder de transformar os indivíduos, renovar as comunidades e curar as feridas do nosso mundo.

Queridos irmãos e irmãs, o caminho que temos pela frente é claro, embora não seja fácil. Somos chamados a deixar que os nossos corações sejam renovados, para que possamos procurar a paz e cuidar da criação. A Escritura diz-nos para guardarmos os nossos corações, pois tudo o que fazemos brota deles (cf. Pr 4, 23).

Se assumirmos esta tarefa com humildade e fé, tornar-nos-emos colaboradores na obra divina de renovação. Lenta, mas certamente, passaremos do deserto ao jardim, da divisão à comunhão e da violência à paz.

Que o Senhor nos conceda a coragem de percorrer este caminho, para que, no nosso tempo, as espadas sejam verdadeiramente transformadas em relhas de arados, a promessa do Evangelho se enraíze mais profundamente no nosso mundo e a paz de Cristo reine sobre toda a criação.

Vaticano, 15 de agosto de 2026, Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria.


LEÃO PP. XIV

14 agosto, 2026

Eleições em tempos de El Niño

 


Olá, apesar da calmaria, os tempos não prometem tranquilidade.

.Sem céu de brigadeiro. Lula é o favorito nas eleições, mas a campanha mal começou. A vantagem do petista é a retomada das boas relações com o centrão depois de diversas crises. Hugo Motta, por exemplo, abriu o voto em Lula, e Alcolumbre reaproximou-se de olho em sua futura reeleição à presidência do Senado e, talvez, em troca da indicação de Rodrigo Pacheco ao TCU. O resultado é que Lula é o único candidato a presidente com partidos aliados, um feito inédito na história da República, o que significa mais recursos, palanques estaduais e tempo de campanha na TV e nas rádios. Por outro lado, como já se esperava, Trump e a direita latino-americana estão aí para tentar atrapalhar o projeto de reeleição. Mas o resultado vai depender muito da habilidade do governo e da campanha petista de fazer desse limão uma limonada. A exemplo da sequência de críticas de quinta série que Milei tem feito a Lula, que pode mais ajudar do que atrapalhar o presidente brasileiro. Já o tarifaço dos Estados Unidos é um assunto mais delicado porque tem impactos econômicos relevantes. Por hora, o Itamaraty levou a questão para a OMC, onde recebeu o apoio da China, o que pode atenuar o tom eleitoral da medida imposta por Trump. A ideia é explorar as contradições internas do governo norte-americano, apoiando-se nos setores econômicos afetados pelas tarifas e enfraquecer a ala ideológica de Marco Rúbio, que sonha com uma nova versão da Doutrina Monroe. Para completar o quadro, o Planalto receia que a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia dê fôlego para a campanha da direita brasileira nas redes. Além dos problemas externos, Lula tem que gerir as pressões vindas do mercado, cujas controvérsias atingem sua própria equipe de campanha. O novo mantra da Faria Lima é o fantasma do descontrole da dívida pública. Neste debate encontra-se, de um lado, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que reconhece o problema e contemporiza com as preocupações do mercado e, de outro, a ala dos economistas desenvolvimentistas, como Sérgio Gabrielli e Luiz Gonzaga Belluzzo, que criticam a austeridade, culpam as altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central e defendem a ampliação dos investimentos públicos.

.02 e o comando maluco. Se Donald Trump é o verdadeiro adversário, os problemas de Lula só não são maiores porque seus concorrentes eleitorais são fracos. Por mais espaço e repercussão que Caiado e Zema tenham na mídia, o desempenho dos dois ex-governadores até aqui é microscópico. Já Renan Santos, aplicando a fórmula de polêmicas e redes sociais do MBL em nível nacional, pode não crescer para chegar ao segundo turno, mas já ganhou a simpatia da Faria Lima. O que não é nenhuma surpresa, pois tanto o candidato, quanto esses eleitores são gente branca e rica de São Paulo e provavelmente estudaram juntos na infância. Quanto ao líder da direita nas pesquisas, Flávio Bolsonaro, ainda não conseguiu criar um fato novo positivo em sua campanha. Ao contrário, além de dever explicações sobre o caso Dark Horse, Flávio apareceu nas manchetes por mentir no currículo sobre um curso de pós-graduação que nunca fez e por não conseguir registrar a candidatura, porque alguém o filiou no Missão, no endereço “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”. Curiosamente, a maior ajuda a Flávio tem vindo do principal alvo da sua campanha, o STF. Enquanto a base bolsonarista defende o impeachment de ministros e o próprio Flávio anuncia outras propostas para reduzir os poderes da Corte, os dois indicados por seu pai tem dado uma forcinha na campanha: Kassio Nunes Marques relativizando sempre que o candidato do PL descumpre as normas eleitorais, e André Mendonça, que quando não está trocando farpas com a PF, também passa um pano para as ações de Flávio no TSE.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Doutrina Donroe: a próxima etapa. Reunião de Trump com 60 governos do mundo aponta caminho para o retorno da supremacia norte-americana. No Outras Palavras.

.Infográfico mostra como o tarifaço mudou o mapa das exportações brasileiras aos EUA. Levantamento do G1 revela quais estados perderam e quais ganharam espaço no mercado estadunidense.

.Uma voz de luta e esperança: as visitas de Fidel ao Brasil. Pesquisa do Instituto Tricontinental mapeia o contexto e a repercussão das 6 visitas do líder cubano ao Brasil.

.Desigualdade de renda persiste no Brasil, aponta relatório. O Observatório Brasileiro das Desigualdades revela o abismo econômico e social do país. No Correio Braziliense.

.O Rio nunca prendeu tanta gente de terno. No Intercept, Cecília Oliveira detalha as operações da PF que revelaram uma rede do crime organizado no Rio.

.Dez documentários brasileiros premiados para assistir no streaming. A Gama indica documentários dos últimos dez anos que estão disponíveis em plataformas.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

07 agosto, 2026

Que Deus abençoe e proteja todos os pais, e aos pais falecidos, a graça da ressurreição.


Paternidade: presença que gera vida

Neste Dia dos Pais, vale a pena olhar para a paternidade com esperança e responsabilidade. O papel de um pai não é apenas sustentar a família financeiramente, mas estar presente na vida dos filhos. Essa percepção nos convida a uma profunda reflexão.

Ser pai é mais do que cumprir uma função; é construir uma relação. A presença cotidiana, o diálogo, o carinho, a escuta e o cuidado deixam marcas que o tempo não apaga. As filhas e os filhos crescem não apenas com aquilo que recebem, mas também com quem caminha ao seu lado.

Vivemos em um mundo marcado pela pressa, pelo excesso de trabalho e por muitas distrações. Por isso, a presença tornou-se um gesto de amor. Um pai presente ensina valores, fortalece a confiança, ajuda a enfrentar os desafios da vida e participa da formação humana e espiritual de suas filhas e filhos.

A Bíblia nos apresenta um Deus que caminha com seu povo, que não abandona, que cuida e acompanha. A paternidade humana encontra aí uma inspiração: ser presença que protege sem dominar, orienta sem controlar e ama sem medida.

Também é importante recordar que muitas pessoas exerceram e exercem a paternidade de formas diversas: pais biológicos, adotivos, avôs, padrastos, tios, educadores e tantas lideranças que assumem responsabilidades de cuidado e acompanhamento. Toda paternidade vivida com amor, compromisso e respeito pela dignidade da vida torna-se sinal do cuidado de Deus.

Que este Dia dos Pais seja um convite para renovar os laços familiares e comunitários. Que nossos pais sejam valorizados, apoiados e incentivados a viver uma paternidade cada vez mais próxima, afetiva e comprometida com a vida.

A presença é um dos maiores presentes que um pai pode oferecer. E quando a presença se transforma em cuidado, diálogo e amor, ela faz florescer a esperança nas famílias, nas comunidades e na sociedade.

Que Deus abençoe e proteja todos os pais, e aos pais falecidos, a graça da ressurreição.

Estudo mostra que “ser presente no dia a dia” é a principal característica de um bom pai

A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados divulgou em 2026 um estudo sobre a percepção das brasileiras e dos brasileiros em relação à paternidade. O levantamento foi publicado por ocasião do Dia dos Pais e traz alguns dados bastante interessantes sobre como a sociedade enxerga o papel do pai hoje.

Esse levantamento oferece um ponto de partida muito rico: a sociedade brasileira está reconhecendo que a paternidade se expressa sobretudo na presença, no cuidado e na convivência, o que dialoga diretamente com temas como corresponsabilidade familiar, educação das filhas e dos filhos e cultura do cuidado.

Destaque:
49% - “Ser presente no dia a dia” define um bom pai
3% - “Provedor financeiro” como principal característica
Cerca de 50% - Acham os pais de hoje menos participativos

O dado mais marcante é que quase metade dos brasileiros (49%) considera que a principal característica de um bom pai é estar presente no cotidiano dos filhos, acompanhando a educação, os cuidados, o diálogo e a convivência. Em contraste, apenas 3% apontaram a função de provedor financeiro como a principal característica da paternidade. Isso indica uma mudança importante na percepção social: o modelo tradicional centrado apenas no sustento econômico perdeu espaço para a valorização da presença afetiva e da participação concreta na vida familiar.

Outro resultado relevante é que aproximadamente metade da população acredita que os pais de hoje são menos participativos do que os pais do passado. Esse dado revela uma percepção ambígua: ao mesmo tempo em que a sociedade valoriza mais a presença paterna, muitos brasileiros entendem que essa expectativa ainda não está sendo plenamente correspondida.

A pesquisa também sugere que a paternidade contemporânea é associada a elementos como afeto, cuidado, diálogo, acompanhamento da rotina dos filhos e responsabilidade compartilhada, enquanto a dimensão exclusivamente financeira aparece como secundária.

O recado do Mercado



Olá, Flávio Bolsonaro colhe os louros, mas quem dita a ofensiva contra Lula é a Faria Lima.

.Ataque coordenado. Terminadas as convenções é que a campanha começa mesmo. Em poucos dias, Lula sofreu golpes em diferentes flancos. A orquestração dos ataques fica evidente quando os três maiores jornais do país estampam a mesma manchete no mesmo dia sobre Lulinha, o primeiro alvo. A tentativa de associar o entorno da presidência ao escândalo do INSS foi seguida por denúncias de valores recebidos pelo ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, o que causou a primeira baixa com seu afastamento da coordenação de campanha. Tudo isso turbinado por postagens da campanha de Flávio nas redes sociais. O outro flanco foi a divulgação dos documentos sobre Jaques Wagner no inquérito do Banco Master. Tanto a abertura de inquérito contra Lulinha, como as revelações sobre o ex-líder do governo, têm em comum investigações da PF e a autorização de André Mendonça. Mas não significa necessariamente um jogo combinado, pelas tensões registradas entre a PF e o ministro do STF. Além dos ataques diretos, Lula também enfrenta a pressão da Faria Lima, disfarçada nos editoriais como “preocupações do mercado”, que visa, nas palavras de Igor Felipe, “diante das dificuldades para derrotar Lula nas urnas, sequestrar seu próximo governo e tutelar a política econômica”. E se o governo quiser reforço na munição, não conte com a ajuda do Congresso para destravar pautas importantes, como o fim da 6x1. Se é para o Legislativo voltar a trabalhar, só se for para ajudar o agronegócio. Também não conte com Gabriel Galípolo, que não atrapalhou nem ajudou ao reduzir pela quarta vez seguida a taxa Selic, mas cortando apenas 0,25%, o que mantém o Brasil na dianteira dos maiores juros do mundo. Apesar disso, o maior problema de Lula não vem de dentro das fronteiras nacionais. A ação de Trump para influenciar as eleições brasileiras segue escalando, com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e a continuidade dos ataques pela via argentina. E nesta guerra, Lula não pode contar nem com seu Ministro da Defesa.

.PL em dose dupla. A nova ofensiva da direita, mas principalmente dos jornalões, contra o governo surtiu efeito. Depois de semanas estabilizadas, as pesquisas apontam uma queda nas intenções de votos em Lula e uma recuperação de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL também parece ter encontrado seu mote de campanha: combate à corrupção e segurança pública (Surpresa!). Com isso, os escândalos do INSS, Lulinha, Jaques Wagner e temas afins devem continuar em destaque. Mas nem por isso os problemas do candidato bolsonarista ficaram para trás. Depois de procurar desesperadamente uma mulher para compor sua chapa, Flávio teve que se contentar com um homem de seu próprio partido que, ainda na véspera, havia sido lançado como candidato ao Senado. O que determinou a jogada improvisada foi uma mudança no comportamento do centrão, hoje mais interessado em garantir seus mandatos legislativos e gordas emendas do que apoiar um candidato à presidente. O que passa também pelos interesses regionais. De um lado, a possibilidade da senadora Tereza Cristina (PP-MS) se tornar vice de Flávio foi inviabilizada por um acordo de não agressão entre o PT e o PP no Piauí, que deve beneficiar a reeleição de Ciro Nogueira ao Senado, e ela mesma talvez prefira ser presidente do Senado que vice-presidente da República. Por outro lado, a indicação de Alfredo Gaspar ajudou a tirar do caminho um concorrente à vaga no Senado por Alagoas, favorecendo a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) contra seu arquirrival Renan Calheiros (MDB-AL). Mas, mesmo que as pesquisas deem esperanças a Flávio, a longo prazo sua vida tende a ser difícil. É verdade que ele conseguiu galvanizar os eleitores da direita e conquistar uma parcela dos independentes. Porém, seu crescimento ocorreu principalmente entre os homens, e o público feminino ainda simpatiza majoritariamente com Lula. Situação que pode piorar quando o currículo de seu vice vier a tona, especialmente a acusação de estupro contra uma adolescente de 13 anos. Nesse caso, um plano B poderia ser a indicação de Michelle Bolsonaro a vice de Flávio em uma chapa puríssimo sangue. Por fim, assim que a campanha começar, a debandada dos partidos do centrão deve pesar, revertendo-se em pouca “máquina” eleitoral em estados decisivos como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.O que falta Israel fazer? O Outras Palavras reproduz entrevista com Francesca Albanese, relatora especial da ONU para a Palestina.

.A vida em Cuba sob asfixia energética. Como é o dia-a-dia do povo cubano para sobreviver às sanções norte-americanas. No Brasil de Fato.

.A verdadeira história da terra onde a canadense Belo Sun quer arrancar ouro. Cinco décadas de prisões ilegais, torturas, violência sexual, destruição de roças e disputas fundiárias que abriram caminho para o projeto de mineração. Na Sumaúma.

.Daniel Perez: por que Trump escolheu deputado anticomunista para embaixada no Brasil. Quem será o novo embaixador de Trump no Brasil. Na Agência Pública.

.Empresas de Porto Alegre mostram que é possível deixar a escala 6×1 para trás. No Brasil de Fato, conheça as experiências de cafeterias e supermercados que adotam as escalas de trabalho 4x3 e 5x2.

.O que está por trás da campanha contra o voto feminino? Nos Estados Unidos e no Brasil, influenciadores e políticos de direita defendem a volta ao passado.

.Quando Bolsonaro proibiu o Amor. André Forastieri revela a lista de palavras proibidas pelo governo Bolsonaro na EBC.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.