03 fevereiro, 2026

Mais um janeiro sem paz

Olá, este ano não teve tentativa de golpe, só escândalo financeiro, ameaça de guerra e crise internacional.

.Nada de novo. O Planalto imaginou que teria um começo de ano tranquilo, porque até o centrão tira férias, mas descobriu que a oligarquia viciada em emendas do parlamento é fichinha comparada ao imperialismo norte-americano. Se, por um lado, o governo Trump é movido pela hostilidade - com o sequestro de Nicolás Maduro, a ofensiva sobre a Groenlândia e as ameaças ao Irã e Cuba- por outro, o Brasil olha em volta e não vê nenhuma articulação internacional ou bloco de integração capaz de fazer frente às ameaças. A começar pela ONU. Mais do que isso, apesar do discurso da química com Trump, o governo já entendeu que os EUA podem sim intervir nas eleições brasileiras. Até o convite para que Lula esteja no Conselho de Paz de Gaza pode ser uma armadilha para dar legitimidade aos planos dos Estados Unidos, com uma mini-ONU particular de Trump. Para piorar, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, uma prioridade do Itamaraty, foi enviado para revisão jurídica pelo parlamento europeu, o que significa pelo menos dois anos parado. Apesar de todo o peso dado pelo Planalto, o acordo tem ares melancólicos de comércio entre dois blocos desindustrializados e submetidos à periferia do hemisfério ocidental, como Trump gosta muito de lembrar. No ano de sua última disputa presidencial, Lula preferiria priorizar as questões internas e não ter que se preocupar com o cenário internacional. Mas nada no horizonte aponta para alguma estabilidade na vida política do planeta. Nesta perspectiva, movimentações para formar palanques nos estados, a liberação de cerca de 20 ministros para disputarem as eleições e a prioridade nas eleições para o Senado, parecem até café pequeno. Só que não. Deixarão o governo nos próximos meses nomes de peso como Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad. E, no Congresso, espera-se que avancem os projetos de segurança pública, a nomeação de Jorge Messias e uma CPI do INSS que ninguém sabe onde vai, mas que tem potencial para desgastar o governo.

.Presos na Papudinha. O que facilita a vida de Lula é que a extrema-direita continua refém do clã Bolsonaro. Se a candidatura Flávio antes parecia apenas moeda de troca pela anistia, ela começa a dar sinais de que pode ir até o fim, com o filho ungido buscando contatos no centrão e na Faria Lima. Para desespero do próprio centrão, que vê o tempo diminuir para trocar Flávio por Tarcísio de Freitas. Para Hélio Schwartsman, faz todo sentido que os Bolsonaros mantenham o nome de Flávio, contando que a eleição já está ganha por Lula e preparando um cenário em que, em 2030, o sobrenome da família estaria nas urnas pela quarta eleição seguida. E Vera Magalhães lembra que, se o cenário de polarização entre Lula e um Bolsonaro se repetir agora, é porque a direita não teve capacidade de produzir nada novo. Na prática, qualquer candidato de direita só tem chances se os outros desistirem. Além disso, cada um tem seus próprios problemas. Flávio carrega toda a rejeição do sobrenome. Tarcísio vive paralisado no seu constante dilema entre a lealdade ao clã, uma reeleição tranquila em São Paulo e a preferência do centrão e de Faria Lima. Mesmo assim, misteriosamente, influencers e perfis de fofoca nas redes sociais estão sendo pagos para falar bem do governador de São Paulo. Por fora da disputa, sem se preocupar com a corrida presidencial, convém observar Nikolas Ferreira que, com sua caminhada por Bolsonaro afagando a base social mais radical deste setor, pode estar construindo para o futuro o que nenhum outro representante da extrema-direita conseguiu até agora: o bolsonarismo sem Bolsonaros.

.Big Bomba em Brasília. A crise do Banco Master sobreviveu ao natal, ao réveillon, talvez passe ilesa pelo Carnaval e ainda chegue viva às eleições de outubro. Não só porque o rombo de R$ 41 bilhões será socializado pelo sistema financeiro e, indiretamente, por toda a sociedade. Mas também porque trata-se de uma daquelas crises de desdobramentos imprevisíveis, com muitos peixes-grandes envolvidos, tanto na Faria Lima quanto em Brasília. Ou seja, um prato cheio para falar de corrupção, um dos temas preferidos da direita. É exatamente essa a aposta da oposição para desgastar o governo e seus aliados. No Senado, foi encaminhado um pedido de CPI sobre o caso Master, mesmo sabendo que o centrão e a direita estão envolvidos até os ossos no escândalo. Mas, enquanto o Congresso está de férias, o jogo pesado é jogado na mídia e nas redes. Um dos principais alvos é o Banco Central, que trava uma disputa institucional com o TCU sobre a responsabilidade na liquidação do Master. Curiosamente, neste cenário, a autoridade monetária sofreu um ataque orquestrado nas redes por meio de influenciadores pagos. Outra instituição que sai chamuscada é o STF. Ao centralizar a investigação, retirando a autonomia da Polícia Federal, o Supremo virou alvo das desconfianças de que o forno institucional está sendo aquecido para preparar uma pizza. O que é agravado pelas denúncias que pululam sobre as conexões pessoais de alguns ministros do STF e seus familiares com o banco falido. O escândalo respinga também nas relações do governo com o Congresso. É que o novo indicado por Lula ao STF, Jorge Messias, ainda não foi sabatinado pelo Senado, e a CPI do Master, agora nas mãos de Davi Alcolumbre - outro envolvido no escândalo - só faz aumentar o preço de sua aprovação. Mas tudo isso são cenas do próximo capítulo que vai começar com o fim do recesso parlamentar. Isso se uma possível delação premiada vinda de Daniel Vorcaro, dono do Master, não abalar os pilares da República.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Nobel, Groenlândia e Gaza: a diplomacia do império em crise. Na TVT, o historiador Anderson Barreto analisa as consequências da ofensiva de Trump no cenário internacional.

.Em dez dias, super-ricos consomem toda cota de carbono prevista para 2026. Os 1% mais ricos do planeta já esgotaram sua cota de emissões. Na Cenarium.

.Pinochet é o grande vitorioso da eleição de Kast no Chile, diz professor de Cambridge. O economista e cientista político chileno José Gabriel Palma prevê dias piores para o Chile.

.Esquerda precisa unir utopia e vida real no duelo eleitoral contra a extrema direita. A Intercept entrevista o intelectual italiano Paolo Demuru sobre como enfrentar a extrema-direita.

.As universidades públicas reféns do clientelismo parlamentar. Rubia Wegner analisa os efeitos da dependência de emendas na produção científica. No Le Monde.

.Além do Globo de Ouro: a ditadura e o poder civil exibidos ao mundo por "O Agente Secreto". Como o filme de Kleber Mendonça demonstra que a ditadura foi civil, empresarial e militar.

.“Manas”: documento de barbárie da normalidade patriarcal. No Blog da Boitempo, Diogo Dias analisa o longa brasileiro ambientado na Ilha de Marajó.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

Lições importantes - morte do cachorrinho Orelha


O caso da morte do cachorrinho Orelha, um cão comunitário muito querido que vivia há cerca de 10 anos na Praia Brava (Florianópolis, Santa Catarina) e foi violentamente agredido por adolescentes em janeiro de 2026, gerou forte comoção e debate em todo o Brasil. O cão foi espancado com um objeto contundente por um grupo de quatro jovens, sofreu ferimentos graves e acabou sendo submetido à eutanásia no dia seguinte devido à gravidade dos traumas. (Agência Brasil)

Lições importantes que podemos tirar desse caso

1. Importância de educar para o respeito à vida e à empatia
A brutalidade do ataque evidencia uma falta de sensibilidade e de valores que respeitem a vida dos seres mais vulneráveis. Isso reforça a necessidade de educação emocional, ética e de respeito aos animais desde cedo — em casa, nas escolas e na comunidade — para que a violência, em qualquer forma, não seja normalizada ou banalizada.

2. Fortalecimento da proteção animal na lei e na prática
Casos como este mostram a urgência em reforçar políticas públicas e marcos legais que protejam animais de forma efetiva, assim como garantir que as leis existentes — como as que criminalizam maus-tratos — sejam aplicadas com rigor. A legislação estadual de Santa Catarina sobre cães e gatos comunitários, por exemplo, passou a reconhecer esses animais oficialmente após a repercussão do caso, um reflexo da mobilização social. (Agência Brasil)

3. Papel da comunidade e solidariedade
Orelha era cuidado coletivamente por moradores e comerciantes locais — um exemplo de cuidado comunitário e solidariedade espontânea. A repercussão e as manifestações em busca de justiça ressaltam que as comunidades podem se unir para proteger o que é valioso para elas e cobrar respostas das autoridades.

4. Debate sobre violência juvenil e responsabilização
O fato de os suspeitos serem adolescentes levanta questões sobre como lidar com comportamentos violentos em jovens, prevenção desse tipo de violência e adequação das medidas socioeducativas para responsabilização e reabilitação. A discussão pública pode motivar políticas mais eficazes de inclusão, acompanhamento psicológico e oportunidades para jovens.

5. Mobilização social pela justiça e combate à impunidade
A repercussão nacional, protestos e debates nas redes sociais mostram que a sociedade está atenta e disposta a cobrar transparência e justiça. Situações de impunidade percebida — reais ou não — podem abalar a confiança nas instituições e fortalecer movimentos por mudanças legais e sociais. (El País)

6. Importância do registro e denúncia de maus-tratos
Identificar, registrar e denunciar casos de crueldade é fundamental para que as autoridades possam atuar. O trabalho investigativo com testemunhas e imagens (quando disponíveis) é essencial para apurar responsabilidades e evitar que casos semelhantes fiquem escondidos ou sem punição. (Diário de Santa Maria)

Em resumo, o caso do Orelha é trágico e doloroso, mas também pode servir como um ponto de partida para reflexões profundas sobre ética, educação, cidadania, políticas públicas e a forma como tratamos os seres vivos que compartilham nossas comunidades. Ele nos lembra que a compaixão e o cuidado não são apenas valores desejáveis, mas essenciais para uma sociedade mais justa e humana.

22 janeiro, 2026

Geonvani gratidão!


Nesse dia 22 de janeiro, sua Páscoa.

Membro da Equipe de apoio da Coordenação das CEBs da Arquidiocese de Maringá.

Gratidão, Geovani, por sua vida doada, pela amizade sincera e pela caminhada fiel nas CEBs.

Seu testemunho de amor, partilha e compromisso com o Reino permanece vivo em nossas comunidades. Seguimos com saudade no coração e esperança na ressurreição. Descanse na paz de Deus.

Meus sentimentos de solidariedade à família e amigos. Que Deus, com sua infinita bondade, conforte todos neste momento de dor e saudade.

19 janeiro, 2026

CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!

Segue texto que escrevi, pensando nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!

"Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede." (João 4,14).

A relação entre as CEBs e João 4,1–42 é profunda. As CEBs são como o poço de Jacó hoje: lugar de encontro, diálogo, escuta, conversão e missão. Nas CEBs, Jesus continua oferecendo a água viva, que gera fé comprometida, vida em abundância e esperança para o povo.

A conversa de Jesus com a mulher samaritana, junto ao poço, revela de forma profunda o jeito de Jesus ser Igreja. Esse mesmo jeito inspira e sustenta a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Jesus se aproxima da realidade concreta da mulher. Ele está cansado, com sede, sentado à beira do poço, lugar cotidiano do povo simples. Assim também são as CEBs: uma Igreja que não espera as pessoas irem até o templo, mas que se faz presente onde a vida acontece, nos poços da existência, nas casas, nos bairros, nas periferias e no campo.

Jesus rompe barreiras sociais, religiosas e culturais. Judeu, conversa com uma mulher, samaritana, considerada excluída e impura. As CEBs vivem esse mesmo espírito quando acolhem os pobres, as mulheres, os marginalizados, os esquecidos, reconhecendo sua dignidade e seu valor. Nas CEBs, ninguém é invisível.

A partir de uma necessidade concreta – a água – Jesus conduz ao anúncio da água viva, que sacia a sede mais profunda: sede de sentido, de dignidade, de justiça e de vida plena. Do mesmo modo, nas CEBs, a Palavra de Deus nasce da realidade do povo e aponta para uma fé que transforma a vida. Não é uma fé distante, mas encarnada, que gera esperança e compromisso.

A mulher samaritana faz um caminho de descoberta. Começa vendo Jesus como um simples homem, depois como profeta, e aos poucos reconhece o Messias. Esse processo lembra a pedagogia das CEBs: caminhar juntos, refletir, partilhar, amadurecer a fé aos poucos, sem imposições, respeitando o tempo das pessoas.

Ao final, a mulher se torna missionária: deixa o balde, volta à cidade e anuncia o que viveu. Assim também acontece nas CEBs: quem experimenta a água viva do Evangelho sente-se chamado a partilhar, organizar, animar, sente pertencente a comunidade. O povo se torna sujeito da evangelização.

A Samaria, o poço sugere o lugar da abertura. Jesus é aberto às riquezas que os Povos de Deus revelam, de forma especial dos pobres e oprimidos. Por isso, mais do que semear e levar “verdades”, Jesus vai reconhecendo a água viva que encontra no íntimo de cada pessoa, no coração de cada ser humano, como encontrou no coração da mulher samaritana. O diálogo de Jesus com a samaritana deixa claro que sua missão é abrir poços, muitas vezes proibidos pelas conveniências sociais, pela lei, pelos muros da exclusão social.

Somos muitas vezes tentados a achar que temos a água e que o povo tem a sede. Esquecemos que, na verdade, todos somos uma mistura de água e de sede. Isso revela em profundidade que o poço é o lugar onde a água e a sede encontram-se, misturam-se e complementam-se. Assim é nas Comunidades Eclesiais de Base.

Oração

"Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! A quem iremos pedir ajuda e salvação? Quero agradecer-Te porque, cada dia, a tua palavra ecoa no meu coração, sempre viva, sempre nova, sempre exigente, sempre provocante. Que jamais me esconda atrás dos meus cálculos mesquinhos. Que eu Te siga pelos caminhos da liberdade e do amor, porque sempre lanças os meus pecados para o fundo do mar, e me dás possibilidade de ressuscitar como nova criatura, amada por Deus Pai. Amém."

Fonte: Dehonianos

16 janeiro, 2026

Vitória histórica: MST conquista assentamento para 2 mil famílias na região Centro do Paraná

Governo Lula firmou acordo nesta quinta-feira (15) e vai destinar 33 mil hectares de terra para a formalização de quatro assentamentos. As mais de 2 mil famílias camponesas estão acampadas há cerca de 10 anos.

Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, no início da organização da comunidade, há mais de 10 anos. Foto: Joka Madruga

Da Página do MST

Em conquista histórica da luta pela terra no Paraná, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou acordo, na tarde desta quinta-feira (15), para a formalização de quatro novos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região centro do estado.

As cerca de 2 mil famílias camponesas beneficiadas estão acampadas há mais de 10 anos, nas comunidades Dom Tomás Balduíno e Araucária, em Quedas do Iguaçu, Nova Vitória, em Quedas do Iguaçu e Espigão Alto do Iguaçu, e Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu e Nova Laranjeiras. Mais de 33 mil hectares de terra da madeireira Araupel se tornarão oficialmente áreas de reforma agrária.

As negociações envolveram o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), das Relações Institucionais, da Fazenda, a Procuradoria-Geral da UNIÃO, a Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), e Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Tribunal de Justiça do Paraná, além do grupo proprietário da empresa Araupel, proprietária das áreas. O valor a ser pago pela área será de cerca de R$ 580 milhões, por meio de precatório – requisição judicial de pagamento emitida pela Justiça para indenização do proprietário, desapropriando a terra pela União para fins de reforma agrária.

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Transferência de Bolsonaro para Papudinha foi ‘dentro da lei e simbolicamente mais humilhante’, avalia cientista político


O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a transferência do ex-presidente para cela no famoso complexo do DF

Preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília (DF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passa a ter novo endereço nesta quinta-feira (15). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência do capitão reformado, condenado pela trama golpista, para a Papudinha, unidade anexa ao famoso Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A mudança, segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, é prejudicial para a imagem do líder da extrema direita nacional.

“Essa transferência para a Papudinha tem um efeito pior ainda para o Bolsonaro. Vai contar muito essa ‘tarja’. A Papuda todo mundo conhece. Só o nome da Papuda e, pior, o diminutivo, é uma tarja na testa dos bolsonaristas e do próprio Bolsonaro”, avaliou em conversa com José Bernardes e Larissa Bohrer no jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, minutos após a divulgação da notícia.

Ramirez destacou que a decisão de Alexandre de Moraes foi assinada após pressão feita pela defesa e pelos familiares de Bolsonaro, que pleiteavam a concessão de prisão domiciliar, alegando razões de saúde.

“Alexandre de Moraes, dentro da lei, e de forma simbolicamente mais humilhante, acabou transferindo [Bolsonaro] para outra prisão. E aí ele vai poder ter assistência médica e apoio psicológico, conforme a solicitação da [ex-primeira-dama] Michelle Bolsonaro. Mas prisão domiciliar não vai dar, porque ele tentou romper o lacre da tornozeleira, e essa tentativa fez com que outros condenados também perdessem a possibilidade de estarem em prisão domiciliar”, lembrou o cientista político.

Durante sua carreira como figura pública em Brasília, Bolsonaro deu declarações irônicas sobre o Complexo da Papuda. Em um vídeo que circula nas redes sociais, ele, ainda enquanto deputado, solta uma estrondosa gargalhada após afirmar: “A Papuda lhe espera, boa estadia lá, valeu? Um forte abraço!”. Na ocasião, a mensagem era destinada a parlamentares de esquerda que, supostamente, eram investigados na Operação Lava Jato. Anos depois, as imagens começaram a ser usadas como provocação ao próprio ex-presidente e a seus apoiadores. A tendência é que a gravação volte a viralizar nas próximas horas.

“O Bolsonaro criou um efeito negativo não só sobre sua própria imagem, mas também entre todos os seus aliados que participaram nessa trama golpista. Enfim, cada vez pior a situação de Jair Bolsonaro”, concluiu Paulo Niccoli Ramirez.

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15 de Janeiro de 2026 - 18:43
Felipe Mendes E José Bernardes E Larissa Bohrer
Crédito: Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFP

A Paz existe!


A Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz 2026 traz como título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e apresenta-se como um grito de esperança, o grito de quem não aceita resignar-se com a inevitabilidade da guerra e da violência. E o Papa quer envolver-nos nesse movimento de esperança e de inconformismo, convidando-nos a ser promotores da reconciliação e da solidariedade global.

A paz existe?

Quando olhamos à nossa volta, quando escutamos, vemos e lemos tudo o que os mais diversos meios de comunicação nos transmitem, parece que as guerras são uma fatalidade e que não é possível alcançar a paz que não seja através do recurso à força das armas. Aliás, o Papa alerta-nos para isso mesmo, para o perigo de engrossarmos as fileiras dos fatalistas e derrotistas, que não veem outra saída nas atuais condições geopolíticas mundiais.

Não deixa de ser verdade que a mensagem de Leão XIV surge num contexto internacional extremamente complexo, profundamente marcado por tensões políticas, profundas desigualdades sociais, marginalizações e segregações de diversa ordem, conflitos armados um pouco por todo o lado – o Papa evoca mesmo aquilo que o Papa Francisco definia como a “terceira guerra mundial aos pedaços”.

Num contexto assim, a mensagem de Leão XIV parece demasiado utópica e irrealista. Mas é neste contexto que o Papa vem dizer-nos que “a paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena “basta!”, à paz se suplica “para sempre”.” Sim, a paz existe, é dom do Ressuscitado, que assim saúda os discípulos no dia de Páscoa – “A paz esteja convosco!” – aos quais havia dito que lhes daria a paz, mas não como o mundo a dava, porque a que vem de Cristo tem o selo de eternidade.

Paz desarmada e desarmante

A paz existe, mas é preciso acolhê-la no coração e fazer com que ela se espalhe à nossa volta. Para isso, é necessário que todos os que acreditamos no dom da paz do Ressuscitado renovemos o nosso compromisso de sermos construtores de paz e de justiça, defensores e promotores da dignidade humana, da tolerância do diferente e do respeito mútuo.

A paz existe, mas precisa de ser cuidada, respeitada e construída quotidianamente:Uma construção que não se delega, nem nos outros nem muito menos em máquinas. Ela passa pelo compromisso de cada um, numa luta diária contra tudo aquilo que contribui para um mundo superarmado, excessivamente desigual e demasiado dependente de interesses particulares e de nacionalismos exacerbados.
Uma paz que assenta na edificação de pontes e não de muros, na escuta e no diálogo entre povos e culturas. É uma paz que não é mera ausência de guerra, mas fruto da justiça, da solidariedade e do respeito mútuo.
Uma paz que respeita e valoriza a fraternidade universal como caminho essencial – quiçá único – para a superação do ódio, da discriminação e da exclusão social
Uma paz que não deixa ninguém para trás, que cuida dos mais vulneráveis, especialmente dos migrantes e refugiados e de todas as vítimas da violência e da pobreza extrema.
Uma paz que implica o compromisso dos líderes do mundo e dos decisores políticos, a quem o Papa pede a adoção de políticas que promovam o bem comum e a equidade. Uma paz assim é possível, é desarmada e desarmante, porque não brota de calculismos e relação de forças bélicas, mas de corações convertidos e bondosos. E a bondade é desarmante, afirma o Papa. Uma bondade que podemos contemplar na fragilidade e simplicidade da criança nascida na manjedoura de Belém e de onde vem o cântico dos anjos: “Paz na terra”.

A paz, compromisso cristão

Partindo do pensamento de Santo Agostinho e passando por vários documentos da Igreja, da Rerum Novarum de Leão XIII à Pacem in Terris de João XXIII e a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, da Caritas in Veritate de Bento XVI à Fratelli Tutti de Francisco, o Papa vem recordarnos que a construção da paz e a promoção da justiça é vocação e compromisso de todos os cristãos, de todos os tempos.

A fé no Ressuscitado torna-nos artesãos de paz, porque o dom da paz que dele recebemos deve levar-nos a trabalhar incansavelmente em favor da reconciliação e do respeito da dignidade de todos e de cada um dos seres humanos. Esta missão assenta na fraternidade universal, transcendendo todo o tipo de barreiras políticas, ideológicas, culturais ou religiosas. A paz começa no coração de cada pessoa, na capacidade de amar, de perdoar, de dialogar e de agir com compaixão. Este é um desafio que deve tocar-nos especialmente, a nós que do Padre Dehon herdámos uma espiritualidade que nasce do Coração compassivo de Jesus e se quer fundada na cordialidade da vida quotidiana: num mundo tão marcado por enormes crises humanitárias, ambientais e sociais, somos convidados a vencer a inércia e a indiferença, a abrir o nosso coração a quem mais sofre, comprometendo-nos na transformação necessária, para que o nosso mundo se torne mais justo, fraterno, pacífico e solidário.

Por tudo isto, parece-nos que a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz 2026 é de leitura e de reflexão obrigatórias. Assumimo-la como inspiração para o novo ano que agora começa, como apelo à consciência global, à responsabilidade comunitária e ao compromisso pessoal com a construção da paz, tão urgente num mundo marcado pela insegurança e a instabilidade. A paz existe, façamo-la florescer!

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Comissão Provincial para a Justiça e Paz e Integridade da Criação

Fonte: Dehonianos

14 janeiro, 2026

EUA. Paróquias vigiadas, colaboradores da Igreja deportados e fiéis com medo de ir à missa

A presença frequente de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) junto a paróquias católicas nos EUA onde são celebradas missas em espanhol está a deixar os fiéis com medo e a fazer cair para metade a frequência às mesmas. É o caso da igreja de São Gabriel Arcanjo em Hopkins (Minnesota), a 13 quilómetros do local onde um agente do ICE matou a cidadã americana Renee Good, no passado dia 7 de janeiro. A denúncia é feita pelo pároco, que diz ser o primeiro a sentir-se “intimidado” com a vigilância e considera que esta é “uma violação dos direitos constitucionais”.

A reportagem é publicada por 7Margens, 13-01-2026.

“Parece que não estamos a viver nos Estados Unidos da América, mas em algum lugar violento do terceiro mundo, em algum lugar distante”, lamenta o padre Paul Haverstock, em declarações à Catholic News Agency. “Sim, parece que estamos numa zona de guerra aqui.”

O presbítero recorda o dia 4 de janeiro, domingo, em que estava a paramentar-se para a missa em espanhol das 13h00, quando um paroquiano foi à sacristia dizer-lhe que homens envergando balaclavas estavam dentro de um carro junto à igreja. Perturbado com tal facto, o padre foi buscar o telemóvel e levou-o consigo para o altar. “Se os agentes decidirem entrar, quero ter a certeza de que tudo fica gravado, e quero ter um registo claro de mim a informar os agentes de que estamos no meio de um culto religioso”, justifica.

Não chegou a esse ponto, mas a presença do ICE do lado de fora da igreja impediu o livre exercício da religião pelos fiéis, afirma Haverstock. “Quem não se sentiria intimidado por isso?”, questiona o padre. “Os agentes do ICE estão a aterrorizar qualquer pessoa de boa vontade apenas com a sua presença, usando máscaras e ficando parados do lado de fora da igreja. É assustador. Fiquei com medo quando soube que eles estavam lá. Fiquei com medo pela segurança das pessoas na igreja, inclusive pela minha, e fiquei especialmente com medo pelos imigrantes”, confessa o pároco.

De acordo com o padre Haverstock, mais de 400 pessoas costumavam frequentar a missa em espanhol, mas neste momento apenas metade o faz. O presbítero está até a considerar oferecer uma dispensa temporária da missa dominical para aqueles que estão com medo.

Em declaração à Catholic News Agency, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou que o ICE “não faz rusgas em igrejas”, classificando tais alegações como “difamações”. “O facto é que os criminosos não podem mais esconder-se em locais de culto para evitar a prisão. O governo Trump não vai amarrar as mãos de nossos bravos agentes da lei e, em vez disso, confia que eles usarão o bom senso”, acrescentou. “Se um criminoso estrangeiro ilegal perigoso se refugiasse numa igreja, ou se um abusador sexual de crianças estivesse a trabalhar como funcionário, poderia haver uma situação em que uma prisão fosse efetuada para proteger a segurança pública.”
Funcionário da igreja detido e maltratado

A verdade é que um dos funcionários desta paróquia em Hopkins foi já detido há pouco mais de um mês, não na igreja, mas no estacionamento adjacente à mesma. Francisco Paredes, de 46 anos, residente nos EUA há 25 anos, com uma condenação por ter dirigido sob influência de álcool, foi detido pelo ICE a 4 de dezembro de 2025 e levado para um centro de detenção.

Paredes, que trabalhava na manutenção do edifício e pertencia ao coro da igreja, disse que passou cerca de um mês detido no sistema de imigração do ICE antes de ser enviado para o México. Na sequência da detenção, pediu para fazer uma chamada telefónica, mas teve o seu pedido negado por vários dias, pelo que a sua filha, cidadã americana, desconhecia o seu paradeiro. O colaborador da paróquia passou o Natal preso e disse que não teve acesso a nenhum serviço religioso.

No escritório de imigração de Bloomington, Minnesota, para onde foi inicialmente levado, partilhou cela com 40 pessoas. Havia apenas uma casa de banho para os homens, e “qualquer um podia ver quando lá íamos”, relatou.

Cerca de sete horas depois, Paredes foi transferido para a Cadeia do Condado de Crow Wing em Brainerd, Minnesota, e em seguida para Laredo, Texas, onde foi preso no Centro de Detenção do Condado de Webb.

“Eles tratam as pessoas como animais”, denunciou em declarações à Catholic News Agency, detalhando que não eram fornecidas refeições quentes, apenas uma sandes, uma laranja, biscoitos e água, e que todos os detidos dormiam no chão, sem nada com que se cobrir.

Quando o presidente Donald Trump fala em deportar “os piores dos piores”, disse ainda Paredes, “ele não faz a menor ideia. Todas as pessoas que conheci na prisão são pessoas trabalhadoras”.

O padre Haverstock diz que sente falta de Paredes, que era um “funcionário maravilhoso e uma daquelas raras pessoas totalmente bilíngues, pelo que tê-lo por perto foi uma grande ajuda”.

“Devemos estar firmemente determinados a fazer a nossa parte para obter justiça, não apenas para nós mesmos, mas para os nossos irmãos e irmãs, e não apenas para os da Igreja, mas para qualquer pessoa que esteja a ser perseguida, que por acaso seja nosso vizinho”, apela o presbítero. “As famílias não devem ser separadas, exceto por razões extremamente graves. E posso dizer, por experiência própria, pelo que vi e ouvi, que essas deportações e essa pressão massiva do ICE não visam apenas cartéis de drogas, criminosos violentos e reincidentes de crimes graves, mas também mães, pais e famílias que, em alguns casos, não cometeram nenhum crime além de entrar ilegalmente em nosso país, e separar uma família por causa disso é injusto.”

E termina o seu testemunho partilhando aquela que tem sido uma das preces na Oração dos Fiéis já há várias semanas: “Pelos imigrantes que vivem com medo, pelas famílias que foram separadas e por uma reforma imigratória sábia na nossa terra, oremos ao Senhor”.

Fonte: IHU

Lula veta benefícios à venda de jogadores e a regras de fidelidade

Itens constavam da segunda lei de regulamentação da reforma tributária

Sancionada nessa terça-feira (13) em cerimônia em Brasília, a segunda lei de regulamentação da reforma tributária teve trechos vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mudanças atingem, entre outros pontos, a tributação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), programas de fidelidade, regras municipais para a transferência de imóveis e benefícios fiscais específicos.

Ao todo, segundo o Ministério da Fazenda, dez dispositivos do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108 foram vetados. As justificativas foram publicadas na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União.

SAFs e venda de jogadores

Um dos principais vetos atinge as SAFs. O texto aprovado pelos parlamentares previa que os valores obtidos com a venda de jogadores ficariam fora da base de cálculo dos novos tributos criados pela reforma. Com o veto, essas receitas voltam a ser tributadas.

Lula também barrou a redução da carga tributária das SAFs de 6% para 5%. Com a decisão, a alíquota total ficará em 6%, dividida da seguinte forma:

• 4% de tributos não alterados pela reforma;

• 1% de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal;

• 1% de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo estadual e municipal.

Segundo a equipe econômica, a redução contrariaria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que veda a criação de novos benefícios tributários sem compensação.

Programas de fidelidade

Outro veto relevante trata dos programas de fidelidade. O Congresso havia incluído dispositivos que permitiam a tributação de pontos não onerosos, como milhas concedidas por cadastro, promoções ou compensações por atraso de voo.

A pedido do Ministério da Fazenda, Lula vetou a mudança. Assim, esses pontos continuam fora da base de cálculo do IBS e da CBS.

Cashback para gás canalizado

Outro ponto barrado foi uma regra que estendia o cashback, devolução de tributos à população de menor renda, para o gás canalizado. O Congresso tinha incluído a possibilidade de ressarcimento em operações de tributação monofásica, com cobrança em apenas um elo da cadeia produtiva, o que beneficiaria o fornecimento de gás canalizado. A equipe econômica avaliou que a exceção criaria incompatibilidade com o modelo geral do sistema.

Regulamentado na primeira lei complementar da reforma tributária, sancionada em janeiro do ano passado, o cashback prevê 100% de devolução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e de pelo menos 20% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) à população de baixa renda sobre:

• Água;

• Botijão de gás;

• Contas de telefone e internet;

• Energia elétrica;

• Esgoto.

Para os demais produtos e serviços, o ressarcimento equivalerá a 20% da CBS e do IBS. No caso do IBS, os estados e municípios terão autonomia para definir se a devolução será maior que 20%.

Alimentos líquidos e ITBI

O presidente também vetou a inclusão genérica de “alimentos líquidos naturais” na lista de produtos com redução de 60% das alíquotas. Segundo a Fazenda, a redação era ampla demais e poderia gerar distorções na concorrência entre leites e sucos. O Congresso tinha incluído esse trecho na lei para beneficiar itens como leites vegetais.

Outro veto atingiu o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), cobrado pelos municípios. O projeto previa a possibilidade de o pagamento do imposto ser antecipado para o momento da formalização do título de transferência. A medida foi barrada após pedido da Frente Nacional de Prefeitos, que apontou dificuldades de adaptação entre os municípios, já que cada prefeitura arrecada o tributo de uma maneira.

Zona Franca e simulação

Lula também retirou do texto a atribuição exclusiva da Superintendência da Zona Franca de Manaus para regulamentar procedimentos de verificação e fiscalização, ampliando o escopo da norma.

Além disso, foi vetada a definição legal de “simulação” como fraude fiscal. Segundo a Fazenda, o conceito proposto divergia de interpretações consolidadas no Judiciário, o que poderia gerar insegurança jurídica.


Com a sanção e os vetos, a segunda etapa da regulamentação da reforma tributária entra em vigor. No entanto, o Congresso ainda poderá analisar a derrubada ou manutenção dos vetos presidenciais.


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Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

09 janeiro, 2026

Oração

"Senhor, se quiseres, podes purificar-me». Purifica-me todo o meu pecado: do meu egoísmo, da minha autossuficiência, da minha dissipação. Estende-me a tua mão, toca-me e faz-me ouvir a tua palavra salvadora: «Quero, fica purificado». Então, serei um membro vivo e ativo da minha comunidade, da Igreja. Então, terei ouvidos para escutar a tua palavra, olhos para contemplar o teu amor, mãos para participar na realização da tua obra de salvação no mundo. Então, poderei apresentar-me diante de Ti, participar da tua intimidade, da tua vida e, Contigo apresentar-me diante do Pai para rever a minha vida e a minha missão, à luz do seu projeto de amor. Faz-me redescobrir o dom da oração e conduz-me ao Cenáculo para reviver o mistério do Pentecostes e reavivar em mim o dom do teu Espírito. Amém."

Fonte: Dehonianos


Senado dos EUA aprova resolução para barrar Trump contra Venezuela

Texto teve apoio de 5 republicanos e deve passar por mais votações

O Senado dos Estados Unidos (EUA) aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que determina a interrupção do uso da força contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso Nacional.

“Esta resolução conjunta orienta o Presidente a cessar o uso das Forças Armadas dos EUA em hostilidades dentro ou contra a Venezuela, a menos que uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar para tal fim tenha sido promulgada”, diz o documento aprovado.

Apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, a resolução foi aprovada por 52 votos contra 47, tendo recebido o apoio de cinco senadores republicanos, do partido do presidente Donald Trump. Já um senador republicano não votou.

O texto, porém, precisa ser novamente aprovado pelos senadores e deve passar ainda pela Câmara dos Representantes dos EUA, com maioria de republicanos. A resolução ainda precisaria vencer um provável veto do presidente Donald Trump para entrar em vigor.

Ao justificar a resolução, o senador democrata Kaine disse que apoia o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas defendeu que novas ações tenham autorização legislativa.

“As declarações do presidente de que os EUA governarão a Venezuela por anos deixam claro: seus planos vão muito além de Maduro. Isso significa que o Congresso precisa se manifestar”, destacou Kaine antes da votação.

A oposição argumenta que a invasão da Venezuela foi ilegal uma vez que a Constituição dos EUA exige aprovação do Parlamento para declaração de guerras.

A senadora republicana Susan Collins disse que, apesar de apoiar a captura de Maduro, ela deseja afirmar o poder do Parlamento de autorizar ou limitar qualquer futura atividade militar na Venezuela.

“Não apoio o envio de mais forças americanas ou qualquer envolvimento militar de longo prazo na Venezuela ou na Groenlândia sem autorização específica do Congresso. A resolução que apoiei hoje não inclui nenhuma menção à operação de retirada. Em vez disso, reafirma a capacidade do Congresso de autorizar ou limitar qualquer atividade militar prolongada futura na Venezuela”, disse a parlamentar em comunicado oficial.

Ao ser questionado sobre o tema após a invasão da Venezuela, o secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia argumentando que a invasão não seria uma guerra, mas apenas a prisão de duas pessoas. Na ação, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados por militares estadunidenses.
Trump reage

Ao comentarm em uma rede social, aprovação da resolução, o presidente dos EUA disse que os republicanos deveriam se envergonhar dos senadores que votaram com os democratas para privar o poder de “lutar e defender os EUA”. Trump disse que esses parlamentares “jamais deveriam ser eleitos novamente”.

“Essa votação prejudica gravemente a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente como comandante-em-chefe. De qualquer forma, e apesar da ‘estupidez’ deles, a Lei dos Poderes de Guerra é inconstitucional, violando totalmente o Artigo II da Constituição, como todos os presidentes e seus respectivos Departamentos de Justiça já determinaram antes de mim”, disse.


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Fonte: Agência Brasil
Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 08/01/2026