24 abril, 2026

Mais uma escolha difícil

 

Mais uma escolha difícil

Olá, a dúvida é pertinente. Se você é bilionário, pense bem em quem votar.

.Vamos à luta. Com o sinal amarelo aceso pelas últimas pesquisas, o Planalto e o PT começaram a esboçar o tom da campanha e a cara do programa eleitoral. Parte do sucesso da operação vai depender da afinação entre os dois ministros da articulação política, Guilherme Boulos para os setores mais populares e Josué Guimarães para o centrão. A prioridade número um é a aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso, de preferência antes de julho. Aqui, o PL de urgência do governo funcionou como mecanismo de pressão e não há problema se o projeto aprovado for uma das PECs em tramitação. O que incomoda o governo é a tentativa do centrão de compensar a medida com a volta da desoneração ou algum outro benefício para o setor empresarial. Menos sorte teve o projeto de regulação dos trabalhadores de aplicativo que, sem consenso, fica para o fim do ano ou na gaveta. A segunda urgência é atacar o alto endividamento da população. Outras medidas como o subsídio para a gasolina e o fim da “taxa de blusinhas” também estão sendo consideradas. Além disso, o PT apresentou uma proposta para proibir e eliminar todas as bets. A ideia geral do pacote é mirar em mulheres, evangélicos e no sudeste. A novidade que o programa eleitoral do PT na televisão trouxe foi pôr o bode do Master no meio da sala, mirando na regulação do sistema financeiro e propondo uma reforma do Judiciário. Outra novidade é a possibilidade de novas medidas para a segurança pública. Este outro bloco mira no eleitor mais conservador ou de centro. Em um documento que deve orientar a atuação do partido nos próximos anos, projeta-se também a revisão do teto de gastos e do papel dos militares, além de alianças com a direita liberal contra a extrema-direita. Outra dimensão da tática eleitoral foi demonstrada pelo presidente brasileiro na viagem pela Europa. Soltinho, Lula abriu a caixa de ferramentas contra Trump e de quebra nas big techs. Ao bater no presidente alaranjado, Lula mira no candidato-laranja de Jair Bolsonaro, colando o tarifaço e o risco de perda da soberania em Flávio. Porém, apesar da reciprocidade no episódio da expulsão do delegado da PF dos EUA, o Planalto também vai ter que mediar o discurso e a prática, porque ainda aguarda uma reunião com Trump para ajustar as arestas na economia. Nesta mesma toada, o debate sobre as terras raras é uma forma do governo firmar pé na soberania e se diferenciar de Trump e dos Bolsonaros, ainda que o PT e o Planalto tenham opiniões diferentes sobre a criação de uma estatal para terras raras.

.Tango na cuíca. A direita brasileira sonha em ser gringa, mas seu comportamento é cada vez mais parecido com o dos hermanos. Primeiro porque uma vitória nas eleições de outubro representaria um movimento pendular tipicamente argentino. Segundo porque, com a perda de reputação internacional de Trump, Javier Milei se tornou o tipo ideal dos candidatos da oposição por aqui. A começar pelo projeto de governo esboçado por Flávio Bolsonaro. Mesmo sem o discurso truculento e militarista do pai, o sucessor da família flerta com o radicalismo neoliberal da Faria Lima. Não à toa, a suposta moderação de Flávio não convence a maior parte do eleitorado. No horizonte do candidato do PL está um “tesouraço” nos gastos públicos inspirado no choque argentino, uma nova rodada da reforma da previdência e mais desregulamentação das relações trabalhistas. A intenção é enviar um recado ao mercado de que Flávio é o candidato mais comprometido com a austeridade. Flávio também tenta se apresentar como o candidato do agro, no que bate de frente com Caiado, mas precisa conquistar o voto feminino e ampliar sua base no nordeste, o que o mantém dividido entre a indicação da veterana senadora ruralista Tereza Cristina (PP-MS) para assumir o cargo de vice, ou a novata vereadora de Fortaleza Priscila Costa, ligada ao PL Mulher. Vale notar que o excesso de candidatos disputando o espólio do bolsonarismo também inflaciona as pautas da oposição. A estratégia de outro Milei verde-amarelo, Romeu Zema, é privatizar geral, acabar com a CLT e capturar a base bolsonarista, apresentando-se como o inimigo número 1 do STF - num embate direto com o ministro Gilmar Mendes. Também não passa despercebida a familiaridade entre o lema de Zema, “Brasil sem intocáveis”, e o velho conhecido “caçador de marajás” de Fernando Collor de Mello. Mas todo mundo sabe que o STF se tornou alvo dos candidatos de direita não tanto por questões morais, e sim porque eles, e seus aliados, estão envolvidos em processos que tramitam na Corte. E, nisso, a oposição pode receber uma ajudinha do Congresso. É que Hugo Motta defende a derrubada do veto contra o PL da Dosimetria, a versão light da anistia aos golpistas aprovada pelo Congresso e vetada por Lula em janeiro.


.Ponto Final: nossas recomendações.

.Juventude e Esquerda: um adeus? No Outras Palavras, Rafael Rodrigues da Costa reflete sobre a captura da juventude pelos valores conservadores.

.Os sistemas de saúde africanos só funcionam para os ricos. Como as exigências do FMI e do Banco Mundial impedem o acesso à saúde no continente africano. Na Jacobin.

.30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás: o fotógrafo do Bem-Querer diante do horror. O fotógrafo João Roberto Ripper relembra sua cobertura do massacre no Pará. Na Agência Pública.

.Quem está por trás da mineração em terras indígenas no Brasil? Relatório da APIB demonstra articulação entre empresas estrangeiras e os três poderes para abrir terras indígenas para mineração. No Diplô Brasil.

.Uber Conta, operada pela Digio, retém até 100% de corridas de motoristas endividados. Como Uber e banco digital operam uma nova forma de escravidão digital por dívida. Na Pública.

.Livro resgata Apulco de Castro, jornalista negro linchado no século 19 e apagado da história brasileira. A Revista Ópera recupera a história do jornalista negro morto por oficiais do Exército ligados à guarda pessoal de Dom Pedro II.

.Ogum e a dimensão civilizatória: uma leitura para além da guerra. Na Alma Preta, David Dias recupera a construção de sentido e a dimensão transformadora do orixá da forja.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

Bispos do Brasil divulgam mensagem ao povo e alertam para violência, desigualdade e crise social


Reunidos no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o episcopado brasileiro divulgou, nesta sexta-feira, 24, a tradicional “Mensagem ao Povo Brasileiro” durante o último dia da 62ª Assembleia Geral, que acontece no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida. O documento traz reflexões sobre o momento atual do país e do mundo, destacando tanto sinais de esperança quanto desafios urgentes.

Inspirados pelo tempo Pascoal, os bispos afirmam que há motivos para esperança, como iniciativas de solidariedade, promoção da cidadania e defesa da vida. No texto, também são valorizadas ações voltadas à economia solidária, à democracia e aos direitos humanos.

Apesar disso, a mensagem faz um alerta contundente sobre o cenário global e nacional. Segundo os bispos, o mundo vive “tempos de incertezas e sofrimentos”, marcados por guerras, fome e destruição. O documento cita ainda preocupações com a concentração de poder e interesses econômicos que impactam negativamente a vida das populações.

No contexto brasileiro, a mensagem chama atenção para o avanço da violência e do crime organizado. De acordo com o texto, práticas como o narcotráfico e a atuação de milícias têm fortalecido um ambiente de insegurança, especialmente nas periferias, onde essas organizações chegam a controlar territórios e enfraquecer instituições legítimas.

A mensagem também reforça a defesa da vida “desde a concepção até a morte natural” e destaca a necessidade de políticas públicas que garantam dignidade à população, sobretudo aos mais pobres.

Ao final, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja Católica com a promoção da paz, da justiça social e da esperança, convidando a sociedade brasileira a construir caminhos de fraternidade e solidariedade.

Confira a mensagem na íntegra, clique AQUI.

19 abril, 2026

Região Pastoral Jandaia do Sul - 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Preparando do 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Tema: De São Francisco à Laudato Si’: a fé que floresce na religiosidade popular
Lema: “Na simplicidade do povo, Deus cuida da vida”

Hoje, 19 de abril, estivemos com a Região Pastoral Jandaia do Sul

Oferecemos formação sobre os três eixos que será desenvolvido no Encontrão:

- São Francisco de Assis
- Encíclica Laudato Si’
- Religiosidade Popular

Com muita alegria, a região pastoral acolheu o subtema que irá desenvolver e apresentar no 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs.







15 abril, 2026

Mensagem do Presidente da República à 62ª Assembleia Geral da CNBB


 

Trump critica Papa Leão XIV - Pontífice eleva o olhar para o que é essencial!



Segue um texto que escrevi para ajudar a uma reflexão

Trump critica Papa Leão XIV - Pontífice eleva o olhar para o que é essencial

Há momentos em que a realidade nos obriga a olhar com mais profundidade para a nossa fé.

No domingo, dia 12, no final da noite, o presidente dos EUA, Donald Trump atacou o papa Leão XIV devido às falas do pontífice contra a guerra com o Irã. Em suas redes sociais, Trump chamou o papa de "fraco no combate ao crime e péssimo em política externa".

Em seguida, Trump publicou em suas redes sociais, uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus. Após receber críticas e acusações de blasfêmia, apagou de suas redes sociais a imagem.

O Papa Leão, declarou que não teme o governo norte-americano, afirmou que pretende continuar se manifestando contra a guerra - "Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer", disse pontífice.

O momento atual é muito forte para a Igreja, fim do pontificado de Francisco, marcado por: cuidado com os pobres, ecologia, sinodalidade e início de um novo tempo com Papa Leão XIV, primeiro papa dos Estados Unidos, com forte ligação com a América Latina, especialmente Peru, visto como alguém de continuidade, mas com estilo próprio. Leão na sua primeira fala destacou: paz, unidade e diálogo, ou seja, já indica o caminho do pontificado.

Conflito político, como com Donald Trump, posição da Igreja pela paz, início de um novo papa sendo testado, isso não é teoria — é realidade atual da Igreja.

Após a morte do Papa Francisco, a Igreja elegeu o Papa Leão XIV, que já no início do seu pontificado reafirma o caminho da paz e da unidade. Isso nos lembra que a Igreja não se guia por ideologias, mas pelo Evangelho. O que não muda na Igreja, mesmo quando tudo parece mudar é o Evangelho de Jesus Cristo.

Vivemos também tempos de muitas divisões. O mundo está marcado por conflitos, guerras, opiniões fortes e, muitas vezes, pela falta de diálogo. Lideranças políticas, como Donald Trump, expressam visões confrontativas.

Mas a Igreja nos recorda outro caminho. Desde Papa Francisco, continuando com Papa Leão XIV, ouvimos um chamado claro: promover a paz, cuidar da vida e buscar o diálogo.

Às vezes, corremos o risco de: misturar fé com ideologia, colocar líderes humanos acima do Evangelho, deixar que divisões políticas entrem na família, entrem na comunidade. E isso enfraquece a nossa vivência, enfraquece nossa missão.

Na família, na vida comunitária, somos chamadas e chamados a viver outra lógica: a lógica da fraternidade, da escuta, da partilha, do cuidado com os mais simples e toda a criação. O Papa Leão XIV, caminha num mundo cheio de desafios. E nós, como Igreja, não somos espectadores, nós somos parte dessa missão.

Há momentos em que a realidade nos obriga a olhar com mais profundidade para a nossa fé. Quando uma liderança política, como Donald Trump, se coloca simbolicamente na imagem de Jesus, não estamos diante de um gesto neutro — estamos diante de um sinal preocupante.

Porque Cristo não é instrumento de poder. Cristo não é bandeira ideológica. Cristo não pode ser usado. Jesus não se impôsEle se entregou. Não dominou — Ele serviu. Não exaltou a si mesmo — Ele deu a vida.

Por isso, usar sua imagem para afirmar autoridade ou justificar confrontos é inverter o próprio coração do Evangelho. E é nesse momento que surge a verdadeira voz profética da Igreja.

Com serenidade, mas com firmeza, Papa Leão XIV responde não com ataque, mas com verdade: reafirmando a paz - defendendo a vida - permanecendo fiel ao Evangelho. Essa é a sabedoria da fé, não desce ao nível da provocação, mas eleva o olhar para o que é essencial.

Não é quem usa o nome de Cristo que O representa, mas quem vive como Ele viveu. E que nós, cristãs e cristãos, nunca percamos esse critério. Não seremos reconhecidos pelo que defendemos, mas pelo amor que fomos capazes de viver no seguimento do Evangelho.

12 abril, 2026

Região Pastoral Mãe de Deus e Paranavity - 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Demos início a preparação do 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

Tema: De São Francisco à Laudato Si’: a fé que floresce na religiosidade popular

Lema: “Na simplicidade do povo, Deus cuida da vida”



Domingo, 12 e abril, estivemos com a Regiões Pastoral Mãe de Deus e Paranacity



Oferecemos formação sobre os três eixos que será desenvolvido no Encontrão:

- São Francisco de Assis
- Encíclica Laudato Si’
- Religiosidade Popular


Com muita alegria, cada uma das regiões pastoral acolheu o subtema que irá desenvolver e apresentar no 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs.


10 abril, 2026

Corra, Lula, corra

Olá, Lula corre contra o tempo, contra a morosidade do Congresso e contra a rejeição do eleitorado.

.O custo da vitória. Estamos em abril e as pesquisas apontam a consolidação de um cenário eleitoral polarizado, competitivo e indefinido entre Lula e Flávio Bolsonaro. O desafio do petista é duplo. Por um lado, superar a rejeição de 44% dos eleitores, um índice consideravelmente maior do que os 37% que rejeitam Flávio. Por outro, Lula precisa enfraquecer seu rival, o que passa por iniciar uma campanha de desgaste prolongado. A avaliação de parte dos aliados do presidente é a de que martelar no tema da rachadinha ajudaria mais a direita do que a esquerda porque arrastaria a campanha para a vala comum do tema da corrupção. O melhor caminho seria taxar Flávio de entreguista e lambe-botas de Trump, aproveitando a má fase do presidente norte-americano e apelando para o espírito nacionalista dos brasileiros. Mas nada disso vai funcionar se a população não perceber que o Planalto governa a seu favor. E aí está o principal gargalo. O desempenho econômico do país não é uma maravilha, mas também não vai tão mal quanto a impressão dos eleitores. Ao longo da segunda metade do mandato, Lula tem investido bilhões em políticas sociais abrangentes, como o Gás do Povo, Luz do Povo e a isenção do Imposto de Renda. Mas, com o elevado endividamento familiar e os juros nas alturas, é como enxugar gelo. E, depois que o ex-aliado do governo, Gabriel Galípolo, deu continuidade a política de austeridade de seu antecessor na presidência do Banco Central, só resta ao Planalto dar um jeito no endividamento. O sinal de que algo vai mal é que, mesmo com a desocupação em baixa e a renda em alta, o consumo no varejo não aumenta e uma das causas é o escoamento da renda para as Bets. Por isso, o governo planeja lançar uma segunda edição do projeto Desenrola de renegociação de dívidas baseado na experiência pioneira lançada por Haddad em 2023. A proposta é refinanciar dívidas com descontos que podem variar de 30% a 80%. A novidade, além da possibilidade de usar parte do FGTS que pode chegar a R$ 7 bilhões, é que o governo pretende proibir o uso de BETs para quem aderir ao programa, buscando cortar o mal pela raiz. Resta saber se, ao ponto que o problema chegou, uma medida desse tipo não seria vista como impopular.

.Férias sem fim. O carnaval já terminou, a páscoa ficou para trás, mas se depender dos presidentes da Câmara e do Senado, o ano no parlamento será um feriadão sem fim. Seja para não dar palco ao escândalo do Master, em que Hugo Motta e Davi Alcolumbre têm relações no mínimo pouco republicanas, seja porque a prioridade são os palanques eleitorais. Pior para o governo que vê seus projetos sendo cozinhados em banho-maria. No caso do fim da escala 6x1, Motta chegou a anunciar que o governo não enviaria um novo projeto e que a discussão giraria em torno da PEC que tramita no Congresso. O governo negou justamente porque duvida que o Congresso aprove antes de junho. Além disso, o Planalto quer aplicação imediata da nova regra do 5 x 2 sem período de transição. Um projeto de urgência do Executivo também obrigaria o Congresso a votar em 45 dias, com um quorum menor de aprovação do que de uma PEC. Para responder à pressão do Planalto, a CCJ marcou a votação do seu parecer para a próxima semana. Outra proposta em disputa é a da regulação dos trabalhadores de aplicativos. Esta sim deve ir à votação na próxima semana, mas neste caso, há discordâncias dentro do próprio governo, considerado como o projeto “que foi possível” pelo Ministério do Trabalho e insuficiente pela Secretaria Geral. Em quaisquer das hipóteses, o governo não conseguiu emplacar o pedido de um pagamento mínimo de R$10 aos trabalhadores por corrida. Por fim, a Câmara deve desengavetar a votação de uma vaga para o TCU, tradicional prêmio de aposentadoria vitalícia para ex-deputados, que mexe com os bastidores e acordos na casa. Em comparação com o Senado, a Câmara até está proativa. Nos domínios de Davi Alcolumbre, depois de finalmente ter marcado a sabatina de Jorge Messias, a única prioridade é encerrar CPIs. Depois do fim melancólico da CPI do INSS, chegou a vez da Comissão que investiga o Crime Organizado ter o mesmo destino. A tentativa de colar no Banco Master também não funcionou e o pedido de prorrogação não foi aceito por Alcolumbre. Sem conseguir ouvir Roberto Campos Neto, que faltou pela terceira vez à Comissão, nem a ida de Gabriel Galípolo deu alguma relevância ao fim dos trabalhos. Para surpresa só do Planalto, o presidente do BC defendeu seu antecessor na comissão. A CPI chega ao fim justo na semana em que a Receita Federal confirmou que Daniel Vorcaro pagou R$80 milhões em dois anos para o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre, além de pagamentos para o portal Metrópoles, escritórios de advocacia e empresas ligados a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD), ACM Neto (União Brasil), o ex-ministro do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, e os ex-ministros Guido Mantega, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

.Todos juntos e separados. A família Bolsonaro deveria estar vivendo o seu melhor momento dos últimos três anos. Afinal, preso e caminhando para o ostracismo, Jair conseguiu impor o nome de Flávio como candidato, mantendo a direita refém da família por mais algum tempo, eliminando os concorrentes do mesmo campo, consolidando o filho como o adversário de fato de Lula e ainda viu seu partido - o PL - crescer na janela partidária. Mas a família e os bolsonaristas gostam mesmo é de uma boa briga em público. Além das disputas entre Michelle e os enteados, que envolvem a estratégia do PL em Santa Catarina e no Ceará, Eduardo resolveu atacar Nikolas, que tem um projeto político próprio e está em contagem regressiva para se descolar dos Bolsonaros. Aliás, Nikolas sabe bem como é impedir que alguém do mesmo campo cresça, afinal ele também está tentando barrar a entrada do senador Cleitinho no PL. Além das brigas, Flávio tem que lidar com a verborragia do irmão Eduardo e com a possibilidade de uma deserção do agronegócio para a candidatura Caiado, que afinal de contas representa muito melhor a turma do latifúndio e do veneno. Neste caso, Flávio poderia escolher a senadora Teresa Cristina (PP) como vice para manter a lealdade deste setor ou buscar uma alternativa entre empresários. Apesar de todo burburinho e das disputas internas, o que é realmente relevante é que o bolsonarismo conseguiu manter a unidade político-ideológica da extrema-direita, como se vê nas plataformas e ações das supostas candidaturas alternativas. Como Flávio, a única bandeira que Ronaldo Caiado apresentou até agora foi… a anistia a Jair Bolsonaro. Já o Novo de Romeu Zema determinou que todos os candidatos a qualquer cargo devem obrigatoriamente defender o impeachment de ministros do STF, outra bandeira própria do bolsonarismo.


.Ponto Final: nossas recomendações.

.O culto ao apocalipse por trás da guerra de Trump contra o Irã. No Intercept, Alain Stephens explica porque o fundamentalismo evangélico apoia a guerra.

.Por uma nova estratégia para terras raras e IA. Frente ao entreguismo da direita, o desafio é uma resposta baseada em soberania e desenvolvimento. No Outras Palavras.

.Parasita digital (IA): a pirataria dos saberes que destrói recursos naturais alimentada por grandes data centers. Em entrevista ao IHU, Miguel Nicolelis analisa a farsa do conceito de Inteligência Artificial.

.SOS Orçamento: o escândalo dos R$ 61 bilhões para emendas. No Poder360, Roberto Livianu denuncia a perda de controle do orçamento público e propõe a restrição às emendas.

.ATL 2026 começa com Indígenas cercados pela mineração e foco em bancada inédita no Congresso. Povos originários lutam nas ruas e no parlamento pelo direito de existir. Na Samaúma.

.Não vou deixar de ser quem eu sou só porque é difícil. Marcia Barbosa, reitora da UFRGS, relata os desafios de uma mulher que ocupa espaços de poder. No Sul 21.

.Quem consome livros no Brasil? Os dados são surpreendentes. Mulheres pretas e pardas ganham destaque, segundo pesquisa. Veja o resultado no Farofafá.

.Se o povo não chega ao cinema, o cinema chega ao povo. Projeto do MTST leva produção audiovisual gratuita a ocupações urbanas. No Emerge Mag.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.