06 novembro, 2026

Como será o amanhã?

Como será o amanhã?


Olá! Todos jogam as cartas agora de olho nos próximos 4 anos.

.O golpe está aí. Sem precisar fugir para Miami, a Faria Lima se declarou líder da oposição no Brasil. E mesmo sem se autoproclamar presidente, o mercado financeiro quer usurpar o resultado das eleições e tomar as decisões sobre o futuro do país. Depois de abraçar sem vergonha a candidatura Flávio e já imaginar futuros ministros e decretos, a Faria Lima foi atropelada pelo resultado das urnas junto com o bolsonarismo. A primeira demonstração de que não ia aceitar o resultado veio logo no dia seguinte, quando derrubou a bolsa e inflacionou o dólar, apoiada pelo terrorismo da mídia. Na prática, o mercado quer que Lula adote o projeto derrotado nas urnas. Nesta semana, o mercado entrou em polvorosa pela simples possibilidade de Lula se encontrar com o economista André Lara Resende e ouvir sua proposta para baixar a taxa de juros. A formulação de Resende, como analisa Luis Nassif, não mexe no modelo macroeconômico vigente desde o Plano Real. Mesmo assim, caiu como uma bomba, porque afinal o autor é um economista liberal, não-marxista, não-petista, um dos pais do plano Real dizendo que existem outros caminhos para baixar os juros que não seja mais austeridade e corte de gastos. O Exército da Faria Lima ganhou o reforço de Gabriel Galípolo. O Banco Central não só interrompeu a queda da taxa, como justificou com um comunicado duro que dá eco a todas as preocupações do mercado, endossando as previsões de alta da inflação e insinuando a necessidade de cortes. Completando a tabelinha, o mercado já apresentou sua pauta: manter a Selic em 13,75% por todo o próximo semestre. A lista de exigências dos sequestradores inclui ainda que Lula anuncie logo o novo Ministro da Fazenda - mais motivo de pânico ou alívio - e que se pronuncie assumindo compromissos com o corte de gastos. Mas, segundo Julia Duailibi, o presidente deve frustrar tanto quem quer subordinação ao mercado, quanto quem espera medidas radicais. Lula não dará carta branca ao mercado, mas também não vai abrir mão das promessas de campanha. O provável ajuste deve seguir em busca do centro da meta de superávit, manter o gatilho que exclui determinadas receitas do cálculo de gastos, aumentar a flexibilidade para bloquear ou contingenciar, cortar gastos tributários e fazer um pente-fino nas despesas.

.Estamos contratando. Na prática, a transição para o novo governo já começou. A estratégia de Lula para fechar o ano é botar o pé no acelerador antes que a avalanche de deputados e senadores do PL assumam seus mandatos. Foi assim que o presidente conseguiu uma sequência de vitórias que contribuíram não só para sua reeleição, mas também para dar o tom do novo mandato: o fim da escala 6x1, a ampliação do teto dos MEIs e a PEC da Segurança Pública. Mais do que vencer, a estratégia governista visa cooptar os parlamentares do centrão e parte da direita para a agenda governista, com forte apelo popular, enfraquecendo e desarticulando a oposição. Porém, as relações com o Congresso não prometem ser fáceis nos próximos anos. Além do toma-lá-dá-cá das emendas, que deve continuar, o Planalto já iniciou as negociações para contemplar a base aliada com ministérios, convertendo cargos em votos, tarefa que por enquanto ficará com Edinho Silva, presidente do PT. O problema é que a governabilidade não é a única variável a ser levada em conta na indicação de ministros, pois estes definirão também os rumos programáticos do governo. Evidentemente, a pasta mais cotada é a da Fazenda, para a qual têm sido cogitados nomes como o atual ministro Dario Durigan, o governador do Piauí Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, também cotado para o novo Ministério da Segurança Pública. Outro velho dilema é quem assumirá a Defesa, cargo tradicionalmente entregue a alguém próximo aos generais e distante da esquerda e que costuma sofrer com o fogo amigo petista, como os favoritos do momento. Além disso, na relação do Planalto com o Congresso, tudo dependerá de quem comandará as presidências da Câmara e do Senado a partir de fevereiro. Por ora, de olho nas próprias reeleições, Hugo Motta e Davi Alcolumbre têm trabalhado em colaboração com o governo. Mas ambos também acenam para a oposição, buscando apoio da direita, como fez Alcolumbre ao defender o mandato de senador Flávio Bolsonaro, que passou ao trabalho remoto. Por sua vez, o bolsonarismo já escolheu seu candidato para enfrentar Alcolumbre, o senador Rogério Marinho, cuja pauta central deve ser (surpresa!) a anistia aos golpistas de 8 de janeiro. Mas, além de sofrer com o rescaldo da fuga de Flávio Bolsonaro e da derrota dos Republicanos nos Estados Unidos, Marinho terá que pacificar as relações com a direita tradicional, representada pela candidatura de Tereza Cristina (PP-MS) à presidência do Senado. E enquanto o bolsonarismo afunda, Tarcísio de Freitas arruma a casa e aguarda, sabendo que o tempo está a seu favor.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.‘Voto raivoso’: derrota de Trump reflete insatisfação com custo de vida, não paixão pelos democratas. No Brasil de Fato, Stephanie Weatherbee analisa a “onda azul” norte-americana.

.Europa: o antissistema agora é a juventude. Enquanto a esquerda vai às ruas pelas mãos da juventude, a extrema-direita aposta na repressão. No Outras Palavras.

.Projetos de mineradora financiada pelo Master afetam 127 áreas protegidas. O Repórter Brasil mostra como os projetos da 3D Minerals afetam terras indígenas, territórios quilombolas, unidades de conservação e assentamentos.

.A redução da maioridade penal pode reduzir crimes? O que dizem os dados. O Notícia Preta mostra que os dados disponíveis contrariam as teses da direita.

.‘O futebol existe há um século sem as bets’: cientista política defende veto às apostas no STF. No Brasil de Fato, Rosemary Segurado contesta argumento dos clubes sobre crise financeira.

.Fandoms em ação: estudo mostra como os fãs de cultura pop ajudaram na reeleição de Lula. Como fãs de artistas como Beyoncé, Taylor Swift, Olivia Rodrigo, Lady Gaga, Blackpink e BTS engajaram-se nas eleições. No The Conversation.

.‘Cometerra’, o romance argentino perseguido pelo governo Milei. O Opera Mundi apresenta o livro de Dolores Reyes que trata de feminicídio através de ficção.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

04 novembro, 2026

Eleição nos Estados Unidos em 3 de novembro de 2026 trouxe conquistas históricas

Quando o povo ocupa os espaços de poder: uma vitória da democracia e da diversidade


As eleições de meio de mandato realizadas nos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026, entraram para a história não apenas pela mudança no cenário político do país, mas também pela conquista de espaços importantes por mulheres e homens que representam grupos historicamente excluídos dos lugares de decisão.

Entre os resultados mais significativos está a eleição de Keisha Lance Bottoms, que se tornou a primeira mulher negra a governar um estado norte-americano, na Geórgia. Outra conquista histórica foi a de Deb Haaland, primeira mulher indígena eleita governadora nos Estados Unidos, no Novo México. Sua vitória representa também o reconhecimento da presença e da participação dos povos originários na construção da sociedade.

A participação das mulheres ganhou outros marcos importantes. Peggy Flanagan tornou-se a primeira mulher indígena eleita para o Senado norte-americano. Gina Hinojosa será a primeira mulher latina a governar o Texas. Amy Acton foi eleita a primeira mulher governadora de Ohio, enquanto Marsha Blackburn conquistou o governo do Tennessee, sendo a primeira mulher a ocupar esse cargo no estado. Já Amy Klobuchar tornou-se a primeira mulher eleita governadora de Minnesota.


Outro destaque é Juliana Stratton, eleita senadora por Illinois. Com sua chegada, o Senado dos Estados Unidos terá, pela primeira vez, três mulheres negras exercendo mandato simultaneamente. Também merece destaque Melat Kiros, primeira mulher negra eleita para representar o Colorado no Congresso, e Claire Valdez, primeira mulher indígena eleita para o Congresso por Nova York.

Entre os homens, também houve conquistas inéditas. Abdul El-Sayed tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos. Chris Pappas conquistou um marco histórico ao se tornar o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado. Byron Donalds foi eleito governador da Flórida, tornando-se o primeiro governador negro do estado e o primeiro republicano negro eleito governador na história do país. David Crowley também fez história ao se tornar o primeiro governador negro de Wisconsin. Já Xavier Becerra será o primeiro latino eleito governador da Califórnia, e Aaron Ford o primeiro governador negro de Nevada.

Essas conquistas mostram que a democracia se fortalece quando diferentes grupos sociais conseguem participar da vida pública e ocupar os espaços onde são tomadas as decisões que afetam a sociedade. É importante lembrar que muitas dessas pessoas já tinham trajetória política e experiência em outros cargos públicos. A novidade histórica está em romper barreiras que, durante muito tempo, impediram determinados grupos de chegar às mais altas funções de representação.

Mais do que a vitória individual de cada candidata e candidato, esses resultados expressam a força da participação popular, da organização coletiva e da luta por igualdade de direitos. Mulheres, pessoas negras, indígenas, latinas, muçulmanas e representantes da comunidade LGBTQIA+ ampliam sua presença nos espaços de poder.

A democracia não se resume ao direito de votar. Ela também exige que todas as pessoas tenham condições de participar, representar suas comunidades e contribuir para as decisões políticas. Afinal, uma sociedade mais justa se constrói quando a diversidade do seu povo também está presente nos espaços de poder.

Do ponto de vista social e cristão, essa conquista nos provoca a refletir: não basta falar em dignidade, igualdade e justiça; é preciso garantir condições reais para que todas as pessoas tenham voz, participação e protagonismo na construção do bem comum.

Fontes: Associated Press, Centro para Mulheres e Política Americana da Universidade Rutgers e ABC News, publicações de 4 de novembro de 2026.


Observação: os resultados ainda estão sendo atualizados em algumas disputas na data das publicações.

A vitória da democracia nos Estados Unidos é também uma mensagem de esperança para o mundo

A vitória da democracia nos Estados Unidos é também uma mensagem de esperança para o mundo: a democracia se fortalece quando o povo participa, quando a liberdade é respeitada e quando a vontade popular é soberana. Que essa vitória representa também um passo na busca pela paz, no diálogo entre as nações e na esperança de que as guerras cheguem ao fim, dando lugar à justiça, à solidariedade e à vida. Que prevaleça a paz, que cessem as guerras e que a democracia seja sempre um caminho de liberdade e esperança para todos os povos!


Maringá-Pr: a força da natureza e o desafio da solidariedade

Quando a força dos ventos derruba árvores, casas e estruturas, também revela a importância dos laços de solidariedade, da organização comunitária e do compromisso com a vida.


Na madrugada de 2 de novembro de 2026, Maringá foi atingida por um fenômeno climático de grande intensidade. Após análises realizadas em diferentes regiões da cidade, o Simepar confirmou a ocorrência de um tornado de categoria F2, com ventos estimados entre 180 e 250 km/h. O fenômeno percorreu aproximadamente 15 quilômetros, deixando um rastro de destruição.


Os números revelam a dimensão dos estragos: 862 ocorrências de queda de árvores, das quais mais de 450 já haviam sido removidas das vias públicas no levantamento divulgado em 4 de novembro. Cerca de 86 mil imóveis ficaram sem energia elétrica no início da ocorrência. Na atualização do dia 4, aproximadamente 35 mil ainda permaneciam sem fornecimento. Também foram registrados 219 postes rompidos.



Residências, estabelecimentos comerciais, barracões, veículos, espaços públicos e a estrutura do Corpo de Bombeiros sofreram danos. Aproximadamente 600 famílias receberam lonas para proteger suas casas. Cerca de 930 servidores municipais, juntamente com voluntários e equipes de emergência, foram mobilizados para trabalhar na recuperação da cidade.


Mas, por trás desses números, existem pessoas. Famílias que perderam parte de suas casas, trabalhadoras e trabalhadores que tiveram seus locais de trabalho danificados, pessoas que enfrentam dificuldades pela falta de energia, água e comunicação. Há também situações que ainda precisam ser identificadas, pois algumas famílias não conseguiram comunicar os prejuízos.

É nesse momento que a solidariedade precisa se transformar em compromisso concreto.

As comunidades, paróquias, pastorais, movimentos e organizações populares podem contribuir identificando as necessidades, acolhendo as famílias e organizando ações solidárias. As CEBs, pela sua presença nos bairros e proximidade com a realidade do povo, têm um papel importante nessa caminhada.

A reconstrução, entretanto, não pode depender apenas da solidariedade da população. É responsabilidade do poder público garantir assistência às famílias atingidas, recuperar os serviços essenciais, acompanhar os prejuízos e desenvolver ações de prevenção e proteção para que a cidade esteja mais preparada diante de novos acontecimentos.

Esse momento também nos convida a refletir sobre o cuidado com a Casa Comum. Como nos ensina a encíclica Laudato Si', do papa Francisco, tudo está interligado. Cuidar da natureza, planejar nossas cidades e proteger as pessoas mais vulneráveis são compromissos inseparáveis.

A Palavra de Deus nos recorda: “Eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber” (Mt 25,35).

Que Maringá encontre na solidariedade, na organização comunitária e na responsabilidade coletiva a força para superar este momento. Que nenhuma família seja esquecida e que a reconstrução da cidade tenha como prioridade a dignidade e a vida de todas e todos.

Diante da força da natureza, que prevaleça a força da solidariedade!


Fontes dos dados:




Observação: os números são parciais e podem mudar conforme o avanço dos levantamentos.

02 novembro, 2026

Maringá - Pr - Uma cidade marcada pela destruição

Tudo muito triste.


Muitas árvores derrubadas, rede elétrica com danos expressivos. Foram atingidos residências, estabelecimentos comerciais, barracões, veículos, estruturas públicas, áreas verdes e importantes vias de circulação. A Avenida Brasil, a Avenida Tuiuti, a Avenida Colombo e outros pontos da cidade registraram situações de destruição e bloqueio.



30 outubro, 2026

Somos mulheres! Somos luta, coragem e transformação. E não fugimos à luta!


Nada será como antes

Olá! Nem a esquerda nem a direita saíram das urnas da mesma forma que entraram.

.Esperança equilibrista. Foi uma vitória histórica. Lula não apenas derrotou Flávio Bolsonaro, como também Donald Trump, Javier Milei, a extrema-direita latino-americana e mundial, as big techs e, de lambuja, André Mendonça e Kássio Nunes. Tudo isso com uma votação expressiva, impossível de ser questionada, apesar das tentativas iniciais dos derrotados. Mais do que à trajetória do maior líder popular da história do país, a vitória se deve às mobilizações de milhões de pessoas nas ruas e nas redes, como o próprio Lula reconheceu em seu discurso, indicando que a comunicação digital e a participação popular devem ter maior espaço no próximo governo. Com um Congresso controlado pela extrema-direita, a ficha no Planalto caiu de que as mobilizações serão mais decisivas para garantir a governabilidade do que os acordos com o centrão. É verdade que o governo precisa dos votos do centrão, mas a expansão do PL também assustou a outra turma da direita e as conveniências mútuas podem levar à recondução de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de nomes para compor o governo. Mas, vitaminado pelas ruas e pelas urnas, o Planalto já avisou que desta vez não vai admitir traição. Lula contabiliza tudo isso olhando para os muitos desafios pela frente: a bomba da dívida pública e o fracasso do arcabouço fiscal; a pressão da Faria Lima por cortes sociais - outra que não sabe perder e usou a bolsa para chantagear o governo no dia seguinte; a reforma do Judiciário; a regulação das big techs e, claro, a relação com os Estados Unidos. Sem contar que o governo Lula 3 ainda não terminou e o Planalto ainda quer fechar o ano limpando a pauta, aprovando a PEC da Segurança, a MP das Bets e apresentar o projeto da Tarifa Zero.

.Wilson! A trajetória de Flávio Bolsonaro nessas eleições acabou tão desacertada quanto começou. Feito sucessor por peso do sobrenome e por capricho do pai, o zero-um chegou a cogitar sua desistência logo de saída se lhe pagassem o preço certo. Mas, ao longo de 2026 a candidatura emplacou, derrubando concorrentes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema e mostrando que o bolsonarismo continuava encantando o eleitor conservador. Com um programa vago e aproveitando os ventos do antipetismo e da insatisfação com o governo, o barco avançou apesar das intempéries dos incontáveis escândalos em que Flávio estava metido. Não se pode dizer que o saldo da aventura foi negativo. No primeiro turno, a candidatura de Flávio saiu na frente, e ainda ajudou a puxar votos para o PL, que elegeu 121 deputados e 19 senadores, tornando-se o maior partido dentro do Congresso, além de 6 governadores. Porém, quando a mobilização dos eleitores de Lula ganhou corpo, a confusão tomou conta da campanha bolsonarista, baseada na soberba, na negação do passado e no vazio de propostas reais. Frente à derrota e ao reconhecimento do resultado por parte das instituições da República e da comunidade internacional, inclusive do próprio PL e aliados, Flávio optou pelo golpismo, num gesto desesperado para manter vivo seu chiqueirinho. Rogério Marinho, ficou ao lado do pupilo até o final, talvez tentando convencê-lo a não navegar no oceano incerto da contestação das urnas. Mas o rapaz preferiu a fuga e o vitimismo, mantendo o padrão recorrente entre os seguidores do ex-capitão. Agora, ao abandonar eleitores e aliados à própria sorte e afirmar ser um exilado político que lidera a oposição desde o exterior, Flávio se tornou uma caricatura, um náufrago que perdeu a razão e conversa com uma bola de vôlei numa ilha distante. Nem mesmo Donald Trump endossou tamanha irracionalidade. Seu destino deve ser o mesmo de Eduardo Bolsonaro: um pária internacional condenado pela Justiça brasileira e refém dos interesses norte-americanos, enquanto for útil.

.O novo que ainda não nasceu. Depois das eleições de 2026, nada será como antes. A começar pelo futuro do lulismo e da esquerda. Lula é o principal personagem dessa história desde 1989. Participou de sete disputas presidenciais, venceu quatro delas e fará seu último mandato. Neste período, a esquerda se tornou mais plural, com partidos antigos e novos, do centro à extrema-esquerda, como PDT, PSB, Rede, PSol, UP, dentre outros. Mas o PT continua sendo o principal partido desse campo, o que é reforçado pela cláusula de barreira que penaliza as pequenas agremiações. Houve também renovação de quadros, com jovens deputados eleitos e com futuro promissor. Mas ainda não há uma liderança com a envergadura sequer próxima à de Lula e, para piorar, aquele cotado inicialmente como seu sucessor, Fernando Haddad, não só perdeu a eleição para o governo de São Paulo como foi queimado na ingrata tarefa de ministro da Fazenda. Agora, a esquerda tem apenas quatro anos para resolver esse imbróglio ou contentar-se com um picolé de chuchu. Do outro lado, o bolsonarismo vive seu próprio dilema. Talvez seja cedo para decretar seu fim, como querem alguns, mas certamente está em curso um desfecho ambíguo e frágil. Apesar do sucesso eleitoral do PL e dos cinco membros da família Bolsonaro que se elegeram no Congresso, o agrupamento segue sem liderança depois que Flávio cometeu suicídio político e enquanto Jair estiver preso. Afinal, todo mundo sabe que Carlos Bolsonaro e Jair Renan são incapazes de liderar coisa alguma, e é provável que Michelle tente carreira solo. Daí a insistência do PL na anistia ou no indulto ao ex-presidente. Outro cotado para a liderança do bloco, Tarcísio de Freitas, continua demonstrando pouca pressa e muito receio de indispor-se com os Bolsonaros. Além disso, a extrema-direita se renovou ainda mais do que a esquerda e uma parte desse campo, como o MBL, mesmo compartilhando o viés fascistizante do bolsonarismo, não pretendem ficar à sua sombra. Alguns analistas mais otimistas ainda apostam que, com o ocaso do bolsonarismo, haveria espaço para a reconstrução de uma direita democrática, o que parece improvável tendo em vista o cenário latino-americano e mundial. Mas isso só o tempo dirá.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Mapeamento expõe rede de interesses estrangeiros que atua em favor de Flávio Bolsonaro. Pesquisa mostra a rede de relações internacionais montada para interferir nas eleições brasileiras. No Brasil de Fato.

.As abelhas na cidade: a organização dos entregadores da China em Ganzhou. Como os entregadores estão organizados na China. Na Revista Opera.

.Pessoal, urgente: dá para replicar o Exército do Lula em outros países?? No Diplô Brasil, Gabi Juns analisa o sucesso do Janonismo cultural.

.Prisão ou porta – o Bolsa Família nos dados. Pedro Paulo Zahluth Bastos detalha o impacto do Bolsa Família para o país. Em A terra é Redonda.

.Como a imaginação radical pode nos salvar. Na Jacobin, Livia Almendary fala sobre a força da arte e da literatura na batalha contra o fascismo.



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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

Verás que uma filha tua não foge à luta!

Por trás de cada voto registrado no domingo, existe uma mulher, uma história, um sonho e muita luta!

Somos força que não se dobra! Fomos às urnas, mulheres de 16 a 108 anos, para defender nossos direitos, fortalecer a democracia e reafirmar que nossa voz importa.

Somos lindas, somos esperança, somos resistência e somos presença. Uma presença terna, forte e transformadora na família, na comunidade e em todos os espaços onde estivermos.

Somos mulheres! Somos luta, coragem e transformação. E não fugimos à luta!

28 outubro, 2026

Flávio Bolsonaro investigado por corrupção e lavagem de dinheiro


Flávio Bolsonaro logo depois de perder a eleição para Lula em uma virada histórica, em um jatinho particular, fez uma rota obscura e acaba de pousar nos Estados Unidos, descumprindo a ordem do STF de entregar o passaporte e não deixar o país.

O Senador Flávio, fugiu do Brasil para escapar da Justiça e o governo Trump confirmou que irá conceder vistos a ele e sua família. Se Flávio conseguir asilo, ele pode nunca mais responder pelos crimes dos quais é investigado.

Um investigado por corrupção e lavagem de dinheiro não pode ganhar um passe livre para escapar de responder à Justiça brasileira.

Atualmente, ele é investigado por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse no caso do Banco Master e por possível lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas. 

26 outubro, 2026

#Lula fala pela 1ª vez após vitória

#Lula fala pela 1ª vez após vitória: ‘Vamos mudar o jeito de governar, vamos fazer o povo participar mais’



Presidente também criticou big techs, associou Flávio Bolsonaro a milícias e que vai governar com Congresso.

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 25-10-2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez após a vitória eleitoral deste domingo (25). O petista prometeu “mudar o jeito de governar este país”.

“Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, disse.

Ao comentar o processo eleitoral, Lula criticou a atuação das grandes plataformas digitais, as big techs, e afirmou que seu governo deverá avançar na regulamentação dessas empresas. Segundo ele, a campanha foi marcada por tentativas de interferência externa no resultado das eleições.

“Nessa eleição, a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regular”, afirmou. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando bilhões e não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.

O petista também fez críticas ao adversário derrotado, Flávio Bolsonaro, a quem associou ao “milicianismo”, e classificou o resultado eleitoral como uma derrota do negacionismo e da desinformação.

“Essa eleição foi uma derrota do negacionismo, da mentira, e eu confesso a vocês que, cada vez que ia ao debate, eu ficava constrangido, porque eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reúno todo ano com BRICS, G20, G7, discuto os principais assuntos do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país”, disse Lula.

‘Moral da tropa’

O presidente agradeceu especialmente à juventude, aos idosos e aos militantes que participaram da campanha. Também destacou o papel do deputado federal André Janones (Rede-MG) na mobilização digital de seus apoiadores durante o segundo turno.

“Quero agradecer a esse companheiro Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar o moral da nossa tropa”, afirmou.


Lula também elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que seguirá ao seu lado no próximo mandato. “Feliz o presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade que eu tenho no Alckmin”, disse.

Saúde e educação

Entre as prioridades anunciadas para o próximo governo, Lula destacou a ampliação das políticas de cuidado com a população idosa, a valorização das mulheres, a educação pública e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Tenho que governar para 215 milhões, para todas as idades, mas, no próximo mandato, eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os velhinhos”, afirmou.

Na educação, o presidente prometeu ampliar o ensino em tempo integral e criar uma versão universitária do programa Pé-de-Meia. Também defendeu investimentos na formação científica e tecnológica para reduzir a dependência brasileira de tecnologias estrangeiras.

“Nós queremos universalizar a escola de tempo integral no ensino médio, vamos criar o Pé-de-Meia universitário para que nenhum jovem ou menina desista de estudar porque tem que trabalhar”, declarou.

“Vamos ensinar mais matemática e engenharia porque eu não quero depender de IA americana ou chinesa, quero criar uma brasileira”, acrescentou.

O presidente também comentou a composição do Congresso Nacional e rejeitou a avaliação de que enfrentará dificuldades para governar em razão do perfil conservador dos parlamentares eleitos.

“Já tem gente falando que eu vou ter muita dificuldade para governar porque está muito conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar para aprovar as coisas”, afirmou.

Lula disse ainda que pretende realizar reuniões com representantes de diferentes setores da sociedade antes do início do novo mandato, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres.

“Tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, com os educadores, com os cientistas, com as mulheres”, declarou.


Fonte do texto: IHU