17 junho, 2019

A história continua!


Jesus estaria em cima do caminhão, em defesa de uma grande multidão, que ainda não pode ter um “pastor” que os defendem, e aquelas e aqueles que o faz, vai enfrentar perseguição e calúnia como as dos fariseus e serão perseguidos e não duvido que mortos.

Segue um pequeno texto que escrevi.


A história continua!

A sociedade que Jesus viveu predominante agrícola, a terra concentrada nas mãos de pouca gente, o latifúndio, as atividades artesanais exploradas e sem valor, as atividades comerciais nas cidades pequenas eram local, onde se fazia troca, a circulação de dinheiro muito pouco,  más com o controle dos grandes comerciantes havia os grandes mercados.

 O sistema de impostos explorava o povo e Jesus contrapõe a esse sistema, a uma sociedade desigual e opressora. O Evangelho de marcos, narra o sentimento de Jesus diante do sofrimento “Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor.”

Jesus sempre com e junto as/os pobres e marginalizados, com ternura aproxima e os defendem, enfrenta criticamente os poderosos e aí, os fariseus dizem “Esse homem blasfema”.

Jesus que revela o Projeto de Deus em suas ações não intimida, não se revela um covarde, mas sim um profeta, e continua contra o sistema, expulsa os vendedores do templo, o templo o centro da exploração,  um aviso, esses sistema que fere e mata tem que acabar.

Mistura a pessoa do pastor e profeta e ação política contra um sistema opressor, contra o poder enquanto poder de dominação e se coloca em defesa do povo e ai, os dirigentes, os chefes do poder mandaram matar Jesus.

Hoje o sistema opressor ataca e precarizaram direitos importantes conquistados pela classe trabalhadora entre outros, e aí, os que se colocam em defesa das trabalhadoras e trabalhadores, em defesa dos direitos da multidão, sendo perseguidos e ameaçados. A história continua.

Se Jesus viesse no dia que aconteceu a manifestação contra a reforma da previdência, Jesus estaria em cima do caminhão, em defesa de uma grande multidão, que ainda não pode ter um “pastor” que os defendem, e aquelas e aqueles que o faz, vai enfrentar perseguição e calúnia como as dos fariseus e serão perseguidos e não duvido que mortos.

“O sangue dos mártires é a semente dos cristãos”.

Por mim, Lucimar Moreira Bueno


O mistério da Santíssima Trindade!


Eu vos digo: não enfrenteis quem é malvado!


"Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
38Ouvistes o que foi dito:
'Olho por olho e dente por dente!'
39Eu, porém, vos digo:
Não enfrenteis quem é malvado!
Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita,
oferece-lhe também a esquerda!
40Se alguém quiser abrir um processo
para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
41Se alguém te forçar a andar um quilômetro,
caminha dois com ele!
42Dá a quem te pedir
e não vires as costas a quem te pede emprestado.
Palavra da Salvação."
Palavra da Salvação

( Mt 5,38-42)

13 junho, 2019

Nota da CNBB sobre julgamento no STF a respeito da criminalização da homofobia


A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nesta quarta-feira, 12 de junho, nota sobre o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal a respeito da criminalização da homofobia. “Em diálogo com os setores da sociedade que buscam fortalecer a punição para os casos de homofobia, a Igreja pede clareza nos processos em curso no Judiciário e Legislativo”, afirma a CNBB.

E acrescenta: “a liberdade religiosa, que pressupõe o respeito aos códigos morais com raízes na fé, deve ser compatibilizada com as decisões judiciais relacionadas à criminalização da homofobia. A doutrina religiosa não semeia violência, mas, ao contrário, partilha um código de condutas que promove a defesa da vida. Informar e orientar os fiéis sobre o matrimônio, aconselhá-los em questões relacionadas à família e à conduta pessoal não pode ser considerado ofensa contra pessoa ou grupo”.

Leia a nota na íntegra



Nota da CNBB

A Igreja Católica, especialmente por sua Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, historicamente, é defensora incondicional da vida, desde a sua concepção até a morte natural. Nesse sentido, é contrária a qualquer ato de violência. Atentados contra a vida merecem a mais severa condenação por parte de toda a sociedade civil e, principalmente, das autoridades devidamente constituídas.

Dedicamos a nossa atenção ao julgamento, em curso, no Supremo Tribunal Federal, da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26) e do trâmite no Senado Federal do Projeto de Lei 672/2019 para alterar a Lei 7.716/1989. Nosso posicionamento é alicerçado em princípios ético morais que defendem o respeito a todos, sem distinções.

O Magistério da Igreja indica o acolhimento solidário e respeitoso, evitando-se todo sinal de discriminação. Isto não significa se omitir ou negar o que ensina a sua doutrina: o matrimônio é a união entre o homem e a mulher, com a possibilidade de gerar vida. Nesse sentido, em diálogo com os setores da sociedade que buscam fortalecer a punição para os casos de homofobia, a Igreja pede clareza nos processos em curso no Judiciário e Legislativo: a liberdade religiosa, que pressupõe o respeito aos códigos morais com raízes na fé, deve ser compatibilizada com as decisões judiciais relacionadas à criminalização da homofobia. A doutrina religiosa não semeia violência, mas, ao contrário, partilha um código de condutas que promove a defesa da vida. Informar e orientar os fiéis sobre o matrimônio, aconselhá-los em questões relacionadas à família e à conduta pessoal não pode ser considerado ofensa contra pessoa ou grupo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confia e espera que as autoridades do Judiciário e do Legislativo, cônscios de suas responsabilidades, trabalhem, de modo adequado, dedicando-se, com profundidade, a essa questão que exige também ouvir diferentes perspectivas. Um tema tão delicado e complexo exige ser tratado pelo amplo diálogo e pela reflexão de toda a sociedade. Assim, é possível contribuir para promover a harmonia social em uma sociedade que precisa superar as polarizações. Assegurar cada vez mais a integridade do cidadão, a partir do respeito fraterno que todo ser humano deve cultivar em relação a seu semelhante. Esse compromisso requer irrestrito respeito a princípios morais e religiosos intocáveis.

Em espírito de comunhão e serviço, a CNBB quer colaborar para que se encontre o caminho necessário para vencer injustiças e perseguições – a violência contra o ser humano, que inclui também o desrespeito à liberdade religiosa e aos valores do Evangelho de Jesus Cristo, “ caminho, verdade e vida”.

Brasília, 12 de junho de 2019.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio  de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB



Fonte: CNBB

12 junho, 2019

12 de junho


Se Lula não tivesse sido vítima de conspiração, o Brasil teria tido um futuro diferente

"A imparcialidade e a independência da justiça são um pilar dos sistemas democráticos, mas frequentemente permanecem tais apenas no papel", escreve Alfredo Luís Somoza, antropólogo ítalo-argentino especialista em política internacional. É diretor da revista online dialoghi.info e presidente do Instituto de Cooperação Econômica Internacional de Milão, em artigo publicado por Huffington Post, 11-06-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.


Eis o artigo.

O site de jornalismo investigativo The Intercept acaba de divulgar uma série de arquivos com mensagens que, nos últimos dois anos, foram trocadas via Telegram, entre Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro no Brasil, e o promotor Deltan Dallagnol, que liderou a equipe de investigação da operação "Lava Jato" sobre o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Moro teria ajudado Dallagnol a preparar a acusação, fornecendo sugestões e informações confidenciais e antecipando algumas decisões. Se a autenticidade de tais mensagens for confirmada, estaremos diante da comprovação de que Sérgio Moro violou fortemente as regras do processo em vigor no Brasil: regras que impõem a imparcialidade do juiz em relação a acusação e defesa. Não só isso. Ter atingido Lulagarantiu a Moro aquela popularidade que o levou a ocupar o Ministério da Justiça, além de alavancar a arrancada final do quase desconhecido Jair Bolsonaro.
condenação de Lula a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro foi criticada, mesmo antes de conhecer esse pano de fundo, por juristas de todo o mundo. Isso porque nunca foram encontradas provas que confirmassem a hipótese investigativa.
O objeto em questão era um apartamento no Guarujá que teria sido dado ao ex-presidente por uma empresa que ele favoreceu para ter contratos com a estatal Petrobras. Mas o apartamento não estava registrado para nenhum parente ou qualquer membro da comitiva de Lula e, inclusive, nunca havia sido habitado.
O único elemento que o ligava a Lula eram as declarações de um arrependido, Léo Pinheiro, que em troca teve uma forte redução da pena pelo juiz Moro. Com base nesta "prova" duvidosa, sem outros registros, em nenhum país democrático teria sido possível uma condenação à prisão. Mas no Brasil, onde várias vezes nos últimos anos a ilegalidade foi tangenciada inclusive na gestão das questões institucionais, isso foi suficiente para a condenação em primeira instância e depois para a confirmação da sentença pelo Supremo Tribunal Federal.
Nos últimos dias, o Papa Francisco, dirigindo-se aos juízes participantes no Vaticano em uma cúpula pan-americana sobre direitos sociais, denunciou o chamado lawfare, ou seja, o uso ilegítimo do direito com a intenção de prejudicar um adversário, uma arma frequentemente usada para minar processos sociais e políticos emergentes. Segundo o papa, essas práticas derivam de uma combinação de atividades judiciárias impróprias e operações multimídias paralelas. Seu discurso antecipou por pouco a divulgação das notícias sobre as irregularidades da justiça brasileira no caso Lula. Mas o problema, obviamente, não diz respeito apenas ao Brasil.
Muito tem sido escrito nos últimos anos sobre as mudanças em curso na política desde que se tornou possível criar ou destruir o consenso através do uso inescrupuloso (e muitas vezes ilegal) das novas mídias, em particular espalhando notícias falsas. Pouco, ao contrário, tem sido analisado sobre o uso temerário das investigações judiciais para derrubar ou consagrar políticos, inclusive com um ganho pessoal por parte dos juízes, como no caso do brasileiro Moro. A imparcialidade e a independência da justiça são um pilar dos sistemas democráticos, mas frequentemente permanecem tais apenas no papel.
Isso acontece sobretudo em países onde a democracia é frágil e refém de fortes poderes, que muitas vezes abrigam em suas fileiras até mesmo membros do judiciário. E aqui se poderia estender a questão da imparcialidade da justiça também a respeito do poder dos grandes grupos econômicos.
O que é certo, no caso brasileiro, é que, se Lula não tivesse sido vítima de atos ilegítimos dos investigadores, a história política do Brasil poderia ter tido um sinal diferente.
Fonte: IHU

Os “garotos” que não querem crescer

Tratamento indulgente dado pela mídia ao jogador Neymar, acusado de estupro, são sintomas de uma geração de “homens infantilizados”: sempre “por amadurecer” e protegidos pelo paternalismo, se recusam a assumir qualquer responsabilidade.
A reportagem é de Breiller Pires, publicada por El País Brasil, 10-06-2019

caso Neymar está longe do desfecho, mas, ainda que não haja um veredicto das autoridades, atesta dois comportamentos risíveis de nosso tempo. Primeiro, o cinismo de gente que sempre desdenhou de reivindicações feministas e agora se diz preocupado com um possível prejuízo à causa ao cravar de antemão que se trata de uma falsa denúncia de estupro, desacreditando o relato da modelo Najila Trindade. Os que sempre tacharam o jogador como farsa pelo histórico de simulações e exibicionismo são os mesmos que hoje assinam procuração incondicional para defendê-lo.
Porém, o distúrbio mais latente desse escândalo midiático é a síndrome do homem adulto infantilizado. Mesmo acusado de um crime grave, Neymar, do alto de seus 27 anos, é tratado como garoto não apenas por familiares e amigos, mas também por uma parte da sociedade que julga conveniente não cobrar responsabilidades de certa casta de cidadãos privilegiados, seja por status socialeconômico ou de gênero.
Logo na primeira aparição em desagravo ao filho, Neymar pai fez questão de frisar que “ele caiu em uma armadilha”, em entrevista ao programa de José Luiz Datena, na Band. Já o apresentador, que responde na Justiça a uma acusação de assédio sexual contra ex-colega de trabalho, usou as palavras “menino”, “jovenzinho” e “moleque” para se referir ao jogador. Em uma das intervenções, novamente ignorou a gravidade do caso para reproduzir um argumento tão arcaico quanto enraizado: “É difícil segurar uma molecada que tem sucesso, dinheiro, fama e gosta de viver. Você vai falar com o moleque pra não sair com mulheres? Não transar, não ir a festas? É difícil você segurar a meninada dentro de casa”.
Jair Bolsonaro, o presidente que alçou seus três filhos à carreira política e não hesita em superproteger seus “garotos” de mais de 30 anos, sustentados por altos salários e benesses dos cargos públicos que ocupam, toda vez que eles metem os pés pelas mãos, engrossou o coro que propaga a infantilização de Neymar. Além de visitá-lo num hospital de Brasília após a lesão no amistoso contra o Catar, o chefe de Estado disse que, pelo que viu até agora, “Neymar é inocente”, atribuindo tamanha certeza à juventude e ao relacionamento pessoal que tem mantido com sua família. “É um jovem garoto. Tenho filhos mais novos e mais velhos que ele. Gosto do pai dele.”
Entretanto, ao mesmo tempo em que bajula homens-feitos, enquadrados em seu conceito de bom moço, o presidente faz lobby para reduzir a maioridade penal. Reafirma a crença difundida nos corredores do Congresso na época de parlamentar por entender que “um indivíduo de 14 anos já sabe muito bem o que está fazendo”. Correligionários de seu partido se aproveitaram da repercussão do caso Neymar para apresentar projetos de lei que sugerem agravar a pena por denúncia falsa de crimes sexuais, informalmente batizados de “Lei Neymar da Penha”. Não bastasse o esforço dos deputados do PSL em contribuir para a desmoralização da modelo que acusa o jogador, ainda brincam com a história de uma mulher que ficou paraplégica após ter tomado um tiro do ex-marido, e que se tornou símbolo do enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio no Brasil após esperar doze anos para ver o crime reconhecido.
Punição para falsa denúncia de crime é tão importante quanto a presunção de inocência, que deve ser assegurada enquanto o processo contra Neymar não for concluído, e o respeito a denúncias feitas por mulheres de agressões machistas. Quando o presidente da República e os bajuladores de marmanjos ignoram esse princípio, o que se quer ao propor o aumento de penas para calúnias envolvendo a dignidade sexual não é resguardar um direito básico, mas sim desencorajar toda e qualquer mulher que se sinta violentada por um homem.
Como agravante, o ambiente do futebol estimula comportamentos que, em vez de formar atletas capazes de compreender a diversidade e valorizar a figura feminina, faz com que eles cresçam aprendendo a tratá-la como ameaça, sob o preconceituoso rótulo de “maria-chuteira”. Além disso, qualquer jogador que demonstre algum talento fora da curva na infância passa a receber tratamento diferenciado, visto como “diamante bruto”. Ganham mimos, são extremamente protegidos por clubes, dirigentes e empresários, mas, para se dedicar a uma carreira incerta, se veem obrigados a abrir mão da infância e da adolescência, restringindo-se na maioria das vezes a um convívio basicamente masculino.
Neymar surgiu nesse contexto. Em que a ideia de sacrificar a juventude vale a pena pela fama e fortuna que chegam apenas para 1% dos candidatos a jogador profissional. O que se tem aí é uma formação incompleta, que, não raro, impõe aos atletas um doloroso processo de adolescência tardia. Chegam à fase de amadurecimento e experiências que já deveriam ter sido vividas por um jovem normal ricos, bem-sucedidos e deslumbrados. Para usar a expressão da moda, expor essa realidade não significa “passar pano” para Neymar. Mas é preciso urgentemente rever o modo como jogadores têm sido formados — ou fabricados, já que o tratamento recebido por eles remete a mercadorias de exportação.
O pior antídoto para lidar com atitudes infantis na fase adulta é o paternalismo. Hoje, Neymar e seu genitor se tornaram figuras indissociáveis. Sempre que o filho apronta, Neymar pai logo está de prontidão para justificar e relativizar a conduta do “garoto”. Reforça o tempo todo os estereótipos de mimado e imaturo que colaram no craque desde sua primeira polêmica no Santos, quando se desentendeu com o técnico Dorival Júnior. Como no episódio em que entrou no vestiário da seleção para buscar o filho que havia se machucado em campo no estádio Mané Garrincha.
Independentemente de ser culpado ou inocente na denúncia de estupro — algo que só o tempo e a Justiça dirão —, Neymar representa uma geração de homens que, de tão infantilizados pelos que os cercam, não conhecem limites nem sabem lidar com obrigações e frustrações. Enquanto insistirmos em normalizar licenças para a inconsequência, os garotos seguirão convictos de que um puxão de orelhas e uma semana de castigo resolvem qualquer problema.
Fonte: IHU

Bolsonaro exonera todos os peritos de órgão de combate à tortura


Novos peritos terão que ser aprovados pelo próprio presidente, não terão salário e não podem estar ligados a grupos da sociedade civil, ensino ou pesquisa.


O presidente Jair Bolsonaro exonerou, através de decreto publicado hoje, dia 11 de junho, todos os peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão responsável por investigar violações de direitos humanos em locais como penitenciárias, hospitais psiquiátricos, abrigos de idosos, dentre outros.
decreto 9.831, assinado ontem, ainda determina que a nomeação de novos peritos para o órgão precisará ser chancelada por ato do próprio presidente, e que esses novos membros não irão receber salário.
Além disso, o ato de Bolsonaro ainda proíbe que os novos peritos tenham qualquer vinculação a redes e entidades da sociedade civil e a instituições de ensino e pesquisa, dentre outros.
“Fomos pegos de surpresa. É bastante claro que se trata de uma retaliação ao trabalho que a gente vem desenvolvendo”, afirmou à Pública um dos peritos demitidos, Daniel Melo.
Como a Pública havia revelado, desde o início do governo Bolsonaro, os integrantes do Mecanismo vinham denunciando que a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, trabalhava para impedir a atuação dos peritos.
Em fevereiro, integrantes do Mecanismo e do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (CNPCT) afirmaram que a ministra impediu a vistoria a penitenciárias do Ceará para avaliar denúncias de maus tratos e tortura no sistema prisional cearense.
Segundo o perito, o decreto também torna inviável a atuação dos futuros peritos já que, sem remuneração, dificilmente teriam capacidade de conduzir investigações extensas.
“É inviável [o trabalho voluntário]. Para se ter autonomia, fazer visitas, conseguir minimamente organizar um trabalho, você precisa de sustento. O trabalho do perito não pode ser um cargo como o de um conselheiro, que você vai pontualmente a uma reunião e vai embora”, critica.
A denúncia dos peritos em fevereiro gerou uma crise no Ministério dos Direitos Humanos, que criticou o Mecanismo, mas autorizou posteriormente a inspeção nas penitenciárias do Ceará.
Em abril, após realizarem as visitas, os peritos divulgaram um extenso relatórioque apontou instalações superlotadas, presos com mãos e dedos quebrados e lesões na cabeça afirmando terem sido atingidos por chutes ou golpes de cassetetes, celas alagadas, tomadas por mofo, e falta de medicamentos para detentos com tuberculose e hepatite.
O relatório da inspeção ainda denunciou que presos soropositivos estavam sem acesso ao atendimento médico e impedidos de receber visita de familiares que poderiam trazer os coquetéis contra o HIV.
Durante as vistorias, os peritos encontraram uma cela, nos mesmos presídios, ocupadas por detentos ex-policiais e filhos de policiais com colchão, ventilador e mosquiteiro.
A Pública procurou o Ministério dos Direitos Humanos mas ainda não obteve retorno.

Peritos devem denunciar decreto de Bolsonaro ao Ministério Público

“A gente aponta que o Estado brasileiro tem provocado a tortura e violado os direitos das pessoas privadas de liberdade. [O decreto de Bolsonaro] faz lembrar os Atos Institucionais [da Ditadura] porque somos garantidos por Lei Federal e, de repente, por meio de um decreto, somos exonerados”, critica o perito.
De acordo com o perito Daniel Melo, a demissão dos peritos será levada ao Ministério Público Federal (MPF), além de organismos internacionais.
No início do ano, a denúncia que Damares havia impedido a visita do Mecanismo às prisões cearenses foi levada à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do MPF, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Corte Interamericana.
Contudo, mesmo após as denúncias, o Ministério de Damares não recompôs o quadro de peritos, já que vários estão com mandato vencido — dos 11 peritos previstos em Lei, o Mecanismo contava apenas com sete até a publicação do decreto, sendo que dois desses ainda aguardavam nomeação.
No último relatório bianual divulgado pelo sistema de proteção contra a tortura, o grupo relatou situações degradantes durante visita a presídios do Complexo do Curado, em Recife (PE). Pavilhões que deveriam abrigar 50 presos possuíam mais de 150 detentos.
Havia uma série de espaços insalubres, com vigas expostas, vazamentos, mofos e sem circulação de ar. Em Belém do Pará, o grupo havia apontado superlotação no hospital psiquiátrico do sistema penitenciário.
Segundo o relatório, havia 96 leitos para mais de 180 pessoas, além de cinco pessoas que permaneciam internadas apesar de já terem a medida de restrição extinta.
Fonte: Exame

Dilma: “A história será implacável com os que hoje se julgam vencedores”

Dilma no Palácio da Alvorada. MARIO TAMA GETTY IMAGES)  


Por Talita Bedinelli, publicado em El País 

Enquanto no Congresso Nacional um tapete vermelho era desenrolado para receber Michel Temer para a posse, do outro lado de Brasília Dilma Rousseff descia por uma rampa coberta por outro tapete vermelho. Ela se dirigia ao púlpito, de onde falaria suas primeiras palavras oficiais como ex-presidenta do Brasil. Não parecia em nada abatida e vinha cercada de apoiadores, à exceção de Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu observar tudo de longe e sumiu por um corredor assim que ela se despediu.
"Não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles", sentenciou, ao citar o antropólogo Darcy Ribeiro. Rousseff embargou a voz em um único momento: ao se despedir. Afirmou que não diria "adeus", mas "até daqui a pouco". E clamou que progressistas, não importa o partido, se unam para fazer a mais "incansável e energética oposição que um Governo golpista pode sofrer". Militantes de movimentos sociais que a assistiam de perto choravam. "Saio da presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil", afirmou.
Rousseff acompanhou a sessão final de seu julgamento no Alvorada, sua residência pelos cinco anos e seis meses que dirigiu o país. Estava ao lado de ex-ministros e do próprio ex-presidente, que durante toda essa reta final do processo se mostrou em público extremamente abatido. Lula tentou, nos últimos dias, convencer senadores a mudarem de posição, mas já sabia desde a tarde da última segunda-feira que a derrota seria irreversível, quando em uma reunião escutou do senador peemedebista Edson Lobão, ex-ministro de Rousseff, que os três parlamentares de seu Estado haviam decidido votar em bloco. E que o voto seria para Temer. Naquele mesmo dia, Rousseff compreendia que tudo estava perdido.
Seus aliados, então, reforçaram uma estratégia que costuravam há semanas e que, ao menos, trouxe à ex-presidenta uma vitória: em uma votação em separado, ela conseguiu manter o direito de ocupar cargos públicos, algo que perderia por oito anos. Coube à senadora peemedebista Katia Abreu, amiga de Rousseff, o apelo aos colegas: "A presidenta Dilma me autorizou a dizer que já fez as contas da sua aposentadoria (...) Ela vai se aposentar com cerca de 5.000 reais. Então, ela precisa continuar trabalhando para poder suprir as suas necessidades", afirmou. Como presidenta, o salário de Rousseff era de 22.883 reais líquidos e R$ 30.934 brutos.
Ao escutarem a decisão dos senadores, uma centena de militantes de movimentos sociais que acompanhavam a votação -em um telão improvisado com uma folha de papel e um projetor- não comemoraram. Viram na decisão dos 36 senadores que concederam o direito a ela apenas mais um sinal do que classificam como "golpe". "Isso só mostra que o que eles queriam mesmo era tirar ela de lá", afirmavam vários ao mesmo tempo. "Não tinha nada contra ela!", indignavam-se.
Dilma Rousseff deixa a presidência sem nenhuma fonte de renda. Ela é lotada em um cargo público em uma autarquia de estatística no Rio Grande do Sul, mas não deve reassumir o cargo. Dará entrada no pedido de aposentadoria, que pode demorar a sair. Nas eleições de 2014, ela declarou um patrimônio de 1,75 milhão de reais em bens, sendo 152.000 que guarda consigo em espécie (hábito que adquiriu na época da ditadura militar) e uma poupança de 130.000 reais na Caixa Econômica Federal. Possui ainda 72.000 reais em joias, três lotes e quatro imóveis em Porto Alegre, o de maior valor avaliado em 290.000 reais. Deixa para trás um séquito de funcionários e terá, à disposição, uma equipe de seis servidores (incluindo seguranças) e dois motoristas, com veículos.
"Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano", ressaltou ela em seu discurso. "Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade", destacou. E, após citar o poeta russo Maiakovski, subiu novamente a rampa vermelha para voltar ao palácio, que deixará em até 30 dias:
"Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta as ondas"

10 junho, 2019

Vem Liberdade

Esse é um momento propício para falar de liberdade.



Filme da Disney-Pixar , Coco

Filme da Disney-Pixar , Coco.

Esse é o filme citado na matéria postada a baixo " A pele não sofre de Alzheimer, ela sempre se lembra de uma carícia ou uma cicatriz".
 
"Pessoas com Alzheimer ou outra demência precisam de uma reconexão com o mundo
O mais recente filme da Disney-Pixar , Coco, nos mostra de uma forma muito emocional como podemos nos reconectar com as pessoas com Alzheimer, como podemos acessar sua pele, seus sentimentos mais profundos. Ele nos mostra com “Don’t forget me”, uma música que, sem dúvida, dá um sabor terno ao afeto emocional que ela causa."  






A pele não sofre de Alzheimer, ela sempre se lembra de uma carícia ou uma cicatriz

Há um tipo de equívoco generalizado: pessoas com Alzheimer ou outros tipos de demência tendem a se desconectar do mundo externo presente para entrar em seu mundo interior distante e irreal. Isso não é verdade. No entanto, quando pensamos que a pessoa que sofre da doença de Alzheimer já não é a pessoa que deveria ser, eles acabam perdendo sua identidade em face da sociedade e seus sentimentos quase automaticamente perdem seu valor.


> Se nos colocarmos no lugar da pessoa com demência, perceberemos que é normal ter medo da insistência dos outros, não saber expressar o que precisa ou o que está sentindo, não entender o que os outros dizem nem reconhecr as pessoas que se aproximam, tampouco saber ou lembrar-se dos nomes das coisas.

> Nós raramente nos colocamos no lugar das pessoas com Alzheimer. No entanto, se o fizéssemos, perceberíamos que isso diariamente pode parecer aterrorizante e desconcertante. Nós entenderíamos ansiedade ou outras reações emocionais que parecem desproporcionais à nossa visão “saudável” do mundo.

> O método de validação, uma terapia centrada na pessoa

> Na última década, os modelos de atenção e comunicação centrados no indivíduo ressurgiram. Esses modelos terapêuticos e de relacionamento consideram muito importante que as pessoas ao redor do paciente de Alzheimer sejam estimulantes e abertas.

> Em outras palavras, devemos procurar ter empatia com a pessoa com demência, manter sua identidade e gerar uma atitude abrangente diante dessas ” alterações comportamentais ” que desconcertam e causam tanto mal-estar nos cuidadores e familiares.

Os autores que promovem esse modelo de atenção enfatizam a necessidade de preservar o princípio da dignidade de cada pessoa. Portanto, é necessário usar a empatia para estar em sintonia com a realidade interna das pessoas afetadas pela demência.

O objetivo é ser capaz de proporcionar segurança e força, fazendo com que a pessoa se sinta “validada” e expresse seus sentimentos. Pois somente quando uma pessoa pode se expressar novamente, sua dignidade é restaurada.

Por quê? Porque validar significa reconhecer os sentimentos da pessoa. Validar é dizer a ela que seus sentimentos estão certos. Ao negar sentimentos, negamos o indivíduo, cancelamos sua identidade e, como resultado, criamos uma enorme lacuna emocional.

Princípios básicos do método de validação
Os princípios básicos do método de validação são:
• Aceite a pessoa sem julgar (Carl Rogers)
• Trate a pessoa como um indivíduo único (Abraham Maslow)
• Os sentimentos expressos pela primeira vez e depois reconhecidos e validados por um interlocutor confiável perderão intensidade. Quando ignorados ou negados, os sentimentos se tornam mais fortes. ” Um gato ignorado se transforma em tigre” ( Carl Jung )
• Todos os seres humanos são preciosos, independentemente do estado de desorientação em que se encontram (Naomi Feil)
• Quando a memória recente falha, recupere o equilíbrio restaurando memórias antigas. Quando a visão falhar, vamos usar o olho do espírito para poder ver. Quando a audição vai embora, vamos ouvir os sons do passado (Wiler Penfield)

Pessoas com Alzheimer ou outra demência precisam de uma reconexão com o mundo
O mais recente filme da Disney-Pixar , Coco, nos mostra de uma forma muito emocional como podemos nos reconectar com as pessoas com Alzheimer, como podemos acessar sua pele, seus sentimentos mais profundos. Ele nos mostra com “Don’t forget me”, uma música que, sem dúvida, dá um sabor terno ao afeto emocional que ela causa.

O fato de a pessoa perder a capacidade de se expressar verbalmente não significa que ela não precise se expressar. É, portanto, essencial adaptar-se às necessidades das pessoas afetadas, conectar-se ao humor delas e se misturar umas com as outras.

Como Tomaino (2000) disse, “é sempre surpreendente ver uma pessoa que está completamente fora de contato com o presente por causa de uma doença como a de Alzheimer, voltar à vida quando ouvem uma música familiar . A resposta da pessoa pode variar de uma mudança de posição a um movimento saltitante: do som à resposta verbal.
Normalmente, há uma resposta, uma interação.

Muitas vezes, essas respostas aparentemente delirantes podem dizer muito sobre a preservação de uma pessoa e como as histórias pessoais ainda podem estar perfeitamente presentes na memória “

Fonte: Pensar Contemporâneo
Traduzido de Nos Pensées  

Triste realidade brasileira...


Seleção estreia no Mundial da França, 40 anos após mulheres serem proibidas de jogar futebol no Brasil

Neste domingo (9), a seleção feminina entra em campo para disputar a Copa do Mundo da França, evento que já conta com uma audiência recorde: cerca de 40 milhões de europeus assistiram o primeiro jogo quando as francesas bateram as sul-coreanas por 4 a 0. Mas nem sempre foi assim. Entre as ditaduras do Estado Novo (Getúlio Vargas) e a Militar, mulheres brasileiras foram presas por se aventurarem nos gramados, reservados apenas aos homens. No entanto, elas nunca pararam de jogar, mesmo clandestinamente.  



Assinado por Getúlio Vargas em 14 de abril de 1941, durante a ditadura do Estado Novo, o artigo 54 do decreto-lei 3.199, afirmava que ”às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.

A proibição da presença feminina em campos de futebol durou quase 40 anos, e vigorou entre 1941 e 1979, marcando gerações de brasileiras que não puderam exercer seu talento nos gramados. O argumento sexista de que o futebol poderia ferir a “natureza feminina” serviu para criar um vácuo no esporte feminino, em prol da “dedicação ao lar” e “à família”.

Em declarações à imprensa brasileira, Aira Bonfim, historiadora e pesquisadora, responsável pela implementação do Centro de Referência do Futebol Brasileiro, no Museu do Futebol, em São Paulo, afirma que era “como se você, por quase 40 anos, construísse uma ideia, uma cultura e uma proibição moral”.

Em 1965, após o golpe de 1964 que instaura a Ditadura Militar no Brasil, o recente governo militar decide tornar expressa a proibição de mulheres jogarem futebol, e inclui na lei uma série de esportes considerados “inapropriados para mulheres”, como futebol, pólo aquático e rúgbi. Mas a proibição não se limitava apenas às esportistas.

A brasileira Lea Campos, 75, que marcou o futebol brasileiro e mundial ao se tornar a primeira mulher árbitra do Brasil e do mundo, relatou à Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (6) ter sido presa mais de 15 vezes entre 1967 e 1971, por desobedecer ao decreto assinado por Vargas. Ela conta que, quando a polícia invadia o campo para prender as jogadoras, ela se oferecia como responsável, enquanto árbitra da partida.

Clandestinidade

A literatura especializada mostra que a saída das jogadoras, entre esses “anos de chumbo”, foi jogar bola nas periferias ou em locais clandestinos, onde “não pudessem ser vistas”. Literalmente, mulheres jogando bola, em 1940, se tornavam “caso de polícia”, como demonstram vários registros históricos da imprensa mineira da época.

Curiosamente, pouco antes do decreto de Vargas, criminalizando o futebol feminino, o ano de 1940 viu surgir em Belo Horizonte o primeiro time feminino de Minas Gerais, que ganhou repercussão nacional, uma agremiação chamada Mineiras F.C., que veio se juntar a times como Casino Realengo e S.C. Brasileiro, que frequentavam normalmente as páginas dos jornais esportivos brasileiros, antes da onda de repressão iniciada pelo decreto da Era Vargas.

Mesmo com o fim da proibição de mulheres jogarem futebol no Brasil, em 1979, a regulamentação da modalidade feminina só aconteceu em 1983, e graças à mobilização das próprias jogadoras. Especialistas avaliam que os cerca de 40 anos de proibição do esporte no Brasil deixaram um saldo extremamente negativo, com péssimas condições de trabalho e falta de patrocinadores. Além de tudo, um enorme vácuo em relação à criação de uma cultura brasileira do futebol feminino, no país das chuteiras. O futebol feminino foi sufocado e relegado à clandestinidade com argumentos banais e sem respaldo médico.

Elas estão de volta

Depois da primavera feminista e da era #metoo, as garotas brasileiras voltam aos gramados neste domingo (9), estreando no Mundial contra a Jamaica, na cidade de Grenoble, no leste da França. As jamaicanas disputam sua primeira Copa do Mundo. Já as brasileiras, estão em seu oitavo torneio.

O Brasil sofre com contusões e traz um histórico de nove derrotas nos últimos amistosos. A seleção sofrerá ainda em sua estreia com as ausências de duas jogadoras experientes: a zagueira Erika, lesionada no tornozelo e substituída por Daiane, e a atacante e estrela do time, Marta, que ainda se recupera de dores na coxa e deve ficar no banco, segundo o técnico Vadão.

Fonte: RFI