04 março, 2026

Do Deus perverso que ameaça com câncer a denúncia profética no meio do Sambódromo

"manter a serenidade, a coerência e o compromisso com a verdade já é, por si só, um posicionamento importante num tempo em que gritar virou regra e pensar virou resistência."


Do Deus perverso que ameaça com câncer a denúncia profética no meio do Sambódromo

Quando a gente olha com calma para certas conversas desenvolvidas nos grupos de whatsapp e nas mídias sociais, dá para perceber que o conservadorismo atualmente não é algo solto ou improvisado. Ele é organizado, estratégico, bem pensado. E o mais curioso é que esse discurso tem alcançado pessoas que, num primeiro olhar, a gente não imaginaria ver defendendo essas posições. Há pessoas negras, LGBTI+, gente de tradições religiosas diversas, não cristãs, que acabam aderindo a narrativas alinhadas à extrema-direita e apoiando movimentos cristãos autoproclamados conservadores que durante anos praticam todo tipo de intolerância. Isso não acontece por acaso. Existe uma disputa muito forte de narrativa, de informação e de emoção acontecendo o tempo todo, no Brasil e no mundo.

Assim, podemos ver uma analogia muito clara aí com o discurso da chamada “família tradicional conservadora”. Ela se apresenta como saudável, moralmente correta, guardiã de valores. Mas, muitas vezes, o que sustenta essa estrutura não é amor nem cuidado, e sim conservantes ideológicos tóxicos: autoritarismo dentro de casa, silenciamento das mulheres, naturalização da violência doméstica, controle sobre as sexualidades, rejeição de pessoas LGBTI+, racismo velado ou explícito. Enquanto se diz “tradicional” e “conservadora”, mantém dentro de si elementos que adoecem as relações e produzem sofrimento. Assim como no alimento cheio de aditivos e conservantes, a aparência pode ser estável e duradoura, mas o custo para quem consome, ou para quem vive ali dentro da família tradicional -, pode ser profundamente destrutivo.

Nesse ambiente polarizado, quando alguém denuncia racismo, machismo ou desigualdade, logo aparece quem diga que é exagero, vitimismo ou “mimimi”. Ao mesmo tempo, problemas reais e graves são usados como arma política para atacar adversários. Fica tudo embaralhado: quem critica injustiças é chamado de intolerante; quem aponta divisões é acusado de ser o responsável por dividir. É uma inversão constante. E muitas vezes as pessoas nem percebem que estão reproduzindo argumentos prontos, construídos exatamente para confundir e deslocar o foco.

Diante disso, talvez o caminho não seja apenas bater de frente o tempo todo, nem também se calar. O desafio é outro: qualificar a conversa, investir em letramento político, explicar melhor as coisas, trazer contexto, ajudar a refletir. Nem sempre vai funcionar, porque há quem esteja mais interessado em distorcer do que em dialogar. Mas manter a serenidade, a coerência e o compromisso com a verdade já é, por si só, um posicionamento importante num tempo em que gritar virou regra e pensar virou resistência.

Reforço: tenhamos atenção plena, esse assunto sobre a pseudo intolerância religiosa praticada pela escola de samba Académicos de Niterói se equipara a mamadeira de P e ao Kit Gay de 2018.

Izaías Torquato, reverendo Anglicano

Paróquia Anglicana São Felipe – DAB-IEAB, Goiânia-GO.


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Fonte: CEBI


26 fevereiro, 2026

O Tempo da Quaresma e os ensinamentos dos Papas

Escrevi este texto para iluminar.


O Tempo da Quaresma e os ensinamentos dos Papas

O Tempo da Quaresma sempre ocupou um lugar central no ensinamento dos Papas, como caminho de conversão, justiça e renovação da vida cristã. Ao longo da história recente da Igreja, diversos pontífices destacaram dimensões espirituais e sociais desse tempo forte.

Nos ensinamentos dos Papas, a Quaresma é:
- Tempo de conversão sincera
- Caminho de oração profunda
- Exercício de jejum libertador
- Prática de esmola solidária
- Preparação alegre para a Páscoa

Mais do que um período de tristeza, é um tempo de esperança, em que a Igreja caminha com Cristo rumo à vida nova.

Papa Leão XIV, “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão” O Pontífice convida os fiéis a um “jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro”.

Papa Francisco insistia que a Quaresma é tempo de “voltar ao coração”, romper com a indiferença e abrir-se à misericórdia. Em suas mensagens quaresmais, ele recorda que jejum, oração e esmola não são práticas externas, mas atitudes que nos libertam do egoísmo e nos aproximam dos pobres. Para ele, a Quaresma tem também dimensão social: é tempo de rever estruturas injustas e praticar a fraternidade concreta.

Papa Bento XVI enfatizou a Quaresma como caminho de fé e caridade. Destacava que a conversão não é apenas moral, mas encontro pessoal com Cristo. Para ele, a esmola expressa partilha, o jejum fortalece o espírito e a oração nos coloca em comunhão com Deus. Recordava que a verdadeira renovação começa no interior do coração.

Papa João Paulo II via a Quaresma como um itinerário pascal, centrado na cruz e na esperança da Ressurreição. Convidava os cristãos a viverem a solidariedade com os que sofrem, especialmente os pobres e marginalizados. Reforçava que a conversão quaresmal deve gerar compromisso com a justiça e a defesa da vida.

“Peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.” (Papa Leão XIV)

Finalmente, justiça por Marielle e Anderson

O mundo sabe quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson. A justiça, enfim, foi feita.

Quem mandou matar a vereadora Marielle Franco (Psol) não podia imaginar que ela era semente. Provavelmente também não imaginava que um dia estaria sentado no banco dos réus e, mais do que isso, condenado a 76 anos de prisão.

Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, a poucos dias de se completarem oito anos do assassinato da parlamentar carioca e do motorista Anderson Gomes, a justiça, finalmente, se fez valer. Os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados como mandantes do assassinato que interrompeu precocemente a vida da vereadora, em 14 de março de 2018.

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu pena de 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção. Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar, foi condenado a 56 anos de prisão. Robson Calixto, ex-policial militar, recebeu pena de nove anos.

A luta das famílias de Marielle e Anderson por justiça começou naquele 14 de março e durou ininterruptos 2.905 dias. Ao longo desses oito anos, o Brasil de Fato acompanhou cada manifestação. Viu Marielle virar semente e brotar em cada luta contra a violência de gênero, de raça e por justiça social. Mulheres, como sua filha Luyara Franco, que multiplicam seu legado e defendem sua memória.

O choro de dona Marinete, mãe de Marielle, e de Ágatha Reis, viúva de Anderson, está registrado em imagens que revelam dor e indignação diante da impunidade que prevaleceu por quase uma década. As relações dos envolvidos com certos clãs da política também estão expostas.

Cada novidade sobre a investigação, que o BdF acompanhou de perto, inaugurava a possibilidade de que a justiça, um dia, fosse feita. Parte dela chegou em outubro de 2024, com a condenação de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, que apertaram o gatilho e executaram Marielle e Anderson.

Mas havia pistas, desde o começo, de que não se tratava de um homicídio comum. A atuação combativa de Marielle contra as milícias no Rio de Janeiro indicava que havia o envolvimento de figuras poderosas na articulação do crime.

Hoje o mundo sabe quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson. A justiça, enfim, foi feita. Ela não é capaz de trazê-los de volta, mas, como disse a irmã da vereadora e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a memória deles foi honrada e agora há esperança de que o Brasil inicie um novo marco histórico contra a violência política de gênero e raça, sem que haja espaço para a impunidade na nossa democracia.

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23 fevereiro, 2026

7ª Celebração dos Mártires em honra a São Oscar Romero

Venham celebrar conosco!

Dia: 21/03/2026
Horário: 19h30
Local: Albergue Santa Luiza de Marillac de Maringá

Como gesto concreto, campanha de arrecadação em prol ao Albergue dos itens:
- Farinha de trigo
- Macarrão em forma de parafuso
- Café
- Achocolatado
- Biscoito

A celebração dos Mártires uma realização em união:
Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
Juventude Missionária (JM)
Pastoral da Juventude (PJ)


18 fevereiro, 2026

Inicia-se o tempo da Quaresma




Hoje, dia 18 de fevereiro de 2026, a Igreja celebra a Quarta-feira de Cinzas, dando início à Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa.

Quarta-feira de Cinza é o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.

A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todas as cristãs e cristãos por volta do ano 400 d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma passou a impor as cinzas no início deste tempo.

A cinza é um símbolo.
A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus (a mulher e) o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).

Quaresma e Campanha da Fraternidade 2026

A Quaresma é um tempo sagrado de conversão, silêncio interior e renovação da fé. Caminhamos com Jesus rumo à Páscoa, chamados a rever nossa vida, nossos gestos e nosso compromisso com o Evangelho.

Neste espírito, a Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia”, nos convida a olhar com atenção e compaixão para uma realidade urgente: a falta de casa digna para tantas irmãs e irmãos.

Deus, em Jesus, fez morada entre nós. Ele se aproximou dos pobres, dos sem-teto, dos excluídos, e nos ensinou que a verdadeira fé se expressa em amor concreto e justiça.

Viver a Quaresma, portanto, é também abrir espaço no coração e na sociedade para que todas e todos tenham lugar. É reconhecer que moradia não é privilégio, mas direito. É assumir que fraternidade se constrói quando ninguém é deixado de fora.

Que este tempo quaresmal nos conduza à oração, à partilha e à ação transformadora, para que nossas comunidades sejam sinais vivos do Reino: um lar de acolhida, solidariedade e esperança.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

11 fevereiro, 2026

CEBs - Região Pastoral São José Operário

 Ontem, dia 10 de fevereiro de 2026, tive a alegria de intermediar uma roda de conversa com as e os coordenadores e vices de cada CEBs das paroquias da Região Pastoral São José Operário.

Partilhamos as alegrias, frutos das atividades realizadas na base de nossa Igreja, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).




06 fevereiro, 2026

Oração

Oração

Louvado sejas, Senhor,
por todas as criaturas,
especialmente pelo nosso irmão Sol
que nos dá o dia
e por quem Tu nos iluminas!

Louvado sejas, Senhor,
pelas nossas irmãs as estrelas e a lua
que semeaste no céu,
claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, Senhor,
pela nossa mãe a terra
que nos concede abrigo e alimento
e nos oferece com abundância
frutos variados, ervas e flores.

Louvado sejas, Senhor,
por aqueles que nos perdoam
por amor de ti
e que suportam a doença e a angústia.
Louvado sejas, Senhor,
pelos que dão a vida para construir a paz.
Todos eles são bem-aventurados
e de ti, Pai Altíssimo,
receberão a coroa de glória.

S. Francisco de Assis

Olimpíadas de Inverno, Clima e o Clamor da Criação

A 25ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 acontecerão nos Alpes da Itália. A edição será realizada entre os dias 6 e 22 de fevereiro de 2026, com competições distribuídas entre Milão e Cortina d’Ampezzo.


As Olimpíadas de Inverno desde as primeiras edições, despertaram admiração: atletas deslizando sobre a neve, montanhas cobertas de branco, o silêncio do gelo e a beleza do frio. Durante muito tempo, o inverno parecia uma certeza da criação, parte do ritmo da vida.

Mas hoje, essa paisagem está mudando. Estudos apontam que, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, poucas cidades no mundo terão condições climáticas adequadas para sediar as Olimpíadas de Inverno nas próximas décadas. Isso não é apenas um problema esportivo ou logístico. É um sinal claro de que o clima do planeta está entrando em um novo regime, onde fenômenos antes estáveis — como o frio intenso — tornam-se incertos.

O aquecimento global tem reduzido a neve natural, encurtado os invernos e ameaçado o equilíbrio da Terra. Muitas cidades já precisam “fabricar” neve artificial para manter as competições.

E isso nos provoca uma pergunta: o que está acontecendo com a Casa Comum que Deus nos confiou?

A Criação é dom, não mercadoria, a Bíblia começa com um hino de amor à criação: “Deus viu que tudo era muito bom.”(Gênesis 1,31). O mundo não nasceu como produto de consumo, mas como dom. A neve, o gelo, os rios e montanhas não são apenas cenário para esportes ou turismo — são sinais da beleza de Deus.

O Papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si” recorda: “A criação é uma carícia de Deus.” (LS 84), quando o clima se desequilibra, não estamos diante de um simples problema técnico: estamos ferindo um presente sagrado.

A Terra geme como uma mãe ferida. O apóstolo Paulo descreve a dor da criação: “Toda a criação geme e sofre como em dores de parto.” (Romanos 8,22). O planeta está gemendo: geleiras derretem, florestas queimam, mares sobem, chuvas se tornam destrutivas. As Olimpíadas de Inverno, que dependem do frio e da neve, tornam-se um símbolo desse gemido: até o inverno está desaparecendo.

Na Laudato Si’, lemos: “Nunca maltratamos e ferimos a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos.” (LS, 53), o cuidado com a criação é parte da fé, muitas vezes pensamos que fé se limita ao templo. Mas Deus nos chama a cuidar do jardim: “O Senhor colocou o ser humano no jardim do Éden para o cultivar e guardar.” (Gênesis 2,15). Cultivar e guardar não é opção - é missão.

A ecologia integral não é moda: é Evangelho vivido. “Tudo está interligado.” (Laudato Si’, 91). O sofrimento da Terra se conecta ao sofrimento dos pobres, que são os primeiros a sentir os impactos climáticos. Um alerta - o progresso sem limites destrói.

As Olimpíadas também revelam um paradoxo: grandes eventos, viagens, consumo, obras, emissões…, a humanidade criou uma lógica que transforma tudo em espetáculo e lucro. Jesus nos adverte: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?” (Marcos 8,36). Poderíamos dizer hoje - que adianta ganhar medalhas, se perdermos o inverno? Que adianta progresso, se destruirmos a criação?

Há Esperança e precisa-se de conversão ecológica. A Palavra de Deus nunca termina em desespero, ela chama à conversão. “Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21,5). Na Laudato Si’, o Papa Francisco insiste: “É necessária uma conversão ecológica.” (LS, 217), Isso significa: mudar hábitos de consumo; lutar por justiça climática; apoiar políticas sustentáveis; educar as novas gerações; rezar e agir em comunidade.

Que assumamos nossa missão com a Casa Comum, como Francisco de Assis, e que nossas comunidades sejam sinal de esperança.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

03 fevereiro, 2026

Mais um janeiro sem paz

Olá, este ano não teve tentativa de golpe, só escândalo financeiro, ameaça de guerra e crise internacional.

.Nada de novo. O Planalto imaginou que teria um começo de ano tranquilo, porque até o centrão tira férias, mas descobriu que a oligarquia viciada em emendas do parlamento é fichinha comparada ao imperialismo norte-americano. Se, por um lado, o governo Trump é movido pela hostilidade - com o sequestro de Nicolás Maduro, a ofensiva sobre a Groenlândia e as ameaças ao Irã e Cuba- por outro, o Brasil olha em volta e não vê nenhuma articulação internacional ou bloco de integração capaz de fazer frente às ameaças. A começar pela ONU. Mais do que isso, apesar do discurso da química com Trump, o governo já entendeu que os EUA podem sim intervir nas eleições brasileiras. Até o convite para que Lula esteja no Conselho de Paz de Gaza pode ser uma armadilha para dar legitimidade aos planos dos Estados Unidos, com uma mini-ONU particular de Trump. Para piorar, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, uma prioridade do Itamaraty, foi enviado para revisão jurídica pelo parlamento europeu, o que significa pelo menos dois anos parado. Apesar de todo o peso dado pelo Planalto, o acordo tem ares melancólicos de comércio entre dois blocos desindustrializados e submetidos à periferia do hemisfério ocidental, como Trump gosta muito de lembrar. No ano de sua última disputa presidencial, Lula preferiria priorizar as questões internas e não ter que se preocupar com o cenário internacional. Mas nada no horizonte aponta para alguma estabilidade na vida política do planeta. Nesta perspectiva, movimentações para formar palanques nos estados, a liberação de cerca de 20 ministros para disputarem as eleições e a prioridade nas eleições para o Senado, parecem até café pequeno. Só que não. Deixarão o governo nos próximos meses nomes de peso como Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad. E, no Congresso, espera-se que avancem os projetos de segurança pública, a nomeação de Jorge Messias e uma CPI do INSS que ninguém sabe onde vai, mas que tem potencial para desgastar o governo.

.Presos na Papudinha. O que facilita a vida de Lula é que a extrema-direita continua refém do clã Bolsonaro. Se a candidatura Flávio antes parecia apenas moeda de troca pela anistia, ela começa a dar sinais de que pode ir até o fim, com o filho ungido buscando contatos no centrão e na Faria Lima. Para desespero do próprio centrão, que vê o tempo diminuir para trocar Flávio por Tarcísio de Freitas. Para Hélio Schwartsman, faz todo sentido que os Bolsonaros mantenham o nome de Flávio, contando que a eleição já está ganha por Lula e preparando um cenário em que, em 2030, o sobrenome da família estaria nas urnas pela quarta eleição seguida. E Vera Magalhães lembra que, se o cenário de polarização entre Lula e um Bolsonaro se repetir agora, é porque a direita não teve capacidade de produzir nada novo. Na prática, qualquer candidato de direita só tem chances se os outros desistirem. Além disso, cada um tem seus próprios problemas. Flávio carrega toda a rejeição do sobrenome. Tarcísio vive paralisado no seu constante dilema entre a lealdade ao clã, uma reeleição tranquila em São Paulo e a preferência do centrão e de Faria Lima. Mesmo assim, misteriosamente, influencers e perfis de fofoca nas redes sociais estão sendo pagos para falar bem do governador de São Paulo. Por fora da disputa, sem se preocupar com a corrida presidencial, convém observar Nikolas Ferreira que, com sua caminhada por Bolsonaro afagando a base social mais radical deste setor, pode estar construindo para o futuro o que nenhum outro representante da extrema-direita conseguiu até agora: o bolsonarismo sem Bolsonaros.

.Big Bomba em Brasília. A crise do Banco Master sobreviveu ao natal, ao réveillon, talvez passe ilesa pelo Carnaval e ainda chegue viva às eleições de outubro. Não só porque o rombo de R$ 41 bilhões será socializado pelo sistema financeiro e, indiretamente, por toda a sociedade. Mas também porque trata-se de uma daquelas crises de desdobramentos imprevisíveis, com muitos peixes-grandes envolvidos, tanto na Faria Lima quanto em Brasília. Ou seja, um prato cheio para falar de corrupção, um dos temas preferidos da direita. É exatamente essa a aposta da oposição para desgastar o governo e seus aliados. No Senado, foi encaminhado um pedido de CPI sobre o caso Master, mesmo sabendo que o centrão e a direita estão envolvidos até os ossos no escândalo. Mas, enquanto o Congresso está de férias, o jogo pesado é jogado na mídia e nas redes. Um dos principais alvos é o Banco Central, que trava uma disputa institucional com o TCU sobre a responsabilidade na liquidação do Master. Curiosamente, neste cenário, a autoridade monetária sofreu um ataque orquestrado nas redes por meio de influenciadores pagos. Outra instituição que sai chamuscada é o STF. Ao centralizar a investigação, retirando a autonomia da Polícia Federal, o Supremo virou alvo das desconfianças de que o forno institucional está sendo aquecido para preparar uma pizza. O que é agravado pelas denúncias que pululam sobre as conexões pessoais de alguns ministros do STF e seus familiares com o banco falido. O escândalo respinga também nas relações do governo com o Congresso. É que o novo indicado por Lula ao STF, Jorge Messias, ainda não foi sabatinado pelo Senado, e a CPI do Master, agora nas mãos de Davi Alcolumbre - outro envolvido no escândalo - só faz aumentar o preço de sua aprovação. Mas tudo isso são cenas do próximo capítulo que vai começar com o fim do recesso parlamentar. Isso se uma possível delação premiada vinda de Daniel Vorcaro, dono do Master, não abalar os pilares da República.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Nobel, Groenlândia e Gaza: a diplomacia do império em crise. Na TVT, o historiador Anderson Barreto analisa as consequências da ofensiva de Trump no cenário internacional.

.Em dez dias, super-ricos consomem toda cota de carbono prevista para 2026. Os 1% mais ricos do planeta já esgotaram sua cota de emissões. Na Cenarium.

.Pinochet é o grande vitorioso da eleição de Kast no Chile, diz professor de Cambridge. O economista e cientista político chileno José Gabriel Palma prevê dias piores para o Chile.

.Esquerda precisa unir utopia e vida real no duelo eleitoral contra a extrema direita. A Intercept entrevista o intelectual italiano Paolo Demuru sobre como enfrentar a extrema-direita.

.As universidades públicas reféns do clientelismo parlamentar. Rubia Wegner analisa os efeitos da dependência de emendas na produção científica. No Le Monde.

.Além do Globo de Ouro: a ditadura e o poder civil exibidos ao mundo por "O Agente Secreto". Como o filme de Kleber Mendonça demonstra que a ditadura foi civil, empresarial e militar.

.“Manas”: documento de barbárie da normalidade patriarcal. No Blog da Boitempo, Diogo Dias analisa o longa brasileiro ambientado na Ilha de Marajó.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

Lições importantes - morte do cachorrinho Orelha


O caso da morte do cachorrinho Orelha, um cão comunitário muito querido que vivia há cerca de 10 anos na Praia Brava (Florianópolis, Santa Catarina) e foi violentamente agredido por adolescentes em janeiro de 2026, gerou forte comoção e debate em todo o Brasil. O cão foi espancado com um objeto contundente por um grupo de quatro jovens, sofreu ferimentos graves e acabou sendo submetido à eutanásia no dia seguinte devido à gravidade dos traumas. (Agência Brasil)

Lições importantes que podemos tirar desse caso

1. Importância de educar para o respeito à vida e à empatia
A brutalidade do ataque evidencia uma falta de sensibilidade e de valores que respeitem a vida dos seres mais vulneráveis. Isso reforça a necessidade de educação emocional, ética e de respeito aos animais desde cedo — em casa, nas escolas e na comunidade — para que a violência, em qualquer forma, não seja normalizada ou banalizada.

2. Fortalecimento da proteção animal na lei e na prática
Casos como este mostram a urgência em reforçar políticas públicas e marcos legais que protejam animais de forma efetiva, assim como garantir que as leis existentes — como as que criminalizam maus-tratos — sejam aplicadas com rigor. A legislação estadual de Santa Catarina sobre cães e gatos comunitários, por exemplo, passou a reconhecer esses animais oficialmente após a repercussão do caso, um reflexo da mobilização social. (Agência Brasil)

3. Papel da comunidade e solidariedade
Orelha era cuidado coletivamente por moradores e comerciantes locais — um exemplo de cuidado comunitário e solidariedade espontânea. A repercussão e as manifestações em busca de justiça ressaltam que as comunidades podem se unir para proteger o que é valioso para elas e cobrar respostas das autoridades.

4. Debate sobre violência juvenil e responsabilização
O fato de os suspeitos serem adolescentes levanta questões sobre como lidar com comportamentos violentos em jovens, prevenção desse tipo de violência e adequação das medidas socioeducativas para responsabilização e reabilitação. A discussão pública pode motivar políticas mais eficazes de inclusão, acompanhamento psicológico e oportunidades para jovens.

5. Mobilização social pela justiça e combate à impunidade
A repercussão nacional, protestos e debates nas redes sociais mostram que a sociedade está atenta e disposta a cobrar transparência e justiça. Situações de impunidade percebida — reais ou não — podem abalar a confiança nas instituições e fortalecer movimentos por mudanças legais e sociais. (El País)

6. Importância do registro e denúncia de maus-tratos
Identificar, registrar e denunciar casos de crueldade é fundamental para que as autoridades possam atuar. O trabalho investigativo com testemunhas e imagens (quando disponíveis) é essencial para apurar responsabilidades e evitar que casos semelhantes fiquem escondidos ou sem punição. (Diário de Santa Maria)

Em resumo, o caso do Orelha é trágico e doloroso, mas também pode servir como um ponto de partida para reflexões profundas sobre ética, educação, cidadania, políticas públicas e a forma como tratamos os seres vivos que compartilham nossas comunidades. Ele nos lembra que a compaixão e o cuidado não são apenas valores desejáveis, mas essenciais para uma sociedade mais justa e humana.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

22 janeiro, 2026

Geonvani gratidão!


Nesse dia 22 de janeiro, sua Páscoa.

Membro da Equipe de apoio da Coordenação das CEBs da Arquidiocese de Maringá.

Gratidão, Geovani, por sua vida doada, pela amizade sincera e pela caminhada fiel nas CEBs.

Seu testemunho de amor, partilha e compromisso com o Reino permanece vivo em nossas comunidades. Seguimos com saudade no coração e esperança na ressurreição. Descanse na paz de Deus.

Meus sentimentos de solidariedade à família e amigos. Que Deus, com sua infinita bondade, conforte todos neste momento de dor e saudade.

19 janeiro, 2026

CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!

Segue texto que escrevi, pensando nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!

"Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede." (João 4,14).

A relação entre as CEBs e João 4,1–42 é profunda. As CEBs são como o poço de Jacó hoje: lugar de encontro, diálogo, escuta, conversão e missão. Nas CEBs, Jesus continua oferecendo a água viva, que gera fé comprometida, vida em abundância e esperança para o povo.

A conversa de Jesus com a mulher samaritana, junto ao poço, revela de forma profunda o jeito de Jesus ser Igreja. Esse mesmo jeito inspira e sustenta a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Jesus se aproxima da realidade concreta da mulher. Ele está cansado, com sede, sentado à beira do poço, lugar cotidiano do povo simples. Assim também são as CEBs: uma Igreja que não espera as pessoas irem até o templo, mas que se faz presente onde a vida acontece, nos poços da existência, nas casas, nos bairros, nas periferias e no campo.

Jesus rompe barreiras sociais, religiosas e culturais. Judeu, conversa com uma mulher, samaritana, considerada excluída e impura. As CEBs vivem esse mesmo espírito quando acolhem os pobres, as mulheres, os marginalizados, os esquecidos, reconhecendo sua dignidade e seu valor. Nas CEBs, ninguém é invisível.

A partir de uma necessidade concreta – a água – Jesus conduz ao anúncio da água viva, que sacia a sede mais profunda: sede de sentido, de dignidade, de justiça e de vida plena. Do mesmo modo, nas CEBs, a Palavra de Deus nasce da realidade do povo e aponta para uma fé que transforma a vida. Não é uma fé distante, mas encarnada, que gera esperança e compromisso.

A mulher samaritana faz um caminho de descoberta. Começa vendo Jesus como um simples homem, depois como profeta, e aos poucos reconhece o Messias. Esse processo lembra a pedagogia das CEBs: caminhar juntos, refletir, partilhar, amadurecer a fé aos poucos, sem imposições, respeitando o tempo das pessoas.

Ao final, a mulher se torna missionária: deixa o balde, volta à cidade e anuncia o que viveu. Assim também acontece nas CEBs: quem experimenta a água viva do Evangelho sente-se chamado a partilhar, organizar, animar, sente pertencente a comunidade. O povo se torna sujeito da evangelização.

A Samaria, o poço sugere o lugar da abertura. Jesus é aberto às riquezas que os Povos de Deus revelam, de forma especial dos pobres e oprimidos. Por isso, mais do que semear e levar “verdades”, Jesus vai reconhecendo a água viva que encontra no íntimo de cada pessoa, no coração de cada ser humano, como encontrou no coração da mulher samaritana. O diálogo de Jesus com a samaritana deixa claro que sua missão é abrir poços, muitas vezes proibidos pelas conveniências sociais, pela lei, pelos muros da exclusão social.

Somos muitas vezes tentados a achar que temos a água e que o povo tem a sede. Esquecemos que, na verdade, todos somos uma mistura de água e de sede. Isso revela em profundidade que o poço é o lugar onde a água e a sede encontram-se, misturam-se e complementam-se. Assim é nas Comunidades Eclesiais de Base.

Oração

"Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! A quem iremos pedir ajuda e salvação? Quero agradecer-Te porque, cada dia, a tua palavra ecoa no meu coração, sempre viva, sempre nova, sempre exigente, sempre provocante. Que jamais me esconda atrás dos meus cálculos mesquinhos. Que eu Te siga pelos caminhos da liberdade e do amor, porque sempre lanças os meus pecados para o fundo do mar, e me dás possibilidade de ressuscitar como nova criatura, amada por Deus Pai. Amém."

Fonte: Dehonianos