15 outubro, 2026

Fim da 6x1: saiba quando entra em vigor nova jornada de trabalho


O Senado aprovou na quarta-feira (14) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6x1 – seis dias de trabalho para um de descanso. Com a mudança na legislação, o trabalhador agora terá dois dias de folga na semana, para cada cinco trabalhados, sem redução de salário.

O texto também prevê a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. A PEC, agora, deverá ser promulgada pelo Congresso Nacional.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais deve beneficiar 26,8 milhões de trabalhadoras e trabalhadores.

O total reúne 22 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada, e aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana. O estudo foi elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) referente a 2025.


Quando passa a valer?

De acordo com o texto aprovado, em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas terão que garantir a escala 5x2, assim como a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais.

Dessa forma, caso a PEC seja promulgada ainda em outubro, as regras entrariam em vigor em dezembro de 2026.

Após essa primeira redução, 12 meses depois a jornada cai para 40 horas. Com isso, a transição completa levará 14 meses.

A exceção são os trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão uma regra de transição diferenciada (confira abaixo).


Veja as regras de transição da PEC que acaba com a escala 6x1:

- escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
- redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias)
- jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5x2 (em 14 meses).


Como será feito o cálculo das horas de trabalho?

No intervalo entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, o empregador deverá distribuir, ao longo da semana, as duas horas acima das oito normais de serviço. Se repartidas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias na semana.

Finalizada a fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais em 5 dias na semana. Para trabalhar mais horas, apenas mediante pagamento de hora-extra.

A proposta prevê que lei complementar posterior poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação dos impactos da redução da jornada para os microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.


Compensação

O texto permite, excepcionalmente, e mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho, que seja estabelecido regime compensatório que permita escala diferente da 5x2.

Nesses casos, os trabalhadores precisam ser compensados no mesmo “mês-calendário”, garantindo “o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.

Ou seja, um trabalhador pode fazer ainda a escala 6x1, desde que prevista em acordo coletivo. Nesse caso, o dia trabalhado a mais terá que ser compensado com uma folga dentro do mesmo mês.

Ao final desse mês, ele terá que ter gozado, na média, o equivalente a duas folgas remuneradas por semana.


Terceirizados do Estado

A regra de transição para os trabalhadores terceirizados do poder público é diferente, sob o argumento de “evitar riscos de descontinuidade na prestação de serviços públicos essenciais executados mediante terceirização”.

As empresas que prestam serviços para o Estado terão prazo de 12 meses após a promulgação da emenda, e não 60 dias como as demais, para acabar com a escala 6x1 dos empregados.

Os contratos aditados após 60 dias da promulgação da emenda já terão que observar a nova jornada de trabalho instituída pela PEC.


Salários acima de 21 mil

A PEC prevê ainda que a redução da jornada diária não se aplicará aos empregados com diploma de nível superior com remuneração mensal igual ou superior a 2,5 vezes o limite máximo dos benefícios do INSS. Atualmente, essa conta dá R$ 21.188,87.

Nesses casos, a redução da jornada só ocorrerá por liberalidade do empregador (quando é concedido sem obrigação legal) ou se estiver prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto, contudo, determina a realização da escala 5x2 nestes casos.

Fim da escala 6×1: um passo em defesa da vida e da dignidade!



Obrigada presidente Lula!

A PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 propõe dois dias de descanso semanal, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

Essa mudança representa um avanço na luta por melhores condições de trabalho, garantindo mais tempo para o convívio familiar, o lazer, o cuidado com a saúde, a participação comunitária e a vida pessoal.

O trabalho deve estar a serviço da vida, e não a vida a serviço do trabalho!

Defender direitos trabalhistas é promover a dignidade humana, a justiça social e o bem comum.

09 outubro, 2026

O Brasil que sai das urnas: uma análise sobre os primeiros resultados das eleições!

O Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP) promove, nesta sexta-feira (9), uma live especial para refletir sobre os desafios e as perspectivas da democracia brasileira a partir do resultado das urnas.

Como debatedores Robson Sávio e Sandra Quintela, trazendo diferentes olhares e contribuições para compreender o Brasil que emerge do processo eleitoral.

Sexta-feira | 09 de outubro
19h30
Transmissão pelo YouTube do CEFEP



E agora, Luiz Inácio?

Olá, enquanto tenta entender de onde veio o rolo compressor que a atropelou, a esquerda corre desesperada atrás do atraso.

.Atordoados. Todos foram surpreendidos pelo resultado das urnas. Os dados de votação e as análises no calor da hora indicam alguns fatores que podem ter sido determinantes para o desempenho de Lula no primeiro turno. O primeiro é bem conhecido e refere-se às fragilidades do próprio governo. Trata-se da ausência de um projeto de futuro, com uma campanha mais voltada para a história e o legado de Lula do que para aquilo que pode efetivamente melhorar a vida das pessoas. Em outras palavras, o lulismo aceitou a condição de ser o menos pior, o que pode ter contribuído para o aumento nas abstenções que provavelmente prejudicaram o candidato petista. Outro diagnóstico já conhecido é a perda da narrativa sobre a economia. Apesar dos dados serem relativamente positivos, como crescimento do PIB, controle da inflação e desemprego em baixa, o que prevaleceu foi a sensação de um aumento do sofrimento econômico puxado pela elevação do custo de vida que ocorreu no mundo todo após a pandemia. A isso soma-se o endividamento familiar e a precarização do trabalho. Outro fenômeno foi a desidratação de Lula nas cidades do interior, inclusive entre aquelas mais afetadas pelo tarifaço de Trump, o que indica uma forte atuação do agronegócio contra o governo. Houve ainda uma supremacia da direita nas redes sociais. O atrito entre o governo e as big techs cobrou seu preço - com sabotagens às postagens pró-Lula, sites ilegais de criptomoedas e publicações irregulares nas redes sociais. Essa última, apenas mais uma conivência do TSE comandado por Kássio Nunes com o vale-tudo da direita. Mas também é verdade que a campanha de Lula investiu pouco na disputa virtual. Porém, há o outro lado da moeda. Para além do voto útil em Flávio, o bolsonarismo mostrou-se mais forte do que parecia. Exemplo disso é que dos 20 candidatos que utilizaram o sobrenome Bolsonaro, 13 se elegeram ou ficaram como suplentes. O PL, que já vinha crescendo nas últimas eleições, se tornou, sob o comando de Rogério Marinho, um partido mais orgânico e ideológico, consolidando-se como a contraface do PT. O retrato dessa polarização foi a desidratação dos partidos de centro, a derrota de algumas figuras políticas já carimbadas e uma certa tendência à renovação de lideranças, principalmente à direita.

.O que fazer? Passada a ressaca do primeiro turno, o desafio da campanha petista é duplo: compreender os motivos da derrota e esboçar a estratégia de virada. O problema é gigante e o tempo é curto. Lula saiu mais de 2 milhões e 200 mil votos atrás de Flávio, numa disputa onde a abstenção chegou a 21% do eleitorado, e quase 5% de votos brancos e nulos, e tem até dia 25 de outubro para virar o jogo. Além disso, ao contrário de Flávio, Lula chega ao segundo turno sem receber o apoio de nenhum dos outros candidatos ou de novos partidos. A avaliação é de que o tom bem comportado e republicano da campanha no primeiro turno não colou. A única certeza é que a campanha precisa ganhar corpo. Felizmente, enquanto a esquerda ainda tentava entender o que estava acontecendo e remoía a própria derrota, uma onda de mobilizações estudantis tomou conta das principais cidades do país. Sem planejamento centralizado, a campanha ganhou as ruas e extrapolou as universidades. Nesse cenário, o problema é achar a combinação ideal entre radicalização, trazendo de volta o Lula do velho testamento, e o diálogo com um eleitor insatisfeito que votou em outro candidato, ou não foi votar, e não está disposto a conversar. Lula também precisa se desvincular do STF, insistindo em uma reforma do Judiciário, dialogar com um trabalhador insatisfeito e abraçar a pauta de segurança pública, um dos temas em que a direita sempre corre na frente. A síntese dessa segunda fase da campanha é “Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, a prisão". Além de ir aos debates televisivos, a partir da contribuição dos parlamentares jovens de esquerda eleitos, Lula foi aconselhado a “botar a cara” nas redes sociais, fazendo vídeos curtos em que fala diretamente com seus eleitores. O alvo da campanha deve ser ampliar a votação nas tradicionais bases do petismo, as classes C e D, o eleitorado do nordeste que se absteve, além de reverter a enorme derrota sofrida no sudeste. Nesse caso, a tramitação do fim da escala 6x1 no Senado não só ajuda a campanha petista a se reaproximar do trabalhador precarizado, mas principalmente joga a contradição no colo de Flávio.

.Programa do fim do mundo. A condição de primeiro colocado no primeiro turno coloca a campanha de Flávio numa nova situação, a de ter que dizer, afinal, do que trata seu programa. Não que alguém fosse realmente ficar surpreso ou ainda acreditasse que Flávio era “o Bolsonaro moderado”. Mas o impacto é sempre maior vindo da boca do próprio candidato, sem suposições, nem hipóteses. Todos sabem que a liberdade do pai e a anistia aos golpistas de 8 de janeiro vem em primeiro lugar, assim como os ataques ao STF devem prosseguir e a volta da política de desregulamentação para as armas. É possível também apostar que as bets voltarão. Também não será surpresa se, no alinhamento ao Trumpismo, o Brasil aderir ao Escudo das Américas, iniciativa liderada por Washington supostamente para perseguir o narcotráfico. Mas vejam só que a reforma do Judiciário inclui uma redução da maioridade penal. E, de repente, o que eram reformas, já virou uma proposta de mudança da Constituição. Até aqui, o mercado está efusivo com Bolsonarinho, já que o pacote econômico de Flávio consiste no sonhado corte em educação, saúde e aposentadorias. E, como se viu depois do sincericídio de Valdemar da Costa Neto, que não negou o apreço dos Bolsonaros por novos golpes de Estado, a Faria Lima não está nem um pouco preocupada que eliminar a democracia também faça parte do pacote. Na verdade, as dúvidas na turma do mercado são se os cortes que Flávio promete não deveriam ser maiores e se os Bolsonaros serão mesmo capazes de realizar os sonhos da Faria Lima. Assim como os militares, que acham ótimo que Flávio e Trump queiram o exército dos EUA nas nossas fronteiras, mas ter bases militares aqui, talvez seja demais. Como o eleitor vai reagir às propostas de Flávio? Veremos nos próximos dias. O recuo da proposta de reforma da Constituição pode ser um sinal de que as coisas não serão tão simples no segundo turno. Mas, para o PL e a turma do centrão, o clima em Brasília é de “já ganhou”, tanto que, na mesma medida em que recebeu o apoio dos partidos do bloco, Flávio já negociou cargos e ministérios.

.Cada um por si. Enquanto o segundo turno não acaba, as instituições supostamente continuam funcionando. No Congresso, o centrão vai poder se livrar do nome fantasia para finalmente se assumir como um direitão. Pautas como redução dos direitos, redução da maioridade penal, negação da mudança climática vão fazer a tabelinha entre a bancada do Boi, Bala, Bíblia e Bets com um hipotético governo Bolsonaro. Inclusive entre os aliados de Flávio já começaram as disputas pelas presidências da Casa. Sóstenes Cavalcante na Câmara e Tereza Cristina e Rogério Marinho de olho no Senado. E, nenhuma surpresa, Arthur Lira também consta na lista dos favoritos. A incógnita é o que farão Davi Alcolumbre e Hugo Motta neste cenário, pois mesmo que o Republicanos tenha declarado apoio a Flávio, a permanência de Motta na cadeira é improvável pelo apoio público a Lula. Mas as tensões maiores estão, obviamente, no outro lado da Praça dos Três Poderes. Os sinais dos bastidores indicam que o STF estaria disposto a um “grande acordo nacional”, que implicaria na liberdade de Jair Bolsonaro, e quem sabe entregar a cabeça de Dias Toffoli. Mas como Toffoli é irmanado em Vorcaro como Flávio, também não seria surpresa que ele se salvasse, aderindo à bancada de André Mendonça e Kassio Nunes. Neste caso, o mais provável é que o sacrificado para pacificar o STF com a extrema-direita seja mesmo Alexandre de Moraes. O vídeo de Michel Temer apoiando Flávio é também um sinal de que “ninguém solta a mão de ninguém” não existe na direita. Assim como os encontros de Flávio com Gilmar Mendes. O que não significa que Moraes não vai cair atirando ou sem resistir, como visto no pedido de prisão de Eduardo Bolsonaro.


.Ponto Final: nossas recomendações.

.'Papai, por que você votou no Hitler?'. Conrado Hübner Mendes escreve sobre os riscos da normalização do fascismo pelo pragmatismo político ou frustração eleitoral.

.Flavio x Lula: como escândalos podem ter favorecido virada. A estranha eleição em que o eleitor indignado com a corrupção votou no corrupto. Na Pública.

.Como a extrema direita transformou o antifeminismo em máquina de votos no Congresso. Como se formaram e como atua a bancada de mulheres antifeministas. No Intercept.

.Como uma rede extremista no X articulou a falsa associação de Lula à pedofilia. Aos Fatos disseca a campanha suja da direita na reta final do primeiro turno.

.416 milhões trabalham para alimentar o mundo sem ganhar o suficiente para viver. O Joio e o Trigo mapeia as condições de trabalho nos sistemas alimentares.

.Juventude ativista: quais temas engajam os jovens hoje? A pesquisa “Juventudes: Um desafio pendente”, traça um perfil da militância jovem. Na Revista Gama.

.Os motivos que levaram à revolta dos estudantes na França. Nas ruas desde setembro, os estudantes franceses colocam Macron contra a parede. Na DW.


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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

05 outubro, 2026

# Eleições 2026 - dois caminhos, uma pergunta

Há dois caminhos diante de nós.

Um deles parece mais próximo dos ensinamentos de Cristo. O outro, nem tanto... ou talvez nada. Não cabe a mim dizer. Cada consciência precisa discernir.

Há, porém, uma orientação.

Algumas pessoas a acolhem e seguem. Talvez por obediência. Talvez por convicção. Talvez pelo temor de não obedecer.

Outras, embora conheçam a mesma orientação, escolhem não segui-la. Manifestam-se, falam, defendem suas preferências. E, curiosamente, nada acontece.

Então fica uma pergunta, sem resposta pronta:

A obediência revela necessariamente fidelidade?
E a desobediência, necessariamente, revela infidelidade?

Ou será que, às vezes, estamos tão preocupadas e preocupados em cumprir uma orientação que esquecemos de olhar para aquilo que realmente deveria orientar nossa consciência: o Evangelho de Jesus Cristo.

Talvez a pergunta mais importante não seja quem obedeceu ou quem desobedeceu.

Talvez seja: o que, afinal, está conduzindo cada uma e cada um?

#Eleições 2026 – Para Refletir

O que essas escolhas significam para a vida concreta do povo, especialmente para quem enfrenta pobreza, fome, desigualdade, falta de moradia, dificuldades na saúde, educação, trabalho e cuidado com a Casa Comum?

Que sociedade estamos construindo com nossas escolhas e como vamos acompanhar quem recebeu ou não nossa representação?

As decisões políticas estão ajudando a garantir vida digna para todas e todos, especialmente para quem mais sofre?

A Constituição coloca a dignidade, os direitos sociais e o bem comum dentro da própria estrutura do Estado brasileiro; e a participação popular não termina no dia da eleição.


25 setembro, 2026

Eleições 2026: à luz do Evangelho, que projeto de sociedade queremos?



 Segue um texto, escrevi para uma reflexão:


Eleições 2026: à luz do Evangelho, que projeto de sociedade queremos?

Jesus não nos deixou uma lista de candidatas e candidatos, nem indicou partidos. Mas nos mostrou, por suas palavras e atitudes, um caminho para construir relações humanas segundo o projeto de Deus: colocando no centro a vida, a dignidade humana, a justiça, a fraternidade e o cuidado com as pessoas mais vulnerabilizadas.

Ao anunciar sua missão, Jesus proclama:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou para anunciar a Boa-Nova aos pobres...” (Lc 4,18).

Diante das Eleições 2026, essa Palavra nos provoca a olhar para a realidade do nosso povo e perguntar: que projeto de sociedade queremos construir?

Não basta conhecer promessas de campanha. É importante conhecer propostas, trajetórias e compromissos concretos. Precisamos perguntar: quais candidaturas apresentam caminhos para enfrentar a pobreza, a fome, a exclusão e a violência? O que propõem para a saúde, a educação, a moradia, o trabalho, a renda e o acesso aos direitos? Como compreendem a democracia, a participação popular, as políticas públicas e o cuidado com a Casa Comum?

A escolha eleitoral, para quem vive a fé cristã, pode ser também um exercício de responsabilidade cidadã. Não se trata de uma atuação partidária da Igreja, mas de uma presença cidadã e profética na sociedade, comprometida com o bem comum e com a dignidade de todas e todos.

Por isso, talvez a pergunta não seja: Qual candidata ou candidato é de Jesus? Essa resposta não cabe a nós dar em nome de Jesus.

A pergunta que podemos fazer é outra:

Quais critérios do Evangelho devem orientar nossas escolhas?

Jesus nos ensina a reconhecer sua presença nas pessoas que têm fome, sede, estão sem moradia, doentes, excluídas ou necessitadas de cuidado (cf. Mt 25,31-46). Isso nos desafia a olhar para as propostas políticas a partir da vida concreta das pessoas, especialmente daquelas que mais sofrem.

E a responsabilidade não termina no dia da votação. Participar da democracia também significa acompanhar as pessoas eleitas, fiscalizar, cobrar compromissos, participar dos espaços públicos, fortalecer a organização popular e contribuir para a construção de políticas públicas que promovam a vida e o bem comum.

Nas Eleições 2026, somos chamadas e chamados a escolher com liberdade, consciência e responsabilidade. O Evangelho não nos entrega nomes; oferece-nos critérios. E nos convida a colocar a vida, a dignidade humana, a justiça, os pobres, o bem comum e a Casa Comum no centro das nossas escolhas.

Cada dia uma nova emoção

 

Olá, Vorcaro não é marqueteiro, mas pode ser decisivo para a derrota de Flávio.

.Previsão do tempo. Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, as pesquisas apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. O sonho de uma bala de prata de Lula está cada vez mais distante e poucos utópicos dentro do campo petista acreditam que a disputa será resolvida no primeiro turno. As torcidas, agora, comemoram a conquista de um ponto percentual de seu candidato sobre o adversário, mesmo que a diferença seja estatisticamente insignificante. E, se as pesquisas estiverem corretas, ao contrário do sonho dos social-democratas dos trópicos, a polarização não vai se dissolver e a terceira via não vai decolar. Pelo contrário, há uma tendência à antecipação do voto útil já no primeiro turno, o que tem favorecido Flávio Bolsonaro nesta reta final. Segundo a PoderData, o vôo de galinha de Augusto Cury não deve ultrapassar os 6%, e as tentativas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos de serem o Plano B da extrema-direita devem acabar em fracasso. O que não significa que os candidatos nanicos sejam insignificantes. Pelo contrário, são esses 15% ou 20% de votos previstos que devem fazer com que o pleito vá para o segundo turno. Assim, em um cenário polarizado, quem pode ser decisivo é o eleitor moderado, que ganha entre 2 e 5 salários mínimos, tem ensino médio e vive principalmente no Sudeste. Outra constatação é que a crise do STF não alterou os números. Porém, ela colocou a corrupção no centro da campanha, o que pode contribuir para o aumento das taxas de abstenção, votos brancos e nulos, devido à onda de descrédito com a política e as instituições, avalia o cientista político Jairo Nicolau. Neste caso, é difícil prever quem sairia ganhando ou perdendo. Se, por um lado, Lula poderia favorecer-se de um maior comparecimento das mulheres às urnas, como tradicionalmente ocorre, por outro, o aumento da abstenção da população de baixa renda, que já costuma ser alto, daria vantagem a Flávio Bolsonaro. Mas tudo isso são previsões e só depois do dia 3 de outubro teremos algumas certezas.

.Apostando alto. Sem uma mudança significativa nas intenções de votos na última semana, Lula partiu para a ofensiva em todos os campos. Primeiro, como chefe de Estado, tradicionalmente abrindo a assembleia da ONU, Lula provavelmente fez seu discurso menos internacionalista e mais doméstico. O que não significa que tenha poupado Donald Trump. Pelo contrário, o presidente brasileiro mandou às favas a química e jogou peso na soberania, com o mote de que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, e que não aceitará ingerência nas eleições, nem nos minerais críticos. A preocupação de Lula não é retórica, como comprovam o relatório da ABIN sobre a interferência dos EUA e as ações do PT no TSE e no STF sobre o financiamento estrangeiro na campanha Bolsonaro. Já o Lula candidato se reencontra com outro flanco aberto, o alto empresariado, num concorrido jantar organizado pelos grupos Esfera e o Prerrogativas. Mais do que a sinalização de que está disposto a conversar, o que o empresariado espera, nos bastidores, é o compromisso de Lula com austeridade e há até quem sonhe com um anúncio de Luiz Carlos Trabuco Cappi, ex-presidente do Bradesco, como futuro Ministro da Fazenda. Mas a carta na manga de Lula mesmo é a proibição das bets. Ainda que dentro do próprio Planalto ou na campanha houvesse quem defendesse uma versão mais paliativa, a reação positiva nas redes sociais à proposta e a vergonha que os clubes de futebol passaram defendendo as casas de apostas entusiasmou Lula. Por fim, a última estratégia petista é garantir a presença nas urnas nos dois turnos, especialmente da população com mais de 60 anos, onde a popularidade de Lula leva vantagem, e que tem a seu favor o fato de que a presença eleitoral conta como prova de vida do INSS.

.Concorrência desleal. Depois de sociedades em resorts, viagens em jatinho e rodadas de whisky e charutos, as últimas novidades no caso Master são a suspeita de favorecimento que recai sobre o ministro do STF, Kássio Nunes, em julgamento de precatórios que seriam de interesse do banqueiro e as declarações de amor entre Vorcaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Com isso, a moda lançada por Flávio Bolsonaro de dizer que nunca teve relação com Vorcaro, para logo em seguida ter que explicar uma foto ou uma mensagem suspeita, pegou de vez. Mas nada se compara ao enrosco em que o próprio Flávio está metido. Sim, o candidato do PL também voou no jatinho de Daniel Vorcaro. E, em 2024, esteve junto com seu pai, Jair Bolsonaro, em um jantar com o banqueiro. Mas isso não é o pior. A nova fase da Operação Carbono Oculto, mirou no que viu e acertou no que não viu. Ao investigar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma distribuidora de combustíveis pelo país, a PF deu de cara com Antonio Carlos Freixo Junior, um dos patrocinadores do filme Dark Horse. E, em outra investigação, adivinha quem foi encontrado em uma foto ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz fazendo um safári pela África do Sul? Sim, ele mesmo, Flávio Bolsonaro. O que não seria problema se os dois não fossem suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes do INSS. E, se isso não bastasse, a PF descobriu que, em 2023, o então senador Flávio destinou uma emenda parlamentar no valor de R$200 mil para “Peixe”, um miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco. São tantos rolos envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro que dá até para se perder. Assim, se o “corruptômetro” popular fosse coerente, Lula seria reeleito já no primeiro turno. Mas, por incrível que pareça, no reino do eleitor informado pelas redes sociais, onde os bots podem determinar os rumos da opinião pública, a esquerda é tão suspeita quanto a direita, como mostra a última rodada da AtlasIntel. Claro, a mídia convencional também dá sua contribuição para este cenário distorcido. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro envia ao ministro André Mendonça uma ação contra Lula por envolvimento com Vorcaro e o ministro Luiz Fux está preocupado com as visitas que Lulinha fez ao Senado. É por essas e outras que “In Fux we trust”.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Ainda cheira a enxofre: 20 anos do discurso de Chávez na ONU. Na Revista Opera, Carlos Ron mostra a atualidade do líder venezuelano.

.Premiado, filme ‘NAZA’ com depoimentos de militares sobre táticas genocidas de Israel chega ao Brasil. Documentário reúne relatos de 24 militares sobre mortes intencionais de palestinos. No Brasil de Fato.

.'Está tudo interligado': como o domínio tecnológico do Norte Global promove o colonialismo digital. Especialistas analisam os impactos sistêmicos da IA. No Sputnik.

.Como as ideias atravessam fronteiras. Em A Terra é Redonda, Celso Pinto de Melo reflete sobre os dilemas políticos latino-americanos.

.Na crise atual, Kwame Nkrumah voltou a ser leitura obrigatória. Na Jacobina, Muryatan Barbosa mostra a atualidade do livro “Neocolonialismo: estágio superior do imperialismo”.

.Scarpa mostra que futebol é a maior plataforma cultural do Brasil. O Uol fala sobre o impacto do clube do livro fundado por Gustavo Scarpa.


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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.