23 setembro, 2016

Seminário Nacional sobre realidades juvenis “Estamos pelas praças e somos milhões”


Seminário Nacional sobre realidades juvenis “Estamos pelas praças e somos milhões”


O Seminário acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2016 no Centro Social Marista, em Itaquera, na cidade de São Paulo/SP. Objetiva a participação de jovens e adultos/as da Pastoral da Juventude do Brasil inteiro, além de lideranças de outras pastorais e movimentos, bem como de pesquisadores/as e gestores/as de diferentes instituições.
Por meio desta, gostaríamos de convidá-las e convidá-los para participarem do Seminário, estendendo o mesmo também às lideranças de sua pastoral, organização ou movimento.
Sabemos que “pensar juventudes” sempre é algo que provoca a saída de um lugar cômodo, e de romper com o senso comum que insistem em reforçar estereótipos equivocados atribuídos à juventude, olhando-a como desinteressada, apolítica e individualista, e que concebe o/a jovem como um problema social. Isso faz com que os reais problemas sociais não sejam reconhecidos como sintomas dessa sociedade, marcada por relações sociais de desigualdade, exclusão, opressão e exploração. Ao pensar as realidades juvenis, é preciso também (re)conhecer as suas atuais formas de organização, mais horizontais, autogestionárias, alternativas.
Ao mesmo tempo em que urge se ampliar o leque da discussão em torno das realidades, também se identifica, a partir das situações juvenis, qual o público específico que carece de ser atendido e quais serão as ações mais estratégicas e eficazes que precisam ser assumidas, direcionando-as. Para tal, também se deve identificar e combater os meios que são usados como ferramentas de promoção da violência. Essa discussão precisa sensibilizar as diferentes lideranças e atores sociais, políticos e pastorais para que o enfrentamento às diferentes formas de violência e ao genocídio seja assumido de fato por todos os setores da sociedade civil e também pelo Poder Público.
INFORMAÇÕES:
– Quando: 18 a 20 de novembro de 2016
– Local: Centro Social Marista (Itaquera, São Paulo/SP)
– Inscrições abertas no link: https://goo.gl/qPjZlG
– Contribuição: R$ 50,00 (gastos com material e lanches) 

Vagas limitadas! 

Contatos:
Email: seminariojuventudes@pj.org.br
Telefone: (49) 9969.3680 (tim)
Fonte: texto enviado ao blog

22 setembro, 2016

Semana Mundial pela Paz na Palestina e Israel

 A Semana Mundial pela Paz na Palestina e Israel é um evento oficial do Conselho Mundial de Igrejas e que acontece anualmente. Neste ano, será entre os dias 20 e 27 de setembro e está sendo organizada pelo Fórum Ecumênico da Palestina e Israel, conselho consultivo do CMI sobre as questões referentes ao conflito israelo-palestino.
 
A Semana tem três focos de atuação prioritários:
 
1) Oração – Enquanto atividade conjunta que pode ser realizada por pequenos grupos, comunidades religiosas ou tornar-se mesmo parte do calendário de igrejas e outras instituições religiosas maiores. Para auxiliar nesta tarefa é elaborada anualmente uma proposta litúrgica (clique aqui para baixar).
 
2) Educação – Estas atividades visam fomentar o debate e aprofundar conhecimentos e abordagens críticas sobre a questão palestina e israelense, sobretudo reconhecendo o sofrimento humano profundo que a ocupação ilegal israelense dos territórios palestinos ocasiona. Atividades de educação visam gerar consciência e reconhecer também a nossa parcela de contribuição para este conflito que nos parece tão distante.
 
3) Ação – Não só na reflexão teórica e na oração deve permanecer nossa solidariedade. A luta por paz e justiça é ativa e sugere criativamente iniciativas que proporcionam engajamento e uma resposta proativa daquelas pessoas que se identificam e engajam na peregrinação por justiça e paz.
 
O tema da semana será o muro da separação construído por Israel. Trata-se de um dos maiores e mais longos muros do mundo e é considerado ilegal pela Corte Internacional de Justiça desde 2004. Este muro adentra território palestino, rouba terras e recursos naturais valiosos, humilha e segrega famílias e comunidades. É um sinal do fracasso da nossa civilização em construir um convívio de paz e tolerância entre os povos.


Fonte: http://www.conic.org.br

21 setembro, 2016

Dia Internacional da PAZ


Dia Internacional da PAZ
A verdadeira paz só será alcançada quando cada uma e cada um conseguir gerar paz dentro de si e para todas as suas relações.
Atitude é fundamental. No Dia Internacional da Paz, assim como em todos os outros dias podemos fazer pouco. Mas o pouco de cada um torna-se muito para a humanidade.
O Dia Internacional da Paz é celebrado anualmente em todo o mundo do dia 21 de Setembro. A Assembléia Geral consagrou este dia ao fortalecimento dos ideais de paz, no seio das nações e entre os povos das várias nações.
O Dia Internacional da Paz foi estabelecido em 1981, através da resolução 36/67da Assembleia Geral das Nações Unidas. A data deste dia internacional foi escolhida de modo a coincidir com a sessão de abertura da Assembléia Geral.
Ao proclamar o Dia Mundial da Paz, as Nações Unidas levaram em conta a finalidade precípua para a qual foram constituídas – a coexistência pacífica entre nações soberanas, num mundo de equilíbrio e respeito mútuo entre os Estados nacionais, independentemente das dimensões territoriais, da pujança econômica e do poderio de cada país.

19 setembro, 2016

Violência matou 891 índios em treze anos no Brasil, diz relatório do Cimi

Brasília (DF) – O relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), apontou que uma média de 68 índios são assassinados por ano no país. De 2003 a 2015 foram registradas 891 homicídios contra os índios brasileiros, sendo que na maioria dos casos a autoria é desconhecida, portanto, são crimes na impunidade.

Só no ano de 2015, segundo o relatório, foram mortos 137 indígenas no Brasil, um a menos do que o registrado em 2014, quando morreram 138 pessoas. Apesar dos números esse dados não representam a realidade.

A antropóloga Lúcia Helena Rangel, coordenadora do relatório, explicou que as informações do documento foram coletadas pelas equipes de trabalho do Cimi e principalmente da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde. Os dados do governo, porém, foram obtidos por meio de ações jurídicas, com base no direito constitucional de acesso às informações públicas (Lei 12.527/2011). Também estão defasados.  “Acesso cada vez mais difícil, pois eles enrolam para evitar a divulgação”, destacou Rangel.

“Estes dados, no entanto, não permitem uma análise mais aprofundada, visto que não foram apresentadas pela Sesai informações detalhadas das ocorrências, tais como faixa etária das vítimas, localidade, povo, etc.  A fragilidade destes dados dificulta uma clara percepção da autoria dos homicídios, se eles tiveram como pano de fundo a disputa pela terra ou, nesse sentido, se são consequência do fato dos indígenas não estarem vivendo em seus territórios tradicionais”, diz o relatório.

O estado do Mato Grosso do Sul, mais uma vez, aparece como líder das mortes no relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”. No período de treze anos foram 426 assassinatos, o que representa 47% do total, com uma média de 32 índios mortos por ano.

Em 2015 foram 36 mortes no Mato Grosso do Sul. É uma média de três homicídios a cada mês do ano, sendo que 38% ocorreram em Dourados e 8% em Caarapó, no sudoeste do estado.

Segundo informações do Dsei do Mato Grosso do Sul, 94% das 36 vítimas de homicídio eram do sexo masculino e 6% do sexo feminino.

Foi em Caarapó que em 14 de junho deste ano foi assassinato o indígena Guarani Kaiowá Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, de 26 anos. Ele foi morto a tiros durante um ataque de fazendeiros na fazenda Yvu, município de Caarapó, região retomada pelos índios no mês de junho. Cinco fazendeiros estão presos por determinação da Justiça Federal sob acusação de envolvimento na morte do indígena, conforme investigação da Polícia Federal.

Ainda não há uma estatística preliminar dos casos de violência em 2016, mas o secretário-executivo do Cimi, Cleber Buzatto, destacou que foram registrados 35 ataques contra os índios Guarani-Kaiowá só no Mato Grosso do Sul, no período de aproximadamente um ano, entre 2015 e 2016.
 
A omissão do poder público 

O Cimi lançou o relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil” na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. O evento contou com as participações do padre Ernanne Pinheiro, secretário-executivo do Centro de Formação, Fé e Política, representando a CNBB, e do vice-presidente do Cimi, Roberto Liebgott. Ele frisou que o ano de 2015 foi marcado por aspectos recorrentes: “A omissão do poder público em relação à assistência aos índios, às demarcações de territórios tradicionais, as perversidades e práticas de tortura e ainda a devastação do meio ambiente”, disse Liebgott.

Ele afirmou que, desde 2012, há uma tendência explícita do governo federal de não demarcar as terras dos índios. “Por esse motivo, eles [os indígenas] vivem em condições de refugiados de guerra, acampados às margens de estradas, em situações estimuladas especialmente por setores do agronegócio”, afirmou Roberto Liebgott.

"Na esteira da tramitação da PEC 215 e de outras proposições legislativas anti-indígenas, parlamentares da bancada ruralista e dirigentes de sindicatos rurais patronais e de associações de produtores de commodities agrícolas espalharam o ódio e o terror contra os povos e as suas comunidades”, diz texto do relatório.
    
Integrando a mesa do evento que lançou o relatório em Brasília, Elson Canteiro, líder Guarani-Kaiowá, chorou durante a exposição do vídeo de dois minutos que retratou consequências do massacre em que morreu Clodiodi, em 14 de junho, em Caarapó. Ele próprio foi um sobrevivente do ataque. Ele explicou por que os índios têm retomado as terras tradicionais. “A retomada não é apenas da terra, mas dos alimentos tradicionais, de nossa cultura, do nosso estado de bem viver. Nossa organização também é garantida por lei e é isso que fazemos”, disse.

Em entrevista exclusiva à agência Amazônia Real, Kunumi Jeroky Iteva Mitan Mogaraivy, pai do indígena Clodiodi de Souza, falou sobre a morte de seu filho. Para ele, revolver a memória não tem sido fácil para a família do agente de saúde assassinado.
 
“Perder um filho é um pesadelo de olhos abertos”, diz. Kunumi tem o rosto abatido, que revela os três meses da morte de Clodiodi, em 14 de junho. “Se eu estivesse aqui aquele dia teria salvado a vida do meu filho”, revela.
  
Clodiodi morreu durante o ataque a fazenda Yvu, que é incrustada na Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá 1. Um dia antes, os índios Guarani Kaiowá tinham retomado a posse da área, reconhecida como território tradicional um mês antes, em 12 de maio, pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Segundo a investigação, os agentes da Polícia Federal em Dourados estiveram na fazenda Yvu, no dia 13 de junho, e foram notificados da retomada da área pelos fazendeiros, que queriam a expulsão dos índios da fazenda. Sem mandado de reintegração de posse, os policiais retornaram a Dourados.

Conforme relatório do Ministério Público Federal em Dourados, os cinco fazendeiros que foram presos e mais 200 ou 300 pessoas ainda não identificadas, munidas de armas de fogo e rojões, organizaram-se para expulsar os índios à força do local em 14 de junho. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os índios, com auxílio de uma pá-carregadeira, e começaram a disparar contra a comunidade. De um grupo de 40 a 50 índios, oito ficaram feridos e um veio a óbito [Clodiodi]”, diz o órgão.

Entre os feridos estava um irmão de Clodiodi, Jesus de Souza.  O pai Kunumi Jeroky Iteva Mitan Mogaraivy relembra com tristeza desse dia:

“Não tenho mais mãe, pai, irmãos, irmãs. Só minha esposa. Jesus ainda está doente. Quase o perdemos também. E aquelas pessoas que mataram meu filho? Eles têm dinheiro no banco, tem roça. Se você tem sono, dorme uma noite e o sono passa. E eu? Eu fico acordado com a minha mulher, pensando: Quando meu filho vai voltar para mim?”, indagou.

Kunumi se diz angustiado com tantas agressões a seu povo. “Se o meu filho chegasse aqui hoje, eu o pegava e diria: Vamos embora. Mas a minha família está enterrada no Kunumi agora. Clodiodi e Denilson Pindorakã são as chaves dessa terra”, lamenta. Ele se refere ao sobrinho, um garoto de 15 anos, que saíra para pescar quando foi encontrado morto em uma estrada vicinal que separa a aldeia onde morava de fazendas do agronegócio, em Caarapó, em fevereiro de 2013. À época, um fazendeiro assumiu a participação no crime, mas não foi preso.

Marçal Tupã-Y foi assassinado em 1983. Nos anos 1970 era ele que realizava assembleias nas aldeias, convocando os parentes para a luta. “Nós temos que ser malcriados”, dizia. Em telegrama, cobrando Justiça ao governo, Darcy Ribeiro disse que a imagem do estado estava emporcalhada se ficasse impune “o assassinato do mais alto intelectual de Mato Grosso do Sul”. Era assim que o antropólogo se referia ao guerreiro Kaiowá.

Simeão Vilhalva, também citado por Kunumi Jeguakai, foi assassinado em agosto de 2015. O crime é um dos destaques do relatório sobre a violência do Cimi, e foi cometido depois que fazendeiros e políticos promoveram um ato público na região do município de Antônio João, convocando a população a se rebelar contra a comunidade Ñhanderu Marangatu. Na ocasião, um bebê foi ferido, atingido por uma bala de borracha. “O decreto de homologação desta área foi assinado há mais de dez anos, mas ela ainda permanece sob a posse dos não-índios”, ressalta o documento. “Simeão tombou. Marçal tombou”, diz Kunumi Jeguakai, uma das lideranças que também sofrem ameaças de morte, citando também a morte de Marçal ocorrida há 30 anos.

Segundo o Cimi, a principal causa da violência são os conflitos por terra e a omissão do governo brasileiro em relação à demarcação dos territórios tradicionais indígenas.

“Vivemos grande violação de nossos direitos”, afirma Kunumi Jeguakai. “Somos como um pássaro numa gaiola. A reserva [áreas provisórias concedidas pelo governo] não nos dá condições para nossa vida, e por isso lutamos por nossos territórios tradicionais. O agronegócio se beneficia de uma terra manchada pelo sangue do povo Guarani Kaiowá. Não aceitamos mais viver dessa forma. Eu também sou ameaçado de morte. Mas, se morrer, renascerei na memória do meu povo, e meu sangue será semente de liberdade. Não sofremos confrontos com fazendeiros, sofremos massacres”, enfatiza o líder indígena.

Na época em que Simeão foi morto, o Cimi denunciou que já havia “um verdadeiro estado paramilitar no Mato Grosso do Sul”. O relatório divulgado nesta quinta-feira acentua que, em 2015, foi realizado pelo menos uma dezena de ataques paramilitares contra várias comunidades, desferidos por milícias comandadas por fazendeiros em que ficaram feridos, inclusive, crianças e idosos.

O documento do Cimi também registrou que Mato Grosso do Sul lidera em tentativas de homicídio, com 12, em 31 registradas no país. O estado está ainda em primeiro lugar nos homicídios culposos (considerados sem intenção de matar). Foram cinco, em 18 acontecidos no Brasil – a maioria por atropelamento.

Kunumi Poty Verá Dyju, um dos feridos que sobreviveram ao massacre do dia 14 de junho, lamenta o histórico de barbárie: “Muitos tombaram e não viram sua terra de volta. A gente espera ver realizado o nosso sonho. Ter a nossa liberdade, o nosso espaço de convivência. A natureza não volta mais. Com o desmatamento, não tem mais caça, não tem mais pesca. Perdemos esse companheiro de luta, que também era agente de saúde e cuidava do nosso povo. Clodiodi está junto com a gente nesta luta. O pessoal deita em cima do túmulo dele. Ama-o. Vamos continuar lutando.”

Além dos dados da Sesai, a estatística do próprio Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou no ano de 2015 outros 52 casos de violência contra indígenas, que resultaram em 54 assassinatos.

Veja os casos nos estados do Acre (1, etnia Kaxinawá), Amapá (3, etnias Galibi e Karipuna), Amazonas (4, etnias Apurinã, Mura e Tikuna), Bahia (5, etnias Tumbalalá e Tupinambá), Maranhão (3, etnias Guajajara, Ka’apor e Timbira), Mato Grosso do Sul (20, etnias Guarani-Kaiowá e Guarani-Nhandeva), Minas Gerais (1, etnia Pataxó), Pará (2, etnias Arapium e Munduruku), Paraná (5, etnias Guarani e Kaingang), Pernambuco (1, etnia Xukuru), Rondônia (1, etnia Oro Waram (Oro Wari)), Roraima (etnia Yanomami 1) Santa Catarina (1, etnia Kaingang) e Tocantins (6, etnias Apinajé, Karajá, Krahô e Xerente). Estes dados foram levantados a partir de informações das equipes que atuam nos onze regionais do Cimi e de diversos meios de comunicação.

Desses 54 assassinatos apontados pelo Cimi, oito foram de índios do sexo feminino com idades entre 9 e 82 anos. Uma criança do sexo feminino, de 9 anos, está entre as vítimas. As outras 46 pessoas, do sexo masculino, tinham idade entre 2 e 75 anos.

Do total de vítimas, incluindo homens e mulheres, nove eram menores, e tinham idade entre 2 e 17 anos. “Pelo menos quinze mortes ocorreram em decorrência de brigas e/ou consumo de álcool. Em cinco casos, observou-se que as mortes ocorreram, diretamente, em virtude de conflito fundiário. Predominou nos assassinatos o uso de armas brancas, com 21 casos, e armas de fogo, com quinze ocorrências”, diz o relatório.
 
*Por Ana Mendes e Cristina Ávila, especial para a Amazônia Real.

Fonte: http://amazoniareal.com.br

Não tinham alma. Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez [Douglas Belchior]

Diziam que meu povo não tinha alma.

Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez. Quase 400 anos!

Não havia provas mas havia convicção de que o Brasil seria tomado por comunistas, comedores de criancinhas. Resultado: duas ditaduras. A última durou quase 30 anos.

Sem provas e por convicção, o genocídio é promovido: Chacina do Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Eldorado dos Carajás, Crimes de Maio de 2006 e tantos outros.

Sem provas, mas por convicção, 111 tiros num carro e o assassinato de 5 jovens negros; um tiro de fuzil seguido de arrastamento no asfalto, de Cláudia Ferreira no Rio de Janeiro; O espancamento e a morte de Luana dos Reis no interior de São Paulo. Sem provas e por convicção se deu também a chacina do Cabula, em Salvador.

Pela mais pura convicção e sem nenhuma prova, Rafael Braga continua preso.

Por convicção a polícia continua esculachando, desrespeitando cidadãos em suas abordagens em cada esquina de quebradas, periferias e favelas desse país. Quando não somem com corpos; Quando não assassinam sobretudo a juventude e as crianças negras país afora.

Sem provas, mas por convicção, depuseram uma presidenta eleita pelo voto direto.

Não podemos permitir que sem provas e por pura convicção a política se faça, como tem acontecido no Brasil. Sabemos que a convicção que não requer prova, é uma convicção de classe, uma convicção ideológica, política e a serviço das elites atrasadas desse país. Trata-se de uma convicção de explícito traço fascista, racista e autoritário.

Não podemos permitir que essa prática se dê contra quem quer que seja. Práticas autoritárias contra pessoas famosas, empoderadas ou lideranças políticas do campo progressista quase sempre servem para endossar, justificar, naturalizar e aprofundar ainda mais a violência e a negação de direitos na base da pirâmide, entre os trabalhadores pobres, moradores de periferias, negras e negros, jovens e crianças em todo o país.

Sem provas, apenas por convicção reacionária, nós não vamos permitir. Não vamos aceitar. Ao contrário, deste lado de cá há sim convicção. Mas há provas!

Provas de nossa resistência, de nossa ancestralidade, da resiliência de um povo que, apesar do massacre imposto desde a invasão europeia, se reinventa, se organiza e luta.

Nós vamos reagir, afinal, com a licença de Albert Camus: “A violência não é patrimônio dos exploradores. Os explorados, os pobres, os oprimidos também podem emprega-la!”

Vamos enfrentar o fascismo nas ruas, no judiciário, na política e nas urnas!

Fonte: http://negrobelchior.cartacapital.com.br

Papa Francisco convida o mundo para rezar pela paz

Papa Francisco convida o mundo para rezar pela paz nessa terça-feira, dia em que estará em Assis para encontro de oração pela paz


“Convido as paróquias, as associações eclesiais e os fiéis individuais de todo o mundo a viverem esse dia como um dia de oração pela paz. Hoje, mais do que nunca, precisamos de paz nesta guerra que está por toda a parte no mundo. Rezemos pela paz! A exemplo de São Francisco, homem de fraternidade e de mansidão, todos somos chamados a oferecer ao mundo um forte testemunho do nosso compromisso comum pela paz e a reconciliação entre os povos. Assim, na terça-feira, todos unidos em oração: cada um tome um tempo, aquele que puder, para rezar pela paz. Todo o mundo unido".

16 setembro, 2016

Cidades baixam salários dos vereadores e maioria desiste de disputar reeleição


Em três municípios do Paraná que passaram a pagar apenas o salário mínimo a parlamentares, menos da metade deles vai disputar nova vaga nas Câmaras. 

A partir de 2017, os vereadores de três cidades do Paraná passarão a receber subsídio equivalente a um salário mínimo. O efeito mais evidente desta redução foi a queda no número de parlamentares dispostos a tentar a reeleição. Menos da metade dos atuais vereadores de Mauá da Serra, Santo Antônio da Platina e São Mateus do Sul disputam na eleição deste ano uma cadeira no legislativo municipal. Em 2012, essa taxa foi de 63%. 

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15 setembro, 2016

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Preconceito mata – e muito – no Brasil. A discriminação por cor, gênero e orientação sexual ainda é um problema endêmico do país com dados que proporcionam um panorama triste.

por Gabriela Loureiro

O preconceito de cor, escancarado na semana passada com três casos relacionados à televisão, é tão sério que reduziu a expectativa de vida do brasileiro negro. A possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que um branco, segundo uma pesquisa divulgada em 2013 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pelo levantamento, a expectativa de vida de um homem brasileiro negro é menos que a metade a de um branco.

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

Ser mulher também é perigoso. Somente em dois anos, entre 2009 e 2011, quase 17.000 mulheres morreram por conflitos de gênero, o chamado feminicídio, que acontece pelo fato de ser mulher. Ou seja, 5.664 mulheres são assassinadas de forma violentada por ano ou 15 a cada 90 minutos. Os dados também são da Ipea.
O relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) de 2013-2014 também mostrou como a intolerância a homossexuais mata. Mais especificamente, um gay é morto a cada 28 horas no país. Foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil em 2013. O Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos: segundo agências internacionais, 40% dos assassinatos de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos aqui.

Com base em pesquisas do Mapa da Violência, do Ipea e do GGB, o Brasil Post fez um ranking dos estados mais perigosos para ser uma mulher, um negro ou um homossexual. Confira o resultado nas listas com os números absolutos discriminados abaixo:

Os 10 estados mais perigosos para ser negro no Brasil

Alagaoas
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 80,5
Espírito Santo
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 65
Paraíba
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 60,5
Pará
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 55,1
Pernambuco
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 54,6
Distrito Federal
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 52,8
Bahia
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 47,3
Goiás
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 42,8
Amapá
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 41,1
Rio de Janeiro
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 41,0


Os 10 piores estados do Brasil para ser mulher
Espírito Santo
Taxa de feminicídio– 11,24 por 100 mil mulheres
Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher
Bahia
Taxa de feminicídio – 9,08 por 100 mil mulheres
Alagoas
Taxa de feminicídio – 8,84 por 100 mil mulheres
Roraima
Taxa de feminicídio – 8,51 por por 100 mil mulheres
Pernambuco
Taxa de feminicídio – 7,81 por 100 mil mulheres
Goiás
Taxa de feminicídio – 7,57 por 100 mil mulheres
Rondônia
Taxa de feminicídio – 7,42 por 100 mil mulheres
Paraíba
Taxa de feminicídio: 6,99 por 100 mil mulheres
Mato Grosso
Taxa de feminicídio – 6,95 por 100 mil mulheres
Pará
Taxa de feminicídio – 6,75 por 100 mil mulheres

 
Os 10 estados mais perigosos para ser gay no Brasil
Pernambuco
34 homicídios em 2013
São Paulo
29 homicídios em 2013
Minas Gerais
25 homicídios em 2013.
Bahia
21 homicídios em 2013
Rio de Janeiro
20 homicídios em 2013
Paraíba
18 homicídios em 2013
Mato Grosso
16 homicídios em 2013
Paraná
15 homicídios em 2013
Rio Grande do Norte
15 homicídios em 2013
Alagoas
14 homicídios em 2013
Fonte: CEBI

14 setembro, 2016

Palestra para agentes políticos e interessados


O cuidado pastoral da coordenação paroquial

Cabe aos coordenadores(as) e vice-coordenadores(as) tanto de pastoral e movimentos o cuidado pastoral teológico e doutrinal. Acompanhar, ouvir, orientar, sugerir, indicar caminhos. Devem direcionar e guiar, mas não impor, deixar livre a criatividade, para caminhar em comunhão com a paróquia e com a missão evangelizadora.

Algumas pessoas tem perguntado qual o papel do Conselho Pastoral Paroquial, da coordenação paroquial e quem compõem o Conselho Pastoral da CEB, o CPC.
Transcrevo no texto que segue a resposta que tenho dado conforme meu entendimento.

O cuidado pastoral da coordenação paroquial

Quase em sua totalidade, as paróquias da Arquidiocese de Maringá, estão muito bem estruturadas e organizadas em Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, a onde acontece o protagonismo leigo nas pastorais, movimentos e serviços.

Quanto menor a for CEB, mais dinâmica será. Fazendo parte da estrutura da CEB temos a pessoa do/a
Coordenador(a) e vice-coordenador(a)  paroquial das CEBs.

O Conselho Pastoral da CEB (CPC) é organizado em pastorais e movimentos, grupos de reflexões, e outros serviços cuja coordenação está na base (CEB).

Numa CEB podem existir vários grupos de catequese ou de reflexão, por exemplo. Quando isso acontece, se deve ter o(a) coordenador(a) geral da catequese ou dos grupos de reflexão da CEB. Ele(a) será membro nato do CPC. Porém, nada impede que façam parte do CPC todos os(as) catequistas ou coordenadores(as) dos grupos de reflexão ou de outros serviços, quando existir mais de um grupo na CEB. A própria CEB é que deve decidir, lembrando sempre que quanto mais lideranças ajudando, mais a CEB se firma e cresce.

Temos o Conselho Pastoral Paroquial (CPP) organizado. O coordenador(a) e vice-coordenador(a) paroquial de cada pastoral, movimentos e serviços e das CEBs deve manter a comunhão de seus membros com a paróquia.

Cabe aos coordenadores(as) e vice-coordenadores(as) tanto de pastoral e movimentos o cuidado pastoral teológico e doutrinal. Acompanhar, ouvir, orientar, sugerir, indicar caminhos. Devem direcionar e guiar, mas não impor, deixar livre a criatividade, para caminhar em comunhão com a paróquia e com a missão evangelizadora.

O coordenador(a) e vice-coordenador(a) paroquial das CEBs além desse trabalho pastoral precisam estar sempre juntos, com as/os coordenadores das CEBs e nos CPCs, não deixando esquecer que o cuidado pastoral de cada CEB é ampliado. Não restringe a uma pastoral, a um movimento ou a um serviço, más para “tudo” e para “todas as pessoas” que pertencem a CEB. Ser presença amiga, acolhedora e evangelizadora de “tudo” e para “todos”, um olhar atencioso para dinamizar e chegar até aquelas e aqueles que não estão inseridos.

É preciso entender o Conselho Pastoral Paroquial (CPP)

Quem preside o CPP é o Pároco com o Díacono junto da coordenação paroquial, membros coordenadores(as) das CEBs, pastorais, movimentos e serviços, sempre zelando pelo cuidado pastoral.

O CPP tem função de realizar a missão própria da Igreja de Jesus Cristo, instrumento de comunhão e de serviço. Planejar, coordenar, animar, celebrar e avaliar a caminhada pastoral da paróquia, deve zelar pela unidade na caminhada pastoral nas CEBs, constituir comissões de serviços para o bom funcionamento da vida eclesial e sempre que achar oportuno reunir a Assembléia Paroquial, com a participação mais ampla dos representantes da Paróquia e de suas Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

Para melhor empenho da reunião do CPP é formado uma diretoria do CPP, tem por função ajudar o padre a fazer a pauta de um CPP, registrar ata e guardar o livro ata. Havendo uma urgência, que não há tempo hábil de convocar um CPP, esse é um grupo que o padre pode estar ouvindo. Mas só em causa de muita urgência, e sendo possível ouvir outras pessoas, além da diretoria.

Acho pertinente que a diretoria do CPP seja formada por representatividade.

Dentro da proposta de uma diretoria por representatividade, a diretoria do CPP seria composta por:
- Um membro da CEB indicado pelas CEBs, que pode ser ou não a pessoa da coordenadora/or.
- Um membro do CAE, que pode ser ou não a pessoa da coordenadora/or.
- Um membro do COMIPA, que pode ser ou não a pessoa da coordenadora/or.
- Um membro indicado pela Promoção Humana e os Vicentinos (esse no sentido de responder pela caridade).
- Uma pessoa representando as pastorais, movimentos e serviços (essa pessoa seria indicada pelas pastorais, movimentos e serviços).

Com relação ao Conselho de Assuntos Econômicos, além da composição atual, a inclusão de consultores, que seriam um de cada CEBs.
Cada CEBs indica uma pessoa para compor a diretoria do CAE como consultores, esses seriam a ligação - BASE e CAE.

Jesus antes de chamar para o seguimento, Ele primeiro ama. Ama para chamar e chama porque ama. Sem a vivência do verdadeiro amor, fica impossível seguirmos Jesus.


Senhor Nosso Deus, Deus da Vida e da Paz nos abençoe com a interseção de Nossa Senhora da Glória, a Virgem geradora da vida e modelo de profeta e missionária para que tenhamos um coração generoso e uma vivência fraterna. 

13 setembro, 2016

Câmara cassa mandato de Eduardo Cunha por 450 votos a 10


Pouco antes do anúncio do resultado, a deputada Jandira Feghali, da tribuna, observou a solidão do ex-presidente da Câmara, lembrando que apenas dois deputados foram à tribuna para defendê-lo
São Paulo –  Por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções, a Câmara dos Deputados cassou o mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em votação encerrada às 23:49 desta segunda-feira (12). Após o resultado, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, precisou pedir para os colegas pararem com o coro "Fora, Cunha".

Pouco antes do anúncio do resultado, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) observou a solidão do ex-presidente da Câmara, lembrando que apenas dois deputados foram à tribuna para defendê-lo. Jandira afirmou que o "Fora, Temer" não é mais apenas um mote da esquerda e que as manifestações contra o atual governo e por novas eleições vão crescer no país porque a população está se conscientizando de que "Temer é Cunha e Cunha é Temer". Segundo Jandira, a queda de Cunha vai repercutir no apoio do governo na Câmara. "Essa base não resistirá por muito tempo", disse a deputada. "Nós sabemos que vamos recuperar a democracia e a agenda de direitos", concluiu.

O destino do parlamentar já estava claro com o reinício da sessão por volta das 20h30, com quórum de 401 deputados. O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) tentou diversas manobras para tentar sustar o processo ou no mínimo abrandar a condenação de Cunha.

A certeza da derrota de Cunha se definiu, com questão de ordem, quando Marun pediu efeito suspensivo em benefício de Cunha. Rodrigo Maia submeteu o pedido ao plenário. Para passar, o pedido de Marun precisava ter o apoio de um terço do plenário e foi rejeitado amplamente, sem precisar de votação nominal.

Em seguida, lideranças de vários partidos, como PT, PSDB, Psol, Rede e DEM, concordaram em antecipar a votação antes dos 40 parlamentares inscritos fazerem seus discursos, o que levaria a sessão a invadir a madrugada.

O deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), olhando para Cunha, disse: “Há alguns meses (muitos deputados) estavam na Rússia tomando vodka com Eduardo Cunha, tramando o impeachment da presidente Dilma. Hoje, são algozes de Eduardo Cunha. Hoje, deputado, alguns companheiros seus são ministros. O primeiro a lhe abandonar foi o golpista Michel Temer".

“Finalmente chegamos a este dia”, disse Alessandro Molon (Rede-RJ), durante seu discurso. O partido do parlamentar e o Psol foram os autores da representação contra Cunha. Molon respondeu às ameaças de Cunha e seu advogado, de que outros parlamentares poderão vir a passar pela mesma situação. "Essa forma de ameaça subliminar vai mostrar que não tememos".

Costa encerrou seu discurso com duas previsões. Que Cunha não teria 30 votos e, ainda dirigindo-se ao ex-presidente: "Vossa excelência disse que ia tirar dois presidentes. Acho que vai mesmo".

A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) disse que Eduardo Cunha é “um psicopata que acredita em suas próprias mentiras”. Disse que o peemedebista é um “mafioso” e, ao terminar, declarou dirigindo-se ao agora ex-deputado: “Fora, Cunha”. Rodrigo Maia pediu à secretaria para não incluir os termos "psicopata" e "mafioso" na ata do julgamento.

Cunha foi afastado do mandato de deputado em 5 de maio e, consequentemente, da presidência da Câmara, por liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (SF) Teori Zavascki, relator da Lava Jato, a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Foram apontadas 11 situações que comprovariam o uso do cargo pelo deputado, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, para "constranger, intimidar parlamentares, réus, colaboradores, advogados e agentes públicos com o objetivo de embaraçar e retardar investigações".

Em 7 de julho, ele renunciou ao cargo após um acordo envolvendo o presidente da Câmara e integrantes do governo Temer, para que fosse adiada a sessão que votaria sua cassação.
Denúncias

Eduardo Cunha é réu em duas ações no STF relacionadas ao esquema de corrupção que atuava na Petrobras. Em uma das ações, aberta em março, ele é acusado de ter recebido US$ 5 milhões em propina referente a um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras.

Na segunda ação, aceita em junho pelo STF, ele responde pelo suposto recebimento e movimentação de propina em contas secretas na Suíça, cuja origem seria a compra, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África. O negócio teria rendido R$ 5,2 milhões para Eduardo Cunha.

Uma terceira denúncia refere-se ao suposto envolvimento de Cunha em desvios nas obras do Porto Maravilha no Rio de Janeiro com base nas delações premiadas dos empresários Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia.

A defesa contestou todas as acusações e sustentou que "não há indícios minimamente sólidos" das acusações contra o deputado afastado. Cunha afirmou o tempo todo que o julgamento era político e foi retaliação por ter dado andamento ao impeachment de Dilma Rousseff. 

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br

09 setembro, 2016

Humberto Henrique para prefeito da cidade de Maringá - Paraná


Partilho com vocês o candidato que receberá meu voto para prefeito da cidade de Maringá e peço seu voto. 

Penso que não devemos votar no partido diante dos fatos, más sim votar na pessoa. 

Humberto Henrique, candidato a prefeito de Maringá, pelo PT, esta em seu terceiro mandado de vereador, no exercício do mandato, tem mostrado que é possível fazer política de maneira séria, correta e transparente. 

Muito bem preparado para ser um grande prefeito de Maringá. Tem conhecimento dos problemas do município. Sua experiência em três mandatos, sendo um dos melhores vereadores de todos os tempos, reconhecido até por adversários. 

É hora de mudança, assim penso. Acredito que sua gestão será democrática, em busca da dignidade do povo.




Governo quer aumentar de 8 horas para 12 horas a jornada de trabalho diária




A reforma trabalhista que está sendo desenhada pelo governo do presidente Michel Temer vai propor o aumento de 8 horas para 12 horas o máximo permitido para a jornada de trabalho diária, já considerando as horas extras. A informação foi dada nesta quinta-feira (8) pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, em encontro com sindicalistas. O limite semanal, no entanto, continuará de 48 horas (44 horas + 4 horas extras).
A reportagem é publicada por Gazeta do Povo com informações das agências Folhapress e Estadão, 08-09-2016.
Além disso, o governo vai sugerir a permissão para que sejam feitas contratações por hora trabalhada. Nesse caso, o mesmo trabalhador poderá prestar serviço a mais de uma empresa, mas não poderá ultrapassar o limite de 48 horas semanais de trabalho.
“Esse contrato por hora trabalhada vai ser formalizado e poderá ter mais de um tomador de serviço. Ele pode ter diversos contratos por hora trabalhada. Vai receber pagamento do FGTS proporcional, férias proporcionais e 13.º proporcional. [...] A jornada nunca vai ultrapassar das 48 horas semanais para não dar carga exaustiva”, disse.
A intenção do governo com a mudança nas leis do trabalho é acelerar o retomada da economia brasileira. Assim, espera obter o apoio de aliados e do mercado. Por enquanto, Temer lida com o obstáculo das eleições e não revela a dimensão exata das medidas que serão implantadas. De um lado, a reforma da CLT diminuirá os custos e burocracia. De outro, poderá levar a uma precarização das condições de trabalho, temem sindicatos.
Analistas afirmam que as mudanças vão culminar na terceirização do trabalho, na permanência do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e na flexibilização da CLT. Os acordos feitos entre o sindicato e a empresa prevalecerão sobre o que determina a legislação desde 1943. É possível, ainda, que sejam criadas duas novas modalidades de contrato de trabalho: parcial e intermitente, com jornadas inferiores a 44 horas semanais e salários proporcionais.
A Câmara dos Deputados concluiu no fim de agosto a votação do projeto de lei da terceirização (PL 4330/04), que segue para o Senado. Foi aprovada a terceirização de todas as atividades do setor privado. Hoje, somente as atividades-meio, que não têm a ver com o produto ou serviço final da empresa, podem ser terceirizadas.
Essas negociações entre sindicato e as empresas devem ser “prestigiadas”, segundo o ministro do Trabalho. Para o advogado especialista em direito sindical Marcelo Araújo, o que é negociado hoje já tem validade desde que seja para o bem do trabalhador. Da forma como está sendo anunciada, a reforma trabalhista parece atacar a legislação pelas suas virtudes e não pelos defeitos, diz. “Nunca vi um juiz vetando um acordo benéfico para o empregado. Se não aceitam é porque, de fato agride, a condição de trabalhador.”
Fonte: IHU

08 setembro, 2016

O que Temer [Leticia Sabatella e Gogó Leticia Sabatella / Roberto Malvezzi (Gogó)]


O Golpe se consuma.

E a herança mais amaldiçoada que o governo com Dilma deixará para o povo brasileiro é exatamente seu sucessor, Michel Temer.

Recuaremos duzentos anos na história. Um governo de homens pálidos, hipócritas, ricos e obsoletos.

É a volta ao Império, à política do café-com-leite, governo dos paulistas da Paulista com alguns capachos espalhados pelo Brasil. O pior é para o povo. O congelamento dos investimentos em saúde, educação e saneamento por vinte anos vai gestar uma geração de analfabetos, de insalubridade permanente e até de cadáveres pelas portas de hospitais. Nenhum serviço público de qualidade sobreviverá com esta política.

Se com Dilma no governo o futuro dos bens naturais do país, das nossas tribos indígenas, quilombolas, já era preocupante, com Temer não há mais sombras, é tenebroso: é para devastar, saquear e entregar.

Eles riem e podem rir. O povo está sendo inundado de informações falsas ou duvidosas e alijado das decisões. Essas decisões foram articuladas dentro dos conchavos e ligações do Congresso, referendadas pela conivência do judiciário e divulgadas pela mídia corporativa. Esse sentimento de impotência e irrelevância do voto se abateu sobre grande parte do povo brasileiro.

Não esperem que esses políticos golpistas temam pela história, porque eles não têm história. Não esperem que eles temam por suas biografias, porque eles não têm biografia. Não esperem que se sintam envergonhados, porque não se tira a vergonha de onde ela não existe. Existe o poder e eles estão no poder.

A ignorância toma o poder de salto alto, sem argumentos legítimos e a arrogância é seu veículo de disseminação.

Mas, a melhor herança de Dilma também ficará. A dignidade tem um rosto e um nome neste país. Sua coragem, convicção e a observação ampla de que somente o povo e o voto popular podem consertar as injustiças deste processo fraudado, são marcas deste momento. O enfrentamento de tanto ódio fomentado por distorções e manipulações, com garra e crescimento pessoal, é exemplar para muitas gerações futuras. Não vamos nos suicidar, nem renunciar ao que é justo, nem fugir da luta.

O resto só a história dirá. 


Fonte: texto enviado ao blog

Relato pessoal da juíza Kenarik Boujikian, ferida no rosto pela polícia militar


Um abraço solidário para Debora Fabri, estudante da UFABC , que perdeu a visão, atingida por estilhaço de bomba 

No 31 de agosto, ao voltar do trabalho, minha filha Isabel se preparava para ir ao ato de protesto contra o Golpe, que se realizava aqui em São Paulo, como em diversas cidades. Fui junto.

Quando chegamos na Avenida Paulista, a passeata já tinha saído do MASP e seguia em direção ao centro. Passamos por uma fileira de policiais militares e logo conseguimos alcançar o final da passeata. Caminhamos rapidamente por toda a Av. Paulista (pois minha caçula pretendia encontrar com amigas, que estavam mais adiante, e íamos encontrar a outra filha, Mariana, que  sairia da USP e também estaria à frente).

Foi uma manifestação absolutamente pacífica, com brados e vários dizeres. Pude cantar várias delas, inclusive uma das minhas favoritas:  “nem recatada  e nem do lar: a  mulherada tá na rua pra lutar!"

Passei em frente ao prédio da policia militar/bombeiros que fica na Consolação, onde estava uma fileira de policiais, fortemente armados, com escudos, sendo fotografados por vários profissionais.

Durante todo o trajeto, não presenciei um ato sequer de violência.

Seguimos mais adiante, passamos da altura da Rua Maria Antonia. Um grupo entrou na Rua Amaral Gurgel e uma parte ficou mais atrás, e começou a dispersão, porque as bombas começaram a pipocar. De longe eu via a fumaça se erguer e ouvia os estrondos. Não pensei que poderia ser atingida, dada a relativa distância que me encontrava.

Atravessei a rua em direção à Praça Roosevelt e estava quase em frente à Igreja da Consolação. De repente, um forte impacto na minha testa. Uma dor, uma ardência e o sangue jorrando, de modo que nem conseguia abrir o olho e não entendia o que estava acontecendo. Não sabia onde estava ferida e tossia muito porque a garganta também ardia.

Minha filha ajudou a estancar o sangue, apertando o casaco dela no ferimento. Vi que não tinha sido atingida no olho. Era um corte no supercilio. Fui para o hospital, onde soube que uma pessoa também dera entrada com um ferimento de estilhaço na perna. Deram quatro pontos no meu supercílio. Fizeram tomografia e tive certeza que não tinha acontecido nada na cabeça.

De tudo que vivi e presenciei no 31 de agosto, que se repetiu no dia de ontem, é forçoso que eu conclua que a polícia vandaliza o direito de protesto, um dos primeiros direitos humanos, mas que não paralisará as pessoas, porque estão todos na base: nenhum direito a menos! 

Por certo que a repressão policial, a violência  contra os manifestantes que de forma pacífica estão a exercer o legitimo direito de reunião e livre manifestação e expressão, não é gratuita e não é fruto do despreparo da polícia. 

É pura escolha. Tem finalidade. Querem proibir o exercício de direitos próprios de uma sociedade democrática. Querem incutir o sentimento de medo, que como canta Lenine: “O medo é uma força que não me deixa andar”.

Mas se enganam redondamente, pois encaramos todos os medos,  não vamos deixar que eles peguem o amor e não vamos deixar que eles apaguem a vida.

Os mais de cem mil manifestantes de ontem, um mar de pessoas (jovens, crianças com familiares, idosos, estudantes, trabalhadores, de todas as faixas etárias) que caminharam e protestaram, da Av. Paulista até o Largo da Batata, saem mais fortes com cada passo que deram por aquele asfalto. Saem mais fortes com a repulsa à violência.

Não tenho dúvida que parte da imprensa, a que não exerce o seu papel com um mínimo de ética, dirá que se tratava de quebra-quebra, de baderna. Não mostrará as cantorias, não mostrará que caminhavam pacificamente a  exteriorizar o seu pensar. Sabemos das várias metodologias que a imprensa utiliza para manipular a realidade, como bem ensinou Perseu Abramo ( em Padrões de manipulação da  grande imprensa), mas testemunhos não faltam para dizer que a festa da luta, foi bonita pá!, até o momento que a polícia resolveu atacar barbaramente a população.

Nesta quadra, é bom lembrar o sentido do direito fundamental que a  Relatoria Especial para Liberdade de Expressão, da OEA-Organização dos Estados Americanos, indica no documento “Marco Jurídico sobre o direito a liberdade de expressão” , para as  três funções primordiais da mesma: 

a) trata-se de um dos direitos individuais que de maneira mais clara reflete a virtude que acompanha e caracteriza os seres humanos: a virtude única de pensar o mundo desde a perspectiva própria e de comunicar-se com outros para construir um modelo de sociedade; 

b) em segundo lugar, a importância da liberdade de expressão  deriva de sua relação estrutural com a democracia, qualificada como estreita, indissolúvel, essencial, fundamental, de modo que o objetivo do artigo 13 da Convenção Interamericana é o de fortalecer o funcionamento do sistema democrático pluralista, mediante a proteção e fomento da livre circulação de informações, idéias e expressões de toda índole; 

c) finalmente, trata-se de um ferramenta chave para o exercício dos demais direitos fundamentais e por esta importância, encontra-se  no centro de sistema de proteção dos direitos humanos.

O rompimento institucional democrático, que tivemos com o  impeachment da Presidenta Dilma, estáa sendo aprofundado e, nesta medida, pretende atingir radicalmente os direitos civis,  econômicos e sociais. 

A truculência da ação da polícia contra o primeiro dos direitos fundamentais, o direito de protestar, conectado com  o direito de reunião, manifestação e expressão,  é para impedir a luta contra o retrocesso em relação aos  demais direitos. É tentar tirar a base para a preservação dos demais direitos.

O direito de protestar é o único que pode fazer valer os demais direitos fundamentais, especialmente destinados aos mais vulneráveis e à diversidade. 

Numa sociedade democrática, as marchas e manifestações  devem  ser protegidas pela polícia e pelos poderes do Estado, e não atacadas. 

Nenhum direito à menos! Muito menos o de protestar!

Kenarik Boujikian, magistrada do TJSP, cofundadora da Associação Juizes para a Democracia

Fonte: via Comissao Brasileira de Justica e Paz - CBJP