13 janeiro, 2018

https://youtu.be/X6yE5Qd6daE

11 janeiro, 2018

Para Refletir!

Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), que são atualizados quase que diariamente no site QUEM A HOMOTRANSFOBIA MATOU HOJE em 2016 foram assassinados no Brasil: 

- 343 LGBTs, um crime de ódio a cada 25 horas.
Desses:
- 173 eram gays (50%)
- 144 (42%) trans (travestis e transexuais)
- 10 lésbicas (3%)
- 4 bissexuais (1%), incluindo 12 heterossexuais, como os amantes de transexuais (“T-lovers”).

"É preciso todos os dias refletir sobre nossa espiritualidade, nosso jeito de ser e agir no mundo, e a presença de Deus constante em cada um e cada uma. Torna-se ainda necessário olharmos onde Deus tem sofrido e se feito humano."

Deus são muitas! - por Jonathan Félix


É preciso todos os dias refletir sobre nossa espiritualidade, nosso jeito de ser e agir no mundo, e a presença de Deus constante em cada um e cada uma. Torna-se ainda necessário olharmos onde Deus tem sofrido e se feito humano. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), que são atualizados quase que diariamente no site QUEM A HOMOTRANSFOBIA MATOU HOJE. Em 2016, foram assassinados no Brasil 343 LGBTs, um crime de ódio a cada 25 horas. Desses, 173 eram gays (50%), 144 (42%) trans (travestis e transexuais), 10 lésbicas (3%), 4 bissexuais (1%), incluindo 12 heterossexuais, como os amantes de transexuais (“T-lovers”).

Acredito que todos devem recordar o caso de Orlando, no ano de 2015, que foi catastrófico, e exemplo da barbárie das inúmeras mortes da população LBGT.  No Brasil temos cerca de seis massacres na mesma proporção de Orlando. Todos esses fatos, ligados a uma cultura machista, homofóbica, lesbofóbica, bifóbica e transfóbica. Deivis Macedo em seu livro sobre movimento ecumênico juvenil, nos traz algumas inquietações, onde “fica transparente que não nos envolvemos nas questões que têm roubado a vida de muitos. Acabamos por perceber uma crescente de injustiça e desigualdades que é uma realidade próxima a nós (…)”.

Na cultura judaico cristã, afirmamos constantemente que somos a imagem e semelhança de Deus, mas que imagem de Deus nós somos? Será que reconhecemos o rosto de Deus cotidianamente? Parece que estamos cegos diante dessas injustiças, que se naturalizaram.

Na tradição bíblica, Deus sempre está e se manifesta do lado dos mais fracos. Deus sempre se manifestou no rosto dos marginalizados. Se todos os seres humanos são a imagem e semelhança de Deus, sua figura não pode ser apenas masculina e heterossexual. Se Deus  é  amor e faz de toda pessoa humana sua imagem e semelhança, então Ele é também na pessoa gay, na lésbica, na travesti, na mulher transexual,  no homem trans, no/a bissexual e por ser amor, assume diversas manifestações da vida! É preciso entender Deus, não em um sentido exclusivista, mas também reconhecer sua presença na vida humana, especialmente no rosto de quem sofre.

Reconhecer o rosto plural de Deus é um desafio, um sinal de maturidade e de transcendência. Um processo de libertação. É ver que Deus está além do dogma e do gênero, reconhecendo que ele está na vida e no rosto de cada um e cada uma. No livro QS inteligência espiritual – o Q que faz a diferença, os autores contam que os místicos judeus nos lembram de que Deus tem “dez” rostos, ou seja, muitas faces. E o verdadeiro místico é aquele que se habilita a conhecer o melhor de Deus que está por trás de todas as faces. Os islâmicos também falam dos 99 nomes de Deus e até que existe um centésimo nome.

Vivemos uma cultura, que ignora e rejeita a presença Sagrada que habita em cada pessoa LBGT, chegando ao cúmulo de desejar até a sua morte.  As igrejas cristãs e religiões que têm como função revelar a presença divina no mundo, afirmam nos altares e espaços eclesiais que todos seres humanos somos sua imagem. No entanto, diante de pessoas cuja orientação e sensibilidade não correspondem a imagem social do patriarcalismo, as rejeitam e negam nelas a presença divina. Mas essas mesmas igrejas que deveriam testemunhar o amor divino no mundo, acabam de alguma forma sendo coniventes com essa cultura de morte. Esquecem que Deus se fez radicalmente humano em Jesus. Assim como não se pode crer em um Deus que não dance, eu não poderia crer em um Deus que tivesse gênero. Talvez, Nietzsche, esteja certo ao lamentar que, por enquanto, tudo isso seja humano, demasiado humano…e não cumprimos nosso papel de ser espiritualmente livres.

O exercício de reconhecer Deus é um exercício de olhar para dentro de nós e para o/a outro/a. De retirar as máscaras que escondem os nossos incômodos. As fobias que nos rodeiam. E reconhecer que Deus é livre, é o amor, e isso basta!


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Sobre Jonathan Felix
Editor chefe da Revista Senso, Mestrando em Ciências da Religião pela PUC Minas, pesquisa Inteligência Espiritual.

Papa: vida dupla dos pastores é ferida na Igreja


Inspirado no Evangelho do dia que fala da autoridade de Jesus, o Papa recordou "aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas" para não perderem a esperança: "Sempre existe a possibilidade!"

Cidade do Vaticano

Comoção, proximidade e coerência. Essas são as características do pastor e da sua “autoridade”, nas palavras do Papa na missa esta manhã na Casa Santa Marta.

Comentando o Evangelho do dia, de Marcos, dedicado a Jesus que ensinava “como quem tem autoridade”, Francisco explicou que se trata de um “ensinamento novo”: a “novidade” de Cristo é justamente o “dom da autoridade” recebido do Pai.

Diante dos ensinamentos dos escribas, dos doutores da lei, que mesmo “dizendo a verdade”, evidenciou o Papa, as pessoas “pensavam a outra coisa”, porque o que diziam “não chegava ao coração”: ensinavam “da cátedra e não se importavam com as pessoas”.

Ao invés, acrescentou Francisco, “o ensinamento de Jesus provoca admiração, movimento no coração”, porque aquilo que “dá autoridade” é precisamente a proximidade e Jesus “tinha autoridade porque se aproximava das pessoas”, entendia os problemas, dores e pecados:

“Porque estava próximo, entendia; mas acolhia, curava e ensinava com proximidade. Aquilo que dá autoridade a um pastor ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade: proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não busca Deus perdeu a proximidade às pessoas. O pastor distante das pessoas não chega a elas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e se pode comover diante dos pecados, do problema, das doenças das pessoas: deixa comover o pastor”.

 Os escribas, prosseguiu o Papa, tinham perdido a “capacidade” de se comover justamente porque “não estavam nem próximos das pessoas nem de Deus”. E quando se perde esta proximidade, destacou Francisco, o pastor acaba “na incoerência de vida”:

"Jesus é claro nisto: “Façam aquilo que dizem” – dizem a verdade – “mas não aquilo que fazem”. A vida dupla. É duro ver pastores com vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente com esta vida dupla. Existem tantas maneiras de levar em frente esta vida dupla: mas é dupla... E Jesus é muito forte com eles. Não somente diz às pessoas para ouvi-los, mas para não fazer aquilo que fazem, mas o que diz a eles? “Mas vocês são sepulcros caiados”: belíssimos na doutrina, por fora. Mas por dentro, podridão. Este é o fim do pastor que não tem proximidade com Deus na oração e com as pessoas na compaixão”.

Francisco cita a primeira leitura e repropõe a figura de Ana, que ora ao Senhor pedindo para ter um filho homem, e do sacerdote, o “velho Eli”, que “era um fraco, havia perdido a proximidade com Deus e com as pessoas”: havia considerado que Ana estava embriagada. Ela pelo contrário, estava rezando em seu coração, movendo somente os lábios.

Foi ela a explicar a Eli  estar “amargurada” e a falar foi o “excesso” de sua “dor” e de sua “angústia”.

E enquanto ela falava, Eli “foi capaz de aproximar-se daquele coração”, até dizer para ir em paz: “Vai em paz e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”.

Deu-se conta – observa o Papa – “de ter errado e brotou de seu coração a bênção e a profecia”, porque depois Ana deu à luz a Samuel:

“Eu diria aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas: “Mas, não percam a esperança. Sempre existe a possibilidade. Para isto foi suficiente olhar, aproximar-se a uma mulher, ouvi-la e despertar a autoridade para abençoar e profetizar; a profecia foi feita e o filho da mulher veio”. A autoridade: a autoridade, dom de Deus. Somente vem d’Ele. E Jesus a dá aos seus. Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, as duas coisas sempre juntas. Autoridade que é coerência, não dupla vida. É autoridade, e se um pastor a perde, que ao menos não perca a esperança, como Eli: sempre há tempo para aproximar-se e despertar a autoridade e a profecia”.


Fonte: Vatican News

09 janeiro, 2018

Já tem povo de nossas comunidades a caminho do 14º Intereclesial de CEBs!

Curiosidade:

Já tem povo de nossas comunidades a caminho do 14º Intereclesial de CEBs!

Esse nosso povo animado é do município de Tapauá estado da Amazonas.

Pela informação publicada no grupo das CEBs do Brasil do WhatsApp, se não saírem hoje, só tem barco daqui 15 dias.

E ao retornarem do 14º Intereclesial de CEBs, não chegarem até o dia 30 de madruga, é provável que só saiam depois do dia 10 de fevereiro de Lábrea para casa.



Tapauá é um município brasileiro do interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à Mesorregião do Sul Amazonense e Microrregião do Purus, localiza-se a sul de Manaus, capital do estado, distando desta cerca de 565 quilômetros. Sua população, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016, era de 18 039 habitantes,[3] sendo assim o quadragésimo sétimo município mais populoso do estado do Amazonas. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0.502, de acordo com dados de 2010, o que é considerado médio pelo PNDU.

Há duas semanas para o 14º Intereclesial de CEBs, fotos para recordar o 13º Intereclesial de CEBs

Há duas semanas para o 14º Intereclesial de CEBs, uma foto para recordar o 13º Intereclesial de CEBs que aconteceu de 7 a 11 de janeiro de 2014, a cidade de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará.

O tema foi “Justiça e Profecia a serviço da vida” e o lema “Romeiras do Reino no Campo e na Cidade. 

O encontro acolheu em torno de 4.000 pessoas no Cariri cearense, representantes das comunidades de todo o Brasil e de vários continentes.










“NÃO DEIXEMOS QUE NOS ROUBEM A COMUNIDADE” Mensagem aos Participantes do 14º Intereclesial das CEBs.

O 14º Intereclesial das CEBs se aproxima! Devemos nos vestir com ousadia e coragem para resignificar o caminho neste nosso século. Devemos gritar que DEUS HABITA A CIDADE.


                 Irmãs e irmãos que participam do 14º Intereclesial das CEBs (janeiro de 2018). A frase que dá título ao artigo é do nosso Papa Francisco, no número 92 da EG, Exortação que é o seu programa de pontificado. A Comunidade é o lugar da cura, da fraternidade, da solidariedade comprometida com os pobres, um sinal que aponta na direção do CAMINHO de Jesus de Nazaré.

            Vivemos em um momento da história no qual existe uma tendência a desprezar uma característica fundamental da realidade humana: a sociabilidade. Jesus, e consequentemente o cristianismo, apontam com vigor para o não esquecimento desta realidade. Por isso, em todos os lugares e com todas as pessoas que, como nós, também querem viver outro mundo possível, estamos aqui em Londrina buscando verificar como fazer isto no interior do mundo urbano.

            Porém, este marco de nossa caminhada deve nos empurrar para frente. Este momento não pode falar por ele mesmo, mas ser um trampolim que recolhe uma história de grande significado e impulsiona para dentro de águas mais profundas. Como João Batista, que fez do povo pobre sua própria pele, devemos nos vestir com ousadia e coragem para resignificar o caminho neste nosso século. Devemos gritar que DEUS HABITA A CIDADE.

            Como comunidades liminares, isto é, que estão no limite do carisma e da instituição, não podemos nos confundir com estruturas opressoras. Com uma profecia apocalíptica devemos constituir comunidades nas casas, nas periferias geográficas e existências, nas situações e circunstâncias que poucos e poucas estão dispostos a estar. Comunidades guiadas e reunidas pela PALAVRA. Comunidades sacramentais não apenas porque possuem sete sacramentos, mas porque se abrem à graça que pode ser sentida e vivida pelo sinal sacramental. E como diz Francisco, o de Roma, nunca para os pobres ou pelos pobres, mas COM OS POBRES.

            Façamos de nossas CEBs espaço privilegiado dos excluídos deste mundo. Temos diversidade de presença na Igreja, sim. Mas queremos caminhar em comunhão com ela dando a nossa contribuição específica. Não somos um Movimento, mas uma rede de comunidades. Se a velha paróquia quer ser sinal, neste mundo, do Caminho de Jesus Cristo, precisará entender que a sua estrutura deverá refletir a misericórdia e a hospitalidade, do contrário só produzirá dor e sofrimento para pessoas já tão machucadas pela vida.

            Não caíamos na tentação de uma sociedade do espetáculo. O mundo de hoje exige que homens e mulheres se congreguem para encontrar caminhos de humanização. Homens e mulheres que não são, necessariamente, da mesma religião. Não nos esqueçamos da bela mensagem da Laudato Si’ (Louvado sejas): tudo está interligado. Assim, deveremos ser capazes de acolher todos os tipos de refugiados e refugiadas deste mundo. E, em seu interior, com as paróquias se for possível, estarão as COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE.

Assessores da Ampliada  das CEBs do Brasil: Ir Tea, Ir Mercedes, Pe Vileci e Celso Pinto Carias

Mensagem original publicada no Jornal A CAMINHO, edição 5

Fonte: site CEBs do Brasil

05 janeiro, 2018

Mais um livro de Pe. João Caruana

Com muita ousadia Pe. João Caruana lança o livro "Comissão Pastoral da Terra" com participação do Pe. João Maria Cauchi.


O livro está disponível online, em PDF, no link:  

A capa cobre uma foto do Pe. John Mar Cauchi, que apareceu na primeira página do jornal brasileiro “O Correio”, quando sofreu a primeira tentativa de sua vida.

O livro é composto por duas parte:

PRIMEIRA PARTE

1 Métodos e estratégias no Brasil e no mundo
2 O Latifundio
3 O Nascimento da Comissão Pastoral da Terra (CPT)
4 Ativistas Ambientais Assassinados
5 Diferentes Variações de Fazendas
6 Monsenhor Tomás Balduino entrevistou em seu 90o aniversário
7 Prêmio Mgr Óscar Romero 2017
8 Mulheres Homenageadas
9 Centro de Estudos Bíblicos (CEBI)
10 Peregrinação dos Mártires do Caminho

SEGUNDA PARTE

1 Pe. John Maria Cauchi
2 O Conflito Agrário Relatado nos Jornais
3 Aprendendo a Metodologia Pastoral Popular
4 Testemunho de Frei Anastácio Ribeiro, OFM
5 Testemunho de Dom José Maria Pires
6 O Epílogo

Em dezembro de 2016 Caruana lançou o livro “Pensadores da Caminhada - 30 Anos Vividos nas CEBs”.


Sobre o Autor

Pe. João Caruana, nascido em Mosta, Malta, no dia 3 de junho de 1941, foi ordenado padre em sua terra natal no dia 11 de março de 1967. Sempre sentiu muito forte a vocação missionária, mas precisou esperar dezessete anos para realizar o seu sonho.
Durante estes dezessete anos, Pe. João serviu como diretor das vocações por alguns anos, tendo mudado para a Paróquia de São Guliano, onde serviu por treze anos como vigário paroquial. Depois foi escolhido como secretário administrativo do Seminário de Malta.
Durante este período participou no Conselho dos Vice-Párocos e fez parte do Conselho Representativo Diocesano (KRD), responsável por decidir quais as prioridades e as reformas necessárias na gestão dos recursos da diocese.
Pe. João serviu também como presidente de Sociedade Christus Rex, que era uma sociedade independente interessada na vida dos padres. Serviu na diretoria da revista mensal Pastor, e junto com um outro grupo, iniciou e manteve uma página semanal em inglês, chamada Catholic Outlook, no jornal de grande prestígio The Sunday Times of Malta.
Pe. João chegou ao Brasil no dia 7 de setembro 1984 e assumiu a paróquia Nossa Senhora das Graças, na época única paróquia do município de Sarandi, que já tinha 40.000 habitantes. Dedicou-se ao serviço das Comunidades Eclesiais de Base que tinham sido recém-plantadas pelo Pe. Vicente Costa, o primeiro pároco. Apoiou ativamente os movimentos sociais que trabalharam na cidade e no campo.
Também serviu por dois anos numa paróquia irmã em Guajará-Mirim, no Estado de Rondônia. Foi a Malta por mais dois anos, escrevendo um livro chamado The Maltese Missionary Experience, e voltou ao Brasil, servindo como vigário numa outra paróquia em Sarandi, a São Paulo Apóstolo.

04 janeiro, 2018

Paulo Apóstolo e a evangelização no mundo urbano - Por Tea Frigerio


Introdução

O ambiente nos forma. Foi assim com Paulo! Ele é pessoa de cidade: nasce em Tarso, forma-se em Jerusalém, passa sua vida sob o domínio de Roma, Damasco é fundamental na sua vida. Antioquia é sua comunidade de referência e onde começa sua missão de apóstolo; toda sua vida missionária se desenvolve nas cidades greco-romanas. Sua missão o levará às cidades da Ásia Menor e Grécia. É nessa itinerância que se declarará cidadão romano (At 22,25-29). Declaração que lhe merecerá terminar seus dias em Roma, capital do Império (At 28,16.30-31).




A cidade forma Paulo

As cidades formaram Paulo, nelas nasceu e se tornou homem adulto. Em Tarso, com o leite materno, bebeu à fonte do judaísmo da diáspora, no qual a fidelidade à lei judaica se colorava de filosofia e poesia grega; em Jerusalém, bebe à fonte do judaísmo rabínico fiel ao Deus da vida na formatação da Lei. Damasco o põe em xeque: o Deus que vê e ouve o clamor de seu povo, que se encarnou na história em Jesus de Nazaré, o crucificado e ressuscitado, vive na comunidade e se identifica com os crucificados da história.

A comunidade cristã multicultural de Antioquia o acolhe e envia às cidades onde urge anunciar a boa-nova de Jesus, o Cristo. Cidadão romano, conhece por dentro a estrutura opressora e excludente do Império e das cidades greco-romanas. Conhece sua força de irradiação e nelas vê o povo marginalizado e escravizado, então ousa abrir trilhas que saem do traçado, fiel ao Deus que ouve o clamor do povo, enxertando-se em Jesus de Nazaré, o Cristo, e anunciando a boa-nova da liberdade, igualdade e solidariedade.

“Eu vi, ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7) é a memória fundadora da fé israelita. Palavras evocativas do olho-d’água que deságua num rio que percorre toda a experiência do povo de Israel, dos profetas, de Jesus, de Paulo, das primeiras comunidades e que papa Francisco retoma hoje, indicando-nos o chão onde afundar nossas raízes, a seiva da qual beber.

Esta memória fundadora nascida na experiência do êxodo, mantida viva pelos profetas, deságua em Jesus Cristo. Jesus, fiel a ela, anunciou a boa-nova do Reino no mundo judaico, na Palestina, numa cultura onde predominava o pensamento rural; essa memória realiza-se no tempo e na história por meio daqueles e daquelas que se põem no caminho do discipulado. Entre eles se destaca Paulo, que experimenta seu chamado em continuidade à vocação profética e a vive anunciando a boa-notícia de Jesus no mundo greco-romano, eminentemente mundo da cultura de cidade.

Como Paulo se enxertou na utopia de Jesus de Nazaré?

Jesus passou 30 anos de sua vida em Nazaré, vila próxima das cidades de Cafarnaum e Séforis, compartilhando a vida do povo. Na Galileia, percebeu que a estrutura de dominação do império romano e a estrutura religiosa do judaísmo formal oficial haviam desintegrado e quebrado as relações da “casa”, as antigas relações de solidariedade no meio do povo. A memória histórica do êxodo, dos profetas, dos anawim, dos pobres, de Javé, que desce e caminha na história do povo, levou-o a deslocar-se da vila de Nazaré e percorrer os caminhos da Galileia, da Samaria, da Judeia, para reconstruir as relações da “casa”.

Desde o ventre da mãe, Jesus coloca-se a caminho, entra nas casas, senta à mesa e transforma e reconstrói as relações: econômicas, políticas, sociais, de classe, de gênero, étnicas, religiosas. Reconstruir a casa é apressar a vinda do reino de Deus ao meio dos pobres, os excluídos da história. Os discípulos de Emaús são o ícone das primeiras comunidades: caminho, casa, mesa, missão; neles vislumbramos a semente das CEBs.

O Movimento de Jesus é a continuidade desta utopia: reconstruir as relações na casa. Os pequenos “quadros” nos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16) nos falam desta utopia, dos primeiros passos, das experiências ousadas, com seus acertos e desacertos, daqueles conhecidos como “os do Caminho”. Somente em Antioquia, capital da província romana da Síria, uma Roma em miniatura, é que terão sua identidade reconhecida e serão chamados de “cristãos”. É nesta comunidade eclética e circular que Paulo é acolhido e escolhido para fazer parte da equipe missionária (At 13,1ss).

No caminho de Damasco, Paulo penetra no mistério que lhe é revelado: “Quem és?” “Eu sou Jesus, a quem persegues”. Jesus, o crucificado, está vivo e identifica-se com a comunidade que Paulo persegue (At 9,5ss). Este compreende que o movimento do Caminho é continuidade, concretização histórica da memória profética de Javé libertador, da utopia de Jesus de Nazaré: reconstruir a “casa”. E, em sua itinerância, vai viver isso, vai fazer sua esta utopia, abrindo picadas, ousando inculturar.

Enxertando no mundo greco-romano a boa-nova da “casa”, torna-se “ekklesia”. A sua Nazaré será a periferia das cidades, o mundo do trabalho manual; sua opção é identificar-se com os últimos, como Jesus de Nazaré. Deste lugar social, anunciará o evangelho, que é de Deus, a boa notícia de Jesus, o Cristo (1Ts 2,1-7). Convoca a constituir a “ekklesia na casa de…”, alternativas à ekklesia das cidades. Em 1Cor 1,26-31, delineia o retrato dessa ekklesia alternativa: “entre vós não há muitos sábios… poderosos…, mas Deus escolheu o que não é para confundir o que é…”, retrato expresso magistralmente na profissão batismal de Gl 3,28: “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus”.

A ekklesia era a assembleia da cidade onde as relações eram piramidais e marcadas pelo estatuto de cidadão, garantido pelo “status” de posse de bens, de nome, de saber; o poder era controlado por uma elite restrita, excluindo cidadãos não residentes, artesãos, trabalhadores manuais, mulheres e, naturalmente, os escravos. Na ekklesia, assembleia das comunidades, as relações são transformadas, são alternativas, vive-se a circularidade dos bens, do poder, do saber, dos afetos: ser cristão é ser membro do corpo de Cristo, comprometido em fazer circular a vida (1Cor 12,12ss), não se amoldar à lógica do mundo (Rm 12,2), proclamar a cidadania da liberdade, da igualdade, da solidariedade (Gl 5,1).

Comunidades na cidade

Missão é tarefa fundamental da Igreja: define-se em saída, enviada. Missão é a dimensão da Igreja que se abre para além de si mesma a fim de ser fermento no meio de outras culturas e religiões.

Paulo adota o sistema de itinerância e de apoio das casas, mas não quer depender das pessoas. Cria espécies de cooperativas de trabalhadores. Como ele era fabricante de tendas, reunia os tecelões e aí, trabalhando, pregava o evangelho: ou, se preferirmos, pregando o evangelho, trabalhava.

A cidade olha para o mundo, para a humanidade, para o transcendente, para a religião, com uma ótica totalmente diferente daquela do mundo rural. Paulo, marcado pelas cidades que o formaram, vive sua vocação numa continuidade profética, mas sua linguagem e suas opções se inserem no movimento apocalíptico com a finalidade de criar um universo de pensamento alternativo ao pensamento ideológico massificante romano. A profecia nasceu do lado do povo que se sentia responsável pela história. No momento em que o povo faz a experiência de ser uma pequena etnia em meios aos impérios “globalizados”, experimentando que a história foge ao seu controle, escapa de suas mãos, quando tudo parece perdido, a profecia renasce na apocalíptica. Não nasce do lado do poder, mas do lado de quem sofre na história e se sente perdido nela. Não nasce do lado de quem se sente dono dos destinos das nações e dos povos, mas do lado dos pequenos, que são privados de qualquer poder e são oprimidos por quem domina a história. Profecia e apocalíptica são expressão da fé em Javé, aquele que era, é e vem.

A fé apocalíptica anima a permanecer, a resistir na luta criando pensamentos e práticas alternativas. A fé em Deus, que continua sendo o Senhor da história, proporcionava aos que resistiam capacidade de ler a história. Com esta fé aparentemente irreal, sem fundamento, visionária, eles souberam resistir aos poderes que os ameaçavam, perseguiam e marginalizavam.

Quando a comunidade cristã surge no meio de um poder tão abrangente, nasce justamente como um grito de esperança. De uma esperança que é “escândalo” e “loucura” (1Cor 1,21-25), porque não corresponde à racionalidade do poder, mas surge como experiência da cruz. É uma racionalidade incompreensível para os poderes deste mundo (1Cor 2,2-8).

Que esperança tinha a comunidade cristã nascente de sobreviver, de impor sua existência, sua fé? “… para anunciar o evangelho sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo…”  (1Cor 1,7b-31).

Ao escrever isto, Paulo manifesta uma consciência lúcida: o que são? O que valem os da comunidade de Corinto na organização da pólis, na estrutura massificante do Império? Eles são um nada, seja numericamente, seja qualitativamente; eles não têm nenhum poder. Crer nas comunidades era “loucura” e “escândalo”. Mas é nesse universo ideológico radicalmente diferente que Paulo aposta.

Para os cristãos de Tessalônica e seus irmãos da região, que sentido tinham suas lutas, padecimentos, mortes? A eles Paulo escreve: “Empenhai a vossa honra em levar uma vida tranquila, ocupai-vos dos vossos negócios e trabalhai com as vossas mãos, conforme as nossas diretrizes. Assim levareis uma vida honrada aos olhos de fora e não tereis necessidade de ninguém” (1Ts 4,10–5,11).

Palavras que fogem à ideologia imperante e por isso se colocam em outro universo ideológico com a finalidade de alimentar a utopia, através da esperança. Esperança se transforma em identidade: “nós que cremos”. O universo ideológico, a fé alternativa, gera reconhecimento, união, força para resistir aos de “fora”, que proclamam uma “paz, segurança”, ilusória.

Quem é “crente”? Qual é a identidade que querem manter? No mundo que despreza o trabalho manual, o povo da roça, e só preza os sábios, os espirituais, os cidadãos, Paulo estimula os tessalonicenses a viver orientados por outros valores, outras estruturas, outras utopias.

São esses pensamentos, reflexões, perguntas que fazem nossa cabeça fervilhar.

Fervilhar como a cabeça de Paulo devia fervilhar, ao escrever a carta aos Gálatas. Como devia fervilhar quando lhe relataram as divisões presentes na comunidade de Corinto. Como devia fervilhar ao olhar a atitude passiva dos cristãos de Tessalônica que esperavam a volta iminente de Jesus, o Senhor. Como devia fervilhar para encontrar as palavras certas para escrever a Filemon. Como devia fervilhar diante da escravidão e exclusão, marcas registradas do império romano. Como devia fervilhar quando deu voz ao gemido da criação cativa. Como devia fervilhar ao refletir a respeito da experiência de liberdade que vivia após o acontecimento de Damasco. Como devia fervilhar ao se interrogar sobre os passos a serem dados para que outros, outras, pudessem viver essa experiência tornando-se igreja, assembleia, casa, comunidade, espaço de relações alternativas.

Talvez o que nos falta hoje é justamente nos deixar desafiar, deixar borbulhar perguntas, deixar a cabeça fervilhar, nos permitir sair do traçado. Como Paulo ousou sair do traçado.

A novidade cristã

Sair do traçado é o que Paulo fez. Sair do traçado judaico. Sair do traçado de cidadão romano. Sair do traçado dos critérios apostólicos. Sair do traçado e abrir picada, abrir caminho novo. Sair do traçado e deixar-se guiar pela força da Palavra, pela força do Espírito, pela força dos acontecimentos.

Sair do traçado e, com seu anúncio, provocar experiências humanas e comunitárias inéditas para seu tempo. Num mundo onde tudo falava de escravidão, Paulo, com ousadia, anuncia o evangelho da liberdade: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1.13). Em face da escravidão, que tornava as pessoas ferramentas animadas, a elas devolve dignidade e exige uma nova relação, “não mais como escravo, mas como irmão amado” (Fm 16). Diante da estrutura escravagista, patriarcal, que relegava cada pessoa a uma categoria social, numa pirâmide estratificada e imutável, ele ousa propor relações de amor e solidariedade (1Ts 4,9-10). À escravidão religiosa que amarrava a práticas exteriores, que erguia muros de separação, que tornava a experiência espiritual uma prisão, ele contrapõe a relação filial (Rm 8,15). Ao patriarcado que fazia das mulheres cidadãs de segunda categoria, considerando-as menores e mantendo-as sob a jurisdição do “pai de família”, do marido, ele escreve: “A mulher não dispõe de seu corpo; mas é o marido quem dispõe. Do mesmo modo, o marido não dispõe de seu corpo; mas é a mulher quem dispõe” (1Cor 7,4). Ele as apresenta, portanto, como suas colaboradoras, reconhece sua autoridade e direito de profetizar (Rm 16,1ss; 1Cor 11,5a).

Paulo ousa falar de liberdade, pois a experiência que ele estava vivendo era de profunda liberdade (1Cor 9,1.19). Experiência de liberdade que o torna capaz de ler seu momento histórico, que lhe faz intuir e traçar o caminho: criar uma linguagem, um pensar, uma ideologia, um crer alternativo ao sistema vigente; que o torna ousado, capaz de traduzir a boa notícia nascida num mundo rural para o mundo da cidade; capaz de inculturar a boa-nova do Reino, enraizada na religião judaica, num mundo pluricultural e plurirreligioso; capaz de colocar em xeque a circuncisão; capaz de fazer sentar à mesma mesa judeus e gregos.

Experiência de liberdade que marcou seu caminho missionário, que o tornou ousado na escolha dos itinerários, que o tornou destemido, sem medo de ser abandonado, criticado, combatido, acusado, que o tornou capaz de amar profundamente seu povo de origem, até largá-lo e voltar-se para outro povo, a fim apontar e seguir os caminhos do Espírito.

Liberdade, palavra badalada em todos os tempos. Em nosso tempo, essa palavra se colore de direitos pessoais e cidadania. Valores que são faces da mesma moeda, mas, na cidade, frequentemente se tornam conflituosos. Quanto mais cresce a consciência da dignidade do ser humano e seus direitos, mais aumenta o valor de cada pessoa; proporcionalmente, parecem fortalecer-se as estruturas e os mecanismos que negam na prática os valores democráticos e os direitos que as lutas conquistaram.

A liberdade, a caridade, o poder-serviço questionam as estruturas do mal. Não podemos fugir do poder: o poder é, nós somos poder. Não há como escapar: viver é poder. A questão está ligada ao exercício do poder: com autoritarismo ou participação; concentrando ou partilhando; dominando ou servindo; impondo ou buscando consenso. O serviço é o jeito cristão de exercer o poder: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Ao falar de liberdade, de dignidade, de poder, estamos tocando o coração da pessoa humana; estamos tocando a convivência humana, convivência que hoje se expressa prioritariamente no mundo urbano.

Afirmar isso é provocar perguntas, questionamentos: Por que em nossas igrejas temos tanto medo de viver experiências de cidadania? Por que nossas igrejas falam tanto de democracia, mas têm medo das experiências de partilha de poder? Por que, em nossas igrejas, há competição pelo poder, e não pelo serviço? Assumir isso é assumir que a boa notícia do Reino tem dimensão política que nos compromete nas mudanças históricas. Aponta-nos o lugar social de onde o novo deve brotar. Indica aqueles que devem ser os protagonistas do processo.

A cidade, no processo migratório que expulsou a população do campo, tornou-se “terra prometida”. Terra que nunca foi ocupada, porque nela a maioria vive à margem, e não só geograficamente. Isso interroga e desafia. As CEBs conseguirão, através de sua fé e prática, tornar a cidade espaço habitável? Conseguirão criar espaços alternativos, “casa” para os que não têm casa? Conseguirão oferecer espaço de inclusão, direitos e cidadania? Conseguirão superar a tentação de fechamento e aceitar parcerias, conviver com o diferente e somar na rede que se articula em favor da vida?

Que é loucura? Que é escândalo?

A boa-nova de Jesus, inculturada pela experiência paulina nas cidades gregas, torna-se a boa-nova da cidadania, boa-nova da liberdade, da solidariedade, da igualdade, da inclusão. Mas, para seguir este caminho, temos de olhar a cruz.

Cruz é um discurso complicado: fala de opressão, escravidão, dominação. Cruz é realidade negativa. Então por que a cruz, realidade negativa, tornou-se boa notícia? O fundamento desta transformação revela-se na cruz de Cristo. Em Jesus de Nazaré, a cruz torna-se boa notícia.

As comunidades na periferia do mundo greco-romano acolhem os crucificados e as crucificadas pelas estruturas. Acolhendo, vão ensaiando relações novas, abrindo espaços alternativos em face do sistema da sinagoga e das cidades greco-romanas. Em face do sistema da sinagoga, porque não obedecem às “normas”, porque negam o controle da Lei, porque obedecem ao Espírito, e não à carne, porque fazem ruir os muros de separação. Em face do sistema greco-romano, porque fogem do clientelismo, da “casa” regida por pessoa de renome que desfrutava do poder de conferir aos de sua convivência maior brilho e prestígio. Fogem do “apadrinhamento”, baseado no dinheiro, que sustentava a dependência e a estratificação social.

A cruz revela o totalmente diferente: aponta o caminho que convida a assumir a vida como cruz a ser resgatada. Assumir a vida como cruz não significa passividade, resignação, e sim empenho para eliminar as cruzes criadas pelos sistemas globalizantes e excludentes. Jesus não garante fazer as coisas em nosso lugar; garante ficar conosco: Eu sou aquele que sou, Emanuel, Jesus, o Cristo.

O que Paulo conclui, ao olhar o Cristo crucificado?

a) “Os fracos no mundo” são a verdadeira força no mundo. Força real do mundo, pois, com seu trabalho, sustentam o mundo (1Cor 1,26ss).
b) “Sabedoria” é palavra na vida. Quem tem a autêntica sabedoria? Quem tem vida autêntica? Lá embaixo, nos porões da humanidade, há um pulular de vida. Então lá onde a vida é pisada, lá a palavra fala mais forte (1Cor 1,29s).
O que Paulo percebe, ao olhar para
as comunidades dos crucificados?
a) “Os povos podem unir-se”: caiu o muro de separação que apartava os judeus dos gentios; eles estão sentados ao redor da mesma mesa, partindo o mesmo pão, sonhando as mesmas utopias (Ef 2,14).
b) “As pessoas convivem”: a estratificação social é quebrada pelas relações novas entre homem e mulher, entre escravo e livre, entre judeu e grego (Gl 3,28). Quando os cristãos comem em mesas separadas, é um escândalo (1Cor 11,17ss; Gl 2,11-14).
c) “O poder se torna serviço, torna-se entrega”: a experiência da fraqueza elimina as atitudes de imposição e alimenta atitudes de entrega amorosa, de serviço no oferecimento da própria vida. O centro não é mais o eu, mas o irmão, a irmã (1Cor 2,1-5).
O que Paulo vislumbra, olhando para as comunidades que congregam os fracos da história?

“Espaço alternativo, experiência nova de dignidade humana.” Vislumbra que é na cruz que se revela a ressurreição. Os crucificados são a revelação mais forte de Deus, pois a comunidade, construindo-se a partir dos excluídos, fala do poder de vida, de ressurreição. Ao ensaiar novas relações, a comunidade pode afirmar: “A morte foi absorvida na vitória. Morte, onde está tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão? Graças se rendam a Deus, que nos dá vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Cor 15,54-56).

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Bibliografia

TAMEZ, Elza. Contra toda condenação: a justificação pela fé, partindo dos excluídos. São Paulo: Paulus, 1995.

Texto-Base do 14º Intereclesial – CEBs e os desafios do mundo urbano. Disponível em: .Acesso em: 10 jul. 2017.

Texto reflexão para Assembleia do CEBI. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2017.

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Tea Frigerio

Tea Frigerio é Missionária de Maria – Xaveriana. Vive em Belém do Pará, é assessora do CEBI e assessora nacional das CEBs. Mestre em Ciência da Religião pela Universidade Gregoriana, Roma; mestre em assessoria bíblica pela Universidade EST, São Leopoldo. 

Para refletir


“Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso compartilhar o seu desespero; para enxugar as lágrimas do rosto de quem sofre, é preciso unir o nosso pranto ao seu. Só assim podem as nossas palavras ser realmente capazes de dar um pouco de esperança”.

Papa Francisco

Oração


Senhor Jesus, ensina-me a ser teu discípulo, a procurar onde moras a permanecer aí Contigo. Os teus apóstolos mostram-me quão importante é estar Contigo, permanecer em Ti. Tu mesmo ensinas ao rezar: «Tu em Mim e Eu neles…» (cf. Jo 17). Essa é a tua habitação! Mas para habitar Contigo é preciso seguir-Te. Seguir-Te é já habitar Contigo, é o caminho para a habitação definitiva. Habitar Contigo na pobreza e na humildade, habitar Contigo na justiça, habitar Contigo na misericórdia… Senhor Jesus, quero habitar Contigo, permanecer em Ti, não só na oração, mas também em todas as outras actividades do meu dia. Quero permanecer em Ti onde quer que te encontres: na alegria ou no sofrimento, no trabalho ou na inactividade. Quero permanecer em ti em cada momento, porque em Ti encontro o amor, a alegria e a paz. Amém.

Fonte: Dehonianos

03 janeiro, 2018

14ºIntereclesial de CEBs: TUDO ESTÁ PREPARADO. VENHAM PARA A FESTA! Dom Geremias Steinmetz

14º Intereclesial de CEBs acontecerá entre os dias 23 a 27 de janeiro de 2018, terá aproximadamente 3300 participantes de todo o Brasil. Mais ou menos Cerca de 100 indígenas - duas delegações Internacionais.



O texto que segue é de Dom Geremias Steinmetz, publicado no site das CEBs do Brasil, 02/01/2018.

Segue texto:

“Que os desafios no mundo urbano não sejam motivos de desânimos, mas de unidade e luta por justiça e igualdade.” Dom Geremias Steinmetz

Já está muito perto o esperado 14º Intereclesial de CEBs. As reflexões sobre as “CEBs e os desafios no mundo urbano” vão tomando corpo pouco a pouco. O lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7) já ilumina a vida e a espiritualidade de milhares de pessoas que, esperamos, cresça ainda mais.

A Arquidiocese de Londrina espera a todos com alegria e satisfação. As comunidades , com suas famílias acolhedoras esperam ansiosamente a chegada de todos. As muitas Equipes de Trabalho se preparam há vários meses para que tudo aconteça dentro do previsto e da necessidade de tão majestoso encontro.  O Secretariado pensou em tudo com muito carinho. Está tudo preparado!

Quero, também eu, dar-lhes as boas- vindas. É uma enorme alegria acolher a todos e todas  aqui em Londrina, cidades e comunidades vizinhas. Desejo que a vossa preparação também seja intensa e que a realização do 14º Intereclesial consiga corresponder à enorme expectativa que foi criada ao redor dele.

Aqui as Santas Missões Populares com seus retiros, Semanas Missionárias, celebrações de abertura e encerramento, prepararam a todos para darmos o melhor. As muitas reuniões de planejamento se esforçaram por dar o justo tom a cada detalhe. Agora esperamos no silêncio e na torcida para que todos cheguem bem e felizes e se sintam “em casa” entre nós. No abraço que lhes daremos na chegada queremos lembrar o abraço que Deus continua dando em seu povo para animá-lo na luta. Aproveitamos para desejar um Feliz e Santo Natal e o ano de 2018 próspero com as mais reais esperanças.

Sejam todos bem vindos!
                                                                                             

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo Anfitrião do Intereclesial

29 dezembro, 2017


Oraçao


Senhor Jesus, a tua vida escondida, e confundida com a da gente comum, é para nós um exemplo de simplicidade e de pobreza. Como qualquer primogénito do teu povo, quiseste ser apresentado ao templo e oferecido a Deus, para cumprires a Lei. Fizeste-te reconhecer como Salvador universal por Simeão, um homem justo e aberto à novidade do Espírito. É aos simples e aos humildes que Te costumas revelar, e não aos sábios e orgulhosos.

Nós Te pedimos que, apesar da nossa miséria e da nossa incapacidade em nos darmos conta da passagem do teu Espírito na nossa vida, nos dês a graça de Te reconhecermos como nossa luz e como luz do mundo.

Nós Te louvamos e bendizemos, com o velho Simeão, pela realização das tuas promessas. Ajuda-nos a viver tudo quanto nos ensinaste, especialmente o amor fraterno. E que toda a nossa vida seja oblação ao Pai, em favor da humanidade, pela qual Tu próprio Te ofereceste. Amém.

Fonte: Dehonianos

Dom Helder, patrono brasileiro dos direitos humanos



Dom Helder, patrono brasileiro dos direitos humanos

Ícone da resistência contra a ditadura militar, falecido em 1999, Dom Helder foi um dos expoentes católicos daquela época na luta em benefício de melhores condições de vida para os mais pobres.

Cristiane Murray – Cidade do Vaticano

Dom Helder Câmara é Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos. A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, quarta-feira (27/12), o Projeto de Lei 7230/14 e o texto foi publicado no Diário Oficial da União. A matéria segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo.

Motivação

O patrono de determinada categoria ou ramo da ciência e do conhecimento é aquele cuja atuação serve de paradigma e inspiração a seus pares.

Ícone da resistência contra a ditadura militar enquanto arcebispo de Olinda e Recife, falecido em 1999, Dom Helder foi um dos expoentes católicos daquela época que lutou em benefício de melhores condições de vida para os mais pobres.  

Trajetória

Na  década de 50, fundou obras sociais como a Cruzada São Sebastião, cujo objetivo era atender aos moradores das favelas, e o Banco da Providência, que organizava doações e microcrédito para as famílias de baixa renda.

Dom Helder exerceu ainda funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação. Foi também um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e por sua trajetória, reconhecida internacionalmente, foi o único brasileiro cotado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

Em seus mais de 20 livros publicados – boa parte traduzida para outros idiomas –, Dom Helder defendeu ainda o seu ideal de “não-violência” e a necessidade de profundas reformas por um Brasil menos desigual. 

Pagou um alto preço por sua atuação em favor dos pobres 

O combate às violações de direitos humanos custou ao arcebispo uma perda pessoal: em 1969, o assessor de Dom Hélder, o Padre Henrique, foi preso e torturado até a morte pelos militares.

O local onde Dom Helder passou os últimos anos de vida, nos fundos da Igreja de Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras, no Recife, foi transformado em museu. No Memorial Dom Helder Câmara, estão expostos objetos como livros, quadros, roupas e móveis de uso pessoal do arcebispo. 

O processo de beatificação de Dom Helder começou em maio de 2015 e se encontra na fase diocesana, na qual uma série de documentos, escritos de sua autoria e apanhados históricos são analisados.  Em seguida, tramita para o Vaticano, onde será nomeado um relator. 

Fonte: Vatican News