25 julho, 2017

Sl 125


"Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria." Sl 125

24 julho, 2017

O silêncio das ruas do Brasil

Impopular, suspeito de corrupção e à frente de controversas reformas, Temer tem sido poupado em manifestações. Por quê?

por Deutsche Welle, publicado por Carta Capital em 24/07/2017 10h23, última modificação 24/07/2017 18h56

Um presidente extremamente impopular que tenta aprovar reformas rejeitadas pela maioria da população; escândalos de corrupção envolvendo diretamente o próprio ocupante do Planalto; economia que dá sinais apenas tímidos de recuperação; apoio parlamentar sendo largamente negociado com verbas e loteamento de cargos; pesquisas que apontam que a maioria da população deseja eleições diretas.

Diante de cenários com bem menos elementos, os ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff tiveram que enfrentar multidões que foram às ruas do Brasil para pedir suas cabeças.

Por que então Michel Temer, que foi gravado em uma conversa comprometedora com um empresário e amarga popularidade de apenas 7% (segundo último levantamento do Datafolha) não está sofrendo com grandes protestos tal como ocorreu com seus antecessores?

Temer enfrentou em seu governo algumas manifestações convocadas por centrais sindicais contra as reformas ou concentrações de apoio à Lava Jato. Mas todas as iniciativas tiveram adesão que ficou longe dos números registrados ao longo de 2015 e início de 2016.

Uma greve geral organizada no final de junho acabou sendo um evento esvaziado, mesmo após a apresentação da denúncia criminal contra o presidente. Mais de 2.500 policiais foram convocados para acompanhar manifestantes em Brasília, mas pouca gente apareceu.

O mesmo se repetiu nos dias do julgamento da chapa Dilma-Temer pela Justiça Eleitoral, no julgamento pelo Supremo sobre a permanência de Edson Fachin como relator da delação da JBS e após a divulgação do fim da força-tarefa da Polícia Federal em Curitiba que se encarregava dos casos da Lava Jato.

Fadiga?

O silêncio das ruas tem chamado a atenção da imprensa internacional. O jornal Süddeutsche Zeitung, da Alemanha, chegou a publicar em junho que é "surpreendente que não haja milhões nas ruas para exigir a saída de Temer.”

Sensação de "fadiga” e "apatia” foram algumas das palavras usadas por jornais estrangeiros para explicar a passividade das ruas diante dos escândalos e da insatisfação com o governo.

À DW Brasil, o brasilianista Peter Hakim, presidente emérito do Inter-American Dialogue, com sede em Washington, opina que "fadiga” não é a definição mais precisa para explicar o que está acontecendo.

"Não é que as pessoas não queiram protestar, mas elas estão sendo desencorajadas pela conjuntura”, afirma.

Segundo Hakim , muitos que protestaram contra Dilma desejam a saída de Temer, mas agora hesitam em sair porque isso pode beneficiar o PT e Lula – aqueles que foram originalmente alvo de protestos.

"A polarização da sociedade continua a desempenhar um papel que impede as pessoas de se unirem. Já o PT e parte da esquerda que convoca protestos transformam regularmente seus atos em um ‘volta, Lula', e não em um ‘Fora, Temer' ou algo que aponte para uma solução política eficaz que seja capaz atrair mais pessoas”, completa o brasilianista.

Ainda de acordo com Hakim, isso cria um efeito em que "muitas pessoas acabam ficando com a sensação de que a ação política não está resolvendo a situação”.

"Não há liderança, não há ninguém que seja capaz de apresentar uma direção ou novas ideias. As pesquisas mostram que a maioria das pessoas quer eleições diretas, mas fica claro elas também não sabem o que vai acontecer na sequência.

Nesse meio tempo, ninguém quer fazer algo que acabe beneficiando o outro lado.”

Agenda oculta

Entre os principais movimentos que pediram a saída de Dilma em 2015 e 2016, a mensagem adotada nas convocações dos protestos esvaziados deste ano tem, por enquanto, passado longe de um "Fora, Temer”, sendo substituída pela defesa da Lava Jato e repúdio às medidas de anistia para políticos envolvidos com corrupção.

Já o lado que defendeu Dilma tem mostrado oficialmente repúdio às reformas de Temer e pedido eleições diretas para presidente. Mas os eventos muitas vezes se transformam em palco para comícios do ex-presidente Lula, que não esconde o desejo de voltar ao poder.

Segundo o professor de gestão de políticas públicas Pablo Ortellado, da USP, a explicação para a falta de protestos mais incisivos pode ser explicada também pelo comprometimento e agenda de interesses das lideranças que têm a influência para fazer grandes mobilizações.

"Não acho que seja fadiga, não há uma pesquisa que não demonstre insatisfação. O que parece claro é que as lideranças que conquistaram legitimidade para mobilizar manifestações, seja na esquerda ou na direita, não estão se empenhando na organização de novos protestos”, diz.

Segundo Ortellado, essas lideranças de ambos os lados "estão altamente comprometidas com o sistema político, que naturalmente não está interessada em manifestações”.

"É preciso muito esforço para mobilizar, são poucos os grupos que conseguem fazer isso. Mas justamente esses atores têm feito pouco ou nenhum esforço. As lideranças dos grupos que pediram a saída de Dilma deixaram claro que defendem as reformas econômicas de Temer, então não querem que o presidente saia.”

"Já na esquerda petista e nos sindicatos ligados ao partido, a falta de empenho ficou nítida na última e esvaziada greve geral", continua o especialista.

"Esses grupos adotam um discurso oficial de ‘Fora, Temer', mas é possível especular que a manutenção do presidente interessa aos políticos aos quais eles são ligados. Quanto mais impopular Temer fica, mais Lula conquista a preferência do eleitorado. Então é interessante que eles deixem Temer sangrando até 2018. O presidente atual também está empenhando em fazer reformas similares àquelas que a própria Dilma propôs no final do seu governo. Dessa forma, também é conveniente deixar outro presidente enfrentar o desgaste de aprová-las.”

Histórico

Em maio, logo depois da divulgação da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, que acabou rendendo ao presidente uma denúncia por corrupção, os movimentos de direita Vem Pra Rua (VPR) e Movimento Brasil Livre (MBL) chegaram a convocar um ato em São Paulo contra o presidente. Mas esses movimentos que tanto se esforçaram para encher as ruas contra Dilma logo voltaram atrás e cancelaram a manifestação.

A justificativa foi que a PM não poderia garantir a segurança – a decisão contrastou com o ato que foi convocado em cima da hora em março de 2016 logo após a divulgação de um grampo de um diálogo entre o ex-presidente Lula e Dilma. Dias depois da divulgação do escândalo envolvendo Temer, o MBL recuou da sua posição de pedir a renúncia do presidente.

Oficialmente, até agora o VPR é o único que abraçou publicamente o "Fora, Temer”. O grupo chegou a anunciar um site com um mapa da intenção de voto de cada deputado em relação à denúncia criminal contra Temer.

Por outro lado, uma convocação para protestos, com o slogan genérico de "contra a impunidade”, só foi marcada para o distante 27 de agosto, quando se espera que a denúncia já tenha sido votada pela Câmara.

Na quinta-feira 20, centrais sindicais e o PT convocaram uma série de protestos pelo País. Apesar de as demandas incluírem um "Fora, Temer”, a pauta principal foi mesmo a exaltação do ex-presidente Lula, recentemente condenado pelo juiz Sérgio Moro.

Dia Nacional da Juventude - DNJ 2017


21 julho, 2017

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!

Às vezes ouço passar o vento; 
e só de ouvir o vento passar, 
vale a pena ter nascido.

Fernando Pessoa

Papa Francisco faz doação à FAO para ajudar países da África oriental

Para ajudar as populações da África oriental, o Papa Francisco doou simbolicamente 25 mil euros à FAO, Agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.


A intenção do Papa foi expressa na mensagem para a sessão inaugural da 40ª Conferência Geral da ONU. No texto lido na ocasião, Francisco escreve que gostaria de se unir com uma contribuição ao programa da FAO que fornece sementes às famílias rurais que vivem em áreas atingidas por conflitos e secas. Este gesto tem a intenção de encorajar os governos e se acrescenta ao trabalho que a Igreja leva avante “segundo a própria vocação de estar ao lado dos pobres da terra”.

A notícia da doação foi divulgada pela Agência da ONU e a define como um “gesto sem precedentes”. A FAO recorda que na África oriental pelo menos 22 milhões de pessoas não têm o suficiente para se alimentar.

Seis países em dificuldade

“Uma grave situação se registra no Sudão do Sul, onde ainda existem seis milhões de pessoas que todos os dias lutam para obter alimentos. Em outros cinco países – Somália, Etiópia, Quênia, Tanzânia e Uganda –, cerca de 16 milhões de moradores necessitam de assistência humanitária. Desde o fim de 2016, houve um incremente de cerca 30%.

Dia Mundial da Alimentação

O Papa Francisco visitará novamente a sede da FAO em 16 de outubro próximo, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que este ano tem por tema “Mudar o futuro da migração. Investir na segurança alimentar e no desenvolvimento rural”.


Fonte: Rádio Vaticano

20 julho, 2017

CNBB lança quarta edição da coleção “Pensando o Brasil”, texto é sobre educação

“São textos que desejam provocar o debate e a reflexão”



O texto ‘Pensando o Brasil: Educação’, quarto da série ‘Pensando o Brasil’ já está disponível no site da ‘Edições CNBB’. O documento, objeto de estudo aprofundado pelos mais de 300 bispos durante a 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorrida em Aparecida (SP), no mês de abril, aborda três aspectos da realidade educacional brasileira, entre eles, o cenário da educação no Brasil; os caminhos para a superação dos principais desafios e, por último, as pistas para a ação.

As reflexões apresentadas no texto buscam caminhos para uma melhoria na qualidade da educação no Brasil, condição fundamental para o desenvolvimento da nação. “Que este texto seja instrumento para provocar a discussão nas escolas e universidades, nas famílias e comunidades”, exorta o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner. Para ele, é preciso estimular o diálogo, a avaliação e a participação em um amplo debate nacional que trará ganhos não apenas para a educação, mas para a própria vivência da cidadania.

“A educação é a tarefa do cuidado com a nossa própria existência. Uma vez que somos seres inconclusivos, não nascemos prontos, acabados, precisamos nos organizar em sociedade para acolher o novo e construir condições para a continuidade da vida e a transformação da cultura e da sociedade. Para tanto, educar é estabelecer uma relação entre o que já existe ou o que é conhecido e o que ainda não se conhece (…)”, diz um trecho da apresentação da publicação. 

A coleção é uma contribuição da CNBB para a construção de um Brasil mais ético, justo e fraterno. “São textos que desejam provocar o debate e a reflexão”, afirma dom Leonardo Steiner. Em volumes anteriores, o “Pensando o Brasil” já abordou os “Desafios diante das eleições de 2014; “A desigualdade social no Brasil” e “Crises e Superações”. “É no diálogo que se pode chegar a um movimento benfazejo e transformador”, finaliza dom Leonardo.

A publicação pode ser adquirida pelo telefone: (61) 2193-3019, no site da Edições ou ainda pelo e-mail: vendas@edicoescnbb.com.br.

Fonte: site da CNBB

19 julho, 2017

Abrigo em Maringá recebe pessoas LGBT expulsas de casa

por Margot Jung, da AMLGBT
Uma realidade muito triste nos assombra atualmente. Ainda hoje, em pleno século XXI, muitas pessoas, ao assumirem sua orientação sexual ou identidade de gênero para a família, são expulsas de casa.

Pais e mães jogam filhos e filhas na rua, entregando-os à própria sorte e ao desamparo. Alguns, infelizmente, enveredam pelo mundo das drogas, do tráfico, da criminalidade ou da prostituição. Outras pessoas recorrem a algo ainda mais terrível que é o suicídio.

Mas para essas pessoas, colocadas à margem da sociedade pela própria família, existe em Maringá um lugar que as recebe com amor e oferece uma oportunidade de viverem com dignidade. Uma família formada por pessoas que se dedicam ao acolhimento sem receber nada em troca. Nada mesmo!

Não há recursos públicos que ajudem na manutenção da Casa. Ela sobrevive graças às pessoas da sociedade que, num belo exemplo de cidadania, doam dinheiro, alimentos, roupas e calçados, além de tempo e amor.

A Casa Missão Amor Gratuito tem vagas para pessoas LGBT que precisam de um lugar para morar. Se você precisa, procure a Casa. Se você não precisa, mas conhece alguém que sim, encaminhe.

Casa Missão Amor Gratuito
Rua das Rosas, 540
Telefones: (44) 9-9998-1304; (44) 9-9998-7486; (44) 9-9753-9270
Fonte: http://maringay.com.br/abrigo-em-maringa-recebe-pessoas-lgbt-expulsas-de-casa/
Publicado dia 18 Jul, 2017

Paz, Amor e Capoeira!

17 julho, 2017

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!


"A gente sempre deve sair à rua
como quem foge de casa,
como se estivessem abertos diante de nós
todos os caminhos do mundo...
Não importa que os compromissos,
as obrigações, estejam logo ali...
Chegamos de muito longe,
de alma aberta e o coração cantando!"


Mario Quintana

14 julho, 2017

Arquidiocese de Maringá envia representantes para o 14zinho das CEBs

Dessa vez não da para participar...
Minha mãe precisa de mim, sua saúde precisa de meus cuidados.

Um bom 14Zinho a todas e a todos.

Que o nosso Deus os abençoem, que bom , vocês vão representando as CEBs de nossa querida Arquidiocese de Maringá.

Francisco G Garcia
Celso Ninno
Diácono Hildo
Angelo Miguel Pagote

Violência no campo brasileiro em tempos de golpe


Por Marco Antonio Mitidiero Junior
INTRODUÇÃO

O golpe político/parlamentar/jurídico/midiático de 2016 violentou a jovem democracia brasileira. A opção eleitoral de milhões de brasileiros foi sumariamente descartada ao passo que setores da elite nacional e do capital internacional arquitetaram a tomada do poder pelo viés de um golpe parlamentar alicerçado nas duas casas legislativas:

Câmara e Senado. Deputados e senadores da legislatura 2014-2018, os quais formam o congresso mais conservador desde o golpe militar de 1964, sem temor e com retumbante tranquilidade, imputaram à presidente da República, Dilma Rousseff, um crime de responsabilidade que ela não cometeu, pelo menos na forma da acusação e de suas consequências. Como típico de um golpe, ele foi acompanhado da violência da mentira, da covardia, da difamação, do lobby, da corrupção, etc.; porém, a despeito das várias dimensões que o conceito de violência pode significar, o sentido mais concreto do conceito, que é a violência contra a vida, parece ter ganhado liberdade para acontecer, sobretudo no campo brasileiro diante da conjuntura de usurpação da democracia.

A violência nos conflitos do campo, materializadas em assassinatos, tentativas de assassinatos, ameaças, pistolagem, expulsões, despejos e destruição de bens de populações camponesas, índios e quilombolas, aumentaram no ano de 2016, segundo a publicação anual “Conflitos no Campo Brasil” a cargo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), sendo necessária a relação desses dados com a conjuntura política brasileira.

Durante a arquitetura do golpe político uma questão pairou para aqueles que estudam a chamada questão agrária brasileira: por que o agronegócio em geral, e em específico a Frente Parlamentar da Agropecuária (a famosa Bancada Ruralista), traiu o pacto com os governos do Partido dos Trabalhadores (PT)? O que levou um setor da economia e da política nacional que possuía nas mãos praticamente todo o poder institucional para gestão da agropecuária a trair o governo, o seu governo? Estes nunca tinham tido tanto recurso financeiro público à disposição [2] e, principalmente, há décadas não viviam um período de grandes vendas (exportações) e lucratividade do setor; o que os levaram a trair um governo que sustentou e permitiu tal realidade? Em poucas palavras, os ruralistas nunca tiveram conjugados em suas mãos tanto poder e dinheiro, então por que a traição? Traíram porque queriam mais! Não precisa ser um pesquisador astuto ou obstinadamente investigativo para descobrir que a velha oligarquia rural, travestida de moderno agronegócio, nunca aceitou as conquistas dos movimentos sociais organizados e muito menos “engoliu” uma série de pequenas concessões dos governos petistas aos homens e mulheres do campo. Atualmente, as terras das sociedades indígenas, as áreas quilombolas, os projetos de assentamento de reforma agrária e as áreas de proteção ambiental são o foco de ataques dos ruralistas nos âmbitos legislativo, executivo e diretamente nos espaços rurais, sendo que, por um lado, os ataques se dão no âmbito político-legislacional e, do outro, por meio de crimes contra a vida, geralmente por meio da execução de violência física contra os povos do campo.

A conjuntura política golpista, na qual a bancada ruralista foi partícipe importante, criou um sentimento de “tudo pode” a esse setor [4]. Esse sentimento vem se refletindo nos ataques e retrocessos aos direitos dos índios, quilombolas e camponeses sem terra, assentados, trabalhadores assalariados e aposentados rurais, bem como ampliou a possibilidade de impunidade diante de ações violentas contra esses sujeitos.

Ainda na esteira de tentar responder porque o agronegócio traiu o pacto com o .... continue lendo  AQUI



O golpe final!


O GOLPE FINAL

_Vladimir Safatle_

_É professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às sextas._

Aqueles que, nas últimas décadas, acreditaram que o caminho do Brasil em direção a transformações sociais passava necessariamente pelo gradualismo deveriam meditar profundamente nesta semana de julho.
Não foram poucos os que louvaram as virtudes de um reformismo fraco porém seguro que vimos desde o início deste século, capaz de paulatinamente avançar em conquistas sociais e melhoria das condições de vida dos mais vulneráveis, enquanto evitava maiores conflitos políticos graças a estratégias conciliatórias.
"Há de se respeitar a correlação de forças", era o que se dizia. Para alguns, isso parecia sabedoria de quem lia "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, antes de reuniões com José Sarney e a lama do PMDB. Eu pediria, então, que meditássemos a respeito do resultado final de tal sabedoria.
Pois o verdadeiro resultado dessa estratégia está evidente hoje. Nunca o Brasil viu tamanha regressão social e convite à espoliação do mundo do trabalho.
O salto de modernização que nos propõem hoje tem requintes de sadismo. Ou, que nome daríamos para a permissão de mulheres gestantes trabalharem em ambientes insalubres e de que trabalhadores "tenham o direito" de negociar seu horário de almoço?
Tudo isso foi feito ignorando solenemente o desejo explícito da ampla maioria da população. Ignorância impulsionada pelo papel nefasto que tiveram setores majoritários da imprensa ao dar visões completamente monolíticas e unilaterais das discussões envolvendo tal debate.
Mas isso podia ser feito porque não há mais atores políticos capazes de encarnar a insatisfação e a revolta. Hoje, o governo pode atirar contra a população nas ruas em dias de manifestação e sair impune porque não há ator político para incorporar rupturas efetivas. Eles se esgotaram nos escaninhos de tal modelo de gestão social brasileiro.
A reforma trabalhista apenas demonstra que o gradualismo pariu um monstro. Os mesmos que votaram para mandar a classe trabalhadora aos porões de fábricas inglesas do século 19 estavam lá nas últimas coalizões dos governos brasileiros, sendo ministros e negociadores parlamentares.
Ou seja, a política conciliatória os alimentou e os preservou, até que eles se sentissem fortes o suficiente para assumirem a cena principal do poder. "Mas era necessário preservar a governabilidade", era o que diziam. Sim, este é o verdadeiro resultado da "governabilidade" do ingovernável, da adaptação ao pior.
Como se fosse apenas um acaso, no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista o Brasil viu o artífice deste reformismo conciliatório, Luiz Inácio Lula da Silva, ser condenado a nove anos de prisão por corrupção. Esse era um roteiro já escrito de véspera.
De toda forma, há de se admirar mais um resultado desta política conciliatória –a adaptação ao modelo de corrupção funcional do sistema brasileiro e, consequentemente, a fragilização completa de figuras um dia associadas, por setores majoritários da população, a alguma forma de esperança de modernização social.
O Brasil agora se digladia entre os que se indignam com tal sentença e os que a aplaudem com lágrimas de emoção. Engraçado é ver outros políticos que também mereciam condenação pregarem agora moralidade.
No entanto, o problema é que só existirá essa sentença, nada mais. Este é o capítulo final. Da mesma forma que o capítulo final do julgamento do mensalão foi a prisão de José Dirceu. Perguntem o que aconteceu com o idealizador do mensalão, o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo.
Ou perguntem sobre o que acontecerá a outro presidente do mesmo partido, aquele senhor que foi pego em gravação telefônica dizendo que deveria procurar um interceptador para propina que pudesse ser assassinado.
Ou o ex-presidente FHC, citado nos mesmos escândalos que agora condenam Lula. Muitos reclamam da parcialidade da Justiça brasileira: há algo de comédia nessa reclamação.
Que esta semana seja um sinal claro de que uma forma de fazer política no Brasil se esgotou, seus fracassos são evidentes, suas fraquezas também. Continuar no mesmo lugar é apenas uma forma autoinduzida de suicídio.

A Importância da Comunicação para a Igreja e as CEBs

"O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa".



A Importância da Comunicação para a Igreja e as CEBs

"O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa".

Refletir sobre comunicação pode parecer fácil, mas não é. É bastante complexo. Para alguém que não é especialista no assunto, com o autor deste artigo, fica difícil. E se embutirmos na reflexão religiões, igrejas, e as nossas CEBs, complica um pouco mais. Mas por quê? Porque como a própria etimologia da palavra nos remete: tornar comum, repartir, dividir, fazer com que algo seja compartilhado por vários, só pode ser feito  de tal modo que chegue honestamente a quem pretendemos comunicar.

Assim, a dificuldade torna ainda mais importante pensarmos e agirmos no que diz respeito à comunicação. A Igreja, e no seu interior, as Comunidades Eclesiais de Base, estão diante de um grande desafio. Trata-se de levar à frente uma tarefa por demais importante, dentro do contexto de uma sociedade do espetáculo, como disse o francês Guy Debord. Em uma sociedade onde o objetivo da comunicação passa, predominantemente, por esconder informação, e não revelar, aqueles e aquelas que acreditam na transparência da verdade tem uma tarefa hercúlea.

Por isso, vamos pedir emprestadas três ideias que o Papa Francisco no deixou em três discursos para o dia mundial da comunicação, em 2017, 2016 e 2014 respectivamente.

A confiança na semente do Reino de Deus e na lógica da Páscoa não pode deixar de moldar também o nosso modo de comunicar (2017). Tudo que apresentamos aos outros precisa, de algum modo, espelhar o Projeto de Jesus de Nazaré. Nossa inteligência e criatividade são desafiadas, pois na maioria das vezes, por conta de uma possível técnica de comunicação pode espelhar outra coisa.

Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa (2016). Assim sendo, precisamos de uma profunda sensibilidade para com o/a outro/a. Comunicar é uma arte. Somente uma pessoa que cultiva sensibilidade com a diversidade humana e responsabilidade por saber que tantas pessoas poderão não acolher o que transmito como algo que respeita a sua humanidade, pode ser mediadora de uma mensagem.

Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola (2014). Trata-se da parábola do bom samaritano. Certamente nas CEBs não existe indução ao consumo, pelo menos assim esperamos, mas corremos o risco de cair nas garras da manipulação de pessoas. Hoje diante de um sistema de comunicação extremamente perverso, nosso cuidado deve ser redobrado.

Portanto, se comunicar qualquer mensagem é um ato sempre importante, para a Igreja e as CEBs representa uma grande responsabilidade. Precisamos nos tornar visível. Precisamos apresentar nossa mensagem para ser confrontada com tantas outras. Precisamos utilizar todos os instrumentos disponíveis para comunicar. Mas acima de tudo, precisamos fazer com que nossa mensagem chegue ao destinatário como aquela carta que, em outros tempos, era aguardada com profunda expectativa, pois poderia representar o contato com quem não podíamos abraçar a muito tempo. Que as CEBs possam sempre transmitir um abraço caloroso a todos e todas seja por whatsApp, seja por um sinal de fumaça.

Conta-se por aí que o costume de acender fogueira na véspera de São João vem de uma comunicação. Isabel, sentido as dores do parto, manda avisar a prima Maria que chegou a hora. Como? Na escuridão da palestina, uma fogueira em cada monte foi acessa, como sinal de que o priminho João estava a caminho. Assim seja.

Celso Pinto Carias
Assessor das CEBs do Brasil

12 julho, 2017

Aprovado Tratado antinuclear. Santa Sé: passo importante para a paz

As Nações Unidas adotaram formalmente um Tratado que proíbe o uso das armas nucleares, até então as únicas armas de destruição em massa sem um documento próprio que as proíba.



O Tratado foi aprovado por 122 países, mas as potências nucleares como os EUA e os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, ndr) não participaram da votação e definiram os objetivos ingênuos e inalcançáveis, sobretudo num momento em que a Coreia do Norte quer lançar mísseis nucleares contra outros territórios.

A propósito, a Rádio Vaticano entrevistou o secretário delegado do Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral, Dom Silvano Maria Tomasi. Eis o que disse:

Dom Tomasi:- “Esta votação muito importante é um passo por parte de alguns Estados, incluindo a Santa Sé, para se chegar a banir não somente o uso, mas também a posse das armas nucleares. Este caminho partiu de modo particular do encontro de Viena em novembro de 2014, quando com uma mensagem do Papa Francisco se insistiu que não é mais aceitável do ponto de vista racional fazer com que a segurança dependa da posse de armas nucleares; é verdadeiramente inaceitável adquirir e possuir armas nucleares ou dispositivos explosivos nucleares! E com esse Tratado não se pode mais fazê-lo.”

RV: O fato é que nove países e seus aliados da Otan – incluindo a Itália – não participaram, porém, da votação dessa comissão, e definiram esse Tratado como sendo “ingênuo”, inclusive à luz das ameaças nucleares que chegam neste momento da Coreia do Norte. Qual seu comentário a respeito?

Dom Tomasi:- “É claro que a decisão de votar um Tratado dessa natureza acaba sendo considerada pelos países que possuem bombas atômicas um gesto idealista. Mas se considerarmos que as armas químicas e as armas biológicas, as minas antipessoais, as bombas de fragmentação são todas armamentos que são expressamente proibidas pela Convenção internacional e não havia nada, quase um vulnus jurídico (ferida jurídica, ndr) no que tange às armas nucleares que são ainda mais destrutivas das que são proibidas por estas outras convenções internacionais, vemos que está sendo feito um caminho para se criar uma mentalidade que eventualmente leve à consciência de que a segurança de um país e de todos os países não está no ter a bomba atômica, mas que nenhum país a tenha.”

RV: Por que a Santa Sé e também os bispos europeus, os bispos estadunidenses são contrários ao princípio de dissuasão que até então sempre justificou a posse das armas nucleares? Por que esse princípio não é mais válido hoje?

Dom Tomasi:- “Durante a guerra fria, a dissuasão fora aceita como uma solução para estabelecer um equilíbrio que prevenisse o uso prático das armas atômicas. As circunstâncias mudaram: apesar do ‘Tratado de não-proliferação’ tivemos alguns países que acrescentaram a bomba atômica a seus arsenais, como o Paquistão, a Índia, Israel e agora a Coreia do Norte. Porém, devemos considerar que essa ameaça recíproca de morte não é o caminho que a família humana deve tomar; o caminho a ser tomado é o da colaboração e de buscar um diálogo permanente através de estruturas internacionais eficazes. A segurança é garantida pelo diálogo e não pela força.” (RL/FC)

Fonte: Rádio Vaticano

11 julho, 2017

Estudantes de agronomia da UFG pedem “menos amor e mais agrotóxico”

E ainda fazem camiseta com o pedido; pesticida mais consumido no mundo, glifosato é apontado por muitos pesquisadores como causa de câncer.

                                                                       Fonte: De Olho nos Ruralistas

A reportagem é de Alceu Luís Castilho e publicado por De Olho nos Ruralistas, 10-07-2017.

Eles estudam agronomia. E pedem: “Menos amor e mais glifosato, por favor”. Em referência ao pesticida mais consumido no mundo, comercializado pela Monsanto como Roundup. A foto com essa frase nas camisetas rodou as redes sociais após ter sido publicada no site da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Produção Agropecuária (Emater). É produzida pela associação atlética dos estudantes de agronomia da Universidade Federal de Goiás.

Também conhecido como mata-mato, o glifosato – ingrediente ativo do Roundup – “provavelmente” causa câncer, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Outras pesquisas realizadas dizem o contrário. Em junho, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, informou que listará o produto como causador de câncer. A EuropeanChemical Agency o liberou.

Sua utilização é criticada por organizações como o Greenpeace, WWF, Oxfam e Slow Food. Mais de 1,3 milhão de pessoas assinaram uma petição para seu banimento na União Europeia. A documentarista francesa Marie-Monique Robin, autora de filme sobre a Monsanto, define o glifosato como “maior escândalo sanitário da história“.

No Brasil, o uso do pesticida é criticado por pesquisadores como Wanderlei Pignati, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), e Raquel Rigotto, da Universidade Federal do Ceará (UFC). A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) também fazem alertas frequentes sobre esse e outros venenos.


Estudantes faturam com camiseta


Os estudantes brasileiros conseguiram emplacar a foto em uma notícia sobre o consumo de soja por humanos, publicada pela Emater (e reproduzida, com outra imagem, pelo site Agrolink), sobre o evento Agro Centro-Oeste Familiar 2017, realizado em Goiânia, em junho.

O link foi retirado do ar, mas o site Ambiente do Meio conseguiu registrar a imagem. Que ainda pode ser encontrada, também, no Twitter da própria Emater, em post do dia 12 de junho – conforme o De Olho nos Ruralistas constatou, um mês depois, nesta segunda-feira.

O Instagram da associação atlética dos estudantes da Escola de Agronomia da UFGdivulgou em março a camiseta “por menos amor e mais glifosato”. Apresentada naquele mês como uma novidade, ela é vendida por R$ 35. Diante da repercussão da foto, a Emater emitiu nota de esclarecimento dizendo que nem ela, nem a Universidade Federal de Goiás, nem a organização da Agro Centro-Oeste Familiar têm qualquer ligação com a produção “ou incentivo ao uso” da camiseta.

A agência diz respeitar o direito à liberdade de expressão, garantido pela Constituição, e que incentiva “toda e qualquer prática sustentável de produção agropecuária apoiada em procedimentos seguros e ambientalmente corretos, afiançados pela legislação vigente”.

Quando for jogar algo fora. Repense!


10 julho, 2017

Abertura das inscrições dos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu (Especialização) na modalidade de Educação a Distância.

Informamos que as inscrições para o processo seletivo de candidatos para ingresso nos Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu (Especialização), na modalidade de Educação a Distância, ocorrerão no período de 07 a 17 de julho de 2017Não existe cobrança de taxa de inscrição, bem como mensalidade, ou seja, o curso é inteiramente gratuito. Solicitamos aos interessados que acessem o site do NEAD (http://portal.nead.uem.br)

Música e Educação: Gêneros Musicais, História e Comportamento Humano


Carta Poema ao 14º Intereclesial das CEBs – 2018



Carta Poema ao 14º Intereclesial das CEBs – 2018

Por ocasião do 14º Intereclesial das CEBs que se aproxima, a Teóloga Wadma Salles fez um lindo poema para animar a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base em preparação para o Intereclesial, que será realizado em janeiro de 2018.

Segue o poema completo! 

No chão árido de uma vida moderna, tecnológica, mas acidamente injusta, que testemunhamos neste início do século XXI, temos o vislumbrar de uma Chuva agradável que desponta serenando no horizonte dos povos brasis para aliviar seus corpos ressequidos e fortalecer-lhes na esperança da luta por plena dignidade, alegria e gozo. Lá vem ela... Chuva dançante, colorida, restauradora, que ao som dos tambores, atabaques, vozes múltiplas e diversidades, nos encanta e seduz; lá vem ela, Chuva revigorante que chamamos carinhosamente de: Intereclesial das CEBs!

Nossos corações começam a bater em um ritmo mais acelerado por causa da sua chegada; fechamos os olhos e lembramo-nos dos encontros passados, dos cantos, dos brados de luta, da força em unidade, do sorriso em esperança e da certeza de ter feito a mais nobre opção: o bem comum, mas socorrendo primeiro os feridos, isolados e injustiçados. E assim o desejo do encontro só aumenta, a voz não quer quietar e, por isso, de dentro de nós vai saindo espontânea e fervorosa a frase da canção: “Lá vem o Trem das CEBs caminhando com seu povo...”.

Vem Trem das CEBs... vem cantando, vem bailando e vem passando por todo o Brasil, terra linda, fértil, vibrante e tristemente castigada, judiada, saqueada, por mentes egoístas, sentimentos gananciosos e mãos impiedosas. Vem Trem das CEBs, reúna e acolha em seus vagões as pessoas que emanam sabedoria e bondade, desperte nas demais o desejo de embarcar nesta viagem inspiradora, que terá como destino o 14º Intereclesial das CEBs. Queremos nos encontrar todos lá; festivos, fraternos, conscientes e desejosos de construir um projeto para um Novo Brasil, onde transborde o respeito à vida, às vidas, aos seres, às coisas, aos lugares, a tudo que é salutar.

Trem das CEBs, nos deixe todos na mesma estação, lá na querida Londrina, para que possamos juntas e juntos nos banhar em festa debaixo daquela anunciada Chuva refrescante que outrora despertara no horizonte e que nos embeberá de unidade e paz na ânsia de um novo e belo por vir. Porque irá chegar, “irá chegar um novo dia, um novo céu, uma nova terra e um novo mar”; e nós seremos a semente que se banhou naquela Chuva vívida, se firmou na terra fértil e que desabrochou em ideias e ações cotidianas para que surgisse uma humanidade onde o cuidado e o zelo pela vida emanam, sem aprisioná-la em padrões oportunistas e cruéis que fazem sangrar pessoas e povos.

Nos vemos lá, nesta grande Confraternização do Amor!

Wadna Salles
Teóloga, Especialista em Ciências da Religião, Pesquisadora e Escritora.

08 julho, 2017

Os migrantes são nossos irmãos e irmãs!

“Os migrantes são nossos irmãos e irmãs que buscam uma vida melhor longe da pobreza, da fome e da guerra”.

“A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!”

Papa Francisco

07 julho, 2017

Um sonho, quando é partilhado, torna-se utopia!


“Um sonho, quando é partilhado, torna-se utopia de um povo, a possibilidade de criar um novo modo de viver”, sublinha Francisco.

“É disto que tem necessidade este mundo tão ‘atomizado!'. Este mundo que tem medo do diferente, que a partir deste temor às vezes constrói muros que acabam por transformar em realidade o pesadelo pior, ou seja, viver como inimigos”.

Papa Francisco

Anciãos cada vez mais vulneráveis na sociedade!



Anciãos cada vez mais vulneráveis na sociedade!

"É preciso promover o respeito pela dignidade dos anciãos, que são uma fonte de riqueza para a sociedade."

Foi uma das prioridades indicadas pelo observador permanente da Santa Sé na Onu, em Nova Iorque, Dom Bernardito Auza, em pronunciamento no grupo de trabalho em andamento até esta-sexta-feira (07/07) cujas atividades centralizam-se na questão do envelhecimento da população mundial.

Detendo-se sobre o tema da contribuição das pessoas anciãs para o desenvolvimento social, o arcebispo filipino ressaltou que a atenção para com essas pessoas é cada vez mais crítica porque o número de anciãos cresce rapidamente.

Prioridade: direitos dos anciãos sejam tutelados

Responder às exigências dos anciãos e desenvolver medidas concretas para assegurar que seus direitos sejam tutelados e protegidos são prioridades urgentes, acrescentou o representante vaticano.

Em seguida, o núncio apostólico recordou a afirmação do Papa Francisco na audiência geral de 4 de março de 2015:

Respeitar fragilidade e dignidade do ancião

“Graças aos progressos da medicina a vida se alongou: mas a sociedade não se ‘alargou’ para a vida! O número de anciãos multiplicou-se, mas nossas sociedades não se organizaram suficientemente a fim de dar lugar para eles, com justo respeito e concreta consideração por sua fragilidade e sua dignidade” – disse o Pontífice naquela ocasião.

Os anciãos – disse Dom Auza – são mais vulneráveis sob vários aspectos, entre os quais aqueles que estão relacionados à pobreza, ao isolamento e à saúde. Também catástrofes naturais, conflitos armados e crises financeiras comportam efeitos ainda mais críticos porque o acesso aos serviços de emergência, para as pessoas anciãs, encontra maiores limites devido, por exemplo, à idade avançada e a uma reduzida mobilidade.

Políticas e comportamentos podem excluir idosos

O prelado observou ainda que os anciãos são muitas vezes excluídos da participação ativa na sociedade. Políticas e comportamentos podem colocar à margem pessoas que já estiveram no centro de nossas comunidades.

Na realidade – como disse o Santo Padre –, são “a reserva sapiencial de nosso povo”, prosseguiu Dom Auza citando mais uma vez o Pontífice:

Sociedade programada sobre a eficiência ignora anciãos

“Enquanto somos jovens, somos levados a ignorar a velhice, como se fosse uma doença da qual manter-se distante; depois, quando nos tornamos anciãos, especialmente se somos pobres, se somos doentes sozinhos, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficiência, que consequentemente ignora os anciãos” (Audiência geral de 4 de março de 2015).

Incluir anciãos nos processos de decisão

Por conseguinte, afirmou o representante vaticano, é um imperativo trabalhar para promover políticas e práticas que reforcem o envolvimento das pessoas anciãs na política e nos processos de decisão. É também necessário assegurar uma aposentadoria adequada e o acesso a uma formação permanente.

Os anciãos atingidos por doenças, por limites físicos e déficit cognitivos e aqueles que vivem numa situação de isolamento encontram-se numa fase de grande necessidade. É nessas circunstâncias que devemos demonstrar-lhes nosso amor e respeito, ressaltou por fim o arcebispo. (RL)

Fonte: Radio Vaticano