21 abril, 2017

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!
"Que os nossos esforços desafiem as impossibilidades. Lembrai-vos de que as grandes proezas da história foram conquistas daquilo que parecia impossível."
Charles Chaplin

Baleia Azul - Mensagem de dom Anuar Battisti

Oito Estados têm suicídios e mutilações sob suspeita de ligação com Baleia-Azul

No Brasil, 1 em cada 10 adolescentes de 11 a 17 anos acessa conteúdo na internet sobre formas de se ferir - e 1 em cada 20, de se suicidar, segundo o Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic). Depois de postar em sua página no Facebook a frase “a culpa é da baleia”, um adolescente de 17 anos tentou se jogar nesta quarta-feira, 19, do viaduto sobre a Rodovia Marechal Rondon, em Bauru, interior paulista. Trata-se de mais um caso que envolveria o jogo viral de internet Baleia-Azul, que incita a suicídio e mutilações e já causou alertas policiais e de saúde em oito Estados (SP, PR, MG, MT, PE, PB, RJ e SC).
A reportagem é publicada por O Estado de S. Paulo, 20-04-2017.
Pesquisa do Cetic que analisou 19 milhões de internautas brasileiros mostra o avanço das buscas desse público por mutilações (11%) e mortes (6%) no universo online. Os casos mais recentes envolvem o Baleia-Azul. O maior número de registros até agora é na Paraíba, onde a Polícia Militar diz ter identificado 20 adolescentes envolvidos no jogo. O coronel Arnaldo Sobrinho, coordenador do Escritório Brasileiro da Associação Internacional de Prevenção ao Crime Cibernético, relatou tentativas de suicídio e mutilação de adolescentes em João Pessoa e nas cidades de Campina Grande e Guarabira.
A origem e até a existência do suposto jogo, com 50 níveis de dificuldade, tendo o suicídio como resultado final, é polêmica. Seu nome deriva da espécie presente nos Oceanos AtlânticoPacíficoAntártico e Índico que chega a procurar as praias, por vontade própria, para morrer.
As primeiras informações, de 2015, relatavam um jogo de incentivo ao suicídio propagado pelo Vkontakte (VK), o Facebook russo. Posteriormente, entidades denunciaram o caso como “fake news” (notícia falsa), mas o viral não para de avançar. Participantes surgem em grupos fechados, selecionados de madrugada. Na sequência, o administrador, ou “curador”, lança desafios, que já provocaram problemas em diversos países, incluindo Espanha e França.

Polícia

O problema tem ganhado contornos reais e policiais. Em São Paulo, o caso de Bauru não é isolado. Na semana passada, um adolescente de 13 anos tentou se matar, em Jaú, cortando braços com lâmina de barbear. Uma irmã contou que o garoto andava depressivo e excluiu a família das redes sociais. A mãe conseguiu entrar no notebook do jovem apenas no dia seguinte e notou a associação com o Baleia-Azul.
E os casos se espalham pelo País. No Paraná, Priscila (nome fictício), de 25 anos, decidiu entrar no jogo para investigá-lo porque estava preocupada com a irmã, de 11 anos - e se assustou. “Não consegui chegar até o fim, são mensagens pesadas, que nos incitam a fazer mal para pessoas que amamos. É agressivo, intenso, mas precisei entrar para saber o perigo.”
Paraná registrou a entrada de oito adolescentes entre 13 e 17 anos (quatro meninos e quatro meninas), na madrugada desta quarta, nas unidades de saúde de Curitiba - cinco por tentativa de suicídio por medicamentos e três por automutilação.
O secretário estadual de Segurança, Wagner Mesquita, afirmou que um dos jovens relatou a participação no jogo.“Nossa investigação vai em busca dos responsáveis para enquadrá-los por incitação ao suicídio”, disse ele. O crime, previsto no artigo 122 do Código Penal, tem pena de 2 a 6 anos de reclusão. “Vamos trocar informações com outros Estados.”
Em Pernambuco, a Polícia Federal lançou um vídeo na internet e montou equipes na terça para ir a escolas fazer alertas. Em menos de uma semana, a polícia catarinense atendeu nove casos de mutilações, instigados pelo Baleia-Azul e lançará uma campanha de conscientização. Já a região nordeste de Mato Grosso está em alerta. Além de investigar a morte de Maria Oliveira de 16 anos, há 15 dias, a PM identificou uma suposta comunidade ligada ao jogo com cerca de 350 participantes.
Em Minas, a Polícia Civil investiga dois suicídios, o de um jovem de 19 anos, de Pará de Minas (região centro-oeste), e de um rapaz de 16 anos, de Belo Horizonte. No Rio, há dois casos de aliciamento do jogo sendo apurados pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

‘É preciso separar o joio, sem pânico’

Juliana Cunha, coordenadora da organização Safernet, diz que “não há evidência de que o jogo seja real e, muito menos, de que poderia ter causado os suicídios”. “É preciso separar o joio do trigo, sem criar pânico.”
Segundo ela, as pesquisas sobre o jogo por usuários brasileiros se intensificaram após uma reportagem de TV em 4 de abril. “A abordagem não contribui para informar, mas para ensinar as pessoas como jogar. Isso sem nem ao menos saber se ele realmente existe. Depois dessa reportagem, o termo 'Baleia-Azul' entrou para o Trend Topics (ranking de termos mais usados) do Brasil e está entre os mais procurados no Google e em grupos de Facebook.”
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Fonte: IHU

19 abril, 2017

Papa Francisco nomeia padre Bruno Elizeu Versari bispo coadjutor de Campo Mourão


O papa Francisco nomeou o padre Bruno Elizeu Versari, da Arquidiocese de Maringá, bispo coadjutor de Campo Mourão-PR. Padre Bruno Elizeu Versari é pároco da paróquia Santa Maria Gorretti em Maringá e diretor da rádio Colméia. A nomeação foi divulgada oficialmente pelo Vaticano na manhã desta quarta-feira (19). 

Veja aqui como foi a coletiva de imprensa 

Padre Bruno é o quarto padre da Arquidiocese de Maringá nomeado bispo. Os três anteriores foram: dom Vicente Costa (bispo de Jundiaí-SP), dom Edmar Peron (bispo de Paranaguá-PR) e dom Luiz Gonçalves Knupp (bispo de Três Lagoas-MS).

“Neste ano em que nossa arquidiocese completa 60 anos, a nomeação do monsenhor Bruno é um presente para todos nós”, comenta o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti.

A missa de ordenação episcopal será dia 25 de junho de 2017 às 17h na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória em Maringá. Já a apresentação de dom Bruno Elizeu Versari em Campo Mourão ainda não está agendada.

Coadjutor
Bispo coadjutor é o bispo assistente (auxiliar) de um bispo diocesano, com direito a sucessão. Padre Bruno irá auxiliar dom Javier Delvalle Paredes, atual bispo da diocese de Campo Mourão.
A nomeação dos bispos é realizada após um processo determinado de seleção que varia segundo as regiões e os diversos ritos católicos, mas a aprovação final em todos os casos está sob a decisão do Santo Padre.

Biografia
Padre Bruno nasceu em 30 de maio de 1959 na cidade de Cândido Mota-SP. Filho de Ricardo Ângelo Versari e Maria de Lourdes Fiorotto Versari (in memoriam).

Possui graduação em Filosofia e História pela PUCPR de Curitiba; Teologia pelo Instituto Paulo VI em Londrina PR; Especialização em Educação Especial pela ASSINTEC em Curitiba; Pós graduação em Teologia Bíblica pela PUCPR Maringá e pós graduação em Teologia Bíblica – Novo Testamento pela PUCPR Maringá.

Foi ordenado padre dia 03 de janeiro de 1988 pelo primeiro arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho. Trabalhou nas paróquias Nossa Senhora do Rosário em Floresta-PR, Santa Isabel de Portugal em Maringá e, por duas vezes, na paróquia Santa Maria Goretti, também em Maringá. 

Colaborou com a formação no Seminário de Filosofia Nossa Senhora da Glória de Maringá entre 1988 a 1990. Ocupou o cargo de Ecônomo da Arquidiocese de Maringá de 2001 a 2009 e foi membro do Colégio de Consultores e do Conselho de Presbíteros de 2000 a 2009.

Em 2011 foi designado Vigário Geral da Arquidiocese de Maringá; cargo que ficou à frente até a abril de 2015. Em abril de 2015 foi eleito diretor da rádio Colméia, emissora ligada à Arquidiocese de Maringá.

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

Conflitos no campo 2016

Violência: os recordes de 2016

Em 2016 foram registrados 61 assassinatos em conflitos no campo. Isso equivale a uma média de cinco assassinatos por mês. Destes 61 assassinatos, 13 foram de indígenas, 4 de quilombolas, 6 de mulheres, 16 foram de jovens de 15 a 29 anos, sendo 1 adolescente. Nos últimos 25 anos o número de assassinatos só foi maior em 2003 quando foram registrados 73 assassinatos.
O relatório é publicado pela Comissão Pastoral da Terra, 17-04-2017, ou seja, no dia que rememora o Massacre de Eldorado do Carajás, PA.
De 2015 para 2016, todas as formas de violência apresentaram crescimento:

O número de pessoas presas em conflitos no campo em 2016 teve um aumento de 185%. Do total de prisões, 228, 184 foram na região Norte, mais de 80% do total. 88 somente em Rondônia (39%). O estado que mais assassinou (21 dos 61 assassinatos) também foi o que mais prendeu.
Amazônia Legal, que compreende toda a região Norte mais partes do Maranhão e Mato Grosso, concentrou, em 2016, 79% dos “assassinatos”: 48 dos 61 registrados; 68% das “tentativas de assassinato”, 50 das 74; 391 das 571 “agressões físicas”, e 171 das 200 “ameaças de morte”, 86%. 192 das 228 pessoas presas. O estado de Rondônia, além de concentrar o maior número de assassinatos e de presos, foi o segundo estado com o maior número de agredidos (141 de um total de 571), o segundo estado com mais ameaças de morte (40 de 200) e, junto com o Mato Grosso do Sul, foi o terceiro estado com mais tentativas de assassinato (10).

Quatro sombras históricas, base da violência

Leonardo Boff constata que “somos herdeiros de quatro sombras que pesam sobre nós e que originaram e originam a violência”. São: o nosso passado colonial violento, o genocídio indígena, a escravidão, “a mais nefasta de todas”, e a Lei de Terras que excluiu os pobres e afrodescendentes do acesso à terra, e os entregou “ao arbítrio do grande latifúndio, submetidos a trabalhos sem garantias sociais”.

Lutar não é crime!

2016 se caracterizou por ter sido o ano em que a criminalização dos movimentos do campo chegou a patamares assustadores. Em Goiás, no município de Santa Helena, a ocupação de parte da Usina Santa Helena, por 1.500 famílias ligadas ao MST, desembocou num processo em que pela primeira vez o movimento foi enquadrado na Lei nº 12.850/2013, que tipifica as organizações criminosas. Foi expedido mandado de prisão contra três integrantes do acampamento Padre Josimo, que era como se chamava a ocupação, e contra um coordenador regional e da direção nacional do MSTJosé Valdir Misnerovicz. Foram presos: um trabalhador, Luiz Batista Borges, ao atender convocação para se apresentar para prestar esclarecimentos, e o dirigente nacional, Valdir, por ser liderança, pelo “domínio do fato”. Outros dois se evadiram. Os pedidos de Habeas Corpus, com excelente fundamentação jurídica, foram sistematicamente negados, pelo Tribunal de Justiça do Estado. O STJ também denegou o pedido aos trabalhadores, mas o concedeu a Valdir, fazendo constar que a associação para luta por reforma agrária não configura organização criminosa. Na semana passada, 10 de abril, o ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o pedido de Habeas Corpus impetrado em favor dos trabalhadores retirou da acusação o crime de organização criminosa. Lamentavelmente, porém, isso não significa ainda que Luiz Borges, que completou no dia 14 passado um ano de detenção, seja posto em liberdade.
Em novembro de 2016, foi deflagrada, no Paraná, a “Operação Castra” contra lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduino e Herdeiros da Luta pela Terra, do MST. A operação aconteceu em municípios do ParanáSão Paulo e Mato Grosso do Sul simultaneamente. Nesta ação, policiais invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), sem portarem mandado judicial. Entraram atirando em direção às pessoas que se encontravam na escola. Pela representativade da escola e pelo simbolismo da atitude ilegal da polícia em invadi-la, a CPT escolheu a imagem deste fato para ilustrar a capa da publicação Conflitos no Campo Brasil 2016, bem como para retratar a que ponto chegou a criminalização da luta social que hoje vivemos no nosso país.
Confira os releases analíticos e tabelas comparativas:

Leia mais


Fonte: IHU

18 abril, 2017

Um ano de golpe


O que se constata é que Dilma sai maior desta refrega

Não há como não lembrar. E devemos lembrar. Amanhã, 17 de abril, faz um ano que um conjunto bizarro de homens que pareciam prontos para o “parabéns” de uma festa de aniversário de criança, conduzidos por outro que hoje mofa na cadeia, com a perspectiva de sair de lá apenas daqui a 15 anos, tirou do poder uma mulher íntegra, eleita por 54 milhões de brasileiros, porque ela não topou a chantagem que ele, o presidente da casa, Eduardo Cunha, lhe impingia.
Naquele dia, o Brasil descortinava para o mundo os deputados que compunham o nosso Congresso. O espetáculo nos fez queimar as bochechas de constrangimento. Agora sim, entendemos que grande parte deles – com atitudes de baixinhos da Xuxa, mandando beijos para o papai, para mamãe e para os filhinhos -, foi adquirida no catálogo de ofertas da Odebrecht. Alguns mais caros, outros, mais em conta.
De certo modo, dá alívio saber que não fizemos sozinhos escolhas tão toscas. Que tal como numa liquidação de um grande magazine, eles nos foram empurrados a preço de ocasião. O que nos cala fundo, no entanto, é constatar o quanto eles estavam aquém da mulher que estava sendo destituída do seu mandato.
De tudo o que tem sido remexido e exposto, a conclusão mais contundente que se tira é a de que a ex-presidente Dilma Rousseff vai alargando a sua biografia. Não, Dilma não cedeu às birras de Marcelo Odebrecht. Não, Dilma não passou a mão na cabeça do Gato Angorá, enquanto ele tramitava suas negociações escusas. Não, Dilma não acatou as ordens do barão do concreto. Dilma fez valer os votos que o Mineirinho exigiu que fossem recontados. Ele perdeu. Nas urnas, no pleito, e em seu estado, onde costuma ir a passeio. Ganhou apenas no número de inquéritos abertos contra si, tal os desmandos cometidos na certeza da impunidade. Dilma cresceu. O país encolheu. Quanto a nós, seguimos atônitos esse circo de horrores.
Fonte: Por Denise Assis, colunista do Cafezinho.


17 abril, 2017

Dezenas de artistas gravam música por demarcação de terras indígenas


A canção “Demarcação Já”, que critica governo e ruralistas em prol da demarcação de terras indígenas, será lançada durante a Mobilização Nacional Indígena, no final do mês de abril. Participaram da gravação dezenas de nomes de destaque da música popular brasileira.
Uma canção em prol da demarcação de terras indígenas será lançada entre os próximos dias 24 e 28 de abril, quando está prevista para acontecer a Mobilização Nacional Indígena. Composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César, a canção “Demarcação Já” foi gravada por dezenas de artistas com destaque na cena musical brasileira.
Participaram da gravação, além de Chico César, Arnaldo Antunes, Criolo, Céu, Djuena Tikuna, Dona Odete, Elza Soares, Gilberto Gil, Felipe Cordeiro, Letícia Sabatella, Gilberto Gil, Lenine, Lirinha, Margareth Menezes, Maria Bethânia, Nado Reis, Ney Matogrosso, Russo Passapusso, Tetê Espíndola, Zeca Baleiro, Zeca Pagodinho, Zé Celso (Teatro Oficina) e Zélia Duncan.
A composição da música é uma iniciativa do GreenpeaceInstituto Socioambiental, Bem-te-vi em parceria com as produtoras Cinedelia e O2.
A letra da canção foi antecipada pela Folha de S. Paulo.
Confira a letra da música.
Já que depois de mais de cinco séculos
E de ene ciclos de etnogenocídio,
O índio vive, em meio a mil flagelos,
Já tendo sido morto e renascido,

Tal como o povo kadiwéu e o panará
– Demarcação já!
Demarcação já!

Já que diversos povos vêm sendo atacados,
Sem vir a ver a terra demarcada,
A começar pela primeira no Brasil
Que o branco invadiu já na chegada:
A do tupinambá –

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, tal qual as obras da Transamazônica,
Quando os milicos os chamavam de silvícolas,
Hoje um projeto de outras obras faraônicas,
Correndo junto da expansão agrícola,
Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá,

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que tem bem mais latifúndio em desmesura
Que terra indígena pelo país afora;
E já que o latifúndio é só monocultura,
Mas a T.I. é polifauna e pluriflora,

Ah!,
Demarcação já!
Demarcação já!

E um tratoriza, motosserra, transgeniza,
E o outro endeusa e diviniza a natureza:
O índio a ama por sagrada que ela é,
E o ruralista, pela grana que ela dá;

Hum… Bah!
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que por retrospecto só o autóc
Tone mantém compacta e muito intacta,
E não impacta, e não infecta, e se
Conecta e tem um pacto com a mata

–Sem a qual a água acabará –,
Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que não deixem nem terras indígenas
Nem unidades de conservação
Abertas como chagas cancerígenas
Pelos efeitos da mineração

E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará…
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que “tal qual o negro e o homossexual,
O índio é ‘tudo que não presta’”, como quer
Quem quer tomar-­lhe tudo que lhe resta,
Seu território, herança do ancestral,

E já que o que ele quer é o que é dele já,
Demarcação, “tá”?
Demarcação já!

Pro índio ter a aplicação do Estatuto
Que linde o seu rincão qual um reduto,
E blinde-­o contra o branco mau e bruto
Que lhe roubou aquilo que era seu,

Tal como aconteceu, do pampa ao Amapá,
Demarcação lá!
Demarcação já!

Já que é assim que certos brancos agem:
Chamando-­os de selvagens, se reagem,
E de não índios, se nem fingem reação
À violência e à violação

De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá;
Demarcação já!
Demarcação já!

Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, “voadeira”,
Que nem por isso deixa de ser índio
Nem de querer e ter na sua aldeia
Cuia, canoa, cocar, arco, maracá.

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que o indígena não seja um indigente,
Um alcoólatra, um escravo ou exilado,
Ou acampado à beira duma estrada,
Ou confinado e no final um suicida,
Já velho ou jovem ou – pior – piá.

Demarcação já!
Demarcação já!

Por nós não vermos como natural
A sua morte sociocultural;
Em outros termos, por nos condoermos –
E termos como belo e absoluto

Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná.
Demarcação já!
Demarcação já!

Pois guaranis e makuxis e pataxós
Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós;
É quem dentro de nós a gente traz, aliás,
De kaiapós e kaiowás somos xarás,

Xará.
Demarcação já!
Demarcação já!

Pra não perdermos com quem aprender
A comover-­nos ao olhar e ver
As árvores, os pássaros e rios,
A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara
E a flor de maracujá,

Demarcação já!
Demarcação já!

Pelo respeito e pelo direito
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria,
De cada espécie da comunidade
De seres vivos que na Terra ainda há,

Demarcação já!
Demarcação já!

Por um mundo melhor ou, pelo menos,
Algum mundo por vir; por um futuro
Melhor ou, oxalá, algum futuro;
Por eles e por nós, por todo mundo,

Que nessa barca junto todo mundo “tá”,
Demarcação já!
Demarcação já!

Já que depois que o enxame de Ibirapueras
E de Maracanãs de mata for pro chão,
Os yanomami morrerão deveras,
Mas seus xamãs seu povo vingarão,
E sobre a humanidade o céu cairá,

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, por isso, o plano do krenak encerra
Cantar, dançar, pra suspender o céu;
E indígena sem terra é todos sem a Terra,
É toda a civilização ao léu

Ao deus­-dará.
Demarcação já!
Demarcação já!

Sem mais embromação na mesa do Palácio,
Nem mais embaço na gaveta da Justiça,
Nem mais demora nem delonga no processo,
Nem retrocesso nem pendenga no Congresso,
Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que nas terras finalmente demarcadas,
Ou autodemarcadas pelos índios,
Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros,
Mandantes nem capangas nem jagunços,
Milícias nem polícias os afrontem.

Vrá!
Demarcação ontem!
Demarcação já!

E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá.
Fonte: Revista Fórum, 11/04/2017.

Oração

Senhor Jesus, dá-me um coração aberto à tua luz e disponível para a missão. Não falta neste mundo quem procure esconder a verdade, fechar-se à tua luz, refugiar-se em conspirações para defender os seus interesses, afastando-se cada vez mais da simplicidade da verdade e juntando confusão à confusão. Mas só quem se abre à verdade está em paz e pode avançar com simplicidade.
Senhor Jesus, creio na tua ressurreição gloriosa. Faz crescer em mim um
coração de apóstolo. Dá-me uma alma vibrante e generosa, combativa e acolhedora, uma alma que me leve a dar testemunho de Ti em todas as ocasiões, porque só Tu tens Palavras de vida e porque, só na realização do teu Reino, encontrarei a paz.
Interceda por mim a tua Mãe, a Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. Amém.

Fonte: dehonianos

15 abril, 2017

Feliz Páscoa

A vocês queridas e queridos visitante do blog
A vida já se renova, na alegria da ressurreição.
Páscoa, vida que vence a morte. Dia de festa e alegria, festa da ressurreição, de quem acredita e luta pela vida, por um projeto de justiça e fraternidade. Com a Páscoa, temos a certeza da vitória, dos que lutam por trabalho, terra, moradia, democracia, cidadania, ... A cada conquista, o sinal da libertação. Na Páscoa, renasce a esperança, maior é a certeza de que o nosso Deus caminha conosco e que como Cristo, também nós ressuscitamos. Páscoa, é a certeza de que a injustiça e o egoísmo, a inveja, a violência e o ódio NÃO TERÃO a última palavra ou ação sobre a vida.  
Feliz Páscoa!

14 abril, 2017

Uma Abençoada sexta-feira santa a todas e a todos!!

Uma Abençoada sexta-feira santa a todas e a todos!!

Hoje trazemos presente aquele dia em que Jesus morreu. Quis vencer com sua própria dor o mal da humanidade. O dia da ausência, da dor, de esperança. O próprio Cristo, esta calado. Ele é verbo, a Palavra esta calada. Tudo esta consumado.

O anúncio do amor de um Deus que desce conosco até o abismo de que não tem sentido, do pecado e da morte.

Do absurdo grito de Jesus em seu abandono e em sua confiança Extrema, “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”.

Mas esse silêncio não é silêncio, é a plenitude da palavra, resplandece o mistério da cruz.

É que “o Pai entregou o seu filho para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jô 3,16).

13 abril, 2017

Conflitos no Campo: CPT lançará o relatório sobre 2016


Assassinatos em conflitos no campo batem novo recorde em 2016
O relatório de 2016 destaca o maior número de assassinatos em conflitos no campo dos últimos 13 anos, 61 assassinatos – 11 a mais que no ano anterior, quando foram registrados 50 assassinatos. 48 destes assassinatos ocorreram na Amazônia Legal. Além do aumento no número de assassinatos, houve aumento em outras violências. Ameaças de morte subiram 86% e tentativas de assassinato 68%.
Os dados mostram 2016 como um dos anos mais violentos do período em que a CPT faz o registro desde 1985.
Assassinatos e julgamentos: os números da impunidade
Segundo os dados do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino da CPT, entre 1985 e 2016 foram 1.387 casos com 1.834 pessoas assassinadas em conflitos no campo. Deste total, apenas 112 casos foram julgados, e houve a condenação de apenas 31 mandantes destes assassinatos. 
No dia 17 de abril, próxima segunda-feira, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançará sua publicação anual, Conflitos no Campo Brasil 2016. É a 32ª edição do relatório que reúne dados sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, neles inclusos indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais.
Fonte dos dados: site CPT

12 abril, 2017

Aborto: nova nota de condenação da CNBB

"O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro", afirmam os bispos.
Na tarde desta terça-feira, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu Nota Oficial "Pela vida, contra o aborto". Os bispos reafirmam posição firme e clara da Igreja "em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural" e, desse modo lembra condenam "todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil". 
"O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu", sublinham os bispos.
Os bispos ainda lembram que "o respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto".  E afirmam: "A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade". 
Atitudes antidemocráticas
Na Nota, os bispos afirmam: "Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar". 
A CNBB pede: "O Projeto de Lei 478/2007 - “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado". E conclama: as "comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana".

Leia a Nota:
  CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL 
Presidência


NOTA DA CNBB
PELA VIDA, CONTRA O ABORTO

“Não matarás, mediante o aborto, o fruto do seu seio”
(Didaquê, século I)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através da sua Presidência, reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural . Condena, assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil. 
O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início . Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso.
A defesa incondicional da vida, fundamentada na razão e na natureza da pessoa humana, encontra o seu sentido mais profundo e a sua comprovação à luz da fé. A tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana. A sapiência  e o arcabouço moral  do Povo Eleito, com relação à vida, encontram sua plenitude em Jesus Cristo . As primeiras comunidades cristãs e a Tradição da Igreja consolidaram esses valores . O Concílio Vaticano II assim sintetiza a postura cristã, transmitida pela Igreja, ao longo dos séculos, e proclamada ao nosso tempo: “A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis” .
O respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto. O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro. A ninguém pode ser dado o direito de eliminar outra pessoa. A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade. O Papa Francisco afirma que “as mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer” .
Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar. 
O direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo. O Projeto de Lei 478/2007 - “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado. 
Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto” . São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto. 
É um grave equívoco pretender resolver problemas, como o das precárias condições sanitárias, através da descriminalização do aborto. Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. Espera-se do Estado maior investimento e atuação eficaz no cuidado das gestantes e das crianças. É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos. 
Conclamamos nossas comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana.
Neste Ano Mariano Nacional, confiamos a Maria, Mãe de Jesus, o povo brasileiro, pedindo as bênçãos de Deus para as nossas famílias, especialmente para as mães e os nascituros.  

Brasília-DF, 11 de abril de 2017.

 Cardeal Sergio da Rocha
 Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

             Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ   
 Arcebispo de São Salvador
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo U. Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

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Fonte: CNBB