13 dezembro, 2017

Concurso de Criação da "Bandeira e do Logomarca" das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs da Arquidiocese de Maringá

As CEBs da Arquidiocese de Maringá, através da sua assessoria e coordenação, torna pública a abertura das inscrições e estabelece o regulamento para a criação e a escolha da  "Bandeira e do Logomarca" das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs da Arquidiocese de Maringá.



Concurso

Concurso de Criação da "Bandeira e do Logomarca" das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs da Arquidiocese de Maringá.

As CEBs da Arquidiocese de Maringá, através da sua assessoria e coordenação, torna pública a abertura das inscrições e estabelece o regulamento para a criação e a escolha da  "Bandeira e do Logomarca" das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs da Arquidiocese de Maringá.

A participação dos interessados será regida pelas normas estabelecidas a seguir:

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R E G U L A M E N T O

BANDEIRA DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE - CEBs

Regulamento para realização do Concurso de Criação da Bandeira das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs da Arquidiocese de Maringá.
 
1. OBJETIVO

1.1. O presente concurso tem por objetivo criar a bandeira da Arquidiocese de Maringá para as CEBs, sendo aberto à participação de todo o povo de Deus da Arquidiocese de Maringá.

2. CRITÉRIOS DE PARTICIPAÇÃO

2.1. Os pré-requisitos para concorrer ao concurso são:
2.1.1. A bandeira deverá expressar a mística das CEBs no logomarca a ser criado para a bandeira;
2.1.2. No logomarca a ser criado para a bandeira, deve conter a sigla CEBs.

2.2. A bandeira deverá conter por escrito:
2.2.1. Arquidiocese de Maringá
2.2.2. Comunidades Eclesiais de Base

2.3. A bandeira deverá ser elaborada em folha sulfite A4 (210 x 297 mm), em posição de "paisagem", conforme formato padrão disponibilizado para download;

2.4. A localização e o tamanho do logomarca é livre;

3. DAS INSCRIÇÕES

3.1. A inscrição para o concurso ocorrerá mediante da entrega da bandeira via e-mail;

3.2. A inscrição no concurso importa em autorização do autor ou dos autores ou de seu responsável para que à Arquidiocese de Maringá e as Comunidades Eclesiais de Base utilize das imagens dos autores em propagandas, publicações, materiais, eventos, etc.

4. DA AUTORIA:

4.1. Poderá ser individual ou em grupo

4.2. Se a produção da bandeira envolver o uso de imagens ou criação de outra pessoa, será necessário que a utilização esteja devidamente autorizada pelas autoras e/ou autores e, no caso de imagens de pessoas (fotografia), que estas tenham autorizado a sua veiculação.

5. DO PRAZO:

5.1. O prazo para o envio de propostas é 20 de fevereiro de 2018.

6.  DESTINÁTARIO E ENDEREÇO DE ENVIO:

6.1. Lucimar Moreira Bueno (Lucia)

6.2. Com cópia para padre Genivaldo Ubinge

7. DA PREMIAÇÃO

7.1. Haverá premiação ao ganhador do concurso com a bandeira das CEBs;
7.1.1. Havendo a junção de idéias para a construção da bandeira por parte da Comissão Julgadora, não haverá premiação.

8. DA COMISSÃO JULGADORA E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

8.1. As bandeiras serão analisadas pela assessoria e coordenação arquidiocesana das CEBs.

8.2. A comissão analisará os trabalhos e dará notas de 01 a 10.

8.3. No caso das bandeiras não representarem na sua totalidade a idéia adequada a proposta, poderá haver junção de várias bandeiras para a construção da bandeira, sendo uma decisão em conjunto da comissão julgadora;

8.4. No caso de haver junção de idéias para a construção da bandeira, não haverá premiação;

8.5.  Serão critérios para a avaliação: a criatividade; a originalidade (desvinculação de outras bandeiras existentes); a comunicação (transmissão das ideias e da mística das CEBs); e a aplicabilidade (seja em cores, em preto e branco, em várias dimensões, sobre diferentes fundos, etc.)

8.6. A decisão da comissão Julgadora será soberana e de caráter irrevogável, não cabendo qualquer recurso por parte dos participantes.

9. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

9.1. O autor ou os atores da bandeira vencedora ou os autores havendo a junção de idéias para a construção da bandeira, através de seus responsáveis, cederá todos os direitos autorais, por prazo indeterminado, não implicando em quaisquer ônus à Arquidiocese de Maringá e as Comunidades Eclesiais de base, que poderá realizar adaptações que julgar necessária.

9.2.  A bandeira terá de vir acompanhado de:
a) Nome e endereço das(os) autor(as/es);
b) Texto explicando a inspiração para o material encaminhado;
c) Declaração cedendo os direitos autorais em benefício a Arquidiocese de Maringá e as Comunidades Eclesiais de Base;
d) Autorização para que a assessoria e coordenação arquidiocesana das CEBs possa realizar eventuais alterações / ajustes na peça.

9.3. O autor ou os atores da bandeira vencedora ou os autores havendo a junção de idéias para a construção da bandeira, através de seus responsáveis, cederá o logomarca criado para a bandeira para que seja usado como logomarca das CEBs da Arquidiocese de Maringá e cederão todos os direitos autorais, por prazo indeterminado, não implicando em quaisquer ônus à Arquidiocese de Maringá e as Comunidades Eclesiais de base, que poderá realizar adaptações que julgar necessária.

9.4.  A divulgação do resultado será no dia 28 de fevereiro de 2018, via as paróquias, as redes sociais e os meios de comunicação da Arquidiocese de Maringá, com apresentação da bandeira.

9.5. A inscrição implica na plena aceitação do regulamento, não cabendo ao candidato ou seu responsável, recurso posterior.

9.6.  As dúvidas e os casos omissos deverão ser encaminhados através do telefone (44) 99729-3113 e serão resolvidos pela Comissão Julgadora.

9.7. Segue anexo texto elaborado pela assessora leiga das CEBs na Arquidiocese de Maringá, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia), para entendimento das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

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Anexo:

CEBs - Comunidades Eclesiais de Base – Texto de Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

As Comunidades Eclesiais de Base fazem parte da estrutura organizacional de uma paróquia, na Arquidiocese de Maringá, tendo como critério a territorialidade. Comunidade territorialmente definida, nesse bairro, nesse condomínio, nesse edifício, nessas quadras entre esses vizinhos.

As paróquias ao estruturar em redes de Comunidades Eclesiais de Base, essas são estabelecidas como espaço de serviços ad intra e ad extra da ação pastoral evangelizadora, social e missionária da paróquia, por isso a compreensão que as CEBs são o modo da Igreja ser. As CEBs são Igreja na base no meio do povo e com o povo, Igreja de modo novo presente no mundo a serviço da vida e ao cuidado da “casa comum”.

Com as Comunidades Eclesiais de Base a Igreja envolve o povo que procuram viver relações fraternas de partilha, ajuda, solidariedade e serviço, através de pequenos gestos que reconstrói vidas e anima a caminhada. Pequenos grupos de pastorais, movimento e de reflexão organizado que reúnem regularmente, nas casas de família, a fim de ouvir e aprofundar a Palavra de Deus, alimentar a comunhão fraterna e assumir o compromisso cristão no mundo.

As Comunidades Eclesiais se afirmam como sendo de base porque está presente desde o começo da Igreja com as e os Primeiros Cristãos e é vivida pelo povo, gente simples ou não, mas que se colocam a serviço e se abre a vivência comunitária e fraterna e que se colocam a lado dos pobres e marginalizados.

São Eclesiais porque são seguidoras dos exemplos de Jesus e dos apóstolos, podem ser entendidas na Unidade, na Catolicidade, na Apostolicidade e na Santidade, isto é, mantém diálogo com toda a organização eclesial, vinculadas a estrutura da Igreja, caminha em comunhão com os pastores, procuram o caminho da santificação em fidelidade e evangélica opção preferencial pelos pobres.

A espiritualidade das Comunidades Eclesiais de Base é de quem sabe reconhecer que Deus se fez próximo, Ele habita todos os lugares e habita todas as pessoas. É a partir de Jesus Cristo de suas opções de quebrar as barreiras, de anunciar o evangelho e de cuidar das pessoas. É da amizade com o Senhor Jesus Cristo, de ser acolhedora e acolhedor como Ele.

A Missão das Comunidades Eclesiais de Base é ser testemunha do Cristo e do Reino de Deus. “Vocês serão minhas testemunhas” (At 1,8). Conforme os Atos dos Apóstolos, antes de sua ascensão foi assim que Jesus definiu a missão as suas discípulas e discípulos. Desde então ser discípula/o é antes de tudo assumir a tarefa de ser testemunha do Cristo e do Reino de Deus.

No mundo urbanizado que vivemos as Comunidades Eclesiais de Base são chamadas a ouvir o clamor do povo que sofre opressões para junto a todas as pessoas de boa-vontade a participar de sua libertação. Uma Igreja peregrina, missionária, em saída por amor, capaz de se fortalecer e se abrir com maior generosidade para a missão além-fronteiras.

12 dezembro, 2017

Oração


"Senhor, o teu Evangelho é Boa Notícia porque leva consolação aos fracos, aos perdidos e aos escravos de muitos senhores. Hoje, continuas a anunciá-lo ao teu povo aflito, porque és um Deus fiel. És o divino Amante que nos diriges o teu convite de amor e nos falas ao coração. És o Deus de todas as consolações.

Faz com que, também nós, possamos consolar os aflitos e oprimidos, com a mesma consolação que de Ti recebemos. Impele-nos a procurar o que anda perdido. Tu és o Bom Pastor que quer salvar a ovelha perdida, mas querida ao teu coração. E queres salvá-Ia também com a nossa solidariedade.

Eis-nos aqui, disponíveis a colaborar, para que a voz do teu Filho, manso e humilde de coração, seja escutada no mundo, e todos possam regressar ao redil, à vida verdadeira, só possível junto de Ti. Amém."

Fonte: Dehonianos

Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Enfermo


Nesta segunda-feira, dia onze de dezembro, foi publicada a mensagem do Papa Francisco para o 26º Dia Mundial do Enfermo, celebrado em 11 de fevereiro de 2018, dia em que a Igreja recorda Nossa Senhora de Lourdes.

Papa Francisco escolheu a mensagem de Jesus, elevado na cruz, que se dirige à sua mãe e a João, dizendo: «“Eis o seu filho! (…) Eis a sua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo a recebeu em sua casa» (Jo 19, 26-27).




"Queridos irmãos e irmãs!

O serviço da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar, com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (cf. Lc 9, 2-6, Mt 10, 1-8; Mc 6, 7-13) e seguindo o exemplo muito eloquente do seu Fundador e Mestre.

Este ano, o tema do Dia do Enfermo é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o seu filho! (…) Eis a sua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).

1. Estas palavras do Senhor iluminam profundamente o mistério da Cruz. Esta não representa uma tragédia sem esperança, mas o lugar onde Jesus mostra a sua glória e deixa amorosamente as suas últimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade cristã e da vida de cada discípulo.
Em primeiro lugar, as palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. Será, de uma forma particular, a mãe dos discípulos do seu Filho e cuidará deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspectos materiais como os espirituais da sua educação.

O sofrimento indescritível da cruz trespassa a alma de Maria (cf. Lc 2, 35), mas não a paralisa. Pelo contrário, lá começa para Ela um novo caminho de doação, como Mãe do Senhor. Na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria é chamada a partilhar esta mesma preocupação. Os Atos dos Apóstolos, ao descrever a grande efusão do Espírito Santo no Pentecostes, mostram-nos que Maria começou a desempenhar a sua tarefa na primeira comunidade da Igreja. Uma tarefa que não mais terá fim.

2. O discípulo João, o amado, representa a Igreja, povo messiânico. Ele deve reconhecer Maria como sua própria mãe. E, neste reconhecimento, é chamado a recebê-La, contemplar n’Ela o modelo do discipulado e também a vocação materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupações e os projetos que isso implica: a Mãe que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a vocação materna de Maria, a vocação de cuidar dos seus filhos, passa para João e toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos fica envolvida na vocação materna de Maria.

3. João, como discípulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer conduzir todos os homens ao encontro do Pai. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (cf. Jo 8, 31-39), e doentes no corpo (cf. Jo 5, 6). A todos, concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas. Como Maria, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros; mas não só: eles sabem que o Coração de Jesus está aberto a todos, sem exclusão. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus. 

4. Esta vocação materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes concretizou-se, ao longo da sua história bimilenária, numa série riquíssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta história de dedicação não deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Nos países onde existem sistemas de saúde pública suficientes, o trabalho das congregações católicas, das dioceses e dos seus hospitais, além de fornecer cuidados médicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terapêutico e desenvolve a pesquisa científica no respeito da vida e dos valores morais cristãos. Nos países onde os sistemas de saúde são insuficientes ou inexistentes, a Igreja esforça-se por oferecer às pessoas o máximo possível de cuidados da saúde, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado, ela procura cuidar, mesmo quando não é capaz de curar. A imagem da Igreja como «hospital de campo», acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população.

5. A memória da longa história de serviço aos doentes é motivo de alegria para a comunidade cristã e, de modo particular, para aqueles que atualmente desempenham esse serviço. Mas é preciso olhar o passado sobretudo para com ele nos enriquecermos. Dele devemos aprender: a generosidade até ao sacrifício total de muitos fundadores de institutos ao serviço dos enfermos; a criatividade, sugerida pela caridade, de muitas iniciativas empreendidas ao longo dos séculos; o empenho na pesquisa científica, para oferecer aos doentes cuidados inovadores e fiáveis. Esta herança do passado ajuda a projetar bem o futuro. Por exemplo, a preservar os hospitais católicos do risco duma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres. Ao contrário, a inteligência organizativa e a caridade exigem que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento. Estas orientações devem ser assumidas também pelos cristãos que trabalham nas estruturas públicas, onde são chamados a dar, através do seu serviço, bom testemunho do Evangelho.

6. Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar: «Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: (...) hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc 16, 17.18). Nos Atos dos Apóstolos, lemos a descrição das curas realizadas por Pedro (cf. At 3, 4-8) e por Paulo (cf. At 14, 8-11). Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor. A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas. Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um.

7. A Maria, Mãe da ternura, queremos confiar todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. A Ela pedimos também que nos ajude a ser acolhedores para com os irmãos enfermos. A Igreja sabe que precisa duma graça especial para conseguir fazer frente ao seu serviço evangélico de cuidar dos doentes. Por isso, unamo-nos todos numa súplica insistente elevada à Mãe do Senhor, para que cada membro da Igreja viva com amor a vocação ao serviço da vida e da saúde. A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunhão com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas. A todos, doentes, agentes de saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica".

Vaticano, 26 de novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – de 2017.

Franciscus

11 dezembro, 2017

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!


Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.Lembre-se da sabedoria da água:
A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna.
Quando alguém o ofender ou frustrar, você é a água e a pessoa que o feriu é o obstáculo!
Contorne-o sem discutir.
Aprenda a amar sem esperar muito dos outros.

Augusto Cury

Oração


"Senhor, Deus da liberdade e da paz, que no perdão dos pecados me dás o sinal da nova criação, faz com que toda a minha vida, reconciliada no teu amor, se torne louvor e anúncio da tua misericórdia."

Fonte: Dehonianos

Essas ações devem ser realizadas com alegria!


«Grita uma voz: Preparai no deserto o caminho do Senhor […].

“O vazio em nossa vida pode ser porque não rezamos ou rezamos pouco. O Advento é o momento favorável para rezar com mais intensidade, para reservar à vida espiritual o lugar importante que lhe cabe. Outro vazio pode ser a falta de caridade para com o próximo, sobretudo em relação às pessoas que precisam de ajuda não só material, mas também espiritual. Somos chamados a prestar mais atenção às necessidades dos outros, estar mais próximos. Desta forma, como João Batista, poderemos abrir caminhos de esperança no deserto dos corações áridos de muitas pessoas.”

“[...] devem ser rebaixados são o orgulho, a soberbia e a prepotência. Onde existe orgulho, prepotência e soberbia o Senhor não pode entrar, pois o coração está cheio de orgulho, prepotência e soberbia. Devemos assumir comportamentos de mansidão e humildade, sem repreender, mas ouvir, falar com mansidão e assim preparar a vinda de nosso Salvador que é manso e humilde de coração. Depois, somos convidados a eliminar todos os obstáculos que colocamos em nossa união com o Senhor: “O terreno acidentado se torne plano e alisem-se as asperezas. A glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens juntos irão vê-la”, diz Isaías.

“essas ações devem ser realizadas com alegria, porque são finalizadas à preparação da chegada de Jesus. Quando esperamos em casa a visita de uma pessoa querida, organizamos tudo com carinho e felicidade. Devemos fazer o mesmo para a vinda do Senhor: esperá-lo a cada dia com solicitude, para ser preenchidos com a sua graça quando Ele vier”.

“O Salvador que esperamos é capaz de transformar a nossa vida com a sua graça, com força do Espírito Santo, com a força do amor. O Espírito Santo derrama em nossos corações o amor de Deus, fonte inexaurível de purificação, de vida nova e liberdade. A Virgem Maria viveu plenamente esta realidade, deixando-se “batizar” pelo Espírito Santo que a encheu de sua força. Ela, que preparou a vinda de Cristo com a totalidade de sua existência, nos ajude a seguir seu exemplo e guie os nossos passos para o encontro com o Senhor que vem.”

Papa Francisco

08 dezembro, 2017

CEBs - Comunidades Eclesiais de Base - texto de Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Segue um texto explicativo que escrevi sobre as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, para uma maior clareza de sua riqueza para Igreja.



CEBs - Comunidades Eclesiais de Base - texto de Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

As Comunidades Eclesiais de Base fazem parte da estrutura organizacional de uma paróquia, na Arquidiocese de Maringá, tendo como critério a territorialidade. Comunidade territorialmente definida, nesse bairro, nesse condomínio, nesse edifício, nessas quadras entre esses vizinhos.

As paróquias ao estruturar em redes de Comunidades Eclesiais de Base, essas são estabelecidas como espaço de serviços ad intra e ad extra da ação pastoral evangelizadora, social e missionária da paróquia, por isso a compreensão que as CEBs são o modo da Igreja ser. As CEBs são Igreja na base no meio do povo e com o povo, Igreja de modo novo presente no mundo a serviço da vida e ao cuidado da “casa comum”.

Com as Comunidades Eclesiais de Base a Igreja envolve o povo que procuram viver relações fraternas de partilha, ajuda, solidariedade e serviço, através de pequenos gestos que reconstrói vidas e anima a caminhada. Pequenos grupos de pastorais, movimento e de reflexão organizado que reúnem regularmente, nas casas de família, a fim de ouvir e aprofundar a Palavra de Deus, alimentar a comunhão fraterna e assumir o compromisso cristão no mundo.

As Comunidades Eclesiais se afirmam como sendo de base porque está presente desde o começo da Igreja com as e os Primeiros Cristãos e é vivida pelo povo, gente simples ou não, mas que se colocam a serviço e se abre a vivência comunitária e fraterna e que se colocam a lado dos pobres e marginalizados.

São Eclesiais porque são seguidoras dos exemplos de Jesus e dos apóstolos, podem ser entendidas na Unidade, na Catolicidade, na Apostolicidade e na Santidade, isto é, mantém diálogo com toda a organização eclesial, vinculadas a estrutura da Igreja, caminha em comunhão com os pastores, procuram o caminho da santificação em fidelidade e evangélica opção preferencial pelos pobres.

A espiritualidade das Comunidades Eclesiais de Base é de quem sabe reconhecer que Deus se fez próximo, Ele habita todos os lugares e habita todas as pessoas. É a partir de Jesus Cristo de suas opções de quebrar as barreiras, de anunciar o evangelho e de cuidar das pessoas. É da amizade com o Senhor Jesus Cristo, de ser acolhedora e acolhedor como Ele.

A Missão das Comunidades Eclesiais de Base é ser testemunha do Cristo e do Reino de Deus. “Vocês serão minhas testemunhas” (At 1,8). Conforme os Atos dos Apóstolos, antes de sua ascensão foi assim que Jesus definiu a missão as suas discípulas e discípulos. Desde então ser discípula/o é antes de tudo assumir a tarefa de ser testemunha do Cristo e do Reino de Deus.

No mundo urbanizado que vivemos as Comunidades Eclesiais de Base são chamadas a ouvir o clamor do povo que sofre opressões para junto a todas as pessoas de boa-vontade a participar de sua libertação. Uma Igreja peregrina, missionária, em saída por amor, capaz de se fortalecer e se abrir com maior generosidade para a missão além-fronteiras.

O Presépio e a árvore nos falam com uma linguagem simbólica!


“são os sinais da compaixão do Pai celeste, da sua participação e proximidade à humanidade, que experimenta não ser abandonada na noite dos tempos, mas visitada e acompanhada nas próprias dificuldades”.

A árvore, nos leva para o alto, nos motiva a buscarmos “os dons mais altos,  acima das névoas que ofuscam, para experimentar quão belo e alegre é mergulhar na luz de Cristo. Na simplicidade do presépio, encontramos e contemplamos a ternura de Deus, manifestada naquela do Menino Jesus”.

“O Presépio é o local sugestivo onde contemplamos Jesus que, assumindo as misérias do homem, nos convida a fazer o mesmo, por meio de ações de misericórdia”.

Frase de 1920


07 dezembro, 2017

Ninguém te ensinou como se ama uma mulher


Eu sei, é difícil.

Ninguém te ensinou como se ama uma mulher. Tudo o que você aprende sobre como uma mulher deve ser é o oposto do que te ensinam sobre o que é admirável: força, inteligência, agilidade, assertividade, coragem.




Ninguém te ensinou como se ama uma mulher

Eu sei, é difícil.

Ninguém te ensinou como se ama uma mulher. Tudo o que você aprende sobre como uma mulher deve ser é o oposto do que te ensinam sobre o que é admirável: força, inteligência, agilidade, assertividade, coragem. O mundo é um apanhado imagético de símbolos que valoriza tudo o que dizem que uma mulher não deve ser. Tudo começou a dar errado porque você não nasceu um homem. Porque você não é consumidor. É fornecedora. E vai dar trabalho. A princesinha. Sempre frágil. Esperando um príncipe, que te aceite, que te ame. Que venha te salvar.

Você foi criada para implorar amor. Para ser uma “mocinha comportada e boazinha”. Senão “ninguém iria gostar de você”. Aliás, você foi ensinada que ninguém iria gostar de você por muitos motivos: se você fosse feia, se você fosse desafiadora, se você fosse muito inteligente. Te mostraram que você precisa de aceitação e validação o tempo todo. Você foi criticada a vida inteira. E você aprendeu a criticar também. Aprendeu a odiar outras mulheres. A julgá-las. Por sua roupa, seu comportamento, sua aparência. O tempo todo.

É difícil se amar assim, eu sei. Se esperam que você seja burra, bela, frágil e acessível. Se você não ser pode ser humana, natural, amar seu corpo como ele é. Com pelos, com manchas, com formas. Se o mundo exige um esforço enorme para que você atenda às expectativas do que te dizem que é ser mulher. E se você não corresponde, te rejeitam, te criticam, te rebaixam, riem de você, fazem piada, debocham, duvidam. E o tempo todo tentam te colocar no seu lugar. Seu lugar de menina bonita esperando marido.

Homens também não são ensinados a amar mulheres. Mas antes a desejá-las, cobiçá-las como troféus, consumi-las como a um objeto. Não são ensinados a admirá-las. Não são ensinados a vê-las e aceitá-las em sua plenitude. Como companheiras. São ensinados a avaliar seu corpo, a explorar sua mão de obra, a esperar sua submissão, sua servidão. A ignorar suas mentes, desejos, particularidades.

Não, também não é fácil para um homem amar uma mulher. A mulher que ele aprende a ansiar não existe de verdade. É um amontoado de estereótipos e frases feitas. É um ser mutilado, depilado, fantasiado. Que não sangra, não escarra, não diz não. É alguém que deve estar ali por ele, pra ele. Servil.

Ninguém é ensinado a amar mulheres como elas são.

Então, eu sei. É difícil se olhar no espelho e se ver como uma pessoa. Quando a vida inteira você foi vista como um pedaço de carne. “Feia de corpo, mas bonita de rosto”, “feia, mas gostosa”, “bonita e inteligente”, “burra, mas gostosa”, “bacana, mas muito feia”. É doloroso. Homens são pessoas. Mulheres são um objeto sempre avaliado em função de como se parecem.

E eu tenho certeza, certeza absoluta aliás, que você é tantas outras coisas.

Você, mulher, é uma pessoa. E eu sei que isso parece meio óbvio mas essa é uma percepção importante para que você olhe para si e seja capaz de olhar para além das imperfeições que passaram a sua vida inteira inventando que você tem.

Você tem emoções, sentimentos, ideias, amigos, família, conquistas, derrotas. Tem histórias para contar. Tem realizações. Tem aquilo que você é capaz de fazer tão bem, com tanto carinho. E tem seus erros, seus dias ruins. Como qualquer um.

Você é uma pessoa.

E você merece se amar. De verdade. Merece se libertar dessa prisão maldita chamada feminilidade e beleza. Chamada submissão. Amar cada pedaço do seu corpo, ilimitadamente. Amar sua voz, a maneira como você sorri. Amar as suas boas e más ideias. Amar o que você produz. Você merece amar a pessoa maravilhosa que você é. Incondicionalmente.

Você merece amar outras mulheres. Admirá-las. Criar laços legítimos de união. Ser capaz de criar vínculos verdadeiros, compartilhar tantas coisas em comum. Ter o aconchego de boas amigas que vão saber como você se sente porque passaram pelas mesmas dores. Porque compartilham da tua biologia. Porque compartilham da tua socialização. Mulheres não são inimigas. Não são competidoras. Nenhum homem na Terra merece ter a possibilidades de afeto entre duas mulheres afetada por causa dele.

E você merece ser amada. Por pessoas que olhem nos seus olhos, não para os seus seios. Que gostem do que você diz, do que você faz. Não de como você aparenta. Você merece alguém que vai amar o que você é, porque isso é o que você vai levar para sua vida inteira. Alguém que seja capaz de admirar sua inteireza e todas as transformações do seu corpo e da sua mente.

Sim eu sei que nada nem ninguém nos ensina como é possível amar mulheres. Enquanto pessoas. Seres humanos. Mas mulheres são isso, apenas pessoas. Não são divas, princesas, rainhas, beldades, sagradas, divinas. São maravilhosas e admiráveis pessoas, com qualidades e defeitos como qualquer um, espalhadas por aí, pela metade da população do mundo, esperando e merecendo respeito. Admiração genuína. E apesar de tudo que nos ensinaram, e de ser difícil sim, para amar de verdade mulheres basta enxergá-las como elas são.


Fonte: Texto de Cila Santos para QG Feminista, 17/11/2017.

Oração


"Ó Maria, Senhora da esperança, Senhora do Advento, ensina-me a acolher Jesus, a Palavra feita carne. Ajuda-me a fundamentar n ‘ Ele a minha vida e as minhas obras, para que sejam consistentes e seguras perante as investidas do naturalismo, do materialismo, do hedonismo e da sensualidade. Que o teu exemplo seja luz para os meus caminhos. Que eu jamais construa sobre as areias movediças de projectos que não tenham em conta o projecto do Pai. Que, como Tu, saiba pôr de parte os meus projectos para generosamente entrar nos projectos de Deus. Que jamais me deixe iludir por palavras que não levem à obediência amorosa e alegre à vontade do Pai.
Senhora do Advento, apresenta ao Pai o meu coração arrependido e humilhado por tantas vezes ter querido mais aparecer do que ser. Com a tua ajuda, quero tornar¬me membro vivo do povo do Senhor e caminhar na humildade e na justiça, para encontrar morada na cidade santa de Deus. Amém."

Fonte: Dehonianos

Tiririca Renuncia - Discurso de despedida no Plenário da Câmara

06 dezembro, 2017

Humildade não é ser educado, cortês, fechar os olhos em oração!

“Há um sinal, um sinal, o único: aceitar as humilhações. A humildade sem humilhações não é humildade. Humilde é aquele homem, aquela mulher que é capaz de suportar as humilhações como Jesus as suportou, o humilhado, o grande humilhado”. 

Papa Francisco

05 dezembro, 2017

Descanse em Paz minha tia Ide!

Descanse em Paz minha tia Ide!


Sei que o nosso Deus é pai cheio de ternura e amor e você minha tinha que tão divertida era é por Ele assim acolhida.

“Ele (Jesus) morreu por nós para que, quer despertemos quer adormeçamos, vivamos junto com ele” (1 Tes 5, 10). 

“E assim para sempre estaremos com o Senhor” (1 Tes 4, 17). 

“Eu sei que o meu redentor está vivo […] Eu o verei, eu mesmo, os meus olhos o contemplarão” (Jo 19, 25.27).

Nota de Repúdio ao despejo das famílias em Pinhão/Paraná - Cáritas Brasileira Regional Paraná

No documento, a entidade remonta a história da luta pela terra no Estado, sobretudo a questão agrária em Pinhão, onde, antes da chegada da madeireira Zattar, em 1940, viviam cerca de 2 mil famílias de posseiros. “A ocupação da área pela empresa ocorreu em detrimento de famílias de pequenos agricultores que já habitavam as terras desde o Brasil imperial. Elas foram expulsas e assim a indústria constituiu um dos maiores complexos latifundiários do Paraná”, aponta a nota.



 Nota de Repúdio ao despejo das famílias em Pinhão/Paraná

A Cáritas Brasileira Regional Paraná vem a público protestar contra o despejo realizado dia 01 de dezembro de 2017, de 100 famílias que moravam em duas comunidades rurais no município de Pinhão, centro sul do Paraná. A intervenção federal foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo pedido da indústria madeireira Zattar, uma das maiores devedoras da União, com altas dívidas junto a Fazenda Nacional.

Veja manifestação de Dom Anuar Battisti sobre o caso

As famílias moravam nas comunidades rurais há mais de 25 anos e viviam na área produzindo alimentos e criando animais. A questão agrária em Pinhão é uma das mais emblemáticas da luta pela terra no Paraná, tendo seus primórdios ainda no início do século 20, no conflito entre posseiros e empresas particulares, em especial a madeireira Zattar, que chegou a região na década de 40. A ocupação da área pela empresa ocorreu em detrimento de famílias de pequenos agricultores que já habitavam as terras desde o Brasil imperial. Elas foram expulsas e assim a indústria constituiu um dos maiores complexos latifundiários do Paraná.

Estima-se que antes da chegada da empresa quase 2 mil famílias de posseiros viviam em comunidades tradicionais, conhecidas como faxinais. A madeireira chegou a ocupar 80 mil hectares na região centro-sul do estado. Já para os faxinalenses instalou-se uma luta desigual pela titularidade das terras. Atualmente são 12 acampamentos sem terra em uma área total de 60 mil hectares e aproximadamente dois mil acampados.

O governo do Paraná deslocou um grande aparato policial para a ação com o intuito de devastar a vida de 100 famílias, cumprindo uma ordem judicial injusta, em momento de crise social tão grave em nosso país, com cerca de 14 milhões de desempregados. Foram destruídas casas de alvenaria, escola, padaria comunitária e a igreja, lugar sagrado de encontro e comunhão.

O Papa Francisco no seu segundo encontro mundial com os movimentos sociais, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, levantou sua voz para dizer: A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: os famosos três “T”: terra, teto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados.

Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.

E acrescentou, depois de dizer que as coisas não andam bem: Então, se reconhecemos isto, digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança. Se isso é assim – insisto – digamo-lo sem medo: Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos... E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra.

Desalojar famílias, sem sugerir alternativas, é um ataque aos direitos sociais, principalmente aos dos mais pobres, que através de uma luta justa e legítima buscam um pedaço de terra como um caminho para conquistar a dignidade.

O governo federal, por meio do INCRA, também é responsável por destruir a vida de mais essas famílias. Na semana passada uma audiência pública foi realizada em Pinhão para tratar dos problemas fundiários que perduram por décadas na região e tem raiz nos conflitos entre posseiros e madeireiras, apesar do risco de violência contras às famílias, o secretário de Assuntos Fundiários do Estado do Paraná, se limitou a informar que havia tratativas de negociação entre o proprietário e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) até o ano passado, porém com a mudança no governo federal, a situação estagnou, reduzindo a reforma agrária a um mero processo burocrático, ignorando a existência de seres humanos, a improdutividade do imóvel, o fator político e econômico. Imitando Pilatos, lavou as mãos.

Desta forma, a Cáritas repudia veementemente a violência utilizada contra as famílias em Pinhão, sob as ordens do Supremo Tribunal Federal e executado pelo governo do Paraná, assim como, a falta de uma política para a democratização das terras. Ao tempo que exige do INCRA e do Governador do Estado que encontre outra área na região para minimizar o sofrimento e o constrangimento que o Estado impôs a essas famílias.

Despejo das famílias em Pinhão/Paraná - Dom Anuar Battisti lamenta a destruição de casas e igreja

04 dezembro, 2017

“O leigo não é um súbdito, é parte integrante do processo eclesial” Celso Carias

Entrevista com o teólogo Celso Carias faz parte da Comissão do Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs. 


“O leigo não é um súbdito, é parte integrante do processo eclesial” Celso Carias

A Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”

A chegada do Papa Francisco trouxe de volta a teologia do Vaticano II, que partindo de uma Igreja Povo de Deus pretendia fazer realidade um modo de organização em que todos e todas tenham um protagonismo comum dentro da instituição eclesiástica.

Nessa perspectiva, a Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”. A festa de Cristo Rei tem sido a data escolhida para sua apertura.

O teólogo Celso Carias faz parte da Comissão do Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e nesta entrevista nos ajuda a refletir sobre a necessidade de reconhecer a importância do laicato como elemento fundamental no futuro da própria Igreja Católica.

Numa Igreja onde impera o clericalismo, que o Papa Francisco define como “um câncer”, como bem nos lembra Celso Carias, o Ano do Laicato pode abrir novas perspectivas e caminhos, que reconheçam a importância de todos, também das mulheres, verdadeiras artífices da presença eclesial nas periferias do Brasil e para quem se faz necessário um reconhecimento explícito da Igreja.

Acima de tudo, o Ano do Laicato tem que ajudar a entender que o leigo não é súbdito e sim parte integrante do processo eclesial. Por isso, se faz necessário que a Igreja se organize a partir do sacramento do batismo e não do sacramento da ordem.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convocou o Ano do Laicato, iniciado com a festa de Cristo Rei. Como membro da Comissão Episcopal para o Laicato, quais são as motivações do Ano de Laicato?

Celso Carias – Desde o início do Pontificado do Papa Francisco tem-se retomado muito a dimensão da necessidade de integrar o laicato na vida eclesial. Isso possibilitou que a Comissão do Laicato pudesse sugerir, depois o Documento 105 da CNBB, que é o documento que fala justamente da dimensão laical, um evento na Igreja do Brasil que pudesse chamar a atenção para essa necessidade de integração do laicato e ao mesmo tempo a vocação do laicato e sua espiritualidade dentro do processo eclesial.

Reunindo todos esses fatores foi feita a sugestão, foi bem recebida e aceita e aí se efetivou o ano 2018 como o Ano Nacional do Laicato.

De fato, essa integração do laicato na Igreja do Brasil, dentro da vida e da toma de decisões, é algo que já está se fazendo ou ainda é uma realidade pouco presente?

Celso Carias – Temos que ser sinceros. Logo após do Vaticano II, na América Latina, também no Brasil, que conhecemos melhor, houve sim uma boa integração do laicato com todo o processo eclesial. No entanto, acabamos vivendo um período de nova centralização, um pouco na linha daquilo que o Papa Francisco chama de auto referencial, e aí nesses últimos trinta e poucos anos aconteceu que o laicato acabou não tanto tendo um papel protagonista, mas um papel mais submetido a uma centralização do poder clerical, no sentido de clericalismo.

Isso foi algo que foi afastando daquilo que era a lógica da eclesiologia do Vaticano II. O que estamos propondo na verdade é uma retomada da eclesiologia do Vaticano II, que é  eclesiologia de Igreja como Povo de Deus.

Esse clericalismo, que o Papa Francisco define como um dos grandes pecados da Igreja é algo que só está presente no clero, ou o próprio laicato é clerical?
Celso Carias – O Papa Francisco usa às vezes figuras muito fortes e ele fala que o clericalismo é um câncer, e câncer não escolhe, digamos assim, um único setor do corpo, ele ataca o corpo como um todo. Então, o clericalismo é uma experiência de auto-referencialismo que vai para todos os cantos, inclusive, infelizmente, para o próprio laicato.

Há laicato clerical, diáconos permanentes clericais, todos os setores da Igreja que infelizmente acabam caindo nisso que o Papa Francisco tem tanto acentuado nesses últimos anos, que não se expressa na dimensão do serviço, não se expressa na dimensão da recuperação da identidade e da cidadania pelo batismo, mas sim por essa centralização.

Como assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e seu representante na Comissão Episcopal para o Laicato, Qual é o papel que as CEBs podem ter no Ano do Laicato?

Celso Carias – Acredito que podem ter um papel muito importante. Embora evidentemente hoje as CEBs não se constatem como meio articulador da pastoral na grande maioria das dioceses, mas o laicato das CEBs é um laicato bastante preparado, com consciência crítica, com fundamentação bíblica, que pode fazer a diferença nesse momento em que a Igreja do Brasil proporciona um espaço de reflexão sobre os leigos e leigas.

Creio que as CEBs aí, mesmo não sendo maioria, muito pelo contrario, podem sim ajudar a pautar, a refletir, a apontar, como já foi dito ainda há pouco por mim, na direção da eclesiologia Povo de Deus, que é isso que está se querendo resgatar.

O papel da mulher na Igreja está querendo ser resgatado, sendo colocado num lugar de maior protagonismo pelo Papa Francisco. O ano do laicato pode ser um momento importante para que o papel da mulher, sobretudo da mulher leiga, seja reconhecido pela Igreja do Brasil?

Celso Carias – Eu também não tenho dúvida, claro que numa dimensão de processo, não vamos esperar que ao longo de 2018 as mulheres leigas passarão a ser protagonistas em varias dimensões da vida eclesial, seria esperar demais.

Mas não há dúvida que também, como nos diz o próprio título do documento 105, ele configura a questão de género, ao falar de leigos e leigas. Essa consciência de que a mulher não pode ser tratada como submissa à realidade do machismo, é muito forte na compreensão de muitos leigos e leigas e é necessário chamar a atenção para isso.

Acredito que como processo, como elemento que vai levar à reflexão e ao questionamento, pois aí também precisa questionar, não tenho dúvida que se ampliara essa consciência.

Também porque a gente não pode fechar os olhos e dizer que as mulheres não são importantes, quando de fato são a maioria ou a prática totalidade da presença laical na Igreja. Podemos continuar considerando a mulher dentro da Igreja com um papel subserviente?

Celso Carias – De forma alguma, e muitas vezes sendo tratada como ser humano de segunda categoria. Muitos falam isso, não foi uma imagem que eu inventei, eu vi gente do povo falando isso. Eu sou da Baixada Fluminense, onde muitas comunidades são lideradas por mulheres, e se não fosse pelas mulheres, a maioria dessas comunidades estariam fechadas.

Deixar de reconhecer essa importância, esse papel fundamental, é colocar a poeira embaixo do tapete. É fundamental venha às claras, que isso seja colocado de maneira igual, cada um na sua especificidade de género, mas com a igualdade fundamental da dignidade.

Fechar essas comunidades seria acabar com a presença da Igreja Católica nas periferias. Quando essas mulheres vão ter um reconhecimento expresso da Igreja a partir de um ministério, que poder ser um ministerio laical ou as diaconisas, das que tanto a gente escuta falar, ou inclusive outras propostas nas quais um dia a gente pode chegar lá? Isso é uma necessidade, as mulheres precisam disso?
Celso Carias – Não tenho nenhuma dúvida que esse reconhecimento é extremamente necessário. Evidentemente que, antes disso, e não é sem fundamento que o Papa Francisco fala muito disso, é necessário atacar o clericalismo. Mas simbolicamente é importante que as mulheres ocupem sim esses espaços de referência, como por exemplo, está já em fase de estudo, a questão do ministério diaconal para as mulheres. Não há, aí eu falo como teólogo, não sou nenhum teólogo de grande profundidade, mas não consigo observar nada nem na Bíblia, nem na tradição magisterial, que possa impedir a mulher de ser contemplada com um ministério específico, como por exemplo o ministério de diaconisa.

Quais podem ser os passos, perspectivas, intuições, que podem nascer do Ano do Laicato?

Celso Carias – Podemos elencar alguns dos que já apareceram na nossa conversa, mas talvez, em grau de importância, o que a gente espera é que seja retomado essa consciência de que leigo e leiga é membro efetivo da Igreja pelo batismo, e não essa posição quase de súbdito muitas vezes que se coloca na realidade eclesial das dioceses, das paróquias.

Leigo não é súbdito, leigo é parte integrante do processo. Se alguma coisa nessa direção for feita, e eu acredito que possa dar uma contribuição nesse sentido, creio que o Ano do Laicato já valerá a pena.

Também porque o sacramento principal e primeiro é o batismo. De fato, numa ocasião 1perguntou ao Papa Bento qual tinha sido o dia mais importante na sua vida e ele respondeu que o dia do seu batismo. Quando a Igreja vai se organizar a partir do batismo e não do sacramento da ordem?

Celso Carias – Essa é a questão chave, a chave está aí. Numa carta que o Papa Francisco escreveu ao cardeal Oullet, responsável pela Comissão para América Latina, ele falou algo parecido, mas acho que foi até mais contundente, ele diz na carta que ninguém nasce bispo, padre, nós nascemos para a Igreja pelo batismo.

Esse é o postulado fundamental. Recuperar essa teologia é importantíssimo. Se a gente quer pensar em termos de futuro. Se a gente está pensando em mundo moderno, nos desafios urbanos, nos desafios que estão aí circundando na nossa experiência de fé, sem protagonismo dos leigos e leigas acho que a gente vai estar se dando muitos tiros nos nossos dois pés.

Por Luis Miguel Modino
Comunicação das CEBs do Brasil

Fonte: Site CEBs do Brasil