31 outubro, 2025

1º Novembro dia de todas santas e santos de Deus!

“celebramos todos os Santos, e poderíamos ter uma impressão enganadora: poderíamos pensar que estamos a celebrar as irmãs e irmãos que na vida foram perfeitos, sempre lineares, impecáveis, aliás, “engomados”. Ao contrário, o Evangelho de hoje desmente esta visão estereotipada, esta “santidade de santinho””.


Papa Francesco – Angelus 1° novembro 2022

Estimados irmãos e irmãs, feliz festa, bom dia!

Hoje, celebramos todos os Santos, e poderíamos ter uma impressão enganadora: poderíamos pensar que estamos a celebrar as irmãs e irmãos que na vida foram perfeitos, sempre lineares, impecáveis, aliás, “engomados”. Ao contrário, o Evangelho de hoje desmente esta visão estereotipada, esta “santidade de santinho”. De facto, as Bem-aventuranças de Jesus (cf. Mt 5, 1-12), que são o cartão de cidadão dos santos, mostram o oposto: falam de uma vida contra a corrente, de uma vida revolucionária! Os santos são os verdadeiros revolucionários.

Vejamos, por exemplo, uma bem-aventurança muito atual: «Bem-aventurados os pacificadores» (v. 9), e constatamos como a paz de Jesus é muito diferente do que imaginamos. Todos desejamos paz, mas muitas vezes o que queremos não é precisamente a paz, é estar em paz, ser deixados em paz, não ter problemas, mas tranquilidade. Por outro lado, Jesus não chama bem-aventurados os tranquilos, aqueles que estão em paz, mas aqueles que fazem a paz e lutam para fazer a paz, os construtores, os pacificadores. De facto, a paz tem de ser construída, e como qualquer construção requer empenho, colaboração, paciência. Gostaríamos que a paz chovesse do alto, mas a Bíblia fala da «semente da paz» (Zc 8, 12), porque germina do terreno da vida, da semente do nosso coração; cresce no silêncio, dia após dia, através de obras de justiça e misericórdia, como nos mostram as testemunhas luminosas que hoje celebramos. Somos levados a acreditar que a paz vem pela força e pelo poder: para Jesus é o oposto. A sua vida e a dos santos dizem-nos que a semente da paz, para crescer e dar fruto, deve primeiro morrer. A paz não é alcançada conquistando ou derrotando alguém, nunca é violenta, nunca está armada. Estava a ver no programa “À Sua Imagem” [programa da Tv italiana, ndr], tantos santos e santas que lutaram, que construíram a paz, mas com o trabalho, dando a própria vida, oferecendo a vida.

Como nos tornamos então pacificadores? Antes de mais, é necessário desarmar o coração. Sim, porque estamos todos equipados com pensamentos agressivos, uns contra os outros, com palavras afiadas, e pensamos estar a defender-nos com o arame farpado da queixa e os muros de cimento da indiferença; e entre queixa e indiferença defendemo-nos, mas isto não é paz, isto é guerra. A semente da paz pede-nos que desmilitarizemos o campo do coração. Como está o teu coração? Está desmilitarizado ou cheio destes sentimentos, com queixas e indiferença, com agressão? E como se desmilitariza o coração? Abrindo-nos a Jesus, que é «a nossa paz» (Ef 2, 14); permanecendo diante da sua Cruz, que é a cátedra da paz; recebendo d’Ele, na Confissão, «o perdão e a paz». Por aqui se começa, pois ser pacificadores, ser santos, não é capacidade nossa, é dom seu, é graça.

Irmãos e irmãs, olhemos para dentro de nós e perguntemo-nos: somos pacificadores? Onde vivemos, estudamos e trabalhamos, levamos tensão, palavras que magoam, tagarelices que envenenam, polémicas que dividem? Ou será que abrimos o caminho para a paz: perdoamos aqueles que nos ofendem, cuidamos dos que estão à margem, curamos alguma injustiça ajudando aqueles que têm menos? A isto chama-se construir a paz.

No entanto, pode surgir uma última questão, que se aplica a qualquer bem-aventurança: vale a pena viver desta forma? Não é de perdedor? É Jesus que nos dá a resposta: os pacificadores «serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9): no mundo parecem fora de lugar, porque não cedem à lógica do poder e do prevalecer, no Céu serão os mais próximos de Deus, os mais semelhantes a Ele. Mas, na realidade, também aqui aqueles que prevaricam permanecem de mãos vazias, enquanto aqueles que amam todos e não magoam ninguém vencem: como diz o Salmo, «o homem de paz terá uma descendência» (cf. Sl 37, 37).

Que a Virgem Maria, Rainha de todos os santos, nos ajude a ser construtores de paz na vida diária.

O pranto de homens e mulheres!

 “O pranto de homens e mulheres debruçados sobre os corpos enfileirados na Praça São Lucas, na Penha, lembra as lágrimas de Maria, sobre as quais falou o Papa Francisco”. 


Uma breve oração pelos mortos no massacre no Rio de Janeiro: “Nossa Senhora da minha escuridão, que me perdoe por gostar dos des-heróis”

O Dia de Finados deste ano foi antecipado no coração dos familiares que choraram a morte daqueles que foram massacrados no confronto aberto entre as forças de segurança do Rio de Janeiro e os membros do Comando Vermelho nesta semana. Para além dos discursos governamentais insultantes, dirigidos a pais, mães, esposas, avós e filhos, chamam a atenção a dor, o desespero e as lágrimas daqueles que choram a morte dos seus pela segunda vez. A primeira foi quando os perderam para o tráfico. A segunda, quando foram abatidos pela polícia, como relatou um avô após a confirmação do assassinato do neto, criado como filho, aos 17 anos.

A morte, como disse Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, ao comentar o Evangelho deste domingo, “é sempre estranha e, com frequência, se revela incômoda”. Em massacres como este, a morte deixa sequelas abertas, que continuam se manifestando na reverberação do ódio, do ressentimento, da tristeza e da vingança. Toda morte, como observou a Nota Pública da Pastoral Carcerária Nacional, “em qualquer contexto, é uma ferida aberta no tecido social” e evidencia um traço que perpassa a história humana: “irmãos continuam matando irmãos”. A chacina do Rio, disse o sociólogo José de Cláudio Alves em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, “vai trazer um sofrimento inimaginável”.

O pranto de homens e mulheres debruçados sobre os corpos enfileirados na Praça São Lucas, na Penha, lembra as lágrimas de Maria, sobre as quais falou o Papa Francisco: “São as lágrimas de Maria, a nossa Mãe, Mãe celeste, pelos sofrimentos e as penas dos seus filhos. Maria chora pelos seus filhos que sofrem. São lágrimas que nos falam da compaixão de Deus por todos nós. Devemos pensar nisto: a compaixão de Deus. Ele, com efeito, doou a todos nós a sua Mãe, que chora as nossas mesmas lágrimas para que não nos sintamos sós nos momentos mais difíceis”.

A situação dramática em que vivem as comunidades do Rio de Janeiro hoje e o assentimento à crueldade que matou mais de 120 pessoas, nos faz refletir sobre as questões postas pelo professor José Cláudio Alves: “Que grau de desilusão e de arrependimento houve? A que tipo de violências essas pessoas são submetidas? Onde essas pessoas se quebraram? Manoel de Barros perguntava, num poema, quanto tempo uma pessoa precisa viver na miséria para que em sua boca nasça a escória. Quanto tempo essas pessoas terão que ser submetidas a isso a que elas foram submetidas nesse massacre, para que nelas nasçam o ódio, a escória, o desejo de matar o outro?”

Manoel de Barros, que aos 18 anos escreveu Nossa Senhora de minha escuridão, disse, anos mais tarde, possuir o “vício de amar as coisas jogadas fora”. Ao que acrescentou: “É por isso que eu sempre rogo pra Nossa Senhora da minha escuridão, que me perdoe por gostar dos des-heróis. Amém!”.

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Fonte: IHU
O comentário é de Patricia Fachin, jornalista, graduada e mestra em Filosofia pela Unisinos e mestra em Teologia pela PUCRS.

Fonte da Foto: Agência Brasil

Orações Inter-religiosas Declamadas | Prece, de Elisa Guimarães

Operação no RJ não é sobre segurança pública, é apenas eleição

"Nessa gramática da força, a ausência de resultados concretos nem é tão importante. A prisão de Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como liderança do Comando Vermelho (CV), não ocorreu e ele segue foragido. A apreensão de drogas, armas, celulares e dinheiro foi irrisória. Mas a mensagem vale mais do que o resultado da ação."

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (31/10/2025)

Operação no RJ não é sobre segurança pública, é apenas eleição

A imagem de Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, sorridente ao lado de aliados, após a operação policial que resultou em 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na capital fluminense, sintetiza uma patologia recorrente da política brasileira: a conversão da violência em ativo eleitoral. Em tempos de esvaziamento programático e descrédito das instituições, a violência se tornou uma forma de comunicação direta com parcelas do eleitorado.

A operação termina como êxito simbólico para o governador, uma membrana fina de prestígio com uma parte da sociedade, que são os conservadores de extrema direita. Esse êxito não chega pela eficácia policial, mas pela mensagem política: o Estado mostrou poder. Nessa gramática da força, a ausência de resultados concretos nem é tão importante. A prisão de Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como liderança do Comando Vermelho (CV), não ocorreu e ele segue foragido. A apreensão de drogas, armas, celulares e dinheiro foi irrisória. Mas a mensagem vale mais do que o resultado da ação.

Castro inscreve-se, assim, numa linhagem de governantes que, diante da perda de protagonismo político, recorrem à violência institucional como forma de reafirmar autoridade. Seu par, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quando estava imerso em conflitos com o bolsonarismo e perdendo capilaridade, lançou mão da Operação Escudo, que barbarizou a rotina dos moradores do litoral paulista. É a política como espetáculo e banalizada.

Alijado da disputa nacional pela própria extrema direita, que hoje privilegia nomes como os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (UB-GO) e próprio Freitas, Castro busca preservar capital eleitoral no Rio de Janeiro, mirando uma vaga no Senado em 2026. As pesquisas o colocam atrás de figuras mais estruturadas politicamente, como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a deputada federal Benedita da Silva (PT). A operação, portanto, cumpre o papel de reposicionar o governador no noticiário, devolver-lhe visibilidade e realinhar sua imagem com o eleitorado conservador fluminense.

Há, contudo, um risco estrutural nesse tipo de estratégia. A operação expõe a ausência de políticas públicas integradas de segurança e o esgotamento do modelo repressivo que o Rio de Janeiro repete há décadas. A insistência nesse caminho não gera estabilidade, apenas reitera o ciclo da violência: cada incursão amplia a desconfiança, aprofunda o abismo entre Estado e periferia e adia qualquer possibilidade de reforma duradoura.

Faltando um ano para a eleição, Castro levou sua tropa às ruas do Rio de Janeiro em busca de visibilidade e sobrevida política. A operação devolveu-lhe o protagonismo perdido, arrastando para o noticiário nacional e para o debate partidário a velha dicotomia brasileira entre “apoio irrestrito à polícia” e “defesa dos direitos humanos”. Desde terça-feira (28), a classe política foi constrangida a se posicionar: aplaudir o governador ou denunciá-lo. Esse era, desde o início, o verdadeiro objetivo.

O episódio ecoa, inclusive, o delírio recente de Flávio que, poucos dias antes, sugeriu que os Estados Unidos bombardeassem a costa brasileira, especialmente o Rio, sob o pretexto de combater o narcotráfico. O gesto não é apenas retórico: é o reflexo de uma cultura política que se inspira na lógica militarista do presidente estadunidense, Donald Trump.

Nesse ambiente, Castro tenta se projetar como herdeiro local dessa estética da brutalidade, convertendo 121 mortos em símbolo de autoridade. Sua estratégia é transparente: falar ao eleitorado que deseja ver sangue, não soluções.

A operação no Alemão e na Penha, portanto, não foi apenas uma incursão policial. Foi um ato de campanha. Um movimento calculado dentro da lógica de sobrevivência política de um governador que estava isolado.

Em última instância, esta operação não é sobre segurança pública, é a eleição e nada mais. Muitos veículos podem fechar os olhos para a realidade bem clara à nossa frente, mas o Brasil de Fato segue atento e comprometido com a verdade: denunciamos os responsáveis sem medo de cobrar justiça e reparação. Junte-se a nós!

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Igor Carvalho
Supervisor de jornalismo


30 outubro, 2025

O papel da Igreja onde há tensão entre moradores e facções ou entre moradores e polícia.

Em favelas onde há tensão entre moradores e facções ou entre moradores e polícia, a Igreja tem papel de ponte: dialogar com a comunidade, dar voz aos invisibilizados, e exigir transparência e proteção para civis.

Temos com angustia acompanhado a megaoperação policial realizada na última terça-feira, 28 de outubro de 2025, em Complexo do Alemão e Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em centenas de mortos. (Já que os relatórios dão números que variam de 60 até mais de 130 mortos e muitos feridos/incertos.)

"Só quero tirar meu filho daqui e enterrá-lo", disse uma mãe de uma das vítimas.

A Igreja pode ser ponte de apoio para pessoas afetadas: famílias que perderam entes-queridos, moradores que ficaram assustados, crianças que ouviram tiroteios — a Igreja pode oferecer acolhimento, oração, presença.

A Igreja precisa também ser profética, não se calar e ser voz que clama pelo fim da violência, insistir no valor da vida, contribuir para que a justiça e a segurança pública funcionem e que as operações respeitem direitos humanos e comunidades vulneráveis.

Importante a convocação para a oração, mas é preciso convocar para agir: visitar comunidades, colaborar com serviços locais (educação, lazer para crianças, adolescentes, jovens e idosos, apoio psicológico), se possível participar de iniciativas de reconstrução pós-trauma.

Como cristãs e cristãos, valorizamos que o Estado atue para proteger pessoas vulneráveis, e que crimes graves: tráfico, coação, violência organizada, sejam enfrentados. A ação policial parece ter sido orientada para conter o avanço da facção Comando Vermelho, que domina partes das favelas e impõe terror.

A operação policial realizada (...), foi marcada por execuções e torturas e classificada como carnificina por moradores, parentes dos mortos e pela Associação de Moradores do Parque Proletário da Penha. (Agência Brasil)

Cada vida humana é digna, inclusive de quem errou. O Evangelho fala de misericórdia e arrependimento (Lc 15; Mc 2,17). Quando há grande número de mortes e questionamentos sobre “quem resistiu” ou se foram execuções sumárias, isso assusta, isso preocupa. Toda ação deve respeitar o devido processo, transparência, direitos humanos. Organizações de direitos humanos pediram investigação.

Muitas famílias em favelas vivem situação vulnerável. A igreja tem o dever de “levar o jugo suave”. Se a operação também gerou o trauma, o medo ou a dor de inocentes, isso exige aproximação para amar e cuidar.

Limitar-se a combate armado sem pensar em educação, saúde, reintegração, pode perpetuar ciclos de violência. Há reflexões de especialistas dizendo que operações bombas não resolvem o problema da organização criminosa em si.

A operação revela a urgência de enfrentar o crime organizado, algo que a fé cristã reconhece como mal que prejudica vidas. Porém, a forma como isso é feito importa imensamente: a dignidade humana, o processo justo, o cuidado com vulneráveis, e a construção de alternativas pacíficas também fazem parte do caminho de Cristo. Portanto, como cristãs e cristãos, somos chamados a reconhecer a proteção da comunidade, mas também a criticar com respeito quando os meios usam de violência desproporcional ou negligenciam os mais frágeis, e contribuir na criação de mecanismos, de processos em favor da construção da paz e da justiça.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

29 outubro, 2025

Livro Olhares Cruzados

O livro "Olhares Cruzados pela Terra: MST 40 anos alimentando o Brasil", recém lançado no contexto das celebrações dos 40 anos da ocupação da Fazenda Anoni.

O livro é fruto de ações educativas desenvolvidas em Escolas de Assentamento das 5 regiões do Brasil, no âmbito da memória da ocupação e conquista da terra entrelaçadas aos processos de mudanças climáticas nos territórios.

A coordenação da ação ocorreu por meio do Coletivo Imagem da Vida e a Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais (Resama), de forma compartilhada com a Equipe dos 40 anos do MST e o Setor de Educação.

Clique AQUI  e acesso o livro

28 outubro, 2025

A Igreja é de todas as idades!

 
A Igreja é de todas as idades!

A Igreja, precisa projetar o futuro, ciente de que, por exemplo, o Brasil, que antes era um país jovem, caminha para se tornar uma nação envelhecida. Estima-se que, por volta de 2040, haverá mais idosos do que crianças e adolescentes.

Em qualquer idade, Cristo envia. Na missão de Jesus, idade não é limite, todas e todos são chamados a viver o Evangelho, o Reino de Deus precisa de todos - cada vida, cada idade, cada dom.

Os Evangelhos revela que Jesus Cristo chamou pessoas de diferentes idades para a missão de anunciar o Reino de Deus e servir ao próximo. Ele não fez distinção, mostrando que cada pessoa, independentemente da idade, tem um papel importante no serviço e na missão.

A igreja precisa tecer um projeto de futuro que revele a face de uma Igreja Povo de Deus, Igreja para todas as idades e de todas as idades, onde as pessoas se sentem acolhidas e inseridas para partilhar a vida com suas alegrias, tristezas, dores, esperanças e responder ao chamado de Cristo de viver o Evangelho porque o Reino de Deus precisa de cada vida, cada idade, cada dom.

De acordo com o IBGE, a população brasileira seguirá em trajetória de crescimento até 2041, atingindo 220,43 milhões de habitantes, passando a encolher a partir de 2042. Em 2070, o país deve ter 199,2 milhões de pessoas. (fonte: Agência Brasil)

Conforme informação da Agência gov:

- Segundo as Projeções de População do IBGE, após atingir seu máximo (220.425.299 habitantes) em 2041, população do país vai diminuir, chegando aos 199.228.708 habitantes em 2070 .

- De 2000 a 2023, taxa de fecundidade do país recuou de 2,32 para 1,57 filho por mulher.

- Número de nascimentos por ano recuou de 3,6 milhões em 2000 para 2,6 milhões em 2022, e deve cair para 1,5 milhão em 2070.

- De 2000 a 2023, proporção de idosos (60 anos ou mais) na população brasileira quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%. Em 2070, cerca de 37,8% dos habitantes do país serão idosos.

A Igreja é Povo de Deus, Igreja para todas as idades e de todas as idades.


Meu abraço fraterno
Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

27 outubro, 2025

Lula 80 anos - o primeiro octogenário no cargo



Lula completa 80 anos e se torna o primeiro octogenário no cargo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns (PE), se tornou o primeiro presidente octogenário no exercício do poder Executivo no Brasil. Este é o terceiro mandato presidencial de Lula, após ter exercido a mesma função de 2003 a 2006 e de 2007 a 2011.

Aos 80 anos completados nesta segunda-feira (27), o governante supera o recorde anterior do ex-presidente Michel Temer, que deixou o cargo aos 78 anos, em 2018.

O terceiro presidente brasileiro mais velho em exercício foi Getúlio Vargas, em seu segundo mandato, que morreu aos 72 anos, em agosto de 1954.

Por outro lado, o mais jovem ocupante da cadeira no Palácio do Planalto foi Fernando Collor de Mello, aos 43 anos, que deixou o cargo após impeachment, em setembro de 1992.

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“Que as religiões não sejam usadas como armas ou muros, mas sim vividas como pontes e profecias”


Estamos encerrando o mês de outubro, mês em que o Papa Leão XIV dedicou sua intenção de oração à colaboração entre diferentes tradições religiosas.

Que as religiões, diz o Papa, “não sejam usadas como armas ou muros, mas sim vividas como pontes e profecias”. Num tempo marcado por conflitos, o Papa convida todos os fiéis a procurarem o que une, “para defender e promover a paz, a justiça e a fraternidade humana”.

O papa disse que a humanidade vive num mundo "ferido por profundas divisões" e exortou os fiéis a buscar caminhos para a unidade por meio da fé.

“Senhor Jesus, Tu, que na diversidade és um só e olhas com amor para cada pessoa, ajuda-nos a nos reconhecermos como irmãos e irmãs, chamados a viver, rezar, trabalhar e sonhar juntos”, rezou o papa.

24 outubro, 2025

STF tem cor e gênero: são 134 anos de homens brancos no poder

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (24/10/2025)

STF tem cor e gênero: são 134 anos de homens brancos no poder

Dos 18.265 magistrados que atuam no Poder Judiciário brasileiro, cerca de 2.260 são pardos e 328 são pretos. Se nosso Judiciário é majoritariamente branco, como podemos esperar avanços na luta antirracista, na justiça racial e na reparação de mais de três séculos de escravidão?

Produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o relatório “Justiça em Números 2024” aponta que as pessoas negras são sub-representadas nos espaços da magistratura no país, apesar de serem maioria da população. Os dados evidenciam que o número de negros no Poder Judiciário é de 14,3%, sendo 12,4% de pardos e somente 1,8% de pretos.

Esses dados alarmantes deveriam ajudar a nortear a escolha de um sucessor para a vaga do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. Com a antecipação de sua aposentadoria, retoma-se a disputa política pela próxima indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os cotados estão o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco — todos homens brancos.

Criado em 1891, o STF nunca teve uma mulher negra como ministra e apenas três homens negros ocuparam a Corte, sendo o último Joaquim Barbosa, aposentado em 2014. Mesmo a presença de mulheres brancas é ínfima: desde a aposentadoria de Rosa Weber, a única ministra é Cármen Lúcia. Segundo os movimentos populares, essa falta de representatividade evidencia a “baixa intensidade da democracia brasileira”.

Em entrevista ao Conexão BdF, jornal diário da Rádio Brasil de Fato, a jurista Amanda Vitorino afirmou que a saída de Barroso oferece uma oportunidade para corrigir desigualdades na composição da Corte. “É o momento histórico perfeito para conseguirmos indicar uma mulher negra no STF. Lula tem a possibilidade de trazer um legado, um marco na história”, reforçou.

Novo nome, velha democracia racial

Contrariando a reivindicação dos movimentos, Lula parece já ter seu favorito e, em termos de representatividade, a velha política deve se repetir. Messias é o grande esperado para assumir a vaga de Barroso.

Mas será que o Brasil precisa de mais um ministro branco no STF, ou de uma guinada democrática e representativa? O Fórum Justiça, a plataforma Justa e a Themis – Gênero e Justiça formalizaram a reivindicação por uma mulher negra na Corte, por ser uma “janela única” para corrigir a “constrangedora e histórica desigualdade” que marca a composição do Supremo.

Em nota pública, as organizações apresentaram uma lista com sete mulheres, parte delas negras, de perfil técnico e trajetória consolidada, ressaltando que não há escassez de nomes qualificados.

Com a saída do ministro Ricardo Lewandowski da Corte em 2023, o movimento Mulher Negra no STF ganhou força. Apesar da mobilização, Lula indicou Cristiano Zanin para a vaga. Dois anos depois, a história parece se repetir e os esforços para subverter o legado da escravidão serem, mais uma vez, escanteados.

Esperamos 122 anos da nossa República para ver uma mulher — branca — assumir a presidência do país. Já são 134 anos aguardando uma mulher negra sentar-se à cadeira da maior Corte do Brasil. Lula, que batalhou pela posse de Dilma em 2011, vai descartar facilmente a chance de dar um novo e grande passo no país?

Se o petista escolhe fechar os olhos para a possibilidade de ter uma jurista comprometida com a justiça racial no STF, o Brasil de Fato redobra seu compromisso com a luta antirracista, a democracia e a reparação. Quanto mais gente, mais forte é a nossa contracorrente.

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Marcela Reis
Supervisora de conteúdo de redes sociais

Movendo as peças

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (24/10/2025)

Movendo as peças

Olá, o governo busca consolidar suas posições de olho em 2026, enquanto a direita continua em busca de um candidato.

.Quase tudo em seu lugar. Lula partiu para o encontro com Donald Trump com a expectativa que a química corroa o tarifaço, mas também aproveitou a estadia na Ásia para marcar posição contra o monopólio do dólar. A tranquilidade se deve à rara ocasião de quem deixou as reformas bem encaminhadas em casa. Depois de um longo chá de cadeira, Guilherme Boulos foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, sinalizando uma inclinação mais à esquerda do governo e mais proximidade com os movimentos populares, além da possibilidade de que pautas como o fim da escala 6x 1 e a regulação dos trabalhadores de aplicativos avancem. Para a classe média, o governo já apresentou um pacote de sete medidas, principalmente de crédito e financiamento imobiliário, incluindo R$40 bilhões para reformas habitacionais, que também contemplam as classes mais baixas, o que deve ajudar a manter o patamar da aprovação do governo em elevação. O Planalto anunciou ainda investimentos para as guardas municipais e um projeto que agrava a pena para organizações criminosas, tentando romper a resistência de governadores e abrir caminho para a PEC da Segurança, mas também tratando de um tema que é caro para a mesma classe média. E, nos bastidores, segue a limpa dos cargos dos infiéis do centrão. O suficiente para o PP, discretamente, recuar, deixar André Fufuca no Ministério do Esporte e até pedir mais cargos no segundo escalão. Entusiasmado, Lula voltou até a criticar os patamares da taxa Selic. É verdade que nem tudo foi resolvido antes da viagem para a Ásia. O maior imbróglio do governo continua sendo o orçamento de 2026, que segue parado no Congresso, tanto pela ação da oposição que não quer o governo com um caixa forte em ano eleitoral, quanto pelo atraso na compensação da MP do IOF, que esbarra na resistência da Faria Lima e do centrão. Para viabilizar uma saída, o governo pretende bater de frente com outro lobby poderoso, o das Bets. Outro problema que fica para a volta é a nomeação do novo ministro do STF. Apesar de tudo indicar que o escolhido será Jorge Messias, o Planalto ainda precisará convencer o preterido Rodrigo Pacheco a ser o palanque mineiro de Lula nas eleições e mitigar as frustrações de seu cabo eleitoral, Davi Alcolumbre. Por isso também a urgência na exploração de petróleo na Margem Equatorial, nas águas profundas do Amapá, às vésperas da COP 30.

.A COP no divã. Autossabotagem é a melhor palavra para descrever a decisão do Ibama de autorizar a exploração de petróleo na foz do Amazonas a apenas duas semanas da COP 30. Mesmo com o malabarismo verbal da “transição energética justa”, é cada vez mais forte a percepção de que os interesses das petroleiras e a agenda ambiental são incompatíveis. Na verdade, o olho do governo cresceu depois que Guiana e Suriname começaram explorar o potencial energético da região há alguns anos. Desde então, estabeleceu-se o embate entre Petrobrás, Ministério de Minas e Energia e Casa Civil, de um lado, e o Ministério do Meio Ambiente, de outro. No meio, sempre esteve o Ibama. Marina Silva acabou isolada no pior emprego do mundo dentro do governo. Lula nunca escondeu sua vontade de levar adiante o projeto, mas manteve uma uma pressão moderada para não esvaziar completamente os compromissos ambientais do Brasil na opinião pública internacional. Mas, além de Lula e Alcolumbre, o sonho de um “emirado amazônico” seduz também as oligarquias regionais do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte de olho nos royalties. Aliás, tudo isso num contexto de crescente presença dos Estados Unidos na região e cada vez mais agressiva. A perspectiva é que a nova área ainda a ser prospectada, que fica a 500 quilômetros da foz do Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá, guarde a maior reserva de petróleo do país. Porém, a autorização do Ibama ainda pode sofrer revezes. O Ministério Público Federal no Amapá já havia acionado a Justiça Federal para a realização de um novo simulado de emergências antes que a autorização fosse concedida. Afinal, trata-se de um santuário ecológico ainda pouco estudado e que pode ser ameaçado por qualquer vazamento de óleo. Como era de se esperar, o tema agrava a crise que perpassa a COP 30 desde seu início. Deve consolidar-se um clima de divisão entre a COP oficial, amiga das petroleiras e do agronegócio, e a COP do povo, organizada paralelamente pelos movimentos populares, em defesa dos povos da floresta, do campo e dos afetados pelas mudanças climáticas.

.Estamos contratando. As contradições do governo na área ambiental só não são maiores que as da direita quando o assunto é a sucessão de Bolsonaro nas urnas. A começar pelas infindáveis páginas policiais que envolvem a família e os amigos. Depois da condenação do núcleo crucial do golpe pelo STF, que em breve deve ser executada, o grupo responsável por disseminar fake news e desacreditar as urnas eletrônicas também foi condenado. E o Supremo ainda solicitou à PGR a retomada das investigações sobre a participação de Valdemar da Costa Neto na trama golpista. Sem falar do avanço no processo de extradição de Carla Zambelli da Itália para o Brasil, onde aguarda para cumprir pena pela invasão do sistema do CNJ. Assim, a direita continua órfã de alternativas eleitorais. Trocando em miúdos, como lembra Thomas Traumann, ninguém ainda foi capaz de operacionalizar a delicada manobra de capturar os votos de Bolsonaro sem parecer bolsonarista demais, especialmente Tarcísio de Freitas, que abraçou-se à anistia no momento errado. É claro que o demérito não foi só de Tarcísio. Contou também o veto de Eduardo Bolsonaro a qualquer diálogo com o centrão e, no final, restou para o bananinha salvar o próprio mandato. Outro eterno candidato a presidente, Ciro Gomes, voltou às origens tucanas numa nova virada à direita, mas deixou de ser qualquer alternativa nacional e deve se concentrar nas disputas regionais do Ceará, onde talvez seja candidato ao governo. Na verdade, o mais animado candidato a herdeiro do bolsonarismo seria Luiz Fux se ele não fosse ministro do STF. Depois de condenar o delator e inocentar os delatados no julgamento do núcleo golpista, Fux tentou sem sucesso atrasar o acórdão da condenação. Agora, isolado dos colegas, Fux foi literalmente procurar a sua turma ao lado de André Mendonça e Nunes Marques, onde vai fortalecer a ala bolsonarista na Segunda Turma do Supremo e pode entrar em confronto com Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli. Lá, ele também terá condições mais favoráveis para reverter a inelegibilidade de Bolsonaro, matéria da qual é relator.


.Ponto Final: nossas recomendações.

.A revanche da financeirização: por que a desigualdade resiste no Brasil. No Terapia Política, Maria Luiza Falcão Silva explica porque as pautas igualitárias não avançam no Brasil.

.Como Brasil se tornou 5º maior mercado de bets no mundo. A BBC conta como nos tornamos o paraíso do golpe financeiro.

.Na sala de aula com minha nova aluna, a IA. O relato de uma docente sobre a invasão da tecnologia na sala de aula. No Intercept.

.Há 50 anos, Vlado foi morto pela ditadura. Mas as lições do professor continuam. O Jornal da USP lembra a saga de Vladimir Herzog meio século depois de sua morte.

.Os 10 anos da morte de um torturador. O major Carlos Alberto Brilhante Ustra é o retrato da impunidade dos crimes da ditadura. No Construir Resistência.

.O que urnas funerárias descobertas na Amazônia revelam sobre os antigos habitantes da maior floresta do mundo. Na BBC, veja a incrível história de uma descoberta arqueológica brasileira.

.EUA: Decadência e fim da imaginação. Enquanto a China projeta um futuro para a humanidade, resta ao imaginário norte-americano decadência e distopia. Por Estevam Dedalus no Outras Palavras.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.