Segue texto que escrevi, pensando nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!
"Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede." (João 4,14).
A relação entre as CEBs e João 4,1–42 é profunda. As CEBs são como o poço de Jacó hoje: lugar de encontro, diálogo, escuta, conversão e missão. Nas CEBs, Jesus continua oferecendo a água viva, que gera fé comprometida, vida em abundância e esperança para o povo.
A conversa de Jesus com a mulher samaritana, junto ao poço, revela de forma profunda o jeito de Jesus ser Igreja. Esse mesmo jeito inspira e sustenta a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Jesus se aproxima da realidade concreta da mulher. Ele está cansado, com sede, sentado à beira do poço, lugar cotidiano do povo simples. Assim também são as CEBs: uma Igreja que não espera as pessoas irem até o templo, mas que se faz presente onde a vida acontece, nos poços da existência, nas casas, nos bairros, nas periferias e no campo.
Jesus rompe barreiras sociais, religiosas e culturais. Judeu, conversa com uma mulher, samaritana, considerada excluída e impura. As CEBs vivem esse mesmo espírito quando acolhem os pobres, as mulheres, os marginalizados, os esquecidos, reconhecendo sua dignidade e seu valor. Nas CEBs, ninguém é invisível.
A partir de uma necessidade concreta – a água – Jesus conduz ao anúncio da água viva, que sacia a sede mais profunda: sede de sentido, de dignidade, de justiça e de vida plena. Do mesmo modo, nas CEBs, a Palavra de Deus nasce da realidade do povo e aponta para uma fé que transforma a vida. Não é uma fé distante, mas encarnada, que gera esperança e compromisso.
A mulher samaritana faz um caminho de descoberta. Começa vendo Jesus como um simples homem, depois como profeta, e aos poucos reconhece o Messias. Esse processo lembra a pedagogia das CEBs: caminhar juntos, refletir, partilhar, amadurecer a fé aos poucos, sem imposições, respeitando o tempo das pessoas.
Ao final, a mulher se torna missionária: deixa o balde, volta à cidade e anuncia o que viveu. Assim também acontece nas CEBs: quem experimenta a água viva do Evangelho sente-se chamado a partilhar, organizar, animar, sente pertencente a comunidade. O povo se torna sujeito da evangelização.
A Samaria, o poço sugere o lugar da abertura. Jesus é aberto às riquezas que os Povos de Deus revelam, de forma especial dos pobres e oprimidos. Por isso, mais do que semear e levar “verdades”, Jesus vai reconhecendo a água viva que encontra no íntimo de cada pessoa, no coração de cada ser humano, como encontrou no coração da mulher samaritana. O diálogo de Jesus com a samaritana deixa claro que sua missão é abrir poços, muitas vezes proibidos pelas conveniências sociais, pela lei, pelos muros da exclusão social.
Somos muitas vezes tentados a achar que temos a água e que o povo tem a sede. Esquecemos que, na verdade, todos somos uma mistura de água e de sede. Isso revela em profundidade que o poço é o lugar onde a água e a sede encontram-se, misturam-se e complementam-se. Assim é nas Comunidades Eclesiais de Base.
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