19 janeiro, 2026

CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!

Segue texto que escrevi, pensando nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!

"Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede." (João 4,14).

A relação entre as CEBs e João 4,1–42 é profunda. As CEBs são como o poço de Jacó hoje: lugar de encontro, diálogo, escuta, conversão e missão. Nas CEBs, Jesus continua oferecendo a água viva, que gera fé comprometida, vida em abundância e esperança para o povo.

A conversa de Jesus com a mulher samaritana, junto ao poço, revela de forma profunda o jeito de Jesus ser Igreja. Esse mesmo jeito inspira e sustenta a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Jesus se aproxima da realidade concreta da mulher. Ele está cansado, com sede, sentado à beira do poço, lugar cotidiano do povo simples. Assim também são as CEBs: uma Igreja que não espera as pessoas irem até o templo, mas que se faz presente onde a vida acontece, nos poços da existência, nas casas, nos bairros, nas periferias e no campo.

Jesus rompe barreiras sociais, religiosas e culturais. Judeu, conversa com uma mulher, samaritana, considerada excluída e impura. As CEBs vivem esse mesmo espírito quando acolhem os pobres, as mulheres, os marginalizados, os esquecidos, reconhecendo sua dignidade e seu valor. Nas CEBs, ninguém é invisível.

A partir de uma necessidade concreta – a água – Jesus conduz ao anúncio da água viva, que sacia a sede mais profunda: sede de sentido, de dignidade, de justiça e de vida plena. Do mesmo modo, nas CEBs, a Palavra de Deus nasce da realidade do povo e aponta para uma fé que transforma a vida. Não é uma fé distante, mas encarnada, que gera esperança e compromisso.

A mulher samaritana faz um caminho de descoberta. Começa vendo Jesus como um simples homem, depois como profeta, e aos poucos reconhece o Messias. Esse processo lembra a pedagogia das CEBs: caminhar juntos, refletir, partilhar, amadurecer a fé aos poucos, sem imposições, respeitando o tempo das pessoas.

Ao final, a mulher se torna missionária: deixa o balde, volta à cidade e anuncia o que viveu. Assim também acontece nas CEBs: quem experimenta a água viva do Evangelho sente-se chamado a partilhar, organizar, animar, sente pertencente a comunidade. O povo se torna sujeito da evangelização.

A Samaria, o poço sugere o lugar da abertura. Jesus é aberto às riquezas que os Povos de Deus revelam, de forma especial dos pobres e oprimidos. Por isso, mais do que semear e levar “verdades”, Jesus vai reconhecendo a água viva que encontra no íntimo de cada pessoa, no coração de cada ser humano, como encontrou no coração da mulher samaritana. O diálogo de Jesus com a samaritana deixa claro que sua missão é abrir poços, muitas vezes proibidos pelas conveniências sociais, pela lei, pelos muros da exclusão social.

Somos muitas vezes tentados a achar que temos a água e que o povo tem a sede. Esquecemos que, na verdade, todos somos uma mistura de água e de sede. Isso revela em profundidade que o poço é o lugar onde a água e a sede encontram-se, misturam-se e complementam-se. Assim é nas Comunidades Eclesiais de Base.

Oração

"Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! A quem iremos pedir ajuda e salvação? Quero agradecer-Te porque, cada dia, a tua palavra ecoa no meu coração, sempre viva, sempre nova, sempre exigente, sempre provocante. Que jamais me esconda atrás dos meus cálculos mesquinhos. Que eu Te siga pelos caminhos da liberdade e do amor, porque sempre lanças os meus pecados para o fundo do mar, e me dás possibilidade de ressuscitar como nova criatura, amada por Deus Pai. Amém."

Fonte: Dehonianos