06 fevereiro, 2026

Olimpíadas de Inverno, Clima e o Clamor da Criação

A 25ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 acontecerão nos Alpes da Itália. A edição será realizada entre os dias 6 e 22 de fevereiro de 2026, com competições distribuídas entre Milão e Cortina d’Ampezzo.


As Olimpíadas de Inverno desde as primeiras edições, despertaram admiração: atletas deslizando sobre a neve, montanhas cobertas de branco, o silêncio do gelo e a beleza do frio. Durante muito tempo, o inverno parecia uma certeza da criação, parte do ritmo da vida.

Mas hoje, essa paisagem está mudando. Estudos apontam que, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, poucas cidades no mundo terão condições climáticas adequadas para sediar as Olimpíadas de Inverno nas próximas décadas. Isso não é apenas um problema esportivo ou logístico. É um sinal claro de que o clima do planeta está entrando em um novo regime, onde fenômenos antes estáveis — como o frio intenso — tornam-se incertos.

O aquecimento global tem reduzido a neve natural, encurtado os invernos e ameaçado o equilíbrio da Terra. Muitas cidades já precisam “fabricar” neve artificial para manter as competições.

E isso nos provoca uma pergunta: o que está acontecendo com a Casa Comum que Deus nos confiou?

A Criação é dom, não mercadoria, a Bíblia começa com um hino de amor à criação: “Deus viu que tudo era muito bom.”(Gênesis 1,31). O mundo não nasceu como produto de consumo, mas como dom. A neve, o gelo, os rios e montanhas não são apenas cenário para esportes ou turismo — são sinais da beleza de Deus.

O Papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si” recorda: “A criação é uma carícia de Deus.” (LS 84), quando o clima se desequilibra, não estamos diante de um simples problema técnico: estamos ferindo um presente sagrado.

A Terra geme como uma mãe ferida. O apóstolo Paulo descreve a dor da criação: “Toda a criação geme e sofre como em dores de parto.” (Romanos 8,22). O planeta está gemendo: geleiras derretem, florestas queimam, mares sobem, chuvas se tornam destrutivas. As Olimpíadas de Inverno, que dependem do frio e da neve, tornam-se um símbolo desse gemido: até o inverno está desaparecendo.

Na Laudato Si’, lemos: “Nunca maltratamos e ferimos a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos.” (LS, 53), o cuidado com a criação é parte da fé, muitas vezes pensamos que fé se limita ao templo. Mas Deus nos chama a cuidar do jardim: “O Senhor colocou o ser humano no jardim do Éden para o cultivar e guardar.” (Gênesis 2,15). Cultivar e guardar não é opção - é missão.

A ecologia integral não é moda: é Evangelho vivido. “Tudo está interligado.” (Laudato Si’, 91). O sofrimento da Terra se conecta ao sofrimento dos pobres, que são os primeiros a sentir os impactos climáticos. Um alerta - o progresso sem limites destrói.

As Olimpíadas também revelam um paradoxo: grandes eventos, viagens, consumo, obras, emissões…, a humanidade criou uma lógica que transforma tudo em espetáculo e lucro. Jesus nos adverte: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?” (Marcos 8,36). Poderíamos dizer hoje - que adianta ganhar medalhas, se perdermos o inverno? Que adianta progresso, se destruirmos a criação?

Há Esperança e precisa-se de conversão ecológica. A Palavra de Deus nunca termina em desespero, ela chama à conversão. “Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21,5). Na Laudato Si’, o Papa Francisco insiste: “É necessária uma conversão ecológica.” (LS, 217), Isso significa: mudar hábitos de consumo; lutar por justiça climática; apoiar políticas sustentáveis; educar as novas gerações; rezar e agir em comunidade.

Que assumamos nossa missão com a Casa Comum, como Francisco de Assis, e que nossas comunidades sejam sinal de esperança.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

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