07 dezembro, 2017

Ninguém te ensinou como se ama uma mulher


Eu sei, é difícil.

Ninguém te ensinou como se ama uma mulher. Tudo o que você aprende sobre como uma mulher deve ser é o oposto do que te ensinam sobre o que é admirável: força, inteligência, agilidade, assertividade, coragem.




Ninguém te ensinou como se ama uma mulher

Eu sei, é difícil.

Ninguém te ensinou como se ama uma mulher. Tudo o que você aprende sobre como uma mulher deve ser é o oposto do que te ensinam sobre o que é admirável: força, inteligência, agilidade, assertividade, coragem. O mundo é um apanhado imagético de símbolos que valoriza tudo o que dizem que uma mulher não deve ser. Tudo começou a dar errado porque você não nasceu um homem. Porque você não é consumidor. É fornecedora. E vai dar trabalho. A princesinha. Sempre frágil. Esperando um príncipe, que te aceite, que te ame. Que venha te salvar.

Você foi criada para implorar amor. Para ser uma “mocinha comportada e boazinha”. Senão “ninguém iria gostar de você”. Aliás, você foi ensinada que ninguém iria gostar de você por muitos motivos: se você fosse feia, se você fosse desafiadora, se você fosse muito inteligente. Te mostraram que você precisa de aceitação e validação o tempo todo. Você foi criticada a vida inteira. E você aprendeu a criticar também. Aprendeu a odiar outras mulheres. A julgá-las. Por sua roupa, seu comportamento, sua aparência. O tempo todo.

É difícil se amar assim, eu sei. Se esperam que você seja burra, bela, frágil e acessível. Se você não ser pode ser humana, natural, amar seu corpo como ele é. Com pelos, com manchas, com formas. Se o mundo exige um esforço enorme para que você atenda às expectativas do que te dizem que é ser mulher. E se você não corresponde, te rejeitam, te criticam, te rebaixam, riem de você, fazem piada, debocham, duvidam. E o tempo todo tentam te colocar no seu lugar. Seu lugar de menina bonita esperando marido.

Homens também não são ensinados a amar mulheres. Mas antes a desejá-las, cobiçá-las como troféus, consumi-las como a um objeto. Não são ensinados a admirá-las. Não são ensinados a vê-las e aceitá-las em sua plenitude. Como companheiras. São ensinados a avaliar seu corpo, a explorar sua mão de obra, a esperar sua submissão, sua servidão. A ignorar suas mentes, desejos, particularidades.

Não, também não é fácil para um homem amar uma mulher. A mulher que ele aprende a ansiar não existe de verdade. É um amontoado de estereótipos e frases feitas. É um ser mutilado, depilado, fantasiado. Que não sangra, não escarra, não diz não. É alguém que deve estar ali por ele, pra ele. Servil.

Ninguém é ensinado a amar mulheres como elas são.

Então, eu sei. É difícil se olhar no espelho e se ver como uma pessoa. Quando a vida inteira você foi vista como um pedaço de carne. “Feia de corpo, mas bonita de rosto”, “feia, mas gostosa”, “bonita e inteligente”, “burra, mas gostosa”, “bacana, mas muito feia”. É doloroso. Homens são pessoas. Mulheres são um objeto sempre avaliado em função de como se parecem.

E eu tenho certeza, certeza absoluta aliás, que você é tantas outras coisas.

Você, mulher, é uma pessoa. E eu sei que isso parece meio óbvio mas essa é uma percepção importante para que você olhe para si e seja capaz de olhar para além das imperfeições que passaram a sua vida inteira inventando que você tem.

Você tem emoções, sentimentos, ideias, amigos, família, conquistas, derrotas. Tem histórias para contar. Tem realizações. Tem aquilo que você é capaz de fazer tão bem, com tanto carinho. E tem seus erros, seus dias ruins. Como qualquer um.

Você é uma pessoa.

E você merece se amar. De verdade. Merece se libertar dessa prisão maldita chamada feminilidade e beleza. Chamada submissão. Amar cada pedaço do seu corpo, ilimitadamente. Amar sua voz, a maneira como você sorri. Amar as suas boas e más ideias. Amar o que você produz. Você merece amar a pessoa maravilhosa que você é. Incondicionalmente.

Você merece amar outras mulheres. Admirá-las. Criar laços legítimos de união. Ser capaz de criar vínculos verdadeiros, compartilhar tantas coisas em comum. Ter o aconchego de boas amigas que vão saber como você se sente porque passaram pelas mesmas dores. Porque compartilham da tua biologia. Porque compartilham da tua socialização. Mulheres não são inimigas. Não são competidoras. Nenhum homem na Terra merece ter a possibilidades de afeto entre duas mulheres afetada por causa dele.

E você merece ser amada. Por pessoas que olhem nos seus olhos, não para os seus seios. Que gostem do que você diz, do que você faz. Não de como você aparenta. Você merece alguém que vai amar o que você é, porque isso é o que você vai levar para sua vida inteira. Alguém que seja capaz de admirar sua inteireza e todas as transformações do seu corpo e da sua mente.

Sim eu sei que nada nem ninguém nos ensina como é possível amar mulheres. Enquanto pessoas. Seres humanos. Mas mulheres são isso, apenas pessoas. Não são divas, princesas, rainhas, beldades, sagradas, divinas. São maravilhosas e admiráveis pessoas, com qualidades e defeitos como qualquer um, espalhadas por aí, pela metade da população do mundo, esperando e merecendo respeito. Admiração genuína. E apesar de tudo que nos ensinaram, e de ser difícil sim, para amar de verdade mulheres basta enxergá-las como elas são.


Fonte: Texto de Cila Santos para QG Feminista, 17/11/2017.

Oração


"Ó Maria, Senhora da esperança, Senhora do Advento, ensina-me a acolher Jesus, a Palavra feita carne. Ajuda-me a fundamentar n ‘ Ele a minha vida e as minhas obras, para que sejam consistentes e seguras perante as investidas do naturalismo, do materialismo, do hedonismo e da sensualidade. Que o teu exemplo seja luz para os meus caminhos. Que eu jamais construa sobre as areias movediças de projectos que não tenham em conta o projecto do Pai. Que, como Tu, saiba pôr de parte os meus projectos para generosamente entrar nos projectos de Deus. Que jamais me deixe iludir por palavras que não levem à obediência amorosa e alegre à vontade do Pai.
Senhora do Advento, apresenta ao Pai o meu coração arrependido e humilhado por tantas vezes ter querido mais aparecer do que ser. Com a tua ajuda, quero tornar¬me membro vivo do povo do Senhor e caminhar na humildade e na justiça, para encontrar morada na cidade santa de Deus. Amém."

Fonte: Dehonianos

Tiririca Renuncia - Discurso de despedida no Plenário da Câmara

06 dezembro, 2017

Humildade não é ser educado, cortês, fechar os olhos em oração!

“Há um sinal, um sinal, o único: aceitar as humilhações. A humildade sem humilhações não é humildade. Humilde é aquele homem, aquela mulher que é capaz de suportar as humilhações como Jesus as suportou, o humilhado, o grande humilhado”. 

Papa Francisco

05 dezembro, 2017

Descanse em Paz minha tia Ide!

Descanse em Paz minha tia Ide!


Sei que o nosso Deus é pai cheio de ternura e amor e você minha tinha que tão divertida era é por Ele assim acolhida.

“Ele (Jesus) morreu por nós para que, quer despertemos quer adormeçamos, vivamos junto com ele” (1 Tes 5, 10). 

“E assim para sempre estaremos com o Senhor” (1 Tes 4, 17). 

“Eu sei que o meu redentor está vivo […] Eu o verei, eu mesmo, os meus olhos o contemplarão” (Jo 19, 25.27).

Nota de Repúdio ao despejo das famílias em Pinhão/Paraná - Cáritas Brasileira Regional Paraná

No documento, a entidade remonta a história da luta pela terra no Estado, sobretudo a questão agrária em Pinhão, onde, antes da chegada da madeireira Zattar, em 1940, viviam cerca de 2 mil famílias de posseiros. “A ocupação da área pela empresa ocorreu em detrimento de famílias de pequenos agricultores que já habitavam as terras desde o Brasil imperial. Elas foram expulsas e assim a indústria constituiu um dos maiores complexos latifundiários do Paraná”, aponta a nota.



 Nota de Repúdio ao despejo das famílias em Pinhão/Paraná

A Cáritas Brasileira Regional Paraná vem a público protestar contra o despejo realizado dia 01 de dezembro de 2017, de 100 famílias que moravam em duas comunidades rurais no município de Pinhão, centro sul do Paraná. A intervenção federal foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo pedido da indústria madeireira Zattar, uma das maiores devedoras da União, com altas dívidas junto a Fazenda Nacional.

Veja manifestação de Dom Anuar Battisti sobre o caso

As famílias moravam nas comunidades rurais há mais de 25 anos e viviam na área produzindo alimentos e criando animais. A questão agrária em Pinhão é uma das mais emblemáticas da luta pela terra no Paraná, tendo seus primórdios ainda no início do século 20, no conflito entre posseiros e empresas particulares, em especial a madeireira Zattar, que chegou a região na década de 40. A ocupação da área pela empresa ocorreu em detrimento de famílias de pequenos agricultores que já habitavam as terras desde o Brasil imperial. Elas foram expulsas e assim a indústria constituiu um dos maiores complexos latifundiários do Paraná.

Estima-se que antes da chegada da empresa quase 2 mil famílias de posseiros viviam em comunidades tradicionais, conhecidas como faxinais. A madeireira chegou a ocupar 80 mil hectares na região centro-sul do estado. Já para os faxinalenses instalou-se uma luta desigual pela titularidade das terras. Atualmente são 12 acampamentos sem terra em uma área total de 60 mil hectares e aproximadamente dois mil acampados.

O governo do Paraná deslocou um grande aparato policial para a ação com o intuito de devastar a vida de 100 famílias, cumprindo uma ordem judicial injusta, em momento de crise social tão grave em nosso país, com cerca de 14 milhões de desempregados. Foram destruídas casas de alvenaria, escola, padaria comunitária e a igreja, lugar sagrado de encontro e comunhão.

O Papa Francisco no seu segundo encontro mundial com os movimentos sociais, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, levantou sua voz para dizer: A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: os famosos três “T”: terra, teto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados.

Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.

E acrescentou, depois de dizer que as coisas não andam bem: Então, se reconhecemos isto, digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança. Se isso é assim – insisto – digamo-lo sem medo: Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos... E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra.

Desalojar famílias, sem sugerir alternativas, é um ataque aos direitos sociais, principalmente aos dos mais pobres, que através de uma luta justa e legítima buscam um pedaço de terra como um caminho para conquistar a dignidade.

O governo federal, por meio do INCRA, também é responsável por destruir a vida de mais essas famílias. Na semana passada uma audiência pública foi realizada em Pinhão para tratar dos problemas fundiários que perduram por décadas na região e tem raiz nos conflitos entre posseiros e madeireiras, apesar do risco de violência contras às famílias, o secretário de Assuntos Fundiários do Estado do Paraná, se limitou a informar que havia tratativas de negociação entre o proprietário e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) até o ano passado, porém com a mudança no governo federal, a situação estagnou, reduzindo a reforma agrária a um mero processo burocrático, ignorando a existência de seres humanos, a improdutividade do imóvel, o fator político e econômico. Imitando Pilatos, lavou as mãos.

Desta forma, a Cáritas repudia veementemente a violência utilizada contra as famílias em Pinhão, sob as ordens do Supremo Tribunal Federal e executado pelo governo do Paraná, assim como, a falta de uma política para a democratização das terras. Ao tempo que exige do INCRA e do Governador do Estado que encontre outra área na região para minimizar o sofrimento e o constrangimento que o Estado impôs a essas famílias.

Despejo das famílias em Pinhão/Paraná - Dom Anuar Battisti lamenta a destruição de casas e igreja

04 dezembro, 2017

“O leigo não é um súbdito, é parte integrante do processo eclesial” Celso Carias

Entrevista com o teólogo Celso Carias faz parte da Comissão do Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs. 


“O leigo não é um súbdito, é parte integrante do processo eclesial” Celso Carias

A Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”

A chegada do Papa Francisco trouxe de volta a teologia do Vaticano II, que partindo de uma Igreja Povo de Deus pretendia fazer realidade um modo de organização em que todos e todas tenham um protagonismo comum dentro da instituição eclesiástica.

Nessa perspectiva, a Igreja do Brasil instituiu para 2018 o Ano do Laicato, com o tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em Saída”, ao serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do mundo”. A festa de Cristo Rei tem sido a data escolhida para sua apertura.

O teólogo Celso Carias faz parte da Comissão do Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e nesta entrevista nos ajuda a refletir sobre a necessidade de reconhecer a importância do laicato como elemento fundamental no futuro da própria Igreja Católica.

Numa Igreja onde impera o clericalismo, que o Papa Francisco define como “um câncer”, como bem nos lembra Celso Carias, o Ano do Laicato pode abrir novas perspectivas e caminhos, que reconheçam a importância de todos, também das mulheres, verdadeiras artífices da presença eclesial nas periferias do Brasil e para quem se faz necessário um reconhecimento explícito da Igreja.

Acima de tudo, o Ano do Laicato tem que ajudar a entender que o leigo não é súbdito e sim parte integrante do processo eclesial. Por isso, se faz necessário que a Igreja se organize a partir do sacramento do batismo e não do sacramento da ordem.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convocou o Ano do Laicato, iniciado com a festa de Cristo Rei. Como membro da Comissão Episcopal para o Laicato, quais são as motivações do Ano de Laicato?

Celso Carias – Desde o início do Pontificado do Papa Francisco tem-se retomado muito a dimensão da necessidade de integrar o laicato na vida eclesial. Isso possibilitou que a Comissão do Laicato pudesse sugerir, depois o Documento 105 da CNBB, que é o documento que fala justamente da dimensão laical, um evento na Igreja do Brasil que pudesse chamar a atenção para essa necessidade de integração do laicato e ao mesmo tempo a vocação do laicato e sua espiritualidade dentro do processo eclesial.

Reunindo todos esses fatores foi feita a sugestão, foi bem recebida e aceita e aí se efetivou o ano 2018 como o Ano Nacional do Laicato.

De fato, essa integração do laicato na Igreja do Brasil, dentro da vida e da toma de decisões, é algo que já está se fazendo ou ainda é uma realidade pouco presente?

Celso Carias – Temos que ser sinceros. Logo após do Vaticano II, na América Latina, também no Brasil, que conhecemos melhor, houve sim uma boa integração do laicato com todo o processo eclesial. No entanto, acabamos vivendo um período de nova centralização, um pouco na linha daquilo que o Papa Francisco chama de auto referencial, e aí nesses últimos trinta e poucos anos aconteceu que o laicato acabou não tanto tendo um papel protagonista, mas um papel mais submetido a uma centralização do poder clerical, no sentido de clericalismo.

Isso foi algo que foi afastando daquilo que era a lógica da eclesiologia do Vaticano II. O que estamos propondo na verdade é uma retomada da eclesiologia do Vaticano II, que é  eclesiologia de Igreja como Povo de Deus.

Esse clericalismo, que o Papa Francisco define como um dos grandes pecados da Igreja é algo que só está presente no clero, ou o próprio laicato é clerical?
Celso Carias – O Papa Francisco usa às vezes figuras muito fortes e ele fala que o clericalismo é um câncer, e câncer não escolhe, digamos assim, um único setor do corpo, ele ataca o corpo como um todo. Então, o clericalismo é uma experiência de auto-referencialismo que vai para todos os cantos, inclusive, infelizmente, para o próprio laicato.

Há laicato clerical, diáconos permanentes clericais, todos os setores da Igreja que infelizmente acabam caindo nisso que o Papa Francisco tem tanto acentuado nesses últimos anos, que não se expressa na dimensão do serviço, não se expressa na dimensão da recuperação da identidade e da cidadania pelo batismo, mas sim por essa centralização.

Como assessor nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e seu representante na Comissão Episcopal para o Laicato, Qual é o papel que as CEBs podem ter no Ano do Laicato?

Celso Carias – Acredito que podem ter um papel muito importante. Embora evidentemente hoje as CEBs não se constatem como meio articulador da pastoral na grande maioria das dioceses, mas o laicato das CEBs é um laicato bastante preparado, com consciência crítica, com fundamentação bíblica, que pode fazer a diferença nesse momento em que a Igreja do Brasil proporciona um espaço de reflexão sobre os leigos e leigas.

Creio que as CEBs aí, mesmo não sendo maioria, muito pelo contrario, podem sim ajudar a pautar, a refletir, a apontar, como já foi dito ainda há pouco por mim, na direção da eclesiologia Povo de Deus, que é isso que está se querendo resgatar.

O papel da mulher na Igreja está querendo ser resgatado, sendo colocado num lugar de maior protagonismo pelo Papa Francisco. O ano do laicato pode ser um momento importante para que o papel da mulher, sobretudo da mulher leiga, seja reconhecido pela Igreja do Brasil?

Celso Carias – Eu também não tenho dúvida, claro que numa dimensão de processo, não vamos esperar que ao longo de 2018 as mulheres leigas passarão a ser protagonistas em varias dimensões da vida eclesial, seria esperar demais.

Mas não há dúvida que também, como nos diz o próprio título do documento 105, ele configura a questão de género, ao falar de leigos e leigas. Essa consciência de que a mulher não pode ser tratada como submissa à realidade do machismo, é muito forte na compreensão de muitos leigos e leigas e é necessário chamar a atenção para isso.

Acredito que como processo, como elemento que vai levar à reflexão e ao questionamento, pois aí também precisa questionar, não tenho dúvida que se ampliara essa consciência.

Também porque a gente não pode fechar os olhos e dizer que as mulheres não são importantes, quando de fato são a maioria ou a prática totalidade da presença laical na Igreja. Podemos continuar considerando a mulher dentro da Igreja com um papel subserviente?

Celso Carias – De forma alguma, e muitas vezes sendo tratada como ser humano de segunda categoria. Muitos falam isso, não foi uma imagem que eu inventei, eu vi gente do povo falando isso. Eu sou da Baixada Fluminense, onde muitas comunidades são lideradas por mulheres, e se não fosse pelas mulheres, a maioria dessas comunidades estariam fechadas.

Deixar de reconhecer essa importância, esse papel fundamental, é colocar a poeira embaixo do tapete. É fundamental venha às claras, que isso seja colocado de maneira igual, cada um na sua especificidade de género, mas com a igualdade fundamental da dignidade.

Fechar essas comunidades seria acabar com a presença da Igreja Católica nas periferias. Quando essas mulheres vão ter um reconhecimento expresso da Igreja a partir de um ministério, que poder ser um ministerio laical ou as diaconisas, das que tanto a gente escuta falar, ou inclusive outras propostas nas quais um dia a gente pode chegar lá? Isso é uma necessidade, as mulheres precisam disso?
Celso Carias – Não tenho nenhuma dúvida que esse reconhecimento é extremamente necessário. Evidentemente que, antes disso, e não é sem fundamento que o Papa Francisco fala muito disso, é necessário atacar o clericalismo. Mas simbolicamente é importante que as mulheres ocupem sim esses espaços de referência, como por exemplo, está já em fase de estudo, a questão do ministério diaconal para as mulheres. Não há, aí eu falo como teólogo, não sou nenhum teólogo de grande profundidade, mas não consigo observar nada nem na Bíblia, nem na tradição magisterial, que possa impedir a mulher de ser contemplada com um ministério específico, como por exemplo o ministério de diaconisa.

Quais podem ser os passos, perspectivas, intuições, que podem nascer do Ano do Laicato?

Celso Carias – Podemos elencar alguns dos que já apareceram na nossa conversa, mas talvez, em grau de importância, o que a gente espera é que seja retomado essa consciência de que leigo e leiga é membro efetivo da Igreja pelo batismo, e não essa posição quase de súbdito muitas vezes que se coloca na realidade eclesial das dioceses, das paróquias.

Leigo não é súbdito, leigo é parte integrante do processo. Se alguma coisa nessa direção for feita, e eu acredito que possa dar uma contribuição nesse sentido, creio que o Ano do Laicato já valerá a pena.

Também porque o sacramento principal e primeiro é o batismo. De fato, numa ocasião 1perguntou ao Papa Bento qual tinha sido o dia mais importante na sua vida e ele respondeu que o dia do seu batismo. Quando a Igreja vai se organizar a partir do batismo e não do sacramento da ordem?

Celso Carias – Essa é a questão chave, a chave está aí. Numa carta que o Papa Francisco escreveu ao cardeal Oullet, responsável pela Comissão para América Latina, ele falou algo parecido, mas acho que foi até mais contundente, ele diz na carta que ninguém nasce bispo, padre, nós nascemos para a Igreja pelo batismo.

Esse é o postulado fundamental. Recuperar essa teologia é importantíssimo. Se a gente quer pensar em termos de futuro. Se a gente está pensando em mundo moderno, nos desafios urbanos, nos desafios que estão aí circundando na nossa experiência de fé, sem protagonismo dos leigos e leigas acho que a gente vai estar se dando muitos tiros nos nossos dois pés.

Por Luis Miguel Modino
Comunicação das CEBs do Brasil

Fonte: Site CEBs do Brasil

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!

“Como a jovem de Nazaré, vocês podem melhorar o mundo, para deixar um sinal que marque a história”.

Papa Francisco

Oração

"Vem, Senhor Jesus! Precisamos de Ti, da realização das tuas promessas. 
Precisamos da tua palavra, que nos ensine a pôr de lado a prepotência, as incompreensões, as divisões e a violência e a percorrer os caminhos da paz.

Vem, Senhor Jesus! Ilumina os nossos passos com a luz do teu rosto, e fortalece os nossos corações para sejamos capazes de transformar as lanças em foices e as espadas em relhas de arado.
Vem, Senhor Jesus! Vem às nossas vidas, para nos iluminar, nos curar, nos dar a paz.
Vem, Senhor Jesus! E, como o centurião, testemunharemos a nossa fé e a nossa confiança em Ti, bem como a nossa gratidão por Te fazeres nosso companheiro de viagem e nosso hóspede: «Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado!»
Vem, Senhor Jesus! Vem, Senhor Jesus!"

Fonte: Dehonianos

Despejo de famílias de posseiros na comunidade Alto Alecrim


Despejo de famílias de posseiros na comunidade Alto Alecrim (existente a mais de 25 anos), município de Pinhão - PR. Destruição imediata de casas, igreja e outros espaços comunitários. Cenas que correm o mundo.

01 dezembro, 2017

Advento!



Advento, tempo de esperança. Aproximar-se, chegar aos poucos. 
Esse é o jeitinho carinhoso de Jesus. Isso é lindo.
Para nós isso nos leva a uma expectativa gostosa. Espera e Esperança. Como é bom.
Nosso Deus em Jesus se revela. Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza.  
Más é preciso ficarmos atentos e vigilantes.
Com o Advento recordamos a dimensão histórica da salvação  e nos inserimos no agir missionário da vinda de Cristo. 
Em Jesus nosso Deus confirma a promessa feita com o povo de Israel.  Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . 
Com o Advento temos oportunidade de recordar o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8).
No exemplo missionário de Maria e João Batista que preparam o cominho do Senhor o convite para que cada uma e cada um de nós sejamos missionárias e missionários, levando o Cristo a todas as pessoas e a todos os lugares.
Sermos presença de Cristo para renovarmos as atitudes e estruturas que afasta, oprime e exclui.
Para tanto, o tempo do Advento é um convite a conversão. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

30 novembro, 2017

Sobre lucros, raposas e galinhas - ganhos dos bancos não param de crescer!

Em meio à crise, ganhos dos bancos não param de crescer. Enquanto isso, Itaú recebe perdão de R$ 25 bilhões de impostos devidos — quase o orçamento do Bolsa Família em 2017.


A família Setúbal, maior acionista do Itaú, quando o patriarca Olavo ainda era vivo: as raposas (Foto: Outras Palavras)


O artigo é de José Álvaro de Lima Cardoso, economista, publicado por Outras Palavras, 27/11/2017.

O país atravessa a mais grave recessão da história, com quase três anos de queda da produção industrial, diminuição darenda e elevação do desemprego. O lucro líquido dos quatro maiores bancos do Brasil cresceu 10,4% no 3º trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016. Segundo estudo da empresa Economatica, a soma dos lucros do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander no período entre julho e setembro, alcançou R$ 13,6 bilhões ante R$ 12,3 bilhões no mesmo período do ano passado. O maior lucro foi o do Itaú Unibanco, que chegou a R$ 6,077 bilhões. Dos três bancos, dois são privados, um inclusive, estrangeiro.

Os bancos privados no Brasil quase não emprestam, ou seja, não cumprem a função que deveria ser a razão de sua existência, a intermediação e disponibilização do crédito. Em Santa Catarina, por exemplo, os bancos privados respondem por apenas 10% do crédito disponível, não intermedeiam os programas sociais do governo e empregam apenas 30% dos bancários. Ademais, pagam salários que equivalem a 86% dos salários dos trabalhadores dos bancos públicos, segundo a RAIS 2016.

Esse é o quadro em todo o país: os bancos privados praticamente não disponibilizam crédito, exploram seus trabalhadores acima da média do setor, não desempenham função social nenhum e faturam lucros exorbitantes, totalmente descolados da situação econômica geral do País. O que mostra que algo está profundamente errado. O sistema financeiro é um dos principais grupos de interesse do golpe de Estado que está em curso no País. O golpe foi desferido por interesses econômicos muito concretos. Por exemplo, recentemente foi concedido ao banco Itaú (que teve mais de R$ 6 bilhões de lucros líquidos no terceiro trimestre deste ano, como vimos), pelo Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), ligado à Receita Federal, o perdão de impostos que totalizavam R$ 25 bilhões. A doação é feita ao mesmo tempo em que, usando como pretextos a crise e a falta de dinheiro, o governo empreende o maior ataque aos direitos sociais e trabalhistas registrados na história do Brasil.

Só para efeito de comparação do que representa o valor doado, a Lava Jato, que os ingênuos dizem que investiga o maior caso de corrupção da história do pais, apurou desvios totais da ordem de R$ 6,2 bilhões. Valores que foram superestimados visando obter o apoio da opinião pública para a Operação, verdadeiro Cavalo de Troia e elemento chave para a operacionalização do golpe contra a democracia em 2016. Os recursos doados pelo Carf ao Itaú, que vão beneficiar meia dúzia de super ricos, equivale praticamente ao orçamento do Bolsa Família para este ano, Programa que retira do flagelo da fome quase 50 milhões de compatriotas. Isso num ano em que o governo terá o maior déficit fiscal da história, pretexto a partir do qual o governo ilegítimo está vendendo empresas públicas estratégicas, à preço de banana.

A chamada Emenda da Morte (EC 95), que limitou os gastos da despesa primária federal a partir de 2017 à inflação, foi claramente uma inspiração direta do capital financeiro. A Emenda atinge diretamente a soberania nacional. O congelamento do gasto público, que valerá por 20 anos, tem o objetivo expresso de pagar ainda mais juros da dívida pública, o que é de uma subserviência absoluta ao capital financeiro. As despesas públicas irão decrescer a sua participação relativa no PIB, toda vez que houver crescimento econômico, o que só poderia vir mesmo através de um golpe contra o povo. A proposta não aplica aos juros a mesma lógica de corrigi-los pela inflação, o que revela que o objetivo é mesmo transferir recursos da sociedade para o setor financeiro, já que os juros praticados no Brasil são os mais elevados do mundo.

Noticia a imprensa que o governo golpista está para enviar ao Congresso a nova lei de resolução bancária, que tornará legal a injeção de dinheiro público, via Tesouro Nacional para salvar bancos com problemas financeiros. Atualmente isso é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que veio numa situação de grave crise fiscal na década de 1990, para, supostamente garantir por parte dos governantes maior responsabilidade no tratamento dos gastos públicos. Um detalhe “quase sem importância” é que o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi economista-chefe do banco Itaú e tem laços estreitos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial. Há fortes indicações que a nomeação de Goldfajn, após o golpe em 2016, foi aprovada pelo FMI, pelo Tesouro norte-americano e pelos representantes do sistema financeiro de Wall Street. Ou seja, são as raposas mais ardilosas, administrando o galinheiro. O pior é que boa parte das “galinhas” ainda têm dúvidas, ou ignora completamente que o Brasil sofreu o pior golpe de Estado de sua história.

Fonte: IHU

Jovens sejam mensageiros do amor e da paz - alegres e corajosos!

“Não tenham medo de colocar perguntas que façam as pessoas a pensar! Gostaria de pedir para gritar, mas não com a voz; gostaria que gritassem com a vida, com o coração, de modo a ser sinais de esperança para quem está sozinho. Seja qual for a vocação, eu os exorto: sejam corajosos, sejam generosos e, sobretudo, sejam alegres!" 

Papa Francisco

29 novembro, 2017

A construção da paz será alcançada com o compromisso com a justiça!


“Com efeito, o árduo processo de construção da paz e reconciliação nacional só pode avançar através do compromisso com a justiça e do respeito pelos direitos humanos. A sabedoria dos antigos definiu a justiça como a vontade de reconhecer a cada um aquilo que lhe é devido, enquanto os antigos profetas a consideraram como o fundamento da paz verdadeira e duradoura.”

Papa Francisco

Oração


"Senhor, mantém-me forte e corajoso, para que não trema e vacile diante das provações da vida, nem diante das perseguições promovidas por daqueles que se opõem a Ti e ao teu reino. Dá-me luz para discernir a tua presença e o sentido do caminho que nos propões; dá-me força para testemunhar a minha fé. Conforta-me quando me sinto triste e abandonado. Só Tu podes ajudar-me, sustentar a minha fé, reanimar a minha esperança e dar calor à minha caridade. Só Tu podes dar-me «palavras de sabedoria» para resistir aos ataques dos teus e meus adversários. Obrigado por estares comigo. Obrigado porque a minha fraqueza mostra que só em Ti há vida e salvação. Amém."

Fonte: Dehonianos

28 novembro, 2017

Partilho um momento que dói!


Partilho um momento que dói!

Minha tinha, Ide, fui visitá-la agora mesmo na CTI, esta diferente, seu rosto diante de tanto sofrimento não é o mesmo. Sedada, depois de um bom tempo de sofrimento.

Sedativo forte, não ouve, mas para nos consolar também não sente dor, agora só aguar a hora de seu coração decidir parar.

Diante de alguns acontecimento vivido, não estou forte quanto deveria para essas situações. 

Minha tia Ide gostava muito de mim, sempre dizia que eu era linda, muita linda..., reclamava dizendo que demorava visitá-la, então, com ela brincava - é que as coisas mudaram tia, agora são as tias que tem que ir visitar as sobrinhas....

Que o nosso Deus te abençoe minha tia e que seja feito a vontade Dele.

51º Dia Mundial da Paz - “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de Paz”

“Com espírito de misericórdia, 
abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome
 ou se veem constrangidos a deixar a própria terra
 por causa de discriminações, perseguições, 
pobreza e degradação ambiental.



“Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de Paz”

O Vaticano divulgou na sexta-feira, 24, a mensagem do Papa Francisco para o 51º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1º de janeiro de 2018. Francisco novamente traz a reflexão sobre as e os migrantes e refugiados. 

Na mensagem, o papa afirma, “Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.

Confira o texto na íntegra:

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO 51º DIA MUNDIAL DA PAZ

1° DE JANEIRO DE 2018

Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz

1. Votos de paz

Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal,[1] é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, «são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz».[2] E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.

Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.

Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, «nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integração»[3]. Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmónico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir.[4]

2. Porque há tantos refugiados e migrantes?

Na mensagem para idêntica ocorrência no Grande Jubileu pelos 2000 anos do anúncio de paz dos anjos em Belém, São João Paulo II incluiu o número crescente de refugiados entre os efeitos de «uma sequência infinda e horrenda de guerras, conflitos, genocídios, “limpezas étnicas”»[5] que caraterizaram o século XX. E até agora, infelizmente, o novo século não registou uma verdadeira viragem: os conflitos armados e as outras formas de violência organizada continuam a provocar deslocações de populações no interior das fronteiras nacionais e para além delas.

Todavia as pessoas migram também por outras razões, sendo a primeira delas «o desejo de uma vida melhor, unido muitas vezes ao intento de deixar para trás o “desespero” de um futuro impossível de construir».[6] As pessoas partem para se juntar à própria família, para encontrar oportunidades de trabalho ou de instrução: quem não pode gozar destes direitos, não vive em paz. Além disso, como sublinhei na Encíclica Laudato si’, «é trágico o aumento de migrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental».[7]

A maioria migra seguindo um percurso legal, mas há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas.

Em muitos países de destino, generalizou-se largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus. Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para quantos têm a peito a tutela de todos os seres humanos.[8]

Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz.

3. Com olhar contemplativo

A sabedoria da fé nutre este olhar, capaz de intuir que todos pertencemos «a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja. Aqui encontram fundamento a solidariedade e a partilha».[9] Estas palavras propõem-nos a imagem da nova Jerusalém. O livro do profeta Isaías (cap. 60) e, em seguida, o Apocalipse (cap. 21) descrevem-na como uma cidade com as portas sempre abertas, para deixar entrar gente de todas as nações, que a admira e enche de riquezas. A paz é o soberano que a guia, e a justiça o princípio que governa a convivência dentro dela.

Precisamos de lançar, também sobre a cidade onde vivemos, este olhar contemplativo, «isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças (…), promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça»,[10] por outras palavras, realizando a promessa da paz.

Detendo-se sobre os migrantes e os refugiados, este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos.

Este olhar contemplativo saberá, enfim, guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos «limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido»,[11] isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles.

Quem estiver animado por este olhar será capaz de reconhecer os rebentos de paz que já estão a despontar e cuidará do seu crescimento. Transformará assim em canteiros de paz as nossas cidades, frequentemente divididas e polarizadas por conflitos que se referem precisamente à presença de migrantes e refugiados.

4. Quatro pedras miliárias para a ação

Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar aquela paz que andam à procura, exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar.[12]

«Acolher» faz apelo à exigência de ampliar as possibilidades de entrada legal, de não repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências, e de equilibrar a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais. Recorda-nos a Sagrada Escritura: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos».[13]

«Proteger» lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável daqueles que fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança, de impedir a sua exploração. Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas. Deus não discrimina: «O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva».[14]

«Promover» alude ao apoio para o desenvolvimento humano integral de migrantes e refugiados. Dentre os numerosos instrumentos que podem ajudar nesta tarefa, desejo sublinhar a importância de assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução: deste modo poderão não só cultivar e fazer frutificar as suas capacidades, mas estarão em melhores condições também para ir ao encontro dos outros, cultivando um espírito de diálogo e não de fechamento ou de conflito. A Bíblia ensina que Deus «ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário»; daí a exortação: «Amarás o estrangeiro, porque foste estrangeiro na terra do Egito».[15]

Por fim, «integrar» significa permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe, numa dinâmica de mútuo enriquecimento e fecunda colaboração na promoção do desenvolvimento humano integral das comunidades locais. «Portanto – como escreve São Paulo – já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus».[16]

5. Uma proposta para dois Pactos internacionais

Almejo do fundo do coração que seja este espírito a animar o processo que, no decurso de 2018, levará à definição e aprovação por parte das Nações Unidas de dois pactos globais: um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados. Enquanto acordos partilhados a nível global, estes pactos representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas. Por isso, é importante que sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz: só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença.

De facto, o diálogo e a coordenação constituem uma necessidade e um dever próprio da comunidade internacional. Mais além das fronteiras nacionais, é possível também que países menos ricos possam acolher um número maior de refugiados ou acolhê-los melhor, se a cooperação internacional lhes disponibilizar os fundos necessários.

A Secção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral sugeriu 20 pontos de ação[17] como pistas concretas para a implementação dos supramencionados quatro verbos nas políticas públicas e também na conduta e ação das comunidades cristãs. Estas e outras contribuições pretendem expressar o interesse da Igreja Católica pelo processo que levará à adoção dos referidos pactos globais das Nações Unidas. Um tal interesse confirma uma vez mais a solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias.

6. Em prol da nossa casa comum

Inspiram-nos as palavras de São João Paulo II: «Se o “sonho” de um mundo em paz é partilhado por tantas pessoas, se se valoriza o contributo dos migrantes e dos refugiados, a humanidade pode tornar-se sempre mais família de todos e a nossa terra uma real “casa comum”».[18] Ao longo da história, muitos acreditaram neste «sonho» e as suas realizações testemunham que não se trata duma utopia irrealizável.

Entre eles conta-se Santa Francisca Xavier Cabrini, cujo centenário do nascimento para o Céu ocorre em 2017. Hoje, dia 13 de novembro, muitas comunidades eclesiais celebram a sua memória. Esta pequena grande mulher, que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua Padroeira celeste, ensinou-nos como podemos acolher, proteger, promover e integrar estes nossos irmãos e irmãs. Pela sua intercessão, que o Senhor nos conceda a todos fazer a experiência de que «o fruto da justiça é semeado em paz por aqueles que praticam a paz».[19]

Vaticano, 13 de novembro – Memória de Santa Francisca Xavier Cabrini, Padroeira dos migrantes – de 2017.

Franciscus


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[1] Cf. Evangelho de Lucas 2, 14.

[2] Alocução do Angelus (15/I/2012)

[3] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106.

[4] Cf. Evangelho de Lucas 14, 28-30.

[5] Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2000, 3.

[6] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013.

[7] N.º 25.

[8] Cf. Francisco, Discurso aos Diretores nacionais da Pastoral dos Migrantes, participantes no Encontro promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (22/IX/2017).

[9] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2011.

[10] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 71

[11] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106

[12] Francisco, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2018, (15/VIII/2017).

[13] Carta aos Hebreus 13, 2.

[14] Salmo 146, 9.

[15] Livro do Deuteronómio 10, 18-19.

[16] Carta aos Efésios 2, 19.

[17] «20 Pontos de Ação Pastoral» e «20 Pontos de Ação para os Pactos Globais» (2017). Cf. também Documento ONU A/72/528.

[18] Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2004, 6.

[19] Carta de Tiago 3, 18.

27 novembro, 2017

Uma linda e abençoada semana a todos nós e aos nossos!

“A dor passa, a saudade acalma, a decepção ensina e a vida continua.” – Carlos Eduardo Russi

Oração:


"Ilumina-me, Senhor, para que possa compreender o verdadeiro valor das atitudes, dos comportamentos e das coisas. A tentação de me deixar levar pelas opiniões correntes, pelas modas, é grande. Por vezes, é difícil dar testemunho de Ti e da tua palavra, é difícil ser fiel à tua vontade. O mundo nem sempre compreende, escandaliza-se, e até se torna violento contra os teus fiéis. É mais fácil estar com os ricos e segui-los, do que estar com os pobres, tomar partido por eles, defendê-los. Ajuda, Senhor, a minha fragilidade, para que seja coerente com a minha fé, e dócil à tua palavra. Amém." 

Fonte: Dehonianos

Onde esta Jesus?


“No fim de nossas vidas, seremos julgados pelo amor, isto é, pelo nosso esforço concreto em amar e servir Jesus em nossos irmãos menores e necessitados. Jesus virá no final dos tempos para julgar todas as nações, mas vem a nós todos os dias, em muitas maneiras, e nos pede para acolhê-lo. Aquele mendicante, aquele afamado, aquele encarcerado, aquele doente é Jesus. Pensemos nisto”.

Papa Francisco

26 novembro, 2017

Do que são feitos os dias?

Um lindo e abençoado domingo a todos nos!

"De que são feitos os dias?

De pequenos desejos, de vagarosas saudades, silenciosas lembranças" (Cecília Meireles)