27 abril, 2022

A importância da “Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs”

 



A importância da “Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs”


Cristo chama a todas e a todos a ser “sal da terra e luz do mundo”, levar a luz de Cristo aos ambientes geradores de sofrimento e morte, de trevas e pecados, injustiça e violência, onde há desespero e desesperança.

O Documento 105 da CNBB – Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, ressalta as Comunidades Eclesiais de Base como instrumento de consciência da identidade e da missão das cristãs leigas e dos cristãos leigos. “As Comunidades Eclesiais de Base (…), “têm oportunizado espaços de participação e de missão evangelizadora e exercício dos mais diversificados ministérios leigos” (27).

CEBs Igreja Povo de Deus, Igreja pobre, com os pobres, para os pobres, missionária e samaritana a serviço da defesa da vida, Igreja da acolhida, da escuta, do diálogo e da interação fé e vida. Sua espiritualidade é o seguimento de Jesus “pelo seguimento de Jesus, pela vida no Espírito, pela comunhão fraterna e pela inserção no mundo” (Doc. 105, no. 184).

As CEBs provocam as leigas e os leigos e os motivam a exercerem o seu protagonismo e a atuarem como sujeitos na igreja, na política e na sociedade, numa diversidade de carismas, serviços e ministérios, por meio dos quais “o Espírito Santo capacita a todos na Igreja para o bem comum, a missão evangelizadora e a transformação social, em vista do Reino de Deus” (Doc. 105, no. 152).

“As Comunidades Eclesiais de Base são uma forma de vivência comunitária da fé, de inserção na sociedade, de exercício do profetismo e de compromisso com a transformação da realidade sob a luz do Evangelho. São presença da Igreja junto aos mais simples, descartados, aos excluídos. São instrumento que permitem ao povo conhecer a Palavra, celebrar a fé e contribuem para o crescimento do Reino de Deus na sociedade. (…) Elas têm contribuído de forma clara para que os leigos e leigas atuem como sujeito eclesial na vida da Igreja e para sua missão no mundo” (Doc. 105, no.146).

As CEBs espaço onde com comunhão, alegria, resistência e ousadia as leigas e os leigos exercem o seu múnus profético, sacerdotal e real que emana do Batismo de Cristo. Como é bonito, nos pequenos gestos e de diferentes jeitos nas CEBs crianças, jovens, idosos, mulheres e homens vivenciam a Palavra, a comunhão eclesial sendo Igreja que assume a opção preferencial pelos pobres, o cuidado nas diversas dimensões da vida humana e da natureza.

A Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs existe pela consciência da importância da formação das leigas e dos leigos para atuarem na diversidade e pluralidade de trabalhos na igreja, na política e na sociedade, frente aos desafios que a cada dia vai surgindo e provocando. O objetivo dá escola oferecer um percurso formativo para lideranças de CEBs, capacitando formadores e articuladores quanto à fundamentação bíblico, histórica, teológica, oferecendo caminho para uma pedagogia e didática popular.

A escola teve início em junho do ano de 2018, tem como coordenadores Padre Genivaldo Ubinge e a leiga Lucimar Moreira Bueno (Lúcia).

Maringá é sede da Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs com 56 integrantes, sendo 36 da Arquidiocese de Maringá, um da diocese de Apucarana e os demais das dioceses que fazem parte da Província Eclesiástica de Maringá: Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.

Já realizada seis etapas, cincos primeiras o assessor foi Celso Pinto Carias, de Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro, doutor em Teologia, assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (Comissão do Laicato, Setor CEBs), participa do grupo de assessoras e assessores da Ampliada Nacional das CEBs. A sexta etapa a assessoria foi de padre Leomar Antônio Montagna, do clero da Arquidiocese de Maringá.

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Por Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Coordenadora da Escola

As fotos são da 6ª Etapa, realizada nos dias 23 e 24 de abril deste ano de 2022, com conteúdo “Doutrina Social da Igreja” e contou com a assessoria de padre Leomar Antônio Montagna.















19 abril, 2022

Dia dos povos indígenas do Brasil - 19 de abril


Dia dos povos indígenas do Brasil - 19 de abril

Vamos comemorar a vida de cada uma delas e de cada um deles.
Enquanto está a nascer uma e um curumim é para os bons acolher e outros engolir que os Povos Indígenas são raiz de nossa gente, uma história linda, história que continua de coragem, determinação e resistência.

18 abril, 2022

CEBs preparam 6ª etapa da Escola de Formadores e Articuladores


CEBs preparam 6ª etapa da Escola de Formadores e Articuladores

Deixando-nos ir ao coração de Jesus compreendemos que o coração do Evangelho é a preocupação com o ser humano, principalmente os mais pobres, frágeis, marginalizados e afastados. Jesus não fez outra coisa a não ser preocupar-se com os mais simples e mais pobres, zelando pela vida dos camponeses, das mulheres, desempregados, de pessoas doentes.

A Igreja, que se encontra em cada Comunidade Eclesial de Base, dentro da estrutura organizacional da Arquidiocese de Maringá, precisa ver, sentir e comprometer-se com a realidade dura dos pobres e marginalizados, nas angustias e tristezas de crianças, idosos e adultos que moram nas ruas; no dia a dia de marginalização e violência de gênero, raça e sexualidades; no mundo dos encarcerados; no desespero e desesperança dos refugiados e migrantes; no cotidiano de marginalização das mulheres; na casa daqueles que não têm o pão de cada dia pelo desemprego e baixo salário; além de tantas outras realidades de irmãs e irmãos que estão à margem.

Diante das forças que a cada minuto geram desigualdades e exclusões, dores e sofrimento, queremos com a 6ª etapa da Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs lançar um apelo aos integrantes da escola a tomar consciência diante das forças geradoras de desigualadas. A cada dia, torna-se mais urgentes vínculos entre solidariedade e bem comum, solidariedade e destinação universal dos bens, solidariedade e igualdade entre os povos, solidariedade e paz no mundo.

É preciso pensar as CEBs a partir do compromisso com os pobres, marginalizados e afastados, uma Igreja ousada e samaritana presente nas periferias geográficas e periferias existenciais onde há sofrimento, solidão e degrado humano.

A Doutrina Social da Igreja será o conteúdo da 6ª etapa da Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs que contará com a assessoria de padre Leomar Antônio Montagna, nos dias 23 e 24 de abril. Na noite do primeiro dia haverá “roda de viola” com os talentos do povo de nossas CEBs da paróquia São Mateus Apóstolo, e será na Casa de Nazaré, momento fraterno e confraternização entre os integrantes da escola e as internas.

A Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs é coordenada pelo padre Genivaldo Ubinge e por mim, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia).

Maringá é sede da Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs com 56 integrantes, sendo 36 da Arquidiocese de Maringá, acolhendo um da diocese de Apucarana e os demais das dioceses que fazem parte da Província Eclesiástica de Maringá: Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.

Por Lucimar Moreira Bueno (Lúcia).

Uma provocação de nosso papa Francisco, para essa semana!

“a falsidade, nas palavras e na vida, polui o anúncio, corrompe por dentro, leva de volta ao túmulo. A falsidade nos leva para trás, nos leva à morte, ao sepulcro. (...) nós nos escandalizamos quando, através da informação, descobrimos mentiras e enganos na vida das pessoas e na sociedade. (...). Mas, vamos também dar um nome às falsidades que existem dentro de nós! E coloquemos essas nossas opacidades diante da luz de Jesus ressuscitado. Ele quer levar à luz as coisas escondidas, para nos tornar testemunhas transparentes e luminosas da alegria do Evangelho, da verdade que nos liberta". (Papa Francisco)

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Fonte: Vatican Neww

14 abril, 2022

Início do Tríduo Pascal

Missa da Ceia do Senhor – Início do Tríduo Pascal
"O cálice por nós abençoado, 
é a nossa comunhão com o sangue do Senhor"
Celebração da Ceia Pascal, fazemos memória da grande ceia da despedida, que começa com o gesto do lava-pés.
"Amou-nos até o fim"
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Paróquia São Mateus Apóstolo
Capela Sagrada Família






Última Ceia com a presença das discípulas e discípulos

Pintura _ A Última Ceia, de Bohdan Piasecki, 1988, com a presença das discípulas e discípulos


13 abril, 2022

Suicídio – um caminho longo de quem não teve coragem de gritar ou seu grito não foi ouvido?


 Suicídio – um caminho longo de quem não teve coragem de gritar ou seu grito não foi ouvido?

Hoje, 13 de abril de 2022, um homem perdeu a vida ao se jogar do 14º andar do Edifício Transamérica, perto de onde trabalho.

Ao passar no local, um aperto, senti tristeza, viaturas da polícia, viatura do IML, um pouco de aglomeração de pessoas. Parei um pouco longe, ouvi alguns comentários buscando o porquê.

Comentei comigo mesmo, quanta tristeza e incertezas ele tinha e pensei, será que ele não teve coragem de gritar ou o seu grito não foi ouvido. Depois pensei, quando sua mãe, sua família ficar sabendo, como irão sofrer.

Eu vejo que o suicídio é uma decisão pessoal e sofrida, muitas vezes sem a coragem de pedir socorro.

Uma pessoa antes de tirar sua vida percorre um caminho longo e com comportamento que precisa ser enxergado para ser socorrido, prevenido, com programas, planejamento, capacitação de profissionais.

A comunidade também precisa enxergar e ter pessoas capacitadas, porque a comunidade tem que preocupar-se com o todo. Um trabalho em conjunto, profissionais da saúde e voluntários das associações de moradores, de nossas Comunidades Eclesiais de Base, das Igrejas, entre outros.

Suicídio – um caminho longo de quem não teve coragem de gritar ou seu grito não foi ouvido?


11 abril, 2022

A Semana Santa é uma grande história de amor!



A Semana Santa é uma grande história de amor!

Essa semana, Semana Santa, nos dá a oportunidade de reviver o Mistério Pascal, o grande Mistério da Fé.

Mais que os demais dias, os dias dessa semana, deixemo-nos tocar por Cristo, solidarizarmos com Cristo que sofre, que é crucificado e agoniza. O nosso Deus, decidiu conversar com a mulher e o homem com o amor, que vence a morte.

O nosso Deus nos ama tanto, que lhe deu o seu Filho único (Jo 3,6). Deu-o à paixão e à morte.

Nunca seremos abandonados nas provações da vida, a Semana Santa fala-nos de misericórdia e até onde o amor de Deus por suas filhas e seus filhos pode chegar. A Semana Santa é uma grande história de amor. O Papa Francisco nos ensina que “Deus se oferece verdadeiramente todo por cada um de nós”.

Na Quinta-feira Santa, Jesus institui a Eucaristia, Jesus lava os pés dos que com Ele caminham levando a compreenderem o amor que anima e não faz perder-se no caminho. Com o gesto do lava pés Cristo mostra que a Eucaristia é amor que se faz serviço, Francisco diz que "É a presença sublime de Cristo que deseja alimentar cada um de nós".

Na Sexta-feira Santa, a morte de Jesus na cruz oferece a salvação a todas e a todos, Francisco diz que é o "momento culminante do amor".

No Sábado Santo, somos convidadas e convidados a contemplar o silêncio de nosso Deus. Francisco explica que "fala sobre o amor e a solidariedade com os abandonados". Neste dia, o amor, se transforma em espera pela vida que vem no domingo da ressurreição, nos ensina o Papa.

09 abril, 2022

Coleta da Solidariedade 2022 - Domingo de Ramos


*Domingo de Ramos é dia da Coleta da Solidariedade*

Gesto concreto da Campanha da Fraternidade (CF), a Coleta Nacional da Solidariedade é realizada em âmbito nacional, todos os anos, no Domingo de Ramos. Em 2022, acontecerá nesse Domingo de Ramos, 10 de abril de forma mais intensificada.

Os recursos arrecadados integram os Fundos Diocesanos e Nacional de Solidariedade que têm contribuído para a promoção da dignidade humana, o compromisso com os pobres e a vida plena.

Do total arrecadado na Coleta para a Solidariedade, 60% fica na Arquidiocese de Maringá e é gerido pelo Fundo Arquidiocesano de Solidariedade (FAS) com o objetivo de apoiar iniciativas e projetos locais. Os outros 40% compõem o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), que é administrado pelo Departamento Social da CNBB, sob a orientação do Conselho Gestor da CNBB.

Na Arquidiocese de Maringá, além das coletas nas missas, fiéis que desejarem podem fazer doação pelo PIX 44988325102 (celular).

Veja a mensagem do padre Emerson Cícero de Carvalho e do Arcebispo Dom Frei Severino Clasen.

https://youtu.be/YP_dsA3XEak

08 abril, 2022

"Manter a Esperança" de Ademar Bogo.

Já negaram tudo que bem pouco resta
nova teoria já dizem que tem
Tentam iludir os que tudo fazem pra que se
acomodem e parem também.

Qualquer discurso já é uma ameaça
e se for na praça correndo já vem
Não andamos muito mas sabemos agora
Já disse o poeta "quem sabe faz a hora"
e não se espera por quem já não vem.

Refrão
Já disse o homem que depois
morreu e ficou na memória.
Que existe uma coisa na roda da história
que uma camada pra trás quer rodar.
Mas estes não servem
pra pôr suas mãos nesta manivela
ficarão à margem olhando da janela
a luta do povo esta roda girar.

0 que os outros fizeram já não vale nada.
Já não sabem mais o que mesmo dizer.
Querem construir a nova sociedade
buscando no voto o sonhado poder
A luta de classes já não existe
Mas quem faz resiste e procura vencer.
Por mais que se queira transformar em nada,
saibam que a história é como a madrugada,
quem acorda cedo faz o amanhecer.


06 abril, 2022

Francisco: em Bucha crueldade cada vez mais horrível, acabem com a guerra

 "70 corpos de civis espalhados pelas ruas, de mãos atadas atrás das costas, em Bucha, uma cidade ucraniana a poucos quilômetros de Kiev". Um "massacre" diante do qual sobe um grito aos céus: "Acabem com esta guerra, calem-se as armas, parem de semear morte e a destruição".

Francisco: em Bucha crueldade cada vez mais horrível, acabem com a guerra

No final da audiência geral desta quarta-feira (06/04), o Papa condenou o "massacre" na cidade ucraniana, a poucos quilômetros de Kiev, de onde foram divulgadas fotografias e informações sobre os corpos de civis nas ruas. O Pontífice reiterou seu apelo para "calar as armas", depois mostrou uma bandeira vinda diretamente de Bucha e acolheu um grupo de crianças vindas da Ucrânia ao palco da Sala Paulo VI: "É difícil ser desenraizado da própria terra por causa da guerra".


Salvatore Cernuzio – Vatican News

Um "massacre" diante do qual sobe um grito aos céus: "Acabem com esta guerra, calem-se as armas, parem de semear morte e a destruição". Francisco falou em tom sério na Sala Paulo VI. Diante de seus olhos estão as imagens de mais de 70 corpos de civis espalhados pelas ruas, de mãos atadas atrás das costas, em Bucha, uma cidade ucraniana a poucos quilômetros de Kiev, cujas fotos foram divulgadas pelas autoridades locais juntamente com relatos de valas comuns. O mundo ficou indignado com estas terríveis fotografias, que estão sendo investigadas como "crimes de guerra".

Um "massacre" é como Francisco definiu no final da audiência geral. "As recentes notícias sobre a guerra na Ucrânia, ao invés de trazer alívio e esperança, atestam novas atrocidades, como o massacre de Bucha", afirma o Pontífice.

Crueldades cada vez mais horrendas, perpetradas também contra civis, mulheres e crianças indefesas. São vítimas cujo sangue inocente clama ao céu e implora: "Acabem com esta guerra! Silenciem as armas! Parem de semear a morte e a destruição".

O Papa pede aos fiéis que rezem por isso e, de cabeça baixa, fica em silêncio por alguns momentos. Depois levanta-se e mostra a todos uma bandeira em dois tons de verde, com uma cruz desenhada e escritas em ucraniano ao redor: "Ontem, direto de Bucha, me trouxeram esta bandeira. Esta bandeira vem da guerra, da cidade martirizada de Bucha", disse.

Algumas crianças ucranianas sobem ao palco, acompanhadas por seus pais. A mais nova está no colo de sua mãe, e o maior leva um desenho. "Saudemo-los e rezemos junto com eles", exorta o Papa Francisco. E comenta:

"Estas crianças tiveram que fugir e chegar a uma terra estranha: este é um dos frutos da guerra. Não os esqueçamos, e não esqueçamos o povo ucraniano".

Francisco dobra a bandeira, a beija e abençoa. Em seguida, entrega alguns ovos de Páscoa às crianças. Carícias, mãos na cabeça, uma bicada na bochecha da menor: gestos de ternura para os que ainda estão sentindo o choque do barulho das bombas e da fuga de suas próprias casas.

"É difícil ser desenraizado da própria terra por causa de uma guerra".

Um comentário que o Pontífice pronunciou de improviso ao sentar-se. Já na coletiva de imprensa no voo de retorno de Malta, o Papa Francisco tinha comentado o massacre em Bucha, notícia da qual um repórter o havia informado. "A guerra é sempre uma crueldade, uma coisa desumana e vai contra o espírito humano – não digo espírito cristão – contra o espírito humano. É o espírito de Caim”, disse o Papa. “É o espírito de Caim, o espírito 'Caimista’”.

Com seu olhar sempre voltado para a Ucrânia, Francisco agradeceu aos fiéis poloneses - os presentes no Salão Paulo VI e os ligados através da mídia - pelo espírito de acolhida demonstrado aos refugiados ucranianos. Quase três milhões, de acordo com as últimas estimativas. "Vocês demonstraram uma extraordinária e exemplar generosidade para com nossos irmãos e irmãs ucranianos, para os quais abriram seus corações e as portas de suas casas", disse o Papa. "Muito obrigado, muito obrigado pelo que vocês fazem aos ucranianos", acrescentou ele. Por fim, uma bênção: "Que o Senhor abençoe sua pátria por sua solidariedade e lhes mostre o Seu Rosto".

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Fonte:
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-04/uerra-francisco-ucrania-audiencia-bucha-bandeira.html

31 março, 2022

Rezemos juntos pela Paz!

"nosso Senhor Jesus Cristo ressurgido, de pé no meio dos seus discípulos, disse: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá" (Jo 14,27).

Esta paz, peçamo-la com ardentes preces ao Redentor divino que no-la trouxe. Afaste ele dos corações dos homens quanto pode pôr em perigo a paz e os transforme a todos em testemunhas da verdade, da justiça e do amor fraterno. Ilumine com sua luz a mente dos responsáveis dos povos, para que, junto com o justo bem-estar dos próprios concidadãos, lhes garantam o belíssimo dom da paz. Inflame Cristo a vontade de todos os seres humanos para abaterem barreiras que dividem, para corroborarem os vínculos da caridade mútua, para compreenderem os outros, para perdoarem aos que lhes tiverem feito injúrias. Sob a inspiração da sua graça, tornem-se todos os povos irmãos e floresça neles e reine para sempre essa tão suspirada paz."

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Carta Encíclica "Pacem In Terris" (Paz na Terra) do Papa João XXIII

27 março, 2022

Celebração dos Mártires realizado pelas CEBs em Cruzeiro do Sul

Vídeo e Fotos
Celebração dos Mártires realizado pelas CEBs em Cruzeiro do Sul em 26 de março de 2022.



Equipe das CEBs na celebração e memória do martírio de Sto. Oscar Romero em Cruzeiro do Sul, arquidiocese de Maringá


















25 março, 2022

Celebração dos Mártires - Dom Oscar Romero



“O sangue dos mártires é a semente dos cristãos” (Tertuliano)


Muitos de nós podemos não compreender martírio como um dom. São Oscar Romero disse: “O martírio é uma graça de Deus que eu acho que não mereço, mas se Deus aceita o sacrifício da minha vida, que o meu sangue seja uma semente de liberdade e o sinal de que a esperança será em breve realidade”.

Mártires vem do grego màrtys que significa “testemunha”, aquela e aquele que anunciam a dolorosa caminhada e a alegria da ressurreição. Aquela e aquele que celebram a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da justiça sobre a arbitrariedade dos poderosos.

O Papa Francisco disse que “hoje existem mais mártires que no início da vida da Igreja, e eles estão por todos os lugares”. A frase inquietante do Evangelho continua atual hoje, “Bem-Aventurados sois vós quando vos injuriarem, perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa” (cf. Mt 5, 11-16).

Em todos os tempos e muito forte nos dias atuais, defender o projeto da Justiça e lutar pela vida significa correr riscos e enfrentar a morte. Na América Latina, milhares de pessoas, mulheres e homens, sofreram e sofrem torturas e muitas foram e são assassinadas por estarem inseridas na caminhada de libertação de nossos povos.

Na mensagem pessoal do Papa Francisco enviada para a cerimônia de beatificação de Dom Oscar Romero, ele diz: “Em tempos de coexistência difícil, Romero soube como guiar, defender e proteger o seu rebanho. [...] Damos graças a Deus porque concedeu ao bispo mártir a capacidade de ver e ouvir o sofrimento de seu povo. [...] Quando se entende bem e se assume até as últimas consequências, a fé em Jesus Cristo cria comunidades artífices de paz e solidariedade”.

As CEBs da Arquidiocese de Maringá têm a cada ano, celebrado a recordação do martírio do Santo Oscar Romero, que deu a vida para defender os pobres de El Salvador e foi assassinado por milícias da ditadura militar. Romero foi canonizado pelo Papa Francisco em 14 de outubro de 2018.


Celebração do Mártires
Dia Sábado, 26/03/2022.
Chegada às 19h.
Início às 19h30.
Local: Paróquia São Judas Tadeu.
Cidade de Cruzeiro do Sul.
Região Pastoral Paranacity

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Por Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Equipe de assessoria das CEBs


Vatican Media Live - Português

23 março, 2022

Texto que Francisco pronunciará na tarde de 25 de março

ATO DE CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amen.

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Fonte: site da A Santa Sé

TRÍDUO de Santo Oscar Romero 3º DIA

17 março, 2022

Sabedoria, amor e paz: fraternidade e alteridade.


Em momentos de guerra, não tem como não ficarmos espantados pelas cenas de horror e barbárie de sofrimento, destruição e genocídios que estamos vendo na Ucrânia. O povo sofre, os refugiados se multiplicam. Em pleno século XXI, não acreditamos ser possível presenciarmos um conflito que pode tomar proporção enorme ser concretizado pela falta de habilidade democrática das nossas instituições, além do contraste de pensamento de parte do mundo, que não se situa dentro de um horizonte de democracia e pluralidade.

Após a segunda guerra mundial, diversos filósofos se perguntavam sobre o porquê do holocausto, da ascensão de regimes sangrentos e totalitários e, sobretudo, o que teríamos aprendido com a História e como poderíamos evitar novos eventos do tipo. É verdade que a criação da ONU e a consolidação de tratados de direitos humanos e avanços no direito internacional e humanitário propiciaram um fortalecimento da democracia e do consequente diálogo. Por outro lado, em diversos momentos e contextos regimes democráticos são atacados pela via das decisões não-racionais, pelos afetos, sobretudo pelo medo e pelo ódio. A xenofobia é um exemplo disso. A falência das democracias europeias, em sua maioria, que lidam bem com a liberdade, mas não com a fraternidade.

Qualquer ato contra a vida, inserido em ideologias, religiões ou políticas totalitárias ou democráticas exemplifica a barbárie e o fracasso da humanidade. Quando o Estado (mínimo) permite a existência de pessoas vivendo com o mínimo necessário à sua dignidade, sem moradia, comida, educação, aí está a barbárie! Também quando um regime fuzila pessoas que se colocam politicamente contrárias ao seu regime, também está aí a barbárie!

Theodor Adorno, filósofo alemão contemporâneo, afirmou que o mais urgente de pensarmos é uma educação que, de todas as maneiras, evite um novo holocausto, novo Auschwitz. Como fazer isso em termos globais hoje? Certamente não será por uma via de isolamento e ausência de diálogo. Todo movimento contrário à democracia, à ciência e a uma globalização efetiva não se colocam como vias eficazes. Logicamente, democracia e globalização devem andar juntas, de forma que os problemas globais sejam enfrentados de forma real, efetiva e verdadeiramente conjunta. A economia global, empresas, agentes financeiros, não podem ignorar os problemas sociais, as feridas à democracia e à vida. Um regime que tire a vida de forma banal não deve ser considerado da mesma maneira em negociações. É preciso limitar as hipocrisias. Temos que condenar todos os sistemas totalitários, sejam aqueles motivados por critérios fundamentalistas religiosos, sejam aqueles baseados em ideologias.

O problema não é a globalização em si, mas sim o fato dela ser motivada apenas pela esfera econômica. Nacionalismos, extremismos, xenofobia devem ser constantemente desconstruídos. O sentimento proveniente da existência do Estado-Nação deve dar lugar àquele originado de uma solidariedade universal.

Paul Ricoeur, filósofo francês, afirma que, diante de situações-limites, nos aproximamos. É a partir do testemunho de Lucie Hacpille, médica de cuidados paliativos, que essa distinção se opera claramente para o filósofo. De acordo com a médica, os doentes prestes a morrer não têm a percepção de si mesmos enquanto “moribundos”, isto é, como quem vai morrer daí a pouco, mas antes como “ainda vivos”, ainda que não mais estejam que a alguns minutos do seu falecimento. Para o “agonizante”, “ainda estar vivo” significa a emergência da mobilização dos recursos mais profundos da vida, que lhe permitem ainda se afirmar. Ela é, por assim dizer, o “Essencial” na trama do tempo da agonia. Esse “Essencial” que é, em certo sentido, o religioso, ou o religioso em comum, o qual transgride as limitações consubstanciais ao religioso confessional e confessado no limiar da morte. Em momentos de sofrimento dos povos, nos aproximamos em Espírito. Esse momento de mobilização é um momento de graça interior. Ele remete para a aparição da “coragem de estar vivo até à morte” quando a vida se escreve, face à morte, com um V maiúsculo. Contudo, pensar esse momento e a sua força, é também correr o risco de resvalar para a literatura sobre as experiências místicas: por isso mesmo, é preciso saber simultaneamente dar mostras de alguma desconfiança, enquanto se acolhe a graça interior de um determinado morrer.

Ricœur atesta o “olhar” da “compaixão” daqueles que lutam juntamente ao agonizante e os que o acompanham até à morte (Ricoeur 2007, 41). Esse “olhar” diferencia-se daquele que vê o agonizante como um moribundo que em breve deixará de viver. Não é também o do espectador que já se adianta à morte: esse “olhar” também vê o agonizante como “ainda vivo”. Também ele faz um apelo aos recursos mais profundos da vida, como se fosse levado pela emergência do “Essencial” na sua vivência de ainda-vivente. A “compaixão” não significa aqui somente o “sofrer-com”, mas também o “lutar-com” e o “acompanhamento” (Ibid.). Ela torna possível a partilha de um movimento de transcendência íntima. Ricœur desenvolve, de forma bastante fina, o “acompanhamento” do “agonizante” como “amizade no morrer acompanhado”.

É o que estamos presenciando na Ucrânia. O Papa Francisco enfatizou o drama e a realidade do conflito: “Rios de sangue e lágrimas correm na Ucrânia, não se trata apenas de uma operação militar, e sim de uma guerra que que semeia morte, destruição e miséria” (Angelus, 06/03/2022). Como não se comover com famílias sendo separadas? Hospitais sendo bombardeados? Número crescente de refugiados, pessoas tentando desesperadamente sair do país, deixando suas casas, suas vidas, suas lutas diárias? Não, a Rússia e seu sistema totalitário, bem como os que a apoiam, não encontram em lugar algum justificativa plausível às atrocidades. Assim como não encontram o sistema totalitário sírio, saudita, dos Emirados Árabes (que bombardeiam o Iêmen incessantemente, gerando destruição, morte, fome, caos…) ou da China que oprime a minoria muçulmana que vive em seu território. Sistemas que impedem a liberdade ou não permitem a igualdade, são fracassados… Sim, são muitos os exemplos, nesses casos. O mundo fracassa, mas não é uma condição natural, é possível a mudança. Um outro mundo é possível!

A educação deve contribuir para a efetivação desse processo. Por mais filosofia e menos educação “moral” e cívica. Por mais crítica, reflexão, humanismo e menos tecnicismos limitados. Alteridade deve ser a palavra-chave da educação no século XXI.

Se há relações se inaugura o rompimento da totalidade da guerra, significa interromper a guerra e inaugura-se o novo, o escatológico. Assim, surge uma relação originária com o ser, no interior da experiência. Escapa-se, assim, do ser impessoal que propôs Heidegger. Lévinas propõe aqui a Escatologia da Paz Messiânica, na ordem da experiência, da linguagem, da política e totalitarismos. Dentro da ontologia é possível verificar uma relação entre os sujeitos que, ao falarem, aniquilam as diferenças. Assim, nosso pensador está em um caminho oposto a Hegel, que supõem um caminho do conceito e da consciência rumo a uma totalidade e a um fim. No Estado os sujeitos são “impessoalizados”. É preciso se voltar para o encontro com o outro, acontecendo uma acolhida. O Eschaton vem justamente do encontro com o outro.

O Infinito ou Deus não se comunica de maneira imediata, mas sim mediata, no face a face com o outro. Não foi a expressão “face a face” herdada da linguagem bíblica? Mas na Bíblia trata-se do face a face com Deus. Face a face vivido por Moisés (Ex 33, 11: “O Senhor falava com Moisés, face a face, como se fala a uma pessoa”), desejado pelo salmista (Sl 13, 2; 17; 15), mas na maior parte das vezes recusado: “não podes ver minha face pois o humano não pode me ver e continuar em vida” (Ex 33,20; 33,23). Esse face a face com Deus é transposto por Lévinas como face a face com o outro. O rosto do outro não é da ordem do visível, nem mesmo do ver. Ele não é a figura cujos traços da boca ou dos olhos eu possa detalhar. Ter acesso ao rosto não é observá-lo, contemplá-lo, subtrair-lhe o rosto. O rosto é da ordem da palavra. Ele significa não como uma figura sobre um fundo, mas sem contexto, independentemente de seus contextos social, racial, cultural ou religioso, independentemente de sua carteira de identidade ou de seu passaporte. Ele enuncia um mandamento: “não matarás” ou “não cometerás assassinato”.

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René Dentz
É católico leigo, professor do departamento de Filosofia e do curso de Psicologia-Praça da Liberdade na PUC-Minas, onde também atua como membro da equipe executiva do Observatório da Evangelização. Psicanalista, doutor em Teologia pela FAJE, com pós-doutorado pelas Université de Fribourg/Suíça, Universidade Católica Portuguesa e PUC-Rio. É comentarista da TV Horizonte e da Rádio Itatiaia. Autor de 7 livros, dentre os quais “Horizontes de Perdão” (Ideias e Letras, 2020). Pesquisador do Grupo de Pesquisa CAPES “Mundo do trabalho, ética e teologia”, na FAJE-BH.

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Fonte: Observatório da Evangelização - Puc Minas

15 março, 2022

Dia 15 de março nascia minha mãe!

Dia 15 de março nascia minha mãe!

Tu ensinou-me que eu precisava seguir independente da situação. 
Sigo com saudade e com a força e a paz que continua me dando. 
Saber que com nosso Deus está, me acalma.


09 março, 2022

Sentimento do Mundo

Sentimento do Mundo
Poema da obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

08 março, 2022

Dia Internacional das Mulheres

Rezemos juntos,

Nos dias atuais, quantas mulheres ainda sofrem violência, quanta covardia.

São muitos os tipos de violência, psicológica, violência verbal, violência física, violência sexual.

Que continuem tendo coragem as vítimas para que ao quebrarem o silêncio o grito de socorro seja ouvido por todos os cantos do mundo, para que não seja ignorado todo esse sofrimento. Que a sociedade cumpra seu papel e as protejam.

02 março, 2022

‘Quanto pó existe nas nossas relações!’

 Deixemo-nos provocar pelo nosso amado papa Francisco.

‘Quanto pó existe nas nossas relações!’

Quantas vezes sufocamos o fogo de Deus com a cinza da hipocrisia! A hipocrisia: é a imundície que hoje, no Evangelho, Jesus pede para remover. De fato, o Senhor não diz apenas para fazer obras de caridade, rezar e jejuar, mas que tudo isso seja feito sem fingimento, sem falsidade nem hipocrisia.

Olhamos em redor e vemos pó de morte, vidas reduzidas a cinzas: escombros, destruição, guerra […] Continuamos a destruir-nos, a fazer-nos voltar ao pó. E quanto pó existe nas nossas relações! 

Vejamos em nossa casa, nas famílias […] Há tanto pó que suja o amor e embrutece a vida. Mesmo na Igreja, a casa de Deus, deixamos depositar tanto pó, o pó do mundanismo.

A Quaresma não é o tempo para fazer cair sobre o povo inúteis moralismos, mas para reconhecer que as nossas míseras cinzas são amadas por Deus. É tempo de graça, para acolher o olhar amoroso de Deus sobre nós e, assim contemplados, mudar de vida. Estamos no mundo para caminhar da cinza à vida.

A cinza pousa nas nossas testas, para que, nos corações, se acenda o fogo do amor. Com efeito, somos cidadãos do céu. E o amor a Deus e ao próximo é o passaporte para o céu; é o nosso passaporte.

Ajuda-nos o veemente apelo de São Paulo [...]: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus!’ São Paulo usa o passivo: deixai-vos reconciliar. Porque a santidade não é obra nossa; é graça. Sozinhos, não somos capazes de tirar o pó que suja o coração […] E a Quaresma é tempo de cura.

Para amar, deixemo-nos amar; deixemo-nos erguer, para caminhar rumo à meta – à Páscoa”.

(Papa Francisco)

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Fonte: Vatican News