06 setembro, 2018

Já negaram tudo que bem pouco resta!


Já negaram tudo que bem pouco resta!

Liberdade grau de independência legítimo que uma cidadã, um cidadão, um povo ou uma nação elege como valor supremo, como ideal.

É preciso ocupar os espaços, encher as ruas e as praças e gritar por independência. As cidades e campos ocupados é um dos caminhos.

A cada momento estamos cada vez mais perplexos diante da triste crise ética que tem levado a decisões políticas, econômicas e judiciais.

É triste, ver Judiciário brasileiro  como sendo o maior símbolo da corrupção moral do país.

Na educação corte de verbas, redução no acesso e da qualidade do ensino.
 
A precarização do emprego, eliminação de direitos trabalhistas, aumento do desemprego.

A moradia  sofrendo corte de verbas de programas como Minha Casa Minha Vida, violência contra ocupações e ataque a movimentos organizados. 

Corte de verbas  na saúde e terceirização de serviços do SUS e o mesmo acontecendo com a cultura.

A reforma agrária sofre com ataques  violentos às comunidades indígenas, camponeses e aos movimentos organizados e o que torna-se mais inaceitável,  o apoio ao  agronegócio.

Os meios de comunicação com notícias criadas ou contada de uma determinada maneira com o objetivo de nos dizer - em que e como devemos pensar. Perseguidora e farsa.

Com tudo isso, cresce as desigualdades sociais e as opressões às camadas em situação de vulnerabilidade social, como camponeses, moradores de rua e das periferias, pessoas negras e indígenas, mulheres, migrantes e imigrantes, organizações populares e comunidade LGBT.

Vozes caladas, mulheres e homens assassinados por lutar pelo fim dessa triste realidade. 

Más, " Já disse o homem que depois, morreu e ficou na memória. Que existe uma coisa na roda da história, que uma camada pra trás quer rodar. Mas estes não servem pra pôr suas mãos nesta manivela, ficarão à margem olhando da janela a luta do povo esta roda girar."

Finalizo com essa linda música "Manter a Esperança" de Ademar Bogo.

Já negaram tudo que bem pouco resta
nova teoria já dizem que tem
Tentam iludir os que tudo fazem pra que se
acomodem e parem também.

Qualquer discurso já é uma ameaça
e se for na praça correndo já vem
Não andamos muito mas sabemos agora
Já disse o poeta "quem sabe faz a hora"
e não se espera por quem já não vem.

Refrão
Já disse o homem que depois
morreu e ficou na memória.
Que existe uma coisa na roda da história
que uma camada pra trás quer rodar.
Mas estes não servem
pra pôr suas mãos nesta manivela
ficarão à margem olhando da janela
a luta do povo esta roda girar.

0 que os outros fizeram já não vale nada.
Já não sabem mais o que mesmo dizer.
Querem construir a nova sociedade
buscando no voto o sonhado poder
A luta de classes já não existe
Mas quem faz resiste e procura vencer.
Por mais que se queira transformar em nada,
saibam que a história é como a madrugada,
quem acorda cedo faz o amanhecer.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Encontro de Formação - Ministério Leigos nas CEBs


Oração


" Seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir. Procurava algo de significativo numa vida fácil e sem brio, no tédio mortal de muitos dias sempre iguais. O teu amor arcano e misterioso atemorizava-me e, por isso, resisti muito tempo. Agora, sinto-me rendido à tua irresistível sedução. Puseste-me numa nova forma de existência, mostrando-me uma missão que, a partir de agora, dá consistência à minha vida, mesmo no meio das dificuldades, e das contradições. Seguir-Te tornou-se uma maravilhosa oportunidade para Pedro e para mim, como para todos os que são chamados. Que a saiba aproveitar, para glória do teu Nome. Amém."

Fonte: Dehonianos

Deixaram tudo e O seguiram


Lucas 5,1-11

Naquele tempo:
1Jesus estava na margem do lago de Genesaré,
e a multidão apertava-se ao seu redor
para ouvir a palavra de Deus.
2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago.
Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
3Subindo numa das barcas, que era de Simão,
pediu que se afastasse um pouco da margem.
Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão:
'Avança para águas mais profundas,
e lançai vossas redes para a pesca'.
5Simão respondeu:
'Mestre, nós trabalhamos a noite inteira
e nada pescamos.
Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes'.
6Assim fizeram,
e apanharam tamanha quantidade de peixes
que as redes se rompiam.
7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca,
para que viessem ajudá-los.
Eles vieram, e encheram as duas barcas,
a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus,
dizendo: 'Senhor, afasta-te de mim,
porque sou um pecador!'
9É que o espanto se apoderara de Simão
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca que acabavam de fazer.
10Tiago e João, filhos de Zebedeu,
que eram sócios de Simão, também ficaram espantados.
Jesus, porém, disse a Simão:
'Não tenhas medo!
De hoje em diante tu serás pescador de homens.'
11Então levaram as barcas para a margem,
deixaram tudo e seguiram a Jesus.
Palavra da Salvação.

05 setembro, 2018

Quando o Psicólogo pode Ajudar!


Nênia por um povo ferido - Padre Zezinho





Nênia por um povo ferido - Padre Zezinho

É teu povo
Que não sabe
Mais o que fazer
Já não sabe
Mais a quem seguir

Enganado, injustiçado
E sem ninguém
Confiou e foi traído
Pelos grandes

Tem piedade de nós Senhor
Tem piedade do teu povo
Confiamos e mentiram
Para nós
Manda-nos profetas
Manda gente honesta
Manda novos líderes, Senhor
Estes de agora não nos amam...
Estes de agora não nos amam...

Só um Nordestino resistiu ao fogo no museu - Roberto Malvezzi (Gogó)



Quem vem ao sertão da Bahia, região de Canudos, vai encontrar Bendengó. Ali caiu um meteorito de ferro maciço. Em Bendengó, num espaço muito pequeno está o meteorito que caiu do céu, vindo do espaço, como um ET. Pesando mais de 5 toneladas, foi encontrado ainda no século XVIII.

Entretanto, em Bendengó está apenas uma réplica do verdadeiro meteorito, esse levado para o Rio de Janeiro, ao Museu Nacional.

No incêndio que torrou o Museu nem Luzia, nossa matriarca, resistiu. Mas o meteorito de Bendengó escapou ileso.

Esse país está sendo torrado por um golpe de Estado. Rompeu não somente com nossos direitos básicos, mas com todas as regras civilizadas de convivência de um povo.

É bom lembrar que 360 deputados, 60 senadores, 11 juízes do Supremo Tribunal Federal, um juiz de primeira instância, com seus compadres de um tribunal superior, o empresariado nacional e internacional, banqueiros e uma velha mídia, todos secundados por generais, estabeleceram essa aberração que é o Brasil contemporâneo.

Entretanto, um Nordestino resistiu. Quiseram torra-lo de todas as formas, mas os incendiários viraram cinzas e ele continua cada vez mais forte, como se fosse de ferro, imune ao fogo, como se fosse um ET.

E ele não se chama Bendengó.

CORREÇÃO: A réplica do meteorito está num pequeno museu em Monte Santo, município que abrangia toda a região. Hoje, com os desmembramentos, Bendengó está em território de Uauá.

04 setembro, 2018

Muito bom Mostra de como a sociedade mata nossa criatividade e imaginação.

Basta de privilégios: Grito dos Excluídos chama atenção para a questão da desigualdade social!



Basta de privilégios: Grito dos Excluídos chama atenção para a questão da desigualdade social!

No dia 7 de Setembro, data na qual oficialmente se comemora a independência do Brasil, será realizado em todo país o 24º Grito dos Excluídos que, este ano, tem como lema “Desigualdade gera violência: BASTA DE PRIVILÉGIOS!” e tema “Vida em primeiro lugar”, pelos quais, segundo a Coordenação Nacional, quer chamar a atenção da sociedade para a questão da desigualdade social, cada vez maior, entre os poucos endinheirados e os milhões de despossuídos. “Este sistema não permite que a vida esteja em primeiro lugar, porque privilegia o capital”, diz a coordenação.

Ainda segundo a coordenação, o Grito se constitui em um espaço onde as pessoas se sintam capazes de lutar pela mudança, através da organização, mobilização e resistência popular. Nesse contexto, em coletiva de imprensa, realizada no dia 30 de agosto, na sede do regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em São Paulo, o bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, dom Eduardo Vieira dos Santos afirmou que as denúncias trazidas pelo Grito são pertinentes, porque, de acordo com ele “temos uma sociedade excludente”.

“Uma grande camada da sociedade vive à margem dessa mesma sociedade, sem direito à moradia, sem direito à alimentação adequada, sem direito à saúde, ao trabalho, e todos esses aspectos fazem parte da vida e da dignidade humana. Enquanto tivermos uma parcela, que seja um da sociedade que passe por essa situação, há sim sentido no Grito dos Excluídos, ainda que esse excluído não seja o que grite, mas os seus irmãos devem gritar por ele”, afirmou o bispo. 

Segundo dom Eduardo, a base do cristianismo é a solidariedade. “Aquele que se omite diante do sofrimento do irmão, aquele que recua em defender o seu irmão diante do sofrimento ele não está vivendo o Evangelho, não está seguindo a Cristo”, assegurou. A fala do bispo se deu após a denúncia de Bruna Silva. Jovem, a moradora do complexo da Maré, no Rio de Janeiro, teve seu filho Marcus Vinícius, 14 anos, morto no dia 20 de junho pela Polícia Civil, quando estava a caminho de sua escola. Marcus era estudante da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. 

Para o economista Plínio de Arruda Sampaio Filho, também presente na coletiva, a violência que mata 62 mil pessoas no Brasil é o resultado da administração da barbárie, com a crescente exploração dos mais pobres e da militarização. “As vítimas são os mais pobres e 70% deles são negros”, lembrou. Ainda segundo o economista, a desigualdade social que existe, e que mais uma vez o Grito dos Excluídos denuncia, é resultado de um sistema que não enxerga e pauta as necessidades de sua população e sim a manutenção do sistema atual que exclui e promove a barbárie aos mais pobres. “Na economia, essa barbárie, é o chamado ajuste fiscal, o ataque à previdência, à política pública. Por que nenhum candidato [à presidência da República] tem a coragem de pautar a Dívida Pública? ”, questiona.

Para a socióloga Rosilene Wansetto, uma das coordenadoras do Grito, enquanto a PEC dos gastos não for revogada nada de diferente poderá ser feito no país. “É preciso que as pessoas questionem quais são as prioridades da população brasileira? Por que congelar investimentos na Saúde e Educação por 20 anos? Para que o Estado brasileiro está servindo”, questionou a socióloga, que também denunciou a presença militar do Estado nas comunidades e favelas brasileiras.

O Cartaz

O cartaz do 24º Grito dos Excluídos é de autoria de Nivalmir Santana, artista plástico formado pela Belas Artes de São Paulo e Unesp. Ele trabalha há mais de 28 anos com arte sacra em igrejas espalhadas por todo o Brasil. Atua como músico no curso de verão na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, desde 1991.

Segundo Nivalmir Santana, o cartaz retrata a união dos marginalizados e do povo sofrido que luta por vida mais digna. “Esse povo unido caminha para o sol, que ilumina todas as classes. O sol para o qual esse povo se volta é Cristo, que pela páscoa dissipa todas as trevas e clareia todas as coisas”, explica. Ainda de acordo com ele, a mulher como figura principal retrata a geração da vida, que une as forças e luta com o povo sofrido, especialmente na atual conjuntura que vive o povo brasileiro.


História do Grito

A proposta do Grito dos Excluídos brotou do seio da Igreja, em 1995, para aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade daquele ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e para responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, realizada em 1994, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas.

Com informações da Rede Jubileu Sul Brasil

Fonte: CNBB

Papa: fazer exame de consciência para deixar espaço ao Espírito



Papa: fazer exame de consciência para deixar espaço ao Espírito

Na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco celebrou a missa e recordou que no coração do homem, todos os dias, combatem o “espírito do mundo” e o “espírito de Deus”.

Barbara Castelli – Cidade do Vaticano

O coração do homem é como um “campo de batalha”, onde se enfrentam dois “espíritos” diferentes: um, o de Deus, nos leva “às boas obras, à caridade e à fraternidade”, o outro, o do mundo, nos impulsiona “em direção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e às fofocas”. Foi o que destacou o Papa Francisco, celebrando a Missa na Casa Santa Marta. O ponto de partida das reflexões do Pontífice foi a Primeira Leitura, em que o “apóstolo Paulo ensina aos Coríntios o caminho para ter o pensamento de Cristo”, um caminho marcado pelo abandono ao Espírito Santo. De fato, é o Espírito Santo que nos leva a “conhecer Jesus”, a ter os seus mesmos “sentimentos”, a compreender o “coração”.

A eterna luta entre bem e mal

Francisco recordou que “o homem deixado às suas forças não compreende as coisas do Espírito”:

“Existem dois espíritos, duas modalidades de pensar, de sentir, de agir: o que me leva ao Espírito de Deus e o que me leva ao espírito do mundo. E isso acontece na nossa vida: nós todos temos esses dois ‘espíritos’, digamos assim. O Espírito de Deus nos leva às boas obras, à caridade, à fraternidade, a adorar Deus, a conhecer Jesus, a fazer tantas obras boas de caridade, a rezar: isso. E o outro espírito do mundo, que nos leva em direção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e à fofoca: um caminho completamente diferente. O nosso coração – dizia um santo - é como um ‘campo de batalha, um campo de guerra onde esses dois espíritos combatem”.

Vencer as tentações como Jesus

“Na vida cristã”, portanto, “se deve combater para deixar espaço ao Espírito de Deus” e “expulsar o espírito do mundo”. E um “exame de consciência” diário, sugeriu o Pontífice, ajuda a “identificar as tentações”, a esclarecer como atuam essas forças contrapostas.

“É muito simples: temos este grande dom, que é o Espírito de Deus, mas somos frágeis, somos pecadores e temos também a tentação do espírito do mundo. Neste combate espiritual, nesta guerra do espírito, é preciso ser vencedores como Jesus”.

Não animais, mas Filhos de Deus

Todas as noites, concluiu o Papa, o cristão deveria repensar o dia transcorrido para verificar se prevaleceu a “vaidade” e a “soberba” ou se conseguiu imitar o Filho de Deus.

“Conhecer o que acontece no coração. Se nós não fizermos isso, se nós não soubermos o que acontece no nosso coração – e isso não o digo eu, o diz a Bíblia – somos como os ‘animais que não entendem nada’, vão avante com o instinto. Mas nós não somos animais, somos Filhos de Deus, batizados com o dom do Espírito Santo. Por isso, é importante entender o que aconteceu hoje no meu coração. Que o Senhor nos ensine a fazer sempre, todos os dias, o exame de consciência”.


Fonte: vatican News

03 setembro, 2018

A vida vai além dos laços de sangue!



A vida  vai além dos laços de sangue!

A vida vai além dos laços de sangue. 
Os laços de amor são tão importantes quanto os laços de sangue.
Os laços de amor são verdadeiros que não acabarão jamais. 
O amor é uma força invisível que sempre estará conosco – alguém que está contigo porque te ama jamais vai te abandonar, 
enquanto alguém que é apenas sangue do seu sangue pode fazê-lo.
Lembre-se sempre de que a coisa mais importante e essencial em uma relação é o amor.
Família é Quem Cuida e Ama!

Catador de Lindezas - Rita Maidana



Eu venho de lá, 
onde o bem é maior. 
De onde a maldade seca, não brota. 
De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção. 
Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades. 
Eu venho de um lugar 
que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações. 
Eu venho de um lugar em que se divide o pão, 
se divide a dor 
e se multiplica o amor. 
Eu venho de um lugar onde quem parte 
fica para sempre, 
porque só deixou boas lembranças. 
Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança 
e os mais velhos são confiança e sabedoria. 
Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. 
Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe. 
Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. 
Que é paz, fé e carinho. Eu venho de lá e não estou sozinho, 
"SOU CATADOR DE LINDEZAS", 
sobrevivo de encantamento, 
me alimento do que é bom, do bem. 
Procuro bonitezas 
e bem-querer, 
sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar. 
Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar. 
Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim. Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho... 
Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. 
Te digo: tem sim, é fácil encontrar. Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho. 
Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, 
é essência, 
está em cada um de nós. Basta a gente buscar.

(Rita Maidana)

O silêncio que vence!

“O silêncio que vence, porém através da Cruz. O silêncio de Jesus. Quantas vezes nas famílias começam as discussões sobre política, esporte, dinheiro, uma vez, depois outra e aquelas famílias acabam sendo destruídas naquelas discussões em que se vê que o diabo está ali, que quer destruir... Silêncio. Dizer o que pensa e depois se calar, pois a verdade é mansidão, a verdade é silenciosa, a verdade não é barulhenta. Não é fácil o que Jesus fez, mas há a dignidade do cristão que está fundamentada na força de Deus. Com as pessoas que não têm boa vontade, com as pessoas que buscam somente o escândalo, que buscam somente a divisão, que buscam somente a destruição também nas famílias: silêncio e oração.”

(Papa Francisco)

Oração


"Senhor Jesus, ontem falaste mas, surdos à tua mensagem de salvação, «todos, na sinagoga, se encheram de furor». Hoje, voltas a falar para proclamar o amor do Pai que liberta da opressão, mas poucos Te escutam e aceitam. Falarás amanhã e novamente as tuas palavras serão incomodas, e muitos procurarão afastar-Te. Porquê?
A tua Palavra, Senhor, só é acolhida por corações abertos ao Espírito e à surpresa do teu Evangelho. Que, ao anunciar-Te, eu tenha um coração impregnado de verdade, livre de medos, de interesses pessoais, de pressões inúteis. Que e minha única preocupação seja dar a conhecer o Pai e o seu amor sem limites pela humanidade. Suscita naqueles a quem sou enviado o desejo de Te conhecer. A tua Palavra tem o poder de curar, de transformar e de fazer maravilhas.
Que o meu coração, e o coração de todos os homens, a quem me envias a semear a Palavra, se tornem terra boa, onde ela cresça e dê muito fruto. Amém."


Fonte: Dehonianos

Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria!

Lucas 4,16-30

Naquele tempo: 
16Veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. 
Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, 
e levantou-se para fazer a leitura. 
17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. 
Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 
18'O Espírito do Senhor está sobre mim, 
porque ele me consagrou com a unção 
para anunciar a Boa Nova aos pobres; 
enviou-me para proclamar a libertação aos cativos 
e aos cegos a recuperação da vista; 
para libertar os oprimidos 
19e para proclamar um ano da graça do Senhor.' 
20Depois fechou o livro, 
entregou-o ao ajudante, e sentou-se. 
Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 
21Então começou a dizer-lhes: 
'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura 
que acabastes de ouvir.' 
22Todos davam testemunho a seu respeito, 
admirados com as palavras cheias de encanto 
que saíam da sua boca. 
E diziam: 'Não é este o filho de José?' 
23Jesus, porém, disse: 
'Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: 
Médico, cura-te a ti mesmo. 
Faze também aqui, em tua terra, 
tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.' 
24E acrescentou: 
'Em verdade eu vos digo que nenhum profeta 
é bem recebido em sua pátria. 
25De fato, eu vos digo: 
no tempo do profeta Elias, 
quando não choveu durante três anos e seis meses 
e houve grande fome em toda a região, 
havia muitas viúvas em Israel. 
26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, 
senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 
27E no tempo do profeta Eliseu, 
havia muitos leprosos em Israel. 
Contudo, nenhum deles foi curado, 
mas sim Naamã, o sírio.' 
28Quando ouviram estas palavras de Jesus, 
todos na sinagoga ficaram furiosos. 
29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. 
Levaram-no até ao alto do monte 
sobre o qual a cidade estava construída, 
com a intenção de lançá-lo no precipício. 
30Jesus, porém, passando pelo meio deles, 
continuou o seu caminho. 
Palavra da Salvação.

31 agosto, 2018

''Caro Dom Viganò, eis o pensamento de um pároco''


Abaixo, carta aberta do Pe. Francesco Murana endereçada a Dom Carlo

Para mim ha muitas vozes que clamam no deserto...,
Muitas vozes caladas...
A injustiça reside na omissão dos justos.

Ele lutava para mudar a situação e não conseguia. O sofrimento de(...) Não aguento ficar calado, pois já escutei o som da trombeta e o grito de guerra!” (Jr 4,19).

Aí chega um certo momento, tem quem não aguenta...e grita...

É assim, e infelizmente na maioria das vezes os que não aguentam e não se calam, não são compreendidos...


Leiam e faça sua interpretação.



Publicamos aqui a carta aberta do Pe. Francesco Murana, pároco de Milis, Diocese de Oristano, Sardenha,  na Itália, endereçada a Dom Carlo Maria Viganò.

A mensagem foi publicada no jornal L’Unione Sarda, 29-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Excelentíssima Eminência,

Escrevo-lhe a partir das páginas de um jornal “de periferia”, aquelas periferias tão amadas tanto pelo Senhor (que cresceu em Nazaré, no seu tempo uma aldeia de montanha) quanto pelo atual pontífice, o Papa Francisco.

Quem lhe escreve é um padre que estudou em Roma e que teve muitas possibilidades para encontrar um espaço “cômodo e adequado” para se esconder em um dos tantos escritórios e dicastérios que o enorme aparato da Cúria Romana oferece.

Mas eu escolhi, ainda em 1986, ir para a periferia da Sardenha, cortando-me, assim, as pernas de toda “carreira” possível.

Se o Senhor quiser outra coisa de mim, Ele inventará as estradas para que eu faça outra coisa e em outro lugar.

Nestes anos que se passaram (32!) vi acontecer de tudo dentro do clero. Fiquei parado e calado no meu lugar, tentando dar tudo de mim. Alegrei-me e alegro-me porque temos um papa como Francisco.

Ele é verdadeiramente humano e não é hipócrita (em sentido grego! Não é um ator, não desempenha um papel). É ele mesmo e – por mais sincero que seja – às vezes escorrega em linguagens de pároco, e – como eu também sou pároco – eu me sinto menos sozinho.

Sinto-o próximo.

Ao contrário, em relação ao senhor, sinto-o distante.

À parte que o senhor deveria ter se contentado em ter chegado aos 77 anos e ter levado uma vida mais do que cômoda e reverenciada... pergunto-lhe: o que o senhor quer ainda? Eu sou um padre do interior por opção, mas o senhor realmente acredita que não é possível ver nas suas acusações contra o Papa Francisco outros motivos e outras intenções?

O senhor acusa o Papa Francisco de silêncio.

Mas o senhor se dá conta de que o senhor também pode ser acusado da mesma acusação, já que acordou depois de cinco anos? Como o senhor dormiu durante cinco anos, nas próximas 11 páginas, conta-nos o que sonhou? Envergonhe-se.

Diante de todos nós, padres que cuspimos sangue todos os dias, em solidão: vocês brincam de ser prelados, servidos e reverenciados em tudo.

Tão viciados em poder que não veem mais nada, corroídos de ciúmes pelo muito tempo que têm à disposição, nunca saciados com o que recebem e sempre olhando para “os lugares que importam” ocupados pelos outros.

Tenho certeza de que o Papa Francisco é capaz de fritar um ovo e lavar as meias sozinho.

Do senhor, não; do senhor eu só tenho a certeza de que, a fim de cavalgar um capricho feito “pelo bem da Igreja”, é capaz de desenterrar o esterco alheio.

Eu estou na Igreja: o que o senhor fez de bem por mim e pelos paroquianos com quem eu vivo? Nada. Na língua sarda, o senhor é um “imboddiosu”: alguém que pega um novelo que não é seu e fica fazendo nós no fio; forçando assim a fiadora a perder tempo desfazendo-os para continuar tecendo...

O trabalho seguirá em frente, mas teremos perdido tempo graças ao “imboddiosu” de plantão.

Graças ao senhor, perdemos – pela enésima vez – rosto e tempo.

Olhando para o senhor, eu quero outra coisa e em outro lugar.

Pe. Francesco Murana
Pároco de Milis
Diocese de Oristano



Fonte: IHU

No Brasil, nem metade da população adulta alcança o Ensino Médio

O Ensino Médio no Brasil é um gargalo a ser superado pelas escolas e pelo Estado, para que o país avance na educação. A defasagem da qualidade do ensino nesta etapa sugere mudanças na matriz educacional do País. Apenas 58,5% dos jovens concluem a educação básica até os 19 anos de idade; e a maioria dos que conseguem concluir sai despreparada para o mercado de trabalho. Como consequência, o Brasil mantém um elevado número da sua população adulta que não concluiu o Ensino Médio. Em 2017, 811 mil pessoas recorreram à Educação de Jovens e Adultos (EJA) para finalizar o processo de escolarização.


A reportagem é de Camila Costa, publicada por Agência Rádio Mais, 30-08-2018.

A informação é da Pesquisa, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016-2017 (Pnad 2016-2017), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas frequentando o EJA no ano passado na etapa do ensino médio é 10,6% maior do que a registrada em 2016. Leia mais aqui.

“Em certa medida, a reforma do ensino médio é positiva nessa direção. Estabelece deveres positivos e, como somos uma democracia, e uma democracia inclusiva, e é importante o alcance integral do entendimento dessa palavra, temos no Brasil grande contingente da população adulta brasileira com baixa escolaridade, e tem que se dar atenção a esse contingente até porque é o contingente, sociologicamente falando, mais fragilizado”, pondera o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi.

A oferta de ensino médio articulado com a educação profissional no Brasil permitiria o desenvolvimento de competências pertinentes ao mundo do trabalho, com vistas à melhoria da qualidade desta etapa de ensino e à inserção profissional dos jovens, segundo Lucchesi.

A recomendação do setor da indústria, enviada aos candidatos à presidência da República nestas eleições, é criar condições para implantar a nova Lei do Ensino Médio e revisar marcos regulatórios, a exemplo da aprendizagem profissional.

Dados da Pnad indicam que o País abriga cerca de 70 milhões de pessoas com mais de 18 anos sem o Ensino Médio completo. “Estamos tendo um grande desafio de aumentar o contingente de jovens que vão fazer o ensino médio, ajustar a adequação idade série, bem como melhorar a qualidade aberta à educação, concomitantemente, temos que corrigir o problema da matriz educacional”, observa Lucchesi. Para o grupo etário de 15 a 17 anos, o ideal seria frequentar o ensino médio, porém, apenas 68,4% estavam na idade/série adequada em 2017, mesma de 2016 (68,0%), de acordo com a Pnadcontínua.

O olhar, segundo ele, deve se voltar, principalmente neste momento, para a reforma do Ensino Médio. Para a especialista em gestão escolar Juliana Diniz, os tempos mudaram e a educação pede dinamismo e um ajuste às novas tecnologias. “Num contexto da modernidade com todas essas possibilidades de mudanças aceleradas, quando você considera esse cenário e coloca um componente de qual lugar estamos nas escolas no país, claro que temos cases de sucesso, mas de regra estão com a cabeça e mentalidade do século 19, 20, educando alunos do século 21, quando pensa nesse lapso, nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinadas habilidades e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, considerando ele pessoa de potência”, declara Juliana.

30 agosto, 2018

O Lamento e o Grito

O lamento mantém os olhos fixos sobre as ruínas de um edifício, de um projeto ou da história, seja esta pessoal ou coletiva. O grito procura entre os escombros algo que sirva de alicerce para recomeçar o movimento, escreve Alfredo J. Gonçalves. Assessor das Pastorais Sociais.


Eis o artigo.

O lamento chora as perdas da crise ou da tragédia, sopesando suas nefastas consequências. O grito enxuga as lágrimas, ergue a cabeça e põe-se novamente em marcha. O lamento costuma estacionar no saudosismo, insistindo sobre “como eram bons aqueles tempos”! O grito, feita a análise da caminhada e ciente de que a história não se repete, tira as lições dos avanços e recuos, apontando para horizontes alternativos. O lamento tem um tom sufocado e oprimido, não raro silencioso ou silenciado de quem, ferido e abatido, se fecha num isolamento estéril e ineficaz. O grito se levanta, coloca a voz nas asas do vento, reúne outros gemidos ainda embrionários, sai às ruas e praças, manifesta-se e mobiliza-se em vista de mudanças urgentes e necessárias, de uma transformação histórica.

Em outras palavras, enquanto o grito vê nas ruínas e nas turbulências sinais de nova criatividade, o lamento limita-se a contabilizar os estragos e perdas. Enquanto o grito, apesar de tudo, mantém uma postura ao mesmo tempo crítica e ativa, o lamento destila o gosto amargo de uma passividade incapaz de tomar qualquer iniciativa. Enquanto o grito, mesmo em tempos difíceis, acentua o lado positivo de uma retomada, o lamento não encontra meios para superar “este vale de lágrimas”. Em síntese, enquanto o grito faz dos escombros uma encruzilhada para um futuro de justiça, direito e paz, o lamento permanece voltado para o passado, curtindo a saudade do berço ou do paraíso perdido.

Não convém, entretanto, estabelecer uma fronteira nítida, precisa e taxativa entre lamento e grito. Essa fronteira costuma ser móvel e escorregadia. Lamentos e gritos se mesclam e se entrelaçam nos entraves da existência. Muitos lamentos, após um período inicial de prostração, acabam por maturar e, com força redobrada, se convertem em gritos de guerra. E inversamente, muitos gritos, após um momento de euforia precoce e superficial, retrocedem a um estado de desânimo, de apatia e de desencanto, como se improvidamente lhes faltasse o oxigênio da esperança. Na história recente do Brasil, não seria difícil multiplicar os exemplos desse tipo de superação ou desse tipo de retrocesso.

Por isso é que, na 24ª edição do Grito dos Excluídos, na Semana da Pátria, de pouco serve limitar-se a um lamento sobre a desigualdade, a violência e os privilégios dos setores dominantes. O país vive uma crise prolongada e prepara-se para as eleições. Em tal contexto, a crítica é sempre válida, evidentemente, mas com a condição de voltar-se para alternativas futuras viáveis. O tempo de ruas e praças compactas pela multidão organizada, o tempo e das mobilizações espetaculares não volta com a rapidez de nossas expectativas. Talvez seja hora de garimpar nos escombros da crise: retirar as pérolas que motivaram ações passadas, mas, ao mesmo tempo, abandonar vícios nem sempre reconhecidos e bem avaliados. A crítica sem a autocrítica costuma ser um ingrediente do populismo nacionalista. É hora, sobretudo, de acreditar nos pequenos gestos, nas pequenas ações, no trabalho de base miúdo e persistente, na semente oculta no seio da terra, nas novas e criativas expressões e linguagens – no sentido de superar o lamento e avançar decididamente para um grito pelo “Brasil que queremos”, onde seja respeitada “a vida em primeiro lugar”.

Quem sabe seja o caso de retomar a intuição e o esquema do movimento profético no antigo Israel. No Livro das Lamentações, por exemplo, seguindo o título da obra, o profeta lamenta amargamente a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém, ocorrida no ano 587 a.C., seguida do exílio de seus habitantes para a Babilônia. O lugar de culto e a cidade santa, símbolos da religião e da identidade da nação, encontram-se inteiramente devastados. Varridos pela fúria do inimigo. O pranto adquire a tonalidade de um luto fúnebre. Mas o texto não se limita às “lamentações”. A partir dos próprios lamentos, emerge um profundo sentimento de confiança; no Deus fiel da Promessa, e na força organizativa da população. Passa-se do lamento ao grito. De fato, o fio condutor do livro, seu valor e mensagem essencial, é justamente o grito pela reconstrução da identidade do povo, do país e da própria história.

Fonte: IHU

29 agosto, 2018

Migrantes. "Mandá-los de volta? Pensem bem". Os vídeos que o Papa quis ver

Nos vídeos solicitados por Francisco o horror dos campos de refugiados líbios.
A reportagem é de Nello Scavo, publicada por Avvenire, 28-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Torturas de um migrante na imagem parada de um dos vídeos vistos também pelo Papa Francisco. Não publicamos o vídeo porque é muito violento (Foto: Avvenire)
A fita adesiva utilizada para fechar a sua boca é a única imagem que o olhar pode suportar. O resto, tira o sono. Os golpes. O facão e o punhal que perfuram. O garoto africano com mãos e pés amarrados, despido, para que o martírio possa ser visto. E ele que rasteja, que luta, que grita enquanto suas bochechas incham porque não conseguem dar vazão às lágrimas dos condenados. Isso foi o que o Papa Francisco viu. Ele quis que lhe fossem mostrados os vídeos dos campos de internação líbios que chegaram através das batidas dos tambores do smartphones daqueles que, ao contrário, conseguiram sair vivos. "Eu vi um vídeo onde se vê que acontece com aqueles que são mandados de volta - disse Bergoglio aos jornalistas retornando da Irlanda. Foram filmados os traficantes, as torturas mais sofisticadas". Francisco ficou sabendo que pessoas próximas a ele estavam na posse de vídeos que demonstram sem sombra de dúvida qual é a condição dos milhares de pessoas presas nos campos dos traficantes de seres humanos.
Os filmes exibidos semanas atrás a Bergoglio são páginas de terrível crueldade. A confirmação de que a Líbia não é aquele "porto seguro" para aqueles que fogem da fome e das guerras. O pontífice, em silêncio, observou aqueles dramas, inicialmente apenas relatados pela imprensa, e agora visíveis aos olhos. Ninguém que tenha visto pode esquecer os olhos estarrecidos diante do inferno do garoto que implora como pode, com lágrimas, enquanto chuta para afastar os torturadores. Ele no chão, e eles atacando. Pelo menos cinco e ninguém que queira parar. Eles se divertem enquanto batem mais forte. Esfaqueiam transformando o rosto do garoto em uma massa, até que a pele negra acaba coberta de sangue e pó, e se mistura na lama que tem a cor da morte, mas a morte não vem. Na sala de tortura, o garoto procura por uma fuga que não existe. Não desiste, o garoto. Leva os golpes, mas não quer desmaiar. Depois, outro covarde, aquele com o celular, chega mais perto, porque os destinatários do vídeo, talvez os parentes aos quais pedir mais dinheiro, corram a se endividar para pôr fim àquele suplício. E ele, o garoto que era negro e agora é só suor e púrpura, ainda luta entre o instinto de sobrevivência e o desejo de que o homem que se tornou um monstro, aquele que com uma mão, está mutilando-o a golpes de facões e com a outra segura um revólver, se decida a apertar o gatilho. E acabe de uma vez. Depois o vídeo, filmado com mão firme e ângulos estudados, como alguém que não é iniciante na danação dos últimos, é interrompido.

Mercado de escravos na Líbia (Foto: Avvenire)
Será que aquele garoto ainda está vivo. Será que alguém pagou um resgate. Será que está moribundo e agora, mudado para sempre, subiu em um barco. Será que foi salvo e levado para a segurança, na Europa. Ou foi interceptado e levado de volta ao matadouro dos migrantes.
Não é o único vídeo que o Papa Francisco assistiu. Ele quis olhar, o pontífice, aquelas imagens. No filme não há somente a dor, o medo, o choro daqueles que sofrem e as lágrimas de quem olha. Há também o esgar do ser humano do rosto normal, que em um instante revela outra natureza. E golpeia, sádico e implacável, por gosto e por dinheiro. Para intimidar os escravos e as escravas. Ou para se gabar com os outros de ser capaz de agarrar um homem, esquálido e impotente, já acostumado às agressões e às ameaças, convencido de que dessa vez também vai apanhar, mas vai sobreviver. Enquanto o agarra pelos cabelos, ao assassino bastam nove segundos para matar e jogar fora a cabeça.
Por isso, como tinha dito com toda a razão o Papa, aludindo aos que gostariam de de rejeitá-los, antes de "mandá-los de volta é preciso pensar bem".

Fonte: IHU