O 9º Intereclesial das CEBs do Paraná aconteceu entre os dias 30 de abril e 3 de maio de 2026, em Curitiba, na Paróquia São Pedro do Umbará, reunindo cerca de 600 participantes das dioceses do Paraná.
O encontro teve como tema:
“CEBs: Fortalecendo a Caminhada Sinodal no Cuidado da Casa Comum”
e como lema:
“Caminhavam juntos, partilhavam o pão e perseveravam nas orações e no bem viver” (At 2,42).
CEBs do Paraná: Sinodalidade, Esperança e Compromisso com a Vida e a Casa Comum!
A Arquidiocese de Maringá esteve presente com 32 representantes e duas enviadas para contribuir com a equipe de animação do encontro, fortalecendo ainda mais a participação e a caminhada conjunta das CEBs do Paraná.
O Intereclesial foi vivido como um verdadeiro tempo de graça, marcado pela alegria, pela partilha, pela acolhida e pela esperança renovada. Para os representantes da Arquidiocese de Maringá, o encontro deixou a certeza de que as Comunidades Eclesiais de Base continuam sendo espaço de vida, fraternidade e compromisso com o Reino de Deus.
Em cada momento vivido, ficou forte o chamado para trabalhar pelo bem comum, construindo já aqui na terra sinais do céu através da união, da participação e do cuidado uns com os outros. O encontro fortaleceu os vínculos entre irmãs e irmãos na mesma fé, reavivando em todos a esperança e a certeza de que somos comunidade, povo do Senhor, caminhando juntos com o Cristo Ressuscitado.
A simbologia da araucária e do pinhão marcou profundamente os participantes. A resistência, a resiliência, a beleza e os frutos da araucária trouxeram novo vigor e a convicção de que nada tirará do povo sua fé e sua esperança. Assim como a gralha azul, que com seu pequeno trabalho ajuda a reflorestar as matas, também as CEBs são chamadas a semear vida, especialmente através das crianças e dos jovens, sementes do amanhã plantadas com esperança no coração do povo.
Outro sinal muito forte foi o testemunho das pessoas que serviram durante os dias do encontro. Em cada rosto havia um sorriso, um gesto de ternura, uma acolhida fraterna e amorosa. A união das paróquias, das famílias acolhedoras e de todas as equipes mostrou a beleza do servir com alegria e simplicidade, revelando o verdadeiro sentido do bem viver.
Os participantes destacaram também que o grande diferencial do Intereclesial foi justamente o conjunto de tudo o que foi vivido. Tudo estava integrado: oração, partilha, organização, convivência, celebrações e debates. Mesmo com pensamentos, visões e métodos diferentes, todos caminhavam na mesma direção: lutar para que todos tenham vida em abundância.
Durante as reflexões e assessorias, surgiram fortes provocações sobre os desafios do tempo presente. Foi destacado que a ausência de pertencimento dificulta o crescimento das CEBs e enfraquece a vida comunitária. A realidade do individualismo, do egoísmo, do egocentrismo e do consumismo afasta as pessoas da experiência de comunidade e da prática concreta do Evangelho. Entre nós ainda existem muitos necessitados, enquanto cresce o desconhecimento do verdadeiro sentido de viver em comunidade.
Também foram apontados sinais preocupantes dentro da própria caminhada eclesial: o esfriamento espiritual, a falta de acolhimento — especialmente aos diferentes —, a polarização, o clericalismo, os conflitos, a dificuldade de diálogo entre paróquias e comunidades, além da tendência de muitos grupos permanecerem “cada um na sua caixinha”. Questionou-se ainda quais são as “ervas daninhas” que prejudicam o jardim da comunidade cristã: a exclusão, a pobreza, a falta de empatia, a incoerência entre o falar e o agir, o enfraquecimento do compromisso comunitário e a falta de responsabilidade com as futuras gerações.
As CEBs reconheceram também os grandes desafios do tempo presente, como o individualismo, o clericalismo, a violência contra as mulheres, a exclusão social e a degradação ambiental, situações que dificultam a vivência plena do Evangelho. Cresceu no encontro a consciência humanitária da defesa da vida, especialmente da dignidade das mulheres, e também a consciência ecológica, compreendendo que a destruição ambiental e a negação do direito à moradia são formas de pecado social que não podem mais ser ignoradas ou naturalizadas.
Inspiradas na Palavra de Deus, nas primeiras comunidades cristãs e nos ensinamentos da Igreja, especialmente do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, as CEBs assumem o compromisso de fortalecer uma Igreja em saída, sinodal, missionária e comprometida com a justiça, a paz, os pobres e o cuidado da Casa Comum.
A reflexão bíblica também iluminou profundamente o encontro. Uma das frases mais marcantes foi apresentada pelo Frei Ildo Perondi: “O Senhor escuta os gritos e não os ritos”, recordando que Deus se sensibiliza mais com o sofrimento humano e com a vida concreta do povo do que com práticas religiosas vazias e sem compromisso com a justiça.
Outra importante reflexão abordou a dignidade da mulher à luz da Bíblia. Foi recordado que, no texto original do Gênesis, Eva não surge da “costela” de Adão, mas do seu “lado”, sinal de igualdade, parceria e comunhão. O “lado aberto” aparece também na simbologia do Templo e no lado aberto de Cristo na cruz, tornando-se sinal de acolhida, encontro, aliança e amor entre Deus e seu povo. Assim, reafirmou-se que não existe fundamento bíblico para qualquer compreensão de inferioridade da mulher.
A assessoria do Pe. Elias Wolff aprofundou ainda mais a reflexão sobre a sinodalidade na Igreja. A caminhada sinodal foi apresentada como um novo modo de ser Igreja, baseado na comunhão, participação e missão de todos os batizados. A sinodalidade significa testemunhar juntos o Evangelho da vida em abundância, promovendo o bem viver e o bem conviver.
Foram apontados diversos desafios para a vivência da sinodalidade: posturas personalistas, autorreferencialidade, abusos de poder, clericalismo, resistência à participação dos leigos e das mulheres nos espaços de decisão, falta de transparência e de confiança, polarização nos ambientes digitais, exclusão de pobres, negros, indígenas, mulheres e pessoas marginalizadas, além da falta de ecumenismo e diálogo inter-religioso.
Também foi destacado que o formalismo estrutural pode sufocar a criatividade do Espírito Santo, impedindo a participação efetiva do povo de Deus. Reforçou-se a necessidade de uma Igreja que vá às periferias e que promova um agir ministerial sinodal comprometido com a transformação social.
O encontro reafirmou que as CEBs são o lugar do povo de Deus, espaço onde todos são acolhidos: movimentos, pastorais, serviços e diferentes carismas da Igreja. É o lugar da diversidade dos dons, do milagre da partilha, do abraço, do pão repartido, das alegrias, das lutas e das vitórias do povo.
As CEBs reafirmaram ainda a defesa da vida, o protagonismo das mulheres, a solidariedade aos marginalizados e a proteção da Mãe Terra, simbolizada pela distribuição de 800 mudas de araucária para plantio nas comunidades, como gesto concreto de cuidado e compromisso com a criação.
Como gesto concreto assumido durante o 9º Intereclesial das CEBs do Paraná, a Província Eclesiástica de Maringá comprometeu-se a fortalecer e assumir cada vez mais as CEBs em suas quatro dioceses: Campo Mourão, Maringá, Paranavaí e Umuarama. Assumiu também o compromisso de investir na formação sobre a identidade e a mística das CEBs, contemplando de modo especial a presença, a participação e os desafios das mulheres e das juventudes na caminhada da Igreja e das comunidades.
O 9º Intereclesial foi vivido como um encontro maravilhoso, repleto de aprendizado, conversas, amizades e experiências transformadoras. Foi tempo de reencontrar a essência das primeiras comunidades cristãs, fortalecendo a caminhada das CEBs e renovando o compromisso de seguir firmes na missão, para que todos tenham voz, vez e lugar na Igreja e na sociedade.
Confiante em Deus Trindade, e sob a proteção da Virgem Nossa Senhora do Rocio, a Padroeira do Paraná, seguimos, rumo ao 10º Intereclesial das CEBs, na diocese de Campo Mourão!
E as CEBs da Arquidiocese de Maringá, sob a proteção de Nossa Senhora da Glória, segue rumo ao 8º Encontrão Arquidiocesano das CEBs, que terá como tema: “De São Francisco à Laudato Si’: a fé que floresce na religiosidade popular” e como lema: “Na simplicidade do povo, Deus cuida da vida”. O encontro acontecerá no dia 13 de setembro, das 13h30 às 17h30, no Colégio Marista, reunindo o Povo de Deus para continuar fortalecendo a caminhada das CEBs na Arquidiocese.
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Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na arquidiocese de Maringá
Assessora das CEBs na arquidiocese de Maringá
Membra da Equipe de Coordenação das CEBs do Paraná










