06 dezembro, 2016

Mundo vive maior crise humanitária desde 2ª Guerra, alerta ONU


Genebra (RV) – O mundo atravessa sua pior crise humanitária desde a 2ª Guerra e cerca de 128 milhões de pessoas precisam de ajuda em diversos continentes. Nesta segunda-feira, 5, a ONU lançou um apelo para o financiamento de suas operações de resgate e estima que em 2017 precisará de US$ 22,2 bilhões para socorrer a população afetada por guerras e desastres ambientais.

O valor solicitado é inédito e a ONU insiste que nunca, desde o final da 2ª Guerra, tantas pessoas no planeta estiveram sob um risco tão elevado.

Diante da dificuldade em sair ao auxílio de todos, a entidade dará prioridade a 33 países e estabelecerá operações para atender 93 milhões de pessoas consideradas as mais vulneráveis. “O mundo está enfrentando um estado de crise humana jamais visto desde o final da 2.ª Guerra. No total, 128 milhões de pessoas estão sendo afetadas por conflitos, deslocamentos, desastres naturais e profunda vulnerabilidade”, indicou a ONU em seu apelo por recursos.

Solidariedade

“A escala da crise hoje é maior do que em qualquer outro momento desde a criação da ONU”, declarou Stephen O’Brien, sub-secretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários. “Em nenhum momento no passado recente tantas pessoas precisaram de nossa ajuda e solidariedade para sobreviver.”

Em seu apelo por recursos, a ONU incluiu ações para lutar contra a fome na bacia do Lago Chade e no Sudão do Sul, atendimento para civis na Síria, Iraque e Iêmen, e educação para crianças em zonas afetadas pelo fenômeno El Niño. A guerra na Síria, porém, estará entre as mais custosas financeiramente. No continente americano, o foco do resgate será o Haiti.

Crise

Se o mundo vive sua pior crise humanitária, a ONU também atravessa uma situação financeira delicada. Para 2016, a entidade recebeu apenas 52% da verba que havia solicitado para sair ao socorro das populações pelo mundo.

Ao final de 2016, o buraco nas contas da entidade chegou a US$ 10,7 bilhões, o maior de sua história. “A vida de milhões de crianças, mulheres e homens estão em nossas mãos”, disse O’Brien, ao lançar o apelo. “Não podemos abandoná-los.” (SP)


Fonte: Rádio Vaticano

STF decide afastar Renan Calheiros da presidência do Senado Federal

Em caráter provisório, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, decidiu afastar Renan Calheiros (PMDB) da presidência do Senado. O pedido acatado por Mello foi solicitado por parlamentares da Rede, após Calheiros se tornar réu no Supremo na última quinta-feira (1º), em investigação por peculato.
"Defiro a liminar pleiteada. Faço-o para afastar não do exercício do mandato de Senador, outorgado pelo povo alagoano, mas do cargo de Presidente do Senado o senador Renan Calheiros. Com a urgência que o caso requer, deem cumprimento, por mandado, sob as penas da Lei, a esta decisão", descreve o despacho do ministro.
O plenário do STF ainda proferirá uma decisão final, em sessão que não tem data para ser realizada. Agora, quem assume a liderança da Casa é o vice-presidente do Senado Jorge Vianna (PT-AC).
A ação, que havia sido instaurada para pedir o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal, seguiu no STF para julgar se réus podem ocupar cargo na linha de sucessão à Presidência da República. Na decisão, seis dos 11 ministros votaram para impedir que réus estivessem na linha de sucessão.
Fonte: Brasil de Fato

O fim do governo Temer e a implosão do golpismo

“O governo Temer acabou”, constata Aldo Fornazieri, diretor Acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política, em artigo publicado por Jornal GGN, 05-12-2016.
Segundo ele, “o governo acabou porque, se a agressão aos trabalhadores era coisa sabida de antemão, agora os setores médios percebem que continuarão perdendo e que a indústria terá menos do que teve com Dilma. Tudo somado, comércio e serviços também começam a perceber os rombos da canoa em que embarcaram. Empresas endividadas, sem crédito, além de demitirem, caminham para o desespero do fechamento”.
Fornazieri, doutor em Ciência Política, destaca, por outro lado, que “as esquerdas continuam à deriva e não conseguem perceber a natureza dos tempos e o rumo dos acontecimentos e as suas proposições não conseguem atrair ninguém para além da militância”.
Eis o artigo.
As duas últimas semanas marcaram o fim do governo Temer e a implosão do bloco que patrocinou o golpe parlamentar. O governo Temer continua existindo formalmente. Mas deixou de existir enquanto efetividade, enquanto capacidade de tirar o país da crise. Já se disse que nada tem a oferecer a não ser o agravamento da recessão, o aumento do desemprego, o ataque às políticas sociais e aos direitos e a violência contra o espírito e a letra da Constituição de 1988.
O governo acabou porque as parcas esperanças que uma parte minoritária da sociedade nutria em relação a ele se desfez na percepção de que o núcleo central do Planalto é uma quadrilha e porque as ilusões da retomada do crescimento se afogaram na falta de legitimidade do comando político e econômico do Brasil.
A figura insípida de Temer se move como um fantasma quase imperceptível na Brasília das permissividades. A equipe econômica, cantada em prosa e verso pelos áulicos da agressão à democracia, caminha para a inanição em face da falta de oxigênio, que lhe foi tirado por Temer e sua quadrilha e pelo oportunismo inominável do PSDB. Se essa equipe tem alguma dignidade - pois é de se duvidar de que servidores de golpistas tenham dignidade - deveria entregar os cargos e ir para casa. Não há como servir o Brasil num governo que foi constituído para se servir a si mesmo.
O governo acabou porque, se a agressão aos trabalhadores era coisa sabida de antemão, agora os setores médios percebem que continuarão perdendo e que a indústria terá menos do que teve com Dilma. Tudo somado, comércio e serviços também começam a perceber os rombos da canoa em que embarcaram. Empresas endividadas, sem crédito, além de demitirem, caminham para o desespero do fechamento.
Mas o motivo principal do fim efetivo do governo Temer é porque ele é fruto de uma grande farsa. E aqui vale lembrar as duas primeiras frases de O 18 Brumário de Luiz Bonaparte: "Hegel observou algures que todos os grandes fatos e personagens da história universal aparecem como que duas vezes. Mas esqueceu-se de acrescentar: uma vez como tragédia e outra como farsa". O impeachment de Collor teve uma dimensão trágica por se tratar do primeiro presidente eleito depois de quase 30 anos sem eleições presidenciais. Aquele movimento uniu a sociedade e o governo que resultou, discorde-se ou não dele, teve propósitos honestos em Itamar Franco. Ele afastou ministros mediante meras denúncias. Constituiu uma equipe econômica competente, que tinha algo a oferecer ao país e que solucionou um dos mais graves problemas que corroia a renda dos brasileiros: a inflação.
O governo Temer emergiu como fruto de uma dupla farsa: a farsa da manipulação da opinião pública em nome do combate à corrupção e a farsa do próprio impeachment, que não passou de um golpe. O golpe, patrocinado por toda espécie de conspiratas e traições, entregou o poder a um governo desonesto, corrupto, a um presidente que agiu para proteger o crime de um ministro em seu próprio gabinete, que mantém em seu ministério vários ministros denunciados e que ele mesmo é depositário de uma série de denúncias e suspeitas. A sua equipe econômica nada tem a remediar, nada tem a oferecer, a não ser a exigência de sacrifícios aos mais pobres. Compare-se as duas situações e a farsa ficará evidente.

A implosão do bloco golpista

Desnudada a inviabilidade do governo Temer, o bloco golpista implodiu. O PSDB, dividido, e sabendo que não pode morrer abraçado a Temer, prepara o desembarque, que não é consensual. Alguns querem salvar o que não pode ser salvo. Outros querem o desembarque, mas aqui também não há consenso: a) deixar que Temer e o PMDB se afundem sozinhos; b) afastar Temer e assumir o poder; c) afastar Temer e aprovar uma emenda para eleições diretas já. Fernando Henrique Cardoso tratou de transformar "A Ponte para o Futuro" do PMDB em uma frágil pinguela, prestes a se despedaçar nas águas turbulentas da crise.
Mas as fissuras do bloco golpistas se apresentam em outras partes: a grande mídia perdeu as mesuras com o governo; na Congresso, a inquietação se alastra, pois a anistia ao caixa 2 e a crimes conexos foi pactuada como moeda de troca no impeachment, mas está inviabilizada pela reação da opinião pública; os protestantes verde-amarelos voltaram às contra o Congresso, Renan e Rodrigo Maia e ameaçam assumir o "Fora Temer"; Gilmar Mendes e Dias Toffoli se aliaram a Renan e congressistas para minar a Lava Jato e enfrentar juízes e procuradores. O maremoto da Odebrecht se aproxima de Brasília e as perguntas de Eduardo Cunha atormentam o sono de Temere da cúpula do PMDB.
O que se vê é o agravamento da crise política e institucional, que já existia à época de Dilma. O Executivo deixou de funcionar desde o início de 2015. Incapacidades e conspirações foram a regra do jogo. Juízes e procuradores formaram o Partido da Moralidade e se apresentam como salvadores da pátria. O Congresso se move ao sabor dos interesses da degradação da política. O STF se tornou parte da crise ao não defender a Constituição. Essa crise é prolongada e, talvez, só uma nova Constituinte, com a mobilização das ruas, poderá remediá-la.

As esquerdas sem rumo

Com exceção do MTST e de um ou outro agrupamento, as esquerdas continuam a deriva. O PT, dividido, não consegue propor nenhuma estratégia. Parte da bancada do partido passou a ser dirigida por Renan Calheiros. Não foram poucos os que se condoeram com as prisões de Cunha e de Sérgio Cabral. Há até aqueles que elogiam Gilmar Mendes.
As esquerdas não conseguem perceber a natureza dos tempos e o rumo dos acontecimentos. Suas proposições não conseguem atrair ninguém para além da militância. Correm o risco de ver a direita tomar-lhe a bandeira do "Fora Temer" e do PSDB propor as "Diretas Já". O fato é que as esquerdas, desde o início de 2015, não conseguem propor uma saída para a crise. Tinham a chance de retomar a bandeira ética sob o governo Temer, mas estão permitindo que a direita a desfraldem novamente nas ruas.
Enquanto as esquerdas político-partidárias permanecem inertes, na base da sociedade ocorrem vários movimentos e mobilizações na defesa de direitos e contra a PEC do teto. Mas, no geral, permanecem fragmentados nos seus particularismos, pois ninguém consegue propor uma agenda geral. Com mais de 12% de desemprego, as centrais sindicais e os sindicatos, paralisados em sua perplexidade, não conseguem propor um movimento contra o desemprego.
As elites, confusas, buscam reposicionar-se em face da crise. Nunca tiveram um projeto para o país e apoiaram qualquer governo que as servisse. Estão percebendo que o governo Temer não consegue servi-las a contento. Tendem a ver no PSDB e em Alckmin uma tábua de salvação. As classes médias, indignadas, porque em parte perdedoras e em parte enganadas, retomam as mobilizações. As periferias, desconfiadas e abandonadas, observam o cenário político à distância enquanto continuam com suas lutas. As esquerdas estão feridas e o sangue que delas jorra alimenta a direita. A incapacidade e a desmoralização das esquerdas vão empurrando a sociedade para a direita. O agrupamento estamental-burocrático do Estado - Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal - procuram conferir um rumo à crise ao seu modo, combinando medidas legais com medidas de exceção.
Em face de tudo isso e das incertezas da crise, faltam líderes. Se as elites se socorrem no PSDB, as classes médias buscam uma nova liderança, um outsider, um empresário, um juiz e, no limite, um Bolsonaro. O estamento burocrático ainda não tem um líder propriamente político como alternativa. Nas esquerdas sobram indefinições, perplexidades e paralisia. O fato é que a sociedade não suportará por muito mais tempo a degradação do país e o clima de conflagração social que vai se instalando. Ela buscará alternativas. Penderá para quem tiver força organizada e mobilização. Fará surgir um líder, mesmo que seja efêmero, pois essa crise não é efêmera.
Fonte: IHU

Para refletir

“Mas o que Jesus fazia não era somente uma mudança da feiura à beleza, do ruim ao bom: Jesus fez uma transformação. Não é um problema de fazer bonito, não é problema de maquiagem, de magia: transformou tudo a partir de dentro! Transformou com uma recriação: Deus tinha criado o mundo; o homem caiu no pecado; chega Jesus para recriar o mundo. E esta é a mensagem; a mensagem do Evangelho, que se vê claramente: antes de curar aquele homem, Jesus perdoa os seus pecados. Vai ali, à recriação, recria aquele homem de pecador a homem justo: o recria como justo. O faz de novo, totalmente novo. E isso escandaliza: isso escandaliza!”
Papa Francisco

05 dezembro, 2016

Acabar com a venda de armas que terminam nas mãos de crianças-soldados.

Papa Francisco afirma que é necessário respeitar a “dignidade das crianças” e acabar com a venda de armas que terminam nas mãos de crianças-soldados.

“Devemos fazer o possível para que seja respeitada a dignidade das crianças e terminar com esta forma de escravatura”, disse o papa

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04 dezembro, 2016

Obrigada Pe. João Caruana!

Obrigada Pe.  Joao Caruana, pela participação em seu livro não tem como expressar com palavras e obrigada também por confiar conduzir  o lançamento.
"Pensadores da Caminhada - 30 anos vividos nas Comunidades Eclesiais de Base".



02 dezembro, 2016

Lançamento do livro: “Pensadores da Caminhada – 30 anos vividos nas CEBs” de Pe. João Caruana

Neste sábado, dia 03 de dezembro de 2016

Lançamento do livro: 
“Pensadores da Caminhada – 30 anos vividos nas CEBs” de Pe. João Caruana.





Convite

 Será um lindo momento

Lançamento do livro: “Pensadores da Caminhada – 30 anos vividos nas CEBs” de Pe. João Caruana.

Ao adquirir o convite ganha o livro

- Convite individual: R$ 25,00
- Convite para casal: R$ 35,00
Os convites podem ser encontrados nas quatro paróquias de Sarandi, na Paróquia São Silvestre e no CEPA.

Dia: 03 de dezembro
Horário: 20h30
Local: Salão da Paróquia Nossa Senhora das Graças – centro da cidade de Sarandi-Pr.
O livro é uma coletânea de experiências, reflexão, entrevistas.

Na primeira parte, dois momentos, trajeto da caminhada de Caruana, experiências vividas e algumas de suas reflexões.

Na segunda parte, mais de 30 entrevistas que relatam sobre a trajetória das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs no Brasil e na América latina.

Reflexões e entrevistas com:

Gustavo Gutiérrez - Aloisio Lorscheider - JoseMaria Peres - Helder Câmara - Pedro Casaldaliga - Erwin Kautler - Carlos Mesters - Evaristo Arns - Cláudio Hummes - Luciano Mendes de Almeida - Mauro Morelli - Padre  Zezinho - Alberto Antoniazz - Segundo Galilea - Leonardo Boff - Frei Beto - Milton S  Tpmãschwantes - Jon Sobrinho Jose' Comblin -  Tomas Bladuino - Ladislau Biernaski - Joao Batista Libanio - Arturo Paoli - Marcello Barros - Oscar romero - Zilda Arns  - Ivone Gebara -  Dorothy Stang.


Oração para o Advento [Luiz Carlos Ramos]

Deus de toda graça,
vem sobre nós nesta hora e visita-nos com teu amor incomparável;
enche-nos de expectativa radiante
e prepara-nos para receber a tua salvação;
ajuda-nos a preparar o caminho
e a endireitar o coração para recebermos o Salvador,
e a vivermos esse imenso Amor.
Amém.

Rev. Luiz Carlos Ramos†
Para o Segundo Domingo do Advento

Fonte: http://www.luizcarlosramos.net

Percorrer caminhos novos [José Antonio Pagola]

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 3,1-12 que corresponde ao Segundo Primeiro Domingo de Advento, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Pelos anos 27 ou 28 apareceu no deserto próximo do Jordão um profeta original e independente que provocou um forte impacto no povo judeu: as primeiras gerações cristãs viram-no sempre como o homem que preparou o caminho a Jesus.

Toda a sua mensagem se pode concentrar num grito: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!”. Depois de vinte séculos, o Papa Francisco grita-nos a mesma mensagem aos cristãos: abri caminhos a Deus, voltai a Jesus, acolhei o Evangelho.

Seu propósito é claro: «Procuremos ser uma Igreja que encontra caminhos novos». Não será fácil. Nos últimos anos vivemos paralisados pelo medo. O Papa não se surpreende: “A novidade dá-nos sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós os que construímos, programamos e planejamos a nossa vida». E faz-nos uma pergunta a que temos de responder: «Estamos decididos a percorrer os caminhos novos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de resposta?».

Alguns espaços da Igreja pedem ao Papa que efetive o mais pronto possível diferentes reformas que se consideram urgentes. No entanto, Francisco manifestou sua postura de forma clara: «Alguns esperam e pedem-me reformas na Igreja, e deve ocorrer”. “Mas antes é necessária uma alteração de atitudes”.

Parece-me admirável a clarividência evangélica do Papa. O prioritário não é assinar decretos reformistas. Previamente é necessário colocar as comunidades cristãs em estado de conversão e recuperar no interior da Igreja as atitudes evangélicas mais básicas. Só nesse clima será possível concretizar de forma eficaz e com espírito evangélico as reformas que a Igreja necessita com urgência.

O próprio Francisco indica-nos todos os dias as mudanças de atitude de que necessitamos. Assinalarei algumas de grande importância.

Colocar Jesus no centro da Igreja: «Uma Igreja que não leva a Jesus é uma Igreja morta».

Não viver numa Igreja fechada e autorreferencial: «Uma Igreja que se encerra no passado e atraiçoa a sua própria identidade».

Atuar sempre movido pela misericórdia de Deus para com todos seus filhos: não cultivar “um cristianismo restauracionista e legalista que quer tudo claro e seguro, e não encontra nada”.

Procurar uma Igreja pobre e dos pobres. Ancorar nossa vida na esperança, não “nas nossas regras, nos nossos comportamentos eclesiásticos, nos nossos clericalismos”.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

01 dezembro, 2016

O carinho de dom Pedro Casaldáliga

O carinho de dom Pedro Casaldáliga

Há muito tempo, no inicio de dezembro, tempo do Advento que é um tempo de alegria, expectativa, esperança, fraternidade e paz, via e-mail recebo de dom Pedro Casaldáliga sua mensagem. Como sempre, partilho com vocês.


Carta aberta a Michel Temer

Me pergunto ao iniciar essa carta, como endereçar qualquer palavra a você sem inevitavelmente ofendê-lo (e aos seus pares); como dirigir-me a alguém, cuja legitimidade como presidente da República, não posso reconhecer. Termos como golpista, usurpador, traidor propagam-se por aí, mas eu não gostaria de usá-los, pois não quero parecer rude. Por isso mesmo evitarei o uso da expressão vampiro sócio-político. Se lembrarmos de sua carta a Dilma Rousseff podemos confiar no seu entendimento sobre o formato que uso nesse momento.

No entanto, é impossível falar sem um profundo pesar a quem não foi desejado pela maioria dos eleitores, enquanto, ao mesmo tempo, por mil artimanhas do poder, por toda sorte de astúcias jurídicas e políticas, ocupa seu lugar e deveria, por um regra de etiqueta, ser chamado de Excelentíssimo.

Nesse momento, todas as camadas da cultura que me levam a sentir empatia estão acionadas, mas não posso ser insincera. Não posso chamá-lo de excelentíssimo, muito menos de presidente, porque seria aceitar alguma legitimidade em sua atual condição política. E aqui eu prefiro sinceramente colocar em jogo não as excelências possíveis, mas a simples dignidade.

Ainda vale escrever uma carta para falar da dignidade, a meu ver é fundamental lembrar dela em tempos torpes como o nosso.

Suspeito de sua vaidade, de sua falta de autocrítica, pois sua história em relação às urnas é a de um homem que talvez precise ocultar justamente aquilo que provoca o maior rancor político: a invotabilidade. A presidência da República não faria parte de seu destino senão por meio do golpe no qual veio a ser favorecido já que, em nome do tal presidencialismo de coalizão, estava na carona de uma mulher que ocupava pela segunda vez o cargo máximo do país.

Sinto uma profunda vergonha em lhe enviar essa carta, mas me sinto ainda mais comprometida com a profissão que escolhi, a de professora de filosofia. E professores de filosofia em um momento como esse não podem calar. Exerço a docência, na mesma época em que uma medida provisória desnecessária e sem urgência desobrigou do ensino de filosofia, sociologia, artes e educação física. Sou professora da disciplina de Introdução, ensino e estágio de filosofia que hoje está sob a mira autoritária de um projeto que quer dificultar a reflexão dos brasileiros.

É envolta na meditação sobre tantos outros atos contra a educação nacional, que em tudo parecem puro terrorismo de Estado, que eu não consigo imaginar que um dia você tenha sido professor, embora haja quem afirme que lecionou a disciplina de direito constitucional (direito constitucional, que ironia!).

Nada na vida me orgulha, senão esse lugar de professora. Penso em nosso país no qual o povo é humilhado por falta de acesso à educação, exposto a horas de televisão embrutecedora e imbecilizante. Penso no desprezo pela educação, um desprezo que faz parte da máquina autoritária do neoliberalismo e da colonização externa e interna que sua pessoa ajuda a manter em ação. Quando olho para todas as medidas de aniquilação contra a educação na época de seu governo, imagino que o ódio contra cidadãos brasileiros, sobretudo crianças e jovens, bem como adultos que precisam de alfabetização, tenha se tornado uma espécie de razão de Estado. Não é possível não mencionar o heroísmo daqueles que ocupam hoje centenas de escolas em uma luta generosa pela democracia, cuja aniquilação parece estar sendo desejada pelos donos do poder. E tudo o que digo sobre a educação, infelizmente serve também para a cultura, a saúde, os direitos dos trabalhadores.

Nessas horas, é impossível não lembrar de um de seus filhos, aquele que bem pequeno aparece algumas vezes publicitariamente nos meios de comunicação, talvez, me desculpe comentar, para amenizar sua própria má presença. Espero que ele não venha a sentir vergonha do pai. Mas talvez a vergonha não seja uma questão para sua pessoa. Há pessoas que se acostumam à infâmia, pois já não vivem segundo o paradigma do reconhecimento.

Nesse momento, é provável que a maioria dos brasileiros sinta vergonha alheia quando de sua aparição pública que surge mal preparada para representar o povo e o Brasil. Até aqueles que investiram com ódio contra a presidenta democraticamente eleita, não te desejam (não se engane com os olhares apaixonados de parcela da mídia que pensa o que os cifrões determinam, Michel Temer).

Nesse cenário, eu me preocupo com o Brasil contemporâneo e o Brasil futuro como qualquer cidadão. E é profundamente ansiosa por um projeto de país no qual a educação para o pensamento autônomo, que tenha como base o diálogo com todas as raças, gêneros e classes, que lhe dirijo um pedido. Gostaria de contar com sua atenção para além da habitual atitude de descaso e de destruição que tem sustentado tantas pessoas no poder. Um fiapo de dignidade já basta para atender a um apelo da consciência coletiva que, nesse momento, se desespera.

Não é preciso lançar mão do brilho de nenhuma verdadeira inteligência para atender ao meu pedido, pois ele é bem modesto. Do mesmo modo, nenhuma grande fé é necessária para lembrar da dignidade perdida, algo que, mesmo que seja apenas antes da morte, vale a pena tentar recuperar.

Lembro, a propósito, de um estadista corajoso como foi Getúlio Vargas e sua medida extrema, o suicídio. Sabemos que a covardia é compartilhada em nossa época, ela é um registro consensual do pensamento e do comportamento da maioria. Há heróis nacionais desse modelo e devemos todos evitar de nos tornarmos mais um deles. Evidentemente, eu não lhe sugeriria um ato tão trágico como o suicídio, não se brinca com o destino alheio. Meu pedido é bem mais simples, envolve um gesto infinitamente mais modesto que, no entanto, seria capaz de redimir toda a vergonha que sentimos até aqui.

 O que lhe peço é que renuncie. Renuncie e salve, de algum modo, o que lhe resta de respeito. Muitos de nós, simples cidadãos ficariam perplexos em vez de envergonhados e talvez até lhe déssemos um voto importante, o de confiança por seu misterioso gesto.

Renuncie, por favor, ainda este ano, como forma de evitar o que vem sendo chamado de “golpe dentro do golpe” (mais um no Brasil), que se avizinha conforme demonstram as últimas notícias envolvendo você e seus ministros e ex-ministros, esse grupo que vem se demonstrando inconfiável e que se uniu para exclusivamente colocar em prática um projeto derrotado nas urnas. Renuncie e evite que o novo presidente do país seja escolhido de forma indireta, evite que mais um presidente brasileiro seja escolhido da mesma forma que se escolhiam os ditadores após 1964.

Junto dessa renúncia, a proposta de eleições diretas nesse momento seria um ato democrático fundamental, capaz de redimir a auto-estima aniquilada e a esperança do povo brasileiro. Pergunto se você, Michel Temer, seria capaz desse ato de generosidade?

Com sua renúncia neste momento a imagem de vampiro que se deita em um caixão todas as noites depois de sugar a jugular do Brasil na companhia de seus bizarros comparsas neoliberais, deixaria espaço para a de uma pessoa que entra para a história como alguém que, por algum tempo ocupou um lugar especial e decidiu agir com dignidade.

Dignidade é o que em nós não tem preço, Michel Temer. O seu oposto, no entanto, é não valer nada. A escolha é sempre o que nos resta.

*Por Marcia Tiburi, Professora de filosofia

Fonte: http://revistacult.uol.com.br

Governo Temer retarda demarcação de 13 áreas indígenas

Em uma decisão incomum, a Casa Civil da Presidência da República mandou devolver à Funai (Fundação Nacional do Índio) 13 processos de demarcação de terras indígenas que aguardavam homologação presidencial.

O Ministério da Justiça também devolveu ao órgão indigenista outros seis processos em fase de identificação, uma etapa anterior à homologação.

Os processos aguardavam assinatura ou do presidente Michel Temer ou do ministro Alexandre Moraes (Justiça). Eles se referem a 1,5 milhão de hectares em 11 Estados reivindicados por índios de 17 diferentes etnias. A maioria foi aberta entre 2004 e 2014. Um caso é datado de 1982.

A Casa Civil diz que a intenção é apurar eventuais "óbices judiciais" em torno das terras.

Para o CNPI (Conselho Nacional de Política Indigenista), vinculado ao Ministério da Justiça, o governo descumpre o rito das demarcações, que não prevê a suspensão de homologações pela existência de disputas judiciais.

O entendimento é reforçado pelo subprocurador geral da República Luciano Mariz Maia, coordenador da 6ª Câmara da PGR (Procuradoria Geral da República), voltada para populações indígenas e comunidades tradicionais.

Segundo Maia, o decreto que regula a demarcação concede um prazo de até 30 dias para o ministério devolver o processo à Funai, mediante "decisão fundamentada".

Maia insere o episódio em um quadro político que inclui a recriação da CPI da Funai, no Congresso, decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) contra indígenas e o esvaziamento do órgão, com anúncio recente de reestruturação em termos ainda não divulgados. O cargo de presidente da Funai está vazio desde maio.

Membro do CNPI, Weiber Tapeba afirma que as devoluções são um retrocesso. "Procrastina, dificulta, impede que os procedimentos de demarcação sejam concluídos."

Fonte: Folha de S.Paulo

Por que nos tornaram o país da estupidez?

Do blog do Marcelo Auler, o artigo do Subprocurador-geral da República Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça:

Já o dizia meu saudoso pai: os ignorantes usam o punho, enquanto os inteligentes usam a cabeça. Em outras palavras, o punho do ignorante entra em cena, quando seus paupérrimos argumentos se esgotam.

A batalha campal ocorrida terça-feira (29/11) em Brasília é um evidente sinal do desgoverno que tomou conta do Brasil depois do golpe parlamentar.

Um grupinho se incrustou nos palácios e ministérios da capital, sem capacidade de diálogo e de minimamente convencer a sociedade atônita sobre seus propósitos. Prefere mandar a “puliça” atacar indefesos manifestantes a se dar ao esforço da argumentação. Até porque argumentos não há que sustentem a degradação do Brasil a uma republiqueta de atores políticos vaidosos, ambiciosos e gananciosos.

Não há mais projeto nacional, não há metas nem de curto, nem de médio e nem de longo prazo. A economia está à deriva, por se interessarem seus gerentes públicos apenas por satisfazer as pretensões egoístas de rentistas e especuladores.

Ontem um amigo empresário do Norte me disse que a exportação de gado brasileiro caiu 90% e o setor está em polvorosa.

Com certeza não é um problema de falta de demanda externa, mas sim da mais tosca incompetência do desgoverno, incapaz de abrir novos mercados e de manter os já consolidados.

A comissão de comércio exterior da Federação Russa, por exemplo, insistiu em vão em se reunir com os técnicos do Sr. José Serra e não recebeu nenhuma confirmação sobre data que estava ficada, desde tempos, para dezembro. A reunião, parece, ficou para depois do carnaval.

A Embraer atravessa séria crise, de modo a demitir centenas de seus empregados especializados. Os estaleiros construídos para atender às demandas de equipamentos naval para exploração do pré-sal estão estagnados. Milhares de empregos foram riscados do mapa. O governo resolveu desistir do conteúdo nacional no setor.

O Almirante Othon, pai da energia nuclear brasileira foi colocado atras das grades, condenado a 43 anos de reclusão, mais do que a Sra. Susanne Richthofen, que fez matar pai e mãe.

E, no entanto, pouco interessou aos ávidos acusadores que a administração de meios nessa área estrategicamente sensível não se pode fazer por rotinas comuns, transparentes. Afinal, certos insumos para o programa não se adquirem pela internet pagando com Pay-Pal. Mas isso é muito complexo para procuradores ameganhados.

Ao mesmo tempo, assistimos um assombrador crescimento de grupos fascistas na sociedade. Pessoas embrutecidas pelo vício de uma linguagem violenta nas redes sociais se distraem colocando para fora seu ódio contra as forças democráticas. Sua presença, ontem, no banzé organizado pela “puliça” na esplanada dos ministérios, mostra sua disposição de jogar o país no caos. O “quanto pior melhor” só os aproveita. E quem apanha é a multidão pacífica que teve seu ato infestado por atos de provocação dos brucutus bolsonaristas.

Enquanto isso o Judiciário e o ministério público estão mais preocupados com seus umbigos, temerosos de qualquer iniciativa legislativa que os venha chamar à responsabilidade.

Não se vê ação contra esse massacre aos direitos individuais e coletivos, mas somente a cantilena do “combate” à corrupção, do julgamento falso-moralista da classe política, como se o Brasil só agora tivesse despertado para as mazelas do financiamento eleitoral e partidário.

Juízes, nestes tristes tempos, falam pelo cotovelo. Emitem juízos antecipados sobre processos em curso e até se sugerem a deputados e senadores como seus conselheiros… impressionante a ousadia da burocracia sobre a democracia. O poder que emana do povo já lhes deixou de ser sagrado há muito.

Não há luz no fim do túnel. A única saída desse estado desesperador é a organização da sociedade civil, para que tome em suas mãos a defesa da Constituição-Cidadã e exija a mudança urgente do desgoverno por um governo legítimo saído das urnas.

Essa demanda urgente não pode ser desvirtuada com a de setores pouco afeitos à democracia que namoram numa eleição indireta em 2017. Tratar-se-ia de mais um golpe dentro do golpe, para manter a sociedade longe do comando sobre seu destino.

Também não podemos contar com um proativo Supremo Tribunal Federal que venha a reinstituir a presidenta destituída à traição, pois essa corte mais está preocupada com sua própria imagem na mídia conservadora que ajudou a tramar o golpe contra a constituição.

Tenhamos, pois, esses dois objetivos claros em mente: a defesa da carta maior gestada numa constituinte eleita e a realização já de eleições para presidente. É o único meio de o Brasil sair do lamaçal em que os golpistas o jogaram.

E quanto aos inimigos da democracia, terão que pagar por seus atos covardes perante a História, que saberá avaliar a gravidade da conspiração por eles praticada contra o País.

Fonte: http://www.tijolaco.com.br

25 novembro, 2016

A Campanha da Fraternidade (CF) 2017


A Campanha da Fraternidade (CF) 2017

A Campanha da Fraternidade (CF) 2017 terá como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da visa” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).

O texto-base da CF 2017 apresenta a proposta principal dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.

O texto-base está dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. Também traz reflexões do tema sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2017.

A partir do texto-base todas as comunidades, paróquias e dioceses do Brasil organizam formações e ações para o período de realização da CF 2017. 

24 novembro, 2016

CNBB lança a Doutrina Social da Igreja para os Jovens

Com 12 capítulos, o livro apresenta temas que se referem ao amor humano, a família, economia e política

A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou na quarta-feira, 23 de novembro, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja para os Jovens – Docat. 

O Docat é uma adaptação atraente e ilustrativa do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, um pequeno manual dos Ensinamentos Sociais da Igreja. O livro foi idealizado pelos mesmos criadores do Catecismo Jovem (Youcat) e apresentado durante a Jornada Mundial da Juventude 2016, ocorrida em Cracóvia, na Polônia.

O Docat tem como objetivo principal ensinar numa linguagem dialógica, com perguntas e respostas, como os jovens cristãos podem mudar o mundo através da ação social e política, com base nos ensinamentos do Evangelho.

A elaboração e a ilustração do livro contou com a participação de jovens de diferentes países, inclusive do Brasil.


Para CNBB, é "inadequado e abusivo" que reforma do Ensino Médio seja feita por MP

Conselho Episcopal Pastoral (Consep) aprovou nota sobre a Medida Provisória 746/16 que pretende reformar o Ensino Médio

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido na sede da entidade, em Brasília (DF), nos dias 22 e 23 de novembro, aprovou a nota sobre a chamada "Reforma do Ensino Médio", apresentada pelo Governo Federal ao Congresso Nacional na forma de Medida Provisória. Para os bispos, são louváveis as iniciativas que busquem refletir, debater e aprimorar a realidade do ensino brasileiro, mas "assim como outras propostas recentes, também essa sofre os limites de uma busca apressada de solução". A entidade acredita que "questão tão nobre quanto a Educação não pode se limitar à reforma do Ensino Médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais".
No texto, os bispos ressaltam que a educação deve formar integralmente o ser humano. "O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental", afirmam na nota.  
Leia na íntegra:


NOTA DA CNBB SOBRE A “REFORMA DO ENSINO MÉDIO” – MP 746/16

“A fim de que os estudantes tenham esperança!”
(Papa Francisco, 14 de março de 2015)

 

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 22 e 23 de novembro de 2016, manifesta inquietação face a Medida Provisória 746/16 que trata da reforma do Ensino Médio, em tramitação no Congresso Nacional.
Segundo o poder executivo, a MP 746/16 é uma proposta para a superação das reconhecidas fragilidades do Ensino Médio brasileiro. Sabe-se que o modelo atual, não prepara os estudantes para os desafios da contemporaneidade. Assim, são louváveis iniciativas que busquem refletir, debater e aprimorar essa realidade. 
Contudo, assim como outras propostas recentes, também essa sofre os limites de uma busca apressada de solução. Questão tão nobre quanto a Educação não pode se limitar à reforma do Ensino Médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais. 
Toda a vez que um processo dessa grandeza ignora a sociedade civil como interlocutora, ele se desqualifica. É inadequado e abusivo que esse assunto seja tratado através de uma Medida Provisória.
A educação deve formar integralmente o ser humano. O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental. Há que se contemplar igualmente as dimensões ética, estética, religiosa, política e social. A escola é um dos ambientes educativos no qual se cresce e se aprende a viver. Ela não amplia apenas a dimensão intelectual, mas todas as dimensões do ser humano, na busca do sentido da vida. Afinal, que tipo de homem e de mulher essa Medida Provisória vislumbra?
Em um contexto de crise ética como o atual, é um contrassenso propor uma medida que intenta preparar para o mercado e não para a cidadania. Dizer que disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes e música são opcionais na formação do ser humano é apostar em um modelo formativo tecnicista que favorece a lógica do mercado e não o desenvolvimento integral da pessoa e da sociedade.
Quando a sociedade não é ouvida ela se faz ouvir. No caso da MP 746/16, os estudantes reclamaram seu protagonismo. Os professores, já penalizados por baixos salários, também foram ignorados. Estes são sinais claros da surdez social das instâncias competentes. 
Conclamamos a sociedade, particularmente os estudantes e suas famílias, a não se deixar vencer pelo clima de apatia e resignação. É fundamental a participação popular pacífica na busca de soluções, sempre respeitando a pessoa e o patrimônio público. A falta de criticidade com relação a essa questão trará sérias consequências para a vida democrática da sociedade.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda por nós.

 

Brasília, 23 de novembro de 2016.


Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Presidente em Exercicio da CNBB

Dom Guilherme A. Werlang, MSF
Bispo de Ipamerí
Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Papa escolhe os temas para as próximas JMJ, dedicados a Maria!


Para a 32ª Jornada Mundial da Juventude diocesana de 2017 o tema é “O Todo-poderoso realizou grandes coisas em meu favor”.

Para a 33ª Jornada Mundial da Juventude diocesana de 2018 o tema escolhido pelo pontífice é “Não temas, Maria, porque encontraste graça junto de Deus”.

A 34ª Jornada Mundial da Juventude que se realizará no Panamá, em 2019, tem como tema é “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Segundo a mensagem, “os três temas anunciados tem como objetivo dar uma conotação mariana forte ao itinerário espiritual das próximas JMJ, recordando ao mesmo tempo a imagem de uma juventude a caminho entre passado (2017), presente (2018) e futuro (2019), animada pelas três virtudes teologais: fé, caridade e esperança”.

22 novembro, 2016

Carta Apostólica: Papa conclui Jubileu indicando perdão e caridade



“Misericórdia e mísera” é o título da Carta Apostólica do Papa Francisco publicada ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.


A carta, disponível em português, é dividida em 22 pontos e começa com a explicação do título: misericórdia e mísera são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera.

“Esta página do Evangelho pode ser considerada como ícone de tudo o que celebramos no Ano Santo. (...) No centro, não temos a lei e a justiça legal, mas o amor de Deus. (...) Não se encontram o pecado e o juízo em abstrato, mas uma pecadora e o Salvador. (...) A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor”, escreve o Pontífice.

Perdão e caridade: estes são os dois eixos centrais da Carta Apostólica. O Papa recorda que ninguém pode pôr condições à misericórdia; “esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste”. Agora, concluído este Jubileu, é tempo de olhar para frente e compreender como se pode continuar experimentando a riqueza da misericórdia divina.

Celebração eucarística

Em primeiro lugar, Francisco aponta a celebração da misericórdia através da missa. Dirigindo-se aos sacerdotes de modo especial, o Papa recomenda a preparação da homilia e o cuidado na sua proclamação. “Comunicar a certeza de que Deus nos ama não é um exercício de retórica, mas condição de credibilidade do próprio sacerdócio”, adverte o Pontífice. O Papa faz algumas sugestões, como de um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, em prol de sua difusão, conhecimento e aprofundamento.

Perdão

O Pontífice dedica amplo espaço na Carta Apostólica para falar do sacramento da Reconciliação, “que precisa voltar a ter o seu lugar central na vida cristã”. Francisco agradece aos “missionários da misericórdia”, que ele instituiu no início deste Jubileu para aproximar os fiéis da confissão. De fato, determinou que este ministério não termine com o fechamento da Porta Santa, mas permaneça até novas ordens. Aos confessores, o Papa pediu acolhimento, disponibilidade, generosidade e clarividência. “Não há lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabraçar o filho. Deter-se apenas na lei equivale a invalidar a fé e a misericórdia divina”, escreve, pedindo que seja reforçada nas dioceses a celebração da iniciativa “24 horas para o Senhor”, nas proximidades do IV domingo para a Quaresma.

Absolvição do aborto

Neste contexto, se encontra a grande novidade da Carta Apostólica. A partir de agora, o Pontífice concede a todos os sacerdotes a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. “Aquilo que eu concedera de forma limitada ao período jubilar fica agora alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário. Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação.”

Fraternidade de S. Pio X

Na mesma linha, o Papa estende a absolvição sacramental dos pecados aos fiéis que frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, instituída no Ano Santo. “Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.”

Caridade

Francisco fala ainda da importância da consolação, principalmente na família e no momento da morte, mas é à caridade que dedica outra grande parte da Carta Apostólica: “Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração permanece sempre aberta. (...) Por sua natureza, a misericórdia se torna visível e palpável numa ação concreta e dinâmica”.

O Papa cita algumas iniciativas deste Ano Jubilar, como as sextas-feiras da misericórdia, para agradecer aos inúmeros voluntários que dedicam seu tempo ao próximo. Mas para incrementar essas iniciativas, o Pontífice pede que se “arregace as mangas”, com imaginação e criatividade. As obras de misericórdia – escreve – têm “valor social” diante de um mundo que continua gerando novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas.

“O caráter social da misericórdia exige que não permaneçamos inertes mas afugentemos a indiferença e a hipocrisia para que os planos e os projetos não fiquem letra morta.” Para Francisco, com as obras de misericórdia se pode criar uma verdadeira revolução cultural.

Dia Mundial dos Pobres

No final da Carta Apostólica, como mais um sinal concreto deste Ano Santo Extraordinário o Pontífice institui para toda a Igreja o Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no XXXIII Domingo do Tempo Comum. “Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres. Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa. Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização.”

Leia a carta na íntegra AQUI

Com informações da Rádio Vaticano

Foto: ANSA/L’Osservatore Romano