16 janeiro, 2021

Apelo do arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner

“Todos nós possamos dar a nossa contribuição e nos engajar solidariamente no cuidado da vida de todas as pessoas”. 

Dom Leonardo Steiner arcebispo de Manaus Vídeo divulgado nas redes sociais

‘Nos estamos no momento difícil, nós estamos no momento de pandemia quase sem saída Todos nós possamos dar a nossa contribuição e nos engajar solidariamente no cuidado da vida de todas as pessoas. “Na primeira onda, as pessoas morriam por falta de informação, por falta de leitos nos hospitais, por falta de leitos nas UTI do Amazonas e de Roraima.Hoje, na segunda onda, às pessoas vem a óbito por falta de leitos nos hospitais, por falta de leitos nas UTIs e, por incrível que pareça, por falta de oxigênio. As pessoas, mesmo internadas, falta a elas oxigênio. Nós bispos do Amazonas e de Roraima fazemos um apelo: pelo amor de Deus, nos enviem oxigênio, providenciem oxigênio. As pessoas não podem continuar a morrer por falta de oxigênio por falta de leitos nas UTIS. Cuidemos do distanciamento, usemos máscara, não descuidemos da saúde. Estamos num momento difícil, num momento de pandemia, quase sem saída”. 

O arcebispo convidou a todas e todos a deixar de lado as agressões, os negacionismos, a política que divide e que corrompe, os lucros em cima da pandemia. Indicou ainda que “nos coloquemos a serviço de todos a nossa humanidade melhor e que coloquemos a serviço de todos as nossas forças espirituais”.

Ironia?

Ironia? 

Da Venezuela Oxigênio. 

Da China a Vacina. 

De Cuba os Médicos Cubanos.

Celebração pela Paz no mundo - 5 meses da Páscoa de Pedro Casaldáliga

A Celebração daqui a pouco, às 18 horas.

Dia D: Rumo ao 15º Intereclesial das CEBs


Dia D: Rumo ao 15º Intereclesial das CEBs

É missão profética das CEBs não calar diante desse genocídio.

“Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. ” Mc 2,1-3

O dia 15 de cada mês tem sido marcado pela oração em preparação ao 15º Intereclesial das CEBs. Nesse mês a comunidade Santa Luzia, Paróquia Nossa Senhora Aparecida/ Diocese de Rondonópolis/ Guiratinga organizou a celebração e, em unidade com as CEBs do Brasil fez-se memória das incontáveis vítimas da COVID 19, rogando a Deus por seus familiares e pelos que se encontram doentes, para que não desanimem e mantenham a esperança, como uma vela acesa em meio a escuridão.

As comunidades eclesiais de base, reunidas pelas redes sociais, louvaram a Deus pela vida dos profissionais da linha de frente no cuidado aos enfermos, que não se cansam de lutar e como a passagem do Evangelho nos apresenta, “carregam os doentes, abrem caminhos em meio à multidão, arranjam um modo de proporcionar o cuidado e buscar a cura”, mesmo que isso lhes custe a vida. 

Por outro lado a missão profética das CEBs não nos permite calar diante do descaso do governo federal, que descaradamente zomba das vítimas da Covid 19 e age em nome da morte, impedindo o acesso aos meios para o enfrentamento da pandemia, transformando questões humanitárias em um jogo de poder e busca de lucro, como alerta o profeta Miquéias: “As suas mãos estão sobre o mal e o fazem diligentemente...” (Mq 7.3), enquanto pessoas morrem asfixiadas, sem ao menos despedir-se de seus entes queridos

Nesse dia de Oração pelo 15º Intereclesial , estejamos atentos ao clamor do povo e ao apelo de Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus: "pelo amor de Deus, nos enviem oxigênio, providenciem oxigênio! Hoje, as pessoas vão a óbito por falta de leitos nos hospitais, por falta de leitos nas UTIs, e por incrível que pareça, por falta de oxigênio...” A Igreja, fiel ao Evangelho, não tem se calado. O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirmou; “é urgente cobrarmos celeridade para o início da vacinação, e ainda mais importante, não nos deixar enganar por notícias falsas, a pandemia se tornará ainda mais perigosa se a desinformação prevalecer,” ressaltando que a pandemia do novo coronavírus “é um deserto que todos nós família humana estamos atravessando e para vencer essa travessia precisamos caminhar juntos. Insistam junto às autoridades públicas para que fortaleçam o Sistema Único de Saúde (SUS) para que cada pessoa, rica ou pobre, tenha o direito de ser vacinada. A vacina nos ajuda a superar a covid-19″. É urgente exigir a solução para a pandemia. Que façamos ecoar esse grito! Anunciar e denunciar!

Rezemos com o Papa Francisco “Deus onipotente e misericordioso, olhe a nossa dolorosa situação: conforta teus filhos e abre nossos corações à esperança porque sentimos a sua presença de Pai em nosso meio” 

Gratidão a todos e todas que conosco constroem o 15º Intereclesial! Somos povo da Esperança!!

Leoni Alves Garcia. Comunica15

14 janeiro, 2021

Uma canção para padre Júlio Lancellotti

Uma canção para padre Júlio Lancellotti 

O cantor, compositor e evangelizador, Antônio Cardoso homenageia o padre Júlio Lancellotti com a canção “Só um coração”. 

Padre Modino – REPAM 

“Só um coração”, a música de Antônio Cardoso para homenagear o padre Júlio Lancellotti 

Só um coração, um coração que ajuda a restaurar, a colocar de pé a tantos homens e mulheres que perderam tudo, e tudo é tudo mesmo! Essas palavras nos falam do padre Júlio Lancellotti, alguém a quem Antônio Cardoso quis homenagear com uma canção, uma música que “foi uma das poucas canções que eu escrevi na minha vida sem mudar uma frase, ela saiu, simplesmente fluiu”. 

Ele afirma que “as canções, elas são como uma inspiração divina, quando a gente se entrega, quando a gente abre o coração, tudo isso flui na vida do poeta”. Junto com isso, Antônio Cardoso, que se define como “missionário, a pesar de muitos me chamarem de artista”, destaca que “a gente também tem que se deixar tocar, se sensibilizar pelos acontecimentos”. Segundo ele, “uma das coisas que tem aflorado muito na pandemia são as desigualdades”, algo lembrado constantemente pelo Papa Francisco. 

No Brasil, “tem extravasado ainda mais essa desigualdade”, segundo Cardoso, o que “faz com que algumas pessoas se transformem quase em heróis”. Mesmo que “nós não estamos precisando de heróis, porque há uma grande diferença entre vocação e profissão”, o padre Júlio Lancellotti, com 72 anos de idade, é alguém que todos os dias, “vem falando dessa tragédia humana que São Paulo vem atravessando há muitos anos, há muitos governos, mas que tem sido mais difícil ainda neste tempo de pandemia, e isso tornou este homem um símbolo de um vocacionado”, afirma Antônio Cardoso. Para ele “todos nós somos chamados a viver nossa vocação, mas alguns com um pouco mais de coragem, se lançam mais na linha de frente”. 

Diante da música, o padre Júlio, igual muitas outras pessoas, ficou emocionado, segundo o compositor. Junto com a música tem sido elaborado um vídeo que mostra o dia a dia do padre Lancellotti. Para Antônio Cardoso, que já tem uma caminhada de 40 anos no mundo artístico, “Só um coração” é “uma dessa canções que brota e que se transforma numa oração, que nos impele a viver com fidelidade o chamado da construção do Reino”. 

Ele repara nas palavras que dizem “quando a gente perde tudo, e tudo é tudo mesmo, aí a gente fica sem chão”. Aí é mostrado que “muita gente já viveu isso, no mundo da saúde, no mundo econômico, muitos pais de família que ficaram desempregados e foram para a rua, o mundo das drogas, pais e mães que lutam para restaurar seus filhos e não consegue”, afirma o compositor baiano afincado em São Paulo. Ele também lembra “daqueles que estão trabalhando com os indígenas, que vê aquela tragédia humana acontecendo, especialmente com as invasões de reservas indígenas”. 

Antônio Cardoso reconhece o valor “dessa gente simples, que dialoga de outra maneira, o vocabulário é outro”. Diante disso, ele afirma que “eu sinto que a cada momento a nossa humanidade vem sendo transformada, e a gente precisa ter esse espírito ungido, pelo Espírito da Verdade, para que a gente possa verdadeiramente se lançar a essa linha de frente”. Ainda mais, ele diz que “sou muito grato ao Papai do Céu, que está sempre me instigando para que eu possa dar a minha contribuição àqueles que estão muito mais na linha de frente do que eu. Eu só faço traduzir em palavras e em canções o que a maioria já está trabalhando”. 

Para o compositor, os últimos meses, esse tempo de pandemia, está sendo um tempo difícil. Descobrir como poder satisfazer as necessidades familiares, como “pai de família, eu tenho que arrumar um jeito de sustentar, colocar minha filha na escola, e não é fácil isso, em tempos normais, imagine numa pandemia”. Junto com a carga emocional que surge diante da intolerância, das pessoas que não aceitam a vacina, das pessoas negacionistas, mesmo com o povo morrendo, já são mais de 200 mil pessoas, o mundo do trabalho vivendo uma tragédia incrível, reflete alguém que afirma e canta que diante dessa realidade: “Só um coração pode entender o que se passa com você. Pois, não há palavras para explicar a solidão de alguém que perdeu tudo”. 


SÓ UM CORAÇÃO 
(Antonio Cardoso) 

Só um coração pode entender 
O que se passa com você 
Pois, não há palavras para explicar 
A solidão de alguém que perdeu tudo 
E tudo é tudo mesmo! 
O vazio não tem explicação 

Só um coração 
Só um coração e uma porta aberta 
Podem restaurar você 
E nisso você pode acreditar 
A cruz não é nenhuma derrota! 
A cruz que você vive 
É a porta da vitória 

Só um coração 
Aprendi do Mestre que amar 
Tem suas dores, tem suas oblações e a fé 
Creia no Espírito de Deus 
Que te coloca de pé 
Deus te coloca de pé! 

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SÓ UM CORAÇÃO (Aos povos de rua) - Antonio Cardoso

13 janeiro, 2021

CF 2021 - COMPROMISSO DE AMOR

Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor

Quinta Campanha da Fraternidade Ecumênica

Neste ano de 2021, as Igrejas que compõem o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC – celebram a quinta Campanha da Fraternidade Ecumênica – CFE – e mais uma vez, nos falam de paz. O lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, além de uma verdade bíblica buscada em (Ef 2, 14a), nos impulsiona a enfrentarmos as milícias da intolerância, do preconceito e da violência. Vivemos um tempo propício para se viver o cristianismo profético e para sermos cristãos e cristãs. Talvez o ano de 2020 seja lembrado por este clamor permanentemente presente pela paz, pelo diálogo e pela unidade das Igrejas Cristãs, como compromisso de amor e de fidelidade ao Evangelho. O maior e primeiro desafio que nos espreita, no entanto, é reconhecermos e enfrentarmos profeticamente uma patologia que cresce como erva daninha: o cristianismo sem Cristo. Usado como braço político ideológico, sobretudo da extrema direita, mas também da direita e da centro-direita, essa patologia revela-se ante evangelho, anticristã e, além de negar a ciência, tem uma índole proselitista e corrupta. Apresenta-se ainda como forte berço e alimento poderoso da cultura de morte. A partir de atitudes machistas, homofóbicas, racistas e xenófobas, combate os Direitos Humanos Fundamentais e banaliza a morte para desta forma, justificar uma maldição, consentida, é verdade, através do voto, em forma de um governo corrupto iníquo e necrófilo, por fim. O “cristianismo” sem Cristo está em todas as Igrejas e em alguns casos se destaca e até é predominante. 

O tema da CFE-2021, “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, é um convite para buscarmos em cada uma destas palavras, o seu significado mais profundo. O que nos tornamos sem a Fraternidade? Seres egoístas, indiferentes e autossuficientes, incapazes de chorar e de reconhecer o outro e a outra como irmãos. De sentir as suas dores. O que somos capazes de fazer quando não reconhecemos o Diálogo como um ato de amor, como nos lembra o pedagogo e humanista cristão Paulo Freire? Opressores frios, capazes de reduzir as pessoas á coisas sem valor. Para que serve um ‘cristianismo” que não tem Compromisso com a vida e com a defesa da dignidade da vida? Para transformar Igrejas em “empresas”, talvez em ONGs ou em alfândegas, cujo fim são elas mesmas. Tiram, até as carnes dos ossos dos pobres (ver Mq 3, 1-4), para construir impérios sem escrúpulos e sem qualquer sentido que não o enriquecimento do malvado que se fantasia de pregador. Em tempos de tirania já aumentam o nível de exigências e os riscos necessários. Em tempos de naturalização da tirania como este nosso tempo, ou somos profetas e profetizas ou seremos apenas idiotas. A paz que Jesus nos ensinou, nos deixou e nos deu, não é como a paz dos túmulos, mas, antes, é como a paz do Profeta Isaías, fruto da justiça (Is 32, 15-17). E a justiça, por sua vez, exige-nos luta, coragem e ousadia.

A paz e sua precursora, a justiça, perpassam como Tema Gerador de todas Campanhas da Fraternidade Ecumênicas. A começar pela primeira, no ano 2000, com a mudança de milênio, o tema abordou as questões da falta de justiça, ao falar de “Novo Milênio sem Exclusões”. Enquanto que o lema: “Dignidade Humana e Paz”,nos confirma que os laços entre a justiça e a paz, são duradouros e mesmo inquebrantáveis. Gostaria de ressaltar o significado profético e a audácia oportuna do Objetivo Geral: “Unir as Igrejas Cristãs no testemunho comum da promoção de uma vida digna para todos, na denúncia das ameaças à dignidade humana e no anúncio do Evangelho da paz”. A sintonia entre o tema e o lema e o objetivo geral, é algo semelhante à atualidade do tema. Tanto no ano 2000, quanto agora.

A segunda Campanha da Fraternidade Ecumênica aconteceu no ano 2005, e manteve o tom e a forma. Com o tema: “Fraternidade e Paz” sabiamente complementado pelo lema: “Felizes os que promovem a paz”, embora seja buscado nas Bem-Aventuranças, não nos permite tergiversar. Vivemos um sério problema com relação à paz. O Objetivo Geral, traz a utopia profética: “Unir Igrejas Cristãs e pessoas de boa vontade na superação da violência, promovendo a solidariedade e a construção de uma cultura de paz”. O grito por justiça, paz, solidariedade e compromisso com a dignidade da vida, vai se tornando um clamor. Sem ele o cristianismo se desfigura. A terceira CFE, aconteceu no ano de 2010, com o tema: “Economia e Vida”, vem para dá os nomes de quem exclui, comete injustiça e nos tira a paz. Economia é distribuir a riqueza gerando desenvolvimento, e não acumulá-la, gerando miséria. O lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24), nos convida a revisitar o Livro mais citado do Primeiro Testamento pelos Evangelhos. (Dt 30, 19-20). Para agradar a Deus é preciso saber escolher. É preciso ter discernimento. É preciso saber escolher a vida. Por vezes, para agradar a Deus, é preciso desagradar à Igreja, diríamos hoje.

A quarta CFE, aconteceu no ano de 2016 e teve grande importância naquilo que talvez seja a maior identidade das Campanhas da Fraternidade: o protagonismo de leigos e leigas. O tema: “Casa Comum, nossa responsabilidade”, denuncia, sobretudo, os crimes cometidos por uma economia de morte, que exclui, gera miséria e mata, inclusive a natureza. Já o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24), une a justiça e o direito, a poesia e profecia. A sintonia com a situação política de nosso país, vivendo o auge de um golpe que teve a cumplicidade dos três poderes constituídos; da mídia como quarto poder, sob a ganância das elites e avareza da classe média; e a disseminação do ódio, alucinógeno para uma população alienada e com medo. Aqui temos a democracia exilada pelo Congresso Nacional, o Estado de Direito sequestrado pela Operação Lava Jato e os Direitos Humanos criminalizados. Enquanto isso, e para que isso seja possível, a Constituição se torna refém das conveniências e dos interesses de quem deveria dela cuidar e por ela velar. Os direitos, sobretudo os trabalhistas, conquistados com luta, sangue e suor, são tratados como privilégios. Precisamos olhar novamente para o lema da CFE-2016, para entendermos a sua dimensão profética.

A CFE-2021, em seu Objetivo Geral, “Convida as comunidades de fé e as pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade”. Para entendermos bem este objetivo no tocante à Unidade na Diversidade, é importante meditarmos sobre o texto (At 2, 1-13). A prática do ecumenismo também nos exigirá uma sintonia fina com o Pentecostes. A unidade, assim como o diálogo, o compromisso, a paz e a justiça, são frutos do Espírito Santo. Precisamos escutá-lo e deixá-lo agir. Duas propostas didáticas se destacam no Texto Base da CFE-2021 e precisamos ter sabedoria para entendê-las e as pôr em prática: a primeira é uma bela metáfora em que somos convidados e convidadas a sermos pontes. A encurtar as distâncias entre nós, entre nós e os/as irmãos e irmãs que sofrem. Pontes que aproximam nossos ombros da cabeça de quem chora, sente fome, sofre preconceito, é discriminado e é oprimido, sobretudo por questões de raça, de orientação sexual e situação social; a segunda é muito no âmbito metodológico da proposta didática do Texto Base.

Nos são propostas quatro paradas: a primeira parada, é para aprendermos a dialogar com Jesus e os Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35). Assim, aprenderemos a interpretar as Escrituras e a partir delas, interpretar a realidade atual; a segunda parada, é, de corações ardendo e de olhos bem abertos, reconhecermos Jesus como o exegeta do Pai, como Deus misericordioso e que, “A Igreja nasce da graça misericordiosa de Deus revelada em Cristo (Ef 2, 4-5). Entre nós não pode haver uns que oprimem e outros que são oprimidos. Não podemos viver como cristãos, como se Cristo não existisse (ver Ef 2, 11-21). Quem estar com Deus não desrespeita, não discrimina, não exclui. Não temos mais como negociar com a graça e vivermos como se não fôssemos batizados (Ef 2, 1-10); a terceira parada, é para tomarmos consciência de que, Cristo é nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. O ecumenismo, significando, portanto, a unidade das Igrejas Cristãs, é uma exigência, uma necessidade e uma urgência. Já não é mais possível ser cristão sem ser ecumênico. E isso exige de nós que superemos as diversas formas de intolerâncias e tomemos consciência de que somos filhos e filhas do mesmo Pai e moramos na mesma Casa Comum; a quarta parada, é um convite a celebrarmos a vitória da vida em comunidade, da diversidade da liturgia da vida. Celebrarmos, por fim, uma espiritualidade libertadora e ecumênica o que exige de nós um novo vocabulário, uma nova linguagem e uma nova hermenêutica. Assim sendo, como nos diz o hino da CFE-2021, “Venham todos, vocês, meus amigos, caminhar com o Mestre Jesus. Ele vem revelar a Escritura como fez no caminho de Emaús”. Sugestão de leitura, meditação e reflexão da Carta aos Efésios, sobretudo o capítulo 2 e o texto sobre os Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35). Responder a estas perguntas: o que as CEBs não fazem ainda e que deveriam começar a fazer? Quais são as implicações da CFE-2021 para os leigos e as leigas?

Curitiba, 25 de dezembro de 2020.


João Ferreira Santiago
Professor de Teologia e Coordenador do
Curso de Teologia da Faculdade UNINA.
É autor do livro: Teologia Pastoral a Arte do
Seguimento e do Discipulado de Leigos e Leigas.
(à venda com o autor)
joão.ferreira@unina.edu.br (41) 99865-7349 

Esperanza un poema de Alexis Valdés en su propia voz.


Esperança


Quando a tempestade passar 
E as estradas são aplainadas 
e sejamos sobreviventes 
de um naufrágio coletivo. 

Com o coração choroso 
e o abençoado destino 
vamos nos sentir felizes 
apenas para estar vivo. 

E nós vamos te dar um abraço 
para o primeiro estranho 
e vamos elogiar a sorte 
para manter um amigo. 

E então vamos lembrar 
tudo que perdemos 
e de uma vez vamos aprender 
tudo que não aprendemos. 

Não teremos mais inveja 
pois todos terão sofrido. 
Não teremos mais preguiça 
Seremos mais compassivos. 

O que é de todos vai valer mais 
Que você nunca alcançou 
Seremos mais generosos 
E muito mais comprometido 

Vamos entender o frágil 
o que significa estar vivo 
Vamos suar empatia 
para quem é e quem se foi. 

Vamos sentir falta do velho 
que pedia um peso no mercado, 
que não sabíamos o nome dele 
e sempre esteve ao seu lado. 

E talvez o pobre velho 
Era o seu deus disfarçado 
Você nunca perguntou o nome 
porque você estava com pressa. 

E tudo será um milagre 
E tudo será um legado 
E a vida será respeitada, 
a vida que ganhamos. 

Quando a tempestade passar 
Peço a Deus, desculpe, 
que você nos dá o melhor, 
como você sonhou conosco.


Autor Alexis Valdés, comediante cubano

12 janeiro, 2021

Com moderação!


 

Luz verde do Papa Francisco às mulheres nos ministérios do Leitorado e Acolitado

 

É uma decisão de importância histórica porque nunca antes as mulheres haviam sido oficialmente admitidas nos ministérios litúrgicos, embora já desempenhando durante as celebrações tarefas como a proclamação das leituras, o serviço de ministrantes e a distribuição da Comunhão durante a missa ou aos enfermos obrigados a permanecerem em casa.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 11-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Papa Francisco abre os ministérios para as mulheres. Após anos de debates sobre o diaconato feminino com duas comissões nomeadas ad hoc para avaliar essa oportunidade, Bergoglio decidiu dar às mulheres a possibilidade de acessar o ministério do leitorado e acolitado.

O primeiro diz respeito à anunciação da palavra de Deus, enquanto o segundo está ligado ao serviço do altar. É uma decisão de importância histórica porque nunca antes as mulheres haviam sido oficialmente admitidas nos ministérios litúrgicos, embora já desempenhando durante as celebrações tarefas como a proclamação das leituras, o serviço de ministrantes e a distribuição da Comunhão na missa ou aos enfermos obrigados a permanecerem em casa.

Até agora, porém, tudo isso ocorria sem um verdadeiro mandato institucional conferido pelo bispo, em derrogação do que fora estabelecido por São Paulo VI que, em 1972, mesmo abolindo as chamadas ordens menores, decidira manter o acesso às tais ministérios reservado apenas para os homens, porque os considerava propedêuticos para a ordem sagrada.

Bergoglio, por outro lado, também com base no que emergiu nos últimos Sínodos dos Bispos, em particular naquele sobre a Amazônia, quis oficializar e tornar institucional a presença das mulheres no altar.

No entanto, não se trata de um primeiro passo para a ordenação sacerdotal das mulheres. Leitorado e acolitado, de fato, são ministérios instituídos diferentemente dos três graus da ordem sagrada, diaconato, presbiterado e episcopado, que são, ao invés, ministérios ordenados.

Francisco, de fato, especificou que “nos últimos anos foi alcançado um desenvolvimento doutrinário que destacou como certos ministérios instituídos pela Igreja têm como fundamento a condição comum de batizado e o sacerdócio real recebido no sacramento do batismo; o que é diferente do ministério ordenado recebido no sacramento da ordem. Também a prática já consolidada na Igreja latina confirmou que os ministérios leigos, baseando-se no sacramento do Batismo, “podem ser confiados a todos os fiéis idôneos, sejam homens ou mulheres”.

Bergoglio, além disso, destaca que "uma distinção mais clara entre as atribuições do que hoje é chamado de ‘ministérios não ordenados (ou leigos)’ e ‘ministérios ordenados’ permite dissolver a reserva dos primeiros apenas para os homens". E fazendo suas as palavras de São João Paulo II, ele especifica que "se, no que diz respeito aos ministérios ordenados, a Igreja não tem poder algum para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres para os ministérios não ordenados é possível, e hoje parece apropriado, superar essa reserva".

Francisco, de fato, está convencido de que “oferecer aos leigos de ambos os sexos a possibilidade de acesso ao ministério do acolitado e do leitorado, em virtude de sua participação ao sacerdócio batismal, aumentará o reconhecimento, também por meio de um ato litúrgico (instituição), da preciosa contribuição que há tempos muitos leigos, inclusive mulheres, oferecem à vida e à missão da Igreja”.

“Por estes motivos - acrescenta o Papa - achei oportuno estabelecer que possam ser institutos como leitores ou acólitos não apenas homens mas também mulheres, nos quais e nas quais, mediante o discernimento dos pastores e após uma adequada preparação, a Igreja reconhece o firme vontade de servir fielmente a Deus e ao povo cristão em virtude do sacramento do batismo e da confirmação. A opção de conferir estes ofícios também às mulheres, que comportam uma estabilidade, um reconhecimento público e um mandato de parte do bispo, torna mais efetiva a participação de todos na obra de evangelização na Igreja. Isso também garante - conclui Bergoglio - que as mulheres tenham uma incidência real e efetiva na organização, nas decisões mais importantes e na liderança das comunidades, mas sem deixar de fazê-lo com o estilo próprio de sua marca feminina”.

Fonte: IHU

"A pandemia se tornará ainda mais perigosa se desinformação prevalecer"

“É urgente cobrarmos celeridade dos nossos governantes para o início da campanha de vacinação”, exige presidente da CNBB Mais uma vez, o negacionismo da pandemia da Covid-19 e da importância da vacina, tem provocado o posicionamento de Dom Walmor Oliveira de Azevedo. Num vídeo publicado nesta segunda-feira, 11 de janeiro, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, tem definido a pandemia da Covid-19 como “um deserto que todos nós, família humana, estamos atravessando, uma travessia difícil, angustiante”, lembrando que, oficialmente, já são mais de “200 mil mortes no Brasil, famílias enlutadas”.

 

A reportagem é de Luis Miguel Modino. 

Desde o início da pandemia, a morte se tornou algo próximo de todos os brasileiros e brasileiras. Segundo Dom Walmor, “cada um de nós conviveu ou conhece alguém que perdeu a vida para a pandemia”. Diante dessa realidade, ele insiste em que “para vencer essa travessia precisamos caminhar juntos”, algo cada dia mais complicado num país onde a divisão tem se instalado como política de estado. 

O presidente da CNBB lembra que “a ciência oferece-nos diferentes vacinas, fruto de muitas pesquisas”. Junto com isso, lembra que “muitos países já iniciaram campanhas de imunização e avançam no enfrentamento deste vírus, que é invisível, mas letal”. 

Enquanto isso, no Brasil não está claro quando será que vai começar a vacinação. Por isso, o arcebispo de Belo Horizonte – MG, adverte que “nós não podemos ficar para trás”. Ele enfatiza em seu pronunciamento que “é urgente cobrarmos celeridade dos nossos governantes para o início da campanha de vacinação”. Num país onde as notícias falsas inundam as redes sociais e os aplicativos de mensageria, Dom Walmor insiste em que “não podemos nos deixar enganar por notícias falsas”. Está querendo ser transmitido à sociedade brasileira a ideia de que as vacinas podem provocar consequências graves na saúde da população, quando na verdade, como lembra o presidente da CNBB, “as vacinas, antes de chegar na população, são amplamente testadas por variadas equipes de cientistas independentes, sem compromissos ideológico-partidários”. 

Não podemos esquecer, como lembra o arcebispo de Belo Horizonte, que “graças às vacinas, a humanidade venceu doenças e pandemias ao longo da sua história”, enfatizando que “os riscos de se vacinar são infinitamente menores do que as ameaças da doença que a cada dia mata mais pessoas”. Diante da situação da saúde pública, cada vez mais ameaçada no país, uma realidade que piorou ainda mais neste tempo de pandemia, Dom Walmor faz um chamado à população brasileira para que “insista junto às autoridades públicas para que fortaleçam o Sistema Único de Saúde, o SUS, para que cada pessoa, rica ou pobre, tenha direito a se vacinar”. 

“A vacina nos ajuda a superar a Covid-19”, insiste o presidente da CNBB. Frente a isso, ele adverte que “a pandemia se tornará ainda mais perigosa se a desinformação prevalecer, afastando as pessoas da vacina”. 

Para poder superar a pandemia, Dom Walmor faz um pedido a todos os brasileiros, dizendo: “convença a seus familiares e amigos sobre a importância da vacina, evite compartilhar notícias falsas que busquem desacreditar a pesquisa científica”. Junto com isso faz um chamado a que “sejamos mais corresponsáveis uns pelos outros”, lembrando que isso “é dever cidadão, e especialmente um compromisso dos que professam a fé cristã”. 

Fonte do texto IHU

11 janeiro, 2021

Morre por Covid-19 Cantora Roci Mendoça!

Faleceu no final de semana deste sábado (9) a cantora da Amazonas Roci Mendonça. 
Mais uma vida tirada pela Covid-19. 
A cantora estava grávida e precisou fazer cirurgia de emergência para salvar seu primeiro filho. O bebê está na UTI neonatal.


Garantido 2019 - Roci Mendonça cantando trecho de "Rosas Vermelhas"

07 janeiro, 2021

Entrevista com Ailton Krenak

Entrevista com Ailton Krenak

"Próxima missão do capitalismo é se livrar de metade da população do planeta "

'A desigualdade deixa fora da proteção social 70% das pessoas. E, no futuro, não precisará delas sequer como força de trabalho’ 

‘Estamos no Brasil em uma situa­ção desgraçada, que mistura pandemia e essa miséria política. Fora do Brasil, ao menos, há esperança de abrir outros debates acerca das desigualdades que a pandemia agravou, as mudanças climáticas, os refugiados… Essa é uma questão muito importante até para entender a pandemia. Essa movimentação de gente, atravessando fronteiras no mundo inteiro, pode ser um vetor de novas pandemias que podem arrasar a gente.’ 

A entrevista é de Carta Capital, confira AQUI

Curso de Verão 2021 – Este ano online


O Curso de Verão 2021 será realizado no formato online. 
Participe e divulgue nas suas redes sociais. 
Você é convidada/o para estudar, refletir e buscar saídas para a vida na cidade, de forma sustentável.
Neste dia 7/01, às 20h teremos uma ANÁLISE DE CONJUNTURA, refletir sobre o impacto da pandemia em nossas vidas.

Nota da CNBB - Unidos e Responsáveis Rumo ao Novo que Desejamos

Ideia fundamental a necessidade de união! 


Leia a nota da CNBB 


Unidos e Responsáveis Rumo ao Novo que Desejamos 

“Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10) 

1. O novo que buscamos neste ano de 2021 requer a união de todos os cidadãos de boa vontade para enfrentamento da covid-19. Os números mostram que a pandemia está se tornando mais grave no Brasil. Já são cerca de 200 mil mortos. 

2. As vidas perdidas não podem simplesmente compor quadros estatísticos. É luto e dor no coração das famílias. São histórias interrompidas por uma ameaça ágil, perigosa e invisível, porém real. 

3. Para erradicar a covid-19, é imprescindível que todos caminhem juntos, solidariamente, sem exclusões. É preciso reconhecer que o vírus não respeita fronteiras, classes sociais e qualquer outra forma de categorização que, com tanta frequência, fundamentam lamentáveis discriminações. 

4. A palavra de ordem é, portanto, união. É preciso haver, cada vez mais, corresponsabilidade no enfrentamento deste desafio sanitário e social. Não se vence uma pandemia isoladamente. Cada pessoa deve cuidar de si e, principalmente, do outro, que é irmão e irmã, com profundo respeito ao distanciamento social e atenção aos protocolos sanitários indicados pelas autoridades em saúde. 

5. Não podemos nos render à indiferença de alguns, negacionismos de outros ou à tentação de nos aglomerarmos, permitindo que nos contaminemos e nos tornemos instrumentos de contaminação, sofrimento e morte de outras pessoas. Não deixemos que o cansaço e a desinformação nos levem a atitudes irresponsáveis. Sejamos fortes! Permaneçamos firmes! 

6. A vacina seja para todos. É uma questão de responsabilidade a rápida definição de estratégias para se começar imediatamente a vacinação, compreendida como fato social, não individual, para alcançar metas indicadas pelos epidemiologistas. 

7. Justiça, solidariedade e inclusão são os principais critérios a serem seguidos no enfrentamento desta pandemia. Cada instituição e segmento da sociedade têm graves responsabilidades neste processo. Por isso, a Igreja Católica assume seu compromisso de colaborar como força educativa e solidária rumo a um novo estilo de vida. 

8. A sociedade brasileira exige pronta união e atuação dos governantes, nas diferentes esferas do poder, guiados pela ciência e sérias indicações dos epidemiologistas, para que a vacinação comece urgentemente, pois, a cada dia, vidas são perdidas para a pandemia, agravada também por seus impactos econômico-sociais. 

9. Especial atenção seja dedicada aos mais vulneráveis e pobres. É inaceitável e pouco inteligente que a vacina chegue mais rapidamente a alguns, deixando a descoberto a maior parte da população. 

10. O Papa Francisco, na Carta Encíclica Fratelli Tutti, ensina que a palavra solidariedade expressa muito mais do que gestos esporádicos. “A solidariedade, no seu sentido mais profundo, é uma forma de fazer história” (Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 116). A humanidade está adoecida pela pandemia e só encontrará a cura se caminhar unida, adotando a solidariedade como princípio que orienta as relações, para que todos tenham a oportunidade de se vacinar, para que cada pessoa assuma a própria responsabilidade no cuidado com o seu semelhante e com a Casa Comum. 

11. Deus, que nos fez livres e corresponsáveis pela obra da Criação, pelo cuidado uns dos outros, ajude-nos a aprender com as lições desta pandemia, para que possamos superá-la e avançarmos na construção de um mundo mais saudável, a partir da fraternidade e da solidariedade universal. 


Brasília-DF, 6 de janeiro de 2021 

D. Walmor Oliveira de Azevedo 
Arcebispo de Belo Horizonte, MG 
Presidente 


D. Jaime Spengler 
Arcebispo de Porto Alegre, RS 
1º Vice-Presidente 


D. Mário Antônio da Silva 
Bispo de Roraima, RR 
2º Vice-Presidente 


D. Joel Portella Amado 
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ 
Secretário-Geral


06 janeiro, 2021

Dia Mundial da Infância Missionária

"Hoje é celebrado o Dia Mundial da Infância Missionária. Agradeço a todas as crianças e jovens envolvidos, encorajo-vos a serem alegres testemunhas de Jesus, procurando sempre levar a fraternidade  entre os vossos pares." (Papa Francisco)




O Papa e as vacinas. A caridade que humilha

"A vacina anti-Covid é o protótipo mais brilhante da “Klondike gold rush” da pandemia. Enquanto isso, ninguém mais fala da vacina como um "bem público global". A vacina é um elemento que faz disparar para o alto, aliás para muito alto, o lucro de quem a produz, transporta e distribui. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades e não de acordo com os meios disponíveis. Mas acontece exatamente o oposto. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades das populações e não de acordo com os caprichos dos políticos. Mas, novamente, acontece exatamente o oposto", escreve Alberto Bobbio, editor-chefe da revista Famiglia Cristiana, em artigo publicado por Eco di Bergamo, 05-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.

As doses de vacinas desaparecem no conflito político ou não chegam em muitos países que não conseguem atender as garantias do mercado. Assim, no início de uma campanha global de vacinação nunca vista na face da terra, os problemas previstos parecem superar os benefícios esperados. Provavelmente o Papa Francisco está certo quando, ainda no domingo no Angelus, reiterou que as coisas vão melhorar se “trabalharmos juntos para o bem comum”. Ninguém, nem mesmo o Papa, sabe como tudo vai terminar, mas ele está absolutamente convencido de uma coisa: tudo irá bem se cada um de nós e todos juntos nos comprometemos a cuidar uns dos outros e da criação, que é a nossa casa comum. "Cuidar" será a palavra-chave para 2021, o segundo ano da pandemia.

No entanto, "cuidar" é um conceito que contrasta, para ficar no tema apenas da Covid-19, com outra desventura que muitas políticas de saúde e muitas regras econômicas impuseram e agora se espalham em nível global. Chama-se "nacionalismo sanitário", uma espécie de corrida do ouro para garantir o melhor para si, fazendo tropeçar os vizinhos e mantendo distante os que já ficaram para trás. Bergoglio já vem dizendo isso há algum tempo, mas nos dias próximos ao Natal o repetiu com mais força.

A vacina anti-Covid é o protótipo mais brilhante da “Klondike gold rush” da pandemia. Enquanto isso, ninguém mais fala da vacina como um "bem público global". A vacina é um elemento que faz disparar para o alto, aliás para muito alto, o lucro de quem a produz, transporta e distribui. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades e não de acordo com os meios disponíveis. Mas acontece exatamente o oposto. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades das populações e não de acordo com os caprichos dos políticos. Mas, novamente, acontece exatamente o oposto.

No Peru, país da América Latina que registra um dos níveis mais altos de mortes em relação à população, as doses se perderam no embate político interno entre o ministério da saúde, o deposto presidente Vizcarra e o Congresso, que se acusam mutuamente de grandes confusões.

Nem um único frasco chegou à Nigéria, o maior país africano. Mas é toda a África que até agora está sendo deixada às margens: ela não tem garantias para oferecer ao mercado das Big Pharma.

A maneira de evitar acabar na areia movediça das finanças e, para muitos países, de ver sua dívida aumentar, seria desvincular todas as vacinas das propriedades intelectuais. Mas o petisco é saboroso demais para oferecê-lo de graça. A faixa de custo por dose é muito ampla, de US $ 2 a US $ 32 por dose. Mas ainda não se sabe quanto custam aquelas russas e chinesas. Depois, há custos e custos. São pagos em dinheiro vivo e influência geopolítica, sem regras ou com regras canalhas.

A saúde é um bom negócio para investimentos colaterais de uma ampla cadeia de suprimentos, desde os transportes até a construção de edifícios e descontos sobre as matérias-primas. A logística é o setor que promete excelentes retornos. Como se mantém o controle de quem é vacinado em países onde não há nem mesmo registros de nascimentos? Já apareceram sujeitos garantindo a alguns países africanos resolver os dois problemas. Em troca de uma gorda compensação.

Aqueles que prometem vacinas gratuitas na ausência de uma autoridade de controle ​​supranacional costumam fazer o jogo do gato e da raposa contra o pobre Pinóquio. Um Ente internacional havia sido proposto por Bergoglio no Natal, pois a OMS estava com problemas a esse respeito mas ninguém, absolutamente ninguém, aceitou a sugestão, nem mesmo para criticá-lo. Sinal de que atingiu o ponto mais delicado. Isso não significa que os pobres não terão a vacina nos próximos meses. Significa apenas que a terão por esmola, caridade que humilha, e não pela solidariedade dos cuidados entre iguais.

Fonte: IHU

04 janeiro, 2021

Deus nos dá sinais muito pessoais!

Segue um pequeno texto que escrevi para uma reflexão.


Deus nos dá sinais muito pessoais!

 Ao celebrarmos a epifania no domingo passado, vimos que a estrela foi o sinal de Deus para os magos.

 Qual o sinal que Deus dá para nós será que ainda não enxergamos. Todos nós recebemos sinais de Deus.

 Deus nos dá sinais muito pessoais, vamos estar atentos aos sinais dos tempos e aos sinais de Deus.

  A realidade em que vivemos hoje, o distanciamento social, a realidade virtual, muitas dessas realidades virtuais fechada em um pequeno grupo online, satisfazendo e até motivando desejos pessoais, realizações pessoais. Essas realidades podem nos levar a virarmos a costa para os sinais de Deus, aí corremos o risco de nos perdermos, desanimarmos em nossos compromissos, nossa vocação, aí as coisas de Deus, as coisas pastorais vão ficando em segundo plano. Isso é perigoso.

 A vida pública de Jesus nos da certeza que o caminho a percorrer é um caminho longo, caminho sem muitas certezas, mas é preciso nos colocar a caminho, procurando o rosto do Senhor.

  O Senhor já nos procurou. Com o batismo a certeza que devemos nos colocar a procura levando nossas irmãs e nossos irmãos também a ir a procura para uma experiência de Amor com o Senhor.

 Quando fazemos essa experiência de amor com o Senhor, nos leva a sermos solidários com as nossas irmãs e nossos Irmãos.  Com a justiça, com o projeto de Deus.

 Para essa experiência de amor com o Senhor é preciso repensar nossas certezas, nossas escolhas, nossas acomodações.

 Assumir nosso batismo é se colocar a caminho das irmãs e dos irmãos, para acolher e envolver nas suas alegrias e esperanças, dores e angustias.

 Jesus foi fiel a Deus e ao seu projeto até a cruz, não podemos desistir, quando passarmos por dificuldades e provações da fé. Não desistir e continuar, até o encontro definitivo com o Senhor.

 Penso que a missão nossa de batizadas e de batizados é levar pessoas a fazer linda experiência de amor com o Senhor, Jesus nos ensina como devemos agir, do jeito Dele, na oração, na solidariedade indo ao encontro para estar junto, sentir o cheiro, para acolher, olhar nos olhos, tocar, segurar as mãos, para isso é preciso sair de nossas acomodações e ir ás casas, nos abrigos, nas ruas, presídios, hospitais. Entrar na realidade do nosso povo, como Jesus.

  Celebrando o Batismo de Jesus, que se tornou tudo para todos, revisemos nossa consciência, nossas escolhas e assim o nosso Batismo. Pois, com Jesus aprendemos que o Batismo é saída, caminho, missão.

  É muito bom saber que todos nós, no mundo todo, independentemente de credo, de raça, de cor, em qualquer situação de vida somos convidados a aceitar a boa nova da paz por meio de Jesus Cristo.

   Animados e fortalecidos pelo Espírito Santo, iremos viver a vocação e a missão de batizados, de filhos e filhas de Deus, na vivência semanal do Mistério Pascal de Cristo, na Eucaristia Dominical e na vida feita eucaristia.

 No exercício do amor fraterno, comunitário e missionário prolonga-se o amor e o bem-querer divino pelo seu povo. O Espírito Santo desceu sobre Jesus enquanto rezava. Ele desce também sobre nós. Reconhecendo-nos como filhas e filhos bem-amados de Deus em Jesus Cristo.


31 dezembro, 2020

Bem vindo 2021!

Lhe desejo esperança, saúde, coração puro, olhar de ternura, sabedoria, fé e que em cada dia renasça em você a certeza de não apagar a importância da aproximação para um toque humano, o olhar, sentir e comprometer-se, sendo assim a presença amiga de nosso Deus, principalmente para quem mais precisa. 

Feliz 2021. 

Que o nosso Deus o abençoe.

 

A BÊNÇÃO de Dom Frei Severino Clasen para 2021

Carta do cacique indígena Ts’ial-la-kum, de Seattle/EUA ao presidente norte-americano em 1854

Carta que o cacique indígena Ts’ial-la-kum, de Seattle/EUA, enviou ao presidente norte-americano em 1854, e distribuída pelo Programa para o Meio Ambiente da ONU.






Nascimento: 1786

Território de Washington

Morte: 7 de junho de 1866 (79–80 anos)

Ocupação: chefe tribal

Obras destacadas: Chief Seattle's speech

Religião: Igreja Católica








Discurso feito pelo Chefe Seattle ao Presidente Franklin Pierce em 1854

(depois do Governo Americano ter dado a entender que desejava adquirir o Território da Tribo)

O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.

Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.

Minha palavra é como as estrelas - elas não empalidecem.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.

O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertecem à mesma família.

Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os riois são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.

Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou rescendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.

O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensivel ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragância das flores campestres.

Assim, pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós - os índios ) matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.

Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.

De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adoçicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos.

Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.

Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.

Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Proteje-a como nós a protegíamos. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse": E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.


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Os índios Duwamish habitavam a região onde hoje se encontra o Estado americano Washington - no extremo Noroeste dos Estados Unidos, divisa com o Canadá, logo acima dos Estados de Montana, Idaho e Oregon. No passado era um "paraíso na Terra", região inspiradora de uma das mais lindas 'poesias' dedicadas á natureza - o discurso que o Chefe indígena Duwamish (Chefe Seattle) fez ao Governo Americano na época -, hoje, ainda sendo bela, mas não mais um 'paraíso', sua cidade mais famosa é Seattle (nome dado em homenagem ao Chefe), uma beleza de outro tipo que infelizmente vem gerando graves problemas ecológicos. Os índios migraram pelo Puget Sound para a Reserva Port Madison. O Chefe Seattle e sua filha estão enterrados lá.

Existem muitas controvérsias sobre o conteúdo original do discurso. O primeiro registro escrito que se conhece, foi feito no Jornal Seattle Sunday Star em 1887 pelo Dr.Henry Smith, que estava presente no pronunciamento - ele publicou suas próprias anotações com comentários sobre o Grande Chefe, que segundo ele, era uma pessoa profundamente impressionante e carismática. Nos anos 70 (1970) foram divulgadas várias versões deste discurso em conexão com movimentos ecológicos e a favor da preservação da natureza; o discurso ficou muito conhecido, quase mitificado, ficando de lado as discussões sobre sua originalidade.

Aqui, após a tradução portuguesa de uma das mais famosas versões da década de 70, transcrevemos a publicação americana original do Dr.Henry Smith-1887. A foto do Grande Chefe Seattle (1787-1866), abaixo, é de E.M.Sammis e o original encontra-se na: "University of Washington Special Collection #NA 1511".

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Fonte:

https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/Carta_do_Chefe_Seattle_1263221069.pdf

29 dezembro, 2020

Perdas!

Perdas!

Tem perdas que machuca e deixa feridas, perdas que não encontramos respostas, choramos e vivemos o luto. Más há perdas que podemos revertê-las. Papa Francisco em sua Carta Encíclica Fratelli Tutti nos alerta para algumas perdas que são de nossa responsabilidade. Ele fala de uma «perda do sentido social» (FT 11), mas também «uma perda do sentido da história» (FT 13), que contribui para uma maior desagregação da sociedade. Fala de uma «perda daquele sentido de responsabilidade fraterna, sobre o qual assenta toda a sociedade civil» (FT 40), mas também de uma «perda progressiva de contato com a realidade concreta» (FT 43), o que dificulta o desenvolvimento de relações autênticas entre as pessoas. Deixemo-nos envolver por essa alerta.

Quinta Catequese: “Advento e Natal”