05 junho, 2017

05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente



Dia Mundial do Meio Ambiente

05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente. O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972 marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

Art. 225 da Constituição Federal

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.

02 junho, 2017

A dignidade da criança no mundo digital. Entrevista com Hans Zollner

As crianças representam um quarto dos 3,2 bilhões de usuários da internet em todo o mundo. Essa geração de mais de 800 milhões de jovens usuários é vulnerável a formas inteiramente novas de prejuízo e abuso como trollingcyberbullyingsextortion e a exploração sexual. 

Por isso, de 3 a 6 de outubro deste ano, o Centro para a Proteção de Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana vai realizar o congresso internacional “A dignidade da criança no mundo digital”. A ideia é discutir os riscos e os desafios da era digital e o seu impacto sobre a dignidade das crianças.

Sobre isso, conversamos com o diretor do centro, o padre jesuíta Hans Zollner.

A reportagem é do sítio Rome Reports, 31-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Como nasceu a ideia desse congresso internacional?

A ideia desse congresso nasceu de uma iniciativa da Pontifícia Universidade Gregoriana e do seu Centro para a Proteção dos Menores, o Centre for Child Protection, porque nos perguntamos sobre como podemos abordar o tema do abuso dos jovens neste mundo digital, através da internet, e do abuso por parte dos jovens desse instrumento, que pode ser muito precioso, mas também traz muitos riscos: por exemplo, tudo o que está ligado com a difusão da pornografia infantil, das imagens e vídeos que mostram atos sexuais ou imagens de jovens que se expõem ou são até mesmo constrangidos a se expor e a ser violentados.

Como é possível enfrentar e combater esse lado obscuro do mundo da internet?

Atualmente, estamos realmente em uma situação de discussão e de pesquisa para encontrar um ponto de convergência das iniciativas. Esse congresso é algo novo, de algum modo: há muitos outros congressos que tratam desse tema, mas o nosso congresso é a tentativa de falar juntos, discutir juntos e também planejar juntos o que pode ser feito entre diversos setores da sociedade que se interessam por esse campo. Dentre outras coisas, as forças da ordem, a polícia dos vários países, as empresas, ou seja, as companhias que oferecem serviços online e as mídias sociais, através das quais, muitas vezes, são difundidas coisas muito ruins.

Depois, o mundo governamental, o mundo político, as organizações não governamentais, ou seja, aqueles que, há muito tempo, se empenham na luta pela justiça e pelos direitos das crianças. Além disso, o mundo da ciência, isto é, pessoas que, há muito tempo, trabalham tanto sobre os perfis dos abusadores, quanto sobre as possibilidades de proteger melhor as crianças e os adolescentes. E depois, por fim, a Igreja, que quer se envolver, que quer dar um sinal de que está real e seriamente comprometida com a proteção dos menores.

Ao trabalharem todas juntas, o que as pessoas desses diversos campos podem fazer para frear essas dinâmicas negativas? Vocês já pensaram em soluções?

A questão é que nenhum desses setores tem uma resposta para esse grave problema que incumbe cada vez mais. Por exemplo, em um único país como a Índia, nos próximos dois anos, mais de 500 milhões de pessoas estarão online, das quais a metade tem menos de 18 anos. Portanto, o problema da proteção, da educação ao uso apropriado desses instrumentos cresce cada vez mais. Nenhum desses setores tem uma resposta, e, por isso, na segunda parte dos dias do congresso, depois das conferências dos especialistas, queremos fazer grupos de trabalho em que se possa falar e se possa desenvolver ideias. Porque, neste momento, ninguém tem uma resposta, por exemplo, ninguém tem uma ideia precisa de como os governos podem trabalhar juntos.

E, além dos governos, é preciso encontrar estruturas supranacionais, porque, atualmente, é muito fácil escapar das leis nacionais. Se alguém quer se esconder no uso de imagens ou de vídeos pornográficos, pode fazer isso facilmente, ou através de servidores que estão em uma parte do mundo onde as leis não são tão restritas, ou naquela que é chamada de dark net, que é o nível “subterrâneo” da internet “normal” que todos usamos, onde existem outras regras, onde não há nenhuma influência – ou muito pouca – do controle da polícia ou mesmo dos governos.

Mas a situação é realmente tão grave e difícil de tratar?

Nas minhas conversas com representantes dos governos, dos ministérios, até mesmo da polícia – por exemplo, na Itália, na Austrália e em outras partes do mundo onde eu pude falar com os agentes da ciberpolícia, isto é, aqueles que tentam identificar as pessoas que disseminam imagens nocivas – eu vi que eles estão sobrecarregados pela própria quantidade de material e por fenômenos cada vez mais horríveis. Por exemplo, sabemos que o sexting, ou seja, enviar imagens de si mesmos ou de outras pessoas por parte de jovens – nuas ou em atos sexuais – está em contínuo crescimento; cada vez mais, milhões e milhões de jovens enviam imagens via mídias sociais, e, depois, aqueles que enviam esse tipo de imagens são de idade cada vez mais jovem.

Outro fato muito perigoso é aquele que se chama de sextortion, isto é, quando um ex-namorado ou uma ex-namorada enviam posts, imagens da outra pessoa por vingança, por exemplo, ou para atingir, para ferir. Fenômenos ainda mais graves são aqueles da violência sexual comprada em uma parte do mundo e executada em outro país, como, por exemplo, nas Filipinas ou na África, onde meninas são compradas, e se vê um estupro online de uma dessas meninas, enquanto aquele que pagou está em uma parte totalmente diferente do mundo. Aqui, é evidente que é necessária uma colaboração dos governos e das forças da ordem, porque uma única nação não pode vigiar tudo isso.

Quais são os parceiros que estão envolvidos na organização desse congresso?

O primeiro parceiro com quem trabalhamos é a organização WeProtect, que é uma iniciativa do governo britânico, e a fundadora dessa iniciativa, a baronesa Joanna Shields, faz parte da comissão organizadora do nosso congresso: ela é a vice-ministra responsável pela internet no governo britânico. Depois, temos uma organização muito conhecida na Itália, o “Telefono Azzuro”, com o seu fundador-presidente, o Prof. Caffo, de Modena, membro também ele da comissão organizadora. E conseguimos envolver também outras instituições e organizações que querem trabalhar conosco.

Mas que experiência e competência a Universidade Gregoriana amadureceu para sediar um congresso desse tipo?

A nossa universidade, a Gregoriana, com o seu Centre for Child Protection, está empenhada há mais de cinco anos para tentar fazer o que devemos fazer como Igreja nesse campo. De fato, na Igreja, vivemos e estamos vivendo em muitas partes do mundo aquela que o Papa Bento chamou de “uma chaga no corpo da Igreja”, ou seja, os abusos sexuais de menores por parte dos sacerdotes. Por isso, empenhamo-nos para desenvolver sistematicamente programas de formação e de estudo contra os abusos, colaborando, dentre outras coisas, também com alguns governos e muitos interlocutores no mundo científico e no mundo eclesiástico.

Hoje, atuamos em cerca de 30 países, com cerca de 50 parceiros, que são universidades, católicas ou não, seminários, faculdades de diversos tipos, centros de formação continuada aos quais oferecemos um programa de aprendizagem sobre o que é o abuso, como se pode reconhecer quando uma criança é abusada, como se deve, depois, dialogar com essa vítima, o que se deve fazer com um abusador, quais são as leis da Igreja e do Estado em que se vive… E justamente isso nos deu a oportunidade de lançar uma iniciativa mundial que, agora, deve enfrentar também esse novo campo, isto é, o do abuso que ocorre através da internet.
Queremos dar um sinal de que a Igreja se compromete no que diz respeito ao seu âmbito, mas também além dele, e quer oferecer uma possibilidade de discutir, de dialogar, de criar uma plataforma com esse congresso, mas também com tudo o que se seguirá a partir dele. De fato, queremos também envolver mais o mundo científico com um “call for papers”, isto é, um convite que dirigiremos aos cientistas – os mais qualificados e competentes possíveis – para que contribuam com as suas pesquisas, com os seus instrumentos, para fazer o que é possível para evitar o abuso.

Há países e instituições que apoiam efetivamente a iniciativa do congresso como parceiros?

Temos contatos com autoridades do governo britânico, alemão e italiano, e também de outros países. Estamos em contato com o mundo europeu e com organizações como a Interpol, que operam praticamente em nível mundial. Os participantes serão cerca de 100, além de conferencistas que estão entre os melhores especialistas em cada uma das áreas que mencionei – em torno de 150 pessoas no total – que poderão expressar, no fim, um texto, uma declaração “sobre a dignidade do menor no mundo digital”, que será apresentada ao papa: o Papa Francisco aceitou conceder uma audiência no dia 6 de outubro ao meio-dia, em que lhe será apresentada, precisamente, essa declaração em nome dos participantes do congresso, que se comprometerão a fazer o possível pela proteção dos menores.

Como foi transmitida a ideia do congresso ao Papa Francisco?

Fomos ao encontro do papa, pouco antes do Natal, com uma representação da comissão organizadora para apresentar o plano e pedimos essa audiência para o congresso. Ele ouviu bem a motivação e imediatamente disse que estava disponível, porque isso se insere coerentemente na sua luta contra o abuso dos mais vulneráveis, dos menores, das pessoas que estão mais em risco. É uma luta que engloba tudo aquilo que foi feito nos últimos quatro anos com a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, com todas as medidas que ele quis implementar nesse tempo do seu pontificado e também com aquilo que nós, do Centro para a Proteção dos Menores da Gregoriana, pudemos fazer com o seu apoio pessoal.

Você acha que esse congresso poderá dar respostas rápidas?

Certamente haverá, e agora já há, respostas, no sentido de que apenas o fato de falar desse tema, apenas o fato de refletir já leva a ações concretas. Por exemplo, com alguns dos nossos parceiros, também tecnológicos – ou seja, os provedores de internet ou aqueles que oferecem as plataformas de mídia social conhecidas, como FacebookTwitter e outros –, já agora, apresentamos as nossas questões no que diz respeito a essa temática, para que eles sejam corresponsáveis por monitorar o material que é transmitido, para que reflitam sobre como garantir que os jovens estejam mais seguros e como eles podem – e também devem – contribuir para a educação desses jovens com os instrumentos oferecidos online, e de uma forma mais interativa com os agentes principais dessa educação, isto é, as famílias, as escolas, as atividades dos jovens e, finalmente, também os governos.

Depois, certamente haverá também um trabalho de longo prazo, porque não são problemas que serão resolvidos em pouco tempo, simplesmente com um congresso. Em vez disso, como se observou antes, é impressionante e muito urgente a necessidade de oferecer também ao setor público, também aos governos, algum tipo de orientação. A declaração final do congresso, que será apresentada ao Papa Francisco, significará justamente o empenho comum nessa direção.
Fonte: IHU

01 junho, 2017

Devemos seguir o exemplo do apóstolo Paulo!

“A vida do apóstolo Paulo é uma vida sempre em movimento. Difícil imaginar Paulo tomando sol na praia, se repousando. É um homem que sempre estava em movimento”.

São “três dimensões desta vida de Paulo em movimento, sempre a caminho”.

“são as três atitudes de Paulo que nos ensina: o zelo apostólico para anunciar Jesus Cristo, a resistência - resistir às perseguições - e a oração: encontrar-se com o Senhor e deixar-se encontrar pelo Senhor”.

Primeira dimensão:sempre em movimento

 “é o anúncio, o zelo apostólico: levar Jesus Cristo”.

 “é a pregação, o anúncio”. “Paulo vai de um lugar para outro anunciar Cristo e quando não prega num lugar, trabalha: 

“Mas o que ele mais faz é a pregação: quando é chamado a pregar e a anunciar Jesus Cristo, é uma paixão sua! Não fica sentado diante de uma escrivaninha, não. Ele sempre, sempre está em movimento. Sempre levando adiante o anúncio de Jesus Cristo. Tinha dentro de si um fogo, um zelo, um zelo apostólico que o impelia. Não voltava para trás. Sempre para frente. Esta é uma das dimensões que lhe traz problemas, realmente.”

Segunda dimensão: Perseguições e o apoio do Espírito Santo

"sofrer as perseguições, as lutas”

“as dificuldades, mais claramente as perseguições”.

Uniram para acusá-lo. Paulo deve ser julgado, pois é considerado um perturbador:  

“E o Espírito deu a Paulo um pouco de esperteza e ele sabia que não era um, que dentre eles existiam muitas lutas internas. Sabia que os saduceus não acreditavam na Ressurreição e que os fariseus acreditavam. Então, para sair daquele momento, disse em alta voz: ‘Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos.' Quando disse isso armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, pois os saduceus não acreditavam. E eles que pareciam unidos, se dividiram.” 

“Eles eram os custódios da lei, os custódios da doutrina do Povo de Deus, os custódios da fé. Porém, acreditavam em coisas diferentes. Essas pessoas tinham perdido a Lei, tinham perdido a doutrina, tinham perdido a fé, pois a transformaram em ideologia”, e fizeram “o mesmo com a doutrina”. 

Terceira dimensão: A oração

“Paulo - tinha essa intimidade com o Senhor”:

“Ele vinha ao seu lado várias vezes. Uma vez ele diz que é levado quase até ao sétimo céu, na oração, e não sabia como dizer as coisas bonitas que tinha ouvido lá. Mas este lutador, este anunciador sem limite de horizonte, sempre mais, tinha aquela dimensão mística do encontro com Jesus. A força de Paulo era este encontro com o Senhor, que ele fazia na oração, como foi o primeiro encontro no caminho para Damasco, quando ele ia para perseguir os cristãos. Paulo é o homem que encontrou o Senhor, e não se esqueçe disso, e se deixa encontrar pelo Senhor e busca o Senhor para encontrá-lo. Homem de oração”.

Paulo não desistiu, ia para frente “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”.

“Que o Senhor nos dê a graça a todos nós batizados, a graça de aprender essas três atitudes na nossa vida cristã: anunciar Jesus Cristo, resistir” às perseguições “e às seduções que nos levam a nos distanciarmos de Jesus Cristo, e a graça do encontro com Jesus Cristo na oração”.

Papa Francisco

31 maio, 2017

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Claudiomar Pinturas!


29 maio, 2017

Uma abençoada e gostosa semana a todas e a todos!

"Quando me desespero, eu me lembro de que, durante toda a história, o caminho da verdade e do amor sempre ganharam. Tem existido tiranos e assassinos, e por um tempo eles parecem invencíveis, mas no final sempre caem. Pense nisto: sempre.

Mahatma Gandhi

É preciso deixar-se guiar pelo Espírito Santo!

“Eu sou capaz de ouvi-lo? Eu sou capaz de pedir inspiração antes de tomar uma decisão ou dizer uma palavra ou fazer algo? Ou o meu coração está tranquilo, sem emoções, um coração fixo? Certos corações, se nós fizéssemos um eletrocardiograma espiritual, o resultado seria linear, sem emoções. Também nos Evangelhos há essas pessoas, pensemos nos doutores da lei: acreditavam em Deus, todos sabiam os mandamentos, mas o coração estava fechado, parado, não se deixavam inquietar”.

Papa Francisco

26 maio, 2017

Triste país onde depredação é escândalo, mas massacre de dez posseiros, não

Os nove homens e uma mulher assassinados receberam comedida atenção do noticiário e dos brasileiros. A covardia não provocou escândalo, indignação, queixas inflamadas, escreve Mário Magalhães, jornalista, em artigo em seu blog, 25-05-2017.
Eis o artigo.
Dez posseiros foram mortos ontem de manhã numa ação de policiais militares e civis no Pará. Na fazenda Santa Lúcia, na cidade de Pau D’Arco, não houve conflito ou confronto, os substantivos que buscam disfarçar os fatos e edulcorar a história. De um lado, o dos agricultores, dez perderam a vida. Do outro, não se contou morto ou ferido. Logo, inexistiu choque de forças simétricas. Ocorreu um massacre. Ou chacina.
A crônica do extermínio de lavradores naquele Estado ganha mais um capítulo. Em abril de 1996, na curva do S da rodovia PA-150, PMs fuzilaram 19 manifestantes. O episódio ficou conhecido como massacre de Eldorado do Carajás.
Os nove homens e uma mulher assassinados ontem receberam comedida atenção do noticiário e dos brasileiros. A covardia não provocou escândalo, indignação, queixas inflamadas. A não ser as escassas vozes que teimam em não reconhecer como natural o que não é.
Os brados de cólera condenaram a depredação de prédios públicos em Brasília. E seus depredadores, que compuseram parte diminuta da multidão contada em dezenas de milhares que protestou contra Michel Temer e reivindicou a antecipação da eleição presidencial direta.
Antes do ataque aos edifícios de ministérios e do fogo colocado nas bicicletas do Itaú, os manifestantes foram fustigados por cavalaria. Mais tarde, um policial que não estava acuado disparou com arma na direção de quem estava desarmado ou ao menos não atirava.
Temer convocou as Forças Armadas para a segurança na capital. Para além da controvérsia sobre a constitucionalidade do recurso, o governo agonizante pretendeu dar demonstração de poder. E da capacidade de intimidar. Tais propósitos são evidentes como a fumaça que enevoou a esplanada brasiliense. O pretexto para apelar às tropas é a defesa do patrimônio público.
Na boca de outros, faria sentido. Mas não na da administração cujo zelo pela coisa pública é o que é. O nonsense parece indicar uma tendência nacional: quanto mais ladrão de dinheiro público o sujeito é, mais ele se esgoela em defesa do patrimônio público. A equação não se aplica a todos, pois os sinceros sobrevivem. Porém, somos mesmo o país da hipocrisia.
Essa constatação não implica endossar os danos ao patrimônio dos cidadãos, que acabarão por pagar a conta. Mas ajuda a compreender o contexto da radicalização. Quem é mais vândalo: o indivíduo que atira uma pedra em vidraça de ministério ou um governante que combina propina de 500 mil reais por semana, a ser embolsada durante 30 anos?
Os sermões contra a corrupção se sucedem, mas ela permanece. Aparentemente se ampliou nos governos FHC, Lula, Dilma e Temer. A roubalheira só dos anos 1990 para cá a gatunagem existia antes, também na ditadura permitiria consertar alguns milhões de vezes o estrago da quarta-feira.
Os vândalos de ontem são dentes de leite em comparação com a corja que vandaliza o Brasil, as instituições em que a democracia deveria prevalecer, os direitos dos mais pobres, as conquistas alcançadas com suor pelos trabalhadores, os programas que impedem a morte por fome, as iniciativas que deixam menos jovens longe da escola e da universidade, os planos de preservação ambiental.
A bronca, como sempre, desvia os olhos da violência e da crueldade dos mais fortes.
O 24 de maio de 2017 não foi o primeiro dia em que a perda de vidas humanas foi desprezada (ou quase), em contraste com a histeria causada pela depredação de prédios.
Nossa coleção de infâmias é vasta.
Triste Brasil

Oração


Obrigado, Senhor, pela tua presença, de tantos modos, no meio de nós. Posso encontrar-te na Palavra, na Eucaristia, na comunidade fraterna, na hierarquia da Igreja, no
necessitado, e também na tua presença cósmica, que agora enche o universo. Posso viver na alegria da liberdade porque estou repleto da tua presença. Posso dar testemunho corajoso de Ti, porque o teu Espírito é a minha força.
Perdoa-me, porque nem sempre vivo e atuo consciente desta realidade. Perdoa-me porque não Te dou suficientes graças por ela. Perdoa-me porque não me empenho suficientemente na missão, temendo o fracasso.
Dá-me um coração atento às necessidades dos meus irmãos, especialmente à necessidade de Ti. Ajuda-me a levar a todos a tua alegria e a tua paz, para que esses dons da tua Ressurreição também possam crescer em mim. Amém.

Fonte: dehonianos

25 maio, 2017

TE DESEJO VIDA - FLAVIA WENCESLAU

CNBB apoia petição por garantia de busca por crianças desaparecidas

No Brasil, são registrados, em média, 50 mil casos de desaparecimento de 
crianças e adolescentes por ano, segundo o CFM.



Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, comunicou, nesta terça-feira, 23 de maio, o apoio da Conferência à petição por garantia de busca por crianças desaparecidas organizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para garantir a atualização do cadastro nacional de Crianças e Adolescentes Desparecidos.

O CFM, com apoio dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) desenvolve, desde 2011, campanha de prevenção ao desaparecimento de crianças e adolescentes. Segundo carta endereçada à CNBB, entre as ações do CFM “está a divulgação, junto aos médicos, de recomendações para o reconhecimento de pessoas desaparecidas, uma vez que muitas delas em algum momento passam por consultórios”.

No Brasil, são registrados, em média, 50 mil casos de desaparecimento de crianças e adolescentes por ano, segundo o CFM. “Há um percentual expressivo de crianças e adolescentes que não é encontrado”, assegura a carta. E continua: “indícios sugerem que esses meninos e meninas se tornam vítimas do trabalho escravo, da exploração sexual, do tráfico de órgãos e das adoções ilegais, entre outras formas de violação dos direitos e da degradação do respeito à dignidade humana”.

O Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desparecidos foi implantado em 2010 pelo Ministério da Justiça. Na avaliação da CFM, esse cadastro “é falho e não vem contribuindo para a busca desses menores”. A situação atual é preocupante: “não há registro de nem 1% do total dos desparecidos anualmente, o que dificulta sua localização”, denuncia o CFM que também sugere que “a proposta também peca ao transferir a responsabilidade da inclusão no cadastro para os pais e os parentes das vítimas”.

Por causa dessa situação e para marcar a celebração do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, neste 25 de maio, o CFM procurou várias instituições, entre elas a CNBB, para apoiar na divulgação de um abaixo-assinado com a petição.

Você pode fazer a sua adesão a esta petição no seguinte endereço:

ASSINE A PETIÇÃO AQUI

Fonte: CNBB

24 maio, 2017

Representação de LGBTs na mídia: entre o silêncio e o estereótipo


As noções de representação e representatividade são complexas e caras aos movimentos e minorias sociais. No regime da visibilidade em que vivemos, “ser visto” é também uma forma de pressionar instâncias governamentais por mais direitos e políticas de igualdade, a fim de garantir a dignidade humana de grupos sociais cotidianamente vilipendiados. Daí um dos papéis fundamentais da mídia na contemporaneidade: é o espaço da visibilidade por excelência.

Por Gyssele Mendes*, na Carta Capital , 18/05/2017.

Além disso, a aglomeração de identidades e sexualidades distintas sob o mesmo guarda-chuva, como é o caso da sigla LGBT, é um indicativo de disputas. O movimento de lésbicas possui pautas que nem sempre serão observadas pelo movimento gay, assim como as travestis e pessoas trans possuem reivindicações específicas relativas às identidades de gênero. Já temos aí a ponta do iceberg da representação: o seu limite em retratar e (re)criar o outro.


Há 43 anos, o primeiro personagem gay surgia na televisão brasileira, na novela “O Rebu”, da TV Globo. A trama girava em torno de um misterioso assassinato. O pesquisador Luiz Eduardo Peret destaca que “até o fim da primeira metade da novela, o público não sabia quem havia morrido, nem se era homem ou mulher. Só no último capítulo se revelava que o rico Conrad Mahler matara a jovem Sílvia por ciúmes dela com seu ‘protegido’ Cauê. A homossexualidade estreou na telenovela através do crime ‘passional’ e da dependência financeira de um jovem por um homem mais velho”.

Nesse mesmo período, tivemos a primeira “onda” de movimentos LGBTs no Brasil, formados majoritariamente por gays e travestis, como resposta ao silenciamento imposto pela “moral e bons costumes” da época.

Desde então, muita coisa mudou, outras nem tanto. É fato que, nos últimos anos, a população LGBT tem conquistado cada vez mais espaço na mídia brasileira, seja nas telenovelas, em reportagens pedagógicas da mídia impressa e online ou programas humorísticos e de variedades. Mas quando pensamos nisso, quais personagens LGBTs vêm à mente?

Em um breve esforço, lembramos de Rafaela e Leila, o casal de lésbicas mortas na explosão de um shopping, em Torre de Babel (1997); Clara e Rafaela, de Mulheres Apaixonadas (2003), cujo final contava com uma apresentação teatral do trágico “Romeu e Julieta”; um personagem ou outro interpretando o “gay afeminado” e “afetado” em programas de humor; a travesti Sarita, integrante do núcleo cômico de Explode Coração (1995); Júnior e Zeca, de América (2005), que tiveram o beijo censurado no último capítulo; o casal Niko e Félix, de Amor à Vida (2013), cujo beijo no final da novela rendeu inúmeras discussões, e por aí vai.

Outra questão vem à tona, além de como são representados os personagens LGBTs: entre eles, quantos são interpretados por pessoas LGBTs? Quantas travestis estão no elenco da Globo, do SBT, da Band ou da Record? Quantos homens trans ocupam espaços de poder na mídia? Quantas lésbicas participaram da produção do roteiro das telenovelas em que são representadas? Provavelmente, a resposta não se distanciará muito do zero.

Recentemente, a nova produção de Glória Perez para a TV Globo ocupou os noticiários com uma polêmica que tocava exatamente nesse ponto. “A Força do Querer”, que estreou no mês passado, buscará representar o processo de transição de um homem trans, interpretado por uma atriz cisgênero (pessoas cujo gênero é o mesmo que o designado em seu nascimento).

Ao anunciar isso, a autora e a emissora foram bombardeadas com críticas do movimento LGBT, que alertava para a importância de um homem trans ocupar esse espaço. Apesar de não conseguirem reverter a situação, a militância LGBT deixou um recado: “queremos falar, ocupar, e não ficaremos calados diante do uso das nossas vivências como álibi para responsabilidade social da emissora”.

Democratizar a mídia não implica somente em ampliar o acesso e buscar a pluralidade nas representações. Em outras palavras, não se trata apenas de democratizar o produto, mas também o processo de construção dessas representações, que servem como um mapa social de leituras e condutas sociais, indicando quem deve ter sua existência respeitada e quem simboliza uma ameaça ao status quo.

De acordo com o relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016 foram mortas 347 pessoas vítimas de LGBTfobia, quase uma por dia. Para chegar a esse número, o GGB realizou um levantamento a partir da mídia e de informações que recebeu de familiares e amigos das vítimas. Nota-se, portanto, que esse dado reflete apenas uma parcela dos atos de violência motivados por homofobia, lesbofobia, bifobia ou transfobia.

Maria Clara Araújo, figura importante do movimento recente de mulheres trans no Brasil, ressalta que “quando se fala em representar, é sobre existir, de fato, em uma sociedade em que 90% das mulheres trans e travestis estão na prostituição como um lugar condicionado”. A representação nas telas pode ser parte de uma ficção, mas as consequências nas vidas dos grupos representados irresponsavelmente são reais.

Carlo Ginzburg, no ensaio “Representação: a palavra, a ideia, a coisa”, sublinha a dupla função de representar uma ausência e continuar uma existência, destacando uma ruptura e uma continuidade. Ginzburg nota que “a substituição precede a intenção de fazer um retrato, e a criação, a de comunicar”, mostrando que as representações não são apenas constituídas da “imitação” de algo ou alguém, mas do duplo processo de substituição e (re)criação daquilo ou daquele que se representa, de figuração e produção de sentidos, de simbolização e significação. Logo, representar é o processo de criar e substituir.

Imaginem quantas vidas seriam poupadas ou quantas pessoas não poderiam ter suas visões de mundo ampliadas se a mídia optasse por representações mais humanizadas, inclusivas, focadas na construção de empatia entre os diferentes e não em publicidade ou lucro? Essa pode não ser a solução, mas certamente é um caminho que a grande mídia brasileira poderia tomar, caso estivesse interessada em erguer uma sociedade que saiba reconhecer e conviver com as diferenças.

*Gyssele Mendes é jornalista, mestra em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e militante LGBT.

Deus caminhará conosco!


"Todos na nossa vida tivemos momentos difíceis, momentos em que caminhávamos tristes, desiludidos, sem horizonte, somente com um muro diante de nós. Jesus sempre está do nosso lado, para nos dar esperança,. Para nos aquecer o coração. Ele nos diz: vai avante, estou com você, prossiga."

“Deus caminhará conosco sempre, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, nos momentos mais duros, de derrota. Ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança, prossigamos com esta esperança, porque Ele está do nosso lado caminhando conosco, sempre!”

Papa Francisco

Oração

Senhor, purifica o meu coração, pela infusão do teu Espírito. Assim poderei compreender «Verdade completa», não só sobre Ti e sobre os teus projetos, mas também sobre o mundo e sobre a história. Purifica o meu olhar interior para que possa ver os teus caminhos, e o meu ouvido interior para que possa escutar a tua vontade. Purifica o meu instinto, para que se oriente para Ti.

Dá-me um coração desapegado e vazio para Te deixar falar. Dá-me um coração humilde para escutar a voz da tua Igreja. Dá-me a tua luz divina para que saiba julgar o mundo, a sua mentalidade e as suas obras. Purifica-me e ilumina-me, Senhor. Amém.


Fonte: dehonianos

22 maio, 2017

Para refletir:

"Às vezes..., o orgulho, as invejas, as divisões deixam sinais também sobre o belo rosto da Igreja. Uma comunidade de cristãos deveria viver na caridade de Cristo, e em vez é bem ali que o maligno ‘coloca a pata’ e nós, às vezes, nos deixamos enganar."

Papa Francisco

Oração:

“Senhor, abra-me o coração para que eu possa entender aquilo que Tu nos ensinaste. Para que eu possa recordar as Tuas palavras. Para que eu chegue à plena verdade”.

Papa Francisco

19 maio, 2017

Nota da CNBB sobre o Momento Nacional - Pela Ética na Política

Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.


No documento, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

Leia a Nota:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017
P – Nº 0291/17

Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.

Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB


Fonte: Portal CNBB

Ordenação Episcopal de Mons. padre Bruno Elizeu Versari - Arquidiocese de Maringá


O mundo nos propõe outros amores!

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder... São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar."

Papa Francisco

18 maio, 2017

Delação da JBS: quais são os cenários possíveis caso se confirmem denúncias contra Temer

O presidente Michel Temer é alvo de graves acusações após a divulgação pelo jornal O Globo, na noite desta quarta-feira, de que teria dado aval a uma suposta operação de compra de silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o jornal, os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, investigados em desdobramentos da Operação Lava Jato, negociaram uma delação premiada e entregaram aos investigadores uma gravação em que Joesley conta a Temer que estava dando a Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. O presidente então teria respondido: "Tem que manter isso, viu?".
A reportagem é de Mariana Schreiber e publicada por BBC Brasil, 17-05-2017.
De acordo com o jornal, as gravações foram produzidas com conhecimento da PolíciaFederal e da Procuradoria Geral da República, como parte da delação. Em nota, o Palácio do Planalto negou as acusações e defendeu "ampla e profunda" investigação de "todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."
"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar", diz ainda o comunicado.
Caso o teor da suposta gravação seja confirmado, Temer pode ser acusado de ter cometido crime de obstrução da Justiça no exercício do mandato, o que poderia comprometer sua sustentação política e a própria permanência no cargo.
Em caso de uma eventual saída, em princípio deveria ser realizada uma eleição indireta para escolha, pelo Congresso, do novo governante do país. Mas há também caminhos que poderiam levar a uma eleição direta antecipada.
Entenda abaixo cenários possíveis em caso de confirmação das denúncias:

Renúncia

Caso Temer decida renunciar, a Constituição determina que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assuma a Presidência de forma interina e convoque eleição indireta a ser realizada em 30 dias.
Nesse caso, a Constituição determina que o Congresso, e não o povo, deva escolher o novo presidente, pois já transcorreu metade do mandato presidencial de quatro anos.
Mas, segundo o constitucionalista Oscar Vilhena Vieira, diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, o Congresso também poderia aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) para permitir a realização de eleições diretas.

Em geral, tais propostas têm tramitação lenta e são de difícil aprovação, pois exigem ampla maioria dos votos dos parlamentares (três quintos de deputados e senadores).
No entanto, havendo forte pressão popular, Vieira diz acreditar que tal mudança possa ser aprovada com velocidade.

No caso de eleição indireta, o constitucionalista lembra que não há uma regulamentação sobre como esse pleito deve ser realizado. Em sua avaliação, qualquer brasileiro com mais de 35 anos poderia se candidatar ao pleito, mesmo sem ter filiação partidária.
Segundo a Constituição, nesse pleito devem ser eleitos um novo presidente e um vice para concluir o mandato atual, ou seja, até dezembro de 2018.

Cassação de Temer pelo TSE

Outro caminho possível é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer, vencedora das eleições de 2014, já que há uma ação sobre isso pronta para julgamento.
As informações divulgadas nesta quarta-feira não têm relação com essa ação do TSE, que analisa eventuais ilegalidades na campanha de 2014 que teriam influenciado o resultado do pleito.
A corte eleitoral não julga denúncias contra o presidente Temer que não tenham relação com processos eleitorais.
No entanto, caso as denúncias sejam confirmadas, Temer ficaria enfraquecido politicamente e isso poderia influenciar a decisão dos sete ministros do TSE na ação que tramita na corte.
"Evidentemente esse fato, embora não se comunique com esse processo no TSE, pode impactar o modo como o tribunal irá julgar a ação", afirmou Vieira.
Até esta noite, a percepção que prevalecia era justamente a contrária: mesmo com provas suficientes de ilegalidades na campanha de Dilma e Temer em 2014, a tendência parecia ser de preservação de Temer como presidente.
Caso o TSE casse Temer, há uma ação pronta para ser julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode levar à convocação de eleições diretas no país.
O argumento dessa ação é que, caso o TSE determine que a eleição de 2014 foi ilegal, nesse caso o direito ao voto do eleitor foi desrespeitado e por isso deveria haver nova eleição direta.
Se o Supremo tomar essa decisão, poderia ser convocada eleição direta, sem necessidade de aprovação de uma PEC no Congresso.

Impeachment ou julgamento pelo STF

Outros dois caminhos que poderiam levar à queda de Temer tendem a ser mais lentos. Caso fique comprovado que ele tenha incentivado Batista a comprar o silêncio de Cunha, ele pode tanto ser cassado por crime de responsabilidade como condenado no STF por crime comum.
Em ambos os casos, porém, seria necessário que a Câmara dos Deputados autorizasse o Senado a abrir um processo de impeachment ou o STF a iniciasse um processo por crime comum. No caso de Dilma Rousseff, por exemplo, demorou cerca de quatro meses para a Câmara autorizar a abertura do processo de impeachment e mais quatro meses e meio para o Senado concluir o julgamento.
Já no caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello. o processo todo foi mais rápido, mas ainda assim levou cerca de quatro meses no total.

Cada mulher e cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra!

“Como é belo pensar que a primeira aparição do Ressuscitado tenha ocorrido de modo assim tão pessoal!”. 
“Tem alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove e nos chama pelo nome. Em volta de Jesus, há muitas pessoas que buscam a Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há um Deus que se preocupa com nossa vida. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra. A cada um de nós Deus chama por nome, nos olha, nos espera, nos perdoa, tem paciência. É verdade ou não?”

Papa Francisco