29 janeiro, 2019

Lucro acima de tudo, lama em cima de todos



Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, 19/01/2019 - Carta Capital

A Vale e Bolsonaro são as mais perfeitas expressões do capitalismo neoliberal no mundo

O desastre da Vale em Brumadinho foi uma tragédia anunciada. Em dois sentidos: primeiro porque o lobby das mineradoras barra legislação para evitar o pior. Segundo, em um sentido mais profundo, porque tragédias ambientais são da lógica do capitalismo, principalmente depois das reformas neoliberais que mudaram o mundo desde os anos 1980.

O desastre com a barragem da Samarco em Mariana (MG) em novembro de 2015 também é responsabilidade da Vale. A Samarco é um joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton. A última era a maior empresa de mineração do mundo em 2013, perdendo a posição para outra anglo-australiana (a Rio Tinto), que por sua vez teria perdido a posição para a Vale há duas semanas.

Depois do desastre em Mariana, a comoção levou a promessas de mudança de conduta por parte da empresa, de um lado, e de dureza na legislação e na fiscalização, de outro. As promessas foram vãs, pois as mineradoras financiaram lobby para barrar reformas protetoras do meio-ambiente.

Um projeto com regras severas de licenciamento ambiental para novas barragens e fiscalização mais dura das existentes está paralisado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais há um ano. O projeto aumentava o custo das mineradoras, tanto por aumentar investimento em prevenção quanto exigir a formação de um fundo para danos futuros.

Foi vetado pelos deputados Tadeu Martins Leite (MDB), Gil Pereira (PP) e Thiago Cota (MDB). O último afirmou à BBC Brasil que o projeto “inviabilizaria a mineração em Minas Gerais… não teríamos mais como sonhar com o retorno da Samarco. Isso seria terrível para Mariana, Ouro Preto e toda uma região.”

O lobby das mineradoras também barrou projeto no Senado que aumentava a fiscalização, as exigências de segurança e as punições por não cumpri-las. Também exigia a contratração de seguro ou garantia financeira para cobertura de danos. A exigência de seguro complementaria a fiscalização pública com a avaliação da seguradora privada.

Enquanto o projeto do Senado foi arquivado em 2018, três projetos da Câmara de Deputados estão parados desde 2016. No Ministério Público, a cobrança no valor de R$ 155 bilhões contra a Samarco está suspensa por conta de negociações com a empresa, que quer diminuir o valor.

A luta contra a indenização pelo desastre de Brumadinho já começou. Na segunda-feira o advogado da Vale, Sérgio Bermudes, afirmou que a empresa “não enxerga razões determinantes de sua responsabilidade” no estouro da barragem. A repercussão negativa levou a empresa a desautorizá-lo, mas ele já pediu à Justiça mineira o fim do bloqueio de R$ 11 bilhões para indenizações.  

Os Bolsonaros, Queiroz, as milícias e a morte de Marielle


As conexões possíveis entre os milicianos de Rio das Pedras homenageados por Flávio Bolsonaro e o caso Marielle

O senador americano Daniel Patrick Moynihan, morto em 2003, costumava dizer: “Todos têm direito à própria opinião, mas não a seus próprios fatos”. Jair Bolsonaro, presidente recém-empossado, e Flávio Bolsonaro, às voltas para explicar as movimentações financeiras suspeitas entre a equipe de seu gabinete, compartilham de uma opinião: “A esquerda defende bandido”. Mas os fatos são outros. Vastos são os registros de Bolsonaro e de seu filho primogênito defendendo — e até mesmo homenageando — notórios milicianos.

Hoje, enquanto a polícia investiga a participação de milicianos de Rio das Pedras (favela na Zona Oeste do Rio de Janeiro) na morte da vereadora Marielle Franco, é inquietante olhar em retrospecto as moções de louvor que Flávio Bolsonaro apresentou na Assembleia Legislativa do Rio em nome do ex-policial Adriano Magalhães da Nóbrega e do major Ronald Paulo Alves Pereira — ambos alvo, na manhã desta terça-feira (22), daOperação Os Intocáveis , que investiga a compra e venda de terrenos invadidos, agiotagem, extorsão e pagamento de propina na região de Rio das Pedras.

Em 2003, Flávio homenageou Nóbrega — hoje chefe da milícia de Rio das Pedras — por sua “dedicação, brilhantismo e galhardia” . Nóbrega seria preso, ...continue lendo AQUI.

Mineração: desde 1963 matando gente em Minas Gerais


27 janeiro, 2019

15° Intereclesial das CEBs


A Lama!


Fonte da foto: WhatsApp

Mensagem da Ampliada Nacional das CEBs às vítimas do rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho – MG



Nas interven­ções sobre os recursos naturais, não predomi­nem os interesses de grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes da vida  (DAp 471)

A Ampliada Nacional das CEBs, composta por representantes dos 18 Regionais da CNBB, reunida em Cuiabá-MT, em preparação para o 15º Intereclesial de CEBs, que acontecerá em Rondonópolis-Guiratinga-MT, em julho de 2022, recebe com profundo sentimento de indignação, a triste notícia do rompimento da barragem de rejeitos de minérios da Mineradora Vale, no município de Brumadinho – MG, ocorrido neste 25 de janeiro de 2019.

Diante deste triste fato, a Ampliada Nacional das CEBs vem de público afirmar que isto não se trata de tragédia, nem de acidente e, muito menos, uma fatalidade, mas um crime sócio ambiental, plenamente previsível e anunciado, pois sabemos que as Mineradoras, movidas pela ganância e lucros desenfreados, são capazes de devorar e destruir nossas montanhas, florestas, aquíferos, rios, fauna, flora, patrimônios históricos e culturais e de ceifar a vida de tantas pessoas.

Denunciamos a Mineradora Vale que, em nosso país e além fronteiras, invade  territórios, destrói modos de vida e maneiras tradicionais de conhecimento e sobrevivência de muitos povos, com um discurso de desenvolvimento e progresso, iludindo-os com falsas promessas e ameaças.

Afirmamos nosso compromisso em defesa dos bens da criação, nossa Casa Comum, e que estes bens não podem ser apropriados por mineradoras em nome de um modo de produção, distribuição e consumo concentrador da riqueza e do poder, destruidor do meio ambiente, excludente e violento.

Fazemos nossas as palavras do Papa Francisco:

Os poderes econômicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente. Assim se manifesta como estão intimamente ligadas a degradação ambiental e a degradação humana e ética  (Laudato Si, 56).

Alertamos para o risco eminente de rompimentos de outras barragens da Vale, tanto em Minas Gerais como em Parauapebas-PA.

Diante dos danos sócio ambientais provocados pela Mineradora Vale, apoiamos o processo em andamento que requer a revogação de sua privatização.

Conclamamos que as autoridades competentes façam a devida justiça perante as vitimas e suas famílias.

Solidarizamo-nos com as vítimas deste crime, seus familiares, seus territórios e com toda a criação divina, que mesmo no luto, na lágrima e na dor, mantenhamos confiantes nossa fé e nossa solidariedade, acreditando que o Senhor enxugará toda lágrima e destruirá nosso luto.

Que Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, seja nossa companheira nesta travessia de dor e de esperança.

Cuiabá – MT, 26 de janeiro de 2019

26 janeiro, 2019

"eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa"


Que o nosso Deus abençoe as crianças e todo povo de Brumadinho, Minas Gerais


Que as crianças e todo povo de Brumadinho, Minas Gerais sintam a ternura e o amor de nosso Deus, que com eles chora de dor.

Como esta sendo a dor desse povo, acredito que muito mais do que podemos sentir e imaginar.

O rompimento da barragem de rejeitos de minérios da Mineradora Vale, no município de Brumadinho – MG, ocorrido no dia 25 de janeiro de 2019 é fruto da:

Ganância, negligência, irresponsabilidade...

Total desrespeito para com a vida humana e para com a natureza.

Mais uma página muito triste e trágica, é esse o modelo de desenvolvimento que vem sendo implantado em nossa pais.





(Fonte das fotos Google imagem)


Minas está de luto. Mensagem de Dom Walmor



Minas está de luto. Mensagem de Dom Walmor

É preciso repensar modelos de desenvolvimento que desconsideram o respeito à natureza, os parâmetros de sustentabilidade.

Mais uma “abominação da desolação”, como disse Jesus no Evangelho de Marcos, referindo-se aos absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos: mais uma barragem rompida em Minas Gerais, agora em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Arquidiocese de Belo Horizonte une-se a cada um dos atingidos, compartilhando suas dores. Nossas comunidades de fé, especialmente às que servem ao Vale do Paraopeba, estejam juntas, para levar amparo, ajuda, a todos que sofrem diante de tão lamentável tragédia.

Os danos humanos e socioambientais são irreparáveis e apontam para uma urgência, já tão evidente: é preciso repensar modelos de desenvolvimento que desconsideram o respeito à natureza, os parâmetros de sustentabilidade. Uma triste coincidência: nesta sexta-feira, dia 25, quando uma barragem se rompe no coração da nossa amada Brumadinho, entrou em pauta, no Conselho da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, autorização para a retomada da mineração na Serra da Piedade. Uma tragédia se efetiva e outra se anuncia.

A Arquidiocese de Belo Horizonte defende, incansavelmente, de modo inegociável, a natureza, obra do Criador, compreendendo que o ser humano, as plantas e os animais devem viver em completa harmonia, pois são todos habitantes do planeta, a Casa Comum.

Rezemos pelas vítimas desta tragédia, unidos ao coração de cada pessoa e de todas as famílias que sofrem, renovemos, mais uma vez, o nosso compromisso com a solidariedade. É urgência minimizar a dor dos atingidos por mais esse desastre ambiental, sem se esquecer de acompanhar, de perto, a atuação das autoridades, na apuração dos responsáveis por mais um triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais. A justiça seja feita, com lucidez e sem mediocridades que geram passivos, com sentido humanístico e priorizando o bem comum, com incondicional respeito e compromisso com os mais pobres. Minas Gerais está de luto.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

25 janeiro, 2019

A paz inquieta



A paz inquieta

Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta
Que denuncia a PAZ dos cemitérios
E a PAZ dos lucros fartos.

Dá-nos a PAZ que luta pela PAZ!
A PAZ que nos sacode
Com a urgência do Reino.
A PAZ que nos invade,
Com o vento do Espírito,
A rotina e o medo,
O sossego das praias
E a oração de refúgio.
A PAZ das armas rotas
Na derrota das armas.
A PAZ do pão da fome de justiça,
A PAZ da liberdade conquistada,
A PAZ que se faz “nossa”
Sem cercas nem fronteiras,
Que é tanto “Shalom” como “Salam”,
Perdão, retorno, abraço…
Dá-nos a tua PAZ,
Essa PAZ marginal que soletra em Belém
E agoniza na Cruz
E triunfa na Páscoa.

Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta,
Que não nos deixa em PAZ!

Pedro Casaldáliga.

Dom Pedro Casaldáliga - Dá-nos a Paz - Do CD "Pedro Povo e Poesia"

24 janeiro, 2019

“Missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum”, diz Adélia Prado


Escritora brasileira defende resgate da beleza na celebração da liturgia.

“A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso”, enfatiza.

Poeta e prosadora, uma das mais renomadas escritoras brasileiras da atualidade, Adélia Prado, 71 anos, falou sobre o tema da linguagem poética e linguagem religiosa essa quinta-feira, em Aparecida (São Paulo), no contexto do evento “Vozes da Igreja”, um festival musical e cultural.

Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». “Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão”, disse.

“Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.”

Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto “que tem um novo significado quanto à participação popular”, ele “muitas vezes não ajuda a rezar”.

“O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração”, disse, citando o padre católico Max Thurian, que, observador no Concílio Vaticano II ainda como calvinista, posteriormente converteu-se ao catolicismo e ordenou-se sacerdote.

Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que «o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa.

Segundo a poeta, “a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição”.

“Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui”, comentou.

“Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto”. “Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério”, disse.

De acordo com a escritora mineira (natural de Divinópolis), “muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro”.

“Porque a coisa é tão indizível, a magnitude é tal, que eu não tenho palavras. E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência.”

Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica.

“Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza.”

“A liturgia celebra o quê?” – questionou –. “O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns.”

Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo.

“Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco”, – disse –. “Não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo”. “O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério”, enfatizou.

“Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério.”

Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia “com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja”.

“E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o ‘Chefão’, ‘Aquele lá de cima’, o ‘Paizão’, o ‘Companheirão’.”

“Deus não é um “Companheirão”, ele não é um ‘Paizão’, ele não é um ‘Chefão’. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando”, afirmou.

Para Adélia Prado, “linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão”.

Com esse espírito, enfatizou, “nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros”.

Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que a celebração da Eucaristia “é perfeita” na sua simplicidade.

“Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha.”

“A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada”, disse Adélia.

E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz:

Ninguém vê o cordeiro degolado na mesa,
o sangue sobre as toalhas,
seu lancinante grito,
ninguém”.


Publicado em http://www.zenit.org/pt/articles/missa-e-como-um-poema-nao-suporta-enfeite-nenhum-diz-adelia-prado, 02/12/2007.

Desenvolvimento Sustentável


'Uma sala de morte e tristeza, tornou-se um lugar de alegria e esperança'!



Em 1922, na Universidade de Toronto, os cientistas foram para uma enfermaria de hospital com crianças diabéticas, a maioria delas em coma e morrendo de cetoacidose diabética. Isto é conhecido como um dos momentos mais incríveis da medicina. Imagine uma sala cheia de pais sentados à beira do leito esperando a morte inevitável de seu filho. Os cientistas foram de cama para cama e injetaram nas crianças o novo extrato purificado - insulina. Quando eles começaram a injetar a última criança comatosa, a primeira criança injetada começou a despertar. Então, um por um, todas as crianças acordaram de seus comas diabéticos. Uma sala de morte e tristeza, tornou-se um lugar de alegria e esperança. Obrigado Dr. Banting e Dr Best! 

Créditos fotográficos - Biblioteca e Arquivos do Canadá.  
Fonte: facebook Leonora Scherer

22 janeiro, 2019

Construir a esperança!


Jovens indígenas, preservem suas culturas, suas raízes e delas, cresçam"



“Jovens indígenas, preservem suas culturas, suas raízes e delas, cresçam, floresçam, frutifiquem; celebrem a sua fé em Jesus Cristo a partir da riqueza milenar das suas culturas originais, mostrem o rosto indígena da nossa Igreja no contexto da JMJ e afirmem o nosso compromisso de proteger a Casa Comum e de colaborar na construção de um outro mundo possível, mais justo e mais humano”.

(Papa Francisco)  

18 janeiro, 2019

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!


Na pré-jornada, jovens indígenas do Brasil denunciam realidade de violência



Na pré-jornada, jovens indígenas do Brasil denunciam realidade de violência

Teve início nesta quinta-feira, 17, no Panamá, o Encontro Mundial da Juventude Indígena. A pouco menos de uma semana do início oficial do maior evento juvenil do mundo, cerca de mil jovens pertencentes a populações tradicionais estão reunidos na cidade de Soloy, na diocese de David. Com participação de 10 jovens indígenas do Brasil, o evento é oportunidade para a denúncia da realidade de violência vivida pelos povos originários.

O evento é destinado a refletir e celebrar a fé em Cristo a partir da riqueza milenar das culturas indígenas. “Será uma oportunidade de responder ao convite do Papa Francisco à juventude de serem agradecidos pela história de nossos povos e corajosos aos desafios que nos rodeiam para seguir em frente cheios de esperança na construção de um mundo melhor”, afirmam os organizadores.

Cerimônias ancestrais em comunhão com a natureza, orações e danças tradicionais completam o programa formado pela partilha, por testemunhos, pelo lançamento de um projeto ecológico e por dramatizações das lutas que esses povos enfrentaram, de acordo com notícia publicada pela Agência Fides.

Um dos motes deste evento é “seguir em frente valorizando as memórias do passado, com coragem no presente e esperança para o futuro”, cujo tema é “Assumir a memória do passado para construir o futuro com valentia”.

Na cidade de Soloy, foi construída em um parque uma aldeia tradicional, onde música, danças, artesanato e apresentações artísticas mostram à juventude de todo o mundo a riqueza destas culturas. O encontro também é uma oportunidade para refletir sobre a relação entre a fé cristã e as religiões tradicionais indígenas, acrescentaram os organizadores.

Uma iniciativa realizada no contexto dos povos tradicionais, foi a gravação de uma versão do hino da JMJ na língua ngäbere. A interpretação foi feita por jovens indígenas ngäbe añade, do Panamá, e contam, além das palavras na língua nativa, com instrumentos e o ritmo da dança “jegui”.

Participação do Brasil
De acordo com o Cimi, o Brasil está representado por jovens indígenas dos povos Tukano, Baré, Tikuna, do Amazonas; Pataxó Hã-Hã-Hãe, da Bahia; Guajajara, do Maranhão; Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul; Macuxi, de Roraima; e Karipuna, de Rondônia.

“Estaremos levando as riquezas ancestrais e a força da espiritualidade e da resistência, em garantir o cuidado da Mãe Terra, dos rios, das florestas e guardiões e cuidadores da Casa Comum”, discorre documento preparado pelo grupo. “A casa comum, morada de todos os seres vivos, está sendo ameaçada e atacada pelos projetos de morte em nome do capital econômico”, denunciam. Os indígenas levarão para a esfera internacional as violências sofridas recentemente pelos povos Arara, no Pará, Guarani, no Rio Grande do Sul, Uru Eu Wau Wau e Karipuna, em Rondônia.

“Será uma oportunidade de responder ao convite do papa Francisco feito a juventude, de sermos agradecido pela história dos nossos povos e valente frente aos desafios que nos envolvem para seguir adiante cheios de esperança na construção de outro mundo possível”, afirma a carta convocatória do encontro.

O Cimi relacionou as principais pautas que serão abordadas pelo indígenas brasileiros:

Delegação Brasileira

A delegação do Brasil terá como eixos de participação o debate pelo respeito a cultura e as diversidades étnicas; a proteção dos territórios indígena, para que se evite novos mártires e mortes; a lutar pela demarcação das terras indígenas. Os jovens brasileiros apresentarão as seguintes realidades em encontro de cinco dias:

Invasão do agronegócio nas terras indígenas e as ameaças de exploração dos recursos minerais. São práticas que ameaçam as terras tradicionais preservadas pelos indígenas

Ameaça e criminalização de lideranças indígenas

Poluição e envenenamento dos rios

Crescente desmatamento devido a invasão dos fazendeiros, grileiros e madeireiros em terras indígenas.

A preocupação em relação ao decreto do presidente Jair Bolsonaro, que facilita a compra de armas de fogo no Brasil. Os indígenas serão mais vulneráveis pela violência alimentada pelo agronegócio

A proliferação do alcoolismo, drogas, tráfico humano, prostituição nas comunidades indígenas.

Violação dos direitos constitucionais e a insegurança de comunidades indígenas que estão a mercê da extinção e redução das terras tradicionais

Com informações de Vatican News e Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Fonte: CNBB

O Valor das Coisas | Marcos Piangers

A violência vai crescer na classe média - Roberto Malvezzi (Gogó)


Reza a lenda policial que um menino de 13 anos, filho de um casal de policiais militares de São Paulo, pegou a arma do pai, matou o pai, a mãe, a avó, uma tia e no dia seguinte foi à escola. Quando voltou para casa, cometeu suicídio. É o caso da família Pesseghini. No dizer de Onix Lorenzoni, ele literalmente “liquidou” sua família.

Mais armas vão trazer mais violência para a classe média, assim como nos Estados Unidos. Vamos ter mais acidentes e assassinatos dentro de casa, mais chacinas em shoppings, cinemas, escolas, shows, enfim, lugares públicos frequentados pela classe média.

Crentes e devotos, vai aumentar também a violência nas igrejas, como já aconteceu na Catedral de Campinas. No meio de mil, basta uma pessoa armada e com desejos de matar.

Nas periferias, tanto fez como faz se passarmos de 63 para 100 mil mortes por armas de fogo ao ano. Mortes de pobres e pretos não contam.

Vários irmãos e irmãs de Pastoral da Terra tiveram suas vidas podadas por arma de fogo: Padre Josimo, Irmã Dorothy, Padre Ezequiel Ramin, Irmã Adelaide Molinari, tantos outros e outras. Eles não tinham armas, sabiam do risco de vida que corriam, morreram mesmo não querendo morrer.

Dizem os amigos do Pará que, quando os assassinos de Dorothy a encontraram nas estradas da floresta, lhe perguntaram: “que arma você tem na bolsa?” Ela respondeu, abrindo a bolsa e tirando uma bíblia: “minha arma é essa”. Seguiu viagem e levou seis tiros pelas costas.

José Rodrigues, bispo aqui em Juazeiro da Bahia e já falecido, muito perseguido, teve oferta da polícia para uma equipe de segurança. Ele respondeu: “prefiro levar um tiro que andar preso por uma equipe de segurança”.

Entrar para o time dos pacifistas ou violentos é também uma escolha.

OBS: Nabhan, Secretário de Assuntos Fundiários do atual governo, já avisou que vai sobrar também para a CPT e o CIMI.