18 fevereiro, 2019

Onde esta sua irmã, seu irmão? Onde você está?


Papa: o Senhor nos pergunta onde está o irmão necessitado no nosso coração


À pergunta: “Onde está o teu irmão?”, o Papa Francisco convida a não responder com frases de circunstância. O nosso irmão é o faminto, o doente e o encarcerado.


Assim como a Caim, o Senhor dirige também a nós pessoalmente a pergunta: “Onde está o teu irmão?”. Na homilia da missa na Casa Santa Marta, o Papa exortou a responder pessoalmente, mas não com respostas de circunstância para fugir do problema. Francisco recordou que se trata do irmão doente, encarcerado, faminto, como diz o Evangelho de Mateus no capítulo 25.

O caso de Caim e Abel, proposto pela Primeira Leitura da Liturgia do dia, esteve no centro da reflexão do Papa. Uma leitura que faz parte daquele gênero literário que se repete várias vezes na Bíblia: “podemos chamar de ‘perguntas incômodas’ e respostas de ‘circunstâncias’”. De fato, é “uma pergunta constrangedora” que Deus dirige a Caim: “Onde está o teu irmão?”. E a resposta neste caso é “um pouco de circunstância”, mas também dada para se defender: “Mas o que eu tenho a ver com a vida do meu irmão? Por acaso sou eu o seu custódio? Eu lavo as mãos. E assim Caim tenta escapar do olhar de Deus”, notou o Papa.

Perguntas incômodas

Francisco depois se concentrou nas “perguntas incômodas” que Jesus fez. Muitas vezes as dirigiu a Pedro, por exemplo quando lhe perguntou três vezes: “Me amas?”. Tanto que, no final, Pedro não sabia mais o que responder. Do mesmo modo, perguntou aos discípulos: “O que as pessoas dizem de mim?”. E eles responderam: “um profeta, o Batista ...”. “Mas vós, o que dizeis?”, perguntou Cristo. “Uma pergunta constrangedora.”

Deus a Caim fez outra pergunta: onde está o teu irmão? “Esta é uma pergunta incômoda, disse o Papa, é melhor não fazê-la. E nós conhecemos muitas respostas: mas é a sua vida, eu a respeito, lavo as mãos... eu não me intrometo na vida dos outros”, cada um é livre de escolher a própria estrada... O Papa, com esses exemplos, evidencia que na vida de todos os dias, a essas perguntas incômodas do Senhor, “respondemos um pouco com princípios genéricos que não dizem nada, mas dizem tudo, tudo aquilo que está no coração”.

Respostas de circunstância

Portanto, a cada um de nós o Senhor hoje faz está pergunta: “Onde está o teu irmão?”. Talvez, alguém um pouco mais distraído pode responder que está em casa com a esposa, mas o Papa esclareceu que se trata do irmão doente, faminto, encarcerado, do perseguido pela justiça:

“Onde está o teu irmão?” – “Não sei” – “Mas o teu irmão tem fome!” – “Sim, sim, certamente está almoçando na Caritas da paróquia, sim certamente lhe darão de comer”, e com esta resposta, de circunstância, salvo a minha pele. “Não, o outro, o doente...” – “Certamente está no hospital!” – “Mas não tem lugar no hospital! E os remédios?” – “Mas é uma coisa que diz respeito a ele, eu não posso me intrometer na vida dos outros... terá parentes que lhe darão remédios”, e lavo as mãos. “Onde está o teu irmão, o encarcerado?” – “Ah, está pagando aquilo que merece. Ele cometeu, que pague. Nós estamos cansados de tantos delinquentes na rua: pague”. Mas talvez você nunca vai ouvir esta resposta da boca do Senhor. Onde está o teu irmão? Onde está o teu irmão explorado, que trabalha no mercado informal nove meses por ano para retomar, depois de três meses, outro ano? E assim não existe segurança, não existem férias … “Eh, hoje não existe emprego e se faz aquilo que aparece …”: outra resposta de circunstância .

Com estes exemplos concretos, o Papa pede para que cada um tome esta Palavra do Senhor como se fosse dirigida a cada um de nós pessoalmente:

“O Senhor me pergunta: “onde está o seu irmão?”, e põe o nome dos irmãos que o Senhor nomeia no capítulo 25 de Mateus: o doente, o faminto, o sedento, aquele que não tem roupas, aquele irmão pequenino que não pode ir à escola, o usuário de droga, o encarcerado ... onde está? Onde está o seu irmão em seu coração? Existe espaço para essas pessoas em nosso coração? Ou falamos  sim das pessoas e descarregamos a consciência dando uma esmola.”

Mas que essas pessoas não incomodem muito por favor, porque, continua o Papa, “com essas coisas sociais da Igreja”, acaba parecendo “um partido comunista e isso nos faz mal”. Tudo bem, mas o Senhor disse: onde está seu irmão? Não é o partido, é o Senhor”. “Estamos acostumados a dar respostas de ocasião, respostas para fugir do problema, para não ver o problema e não tocar no problema”.

Francisco pede novamente para “fazer uma lista” de todos aqueles que o Senhor nomeia no capítulo 25 de Mateus. Caso contrário, começa a ser criada “uma vida escura”: o pecado está agachado à sua porta, diz o Senhor a Caim, e “quando carregamos esta vida escura sem tomar pela mão o que o Senhor Jesus nos ensinou, à porta está o pecado, agachado, esperando para entrar e nos destruir”, recorda, exortando também a fazer-se outra pergunta contida no livro do Gênesis, aquela que Deus fez a Adão depois do pecado: “Adão, onde você está”?

“E Adão se escondeu de vergonha, de medo. Talvez tenhamos sentido essa vergonha. Onde está o seu irmão? Onde você está? Em que mundo você vive que  não percebe essas coisas, esses sofrimentos, essas dores? Onde está o seu irmão?... Onde você está? Não se esconda da realidade. Responda abertamente, com lealdade e com alegria a estas duas perguntas do Senhor.”


Fonte: Vatican News

14 fevereiro, 2019

JESÚS AMIGO Y LA VIDA CRISTIANA EN CLAVE DE AMISTAD.



Introducción. Muchas veces al hablar de la identidad de nuestras Comunidades, con toda razón decimos que son Comunidades y que no son simplemente grupos. Peo a veces nos falta explicitar que son precisamente Comunidades de Jesús y que tenemos en el centro a Jesús, nuestro amigo y que nos llama y envía a la construcción del Reino. Se supone que nuestra CEB son Comunidades de Jesús y entre nosotros somos Comunidades de amigos del Señor Jesús.

Un marco importante para ver así nuestras comunidades, es ver a Dios como un Dios amigo y ver la relación entre  nosotros y con Dios a nivel amistad. Y es muy importante dentro de ese marco, ver y sentir a Jesús como amigo. Lo que solemos decir del Reino de Dios y la lucha por la Justicia, está enraizado y brota de esa amistad y fiel seguimiento de Jesús. Recordemos que Jesús eligió a los 12 para estar con Él y para enviarlos como sus mensajeros y testigos del Reino.

En Juan 15,15, en la última cena Jesús nos llama expresamente amigos y esto es una clave iluminadora para vivir y comunicar a Dios como Buena Noticia. Solamente viviendo así, podremos comunicar a los demás la experiencia de Dios como el mejor amigo del Ser Humano. Jesús se nos muestra en el Evangelio impulsado por el amor y la amistad Él es la encarnación del cariño y amistad de Dios hacia la humanidad y eso es muy importante tenerlo presente en nuestro mundo donde tanta falta hace el amor y la amistad.

- LA AMISTAD DE JESÚS Y LA VIDA CRISTIANA EN CLAVE DE AMISTAD. Ambientar el lugar con fotos que expresen Amistad y con un dibujo de  Jesús como amigo y de la Comunidad como Amigos en el Señor Jesús. Cantar  y saborear la canción “Amigo” (de Roberto Carlos) Podemos comenzar también con un testimonio de una Amistad fiel.

VER. Solemos ver la vida cristiana y el llamamiento de Jesús de muchas maneras, pero podemos preguntarnos si realmente en nuestra vida personal y comunitaria vemos a Jesús ante todo como nuestro Amigo. Y podemos preguntarnos si vemos nuestra comunidad como la Comunidad de Jesús y si con los demás miembros de las Comunidades vivimos plenamente como Comunidad de Amigos.

Preguntas: a) Si vemos a Jesús como Redentor y Salvador, pero no tanto como amigo ¿ A qué se debe esto? Y ¿qué consecuencias tiene esto para la vida personal y comunitaria?

b) Si fallamos en ser Comunidad de Amigos en el Señor Jesús ¿a qué se debe esto?

c) Toda la actuación de Jesús está marcada por el signo de la amistad hacia las personas. Podemos pensar sí solemos ver y meditar en el Evangelio  a la luz de Jesús como Amigo, y si sentimos la actuación de Jesús toda ella bajo el signo de la Amistad.

JUZGAR. 1.- JESÚS PROFETA AMIGO. 


a Unas características de la Amistad. La amistad es una forma de amor que se caracteriza por el afecto hacia el amigo o la amiga, y por la búsqueda de Comunión, la entrega personal para promover el bien de la persona amada. Esos rasgos propios de ese amor de amistad la encontramos continuamente en Jesús. Jesús actúa por amor y no por otros intereses. Ahondemos un poquito en ello

 b) Cuatro rasgos de la Amistad de Jesús.                                                                                                
El primer rasgo de la amistad de Jesús es que acoge a cada ser humano personalmente y muy lejos de la indiferencia. Por ejemplo al joven que buscaba orientación, Jesús lo vio con amor (Mc 10, 21). Igual podemos ver cómo Jesús mira a la Mujer llamada pecadora que llora a sus pies (Lc. 7, 48) y con esa mirada de amor, escoge a Pedro, como pequeña piedra de la Iglesia (Mc 8).Jesús reacciona con emoción y se conmueve ante los ciegos que le piden curación Mt 20, 24. Jesús se conmueve y llora ante la muerte de Lázaro y ante el dolor de Marta y María (Jn 11, 33-35) y ante la ciudad de Jerusalén, Jesús llora por esa ciudad y su desgracia (Lc 19, 41). Ante las situaciones de dolor y sufrimiento siempre brota el afecto de Jesús lleno de ternura.

Un segundo rasgo de la amistad de Jesús es querer y buscar el bien de la persona. Así Jesús se conmueve y actúa cuando ve a la multitud como ovejas sin pastor (Mc 6, 33). Jesús también tiene una amistad especial con Marta, María y resucita a Lázaro (Jn 11, 5) y también con Pedro que lo había negado (Lc 22, 61).

Un tercer rasgo de la amistad de Jesús es la compasión de Jesús con el que sufre o se encuentra mal. Jesús se conmueve ante la multitud con hambre (Mt 15,32), ante el leproso que le pide lo cure (Mc 1, 40-41), y ante  la viuda cuyo hijo acaba de fallecer (Lc 7, 13).

Un cuarto rasgo de la amistad de Jesús es la entrega gratuita entregando su tiempo, sus fuerzas y su vida entera. Jesús no vino a ser servido, sino a servir y dar su vida. (Mc 10, 45) y tiene especial amistad y cercanía con los excluidos de la convivencia social y religiosa de su tiempo como eran los publicanos, las mujeres en situación de prostitución, y por eso sus enemigos lo acusan de ser amigo de publicanos y pecadores (Mt 11, 19).

Preguntas:

 a) ¿Cómo esos 4 rasgos de la Amistad de Jesús están presentes en nuestra vida personal y  comunitaria?

b) ¿Cuáles de esos 4 rasgos están más débiles en nuestra Comunidad y por qué?
 
2.- JESÚS AMIGO DE SUS DISCÍPULOS- DISCÍPULAS- CON ELLAS SE FORMA LA COMUNIDAD DE JESÚS. 

 a) Los Evangelios resaltan la amistad honda y entrañable que Jesús vive con sus discípulos. Los llama para que estén con Él  y los llama “amigos míos” (Lc 12,4) Jesús es quien los elige e invita a vivir su amistad (Jn 15, 16) y los elige para estar con Él y poder anunciar así la Buena Noticia de Dios experimentado como amigo (Mc 3, 13-14). La fe de los discípulos va creciendo en esa convivencia amistosa con Jesús, en ese compartir de cerca su vida e ir descubriendo el misterio de Dios como Padre Jesús les dice y nos dice: Les llamo amigos porque lo que oí de mi Padre se los he comunicado (Jn 15, 15).Notemos que no es una amistad intimista encerrada en su círculo. Jesús les llama y nos llama a estar con Él, compenetrarse de su experiencia de Dios Padre Amoroso y de su pasión por el Reino.

b) La identificación de Jesús y sus  discípulos-as, es tal la relación de afecto y amistad entre Jesús y sus discípulos que Él nos dice que el que los reciben, lo recibe a Él y el que los escucha, los escucha a Él (Lc 10, 16). Incluso al discípulo traidor, Jesús lo llama amigo (Mt 26, 50)                    

c) A través de su amistad Jesús nos revela el amor de Dios y nos da el Mandamiento Nuevo. Jesús con su amistad nos revela que el Padre mismo nos quiere (Jn 16,27) y de esa amistad brota un estilo nuevo de vida: Vivir en el amor. Como el Padre me ama, yo lo amo a usted, permanezcan en mi amor, este es mi mandamiento, que se amen los unos con los otros como yo los he amado (Jn 15, 9-10.12). Su entrega en la Cruz es la culminación de su amor. Habiendo amado a los suyos, los amó hasta el extremo (Jn 13,1). Y a todos nos dice: Nadie tiene mayor amor que el que da la vida por sus amigos (Jn 15, 13).  Por eso con claridad nos dice el Evangelio: Jesús, habiendo amado a los suyos, los amó hasta el extremo (Jn 13,1).

ACTUAR.

 a) Qué vamos a hacer para procurar que esté más viva y presente en nuestra oración y en nuestro actuar personal la relación con Jesús como Amigo?                                 

 b) Qué vamos a  hacer para que más plenamente nuestras Comunidades tengan en el centro a Jesús como Amigo y que desde esa Amistad nos envía a ser constructores del Reino?    

 c) Qué vamos a hacer en concreto para que nuestras Comunidades sean plenamente Comunidades de Amigos-as como lo fue la Comunidad de Jesús con sus discípulas-os?

Arnaldo Zenteno  desde la Mesa CEB de Profetismo y Compromiso Ciudadano. en el día de la Amistad febrero de 2019.

Esse é o nosso Francisco!


A Leitura da Bíblia a partir dos Pobres e com os Pobres

 É uma triste vergonha que, a esta altura, grande parte da humanidade ainda esteja nas trevas da ignorância, ausente dos processos históricos de transformação, sem se sentir agente de sua própria história.

Sebastião Salgado – imagem da internet  

A Leitura da Bíblia a partir dos Pobres e com os Pobres

Cada vez mais, em nossos tempos, cresce a exigência de intensificar os processos de educação popular. É uma triste vergonha que, a esta altura, grande parte da humanidade ainda esteja nas trevas da ignorância, ausente dos processos históricos de transformação, sem se sentir agente de sua própria história. Para nós é claro que o processo de leitura da Bíblia é necessariamente um desses processos. Afinal, a Bíblia nasceu da experiência do povo através de séculos. Nela está contida a riqueza de uma tradição cujas raízes estão na luta pela liberdade do povo (cf. Ex 1-15), na recusa da dominação dos poderosos (cf. Jz 4-5; 9) e no esforço de voltar sempre de novo às fontes de sua identidade (cf. Is 40-66). Pela história, sabemos que o movimento popular medieval, que aflorou com tanta força em líderes eremitas nas montanhas da Itália, e em grandes personalidades tais Joaquim de Fiori, Francisco de Assis e Pedro Valdo, além do protagonismo de muitas mulheres injustamente condenadas como “bruxas”, aquele movimento achava suas origens últimas nas histórias bíblicas, nas antigas profecias, nos salmos e no exemplo sempre vivo de Jesus de Nazaré e de seus Apóstolos; chegava a se chamar de “apostólico”, imitador dos antigos discípulos de Jesus (cf. Mt 10 e Lc 10). É verdade ainda hoje, quem se acostuma a frequentar a Bíblia não pode se recusar a reconhecer que se trata de uma “escola de liberdade”, a começar da descoberta de que cada pessoa humana tem a mesma dignidade e transcendência, ninguém é maior que ninguém (cf. Gl 4 a 5). Basta prestar atenção ao que se dá nas Comunidades de Base, ambiente onde o povo redescobre sua dignidade e seu protagonismo na comunidade da Igreja e na sociedade.

“Educação popular” é um método já testado suficientemente no Brasil e em muitas partes do mundo. Tivemos, por exemplo, o MEB (Movimento de Educação de Base), parceria entre o Ministério da Educação e a Igreja; tivemos os “círculos de cultura” liderados e inspirados pelo método Paulo Freire de alfabetização, primeiro no Brasil e depois em outros países da Afroameríndia, nos próprios Estados Unidos e na África, com apoio do Conselho Mundial de Igrejas e da Organização das Nações Unidas. Reavivar nos dias de hoje esse processo é necessário e urgente, como caminho de ascensão de nossos povos no rumo da participação democrática. Nas Igrejas cristãs, torna-se cada vez mais urgente retomar a leitura popular da Bíblia como método de educação popular, com a consciência muita clara do princípio proclamado pelo grande educador Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho; nós nos educamos em comunhão”. É claro que a trajetória da própria vida coincide com o “caminho” da educação, para que nos tornemos cada vez mais pessoas lúcidas (“ilustradas”), livres e sempre mais amorosas. A Leitura Popular da Bíblia é um desses caminhos, pois se trata de um método no qual o “popular” é protagonista e o terreno fértil é a vivência em “comunidade”. Por isso se fala de Leitura Popular e Comunitária da Bíblia. Educar vem do verbo latino “e-ducere”, a saber, conduzir a partir de dentro, tirar de dentro, fazer aparecer as potencialidades da pessoa.

Sabemos que o termo “método” vem da expressão grega “metà-hodós” que quer dizer “pelo caminho”, a saber, “método” é o caminho pelo qual nós nos aproximamos da realidade. Na Modernidade, no auge da embriaguez da Cíência, “método” passou a designar procedimento “científico” para abordar a realidade. Quem sabe, devíamos voltar à noção antiga de simplesmente “caminho disciplinado”. A Teologia, por exemplo, que na Idade Média estava no topo da pirâmide do saber, não cabe na noção moderna de “ciência”, pois a Ciência exige que se fique no campo da racionalidade, enquanto a Teologia se move nos terrenos da “racionabilidade” ou “razoabilidade”, não por defeito, mas por excesso, pois a “razoabilidade” nos concede um trampolim para ultrapassar as “razões da razão” e chegar a alcançar as “razões do amor”.

Para a leitura bíblica, é inegável, as ciências modernas trouxeram significativa contribuição, particularmente através do chamado “Método Histórico–Crítico” que se desdobra em diversos e grandemente úteis procedimentos científicos de observação e penetração do texto. Mas essa é só a primeira etapa no processo de interpretação. Com a chamadaCrítica Textual temos a chance de poder, com mais segurança, analisar e comparar os manuscritos antigos e discernir para chegar aos textos mais primitivos da Bíblia. A Crítica Literária nos permite distinguir entre textos autênticos e interpolações ou acréscimos que não são do autor primitivo, de tal forma que assim se pode perceber como o texto cresceu ou se modificou ao longo do tempo, para melhor ou para pior. Além disso, nos permite perceber o que, na Antiguidade, significava realmente atribuir um texto a determinado autor: muitas vezes se trata mais de “patrono” de um escrito ou de uma corrente de pensamento do que de “autor” no sentido moderno do termo. A Crítica Histórica, mediante subsídios da Arqueologia, da Geografia e da História, nos possibilita confirmar nos textos o que são notícias realmente históricas e o que são crenças, criações literárias, confusão entre épocas e lugares diferentes, etc. Em época mais recente, temos tido a Crítica ou História das Formas que nos tem ajudado a identificar na Bíblia os diversos gêneros (ou “formas”) literários e, com “olhar sociológico”, perceber o “contexto vital” (o “Sitz im Leben”, ou “lugar na vida”, como cunharam os alemães) em que as comunidades antigas produziram seus testemunhos, tantas vezes orais e em seguida escritos: história, mitos, fábulas, prosa, leis, poemas, hinos, parábolas, provérbios, ditos e reflexões sapienciais, narrações de milagres, narrações “novelescas”, evangelhos, epístolas, apocalipses etc. Finalmente, ficou mais fácil distinguir entre o material que já vinha da “tradição” e o que é “toque redacional” posterior, com a possibilidade de estabelecer, em grande parte, a “história da tradição” e a “história da redação” de um escrito. Mais recentemente, temos tido a ajuda da Análise Literária ou Retórica que nos capacita a perceber melhor o jogo literário impresso na composição e estrutura do texto final que possuímos diante dos olhos, algumas obras são de alto valor de arte literária, como, por exemplo, a poesia de Isaías, de Jó, de Amós, de Oséias, dos salmos, de João evangelista e tantos outros.

Isso aí, quanto a contribuições metodológicas mais recentes. Devemos, no entanto, reconhecer que já desde a Antiguidade sempre se buscou uma maneira sistemática de abordar os textos. O grande teólogo e analista da Bíblia, Orígenes, foi um dos mais famosos nessa tarefa. Na Era Patrística, chegou-se a estabelecer um procedimento de leitura bastante sistemático, que estabelecia quatro sentidos das Escrituras: começava-se pela pesquisa do “sentido literal ou histórico” do texto, ou seja, o que diz imediatamente o “corpo” do texto que está diante dos olhos do leitor; daí se passava ao “sentido espiritual”, ou seja, o que de espírito se comunica naquele “corpo”. Se as Escrituras são obra divinamente “inspirada”, deve haver um “sentido mais pleno” que é realmente o “recado” intencionado pelo Espírito. Isso se buscava em três níveis: o “sentido alegórico” (nele também se inclui o que se chama de “sentido tipológico”, quando uma figura ou acontecimento do AT antecipa personagens e realidades que se dão no NT), ou seja, o que está em outro (“állos”) plano, para além da pura letra e, desse modo, nos fala acerca de Cristo e dos mistérios de Deus, revelados na história e em Sua Igreja; em seguida, de que modo o texto nos pode orientar na prática da vida de acordo com o que aprendemos de Jesus, a saber, como orientar nosso comportamento à semelhança de nosso Irmão maior e de quem O seguiu, é o sentido “tropológico” (o “caminho” prático, ético); finalmente, o que o texto pode nos dizer acerca de nosso destino, do futuro, de nossa plenitude, é osentido “anagógico” ou “escatológico” (o que está adiante e nos eleva).

Na Idade Média, particularmente a partir do ambiente monástico, se formulou a chamada “Lectio Divina”, ou leitura que nos introduz nos mistérios divinos. Começa-se pela “Lectio”, pela leitura atenta da letra do texto, para que nos possa penetrar. O passo seguinte é a “Meditatio”, a ruminação ou penetração do texto, momento em que se busca compreender a mensagem que nos é endereçada, é o passo em que cabe aquilo que chamamos de “exegese” ou compreensão do texto, mediante elementos que o aproximem de nós. Penetrar o texto, porém, nos provoca a sensação de estar diante de algo que nos ultrapassa, daí por que é como se interrompêssemos a leitura e tivéssemos de invocar o auxílio divino que nos abra para compreender de acordo com o Espírito, é o momento da “Oratio”, a oração que nos chama a escutar o Espírito. Finalmente, o texto nos conduz à “Contemplatio”, contemplação das obras de Deus narradas pelo texto, o que nos abre os olhos para perceber as obras que Deus já realizou na antiga História da Salvação e continua a realizar em nossa vida e em Seu mundo, por Ele criado; nosso mundo está em continuidade com o mundo antigo que nos é trazido pelo texto, e que é, em última análise, a Criação de Deus na qual estamos envolvidos/as como produto (obra particular) e, ao mesmo tempo, “macho e fêmea, imagem plural de Deus”, como cuidadores e cuidadoras de todo o conjunto (cf. Gn 1, 26-31; 2, 15). O texto de Gênesis nos convoca à mesma atitude contemplativa do próprio Criador: “E Deus olhou e exclamou: “Que bonito!” (cf. Gn 1 a 2).

Quando falamos de Leitura Popular e Comunitária da Bíblia, não estamos a pensar, primeiramente, num novo procedimento científico para abordar os textos. Temos a liberdade de tirar proveito de todos os “métodos” científicos já testados até hoje. Trata-se, isto sim, de uma nova perspectiva hermenêutica e de um novo “jeito” de ler o texto e utilizar os diversos “métodos” que nos ajudem a deixá-lo falar a nós hoje.

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About Sebastião Armando (225 Articles)

Nascido em São Miguel dos Campos, Alagoas, de família cristã, terceiro de cinco filhos, Dom Sebastião Armando Gameleira Soares fez seus estudos secundários no Seminário Metropolitano de Maceió e estudos de Filosofia no Seminário de Olinda, Pernambuco. Obteve o bacharelado e o mestrado em Teologia na Universidade Gregoriana, de Roma, com dissertação sobre Santo Anselmo, Arcebispo de Cantuária. Obteve também o mestrado em Ciências Bíblicas, no Instituto Bíblico, de Roma, com dissertações sobre o Livro dos Salmos e o Livro de Isaías, e o mestrado em Filosofia na Universidade Lateranense, de Roma, com dissertação sobre a obra do filósofo brasileiro Henrique de Lima Vaz. Ainda em Roma, fez Especialização em Sociologia, na Universidade dos Estudos Sociais, com trabalho sobre a obra de Gilber to Freyre. É também bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda.No Nordeste, por vários anos, foi professor do Instituto de Teologia do Recife-ITER, do qual foi também Diretor de Estudos. Foi assessor membro da equipe do Departamento de Pesquisa e Assessoria-DEPA para formação teológica. Foi assessor da CNBB e da CRB do Nordeste II. É membro do Centro de Estudos Bíblicos-CEBI, do qual foi diretor nacional e coordenador do Programa de Formação. Foi ordenado presbítero na Comunhão Anglicana em 1997, já sendo professor e reitor do Seminário Anglicano no Recife. Em 1998 participou da Conferência de Lambeth, encontro mundial do episcopado anglicano, em Cantuária, na Inglaterra, como membro da equipe de assessoria no tema "Evangelização", convidado pelo Arcebispo de Cantuária, por indicação dos Bispos do Brasil. Foi eleito bispo no ano 2000 para a Diocese Anglicana de Pelotas-RS, e em 2006 eleito para a Diocese Anglicana do Recife (Região Nordeste). Em 2008, voltou a participar da Conferência de Lambeth, dessa vez já como bispo. Tornou-se emérito em dezembro de 2013. É casado há 42 anos com Maria Madalena, também alagoana. assistente social, com quem tem três filhas e um filho. Hoje se dedica particularmente ao Ministério da Palavra (estudos bíblicos e teológicos, em especial Leitura Popular da Bíblia, Anglicanismo, Escolas de Fé e Política, e Espiritualidade) em fronteira ecumênica, e junto com Madalena coordena um projeto social ("Casa Ecumênica - Crer & Ser") com crianças e suas famílias, no Alto do Moura, em Caruaru-Pernambuco, Brasil.

Fonte: http://domsebastiaoarmandogameleira.com


11 fevereiro, 2019

“Queremos neutralizar isso aí”: generais de Bolsonaro agem para calar Igreja Católica

Setores de Inteligência querem silenciar setores progressistas do clero que irão participar de encontro no Vaticano

Setores da Igreja Católica são vistos como polos da oposição ao governo Bolsonaro / Diocese de Paulo Afonso 

Em outubro, cardeais e bispos da Igreja Católica se reunirão no Vaticano para discutir a situação da floresta amazônica. O evento, chamado de Sínodo, é um encontro do clero que irá debater a realidade de índios, ribeirinhos e povos da floresta, além de políticas de desenvolvimento da região, mudanças climáticas e conflitos agrário. A existência dessa conferência motivou preocupação do governo, que vê as pautas como “agenda da esquerda”.
Reportagem do Estado de S. Paulo, divulgada neste domingo (10), mostra que o governo encara com preocupação a atuação da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) e dos órgão associados, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e as pastorais Carcerária e da Terra.
A reportagem traz declarações de Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que afirma que o governo está preocupado. “Queremos neutralizar isso aí”, declarou o responsável pela contraofensiva.
Para tentar conter as possíveis denúncias da Igreja, o governo solicitou participar do Sínodo, o que é pouco ortodoxo. Lideranças católicas dizem que governos não costumam participar dessas conferências, que terão a participação do Papa Francisco, visto como “comunista” pelo governo Bolsonaro.
Além disso, escritório da Abin em Manaus (AM), Belém e Marabá (PA), além de Boa Vista (RR), responsável pelo monitoramento de estrangeiros em  Raposa Terra do Sol e terras ianomâmi, serão direcionados para monitorar, em paróquias e dioceses, as reuniões preparatórias para o Sínodo. O governo também irá se aliar a governadores, prefeitos e autoridades eclesiásticas próximas aos quartéis, para tentar diminuir o alcance da conferência.
Um militar da equipe de Bolsonaro afirmou à reportagem do Estado, em condição de anonimato, que o Sínodo vai contra toda a política de Bolsonaro para região e deverá “recrudescer o discurso ideológico da esquerda".
“O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia. A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso”, declarou Heleno.
O evento, batizado de  “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, terá como diretrizes: “Ver” o clamor dos povos amazônicos; “Discernir” o Evangelho na floresta. O grito dos índios é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito; e “Agir” para a defesa de uma Igreja com “rosto amazônico”, e deverá ser atendido por 250 bispos.
“Se os bispos fazem crítica é querendo ajudar, não derrubar. Eles sabem onde o sapato aperta. Vão falar da situação dos povos e do bioma ameaçado. Mas não para atacar frontalmente o governo”, disse D. Erwin Kräutler, Bispo Emérito do Xingu (PA). 

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Brasil de Fato | São Paulo (SP), 10 de Fevereiro de 2019 às 15:24
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Enfermo

“Recebeste de graça, dai de graça”, trecho do Evangelho de Mateus, é o tema do texto do Santo Padre.  


Mensagem de sua Santidade Francisco para o XXVII Dia Mundial do Doente

(11 DE FEVEREIRO DE 2019)

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8)

Queridos irmãos e irmãs!

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.

Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

A vida é dom de Deus, pois – como adverte São Paulo – «que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o diálogo, que abre espaços relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exercício do poder na sociedade. O dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e supõe o desejo de estabelecer um vínculo. Assim, antes de mais nada, o dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo.

Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência.

Esta consciência impele-nos a uma práxis responsável e responsabilizadora, tendo em vista um bem que é indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, não como um mundo fechado em si mesmo, mas como alguém que, por sua natureza, está ligado a todos os outros, originariamente sentidos como «irmãos», é possível uma práxis social solidária, orientada para o bem comum. Não devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que teríamos necessidade, porque não conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas forças, vencer todos os limites. Não temamos este reconhecimento, porque o próprio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf. Flp 2, 8), e rebaixa, até nós e até às nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poderíamos ter.

Aproveitando a circunstância desta celebração solene na Índia, quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes. Como dizia na sua canonização, «Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (...) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a “luz” que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres» (Homilia, 4/IX/2016).

A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de ação deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agradeço e encorajo todas as associações de voluntariado que se ocupam do transporte e assistência dos doentes, aquelas que providenciam nas doações de sangue, tecidos e órgãos. Um campo especial onde a vossa presença expressa a solicitude da Igreja é o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibilização e da prevenção. Revestem-se de importância fundamental os vossos serviços de voluntariado nas estruturas sanitárias e no domicílio, que vão da assistência sanitária ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, sós, idosas, com fragilidades psíquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presença da Igreja no mundo secularizado. O voluntário é um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emoções; através da escuta, ele cria as condições para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma relação de reciprocidade, capaz de recuperar a esperança, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. Deste modo realiza-se também a humanização dos tratamentos.

A dimensão da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanitárias católicas, porque é a lógica evangélica que qualifica a sua ação, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas católicas são chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta à lógica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da exploração que não respeita as pessoas.

Exorto-vos a todos, nos vários níveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte. As instituições sanitárias católicas não deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a saúde é relacional, depende da interação com os outros e precisa de confiança, amizade e solidariedade; é um bem que só se pode gozar «plenamente», se for partilhado. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão.

A todos vos confio a Maria, Salus infirmorum. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio-vos de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, 25 de novembro de 2018.

 Franciscus

08 fevereiro, 2019

“A morte é um dia que vale a pena viver.”

É médica especializada em cuidados paliativos e está em Portugal para apresentar um livro sobre a morte. Ana Cláudia Arantes diz que andamos a desperdiçar o tempo e, no final, ninguém morre por nós.

“A morte é um dia que vale a pena viver.” Será, por ventura, difícil encontrar livros com um título que tão diretamente aborda a morte. A obra que Ana Cláudia Quintana Arantes lançou no Brasil em 2016, e que agora chega às livrarias portuguesas pela editora Oficina do Livro/LeYa, é uma conversa sobre a morte, sobre morrer, esse derradeiro ato de entrega que só pode ser protagonizado por quem o vive, seja rico ou pobre, jovem ou velho.
Ana Cláudia trabalha na área de cuidados paliativos há mais de duas décadas. Antes de conversar com o Observador a propósito do recém-chegado livro ao mercado nacional era conhecida por ser a médica que lê poemas aos pacientes, que “prescreve poesia na lida diária com a morte”. O ato inusitado valeu-lhe, em 2012, a participação numa conferência TEDx, a mesma que, chegada ao YouTube, tornou-se das mais vistas naquele país (são quase 2 milhões de visualizações) e 
A mensagem da autora está longe de ser mórbida. Ana Claudia — que por estes dias está em território luso para apresentar o seu bestseller e para dar um ciclo de palestras (dia 29 no Centro Hospitalar Universitário, em Faro, às 18h, e dia 30 na Livraria Buchholz, em Lisboa, às 18h30) — quer convidar os leitores a fazer melhor uso do tempo, a não ter medo de conversar sobre a morte e a serem protagonistas de uma vida que, se não tivermos atenção, corre depressa demais:
“Podemos transferir a escolha da profissão — podemos fazer algo que a nossa mãe ou o nosso pai quer, mas que não é o que queremos realmente fazer –, podemos casar-nos com uma pessoa que todos acham que é a melhor para nós, mas que não é a pessoa que amamos… Abrimos mão de ser protagonistas da nossa vida. Só que no nosso morrer, não há quem faça isso no nosso lugar, somos nós que temos de o fazer. Há pessoas que só vão ser protagonistas da própria vida na hora de morrer porque nunca foram a pessoa mais importante da própria vida. Morrer é um processo muito intenso e pode ser muito doloroso para aquelas pessoas que nunca viveram a própria vida.”serviu de mote para esta obra.
Fonte: Observador

Inscrições abertas para a Escola de Cultura, Fé e Política 2019 - Arquidiocese de Maringá


Escola de Cultura, Fé e Política 
Inscrições abertas para a Escola de Cultura, Fé e Política 2019 

Para quem aspira formação, estão abertas as inscrições para a Escola de Cultura, Fé e Política da Arquidiocese de Maringá. Elas podem ser feitas pelo site www.aras.org.br ou pelo telefone (44) 3263-4887. As aulas começam dia 13 de março, sempre às quartas-feiras das 20h às 22h30, no Centro Pastoral Arquidiocesano (CEPA).

O QUE É?

A Escola de Cultura, Fé e Política é um es­paço de debate e reflexão sobre temas que compõem o cotidiano da nossa sociedade na relação teórico-prática. É um projeto que, en­tendendo a política como promotora do bem comum, contribui com a formação dos sujeitos eclesiais e sociais, por meio de uma reflexão bíblica, teológica, filosófica e sociológica.

QUAL É O OBJETIVO DA ESCOLA?

A Escola visa contribuir para a formação da/o cidadã/o, seja ela/e cristã/o ou não, capacitando-a para exercer sua cidadania junto às comunidades, pastorais, movimentos e organizações, colaborando assim para a construção da sociedade do Bem-viver.

ESPECIFICAMENTE, O QUE SE PRETENDE?

Fomentar espaços de debate e reflexão crítica nas relações da cultura, fé e política para o fortalecimento de princípios e valores humanos.

Contribuir na formação de assessores\as e lideranças para o protagonismo e fortalecimento das comunidades, pastorais e movimentos sociais e populares.

Reconhecer os vários espaços das funções públicas, eletivas ou não, no campo da política partidária ou das organizações comunitárias, no exercício da cidadania e do bem comum como ferramenta para a construção da sociedade do Bem-viver;

Integrar o ensino, a pesquisa e a extensão com as demandas sociais por meio do comprometimento dos participantes do curso em atividades que desenvolvam o local e\ou a região.

MÓDULOS - TEMAS TRABALHADOS NO 1º ANO

1º - Relações entre Cultura, Fé e Política na Bíblia;

2º - Igreja e Sociedade I: Do Início do Cristia­nismo ao Surgimento da Doutrina Social da Igreja;

3º - Igreja e Sociedade II: Introdução à Doutri­na Social da Igreja;

4º - A Organização Social da Igreja no Brasil;

5º - Organização Política e Movimentos Sociais no Brasil;

6º - Modelo econômico, reestruturação produtiva e o mundo do trabalho;

7º - Mídia, Direito e Sociedade - Participação cidadã;

8º - O Papel da Leiga e do Leigo na Igreja e na Sociedade;

*** Todos os módulos são ministrados por pro­fessores (as) graduados (as), com formação nes­sas áreas de conhecimentos, podendo ter títulos de Especialização, Mestrado e\ou Doutorado.


INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CURSO

Carga Horária: 96 horas (presenciais)
Dia de aula: quartas-feiras
Horário: das 20h às 22h30.
Duração: O Curso está dividido em duas etapas de um ano cada.
Período: De março à novembro (recesso em Julho)

Quem pode participar? Todos (as) os (as) in­teressados (as).

Número de vagas: as turmas têm capacidade mínima para 15 alunos e máxima para 40.

Metodologia: Cada hora-aula tem 60 minu­tos. As aulas são expositivas e os professores contam com equipamentos tradicionais e recursos multimídia. Os materiais, tanto dos alunos quanto para uso dos professores, são fornecidos pela ARAS Cáritas.

Produção: Durante as aulas, são realizadas atividades (individuais e em grupo) de com­preensão e interpretação do texto, desenvol­vimento de produção textual com elementos complementares, exercícios de fixação.

Outras Atividades: leituras dirigidas, semi­nários, palestras, conferências, debates e\ou participação em eventos, dinâmicas, pesqui­sas de campo, visitas técnicas (quando ne­cessário).

Contribuição mensal: R$ 30,00 (trinta reais).

Início das aulas: 13 de março de 2019

Certificação: Ao final do curso, o aluno com aproveitamento mínimo de 60% e assidui­dade mínima de 75% recebe o certificado de conclusão do curso.

Durante todo o processo, os alunos são convidados a atuarem como multiplicadores, voluntários e/ou associados, participando do dia-a-dia e dos projetos sociais desenvolvidos pela entidade; uma maneira de colocar em prática a teoria adquirida e refletida durante as aulas.

Nota da Pastoral Carcerária Nacional sobre as alterações na legislação proposta pelo ministro Sergio Moro



Por Pastoral Carcerária  Postado em 6 de fevereiro de 2019  Em Agenda Nacional pelo Desencareramento, Notícias  

A Pastoral Carcerária Nacional vem, por meio desta nota oficial, manifestar seu repúdio ao pacote de alterações na legislação anunciado nesta segunda-feira (4) pelo ministro da justiça Sérgio Moro.

O pacote propõe a alteração de 14 pontos do Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos e Código Eleitoral. Ele será enviado ao Congresso Nacional, para debate e votação.

O ministro alega que tais mudanças têm como objetivo “combater crimes violentos, organizações criminosas e a corrupção” no país; no entanto, o resultado desse pacote seria o aumento do encarceramento em massa, do endurecimento penal e da letalidade policial.

Uma das propostas do ministro é formalizar as prisões em segunda instância, que ignoram o conceito da presunção da inocência e colocam atrás das grades muitas pessoas que não tiveram sua sentença definida. Dados do CNJ revelam que cerca de 40% da população prisional é composta por presos provisórios, e essa medida só vai agravar este cenário, superlotando ainda mais as prisões.

É sempre bom lembrar que o Brasil é atualmente o terceiro país do mundo que mais encarcera, e a violência não deixa de aumentar por conta disso, pois o cárcere em si é alimentador do círculo de violência.

Também a alteração do artigo 25 do Código Penal é extremamente preocupante. A proposta considera como legítima defesa que agentes policiais ou de segurança pública previnam agressões em conflitos armados.

Esse “excludente de ilicitude” irá diminuir as investigações de mortes cometidas por policiais, dando margem para o aumento da letalidade policial, que já é uma das maiores do mundo: segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 5144 pessoas foram mortas pela polícia brasileira em 2017, o que correspondeu a 8% de todos os assassinatos do país.

A Pastoral Carcerária, aliada com outras organizações sociais, enxerga que, para combater a violência efetivamente, é preciso combater o cárcere. Se faz necessário revisar princípios e conceitos sobre o sistema prisional e compreender que é uma questão de injustiça e desigualdade social, onde os mais vulneráveis são responsabilizados.

Temos como horizonte a Agenda Nacional pelo Desencarceramento, que propõe o desencarceramento, a desmilitarização e formas alternativas de resolução de conflitos. Sendo assim, não podemos concordar com o pacote de medidas do ministro da justiça, que contradiz em sua raiz o conceito cristão de não violência e amor à vida, pois temos a certeza de que mais encarceramento, punição e mortes por agentes do estado irão apenas gerar mais violência.

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. A maioria da população carcerária é composta de jovens, negros e pobres, que em sua maioria só conhecem uma política pública do estado: a prisão.

Enquanto esse cenário não mudar e se pensarem políticas públicas favoráveis ao desencarceramento e ao fim da desigualdade social, a violência em todo o país só tende a crescer.

Pastoral Carcerária Nacional

05 de fevereiro de 2019

Igreja no Brasil celebra o Mês da Bíblia 2019 com o estudo da Primeira Carta de João



O mês de setembro se tornou referência para o estudo e a contemplação da Palavra de Deus, tornando-se em todo o Brasil, desde 1971, o Mês da Bíblia. Desde o Concílio Vaticano II, convocado em dezembro de 1961, pelo papa João XXIII, a Bíblia ocupou espaço privilegiado na família, nos círculos bíblicos, na catequese, nos grupos de reflexão, nas comunidades eclesiais.

Este ano, 2019, será o 48º em que a Igreja no Brasil comemora o Mês da Bíblia. Neste sentido, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dando continuidade ao ciclo do tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” propôs para o Mês da Bíblia o estudo da Primeira Carta de João, com destaque para o lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). 

Dom Peruzzo, presidente da Comissão ressalta que o texto-base não se trata de um livro para especialistas, tampouco para quem desconhece a Primeira Carta de João. “Certamente servirá de aprofundamento para agentes de pastoral, para animadores de comunidades, para catequistas (…)”, afirmou o bispo.

Ele garante também que a boa didática e a sensibilidade pedagógica presentes nas páginas escritas pelo autor, o professor Cláudio Malzoni, de Recife, ensejarão grande apreço por este escrito do Novo Testamento.  “Que o estudo da Primeira Carta de João mova-nos e comova-nos a diálogos fraternos e a convivências pacificadoras, amando-nos uns aos outros”, exorta o bispo.

No texto-base, lançado pela Editora CNBB, logo em suas primeiras páginas são dadas algumas orientações básicas sobre a Primeira Carta de João, importantes para situá-la em seu contexto histórico, literário e teológico. À medida que o leitor avança poderá encontrar informações básicas referentes ao gênero literário, ao autor e aos interlocutores, aos temas teológicos principais, à época e ao lugar de composição da Carta. Nos capítulos seguintes, o autor busca fazer uma exposição passo a passo.

O subsídio já está à venda e pode ser adquirido no site da Edições CNBB: www.edicoescnbb.com.br