14 junho, 2021

Bonito será...


‘A pobreza não é fruto do destino, é consequência do egoísmo’

 

‘A pobreza não é fruto do destino, é consequência do egoísmo’

Novas formas de pobreza

“O Evangelho de Cristo impele a ter uma atenção muito particular para com os pobres e requer que se reconheça as múltiplas, demasiadas, formas de desordem moral e social que sempre geram novas formas de pobreza” alerta o Papa e prossegue afirmando:

“Um mercado que ignora ou discrimina os princípios éticos cria condições desumanas que se abatem sobre pessoas que já vivem em condições precárias. Deste modo assiste-se à criação incessante de armadilhas novas da miséria e da exclusão, produzidas por agentes económicos e financeiros sem escrúpulos, desprovidos de sentido humanitário e responsabilidade social”.

Pandemia: agravamento da pobreza

O Papa não deixa de recordar da pandemia que agravou a situação de todos os pobres além de levar muitos à pobreza em toda as partes do mundo: “Esta continua a bater à porta de milhões de pessoas e, mesmo quando não traz consigo o sofrimento e a morte, todavia é portadora de pobreza”. “É urgente dar respostas concretas a quantos padecem o desemprego, que atinge de maneira dramática tantos pais de família, mulheres e jovens. A solidariedade social e a generosidade de que muitos, graças a Deus, são capazes, juntamente com projetos clarividentes de promoção humana, estão a dar e darão um contributo muito importante nesta conjuntura”.

Individualismo cúmplice na geração de pobreza

Quais seriam os caminhos? Francisco traça algumas sugestões depois de questionar “Como se pode dar uma resposta palpável aos milhões de pobres que tantas vezes, como resposta, só encontram a indiferença, quando não a aversão? Qual caminho de justiça é necessário percorrer para que as desigualdades sociais possam ser superadas e seja restituída a dignidade humana tão frequentemente espezinhada?”. E a resposta vem da reflexão: “Um estilo de vida individualista é cúmplice na geração da pobreza e, muitas vezes, descarrega sobre os pobres toda a responsabilidade da sua condição. Mas a pobreza não é fruto do destino; é consequência do egoísmo. Portanto é decisivo dar vida a processos de desenvolvimento onde se valorizem as capacidades de todos, para que a complementaridade das competências e a diversidade das funções conduzam a um recurso comum de participação”.

Dignidade de filhos de Deus

Ao falar da dignidade e da riqueza que os pobres podem nos dar o Papa recorda: “Os pobres ensinam-nos frequentemente a solidariedade e a partilha. É verdade que são pessoas a quem falta algo e por vezes até muito, se não mesmo o necessário; mas não falta tudo, porque conservam a dignidade de filhos de Deus que nada e ninguém lhes pode tirar”.

Uma nova abordagem da pobreza

Em seguida pondera: “Impõe-se, pois, uma abordagem diferente da pobreza. É um desafio que os governos e as instituições mundiais precisam de perfilhar, com um modelo social clarividente, capaz de enfrentar as novas formas de pobreza que invadem o mundo e marcarão de maneira decisiva as próximas décadas. Se os pobres são colocados à margem, como se fossem os culpados da sua condição, então o próprio conceito de democracia é posto em crise e fracassa toda e qualquer política social”.

O Papa conclui sua mensagem com um pensamento do Padre Primo Mazzolari: “Gostaria de pedir-vos para não me perguntardes se existem pobres, quem são e quantos são, porque tenho receio que tais perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar duma específica indicação da consciência e do coração. (…) Os pobres, eu nunca os contei, porque não se podem contar: os pobres abraçam-se, não se contam”.

Fonte: Vatican news

10 junho, 2021

Sinodalidade é participação efetiva

Texto do meu amigo irmão Celso Pinto Carias



Sinodalidade é participação efetiva


A realização do Sínodo para a Amazônia e agora com a Assembleia Eclesial Latino Americana e do Caribe, bem como a convocação do Sínodo Geral para outubro de 2021 até outubro de 2023, trouxe para mais perto de todo Povo de Deus o conceito de sinodalidade que o Papa Francisco está fazendo questão de resgatar. Por conta disso, boa parte dos que participam hoje da Igreja Católica, e até fora dela, sabem, no mínimo, que a palavra sínodo significa caminhar juntos. Mas para além do significado da palavra o que se pode compreender da intenção do Papa?

Setores católicos, mais por obediência do que por convicção, apressam-se em afirmar que se trata de buscar aprimorar os mecanismos de consulta de todos e todas (mulheres, nem tanto) que, de alguma forma, participam de instâncias eclesiais para ajudar no discernimento de quem deve decidir, isto é, a hierarquia. Porém, tal posição desqualifica o saber teológico tradicional da Igreja e coloca o Papa em uma posição um tanto quanto ingênua, o que não se pode admitir.

Tudo indica que existe a intenção de ampliar não somente a consulta, mas a participação efetiva no processo decisório, ainda que a hierarquia, naturalmente, mantenha o seu papel de guardiã da ortodoxia. Como indicava o meu professor de Direito Canônico, já falecido, Pe.

Antônio Pereira, o sacramento da ordem não pode contradizer o sacramento do batismo. A eclesiologia, isto é, o que se pensa sobre o papel da Igreja, desenvolvida no Concílio Vaticano II através, sobretudo, do documento Lumen Gentium, Luz dos Povos, exige que se aprofunde a tradicional afirmação de Igreja como Povo de Deus, pois todo/a fiel é membro do Corpo Místico de Cristo.

Contudo, há fortes indícios que tal princípio, tão tradicional do Caminho de Jesus Cristo, desde Atos do Apóstolos, “«Os Apóstolos e os Anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia … Resolvemos, de comum acordo, escolher delegados para vo-los enviarmos … Eles vos transmitirão de viva voz as nossas decisões: O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis…»”. (At 15,23.25.28), não seja recepcionado com facilidade na atual conjuntura eclesial.

Tomar decisões de forma consensual, como preconiza a fé cristã entre irmãos e irmãs, vem se perdendo. Ficamos felizes, enquanto leigos e leigas, cremos que em outras instâncias mesmo enquanto presbíteros e religiosas, quando não somos tratados como súditos. O Papa Francisco vem usando conceitos que quando partiam do laicato eram vistos como agressão e não como uma avaliação do processo de tomada de decisão, como clericalismo e autorreferencialidade. Tal posição do Papa nos deixa muito contentes.

Precisamos, todo Povo de Deus, tomar o processo da reconstrução de uma Igreja Sinodal, pobre para os pobres, pelas mãos. Suspeitamos que qualquer tentativa para esvaziar este processo frustre tremendamente muitos e muitas que entenderam o valor do seu batismo. Suspeitamos que a voz da Igreja para o mundo seja cada vez mais relegada a uma fala espiritualista, o contrário de espiritual, se ela não for capaz de avaliar com profundidade os sinais dos tempos.

A hora é agora. As igrejas particulares, dioceses, precisam convocar os fiéis para participar do processo. Neste momento da Assembleia Eclesial Latino Americana e do Caribe e, a partir de 09 e 10 de outubro de 2021, do Sínodo Geral. Vamos aprofundar o legado da Vª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe realizada em Aparecida, e, sobretudo do Concílio Vaticano II. Que o Espírito Santo abra o caminho.


09 junho, 2021

Mulher!

"É tempo, disse o Papa Francisco, que as mulheres "se sintam não hóspedes, mas plenamente partícipes das várias esferas da vida social e eclesial.""

"É um desafio que não pode mais ser adiado." (07/02/2015)

O Concílio Vaticano II inspiradamente impele a Igreja para o seu aggiornamento, para o seu tempo! Por muitos ainda não assimilado, compreendido, nem aceito, todavia, uma Ação do Espírito Santo na Igreja. Igreja que não poderia de forma alguma ser uma expressão anacrônica na sociedade! Ao mesmo tempo, o Concílio também retorna às Fontes primitivas, às origens do cristianismo, às fontes bíblicas e patrísticas; de uma Igreja mais próxima do povo, humana!

Sim, o Concílio Vaticano II volta-se menos para o legalismo e mais para a pessoa humana!

Assim, como reiteradamente ensinou-nos Jesus: "O sábado é para o homem, não o homem para o sábado." Ou seja, o sentido primordial da vida é a própria VIDA! As leis são feitas para o homem, não o homem para as leis.

Não podemos inverter os papéis! É essencial a valorização da vida! De toda pessoa humana, sem exceção! Da criação, e da natureza.

Neste sentido volto-me para a questão da valorização da mulher, do papel da mulher na Igreja, onde não podemos de forma alguma tolerar preconceito, discriminação, inferiorização, desprezo, extremismo, ultraje, nem qualquer outra forma de injustiça contra a mulher, ou, contra quem quer que seja.

Felizmente, o Papa Francisco desde o início de seu pontificado manifesta sua opção preferencial pelos pobres, inclusive na escolha de seu Nome, Francisco, pensando nos pobres; como Jesus!

Pensando nas causas dos fracos e oprimidos, Francisco, desde o início manifesta a premência, e urgência, em "oferecer espaços às mulheres na vida da Igreja." Tendo o Santo Padre criado a Comissão sobre o Diaconato das mulheres, e cada vez mais mulheres nomeadas para importantes cargos no Vaticano. Ainda, o marcante Sínodo da Amazônia, em que foram colocadas em pauta questões sérias e igualmente urgentes, como a ordenação de homens casados, indígenas, ribeirinhos, homens nativos da terra, Fontes verdadeiramente santas e sábias para a Obra de Deus na Região Amazônica; certamente, em outras regiões ao redor do mundo igualmente.

Infelizmente, há grande resistência ainda, alas conservadoras sobretudo, entretanto, estou segura de que Cristo fará chegar o momento de avanço em direção a uma maior Inclusão na Igreja, em todos os sentidos, da Fé e do Amor. Tenho plena convicção de que, se Cristo tivesse entrado hoje na História, teríamos Apóstolas mulheres, e não somente homens, como foi naquele contexto da história e dos costumes.

"Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?" (Jo 4, 1-41).

Uma das mais belas passagens bíblicas! A mulher samaritana e Jesus! Jesus, divinamente, como ninguém, valorizou a mulher! Maria Santíssima, Rogai por nós! Amém!

Rosanea Melo Pedrosa
Teóloga - 08/06/2021

08 junho, 2021

Catequese Permanente – Mística Leitura Orante da Bíblia (LOB)

Rezemos juntos pela paz!

 Rezemos juntos,

"Onde quer que você esteja, pare um minuto, incline sua cabeça e reze uma oração pela paz, cada um de acordo com sua própria tradição".

"No mundo, há ainda demasiadas guerras e violências! O Senhor, que é a nossa paz, nos ajude a vencer a mentalidade da guerra”.

(Papa Francisco)

07 junho, 2021

"Não podes partir o Pão!

"Não podes partir o Pão do domingo, 
se o teu coração estiver fechado aos irmãos. 
Não podes comer este Pão, se não deres 
o pão aos famintos. 
Não podes partilhar deste Pão, se não 
partilhas os sofrimentos 
de quem passa necessidade." 

(Papa Francisco

02 junho, 2021

Corpus Christi

“Na Eucaristia se comunica o amor do Senhor por nós, um amor tão grande que nos nutre e fortalece; um amor gratuito, sempre à disposição de todos os famintos e necessitados de restaurar as próprias forças. Viver a experiência da fé significa deixar-se alimentar pelo Senhor e construir a própria existência não sobre bens materiais, mas sobre o que não é perecível, ou seja, os preciosos dons de Deus, sua Palavra e seu Corpo.”  (Papa Francisco).


“Catequese Permanente” Canal do Youtube das CEBsda Arquidiocese de Maringá

Nas próximas semana em comunhão com o 8º Intereclesial das CEBs do Regional Sul II, o Paraná, teremos nove vídeos, nove terças-feiras com a Pastoral da Juventude do nosso regional.

Vejam nossos vídeo clicando aqui

Roteiro dos vídeos:

Canal do Youtube das CEBs da Arquidiocese de Maringá

1º vídeo – Mística (LOB)
2º vídeo – Juventudes e a violência contra as mulheres
3º vídeo – Juventudes e a militarização da educação
4º vídeo – Juventudes e a saúde mental
5º vídeo – Mística (ODJ, LOB)
6º vídeo – Juventudes, economia e trabalho
7º vídeo – Juventudes, diversidade e conservadorismo
8º vídeo – Juventudes e a Espiritualidade Libertadora
9º vídeo – Mística (ODJ, LOB)


Catequese Permanente – 6ª catequese com o Tema “CNLB a partir do documen...

01 junho, 2021

‘Tapa na cara’: Bolsonaro responde à Copa América com rapidez que faltou para vacinas

Ao mesmo tempo em que ignorou por meses compra de 70 milhões de doses da Pfizer, presidente confirmou quase que de imediato a realização do torneio aqui no Brasil.

“O governo brasileiro demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano.” Foi assim que o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, classificou a disposição de Jair Bolsonaro em aceitar sediar a Copa América, mesmo com o Brasil prostrado diante da pandemia da covid-19. Essa mesma agilidade, porém, faltou na hora de garantir vacinas para conter a doença. O presidente teve a oportunidade de fazer a compra de 70 milhões de doses em agosto do ano passado, mas só assinou contrato em março deste ano. A comparação foi feita pelo narrador e jornalista Luís Roberto, no...continue lendo clique AQUI.

28 maio, 2021

8º Intereclesial das CEBs do Paraná – “O meu desejo é a vida do meu povo!”




‘O meu desejo é a vida do meu povo!’

Seduzir e provocar podemos assim ver o 8º Intereclesial das CEBs do Paraná. Seduzir e provocar as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs para uma ação profética pastoral sem medo de assumir que ‘O meu desejo é a vida do meu povo!”.

Comunidades Eclesiais de Base uma igreja missionária em saída em defesa da vida plena para mulheres e homens com um olhar e agir todo amoroso e dedicado de mãe, em defesa da vida das juventudes.

Em um tempo onde o contexto da pandemia Covid-19 agrava as dores, angustias, sofrimentos, medos e insegurança seduzir e provocar a ação profética pastoral das CEBs é o que quer o 8º Intereclesial das CEBs do Paraná.

Comunidades Eclesiais de Base mãe, que sabe que cada jovem é um pedacinho dela e quer envolver-se para escutar e esperançar as juventudes porque seu desejo é que as juventudes possam viver em abundância do sentido da alegria, dos sonhos, da cultura, da educação, do espaço, do lazer, do trabalho, da saúde e de tudo mais para que possam levá-los viver.

Comunidades Eclesiais de Base envolvendo e caminhando junto às juventudes, em defesa de suas vidas, com ação profética pastoral voltada a elas exigindo políticas públicas para que tenham vida e vida em abundancia.

Comunidades Eclesiais de Base em defesa das vidas das mulheres buscando caminhos para compreender, identificar as implicações e vencer a violência que entre as causas esta a raça, orientação sexual, realidades econômica, religião, entre outros.

Comunidades Eclesiais de Base em defesa da vida de seu povo, que sofrem e levarão consigo marca doloridas da pandemia, idosas e idosos, migrantes, moradoras e moradores de rua, de todas e todos, indistintamente.

Comunidades Eclesiais de Base, ousadas e destemidas, capazes de abrir-se a situações novas, assumir novos riscos, insistência com uma boa dose de carinho, ternura e paixão. Em vez de medo, saborear o risco, os desafios, o perigo e a ousadia.

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)


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Aproxima-se o 8º Intereclesial das CEBs do Paraná
Tema - CEBs: Igreja em saída, na defesa da vida das juventudes
Lema - “O meu desejo é a vida do meu povo! (Ester 7,3).
Em julho de 2021

Os três conselhos do Espírito Santo!

“O Espírito Santo é o Dom de Deus que nos ajuda a ser pessoas livres, pessoas que querem e sabem amar, pessoas que compreenderam que a vida é uma missão para anunciar as maravilhas que o Senhor realiza em quem n'Ele confia.

O primeiro conselho do Espírito Santo é: «Vive o presente». Não há tempo melhor para nós: agora e aqui onde estamos é o único e irrepetível momento para fazer o bem, fazer da vida uma dádiva. Vivamos o presente!

Em segundo lugar, o Espírito Santo aconselha: «Procura o todo». O Paráclito impele à unidade, à concórdia, à harmonia das diversidades. Faz-nos sentir parte do mesmo Corpo, irmãos e irmãs entre nós. Procuremos o todo!

Por fim, o terceiro conselho: «Coloca Deus antes do teu eu». Só nos esvaziando de nós mesmos deixamos espaço ao Senhor; só nos entregando a Ele encontraremos a nós mesmos; só como pobres em espírito é que nos tornamos ricos de Espírito Santo. Coloquemos Deus em primeiro lugar!”

Papa Francisco

21 maio, 2021

Scholas Ocurrentes: projeto político pedagógico de Francisco que atualiza as CEBs

Desde 1990, Francisco, ainda cardeal de Buenos Aires, iniciou um projeto chamados ‘Scholas de Ciudadania’ onde desenvolveu uma experiência comunitária de engajamento popular nas causas comuns. Naquela época realizou encontros ecumênicos, oficinas para jovens, ações comunitárias, convivências compartilhadas.
Quando eleito Papa...continue lendo, clique aqui.

Poesia, mentiras e covardia na CPI

Em um poema do fim dos anos 1930, “Dificuldade de governar”, Brecht parece se antecipar ao patético espetáculo da CPI da Covid, descrevendo de forma premonitória a ação do ministro da propaganda e das relações exteriores, entre outras autoridades da República. Sob Bolsonaro, Wajngarten, Araújo e Pazuello parecem executar hoje o que seus colegas do duro ofício de governar tramavam às vésperas da Segunda Guerra, em plena ascensão do nazismo. Não deve ser fácil ser tão equivocado décadas depois, a ponto de merecer comparação tão deslustrosa. Para que se tornem aos olhos de todos os piores ministros de suas áreas em todos os tempos, os servidores brasileiros precisaram se esforçar...Continue lendo, clique aqui.