15 julho, 2021

Vejam esse relato. Foi hoje.

“Filha, para ser feliz não precisa muito, não precisa lugares bonitos. Você pode ser feliz tomando um café com uma pessoa, jogando um baralho, tomando uma cerveja que eu sei que você gasta. Existe muita ilusão em torno de felicidade que a televisão, a sociedade apresenta, principalmente para vocês mais jovens.”

Fui a uma cidade levar uma documentação que uma senhora havia solicitado para o escritório onde trabalho.

Uma senhora de 88 anos.

Ao chegar a casa, ela quem veio atender.

Um sorriso e um bom dia bem forte.

Ainda estava na rua, estava para colocar a mascara ela disse: garota bonita quem é você.

Identifiquei e ela mandou entrar.

Fomos conversando, uma casa toda arrumadinha e limpinha, um cafezinho gostoso.

Em nossa conversa a velhinha simpática e alegre contou-me um pouco de sua história, uma lição de vida.

Meu esposo faleceu ha quatro anos, tenho duas filhas e três filhos, duas netas e três netos e dois bisnetos e uma tataraneta. Todos meus filhos mora aqui nessa cidade.

Moro sozinha, meus filhos quase não vejo, o último que mais próximo veio me visitar foi no final de abril, dizem eles que a vida é muito corrida.

Ela perguntou, é solteira ou casada? Respondi solteira.

Ela disse:

Casar, ter filhos não significa que terá casa cheia e gente por perto, veja eu.

Continuando disse, tenho uma irmã que quando casou tinha dezoito anos e o seu esposo vinte anos. Eles tinham quatro meses de casados, sofreram um acidente e seu esposo morreu.

Eu quatro anos perdi meu esposo.

Eu disse a ela, é uma senhora alegre.

Ela respondeu sim sou.

Sou alegre, não tenho solidão, depressão nada disso.

Quando mais nova sempre sai nas festas, bailes e outros divertimentos que havia. Sempre fiz caminhada, hoje caminho na rua da minha casa. Até hoje gosto de uma cerveja.

Sou católica, a igreja fica uma seis quadras as missas da igreja vou com minha vizinha, mas aqui na comunidade que moro, uma vez por mês tem missa e sempre vem alguém e me convida, pede se quer que me busque más vou sozinha. Toda semana tem terço, tem grupo. A comunidade faz de vez em quando festinha na rua. Tudo que têm eles convida, pede se quer que venha me buscar.

Tudo que tem eu vou.

O padre vem sempre aqui em casa, conversamos tomamos um café. Tem umas pessoas aqui da comunidade que trabalham com o padre, direto estão aí na porta, pergunta se estou bem, preciso de algo, conversa um pouco, às vezes entra outras vezes fica só no portão.

Dois anos atrás, não fiquei muito bem de saúde, umas mulheres e homens também da pastoral vinha todo dia, até duas noites pousaram aqui em casa. Limparam minha casa e lavaram minha roupa.

Sempre gostei de jogar baralho e ainda gosto, tem um grupo aqui na rua que jogam toda semana, até o padre vem jogar, sempre vou jogar com eles.

Gostaria muito que meus filhos e meus netos estivessem sempre aqui, mas não é assim.

Mas tenho uma família que não deixa ser só, são as pessoas da igreja, os daqui da comunidade, meus amigos. Saiu aí na rua, converso com as vizinhas.

Eu acho conversamos quase uma hora, mas o que mais marcou foi quando ela disse mais ou menos assim:

“Filha, para ser feliz não precisa muito, não precisa lugares bonitos. Você pode ser feliz tomando um café com uma pessoa, jogando um baralho, tomando uma cerveja que eu sei que você gasta. Existe muita ilusão em torno de felicidade que a televisão, a sociedade apresenta, principalmente para vocês mais jovens.”

Sai para levar esse documento com “raiva” e voltei serena....

12 julho, 2021

Profetizas, Profetas, Mártires e Defensores da Vida - são aceitos desde que não fale a nós!

Segue um pequeno texto que escrevi:



Profetizas, Profetas, Mártires e Defensores da Vida - são aceitos desde que não fale a nós!

São elas e eles que proclamam uma mensagem de denúncia e libertação do pecado em suas várias formas. Testemunhas da esperança e da paz. Enviadas e enviados de Deus que quer um mundo justo, fraterno e igualitário. Que quer a vida. Que quer que não tomemos rumos errados em nossas escolhas e desejos.

Desde o princípio o nosso Deus teve como eixo a comunicação, assim que Ele se revela as mulheres e aos homens ao longo do tempo.

No passado e no presente Deus falou e fala as mulheres e aos homens através de Profetizas, Profetas, Mártires e Defensores da Vida. Com essas mulheres e esses homens, Jesus continuam a falar.

Mas muitas são as ruptura com o Deus que quer continuar comunicando. Os seres humanos continuam colocando obstáculos.

O excesso de autoconfiança é perigoso, faz com que o indivíduo não escute um conselho; uma sugestão; um mostrar um cominho tomado perigoso; uma escolha que precisa ser revista. A autoconfiança pode levar o ser humano a ser enganado por sua própria autoconfiança, por seu próprio pecado.

Se existem quem, acaba ser perdendo na caminhada; fechando em seus desejos e anseios pessoais, e se existem os que exploram e roubam gerando dores e sofrimentos; destruição da vida humana e da natureza, e se existem os que escravizam e matam é porque não ouviram e não ouvem o Deus que continua a falar através de mulheres e homens enviados para apontar aquilo que o pecado e o mal causam na nossa vida e no mundo.

Profetas, Mártires e Defensores da Vida são perseguidos e rejeitados, no passado e nos dias de hoje. São aceitos desde que não fale a nós.

10 julho, 2021

Hoje uma nova experiência – coordenar um encontro remoto

Hoje uma nova experiência – coordenar um encontro remoto

Eu e o Pe. Genivaldo Ubinge coordenamos o terceiro dia do 8º Intereclesial das CEBs do Paraná.
Foi Bonito
Os assessores Celso Pinto Carias e Maria Teodo linda Frigerio (Tea)



09 julho, 2021

Nota da CNBB diante do atual momento brasileiro

Nota da CNBB: “A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da covid-19”

Confira abaixo.


Nota da CNBB diante do atual momento brasileiro
Brasília-DF, 9 de julho de 2021

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB levanta sua voz neste momento, mais uma vez, para defender vidas ameaçadas, direitos desrespeitados e para apoiar a restauração da justiça, fazendo valer a verdade. A sociedade democrática brasileira está atravessando um dos períodos mais desafiadores da sua história. A gravidade deste momento exige de todos coragem, sensatez e pronta correção de rumos.

A trágica perda de mais de meio milhão de vidas está agravada pelas denúncias de prevaricação e corrupção no enfrentamento da pandemia da COVID-19. “Ao abdicarem da ética e da busca do bem comum, muitos agentes públicos e privados tornaram-se protagonistas de um cenário desolador, no qual a corrupção ganha destaque.” ( CNBB, Mensagem da 56ª. Assembleia Geral ao Povo Brasileiro, 19 de abril de 2018).

Apoiamos e conclamamos às instituições da República para que, sob o olhar da sociedade civil, sem se esquivar, efetivem procedimentos em favor da apuração, irrestrita e imparcial, de todas as denúncias, com consequências para quem quer que seja, em vista de imediata correção política e social dos descompassos.


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB


Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB


Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB


Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Lázaro: “um vagabundo a menos” ou “Jesus chorou” - Por Celso Pinto Carias

"Jesus também choraria a morte do Lázaro brasileiro. Choraria não por que aprovaria seus atos horríveis, não porque ele estaria do lado dos “vagabundos”, mas por ver quantos lázaros estão a caminho se não somos capazes de frear a lógica da vingança, que impede a repetição de mecanismos que nunca colaboraram para construir paz."

Leia o texto do meu amigo irmão Celso Pinto Carias



Lázaro: “um vagabundo a menos” ou “Jesus chorou” 

Os/as leitores/as desta coluna que me conhecem vão estranhar o título, e com razão. E os que não me conhecem poderiam pelo menos ler até o final. Leitura tem se tornado algo incomum hoje em dia. Acho que não vão mudar de ideia, mas poderiam dar um intervalo na reação e pensar um pouco.

“Jesus chorou” é o menor versículo da Bíblia (João 11,35). E por quem Jesus chorou? Pela morte do amigo LÁZARO. Marta, irmã de Lázaro, encontra o Nazareno no caminho e diz: “se estive aqui meu irmão não morreria”.

Alguém já pode ter pensado: “Não vai me dizer que você vai comparar o Lázaro do Evangelho de João com o criminoso morto em ‘uma troca de tiros’ com a polícia depois de ter cometido um montão de crimes bárbaros, entre os quais estupro e assassinato?” Não, não vou comparar. O objetivo aqui é só mostrar o quanto Jesus nos convida a ter um olhar mais profundo sobre a vida. E este olhar muda o mundo para melhor.

No final da segunda grande guerra, o mundo parecia ter aprendido uma lição. Aqueles horrores deveriam ser evitados com persistência. A ONU, recém-formada, sintetizou uma reflexão que já vinha desde o século dezoito, quando um pensador chamado Emanuel Kant formulou uma filosofia que falava da dignidade fundamental de toda pessoa humana: nenhuma pessoa tem valor de troca, cada pessoa vale por si mesma. Trata-se do que viria a ser chamado de Direitos Humanos. Costumo dizer para meus alunos que o verdadeiro criador desta ideia foi Jesus de Nazaré.

No entanto, a crise civilizatória na qual estamos metidos tem “ressuscitado” um instinto de defesa que, historicamente, só tem levado a humanidade à autodestruição. Para que a vida seja protegida, segundo esta visão, seria fundamental identificar inimigos, demonizá-los e, se não houver jeito, matá-los. Criam-se afirmações que respondem a todo mal existente no mundo, sem perceber a complexidade dos interesses que o mal representa. Uma delas é a expressão vagabundo, muito utilizada pelas polícias brasileiras. Aqui na Baixada, muita “gente boa” justifica a necessidade de eliminar uma pessoa assim: “Ah, menos um vagabundo”; “Se foi morto é porque estava devendo”.

Assim sendo, Lázaro é um vagabundo a menos. No Jacarezinho foram vinte e oito a menos. E quem parte deste princípio não aceita nenhuma observação mais reflexiva em torno do fato. Logo identifica quem problematiza como “defensor de vagabundo”: “leva para casa”; “queria ver se fosse com sua família”; e por aí vai.

Chorar faz parte da vida. Quem chora sente algo que o machuca. E o choro pode revelar, entre outras coisas, uma grande sensibilidade pelo outro, pela outra. E quando perdemos a sensibilidade podemos criar respostas que se confundem com proteção, mas que nos afundam ainda mais no caos. Há sinais indicando grande perda de sensibilidade promovida pelo poder dominador e que chega até aos mais pobres, conduz muitos a se tornarem assassinos de si mesmo.

Jesus também choraria a morte do Lázaro brasileiro. Choraria não por que aprovaria seus atos horríveis, não porque ele estaria do lado dos “vagabundos”, mas por ver quantos lázaros estão a caminho se não somos capazes de frear a lógica da vingança, que impede a repetição de mecanismos que nunca colaboraram para construir paz. Choraria, por ver com profundidade o que está escondido por trás de quem mata humanos como um troféu e não procura impedir, verdadeiramente, a perpetuação do mal.

Choraria por ver que tanto quem está em um garimpo matando índios ou em uma favela matando traficantes, são instrumentos de um poder muito maior que suas armas de fogo.

E quantos se colocarem no caminho de quem domina a sociedade poderão ser então rotulados de vagabundos para justificar seu extermínio: desde um criminoso até um professor, um trabalhador da área da saúde, ou um bancário que faz greve em busca de melhores dias. E quem vai apertar o gatilho? Não serão os acionistas das grandes corporações, não serão os latifundiários que querem mais terras, ou ainda autoridades políticas a serviço do “deus mercado”, mas capatazes com armas nas mãos se achando tão poderosos quantos aqueles que lhes fornecem as armas.

Subindo então no alto do Corcovado, onde está o monumento do Cristo Redentor, Jesus de Nazraé choraria como chorou sobre Jerusalém: “E, como estivesse perto, viu a cidade, e chorou sobre ela, dizendo: Ah! Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz! Agora, porém, isso está escondido a teus olhos.” (Lc 19,41).



07 julho, 2021

Mais uma pessoa querida que a Covid-19 tira a vida.


Dona Terezinha. Ela tinha por mim um carinho de Mãe.
Sempre a me ver dizia:
“E menina”
Presente e ativa na CEBs São Francisco de Assis.
Morávamos na mesma rua.
Que o nosso Deus o recebe em seus braços e conceda a graça da ressurreição.

03 julho, 2021

VER - 2º Dia - 8º Intereclesial das CEBs do Paraná - 03/07/2021


 

VER - 2º Dia - 8º Intereclesial das CEBs do Paraná - 03/07/2021

VER - 2º Dia - 8º Intereclesial das CEBs do Paraná - 03/07/2021

Mãe Ester olha a realidade e ouve os "GRITOS DAS JUVENTUDES"

Reflexão e momento de escuta da realidade em que vivemos e os gritos das Juventudes, com a contribuição de:

Padre Manoel Godoy: padre na periferia de BH e professor na Faculdade Jesuíta, vasta experiências com as CEBs no Brasil e América Latina.

Professora Vanessa Correia, coordenadora de projetos no Colégio São Luís e coordenadora acadêmica da Pós graduação Lato Sensu em Juventude no mundo Contemporâneo, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e Rede Brasileira de Centros de Juventude. Doutoranda em Sociologia pela USP e mestre em Estudos Culturais pela mesma Universidade. Organizadora do livro Projeto de Vida para Jovens: um itinerário metodológico de esperança; de Juventude Contemporânea: temas e debates e de Reflexões e subsídios para o trabalho com jovens.

Pela Plataforma YouTube para as e os inscritos no Intereclesial.

- Parte da tarde trabalhos em pequenos grupos.

Pela plataforma Zoom. Para as e os inscritos no Intereclesial.

01 julho, 2021

‘Fugir da inimizade social, que só destrói’



"uma parte da política, a sociedade e a mídia se empenham em criar inimigos "

A Bíblia diz que quem encontra um amigo encontra um tesouro

Eu gostaria de propor a todos ir além dos grupos de amigos e construir a amizade social tão necessária para a boa convivência

Reencontrar especialmente com os mais pobres e vulneráveis, são as periferias longe dos populismos, que exploram a angústia do povo sem dar soluções propondo uma mística que não resolve nada.

Fugir da inimizade social, que só destrói, e sair da polarização, reconhecendo que isso nem sempre é fácil, especialmente hoje, quando uma parte da política, a sociedade e a mídia se empenham em criar inimigos para derrotá-los em um jogo de poder.
O diálogo é o caminho para ver a realidade de uma maneira nova, para viver com paixão os desafios da construção do bem comum.

Rezemos para que, em situações sociais, econômicas e políticas conflitantes sejamos arquitetos de diálogo, arquitetos de amizade, valentes e apaixonados, homens e mulheres que sempre estendem a mão e que não haja espaços de inimizade e de guerra.

(Texto do vídeo do Papa Francisco para mês de julho)

A Amizade Social - O Vídeo do Papa 7 - julho de 2021

29 junho, 2021

Programação 8º Intereclesial das CEBs do Paraná

8º Intereclesial das CEBs do Paraná - “O meu desejo é a vida do meu povo!”



Programação

- 02/07 – sexta-feira – 20h00 – Celebração de Abertura.
(Plataforma YouTube)
Aberta a tod@s. Acessem:
CEBs Regional Sul 2 https://youtu.be/WBlVwa5S9_g


- 03/07 – sábado – 09h00 às 11h30 (Plataforma YouTube) – Reflexão e momento de escuta da realidade em que vivemos e os gritos das Juventudes, contaremos com a contribuição de pe Manoel Godoy e Vanessa PJ.
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.

Das 14h00 às 15h30 – Trabalhos em grupo.
(Plataforma Zoom)
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.


- 10/07 – sábado – 09h00 às 11h30 (Plataforma YouTube) – Reflexão e momentos de testemunhos das juventudes, contaremos com a contribuição de Celso Carias e da irmã Tea.
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.

Das 14h00 às 15h30 – Trabalhos em grupo.
(Plataforma Zoom)
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.


- 12/07 – segunda-feira – 20h00 (Plataforma YouTube) – Celebração dos Mártires e Defensores da Vida.
Aberta a tod@s. Acessem:
CEBs Regional Sul 2 https://youtu.be/WBlVwa5S9_g


- 17/07 – sábado – 09h00 às 11h30 (Plataforma YouTube) – Reflexão e participação desse jeito de ser Igreja em Saída, contaremos com a contribuição de pe. Aquino Junior e Frei Dotto. 
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.

Das 14h00 às 15h30 – Trabalhos em grupo.
(Plataforma Zoom)
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.

15h30 – Celebração de Encerramento. (Plataforma YouTube)
Para participantes inscritos como delegadas e delegados.

28 junho, 2021

8º Intereclesial das CEBs do Paraná - “O meu desejo é a vida do meu povo!”

Com o seu jeito de serem as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs da Arquidiocese de Maringá se alegram com o aproximar do 8º Intereclesial das CEBs do Paraná, que terá como tema “CEBs: Igreja em saída, na defesa da vida das juventudes!” e como lema “O meu desejo é a vida do meu povo! (Ester 7,3).

Somos em 40 representantes, 19 mulheres e 21 homens; destes, três padres e sete jovens que alegres e curiosos estão para o encontro com a “Mãe Rainha Ester”.

O 8º Intereclesial pela primeira vez não será presencial e sim na modalidade online, pela necessidade do distanciamento social, solidário com o cuidar, para que ninguém mais tenha sua vida tirada pela Covid-19.

A metáfora do 8º Intereclesial escolhida para proporcionar aos integrantes um ambiente familiar e afetuoso. Será uma grande festa familiar. As CEBs do Paraná - a personagem “Mãe Ester” - reunirão suas filhas e filhos, as dezoito dioceses do Paraná.

Serão cinco momentos onde a mãe irá ouvir, anunciar uma boa notícia e orientar, principalmente suas filhas e filhos mais novos, onde devem aplicar a boa notícia que ela vai dar, que é um valioso tesouro, sua herança, que não quer esperar morrer para distribuir, quer distribuir em vida, para que suas filhas e filhos usufruam o quanto antes. Mas, será usufruto e terá cláusulas restritivas.

Essa é a dinâmica do 8º Intereclesial das CEBs do Paraná. Sempre haverá a preocupação da mãe, em ouvir, fazer-se conhecido seu tesouro. As CEBs vão dialogar com os mais jovens, ouvir seus gritos de dores, alegrias e esperanças, levando-os a conhecer o seu tesouro e juntos descobrir o qual a melhor forma e espaço para continuar a aplicá-lo.

Partilhar iniciativas existentes que expressam espaço de atuação desse jeito de ser igreja CEBs, povo de Deus a caminho, com a reflexão do momento que estamos vivendo, contexto sócio político e qual o contexto das juventudes dentro do contexto. A preocupação e o esperançar da mãe.

A leitura do grande tesouro, a Bíblia, o grande tesouro acumulado que é a proposta do Reino, as parábolas desse grande tesouro, que Jesus veio para revelar e nos convocar para construirmos juntos.

Revelar que também faz parte desse tesouro acumulado, os documentos da caminha da Igreja povo de Deus, desde Concílio Vaticano II, Medellín a Puebla, Documento de Aparecida, documentos dos papas, de Francisco.

São muitos os tesouros que compõe o grande tesouro que a mãe quer doar em vida, mártires são parte desse tesouro acumulado, mulheres e homens defensores da vida que testemunharam e deram sua vida ou parte de sua vida para construir e cuidar dessa herança, desse projeto, desse jeito de ser igreja.

O Intereclesial acontecerá durante cinco dias. Serão três sábados - 03, 10 e 17 de julho - pela manhã e parte da tarde, de reflexões e trabalhos. Duas noites celebrativas – 02 de julho celebração de Abertura e 12/julho celebração dos Mártires e Defensores da Vida. As celebrações terão transmissão aberta pela plataforma digital YouTube.

A expectativa é a que as juventudes se sintam atraídas por essa proposta. Será lindo e uma grande festa o 8º Intereclesial das CEBs do Paraná.


Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá





27 junho, 2021

Hoje, a Primeira Eucaristia de minha sobrinha afilhada

Hoje, a Primeira Eucaristia de minha sobrinha afilhada Paula Barbuzano Bueno
Eucaristia “eis o Mistério da Fé”.
Jesus instituiu esse sacramento na última ceia, confiando à Igreja o memorial da sua morte e ressurreição.


"Reflexão da Palavra" – 13º Domingo Do Tempo Comum – 27/06/2021

18 junho, 2021

Conselho Permanente envia carta ao Congresso mediante os graves retrocessos na pauta agrária e socioambiental

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido nos dias 16 e 17 de junho, de forma online, preparou e enviou uma carta ao Congresso Nacional, com a intenção de apresentar sua reflexão e solicitação, mediante as discussões referentes aos projetos legislativos que tratam dos direitos constitucionais dos povos da terra, das águas e das florestas no Congresso Nacional.

Os bispos da Amazônia já haviam externado a mesma preocupação por meio de uma outra carta ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no início do mês passado, sobre o conteúdo do PL nº 510/2021. O caráter de urgência atribuído aos Projetos de Leis que tocam a pauta ambiental e agrária intensificou a preocupação dos membros do Conselho Permanente. “Em verdade, todos esses PLs são oriundos da mesma fonte: a MP nº 910/2019, a qual já havia sido denunciada como nociva aos povos, pelos bispos da Amazônia, há exatamente um ano, em nota pública”.

Na carta, o Conselho Permanente externaliza sua preocupação com os riscos destes projetos para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto de perpetuação da pandemia da Covid-19, bem como o tempo necessário para que um Projeto de Lei de tamanha consequência para o País sem uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira. “Trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada por meio dos respectivos Projetos de Leis. Defendemos que seus termos sejam de conhecimento e debate com o conjunto da sociedade brasileira como um todo, já que sua matéria envolve os direitos constitucionais das populações da terra, das águas e das florestas”, diz um trecho.

Conscientes de sua missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, os membros do Conselho Permanente, respeitosamente, reivindicam encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, como também dos demais Projetos de Leis em tramitação supracitados (PL 510/2020 e PL 2159/2021 no Senado e PL 490/2020 na Câmara), e se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano.

Confira, abaixo, a carta na íntegra:

CARTA AO CONGRESO BRASILEIRO MEDIANTE OS GRAVES RETROCESSOS NA PAUTA AGRÁRIA E SOCIOAMBIENTAL

“Quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar até a água potável, ou quando as autoridades deixam o caminho livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam a floresta e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata.”
(Papa Francisco – Querida Amazônia, 14)

Nós, do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, diante das discussões referentes aos projetos legislativos que tratam dos direitos constitucionais dos povos da terra, das águas e das florestas no Congresso Nacional, nos dirigimos aos senhores presidentes do Senado e da Câmara Federal, e aos demais membros dessas Casas, com a intenção de apresentar a nossa reflexão e solicitação.

Como a viúva, da parábola contada por Jesus (cf. Lc 18,1-8), pobre, mas firme na determinação por garantir seus direitos, que convenceu o juiz da cidade por meio de sua insistência, também nós, voltamos a reiterar o clamor pelos direitos das comunidades e da natureza, certos de que este pleito por justiça será escutado.

Os bispos da Amazônia já haviam externado a preocupação por meio da carta ao Excelentíssimo senhor presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no início do mês passado, sobre o conteúdo do PL nº 510/2021. O caráter de urgência atribuído aos Projetos de Leis que tocam a pauta ambiental e agrária intensifica nossa preocupação. Em verdade, todos esses PLs são oriundos da mesma fonte: a MP nº 910/2019, a qual já havia sido denunciada como nociva aos povos, pelos bispos da Amazônia, há exatamente um ano, em nota pública.

Nossa preocupação é com os riscos destes Projetos para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto de perpetuação da Pandemia da Covid-19, bem como o tempo necessário para que um Projeto de Lei de tamanha consequência para o País sem uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira. Trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada por meio dos respectivos Projetos de Leis. Defendemos que seus termos sejam de conhecimento e debate com o conjunto da sociedade brasileira como um todo, já que sua matéria envolve os direitos constitucionais das populações da terra, das águas e das floretas.

Se a MP nº 910/2019 havia sido obstada exatamente por se tratar de medida provisória, sem o necessário tempo para discussão com a sociedade brasileira, o PL nº2633/2020, em sendo conferido caráter de urgência na tramitação na Câmara dos Deputados, sujeita-se à mesma crítica que obstou a referida Medida Provisória, da qual é originário. Ainda mais porque a ele foi apensado o PL 1730/2021, que se trata de uma cópia do PL 510/2021 do Senado, considerado um dos mais preocupantes projetos de flexibilização da regularização fundiária no Brasil, conforme externamos em nossa carta aos senadores.

Como dito na mencionada carta dos bispos da Amazônia:

“A regularização fundiária no Brasil é extremamente relevante e requer a atenção da sociedade. Mas, numa situação de emergência como a que enfrentamos com a pandemia, não há urgência ou lacuna legal que justifique o retorno de um PLs sobre tema tão complexos, pois a legislação vigente (Lei 11.952/2009) já atende aos pequenos e médios produtores. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) são quase 200 mil posseiros que podem receber seu título de propriedade. O que falta, no entanto, é fortalecer a estrutura dos órgãos responsáveis para fazer valer a lei fundiária brasileira e as políticas públicas de incentivo à produção familiar. E para os que ocupam e produzem em terras públicas há décadas, a legislação atual já é suficiente.”

Assim,

Considerando que o caráter de urgência à tramitação do PL 2633/2020 e PL 1730/2021 retira a possibilidade de sua necessária ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira;

Considerando a necessidade de dar voz aos povos da terra e das florestas, sobretudo aos agricultores familiares e comunidades tradicionais que seriam afetados diretamente com os termos do Projeto de Lei 510/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, que objetivam instaurar novas regras para processos de regularização fundiária favorecendo a grilagem de terras no Brasil, como também o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, que visa restringir das demarcações de terras indígenas com base na tese do marco temporal;

Considerando que a pandemia prejudica o debate das populações vulneráveis mais afetadas sujeitos de direitos dos projetos de Leis em tramitação;

Considerando que a grilagem de terras públicas é responsável por 1/3 (um terço) do desmatamento no Brasil, além de ser promotora de violência no campo brasileiro;

Considerando que os Projetos de Leis atinentes à regularização fundiária flexibilizam procedimentos para a titulação de terras por meio da autodeclaração e dispensam a exigência de vistoria para a regularização dessas áreas;

Considerando que o crescimento do desmatamento ilegal na Amazônia precisa ser combatido de forma urgente e que o PL 2159/2021 no Senado Federal e o PL 2633/2020 na Câmara Federal podem ter como consequência o estímulo ao desmatamento;

Considerando que os Projetos de Leis em pauta possibilitam a titulação de terras com pendências ambientais e alvo de conflitos fundiários, o que favorece pessoas com maiores recursos financeiros em detrimento dos mais vulneráveis;

Considerando que o Projeto de Lei 510/2021 e o Projeto de Lei 2159/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021 e o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, tratam de patrimônio público que será entregue à iniciativa privada, com tamanho ataque aos biomas e aos seus respectivos povos, verdadeiros guardiões da natureza, sem audiências públicas;

Nós, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conscientes de nossa missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, respeitosamente, reivindicamos encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, como também dos demais Projetos de Leis em tramitação supracitados (PL 510/2020 e PL 2159/2021 no Senado e PL 490/2020 na Câmara), e se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano.

Pedimos ao Deus da vida, que sempre nos acompanha e nos socorre, esteja conosco em mais esse momento de luta e na defesa intransigente da justiça e da vida dos nossos povos.

Brasília-DF, 17 de junho de 2021.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente


Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB