Campeão!
19 outubro, 2022
"A história da humanidade mostra que muitas vezes o povo cegado, em atitude suicida, elegeu seus próprios algozes"
"Neste 2º turno, votar em Lula, com apoio de uma ampla Frente Democrática é optar pela vida, amor, paz e esperança."
Epidemia de ‘cegueira’ e 2º turno das eleições
Antes de votar, reflita! Sua vida e da sua família melhoraram ou pioraram nos últimos quatro anos? Como estão os preços? Os aumentos têm sido contínuos? E os preços dos alimentos? Qual a diferença entre trabalhar com carteira assinada ou ter o mercado como regulador? Lula construiu 18 novas universidades e 422 Institutos Federais de educação, realizou muitas políticas sociais… Enfim, Lula não é perfeito, mas é mil vezes melhor para o povo brasileiro e para o meio ambiente, sob todos os aspectos. A escolha é entre democracia e fascismo, entre vida com dignidade e barbárie.
Neste 2º turno, votar em Lula, com apoio de uma ampla Frente Democrática é optar pela vida, amor, paz e esperança. Que o Deus da vida nos inspire e nos abençoe na nossa escolha!
Clique aqui e leia o texto na íntegra
Senhor, o Deus dos pobres!
Senhor, o Deus dos pobres, do povo sofredor, aqui nos reuniu para cantar o seu louvor.
Para nos dar esperança e contar com sua mão, na construção do Reino, Reino novo, povo irmão.
Sua mão sustenta o pobre, ninguém fica ao desabrigo. Dá sustento a quem tem fome com a fina flor do trigo.
Alimenta os nossos sonhos, mesmo dentro da prisão; ouve o grito do oprimido, que lhe toca o coração.
Cura os corações feridos, mostra ao pobre seu poder. Dos pequenos a defesa: deixa a vida florescer.
18 outubro, 2022
Uma iniciativa dos Padres da Caminhada, dos Padres contra o Fascismo!
Lula pede ajuda dos padres e religiosas para poder fazer políticas públicas diferentes.
Uma iniciativa dos Padres da Caminhada, dos Padres contra o Fascismo, somando mais de 500 padres, e um grupo de religiosas, motivou um encontro com Luiz Inácio Lula da Silva. Visto por Gilberto Carvalho como uma iniciativa para mobiliar energia positiva, espiritual na reta final da campanha das eleições 2022, que no segundo turno enfrenta o atual presidente com aquele que foi presidente de 2003 a 2010, o ex-ministro do governo Lula afirmou que o que une aos presentes no encontro são “os pobres, aqueles que são as principais vítimas desse sistema que nós pretendemos ver abolido”.
Carvalho quis fazer uma homenagem ao Padre Zezinho, perseguido injustamente nas redes sociais nas últimas semanas, “pelo único crime de ser profeta, de denunciar aquilo que atinge a humanidade”. Um encontro em favor do futuro do Brasil, onde foi mostrado que aqueles que convocaram o encontro acreditam no projeto do candidato Lula, um projeta em favor dos empobrecidos, vendo sua vitória no dia 30 de outubro como “a vitória do povo brasileiro, da democracia, dos pobres deste país”.
Um momento para mostrar a Lula o que esperam dele, onde o Padre Dário Bossi disse trazer “a energia do Sínodo da Amazônia, que nos reuniu com o Papa Francisco, e ele chamou à Mãe Amazônia de região de territórios roubados”. O missionário comboniano, naturalizado brasileiro, lembrou o grito das comunidades e da natureza na Amazônia, denunciando a violência e impunidade, ainda hoje na Amazônia, onde nos últimos dias foram assassinados 7 líderes indígenas por estarem defendendo seus territórios.
O Padre Bossi destacou a importância de acreditar na ciência, de apoiar os cientistas, os pesquisadores e as universidades da Amazônia, insistindo em que “os caminhos para a cura e o cuidado da Amazônia estão em nossas mãos”. Ele destacou o ensinamento dos povos originários e comunidades tradicionais nesse sentido, e as pautas necessárias para salvar a Amazônia, que definiu como “um bem comum e não uma despensa para o extrativismo predatório”. Por isso, o religioso comboniano insistiu ao candidato Lula em que “vocês têm a capacidade de oferecer uma política melhor para a Amazônia”, agradecendo-o por acreditar nos povos originários.
Em nome de muitas mulheres falou a Ir. Rosa Martins, enumerando uma larga lista de coletivos. Denunciando que “a democracia nunca foi algo pleno no Brasil”, algo que faz com que “boa parte da população sempre teve e tem muita dificuldade no exercício de direitos”, e junto com isso “se sinta muito distante da possibilidade de participar dos destinos do país”. A religiosa scalabriniana mostrou ao presidente Lula alguns sonhos: um presidente que não permita a concretização dos ideias de autoritarismo; uma comunicação ao serviço da paz, da fraternidade, da comunhão, da participação do serviço, da sinodalidade, que não permita mentiras; um presidente que escute os clamores, lutas e esperanças da sociedade; um país menos racista; um país que garanta o trabalho dos jornalistas; o fim do feminicídio; acolhida, proteção e promoção dos migrantes e refugiados; o fim da exploração sexual e laboral infantil. Sonhos que a Ir. Rosinha resumiu em três sonhos basilares para ter um país onde a liberdade seja garantida: educação, saúde e trabalho.
No meio de inúmeras tensões e agressões, onde resulta difícil defender a vida, o Padre Márcio Fabri denunciou realidades presentes no Brasil. O teólogo moralista lembrou as palavras de Dom Orlando Brandes na última festa de Aparecida, onde falou dos muitos dragões que precisam ser vencidos, chamando a vencer aquilo que alimenta o dragão, buscando as causas de uma civilização desagregada. O Padre Fabri denunciou alguns atentados contra a vida no Brasil, dentre eles o desmonte do SUS, a dilapidação do mundo científico, da educação, o quadro ambiental.
Também destacou a importância da espiritualidade e “os estragos gravíssimos que estão acontecendo no espírito brasileiro, um espírito que está invadido pelo ódio, pela violência, pela própria banalização da responsabilidade social”. Ele chamou Lula a “restituir a esperança de nossos jovens”, lembrando em palavras de Teodoro Adorno que “deixar falar o sofrimento é razão de toda a verdade”. Por isso chamou Lula a ouvir o sofrimento do povo brasileiro e ter uma resposta de dignidade e esperança.
Agentes de pastoral inseridos nas realidades mais gritantes do país que conhecem de perto o clamor e o grito dos pobres, segundo afirmou o Padre Edegard Silva Junior. O religioso saletino disse trazer “dois gritos que vem de todas as partes do Brasil: a pobreza e a fome”, que é real e “não são apenas números”. Uma pobreza que “tem cor, rosto e classe” e que faz parte do capitalismo, “que tem nos levado a uma vida mais precarizada”, denunciando a privatização dos serviços e o retorno do país ao mapa da fome.
Frente a isso, o missionário no Moçambique destacou a solidariedade e a partilha, chamando a enfrentar este flagelo com ações políticas. O Padre Edegard lembrou as palavras do Papa Francisco: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra e nenhum trabalhador sem direitos”. Daí ele chamou a um novo pacto econômico, a uma economia solidária, a Economia de Francisco e Clara.
Foi entregue uma carta ao candidato, onde denuncia o atual presidente e seu governo: “a manipulação da população através de Fake News, a instrumentalização da religião para fins eleitorais, os discursos de ódio e repletos de preconceitos e a marginalização dos pobres”. Diante disso, a carta insiste em que “democracia é sinônimo de justiça social. Democracia é inclusão. Democracia é bem-comum. Democracia significa direitos iguais. Democracia é o fim da miséria”.
A carta mostra a confiança em Lula para “nos reacender a esperança de que essa democracia ainda pode ser construída e de que o nosso povo pode voltar a sonhar com um futuro melhor”. Também lembra os reais problemas do Brasil: o aumento da miséria e o grande desafio da superação da pobreza e da fome; um autêntico cuidado com a vida do seu início ao seu fim natural e a garantia de que todas as famílias brasileiras tenham a dignidade de trabalho, moradia, saúde e educação; a já citada defesa da democracia e a superação de todas as formas de preconceito; o cuidado com a casa comum, em especial com a Amazônia e nossos povos originários e quilombolas”.
O encontro contou com a presença dos candidatos a governador de São Paulo, Fernando Haddad, neto de um migrante que chegou no Brasil em busca de liberdade religiosa, dizendo lhe doer a alma quando vê um brasileiro agredir uma outra religião, um país onde os migrantes encontram paz, respeito e tolerância, e sua vice-governadora Luzia França, que destacou a importância da Igreja católica em sua vida e disse que o encontro lhe enche de esperança. Geraldo Alckmin, candidato a vice-presidente destacou a importância do encontro, “porque ele está no espírito da vida pública, que é amor ao próximo”.
Lula agradeceu a oportunidade do encontro, em um momento diferente na história do Brasil, “um Brasil tomado pelo ódio”, lembrando de “padres atacados durante a missa porque estão falando da fome, porque estão falando da pobreza, porque estão falando da democracia”, inclusive com tentativas de agredi-los. Ele repassou o vivido nos seus mandatos como presidente, afirmando que “esse país chegou a um momento de rara felicidade” e denunciando o incómodo que provocou no Brasil a ascensão social dos pobres, um preconceito no Brasil.
O candidato pelo Partido dos Trabalhadores disse que “só tem sentido eu estar nessa disputa se a gente tiver como obrigação que o povo decida as políticas que a gente vai colocar em prática neste país. Se não, a gente não muda nada”. Ele lembrou sua proposta de criar em seu governo o Ministério dos Povos Originários, “para que os indígenas possam ter o direito de se organizar e o direito de determinar um pouco as coisas que têm que fazer”, reclamando o protagonismo indígena no Brasil.
Lula pediu a ajuda dos padres e religiosas para poder fazer políticas públicas diferentes, chamando a mudar a realidade do país desde a organização da sociedade, defendendo a introdução do orçamento participativo e denunciando a gravidade da fome em um país que é o terceiro produtor de alimentos do mundo e o primeiro produtor de carne. Por isso afirmou que “se eu voltar à presidência e esse povo voltar a tomar café, almoçar e jantar, eu já fiz a missão da minha vida”.
Também abordou a questão climática, insistindo na necessidade do ser humano assumir a responsabilidade de cuidar do Planeta, chamando a respeitar a Amazônia, não derrubar uma árvore para poder produzir, insistindo em que “é a nossa vida a que está em jogo”. Junto com isso afirmou explicitamente: “não haverá mais garimpo ilegal em terra indígena, não haverá mais ocupação em terra indígena”, defendendo também a legalização dos quilombos e a facilitação da organização da sociedade por parte do Estado, afirmando que as igrejas podem suprir uma deficiência do Estado.
17 outubro, 2022
15 outubro, 2022
A ternura Deus para comigo - minha Borboletinha!
A ternura Deus para comigo!
Minha Borboletinha!
A ternura Deus para comigo - minha Borboletinha!
Essa pequena borboletinha, no amanhã de hoje passou a fazer parte de minha história.
Por volta das dez horas, estava eu limpando a frente de minha casa quando avistei essa borboletinha no chão, quase passei a vassoura por cima dela.
Ao vê-la fiquei a olhar e de ternura meu coração foi preenchido. Ela não voou e subiu no dedinho do meu pé. Aí dei a ela um dos meus dedos da mão e ela subiu, batia as asinhas e não voava. Fiquei um pouquinho com ela contemplando-á e como não voou a coloquei em uma das folhinhas da arvorezinha que tem na calçada da rua à frente de minha casa.
Agora a pouco, por volta das quatorze estava a lavar a louça do almoço pensando na borboletinha, seu gesto de subir em meu pé, de aceitar um dos dedos de minha mão, o balançar das asinhas, o não voar, só balançar suas asinhas.
Acabando de lavar as louças, fui até a porta da cozinha, ali fiquei parada, estava ouvindo uma linda música e a borboletinha que havia deixado na arvorezinha na rua à frente de minha casa, subiu novamente no dedinho do meu pé, agora não mais na rua, na porta de minha casa que não fica perto de onde havia colocada. Novamente, dei um dos meus dedos da mão, ela subiu, bateu as asinhas e novamente não voou. Fiquei olhando-a, tentando compreender o sinal, entender a ternura que me envolvia o momento, aí busquei meu celular com ela pousada em meu dedo, a coloquei sobre minha perna, registrei com uma foto, a levei no fundo de minha casa, e a deixei sobre uma folha de uma flor.
Esse momento foi, a ternura de nosso Deus para comigo, é parte de minha história e será, em momentos difíceis e não difíceis a ternura, o mistério que me faz caminhar, ... .
Maringá, 15 de outubro de 2022.
Essa linda experiência, torna-se parte de um dos momentos mais ternos de minha vida, da vida de Lucimar Moreira Bueno, a Lúcia, como assim muitos me chamam.
14 outubro, 2022
Dia "D" das Comunidades - 𝐌𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚 𝐝𝐨𝐬 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐜𝐥𝐞𝐬𝐢𝐚𝐢𝐬 – 2005 a 2018
Os Intereclesiais apresentam o que as CEBs têm de melhor: articulação das comunidades e partilha das experiências. Neste DIA D das Comunidades vamos fazer memória dos Intereclesiais aconteceram entre os anos de 2005 a 2018.
Dia 15 de outubro às 19h (horário de Mato Grosso) e 20h (horário de Brasília)
Presenças confirmadas: Leila Regina, Eloia Duarte Rodrigues, Dirceu Luiz Fumagalli, Pe. Vileci Vidal, Neuza Mafra, Edward Guimarães e Maria de Jesus.
Venha participar conosco! Acompanhe pelas redes sociais:
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Youtube CEBs do Brasil:
13 outubro, 2022
O sistema capitalista leva Destruição da Vida!
Rezemos jutos,
Pelas famílias que estão perdendo suas filhas, seus filhos, um ente querido pelas fortes chuvas no Paraná e em outros estados de nosso pais, que já tão machucado está.
O sistema econômico capitalista leva a sociedade a seguir um caminho que não prioriza a preservação e alternativas sustentáveis e leva a destruição da vida.
A destruição de um habitat acontece quando grandes transformações ocorrem em um ambiente. Geralmente os principais fatores que causam a destruição de um habitat são o desmatamento, queimadas, pecuária, agricultura. A sequeira da ganancia.
12 outubro, 2022
DAI-NOS A BÊNÇÃO, OH MÃE QUERIDA
Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que interceda em favor de todas as Crianças e do povo brasileiro, o qual vive uma situação complicada e difícil de polarizações e divisões que não geram vida e constroem a paz social.
11 outubro, 2022
Sessenta anos abertura do Concílio Vaticano II
Sessenta anos atrás, Concílio Vaticano II iniciou seus trabalhos em 11 de outubro de 1962.
A ‘carícia’ de João XXIII? “Não deve ser reduzida a um refrão vazio”
O bisneto do Pontífice, Emanuele Roncalli destacou o risco de transformar o "discurso da lua" em uma simples anedota cujo significado mais autêntico não é compreendido.
Celebrando essa data tão importante, um texto que foi publicado pelo IHU em nove de julho de 2020. Leia aqui
08 outubro, 2022
07 outubro, 2022
Rezemos juntos!
Rezemos juntos,
Pela dor e sofrimento dos familiares e amigos das vítimas do massacre ocorrido, na quinta-feira, 06 de outubro, numa creche de uma pequena localidade rural, na Tailândia, onde um ex-policial matou trinta e sete pessoas.
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Segundo informações nas redes sociais, um ex-policial matou 37 pessoas, incluindo 22 crianças. A agressão ocorreu com arma e faca. Depois, o assassino matou a esposa e o filho a tiros em sua casa antes de se suicidar.
06 outubro, 2022
05 outubro, 2022
Nem só vitória nem só derrota - A eleição da contradição
"Outra coisa interessante é ver os mapas de votação. No Nordeste e em quase todo o Norte dá Lula. No Centro-Oeste, na maior parte do Sudeste e no Sul deu Bolsonaro. Dentro dos estados, as regiões mais empobrecidas, como a metade sul do RS, votam no Lula. As mais ricas, como a Serra Gaúcha, votam no Bolsonaro. Dentro das cidades, a questão de classe é muito nítida também. Em geral, bairros muito ricos elegem Bolsonaro; bairros pobres elegem Lula com uma vantagem enorme. Não são as pautas progressistas que dividem o país, pelo contrário. A gente vive num país dividido, absurdamente desigual, de gente muito rica de um lado e muito pobre de outro, de muito racismo, de feminicídio, LGBTQIA+fobia. Lutar contra essas coisas nos coloca, de fato, contra quem pratica essas coisas. Porque somos, insisto, um país desigual.
Se Lula de fato se eleger, como tudo leva a crer, seu governo não vai ser fácil. Lula vai enfrentar um Congresso conservador e uma economia mundial em crise. Mas é um recomeço. É o começo do fim do pesadelo."
Texto recebido por e-mail - Brasil de Fato
A eleição da contradição
Quarta-feira, 05 de outubro de 2022
Nem só vitória nem só derrota: a esquerda (e o Brasil) teve ambas.
Estamos, na verdade, num cenário cheio de contradições.
Por um lado, é inegável que o PT foi o partido que mais foi alvo de ataques, de todos os lados, desde que surgiu lá nos anos 1980. Desde 2015, foi massacrado. Lula foi preso. Foi tirado da disputa eleitoral que liderava, depois de um processo judicial conduzido pelo juiz que viria a ser ministro de seu principal adversário. Desde então, a imprensa decretou várias vezes o fim do PT. E o partido está aí garantindo que o atual presidente não vá para o segundo turno na frente, o que nunca antes tinha acontecido, e quase elegendo um presidente da República.
Por outro lado, a gente viu a desgraça tomar conta do país nos últimos anos, viu presidente debochando de gente morrendo, viu discurso de ódio pra todo lado, viu violência pra caramba, e a gente achou que depois de tudo isso o bolsonarismo seria enterrado, o que não aconteceu. O bolsonarismo não só colocou Bolsonaro no segundo turno com uma votação considerável como elegeu muita gente, com muito mais votos do que a gente pensava. Ver o tamanho e a força do bolsonarismo é, sim, frustrante e assustador.
A direita tradicional à míngua
Enquanto isso, partidos de direita tradicionais, como o PSDB e o MDB, encolheram muito.
Não há dúvida de que todo o mundo que está no front democrático tem que se unir diante do bolsonarismo. O que talvez seja um pouco mais difícil é saber quem está no front democrático. Políticos históricos entenderam a importância desse posicionamento. Está aí Fernando Henrique Cardoso, adversário histórico de Lula, declarando apoio ao petista, pra não me deixar mentir.
Mas temos ao mesmo tempo o apoio "incondicional" de Rodrigo Garcia a Tarcísio e Bolsonaro, o desdém de Eduardo Leite ao PT e o anúncio bizarro de José Serra de que apoia Lula e Tarcísio ao mesmo tempo.
Talvez eles e outros estejam também iludidos pela força ainda grande do bolsonarismo, ao qual tentam se agarrar para sobreviver. Ou seja, parte do PSDB não está exatamente no front democrático. O PSDB está confuso. Está no meio de dois fronts. O que ele talvez não enxergue é que quem fica ali no meio é abatido e acaba morrendo.
O que nos leva à consolidação de uma mudança em uma das características principais da política nacional desde 1994. O pêndulo da polarização mudou. Ela deixou de ser entre esquerda e direita (PT e PSDB) e passou a ser entre a centro-esquerda e a extrema direita (o PT e o bolsonarismo). Diante disso, é preciso que se diga: posicionar-se neste momento não é só importante, é um imperativo ético.
O domínio das tais pautas morais
Insisto: essa é uma eleição de contradições. Temos Lula e Zema eleitos em MG. Lula quase eleito presidente enquanto governadores de extrema direita crescem em estados importantes. O deputado federal mais votado do Brasil é um guri ultraconservador do PL. Mas também temos Guilherme Boulos com uma votação histórica. Suplicy. Erundina, Benedita. Mulheres indígenas. Aumento do número de mulheres e de pessoas negras (que são, ambos, ainda baixo demais) no Congresso. Duas deputadas federais trans. Você deve ter visto circulando por aí uma lista de vitórias da esquerda nas urnas. Se não viu, clique aqui.
Enfim, a dialética.
Mas é interessante olhar onde se dá a disputa. Quando a gente fala de direita ultraconservadora, vem forte a lembrança da tal pauta de costumes. É, de fato, onde ela tem maior incidência. No bandido bom é bandido morto. Na criminalização do aborto, mesmo que crianças estupradas morram no caminho porque não conseguiram acessar o direito à interrupção da gravidez, pra eles não importa.
E isso cola numa sociedade empobrecida e esfacelada. Numa população que está sofrida. É muito mais difícil falar pra população que é um absurdo ela pagar mais caro pela comida e que pra que isso mude tem que mudar a política de preços da Petrobras. É mais fácil ver a luta contra o bandido, é mais próximo (mesmo que amanhã o filho dela seja morto pelo policial que o confundiu com um bandido e achou que tinha o direito de matar, mas quem acredita que isso vai acontecer com seu filho até que aconteça?). E isso não significa, em absoluto, que a população não sabe tomar decisões. Significa antes que o país está passando por uma profunda crise.
Ainda que fake news continuem circulando bastante nessas eleições, parece que elas pesaram muito menos do que no pleito de 2018. Não tivemos uma mamadeira de piroca ou kit gay, mesmo que o presidente continue propagando mentiras a rodo. O que se nota é que o bolsonarismo está mais consolidado pelo conservadorismo de suas pautas e talvez precise menos de fake news pra se sustentar. O que fazer com isso é outro problema.
Ao mesmo tempo (olha a contradição), a esquerda elegeu duas mulheres trans, como eu falava. Levou ao Congresso mulheres que defendem o direito da mulher ao seu próprio corpo. Ampliou a representação não só feminina, mas feminista. Mas sempre tendo que afirmar que Lula é cristão e não odeia evangélicos para que possa se eleger.
Isso tudo nos diz que a luta vai ser dificílima. Dificilmente essas representações progressistas vão nos conseguir fazer avançar de fato nas pautas mais progressistas, mas vão estar lá, tensionando, construindo e, acima de tudo, evitando retrocessos. É, infelizmente, um tempo de recuperar o básico e de reconstruir para no futuro avançar para um programa mais amplo de direitos.
A frente é ampla. E daí?
Faz falta conseguir enxergar na esquerda lideranças mais jovens que possam vir a construir uma alternativa para a Presidência no futuro (ainda que a luta seja coletiva, é fato que vivemos num sistema político ainda muito baseado em figuras individuais) pare que ela não precise depender apenas de Lula no processo eleitoral. Espero que já existam algumas se consolidando e que em breve sejam mais evidentes. Ao mesmo tempo, é ruim que não haja muitos nomes além do Lula, mas, ao mesmo tempo, felizmente há o Lula, porque sem ele é melhor nem imaginar.
A frente ampla que o Lula construiu nessa eleição é uma coisa inédita na história do Brasil. Ele colocou a Luciana Genro e o Henrique Meirelles sentados na mesma mesa. Isso não é pouco, e não é qualquer um que consegue aglutinar tantos setores da sociedade. Trouxe Marina Silva, Cristovam Buarque, Alckmin, as alas mais à esquerda do PSOL. Todo o campo democrático estava com Lula.
O ruim aí não é o Lula, é esse tanto de gente do campo democrático estar junta e ainda assim o bolsonarismo ter essa força que tem. E aí dialogo com José Genoino na mais recente edição do podcast Três por Quatro, que recomendo fortemente (é só clicar aqui pra ouvir no Spotify ou buscar em seu tocador preferido). O Lula articulou a frente ampla, importantíssima para recompor as forças democráticas e aproximar setores resistentes, mas quantos votos, no concreto, traz Henrique Meirelles? Talvez tenha faltado rua e redes, corpo a corpo. Ou talvez a força do discurso da extrema direita tenha sido maior do que o esperado mesmo. Talvez os setores democráticos tenham menos incidência na sociedade hoje.
Mas vale dizer ainda que a força da extrema direita é assustadora, mas também não é exclusividade do Brasil. A extrema direita está forte nos EUA, em diversos países da Europa, no mundo todo, o que talvez seja mais assustador ainda. Mas é isso, não se destrói o fascismo em quatro anos. Mas se vence. Esse dia vai chegar. O cenário, aliás, já é bem melhor do que era quatro anos atrás.
Nós contra eles?
Outra coisa interessante é ver os mapas de votação. No Nordeste e em quase todo o Norte dá Lula. No Centro-Oeste, na maior parte do Sudeste e no Sul deu Bolsonaro. Dentro dos estados, as regiões mais empobrecidas, como a metade sul do RS, votam no Lula. As mais ricas, como a Serra Gaúcha, votam no Bolsonaro. Dentro das cidades, a questão de classe é muito nítida também. Em geral, bairros muito ricos elegem Bolsonaro; bairros pobres elegem Lula com uma vantagem enorme. Não são as pautas progressistas que dividem o país, pelo contrário. A gente vive num país dividido, absurdamente desigual, de gente muito rica de um lado e muito pobre de outro, de muito racismo, de feminicídio, LGBTQIA+fobia. Lutar contra essas coisas nos coloca, de fato, contra quem pratica essas coisas. Porque somos, insisto, um país desigual.
Se Lula de fato se eleger, como tudo leva a crer, seu governo não vai ser fácil. Lula vai enfrentar um Congresso conservador e uma economia mundial em crise. Mas é um recomeço. É o começo do fim do pesadelo.
Cris Rodrigues
Coordenadora de redes sociais
Rezemos juntos pelo Brasil
Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar e que nos ensine a viver o perdão.
Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.
Pai amado e protetor nosso, nós vos pedimos pelo Brasil! Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não simplesmente dos interesses pessoais, partidários e de grupos.
Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia. Que a Paz reine em nossas fronteiras. Deus habita em nossas cidades.
Pai santo, nós vos pedimos pelo Brasil! Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão Eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.
Pai do céu, nós vos pedimos pelo Brasil! Nesses últimos anos em que tantas vidas foram ceifadas pela pandemia, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Vinde, Senhor, em nosso auxílio!
Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira desse amado Brasil, Mãe do povo brasileiro, a quem invocamos com filial afeto, rogai por nós que recorremos a vós.
04 outubro, 2022
Bolsonaro acelera privatização da Petrobras e expõe Brasil a aumentos de combustível
Atual governo foi o que mais vendeu ativos da estatal, ampliando dependência nacional da importação de gasolina e diesel.
A Petrobras completou na segunda-feira (3) 69 anos em meio a um processo de desmonte, segundo um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse desmonte é causado por vendas em série de parte do patrimônio da empresa, que foram intensificadas durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Bolsonaro, aliás, já sinalizou que pretende manter a política de venda de ativos da Petrobras caso seja reeleito. Seu ministro da Economia, Paulo Guedes, já iniciou estudos para privatizar a Petrobras como um todo. Essa venda não seria imediata. Dependeria, portanto, de um eventual segundo mandato de Bolsonaro.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, é contra a privatização da Petrobras. Candidato mais votado durante o primeiro turno da eleição, com 48,4% dos votos válidos, Lula defende que a Petrobras sirva para aumento de investimentos no Brasil.
Clique Aqui e leia na íntegra a matéria publicada em 04 de outubro de 2022 no site Brasil de Fato.
03 outubro, 2022
“só peca aquele que não tem medo de se arriscar e comprometer pelos ‘sujos’”
Segue um pequeno texto que escrevi.
“só peca aquele que não tem medo de se arriscar e comprometer pelos ‘sujos’”
A utopia conquistada pouco a pouco, a cada dia em meios a questionamentos; angústias; inquietações; diante de tantas falas absurdas; diante do conservadorismo; de um fascismo impregnado em nosso país. Mesmo com a cegueira diante da fome; da redução do salário mínimo; do desemprego e informalidade; do desmonte dos serviços públicos em saúde e educação; da perca dos direitos trabalhistas da previdência; da inflação; da exclusão; do preconceito e diante da morte.
Não deixar manipular, não deixar que assustem e como ensina Carlos Mesters, “reencantar-se com a Esperança na vida”. O Livro de Ester revela que em rodas de conversa e celebrações a fé, a esperança e a força do povo manteve-se vivas em épocas de perseguição. História de resistência, de ousadia, de teimosia e coragem de criticar opiniões diferentes.
E um contexto parecido como nosso de hoje, de perigo iminente do extermínio do povo o livro de Ester mostra que em rodas de conversa a luta pela justiça ganha espaço e o povo oprimido ganha esperança de viver. Em rodas de conversa os oprimidos se conscientizam e se preparam para agir. É através da persistência teimosa dos justos que Deus inverte o sujeito da história, para criar uma nova sociedade, onde a justiça triunfa, no entanto, para que todos tenham vida é preciso denunciar a perversidade do sistema opressor.
O livro de Ester é uma provocação e uma luz, uma líder forte, que soube agir, aproveitar as oportunidades, para garantir que seu povo tivesse o direito à vida plena e, em rodas de conversa, a resistência e com ela os oprimidos, sem medo de falar vai desmascarando o opressor.
Que Igreja queremos?
Chega de boas intenções, belas palavras, belos pronunciamentos, como Papa Francisco ensina, não é falar de missão, é viver a missão, em sua mensagem enviada aos bispos latino-americanos Francisco incentiva a não ter medo “da lama da história” nem de se sujar pelo povo de Deus, pois “só peca aquele que não tem medo de se arriscar e comprometer pelos ‘sujos’”, sujar-se para renovar a esperança.
Queremos Igreja que assume as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, que é a Igreja comprometida com as pessoas e tudo o que as envolvem, o social, político, econômico e cultural, sem medo de sujar-se, sem medo de assumir e formar consciência social. É preciso perceber a sociedade ao redor e que como as ações individuais afetam os outros e a empatia, tão importante principalmente nos dias atuais, se não despertarmos para à capacidade de se colocar no lugar do outro, como será o amanhã?
02 outubro, 2022
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