18 outubro, 2024

Mensagem de sua Santidade Papa Francisco para o XCVIII Dia Mundial das Missões 2024

Mensagem de sua Santidade Papa Francisco para o XCVIII Dia Mundial das Missões 2024

20 de outubro de 2024

Ide e convidai a todos para o banquete (cf. Mt 22, 9)


Queridos irmãos e irmãs!

Para o Dia Mundial das Missões deste ano, tirei o tema da parábola evangélica do banquete nupcial (cf. Mt 22, 1-14). Depois que os convidados recusaram o convite, o rei – protagonista da narração – diz aos seus servos: «Ide às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes» (22, 9). Refletindo sobre esta frase-chave, no contexto da parábola e da vida de Jesus, podemos ilustrar alguns aspetos importantes da evangelização. Tais aspetos revelam-se particularmente atuais para todos nós, discípulos-missionários de Cristo, nesta fase final do percurso sinodal que, de acordo com o lema «Comunhão, participação, missão», deverá relançar na Igreja o seu empenho prioritário, isto é, o anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo.

1. «Ide e convidai»: a missão como ida incansável e convite para a festa do Senhor

No início da ordem do rei aos seus servos, há dois verbos que expressam o núcleo da missão: «ide» e chamai, «convidai».

Quanto ao primeiro verbo, convém recordar que antes os servos tinham sido já enviados para transmitir a mensagem do rei aos convidados (cf. 22, 3-4). Daqui se deduz que a missão é ida incansável rumo a toda a humanidade para a convidar ao encontro e à comunhão com Deus. Incansável! Deus, grande no amor e rico de misericórdia, está sempre em saída ao encontro de cada ser humano para o chamar à felicidade do seu Reino, apesar da indiferença ou da recusa. Assim Jesus Cristo, bom pastor e enviado do Pai, andava à procura das ovelhas perdidas do povo de Israel e desejava ir mais além para alcançar também as ovelhas mais distantes (cf. Jo 10, 16). Quer antes quer depois da sua ressurreição, disse aos discípulos «ide», envolvendo-os na sua própria missão (cf. Lc 10, 3; Mc 16, 15). Por isso, a Igreja continuará a ultrapassar todo e qualquer limite, sair incessantemente sem se cansar nem desanimar perante dificuldades e obstáculos, a fim de cumprir fielmente a missão recebida do Senhor.

Aproveito o momento para agradecer aos missionários e missionárias que, respondendo ao chamamento de Cristo, deixaram tudo e partiram para longe da sua pátria a fim de levar a Boa Nova aonde o povo ainda não a recebera ou só recentemente é que a conheceu. Irmãs e irmãos muito amados, a vossa generosa dedicação é expressão tangível do compromisso da missão ad gentes que Jesus confiou aos seus discípulos: «Ide e fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19). Por isso continuamos a rezar e a agradecer a Deus pelas novas e numerosas vocações missionárias para esta obra de evangelização até aos confins da terra.

E não esqueçamos que todo o cristão é chamado a tomar parte nesta missão universal com o seu testemunho evangélico em cada ambiente, para que toda a Igreja saia continuamente com o seu Senhor e Mestre rumo às «saídas dos caminhos» do mundo atual. Sim, «hoje o drama da Igreja é que Jesus continua a bater à porta, mas da parte de dentro, para que O deixemos sair! Muitas vezes acabamos por ser uma Igreja (…) que não deixa o Senhor sair, que O retém como “propriedade sua”, quando o Senhor veio para a missão e quer que sejamos missionários» (Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Dicastério para os leigos, a família e a vida, 18/II/2023). Oxalá todos nós, batizados, nos disponhamos a sair de novo, cada um segundo a própria condição de vida, para iniciar um novo movimento missionário, como nos alvores do cristianismo.

Voltando à ordem do rei aos servos na parábola, vemos que caminham lado a lado o «ir» e o chamar ou, mais precisamente, «convidar»: «Vinde às bodas!» (Mt 22, 4). Isto faz-nos vislumbrar outro aspeto, não menos importante, da missão confiada por Deus. Como se pode imaginar, aqueles servos-mensageiros transmitiam o convite do soberano assinalando a sua urgência, mas faziam-no também com grande respeito e gentileza. De igual modo, a missão de levar o Evangelho a toda a criatura deve ter, necessariamente, o mesmo estilo d’Aquele que se anuncia. Ao proclamar ao mundo «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 36), os discípulos-missionários fazem-no com alegria, magnanimidade, benevolência, que são fruto do Espírito Santo neles (cf. Gal 5, 22); sem imposição, coerção nem proselitismo; mas sempre com proximidade, compaixão e ternura, que refletem o modo de ser e agir de Deus.

2. «Para o banquete»: a perspetiva escatológica e eucarística da missão de Cristo e da Igreja

Na parábola, o rei pede aos seus servos que levem o convite para o banquete das bodas de seu filho. Este banquete reflete o banquete escatológico; é imagem da salvação final no Reino de Deus – já em realização com a vinda de Jesus, o Messias e Filho de Deus, que nos deu a vida em abundância (cf. Jo 10, 10), simbolizada pela mesa preparada com «carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos» –, quando Deus «aniquilar a morte para sempre» (cf. Is 25, 6-8).

A missão de Cristo é missão da plenitude dos tempos, como Ele mesmo declarou no início da sua pregação: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo» (Mc 1, 15). Ora, os discípulos de Cristo são chamados a continuar esta mesma missão do seu Mestre e Senhor. A propósito, recordemos o ensinamento do Concílio Vaticano II sobre o caráter escatológico do compromisso missionário da Igreja: «A atividade missionária desenrola-se entre o primeiro e o segundo advento do Senhor (…). Antes de o Senhor vir, tem de ser pregado o Evangelho a todos os povos» (Decr. Ad gentes, 9).

Sabemos que o zelo missionário, nos primeiros cristãos, possuía uma forte dimensão escatológica. Sentiam a urgência do anúncio do Evangelho. Também hoje é importante ter presente tal perspetiva, porque nos ajuda a evangelizar com a alegria de quem sabe que «o Senhor está perto» e com a esperança de quem propende para a meta, quando estivermos todos com Cristo no seu banquete nupcial no Reino de Deus. Assim, enquanto o mundo propõe os vários «banquetes» do consumismo, do bem-estar egoísta, da acumulação, do individualismo, o Evangelho chama a todos para o banquete divino onde reinam a alegria, a partilha, a justiça, a fraternidade, na comunhão com Deus e com os outros.

Temos esta plenitude de vida, dom de Cristo, antecipada já agora no banquete da Eucaristia, que a Igreja celebra por mandato do Senhor em memória d’Ele. Por isso o convite ao banquete escatológico, que levamos a todos na missão evangelizadora, está intrinsecamente ligado ao convite para a mesa eucarística, onde o Senhor nos alimenta com a sua Palavra e com o seu Corpo e Sangue. Como ensinou Bento XVI, «em cada celebração eucarística realiza-se sacramentalmente a unificação escatológica do povo de Deus. Para nós, o banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final, preanunciado pelos profetas (cf. Is 25, 6-9) e descrito no Novo Testamento como “as núpcias do Cordeiro” (Ap 19, 7-9), que se hão de celebrar na comunhão dos santos» (Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 31).

Assim, todos somos chamados a viver mais intensamente cada Eucaristia em todas as suas dimensões, particularmente a escatológica e a missionária. Reafirmo, a este respeito, que «não podemos abeirar-nos da mesa eucarística sem nos deixarmos arrastar pelo movimento da missão que, partindo do próprio Coração de Deus, visa atingir todos os homens» (Ibid., 84). A renovação eucarística, que muitas Igrejas Particulares têm louvavelmente promovido no período pós-Covid, será fundamental também para despertar o espírito missionário em todo o fiel. Com quanta mais fé e ímpeto do coração se deveria pronunciar, em cada Missa, a aclamação «Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!»

Por conseguinte, no Ano dedicado à oração como preparação para o Jubileu de 2025, desejo convidar a todos para intensificarem também e sobretudo a participação na Missa e a oração pela missão evangelizadora da Igreja. Esta, obediente à palavra do Salvador, não cessa de elevar a Deus, em cada celebração eucarística e litúrgica, a oração do Pai Nosso com a invocação «Venha a nós o vosso Reino». E assim a oração quotidiana e de modo particular a Eucaristia fazem de nós peregrinos-missionários da esperança, a caminho da vida sem fim em Deus, do banquete nupcial preparado por Deus para todos os seus filhos.

3. «Todos»: a missão universal dos discípulos de Cristo e a Igreja toda sinodal-missionária

A terceira e última reflexão diz respeito aos destinatários do convite do rei: «todos». Como sublinhei, «no coração da missão, está isto: aquele “todos”. Sem excluir ninguém. Todos. Por conseguinte, cada uma das nossas missões nasce do Coração de Cristo, para deixar que Ele atraia todos a Si» (Discurso aos participantes na Assembleia Geral das Pontifícias Obras Missionárias, 03/VI/2023). Ainda hoje, num mundo dilacerado por divisões e conflitos, o Evangelho de Cristo é a voz mansa e forte que chama os homens a encontrarem-se, a reconhecerem-se como irmãos e a alegrarem-se pela harmonia entre as diversidades. Deus «quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4). Por isso, nas nossas atividades missionárias, nunca nos esqueçamos que somos enviados a anunciar o Evangelho a todos, e «não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 14).

Os discípulos-missionários de Cristo trazem sempre no coração a preocupação por todas as pessoas, independentemente da sua condição social e mesmo moral. A parábola do banquete diz-nos que, seguindo a recomendação do rei, os servos reuniram «todos aqueles que encontraram, maus e bons» (Mt 22, 10). Além disso, os convidados especiais do rei são precisamente «os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos» (Lc 14, 21), isto é, os últimos e os marginalizados da sociedade. Assim, o banquete nupcial do Filho, que Deus preparou, permanece para sempre aberto a todos, porque grande e incondicional é o seu amor por cada um de nós. «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que n’Ele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Toda a gente, cada homem e cada mulher, é destinatário do convite de Deus para participar na sua graça que transforma e salva. Basta apenas dizer «sim» a este dom divino gratuito, acolhendo-o e deixando-se transformar por ele, como se se revestisse com um «traje nupcial» (cf. Mt 22, 12).

A missão para todos requer o empenho de todos. Por isso é necessário continuar o caminho rumo a uma Igreja, toda ela, sinodal-missionária ao serviço do Evangelho. De per si a sinodalidade é missionária e, vice-versa, a missão é sempre sinodal. Por conseguinte, hoje, é ainda mais urgente e necessária uma estreita cooperação missionária seja na Igreja universal, seja nas Igrejas Particulares. Na esteira do Concílio Vaticano II e dos meus antecessores, recomendo a todas as dioceses do mundo o serviço das Pontifícias Obras Missionárias, que constituem meios primários «quer para dar aos católicos um sentido verdadeiramente universal e missionário logo desde a infância, quer para promover coletas eficazes de subsídios para bem de todas as missões segundo as necessidades de cada uma» (Decr. Ad gentes, 38). Por esta razão, as coletas do Dia Mundial das Missões em todas as Igrejas Particulares são inteiramente destinadas ao Fundo Universal de Solidariedade, que depois a Pontifícia Obra da Propagação da Fé distribui, em nome do Papa, para as necessidades de todas as missões da Igreja. Peçamos ao Senhor que nos guie e ajude a ser uma Igreja mais sinodal e mais missionária (cf. Homilia na Missa de encerramento da Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 29/X/2023).

Por fim, voltemos o olhar para Maria, que obteve de Jesus o primeiro milagre precisamente numa festa de núpcias, em Caná da Galileia (cf. Jo 2, 1-12). O Senhor ofereceu aos noivos e a todos os convidados a abundância do vinho novo, sinal antecipado do banquete nupcial que Deus prepara para todos no fim dos tempos. Também hoje peçamos a sua intercessão materna para a missão evangelizadora dos discípulos de Cristo. Com o júbilo e a solicitude da nossa Mãe, com a força da ternura e do carinho (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 288), saiamos e levemos a todos o convite do Rei Salvador. Santa Maria, Estrela da evangelização, rogai por nós!

Roma – São João de Latrão, na Festa da Conversão de São Paulo, 25 de janeiro de 2024.

FRANCISCO

17 outubro, 2024

“Combate à fome tem surpreendido até os mais otimistas(...)"

No Dia Mundial da Alimentação, ex-ministro defende atuação do governo, mas exige regulação rígida para ultraprocessados.

Há 10 anos, o Brasil atingia uma das maiores conquistas da história ao receber o reconhecimento das Nações Unidas (ONU) de sair do Mapa da Fome. Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o país voltou a amargar dados inaceitáveis de insegurança alimentar, perdendo o título. No entanto, para o ex-ministro José Graziano, o primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o bastante para afirmar que o Brasil está, mais uma vez, no rumo certo.

Leia na íntegra a entrevista, CLIQUE AQUI

16 outubro, 2024

Dia Mundial da Alimentação 16 de outubro

A alimentação é um direito humano básico, é preciso garantir a segurança alimentar e nutricional em todo o mundo. Entende-se por segurança alimentar uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Essa realidade, infelizmente, não é vivida por uma grande parte da população brasileira e mundial.

O tema do Dia Mundial da Alimentação desse ano de 2024 é “Direito aos alimentos para uma vida e um futuro melhores”

Criado em 1981, marcando também o surgimento da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o Dia Mundial da Alimentação tem como objetivo propor uma reflexão sobre a importância dos alimentos e também fazer um apelo para garantir a segurança alimentar e nutricional em todo o mundo.

“Ainda hoje, ‘milhões’ de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isto constitui um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável” ( Papa Francisco - Discurso no encontro com os Movimentos Populares, 28/X/2014).

10 outubro, 2024

Casa de Nazaré lança o projeto “Acreditando na Vida”


Com o intuito de arrecadar doações mensais para ajudar no custeio das atividades, a Casa de Nazaré lançou o projeto “Acreditando na Vida”. Há 25 anos, esta instituição católica acolhe mulheres maiores de 18 anos que enfrentam o uso abusivo de álcool e outras drogas.

O tratamento oferecido pela Associação Beneficente Casa de Nazaré tem duração de 8 a 11 meses. Durante esse período, as acolhidas recebem uma gama de atendimentos, como suporte psicológico, psiquiátrico, serviço social, acompanhamento nutricional, além de atividades físicas que auxiliam na recuperação.

Atualmente, a Casa de Nazaré conta com 11 vagas, sendo seis delas vinculadas ao município de Maringá e as demais ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O acolhimento oferecido pela instituição é totalmente gratuito para as famílias, sendo solicitado apenas que as acolhidas contribuam com despesas pessoais, como itens de higiene, medicações, quando necessário, e outros gastos individuais.

Interessados em colaborar podem entrar em contato:

Casa de Nazaré - Rua Rio Samambaia, 1691 - Conjunto Itaparica - Maringá

Telefone: (44) 3028-6232 ou (44) 99159-1265.

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Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

08 outubro, 2024

IAM da Arquidiocese de Maringá motiva as ações missionárias

IAM da Arquidiocese de Maringá motiva as ações missionárias neste mês de outubro 

Crianças e adolescentes incentivam as ações missionárias especialmente no mês de outubro que é voltado para missão universal, com a presença da Irmã Maria Dolores, missionária do Santo Nome de Maria, que foi uma das fundadoras da IAM e do Conselho Missionário na Arquidiocese de Maringá, sendo uma inspiração para todos.

                             

Por uma missão comum – O Vídeo do Papa 10 – Outubro 2024

07 outubro, 2024

Maringá elege o prefeito no primeiro turno

O prefeito eleito Silvio Barros II (PP) venceu neste domingo (06) sua terceira eleição, com 131.819 votos com a vice Sandra Regina Jacovós.


Nota Sobre o Dia do Nascituro


Nota Sobre o Dia do Nascituro

A Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião do Dia do Nascituro, no dia 08 de outubro, reafirma o compromisso na defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural.

Estamos vivenciando a Semana Nacional da Vida 2024, que neste ano, teve como tema: “Idosos, memória viva da nossa história” e o lema “Na velhice darão frutos” (Salmos 92, 15). Portanto, neste Dia do Nascituro, voltamos novamente o olhar cuidadoso para aqueles que ainda não nasceram, celebramos e renovamos nosso compromisso com a cultura da vida, inspirada no Evangelho de Jesus Cristo, em todas as etapas, como nos recorda o Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, “Um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento”.

A defesa da vida não se fundamenta em ideologias, mas sim na convicção de todo ser humano é um dom de Deus e merece ser acolhido e protegido.

Diante dos desafios que enfrentamos, convidamos todas as famílias, em especial os agentes de Pastoral Familiar, movimentos e serviços familiares, a se engajarem ativamente na promoção da cultura da vida. Que cada um de nós seja um defensor da vida, testemunhando o amor de Cristo a toda a sociedade.

Neste dia, convidamos todos a participarem de uma ação, um gesto concreto, que chamamos de "Sinal da Esperança". Por isso, no dia 08 de utubro, façamos em um gesto de propagação da ‘Luz de Cristo’ para poder iluminar e proteger as vidas vulneráveis e indefesas. Acendamos o maior número de velas e rezemos juntos a ‘Oração d o Nascituro’. Que seja um momento de devoção e unidade.

O local poderá ser em frente a uma Igreja, praça pública ou lugar que seja oportuno. Sugere-se que a comunidade local se mobilize e realize ações adicionais, conforme a sua realidade, como procissões, passeatas, oração do Santo Terço, entre outras, unindo-se às demais pastorais, movimentos e serviços presentes na comunidade.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja e Mãe dos Pobres, interceda por nós, para podermos construir um mundo mais justo e solidário, onde a vida seja respeitada e valorizada em todas as suas fases.

Com fraternos cumprimentos,

Brasília - DF, 04 de outubro de 2024



Dom Bruno Elizeu Versari

Bispo da Diocese de Ponta Grossa - PR

Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB



Dom Moacir Silva Arantes

Bispo da Diocese de Barreiras - BA

Conselheiro da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB



Dom Reginei José Modolo

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Curitiba - PR

Conselheiro da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB

03 outubro, 2024

Eleições ano de 2024!


 

A natureza!


 

Eleições e decadência social

Artigo publicado pelo Porta das CEBs, 03/10/2024


Eleições e decadência social
Por Celso Pinto Carias


É uma pena, mas a senhora democracia tem sido duramente machucada. E entre tantas feridas expostas, por incrível que pareça, talvez em períodos eleitorais seja onde tal ferida pode ser mais identificada.

Costuma-se afirmar que eleição é a grande festa da democracia. Na verdade, nunca foi. Mas já foi um caminho menos decadente. Porém, apesar de tudo, como dizia Winston Churchill, o primeiro ministro inglês durante a segunda guerra mundial, “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais”, ela permite um nível de participação popular que outras formas de governo não possibilitam. E a participação popular é uma espécie de “freio” para que não aconteçam muitas derrapagens, como acontece em ditaduras.

A questão é que os mecanismos eleitorais estão cada vez mais encobertos por uma série de situações, incluindo as legais, que não garante a qualidade de parlamentares e do poder executivo, em direção a um “governo do povo”, como a etimologia da palavra democracia indica. E pior, mesmo os partidos progressistas se omitem em denunciar o sistema eleitoral, pois o medo de perder eleição sempre fala mais alto.

Cremos ser este um desafio muito abrangente, que ultrapassa, inclusive, as fronteiras brasileiras. Mas mesmo falando a partir de um território bem específico, Baixada Fluminense, RJ, onde o presente redator vive há mais de cinco décadas, é possível verificar como estamos debaixo de uma situação extremamente dilaceradora de valores fundamentais, camuflados pela “festa da democracia”.

O poder econômico atua livremente e o judiciário, mesmo quando tem boa vontade, não dá conta. Milhares de pessoas com bandeiras de candidatos nas mãos, em geral pessoas bem pobres, que precisam de cinquenta reais por dia para completar o orçamento. Senhoras e senhores idosos, mães com filhos no colo. No dia da eleição, se compra voto com dinheiro vivo. Pressão de traficantes e milícia. Promessas de emprego que fazem os olhos brilhar por uma vida melhor, e por aí vai.

No exato momento em que se escreve esta coluna, passa um carro de som com músicas de candidatos das mais esquizofrênicas. Caminhada pelas ruas atrapalhando o trânsito, e um volume enorme de papel, até de quem defende a ecologia. Os programas eleitorais na televisão beiram a comédia. É preciso massificar o nome e não o histórico da pessoa e possíveis garantias de que se fará um bom mandato ou governo. Muito teatro. Hoje, é fundamental, se você não for já famoso, jogador de futebol, por exemplo, precisa atuar muito bem no palco político.

E quem tem a máquina, isto é, quem está na estrutura do poder, seja municipal, estadual ou federal faz ações, muitas vezes dentro da lei, de verdadeira maquiagem. Asfalto novo, praça nova, até hospital novo que não vai funcionar; muito visual, mas pouca política pública. Se alguém precisar de tratamento de saúde bom, pode esperar, afinal, é só um voto.

Assim, joga-se para manter a política na lama, anunciando candidaturas como antipolítica, para ocupar, contraditoriamente, um cargo político. Quanto mais recurso municipal se tem, mas negociação inescrupulosa é possível. Enfim, uma coluna é pouco para mostrar as entrelinhas deste emaranhado. A cadeirada em candidato a prefeitura de São Paulo é o símbolo mais expressivo da situação na qual chegamos.

O que fazer então? Três breves indicações.

Em curto prazo, é preciso sim participar do processo eleitoral, pois apesar de tudo, é possível eleger pessoas honestas que lutam pelo povo. Não é nada fácil, por tudo que já foi dito, e se poderia dizer mais. Ajudar para que possa acontecer um mínimo de debate. Não jogar fora a instituição do SEGUNDO TURNO, um dos avanços democráticos da constituição de 1988, querendo eleger o “mal menor” sem analisar consequências já sabidas.

Em médio prazo, lutar para que os partidos progressistas possam garantir um debate interno no qual eleição não seja o único assunto de pauta. Também muito difícil, mas é preciso tentar. Buscar entender melhor o que se passa com a população, sobretudo os mais pobres, e evitar o julgamento arrogante. Uma expressão horrível é “pobre de direita”, pois o pobre que de fato luta pela sua sobrevivência, aquele que segura bandeira de candidato na rua, ou que não consegue comer “mistura” todo dia, nem estou dizendo passar fome, luta pelo imediato. É preciso entender a estrutura mental do simbolismo humano, dos desejos. E vejam bem, desejos estimulados por um capitalismo cruel.

Por fim, em longo prazo, e aqui talvez sejam necessárias umas três décadas, repensar o modelo de sociedade diante de um mundo que está entrando em colapso. Grupos periféricos, movimento popular, agricultura familiar, indígenas, quilombolas, etc., todas e todos que acreditam em um novo mundo possível, precisaremos resistir e constituir mecanismos de sobrevivência coletiva, como nossos antepassados fizeram: BEM VIVER e UBUNTU. Alguém pode dizer: UTOPIA. Sim, u-topos, isto é, outro lugar no qual os que estão nascendo possam se orgulhar e contar a história de como sobrevivemos ao capitalismo diabólico que só deseja lucro e para isso se alia até a genocidas se for preciso.

Meu candidato a Prefeito de Maringá - Pr e minha candidata a Vereadora!

Eleições ano 2024 



 

01 outubro, 2024

Agora chega. É hora de ordenar mulheres ao diaconato. Artigo de Daniel P. Horan

"A ordenação de mulheres ao diaconato livrará a Igreja do pecado estrutural do clericalismo? Não, mas pelo menos fará uma pequena contribuição para a luta contra o pecado do sexismo".

O artigo é de Daniel P. Horan, OFM, professor da cátedra Duns Scotus de Espiritualidade na Catholic Theological Union, em Chicago, nos EUA, onde leciona Teologia Sistemática e Espiritualidade, publicado por Garrigues et Sentiers, 30-09-2024. A tradução é de Luísa Rabolini.

E ele continua perguntando: "A ordenação de mulheres ao diaconato resolverá todas as desigualdades de gênero existentes na Igreja? Não, mas será um passo significativo e simbólico em direção a uma maior inclusão e justiça".



Eis o artigo.

Para os que apoiam a retomada da admissão de mulheres ao diaconato, tanto na Igreja Católica quanto na Ortodoxa, Santa Febe é a santo padroeira. E como acabei de comemorar essa festa, poucas semanas antes da convocação da segunda sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se reunirá de 2 a 27 de outubro, tenho pensado muito sobre as mulheres na Igreja em geral e, mais especificamente, sobre a aparente suspensão de qualquer consideração séria por parte dos mais altos escalões da Igreja - inclusive e especialmente o Papa - para retomar a admissão de mulheres ao diaconato.

Embora o Papa Francisco já tenha criado duas comissões para estudar a questão das mulheres diáconas (a primeira em 2016 e a segunda em 2020), cujos resultados ainda não foram divulgados, não houve nenhum desenvolvimento ou visão clara de um caminho a seguir com relação às próximas etapas. Pelo contrário, em uma entrevista à CBS News em maio, Francisco pareceu negar inequivocamente a possibilidade de mulheres serem admitidas ao diaconato. Quando perguntado pela jornalista Norah O'Donnell: “Uma menina que cresce como católica hoje terá a oportunidade de ser diácona e participar como membro do clero na Igreja? Francisco respondeu simplesmente: “Não”.

Esse modo de proceder levanta temores legítimos de que o Papa, ao criar as duas comissões, estava apenas tranquilizando as religiosas e outros apoiadores, mas que ele nunca considerou seriamente a possibilidade de admitir mulheres ao diaconato ordenado. Um tipo semelhante de retrocesso foi visto no último Instrumentum Laboris do sínodo, o documento de trabalho que serve como agenda básica para o encontro, que removeu o tema das mulheres diáconas da mesa da assembleia (apesar de sua importância como tema da reunião sinodal de 2023).

O tema das mulheres diáconas, que estava entre os outros tópicos concretos de discussão na sessão sinodal de 2023 e nas fases de consulta global, agora foi confiado a dez “grupos de estudo” criados no início deste ano. Essa decisão foi justificada pelo desejo de concentrar o encontro de outubro mais estreitamente sobre o processo de sinodalidade e sobre as discussões de como aumentar a participação ao processo de tomada de decisões da igreja.

Embora alguns participantes do sínodo tenham expressado a esperança de que os grupos de estudo pudessem levar a algum resultado construtivo ou prático, lembro-me do cínico aforismo repetido no ensino superior e na política: os comitês são o lugar onde as ideias morrem. E considerando o status da questão das mulheres diáconas nesse processo sinodal e o não compartilhamento dos resultados das comissões do Vaticano até agora, esse velho aforismo parece ser verdadeiro na Igreja.

Correndo o risco de afirmar o óbvio, está claro que a Igreja Católica Romana (ou pelo menos muitos daqueles a quem foram confiados os níveis mais altos de liderança) tem um sério problema com as mulheres. Francisco fez passos de gigante em termos de pedir um maior envolvimento e representação das mulheres em algumas áreas da liderança da Igreja, entre os quais a nomeação de várias mulheres para cargos de destaque nos dicastérios do Vaticano e a extensão do direito de voto no sínodo a todos os participantes, incluindo as mulheres leigas e religiosas.

Mas a maneira como o papa frequentemente fala das mulheres em abstrato não parece muito diferente do complementarismo “separado, mas igual” do papa João Paulo II, que defendia a manutenção das mulheres nos papéis “tradicionais” da família e da Igreja e elogiava seu “gênio”. Há dez anos, o jornalista David Gibson compilou uma lista de sete exemplos de casos em que Francisco falava das mulheres de uma forma que as crianças poderiam definir como “irritante”. E esses exemplos se referem apenas ao primeiro ano de seu pontificado.

Posteriormente, Francisco tentou muitas vezes abafar a discussão sobre a admissão de mulheres a posições ministeriais oficiais e à ordenação por meio de um paternalismo equivocado que gostaria de proteger as mulheres da “clericalização” e que, como o Papa disse em uma entrevista no ano passado, “o fato de as mulheres não terem acesso à vida ministerial não é uma privação, porque o lugar delas é muito mais importante”, um lugar que ele entende refletir o da “esposa de Jesus, a Igreja”. A lógica básica é que as mulheres são inferiores, que precisam da proteção dos homens e que, de alguma forma, o reconhecimento de sua plena humanidade e capacidade de exercer o ministério e/ou uma liderança ameaça o coração do cristianismo.

Mas o que aconteceria se a Igreja tratasse as mulheres em pé de igualdade com os homens?

Essa é a questão fundamental levantada por mulheres e homens pró-feministas na Igreja há décadas, até mesmo séculos. E é também a questão que hoje leva dezenas de jovens mulheres a abandonar o catolicismo e as outras religiões institucionais. De acordo com um amplo e importante estudo publicado no início deste ano sobre atitudes e identificação religiosa nos Estados Unidos, pela primeira vez na história, as mulheres da Geração Z estão se desligando da religião em uma taxa maior do que os homens. O estudo também mostra que “quase dois terços das mulheres da Geração Z dizem que as igrejas não tratam homens e mulheres da mesma maneira”.

Não é preciso muita imaginação para fazer uma conexão entre a persistência do sexismo e do patriarcado na Igreja, mesmo em afirmações apodíticas sobre a intenção de Deus de garantir a igualdade de gênero no ministério e na liderança, e o aumento da desfiliação.

A ordenação de mulheres ao diaconato resolverá todas as desigualdades de gênero existentes na Igreja? Não, mas será um passo significativo e simbólico em direção a uma maior inclusão e justiça.

Não acredito que seja suficiente apontar as mudanças demográficas ou a frequência à igreja para justificar a busca de maior igualdade para as mulheres na Igreja. Pelo contrário, acho que seria a coisa certa a fazer, mesmo que os jovens, e as mulheres em particular, não estivessem abandonando a Igreja em massa. Há estudos históricos e teológicos suficientes para argumentar, como têm feito há anos pessoas como Phyllis Zagano e outros, que as mulheres devem ser admitidas ao diaconato.

Além disso, poderíamos nos perguntar: se Jesus confiou a Maria Madalena a tarefa de ser a primeira testemunha de sua ressurreição (João 20,11-18) e se São Paulo confiou à diaconisa Febe a tarefa de ser ministra, mensageira e sustento na comunidade cristã nos primeiros tempos (Romanos 16,1-2), posições significativas na história cristã e na Igreja, então qual é a nossa desculpa hoje? Quais são os motivos, além do patriarcado e da misoginia?

A ordenação de mulheres ao diaconato livrará a Igreja do pecado estrutural do clericalismo? Não, mas pelo menos fará uma pequena contribuição para a luta contra o pecado do sexismo.

A ordenação de mulheres ao diaconato resolverá todas as desigualdades de gênero existentes na Igreja? Não, mas será um passo significativo e simbólico em direção a uma maior inclusão e justiça.

A ordenação de mulheres ao diaconato resolverá os problemas de escassez de clero ou o declínio da frequência à igreja? Não, mas será uma afirmação importante da plena humanidade das mulheres, além de dar às igrejas locais o privilégio e a bênção de ver as mulheres pregando, ensinando, batizando, celebrando casamentos, servindo aos pobres e aos sofredores e testemunhando o evangelho de uma forma que reflete mais fielmente a visão do reino inclusivo de Deus, conforme proclamado por Jesus. E isso será melhor para todos.

Fonte: IHU

Debate com os candidatos à Prefeitura de Maringá - 1º turno – Eleições 2024

29 setembro, 2024

Mensagem do Papa Francisco para o 110º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2024

Mensagem do Papa Francisco
Para o 110º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2024

(Domingo, 29 de setembro de 2024)


Deus caminha com o seu povo




Queridos irmãos e irmãs!

No dia 29 de outubro de 2023, terminou a primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que nos permitiu aprofundar a sinodalidade vista como vocação originária da Igreja. «A sinodalidade apresenta-se sobretudo como caminho conjunto do Povo de Deus e como diálogo fecundo de carismas e ministérios ao serviço do advento do Reino» (Relação de Síntese, Introdução).

A ênfase posta na sua dimensão sinodal permite à Igreja descobrir a sua natureza itinerante de povo de Deus em caminho na história, peregrinante – poderíamos dizer «migrante» – rumo ao Reino dos Céus (cf. Lumen gentium, 49). Espontaneamente vem-nos ao pensamento a narração bíblica do êxodo, que apresenta o povo de Israel a caminho da Terra Prometida: uma longa viagem da escravidão para a liberdade, que prefigura a da Igreja rumo ao encontro final com o Senhor.

Da mesma forma, é possível ver nos migrantes do nosso tempo, como aliás nos de todas as épocas, uma imagem viva do povo de Deus em caminho rumo à Pátria eterna. As suas viagens de esperança lembram-nos que «a cidade a que pertencemos está nos céus, de onde certamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo» (Flp 3, 20).

As duas imagens – a do êxodo bíblico e a dos migrantes – apresentam diversas analogias. Como o povo de Israel no tempo de Moisés, frequentemente os migrantes fogem de situações de opressão e abuso, de insegurança e discriminação, de falta de perspetivas de progresso. Como os hebreus no deserto, os migrantes encontram muitos obstáculos no seu caminho: são provados pela sede e a fome; ficam exaustos pelo cansaço e as doenças; sentem-se tentados pelo desespero.

Mas a realidade fundamental do êxodo, de qualquer êxodo, é que Deus precede e acompanha o caminho do seu povo, dos seus filhos de todo o tempo e lugar. A presença de Deus no meio do povo é uma certeza da história da salvação: «o Senhor, teu Deus, vai contigo; não te deixará sucumbir nem te abandonará» (Dt 31, 6). Para o povo saído do Egito, tal presença manifesta-se de diversas formas: uma coluna de nuvem e de fogo indica e ilumina o caminho (Ex 13, 21); a tenda da reunião, que guarda a arca da aliança, torna palpável a proximidade de Deus (Ex 33, 7); a haste com a serpente de bronze assegura a proteção divina (Nm 21, 8-9); o maná e a água (Ex 16 – 17) são os dons de Deus para o povo faminto e sedento. A tenda é uma forma de presença particularmente querida ao Senhor. Durante o reinado de David, Deus recusa-Se a ser encerrado num templo preferindo continuar a viver numa tenda e poder assim caminhar com o seu povo «de tenda em tenda, de morada em morada» (1 Cr 17, 5).

Muitos migrantes fazem experiência de Deus companheiro de viagem, guia e âncora de salvação. Confiam-se-Lhe antes de partir, e recorrem a Ele em situações de necessidade. N’Ele procuram consolação nos momentos de desânimo. Graças a Ele, há bons samaritanos ao longo da estrada. Na oração, confiam a Ele as suas esperanças. Quantas bíblias, evangelhos, livros de orações e terços acompanham os migrantes nas suas viagens através dos desertos, rios e mares e das fronteiras de cada continente!

Deus caminha não só com o seu povo, mas também no seu povo, enquanto Se identifica com os homens e as mulheres que caminham na história – particularmente com os últimos, os pobres, os marginalizados –, prolongando de certo modo o mistério da Encarnação.

Por isso o encontro com o migrante, bem como com cada irmão e irmã que passa necessidade, «é também encontro com Cristo. Disse-o Ele próprio. É Ele –faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente, preso – que bate à nossa porta, pedindo para ser acolhido e assistido» (Homilia na Missa com os participantes no Encontro «Libertos do medo», Sacrofano, 15/II/2019). O Juízo Final narrado por Mateus, no capítulo 25 do seu evangelho, não deixa dúvidas: «era peregrino e recolhestes-Me» (25, 35); e, ainda, «em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (25, 40). Então cada encontro ao longo do caminho constitui uma oportunidade para encontrar o Senhor, revelando-se uma ocasião rica de salvação, porque na irmã ou irmão necessitado da nossa ajuda está presente Jesus. Neste sentido, os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto do Senhor (cf. Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres, 17/XI/2019).

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia dedicado aos migrantes e refugiados, unamo-nos em oração por todos aqueles que tiveram de abandonar a sua terra à procura de condições de vida dignas. Sintamo-nos em caminho juntamente com eles, façamos «sínodo» juntos e confiemo-los todos, bem como a próxima Assembleia Sinodal, «à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, sinal de segura esperança e de consolação no caminho do Povo fiel de Deus» (Relação de Síntese «Para continuar o caminho»).


Oração

Deus, Pai omnipotente,
somos a vossa Igreja peregrina
a caminho do Reino dos Céus.
Habitamos, cada qual, na própria pátria
mas como se fôssemos estrangeiros.
Cada região estrangeira é a nossa pátria
e contudo cada pátria é, para nós, terra estrangeira.
Vivemos na terra,
mas temos a nossa cidadania no Céu.
Não nos deixeis tornar patrões
da porção do mundo
que nos destes como habitação temporária.
Ajudai-nos a não cessar jamais de caminhar,
juntamente com os nossos irmãos e irmãs migrantes,
rumo à habitação eterna que Vó nos preparastes.
Abri os nossos olhos e o nosso coração
para que cada encontro com quem está necessitado,
se torne um encontro com Jesus, vosso Filho e nosso Senhor.
Amém.


Roma, São João de Latrão, na Memória da Bem-Aventurada Virgem Maria Auxiliadora, 24 de maio de 2024.

FRANCISCO

02 setembro, 2024

Mesa Redonda: Como a cristã e o cristão pode fazer um bom voto?


Pelo grito da Terra – O Vídeo do Papa 9 – setembro 2024




"Ouvimos a dor de milhões de vítimas de catástrofes ambientais?"

Esta é uma das perguntas que nos faz o Papa Francisco no mês de setembro, para rezar pelo grito da Terra.

“Os que mais sofrem com as consequências destes desastres são os pobres”, os quais se vêm obrigados a deixar as suas casas quando são afetados.

No Vídeo do Papa, produzido pela sua Rede Mundial de Oração, Francisco encoraja-nos a comprometermo-nos ativamente na luta contra a crise global, adotando respostas tanto com medidas ecológicas como económicas, sociais e políticas.

“Rezemos para que cada um de nós ouça com o coração o grito da Terra e das vítimas das catástrofes ambientais e da crise climática, comprometendo-nos pessoalmente a cuidar do mundo que habitamos”.

"Rezemos pelo grito da Terra.

Se medirmos a temperatura do planeta, dir-nos-á que a Terra tem febre. Que está doente, como qualquer doente.

E nós, ouvimos esta dor?

Ouvimos a dor de milhões de vítimas de catástrofes ambientais?

Os que mais sofrem com as consequências destes desastres são os pobres, os que são obrigados a abandonar as suas casas devido a inundações, vagas de calor ou secas.

Fazer frente às crises ambientais provocadas pelo homem, como as alterações climáticas, a poluição ou a perda de biodiversidade, exige não só respostas ecológicas, mas também sociais, económicas e políticas.

Temos de nos comprometer na luta contra a pobreza e a proteção da natureza, alterando os nossos hábitos pessoais e os da nossa comunidade.

Rezemos para que cada um de nós ouça com o coração o grito da Terra e das vítimas das catástrofes ambientais e das alterações climáticas, comprometendo-nos pessoalmente a cuidar do mundo que habitamos."


22 agosto, 2024

Desigualdade tecnológica: IA e a experiência da pobreza

1) O que significa para a humanidade que as máquinas sejam chamadas de inteligentes?
2) Essas promessas se concretizaram? e
3) Quem foi ou é prejudicado nesse processo?

A IA é o espelho ideal para os ricos, feito pelos ricos para manter seu status, mas os pobres são um espelho real para a sociedade das lutas que ainda enfrentamos, lutas que demandam que trabalhemos juntos para resolvê-las com todas as vozes ouvidas.


Desigualdade tecnológica: IA e a experiência da pobreza

O comentário é de Mayla R. Boguslav, pesquisadora com pós-doutorado em Matemática pela Colorado State University, nos Estados Unidos. O artigo foi publicado em AI and Faith, 03-07-2024. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.

Em seu novo livro “Poor Technology: Artificial Intelligence and the Experience of Poverty” [Tecnologia pobre: inteligência artificial e a experiência da pobreza, em tradução livre], Levi Checketts afirma, acertadamente, que “o mundo está quebrado” (p. 185).

Pobreza, guerra, fome, polarização, pandemias etc. têm atormentado o mundo, especialmente nos últimos anos. Uma solução apresentada foi a inteligência artificial (IA): uma máquina que exibe inteligência humana.

Ela “promete uma vida melhor por meio de uma tecnologia inteligente. Ela revolucionará todos os aspectos da indústria... mudará o nosso lazer... aprimorará a nossa governança... melhorará os nossos resultados de saúde... tornará todos nós ricos” (p. XXIII).

Levi faz perguntas importantes sobre essa solução:

1) O que significa para a humanidade que as máquinas sejam chamadas de inteligentes?

2) Essas promessas se concretizaram? e

3) Quem foi ou é prejudicado nesse processo?

Ele explora essas questões por meio das lentes da pobreza e oferece outra solução: escutar as histórias dos pobres a fim de viver uma vida com dignidade.

O livro “Poor Technology” começa com a história da IA, da Inteligência Artificial Geral (AGI) até a riqueza por trás dela (capítulo 1). As teorias de Gottfried Wilhelm Leibniz, Claude Shannon e Alan Turing afirmam que uma máquina pode abrigar informações, que as informações podem ser reduzidas a um padrão de sequências binárias, e que os computadores digitais são máquinas que podem simular quaisquer outras máquinas (Máquina de Turing Universal).

Considerando que os humanos são simplesmente máquinas, você obtém a AGI: uma máquina com uma mente “humana” baseada na matemática. Para implementar essa visão, os cientistas da computação tiveram que responder a perguntas sobre a senciência e a consciência, acreditando que a AGI pode conhecer a verdade (Checketts usa “AGI” e “IA” de forma intercambiável): “A IA também pressupõe que haja um método universalmente válido para entender o universo” (p. 20).

Eles finalmente se estabeleceram na inteligência, pois ela é quantificável (por exemplo, o teste de QI). No entanto, as pessoas rapidamente perceberam a dificuldade em fazer a AGI e então se concentraram na IA Estreita: máquinas que podem realizar algumas partes de uma mente humana, como responder a perguntas, interpretar imagens médicas etc.

IA e classe privilegiada

“As afirmações ‘objetivas’ da IA ​​não só tendem a ser do âmbito de uma classe privilegiada dentro da sociedade, especialmente dos homens brancos, mas também são, elas mesmas, perspectivas controversas de dentro da tradição filosófica ocidental (em grande parte masculina)” (p. 25). Os ricos controlam a IA.

A IA promete um mundo melhor, incluindo uma maior riqueza, mas, nesse processo, conservou muitos vieses sociais (capítulo 2). “Os pesquisadores de IA esperam que a IA supere as fraquezas morais humanas e os pontos cegos intelectuais” (p. 30), mas isso não aconteceu.

Dados ruins de entrada significam dados ruins de saída. Por exemplo, o software projetado para reconhecer rostos humanos categorizou rostos afro-americanos como os de animais (chimpanzés) e não de humanos, replicando um racismo horrível. Além disso, todo o esforço da ciência da computação é profundamente tendencioso em termos de gênero – um “computador” inicialmente descrevia um trabalho ocupado principalmente por mulheres; somente quando a “computação” se tornou um trabalho masculino é que ela foi associada à inteligência. As mulheres são vistas como inferiores (veja o capítulo 2 para mais exemplos.)

O livro “Weapons of Math Destruction” [Armas de destruição matemática, em tradução livre], de Cathy O’Neil, mergulha fundo nos preconceitos reproduzidos pelas máquinas. Esses exemplos levantam a questão do status moral das máquinas e de quem é o culpado por esses vieses.

Um preconceito não muito mencionado na literatura é o dos pobres, e Checketts se propõe a entender a perspectiva deles em relação à IA.

Para fazer isso, é preciso entender os objetivos da IA. Uma promessa da IA ​​é economizar dinheiro maximizando os lucros, por meio do aumento da eficiência (capítulo 3). Quem vê o dinheiro economizado? Não o trabalhador médio, porque “a maximização do lucro depende inteiramente da venda de produtos por um valor maior do que o do custo de produção” (p. 76). O salário do trabalhador médio é parte do custo de produção de um item, e, portanto, o objetivo é minimizar o custo de produção, incluindo o custo de compensação dos trabalhadores.

As máquinas substituem os humanos, deixando os trabalhadores sem empregos e mais empobrecidos. A meta é reduzir a inteligência dos humanos a números, a fim de criar uma IA que possa fazer a tarefa. “A inteligência artificial geral, então, é o fetiche dos fetiches. É o sonho, a fantasia, na verdade, da classe capitalista. Ela converte todas as informações reais em números” (p. 80).

Trabalhadores reduzidos a números

Não apenas os trabalhadores são reduzidos a números, mas os pobres, especialmente, também são vistos como “desvalorizados”. Os pobres são um espelho para os ricos do que eles não querem se tornar. Em uma sociedade capitalista, o dinheiro é valorizado, e, portanto, os pobres são desvalorizados.

“O destino dos fabricantes globais substituídos pela automação, as doações de caridade dirigidas à ‘segurança da IA’ em vez do alívio da pobreza, a inscrição algorítmica do viés estrutural, o racismo ambiental perpetuado na luta por minerais de terras raras e pelo consumo massivo de energia, e todos os incontáveis ​​pobres que são tratados como dispensáveis ​​no processo de treinamento de dados são todas questões urgentes deixadas de lado em favor de elogios triunfais aos ganhos de capital prometidos pela IA” (p. 81).

As condições de trabalho são insuportáveis, e muitas grandes corporações como a Amazon defendem vigorosamente políticas antitrabalhistas. Muito dinheiro está indo para a IA, mas ela realmente resolveu os problemas da humanidade, especialmente a pobreza? Os pobres têm voz para compartilhar suas preocupações?

Os ricos lutam contra os trabalhadores, escolhendo a história a ser contada sobre os pobres em relação à IA “objetiva”: “A natureza ‘objetiva’ das IAs que realizam essas tarefas no lugar de humanos fracos mostra que os pobres são os próprios culpados... Então, empresas de tecnologia poderosas que deslocam, policiam e empobrecem os pobres são consideradas ‘inovadoras’ em seu uso da tecnologia (o imaginário sociotécnico), e os pobres são considerados moralmente deficientes” (p. 83).

Perpetua-se a história de que os ricos conquistaram o seu lugar e de que os pobres merecem o deles. Essa narrativa mantém a divisão entre ricos e pobres. Somente se os pobres estiverem dispostos a jogar segundo as regras da sociedade (estabelecidas pelos ricos) é que eles terão um valor permitido.

As políticas até entram nesse jogo: Checketts argumenta que “toda política projetada para ajudar os pobres é envolta em requisitos e políticas projetadas para impor os valores burgueses contra os pobres. Se os pobres forem mais suscetíveis ao abuso de substâncias, os políticos dos Estados Unidos promulgarão testes de drogas para os beneficiários de assistência social (apesar de isso ser mais dispendioso)” (p. 85). Os pobres não conseguem contar sua história, mas ela é escrita para eles pelo capitalismo.

Checketts pretende compartilhar as realidades da pobreza (capítulo 4). Ele compartilha sua própria história de pobreza no prefácio. A “definição básica de pobreza empregada nesta obra é a escassez ou a insegurança em relação aos recursos necessários” (p. 92). Mesmo com essa definição, Checketts luta para contar a história devido a um “paradoxo: seja qual for a medida que possamos usar, os piores da sociedade estão fadados a ser aqueles cujas realidades não podem ser postas em palavras” (p. 94). Os pobres não têm voz nem nome. Só ouvimos as histórias a partir da perspectiva dos ricos.

A prioridade de sobreviver

Ele continua afirmando que quatro características nos ajudam a entender a pobreza: falta de recursos, gostos cultivados, mentalidade de sobrevivência e consciência econômica (p. 97). Os pobres experimentam um mundo que não é ditado por eles, mas pelos ricos. Recursos, gostos, mentalidade e dinheiro são fortemente influenciados pela sociedade, que determina como “ajudar” os pobres, os quais, então, se tornam ainda mais definidos por sua falta de escolha e por sua mentalidade de curto prazo.

Sobreviver hoje em dia é sempre uma prioridade, e cada pessoa pega o que pode pagar, não importa o que seja: “Muitos indivíduos pobres estão dispostos a fazer o que for preciso para sobreviver. Assim, o crime contra a propriedade acompanha positivamente a desigualdade econômica. No entanto, o crime violento, não” (p. 120).

Essas generalidades não fazem justiça às experiências dos pobres, e, portanto, outras pessoas contaram suas narrativas por meio do cinema, incluindo as séries “Round 6” e “Trailer Park Boys”, os filmes “LadyBird: a hora de voar” e “Parasita” etc. Precisamos continuar ouvindo essas histórias.

A partir dessas histórias, Checketts levanta a questão: “Assim como o equivalente tecnológico ao Santo Graal, a IA oferece uma saída para esse sistema ou é apenas a ferramenta mais recente para reforçar as epistemologias burguesas?” (p. 126).

Ele acha que “talvez a visão da  IA que cumpre todas as fantasias consumistas possa ser reimaginada com uma IA que empodere os pobres a se defenderem, a garantirem melhores salários e a viverem livres da dominação burguesa” (p. 126). A IA pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar o mundo quebrado se for usada em prol da humanidade e não focada em maximizar os lucros.

Ao mesmo tempo, os pobres tentaram se levantar no passado (ludismo), e não só falharam, mas também foram banidos pela lei (capítulo 5). Checketts afirma: “A IA é para os interesses dos ricos” (p. 131). Isso levanta a questão sobre se a IA resultará em um desfecho justo. Seja qual for a resposta, trata-se de um desfecho justo a partir da perspectiva de quem é mais bem servido pelo capitalismo e pela IA.

No entanto, podemos recorrer à religião para nos ajudar a focar nos pobres. Muitas religiões e filósofos promovem a ajuda a quem não tem meios. O judaísmo tem muitos mitzvot (mandamentos) específicos sobre os pobres, incluindo que os agricultores deixem toda sobra ou produto esquecido e os cantos de seus campos para que os pobres possam recolher algo (disponível em inglês aqui). O cristianismo também afirma: “Bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino de Deus” (Lucas 6,20) (p. 133).

O filósofo Friedrich Nietzche também afirma que a Bíblia é uma inversão da moral dos fortes: “O pobre é aquele que deve ser reverenciado contra os poderosos e soberanos” (p. 133). Talvez o mais palpável disso seja Jon Sobrino ao ecoar Ignacio Ellacuria comparando a “civilização da pobreza” e o estilo laissez-faire da “civilização da riqueza” dos Estados Unidos (p. 138).

Civilização da pobreza

A civilização da pobreza “não busca o crescimento infinito ou a aquisição de capital; ela prioriza atender a todos os direitos humanos e a promover o florescimento ecológico e comunitário... O consumidor é substituído pelo cidadão” (p. 138). A IA faz parte da civilização dos ricos: “O futuro brilhante da automação nada mais é do que uma fantasia do consumidor, em que todo prazer é de alguma forma satisfeito sem nenhum custo, em que as máquinas mantêm tudo automaticamente, em que todos os problemas são resolvidos por meio da ciência e da tecnologia, em que o nosso poder é ilimitado. Em uma palavra, é uma fantasia utópica. Mas é uma utopia contada pela imaginação empobrecida da classe alta industrial” (p. 139).

Por outro lado, a civilização da pobreza é “uma civilização em que as vozes dos pobres são elevadas, em que as necessidades humanas são atendidas, e em que o lucro é subordinado à justiça, como um corretivo necessário ao modo desumano como os pobres experimentam o mundo. Essa visão é tão utópica quanto a fantasia da IA, mas a utopia da civilização dos pobres é mais autêntica para a tradição cristã. Essa visão parte das promessas que Deus nos revela: os últimos serão os primeiros, toda lágrima será enxugada, as nações do mundo se reunirão em uma só” (pp. 139-140). A religião foca na unidade, buscando ver a humanidade. Checketts argumenta que a humanidade precisa se mover rumo à civilização da pobreza a fim de ajudar a consertar o mundo quebrado.

Os pobres vivem suas vidas e reconhecem que há mais na vida do que matemática e informação. Eles não buscam criar a si mesmos à sua própria imagem, como os cientistas da computação criaram a IA à sua imagem (veja a tabela abaixo). Quer você atribua o mistério da vida a Deus ou a qualquer outra coisa, a AGI visa a matematizar o belo mistério da humanidade, da consciência e da inteligência. A matemática não pode resolver tudo.

O Unabomber era um prodígio da matemática: “A mente matemática, afiada para ver problemas como solucionáveis ​​apenas em números puros, não poderia permanecer de pé contra a realidade bruta da existência humana – a crueldade das crianças violentas, a perversidade da ciência sem ética… o cálculo mecânico frio que pendura etiquetas de preço na natureza inestimável” (p. 163).

Chamar máquinas de humanas e/ou conceder direitos a máquinas enquanto outras pessoas não recebem o mesmo status moral (incluindo os pobres, as pessoas com deficiência etc.) é problemático (conclusão). “Quanto mais o modelo epistemológico da IA ​​é reforçado como normativo, a epistemologia dos pobres é ainda mais difamada. Dizer que a IA é “consciente”, que merece direitos humanos ou que deve receber autonomia legal é fazer uma reivindicação que nem sempre é dada aos pobres” (p. 177). Todos os humanos têm direito à dignidade, e ela não é definida pela inteligência.


Conclusão

O mundo está polarizado em muitos aspectos, e, mesmo assim, as pessoas que não têm escolhas sobre como viver (como os pobres) acreditam em coisas maiores do que elas mesmas. Nós, como humanidade, precisamos parar de tentar dominar o mundo e, em vez disso, viver e ajudar uns aos outros.

Quando o mundo desmoronou durante a pandemia da Covid-19, pelo menos no começo, a maioria das pessoas se mobilizou para ajudar umas às outras e não se importou com as diferenças! Voltemos a isso, mas de preferência sem uma crise.

Onde quer que você esteja em sua jornada e independentemente de como se sinta sobre um tema, pare de brigar! É bom que discordemos. Os desentendimentos são o meio pelo qual grandes coisas são feitas. Não precisamos nos matar. Ouça as histórias uns dos outros e cuide de seus semelhantes! Somos todos seres humanos!

Poor Technology” nos lembra que a IA é o espelho ideal para os ricos, feito pelos ricos para manter seu status, mas os pobres são um espelho real para a sociedade das lutas que ainda enfrentamos, lutas que demandam que trabalhemos juntos para resolvê-las com todas as vozes ouvidas.

Este livro é um chamado a lembrar a beleza do mistério da vida e a não ficar preso em como recriá-la. Para uma boa história da IA, dos pobres e de sua interação, recomendo fortemente o livro “Poor Technology” de Checkett.

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Fonte: IHU