CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
PANDEMIA E PÓS PANDEMIA: DEZ PONTOS PARA REFLEXÃO
“Eis que eu estou convosco todos os dias” (Mt 28,20)
Equipe de Análise de Conjuntura Eclesial Dom Paulo Cezar
Costa, Coordenador
“Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação
dos séculos” (Mt 28, 20). Estas palavras de Jesus, dirigidas aos discípulos,
dão-nos a certeza de que não estamos sozinhos diante dos problemas, desilusões,
sofrimentos, crises, pandemias etc. Ele caminha conosco. Estamos vivendo um
tempo difícil da Pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19), em que parece custoso
ver a presença do Senhor junto a nós. Papa Francisco, na Praça de São Pedro
vazia, expressou bem: “Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades;
apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um
vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se
nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos”. Mas, a
narrativa dos discípulos de Emaús, nos dá a certeza de que nas noites escuras
da vida e da história, o Senhor permanece conosco, Ele caminha conosco (Lc 24,
13-35).
Este tempo grave de Pandemia fechou as portas de nossas
igrejas, mas a Igreja não está fechada, ela continua alimentando seus filhos e
filhas através da oração, da Palavra, das celebrações transmitidas pelas TVs
Católicas, rádios e mídias sociais, continua assistindo aos pobres e mais
necessitados pela caridade e criando redes de solidariedade. Não sabemos até
quando esta crise durará, talvez, em muitas regiões, ainda que não tenha
chegado o pico, porém, já se começa a ver sinais de possíveis superações. É
preciso, vivermos com responsabilidade este momento, incentivando o nosso povo
ao cuidado com a própria vida e com a vida do próximo, como nos exortou a
Campanha da Fraternidade: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34).
É importante, também, começarmos a refletir sobre este processo de volta e do
pós-pandemia. Propomos, no desejo de ajudar, alguns elementos para a nossa
reflexão:
1. Este tempo de Pandemia nos fez estar presentes nas casas
e na vida das pessoas de uma forma nova: por meio das mídias sociais. Já as
usávamos como meio de comunicação, de evangelização, de missão e de
solidariedade. Este tempo acelerou o processo de uso das mídias sociais para
reuniões, trabalhos, aulas, missas etc., tudo on-line. Descobrimos uma nova
forma de nos fazermos presentes nas casas, nas famílias e na vida das pessoas.
E as pessoas descobriram este novo modo de presença, de participação na vida da
comunidade. Este caminho deve continuar a ser trilhado: quantas lives,
inclusive com transmissão de celebrações, terços, orações etc. A PASCOM
(Pastoral da Comunicação) tornou-se uma pastoral fundamental na vida das
Dioceses, Paróquias e Comunidades. É um passo que foi dado e que não poderá
retroceder. Porém, nossas celebrações, voltarão a ser presenciais. Jesus, com
seus gestos e palavras, com sua morte e ressurreição, convocou a assembleia do
Novo Israel, a Igreja. A Igreja, desde o Novo Testamento, reúne-se em
assembleia litúrgica, a cada domingo, para celebrara memória da morte e
ressurreição do Senhor, a Eucaristia. A própria assembleia reunida é sinal da
presença do ressuscitado (Mt 18,20).É encontrando-se com o irmão de fé,
cantando, rezando, celebrando, ouvindo a Palavra de Deus e se alimentando da
Eucaristia que se mantém o coração aquecido, no amor do Senhor, e que se renova
a disposição de ser dom na vida da sociedade. Não há oposição entre a
assembleia litúrgica presencial e a transmissão virtual, pois existe uma
absoluta primazia do presencial. Trata-se de uma forma de continuar atingindo
tantas pessoas que ainda não se despertaram para a importância de viver e
partilhar a fé em comunidade, e que, vendo a vivacidade da comunidade cristã,
poderão ser atraídas para esta. Por isso, o uso das mídias sociais deverá continuar
a ser um grande elemento da presença da Igreja, de evangelização, demissão, de
oração com o nosso povo, de promoção da caridade e solidariedade. Este caminho
exigirá maior investimento nas PASCOM, na aquisição de materiais e de formação
de pessoas especializadas.
2. A vida moderna é marcada por uma grande agitação que
envolve toda a pessoa: preocupações, corre-corre para o trabalho, tantos
afazeres que o ser humano não tem tempo para parar. A sociedade tornou-se
sociedade do operar, do transformar, do consumir etc. A pós-modernidade conjuga
dois aspectos muito fortes da vida: a racionalidade e o sentimental. A
influência da razão faz com que tudo pareça bem previsível, tudo deve estar
sobre o acirrado controle racional. De um momento para outro, deparamo-nos
confinados e isolados em nossas casas. Esta Pandemia nos colocou diante do
imprevisível e impensável. De um momento para o outro, sentimos que tudo fugiu
do nosso controle: desde a realidade econômica, até o emprego, a saúde, a
liberdade etc. A vida humana se manifestou em sua fragilidade e contingência.
Sentimo-nos ameaçados naquilo que nos é mais precioso: a vida humana. Neste
tempo e campo, podem aflorar doenças psicológicas, distúrbios, desequilíbrios
afetivos e emocionais. Neste cenário, a Igreja deve estar preparada para se
manifestar como uma mãe que cura feridas, que apresenta o remédio da consolação
e da esperança. A oferta de tantas propostas, que fazem parte do rico
patrimônio espiritual da Igreja, como aconselhamento, espiritualidade, métodos
de oração, podem ajudar na saúde física e no equilíbrio espiritual das pessoas.
É preciso, neste tempo, conduzir as pessoas a um sentido mais profundo da
existência, a um retorno às raízes, que se encontram no mistério eterno do amor
de Deus (1Jo 4,8.16). Neste caminho, pode-se incentivar o ministério da escuta,
também, a ajuda de profissionais como psicólogos (as), que em nossas
comunidades, por meio do trabalho voluntário, possam ajudar e atender,
principalmente os mais pobres. Tenhamos sempre presente o que nos pede o Papa
Francisco: “Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre
a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos”1.
3. Depois de um tempo de crise, em que se experimenta a
contingência da vida, emerge a questão do sentido da vida. Nesta busca de sentido
aflora a procura pelo elemento religioso. É possível que haja um despertar da
busca religiosa. A Pandemia pode assim, ser um elemento despertador da dimensão
religiosa, da busca de Deus e precisamos estar atentos a isso. A imagem dos
gregos que querem ver Jesus (Jo 12, 21) nos ajuda nesta reflexão: O coração de
todo ser humano traz este desejo profundo de “ver” Jesus. Nesta passagem, o
verbo “ver” expressa todo o desejo e abertura que há no ser humano para a face
de Deus, toda inquietação que o coração humano traz na busca de sentido. Nas
situações de doença, no falimento diante da morte, nas situações limites da
vida, coloca-se sempre o problema do sentido da existência, da totalidade de
sentido da vida em si, mas sobretudo da vida humana. Em cada ser humano há uma
busca de sentido, há um projeto de sentido da vida2. O conceito de sentido
expressa o projeto de totalidade da nossa vida, que não pode encontrar o “seu
ser-total” sem o mundo no qual está situada. Somente na experiência de sentido,
e por meio desta, o ser humano chega ao “ser-total” e à salvação da própria
existência. O sentido experimentado e realizado seria então a salvação do ser
humano3. A religião deve ser portadora de sentido e de esperança à existência
humana. É preciso que “a luz da fé”4 ilumine os caminhos a serem trilhados no
pós-pandemia. A Igreja deve estar preparada para acolher as pessoas
fragilizadas não como uma alfândega cheia de exigências e fardos pesados5, mas
como uma mãe misericordiosa conduzindo as pessoas ao encontro com a pessoa de
Jesus Cristo e integrando-as na comunidade de fé. Deve-se perceber que a
experiência de finitude e impotência poderá auxiliar a revermos nossa condição
humana dependente de Deus. Como cristãos, precisamos destacar o sentido de
seguir o Crucificado que ressuscitou. Rever o lugar da Cruz em nossa
experiência eclesial poderá purificar toda tentação de reduzir a fé cristã aos
interesses de segurança e sucesso. Os santos místicos nos recordam que “tudo
passa e só Deus basta”, mas é preciso aceitar as noites escuras sem perder a
esperança.
4. Em meio a esta
pandemia, houve a redescoberta da “Igreja doméstica”6, este belo conceito de
São Paulo VI. A família reaprendeu a estar junta, a rezar unida, a compartilhar
a vida, a existência etc. Papa Francisco propôs para o mês de maio de 2020 a
oração do terço. Que bonito seria, se a família, unida e reunida, pudesse rezar
o terço. Aqui sim, teríamos o exercício genuíno da função sacerdotal batismal
do pai e da mãe de família, que, com este simples e lindo gesto, estariam
animando e alimentando a oração e a vida espiritual de sua família, de sua
“Igreja doméstica”. Nesta valorização da Igreja doméstica, As Diretrizes da
Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 podem impulsionar o valor das
Comunidades Eclesiais Missionárias e da Igreja Doméstica em tempos de revisão
de ação pastoral pós-pandemia. Contemporaneamente, este é um período e momento
em que dramas humanos afloraram e se explodiram, inclusive levando a um
crescimento do número de separações de matrimônios, aumento da violência
familiar que vitima as mulheres, crianças e idosos. Também esta realidade
exigirá a presença da Igreja, como uma mãe misericordiosa, para ajudar a sarar
feridas e corações machucados (Is 61,1). O Ano da misericórdia,
pedagogicamente, nos fez encontrar com o amor misericordioso de Deus e impeliu
a Igreja a ser mãe misericordiosa. “A arquitrave que suporta a vida da Igreja é
a misericórdia. Toda a sua ação pastoral deveria estar envolvida pela ternura
com que se dirige aos crentes; no anúncio e testemunho que oferece ao mundo,
nada pode ser desprovido de misericórdia. [...] É o tempo de regresso ao
essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades dos nossos irmãos. O perdão
é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o
futuro com esperança”7.
5. Todos estamos
sofrendo com esta Pandemia, mas os que mais sofrem são os pobres: aumento do
número das pessoas em situação de miséria, perda de emprego, vagas de emprego
diminuindo com a quebra de empresas, ausência de condições para precaver-se
contra o contágio etc. A Igreja, mãe que sempre busca atender os pobres,
necessitados e vulneráveis continuará a ser interpelada no seu cuidado pelos
últimos da nossa sociedade. A solidariedade é fundamental neste contexto. São
João Paulo II dizia que a solidariedade “Não é um sentimento de vaga compaixão
ou de ternura superficial pelos males de tantas pessoas próximas ou distantes;
pelo contrário, é a firme e perseverante determinação de trabalhar para o bem
comum, isto é, para o bem de todos e de cada um, a fim de que todos sejam
verdadeiramente responsáveis por todos”8.Neste caminho, é preciso envolver
todos os atores da vida de uma sociedade: poderes públicos, mundo empresarial,
meios de comunicação, instituições educacionais, ONGs, cada cidadão. É preciso,
de imediato, assistir aos pobres, pois quem tem fome não pode esperar. Porém,
parece-nos que neste momento é preciso algo mais, é necessário colocar nossas
estruturas a serviço e criar parcerias que possam ajudar as pessoas a serem
sujeitas da própria história. Junto com o SEBRAE, ou outras instituições, é
preciso apoiar pequenos cursos que ajudem as pessoas a criarem seu negócio, a
serem um pouco mais profissionais naquilo que já estão fazendo ou que poderão
vir a construir. É preciso apontar caminhos e dar meios para que as pessoas
possam ser sujeitos da própria história. Nesta grande crise que abateu a todos,
é preciso ir além dos discursos, além do assistencialismo, pois “o pensamento
social da Igreja é primariamente positivo e construtivo, orienta uma ação
transformadora e, nesse sentido, não deixa de ser sinal de esperança que brota
do coração amoroso de Jesus Cristo”9.
6. Em realidades onde
tantas pessoas perderam a vida e não tiveram sequer as justas cerimônias de
despedida, onde os familiares foram impedidos de chorar junto a seus entes
queridos, a Igreja não pode perder de vista que é direito das pessoas chorarem
e fazerem a última despedida antes de sepultar seus corpos. Sabemos o quão
importante e significativo é o Ritual das Exéquias. Primeiro, pela própria
concretude da morte: aquela pessoa querida terminou sua jornada, e a família,
quando realiza seu funeral, encerra concretamente este capítulo de uma dolorosa
história. Segundo, o pertencimento social: quando os amigos e outros membros da
família expressam as suas condolências, as pessoas enlutadas se sentem
confortadas e pertencentes a um grupo social no qual construíram sua história
ao longo de gerações. Acrescenta-se que no momento do velório conta-se as
histórias do falecido(a), resgata-se seu legado, reconstrói-se a memória da
pessoa e o quanto ela foi amada e importante. A partir disso, os familiares vão
elaborando o luto e confortando a dor da perda, que será sempre irreparável.
Desta forma, os ritos fazem com que a morte seja um processo no percurso da
vida, ainda que doloroso. A ausência destes rituais tem um impacto muito
negativo e sofrido, emocional e afetivamente falando. A falta deste momento de
despedida, como estamos vendo durante a Pandemia do Novo Coronavírus, causa uma
lacuna na vida de pessoas e famílias inteiras, com sentimento de vazio e
impotência. A pessoa tem o direito da Cerimônia de Exéquias, que ajuda no
processo de superação do luto. Aqui, o caminho da justa criatividade
acompanhada pela responsabilidade, deve ajudar.
7. É importante que, neste processo de abertura, mantenhamos
o cuidado e o respeito pela vida humana, que caracteriza a doutrina da Igreja e
que norteiam nossos pronunciamentos e atitudes neste tempo da Pandemia do Novo
Coronavírus. Devemos dar atenção às orientações emanadas pela Organização
Mundial da Saúde, às normas dos Estados e dos Municípios. A Igreja deve
sentir-se sujeito das normas justas emanadas pela autoridade civil,
principalmente se visam preservar e promover a vida humana. Ocorreram
intervenções indevidas de agentes do Estado em celebrações. Deve-se afirmar a
liberdade da Igreja de exercer livremente a sua missão e como bem afirmou o
Concílio Vaticano II: “o direito a esse exercício não pode ser impedido, desde
que guarde a justa ordem pública”10.Se em algum momento, por imprudência ou
excesso de zelo de representantes de alguma das partes, acontecerem conflitos
ou exorbitância na competência, o caminho de solução passa sempre pelo diálogo.
Em última instância, a justiça existe para garantir as liberdades individuais e
a justiça nas relações. Não podemos nos esquecer que a vida humana é um
imperativo para os discípulos e discípulas de Jesus Cristo, que veio “para que
todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
8. O amor fraterno deve, neste momento histórico, fazer a
diferença na nossa vida e caminhada de nossas comunidades. Também a Igreja, na
sua caminhada, já sente as consequências da crise na vida de cada um e na vida
econômica que está se abatendo sobre o mundo. É tempo de manifestarmos
concretamente o nosso amor através da ajuda entre paróquias que têm melhores
condições econômicas e aquelas menos favorecidas, entre irmãos que têm
condições melhores e irmãos que têm condições piores. O livro dos Atos dos
Apóstolos, que estamos lendo neste Tempo Pascal, indica-nos o caminho: “A
multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as
coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum” (At 4,32.2,42).
9. Não podemos nos esquecer da saúde física e psicológica
dos nossos amados presbíteros. O estarmos celebrando sem a presença física do
nosso povo, igualmente reclusos em suas casas, os problemas financeiros que
começam a afetar a vida das paróquias, podem afetar também a saúde física e
psicológica dos nossos presbíteros. É importante, neste momento, que ofereçamos
suporte humano e psíquico aos nossos presbíteros e que, se preciso for,
indiquemos psicólogos (as) que possam ajudá-los no equilíbrio emocional.
10. Nós, cristãos católicos, não devemos entrar no falso
dilema entre escolha da preservação da vida ou da economia. As oposições podem
manifestar visões parciais da realidade. Papa Francisco nos relembra que “a
unidade prevalece sobre o conflito”11.A preservação da vida e o cuidado da
economia não estão em contraposição. O cuidado da vida sempre levará em
consideração o cuidado da economia, pois a centralidade deve ser da pessoa
humana, não do lucro.
Enfim, a Igreja deve ser portadora da grande Esperança que
nasce da fé, tanto para o nosso amado povo como para a vida da sociedade
inteira. Cristo Morto e Ressuscitado é a grande razão da nossa esperança, e
“devemos estar sempre prontos a dar razão dela a todo aquele que no-la pedir”
(1Pd 3,15). Como nos pede o Papa Francisco: “não deixemos que nos roubem a
esperança!”12. O anúncio de Jesus Cristo tem que ser portador de Esperança. A
Esperança Cristã se fundamenta na memória de Cristo. A ressurreição de Cristo
nos diz que Ele não se encontra mais entre os mortos, e que, portanto, a força
deste mundo mortal foi rompida13. O cristianismo primitivo fundava sua fé não
sobre uma reconstrução científica do Jesus histórico, mas na escuta da viva
proclamação do Senhor morto e ressuscitado. Este foi o grande anúncio daquele
primeiro dia da semana: Ressuscitou, não está mais aqui! A ressurreição de
Cristo nos dá a certeza de que a história é história de vida e de ressurreição.
Ele está conosco (Mt 28,20), não estamos sozinhos na história e na batalha
cotidiana da vida.
Estas indicações
querem, simplesmente, ajudar a nossa reflexão neste momento difícil da
história.
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11Papa Francisco, EvangeliiGaudium, 226-230.
12 Papa Francisco, EvangeliiGaudium, 86.
13 J. MOLTMANN, “Ressurreição - fundamento, força e meta de
nossa Esperança”, 112.
SE/Sul Quadra 801 Conj. B / CEP 70200-014 - Brasília - DF –
Brasil
Fone:(61) 2103 8300 / 2103 8200 / 98173 5967 / 98173 5958
e-mail: secpresidencia@cnbb.org.br Site: cnbb.org.br
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