27 dezembro, 2017

“O neoliberalismo é uma perversão da economia dominante”. Artigo de Dani Rodrick

“Os neoliberais certamente não estão errados quando argumentam que esses ideais preciosos são mais propensos a ser alcançados em uma economia vibrante, forte e em expansão. No entanto, eles se enganam quando pensam que existe uma receita única e universal para melhorar o desempenho econômico, à qual eles teriam acesso. O erro fatal do neoliberalismo é que ele se engana sobre o que é a economia em si. Este deve ser rejeitado em seus próprios termos pela simples e boa razão de que é uma economia ruim”. A reflexão é de Dani Rodrik, professor de economia política internacional naEscola de Governo John F. Kennedy na Universidade de Harvard, em artigo publicado por Alternatives Économiques, 12-12-2017. A tradução é de André Langer.


Eis o artigo.

Mesmo os críticos mais contumazes reconhecem: é difícil definir o neoliberalismo. Em geral, este termo sugere uma preferência pelos mercados e não pelo Estado, pelos incentivos econômicos, em vez das normas culturais, e pelas empresas privadas em detrimento da ação coletiva. De Augusto Pinochet a Margaret Thatcher ou Ronald Reagan, dos democratas estadunidenses ao novo Partido Trabalhista britânico, da abertura econômica chinesa até a reforma do Estado-providência na Suécia, a palavra tem sido usada para descrever uma grande variedade de situações.

Assim, a palavra “neoliberalismo” é usada como um coringa que qualifica qualquer coisa relativa à desregulamentação, à liberalização, à privatização ou à austeridade fiscal. Hoje, ele é rotineiramente difamado e equiparado a todas as ideias e práticas que contribuíram para o aumento da insegurança econômica e das desigualdades, o que nos levou à perda de nossos valores e de nossos ideais políticos e, finalmente, precipitou o surgimento de movimentos populistas.

Onde estão os neoliberais?

Aparentemente, nós vivemos na era do neoliberalismo. Mas quem são, no final das contas, os seguidores e os disseminadores dessa corrente de pensamento – os próprios neoliberais? Curiosamente, teríamos que voltar quase ao início dos anos 1980 para encontrar alguém que tenha abraçado explicitamente o neoliberalismo. Em 1982, Charles Peters – que durante muitos anos dirigiu a revista política Washington Monthly – publicou um “Manifesto Neoliberal”, que constitui ainda hoje, passados 35 anos, uma leitura interessante, pois o neoliberalismo que ele descreve tem pouca semelhança com o alvo de escárnio de hoje. De acordo com Peters, os políticos que encarnam o movimento neoliberal não seriam semelhantes a Thatcher ou Reagan, mas liberais – no sentido estadunidense da palavra – que, após se decepcionarem com os sindicatos e a onipresença dos governos centrais, abandonaram seus preconceitos contra os mercados.

O uso do termo “neoliberal” explodiu na década de 1990, quando foi associado a dois fenômenos, nenhum dos quais foi mencionado no artigo de Peters. O primeiro deles é a desregulamentação financeira, que culminaria na crise financeira de 2008 e na ainda atormentada fragilidade da zona do euro. O segundo fenômeno é a mundialização econômica, que se acelerou graças à livre circulação de capitais e a um novo e mais ambicioso tipo de acordos comerciais. A financeirização e a globalização tornaram-se as manifestações mais visíveis do neoliberalismo no mundo de hoje.

Entre ciência e ideologia

O fato de que o neoliberalismo é um conceito escorregadio e maleável e que não dispõe de um lobby explícito de defensores, não significa que seja insignificante ou irreal. Quem pode, com efeito, contestar que o mundo não experimentou uma mudança decisiva em relação aos mercados desde a década de 1980? Ou o fato de que os políticos de centro-esquerda – os democratas nos Estados Unidos, os socialistas e os social-democratas na Europa – abraçaram com entusiasmo alguns dos credos centrais do thatcherismo ou do reaganismo, como a desregulamentação, a privatização, a liberalização financeira ou a iniciativa privada? Grande parte das nossas discussões políticas contemporâneas está imbuída de princípios baseados no conceito de homo œconomicus, um ser humano perfeitamente racional que procura maximizar o interesse próprio e que constitui um elemento central de muitas teorias econômicas.

Mas a elasticidade do termo “neoliberalismo” também significa que as críticas que são direcionadas a essa corrente econômica erram muitas vezes o alvo. Não há nada de errado nos mercados, na iniciativa ou na empresa privada quando esses princípios são aplicados adequadamente. As conquistas econômicas mais importantes do nosso tempo também resultaram do uso judicioso desses últimos. E ao esquivar o neoliberalismo, corremos o risco de privar-nos de algumas de suas ideias úteis.

O verdadeiro problema é que a economia mainstream cai muito facilmente na ideologia, restringindo as escolhas que parece oferecer-nos e fornecendo soluções de “cortador de biscoitos”. Uma compreensão adequada dos fenômenos econômicos que fundamentam o neoliberalismo nos permitiria identificar a ideologia e rejeitá-la quando se disfarçasse de ciência econômica. Finalmente – e isso certamente é o mais importante –, isso nos ajudaria a enriquecer a imaginação institucional que precisamos desesperadamente para reconstruir o capitalismo do século XXI.

Experiência de pensamento

Nós pensamos, de modo geral, o neoliberalismo como a soma de princípios chaves da ciência econômica dominante. Para poder estudar estes princípios sem ideologia, considere uma experiência de pensamento.

Suponhamos que um economista bem conhecido e muito respeitado desembarca pela primeira vez em um país, sobre o qual não sabe nada. Ele é convocado para participar de um encontro com os líderes políticos do país em questão. “Nosso país está com sérios problemas”, disseram-lhe então. “A economia está estagnada, o investimento é baixo e não há perspectivas de crescimento à vista”. Os líderes se voltam para ele, cheios de esperança: “Diga-nos qual é o caminho para que a nossa economia volte a crescer”.

O economista reconhece sua ignorância e explica que seu pouco conhecimento sobre a economia do país o impede de fazer qualquer recomendação. Ele precisaria estudar a história da economia, analisar dados estatísticos e viajar pelo país antes de poder dizer qualquer coisa.

Mas seus anfitriões insistem: “Nós entendemos sua reticência, e gostaríamos que tivesse tido tempo para tudo isso”, dizem eles. “Mas a economia não é uma ciência, e você não é um dos seus praticantes mais proeminentes? Mesmo que você não conheça muito bem a nossa economia, certamente há algumas teorias gerais e algumas diretrizes que nos ajudariam a orientar as nossas políticas econômicas e as reformas que queremos implementar”.

O economista encontra-se num impasse. Por um lado, ele não quer imitar esses gurus econômicos que há muito criticou por venderem seus conselhos políticos favoritos. Mas ele se sente desafiado por esta questão. Existem verdades universais na economia? Ele pode dizer algo válido (e possivelmente útil)?

Que princípios?

Então ele começa a sua exposição. A eficiência com que os recursos de uma economia são alocados é um determinante crucial do desempenho dessa economia, diz ele. A eficiência exige, por sua vez, alinhar os incentivos domésticos e das empresas com os custos e os benefícios sociais. Os incentivos aos empresários, investidores e produtores são particularmente importantes para o crescimento econômico. O crescimento precisa de um sistema bem-sucedido de direitos de propriedade e execução de contratos capaz de garantir que os investidores mantenham os retornos de seus investimentos. Finalmente, a economia deve estar aberta a ideias e inovações do resto do mundo.

Mas um período de instabilidade macroeconômica pode descarrilar a economia, prossegue o nosso economista visitante. Os governos devem, portanto, conduzir uma política monetária rigorosa, o que significa restringir o crescimento da liquidez ao aumento da procura monetária nominal até um nível razoável de inflação. Eles devem garantir a sustentabilidade das finanças públicas, de modo que a dívida pública não exceda a renda nacional. E devem realizar uma regulamentação prudencial dos bancos e outras instituições financeiras para evitar que o sistema financeiro como um todo se aproxime de riscos excessivos.

Na sequência, o economista aborda um tema que lhe é caro: “A economia não se restringe apenas à eficiência e ao crescimento”, acrescenta. Os princípios econômicos também incluem questões de política social e de equidade. A economia tem, certamente, pouco a dizer sobre o nível de redistribuição que uma sociedade deve buscar. Mas defende que a base tributária deve ser a mais ampla possível e que os programas sociais devem ser concebidos de forma a não encorajar os trabalhadores a abandonarem o mercado de trabalho.

No momento em que o economista termina sua apresentação, parece que ele estabeleceu uma verdadeira agenda neoliberal. Um ouvinte crítico, da plateia, reconhecerá uma série de “palavras-chave”: eficiência, incentivos, direitos de propriedade, política monetária saudável, prudência fiscal e financeira. No entanto, os princípios universais que o economista acabou de descrever são muito vagamente definidos: eles presumem uma economia capitalista – em que as decisões de investimento são feitas por agentes e corporações privadas – mas não muito além disso. Na realidade, eles admitem – e até mesmo requerem – uma incrível variedade de arranjos institucionais.

Então, o economista acabou de fazer uma análise neoliberal? Nós nos enganaríamos acreditando nisso; nosso erro consistiria em associar cada termo abstrato – incentivos, direitos de propriedade, política monetária sólida – com uma contrapartida institucional predeterminada. E nisso reside a reivindicação central e o principal erro do neoliberalismo: a crença de que os princípios econômicos de primeira ordem correspondem a um único conjunto de políticas, próximo de uma agenda ao estilo de Thatcher ou de Reagan.

Tomemos os direitos de propriedade. Eles são importantes porque permitem a distribuição dos retornos sobre os investimentos. Um sistema ideal conferiria os direitos de propriedade àqueles que fariam o melhor uso possível de seus ativos, e ofereceria, ao contrário, uma proteção contra aqueles que correm o risco de se apropriar de todos os benefícios. Assim, os direitos de propriedade são benéficos quando protegem os inovadores de passageiros clandestinos, mas são prejudiciais quando os protegem da concorrência. Dependendo do contexto, um regime jurídico que fornece os incentivos adequados pode ser bastante diferente do regime padrão de direitos de propriedade privada ao estilo estadunidense.

“Neoliberalismo” ao estilo chinês?

Isso pode parecer um parêntese semântico sem nenhum interesse prático. Mas o espetacular sucesso econômico da China deve-se em grande parte ao seu processo institucional que desafia toda a ortodoxia. A China voltou-se para os mercados, mas não copiou as práticas ocidentais de direitos de propriedade. As reformas realizadas no país produziram incentivos baseados no mercado através de uma série de novos arranjos institucionais mais adaptados ao contexto local.

Ao invés de passar diretamente da propriedade estatal para a propriedade privada, por exemplo, o que teria sido limitado em todos os casos pela fraqueza das instituições, o país passou a se apoiar sobre formas mistas de propriedade. Isso provou fornecer aos empresários direitos de propriedade mais eficazes. O Township and Village Enterprises (Programa de Empresas de Municípios e de Aldeias), que liderou o crescimento chinês na década de 1980, era de propriedade coletiva e controlado pelos governos locais. Embora essas empresas pertencessem ao Estado, os empresários receberam a proteção contra o risco de expropriação de que precisavam. Os governos locais estavam diretamente interessados nos lucros das empresas e, portanto, não tinham motivos para matar essas galinhas de ovos de ouro.

China usou uma variedade dessas inovações; cada uma traduzindo os princípios econômicos de primeira classe para arranjos institucionais incomuns. As reformas chinesas ajudaram a proteger o setor público chinês da concorrência global ao estabelecer zonas em que as empresas estrangeiras poderiam seguir regras diferentes do resto da economia. Em vista desses desvios dos padrões ortodoxos, qualificar as reformas chinesas como neoliberais – como alguns críticos estão inclinados a fazer – distorce a realidade em vez de esclarecê-la. Se nós quiséssemos chamar isso de neoliberalismo, certamente deveríamos ser mais indulgentes com as ideias que subjazem à mais espetacular redução da pobreza na história.

Alguns podem retorquir dizendo que as inovações institucionais chinesas são puramente transitórias: o país, talvez, tenha que convergir para um modelo de instituições ocidentais para apoiar o seu crescimento econômico. Mas essa maneira de pensar negligencia a diversidade dos arranjos capitalistas que ainda prevalecem nas economias avançadas, apesar da relativa homogeneidade de nossos discursos políticos.

Um roteiro vazio

O que são, afinal, as instituições ocidentais? O peso do setor público varia muito nos países da OCDE, de um terço do PIB na Coreia do Sul para quase 60% na Finlândia. Na Islândia, 86% dos trabalhadores são membros de uma organização sindical, em comparação com apenas 16% na Suíça. Nos Estados Unidos, as empresas podem demitir trabalhadores quase à vontade, enquanto a legislação trabalhista francesa sempre impôs aos empregadores várias etapas preliminares. Os mercados de ações representam hoje quase uma vez e meia o PIB dos Estados Unidos, ao passo que na Alemanha, sua importância é três vezes menor, cerca de 50% do PIB.

A ideia de que qualquer um desses modelos de tributação, de direito do trabalho ou de organização financeira pode ser intrinsecamente superior aos demais é desmentida pela alternância de períodos de prosperidade e recessão experimentados por essas economias desenvolvidas em décadas recentes. Os Estados Unidos passaram por vários períodos de turbulências em que suas instituições econômicas foram julgadas inferiores às da AlemanhaJapãoChina e hoje, provavelmente, da Alemanha novamente. Certamente, níveis comparáveis de riqueza e produtividade podem ser alcançados através de modelos muito diferentes de capitalismo. Poderíamos até dar um passo adiante: todos esses modelos ainda estão longe de esgotar o campo do que poderia ser possível e desejável no futuro.

O economista em visita da nossa experiência de pensamento conhece todos esses exemplos, ele sabe que os princípios que enunciou precisam ser alimentados por soluções institucionais antes de se tornarem operacionais. Direitos de propriedade? Sim, mas como? Política monetária sólida? Sim, mas como? Talvez seja mais fácil criticar esta lista de princípios por seu vazio do que denunciá-la como um programa neoliberal.

Mesmo assim, esses princípios não são inteiramente desprovidos de conteúdo. A Chinae, de um modo geral, todos os países que conseguiram se desenvolver rapidamente, demonstram a utilidade desses princípios uma vez adaptados ao contexto local. Por outro lado, muitas economias se voltaram contra os líderes políticos que tentaram violar esses princípios. Não precisamos ir muito longe – basta olhar para os nossos regimes populistas da América Latina ou para os regimes comunistas da Europa Orientalpara apreciar a relevância de uma política monetária sólida, de uma sustentabilidade fiscal e de incentivos privados.

Certamente, a economia não pode ser reduzida a uma lista de princípios abstratos, em grande parte do senso comum. Grande parte do trabalho dos economistas consiste em desenvolver modelos estilizados de como funcionam as economias reais e, em seguida, confrontar esses modelos com a realidade. Os economistas, portanto, tendem a descrever seu trabalho como um aperfeiçoamento progressivo de sua compreensão do mundo: seus modelos devem se tornar cada vez mais eficientes à medida que são testados e revisados. Na realidade, os progressos na economia acontecem de forma diferente.

Um modelo, mas qual modelo?

Os economistas estudam uma realidade social que é totalmente diferente do universo físico dos cientistas naturais. Ela é inteiramente criada pelo homem, altamente maleável e opera de acordo com regras que variam ao longo do tempo e do espaço. A economia não avança, portanto, pela escolha do modelo certo ou da teoria certa para responder às questões que se podem fazer, mas melhorando a nossa compreensão da diversidade de relações causais. O neoliberalismo e seus remédios habituais – sempre mais mercados, sempre menos Estado – são de fato uma perversão da economia dominante. Os bons economistas sabem que a resposta correta para qualquer questão em economia é: “depende”.

Um aumento do salário mínimo é prejudicial ao emprego? Sim, se o mercado de trabalho é competitivo e os empregadores não têm controle sobre os salários que devem pagar para atrais os trabalhadores; mas não o contrário. A liberalização do comércio incentiva o crescimento econômico? Sim, se melhorar a rentabilidade das indústrias onde a maior parte da inovação e investimento ocorre; mas não o contrário. Um aumento nas despesas públicas melhora o emprego? Sim, se não há tensões na economia e os salários não aumentam; mas não o contrário. Uma situação de monopólio afeta a inovação? Sim e não: dependendo de uma série de condições do mercado.

Na economia, os novos modelos raramente suplantam os antigos. Os modelos do mercado concorrencial que remontam a Adam Smith foram modificados ao longo do tempo pela inclusão – mais ou menos cronologicamente – de questões de monopólio, de externalidades, de economias de escala, de incompletudes e de assimetria de informações, de comportamento irracional dos agentes e muitos outros aspectos do mundo real. No entanto, os modelos antigos permaneceram úteis. Para entender o funcionamento dos mercados, é necessário visualizá-los através de diferentes prismas em diferentes momentos.

Um bom economista é um bom cartógrafo

Talvez a analogia mais apropriada para essa situação seja encontrada nos mapas. Assim como os modelos econômicos, os mapas são representações altamente estilizadas da realidade. Eles são úteis precisamente porque abstraem muitos detalhes do mundo real que poderiam dificultar a compreensão. Mapas em grande escala realistas seriam artefatos irremediavelmente impraticáveis, como descreveu Jorge Luis Borges em uma breve história que continua a ser a melhor e mais sucinta explicação do método científico. Mas essa abstração também implica que precisamos de mapas diferentes dependendo das nossas necessidades de viagem. Se, por exemplo, eu ando de bicicleta, preciso de um mapa que indica as trilhas para bicicletas. Se eu decido ir a pé, escolho um mapa que mostra as trilhas para caminhadas. Se uma nova linha de metrô for construída, eu certamente preciso de um novo mapa do metrô, sem precisar descartar todos os mapas antigos que eu tenho.

Os economistas são excelentes na elaboração de mapas, mas não são bons o suficiente para escolher o que é o mais adequado para a tarefa em questão. Quando são confrontados com questões de política econômica – como aquelas a que o economista que visita esse país desconhecido teve que enfrentar –, muitos economistas recorrem a modelos de referência que privilegiam o “laissez-faire”. As respostas automáticas e a arrogância substituem a riqueza das discussões que podem ocorrer em um seminário. John Maynard Keynes definiu a economia como “a ciência que pensa em termos de modelos combinada com a arte de escolher os modelos relevantes para o mundo contemporâneo”. Os economistas normalmente têm dificuldades com a parte “artística” da disciplina.

Eu também ilustrei isso com uma parábola: um jornalista telefona para um professor de economia para perguntar-lhe se, do seu ponto de vista, o livre comércio é uma coisa boa. O professor responde com entusiasmo a ele afirmativamente. Fazendo-se passar por estudante, o jornalista participa, em seguida, do seminário de economia internacional ministrado pelo mesmo professor em uma universidade. Ele faz a mesma pergunta: “O livre comércio é benéfico?” Desta vez, o professor parece envergonhado: “O que você quer dizer com ‘benéfico’? E benéfico para quem?”, pergunta-lhe.

O professor mergulha, então, em uma exaustiva explicação, para finalmente concluir com um balanço muito mais matizado: “Se a longa lista de premissas que eu acabo de fazer for satisfatória e assumindo que podemos tributar os beneficiários para compensar os perdedores, então o livre comércio pode potencialmente melhorar o bem-estar de todos”. Se estiver bem humorado, o professor pode até acrescentar que o impacto do livre comércio sobre o crescimento a longo prazo de uma economia não é fácil de determinar e que depende também de uma série de condições.

Os guardiões das joias

O professor que o jornalista descobriu durante este seminário é, portanto, bem diferente daquele com quem ele pôde conversar por telefone. No primeiro encontro, ele estava muito confiante e não tinha reservas sobre a política a ser adotada. Só haveria um modelo a ter em conta, pelo menos no debate público; uma única resposta correta, independentemente do contexto. Curiosamente, o professor acredita que os conhecimentos que ele transmite aos seus alunos não são adequados – são inclusive perigosos – para o público em geral. Por quê?

Os fundamentos de tal comportamento estão profundamente ancorados na sociologia e na cultura da profissão de economista. Mas uma das principais razões reside na ânsia deste último de apresentar as joias da coroa da profissão como sendo irrepreensíveis – a eficiência dos mercados, a mão invisível, as vantagens comparativas – para protegê-las dos ataques de bárbaros guiados pelo seu interesse pessoal, nomeadamente os protecionistas. Infelizmente, esses economistas tendem a ignorar os bárbaros do lado contrário: os financistas e as multinacionais, cujos motivos não são mais puros e que estão tão prontos quanto os protecionistas para sequestrar essas ideias para seu próprio benefício.

Por conseguinte, a contribuição dos economistas para o debate público é, muitas vezes, tendenciosa em uma direção: a favor de mais comércio, mais finanças e menos governo. É por esta razão que os economistas desenvolveram uma reputação de defensores incondicionais do neoliberalismo, mesmo que a economia dominante esteja longe de ser um hino à glória do laissez-faire. Os economistas que dão rédeas soltas ao seu entusiasmo pelos mercados liberalizados não estão sendo de fato muito fiéis à sua própria disciplina.

Repensando a mundialização

Como, então, podemos pensar na mundialização se quisermos liberá-la das garras das práticas neoliberais? Devemos começar pela compreensão do potencial positivo dos mercados globalizados. O acesso aos mercados internacionais de bens, de tecnologias e de capital tem desempenhado um papel importante em praticamente todos os milagres econômicos do nosso tempo. A China é o lembrete mais recente e poderoso desta verdade histórica; mas não é o único caso. Antes da China, milagres semelhantes ocorreram na Coreia do SulTaiwanJapão e vários países não-asiáticos, como as Ilhas Maurício. Todos esses países abraçaram a mundialização em vez de virarem as costas para ela, e eles se beneficiaram generosamente.

Os defensores da ordem econômica existente sempre acabam invocando esses exemplos quando a mundialização é questionada. O que eles esquecem de dizer, no entanto, é que a maioria desses países se juntou à economia mundial violando restrições neoliberais. A Coreia do Sul e Taiwan, por exemplo, subsidiaram fortemente seus exportadores, respectivamente, através do sistema financeiro e concedendo-lhes vantagens fiscais. E, em geral, todos esses países levantaram a maior parte de suas barreiras à importação muito depois do seu crescimento econômico ter decolado.

Mas nenhum – com a única exceção do Chile de Pinochet na década de 1980 – seguiu a recomendação neoliberal de uma rápida abertura às importações. A experiência neoliberal do Chile produziu a pior crise econômica da América Latina. Embora as circunstâncias sejam diferentes de país para país, em todos os casos os governos desempenharam um papel ativo na reestruturação de suas economias e protegendo-as de um ambiente externo altamente volátil. As políticas industriais, as restrições aos fluxos de capital e os controles cambiais – tudo proibido pela cartilha neoliberal – tornaram-se comuns.

Por outro lado, os países que se limitaram ao modelo de mundialização neoliberal ficaram muito desapontados. O México fornece um exemplo particularmente triste. Após uma série de crises macroeconômicas em meados da década de 1990, o Méxicoadotou políticas macroeconômicas ortodoxas, liberalizou fortemente a sua economia, desregulou o seu sistema financeiro, reduziu drasticamente suas barreiras à importação e assinou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). Essas políticas permitiram alguma estabilidade macroeconômica e um aumento significativo no comércio externo e no investimento interno. Mas, onde mais importa – a produtividade geral e o crescimento econômico –, o experimento foi um fracasso. Desde que o México empreendeu essas reformas, sua produtividade geral estagnou e sua economia tem sido contraproducente, mesmo diante dos padrões relativamente pouco exigentes da América Latina.

Não existe um plano único

Estes resultados não são surpreendentes do ponto de vista de uma abordagem econômica lógica. No entanto, há ainda uma outra manifestação da necessidade de que as políticas econômicas sejam ajustadas às deficiências enfrentadas por cada mercado e adaptadas às especificidades nacionais de cada país. Não existe nenhum plano que seja adequado para todos os lugares e de maneira indiferente.

Como atesta o Manifesto de Peters (1982), a definição de neoliberalismo evoluiu consideravelmente ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que a conotação do termo tornou-se cada vez mais radical em sua relação com a desregulamentação, a financeirização ou a mundialização. Mas há um fio comum que liga as diferentes versões do neoliberalismo: a importância atribuída ao crescimento econômico. Em 1982, Petersescreveu que essa ênfase era justificada por causa do papel vital que o crescimento desempenha na consecução de todos os nossos objetivos sociais e políticos – comunidade, democracia e prosperidade. O empreendedorismo, o investimento privado e a remoção de todos os obstáculos (como por exemplo, uma excessiva regulamentação) que impedem o caminho são todos instrumentos necessários para o crescimento econômico. Se um manifesto neoliberal semelhante fosse escrito hoje, provavelmente avançaria no mesmo ponto.

No entanto, os críticos do neoliberalismo muitas vezes apontam que essa ênfase no crescimento degrada e sacrifica outros importantes valores sociais e políticos, como a igualdade, a inclusão social, a deliberação democrática ou a justiça. Valores cuja realização é, no entanto, essencial e que, em certos contextos, são mais importantes do que os outros. No entanto, nem sempre podem ser alcançados por meio de políticas econômicas tecnocráticas; a política tem um papel central a desempenhar.

Os neoliberais certamente não estão errados quando argumentam que esses ideais preciosos são mais propensos a ser alcançados em uma economia vibrante, forte e em expansão. No entanto, eles se enganam quando pensam que existe uma receita única e universal para melhorar o desempenho econômico, à qual eles teriam acesso. O erro fatal do neoliberalismo é que ele se engana sobre o que é a economia em si. Este deve ser rejeitado em seus próprios termos pela simples e boa razão de que é uma economia ruim.

Fonte: IHU

Para Refletir


“Comovidos pelo jubiloso dom, Menino pequenino de Belém, pedimo-Vos que o vosso choro nos desperte da nossa indiferença, abra os olhos perante quem sofre.”

Papa Francisco

Oração


"Senhor Jesus Cristo, que revelaste a João, teu discípulo amado, os misteriosos segredos da Palavra, dá-nos também a nós, hoje, e a toda a Igreja, uma nova inteligência espiritual das Escrituras. Assim poderemos iluminar, cada vez mais, a nossa vida espiritual, e aprender a tua ciência sublime.

Concede à Igreja pastores sábios e santos, capazes de colher o sentido espiritual e profundo das Escrituras e introduzir o povo de Deus na tua intimidade. Assim todos poderemos conhecer o teu Coração, o teu pensamento, a profundidade do teu Espírito e o modo como conduzes a história da Igreja.

Por intercessão do teu discípulo amado, faz-nos experimentar o amor do teu Coração, e torna-nos assíduos e delicados no teu serviço. Sempre, e em toda a parte, queremos, como S. João, realizar a tua vontade sobre nós. Ajuda-nos!"

Fonte: Dehonianos

25 dezembro, 2017

22 dezembro, 2017

Um feliz e abençoado Natal a todas e a todos!


Natal: Horários das Missas na Catedral de Maringá

A Santa Missa do Natal do Senhor, na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória em Maringá, será celebrada às 19h30, domingo (24).

No domingo (24) haverá outras três celebrações na Catedral, por ocasião do 4° domingo do Advento: missas às 7h30, 9h30 e 12h.

No dia de Natal (25) serão celebradas duas missas: às 9h30 e 18h30.

Os horários das missas nas demais paróquias da Arquidiocese de Maringá podem ser consultados em cada comunidade paroquial.


Programação de Natal no Vaticano

Domingo (24), às 21h30, Missa da Solenidade do Natal na Basílica de São Pedro.

Segunda-feira (25) Festa do Natal: às 12 horas o Papa dirige da sacada central da Basílica de São Pedro sua mensagem de Natal ao mundo e concede a Bênção Urbi et Orbi.

No domingo 31 de dezembro, às 17 horas, o Papa preside na Basílica de São Pedro as Primeiras Vésperas, com a exposição do Santíssimo Sacramento, o tradicional canto do Te Deum em agradecimento pelo ano que termina e a bênção eucarística.

Na segunda-feira, 1º de janeiro de 2018, às 10 horas, o Papa preside a Santa Missa na Basílica de São Pedro na Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus e no 51º Dia Mundial da Paz sobre o tema “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”.

Por fim no sábado, 6 de janeiro, Solenidade da Epifania, o Papa preside a celebração da Santa Missa às 10 horas na Basílica de São Pedro.

Todas as cerimônias serão transmitidas pela Rádio Vaticano, com comentários em português (No fuso horário atual, o Vaticano tem 3 horas a mais em relação ao horário de Brasília).

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

Oração

"Senhor, nosso Deus, que pusestes nos lábios de Ana e de Maria a oração de louvor e de acção de graças, e que fizestes germinar nos seus corações a alegria, fruto da tua visita amorosa e paterna, dá-nos a graça de, também nós, descobrirmos e praticarmos na oração as atitudes de louvor e de reconhecimento pelas maravilhas que gratuitamente fizeste e continuas a fazer em nós e à nossa volta, na Igreja e no mundo.


Queres que vivamos na alegria, pela experiência do teu amor de Pai misericordioso e fiel. Ajuda-nos a dispormos, pelo silêncio e pela solidão, para acolhermos essa experiência, a única capaz de transformar a nossa vida, de nos pôr generosamente ao serviço do teu projecto de salvação, ao serviço de quem precisa de nós, de escrevermos o nosso próprio Magnificat. Na oração de louvor e de acção de graças, dar-nos-emos conta de que as riquezas que nos confias são mais importantes e mais numerosas do que as nossas carências, e que os dons que pões nas nossas mãos, e nas dos nossos irmãos, são sinal de cuidas de nós com amor de Pai. Amém."


Fonte: Dehonianos

Isso faz bem para a alma... lindo e emocionante

21 dezembro, 2017

Jesus, grande alegria!


“O nascimento de Jesus é anunciado como uma ‘grande alegria’, causada pela descoberta de que Deus nos ama e através do nascimento de Jesus se aproximou de nós para nos salvar. Somos amados por Deus. Que coisa maravilhosa! Quando estamos tristes, quando parece que tudo dá errado, quando um amigo ou uma amiga nos desilude, ou quando nos desiludimos a nós mesmos, pensemos: ‘Deus me ama’, ‘Deus não me abandona’. O nosso Pai é sempre fiel e sempre nos quer bem, acompanha os nossos passos e vem ao nosso encontro quando nos distanciamos. Por isso, no coração do cristão existe sempre alegria.”

Papa Francisco

Oração


"Senhor Jesus, que por nosso amor, assumiste carne humana no seio virginal de Maria, e, por amor, Te fazes nosso alimento e companheiro de jornada na Eucaristia, dá-nos de graça de Te acolhermos agradecidos e exultarmos de santa alegria. Concede-nos também a graça de, como Maria que e levou ao encontro de Isabel e de João, também nós Te levemos a todos quantos encontrarmos nos caminhos da nossa vida.

Faz-nos escutar a tua voz, e concede-nos a graça de Te respondermos na oração. Sobretudo, faz com que nos deixemos envolver na acção poderosa do Espírito que reza em nós. Assim, renovados interiormente, exultantes de alegria e cheios de generosidade, saberemos dar-te, e dar-nos contigo, aos irmãos, especialmente aos mais pobres e desprotegidos." Amém.

Fonte: Dehonianos

20 dezembro, 2017

“Mamãe, neste Natal quero de presente mais tempo para brincarmos juntos”

mãe me contou que ao ouvir o filho teve um sobressalto de ternura e frustração ao mesmo tempo.

A crônica é de Juan Arias, jornalista, publicada por El País, 19-12-2017.

Eis o texto.

Ygor é um menino de nove anos, de uma das milhões de famílias da classe C em que o pai ficou desempregado. O pequeno deve ter escutado os pais comentarem que não iriam poder comprar-lhe nada neste Natal. O fato é que se aproximou da mãe e lhe disse: “Mamãe, não quero presente de Natal, só quero que me dedique mais tempo para brincarmos juntos”. A mãe me contou que ao ouvir o filho teve um sobressalto de ternura e frustração ao mesmo tempo. “De ternura porque entendi que sou mais importante que tudo para ele, e de frustração porque meu filho estava se queixando de que lhe dedicava pouco tempo.”
Hoje existem milhares de tratados de pedagogia para tentar conhecer a alma dos pequenos e, apesar de tudo, sempre há em um lugar do coração deles algo que não conseguimos penetrar. Um professor da minha faculdade de psicologia nos dizia que conhecer o coração de uma criança “é mais difícil que o teorema da relatividade”.
Ele tinha razão. E o pior é que podemos cair na tentação de querer interpretar, sem ouvi-los, o que eles preferirem. Não nos damos conta que decidimos muitas vezes em função da nossa conveniência. Os enchemos, por exemplo, de brinquedos para que “se distraiam sozinhos”. Entenda-se: “para que nos deixem em paz”. Assim, quando ligamos a televisão para eles ou os deixamos usar o celular “para que fiquem quietos” assistindo a um jogo ou um filme. Isso sem perguntar se é o que eles mais querem.
Lembro-me agora que esse mesmo menino que agora pediu mais tempo à mãe para brincar com ela, quando tinha cerca de quatro anos, o deixavam às vezes na casa da avó para que a mãe pudesse trabalhar. Para que não atrapalhasse muito levavam uma cesta grande cheia de brinquedos que eram esparramados no terraço para que se entretivesse. Cheguei um dia de repente e encontrei o menino, ao lado de sua montanha de brinquedos, distraído com uma colher velha brincando com água e terra. Quando me viu, pediu que brincasse com ele de “amassar o pão”. Tive de buscar outra colher e continuar sua brincadeira. Diante do monte de brinquedos, ele preferiu inventar um, simples e barato.
A história do pequeno me fez dar um salto a minha infância, passada com meus dois irmãos na penúria e na pobreza posteriores à Guerra Civil Espanhola. Naquela época, os meninos acreditavam que eram os Reis Magos que nos traziam os presentes em seus camelos. O dia de Reis era o único dia do ano em que recebíamos um presente, a propósito, muito pequeno. Para a minha irmã, uma bonequinha de pano feita por alguma tia habilidosa. Para nós, os dois meninos, uma bola de tênis e às vezes um carrinho de corda que conseguia percorrer alguns metros. E para os três um pacote de balas que nós partíamos para que parecessem mais.
Tento lembrar-me se éramos mais infelizes do que as crianças de hoje que recebem presentes durante todo o ano. Acredito que aquela espera de um ano pelo presente dos Reis compensava com felicidade o vazio de um ano sem nada. E lembro-me, acima de tudo, algo relacionado com a história de Ygor e sua mãe, que ao brinquedo prefere mais tempo para brincar com ela. Meu pai tinha o hábito de sair muito cedo para passear no campo e, como professor da escola primária da cidadezinha, voltava na hora de abrir a escola. Eu nunca lhe disse, mas meu sonho era ir um dia passear na companhia dele.
Quando já tinha completado nove anos, ele me chamou, solene, e disse: “Juan, você já é grande e tem de saber um segredo: os Reis Magos não existem, são os pais que colocam os presentes, por isso neste ano você vai nos ajudar a preparar os presentes de Reis para os seus irmãos. Você não vai ganhar nada, mas eu vou te dar um presente diferente: a partir de amanhã eu vou te acordar para que você me acompanhe no passeio pelo campo”. Juro que foi o maior presente que recebi na vida. Ele não precisou me acordar. Quando se aproximou da minha cama, quase ao amanhecer, eu já estava com os olhos bem abertos. Saímos juntos. Senti-me maior de repente. Meu pai me levou a um riacho onde os pássaros iam beber naquela hora. Passeou comigo pela horta em um pedaço que nós, os pobres, alugávamos do latifundiário da cidadezinha para plantar.
Ali, com ele, aprendi a distinguir uma planta de grão-de-bico de uma de feijão, as espigas de trigo das ervas daninhas que cresciam juntas. Ele me ensinou a delícia de arrancar um tomate maduro e comê-lo ali mesmo, sem sal nem nada. Ou a distinguir em uma figueira os figos mais doces: “São aqueles que foram picados pelos pássaros”, explicou, porque eles só gostam dos bem maduros.
Voltei para casa e não sabia como explicar a todos — minha mãe, minha tia, meus irmãos — a alegria que me inundava por ter podido ir “passear com o meu pai”. Brinquedos? Para quê?
Fonte: IHU

Para Refletir

Quais são os medos precisamos vencer para colocar-nos, como Maria, a serviço da Palavra?

Oração


"Pai, hoje quero inspirar-me nas palavras que S. Bernardo põe na boca de Maria para Te rezar: «Faça-se em mim segundo a tua palavra». O Verbo realize em mim a tua palavra! O Verbo, que estava em Deus, se faça carne da minha carne, segundo a tua palavra!

Não seja palavra que passa velozmente, logo que proferida, mas palavra concebida para permanecer, revestida de carne e não de ar que corre! Que não ressoe, só aos meus ouvidos, esta palavra; vejam-na os meus olhos, toquem-na as minhas mãos, carreguem-na os meus ombros! Não seja uma palavra escrita e muda, mas incarnada e viva; não seja uma palavra escrita com letras fixas num pergaminho morto, mas estampada sob forma humana no meu coração; traçada não por uma pena, mas pelo Espírito Santo!

Outrora, muitas vezes e de muitos modos, falaste aos patriarcas e aos profetas, e diz-se que as tuas palavras vem dos ouvidos de uns, aos lábios de outros e às mãos de outros mais. Para mim, peço que se faça no meu ser segundo a tua palavra. Não quero uma palavra que pregue e proclame. Quero um verbo que se doe silenciosamente, que incarne pessoalmente e que desça sobre mim cordialmente. Que se faça para o mundo inteiro, e particularmente para mim, segundo a tua palavra (cf. Bernardo de Claraval, Homilias sobre Nossa Senhora, 4, 11)."


Fonte: Dehonianos

19 dezembro, 2017

Mais um ano tenho a alegria de receber via e-mail o carinho de dom Pedro Casaldáliga.

Queridos todos,


… agora sinto Deus em tudo e em todos.

… ahora siento a Dios en todo y en todos.

… ara sento a Déu en tot i en tots.

Com um abraço, feliz Natal
Pedro Casaldáliga


18 dezembro, 2017

A gente já sente chegando o natal!

Um pequeno texto, que deu vontade e escrevi.

A gente já sente chegando o natal!

A gente já sente chegando o natal, o amor estar no ar, esta em nós, esta com nós porque o nosso Deus não esta longe, esta perto, é o Emanuel, Deus Conosco, tem um rosto, o rosto de Jesus. 

Um clima de sonho se espalha no ar porque o nosso Deus é misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade. O nosso Deus não muda, Ele é amor.

A magia do natal não morre, ela nos revela que nela não há lugar para guerra, a indiferença, a falta de amor, porque natal é a festa do menino nascido de uma mulher pobre, que após o nascimento O deitou numa manjedoura.

Eu tenho certeza que podemos fazer com o natal seja todo dia, que comece em nossos corações, em pequeno gesto, um sorriso, um abraço, mais tempo para gente se dar, o que for.

Deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém, e assim, fazer com que o natal seja todo dia.

“Vivam sempre contentes” nos diz o Papa Franciso


“Alegria, oração e gratidão" - para vivermos de verdade o Natal.

“Vivam sempre contentes” nos diz o Papa Franciso

Virgem Maria “causa da nossa alegria"!

“causa da nossa alegria, não somente porque gerou Jesus, mas porque nos envia continuamente a Ele”.

“Alegria, oração e gratidão" - para vivermos de verdade o Natal.

"So Paulo nos convida a preparar a vinda do Senhor assumindo três atitudes: a alegria constante, oração perseverante e a contínua ação de graças”.

“As angústias, as dificuldades e os sofrimentos atravessam a vida de cada um, e tantas vezes a realidade que nos circunda parece ser inóspita e árida, semelhante a um deserto no qual ecoava a voz de João Batista".

“No meio de vocês está quem vocês não conhecem” . O profeta Isaías destaca - Jesus - “a trazer a boa nova aos humildes, a curar os corações doloridos, a anunciar a liberdade dos escravos, a libertação dos prisioneiros, a proclamar um ano de graças do Senhor’.

“Estas palavras, que Jesus fará suas no discurso na sinagoga de Nazaré, - explica o Papa - esclarecem que a sua missão no mundo consiste na libertação do pecado e das escravidões pessoais e sociais que ele produz. Ele veio sobre a terra para restituir aos homens a dignidade e a liberdade de filhos de Deus, que somente Ele pode comunicar”.

Para o papa Francisco “por meio da oração, podemos entrar em uma relação estável com Deus, que é a fonte da verdadeira alegria. A alegria do cristão não se compra, vem da fé e do encontro com Jesus Cristo, razão da nossa felicidade. Quanto mais estivermos arraigados em Cristo, tanto mais encontraremos a serenidade interior, mesmo em meio às contradições cotidianas”.

“tendo encontrado Jesus, não pode ser um profeta da desventura, mas uma testemunha e um arauto da alegria. Uma alegria a ser compartilhada com os outros; uma alegria contagiosa que torna menos cansativo o caminho da vida”.

Disse o papa, que Paulo indica a terceira atitude, a contínua ação de graças, ou seja, o amor agradecido a Deus.

“Ele, de fato, é muito generoso para conosco, e nós somos convidados a reconhecer sempre seus benefícios, o seu amor misericordioso, a sua paciência e bondade, vivendo assim em um incessante agradecimento”.

“Alegria, oração e gratidão são três comportamentos que nos preparam a viver o Natal de modo autêntico”. Neste último período do tempo do Advento, confiemos nossa vida à materna intercessão da Virgem Maria. Ela é “causa da nossa alegria, não somente porque gerou Jesus, mas porque nos envia continuamente a Ele”. Isso é lindo.

Vergonhosa a atitude do governador do Paraná Beto Richa


15 dezembro, 2017

O nosso Deus quer cantar para nós uma canção de ninar!


O nosso Deus quer cantar para nós uma canção de ninar!

A ternura de nosso Deus onde podemos encontrar?
O nosso Deus não só é pai mas é papai, Isso é lindo.

"Deus com a sua ternura se aproxima de nós e nos salva"

“Parece que o nosso Deus quer cantar para nós uma canção de ninar. O nosso Deus é capaz disso. A sua ternura é assim: é pai e mãe. Muitas vezes diz: “Se uma mãe se esquecer do filho, eu não o esquecerei. Ele nos leva em suas vísceras. É o Deus que com esse diálogo se faz pequeno para nos entender, para fazer com que tenhamos confiança Nele e possamos dizer-lhe com a coragem de Paulo que muda a palavra e diz: Papai, Abba. Papai é a ternura de Deus.”

“É verdade que às vezes Deus nos dá umas pancadas”.

“Ele é grande, mas com a sua ternura se aproxima de nós e nos salva. Este é um mistério e uma das coisas mais bonitas”: 

“É o Deus grande que se faz pequeno e em sua pequenez não deixa de ser grande. E nessa dialética grande é pequeno, existe a ternura de Deus. O grande que se faz pequeno e o pequeno que é grande. O Natal nos ajuda a entender isso: na manjedoura, o Deus pequeno. Lembro-me de uma frase de Santo Tomás, na primeira parte da Suma Teológica. Querendo explicar: “O que é o divino? O que é a coisa mais divina?, diz: “Non coerceri a maximo contineri tamen a minimo divinum est”, ou seja, não se espante com as coisas grandes, mas considere as coisas pequenas. Isso é divino, as duas coisas juntas.”

A ternura de nosso Deus onde podemos encontrar?

“Sou capaz de falar com o Senhor assim ou tenho medo? Cada um responda. Mas, alguém pode dizer, pode perguntar: “Qual é o local teológico da ternura de Deus? Onde pode ser encontrada a ternura de Deus? Qual é o lugar onde a ternura de Deus se manifesta melhor? Na chaga. As minhas chagas, as chagas de Jesus, quando se encontram as minhas e as suas chagas. Em suas chagas fomos curados”.

“o lugar teológico da ternura de Deus: as nossas chagas. Mostra-me as suas chagas. Quero curá-las”. 


Papa Francisco

Oração

"Senhor, hoje, sinto-me interpelado a pensar e a refletir sobre mim mesmo. Sei que há tempo para chorar e tempo para dançar. Mas descubro que, muitas vezes, sou pouco sábio, e sou muito distraído e incapaz de reconhecer a tua hora na minha vida. Queria ser eu a marcar o tempo e o modo como Te apresentas na minha vida. Por isso, comporto-me como os miúdos caprichosos de que falas no evangelho. Por isso, temo tornar-me vítima da obstinação, e não conseguir julgar corretamente os sinais da tua presença na minha vida, na vida da minha comunidade, na vida da Igreja, na vida do mundo.

Não desistas de dirigir a tua Palavra ao meu coração obstinado e endurecido, para que saiba compreender o teu plano sobre mim e atinja a verdadeira sabedoria. Repreende-me, ainda que duramente, quando quiseres que eu escute os apelos de João Baptista à penitência e à conversão de atitude. Ajuda-me a reconhecer que é este o tempo da graça, o tempo em que me ensinas para meu bem e me guias pelo caminho que devo percorrer. Amém."

Fonte: Dehoniano

14 dezembro, 2017

A 30 quilômetros de Ipanema, a vida passa com menos de três reais por dia


A 30 quilômetros de Ipanema, a vida passa com menos de três reais por dia

A penas trinta quilômetros da praia de Ipanema, em Jardim Gramacho há pessoas não se vive, se sobrevive, morando em condições tão precárias como num pobre povoado da África. Jardim Gramacho, a comunidade que abrigou até 2012 o maior lixão de América Latina, famosa no mundo inteiro por um documentário do artista plástico Vik Muniz que chegou ao Oscar, poderia construir um monumento dedicado ao descaso e a promessas descumpridas. Mas não há tempo para pensar nisso. O bairro, em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio, é um bolsão de pobreza extrema, a face dura e invisível da desigualdade do Brasil, do abandono do poder público, um lugar onde se vive, rodeado de cachorros sarnentos, com menos de três reais por dia.

A reportagem é de María Martín, publicada por El País, 13-12-2017.

Jardim Gramacho não tem água encanada, a eletricidade depende dos gatos e da aleatoriedade dos picos de energia que estouram os poucos eletrodomésticos que ainda funcionam. Aqui tampouco há rede de esgoto e, em algumas casas, nem banheiro. A higiene pessoal, para quem nem chuveiro tem, é feita numa laguna próxima e verde. As moradias construídas com portas de armários e chapas de madeira velha, servem para pouco nos dias de chuva. “Quando chove, cai mais água dentro do que fora”, ouve-se com frequência.

– Quando foi a última vez que você comeu carne?

– Ah, pouco tempo, umas duas semanas atrás.

– E peixe?

– Ihhh, nem lembro.

– E fruta?

– Fruta? Isso aqui é um luxo.

Vanessa Dias, grávida do sexto filho aos 31 anos, está sentada no degrau da entrada da sua casa de madeira. Uma cerca improvisada com tábuas delimita um quintal cheio de entulho e lixo. A precária dieta da família de Vanessa, longe de qualquer recomendação do que seria uma alimentação saudável, é só mais um exemplo da sua exclusão. A mulher, com vários dentes a menos e aparentando 20 anos a mais, trabalhou no antigo lixão desde a adolescência e nunca teve carteira assinada. O marido, um pedreiro desempregado de 42 anos, há tempos que não consegue um biscate. Suas duas únicas fontes de renda são os 150 reais que recebe do Bolsa Família pelos três filhos que moram com ela e uns 200 reais que consegue vendendo desinfetante.

Se divididos esses 350 reais pelos cinco membros da família, os Dias vivem com uma renda de 2,3 reais por dia e por pessoa. O último cálculo do Banco Mundial para determinar a linha da pobreza extrema é de 1,90 dólares por dia, ou 6,18 reais. Os brasileiros que vivem abaixo deste patamar devem passar de 2,5 milhões a 3,6 milhões entre 2016 e o final deste ano, segundo a instituição.

Enquanto Vanessa fala da sua rotina, três dos seus filhos de nove, oito, e dois anos brincam com dois gatinhos recém nascidos entre os escombros. Os bichos miam ao caírem torpemente no chão. Estão lançando eles alto demais. Um dos meninos, que só neste ano já foi internado sete vezes por pneumonia, briga com o outro. A mãe põe ordem com apenas um par de gritos. As moscas pousam com insistência no rosto da mulher, mas ela nem se move. Dentro da residência, limpa na medida do possível, é ainda pior. No interior do quarto e sala, onde todos dormem, elas voam em nuvens. Por todas partes. Ela não reclama de quase nada, “apenas gostaria de que chegasse água”.

A miséria no Jardim Gramacho percebe-se não apenas na dieta dos seus 20.000 moradores, as cáries das crianças, a alta evasão escolar, o analfabetismo, ou os ratos, insetos e escorpiões que infestam o bairro. A miséria exclui, ela isola. O morador de Jardim Gramacho não sai de Jardim Gramacho. Vanessa puxa a média para baixo, mas o resto dos seus vizinhos não tem dinheiro nem para pagar uma passagem de ônibus para ir no médico.

Segundo um levantamento da ONG Teto, que atua no local construindo casas desde 2013, a renda média per capita dos moradores de Jardim Gramacho é de 331,96 reais, 11 reais por dia, praticamente o valor de duas passagens de metrô ou de trem. A renda para os que trabalham triplica-se, mas aqui cerca de 45% dos vizinhos não tem emprego (a taxa nacional de desemprego é de 12,4%), segundo essa pesquisa realizada com mais de 700 moradores. Não é falta de vontade. Dezenas de vizinhos estão doentes, não tem formação nenhuma, ninguém com quem deixar os filhos ou precisam cuidar da casa.

A história do bairro é também a historia do seu lixão, o maior de América Latina, de onde seus mais de 1.500 catadores oficiais retiravam duas toneladas diárias de materiais recicláveis. Aquela montanha de 60 metros de lixo fez o bairro crescer e inspirou os cenários de uma das tramas da novela Avenida Brasil. Não era o melhor dos empregos, mas servia de sustento a famílias inteiras. Quando o local foi fechado, em 2012, foi como tirar os jalecos salva-vidas de gente que não sabe nadar no meio de uma tempestade. Prometeram a eles, nos diferentes níveis do poder público, cursos profissionalizantes, urbanização do bairro, novas fontes de renda... Mas ninguém cumpriu. Os antigos catadores chegaram a receber uma indenização de cerca de 14.000 reais quando o aterro fechou. Muitos abriram uma conta de banco pela primeira vez, mas esse dinheiro há tempos que acabou.

“Jardim Gramacho tem a situação mais gritante onde já trabalhei”, afirma Carolina Thibau, coordenadora da Teto. “O fechamento do aterro foi uma ação do poder público que depois não deu a assistência que havia prometido. Não garantir os direitos básicos dos moradores é uma decisão política, não é falta de recursos”, lamenta Thibau, lembrando que o município de Duque de Caxias é o terceiro maior PIB do Estado e o 21º do Brasil, segundo dados do IBGE. “Não é por mero acaso essa situação que eles estão vivendo, e muito menos por opção. É por falta de oportunidade e respeito ao seus direitos. Essas pessoas não estão sendo ouvidas!”.

Rogério de Santos, de 56 anos, trabalhou um quarto de século no lixão que ocupou por mais de três décadas a região. O homem, castigado fisicamente e com um pequeno tumor no olho esquerdo, nunca deixou de ser catador. Hoje consegue uns 20 reais por dia recolhendo lixo dos depósitos ilegais que se multiplicaram no bairro. Rogério, sujo dos pés a cabeça, é um dos moradores que não tem banheiro. O vaso sanitário é o mato do fundo da residência. “Poxa, eu vivia mil vezes melhor antes do aterro fechar. Hoje não tenho nada. Meu almoço de hoje foi mingau puro”, lamenta na porta da casa-sala que divide com mais dois catadores e que fede a comida podre. “Não repare na sujeira”, pede com vergonha.

“Já morei muito pior, tinha só um par de havaianas”

A máquina de lavar está por fim funcionando do lado de fora da casa. As roupas batem numa água enegrecida, enquanto Fátima Catarina, de 33 anos, prepara o almoço familiar e o lixo queima no quintal. Maria Joaquina e Cirilo, dois porcos recém nascidos de estimação, ziguezagueiam pelos três espaços da residência: uma cozinha anexa ao banheiro, uma salinha com dos sofás onde dormem quatro crianças e um dormitório. Calças, camisetas e toalhas da família estão em todo lugar. Aqui, como em muitas outras casas, não há armários. A louça se lava no chão da rua, com baldes e água de chuva.

“Eu tinha sete anos quando me mudei do Recife para o Rio. Viemos aqui por conta do lixão. Trabalhei aí dos 13 aos 16 anos, até que fiquei grávida pela primeira vez”, relembra Fátima. “A gente catava, mas éramos felizes. Hoje, muitos dos que trabalhavam com a gente se envolveram com o tráfico. Não tem mais emprego”.

Cada um dos seis membros da família de Fátima conta com 5,8 reais por dia. “A gente se vira, mas nunca fizemos lanche, nem vamos no shopping. Este Natal, nem sei como vai ser. Eu não lembro a última vez que saí daqui”, explica a mãe que nunca mais voltou à sua cidade natal. Fátima não vai nem ao mercado. Muita da comida dos moradores de Jardim Gramacho vem do descarte dos supermercados. É comida fora da data de validade ou no seu limite que não pode ser mais vendida ao cliente oficial, mas que aqui tem saída a preço de saldo. “Carrefour é chique para nós”, diz Fátima. Ela, que reclama dos ratos e da falta de água como se fossem seus únicos problemas –“já morei muito pior, só tinha um par de havaianas”–, sim, sonha em se mudar. “Tenho que proteger meus filhos. Os traficantes já começam olhar minhas meninas desse jeito, sabe?”.

O tráfico que manda em tudo

As normas que regem a comunidade passam longe do poder público que, segundo os moradores, “só aparece na eleição”. Aqui manda o tráfico. Em tudo. Nos lixões clandestinos que servem de único sustento para muitos, nas brigas entre vizinhos, e na ordenação do território, na beira de um manguezal da Baia de Guanabara. É o chefe do tráfico quem decide quem, onde e quando alguém pode construir seu barraco. O local, embora nessas condições, atrai famílias em desespero.

A família de Manuel Oliveira da Silva, de 35 anos, recebeu um ultimato duas semanas atrás: eles têm que deixar o apartamento onde moram porque não conseguem mais pagar os 450 reais do aluguel. Estão na rua. De novo. “Sou pedreiro, mas estou desempregado há um ano e meio”. A família cata material nas ruas junto aos seus filhos de quatro e cinco anos, que ficaram fora da escola por falta de vaga, e um bebê. Recebem um real pelo quilo de garrafas pet – umas 36 garrafas.

A família, sem ter onde ir, recebeu permissão para se instalar num terreno de uns 20 metros quadrados do Jardim Gramacho. Eles vão ter um máximo de 90 dias para construir uma casa, e se instalar. Manuel mostra seu novo lar que já tem quatro paredes erguidas. “Não repare na bagunça que sou pobre”, diz com sarcasmo. “Você acha que eu queria estar com minha esposa fazendo um barraco desses? Mas quando a gente é honesto é assim. Depois daqui vamos catar a madrugada toda para comprar o leite do bebê. Não temos nem para isso”.

No processo de capinar o local, coberto de entulho e lixo, uma senhora apareceu reclamando seu pedaço de terra. Levava semanas construindo um lugar para o filho morar. Mas demorou mais do acordado. Em pleno conflito por quem ficaria com essas quatro paredes, a mulher perdeu. Poderá ficar com outro terreno, mas terá que levantar tudo do zero. “As regras são as regras”, lembra para ela Henrique Portela, uma espécie de síndico do local que começou a trabalhar no lixão aos sete anos e só parou aos 30, quando fechou. A lógica, como a vida no bairro, é cruel: “Não entrou [no terreno], não quer”.

Oração


"Senhor Jesus, eu Te agradeço por teres vindo ao meu encontro, não de modo triunfal, mas de modo humilde e pobre. Eu Te agradeço por teres querido meter-te em todas as nossas situações humanas, particularmente nas difíceis. A certeza de que estás comigo, especialmente nas horas mais difíceis, quando a minha vida é mais semelhante à tua cruz, dá-me força e confiança extraordinárias e enche-me de alegria em situações onde seria mais natural a desolação.

Eu Te agradeço por estares comigo. Que saiba também estar contigo. Como diria Inácio de Loiola, meteste-te connosco e pedes-nos para estarmos contigo na pobreza e na obediência à vontade de Deus. Amém."


Fonte: Dehonianos

Por que ir à missa aos domingos? O Papa responde


Foi no primeiro dia que Ele ressuscitou

Desde os primeiros tempos, os discípulos de Jesus celebravam o encontro eucarístico com o Senhor no dia que os judeus chamavam ‘o primeiro da semana’ e os romanos ‘o dia do sol’.

Depois da Páscoa, os discípulos de Jesus acostumaram-se a esperar a visita do seu divino Mestre no primeiro dia da semana; foi nesse dia que Ele ressuscitou e veio encontrar-Se com eles no Cenáculo, falando e comendo com eles e dando-lhes o Espírito Santo. Este encontro se repetiria oito dias depois, já com a presença de Tomé.

Domingo, dia do Senhor: é Ele que nos encontra

E assim, aos poucos, o primeiro dia da semana passou a ser chamado pelos cristãos ‘o dia do Senhor’, ou seja, o domingo.

“A celebração dominical da Eucaristia está no centro da vida da Igreja: nós vamos à missa para encontramos o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por ele”, disse o Papa, explicando:

É a missa que faz cristão o domingo

“Ouvir a sua palavra, alimentar-nos à sua mesa e assim, nos tornarmos Igreja, o seu corpo místico vivo hoje no mundo. Por isso, o domingo é  para nós um dia santo: santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor para nós e entre nós. É a Missa que faz cristão o domingo”.

Entretanto, recordou o Papa:

“Infelizmente há comunidades cristãs que não podem ter Missa todos os domingos; mas também elas são chamadas a recolher-se em oração, nesse dia, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia”.

“Sem Cristo, estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia-a-dia com as suas preocupações e pelo medo do futuro. O encontro dominical com Jesus dá-nos a força de que necessitamos para viver com coragem e esperança os nossos dias”.

A conclusão

Concluindo, por que ir à missa aos domingos?

“Não é suficiente responder que isto é um preceito da Igreja. Nós cristãos precisamos participar da missa dominical porque somente com a graça de Jesus, com a sua presença viva em nós e entre nós, podemos colocar em prática o seu mandamento e sermos testemunhas críveis”.

Mais ainda, a comunhão eucarística com Jesus ressuscitado antecipa aquele domingo sem ocaso em que toda a humanidade entrará no repouso de Deus.

Fonte: Rádio Vaticano