27 agosto, 2018

Imagens de satélite registram um mundo em chamas

O mundo está em chamas. É que aparece na imagem da Worldview da NASA. Os pontos vermelhos sobrepostos na imagem designam aquelas áreas que, usando bandas térmicas, detectam ativamente incêndios.


O artigo é de  Por Lynn Jenner, publicado no site  EcoDebate, em 24/08/2018, a  Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

Imagens de satélite registram um mundo em chamas 

A África parece ter os fogos mais concentrados. Isto pode ser devido ao fato de que estes são os incêndios agrícolas mais prováveis. A localização, a natureza generalizada e o número de incêndios sugerem que esses incêndios foram deliberadamente estabelecidos para administrar a terra. Os agricultores costumam usar fogo para devolver os nutrientes ao solo e limpar o solo de plantas indesejáveis. Enquanto o fogo ajuda a melhorar as culturas e pastagens, o fogo também produz fumaça que degrada a qualidade do ar.

Em outros lugares, os incêndios, como na América do Norte, são incêndios florestais em sua maior parte. Na América do Sul, especificamente o Chile teve um número horrível de incêndios florestais este ano. Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Montana constatou que: “Além da baixa umidade, ventos fortes e temperaturas extremas – alguns dos mesmos fatores contribuindo para incêndios nos Estados Unidos – a região central do Chile vive uma mega seca e grandes porções de suas diversas florestas nativas foram convertidos em plantações de árvores mais inflamáveis, disseram os pesquisadores. ” Mais sobre este estudo pode ser encontrado aqui: https://phys.org/news/2018-08-massive-south-central-chile.html#jCp

No entanto, no Brasil, os incêndios são incêndios florestais e incêndios provocados pelo homem, destinados a limpar os campos de detritos da safra da última safra. Os incêndios também são comumente usados ??durante o período de seca do Brasil para desmatar a terra e limpá-la para criação de gado ou outras finalidades agrícolas ou de extração. O problema com esses incêndios é que eles crescem fora de controle rapidamente devido a problemas climáticos. As condições quentes e secas, juntamente com o acionamento do vento, disparam longe de sua área de queima prevista original. De acordo com o site Global Fire Watch (entre 8/15 e 8/22) mostra: 30.964 alertas de incêndio.

A Austrália também é onde você tende a encontrar grandes incêndios florestais em suas áreas mais remotas. Verões mais quentes e secos na Austrália significarão estações de fogo mais longas – e a expansão urbana na mata nativa está colocando mais pessoas em risco quando esses incêndios eclodirem. Para grandes áreas no norte e no oeste, a temporada de incêndios florestais foi antecipada em um total de dois meses até agosto – até o inverno, que começou oficialmente em 1º de junho. De acordo com o Bureau Australiano de Meteorologia (Bom), o período de janeiro a julho de 2018 foi o mais quente em NSW desde 1910. À medida que o clima continua a mudar e as áreas se tornam mais quentes e secas, mais e mais incêndios florestais irromperão em toda a Austrália.

O aplicativo de visão de mundo do Sistema de Informações e Sistemas de Observação da Terra (EOSDIS) da NASA fornece a capacidade de navegar interativamente por mais de 700 camadas globais de imagens de satélite de resolução completa e, em seguida, fazer o download dos dados subjacentes. Muitas das camadas de imagens disponíveis são atualizadas dentro de três horas de observação, essencialmente mostrando toda a Terra como parece “agora. Esta imagem de satélite foi coletada em 22 de agosto de 2018. Fogos ativos, detectados por bandas térmicas, são mostrados como vermelhos

Cortesia de imagem: Visão de mundo da NASA, Sistema de dados e informações do Sistema de Observação da Terra (EOSDIS)

Para ver a imagem na Worldview: https://go.nasa.gov/2BRck1Z

24 agosto, 2018

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!



Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que seu caminho é o único.
(Paulo Coelho)

A eleição mais perigosa do século


Milhões de brasileiras e de brasileiros serão chamados a transformar sua história através do voto nos níveis nacional e estadual.

"Perigosa porque a mesma maioria do eleitorado que apoia Lula - composta por pequenos assalariados, agricultores familiares, trabalhadores informais, estudantes pobres, moradores da periferia - corre o risco de perder direitos conquistados há décadas. É o que já está ocorrendo agora." 


O artigo é de Ayrton Centeno, publicado no site Brasil de Fato, em 22 de Agosto de 2018.

Essa eleição será estranha porque o seu principal personagem e o líder de todas as pesquisas está preso numa cela de Curitiba. Perigosa porque a mesma maioria do eleitorado que apoia Lula - composta por pequenos assalariados, agricultores familiares, trabalhadores informais, estudantes pobres, moradores da periferia - corre o risco de perder direitos conquistados há décadas. É o que já está ocorrendo agora.

Candidatos do campo conservador, como Geraldo Alckmin, que tem 40% do horário eleitoral, prometem, por exemplo, extinguir o Ministério do Trabalho, Jair Bolsonaro ataca o regime de cotas e ambos defendem as reformas de Michel Temer e as privatizações. A vitória de qualquer um deles significará o prosseguimento da agenda do golpe e mais perdas para o mundo do trabalho.

“É preciso conversar com o povo, esclarecer”, propõe o jornalista e profissional de marketing político, Paulo Cézar da Rosa.  Mas ele tem uma visão otimista da cena política. "As pesquisas têm mostrado que os setores de menor renda estão compreendendo o que está acontecendo. E nos de maior renda, muitos que apoiaram o golpe, já estão se dando conta de que foram enganados”, avalia. E prossegue: “Começam a perceber que existem dois projetos de Brasil e que é preciso ver de que lado está o candidato. Não é uma tarefa simples, mas precisa ser feita”.

Trabalhismo x conservadorismo

Para Rosa, o pleito de 2018 não pode ser entendido como “normal”. Mesmo assim, sustenta que, no plano federal, algo se manterá inalterável: a velha polarização entre PT e PSDB. É o que também assinala o cientista político Benedito Tadeu César. “Vai se repetir aquilo que já acontecia no passado, quando se confrontavam o trabalhismo de Getúlio-Jango-Brizola e o conservadorismo de Carlos Lacerda e da UDN”. A partir de 1989, o trabalhismo passou a ser encarnado pelo PT e seus aliados, inclusive o PDT, enquanto a dupla PSDB & DEM incorporou o lacerdismo. De um lado, a proposta de desenvolvimento autônomo; do outro, o neoliberalismo dependente.

Tanto César quanto Rosa não acreditam no fôlego de Jair Bolsonaro. “Vai estacionar, talvez cair”, diz César. Nos últimos dias, Rosa percebeu um fenômeno: “Vi Lula crescendo e a direita com medo de que qualquer candidato que venha a substituí-lo ganhe a eleição. Por isso este movimento de reforço do Alckmin e esvaziamento do Bolsonaro”.

César enfatiza que, apesar da candidatura de Henrique Meirelles, do MDB, gestada para defender o governo federal, Alckmin não conseguirá se descolar de Temer e seu governo, o mais impopular da história do país. “Além disso, nunca ninguém se elegeu presidente com uma plataforma de privatização e de retirada de direitos. O próprio FHC, quando candidato, nunca disse que ia privatizar”, repara.

Ao citar Alckmin, Rosa trata-o como “uma operação internacional”. Tais ações - argumenta - são do tipo “jurídico-político-midiáticas” e com os Estados Unidos sempre por trás. “O  lavajatismo - continua -  insere-se nisso. É uma operação de guerra não convencional -  híbrida - infinitamente mais barata do que aquela do Oriente Médio. Após a primeira fase, necessitam proteger o processo através de ‘novos políticos’ alinhados com a agenda”. É onde entra o candidato tucano.  “O PSDB e não o MDB, como alguns pensam, é o partido do golpe. O Alckmin agora vai entrar de “chefe das operações”, dizendo que o gerente que eles botaram - o Temer - não deu conta do recado”, acredita. “E, aqui no Rio Grande, o Eduardo Leite vai dizer a mesma coisa do Sartori”, prevê.

Disputa no Rio Grande do Sul

César considera a disputa gaúcha mais nebulosa do que a nacional. Salienta que o fato de José Ivo Sartori controlar a máquina governamental, ter bastante visibilidade e do MDB estar presente em todos os municípios pode favorecê-lo numa campanha curta. Aliás, o tempo escasso para afirmar novos candidatos deve beneficiar as figuras mais conhecidas. No passado, os gaúchos apostaram na novidade, o que aconteceu com Germano Rigotto em 2002 e mesmo Sartori em 2014. “Agora, o Eduardo Leite vai tentar ocupar este lugar do ‘novo’, mas terá inúmeros problemas para fazer isso…”, entende Rosa.   

Após o linchamento midiático da classe política, há um grande temor do avanço da abstenção em 2018. “Vamos ter muita abstenção e votos brancos e nulos”, admite Rosa. Mas acha que, para a esquerda, o pior já passou. “Em 2016, o eleitor de esquerda não foi votar e o PT perdeu sete milhões de votos. Não perdeu para outros partidos, mas para a abstenção, a desilusão. De lá para cá, muita coisa mudou. Agora serão os eleitores da direita e da centro-direita que terão dificuldade”, imagina.

Olho vivo, eleitor!

Com 35 partidos legalizados, o Brasil complica e muito a vida dos eleitores.  Além dessa sopa de letrinhas, é preciso escolher entre milhares de candidatos a deputado federal e estadual, senador, governador e presidente. Não é fácil, ainda mais quando nem tudo é o que parece ser. O novo pode representar o velho e aquilo que se apresenta como avançado pode ser muito mais atrasado do que se pensa.

Na hora do voto, é preciso atentar, por exemplo, para duas armadilhas: o candidato que vive trocando de partido e o partido que troca de nome. No primeiro caso, a responsabilidade é da legislação eleitoral. Tolerante com a infidelidade partidária, permite que o eleito carregue seu mandato para outra agremiação e desta para uma terceira sem maiores problemas, desconsiderando sigla e eleitor.

No caso dos partidos, o exemplo mais emblemático é o do PP, o Partido Progressista que, apesar da denominação, pertence ao campo conservador.  Já foi Arena, mudou para PDS, virou PPR, depois PPB e converteu-se em PP. Enquanto Arena, foi quem sustentou a ditadura de 1964.

Geralmente, a mudança se dá pelo desgaste do nome anterior. Funciona assim: filme queimado, nome trocado. Filho também da Arena e irmão gêmeo do PP, o DEM antes era PFL. Apesar de batizado como “Democratas”,  se formou na base civil da ditadura quando era Arena.

O Patriota, nanico que tem candidato à presidência, é o mesmo PEN, o antigo Partido Ecológico Nacional. Mudou sua graça para abrigar Jair Bolsonaro. Abandonou também a causa ambiental e adotou as bandeiras anti-aborto, pela liberação de armas de fogo e pela redução da maioridade penal. Mas Bolsonaro não veio.

Se o PEN mudou para Patriota, o PTN transformou-se em Podemos. De novo, o nome mais esconde do que revela. A inspiração veio do Podemos espanhol, sigla de esquerda. Mas o Podemos brasileiro coloca-se à direita do jogo político. Seu candidato à presidência é o senador Álvaro Dias, ex-PSDB. No Rio, sua cara é a do ex-jogador Romário. Um e outro votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Ambos, portanto, são responsáveis pela situação atual do país.

Também o PMDB alterou o nome.  Sob Temer e após o golpe que ajudou a desfechar em 2016, tornou-se novamente MDB, nome que recebeu como uma das duas agremiações políticas consentidas pelo regime militar, quando era proibido usar o termo “partido”.

Estreando nas eleições presidenciais, o Partido Novo é, na verdade, um representante do velho liberalismo do século 19. Afirma-se como “de direita” e contra as cotas nas universidades. Defende a privatização da Petrobras e do Banco do Brasil e a “flexibilização” do porte de armas de fogo.  

Dos 35 partidos que vão disputar a preferência dos brasileiros, o mais jovem é outra evidência de como as aparências podem enganar. O PMB, Partido da Mulher Brasileira, teve uma bancada de 20 deputados federais. Nela, havia apenas duas mulheres. Afirma-se como antifeminista e anti-aborto. A sigla das mulheres chegou a lançar candidatura ao governo gaúcho em 2018, mas desistiu. Concorreria com um homem…

Mulheres são maioria no eleitorado, mas pouco mais de 10% no Congresso

As mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros, somando 77.337.918 cidadãs aptas a votar, o que significa 52,5% do eleitorado. No entanto, a representação feminina é pouco superior a 10% das cadeiras do Congresso. Os homens são 69.901.035, ou seja, 47,5% do total. Mas ocupam mais de 90% das vagas do Senado e da Câmara de Deputados. Os dados são do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral.

A diferença a favor das mulheres é de 7.436.883, número superior à soma de todo o eleitorado de nove capitais, a saber Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Florianópólis, Aracaju, Teresina, João Pessoa, Palmas e Maceió.

O maior contingente de mulheres está situado na faixa entre 45 e 59 anos. São 18,7 milhões. Logo depois, vem a faixa entre 25 e 34 anos com 16,1 milhões, seguindo-se as eleitoras com idade entre 35 e 44 anos, com 15,8 milhões. O eleitorado masculino também é mais concentrado nessas três faixas.

Quase quatro milhões e meio de eleitores votarão pela primeira vez nas eleições do dia 7 de outubro, quando serão eleitos, além dos cargos de presidente e vice-presidente da República, deputados federais, estaduais ou distritais, dois senadores por estado e os governadores dos 26 estados, mais o Distrito Federal. Houve um crescimento de 3,14% em comparação às eleições de 2014.

Nos segmentos sem obrigação de votar, a faixa de 16 a 18 anos registrou queda de 14,5% do eleitorado na comparação com 2014. Entre os eleitores acima de 70 anos, ao contrário, ocorreu um aumento de 11,1% em relação às eleições presidenciais anteriores. Hoje, representam um contingente de 12,1 milhões de cidadãos aptos a votar.

A maior parte do eleitorado possui ensino fundamental incompleto. Representam 25,8% dos eleitores. Ou seja, 38 milhões de cidadãos. Outros 33,6 milhões, ou 22,7%, concluíram o ensino médio. Com ensino superior são 13,5 milhões ou 9,1%. E seis milhões de eleitores – 4,4% – são analfabetos.

Uma inovação de 2018 refere-se à condição dos transexuais e travestis. Pela primeira vez, eles poderão usar o nome social para a identificação no processo eleitoral. A norma foi aprovada pelo TSE no dia 1º de março deste ano e, desde então, 6.280 pessoas fizeram a escolha de se registrarem ou atualizarem seus dados para ter acesso a esse direito.

Homilia do Papa Francisco - Santa Missa para os Migrantes (6 de julho de 2018)



Homilia do Papa Francisco - Santa Missa para os Migrantes (6 de julho de 2018)

«Ouvi isto, vós que esmagais o pobre e fazeis perecer os desfavorecidos da terra (…). Eis que vêm dias em que lançarei fome sobre o país, (...) fome de ouvir as palavras do Senhor» (Am 8, 4.11).

A advertência do profeta Amós revela-se ainda hoje de veemente atualidade. Quantos pobres são hoje esmagados! Quantos desfavorecidos são feitos perecer! Todos eles são vítimas daquela cultura do descarte que repetidamente foi denunciada. E, entre eles, não posso deixar de incluir os migrantes e os refugiados, que continuam a bater às portas das nações que gozam de maior bem-estar.

Recordando as vítimas dos naufrágios há cinco anos, durante a minha visita a Lampedusa, fiz-me eco deste perene apelo à responsabilidade humana: «“Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim”, diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós» [Insegnamenti I(2013)-vol. 2, 23]. Infelizmente, apesar de generosas, as respostas a este apelo não foram suficientes e hoje choramos milhares de mortos.

A aclamação de hoje ao Evangelho contém este convite de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28). O Senhor promete descanso e libertação a todos os oprimidos do mundo, mas precisa de nós para tornar eficaz a sua promessa. Precisa dos nossos olhos para ver as necessidades dos irmãos e irmãs. Precisa das nossas mãos para socorrê-los. Precisa da nossa voz para denunciar as injustiças cometidas no silêncio – por vezes cúmplice – de muitos. Na realidade, deveria falar de muitos silêncios: o silêncio do sentido comum, o silêncio do «fez-se sempre sempre assim», o silêncio do «nós» sempre contraposto ao «vós». Sobretudo o Senhor precisa do nosso coração para manifestar o amor misericordioso de Deus pelos últimos, os rejeitados, os abandonados, os marginalizados.

No Evangelho de hoje, Mateus narra o dia mais importante da sua vida: aquele em que foi chamado pelo Senhor. O Evangelista recorda claramente a censura de Jesus aos fariseus, com tendência fácil a murmurar: «Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (9, 13). É uma acusação direta à hipocrisia estéril de quem não quer «sujar as mãos», como o sacerdote e o levita na parábola do Bom Samaritano. Trata-se duma tentação muito presente também nos nossos dias, que se traduz num fechamento a quantos têm direito, como nós, à segurança e a uma condição de vida digna, e que constrói muros, reais ou imaginários, em vez de pontes.

Perante os desafios migratórios da atualidade, a única resposta sensata é a solidariedade e a misericórdia; uma resposta que não faz demasiados cálculos, mas exige uma divisão equitativa das responsabilidades, uma avaliação honesta e sincera das alternativas e uma gestão prudente. Política justa é aquela que se coloca ao serviço da pessoa, de todas as pessoas interessadas; que prevê soluções idóneas a garantir a segurança, o respeito pelos direitos e a dignidade de todos; que sabe olhar para o bem do seu país tendo em conta o dos outros países, num mundo cada vez mais interligado. É para um mundo assim, que olham os jovens.

O Salmista indicou-nos a atitude justa que, em consciência, se deve assumir diante de Deus: «Escolhi o caminho da fidelidade e decidi-me pelos vossos juízos» (Sal 118/119, 30). Um compromisso de fidelidade e de juízo reto que esperamos realizar juntamente com os governantes da terra e as pessoas de boa vontade. Por isso, acompanhamos atentamente o trabalho da comunidade internacional para dar resposta aos desafios colocados pelas migrações atuais, harmonizando sabiamente solidariedade e subsidiariedade e identificando recursos e responsabilidades.

Desejo concluir com algumas palavras dirigidas particularmente aos fiéis que vieram da Espanha.

Quis celebrar o quinto aniversário da minha visita a Lampedusa convosco, que representais os socorristas e os resgatados no Mar Mediterrâneo. Aos primeiros, quero expressar a minha gratidão por encarnarem hoje a parábola do Bom Samaritano, que parou para salvar a vida daquele pobre homem espancado pelos ladrões, sem lhe perguntar pela sua proveniência, pelos motivos da sua viagem ou pelos seus documentos: simplesmente decidiu cuidar dele e salvar a sua vida. Aos resgatados, quero reiterar a minha solidariedade e encorajamento, pois conheço bem as tragédias de que estais a fugir. Peço-vos que continueis a ser testemunhas da esperança num mundo cada vez mais preocupado com o próprio presente, com reduzida visão de futuro e relutante a partilhar, e que elaboreis conjuntamente, no respeito pela cultura e as leis do país de acolhimento, o caminho da integração.

Peço ao Espírito Santo que ilumine a nossa mente e inflame o nosso coração para superarmos todos os medos e inquietações e nos transformarmos em instrumentos dóceis do amor misericordioso do Pai, prontos a dar a nossa vida pelos irmãos e irmãs, tal como fez o Senhor Jesus Cristo por cada um de nós.

Oração


"Senhor, derrama sobre nós o teu Espírito, para que não permaneçamos ossos ressequidos, corpos sem vida na sociedade, na comunidade, na família. A superficialidade, a banalidade, o frenesim, que tantas vezes nos caracterizam, apenas escondem o vazio que nos preenche. Manda o teu Espírito, para que não desfaleçamos no tédio, na frieza, nas relações estéreis, entre as ruínas de ideologias desmoronadas, e entre os farrapos dos nossos sonhos desfeitos. Viestes para nos dar a vida, e dá-la em abundância. De Ti a esperamos! Amém."

Fonte: Dehonianos

23 agosto, 2018

"Com o luto eu aprendi a jamais me arrepender de amar "


As coisas que eu precisei aprender com o luto

"E eu notei que vai ter muita gente solidária ao nosso sofrimento, mas também vai existir uma quantidade surpreendente de pessoas de alma dura, que insistirão em julgar nosso sofrimento e tentar nos roubar o direito de viver o luto. Sim, o luto precisa ser vivido. Afinal, ele é também uma etapa da vida: nascemos, vivemos e morremos. Neste espaço do “vivemos”, enterramos quem amamos. Estar de luto significa que você está vivo."


O artigo é de Rândyna da Cunha, publicado no site Psicólogos do Brasil

As coisas que eu precisei aprender com o luto 

No dia em que você nos deixou, como em um cliché de filme, serenava. Porém, naquele dia, eu ainda não entendia que era o dia em que você me deixou. Serenava no tempo e, aos poucos, serenava também no meu coração. As pessoas iam saindo lentamente, em silêncio, enquanto eu me deixava ficar, esperando que em uma reviravolta louca você se levantasse dizendo que era uma brincadeira de mau gosto. Sim, é absurdo, mas eu aprendi que no luto o absurdo é o comum de quem ama.

Depois que todos se foram, ela veio juntamente com o silêncio e o frio: a dor pungente. Eu demorei a aceitar, mas a dor do luto é física. Ela rasga de dentro para fora, ela fere pelas entranhas, como se ela sempre tivesse estado ali e estivesse apenas esperando o momento certo para sair rasgando tudo, como um alien cuidadosamente alojado.

Nada que eu vivi até o momento daquela dor poderia se comparar àquele sofrimento, nada. Nem sei dizer se aquilo era sofrimento, eu acho até que aquilo ali nem nome tem. É um carrossel louco de sentimentos tão fortes que deixam a alma e o corpo abatidos de cansaço. Quando após três dias sem dormir, o corpo finalmente repousou numa cama, era como se eu tivesse travado uma luta numa arena romana. Dormimos sem querer dormir. Simplesmente, o corpo se desliga, porque sabe que se não fizer isso não suportará. Eu aprendi que o nosso corpo nos comanda no momento do luto.

Vivendo o luto, eu precisei aprender algumas coisas. Não porque eu quisesse, mas porque foi necessário, foi parte do processo natural de adaptação. Do luto mesmo eu não queria a menor aproximação e o mínimo sinal de conhecimento, porém, eu não pude escolher. A dona morte é uma ladra muito furtiva e ela roubou ao ponto de me deixar vazia.

De tudo que restou em mim, a coisa que mais se sobressaiu foi a dor. É verdade, o luto dói de tantas maneiras que eu não poderia jamais imaginar e que talvez eu jamais saiba descrever. O luto doeu psicologicamente, fisicamente e espiritualmente. Eu me sentia vazia e solitária, em todos estes aspectos. Então, eu aprendi que às vezes a gente deseja morrer, tão involuntariamente, que chega a ser inocente. É apenas o desespero para aliviar a dor gritando mais alto dentro de nós.

E eu notei que vai ter muita gente solidária ao nosso sofrimento, mas também vai existir uma quantidade surpreendente de pessoas de alma dura, que insistirão em julgar nosso sofrimento e tentar nos roubar o direito de viver o luto. Sim, o luto precisa ser vivido. Afinal, ele é também uma etapa da vida: nascemos, vivemos e morremos. Neste espaço do “vivemos”, enterramos quem amamos. Estar de luto significa que você está vivo.

Chega um tempo em que lutamos insistentemente por melhorar, queremos sair daquele poço fundo e parar de sofrer, algo dentro de nós teima em reagir. E, neste momento, fazemos de tudo, topamos qualquer parada. É a hora que os mais aventureiros fazem besteira, entram em alguma fria. A realidade é que tudo não é mais que uma busca incessante por uma forma de arrancar do peito a dor sufocante da ausência de quem amamos. Na ânsia de esquecer muitos de nós cometem as piores burrices de suas vidas. É preciso ter calma nestes momentos. É preciso ter constância. É imperativo buscar a paz.

Eu aprendi também que nem sempre os médicos estão certos e que para a psiquiatria o luto tem tempo. Como categorizou o psiquiatra: “Luto é por três meses, quando passa disso é depressão. Você está em luto há cinco meses, portanto, está em depressão.”. Saí do consultório com um misto de ressentimento e revolta, amassando uma receita de tarja preta nas mãos. Se enterrei alguém que amei por 15 anos, como eu poderia simplesmente esquecê-lo em três meses?

Jamais imaginei que o luto devesse ter data marcada para terminar. Para mim luto é enquanto a pessoa me fizer falta e, neste caso, é para sempre. Se existe um alívio melhor que chorar e deixar as lágrimas apenas escorrerem em silêncio, eu ainda não descobri qual é. Mas tenho certeza que, ao menos para mim, dopar meus sentimentos com medicamentos e fingir não sentir nada jamais solucionará meus problemas. Quando alguém disser: “Não chore!”. Teime e chore sim. O choro é necessário, a tristeza é saudável.

Aprendi também que as realizações pessoais a serem comemoradas se tornam alegrias com uma pontinha de tristeza e é preciso coragem para enfrentar isso. É preciso coragem para comemorar cada coisa que você desejou festejar ao lado daquela pessoa que não está mais ali, é preciso força para continuar e é preciso audácia para dar valor à sua própria vida e às suas conquistas, quando a pessoa com quem você sonhou em dividir não está mais ali. A vida após um luto consiste em um exercício diário.

Dia após dia, as nossas reações se modificam, nossos sentimentos se acalmam. O desejo de convulsionar em lágrimas dá lugar a uma saudade comprida e cheia de amor, recheada de lembranças que chegam de repente, no meio da tarde e nos arrancam um sorriso meio bobo. A passagem daquela pessoa em nossa vida passa a fazer todo o sentido. É trivial, mas era como tinha de ser. Se não fosse assim, não seria minha história ou a sua ou a dele.

Aos poucos entendemos que a vida não para em prol do nosso sofrimento, o mundo não deixa de girar para sofrermos, tudo permanece como está e segue o fluxo normal. Então, gradativamente conseguimos nos adaptar. Voltamos a viver. Eu aprendi que existe vida após o luto. E uma vida mais consciente de que o tempo é curto, que o verdadeiro amor é raro, que Deus existe, que amar exige compaixão, que as pessoas mais importantes de nossas vidas sempre estiveram ao nosso lado, que o destino nos leva a cumprir nossa jornada e que vale à pena esperar. Mas a maior de todas as coisas que eu aprendi é que se mil vidas eu tivesse, mil vidas eu aceitaria enfrentar essa dor, apenas pelo prazer de todo o antes que vivi ao lado dele. Se ter a história que eu tive, exigia carregar esta dor, eu a carregaria mil vezes sem a menor dúvida. Com o luto eu aprendi a jamais me arrepender de amar.

Diário de dom Oscar Romero

Bom olhar nestes dias que se aproximam sua canonização.  

Um profeta do povo oprimido

Diário de dom Oscar Romero
De sexta-feira, 31 de março de 1978 a quinta-feira, 20 de março de 1980.

Um profeta do povo oprimido, incompreendido e caluniado por setores da Igreja, assassinado pelo exército salvadorenho durante a celebração da eucaristia. Beato e mártir da fé católica, em outubro será canonizado.

Acesse o diário de Dom Oscar Romero AQUI


22 agosto, 2018

O primeiro vídeo da campanha de Lula - "O Brasil vai ser feliz de novo", diz o primeiro vídeo da campanha presidencial de Lula, que lidera todas as pesquisas

Entrevista João Pedro Stedile, direção nacional do MST, fala sobre a situação dos militantes em greve de fome há mais de 20 dias, o motivo, possíveis desfechos e como a militância e os movimentos podem colaborar

Missa em celebração ao dia do Psicólogo


Oração


" Senhor, dá-nos um coração grande para amar. Dá-nos um coração capaz de ver a grandeza, encontrar a beleza e saborear a bondade de tudo quanto criastes. Dá-nos um coração capaz de se admirar, de louvar e de agradecer. Dá-nos um coração onde haja espaço para as alegrias e os sofrimentos dos irmãos. Dá-nos um coração capaz de abarcar a história, e de guardar na meditação os acontecimentos, como Maria. Dá-nos um coração, onde possas habitar, Tu, nosso Deus, imenso e cheio de generosidade. Amém."

Fonte: Dehonianos

Eis que conceberás e darás à luz um filho


Nossa Senhora Rainha . Memória

Eis que conceberás e darás à luz um filho.

Lucas 1,26-38

Naquele tempo:
26O anjo Gabriel foi enviado por Deus
a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27a uma virgem, prometida em casamento
a um homem chamado José.
Ele era descendente de Davi
e o nome da virgem era Maria
28O anjo entrou onde ela estava e disse:
'Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!'
29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a
pensar qual seria o significado da saudação.
30O anjo, então, disse-lhe:
'Não tenhas medo, Maria,
porque encontraste graça diante de Deus.
31Eis que conceberás e darás à luz um filho,
a quem porás o nome de Jesus.
32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo,
e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi.
33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó,
e o seu reino não terá fim'.
34Maria perguntou ao anjo:
'Como acontecerá isso,
se eu não conheço homem algum?'
35O anjo respondeu:
'O Espírito virá sobre ti,
e o poder do Altissimo te cobrirá com sua sombra.
Por isso, o menino que vai nascer
será chamado Santo, Filho de Deus.
36Também Isabel, tua parenta,
concebeu um filho na velhice.
Este já é o sexto mês
daquela que era considerada estéril,
37porque para Deus nada é impossível'.
38Maria, então, disse:
'Eis aqui a serva do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra!'
E o anjo retirou-se.

Palavra da Salvação

20 agosto, 2018

Acomodação. Não se tem "sabedoria" e sim informação "verdadeira ou não"!


Acomodação. Não se tem "sabedoria" e sim informação "verdadeira ou não"!

Que bom se as publicações e os comentários em publicações não fossem feitas baseada em achismo, más com sabedoria baseada em estudo e experiências verdadeiras, principalmente quando relacionada a política um bom aprofundamento de como funciona a sociedade, lutas de classes, economia e a política, o social e o ideológico é preciso. 

Há excesso de informação e um excesso na busca de informação e pelo saber, más não se tem “sabedoria” e sim informação “verdadeira ou não” o que distorce ou dificulta a possibilidade de se enxergar a realidade com clareza, diante de tantas informações. Isso é preocupante. É muito triste.

Hoje deparamos com pessoas com pouca experiência comunitária, pouca experiência em movimentos sociais e em outros organismos popular e até incapazes de experiência, mas cheios de informação e de opinião. A informação pode ser muitas coisas, mas não é experiência e não deixa espaço para a experiência.

Os discursos dos grupos dominantes ocupam os principais veículos de comunicação, definindo aquilo que deve ou não ser dito, pensado e realizado. Não restando meios para que discursos diferentes ocupem o mesmo espaço. 

Penso que uns do mal da atualidade é a acomodação. Muitos não estão preocupados em ler, pesquisar ou aprofundar o conhecimento. Para muitos, ler é uma perda de tempo.  

Aí vem a desculpa da correria do dia-a-dia. É mais rápido e mais cômodo acolher o que recebemos em nosso celular e aí fazer o "CTRL C" + "CTRL V" de uma página da internet e/ou sentar confortavelmente em uma poltrona em frente a uma televisão e o pior acreditar, agora estou bem informado.

Temos uma mídia enganadora e mentirosa para atingir o objetivo de que manter o povo desinformado é preciso. A Globo é hoje o principal partido ideológico da burguesia brasileira. Ela que exerce o papel de orientador político e de formação ideológica das massas, com as ideias da burguesia.  

Papa Francisco na Missa do Domingo de Ramos, 25 de março de 2018, liturgia que resgata as alegrias e sofrimentos de Jesus, aclamado pelo povo como rei, e mais tarde crucificado pelo mesmo povo falou sobre as contradições ainda presentes em mulheres e homens da atualidade -  “Capazes de amar muito… mas também de odiar (e muito!)”.

O grito “Crucifica-o” é atribuído pelo Papa a todas as mulheres e a todos os homens que, para defenderem sua posição, desacreditam especialmente quem não pode se defender. Grito produzido por intrigas da autossuficiencia, do orgulho e da soberba e assim silenciar-se a festa, a esperança, os sonhos, a alegria, o coração e a caridade do povo.

Na homilia da missa celebrada na quinta-feira, 17 de maio de 2018, o Papa Francisco comentou as condições obscuras com que se consegue perseguir e condenar certas pessoas, tal como aconteceu com Jesus Cristo e os apóstolos Paulo e Estevão, falando inclusive nos Golpes de Estado.

Disse o papa “Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa,  e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. 

E como exemplo Francisco citou “a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”. 

Francisco ainda comentou a instrumentalização do povo citando o caso de Jesus que no Domingo de Ramos foi recebido com festa em Jerusalém e poucos dias depois, a mesma multidão gritava pedindo a crucificação.

“Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: “Crucifiquem-no”. O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.”

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

17 agosto, 2018

Para refletir




"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira." 
Che Guevara.

Nota: ONU acata pedido de Lula para garantir direito de candidato

A ONU determinou ao Estado Brasileiro que “tome todas as medidas necessárias para permitir que Lula desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições.


Na data de hoje (17/08/2018) o Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu pedido liminar que formulamos na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25/07/2018, juntamente com Geoffrey Robertson QC, e determinou ao Estado Brasileiro que “tome todas as medidas necessárias para permitir que o autor [ Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido politico” e, também, para “não impedir que o autor [Lula] concorra nas eleições presidenciais de 2018 até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final” (tradução livre).

A decisão reconhece a existência de violação ao art. 25 do Pacto de Direitos Civis da ONU e a ocorrência de danos irreparáveis a Lula na tentativa de impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais ou de negar-lhe acesso irrestrito à imprensa ou a membros de sua coligação política durante a campanha.

Por meio do Decreto Legislativo nº 311/2009 o Brasil incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o Protocolo Facultativo que reconhece a jurisdição do Comitê de Direitos Humanos da ONU e a obrigatoriedade de suas decisões.

Diante dessa nova decisão, nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-Presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado em um processo justo, assim como será necessário franquear a ele acesso irrestrito à imprensa e aos membros de sua coligação política durante a campanha.


Fonte: site do PT

Marcha pela vida em Maringá - Contra o aborto

19 de agosto: Marcha Pela Vida em Maringá 

Domingo, 19 de agosto, às 10h na praça da Catedral de Maringá, será realizada a Marcha pela Vida. 

A organização é coletiva e ecumênica e tem o apoio de várias entidades como a Arquidiocese de Maringá, Ordem dos Pastores Evangélicos de Maringá (OPEM), APAE, Lar Preservação da Vida, Associação Maringaense de Mulheres e Associação de Pais e Educadores. 

A Marcha Pela Vida Maringá tem o objetivo de informar sobre números falsos e retificar os equívocos sobre a descriminalização do aborto no Brasil. 

"Nós apoiamos este evento que clama pela vida humana e pelos direitos dos nascituros. Queremos convidar todos os fiéis cristãos a participarem”, diz o Arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti. 


Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

 

16 agosto, 2018

Para ficar para sempre, ficar na história! Se o povo soubesse a força que tem...ha se soubessem...


Para ficar para sempre, ficar na história! 
Se o povo soubesse a força que tem...ha se soubessem...

Sabemos que tudo é possível, os fatos nos leva a essa compreensão,  o TSE tem até o dia 17 de setembro para julgar os pedidos de registro de candidaturas, mas a oficialização da candidatura  de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República marca a história política do Brasil.

O registro de um cidadão que se encontra preso, mesmo com os discursos dos grupos dominantes que ocupam os principais veículos de comunicação negando que o Lula é um preso político. 

É ou não é para ficar na história? 

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira." Che Guevara.

Se o povo soubesse a força que tem...ha se soubessem... não houve até hoje no Brasil  registro de uma candidatura a uma disputa eleitoral com tanta mobilização popular, milhares de manifestantes e em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aproximadamente 50 mil pessoas.

Mesmo preso, Lula lidera as pesquisas de opinião para a eleição presidencial de outubro,  pela coligação “O Povo Feliz de Novo”, formada por PT, PCdoB e PROS.

Para mim,  Lula foi, com toda a certeza, o melhor presidente da história do nosso país.  

13 nomes para disputar o Palácio do Planalto

Os candidatos têm patrimônio que varia de zero a R$ 425 milhões. 

-  Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – R$ 8 milhões 
- João Amoêdo (Novo)  -  R$ 425 milhões
-  Henrique Meirelles (MDB) -  R$ 377,5 milhões
-  João Goulart Filho (PPL) -  R$ 8,6 milhões
-  José Maria Eymael (DC) – R$ 6,1 milhões
-  Alvaro Dias (Pode) – R$ 2,9 milhões
-  Jair Bolsonaro (PSL) – R$ 2,3 milhões
-  Ciro Gomes (PDT) – R$ 1,7 milhão
-  Geraldo Alckmin (PSDB) - R$ 1,4 milhão
-  Marina Silva (Rede) – R$ 118,8 mil
-  Vera Lúcia (PSTU) – R$ 20 mil
-  Guilherme Boulos (PSOL) – R$ 15,4 mil
-  Cabo Daciolo (Patri) – não declarado

Pelo calendário eleitoral, o TSE tem até o dia 17 de setembro para julgar os pedidos de registro de candidaturas. Esse também é o prazo final para que os partidos substituam nomes nas chapas, exceto em caso de morte de candidato.

Conforme dados disponíveis no Sistema de Divulgação de Candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o patrimônio declarado dos candidatos a presidente chega a R$ 834 milhões.

O candidato do Patri, Cabo Daciolo, conforme o portal do TSE, não apresentou declaração de bens. 

João Amoêdo (Novo) é o candidato com maior patrimônio, 425 milhões de reais. São aplicações financeiras, imóveis, objetos colecionáveis (obras de arte e joias), embarcações, automóveis e quotas de empresas e ações. Só de aplicação de renda fixa ele diz ter R$ 217 milhões.

Já Amoêdo declarou casas, apartamentos, carros, joias, quadros, objetos de arte, título de clube, aplicações, embarcação, salas comerciais e depósito em conta corrente.

Henrique Meirelles (MDB) declarou R$ 377,5 milhões, incluindo depósito em conta no exterior, cotas de capital, título de clube, aplicações, apartamento e carros.

O terceiro candidato com maior patrimônio é João Vicente Goulart (PPL), totalizando R$ 8,6 milhões declarados. A relação de bens apresentada ao TSE inclui cotas de capital e imóveis.

Amor, Diálogos e a Superação da Intolerância Religiosa



Amor, Diálogos e a Superação da Intolerância Religiosa

Jesus ensinou que em vez de alimentar um discurso de ódio que gera divisão e exclusão, devemos amar sem preconceito.

A história da religiosidade brasileira tem sido fortemente marcada pelo preconceito e intolerância religiosa, o que explica muito sobre o presente. Desde o início foi assim. Tudo teve início com os portugueses que por meio de imposição, opressão, violência e morte, forçosamente se valeram do proselitismo-colonial para destruir a crença indígena. Condenaram toda a prática de culto religioso dos índios para implantar uma única religião dominante. Em suas caravelas, os portugueses desembarcam sem o Evangelho de Jesus. Trouxeram a bord
o uma religião colonizadora, opressora e imperialista. Da mesma forma fizeram com os negros, escravos que chegavam em navios negreiros. Demonizaram o culto africano submetendo-os ao jugo da obrigação de cultuar a religião cristã imposta pelo clero católico-romano. Nossa religiosidade já começa com uma violenta intolerância aos índios e negros que pela força do império, conseguiu destruir a crença de povos construída a séculos.

A intolerância religiosa no Brasil de nossos dias tem se manifestado de formas diversas. Nas pregações e escritos de líderes fundamentalistas, na destruição de imagens sacras ou objetos de culto, piadas, em depredações e incêndios a templos religiosos, nas agressões físicas e psicológicas, nas demonizações de objetos e oferendas e até mesmo assassinatos. Os dados das últimas pesquisas são preocupantes. A cada 15 horas é registrado uma denúncia de intolerância religiosa no Brasil. A Umbanda, Candomblé e Religiões de matrizes africanas juntas somam 66 casos em 2017, que neste caso são as que mais sofrem intolerância. Na mesma pesquisa, IURD, Assembleia de Deus, presbiteriana e igreja Adventista, juntas somam apenas 5 casos. (Fonte: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-registra-uma-denuncia-de-intolerancia-religiosa-a-cada-15-horas,70002081286).

Em um contexto de racismo e intolerância religiosa, e com o alarmante crescimento dessa prática de desrespeito as religiões, é preciso falar sobre nós, sobre nosso posicionamento e como temos nos portado diante de uma realidade de exclusão, imposição e injustiça que tem definido as religiões de matrizes africanas como inferiores e sem valor religioso. Urge construir novos paradigmas que tenham em sua base o respeito as religiões e o diálogo amoroso que supera o ódio e a intolerância. Construir novos diálogos em uma perspectiva ecumênica e profética, que nos chame para conhecer o significado da religião do outro, ouvir suas histórias, conversar sobre sua fé, livre de todo preconceito, em um diálogo livre e aberto, com base no respeito às diferenças.

Jesus promoveu novos diálogos, superou preconceitos e o ódio dos religiosos fundamentalistas de seu tempo. Jesus ensinou que em vez de alimentar um discurso de ódio que gera divisão e exclusão, devemos amar sem preconceito. (Mt.5.43-44). O evangelho de João nos conta sobre o encontro de Jesus com a mulher Samaritana (Jo. 4.1-30). Esse texto tem muito a nos dizer sobre intolerância religiosa. A história entre judeus e samaritanos foi marcada pelo ódio. Por vários séculos criou-se barreiras geográfica, religiosa, sociais, culturais e econômicas, como informa esse pequeno trecho do estudo elaborado pelas mulheres do DMO do Egito:

“Essa inimizade tem suas raízes nos anos 720 a.C., quando o rei da Assíria derrotou Samaria, deportou os israelitas para a Assíria (II Reis 17.6) e trouxe pessoas da Babilônia e de outros países pagãos, estabelecendo-os nas cidades da Samaria, para desalojar os israelitas, de acordo com II Reis 17.24. O casamento entre esses estrangeiros e os israelitas que haviam escapado do exílio, contribuiu para as tensões entre samaritanos e israelitas.” (Fonte: https://www.cebi.org.br/2014/03/05/a-mulher-samaritana-jo-41-41).

Jesus derruba os muros da intolerância e do ódio. Não questiona a mulher de Samaria por ter entrado no espaço geográfico dos judeus para pegar água no poço, que por tradição bebeu ao Pai Judeu, Jacó. Em vez de excluir ou ofender a samaritana, como faria um judeu em seu lugar, Jesus dá início a um diálogo respeitoso e cheio de amor. Jesus gentilmente lhe pede água. Sua prática de iniciar um diálogo aberto com os samaritanos a partir da mulher é algo revolucionário e deixa seus discípulos perplexos. É um novo paradigma com base no perdão e no amor ao diferente. A pregação da intolerância e do ódio aos samaritanos fomentada pelos religiosos fundamentalistas do templo não tem força para vencer o amor ensinado e vivido pelo Jesus de Nazaré. O diálogo promovido por Jesus anima a mulher samaritana que logo deixa o cântaro no poço e leva a boa notícia de amor para seus amigos, amigas e moradores da cidade.

“Venham! Encontrei um homem no poço que falou sobre minha vida, que é o Messias, que não destila ódio nem preconceito, mas demonstra muito amor! ” (v.28-30).

É inegável que há um forte discurso de intolerância e ódio em alguns dos seguimentos cristãos travestidos de uma suposta “santidade”. Por várias décadas foi ensinado aos cristãos (católicos e evangélicos) que o candomblé, a umbanda e religiões de matrizes africanas são do diabo e que é preciso orar para Deus fechar ou destruir os terreiros. Também foi ensinado nos púlpitos e nas escolas bíblicas que é no terreiro que os demônios se manifestam por meio de rituais e danças e que os instrumentos musicais, a música e as comidas de oferendas são maldição. Não é difícil encontrar em igrejas campanhas de oração pedindo a Deus para fechar o terreiro que está na rua próximo à igreja. Uma mistura de ignorância e intolerância religiosa.

Tudo isso é resultado de uma impregnação do fundamentalismo religioso que insiste em não se abrir para o diálogo. Como já dissemos, construir novos diálogos com base no amor e no respeito para conhecer as religiões é o caminho para a superação do preconceito e do ódio. Para que isso aconteça de forma concreta, é preciso voz profética para denunciar. É no diálogo que se ouve o outro, que construímos juntos novos caminhos de libertação, que perdoamos as ofensas, que se aprende sobre amor e respeito. O diálogo sustenta bons relacionamentos. Jesus não construiu muros de intolerância para separar as pessoas e enraizar o ódio, mas pontes seguras para que todos e todas possam caminhar livremente, de um lado para o outro, em meio as diferenças, para que juntos possamos construir um mundo melhor. Jesus ensinou que o amor supera em muito o ódio, pois o amor sempre vence.


Sobre o Autor: Marcos Aurélio é Teólogo e Ativista Social. Publica textos no site do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos. Facilitador da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito em Natal, RN e coordenador do Espaço Comunitário Pé no Chão.

Fonte: CEBs do Brasil