14 fevereiro, 2019

A Leitura da Bíblia a partir dos Pobres e com os Pobres

 É uma triste vergonha que, a esta altura, grande parte da humanidade ainda esteja nas trevas da ignorância, ausente dos processos históricos de transformação, sem se sentir agente de sua própria história.

Sebastião Salgado – imagem da internet  

A Leitura da Bíblia a partir dos Pobres e com os Pobres

Cada vez mais, em nossos tempos, cresce a exigência de intensificar os processos de educação popular. É uma triste vergonha que, a esta altura, grande parte da humanidade ainda esteja nas trevas da ignorância, ausente dos processos históricos de transformação, sem se sentir agente de sua própria história. Para nós é claro que o processo de leitura da Bíblia é necessariamente um desses processos. Afinal, a Bíblia nasceu da experiência do povo através de séculos. Nela está contida a riqueza de uma tradição cujas raízes estão na luta pela liberdade do povo (cf. Ex 1-15), na recusa da dominação dos poderosos (cf. Jz 4-5; 9) e no esforço de voltar sempre de novo às fontes de sua identidade (cf. Is 40-66). Pela história, sabemos que o movimento popular medieval, que aflorou com tanta força em líderes eremitas nas montanhas da Itália, e em grandes personalidades tais Joaquim de Fiori, Francisco de Assis e Pedro Valdo, além do protagonismo de muitas mulheres injustamente condenadas como “bruxas”, aquele movimento achava suas origens últimas nas histórias bíblicas, nas antigas profecias, nos salmos e no exemplo sempre vivo de Jesus de Nazaré e de seus Apóstolos; chegava a se chamar de “apostólico”, imitador dos antigos discípulos de Jesus (cf. Mt 10 e Lc 10). É verdade ainda hoje, quem se acostuma a frequentar a Bíblia não pode se recusar a reconhecer que se trata de uma “escola de liberdade”, a começar da descoberta de que cada pessoa humana tem a mesma dignidade e transcendência, ninguém é maior que ninguém (cf. Gl 4 a 5). Basta prestar atenção ao que se dá nas Comunidades de Base, ambiente onde o povo redescobre sua dignidade e seu protagonismo na comunidade da Igreja e na sociedade.

“Educação popular” é um método já testado suficientemente no Brasil e em muitas partes do mundo. Tivemos, por exemplo, o MEB (Movimento de Educação de Base), parceria entre o Ministério da Educação e a Igreja; tivemos os “círculos de cultura” liderados e inspirados pelo método Paulo Freire de alfabetização, primeiro no Brasil e depois em outros países da Afroameríndia, nos próprios Estados Unidos e na África, com apoio do Conselho Mundial de Igrejas e da Organização das Nações Unidas. Reavivar nos dias de hoje esse processo é necessário e urgente, como caminho de ascensão de nossos povos no rumo da participação democrática. Nas Igrejas cristãs, torna-se cada vez mais urgente retomar a leitura popular da Bíblia como método de educação popular, com a consciência muita clara do princípio proclamado pelo grande educador Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho; nós nos educamos em comunhão”. É claro que a trajetória da própria vida coincide com o “caminho” da educação, para que nos tornemos cada vez mais pessoas lúcidas (“ilustradas”), livres e sempre mais amorosas. A Leitura Popular da Bíblia é um desses caminhos, pois se trata de um método no qual o “popular” é protagonista e o terreno fértil é a vivência em “comunidade”. Por isso se fala de Leitura Popular e Comunitária da Bíblia. Educar vem do verbo latino “e-ducere”, a saber, conduzir a partir de dentro, tirar de dentro, fazer aparecer as potencialidades da pessoa.

Sabemos que o termo “método” vem da expressão grega “metà-hodós” que quer dizer “pelo caminho”, a saber, “método” é o caminho pelo qual nós nos aproximamos da realidade. Na Modernidade, no auge da embriaguez da Cíência, “método” passou a designar procedimento “científico” para abordar a realidade. Quem sabe, devíamos voltar à noção antiga de simplesmente “caminho disciplinado”. A Teologia, por exemplo, que na Idade Média estava no topo da pirâmide do saber, não cabe na noção moderna de “ciência”, pois a Ciência exige que se fique no campo da racionalidade, enquanto a Teologia se move nos terrenos da “racionabilidade” ou “razoabilidade”, não por defeito, mas por excesso, pois a “razoabilidade” nos concede um trampolim para ultrapassar as “razões da razão” e chegar a alcançar as “razões do amor”.

Para a leitura bíblica, é inegável, as ciências modernas trouxeram significativa contribuição, particularmente através do chamado “Método Histórico–Crítico” que se desdobra em diversos e grandemente úteis procedimentos científicos de observação e penetração do texto. Mas essa é só a primeira etapa no processo de interpretação. Com a chamadaCrítica Textual temos a chance de poder, com mais segurança, analisar e comparar os manuscritos antigos e discernir para chegar aos textos mais primitivos da Bíblia. A Crítica Literária nos permite distinguir entre textos autênticos e interpolações ou acréscimos que não são do autor primitivo, de tal forma que assim se pode perceber como o texto cresceu ou se modificou ao longo do tempo, para melhor ou para pior. Além disso, nos permite perceber o que, na Antiguidade, significava realmente atribuir um texto a determinado autor: muitas vezes se trata mais de “patrono” de um escrito ou de uma corrente de pensamento do que de “autor” no sentido moderno do termo. A Crítica Histórica, mediante subsídios da Arqueologia, da Geografia e da História, nos possibilita confirmar nos textos o que são notícias realmente históricas e o que são crenças, criações literárias, confusão entre épocas e lugares diferentes, etc. Em época mais recente, temos tido a Crítica ou História das Formas que nos tem ajudado a identificar na Bíblia os diversos gêneros (ou “formas”) literários e, com “olhar sociológico”, perceber o “contexto vital” (o “Sitz im Leben”, ou “lugar na vida”, como cunharam os alemães) em que as comunidades antigas produziram seus testemunhos, tantas vezes orais e em seguida escritos: história, mitos, fábulas, prosa, leis, poemas, hinos, parábolas, provérbios, ditos e reflexões sapienciais, narrações de milagres, narrações “novelescas”, evangelhos, epístolas, apocalipses etc. Finalmente, ficou mais fácil distinguir entre o material que já vinha da “tradição” e o que é “toque redacional” posterior, com a possibilidade de estabelecer, em grande parte, a “história da tradição” e a “história da redação” de um escrito. Mais recentemente, temos tido a ajuda da Análise Literária ou Retórica que nos capacita a perceber melhor o jogo literário impresso na composição e estrutura do texto final que possuímos diante dos olhos, algumas obras são de alto valor de arte literária, como, por exemplo, a poesia de Isaías, de Jó, de Amós, de Oséias, dos salmos, de João evangelista e tantos outros.

Isso aí, quanto a contribuições metodológicas mais recentes. Devemos, no entanto, reconhecer que já desde a Antiguidade sempre se buscou uma maneira sistemática de abordar os textos. O grande teólogo e analista da Bíblia, Orígenes, foi um dos mais famosos nessa tarefa. Na Era Patrística, chegou-se a estabelecer um procedimento de leitura bastante sistemático, que estabelecia quatro sentidos das Escrituras: começava-se pela pesquisa do “sentido literal ou histórico” do texto, ou seja, o que diz imediatamente o “corpo” do texto que está diante dos olhos do leitor; daí se passava ao “sentido espiritual”, ou seja, o que de espírito se comunica naquele “corpo”. Se as Escrituras são obra divinamente “inspirada”, deve haver um “sentido mais pleno” que é realmente o “recado” intencionado pelo Espírito. Isso se buscava em três níveis: o “sentido alegórico” (nele também se inclui o que se chama de “sentido tipológico”, quando uma figura ou acontecimento do AT antecipa personagens e realidades que se dão no NT), ou seja, o que está em outro (“állos”) plano, para além da pura letra e, desse modo, nos fala acerca de Cristo e dos mistérios de Deus, revelados na história e em Sua Igreja; em seguida, de que modo o texto nos pode orientar na prática da vida de acordo com o que aprendemos de Jesus, a saber, como orientar nosso comportamento à semelhança de nosso Irmão maior e de quem O seguiu, é o sentido “tropológico” (o “caminho” prático, ético); finalmente, o que o texto pode nos dizer acerca de nosso destino, do futuro, de nossa plenitude, é osentido “anagógico” ou “escatológico” (o que está adiante e nos eleva).

Na Idade Média, particularmente a partir do ambiente monástico, se formulou a chamada “Lectio Divina”, ou leitura que nos introduz nos mistérios divinos. Começa-se pela “Lectio”, pela leitura atenta da letra do texto, para que nos possa penetrar. O passo seguinte é a “Meditatio”, a ruminação ou penetração do texto, momento em que se busca compreender a mensagem que nos é endereçada, é o passo em que cabe aquilo que chamamos de “exegese” ou compreensão do texto, mediante elementos que o aproximem de nós. Penetrar o texto, porém, nos provoca a sensação de estar diante de algo que nos ultrapassa, daí por que é como se interrompêssemos a leitura e tivéssemos de invocar o auxílio divino que nos abra para compreender de acordo com o Espírito, é o momento da “Oratio”, a oração que nos chama a escutar o Espírito. Finalmente, o texto nos conduz à “Contemplatio”, contemplação das obras de Deus narradas pelo texto, o que nos abre os olhos para perceber as obras que Deus já realizou na antiga História da Salvação e continua a realizar em nossa vida e em Seu mundo, por Ele criado; nosso mundo está em continuidade com o mundo antigo que nos é trazido pelo texto, e que é, em última análise, a Criação de Deus na qual estamos envolvidos/as como produto (obra particular) e, ao mesmo tempo, “macho e fêmea, imagem plural de Deus”, como cuidadores e cuidadoras de todo o conjunto (cf. Gn 1, 26-31; 2, 15). O texto de Gênesis nos convoca à mesma atitude contemplativa do próprio Criador: “E Deus olhou e exclamou: “Que bonito!” (cf. Gn 1 a 2).

Quando falamos de Leitura Popular e Comunitária da Bíblia, não estamos a pensar, primeiramente, num novo procedimento científico para abordar os textos. Temos a liberdade de tirar proveito de todos os “métodos” científicos já testados até hoje. Trata-se, isto sim, de uma nova perspectiva hermenêutica e de um novo “jeito” de ler o texto e utilizar os diversos “métodos” que nos ajudem a deixá-lo falar a nós hoje.

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About Sebastião Armando (225 Articles)

Nascido em São Miguel dos Campos, Alagoas, de família cristã, terceiro de cinco filhos, Dom Sebastião Armando Gameleira Soares fez seus estudos secundários no Seminário Metropolitano de Maceió e estudos de Filosofia no Seminário de Olinda, Pernambuco. Obteve o bacharelado e o mestrado em Teologia na Universidade Gregoriana, de Roma, com dissertação sobre Santo Anselmo, Arcebispo de Cantuária. Obteve também o mestrado em Ciências Bíblicas, no Instituto Bíblico, de Roma, com dissertações sobre o Livro dos Salmos e o Livro de Isaías, e o mestrado em Filosofia na Universidade Lateranense, de Roma, com dissertação sobre a obra do filósofo brasileiro Henrique de Lima Vaz. Ainda em Roma, fez Especialização em Sociologia, na Universidade dos Estudos Sociais, com trabalho sobre a obra de Gilber to Freyre. É também bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda.No Nordeste, por vários anos, foi professor do Instituto de Teologia do Recife-ITER, do qual foi também Diretor de Estudos. Foi assessor membro da equipe do Departamento de Pesquisa e Assessoria-DEPA para formação teológica. Foi assessor da CNBB e da CRB do Nordeste II. É membro do Centro de Estudos Bíblicos-CEBI, do qual foi diretor nacional e coordenador do Programa de Formação. Foi ordenado presbítero na Comunhão Anglicana em 1997, já sendo professor e reitor do Seminário Anglicano no Recife. Em 1998 participou da Conferência de Lambeth, encontro mundial do episcopado anglicano, em Cantuária, na Inglaterra, como membro da equipe de assessoria no tema "Evangelização", convidado pelo Arcebispo de Cantuária, por indicação dos Bispos do Brasil. Foi eleito bispo no ano 2000 para a Diocese Anglicana de Pelotas-RS, e em 2006 eleito para a Diocese Anglicana do Recife (Região Nordeste). Em 2008, voltou a participar da Conferência de Lambeth, dessa vez já como bispo. Tornou-se emérito em dezembro de 2013. É casado há 42 anos com Maria Madalena, também alagoana. assistente social, com quem tem três filhas e um filho. Hoje se dedica particularmente ao Ministério da Palavra (estudos bíblicos e teológicos, em especial Leitura Popular da Bíblia, Anglicanismo, Escolas de Fé e Política, e Espiritualidade) em fronteira ecumênica, e junto com Madalena coordena um projeto social ("Casa Ecumênica - Crer & Ser") com crianças e suas famílias, no Alto do Moura, em Caruaru-Pernambuco, Brasil.

Fonte: http://domsebastiaoarmandogameleira.com


11 fevereiro, 2019

“Queremos neutralizar isso aí”: generais de Bolsonaro agem para calar Igreja Católica

Setores de Inteligência querem silenciar setores progressistas do clero que irão participar de encontro no Vaticano

Setores da Igreja Católica são vistos como polos da oposição ao governo Bolsonaro / Diocese de Paulo Afonso 

Em outubro, cardeais e bispos da Igreja Católica se reunirão no Vaticano para discutir a situação da floresta amazônica. O evento, chamado de Sínodo, é um encontro do clero que irá debater a realidade de índios, ribeirinhos e povos da floresta, além de políticas de desenvolvimento da região, mudanças climáticas e conflitos agrário. A existência dessa conferência motivou preocupação do governo, que vê as pautas como “agenda da esquerda”.
Reportagem do Estado de S. Paulo, divulgada neste domingo (10), mostra que o governo encara com preocupação a atuação da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) e dos órgão associados, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e as pastorais Carcerária e da Terra.
A reportagem traz declarações de Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que afirma que o governo está preocupado. “Queremos neutralizar isso aí”, declarou o responsável pela contraofensiva.
Para tentar conter as possíveis denúncias da Igreja, o governo solicitou participar do Sínodo, o que é pouco ortodoxo. Lideranças católicas dizem que governos não costumam participar dessas conferências, que terão a participação do Papa Francisco, visto como “comunista” pelo governo Bolsonaro.
Além disso, escritório da Abin em Manaus (AM), Belém e Marabá (PA), além de Boa Vista (RR), responsável pelo monitoramento de estrangeiros em  Raposa Terra do Sol e terras ianomâmi, serão direcionados para monitorar, em paróquias e dioceses, as reuniões preparatórias para o Sínodo. O governo também irá se aliar a governadores, prefeitos e autoridades eclesiásticas próximas aos quartéis, para tentar diminuir o alcance da conferência.
Um militar da equipe de Bolsonaro afirmou à reportagem do Estado, em condição de anonimato, que o Sínodo vai contra toda a política de Bolsonaro para região e deverá “recrudescer o discurso ideológico da esquerda".
“O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia. A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso”, declarou Heleno.
O evento, batizado de  “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, terá como diretrizes: “Ver” o clamor dos povos amazônicos; “Discernir” o Evangelho na floresta. O grito dos índios é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito; e “Agir” para a defesa de uma Igreja com “rosto amazônico”, e deverá ser atendido por 250 bispos.
“Se os bispos fazem crítica é querendo ajudar, não derrubar. Eles sabem onde o sapato aperta. Vão falar da situação dos povos e do bioma ameaçado. Mas não para atacar frontalmente o governo”, disse D. Erwin Kräutler, Bispo Emérito do Xingu (PA). 

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Brasil de Fato | São Paulo (SP), 10 de Fevereiro de 2019 às 15:24
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Enfermo

“Recebeste de graça, dai de graça”, trecho do Evangelho de Mateus, é o tema do texto do Santo Padre.  


Mensagem de sua Santidade Francisco para o XXVII Dia Mundial do Doente

(11 DE FEVEREIRO DE 2019)

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8)

Queridos irmãos e irmãs!

«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.

Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

A vida é dom de Deus, pois – como adverte São Paulo – «que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o diálogo, que abre espaços relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exercício do poder na sociedade. O dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e supõe o desejo de estabelecer um vínculo. Assim, antes de mais nada, o dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo.

Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência.

Esta consciência impele-nos a uma práxis responsável e responsabilizadora, tendo em vista um bem que é indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, não como um mundo fechado em si mesmo, mas como alguém que, por sua natureza, está ligado a todos os outros, originariamente sentidos como «irmãos», é possível uma práxis social solidária, orientada para o bem comum. Não devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que teríamos necessidade, porque não conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas forças, vencer todos os limites. Não temamos este reconhecimento, porque o próprio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf. Flp 2, 8), e rebaixa, até nós e até às nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poderíamos ter.

Aproveitando a circunstância desta celebração solene na Índia, quero lembrar, com alegria e admiração, a figura da Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes. Como dizia na sua canonização, «Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (...) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a “luz” que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres» (Homilia, 4/IX/2016).

A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o único critério de ação deve ser o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

A gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agradeço e encorajo todas as associações de voluntariado que se ocupam do transporte e assistência dos doentes, aquelas que providenciam nas doações de sangue, tecidos e órgãos. Um campo especial onde a vossa presença expressa a solicitude da Igreja é o da tutela dos direitos dos doentes, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibilização e da prevenção. Revestem-se de importância fundamental os vossos serviços de voluntariado nas estruturas sanitárias e no domicílio, que vão da assistência sanitária ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas doentes, sós, idosas, com fragilidades psíquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presença da Igreja no mundo secularizado. O voluntário é um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emoções; através da escuta, ele cria as condições para que o doente deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma relação de reciprocidade, capaz de recuperar a esperança, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. Deste modo realiza-se também a humanização dos tratamentos.

A dimensão da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanitárias católicas, porque é a lógica evangélica que qualifica a sua ação, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas católicas são chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta à lógica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da exploração que não respeita as pessoas.

Exorto-vos a todos, nos vários níveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte. As instituições sanitárias católicas não deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a saúde é relacional, depende da interação com os outros e precisa de confiança, amizade e solidariedade; é um bem que só se pode gozar «plenamente», se for partilhado. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão.

A todos vos confio a Maria, Salus infirmorum. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na oração e envio-vos de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, 25 de novembro de 2018.

 Franciscus

08 fevereiro, 2019

“A morte é um dia que vale a pena viver.”

É médica especializada em cuidados paliativos e está em Portugal para apresentar um livro sobre a morte. Ana Cláudia Arantes diz que andamos a desperdiçar o tempo e, no final, ninguém morre por nós.

“A morte é um dia que vale a pena viver.” Será, por ventura, difícil encontrar livros com um título que tão diretamente aborda a morte. A obra que Ana Cláudia Quintana Arantes lançou no Brasil em 2016, e que agora chega às livrarias portuguesas pela editora Oficina do Livro/LeYa, é uma conversa sobre a morte, sobre morrer, esse derradeiro ato de entrega que só pode ser protagonizado por quem o vive, seja rico ou pobre, jovem ou velho.
Ana Cláudia trabalha na área de cuidados paliativos há mais de duas décadas. Antes de conversar com o Observador a propósito do recém-chegado livro ao mercado nacional era conhecida por ser a médica que lê poemas aos pacientes, que “prescreve poesia na lida diária com a morte”. O ato inusitado valeu-lhe, em 2012, a participação numa conferência TEDx, a mesma que, chegada ao YouTube, tornou-se das mais vistas naquele país (são quase 2 milhões de visualizações) e 
A mensagem da autora está longe de ser mórbida. Ana Claudia — que por estes dias está em território luso para apresentar o seu bestseller e para dar um ciclo de palestras (dia 29 no Centro Hospitalar Universitário, em Faro, às 18h, e dia 30 na Livraria Buchholz, em Lisboa, às 18h30) — quer convidar os leitores a fazer melhor uso do tempo, a não ter medo de conversar sobre a morte e a serem protagonistas de uma vida que, se não tivermos atenção, corre depressa demais:
“Podemos transferir a escolha da profissão — podemos fazer algo que a nossa mãe ou o nosso pai quer, mas que não é o que queremos realmente fazer –, podemos casar-nos com uma pessoa que todos acham que é a melhor para nós, mas que não é a pessoa que amamos… Abrimos mão de ser protagonistas da nossa vida. Só que no nosso morrer, não há quem faça isso no nosso lugar, somos nós que temos de o fazer. Há pessoas que só vão ser protagonistas da própria vida na hora de morrer porque nunca foram a pessoa mais importante da própria vida. Morrer é um processo muito intenso e pode ser muito doloroso para aquelas pessoas que nunca viveram a própria vida.”serviu de mote para esta obra.
Fonte: Observador

Inscrições abertas para a Escola de Cultura, Fé e Política 2019 - Arquidiocese de Maringá


Escola de Cultura, Fé e Política 
Inscrições abertas para a Escola de Cultura, Fé e Política 2019 

Para quem aspira formação, estão abertas as inscrições para a Escola de Cultura, Fé e Política da Arquidiocese de Maringá. Elas podem ser feitas pelo site www.aras.org.br ou pelo telefone (44) 3263-4887. As aulas começam dia 13 de março, sempre às quartas-feiras das 20h às 22h30, no Centro Pastoral Arquidiocesano (CEPA).

O QUE É?

A Escola de Cultura, Fé e Política é um es­paço de debate e reflexão sobre temas que compõem o cotidiano da nossa sociedade na relação teórico-prática. É um projeto que, en­tendendo a política como promotora do bem comum, contribui com a formação dos sujeitos eclesiais e sociais, por meio de uma reflexão bíblica, teológica, filosófica e sociológica.

QUAL É O OBJETIVO DA ESCOLA?

A Escola visa contribuir para a formação da/o cidadã/o, seja ela/e cristã/o ou não, capacitando-a para exercer sua cidadania junto às comunidades, pastorais, movimentos e organizações, colaborando assim para a construção da sociedade do Bem-viver.

ESPECIFICAMENTE, O QUE SE PRETENDE?

Fomentar espaços de debate e reflexão crítica nas relações da cultura, fé e política para o fortalecimento de princípios e valores humanos.

Contribuir na formação de assessores\as e lideranças para o protagonismo e fortalecimento das comunidades, pastorais e movimentos sociais e populares.

Reconhecer os vários espaços das funções públicas, eletivas ou não, no campo da política partidária ou das organizações comunitárias, no exercício da cidadania e do bem comum como ferramenta para a construção da sociedade do Bem-viver;

Integrar o ensino, a pesquisa e a extensão com as demandas sociais por meio do comprometimento dos participantes do curso em atividades que desenvolvam o local e\ou a região.

MÓDULOS - TEMAS TRABALHADOS NO 1º ANO

1º - Relações entre Cultura, Fé e Política na Bíblia;

2º - Igreja e Sociedade I: Do Início do Cristia­nismo ao Surgimento da Doutrina Social da Igreja;

3º - Igreja e Sociedade II: Introdução à Doutri­na Social da Igreja;

4º - A Organização Social da Igreja no Brasil;

5º - Organização Política e Movimentos Sociais no Brasil;

6º - Modelo econômico, reestruturação produtiva e o mundo do trabalho;

7º - Mídia, Direito e Sociedade - Participação cidadã;

8º - O Papel da Leiga e do Leigo na Igreja e na Sociedade;

*** Todos os módulos são ministrados por pro­fessores (as) graduados (as), com formação nes­sas áreas de conhecimentos, podendo ter títulos de Especialização, Mestrado e\ou Doutorado.


INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CURSO

Carga Horária: 96 horas (presenciais)
Dia de aula: quartas-feiras
Horário: das 20h às 22h30.
Duração: O Curso está dividido em duas etapas de um ano cada.
Período: De março à novembro (recesso em Julho)

Quem pode participar? Todos (as) os (as) in­teressados (as).

Número de vagas: as turmas têm capacidade mínima para 15 alunos e máxima para 40.

Metodologia: Cada hora-aula tem 60 minu­tos. As aulas são expositivas e os professores contam com equipamentos tradicionais e recursos multimídia. Os materiais, tanto dos alunos quanto para uso dos professores, são fornecidos pela ARAS Cáritas.

Produção: Durante as aulas, são realizadas atividades (individuais e em grupo) de com­preensão e interpretação do texto, desenvol­vimento de produção textual com elementos complementares, exercícios de fixação.

Outras Atividades: leituras dirigidas, semi­nários, palestras, conferências, debates e\ou participação em eventos, dinâmicas, pesqui­sas de campo, visitas técnicas (quando ne­cessário).

Contribuição mensal: R$ 30,00 (trinta reais).

Início das aulas: 13 de março de 2019

Certificação: Ao final do curso, o aluno com aproveitamento mínimo de 60% e assidui­dade mínima de 75% recebe o certificado de conclusão do curso.

Durante todo o processo, os alunos são convidados a atuarem como multiplicadores, voluntários e/ou associados, participando do dia-a-dia e dos projetos sociais desenvolvidos pela entidade; uma maneira de colocar em prática a teoria adquirida e refletida durante as aulas.

Nota da Pastoral Carcerária Nacional sobre as alterações na legislação proposta pelo ministro Sergio Moro



Por Pastoral Carcerária  Postado em 6 de fevereiro de 2019  Em Agenda Nacional pelo Desencareramento, Notícias  

A Pastoral Carcerária Nacional vem, por meio desta nota oficial, manifestar seu repúdio ao pacote de alterações na legislação anunciado nesta segunda-feira (4) pelo ministro da justiça Sérgio Moro.

O pacote propõe a alteração de 14 pontos do Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos e Código Eleitoral. Ele será enviado ao Congresso Nacional, para debate e votação.

O ministro alega que tais mudanças têm como objetivo “combater crimes violentos, organizações criminosas e a corrupção” no país; no entanto, o resultado desse pacote seria o aumento do encarceramento em massa, do endurecimento penal e da letalidade policial.

Uma das propostas do ministro é formalizar as prisões em segunda instância, que ignoram o conceito da presunção da inocência e colocam atrás das grades muitas pessoas que não tiveram sua sentença definida. Dados do CNJ revelam que cerca de 40% da população prisional é composta por presos provisórios, e essa medida só vai agravar este cenário, superlotando ainda mais as prisões.

É sempre bom lembrar que o Brasil é atualmente o terceiro país do mundo que mais encarcera, e a violência não deixa de aumentar por conta disso, pois o cárcere em si é alimentador do círculo de violência.

Também a alteração do artigo 25 do Código Penal é extremamente preocupante. A proposta considera como legítima defesa que agentes policiais ou de segurança pública previnam agressões em conflitos armados.

Esse “excludente de ilicitude” irá diminuir as investigações de mortes cometidas por policiais, dando margem para o aumento da letalidade policial, que já é uma das maiores do mundo: segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 5144 pessoas foram mortas pela polícia brasileira em 2017, o que correspondeu a 8% de todos os assassinatos do país.

A Pastoral Carcerária, aliada com outras organizações sociais, enxerga que, para combater a violência efetivamente, é preciso combater o cárcere. Se faz necessário revisar princípios e conceitos sobre o sistema prisional e compreender que é uma questão de injustiça e desigualdade social, onde os mais vulneráveis são responsabilizados.

Temos como horizonte a Agenda Nacional pelo Desencarceramento, que propõe o desencarceramento, a desmilitarização e formas alternativas de resolução de conflitos. Sendo assim, não podemos concordar com o pacote de medidas do ministro da justiça, que contradiz em sua raiz o conceito cristão de não violência e amor à vida, pois temos a certeza de que mais encarceramento, punição e mortes por agentes do estado irão apenas gerar mais violência.

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. A maioria da população carcerária é composta de jovens, negros e pobres, que em sua maioria só conhecem uma política pública do estado: a prisão.

Enquanto esse cenário não mudar e se pensarem políticas públicas favoráveis ao desencarceramento e ao fim da desigualdade social, a violência em todo o país só tende a crescer.

Pastoral Carcerária Nacional

05 de fevereiro de 2019

Igreja no Brasil celebra o Mês da Bíblia 2019 com o estudo da Primeira Carta de João



O mês de setembro se tornou referência para o estudo e a contemplação da Palavra de Deus, tornando-se em todo o Brasil, desde 1971, o Mês da Bíblia. Desde o Concílio Vaticano II, convocado em dezembro de 1961, pelo papa João XXIII, a Bíblia ocupou espaço privilegiado na família, nos círculos bíblicos, na catequese, nos grupos de reflexão, nas comunidades eclesiais.

Este ano, 2019, será o 48º em que a Igreja no Brasil comemora o Mês da Bíblia. Neste sentido, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dando continuidade ao ciclo do tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” propôs para o Mês da Bíblia o estudo da Primeira Carta de João, com destaque para o lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). 

Dom Peruzzo, presidente da Comissão ressalta que o texto-base não se trata de um livro para especialistas, tampouco para quem desconhece a Primeira Carta de João. “Certamente servirá de aprofundamento para agentes de pastoral, para animadores de comunidades, para catequistas (…)”, afirmou o bispo.

Ele garante também que a boa didática e a sensibilidade pedagógica presentes nas páginas escritas pelo autor, o professor Cláudio Malzoni, de Recife, ensejarão grande apreço por este escrito do Novo Testamento.  “Que o estudo da Primeira Carta de João mova-nos e comova-nos a diálogos fraternos e a convivências pacificadoras, amando-nos uns aos outros”, exorta o bispo.

No texto-base, lançado pela Editora CNBB, logo em suas primeiras páginas são dadas algumas orientações básicas sobre a Primeira Carta de João, importantes para situá-la em seu contexto histórico, literário e teológico. À medida que o leitor avança poderá encontrar informações básicas referentes ao gênero literário, ao autor e aos interlocutores, aos temas teológicos principais, à época e ao lugar de composição da Carta. Nos capítulos seguintes, o autor busca fazer uma exposição passo a passo.

O subsídio já está à venda e pode ser adquirido no site da Edições CNBB: www.edicoescnbb.com.br

Vaticano e as POM lançam Guia para o Mês Missionário Extraordinário



O Vaticano, por meio da Congregação para a Evangelização dos Povos, e das Pontifícias Obras Missionárias (POM) lançou recentemente, uma versão em português, do Guia para o Mês Missionário Extraordinário. O objetivo do Guia é servir às dioceses em suas necessidades de formação e animação missionária, preparando os fiéis ao redor do mundo para se viver o Mês Missionário Extraordinário, convocado pelo Papa Francisco, para outubro deste ano, por ocasião do centenário da promulgação da Carta Apostólica Maximum Illud do Papa Bento XV.

O Guia servirá para inspirar a criatividade das Igrejas locais e seus cristãos em enfrentar os desafios relacionados com a evangelização da missão ad gentes, sem qualquer pretensão de ser exaustiva reflexão teológica ou sistemática e missão catequética. As partes referidas no Guia correspondem às dimensões espirituais indicadas pelo Papa Francisco na proclamação do Mês Missionário Extraordinário: o encontro pessoal com Cristo vivo na Igreja, o testemunho dos santos e mártires da missão, formação e missão catequética caridade missionária. O texto foi publicado em inglês, italiano, francês, espanhol e português.

Para reavivar a consciência batismal do Povo de Deus em relação a missão da Igreja, o Papa Francisco escolheu para o Mês Missionário Extraordinário o tema “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”.

No Brasil o Grupo de Trabalho (GT) do Mês Missionário Extraordinário 2019, nomeado na 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil já se encontrou três vezes para formular a proposta de atividades e apresentou à reunião do Conselho Permanente da CNBB, de novembro de 2018.

Segundo o bispo de Chapecó (SC), dom Odelir José Magri, coordenador do Grupo de Trabalho do Mês Missionário Extraordinário 2019, o GT buscou seguir a orientação dos bispos de não propor uma sobrecarga de ações para além do que as dioceses já fazem. “Vamos buscar integrar as ações do Mês Missionário Extraordinário na dinâmica do que as paróquias e dioceses já tem”, disse dom Odelir. Confira abaixo, propostas de ação que podem orientar o planejamento das ações nas dioceses e regionais.

Propostas para o Mês Missionário Extraordinário em diversos níveis:

As propostas apresentadas pelo Grupo de Trabalho nomeado na 56ª Assembleia da Geral da CNBB foram apresentadas, discutidas e aprovadas por unanimidade na reunião ordinária do Conselho Permanente da CNBB dos dias 20 a 22 de novembro de 2018. Seguem as propostas desde o âmbito internacional até o paroquial.

Internacional
– Carta do Papa ao Cardeal Filoni.
– Cartas do Cardeal Filoni aos bispos, Congregações, movimentos, novas comunidades, associações de leigos/as
– Guia para o MME com reflexões bíblicas, teológicas e testemunhos missionários.
– Conexão com o Sínodo para Pan-Amazônia.
– Centenário da Carta Apostólica Maximum Illud de Bento XV

Americano
As propostas serão discutidas em fevereiro de 2019, na reunião dos diretores das POM com os bispos referenciais da missão, dos 23 países das Américas.

Nacional
– Lançamento do MME no CONSEP: 17-18 de setembro de 2019.
– Abertura do MME, no dia 01/10/19 (dia de Santa Teresinha), no Santuário Nacional de Aparecida.
– Formações e cursos missionários do CCM (Centro Cultural Missionário) alinhados com a temática do MME e as contribuições da Maximum Illud.
– Encontro Nacional da Missão Ad Gentes: 31 de março – 02 de abril de 2019; no CCM.
– Romaria ao Santuário Nacional: 20/10/19 e vigília em Aparecida, estendida a todas Igrejas particulares e santuários do Brasil (19/10/19).
– Incentivar a coleta no Dia Mundial das Missões.
– Promover as Pontifícias Obras Missionárias, em todos os níveis.
– Seminário de Missiologia, no CCM, 10 a 14 de junho de 2019.
– Dar maior visibilidade aos projetos missionários ad gentes e Igrejas Irmãs.
– Congresso Missionário Nacional de Seminaristas: 11-14 de julho de 2019. Promovido pelas POM em comunhão com a Comissão dos Ministérios Ordenados e vida Consagrada e a OSIB.
– Produção de materiais missionários.
– Jornada Nacional da IAM, em maio de 2019, com a temática do MME.
– Mensagem às comunidades de vida contemplativa monástica e de clausura.
– Promover a oração pelas missões em todos os níveis.
– Assumir no DNJ 2019 a temática do MME: Batizados e Enviados
– Entregar na 57ª AG da CNBB, a cruz missionária e bandeira com o logo do MME para todos os presidentes dos Regionais, bispos referenciais da missão e diocesanos.
– Apresentar o projeto do MME numa sessão da 57ª AG da CNBB.

Regional
– Fortalecimento dos COMIREs.
– Tratar a temática nas Assembleias dos COMIREs e outros eventos.

Diocesano
– Preparação e abertura do MME (01/10/19), no Santuário diocesano ou catedral.
– Assumir no DNJ 2019 a temática do MME: Batizados e Enviados.
– Envio de missionários, através dos projetos Ad Gentes e Igrejas Irmãs na vigília missionária.
– Pastoral juvenil realizar atividade pública de anúncio do Evangelho.
– Nas novenas dos santuários diocesanos contemplar a temática do MME.
– Promover a oração pelas missões.
– Acolher a proposta apresentada pela diocese de Roraima diante da situação dos imigrantes Venezuelanos.
– Criação e fortalecimento dos COMIDIs.

Paroquial
– Preparação, abertura do MME e lançamento do material da Campanha Missionária.
– Realizar vigília 19/10/19, visitas missionárias e coleta no Dia Mundial das Missões (19 e 20/10).
– Realizar a novena missionária com os testemunhos da Campanha Missionária.
– Oração pelas missões e intensificar as visitas missionárias.
– Inserir na novena dos padroeiros a temática do MME.
– Criação e fortalecimento e de COMIPAs.

Indicação Geral para o gesto concreto – outubro 2019
Ter como inspiração as três formas de Cooperação Missionária: oração, oferta e saída missionária. No final de semana (19 e 20/10/19) do Dia Mundial da Missões conectar estas três formas de cooperar com a missão de Deus. Realizar na paróquia visitas missionárias, uma vigília no sábado à noite e incentivar a coleta no final de semana. No livro da novena missionária, apresentar uma proposta de oração para vigília missionária.

Proposta de temas para a novena dos padroeiros:
– O encontro com Jesus Cristo.
– Batizados e enviados.
– Missão, identidade da Igreja (focar no testemunho do padroeiro da comunidade).
– Missão além-fronteiras.
– Testemunhas da missão.
– Caridade, fonte e expressão da missão.
– Formação de discípulos missionários.
– Missão e o bem comum com atenção as Políticas Públicas.
– Missão e sínodo da Amazônia.


No link abaixo acesso ao Guia para o Mês Missionário Extraordinário 

Fonte: site da CNBB

Para acessar o Guia para o Mês Missionário Extraordinário clique AQUI

Condenação de Lula: relembre as inconsistências do caso "sítio de Atibaia"



Ex-presidente foi condenado na quarta-feira (6) por Gabriela Hardt, juíza que substitui Moro.

Uma vez que Lula não recebeu, não é beneficiário nem fez operações bancárias com os valores da suposta propina, também não há materialidade para o crime de lavagem de dinheiro, segundo Eugênio Aragão.  

Jacó também evidenciou a proximidade de suas relações com a família do ex-presidente: “Conheci Luiz Inácio Lula da Silva em 1978. (…) Fundamos juntos o Partido dos Trabalhadores em 1980. (…) Nos tornamos grandes amigos e nossas famílias convivem intensamente desde então. (…) Tenho os filhos de Lula como se fossem meus próprios filhos, e sei que ele tem o mesmo sentimento em relação com meus filhos”.

O pai de Fernando Bittar contou que Lula o procurou em 2014 para conversar sobre uma possível compra da propriedade. Segundo ele, o ex-presidente se sentia constrangido de estar usando o sítio mais que a família Bittar. Jacó afirma que foi contra a venda e combinou com o filho que isso só seria feito em caso de necessidade – e que “Lula teria preferência na compra”.

Bittar terminou a declaração lamentando que o sítio tenha sido usado como pretexto para acusar seu filho e seu amigo. “As idas frequentes e bem-vindas do Lula e da Marisa são decorrentes de uma amizade iniciada há quatro décadas e do relacionamento íntimo que temos. Lamento profundamente que esse sítio tenha sido utilizado para acusar o meu filho e o meu amigo”, finaliza.

Pertences não são suficientes

Entre as supostas provas apresentadas pelo MPF e a Polícia Federal, estão bens pessoais de Lula e seus familiares, como roupas íntimas e dois pedalinhos encontrados no lago do sítio com as inscrições “Pedro” e “Artur” – nomes de dois netos do ex-presidente –, além do depoimento de Léo Pinheiro.

No depoimento à juíza Hardt, Lula questionou os indícios apresentados pela acusação. “Eu vou lá porque o dono do sítio me autorizou a ir lá, tá? Que bens pessoais que eu tinha no sítio? Cueca? Roupa de dormir? Isso eu tenho em qualquer lugar que eu vou. E nenhum empresário pode afirmar que o sítio é meu se ele não for meu”, questionou o ex-presidente.

Outro indício...Continue lendo clicando AQUI

06 fevereiro, 2019

Um profeta só não é estimado em sua pátria


Oração

"Senhor, faz-me compreender que as provações são razões de esperança, são meios para amar. Que, nas pequenas e grandes dificuldades eu tenha presentes estas perspectivas, para alimentar a minha coragem e a minha fé. Tu não me revelas os modos como queres comunicar-me os teus dons e fazer-me crescer na fé e no amor. Por isso, abre-me os olhos para que saiba ver em tudo a tua presença e a tua fraterna atenção para comigo. Amém."

Fonte: Dehonianos

Um profeta só não é estimado em sua pátria


Marcos 6,1-6

Naquele tempo:
1Jesus foi a Nazaré, sua terra,
e seus discípulos o acompanharam.
2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.
Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam:
'De onde recebeu ele tudo isto?
Como conseguiu tanta sabedoria?
E esses grandes milagres
que são realizados por suas mãos?
3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria
e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão?
Suas irmãs não moram aqui conosco?'
E ficaram escandalizados por causa dele.
4Jesus lhes dizia: 'Um profeta só não é estimado
em sua pátria, entre seus parentes e familiares'.
5E ali não pôde fazer milagre algum.
Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
6E admirou-se com a falta de fé deles.
Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.
Palavra da Salvação.  

04 fevereiro, 2019

Educação no Brasil


Reforma da Previdência: por que 4 países da América Latina revisam modelo de capitalização, prometido por Paulo Guedes


Camilla Veras Mota
Da BBC News Brasil em São Paulo

Pelo menos quatro países da América Latina que têm sistemas de aposentadoria com regimes de capitalização - Chile, Colômbia, México e Peru - têm revisado seus modelos nos últimos anos e, em alguns casos, proposto mudanças na legislação previdenciária.

Décadas depois de realizarem grandes reformas que, via de regra, substituíram sistemas públicos de Previdência por outros total ou parcialmente privatizados, cada um deles se deparou com pelo menos um grande problema: ou o valor dos benefícios recebidos pelos aposentados era muito baixo ou o alcance do sistema se revelou muito restrito, o que deixaria um percentual significativo da população sem aposentadoria no futuro.

Ao contrário de boa parte dos vizinhos, o Brasil ainda segue um modelo de repartição na Previdência, que é administrada exclusivamente pelo governo e na qual as contribuições de quem está na ativa pagam os benefícios de quem está aposentado.

No regime de capitalização, cada trabalhador faz sua própria poupança em contas individuais que, de forma geral, são geridas por entidades privadas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, repetiu durante a campanha eleitoral sua intenção de instituir esse modelo no Brasil. No início de janeiro, ele declarou que o regime de capitalização seria para "gerações futuras" de trabalhadores brasileiros, sem dar detalhes. A equipe econômica deve encaminhar uma proposta de reforma da Previdência ao Congresso neste ...continue lendo AQUI.

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