12 janeiro, 2023

Até que ponto a “Festa da Selma” era a “Festa da Selva!”?

A arquitetura do golpe foi estrategicamente pensada por pessoas que tinham noção de logística para a produção do caos, escreve Rudolfo Lago, jornalista, em artigo publicado por Congresso em Foco, 11-01-2023.
Eis o artigo.

Não parece haver muita dúvida que o código criado pelos baderneiros golpistas para organizar a tentativa de golpe de Estado que aconteceu no domingo (8) trazia uma conotação militar. Nas mensagens enviadas nos grupos de extrema-direita, especialmente no Telegram, a senha para o golpe era “Festa da Selma”. Há uma clara similitude entre o nome feminino adotado e o grito de guerra que os militares adoram: “Selva!”. Mas até que ponto os militares estão envolvidos na arquitetura desse golpe é coisa que ainda precisa ser apurada.

E precisa ser apurada logo. Bem mais importante que as 1.500 prisões em flagrante é a identificação e prisão de quem talvez não tenha estado na Praça dos Três Poderes no domingo. Quem arquitetou o golpe? Quem financiou o golpe? Quem pagou por mais de dois meses de acampamento na frente dos quartéis do país? Quem pagou pelos diversos ônibus vindos de vários pontos? Há financiamento internacional? Vindo de quem e de onde? Há autoridades envolvidas? Quem são (uma delas já parece identificada, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF Anderson Torres, mas bem provavelmente não é somente ele)? E os militares? São militares isolados ou a instituição Forças Armadas está de alguma forma envolvida?

A primeira coisa que fica clara é que a arquitetura do golpe foi estrategicamente pensada por pessoas que tinham noção de logística para a produção do caos. Felizmente, talvez não com toda a competência que imaginavam ter, uma vez que, além dos três principais prédios da República o caos não se produziu. E as instituições prosseguem funcionando normalmente, porque a carência de inteligência dos arquitetos do caos não percebeu que elas não precisam de mesas e cadeiras para funcionar. No domingo mesmo, o presidente Lula reunia-se com a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) debaixo da marquise do prédio.

De qualquer modo, os baderneiros sabiam como fazer ligar o sistema de extintores de incêndio dos palácios para jogar água e dissipar os efeitos de gás lacrimogênio. Orientaram os manifestantes a trazer máscaras e capas de chuva para se protegerem de gás de pimenta. Pensaram no fechamento de refinarias para evitar a produção de combustíveis. Em derrubar torres de energia para cortar o fornecimento de luz. Em bloquear estradas. Há um bocado de estratégia militar em tudo isso.

Por outro lado, o ministro da Justiça, Flávio Dino, tem razão quando destaca que até agora o papel das Forças Armadas como instituição não extrapolou os limites democráticos. E, de fato, se tivesse havido uma adesão institucional das Forças Armadas o cenário hoje poderia ser bem outro.

Certamente, não basta apoio das Forças Armadas para que um golpe seja bem-sucedido. Em 1964, o golpe aconteceu porque, além das Forças Armadas, havia apoio de parte expressiva da sociedade e apoio internacional. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, estacionou parte da sua frota na costa brasileira para dar um eventual suporte caso fosse necessário. Agora, todos os principais países do planeta manifestam apoio a Lula e à democracia brasileira.

Mas não há dúvida que um apoio militar teria tornado mais penoso dissipar a tentativa de golpe do domingo. O que parece bem claro hoje é o forte apoio das polícias, especialmente da Polícia Militar, que nada fez e somente assistiu às invasões. E certamente há apoio isolado de oficiais das Forças Armadas, generais, inclusive.

Um temor admitido por fontes do governo é de que, em um caso de caos maior, caso o governo viesse a decretar Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e pedisse auxílio militar, pudesse haver uma rebelião de oficiais de baixa patente. Decretar a GLO poderia ser a senha para uma interpretação errada do famoso artigo 142 da Constituição, a tal “intervenção”.

É por isso que há no governo quem defenda a atuação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Ele pisava e pisa num terreno delicado. Buscava obter um clima de entendimento com as Forças Armadas. Talvez tenha de fato errado em algumas declarações públicas. Por isso, neste momento, está sendo orientado a submergir, atuar nos bastidores e deixar Flávio Dino como o porta-voz mais destacado. É uma sintonia delicada entre não atiçar e não mostrar subserviência. Uma sintonia que não é simples.

O fato é que, de forma institucional, a “Festa da Selma” não foi “Festa da Selva!”. O trabalho é garantir que ela siga não sendo.


Fonte:IHU

10 janeiro, 2023

Golpe abortado. Artigo de Frei Betto

"As Forças Armadas se omitiram, em evidente postura de apoio tácito ao terrorismo. Aliás, as 'incubadoras de terroristas', como bem qualificou o ministro da Justiça, Flávio Dino ao se referir aos acampamentos bolsonaristas diante de quartéis, afinal chocaram o ovo da serpente", afirma Frei Betto, escritor, autor de Tom vermelho do verde (Rocco), entre outros livros.



Eis o artigo.

Ao destruir os palácios dos três poderes no domingo, 8 de janeiro, em Brasília, os terroristas bolsonaristas mostraram as caras e as garras. Trumpistas miméticos, reproduziram aqui em dimensões mais amplas o vandalismo ocorrido no Capitólio, em Washington, há dois anos, numa demonstração cabal de que seu lema é “ditadura sim, democracia não!”

A segurança falhou por cumplicidade do governador de Brasília, Ibaneis Rocha, e seu secretário de Segurança, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A Polícia Militar da capital federal, responsável pela defesa do patrimônio nacional, facilitou a ação dos criminosos e só prendeu alguns vândalos após Lula decretar intervenção federal na segurança pública de Brasília.

As Forças Armadas se omitiram, em evidente postura de apoio tácito ao terrorismo. Aliás, as “incubadoras de terroristas”, como bem qualificou o ministro da Justiça, Flávio Dino ao se referir aos acampamentos bolsonaristas diante de quartéis, afinal chocaram o ovo da serpente. A Justiça brasileira cometeu o grave erro de, nos primórdios da redemocratização do país, em meados de 1980, não punir com rigor os assassinos e torturadores a serviço da ditadura militar que se apossou do país durante 21 anos (1964-1985). Tivesse seguido o exemplo da Argentina, do Uruguai e do Chile, o Brasil teria separado o joio do trigo.

Porém, um recurso esdrúxulo, a “anistia recíproca”, impede que haja punição a quem, em nome e a soldo do Estado, torturou, matou, sequestrou e fez desaparecer opositores do regime militar. Bolsonaro, cuja trajetória familiar é comprovadamente vinculada às milícias, como o demonstra o livro “O negócio do Jair – a história proibida do clã Bolsonaro”, de Juliana Dal Piva (Zahar), a tudo assistiu de seu camarote em Miami. Na mesma cidade se encontrava de férias Anderson Torres, agora demitido do governo do Distrito Federal.

Felizmente se abortou o golpe pela ação enérgica de Lula, do ministro da Justiça Flávio Dino e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A turba ensandecida foi expulsa dos palácios da República e presos três centenas de vândalos. Resta agora descobrir e punir quem financiou as caravanas terroristas a Brasília e por que as Forças Armadas se mantiveram em gritante silêncio.

Frente ao autoritarismo só há um antídoto: mais democracia. E isso significa reforçar a participação popular no governo Lula. A governabilidade não pode depender apenas das tratativas parlamentares e da anuência das Forças Armadas. É imprescindível que a sua principal sustentação seja o povo politizado e organizado.

Não é com o teto de gastos que o governo Lula deve se preocupar. É com o chão firme da mobilização popular.

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Fonte: IHU

08 janeiro, 2023

As CEBs clamam pela Democracia, pela paz e a justiça!

“Os justos gritam, Javé escuta, e os liberta de todos os apertos.” (salmo 34:18)

No dia de ontem, oito de janeiro de dois mil e vinte e três, sofremos com o ato contra a democracia, repudiamos a invasão, depredação e atos terroristas e golpistas das sedes do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) por parte de grupos de extrema direita. Atos esses frutos do governo do anterior presidente da República; da indústria de armas entre outros; de grupos econômicos que tem nos últimos anos obtendo grandes lucros em detrimento do sofrimento de grande parte da população de baixa renda e degradação ao meio ambiente.

Nossa fé nos ensina “Eu creio em um só Deus todo poderoso” a mulher e o homem não é Deus. Nos últimos quatro anos emerge toda uma ideologia política de extrema-direita; famílias tiveram suas relações abaladas; divisão na igreja; consciências sendo manipuladas; um estado ferido; a radicalização de uma extrema direita que defende a ditadura, a violência e o racismo.

É preciso a união, é preciso empenhar a própria vida na luta pela verdade e justiça, na luta pela democracia para que todas e todos possam viver dignamente. Essa é a luta que constrói a paz. “Os justos gritam, Javé escuta, e os liberta de todos os apertos. ”, o nosso Deus sempre toma o partido dos justos, amando-os, ouvindo os sues clamores, liberando, cuidando e protegendo.

Que o nosso Deus libertador, que ouve o clamor de seu povo, que ama a todas e a todos com o amor de mãe ilumine, proteja e guia o povo brasileiro, os povos do mundo, os governantes do Brasil e de todas as nações.

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Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs

Um dia triste para a história do Brasil – invasão terrorista nos palácios Três Poderes em Brasília!

Ato contra a democracia.

Neste domingo, dia oito de janeiro de dois mil e vinte e três, uma minoria bolsonarista radical invadiu e vandalizou os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), destruíram tudo.

Uma minoria que não aceita o resultado das eleições, uma minoria antidemocrática golpista que quer impor os que eles querem por meio de atos criminosos. Querem acabar com a democracia brasileira, são criminosos, precisam ser presos e responsabilizados.

Hoje um dia muito triste para a história de todos nós brasileiras e brasileiros. Não iremos esquecer, iremos superar, defenderemos sempre a democracia.

“Os justos gritam, Javé escuta, e os liberta de todos os apertos.” (salmo 34:18)

Parque do Japão decoração e iluminação especial de Natal

Um passeio com a família curtindo o que nos é oferecido.

Dia -07/01/2023
Às 18h30 e às 20 horas




Nas CEBs o Pobre não é prioridade, é sujeito. Isso incomoda.


Segue texto que escrevi para reflexão.


Nas CEBs o Pobre não é prioridade, é sujeito. Isso incomoda.

O pobre quando deixa de ser prioridade e passa a ser sujeito, seja na dimensão social ou religiosa, incomoda e gera até raiva em muitos — revela uma tensão profunda presente na história das sociedades e também na caminhada das igrejas.

Durante muito tempo, o pobre foi visto sobretudo como objeto de assistência. Era alguém a quem se devia ajudar, socorrer ou proteger. Essa atitude, embora possa conter gestos de solidariedade, muitas vezes mantém uma relação vertical: alguém ajuda e outro apenas recebe. Nessa lógica, o pobre continua sem voz, sem participação e sem poder de decisão sobre sua própria vida.

Quando, porém, o pobre deixa de ser apenas “prioridade” — no sentido de destinatário da caridade — e passa a ser sujeito de sua própria história, a realidade muda profundamente. O pobre começa a falar, organizar-se, reivindicar direitos, interpretar a realidade a partir de sua experiência e participar das decisões que dizem respeito à sua vida. Nesse momento, ele deixa de ser apenas alguém a ser ajudado e passa a ser protagonista.

É justamente esse protagonismo que muitas vezes incomoda.
Incomoda porque questiona estruturas injustas, privilégios históricos e modos estabelecidos de exercer poder. Quando o pobre toma a palavra, ele revela as contradições do sistema econômico, social e até religioso. Sua voz pode desvelar desigualdades que antes eram naturalizadas ou escondidas.

Na dimensão social, isso aparece quando populações empobrecidas se organizam em movimentos, associações, ocupações ou lutas por direitos. Não pedem apenas ajuda; pedem justiça. E justiça exige mudanças estruturais, o que provoca resistências daqueles que se beneficiam da ordem existente.

Na dimensão religiosa, o mesmo fenômeno ocorre quando os pobres assumem seu lugar na vida da Igreja, interpretam a Palavra de Deus a partir de sua realidade e participam ativamente da missão.

Nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) os pobres não são prioridades - não são apenas destinatários da evangelização, mas sujeitos eclesiais. Isso pode gerar tensões, porque desloca a compreensão de Igreja de uma estrutura centrada apenas na autoridade para uma comunidade de irmãs e irmãos que caminham juntos.

A própria Bíblia testemunha esse movimento. Deus não apenas socorre o pobre, mas o levanta, o faz sujeito da libertação. No Êxodo, o povo escravizado se torna protagonista de sua saída. Nos Evangelhos, Jesus não trata os pobres como objetos de piedade, mas os coloca no centro do Reino e os reconhece como bem-aventurados (Mt 5,3; Lc 6,20).

Por isso, quando o pobre se torna sujeito, ele não ameaça a verdadeira fraternidade; ao contrário, revela o caminho do Evangelho. O incômodo e até a raiva que surgem em alguns contextos mostram o quanto ainda estamos presos a estruturas que preferem o pobre silencioso ao pobre consciente.

Reconhecer o pobre como sujeito é dar um passo decisivo rumo a uma sociedade e a uma Igreja mais justas, onde se constrói juntos a história, não há dúvida, as CEBs são, por excelência, um espaço de sinodalidade onde o pobre não é prioridade e sim sujeito – a Igreja tem a obrigação de reconhecer o papel fundamental das Comunidades Eclesiais de Base, desde sua origem até os dias atuais.

06 janeiro, 2023

Papa na Epifania: encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama

"Todos somos chamados por Jesus, todos podemos discernir a sua presença, todos podemos experimentar as suas surpresas". São palavras do Papa Francisco no Angelus desta sexta-feira, dia 6 de janeiro, Dia dos Reis Magos

Jane Nogara - Vatican News

No Angelus da Solenidade da Epifania, (06/12) o Papa Francisco fala-nos dos Reis Magos que chegando a Belém, oferecem a Jesus ouro, incenso e mirra. Porém continua o Papa, poderíamos dizer que eles, antes de tudo, recebem três dons: três dons preciosos que dizem respeito também a nós.

Chamado
O primeiro é “o dom do chamado”. “Os Magos”, continua, “deixaram-se maravilhar e disturbar pela novidade da estrela e partiram rumo ao que não conheciam”. Recordando que sendo cultos e sábios, fascinaram-se mais pelo que não sabiam do que pelo que sabiam. “Eles se sentiram chamados a ir além”. E Francisco nos esclarece: “somos chamados a não nos contentarmos, a buscar o Senhor saindo da nossa zona de conforto, caminhando em direção a Ele com os outros, mergulhando-nos na realidade”.

Discernimento
O segundo dom que os Magos nos falam, continua o Papa, é o do discernimento. E explica que foram ao encontro do rei Herodes, e percebendo que este queria usá-los, não se deixaram enganar. “Sabem fazer a distinção entre a meta do percurso e as tentações que encontram pelo caminho”, reiterando em seguida: “Como é importante saber distinguir a meta da vida das tentações do caminho!".

“O discernimento é um grande dom, e nunca se deve cansar de pedi-lo na oração. Peçamos esta graça!”

Surpresa
Por fim, os Magos falam-nos de um terceiro dom: a surpresa. “Depois de uma longa viagem, o que esses homens de alto nível social encontram? Uma criança com sua mãe, certamente uma cena terna, mas não surpreendente!”. E sugere que talvez esperassem um Messias poderoso e prodigioso, e encontram uma criança. “No entanto”, continua, “não pensam ter se enganado, sabem reconhecê-lo. Acolhem a surpresa de Deus e vivem com encanto o encontro com Ele, adorando-o: na pequenez reconhecem o rosto de Deus”.

O dom de saber encontrar a grandeza na pequenez
Por fim Francisco afirma “Humanamente todos somos inclinados a buscar a grandeza, mas é um dom saber encontrá-la verdadeiramente: saber encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama. Porque o Senhor se encontra assim: na humildade, no silêncio, na adoração, nos pequenos e nos pobres”.

“Todos somos chamados por Jesus, todos podemos discernir a sua presença, todos podemos experimentar as suas surpresas.”

Hoje seria belo recordar estes dons, que já recebemos: recordar quando percebemos na vida um chamado de Deus; ou quando, talvez depois de tanto esforço, conseguimos discernir sua voz; ou ainda, a uma surpresa inesquecível que Ele nos fez, deixando-nos maravilhados.

CV2023 (1ºdia): Por uma educação antirracista, numa conjuntura de pobrez...

Curso de Verão 2023 On-Line: Educar para um Mundo Social e Racialmente Justo. 

CV2023 (1ºdia): Por uma educação antirracista, numa conjuntura de pobreza, discriminação e violência.

 

03 janeiro, 2023

Lula Presidente - das Mãos do Povo, Lula recebe a faixa presidencial!

Para ficar na História da Democracia!

Das Mãos do Povo, Lula recebe a faixa presidencial.

“Sob a proteção de Deus inauguro este mandato reafirmando que no Brasil a fé pode estar presente em todas as moradas, nos diversos templos, igrejas e cultos. Neste país todos poderão exercer livremente sua religiosidade."

“O Brasil tem de ser dono de si mesmo, dono do seu destino. Tem de voltar a ser um país soberano."


Luiz Inácio Lula da Silva sobe a rampa e recebe a faixa presidencial de grupo representando diversidade do Brasil.

Empossado pela terceira vez como presidente da República às 15h05. Domingo Primeiro de Janeiro de 2023.

Destaques do discurso de posse de Lula:

“Apesar de tudo a decisão das urnas prevaleceu, graças a um sistema eleitoral internacionalmente reconhecido por sua eficácia na captação e apuração dos votos. Foi fundamental a atitude corajosa do Poder Judiciário, especialmente do Tribunal Superior Eleitoral."

“Hoje nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução. O grande de direito de soberania e de desenvolvimento que essa nação levantou a partir de 1988 vinha sendo sistematicamente demolido nos anos recentes."

“Ao longo desta campanha eleitoral vi a esperança brilhar nos olhos de um povo sofrido, em decorrência da destruição de políticas públicas que promoviam a cidadania, os direitos sociais, a saúde e a educação. Vi o sonho de uma pátria generosa que ofereço oportunidade a seus filhos e filhas em que a solidariedade ativa seja mais forte que o individualismo cego."

“Nenhuma nação se ergueu nem poderá se erguer sobre a miséria de seu povo. Os direitos e interesses da população, o fortalecimento da democracia e a retomada da soberania nacional serão os pilares de nosso Governo."

“A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com plenos direitos de expressões e manifestação, e sobretudo de organização. A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis da civilização. O nome disso é barbárie.".

“Sob o vento da redemocratização dizíamos ditadura nunca mais. Hoje, depois do terrível desafio que superamos devemos dizer democracia para sempre."

“Vamos retomar a política de valorização permanente do salário mínimo, estejam certos de que vamos acabar mais uma vez com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição."

“Cada terra [indígena] demarcada é uma nova área de proteção ambiental. A estes brasileiros e brasileiras devemos respeito e com eles temos uma dívida histórica."

“Uma política cultural democrática não pode temer a crítica nem eleger favoritos, que brotem todas as flores e sejam colhidas todos frutos da criatividade que todos possam usufruir sem censura e sem discriminação."

“Estamos revogando os criminosos decretos de ampliação de acesso a armas e munições que tanta insegurança e tanto mal causaram às famílias brasileiras. O Brasil não quer e não precisa de armas na mão do povo. O Brasil precisa de segurança, o Brasil precisa de livro, de educação e de cultura para que a gente possa ser um país mais justo."

“O SUS é, provavelmente, a mais democrática das instituições criadas pela Constituição de 88. Certamente por isso foi a mais perseguida desde então e foi também a mais prejudicada por uma estupidez chamada teto de gastos que haveremos de revogar."

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Fonte das frases: Uol











01 janeiro, 2023

Lula, empossado pela terceira vez, como presidente da República às 15h05. Domingo Primeiro de Janeiro de 2023.

Luiz Inácio Lula da Silva recebe a faixa presidencial de grupo representando diversidade do Brasil.

31 dezembro, 2022

Feliz Ano Novo

Que o nosso Deus lhe de a sua graça e sua bênção.
O Senhor te abençoe e te guarde!

20 dezembro, 2022

Papa Francisco: ainda há muitos mortos no local de trabalho

Disse Francisco, o sindicato é chamado a ser a voz dos sem-voz. O trabalho permite que a pessoa se realize, viva a fraternidade, cultive a amizade social e melhore o mundo. Não há sindicato (sem trabalhadoras e) sem trabalhadores e não há (trabalhadoras e) trabalhadores livres sem sindicatos. (...) entre as tarefas do sindicato está a de educar ao sentido do trabalho, promovendo a fraternidade entre (as trabalhadoras e) os trabalhadores. Esta preocupação formativa não pode faltar. É o sal de uma economia saudável, capaz de fazer do mundo um lugar melhor.

O Santo Padre recebeu em audiência no Vaticano cerca de 6 mil membros da Confederação Geral Italiana do Trabalho. “O trabalho permite que a pessoa se realize, viva a fraternidade, cultive a amizade social e melhore o mundo”.

Silvonei José – Vatican News

“Não há sindicato sem trabalhadores e não há trabalhadores livres sem sindicatos”: foi o que disse o Papa Francisco recebendo nesta manhã de segunda-feira, na Sala Paulo VI, cerca de 6 mil membros da Confederação Geral Italiana do Trabalho. Foi um encontro com pessoas que fazem parte de organizações sindicais históricas da Itália. No seu discurso o Papa expressou mais uma vez a sua proximidade para com o mundo do trabalho e, em particular, com as pessoas e famílias que mais lutam.

Francisco destacou que vivemos em uma época que, apesar dos avanços tecnológicos - e às vezes precisamente por causa desse sistema perverso chamado tecnocracia – em parte decepcionou as expectativas de justiça no âmbito trabalhista. E isto exige, antes de tudo, reiniciar do valor do trabalho, como um lugar onde a vocação pessoal e a dimensão social se encontram. O trabalho permite que a pessoa se realize, viva a fraternidade, cultive a amizade social e melhore o mundo.

O trabalho constrói a sociedade, reafirmou o Papa. É uma experiência primária de cidadania, na qual uma comunidade de destino toma forma, fruto do compromisso e dos talentos de cada indivíduo. E assim, na rede comum de conexões entre as pessoas e os projetos econômicos e políticos, ganha vida dia a dia o tecido da "democracia".

Caros amigos, se recordo esta visão, é porque entre as tarefas do sindicato está a de educar ao sentido do trabalho, promovendo a fraternidade entre os trabalhadores. Esta preocupação formativa não pode faltar. É o sal de uma economia saudável, capaz de fazer do mundo um lugar melhor.

De fato, acrescentou o Papa "os custos humanos são sempre também custos econômicos e as disfunções econômicas sempre implicam também custos humanos". Desistir de investir nas pessoas para obter um lucro mais imediato é um mau negócio para a sociedade".

Ao lado da formação, é sempre necessário apontar as distorções do trabalho, disse ainda o Papa. A cultura do descarte entrou nas dobras das relações econômicas e também invadiu o mundo do trabalho.

“Vemos isso, por exemplo, onde a dignidade humana é espezinhada pela discriminação de gênero - por que uma mulher deveria ganhar menos do que um homem? -; é visto na precariedade da juventude - por que as pessoas têm que adiar suas escolhas de vida por causa da precariedade crônica? -; ou na cultura da demissão; e por que os empregos mais exigentes ainda são tão mal protegidos? Muitas pessoas sofrem com a falta de trabalho ou por causa de um trabalho indigno: seus rostos merecem escuta e o compromisso sindical”.

O Papa então compartilhou algumas preocupações. Primeiro, a segurança dos trabalhadores. Ainda há muitos mortos, mutilados e feridos no local de trabalho! Cada morte no trabalho é uma derrota para toda a sociedade. Mais do que contá-los no final de cada ano, devemos lembrar de seus nomes, pois são pessoas e não números. Não permitamos que o lucro e a pessoa sejam equiparados! A idolatria do dinheiro tende a pisar em tudo e em todos e não valoriza as diferenças.

Trata-se de nos educarmos para cuidar da vida dos funcionários e nos educarmos para levar a sério as normas de segurança: somente uma sábia aliança pode prevenir aqueles "acidentes" que são tragédias para as famílias e comunidades.

Uma segunda preocupação é a exploração das pessoas, como se fossem máquinas de desempenho. Existem formas violentas, como o "caporalato" (recrutamento de mão de obra) e a escravidão dos trabalhadores na agricultura ou em canteiros de obras e outros locais de trabalho, a obrigação de trabalhar em turnos extenuantes, o jogo de contratos sempre menores, o desrespeito à maternidade, o conflito entre trabalho e família. Quantas contradições e quantas guerras entre os pobres acontecem em torno do trabalho! Nos últimos anos, os chamados "trabalhadores pobres" aumentaram: pessoas que, apesar de terem um emprego, não conseguem sustentar suas famílias e dar esperança para o futuro.

O sindicato – disse ainda Francisco - é chamado a ser a voz dos sem-voz. Em particular, o Papa pediu que cuidem dos jovens, que muitas vezes são obrigados a contratos precários, inadequados e escravizadores.

O Santo Padre recordou ainda que nestes anos pandêmicos, o número daqueles que se demitem de seus empregos tem aumentado. Tanto jovens quanto idosos estão insatisfeitos com sua profissão, o ambiente de trabalho, as formas contratuais, e preferem se demitir. Eles buscam outras oportunidades. Este fenômeno não diz desengajamento, mas a necessidade de humanizar o trabalho.

O Papa concluiu o seu discurso convidando os presentes a serem 'sentinelas' do mundo do trabalho, gerando alianças e não oposições estéreis. As pessoas estão sedentas de paz, especialmente neste momento histórico, e a contribuição de todos é fundamental. Educar para a paz mesmo no local de trabalho, muitas vezes marcado por conflitos, pode se tornar um sinal de esperança para todos. Também para as gerações futuras.


Fonte: Vatican News

18 dezembro, 2022

Argentina é campeã da Copa do Mundo de 2022

Nossos Hermanos mereceram, em especial Messi.


16 dezembro, 2022

Paula Festival de dança do Espaço Nelson Verri

A noite de ontem, 15 de dezembro de 2022, acompanhar e encantar com minha sobrinha/afilhada Paula e a amiguinha Yasmin dançando no emocionante Festival de dança do Espaço Nelson Verri com o tema Encanto.

 

13 dezembro, 2022

Os refugiados e o inverno mais difícil de todos os tempos

Os refugiados e o inverno mais difícil de todos os tempos. “Enquanto as necessidades humanitárias crescem exponencialmente, os recursos disponíveis se reduzem drasticamente”

Perfila-se um inverno cada vez mais difícil para milhões de refugiados e deslocados em diferentes partes do mundo. O risco para essas pessoas desesperadas, indicam as organizações humanitárias internacionais, é ter que escolher entre comer ou se aquecer. São refugiados e deslocados que, forçados a fugir de conflitos e perseguições e a deixar todos os seus bens e as redes de apoio, nestes meses frios do ano correm o risco de se depararem com a dramática impossibilidade de aquecer os seus abrigos de emergência, conseguir roupas e cobertores para se abrigar do frio e preparar refeições quentes.

A reportagem é de Francesco Citterich, publicada por L'Osservatore Romano, 12-12-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma das situações mais dramáticas está na Ucrânia: desde o início da invasão militar russa em 24 de fevereiro, quase um terço dos habitantes foi forçado a deixar suas casas. Mais de 7,8 milhões de pessoas foram registradas como refugiados em toda a Europa, enquanto outras 6,5 milhões são deslocadas internamente. No país, a situação continua a se deteriorar. Milhões de pessoas vivem em casas danificadas ou em edifícios inadequados para protegê-las do frio, com cortes de energia, de aquecimento e de abastecimento de água.

Para as pessoas que fogem de violências e perseguições, este é, sem dúvida, o inverno mais difícil de todos os tempos. O frio e as temperaturas extremas atingem idosos, crianças, mulheres e homens em fuga, já provados por gravíssimas crises globais: aos efeitos decorrentes da pandemia de covid-19, de fato se somam os efeitos dos combates, em particular o aumento exorbitante do custo de produtos essenciais, como alimentos, combustível e energia.

Esses aumentos de preços forçarão muitas famílias de refugiados e deslocados a uma luta pela sobrevivência para cobrir os custos de água e refeições quentes, roupas de inverno, aquecimento e remédios. Já em 2021, quase 193 milhões de pessoas estavam em condições de insegurança alimentar aguda, um aumento de quase 40 milhões em relação a 2020. A guerra na Ucrânia, um dos maiores fornecedores mundiais de grãos, fez disparar o custo de produtos básicos como trigo e óleo vegetal. O Programa Alimentar Mundial previu que, se o conflito continuar a impactar a produção de trigo e milho, em 2023 mais 47 milhões de pessoas serão empurrados para a insegurança alimentar aguda.

Mas há muitas outras zonas em risco. Após mais de 40 anos de conflito, o Afeganistão continua sendo uma das situações humanitárias mais complexas do mundo, com 3,5 milhões de afegãos deslocados por causa dos conflitos e cerca de 1,5 milhão por eventos climáticos extremos. Em algumas áreas do país, as temperaturas invernais podem cair facilmente para 25 graus negativos, deixando milhares de famílias expostas às intempéries. O inverno atinge um país já provado não só por quatro décadas de guerra, mas também por uma grave crise econômica e pelo terremoto que em junho passado, nas províncias do sudeste de Paktika e Khost, significou para milhares de pessoas perdas devastadoras.

O cenário não é melhor na Síria: refugiados e deslocados terão que enfrentar novamente o frio extremo e tempestades de neve. Este será o décimo segundo inverno consecutivo em fuga para muitos deles.

Existem mais de 10 milhões de refugiados sírios e iraquianos e deslocados internos na Síria, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estima que 3,4 milhões deles estejam numa condição de extrema necessidade. “Vivemos uma fase em que os conflitos e as violências se sobrepõem a outras crises de natureza econômica, geopolítica e climática", declara o ACNUR. “E, infelizmente, enquanto as necessidades humanitárias crescem exponencialmente, os recursos disponíveis se reduzem drasticamente”.


Fonte: IHU

09 dezembro, 2022

Rezemos juntos,

"Virgem Imaculada, hoje gostaria de lhe trazer o agradecimento do povo ucraniano pela paz que há muito tempo pedimos ao Senhor.
Ao invés, ainda devo lhe apresentar a súplica das crianças, dos idosos dos pais e das mães, dos jovens daquela terra martirizada.
Mas na realidade todos nós sabemos que estás com eles e com todos os que sofrem, assim como estiveste ao lado da cruz do teu Filho.

Obrigado, nossa Mãe!
Olhando para ti, que és sem pecado podemos continuar a acreditar e esperar que o amor vença o ódio que a verdade vença a falsidade, que o perdão vença a ofensa, e que a paz prevaleça sobre a guerra. Assim seja!".

(Papa Francisco)

02 dezembro, 2022

A Igreja Católica está dividida. Unamo-nos

Por Celso Pinto Carias

Fala-se de uma “polarização” construída artificialmente em vista de um jogo de poder que esconde muita coisa. Em nome da sã doutrina se legitima uma série de ações que não se coadunam com o Caminho de Jesus Cristo.



No dia 11/11/2022, o mestre e amigo Pedro Ribeiro publicou um artigo falando do “racha” na Igreja Católica. Em conversa no encontro que participamos juntos, falamos sobre isso. Artigo que merece toda atenção da instituição católica (Veja o artigo aqui).

Quando terminou o segundo turno, a ideia desta coluna apareceu, antes do artigo de Pedro. Mas aqui se trata de uma pequena narrativa na qual um modesto teólogo tenta apenas levantar o tapete e ver a poeira que está embaixo. Trata-se da afirmação de que o conceito de comunhão, tão rico para Igreja, está sendo afirmado como um “verniz superficial”, expressão de São Paulo VI no número 20 da Evangelii Nuntiandi. Ora, até quando a hierarquia católica vai se esconder debaixo de um conceito de comunhão um tanto quanto distorcido?

Fala-se de uma “polarização” construída artificialmente em vista de um jogo de poder que esconde muita coisa. Em nome da sã doutrina se legitima uma série de ações que não se coadunam com o Caminho de Jesus Cristo.

Não se trata de defender um lado de forma maniqueísta, mas à luz do Evangelho e da Tradição da Igreja, verificar os absurdos que tem deixado marcas profundas na realidade brasileira. E aí, inegavelmente, um setor integrista, por que não dizer, fascista, forjou discursos de ódio onde nem o Papa escapa.

Quando os progressistas estiveram à frente do governo federal não havia perfeição. Contudo, havia um ambiente onde predominava o respeito ao estado democrático de direito. Mas quando um determinado presidente que diz “jogar sempre nas quatro linhas da constituição” chegou, os diversos mecanismos de perversão da estrutura simbólica, baseado nitidamente na mentira, tornou-se um recurso fundamental para incutir medo, chegando a produzir ações violentas, como nunca antes se viu desde a redemocratização do país.

E uma das vítimas deste processo é a Igreja Católica. Vítima porque em seu interior, apesar de existirem pessoas de caráter duvidoso, existem muitas pessoas boas. E aí, assistimos diversas agressões. Agressões feitas em nome de uma heresia: “Deus acima de todos e Brasil acima de tudo”. O Brasil se tornou maior do que Deus, pois tudo é mais do que todos.

Padres, ministros e ministras, sendo achincalhados durante missas. Até ameaças da integridade física, como aconteceu com Dom Vicente, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte. Discriminação e intolerância a quem fazia outra opção. Um padre disse que não daria a eucaristia a quem votasse no “vermelho”, outro pediu para os “vermelhos” se retirarem da igreja. Desde a juventude que acompanho política, posso dizer que vi muitos erros da chamada “esquerda”, mas nunca vi tamanho desrespeito. Na região que moro, se tinha medo de colocar adesivos no corpo ou plásticos nos carros. Setores consideráveis das polícias inviabilizando a liberdade de votar. Apoiados, inclusive, por milicianos.

Vamos colocar tudo isso debaixo de um conceito de comunhão que não reconhece a unidade na pluralidade? Que não é capaz de dialogar com as diferenças, na perspectiva poliédrica apontada pelo Papa Francisco? Que parece abafar conflitos e tensões que precisam ser tratados e não escondidos? Vamos permitir que a Igreja sangre cada vez mais, em nome de uma comunhão que enfraquece a força renovadora do Caminho de Jesus Cristo no meio do mundo?

É lamentável se verificar que, para muitos, a diminuição dos fiéis católicos não seja um problema se uma “elite” econômica a mantiver. Elite entre aspas, pois a maioria são pessoas que simplesmente não querem perder privilégios. Os setores integralistas perceberam que não é vantagem ficar fora da grande instituição, então forçam os progressistas a saírem sem cisma.

Não é possível que o episcopado brasileiro se mantenha calado diante de grupos, como o Instituto Dom Bosco, que mente, mente descaradamente, sob o brasão da Igreja Católica. Sabe-se que pouco se pode fazer canonicamente. Talvez se possa fazer algo civilmente. Mas um posicionamento afirmando que este grupo não é a voz oficial da Igreja Católica é perfeitamente possível.

A unidade é uma qualidade necessária justamente por respeitar a diferença. A unidade não é uma uniformização. A unidade não procura desqualificar, mas assumir o que existe de bom em todos e todas. Em tempos de Sínodo, precisamos reaprender a caminhar juntos. Unamo-nos.

Como disse Martin Luther King: “Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos morrer juntos como idiotas”.




Pelas organizações de voluntariado - O Vídeo do Papa 12 - dezembro 2022




Pelas organizações de voluntariado - O Vídeo do Papa 12 - dezembro 2022

Voluntariado. Compromisso. Coordenação. Estas são as três palavras-chave do Vídeo do Papa de dezembro, preparado pela Rede Mundial de Oração do Papa. Como diz Francisco, "O mundo precisa de voluntários e de organizações que queiram comprometer-se com o bem comum". Voluntários que dão sua ajuda em diferentes organizações "Trabalhando em conjunto, apesar dos poucos recursos que possam ter, dão o seu melhor e tornam possível o milagre da multiplicação da esperança".

“O mundo precisa de voluntários e de organizações que queiram comprometer-se com o bem comum.

Sim, essa é a palavra que muitos hoje em dia querem apagar: "compromisso".

E o mundo precisa de voluntários comprometidos com o bem comum.

Ser um voluntário solidário é uma escolha que nos torna livres; torna-nos abertos às necessidades dos outros, às exigências da justiça, à defesa dos pobres, ao cuidado da criação.

É ser artesãos de misericórdia: com as mãos, com os olhos, com o ouvido atento, com a proximidade.

E ser voluntário é trabalhar com as pessoas a quem se serve. Não só para o povo, mas também com o povo. Trabalhar com pessoas.

O trabalho das organizações voluntárias é muito mais eficaz quando elas colaboram entre si e também com os Estados.

Trabalhando em conjunto, apesar dos poucos recursos que possam ter, dão o seu melhor e fazem do milagre da multiplicação da esperança uma realidade.

Precisamos tanto multiplicar a esperança!

Rezemos para que as organizações de voluntariado e de promoção humana encontrem pessoas dispostas a comprometer-se com o bem comum e a buscar novas formas de colaboração a nível internacional”.

30 novembro, 2022

OAB reconhece Esperança Garcia como primeira mulher advogada do Brasil

Ela foi uma mulher negra escravizada que lutou contra a situação a qual ela e outras pessoas foram submetidas. O reconhecimento ocorreu na sexta-feira (25). 


O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reconheceu Esperança Garcia como a primeira advogada brasileira. 

Ela será homenageada pela Ordem com um busto que será colocado na sede da instituição em Brasília.

Leia a íntegra da matéria publicada pela BN em 28/11/2022.

O Papa: aprender a ler no livro do coração para não continuar repetindo os mesmos erros

Francisco disse ns Audiência Geral que "a consolação autêntica é uma espécie de confirmação de que cumprimos o que Deus quer de nós, que percorremos os seus caminhos, ou seja, nas estradas da vida, da alegria, da paz".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"A consolação autêntica" foi o tema da catequese do Papa Francisco, na Audiência Geral, desta quarta-feira (30/11), realizada na Praça São Pedro.

Continuando a reflexão sobre o discernimento, o Papa recordou a seguinte passagem dos Exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. Reza assim: «Se nos pensamentos tudo é bom, o princípio, o meio e o fim, e se tudo está orientado para o bem, este é um sinal do anjo bom. Por outro lado, pode ser que no decurso dos pensamentos se apresente algo mau, ou que distraia, ou menos bom do que aquilo que antes a alma se propusera fazer, ou algo que debilite a alma, que a torne inquieta, que a ponha em agitação e lhe tire a paz, a tranquilidade e a calma que antes tinha: então, este é um sinal claro de que tais pensamentos vêm do espírito maligno».

Estar orientado para o bem
"Existe uma verdadeira consolação, mas existem consolações que não são verdadeiras. Por isso, é preciso entender bem o percurso da consolação, para aonde vai, e para aonde me leva, se me leva para algo que não é bom, não é uma consolação boa, não é uma consolação verdadeira, é falsa", sublinhou o Papa.

O que significa que o princípio está orientado para o bem? Por exemplo, tenho o pensamento de rezar, e observo que se acompanha ao afeto pelo Senhor e pelo próximo, convida a realizar gestos de generosidade, de caridade: é um bom princípio. No entanto, pode acontecer que aquele pensamento surja para evitar um trabalho ou uma tarefa que me foi confiada: sempre que devo lavar a louça ou limpar a casa, vem-me uma grande vontade de começar a rezar! A oração não é uma fuga dos nossos afazeres; pelo contrário, é uma ajuda para realizar o bem que somos chamados a praticar, aqui e agora. Isto a propósito do princípio.

"Santo Inácio dizia que o principio, o meio e o fim devem ser bons. O principio é este: tenho vontade de rezar para não lavar a louça. Então, primeiro, lava a louça e depois vai rezar", frisou o Papa.

Examinar bem o percurso dos próprios sentimentos
"Em seguida há o meio, ou seja, o que vem depois, o que se segue a tal pensamento", sublinhou Francisco. "Permanecendo no exemplo anterior, se eu começar a rezar e, como faz o fariseu da parábola tender a agradar a mim mesmo e a desprezar os outros, talvez com um ânimo ressentido e azedo, então estes são sinais de que o espírito maligno utilizou aquele pensamento como chave de acesso para entrar no meu coração e para me transmitir os seus sentimentos." Segundo o Papa, esse tipo "de oração termina mal", pois é "uma consolação de rezar para se sentir como um pavão diante de Deus. Este é um meio que não funciona".

"Depois, há o fim. O fim é um aspecto que já encontramos, ou seja: para aonde me leva aquele pensamento?", perguntou Francisco, dizendo que "pode acontecer que eu trabalhe arduamente por uma obra boa e meritória, mas isto impele-me a deixar de rezar, descubro-me cada vez mais agressivo e zangado, considero que tudo depende de mim, a ponto de perder a confiança em Deus. Evidentemente, aqui há a ação do espírito maligno. Eu começo a rezar e na oração me sinto onipotente. Portanto, examinar bem o percurso dos próprios sentimentos, e o percurso dos bons sentimentos, da consolação a partir do momento que eu quero fazer alguma coisa".

Aprender com as experiências
Segundo o Papa, "o estilo do inimigo", do demônio, é o estilo que "consiste em apresentar-se de maneira sorrateira e disfarçada: começa a partir daquilo que nos é mais querido e depois, pouco a pouco, atrai-nos a si: o mal entra secretamente, sem que a pessoa perceba. E, com o passar do tempo, a suavidadetorna-se dureza: aquele pensamento revela-se pelo que realmente é".

“Eis a importância deste paciente, mas indispensável exame sobre a origem e a verdade dos próprios pensamentos; é um convite a aprender com as experiências, com o que nos acontece, para não continuar repetindo os mesmos erros.”

Quanto mais nos conhecemos, mais sentimos por onde entra o espírito maligno, as suas “senhas”, as portas de entrada do nosso coração, que são os pontos onde somos mais sensíveis, de modo a prestar-lhes atenção no futuro. Cada um de nós há os pontos mais sensíveis, os pontos mais frágeis da própria personalidade e dali entra o maligno e nos leva para a estrada errada, ou nos tira da estrada certa. Quero rezar, mas me distancia da oração.

É importante compreender o que aconteceu
O Papa frisou que é importante fazer "o exame de consciência diário: antes de terminar o dia, parar. Se perguntar, o que aconteceu no meu coração? Cresceu ou foi uma estrada na qual passou de tudo? O que aconteceu no meu coração. Trata-se do precioso esforço de reler a experiência sob um ponto de vista particular. É importante compreender o que aconteceu, é sinal de que a graça de Deus age em nós, ajudando-nos a crescer em liberdade e consciência. Não estamos sozinhos, o Espírito Santo está conosco".

A consolação autêntica é uma espécie de confirmação de que cumprimos o que Deus quer de nós, que percorremos os seus caminhos, ou seja, as estradas da vida, da alegria, da paz. Com efeito, o discernimento não é simplesmente sobre o bem, nem sobre o máximo bem possível, mas sobre o que é um bem para mim aqui e agora: é nisto que sou chamado a crescer, colocando limites a outras propostas, atraentes, mas irreais, para não ser enganado na busca do verdadeiro bem.

É preciso "aprender a ler no livro do coração o que aconteceu durante o dia. Façam isso. São apenas dois minutos, mas garanto a vocês que lhes fará bem".


24 novembro, 2022

Deixemo-nos provocar pelas palavras do profeta Isaías!

“Alarga o espaço da tua tenda, estende sem medo as lonas que te abrigam, e estica as tuas cordas, fixa bem as tuas estacas” (Is 42,2).

O profeta Isaías diz nesse texto muito das CEBs e diz muito para nós das CEBs.

Ao ler deixemo-nos provocar pelas palavras do profeta.


Isaías 42,2)

É a um povo que vive a experiência do exílio que o profeta dirige palavras que hoje nos ajudam a pôr em foco aquilo a que o Senhor nos está a chamar através da experiência de uma sinodalidade vivida: “Alarga o espaço da tua tenda, estende sem medo as lonas que te abrigam, e estica as tuas cordas, fixa bem as tuas estacas” (Is 42,2).

A palavra do profeta recorda ao povo no exílio a experiência do êxodo e da travessia do deserto, quando habitava nas tendas, e anuncia a promessa do regresso à terra, sinal de alegria e esperança. Para se preparar, é necessário alargar a tenda, agindo sobre três elementos da sua estrutura. O primeiro são as lonas, que protegem do sol, do vento e da chuva, delineando um espaço de vida e de convivência. É preciso estendê-las, de modo que possam proteger também aqueles que ainda se encontram fora deste espaço, mas que se sentem chamados a entrar. O segundo elemento estrutural da tenda são as cordas, que mantêm juntas as lonas. Devem equilibrar a tensão necessária para evitar que a tenda se debilite com a frouxidão que enfraquece com os movimentos provocados pelo vento. Por isso, se a tenda se alarga, devem aumentar-se para manter a justa tensão. Por fim, o terceiro elemento são as estacas que fixam a estrutura ao solo e asseguram a solidez, mas permanecem capazes de serem movidas quando se deve armar a tenda noutro lugar.

Ouvi hoje estas palavra de Isaías que nos convidam a imaginar a Igreja como uma tenda, ou melhor, como a tenda da reunião, que acompanhava o povo durante o caminho no deserto: é, portanto, chamada a alargar-se, mas também a deslocar-se. No seu centro está o tabernáculo, ou seja, a presença do Senhor. A resistência da tenda é assegurada pela robustez das suas estacas, ou seja, os fundamentos da fé que não mudam, mas podem ser deslocados e colocados em terrenos sempre novos, de modo que a tenda possa acompanhar o povo que caminha na história. Por fim, para não afrouxar, a estrutura da tenda deve manter em equilíbrio as diversas pressões e tensões a que é submetida: uma metáfora que exprime a necessidade do discernimento. É assim que muitas sínteses imaginam a Igreja: uma morada ampla, mas não homogénea, capaz de dar abrigo a todos, mas aberta, que deixa entrar e sair (cf. Jo 10,9), e em movimento para o abraço com o Pai e com todos os outros membros da humanidade.

Alargar a tenda exige acolher outros no seu interior, dando espaço à sua diversidade. Requer, portanto, a disponibilidade para morrer a si mesmos por amor, reencontrando-se na e pela relação com Cristo e com o próximo: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12,24). A fecundidade da Igreja depende da aceitação desta morte, que não é uma aniquilação, mas uma experiência de esvaziamento de si para deixar-se encher de Cristo pelo Espírito Santo e, portanto, um processo através do qual recebemos o dom de relações mais ricas e laços mais profundos com Deus e com os outros. É esta a experiência da graça e da transfiguração. Por esta razão o apóstolo Paulo recomenda: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus. Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fl 2,5-7). É nesta condição que os membros da Igreja, individualmente e todos em conjunto, se tornarão capazes de cooperar com o Espírito Santo para cumprir a missão dada por Jesus Cristo à sua Igreja: é um ato litúrgico, eucarístico.


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O texto acima sobre o profeta Isaías transcrito do documento de Trabalho para Etapa Continental, para a próxima etapa do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade “Alarga o espaço da tua tenda (Is 54, 2)”.

O documento é compilado a partir das sínteses da fase recebidas de 112 das 114 conferências episcopais do mundo, além de outros relatórios, como os de dicastérios do Vaticano e congregações religiosas, oferece uma visão global do que os fiéis em todos os níveis da Igreja acreditam que precisa acontecer para que ela seja um verdadeiro lugar de inclusão.