24 outubro, 2018

Nota da CNBB por ocasião do 2º turno das eleições

No documento, os bispos reforçam que as eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social. Os bispos exortam a que se deponham as armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. 

Abaixo, a íntegra do documento.  


Nota da CNBB por ocasião do 2º turno das eleições

Jesus Cristo é a nossa paz! (cf. Ef 2,14)

O Brasil volta às urnas para eleger seu novo presidente e, em alguns Estados e no Distrito Federal, seu governador. Fiel à sua missão evangelizadora, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de seu Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido em Brasília-DF, nos dias 23 e 24 de outubro, vem ratificar sua posição e orientações a respeito deste importante momento para o País.

Eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social. Cabe à população julgar, na liberdade de sua consciência, o projeto que melhor responda aos princípios do bem comum, da dignidade da pessoa humana, do combate à sonegação e à corrupção, do respeito às instituições do Estado democrático de direito e da observância da Constituição Federal.

Na missão de pastores e profetas, nós, bispos católicos, ao assumirmos posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, o fazemos, não por ideologia, mas por exigência do Evangelho que nos manda amar e servir a todos, preferencialmente aos pobres. Por isso, “a Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada” (CNBB – Mensagem ao Povo de Deus – 19 de abril de 2018). Inúmeros são os testemunhos de bispos que, na história do país, se doaram e se doam no serviço da Igreja em favor de uma sociedade democrática, justa e fraterna.

A CNBB reafirma seu compromisso, sobretudo através do diálogo, de colaborar na busca do bem comum com as instituições sociais e aqueles que, respaldados pelo voto popular, forem eleitos para governar o País.

Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz!

Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, invocamos a bênção de Deus para o povo brasileiro.

Brasília-DF, 24 de outubro de 2018

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador
Presidente da CNBB em exercício
Dom Guilherme Antônio Werlang
Bispo de Lajes
Vice-Presidente da CNBB em exercício
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

Vale a pena ler o depoimento do meu amigo o Teólogo Celso Pinto Carias



O PT me decepcionou e MUITO. Sacrifiquei juventude e até família por acreditar na CAUSA. Os setores que comandavam o PT não tinham o direito de não caminhar com o POVO. Deveriam correr o risco de perder eleições buscando quebrar o sistema e não manter o modelo predominante de GOVERNABILIDADE. Possibilitou que, de fato, houvesse desvios sérios, manchando a história de muitos que não se corromperam. Mas somente uma pessoa desonesta ou submetida a forte propaganda do ódio, pode concluir que o PT institucionalizou a CORRUPÇÃO. Entrei no PT em 1986 e saí em 2004, antes que a construção do antipetismo tomasse grandes proporções. O PT ainda não fez uma profunda revisão do seu caminho. APESAR DE TUDO voto sem vacilar em HADDAD. Trata-se de um voto na DEMOCRACIA, NA PAZ, NO RESPEITO, NO AMOR, na garantia de que posso respirar gás na rua, e tomar pimenta na cara, mas que não serei processado por pensar de forma diferente. Trata-se de não dar condições para que inocentes morram. Por favor, esta CORTINA DE FUMAÇA poderosa que conseguiram criar de FAMÍLIA, ABORTO, KIT GAY, COMUNISMO (KKKKKKKK), com o auxílio de lideres religiosos, muitos por sincero medo, e outros por puro oportunismo, possa ser retirada de sua frente. E PT, POR FAVOR, GANHANDO OU PERDENDO, REVEJA O SEU CAMINHO. Que o DEUS DA VIDA seja a nossa luz e que possamos caminhar juntos se o pior acontecer. (Celso Pinto Carias - Doutor em Teologia pela PUC-Rio, mendigo de Deus, morador da Baixada Fluminense).  

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Celso Pinto Carias, vive em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro. É doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde trabalha. Assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (Comissão do Laicato, Setor CEBs), vem acompanhando a vida dessas Comunidades desde 1989, quando ajudou a coordenar os serviços do 7º Encontro Intereclesial, em Duque de Caxias. Participa do grupo de assessoras e assessores da Ampliada Nacional das CEBs.

Um lindo exemplo Com dinheiro do Dízimo, padre e comunidade constroem casas para famílias em extrema pobreza.

Sou Fernando Haddad


Para refletir


23 outubro, 2018

Discurso de 'eliminar adversário' deveria deixar país alerta, dizem estudiosos de genocídios


Discurso de 'eliminar adversário' deveria deixar país alerta, dizem estudiosos de genocídios

No último domingo (21), diante de uma multidão na avenida Paulista, o candidato à Presidência da República,Jair Bolsonaro (PSL), falou por meio de um telão seus planos para parte da oposição, caso eleito. 


"Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria", disse. Pouco antes, o capitão da reserva havia falado também em limpeza: "A faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora, ou vão pra cadeia".

A 10 mil quilômetros dali, em Sarajevo, o pesquisador bósnio Hikmet Karcic disse que o tom do discurso merece "preocupação" e deveria ser um "sinal de alerta". Estudioso de genocídios como o que matou milhares há 23 anos em Srebrenica, no leste da Bósnia, Karcic afirma que esse tipo de fala deveria ser motivo de "alerta vermelho".

"Nenhum país ou povo do mundo está a salvo do risco do genocídio."

Para Karcic, a ameaça "começa com um discurso, vai para uma política de Estado e pode virar uma atrocidade. Não podemos subestimar o risco da violência", disse ao UOL, por telefone.

Além do Holocausto, que matou milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, a humanidade assistiu a outros episódios de eliminação sistematizada de "adversários" nos últimos 30 anos: em 1995, ao menos 8.000 bósnios foram mortos no massacre de Srebrenica; e um ano antes, entre 500 mil e 1 milhão foram mortos em Ruanda, na África.

Para Karcic, apesar das muitas diferenças entre o cenário da sociedade bósnia dos anos 1990 e do Brasil de 2018, há sinais que, em qualquer sociedade, não devem ser ignorados. São eles: 

Criação de "etiquetas" para os cidadãos: como a de cidadãos "de bem" versus outros; pertencentes à etnia hutu contra tutsis, em Ruanda; ou, no caso da Bósnia, sérvios, bósnios e croatas --todos contra todos; 

Fim de vínculos sociais: "amigos, vizinhos ou familiares estão deixando de se falar por causa dessas divisões? Isso é muito grave", diz Karcic;

Discurso envolvendo "limpeza" ou "eliminação" do adversário: "Nós éramos uma sociedade em que as pessoas conviviam e ninguém sabia ao certo quem era o quê. Não importava. Mas em pouco tempo isso mudou: com propaganda e medo, começou o ódio, aconteceu o massacre e as pessoas acharam normal. O terreno havia sido preparado para isso", resume Karcic, que defendeu seu doutorado sobre "Campos de detenção como uma ferramenta para limpeza étnico-religiosa de não sérvios na Bósnia". 

Eliminação como política de Estado
Um dos episódios mais cruéis da tragédia bósnia ocorreu há 23 anos. Em julho de 1995, no coração da Europa e sob os olhos da comunidade internacional, homens armados invadiram a pequena cidade de Srebrenica e mataram mais de 8.000...Continue lendo....
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22 outubro, 2018

Aniversário de meu pai

CNBB e entidades consideram inquietantes episódios ocorridos nos últimos dias


Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, assina Nota Conjunta com outras entidades repudiando as ações de violência dos últimos dias, reiterando compromisso com a preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, exortando a renovação de respeito pela Constituição Federal,  manifestando a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais e declarando, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social.

Confira a Nota na íntegra:


NOTA CONJUNTA

As entidades signatárias abaixo nominadas, representativas da sociedade civil organizada, no campo do Direito e das instituições sociais, por seus respectivos Representantes, ao largo de quaisquer cores partidárias ou correntes ideológicas, considerando os inquietantes episódios descortinados nos últimos dias, nas ruas e nas redes sociais, ao ensejo do processo eleitoral, de agressões verbais e físicas – algumas fatais – em detrimento de indivíduos, minorias e grupos sociais, a revelar crescente desprestígio dos valores humanistas e democráticos que inspiram nossa Constituição cidadã, fiadores da convivência civilizada e do exercício da cidadania, vêm a público:

AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las;

REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras;

EXORTAR todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais;

MANIFESTAR a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais, inclusive os trabalhistas, e da imprescindibilidade das instituições que os preservam, nomeadamente a Magistratura do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho e a advocacia trabalhista, todos cumpridores de históricos papéis na afirmação da democracia brasileira;

DECLARAR, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social, como não há boa governança sem coerência constitucional, e tampouco pode haver Estado Democrático de Direito sem Estado Social com liberdades públicas.

Brasília (DF), 19 de outubro de 2018.

 
CLÁUDIO PACHECO PRATES LAMACHIA

Presidente do Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB)

GUILHERME GUIMARÃES FELICIANO

Presidente da Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do
Trabalho (Anamatra)

LEONARDO ULRICH STEINER
Secretário-Geral da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB)

ÂNGELO FABIANO FARIAS DA COSTA

Presidente da Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho (ANPT)

CARLOS FERNANDO DA SILVA FILHO

Presidente do Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)

ALESSANDRA CAMARANO MARTINS
Presidente da Associação Brasileira dos
Advogados Trabalhistas (Abrat)

MARIA JOSÉ BRAGA
Presidente da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj)

Lucimar Moreira Bueno e Celso Pinto Carias

Na foto, eu e o Celso Pinto Carias

O teólogo Celso Pinto Carias é o assessor convidado para a escola. Carias vive em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro. É doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde trabalha.  Assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (Comissão do Laicato, Setor CEBs), vem acompanhando a vida dessas Comunidades desde 1989, quando ajudou a coordenar os serviços do 7º Encontro Intereclesial, em Duque de Caxias. Participa do grupo de assessoras e assessores da Ampliada Nacional das CEBs.


Fotos "Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs"

Fotos: "Escola de Formadores e Articuladores para as CEBs" - segunda etapa.
20 e 21 de outubro de 2018.