17 março, 2022

Sabedoria, amor e paz: fraternidade e alteridade.


Em momentos de guerra, não tem como não ficarmos espantados pelas cenas de horror e barbárie de sofrimento, destruição e genocídios que estamos vendo na Ucrânia. O povo sofre, os refugiados se multiplicam. Em pleno século XXI, não acreditamos ser possível presenciarmos um conflito que pode tomar proporção enorme ser concretizado pela falta de habilidade democrática das nossas instituições, além do contraste de pensamento de parte do mundo, que não se situa dentro de um horizonte de democracia e pluralidade.

Após a segunda guerra mundial, diversos filósofos se perguntavam sobre o porquê do holocausto, da ascensão de regimes sangrentos e totalitários e, sobretudo, o que teríamos aprendido com a História e como poderíamos evitar novos eventos do tipo. É verdade que a criação da ONU e a consolidação de tratados de direitos humanos e avanços no direito internacional e humanitário propiciaram um fortalecimento da democracia e do consequente diálogo. Por outro lado, em diversos momentos e contextos regimes democráticos são atacados pela via das decisões não-racionais, pelos afetos, sobretudo pelo medo e pelo ódio. A xenofobia é um exemplo disso. A falência das democracias europeias, em sua maioria, que lidam bem com a liberdade, mas não com a fraternidade.

Qualquer ato contra a vida, inserido em ideologias, religiões ou políticas totalitárias ou democráticas exemplifica a barbárie e o fracasso da humanidade. Quando o Estado (mínimo) permite a existência de pessoas vivendo com o mínimo necessário à sua dignidade, sem moradia, comida, educação, aí está a barbárie! Também quando um regime fuzila pessoas que se colocam politicamente contrárias ao seu regime, também está aí a barbárie!

Theodor Adorno, filósofo alemão contemporâneo, afirmou que o mais urgente de pensarmos é uma educação que, de todas as maneiras, evite um novo holocausto, novo Auschwitz. Como fazer isso em termos globais hoje? Certamente não será por uma via de isolamento e ausência de diálogo. Todo movimento contrário à democracia, à ciência e a uma globalização efetiva não se colocam como vias eficazes. Logicamente, democracia e globalização devem andar juntas, de forma que os problemas globais sejam enfrentados de forma real, efetiva e verdadeiramente conjunta. A economia global, empresas, agentes financeiros, não podem ignorar os problemas sociais, as feridas à democracia e à vida. Um regime que tire a vida de forma banal não deve ser considerado da mesma maneira em negociações. É preciso limitar as hipocrisias. Temos que condenar todos os sistemas totalitários, sejam aqueles motivados por critérios fundamentalistas religiosos, sejam aqueles baseados em ideologias.

O problema não é a globalização em si, mas sim o fato dela ser motivada apenas pela esfera econômica. Nacionalismos, extremismos, xenofobia devem ser constantemente desconstruídos. O sentimento proveniente da existência do Estado-Nação deve dar lugar àquele originado de uma solidariedade universal.

Paul Ricoeur, filósofo francês, afirma que, diante de situações-limites, nos aproximamos. É a partir do testemunho de Lucie Hacpille, médica de cuidados paliativos, que essa distinção se opera claramente para o filósofo. De acordo com a médica, os doentes prestes a morrer não têm a percepção de si mesmos enquanto “moribundos”, isto é, como quem vai morrer daí a pouco, mas antes como “ainda vivos”, ainda que não mais estejam que a alguns minutos do seu falecimento. Para o “agonizante”, “ainda estar vivo” significa a emergência da mobilização dos recursos mais profundos da vida, que lhe permitem ainda se afirmar. Ela é, por assim dizer, o “Essencial” na trama do tempo da agonia. Esse “Essencial” que é, em certo sentido, o religioso, ou o religioso em comum, o qual transgride as limitações consubstanciais ao religioso confessional e confessado no limiar da morte. Em momentos de sofrimento dos povos, nos aproximamos em Espírito. Esse momento de mobilização é um momento de graça interior. Ele remete para a aparição da “coragem de estar vivo até à morte” quando a vida se escreve, face à morte, com um V maiúsculo. Contudo, pensar esse momento e a sua força, é também correr o risco de resvalar para a literatura sobre as experiências místicas: por isso mesmo, é preciso saber simultaneamente dar mostras de alguma desconfiança, enquanto se acolhe a graça interior de um determinado morrer.

Ricœur atesta o “olhar” da “compaixão” daqueles que lutam juntamente ao agonizante e os que o acompanham até à morte (Ricoeur 2007, 41). Esse “olhar” diferencia-se daquele que vê o agonizante como um moribundo que em breve deixará de viver. Não é também o do espectador que já se adianta à morte: esse “olhar” também vê o agonizante como “ainda vivo”. Também ele faz um apelo aos recursos mais profundos da vida, como se fosse levado pela emergência do “Essencial” na sua vivência de ainda-vivente. A “compaixão” não significa aqui somente o “sofrer-com”, mas também o “lutar-com” e o “acompanhamento” (Ibid.). Ela torna possível a partilha de um movimento de transcendência íntima. Ricœur desenvolve, de forma bastante fina, o “acompanhamento” do “agonizante” como “amizade no morrer acompanhado”.

É o que estamos presenciando na Ucrânia. O Papa Francisco enfatizou o drama e a realidade do conflito: “Rios de sangue e lágrimas correm na Ucrânia, não se trata apenas de uma operação militar, e sim de uma guerra que que semeia morte, destruição e miséria” (Angelus, 06/03/2022). Como não se comover com famílias sendo separadas? Hospitais sendo bombardeados? Número crescente de refugiados, pessoas tentando desesperadamente sair do país, deixando suas casas, suas vidas, suas lutas diárias? Não, a Rússia e seu sistema totalitário, bem como os que a apoiam, não encontram em lugar algum justificativa plausível às atrocidades. Assim como não encontram o sistema totalitário sírio, saudita, dos Emirados Árabes (que bombardeiam o Iêmen incessantemente, gerando destruição, morte, fome, caos…) ou da China que oprime a minoria muçulmana que vive em seu território. Sistemas que impedem a liberdade ou não permitem a igualdade, são fracassados… Sim, são muitos os exemplos, nesses casos. O mundo fracassa, mas não é uma condição natural, é possível a mudança. Um outro mundo é possível!

A educação deve contribuir para a efetivação desse processo. Por mais filosofia e menos educação “moral” e cívica. Por mais crítica, reflexão, humanismo e menos tecnicismos limitados. Alteridade deve ser a palavra-chave da educação no século XXI.

Se há relações se inaugura o rompimento da totalidade da guerra, significa interromper a guerra e inaugura-se o novo, o escatológico. Assim, surge uma relação originária com o ser, no interior da experiência. Escapa-se, assim, do ser impessoal que propôs Heidegger. Lévinas propõe aqui a Escatologia da Paz Messiânica, na ordem da experiência, da linguagem, da política e totalitarismos. Dentro da ontologia é possível verificar uma relação entre os sujeitos que, ao falarem, aniquilam as diferenças. Assim, nosso pensador está em um caminho oposto a Hegel, que supõem um caminho do conceito e da consciência rumo a uma totalidade e a um fim. No Estado os sujeitos são “impessoalizados”. É preciso se voltar para o encontro com o outro, acontecendo uma acolhida. O Eschaton vem justamente do encontro com o outro.

O Infinito ou Deus não se comunica de maneira imediata, mas sim mediata, no face a face com o outro. Não foi a expressão “face a face” herdada da linguagem bíblica? Mas na Bíblia trata-se do face a face com Deus. Face a face vivido por Moisés (Ex 33, 11: “O Senhor falava com Moisés, face a face, como se fala a uma pessoa”), desejado pelo salmista (Sl 13, 2; 17; 15), mas na maior parte das vezes recusado: “não podes ver minha face pois o humano não pode me ver e continuar em vida” (Ex 33,20; 33,23). Esse face a face com Deus é transposto por Lévinas como face a face com o outro. O rosto do outro não é da ordem do visível, nem mesmo do ver. Ele não é a figura cujos traços da boca ou dos olhos eu possa detalhar. Ter acesso ao rosto não é observá-lo, contemplá-lo, subtrair-lhe o rosto. O rosto é da ordem da palavra. Ele significa não como uma figura sobre um fundo, mas sem contexto, independentemente de seus contextos social, racial, cultural ou religioso, independentemente de sua carteira de identidade ou de seu passaporte. Ele enuncia um mandamento: “não matarás” ou “não cometerás assassinato”.

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René Dentz
É católico leigo, professor do departamento de Filosofia e do curso de Psicologia-Praça da Liberdade na PUC-Minas, onde também atua como membro da equipe executiva do Observatório da Evangelização. Psicanalista, doutor em Teologia pela FAJE, com pós-doutorado pelas Université de Fribourg/Suíça, Universidade Católica Portuguesa e PUC-Rio. É comentarista da TV Horizonte e da Rádio Itatiaia. Autor de 7 livros, dentre os quais “Horizontes de Perdão” (Ideias e Letras, 2020). Pesquisador do Grupo de Pesquisa CAPES “Mundo do trabalho, ética e teologia”, na FAJE-BH.

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Fonte: Observatório da Evangelização - Puc Minas

15 março, 2022

Dia 15 de março nascia minha mãe!

Dia 15 de março nascia minha mãe!

Tu ensinou-me que eu precisava seguir independente da situação. 
Sigo com saudade e com a força e a paz que continua me dando. 
Saber que com nosso Deus está, me acalma.


09 março, 2022

Sentimento do Mundo

Sentimento do Mundo
Poema da obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

08 março, 2022

Dia Internacional das Mulheres

Rezemos juntos,

Nos dias atuais, quantas mulheres ainda sofrem violência, quanta covardia.

São muitos os tipos de violência, psicológica, violência verbal, violência física, violência sexual.

Que continuem tendo coragem as vítimas para que ao quebrarem o silêncio o grito de socorro seja ouvido por todos os cantos do mundo, para que não seja ignorado todo esse sofrimento. Que a sociedade cumpra seu papel e as protejam.

02 março, 2022

‘Quanto pó existe nas nossas relações!’

 Deixemo-nos provocar pelo nosso amado papa Francisco.

‘Quanto pó existe nas nossas relações!’

Quantas vezes sufocamos o fogo de Deus com a cinza da hipocrisia! A hipocrisia: é a imundície que hoje, no Evangelho, Jesus pede para remover. De fato, o Senhor não diz apenas para fazer obras de caridade, rezar e jejuar, mas que tudo isso seja feito sem fingimento, sem falsidade nem hipocrisia.

Olhamos em redor e vemos pó de morte, vidas reduzidas a cinzas: escombros, destruição, guerra […] Continuamos a destruir-nos, a fazer-nos voltar ao pó. E quanto pó existe nas nossas relações! 

Vejamos em nossa casa, nas famílias […] Há tanto pó que suja o amor e embrutece a vida. Mesmo na Igreja, a casa de Deus, deixamos depositar tanto pó, o pó do mundanismo.

A Quaresma não é o tempo para fazer cair sobre o povo inúteis moralismos, mas para reconhecer que as nossas míseras cinzas são amadas por Deus. É tempo de graça, para acolher o olhar amoroso de Deus sobre nós e, assim contemplados, mudar de vida. Estamos no mundo para caminhar da cinza à vida.

A cinza pousa nas nossas testas, para que, nos corações, se acenda o fogo do amor. Com efeito, somos cidadãos do céu. E o amor a Deus e ao próximo é o passaporte para o céu; é o nosso passaporte.

Ajuda-nos o veemente apelo de São Paulo [...]: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus!’ São Paulo usa o passivo: deixai-vos reconciliar. Porque a santidade não é obra nossa; é graça. Sozinhos, não somos capazes de tirar o pó que suja o coração […] E a Quaresma é tempo de cura.

Para amar, deixemo-nos amar; deixemo-nos erguer, para caminhar rumo à meta – à Páscoa”.

(Papa Francisco)

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Fonte: Vatican News

25 fevereiro, 2022

24 fevereiro, 2022

Será que algum dia não haverá mais a guerra?

Não havendo guerra não haverá destruição, desespero, fome...

Levantei cedo, já estava na rua antes das 06 horas, um ventinho gostoso, embora não vivendo um momento de alegria, mas o ar fresquinho estava gostoso, e ainda estava a rua no amanhecer de hoje a caminho do meu destino, as notícias do bombardeio do exército russo na Ucrânia, veio a pergunta:

Será que algum dia não haverá mais a guerra?

11 fevereiro, 2022

O evangelista Marcos hoje nos provoca (Mc 7,31-37)

Olha só, Jesus para tocar o coração toca nos sentidos do surdo-mudo. Abrir o coração. Uma provocação a nós e para nossas Comunidades Eclesiais de Base.

Papa Francisco nos ensina e pede a Mãe, ajude-nos a ser comunidade "Ser comunidade que vai ao encontro de todos, sair para encontrar os outros, mas sair também para deixar-se encontrar, porque o encontro é recíproco, não é uma esmola." (Fonte Vatican News).

Abrir o nosso coração, abrir nossas CEBs para ajudar o Povo de Deus abrir-se a Deus, à sua Palavra, ao encontro com Ele, ao Seu seguimento.

Abrir o coração, abrir nossa CEBs para poder ir ao encontro e abrir ao encontro do Povo, com carinho, ternura aberto ao diálogo, a manter relações fraternas e amiga com todas e todos.

As CEBs têm a missão de fazer ouvir e fazer falar, missão de continuar este gesto de Jesus, ouvir todo o povo que por Deus são amados e por isso podem falar.

Para isso nós, nossas CEBs precisam de ouvidos abertos para escutar o Senhor, que nos fala, e ser sua presença. Escutar ao Senhor para saber escutar o povo, e falar como Deus quer.

Romarias dos Mártires da Caminhada Latino-Americana em Ribeirão Cascalheira/MT

1976 – Martírio do Pe. João Bosco em Ribeirão Bonito/MT - 11-12/10.

1977 - 1 ano do martírio do Pe. João Bosco e Inauguração do Santuário dos Mártires da Caminhada - 12/10.

1986 – Ano dos Mártires da Caminhada – 1ª Romaria dos Mártires, 10 anos do martírio do Pe. João Bosco e inauguração do Mural dos Mártires pintado pelo Pe. Cerezo Barredo, pintor da Libertação - 11 e 12/10.

1996 – Vidas Pela Vida – 2ª Romaria dos Mártires, 20 anos do martírio do Pe. João Bosco - 27 e 28/07.

2001 – Vidas Pelo Reino – 3ª Romaria dos Mártires, 25 anos do martírio do Pe. João Bosco -14 e 15/07.

2006 – Vidas Pelo Reino da Vida – 4ª Romaria dos Mártires, 30 anos do martírio do Pe. João Bosco - 15 e 16/07.

2011 – Testemunhas do Reino – 5ª Romaria dos Mártires, 35 anos do martírio do Pe. João Bosco - 16 e 17/07.

2016 – Profetas do Reino – 6ª Romaria dos Mártires, 40 anos do martírio do Pe. João Bosco - 16 e 17/07.

2022 – Tudo Pelo Reino – 7ª Romaria dos Mártires, 46 anos do martírio do Pe. João Bosco - 16 e 17/07

08 fevereiro, 2022

Romaria dos Mártires da Caminhada

Leia o que segue com carinho e atenção.

É um convite que você precisa confirmar presença até o dia 17.



Romaria dos Mártires da Caminhada

Bem-aventuradas as perseguidas e bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque delas e deles é o Reino do Céu. (Cf. Mt 5,10)

Estamos nos organizando enquanto Arquidiocese de Maringá, convidamos com a ternura da brisa suave que toca nosso coração, as profetizas e os profetas do Reino de nossa Arquidiocese a juntar-se aos milhares de romeiras e romeiros.

Vamos manifestar nossa fé, esperança e, ao mesmo tempo, reafirmar a nossa disposição de fortalecer nossas Comunidades Eclesiais de Base, seu rosto social, fraterno e acolhedor na perspectiva de uma Igreja Missionária Samaritana a Serviço da Vida.

O Paraná está organizando-se para participar juntamente com tantas outras pessoas que querem celebrar e manter viva a memória daquelas e daqueles que deram suas vidas pelas causas maiores de nossas lutas e sonhos, que são as causas da vida, as causas do Reino.

A Romaria dos Mártires da Caminhada acontecerá em Ribeirão Cascalheira, prelazia de São Félix do Araguaia (MT), nos dias 16 e 17 de julho e na sexta-feira, dia 15, a noite tem uma bonita celebração com a comunidade local, equipes articuladoras e a prelazia, fazendo memória do Martírio do padre João.

O alojamento em famílias ou colégios, sem custo. Alimentação durante o período da romaria também sem custo. Não tem taxa.

O custo está sendo orçado em torno de R$ 500,00 de transporte, mais o custo com alimentação durante a viagem. É pedido pela organização da romaria uma ajuda de custo por caravana ou pessoas.

Precisamos, que até o dia 17 de fevereiro, confirmação de participação, para podermos organizar o transporte.

Previsão é a saída do paraná na quinta-feira à noite, portanto, a saída de Maringá poderá ocorrer durante o dia da quinta-feira, dia 14 de julho. O retorno será domingo dia 17 após almoço.

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Romaria dos Mártires da Caminhada
Tema: "Tudo pelo Reino"
Dia: 16 e 17 de julho de 2022
Na sexta-feira, dia 15, a noite tem uma bonita celebração com a comunidade local, equipes articuladoras e a prelazia, fazendo memória do Martírio do padre João
Local: Ribeirão Cascalheira, prelazia de São Félix do Araguaia (MT).


Faremos memória:
- Dos 46 anos do martírio do padre João Bosco Penido Burnier.
- Do bispo Pedro Casaldáliga.
- Das e dos mártires da Covid-19, encantadas e encantados pelo Reino da Vida, vítimas da pandemia.

03 fevereiro, 2022

Entrevista com Pe. Lourenço Gauci - grande articulador das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


Lourenço 'um dos grandes articuladores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da antiga Pastoral Rural.'


"Padre Lourenço Gauci relembra trabalho pastoral na Arquidiocese de Maringá. 

Ao comemorar 50 anos de ordenação presbiteral em 2022, padre Lourenço Gauci veio ao Brasil visitar cidades em que trabalhou nas décadas de 1970 e 1980. 

Nascido em Malta, país localizado no sul da Europa, padre Lourenço realizou importante atividade pastoral nas paróquias da Arquidiocese de Maringá, sendo um dos grandes articuladores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da antiga Pastoral Rural.

Nesta entrevista, o presbítero relembra fatos marcantes em sua passagem pela Arquidiocese de Maringá.

Brasil, que matas o Povo Negro e oprimis sua gente, que vergonha!

Brasil, Brasil, ainda não reparaste o crime de lesa humanidade, os três séculos de escravidão.


Brasil, que matas o povo negro e oprimis sua gente, que vergonha!


Desde o dia 24/01/2022, temos recebido notícias sobre a morte do jovem negro congolês Moise Mugenyi. O fato não pode ser visto isolado do contexto que vivem e passam milhares de jovens negros e negras mortos nos últimos tempos. Das 34 .918 mortes violentas de jovens divulgadas no final do ano de 2021, 80% são de jovens negros. O cenário é desolador para nossas famílias e comunidades negras. Queremos manifestar nossa solidariedade à família de Moise Mugenyi e às demais famílias, pela dor, sofrimentos e o luto.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que, a ninguém é lícito tirar a vida de um inocente, pois é um ato contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. “Não mates o inocente e o justo” (Ex 23,7). Entendemos que a missão da Igreja é evangelizar seguindo os passos e atitudes de Jesus, acolhendo seus ensinamentos e proclamando o Evangelho. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo dá” (Jo 14,27). Entendemos que a violência é contraria à verdade da nossa fé, à verdade da nossa humanidade. Portanto, a verdadeira paz é vida em plenitude.

Queremos externar nossa indignação com o genocídio de nossa juventude negra. Vidas negras importam. Somos 56% do total da população brasileira e por isso, conclamamos as autoridades civis e jurídicas competentes a tomar uma atitude em favor da vida, a favor das vidas negras. Pedimos que os autores destas mortes sejam punidos na forma da Lei.

Como Pastor, chamado a cuidar e consolar as pessoas, compartilho com todos, sobretudo que mais sofrem neste momento, minhas orações e bençãos.


Dom Zanoni Demetino Castro
Arcebispo de Feira de Santana (BA)

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Fonte: CNBB


01 fevereiro, 2022

Olha que provocação bonita nosso amado Papa Francisco nos faz:

A fé não é água que apaga, mas fogo que queima; não é um calmante para quem está agitado, mas uma história de amor para quem está enamorado! Por isso, Jesus detesta acima de tudo a tibieza (cf. Ap 3, 16). (Fonte: twitter do papa)

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(tibieza: estado de fraqueza, falta de ardor, de entusiasmo, frieza)

25 janeiro, 2022

Romaria dos Mártires da Caminhada "Tudo pelo Reino"

"convoca as Comunidades Eclesiais de Base, as Pastorais Sociais, os Movimentos Populares, as Organizações Sociais e Entidades que trabalham na defesa da vida, e todas as pessoas comprometidas com as Causas da Vida, para juntas e juntos, em mutirão, construir esta bonita celebração memorial: a nossa Romaria dos Mártires da Caminhada.”

“...Eu peço a vocês que não esqueçam os pobres, não esqueçam a opção pelos pobres. Os pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem terra, nos prisioneiros, e nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e liberdade. Não esqueçam o sangue dos mártires. Tem gente, dentro da própria Igreja, que diz que não vale mais a pena lembrar dos mártires. No dia que não valer mais a pena, a gente pode fechar o Novo testamento, porque Jesus foi um mártir... Não percam a Esperança, não desanimem, pois isso é pecado, é heresia. Podem nos tirar tudo, menos a Esperança!” (Pedro Casaldáliga)


Segue:

Carta convocando todas as romeiras e romeiros da Caminhada a se prepararem para este grande momento de fortalecimento das Lutas e Esperanças do Povo.

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Romaria dos Mártires da Caminhada
"Tudo pelo Reino"


O Reino de Deus é Paz e Justiça.
Romanos 14,17


Aos sonhadores e sonhadoras, Lutadores e lutadoras do Povo.

A Igreja de São Félix do Araguaia, ao celebrar os seus cinquenta anos de caminhada a serviço da vida, já está em peregrinação a caminho de Ribeirão Cascalheira onde, nos dias 16 e 17 de julho de 2022, faremos memória dos 46 anos do martírio do padre João Bosco Penido Burnier. Também nesta Romaria vamos fazer memória do bispo Pedro Casaldáliga. Na Romaria de 2011, ele nos deixou esse testemunho:

Essa é, provavelmente, minha última romaria com os pés no chão. A outra já estaria contando estrelas no seio do Pai.... Eu peço a vocês que não esqueçam os pobres, não esqueçam a opção pelos pobres. Os pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem terra, nos prisioneiros, e nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e liberdade. Não esqueçam o sangue dos mártires. Tem gente, dentro da própria Igreja, que diz que não vale mais a pena lembrar dos mártires. No dia que não valer mais a pena, a gente pode fechar o Novo testamento, porque Jesus foi um mártir... Não percam a Esperança, não desanimem, pois isso é pecado, é heresia. Podem nos tirar tudo, menos a Esperança!

Na mesma ocasião, faremos memória das e dos mártires da Covid-19, encantadas e encantados pelo Reino da Vida, vítimas da pandemia, deste governo de morte, assassino, genocida. Em tempo de luto e lutas, precisamos, cada vez mais, esperançar.

Esta grande Festa Pascal é um acontecimento de toda a Igreja de São Félix do Araguaia, de todas as Igrejas e de todas as pessoas que querem manter viva a memória daqueles e daquelas que deram e vêm dando suas vidas pelas Causas do Reino: causa da Casa Comum, da terra e dos direitos humanos.

Causa dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, guardiões de nossas matas, rios, florestas. Causas dos camponeses/as, juventudes, crianças, adolescentes, mulheres, população em situação de rua, LGBTQIA+. Nossas Causas valem mais que as nossas Vidas (Pedro Casaldáliga). Bem-aventurados/as os/as que são perseguidos/as por causa da justiça, porque deles/delas é o Reino do Céu (Cf. Mt 5,10).

O tema desta Romaria será: “TUDO PELO REINO”. Esse tema nasceu de conversas com o bispo

Pedro. No final da Romaria de 2016, numa roda de conversa, perguntamos a ele: “E o tema da próxima Romaria?” Criou-se um silêncio. Pedro nos olhou e disse: “Chegando em São Félix, vou pensar”. O silêncio continuou e em seguida ele disse: “Tudo pelo Reino!” Depois de alguns dias, fomos até São Félix do Araguaia e retomamos a conversa sobre o tema da Romaria, e Pedro disse: “Tudo pelo Reino! Tudo, tudo pelo Reino.”

Com este espírito de romeiros/as, preparando-nos para a Romaria; como peregrinos/as,

testemunhas do Reino, a Prelazia de São Félix do Araguaia convoca as Comunidades Eclesiais de Base, as Pastorais Sociais, os Movimentos Populares, as Organizações Sociais e Entidades que trabalham na defesa da vida, e todas as pessoas comprometidas com as Causas da Vida, para juntas e juntos, em mutirão, construir esta bonita celebração memorial: a nossa Romaria dos Mártires da Caminhada.

A Romaria já está acontecendo no coração e na vida das nossas comunidades, do Brasil, da Nossa América e do mundo. Com os/as nossos/as mártires, testemunhas fiéis, nós todos e todas também devemos dar esse testemunho no dia a dia, sendo coerentes com a nossa fé, assumindo as causas da vida, as causas pelas quais tantos irmãos e irmãs regaram este chão com o próprio sangue para que tivéssemos um mundo mais humano: a sociedade do bem-viver, bem-conviver, bem-cuidar e amar a nossa casa comum.

Esperamos você. Beijos no coração!
Equipe de Coordenação da Romaria