17 fevereiro, 2015

Documentário sobre memória protestante na ditadura já está na web

Clique aqui para ver o documentário na íntegra


O documentário “Muros e Pontes: Memória Protestante na Ditadura", que faz parte do Projeto Marcas da Memória, com apoio do Ministério da Justiça, que reúne a Comissão da Verdade e Koinonia Presença Ecumênica e Serviço, já está disponível na web. O filme sobre o impacto da ditadura no universo religioso protestante foi dirigido por Juliana Radler e lançado no Seminário “Protestantes, Democracia e Ditadura”, ocorrido no final do ano passado no Rio de Janeiro.

O filme traz depoimentos, recortes de jornais, fotos – que se destacam entre o conjunto de documentos de registro desse período – dos prisioneiros, que se tornaram a base do relato do momento mais trágico, impactante e que maiores sequelas deixou na história brasileira.

O documentário registra o depoimento de lideranças protestantes que forjaram um caminho novo, especialmente com apoio – formal ou velado – do maior segmento de igrejas evangélicas tradicionais, em que receberam destaque Zwinglio da Mota Dias, Bispo Paulo Ayres Mattos, Zenaide Machado, Leonildo Campos, Anivaldo Padilha, Jether Pereira Ramalho, Nilton Emerick, Roberto Chagas, Anita Wright Torres – filha do Pastor Jayme Wright – e de Carlos Gilberto Pereira.

A exceção mais viva é o depoimento de D. Paulo Evaristo Arns, à época cardeal arcebispo de São Paulo que teve contato com o Pastor Jaime Wright e o Rabino Henry Sobel no sepultamento do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, o Doi-Codi.

Desse contato surgiu o Projeto Brasil: Nunca Mais!, baseado em informações de 707 processos do Superior Tribunal Militar, fotocopiados em mais de um milhão de páginas e depois enviados à sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra, Suíça. Arns foi um arcebispo incansável na visita a quartéis, buscando torturados e denunciando aos meios de comunicação, especialmente aos correspondentes de agências internacionais de notícias em São Paulo.

O golpe militar de 1964 recebeu o registro histórico como um período chamado de “anos de chumbo”, mas à época tiveram forte apoio de setores conservadores da sociedade que o viam como a ‘salvação do Brasil’, com líderes como Eneas Tognini, que convocaram vigílias de oração pelo golpe civil-militar.


Fonte: AGEN (Antonio Carlos Ribeiro )

13 fevereiro, 2015

Guia de sobrevivência de Santa Teresa de Ávila para as mulheres católicas

"Teresa de Ávila testemunhou o sofrimento feminino numa Igreja que não valorizava os seus dons, então pôs-se a realizar mudanças. Como parte de suas reformas, escreveu um manual de oração ou, como eu gosto de pensar, um guia de sobrevivência feminista do século XVI", escreve Nicole Sotelo, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 12-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nicole Sotelo é autora do livro “Women Healing from Abuse: Meditations for Finding Peace”, publicado pela Paulist Press e coordena o sítio womenhealing.com/.

Segundo ela, "Teresa exorta suas companheiras a acreditarem em suas próprias capacidades de reza e acesso a Deus. “Se alguém lhes dizer que a oração é perigosa, considerem esta pessoa o verdadeiro perigo e fujam dele”.

"A transformação da Igreja numa instituição onde verdadeiramente se valorizam as mulheres, no entanto, não está finalizada ainda - conclui Nicole Sotelo.  Quando o papa considera as mulheres “a cereja do bolo” e quando as católicas ainda carecem de plena igualdade, é útil voltarmo-nos novamente para Teresa de Ávila, a santa do século XVI que conhecida o valor das mulheres e que escreveu um guia poderoso para a prática de oração delas. A escrita de Teresa falou ao coração das mulheres a quase cinco séculos atrás.
E ainda fala hoje"

Eis o artigo.

Quando eu era jovem garota, apaixonada loucamente por Deus, uma freira me deu dois livros sobre Santa Teresa de Ávila. Mais tarde, descobri que Teresa e eu tínhamos uma outra coisa em comum além do amor a Deus: uma preocupação para com a igualdade das mulheres. Teresa testemunhou o sofrimento feminino numa Igreja que não valorizava os seus dons, então pôs-se a realizar mudanças. Como parte de suas reformas, escreveu um manual de oração ou, como eu gosto de pensar, um guia de sobrevivência feminista do século XVI.

Na época, as autoridades eclesiásticas não achavam que as mulheres eram capazes de acessar a Deus através da oração por si mesmas. A “oração mental”, ou oração contemplativa, era considerada uma prática perigosa se feita sem a orientação. A Inquisição tinha recentemente banido uma série de livros de orações, e a oração realizada pelas mulheres era particularmente suspeita.

Depois que o confessor de Teresa a proibiu de partilhar sua autobiografia com suas companheiras freiras, ela se pôs a escrever um outro livro: “Caminho da perfeição”. Hoje, este é considerado um clássico espiritual sobre oração. Eu também o considero um clássico espiritual sobre a libertação das mulheres católicas.

Teresa de Jesus, como também é conhecida, foi uma reformada par excellence. Ela sabia que não seria suficiente reformar as estruturas externas. Há também que se reformar internamente, as crenças que carregamos dentro de nós.

Assim, enquanto reformava a Ordem das Carmelitas, a que pertencia, ela também buscou transformar o entendimento que as mulheres têm de si mesmas.

Teresa escreveu um livro de orações para as suas companheiras reformadoras, as irmãs de suas novas comunidades. Ela parecia saber que é na oração mais profunda onde descobrimos a verdade sobre nós mesmas; que nesta oração as suas companheiras poderiam descobrir que elas, também, eram queridas por Deus.

No livro, Teresa embasa seus pensamentos nas Escrituras, proclamando: “Tampouco, tu, Senhor, quando andaste pelo mundo, desprezaste as mulheres; pelo contrário, tu sempre, com grande compaixão, as ajudaste. E encontraste mais amor e fé nelas do que encontraste nos homens”.

E ela recorda as suas irmãs companheiras que as autoridades daqueles tempos, os quais pronunciavam juízos contra as mulheres, não estavam de acordo com o Grande Juiz: “Já que os juízes do mundo são filhos de Adão e todos são homens, não há virtude de mulheres que lhes não lhes seja respeitosa”.

Teresa exorta suas companheiras a acreditarem em suas próprias capacidades de reza e acesso a Deus. “Se alguém lhes dizer que a oração é perigosa, considerem esta pessoa o verdadeiro perigo e fujam dele”.

Acima de tudo, ela encorajou suas contemporâneas a perseverarem na oração, apesar as injunções contra esta prática impostas pelas autoridades eclesiásticas: “Sigam firme, filhas, pois eles não podem lhes tirar o Nosso Pai e a Ave Maria”.

Esta afirmação foi retirada de um manuscrito depois que um de seus censores escreveu na margem: “Parece aqui que ela está repreendendo os Inquisidores que proibiram os livros sobre orações”. De fato.

Certamente Teresa sofreu por suas críticas ousadas. Desde autoridades eclesiásticas que diziam que sua “experiência era do demônio” à prisão domiciliar, ela enfrentou inúmeros processos. Em seu primeiro escrito, “Livro da Vida”, admite: “Houve eventos suficientes para me levar à loucura”.

Mas Teresa sabia que as coisas iriam acabar mudando: “Sim, realmente, vai chegar o dia, meu Rei, em que todos serão conhecidos pelo que são (...) Percebo que estes são tempos em que será errado subestimar almas virtuosas e fortes, muito embora elas são de mulheres”, escreveu em “Caminho de perfeição”.

Ela diz a suas companheiras que Deus vai lhes dar a coragem de que necessitam. Sugere que se “uma ou duas (...) fizerem, sem medo, o que é melhor”, as coisas irão começar a mudar.

Acima de tudo, ela pediu-lhes para continuar com confiança: “É difícil andar neste caminho com medo. É muito importante saberem que estão no caminho certo”.

Este “caminho certo” conduziu à transformação da ordem religiosa de Teresa de Ávila há muitos anos. Este é um dos motivos por que as carmelitas ao redor do mundo vão celebrar o 500º aniversário de seu nascimento no próximo mês.

A transformação da Igreja numa instituição onde verdadeiramente se valorizam as mulheres, no entanto, não está finalizada ainda. Quando o papa considera as mulheres “a cereja do bolo” e quando as católicas ainda carecem de plena igualdade, é útil voltarmo-nos novamente para Teresa de Ávila, a santa do século XVI que conhecida o valor das mulheres e que escreveu um guia poderoso para a prática de oração delas. A escrita de Teresa falou ao coração das mulheres a quase cinco séculos atrás. E ainda fala hoje.

Fonte: IHU

12 fevereiro, 2015

10 vereadores votaram a favor da TCCC e contra a população

Do Site do vereador Humberto Henrique


O projeto de autoria do vereador Humberto Henrique (PT) que revoga o decreto abusivo do prefeito proibindo o pagamento em dinheiro, foi adiado por cinco sessões. No total, 10 vereadores rejeitaram a solução imediata do problema. Até o dia 3 de março, quando o projeto voltará para a pauta, os usuários que não possuem o cartão eletrônico continuarão sendo impedidos de usar o transporte público de Maringá.

“Quem votou pelo adiamento da votação está defendendo a empresa e prejudicando a população. A TCCC (Transporte Coletivo Cidade Canção) teve desde 2013 para se adequar e atender a legislação. Com a decisão desses 10 vereadores, a população de Maringá vai continuar impedida de usar um serviço público”, criticou Humberto.

Confira como votou cada vereador:

Favoráveis a votação
Humberto Henrique (PT),
Mário Verri (PT),
Ulisses Maia (SD),
Dr. Manoel (PC do B) e
Luiz Gari (PDT).

Contrários a votação:
Chico Caiana (PTB),
Edson Luiz (PMN),
Carlos Sabóia (PMN),
Flávio Vicente (PSDB) e
Jones Darck (PP). 
Luiz Pereira (PTC),
Da Silva (PDT),
Belino Bravin (PP),
Márcia Socreppa (PSDB) e
Luciano Brito (PSD).

Projeto de lei de iniciativa popular pela Reforma Política e Eleições Limpas

A meta  coletar 1,5 milhão de assinaturas até março de 2015.

O projeto de iniciativa popular da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas apresenta uma proposta de representação política mais identificado com a maior parte da sociedade.
Os quatro pontos principais desta proposta são:
  1. Proibição do financiamento de campanha por empresas e adoção do Financiamento Democrático de Campanha;
  2. Eleições proporcionais em dois turnos;
  3. Paridade de gênero na lista pré-ordenada;
  4. Fortalecimento dos mecanismos da democracia direta com a participação da sociedade em decisões nacionais importantes;
Se pararmos para pensar um pouco vamos perceber que a baixa qualidade do transporte público, a crescente violência urbana, a deficiência na educação, a precariedade da saúde pública, a carência de esporte e lazer para a juventude e a falta de terra para os trabalhadores que precisam são alguns dos inúmeros problemas sociais que a sociedade brasileira sofre há muito tempo.
Por que tais problemas nunca são resolvidos? Porque a solução deles depende da aprovação de muitas reformas como a reforma urbana, a reforma agrária, a reforma tributária e a reforma política. Todas elas precisam ser aprovadas no Congresso Nacional do Brasil.
Mas o Congresso impede que tais reformas sejam aprovadas. Isto porque parte dele representa os interesses de uma pequena parte da sociedade que financia as campanhas eleitorais, ou seja, de algumas poucas empresas. Assim, as necessidades da maior parte da população nunca são atendidas de verdade.
É isso que causa grande parte da corrupção política gerando inclusive a atual crise de representatividade no País. Só com uma Reforma Política Democrática será possível superar tais problemas que degradam a democracia brasileira. 

Participe, pegue o formulário na secretaria paroquial ou baixe o formulário aqui

Fonte: site da Coalizão

Por que existe fome no mundo?

Segundo um relatório da Fundação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura do ano de 2000, no estágio alcançado pela produção agrícola, a Terra pode alimentar 12 bilhões de pessoas.
Contudo, a cada dia no planeta, por volta de 100 mil pessoas morrem de fome, e 826 milhões estão em um estado grave de desnutrição.
Mas como pode acontecer que mesmo com nossa capacidade tecnológica, não atendamos nossa necessidade mais básica?
Por que, mesmo na era do consumo desenfreado e do supérfluo, a perspectiva de uma penúria alimentar mundial nunca esteve tão próxima?
E o que fazer para reconquistar nossa segurança alimentar?
Em resumo, a fome no mundo:
- não acontece em razão de uma fatalidade, localização geográfica ou fenômeno climatológico;
 - é resultado de uma escolha da economia;
 - é agravada pela concentração agrícola e privatização da vida;
 - pode ser combatida com eficácia através da soberania alimentar das populações sobre seus territórios, a fim de eliminar a fome e a desnutrição, através da agricultura natural, eficiente e respeitosa com os ecossistemas, para substituir o modelo da agricultura intensiva e química;
 - exige que os agricultores se posicionem como guardiões do equilíbrio da terra.
O liberalismo econômico e a concorrência internacional:
A fome não é resultado de uma fatalidade, da localização geográfica ou de um fenômeno climatológico. Ela é, antes de tudo, uma consequência das políticas econômicas impostas pelos países desenvolvidos e seu desejo de ampliar sua hegemonia.
Os subsídios à produção e às exportações que os países do Norte possuem, faz com que inundem os mercados dos países do Sul com produtos de baixo preço, concorrendo com os produtos locais.
Os países do Sul abandonam sua diversidade e soberania alimentar para se transformarem em exportadores mais competitivos.
O resultado faz com que nem os países do Sul nem os do Norte sejam capazes de responder suas próprias demandas alimentares.
A privatização da vida:
As commodities agrícolas são consideradas como meras mercadorias para aumentar os lucros das empresas e o PIB de uma nação. As sementes são modificadas a fim de responderem aos critérios de rentabilidade máxima, mas são feitas para se tornarem estéreis ou se degenerarem rapidamente, além de serem patenteadas, forçando os agricultores a comprá-las todos anos, quando antes eram um patrimônio passado de geração em geração. Atualmente, cinco multinacionais controlam por volta de 75% das sementes utilizadas na agricultura em todo o mundo. 96% dos tomates listados em seus catálogos oficiais são híbridos do tipo F1 (cuja semente não germina na segunda geração). 80% das variedades vegetais cultivadas há 50 anos já desapareceram.
A dependência do petróleo:
A agricultura intensiva é a mais cara que a humanidade já praticou. Completamente dependente dos fertilizantes químicos, isto é, feitos de derivados de petróleo, que necessitam de três toneladas de petróleo para produzir uma tonelada de fertilizante. A dependência do petróleo é reforçada pelo transporte incessante de mercadorias. O que será do futuro de nossa alimentação diante da previsível escassez do petróleo...?
A insalubridade alimentar:
Se é necessário comer para viver, é indispensável comer bem para manter uma boa saúde. Gripe aviária, vaca louca, frangos com hormônios, suínos com antibióticos, salmonela em produtos lácteos, etc... Com a agricultura intensiva, os alimentos, que sempre foram uma fonte de vida, tornaram-se uma fonte de morte. A absorção destes produtos nos alimentos (mesmo em dose baixa, mas repetidamente), pode causar vários distúrbios e doenças, como a baixa do sistema imunológico, fadiga crônica, perda de memória, gripe
s persistentes, perturbações no sistema endócrino, diminuição da fertilidade, câncer, etc.).
As multinacionais estranguladoras:
O mercado agrícola mundial está concentrado nas mãos de multinacionais privadas, mergulhando na dependência e na insegurança alimentar quase a totalidade dos povos do planeta.
O modelo alimentar encorajado pelos governos mais poderosos e agências internacionais é o modelo de agricultura intensiva, com produção em larga escala, considerada como a única viável e adaptada ao mundo moderno.
Os agricultores e as diferentes culturas alimentares são erradicadas, e com eles, mais de 10 mil anos de culturas e conhecimentos tradicionais.
Solos aráveis mal tratados e desertificados:
O desenvolvimento de biocombustíveis como nova política energética para o mundo pode ter riscos e severas consequências sobre o meio ambiente, e aumentar o flagelo da fome.
Estas culturas intensivas são implantadas promovendo o desmatamento de áreas de floresta, a exploração dos pequenos agricultores, com uso de organismos geneticamente modificados (OGM) e muitos pesticidas, colocando em risco a preservação das últimas áreas férteis do planeta. Parece absurdo que em um mundo em que milhares de pessoas não tem o que comer, que queiramos tirar o “alimento” para os nossos carros da terra.
Impulsionado pelo crescimento na demanda por biocombustíveis, os preços do milho estão em alta, tornando-o de difícil acesso para muitos. A produção de um litro de biocombustível requer entre mil e 3 mil litros de água, adicionando mais uma ameaça ao recurso da água, que já é raro.
E o que fazer? Reabilitar a soberania alimentar dos povos:
A soberania alimentar dos povos sobre seus territórios é o caminho a ser seguido para eliminar a fome e a desnutrição. A prioridade da agricultura deve ser a satisfação dos mercados locais e nacionais. Uma agricultura natural, eficiente e que respeite os diferentes ecossistemas deve substituir urgentemente a agricultura química e intensiva. O lugar dos agricultores na sociedade, como guardiões do equilíbrio da terra, deve ser valorizado. Deve-se preferir as múltiplas estruturas de pequeno porte que fornecem às pessoas uma alimentação diversificada e de qualidade. Cultivar a própria horta ou comprar alimentos locais, orgânicos e de época são as alternativas para o futuro.

Texto: Mouvement Colibris
Traduzido do francês por Leonardo Brockmann.
O Mouvement Colibris não permite a utilização do texto para fins comerciais.
Fonte: REJU 

Stédile: direita quer Alckmin 2018 e prefere sangrar Dilma a impeachment

Líder do MST afirma que o poder econômico, ao exercer sua hegemonia na política e na economia do país, está degenerando a república e a democracia.
A reportagem é de Paulo Donizetti de Souza e publicada pela agência de notícias Rede Brasil Atual - RBA, 10-02-2015.
Os meios de comunicação formam um time organizado e vão empregar todas as suas armas para manter o governo da presidenta Dilma Rousseff no córner nos próximos anos. A observação é do economista João Pedro Stédile, uma das principais lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Eu não acredito em impeachment”, diz.
De acordo com o ativista, a direita brasileira pode até usar essa ferramenta como uma das armas para promover o desgaste do governo e do PT, mas prefere investir numa operação de “sangramento” de Dilma e do partido para eleger Geraldo Alckmin (PSDB) legitimamente em 2018. “Se conseguir elegê-lo com ampla maioria (como fizeram na eleição de São Paulo agora), e retomar o poder pelo voto, quem vai conseguir fazer oposição a ele depois? Nem ‘são Lula’”, argumentou Stédile, durante visita ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região nesta segunda-feira (9).
O governador de São Paulo parece saber disso. E não quer correr riscos. Nos últimos dias, segundo informações ventiladas a partir das redações dos principais veículos da imprensa corporativa, o tucano já teria iniciado corpo a corpo junto às direções dos jornais para se queixar do fato de seu governo ter sido alvo de noticiário negativo, diante do agravamento da crise hídrica no estado mais rico da federação. Não será de estranhar se a cobertura de Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, voltar a adotar uma dosimetria mais parcimoniosa com o tucano, como no período pré-eleitoral do ano passado, quando a blindagem da imprensa sobre escândalos do governo paulista – dos contratos com empreiteiras à omissão na crise da água – contribuiu de maneira decisiva para a reeleição tranquila do governador.
Stédile considera que a fragilidade em que se encontra o governo federal facilita a ação orquestrada dos veículos e forças econômicas reunidas em torno do Instituto Millenium. Para ele, o Brasil vive problemas estruturais graves na economia, na política e na área social.
No campo econômico, tanto o setor produtivo como o financeiro se favorecem da elevada remuneração dos investidores em título públicos. Com a tese de que o governo não pode gastar para assegurar o superávit primário, associada a elevação dos juros, os capitalistas brasileiros não precisam fazer os investimentos de que o país precisa para continuar crescendo e criar novos empregos. “As aplicações financeiras lhes garantem a rentabilidade.”
No campo da política, a democracia, “degenerada” pela crise de representatividade, é uma “hipocrisia”. “Não temos uma república, em que os interesses e decisões da maioria da população estejam representados. O poder econômico domina as eleições, a burguesia controla o Legislativo, e também o Judiciário”, avalia. “E no campo social, por mais que tenhamos avançado nos últimos anos, ainda padecemos de graves problemas estruturais. Ótimo que em dez anos aumentou de 5% para 15% a presença da população jovem com acesso ao ensino superior. Mas e os outros 85%? Nossa universalização do ensino superior já bateu no teto, enquanto a Bolívia cria vagas para 67% dos jovens. A Coreia do Sul, para mais de 90%. Que país em guerra perde 40 mil jovens assassinados por ano, como nós?”, questiona.
Diante do que chama de “encruzilhada”, Stédile vê o governo Dilma diante de três alternativas a tomar: (1) emparedado no Congresso e na mídia, ceder demais nos ajustes liberais; (2) insistir no “neodesenvolvimentismo”, que marcou sobretudo o segundo mandato de Lula, e colocar o Estado para financiar o setor privado, para que este volte a investir – “tem de investir em política industrial, tirar o dinheiro do Estado que hoje vai para os bancos e emprestar para a indústria, mas botar o dinheiro dos bancos públicos nas indústria certa, e não concentrar no setor automotivo; ou (3) ir para a esquerda e jogar todo peso e capital político em reformas estruturais, compor forças com os movimentos sociais, com os partidos progressistas e se lançar aos debates com a sociedade para colocar na ordem do dia as reformas política e tributária e a democratização da mídia.
Até agora, porém, o governo parece estar tomando a opção um, segundo o ativista, para quem esse caminho seria um desastre capaz até de comprometer o projeto Lula 2018. “Esse modus operandi do governo tem a ver com um núcleo duro muito burocrático, formado por gente que não tem nada ver com o povo”, critica, referindo-se à equipe de conselheiros mais próximos da presidenta, citando nominalmente o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil).
Stédile vê o poder de reação dos movimentos sociais a esse ambiente como incipiente e que, apesar de não haver ainda um nível de unidade que leve a uma reação organizada imediata dos trabalhadores, já há sinais de que essa unidade pode se fortalecer. “As centrais sindicais se posicionam contra os ajustes e há uma movimentação social se afunilando em defesa de uma reforma política séria, que mexa com o financiamento de campanhas, que entende que só uma Constituinte exclusiva pode mexer pra valer com as regras do jogo. O Lula se posicionando em defesa da Constituinte exclusiva é um grande reforço”, diz.

Fonte: IHU

06 fevereiro, 2015

Carta da Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)

Representantes dos 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participaram, entre os dias 21 e 25 de janeiro, da Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em Londrina (PR). 

Abaixo segue a carta final assinada pelos participantes:


Londrina, 25 de janeiro de 2015
“Comunidade é força se lutarmos todos juntos,
Contra esse tal sistema que aflige todo mundo”
(cantoTrem das CEBs)

Nestas terras vermelhas do Paraná, na cidade de Londrina, fomos acolhidos e acolhidas com muito calor e amizade para o encontro da Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Contamos com a presença de representantes dos 18 regionais da CNBB, assessores e assessoras e dos bispos Dom Giovane Pereira de Melo, Bispo de Tocantinópolis e Referencial das CEBs, Dom Manoel João Francisco, Bispo de Cornélio Procópio e representante do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) e Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina.
Embalados pela mística libertadora, fomos convidados a fortalecer a unidade na diversidade de dons e serviços. Buscamos nos situar e fincar o pé na realidade local. Diante da complexidade do mundo urbano as Comunidades Eclesiais de Base, tem a missão de aprofundar a reflexão sobre as contradições da modernidade e apresentar caminhos de superação. Assim, o Deus da Vida nos convida a sermos fermento na massa, sinal de esperança e alimentar a espiritualidade de que um “outro mundo é possível”.
No segundo dia contamos coma presença de Dom Orlando Brandes, que presidiu a Celebração Eucarística. A partir das grandes regiões, debatemos sobre o papel da Ampliada Nacional que consiste em, fundamentalmente, dinamizar a caminhada das CEBs no Brasil. Com relação aos Intereclesiais, eles são momentos privilegiados de celebração e de troca de experiências. Para o 14º Intereclesial, definimos como tema “CEBs e os desafios no mundo urbano”, tendo como lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7). Para ampliar o debate contaremos com um texto-base, a ser elaborado. Foi-nos oportunizado conhecer os possíveis locais para a realização do 14º Intereclesial.
Destacamos o lançamento do livro “CEBs: Raízes e frutos ontem e hoje”, escrito por muitas mãos e organizado por Benedito Ferraro e Nelito Dornelas. O livro é resultado de reflexões pós 13º Intereclesial e é fundamental que todos os animadores e animadoras se apropriem dessas reflexões.
Aprofundamos os eixos temáticos que conduzirão o próximo Intereclesial. Colhemos sugestões para a elaboração do cartaz do 14º, onde os artistas populares serão convidados a colaborar nesta tarefa.
No intuito de manter a memória das CEBs, retomamos o Projeto “Memória e Caminhada” que é uma parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB), para arquivar e possibilitar pesquisa sobre a caminhada das CEBs no Brasil.
O encontro possibilitou o esclarecimento de dúvidas referente ao Abaixo Assinado pela Reforma Política. Reafirmamos nosso compromisso e empenho na coleta de assinaturas.
Empenhamo-nos nas questões práticas e encaminhamentos para a próxima ampliada.
Encerramos, com a celebração da Eucaristia e fomos enviados em missão para os nossos Regionais. Animados pela fé em Deus libertador, e contando com a presença protetora de Nossa Senhora do Rocio, Padroeira do Paraná, acreditamos na vitória das flores e no bom perfume da primavera que espalhamos neste País!
Participantes da reunião da Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base

Romero: um mártir da fé ou da justiça?

Martirizado "em ódio à fé", ou porque "proclamava a justiça"? O dilema – referente a Dom Oscar Romero – não se extingue, mas, ao contrário, reinicia depois do anúncio, dado nessa terça-feira pela Santa Sé e reiterado nessa quarta no Vaticano, de que, ainda este ano, será beatificado o arcebispo de San Salvador, assassinado no dia 24 de março de 1980. Para entender a questão – eclesiológica e política ao mesmo tempo – é preciso brevemente enquadrar a história.
A reportagem é deLuigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 05-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Em 1977, Romero foi nomeado por Paulo VI arcebispo da capital do pequeno Estado centro-americano. Ele era um "moderado" que, antes, como bispo de uma pequena diocese, nunca tinha denunciado os abusos da junta militar que regia o país e da oligarquia que, de fato, a controlava.
Mas, um mês depois da sua entrada na capital, os esquadrões da morte (grupos paramilitares protegidos pelo regime) mataram o padre Rutilio Grande, um jesuíta amigo seu, defensor dos direitos dos "campesinos", os agricultores oprimidos.
Velando o corpo do sacerdote, Romero entendeu que devia se tornar "a voz dos sem voz" e, a partir daquele dia, com um crescendo irrefreável, denunciou as violências dos militares, as injustiças dos latifundiários, a onda tremenda dos desaparecidos (pessoas sequestradas e assassinadas), a morte de centenas de catequistas. Mas, também, a revolta armada ao regime, reunida na Frente Farabundo Martí.
A maioria dos bispos salvadorenhos eram críticos contra Romero, acusado de "fazer política", e alguns deles apoiaram a tese do governo, ou seja, que o arcebispo era um "comunista".
Recebido em audiência por João Paulo II, o prelado teve – ele mesmo diria isso, depois – um sentimento de "profunda solidão" e de grande frieza. Com efeito, para o papa polonês, era difícil entender que, na América Latina, não eram "comunistas", mas "cristãos" (tais eram os membros da junta salvadorenho e os chefes do Exército) que matavam padres.
Finalmente, no dia 23 de marco de 1980, falando na catedral, o arcebispo lançou um apelo aos homens do Exército: "A lei de Deus diz: não matar. Em nome de Deus e em nome deste povo sofrido, cujos lamentos sobem até o céu cada dia mais tumultuosos, eu lhe suplico, eu lhe rogo, eu lhes ordeno, em nome de Deus: cesse a repressão!".
No dia seguinte, um assassino contratado pelo regime atirou em Romero, justamente enquanto o prelado, durante a celebração da missa, elevava o cálice, oferecendo, inconsciente, o peito ao carnífice.
Foi muito dura, sob o Papa Wojtyla, a oposição de muitos bispos latino-americanos e de grande parte da Cúria Romana à hipótese de elevar Romero às honras dos altares. Com Francisco, o processo da beatificação se desbloqueou.
Mas, segundo o Vaticano, o arcebispo, agora definido como "mártir", foi morto "em ódio à fé", e não "por ter defendido a justiça". Uma coisa é certa: se ele não tivesse denunciado a injustiça social e a opressão dos empobrecidos, ainda estaria vivo. É verdade, ele amava a Deus. Mas foi assassinado porque amava o homem sofredor.
Fonte: IHU

''Um mundo com fome zero é possível.''. Entrevista com Graziano da Silva

"Objetivo Fome Zero." Na conclusão da campanha para os Objetivos do Milênio, aFAO vai usar a Expo Milão, dedicada ao tema da nutrição, como vitrine para fazer um balanço dos resultados obtidos e relançar a agenda do pós-2015, como explica o diretor Graziano da Silva: "Graças ao trabalho feito no primeiro Objetivo do Milênio, ou seja, de reduzir pela metade o percentual de pessoas com fome em comparação com 1990-1992, a incidência da fome sobre a população global diminuiu em cerca de 40%, passando de 18,7% para 11,3%. No mesmo período, mais de 200 milhões de pessoas saíram da fome. O nosso compromisso, agora, é eliminá-la totalmente."
A reportagem é de Elisabetta Soglio, publicada no jornal Corriere della Sera, 05-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Silva será um dos palestrantes do dia de trabalho que se realizará em Milão, no sábado, em preparação para o documento que será a herança da Expo.
Eis a entrevista.
Qual será a sua contribuição para a Carta de Milão?
FAO participará com as suas competências técnica e com o seu peso político dessa importante iniciativa do governo italiano. É muito importante que os temas cruciais das Nações Unidas e de cada país individual, como o direito à alimentação, o desperdício alimentar, os sistemas agrícolas sustentáveis e a justa atenção ao empoderamento feminino, se reflitam nas prioridades identificadas na Carta de Milão.
Por que é importante uma exposição dedicada a esse tema?
Expo abre as suas portas para um cenário global alarmante. As mudanças climáticas estão pondo à prova os nossos sistemas alimentares, e as estatísticas dizem que, para saciar os futuros nove bilhões de habitantes da Terra, a produção agrícola deverá aumentar em 60% até 2050. Mas, acima de tudo, este é um mundo em que, hoje, 805 milhões de pessoas passam fome, e 165 milhões são crianças. Mais de dois bilhões de pessoas sofrem de carência de micronutrientes, ou "fome oculta", ou seja, não ingerem vitaminas ou minerais em medida suficiente para levar uma vida saudável e ativa. Ao mesmo tempo, cresce rapidamente o problema da obesidade, com cerca de meio bilhão de pessoas obesas e um bilhão e meio de pessoas com sobrepeso. Muitos países em desenvolvimento, especialmente os com renda média, hoje, estão tendo que combater simultaneamente tanto a fome quanto a obesidade.
O que trouxeram os Objetivos do Milênio?
Até hoje, 63 países em desenvolvimento alcançaram e, em alguns casos, até superaram o objetivo de reduzir a fome pela metade. Eu, pessoalmente, tive o prazer de "premiar", por exemplo, o BrasilCamarõesGanaPeruTailândia,Vietnã, por terem alcançado esses resultados. Os governos da África e da América Latina assumiram um objetivo ainda mais ambicioso: a completa eliminação da fome até 2025, um esforço que a FAO vai apoiar plenamente. Graças ao trabalho feito no primeiro Objetivo do Milênio, ou seja, reduzir pela metade o percentual de pessoas com fome em comparação com 1990-1992, a incidência da fome sobre a população global diminuiu em cerca de 40%, passando de 18,7% para 11,3%. No mesmo período, mais de 200 milhões de pessoas saíram da fome.
A ONU, pela primeira vez, decidiu não ter um pavilhão próprio, mas de se concentrar em uma exposição "difusa": por quê?
Exato, a presença da ONU não estará ligada a um único estande. Será uma presença transversal que, partindo doPavilhão Zero, acompanhará os visitantes ao longo de um itinerário temático através de todas as áreas do evento. Para marcar o percurso, haverá 18 instalações multimídia identificadas por uma grande colher azul, onde os visitantes poderão descobrir o trabalho das diversas agências da ONU, a complexidade e a vastidão do seu campo de ação, graças a imagens, vídeos, mapas e infográficos.
Qual é o objetivo da sua presença na Expo?
Certamente, o de levar a voz de 805 milhões de pessoas que ainda hoje passam fome. O nosso slogan será:"Desafio Fome Zero: unidos por um mundo sustentável". É o desafio lançado em Nova Iorque pelo secretário-geral, que nos vê unidos por um mundo livre da fome, um problema que realmente pode ser resolvido no arco da nossa geração. Mas, se quisermos vencer a batalha contra a fome, devemos investir mais na agricultura sustentável e reconhecer o papel fundamental dos agricultores.
O que o indivíduo pode fazer?
Muitíssimo. Pensemos, por exemplo, no fato de que hoje um terço dos alimentos vendidos nas nossas cidades é jogado fora, e com isso toda a água, a energia e os elementos utilizados para produzi-lo. Um desperdício insignificante que tem consequências devastadoras sobre os recursos naturais. Desperdiçar alimentos, solo, energia, recursos é um luxo que não podemos mais nos permitir.
Vocês já decidiram se vão celebrar o Dia Mundial da Alimentação na Expo?
Este ano, o Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, será particularmente importante para nós. A FAO vai celebrar os seus 70 anos de vida e de experiência, e vai fazer isso com uma série de eventos importantes que culminarão emMilão. E esperamos contar com a presença do secretário-geral, Ban Ki-moon.
Fonte: IHU

05 fevereiro, 2015

O nosso querido Francisco será o primeiro papa a discursar no Congresso Americano

O papa Francisco vai discursar no Congresso dos Estados Unidos no dia 24 de setembro, anunciou hoje (5) o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner.
“Nesse dia, Sua Santidade será o primeiro papa na história a se dirigir a uma sessão conjunta do Congresso”, afirmou Boehner. “Estamos agradecidos que o santo padre tenha aceitado nosso convite, e ansiosos para receber a sua mensagem em nome do povo americano”, acrescentou.
Nancy Pelosi, líder da Minoria na Câmara dos Representantes, afirmou que os legisladores americanos estão “honrados e muitos felizes pelo fato de o papa Francisco, o primeiro pontífice nascido nas Américas, ter aceitado o convite”.
O pontífice, nascido na Argentina, “renovou a fé dos católicos em todo o mundo e inspirou uma nova geração de pessoas, independentemente da sua filiação religiosa, a serem instrumentos de paz", acrescentou a democrata.
O papa Francisco confirmou a visita aos Estados Unidos em setembro deste ano para participar de um encontro mundial de famílias. Francisco será o quarto papa a visitar os Estados Unidos.
Fonte: Agência Brasil

04 fevereiro, 2015

Por 8 votos, Câmara derruba PPP do Lixo. Igreja e outras entidades exigiram transparência no processo

Do site da Arquidiocese de Maringá

A Câmara de Maringá aprovou na noite de terça-feira (03) o projeto de lei que revoga a realização da Parceria Público-Privada (PPP) da coleta, tratamento e destinação final do lixo.

A revogação contou com os votos dos vereadores Da Silva (PDT), Tenente Edson (PMN), Luiz Pereira (PTC), Ulisses Maia (SDD), Doutor Manoel (PC do B), Mário Verri (PT), Humberto Henrique (PT) e Luizinho Gari (PDT).

Votaram contra o pedido de entidades e do Ministério Público os vereadores Flávio Vicente (PSDB), Doutor Saboia (PMN), Jones Darc (PP), Luciano Brito (PSB), Belino Bravin (PP) e Márcia Socreppa (PSDB).

A Arquidiocese de Maringá e outras entidades da sociedade civil haviam se manifestado contra o projeto por causa da falta de transparência nos trâmites. As entidades e o Ministério Público também questionaram o prazo previsto para a PPP, que seria de 30 anos, além da previsão contratual que girava em torno de R$ 1,16 bilhão.

Para o padre Onildo Luiz Gorla Júnior, pároco da paróquia São Miguel Arcanjo, a derrubada da PPP do lixo foi uma vitória da sociedade. “Quando os direitos da população são respeitados, vence a democracia”.

O Arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, agradeceu a postura dos vereadores favoráveis à revogação e destacou a importância de a Igreja estar presente nestes debates. “No ano passado, quando alguns vereadores se posicionaram favoráveis à PPP do lixo, nós, publicamente fizemos a cobrança para que eles ouvissem o clamor das entidades. Agora, de forma justa, queremos agradecer todos que votaram pela revogação. A participação da Igreja nestes acontecimentos trata-se justamente da temática da Campanha da Fraternidade deste ano, quando vamos trabalhar o tema ‘Fraternidade: Igreja e Sociedade’, para um maior diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade”, disse o arcebispo.

O projeto de revogação da PPP do lixo será votado em segunda discussão nessa quinta-feira (05).