10 março, 2015

Entrevista com o arcebispo Palmer-Buckle

Dom Palmer-Buckle, foi escolhido pelos bispos de Gana para ser um dos participantes do Sínodo dos bispos, programado para os dias 4 a 25 de outubro no Vaticano. O Papa Francisco confirmou sua eleição no fim de janeiro.

Dom Palmer-Buckle também atua como bispo responsável pela família na Conferência dos Bispos de Gana e coo tesoureiro deo Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM), organização de todos os bispos católicos do continente africano.

A entrevista com o arcebispo Palmer-Buckle aconteceu no dia 5 de fevereiro, após uma reunião do Comitê Permanente do SECAM em Roma.

A reportagem é de Diane Montagna, publicada no sítio Aleteia, 25/02/2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.


Eis a entrevista.

Sua Excelência, o que é importante para a África no Sínodo?
O que é importante para a África é que a Igreja seja clara sobre a doutrina antiga e moderna da Igreja sobre o casamento, ou seja, que o casamento é uma união entre um homem e uma mulher.
O que estamos realmente esperando ouvir é a posição clara da Igreja em relação ao que é e continua sendo a doutrina sobre o sagrado matrimônio: a união entre homem e mulher, um homem e uma mulher, para se ajudarem mutuamente e para a procriação. Isso é o que estamos esperando ouvir, porque há muitas vozes conflitantes, não necessariamente da Igreja - mas, infelizmente, do mundo ocidental - que estão tentando abafar a voz de Deus, a voz da Igreja. Essa é a primeira coisa.
Na África, muitas pessoas, previamente, estavam envolvidas em casamentos polígamos. Mas, para o nosso povo, o casamento sempre foi entre macho e fêmea, entre homem e mulher. Inclusive entre um homem e várias mulheres, ou, em casos raros, mesmo entre uma mulher e vários homens. Mas, já que o Cristianismo não aceita isso, a maioria de nosso povo tem tentado muito duramente viver de acordo com os preceitos de Jesus Cristo.
Em Mateus 19, 1-6, Jesus diz que "o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão os dois uma só carne ... Então, o que Deus uniu o homem não separe". Isso é o que nós estamos esperando ouvir, claramente enunciado pela Igreja.
O senhor tem alguma dúvida de que o ensinamento da Igreja sobre o casamento não seja enunciado claramente no Sínodo em outubro?
Eu não tenho absolutamente nenhuma dúvida em relação a isso. A minha preocupação é que muitos gostam de tornar a "voz dos meios de comunicação" em "voz da Igreja". É a Igreja que deve se pronunciar sobre isso.
O primeiro Sínodo Extraordinário foi concebido para trazer à tona as questões relacionadas com o casamento na era atual - para as pessoas de dentro da Igreja e para aquelas de fora da Igreja - e perguntar quais deveriam ser as nossas preocupações pastorais sobre o casamento: sobre as pessoas casadas, sobre as pessoas que se casaram e deixaram a relação, sobre aqueles que voltaram a se casar, e até mesmo pensar sobre as novas formas de uniões que estão sendo impostas sobre a humanidade com o nome de casamento.
O Sínodo Extraordinário, na verdade, era só para dizer: este é o status quaestionis [estado da investigação]. O que a Igreja faz com isso? O que vamos fazer com isso? Como vivemos neste tipo de mundo sem ser desse tipo de mundo? Como podemos viver neste mundo e levar o ensino e a salvação de Cristo ao povo? Isso é o que tratava o primeiro Sínodo Extraordinário.
O próprio Santo Padre elaborou uma síntese muito bonita. O resumo dela é: ninguém deve impedir ninguém de dizer o que pensa sobre o estado atual do casamento, família etc. Ninguém deve sufocar ninguém. Devemos ouvir uns aos outros e devemos refletir sobre isso e tentar ver o que o Espírito Santo vai nos dizer sobre como acompanhar as pessoas que se encontram em qualquer forma de casamento em direção a Cristo. Essa é a preocupação principal [do Papa Francisco]: como vamos levar essas pessoas, sejam elas quem forem, em qualquer contexto em que se encontrem, a Cristo. Eu acho que foi uma mensagem bonita.

O que o senhor quer dizer com "qualquer forma de casamento"?
Tome como exemplo a África. Há pessoas em relações poligâmicas, que estavam envolvidas nelas antes de se tornarem cristãs. Sua família teve que fazer uma escolha: mandar embora uma mulher ou duas mulheres com todos os seus filhos, sem ferir as crianças, sem ferir as esposas. Por isso, é um problema.
Como faço para batizar filhos de casamentos polígamos? O que eu vou ensiná-los? Se eu lhes disser: "Seu pai deve deixar a sua mãe", isso não vai machucar a criança emocionalmente, espiritualmente, até mesmo pelo resto de sua vida, a ponto de que ela possa até decidir que a Igreja é má porque dilacerou a sua família?
Eu posso dizer com certeza que existem casamentos polígamos, em que você vai se surpreender com a harmonia entre o marido e as suas diferentes esposas, entre as diferentes mulheres e entre os seus filhos. É incrível. Há muitos, muitos outros casos em que há muita dor em curso entre as diferentes mulheres, entre as diversas crianças, e isso deve ser trazido à tona. Como podemos ajudar todos os envolvidos a olharem para Cristo e para o que Cristo os convida a fazer?
A carta aos Hebreus diz para termos "o olhar fixo em Cristo" e nos empenharmos em direção a ele. Então, como posso ajudá-los a manter Cristo em vista? E como faço para acompanhá-los em qualquer circunstância em que se encontram?
Na África - este é o contexto com que estou lidando - eu não vou fechar meus olhos para o fato de que há casos de homossexuais, de pessoas com tendências homossexuais, de pessoas com tendências lésbicas. A África sempre desaprovou isso, uma vez que sempre olhou para o casamento como algo que contribui para o bem-estar da sociedade, não necessariamente só para o bem-estar dos indivíduos.
Então, de certa forma, podemos dizer que qualquer um que tem uma certa tendência não foi visto com ternura. De fato, tem havido casos em que os seus direitos humanos foram violados. A Igreja está nos pedindo para entender isso. Se a pessoa tem tendências homossexuais ou tendências heterossexuais, a pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus, e essa imagem e semelhança de Deus é o que devemos proteger. Isso é o que devemos defender. E é por isso que temos que ajudar essa pessoa a ouvir o que Deus diz sobre o seu estado. E eu acho que essa é a beleza do que a Igreja nos ensina.
Portanto, esse período entre o Sínodo Extraordinário e o Sínodo Ordinário está nos proporcionando um tempo, enquanto analisamos os Lineamenta, para ouvir, para orar e discernir. Quando nos encontrarmos em outubro, eu acredito que nós estaremos indo para afirmar o que a Igreja sempre ensinou. Nós não estamos indo para diluir o ensinamento. Mas isso vai ser declarado de uma forma que não exclua, de modo algum, quem quer que seja da jornada e do caminho para Cristo, que é o cumprimento da nossa perfeição. 

No Ocidente, o lobby gay é muito forte e tem muito poder na mídia. Muitas pessoas, portanto, estão preocupadas que, se a linguagem for muito "solta", o Sínodo será uma ocasião em que alguns poderão usar essa linguagem vaga para levar adiante ideias que são contrárias ao Evangelho. Por exemplo, a palavra "accogliere" [acolher] foi uma palavra muito usada durante o Sínodo Extraordinário em outubro passado. A palavra, em alguns casos, foi sequestrada para fazer parecer como se a Igreja estivesse a caminho de aprovar as relações homossexuais. O que os bispos precisam dizer em outubro próximo, a fim de comunicar tanto para a África quanto para o Ocidente a posição exata da Igreja?
Você sabe, se há algo que eu acho bonito sobre o Papa Francisco é como ele nos faz voltar à pergunta: como é que Cristo agiria nesta circunstância?
E eu creio que um dos aspectos mais profundos foi quando ele estava voltando do Rio de Janeiro e foi entrevistado por jornalistas que estavam interessados ​​em saber o que o papa pensava sobre gays e lésbicas e ele disse: "Se um gay está à procura de Cristo, quem sou eu para julgar a pessoa?".
Acho que o papa tomou a postura de Jesus Cristo. Por exemplo, diante da mulher que foi pega em adultério, aqueles que estavam ali queriam apedrejá-la até a morte. E o que Jesus disse? "Quem de vós estiver sem pecado atire a primeira pedra". A Bíblia nos diz: "Eles foram embora, um por um". Agora, se você se lembra da pergunta que Jesus fez para a mulher: "Mulher, alguém te condenou?". Ela responde: "Ninguém". Ele diz: "Então, eu também não te condeno. Vai e não peques mais".
A beleza disso é que Jesus primeiro pensou que ele deveria salvar essa mulher, a sua dignidade dada por Deus e o dom da vida que Deus lhe dera. Depois de lhe ter salvo e feito compreender que Deus a ama, então ele diz a ela: agora vá e repare tudo o que há entre você e Deus. Acho que isso é bonito.
Eu gostaria de dizer que isso não acontece somente no caso da mulher pega em adultério, mas também na forma como ele se relaciona com os leprosos. Quando o leproso vem e diz: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me", Jesus diz: "Sim, eu quero". Ele toca o leproso e diz: "Fique purificado". Por que Jesus tocou o leproso? Era contra a lei judaica tocar um leproso. Ele fez o leproso entender que: "O fato de que você tem essa doença não significa que você não é um filho de Deus. É também por sua causa que eu vim".
Eu gostaria de usar outro exemplo, não só os negativos. Tomemos a mulher que foi ao encontro de Jesus e estava chorando aos seus pés. Agora, o que é muito engraçado é que diz que todo mundo sabia que ela era uma pecadora. Quanto ao tipo de pecado, não nos é dito, mas eles a conheciam como uma pecadora.
As pessoas que convidaram Jesus já estavam condenando a mulher em suas mentes, e ele diz: "Simão, você vê esta mulher? Eu vim para a sua casa, e você nem sequer lavou minha cabeça, e ela não parou de lavar os meus pés com suas lágrimas, e, portanto, os seus muitos pecados, eu não sei quantos são, nem quais são, mas eles estão perdoados, porque ela muito amou".
Então, veja, Jesus tem uma bela maneira de confirmar em cada pessoa: "Você é um filho de Deus, você é único, e eu amo você por quem você é, independentemente do que os outros pensam de você ou do que você se tornou. No entanto, tenha Deus em vista, continue andando".
Então, eu não culpo a mídia. O mais provável é que temos feito as pessoas sofrerem por tanto tempo apenas porque elas não são "como nós". Nós já as fizemos sofrer, as discriminamos, as ostracizamos. Então, se hoje o lobby gay é muito grande, é porque quase desumanizamos essas pessoas.
O senhor gostaria de explicar isso melhor?
O que o papa está levantando é que não temos o direito de desumanizar ninguém, seja pela cor, pelo credo ou pela orientação sexual. Nós devemos abraçar essas pessoas e, em seguida, apontar, caminhar com elas para o que o papa acredita ser essa certa voz interior que ninguém pode sufocar, que nem mesmo a mídia pode sufocar.
Aqueles que estão no lobby gay, por uma razão ou outra, têm sido obrigados por nós, os chamados "bons", até mesmo a sufocar uma certa voz interior que definitivamente eu acho que os está advertindo de que algo não está 100% certo. Temos contribuído para isso. Nós também estamos calando em nós mesmos a voz que diz: "Todos são filhos de Deus, e devemos acolher a todos". Não temos o direito de apedrejar ninguém, e não temos o direito de desprezar ninguém. Devemos acolhê-los.
Alguns leitores estão se perguntando: O que se entende por "acolher", se é o caso de um casal que se divorciou e casou novamente civilmente ou algum outro caso? O cardeal Kasper propôs que, em alguns casos, aqueles que estão divorciados e recasados ​​civilmente - mas sem uma nulidade - deveriam ser autorizados a receber a Sagrada Comunhão, depois de seguir um caminho de penitência. Essa é uma maneira de acolher as pessoas. Outra maneira de acolher é dizer: "Sim, venha à Igreja, faça parte da comunidade, mas há limites em termos de recepção da Sagrada Comunhão". O que significa "acolher", na sua opinião?
Deixe-me usar um parâmetro muito diferente. Deixe-me usar a Europa. Deixe-me usar os Estados Unidos.
O que está acontecendo agora, por exemplo, nos Estados Unidos, é que o presidente Obama está dizendo que há muitas pessoas vivendo ilegalmente nos EUA. Não podemos mandá-las de volta para casa. Por isso, vamos achar um jeito de legalizar seu estado para que elas possam contribuir dignamente para o bem do país. Há muitos norte-americanos que são contra isso. Não é verdade?
Sim, muitos norte-americanos pensam que não é por isso que Obama quer que as pessoas sejam legalizadas nos Estados Unidos. Eles enxergam como uma tentativa de mudar o caráter do eleitorado.
Veja, tentar pensar por ele [Obama] é sempre o problema. Tudo o que ele disse é: "Se você está nessa posição, como você gostaria que nós o tratássemos?".
Quando se trata dos refugiados em Lampedusa, olhe para a atitude aqui na Europa. O que eu acho é que o papa está tentando nos fazer analisar, especialmente no que diz respeito às pessoas divorciadas e novamente casadas. Ele não disse "sim" ou "não". Ele disse "pensem".
A Sagrada Comunhão é remédio para os doentes. Não é uma recompensa para os perfeitos.
Mas, de acordo com a doutrina da Igreja Católica, seja qual for o seu pecado, é preciso estar em um estado de graça, a fim de receber a Santa Eucaristia (CCC 1415).
Eu tenho que admitir que, ao longo dos séculos, nós fizemos uma linha muito dura nesse contexto. Eu conheci um pastor protestante uma vez. Tivemos uma grande discussão. Ele disse que, em Mateus 16, Jesus deu o poder das chaves para Pedro, dizendo: "Tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus".
De acordo com esse meu amigo pastor protestante, por causa disso, em algumas das Igrejas protestantes, eles acreditam que Cristo deu-lhes o poder de desvincular aqueles que se comprometeram em alguns casamentos que são irregulares, que são difíceis, que são contraproducentes, e permitir-lhes ir adiante em outro contexto.
Então, veja, é uma interpretação. Segundo a nossa interpretação, sim, a Igreja tem o poder das chaves, mas não nesse contexto particular dos casamentos. Portanto, o casamento deve passar por todo o processo e ser anulado antes de o casal estar autorizado a ir mais além. Eu acho que nós vamos olhar para o que "o poder das chaves" pode significar nesse contexto.
Como isso pode ser conciliado com as palavras do Senhor: "O que Deus uniu, o homem não separe"?
Isso é verdade. O que Deus uniu... Na verdade, não é "o homem não separe", mas "o que Deus uniu, o homem não pode separar". Nenhum homem pode separar o que Deus uniu, e isso é verdade. Mas, em seguida, o mesmo Jesus diz: "Tudo o que ligares na terra será ligado no céu, tudo o que desligares na terra é desligado no céu." Então, o que ele quis dizer com isso? São duas afirmações que se contradizem?
Bem, Vossa Excelência, elas não podem se contradizer, porque foi o Senhor que disse, e Ele é a Verdade.
Elas não podem se contradizer, por isso vamos ter que descobrir por meio da oração o que fazer. Eu acredito que cada instituição, como a Igreja, deve ter regras e regulamentos. Mas as regras e regulamentos são ideais, pontos de chegada. Eles são a perfeição a que aspiramos. No entanto, estamos caminhando e, quando caímos, deveríamos ser capazes de levantar e de seguir em frente. E é por isso que o papa nos pede: como podemos ajudar as pessoas, cujos casamentos estão em ruínas, sem possibilidade de reparo, a tomar o remédio de que necessitam e a continuar a andar?
Vamos mantê-las perpetuamente se sentindo culpadas por si mesmas e pelas crianças que tiveram a partir daí, e assim por diante? Vamos ajudá-las dessa maneira? Deus não é todo misericórdia? É somente em Deus que a justiça e misericórdia se encontram e se abraçam. Nós somos apenas seus instrumentos, então eu acredito fortemente que devemos ser capazes de dizer: "Senhor, esta é a situação, mas nós a elevamos a ti em sua grande misericórdia". Vai ser difícil, mas vamos ter que fazer isso.

É ousado dizer o que estou dizendo.

09 março, 2015

VIII Encuentro Nacional de Comunidades Eclesiales de Base Tegucigalpa, Honduras, 26-28 de febrero de 2015

Presentes 70 miembros animadores las Comunidades Eclesiales de Base en representación de las diócesis de Trujillo, La Ceiba, San Pedro Sula, Juticalpa, Yoro, Comayagua, Choluteca y la Arquidiócesis de Tegucigalpa hemos celebrado nuestro VIII Encuentro Nacional de Comunidades Eclesiales de Base (CEB´s) en la Casa de Retiro Montaña Clara María.

A la luz de la Sagrada Escritura, las orientaciones pastorales del Documento de Aparecida, la enseñanza del Papa Francisco y la memoria de nuestros mártires hemos analizado, orado y reflexionado a profundidad el tema “JUSTICIA, PAZ Y DEFENSA DE LOS BIENES DE LA CREACION”, con el lema “Con María, las Comunidades Eclesiales de Base nos comprometemos con la Justicia y construimos la Paz”.

Siguiendo la metodología del Ver, Juzgar y Actuar hemos iniciado escuchando, con dolor, el flagelo de las diferentes diócesis. Problemáticas que amenazan a todo el país. Hemos detectado los siguientes conflictos comunes que también están “clamando al cielo” (cf. Ex 3,7) por liberación:

1.    Las grandes Concesiones de Extracción Minera cedidas por el gobierno a empresas nacionales y transnacionales.
2.    Concesión de nuestros ríos y montañas para construcción de proyectos hidroeléctricos.
3.    Desmedida deforestación y tala inmoderada de los bosques.
4.    Injustas leyes que entregan nuestras playas a transnacionales.
5.    Irracional monocultivo de palma africana.
6.    Concesión de territorios para construcción de las Ciudades Modelo, denominadas Zonas de Empleo y Desarrollo Económico (ZEDES).
  
Este análisis de la realidad, elaborado con la ayuda de personas expertas en la materia y con el testimonio de comunidades afectadas por estos conflictos, nos lleva a asegurar que de continuar estos perversos proyectos generaran terrible destrucción de la vida, como de hecho hemos constatado: enfermedades, epidemias, expropiación y acaparamiento de tierras, invasión y destrucción de comunidades enteras, amenazas y muertes de líderes campesinos e indígenas, daños irreparables al medio ambiente y empobrecimiento que generará mayores problemas sociales (Cf. Jn 10, 10.12-13). Como “profetas de la vida” (DA 471) manifestamos nuestra indignación ante la facilidad con la que nuestros gobernantes están entregando nuestro territorio sin consultar a la ciudadanía y emitiendo leyes que no favorecen al bien común sino intereses egoístas y foráneos (Cf. Mc 10, 42).

Movidas por el amor de Cristo, y los valores del evangelio proclamados y sufridos por él, las CEB´s nos sentimos comprometidas a integrarnos en las organizaciones de la sociedad civil para ser partícipes de las luchas en defensa de los territorios (Cf. DA 472), siendo solidarias con nuestro pueblo oprimido (Cf. Is 1, 17) que ya está sufriendo los embates del gobierno y empresarios inescrupulosos (Cf. DA 473).

Por tal motivo, hemos acordado fortalecer y promover un proceso de sensibilización que nos lleve a tomar conciencia de nuestra responsabilidad cristiana con la justicia y el cuidado de la creación a través de temas, oraciones, cantos, resonancias, talleres, retiros y otras iniciativas para conseguir transformaciones en favor de la paz y el bien común en nuestro país (Cf. DA 474).

Dado en Casa de Retiro Montaña Clara María de la ciudad de Tegucigalpa, MCD a los 28 días del mes de febrero del año dos mil quince para que sea ampliamente conocido y divulgado

Mãe terá mesmo direito do pai de registrar o nascimento do filho em cartório

A mãe poderá registrar em cartório o nascimento do filho, em igualdade de condições com o pai, conforme prevê o projeto de lei aprovado nesta quinta-feira (5) pelo plenário do Senado, que altera a lei atual, pela qual o homem é o responsável pelo registro do filho e apenas quando se omite ou está impedido de fazê-lo a mulher tem esse direito.
O Projeto de Lei nº 16/13 da Câmara dos Deputados altera os itens 1º e 2º do artigo 52 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e sua aprovação foi uma homenagem do Senado ao mês das mulheres pelo Dia Internacional a elas dedicado, no domingo (8).
Além dessa proposta, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pôs em votação outra matéria também comemorada pela bancada feminina na Casa. O Projeto de Lei da Câmara nº 2/11 estende a proibição de revista íntima às funcionárias de órgãos, autarquias, fundações e empresas públicas e de clientes do sexo feminino.
O texto, que precisa voltar à Câmara dos Deputados por causa das alterações sofridas no Senado, garante ainda à vítima de eventuais abusos indenização por danos morais e materiais e multa em caso de descumprimento da determinação, equivalente a 30 salários mínimos, que será cobrada em dobro em caso de reincidência. A revista íntima em empresas privadas já é proibida.
Sessões deliberativas no plenário do Senado às quintas-feiras não são comuns, mas o presidente da Casa, Renan Calheiros, disse que pretende marcá-las para as 11h da manhã, de modo a garantir sua realização.
Antes de começar a Ordem do Dia, Renan falou, mais uma vez, sobre a decisão de devolver ao Executivo a Medida Provisória 669/15. “Minha decisão de devolver a medida provisória não é contra ninguém. É a favor da democracia do Brasil”, afirmou. A MP reduzia o benefício fiscal de desoneração da folha de pagamento de 56 segmentos da economia, em vigor desde 2011.
O presidente do Senado informou que, na próxima terça-feira (9), colocará em pauta propostas sobre a reforma política, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 40/11, que permite coligações eleitorais somente nas eleições para presidente da República, governador e prefeito, mas proíbe esse tipo de aliança entre as legendas nas disputas de deputado federal e estadual e vereador.
Texto: Karine Melo (Agência Brasil)
Fonte: Rede Brasil Atual

Lei Maria da Penha diminui 10% a taxa de homicídio doméstico, diz Ipea

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a efetividade da Lei Maria da Penha (LMP) mostra que a iniciativa, criada em 2006, fez diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídio contra as mulheres dentro das residências.
Apesar de a LMP não ter como foco o homicídio de mulheres, a pesquisa partiu do pressuposto de que a violência doméstica ocorre em ciclos, onde muitas vezes há um acirramento no grau de agressividade envolvida, que, eventualmente, redunda (muitas vezes de forma inesperada) na morte do cônjuge.
Segundo o estudo divulgado nesta quarta-feira (4), seria razoável imaginar que a lei, ao fazer cessar ciclos de agressões intrafamiliares, gere também um efeito de segunda ordem para fazer diminuir os homicídios ocasionados por questões domésticas e de gênero.
O Instituto, no entanto, ressalta que a efetividade não se deu de maneira uniforme no País, por causa dos diferentes graus de institucionalização dos serviços protetivos às vítimas de violência doméstica.
Dados
Os dados utilizados para a análise dizem respeito às agressões letais no Brasil e foram obtidos por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Os registros do SIM são contabilizados com base nas informações das declarações de óbitos fornecidas pelos Institutos Médicos Legais (IMLs). Além da “causa básica do óbito”, foram utilizadas as variáveis referentes ao sexo do indivíduo e à data do registro, bem como o município de ocorrência.
Metodologia
Por meio de um método conhecido como modelo de diferenças em diferenças – “em que os números de homicídios contra as mulheres dentro dos lares foram confrontados com aqueles que acometeram os homens“– os pesquisadores do Ipea utilizaram dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para estimar a existência ou não de efeitos da LMP na redução ou contenção do crescimento dos índices de homicídios cometidos contra as mulheres

Por exemplo, se o número de homicídios de homens e mulheres crescerem no período analisado pela pesquisa, mas o aumento para os homens tiver sido maior, descontando outros fatores de influência, a efetividade da lei pode ser verificada, pois, se não houvesse a LMP, o aumento da taxa de homicídio de mulheres seria ainda maior do que a observada nos dados.
Análise
A ideia central para a identificação do modelo é que existem fatores associados à violência generalizada na sociedade e, em particular, à violência urbana, que afetam de forma regular os homicídios de homens e mulheres.
Todavia, existem outros fatores ligados à questão de gênero que afetam apenas os homicídios de mulheres. Foram estimados vários modelos que explicam os homicídios e os homicídios dentro das residências, os quais consideraram efeitos fixos locais e temporais, além de variáveis de controle para a prevalência de armas de fogo e para o consumo de bebidas alcoólicas nas microrregiões brasileiras.
Os resultados mostraram unanimemente que a introdução da LMP gerou efeitos estatisticamente significativos para fazer diminuir os homicídios de mulheres associados à questão de gênero.
Evolução dos homicídios
A evolução da taxa de homicídios em residência para o Brasil no período entre 2000 e 2011 é apresentada no gráfico 1.

A análise dos homicídios dentro das residências é importante, pois, segundo as evidências internacionais e nacionais, em mais de 90% dos casos, os responsáveis são conhecidos familiares da vítima, configurando situações tendem a se aproximar mais dos eventos associados às questões de gênero.
Para avaliar se um experimento ou uma lei é efetiva ou não, não basta ver se a variável de interesse (no caso, homicídios nas residências) aumentou ou diminuiu. É preciso construir um cenário contrafactual. Ou seja, se não houvesse a lei, as homicídios teriam crescido mais do que o que foi observado? A resposta é positiva, então, a lei foi efetiva.
O aumento no número de homicídios em residência pode ter sido influenciado por outros fatores socioeconômicos. O modelo de diferenças em diferenças mede o supracitado cenário contrafactual ao comparar a evolução da taxa de homicídios entre homens e mulheres e, além disso, levar em conta especificidades locais (no nível das microrregiões), que podem afetar diferentemente a violência contra homens e mulheres, e tendências temporais, que podem ser resultado de mudanças estruturais e/ou políticas passíveis de afetar as trajetórias de homicídios. Ademais, o modelo considera a evolução da prevalência de armas de fogo e de ingestão de bebidas alcoólicas, que poderia interferir na regularidade dos homicídios de homens e mulheres.
Fonte: Portal Forum

08 março, 2015

Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pelo Dia Internacional da Mulher

No texto é lembrado o contributo feminino na sociedade e na Igreja, mas também as dificuldades enfrentadas por causa da invisibilidade social que sofrem.

Leia o texto na íntegra:
Mensagem pelo Dia Internacional da Mulher
“Eu quero a vida de meu povo” (Ester, 5,3)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB saúda com alegria e gratidão todas as mulheres, por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Mulher. Apraz-nos, neste dia, afirmar com o Papa Francisco que “a Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens” (EG 103).
A atuação transformadora das mulheres na Sociedade e na Igreja é responsável pela construção de relações mais humanas e humanizadoras, buscando o fim da discriminação e da desigualdade, especialmente na relação mulher-homem. Recorda-nos o Papa Francisco que esta relação “deveria reconhecer que ambos são necessários, porque possuem uma natureza idêntica, mas com modalidades próprias. Uma é necessária à outra, e vice-versa, para que se cumpra verdadeiramente a plenitude da pessoa” (Discurso ao Pontifício Conselho para a Cultura).
Entristece-nos, no entanto, o cenário de invisibilidade em que se encontra a maioria das mulheres, bem como o impedimento de sua presença em importantes espaços de decisões. Some-se a isso o desafio da pobreza, da exploração do trabalho e tráfico humano, das violações das culturas e suas crenças, que evidencia as graves violações dos direitos das mulheres. Renova nossa esperança a iniciativa do Poder Judiciário que propôs a “Semana da Justiça pela Paz em Casa”, sugerindo ações, em todo o Brasil, voltadas para a paz nos lares e o fim da violência contra as mulheres. O compromisso com a manutenção de um sadio ambiente familiar é também do homem, pois é dentro da comunhão - comunidade conjugal e familiar - que o homem é chamado a viver o seu dom e dever de esposo e pai (FC, 25).
Os avanços e conquistas das mulheres, garantidos por lei e/ou por políticas públicas, não escondem as deficiências de muitas ações voltadas ao cumprimento e efetivação dos direitos da mulher. A todos, também à Igreja, cabe o dever de assumir a luta das mulheres negras, pescadoras, domésticas, ciganas, catadoras, camponesas, quilombolas, operárias, marisqueiras, prostituídas, ribeirinhas, encarceradas, indígenas, migrantes, donas de casa e de tantas outras que vivem a dolorosa experiência da invisibilidade social.
Este contexto é um apelo a que todos, especialmente os cristãos e cristãs, vençam a tentação da indiferença e se unam na luta em favor da justiça e da equidade, protagonizada pelas mulheres do Brasil. Inspire-nos, nesse propósito, o lema Campanha da Fraternidade 2015 – Eu vim para servir – que nos estimula a construir a fraternidade e a igualdade, no amor e no serviço.
Ao saudá-las, neste dia, renovamos nosso reconhecimento a cada uma das mulheres, por sua insubstituível presença e participação nas comunidades eclesiais espalhadas por todo o Brasil e por seu protagonismo na construção de uma nova sociedade, e rogamos a Deus fortalecê-las na luta de cada dia e abençoá-las em todos os seus caminhos.
Maria, Mãe do Filho de Deus, modelo de mulher, esposa e trabalhadora, proteja as mulheres de nosso país.
Brasília, 08 de março de 2015
Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida – SP
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luis do Maranhão – MA
Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Que o nosso Deus abençoe todas nós Mulheres


03 março, 2015

Padre Israel Zago passa a ser o novo Coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Maringá


Com a nomeação do monsenhor Luiz Knupp como bispo de Três Lagoas (MS), padre Israel Zago passa a ser o novo Coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Maringá, tendo como assessores, padre Pedro Jorge Delgado e padre Neri Squisati.

Arcebispo de Maringá anuncia novas transferências de padres

Ontem, o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, anunciou novas transferências de padres nas paróquias da Arquidiocese de Maringá. As posses dos padres transferidos serão oficializadas no fim de semana dos dias 14 e 15 de março. 

Padre Sidney Fabril deixa a paróquia São José em Maringá para assumir como pároco da paróquia Bom Pastor em Mandaguari. Padre Francisco Gecivam Vieira Garcia será vigário na mesma paróquia. A posse será sábado (14) às 19h30 em Mandaguari.

Padre Renato Quezini deixa Floraí para assumir como pároco da paróquia São José Operário em Maringá. Padre Emerson Cícero de Carvalho continua como vigário na São José. A posse do padre Renato será domingo (15) às 19h.

Padre Claudemir Ricardo da Silva deixa a paróquia Bom Pastor em Mandaguari para ser pároco da paróquia Imaculada Conceição em Floraí. A posse do padre Claudemir será domingo (15) às 9h.

Padre Darcy Maximino de Oliveira, atual vigário na paróquia São Miguel Arcanjo, será vigário da paróquia São Mateus Apóstolo em Maringá.

Padre Nelson Molina assume como pároco da paróquia do Menino Jesus de Praga e São Francisco Xavier em Maringá, após a ordenação episcopal do monsenhor Luiz Knupp, marcada para o dia 24 de abril. 

27 fevereiro, 2015

A revolução do Papa Francisco

Ressurge o sonho das primeiras horas de seu pontificado: "Como eu queria uma Igreja pobre para os pobres"


Zenit.org

Tem despertado certo estupor a inauguração dos chuveiros e da barbearia para os desabrigados, na Praça de São Pedro. Os chuveiros foram instalados próximo aos correios do Vaticano, à direita da colunata de Bernini. A iniciativa foi pessoalmente solicitada pelo Papa Francisco. Nenhum Papa jamais havia feito isso.

A este respeito, devemos lembrar o que disse Jorge Mario Bergoglio no dia 16 de março de 2013, poucos dias depois da sua eleição à Cátedra de Pedro, quando ele se encontrou com cerca de 6.000 jornalistas. Depois de ler as primeiras linhas de seu discurso previamente preparado, ele decidiu abandoná-lo e falou espontaneamente sobre o Conclave, como ele havia sido eleito e por que ele escolheu o nome de Francisco.
Quando sua eleição tornou-se conhecida, o cardeal brasileiro Claudio Hummes, sentado ao lado dele disse: "Não se esqueça dos pobres". Então, o Cardeal Bergoglio imediatamente pensou em Francisco de Assis. Depois, ele pensou da guerra, o que foi uma confirmação: Francisco, um homem de paz. Por isso ele escolheu este nome, e tornou-se o primeiro Papa Francisco na longa história da Igreja.
Ainda durante essa audiência, ele indicou o programa de seu pontificado; o Papa Francisco parou, olhou para nós intensamente e muito sério, disse: "Desejo uma Igreja pobre e para os pobres".
Descrentes muitos colegas comentaram no dialeto romano: “ma questo Papa c’è o ci fà?” (‘Esse Papa está fazendo tipo?’). Estavam céticos até mesmo alguns padres que trabalhavam na Cúria, "vamos ver daqui há alguns meses...”. Já se passaram quase dois anos desde aquele dia, e Papa Francisco demonstrou que o seu programa de ajuda e atenção aos pobres e marginalizados, o seu compromisso com a paz, não se trata de uma retórica.
No consistório de 14 de fevereiro, o Papa Francisco conferirá o solidéu cardinalício a 15 novos cardeais, de todos os continentes. Com exceção da nomeação de Dom Dominique Mamberti - cujo cargo de prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica prevê a nomeação como cardeal - para nenhum dos outros bispos era esperado a púrpura.
O Papa nomeou cardeais de países pequenos e pobres, na periferia do mundo, como a ilha de Tonga, na Polinésia e o arquipélago de Cabo Verde, ao largo da costa do Senegal. Ou cardeais de países onde a Igreja Católica tem sido discriminada e perseguida como Hanói (Vietnã) e Yangon (Myanmar). Da Itália provenientes de dioceses ‘não cardinalícias’ como Ancona e Agrigento. Compromissos que representam uma verdadeira revolução e que respondem ao sonho de uma Igreja pobre para os pobres.
A liberdade absoluta e a determinação com que Francisco age é apreciado por todos, mesmo aqueles de outras religiões e nações não católicas. Sua radicalidade e coerência evangélica fazem dele o personagem mais apreciado e amado do mundo. No ano passado mais de seis milhões de pessoas vieram a Roma para assistir o Angelus no domingo e participar da Audiência Geral. Mais de um milhão de cartas chegaram ao Vaticano. Cerca de dezessete milhões de pessoas no Twitter seguem a conta @pontifex. Em sua última viagem a Manila, nas Filipinas, sete milhões de pessoas participaram da celebração da missa de encerramento.
Não há nenhum encontro em que o Papa argentino não reze ou faça rezar. Em todos os encontros públicos e privados encontra tempo para ouvir, observar, abraçar, consolar, encorajar, os doentes, os deficientes, os que sofrem, os marginalizados, os representantes de outras religiões.
Entre as muitas iniciativas que promove, pela paz e desenvolvimento, é impressionante o que ele conseguiu fazer contra as velhas e novas formas de escravidão. Os signatários do Acordo que ele propôs são representantes de religiões que contabilizam mais de dois bilhões e meio de fiéis.
Graças a Bergoglio se reuniram em Roma a Hindu Mata Amritanandamayi (Amma), considerada um guru e um Mahatma, também conhecido como "a santa do abraço", dois líderes budistas, dois rabinos, o Patriarca ecumênico ortodoxo, um imã, dois Aiatolás, um xeique e o arcebispo anglicano de Canterbury. Todos muito disponíveis a assinar e apresentar ao mundo uma declaração que tem o objetivo de erradicar, no período de cinco anos, o horror das novas formas de escravidão. Da prostituição ao trabalho infantil, da exploração econômica e sexual aos exércitos que usam crianças para lutar. Assim, o Papa Francisco conseguiu montar uma espécie de ONU das religiões para combater a barbárie e extinguir definitivamente a escravidão.

Câmara concederá passagens para mulheres e maridos de parlamentares

Inaceitável – não vamos deixar
Um "reajuste com base na inflação" aprovado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) vai custar R$150 milhões aos cofres públicos. Recursos que poderiam ir pra saúde e educação, vão engordar ainda mais o orçamento dos gabinetes -- mas o reajuste ainda não entrou em vigor. Assine a petição antes que isto aconteça.

Assine a petição aqui

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), acabou de fazer um reajuste na cota de gastos dos gabinetes, aumentando seu orçamento e autorizando o pagamento de passagens aéreas para as esposas e esposos de parlamentares -- isso vai custar R$150 milhões aos cofres públicos!!! 

A compra de passagens aéreas para parentes já havia sido proibida, mas Cunha quer mudar as regras novamente - isto é, no mínimo, um abuso. Os salários dos deputados já são altos o suficiente para que eles possam pagar por casa, viagens e manter uma vida de luxo que muitos brasileiros não têm. 

Se agirmos rápido e fizermos barulho contra esta medida, podemos envergonhar os deputados e fazê-los reverter a decisão, garantindo que nosso dinheiro vá para hospitais ou escolas. Alguns deputados já se pronunciaram contra o aumento - isso significa que podemos vencer! 

Assine a petição e passe adiante - ao juntar meio milhão de assinaturas, a Avaaz colocará painéis de destaque com os nomes dos deputados que aceitaram o aumento da verba.

É absurdo, em pleno ano de 2015, que os deputados continuem a legislar em benefício próprio. Esse aumento acontece ao mesmo tempo em que o próprio Congresso quer votar mudanças nas leis trabalhistas e cortes de benefícios para o trabalhador. 

O aumento total da verba de gabinetes deve ter um impacto anual de R$ 150 milhões, recurso que poderia ser investido em educação, saúde e combate à corrupção. Mas, ao invés disso, vai pagar ainda mais regalias aos barões do Congresso.

Eduardo Cunha diz que não vai haver impacto real e que o aumento da verba dos parlamentares virá de cortes no orçamento geral da Câmara, como na área de informática e contratos externos. Nem todos os deputados ficaram felizes, e dizem que os valores atuais são mais que suficientes para o cumprimento do mandato. O reajuste entra em vigor já no mês de abril -- ainda dá tempo de nos mobilizarmos e reverter a situação.

Nossos deputados parecem verdadeiros barões, legislando para si mesmos, aumentando seus próprios salários e beneficiando uma elite política que está fazendo mal para o Brasil. Em tempos de austeridade, precisamos economizar, não pagar regalias para deputados e seus cônjuges. No passado já conseguimos barrar o aumento de seus salários e vencer muitas lutas em Brasília. Vamos vencer novamente desta vez. 

Com esperança e determinação, 

Diego, Joseph, Carol, Oliver, e toda a equipe da Avaaz 

25 fevereiro, 2015

Papa Francisco nomeia padre Luiz Gonçalves Knupp bispo de Três Lagoas-MS

O papa Francisco nomeou nesta quarta-feira (25) padre Luiz Gonçalves Knupp bispo da diocese de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.

Atualmente o presbítero é pároco da paróquia Menino Jesus de Praga e São Francisco Xavier em Maringá. Padre Knupp, como é conhecido, é o terceiro padre da arquidiocese de Maringá, nomeado bispo.

Os outros dois foram dom Vicente Costa, hoje bispo da diocese de Jundiaí-SP, e dom Edmar Peron, hoje bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo-SP.

Coletiva de imprensa:
Por ocasião da nomeação do padre Luiz Gonçalves Knupp como bispo da diocese de Três Lagoas-MS, haverá coletiva à imprensa nesta quarta-feira (25) às 10h na Cúria Metropolitana.

A Cúria Metropolitana fica na Avenida Tiradentes nº 740, esquina com a Avenida Duque de Caxias.

Missa de ação de graças
Nesta quarta-feira (25) haverá missa de ação de graças pela nomeação do padre Luiz Gonçalves Knupp como bispo de Três Lagoas-MS. Será às 19h na paróquia Menino Jesus de Praga e São Francisco Xavier em Maringá.

Biografia do monsenhor Luiz Gonçalves Knupp
Com a nomeação, padre Luiz passa a ser chamado de monsenhor até a sagração episcopal.

Monsenhor Luiz Gonçalves Knupp nasceu em 29 de novembro de 1967, em Mandaguari-PR. É o nono filho de Antônio Knupp e Conceição Gonçalves Knupp.

Bacharel em Filosofia pelo Instituto Filosófico Arquidiocesano de Maringá; bacharel em Teologia pelo Centro Interdiocesano de Teologia de Cascavel – PR (CINTEC); pós-graduação lato sensu em formação de educadores pela Faculdade Jesuíta de Filosofia de Teologia.

Monsenhor Luiz Knupp foi ordenado diácono em 26 de dezembro de 1998 na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória em Maringá; ordenado presbítero em 24 de abril de 1999 na  Paróquia Bom Pastor em Mandaguari. Atualmente é pároco da paróquia Menino Jesus de Praga e São Francisco Xavier em Maringá; desde 2013, é membro da coordenação da Ação Evangelizadora da arquidiocese de Maringá (responsável pela dimensão pastoral da Igreja Católica na arquidiocese), e membro do Conselho Presbiteral da arquidiocese.

De 2007 a 2013, no regional Sul 2 da CNBB, que compreende a Igreja Católica no Paraná, monsenhor Luiz Knupp integrou a equipe de coordenação da Animação Bíblico Catequética.

Também foi diretor Espiritual do Seminário de Teologia Santíssima Trindade em Londrina de 2007-2013; diretor Espiritual da Comunidade Emaús – Residência dos estudantes de teologia da Arquidiocese de Maringá em Londrina de 2003-2004; assessor dos diáconos permanentes e organizador e coordenador da escola diaconal São Francisco de Assis da arquidiocese de Maringá de 2000 a 2007; assessor arquidiocesano da Pastoral da Juventude de 1999 a 2001; pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima de Marialva-PR de 2008 a 2014; pároco da paróquia Nossa Senhora de Guadalupe de Maringá de 2002 a 2006;  vigário da paróquia Nossa Senhora de Guadalupe e administrador da paróquia Santa Rita de Cássia em Maringá de 1999 a 2001.

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

19 fevereiro, 2015

Chuva, Chuvisco, Chuvarada - Cocoricó

Como o arcebispo ''morto no altar'' por um esquadrão da morte em El Salvador começou sua estrada para o martírio

As três cruzes ficam entre uma estrada de chão e campos de milho no município de Paisnal, localidade que uma vez foi uma fortaleza da guerrilha de esquerda nos redutos rurais de El Salvador. É fácil passar sem perceber o pequeno santuário, mas ele marca o local de uma atrocidade acontecida em 1977 que ajudou a transformar Oscar Romero, arcebispo do país, em uma das figuras mais polêmicas e controversas da história moderna do catolicismo romano.


Leia  aqui a  reportagem é de Philip Sherwell, publicada no sítio do jornal britânico The Telegraph, 17-02-2015. A tradução é deClaudia Sbardelotto.


Por que a sonegação de 8 mil brasileiros não é notícia no "JN"?

Desde a última segunda-feira (9), os telejornais do mundo inteiro noticiaram o escândalo mundial do banco HSBC ter ajudado milionários e criminosos a sonegar impostos em seus países, usando sua filial na Suíça. Mas no Jornal Nacional da TV Globo, nenhuma palavra sobre o assunto.

A reportagem foi publicada pela Rede Brasil Atual.

Não se pode dizer que a notícia é apenas de interesse estrangeiro, pois 8.667 correntistas são associados ao Brasil, despontando como a quarta maior clientela.

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco Filho, por exemplo, confessou em depoimento à Polícia Federal, ter mantido dinheiro de propinas neste HSBC Suíço durante um período.

No Brasil, não é só a TV Globo que parece desinteressada nesta notícia. O resto da imprensa tradicional brasileira também reluta em divulgar até nomes que já saíram na imprensa estrangeira.

Um portal de notícias de Angola noticiou a presença na lista da portuguesa residente no BrasilMaria José de Freitas Jakurski, com US$ 115 milhões, e do empresário que detém concessões de ônibus urbanos no Rio de Janeiro,Jacob Barata, com US$ 95 milhões. A notícia traz dores de cabeça também para o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB-RJ), pois Barata é chamado o "rei dos ônibus" e desde junho de 2013 é alvo de protestos liderados pelo Movimento Passe Livre.

O dinheiro nas contas pode ser legítimo ou não. No caso de brasileiros, a lei exige que o saldo no exterior seja declarado no Brasil e, se a origem do dinheiro for tributável, que os impostos sejam devidamente pagos, inclusive no processo de remessa para o exterior. Porém é grande a possibilidade de esse tipo de conta ser usada justamente para sonegar impostos, esconder renda, patrimônio e dinheiro sujo vindo de atividades criminosas. O próprio HSBCafirma que mudou seus controles de 2007 para cá, e 70% das contas na Suíça foram fechadas.

A receita federal Inglaterra, onde fica a matriz do HSBC, identificou 7 mil clientes britânicos que não pagaram impostos. A francesa avaliou que 99,8% de seus cidadãos presentes na lista praticavam evasão fiscal. Na Argentina, a filial do HSBC foi denunciada em novembro de 2014, acusada de ajudar 4 mil cidadãos a evadir impostos. Segundo a agência de notícias Télam, o grupo de mídia Clarín (uma espécie de Organizações Globo de lá) tem mais de US$ 100 milhões sem declarar.


Os dados de mais de 100 mil clientes com contas entre 1988 e 2007 foram vazados pelo ex-funcionário do HSBC Herve Falciani. O jornal Le Monde teve acesso e compartilhou com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), formado por mais de 140 jornalistas de 45 países para explorar as informações e produzir reportagens, compondo o projeto SwissLeaks.


No Brasil, o jornalista Fernando Rodrigues do portal UOL é quem detém a lista e deveria revelar o que encontrou. Porém sua postura tem sido mais de esconder do que de revelar o que sabe. Segundo ele, revelará nomes que tiverem "interesse público" (portanto, independentemente da licitude) ou nomes desconhecidos sobre os quais venham a ser provadas irregularidades.

Mas o próprio Rodrigues disse que há nomes conhecidos de empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais e, até agora, praticamente não publicou nenhum. Nem o de Jacob Barata, de claro interesse jornalístico. Só publicou dois nomes já divulgados no site internacional do SwissLeaks (contas do banqueiro falecido Edmond Safra e da família Steinbruch), o de Pedro Barusco, também já divulgado antes, e de outros envolvidos com aOperação Lava Jato, como Julio Faerman (ex-representante da empresa SBM), o doleiro Raul Henrique Srour, e donos da Construtora Queiroz Galvão.

Rodrigues não publicou nenhum nome de artista, esportista, intelectual, político ou ex-político, contradizendo sua política editorial de revelar tudo que seja de interesse público. Jornalistas do ICIJ de outros países divulgaram os nomes de celebridades, políticos, empresários. Há atores, pilotos de Fórmula 1, jogadores de futebol, o presidente doParaguai etc.

A cautela no Brasil é contraditória com o jornalismo que vem sendo praticado pela imprensa tradicional de espalhar qualquer vazamento, sem conferir se tem fundamento, quando atinge alguém ligado ao governo da presidenta Dilma Roussef ou ao Partido dos Trabalhadores. Esta blindagem de não publicar o que sabe só costuma ser praticada quando há nomes ligados ao PSDB ou ligados aos patrões dos jornalistas e grandes anunciantes.

Um caso recente não noticiado pela mídia tradicional foi o discurso em 29 de abril de 2013 do ex-deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), no plenário da Câmara, em que disse sobre um dos donos da TV Globo: "(...) O Sr. João Roberto Marinho deveria explicar porque no ano de 2006 tinha uma conta em paraíso fiscal não declarada à Receita Federal com mais de R$ 100 milhões (...)". Tudo bem que o ônus da prova é de quem acusa, mas se fosse contra qualquer burocrata na hierarquia do governo Dilma, estaria nas primeiras páginas de todos os jornais e o acusado que se virasse para explicar, tendo culpa ou não.

O período que abrange o SwissLeaks, de 1988 a 2007, pega a era da privataria tucana e dos grandes engavetamentos na Procuradoria Geral da Republica, enterrando escândalos de grandes proporções sem investigações.
É só coincidência, mas o próprio processo de transferência do controle do antigo banco Bamerindus para o HSBC noBrasil se deu em 1997, durante o governo FHC. Reportagens da época apontaram que foi um "negócio da China" para o banco britânico.


17 fevereiro, 2015

Muros e Pontes: Memória Protestante na ditadura

Documentário sobre memória protestante na ditadura já está na web

Clique aqui para ver o documentário na íntegra


O documentário “Muros e Pontes: Memória Protestante na Ditadura", que faz parte do Projeto Marcas da Memória, com apoio do Ministério da Justiça, que reúne a Comissão da Verdade e Koinonia Presença Ecumênica e Serviço, já está disponível na web. O filme sobre o impacto da ditadura no universo religioso protestante foi dirigido por Juliana Radler e lançado no Seminário “Protestantes, Democracia e Ditadura”, ocorrido no final do ano passado no Rio de Janeiro.

O filme traz depoimentos, recortes de jornais, fotos – que se destacam entre o conjunto de documentos de registro desse período – dos prisioneiros, que se tornaram a base do relato do momento mais trágico, impactante e que maiores sequelas deixou na história brasileira.

O documentário registra o depoimento de lideranças protestantes que forjaram um caminho novo, especialmente com apoio – formal ou velado – do maior segmento de igrejas evangélicas tradicionais, em que receberam destaque Zwinglio da Mota Dias, Bispo Paulo Ayres Mattos, Zenaide Machado, Leonildo Campos, Anivaldo Padilha, Jether Pereira Ramalho, Nilton Emerick, Roberto Chagas, Anita Wright Torres – filha do Pastor Jayme Wright – e de Carlos Gilberto Pereira.

A exceção mais viva é o depoimento de D. Paulo Evaristo Arns, à época cardeal arcebispo de São Paulo que teve contato com o Pastor Jaime Wright e o Rabino Henry Sobel no sepultamento do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, o Doi-Codi.

Desse contato surgiu o Projeto Brasil: Nunca Mais!, baseado em informações de 707 processos do Superior Tribunal Militar, fotocopiados em mais de um milhão de páginas e depois enviados à sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra, Suíça. Arns foi um arcebispo incansável na visita a quartéis, buscando torturados e denunciando aos meios de comunicação, especialmente aos correspondentes de agências internacionais de notícias em São Paulo.

O golpe militar de 1964 recebeu o registro histórico como um período chamado de “anos de chumbo”, mas à época tiveram forte apoio de setores conservadores da sociedade que o viam como a ‘salvação do Brasil’, com líderes como Eneas Tognini, que convocaram vigílias de oração pelo golpe civil-militar.


Fonte: AGEN (Antonio Carlos Ribeiro )

13 fevereiro, 2015

Guia de sobrevivência de Santa Teresa de Ávila para as mulheres católicas

"Teresa de Ávila testemunhou o sofrimento feminino numa Igreja que não valorizava os seus dons, então pôs-se a realizar mudanças. Como parte de suas reformas, escreveu um manual de oração ou, como eu gosto de pensar, um guia de sobrevivência feminista do século XVI", escreve Nicole Sotelo, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 12-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nicole Sotelo é autora do livro “Women Healing from Abuse: Meditations for Finding Peace”, publicado pela Paulist Press e coordena o sítio womenhealing.com/.

Segundo ela, "Teresa exorta suas companheiras a acreditarem em suas próprias capacidades de reza e acesso a Deus. “Se alguém lhes dizer que a oração é perigosa, considerem esta pessoa o verdadeiro perigo e fujam dele”.

"A transformação da Igreja numa instituição onde verdadeiramente se valorizam as mulheres, no entanto, não está finalizada ainda - conclui Nicole Sotelo.  Quando o papa considera as mulheres “a cereja do bolo” e quando as católicas ainda carecem de plena igualdade, é útil voltarmo-nos novamente para Teresa de Ávila, a santa do século XVI que conhecida o valor das mulheres e que escreveu um guia poderoso para a prática de oração delas. A escrita de Teresa falou ao coração das mulheres a quase cinco séculos atrás.
E ainda fala hoje"

Eis o artigo.

Quando eu era jovem garota, apaixonada loucamente por Deus, uma freira me deu dois livros sobre Santa Teresa de Ávila. Mais tarde, descobri que Teresa e eu tínhamos uma outra coisa em comum além do amor a Deus: uma preocupação para com a igualdade das mulheres. Teresa testemunhou o sofrimento feminino numa Igreja que não valorizava os seus dons, então pôs-se a realizar mudanças. Como parte de suas reformas, escreveu um manual de oração ou, como eu gosto de pensar, um guia de sobrevivência feminista do século XVI.

Na época, as autoridades eclesiásticas não achavam que as mulheres eram capazes de acessar a Deus através da oração por si mesmas. A “oração mental”, ou oração contemplativa, era considerada uma prática perigosa se feita sem a orientação. A Inquisição tinha recentemente banido uma série de livros de orações, e a oração realizada pelas mulheres era particularmente suspeita.

Depois que o confessor de Teresa a proibiu de partilhar sua autobiografia com suas companheiras freiras, ela se pôs a escrever um outro livro: “Caminho da perfeição”. Hoje, este é considerado um clássico espiritual sobre oração. Eu também o considero um clássico espiritual sobre a libertação das mulheres católicas.

Teresa de Jesus, como também é conhecida, foi uma reformada par excellence. Ela sabia que não seria suficiente reformar as estruturas externas. Há também que se reformar internamente, as crenças que carregamos dentro de nós.

Assim, enquanto reformava a Ordem das Carmelitas, a que pertencia, ela também buscou transformar o entendimento que as mulheres têm de si mesmas.

Teresa escreveu um livro de orações para as suas companheiras reformadoras, as irmãs de suas novas comunidades. Ela parecia saber que é na oração mais profunda onde descobrimos a verdade sobre nós mesmas; que nesta oração as suas companheiras poderiam descobrir que elas, também, eram queridas por Deus.

No livro, Teresa embasa seus pensamentos nas Escrituras, proclamando: “Tampouco, tu, Senhor, quando andaste pelo mundo, desprezaste as mulheres; pelo contrário, tu sempre, com grande compaixão, as ajudaste. E encontraste mais amor e fé nelas do que encontraste nos homens”.

E ela recorda as suas irmãs companheiras que as autoridades daqueles tempos, os quais pronunciavam juízos contra as mulheres, não estavam de acordo com o Grande Juiz: “Já que os juízes do mundo são filhos de Adão e todos são homens, não há virtude de mulheres que lhes não lhes seja respeitosa”.

Teresa exorta suas companheiras a acreditarem em suas próprias capacidades de reza e acesso a Deus. “Se alguém lhes dizer que a oração é perigosa, considerem esta pessoa o verdadeiro perigo e fujam dele”.

Acima de tudo, ela encorajou suas contemporâneas a perseverarem na oração, apesar as injunções contra esta prática impostas pelas autoridades eclesiásticas: “Sigam firme, filhas, pois eles não podem lhes tirar o Nosso Pai e a Ave Maria”.

Esta afirmação foi retirada de um manuscrito depois que um de seus censores escreveu na margem: “Parece aqui que ela está repreendendo os Inquisidores que proibiram os livros sobre orações”. De fato.

Certamente Teresa sofreu por suas críticas ousadas. Desde autoridades eclesiásticas que diziam que sua “experiência era do demônio” à prisão domiciliar, ela enfrentou inúmeros processos. Em seu primeiro escrito, “Livro da Vida”, admite: “Houve eventos suficientes para me levar à loucura”.

Mas Teresa sabia que as coisas iriam acabar mudando: “Sim, realmente, vai chegar o dia, meu Rei, em que todos serão conhecidos pelo que são (...) Percebo que estes são tempos em que será errado subestimar almas virtuosas e fortes, muito embora elas são de mulheres”, escreveu em “Caminho de perfeição”.

Ela diz a suas companheiras que Deus vai lhes dar a coragem de que necessitam. Sugere que se “uma ou duas (...) fizerem, sem medo, o que é melhor”, as coisas irão começar a mudar.

Acima de tudo, ela pediu-lhes para continuar com confiança: “É difícil andar neste caminho com medo. É muito importante saberem que estão no caminho certo”.

Este “caminho certo” conduziu à transformação da ordem religiosa de Teresa de Ávila há muitos anos. Este é um dos motivos por que as carmelitas ao redor do mundo vão celebrar o 500º aniversário de seu nascimento no próximo mês.

A transformação da Igreja numa instituição onde verdadeiramente se valorizam as mulheres, no entanto, não está finalizada ainda. Quando o papa considera as mulheres “a cereja do bolo” e quando as católicas ainda carecem de plena igualdade, é útil voltarmo-nos novamente para Teresa de Ávila, a santa do século XVI que conhecida o valor das mulheres e que escreveu um guia poderoso para a prática de oração delas. A escrita de Teresa falou ao coração das mulheres a quase cinco séculos atrás. E ainda fala hoje.

Fonte: IHU