02 agosto, 2018

“O mundo está cansado de mentirosos, de padres da moda, de arautos de cruzadas”

Aos novos bispos do curso anual de formação, o papa afirma que fazer pastoral da misericórdia não é fazer liquidação de pérolas. 

"É necessário vigiar a formação dos futuros sacerdotes, apontando para a “qualidade do discipulado”, e não para a “quantidade” de seminaristas, e usando “cautela e responsabilidade” ao acolher sacerdotes na diocese."


Aos novos bispos do curso anual de formação, o papa afirma que fazer pastoral da misericórdia não é fazer liquidação de pérolas. “Não poupem esforços para ir ao encontro do povo de Deus, estejam perto das famílias com fragilidade. Nos seminários, apontem para a qualidade, não para a quantidade. Desconfiem dos seminaristas que se refugiam na rigidez.”

“O mundo está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores das causas próprias, os arautos de cruzadas vãs.”

O Papa Francisco dirigiu um longo discurso aos bispos recém-nomeados, em Roma, para um curso de formação, tocando diversas questões do seu ministério, a partir da necessidade de tornar pastoral – “isto é, acessível, tangível, encontrável” – a misericórdia, que é o “resumo daquilo que Deus oferece ao mundo”.

Os bispos, disse Jorge Mario Bergoglio, devem ser capazes de encantar e de atrair os homens e as mulheres do nosso tempo a Deus, sem “lamentações”, sem “deixar nada de não tentado a fim de alcançá-los” ou “recuperá-los”, e graças aos percursos de iniciação (“Hoje, pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente”).

Além disso, é necessário vigiar a formação dos futuros sacerdotes, apontando para a “qualidade do discipulado”, e não para a “quantidade” de seminaristas, e usando “cautela e responsabilidade” ao acolher sacerdotes na diocese. Francisco também convidou os novos bispos a estarem perto do seu clero, àqueles que Deus coloca “por acaso” no seu caminho e às famílias com as suas “fragilidades”.

“Perguntem a Deus, que é rico em misericórdia – disse o papa aos 154 novos bispos (16 dos territórios de missão) que participaram do curso anual de formação promovido conjuntamente pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais – o segredo para tornar pastoral a Sua misericórdia nas suas dioceses. De fato, é preciso que a misericórdia forme e informe as estruturas pastorais das nossas Igrejas. Não se trata de rebaixar as exigências ou vender barato as nossas pérolas. Ou, melhor, a única condição que a pérola preciosa dá àqueles que a encontram é a de não poder reivindicar menos do que tudo. Não tenham medo de propor a Misericórdia como resumo daquilo que Deus oferece ao mundo, porque o coração do homem não pode aspirar a nada maior”, disse Francisco, que, sobre a misericórdia como “limite para o mal”, citou Bento XVI, acrescentando duas perguntas retóricas: “Por acaso, as nossas inseguranças e desconfianças são capazes de suscitar doçura e consolação na solidão e no abandono?”.

Para tornar a misericórdia “acessível, tangível, encontrável”, acima de tudo, o papa recordou que “um Deus distante e indiferente pode ser ignorado, mas não resistimos facilmente a um Deus tão próximo e, além disso, ferido por amor. A bondade, a beleza, a verdade, o amor, o bem – eis o que podemos oferecer a este mundo mendicante, ainda que em vasos meio quebrados. No entanto, não se trata de atrair a si mesmos. O mundo – disse Francisco – está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores de causas próprias, os arautos de cruzadas vãs. Em vez disso, tentem ajudar a Deus, que já Se introduz antes ainda da chegada de vocês”.

Nesse sentido, “Deus não se rende nunca! Somos nós, que, acostumados ao rendimento, muitas vezes nos acomodamos, preferindo nos deixar convencer que realmente puderam eliminá-Lo e inventamos discursos amargos para justificar a preguiça que nos bloqueia no som imóvel das lamentações vãs: as lamentações de um bispo são coisas feias”.

Em segundo lugar, é necessário, segundo o papa, “iniciar” aqueles que são confiados aos pastores: “Eu lhes peço para não terem outra perspectiva para olhar os seus fiéis do que a da sua unicidade, de não deixarem nada de não tentado a fim de alcançá-los, de não poupar qualquer esforço para recuperá-los. Sejam bispos capazes de iniciar as suas Igrejas nesse abismo de amor. Hoje – disse Francisco – pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente. Perdeu-se o sentido da iniciação, e, no entanto, nas coisas realmente essenciais da vida, tem-se acesso apenas mediante a iniciação. Pensem na emergência educativa, na transmissão tanto dos conteúdos quanto dos valores, no analfabetismo afetivo, nos percursos vocacionais, no discernimento nas famílias, na busca da paz: tudo isso requer iniciação e percursos guiados, com perseverança, paciência e constância, que são os sinais que distinguem o bom pastor do mercenário”.

Francisco se debruçou com atenção particular sobre o tema da formação dos futuros padres: “Peço-lhes que cuidem com especial solicitude as estruturas de iniciação das suas Igrejas, em particular os seminários. Não os deixem ser tentados pelos números e pela quantidade das vocações, mas busquem a qualidade do discipulado. Não privem os seminaristas da sua firme e terna paternidade. Façam-nos crescer a ponto de adquirir a liberdade de estar em Deus ‘tranquilos’ e serenos como crianças desmamadas nos braços da sua mãe”; não como presas dos próprios caprichos e escravos das próprias fragilidades, mas livres para abraçar aquilo que Deus lhes pede, mesmo quando isso não parece tão doce quanto o seio materno era no início. E fiquem atentos quando alguns seminaristas se refugiam na rigidez; por baixo, sempre há algo de feio”.

E ainda: “Eu lhes peço também para agirem com grande prudência e responsabilidade ao acolher candidatos ou incardinar sacerdotes nas suas Igrejas locais. Por favor, prudência e responsabilidade nisso. Lembrem-se de que, desde o início, quis-se como inseparável a relação entre uma Igreja local e os seus sacerdotes, e nunca se aceitou um clero vagante ou em trânsito de um lugar para outro. E essa é uma doença dos nossos tempos”.

Por fim, o papa pediu que os bispos sejam “capazes de acompanhar”, citando, a esse respeito, a parábola do bom samaritano: “Sejam bispos com o coração ferido por tal misericórdia e, portanto, incansável na humilde tarefa de acompanhar o homem que, ‘por acaso’, Deus colocou no seu caminho”.

E, ainda, recomendou o papa aos novos bispos, “acompanhem por primeiro, e com paciente solicitude, o seu clero” e “reservem um acompanhamento especial para todas as famílias, regozijando-se com o seu amor generoso e encorajando o imenso bem que elas dispensam neste mundo. Acompanhem sobretudo as mais feridas. Não ‘passem ao largo’ diante da sua fragilidade”.

“Fico alegre por acolhê-los e por poder compartilhar com vocês alguns pensamentos que vêm ao coração do sucessor de Pedro, quando vejo diante de mim aqueles que foram ‘pescados’ pelo coração de Deus para guiar o Seu povo santo”, tinha iniciado o papa.

“Deus os livre de tornar vão tal frêmito, de domesticá-lo e esvaziá-lo da sua potência ‘desestabilizadora’. Deixem-se desestabilizar, é bom para um bispo”, disse Francisco.

“Muitos, hoje, se mascaram e se escondem. Eles gostam de construir personagens e inventar perfis. Tornam-se escravos dos parcos recursos que recolhem e aos quais se agarram como se bastassem para comprar o amor que não tem preço. Não suportam o frêmito de se saberem conhecidos por Alguém que é maior e não despreza o nosso pouco, é mais Santo e não culpa a nossa fraqueza, é realmente bom e não se escandaliza com as nossas chagas. Não seja assim para vocês”, concluiu: “Deixem que tal frêmito percorra vocês. Não removam-nos nem o silenciem”.

Fonte: Aleteia

Papa Francisco muda o parágrafo do Catecismo sobre a pena de morte

O novo Rescrito do Papa, ou seja, a decisão papal sobre a questão da pena de morte, foi publicado na manhã desta quinta-feira, no Vaticano.


O Santo Padre recebeu em audiência, no dia 11 de maio p.p., no Vaticano, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Luís Ladaria, durante a qual aprovou a nova redação do Catecismo da Igreja Católica (n. 2267), sobre a “pena de morte”.

O novo Rescrito do Papa, ou seja, a decisão papal sobre a questão da pena de morte, foi publicado na manhã desta quinta-feira, no Vaticano:

“Durante muito tempo, o recurso à pena de morte, por parte da legítima autoridade, era considerada, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum”.

No entanto, hoje, torna-se cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não fica privada, apesar de cometer crimes gravíssimos. Além do mais, difunde-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Enfim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos, sem tirar, ao mesmo tempo e definitivamente, a possibilidade do réu de se redimir.

Por isso, a Igreja ensina, no Novo Catecismo, à luz do Evangelho, que “a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa, e se compromete, com determinação, em prol da sua abolição no mundo inteiro”.


Fonte: Vatican News

01 agosto, 2018

Documentário mostra o impacto da pecuária na Amazônia


O filme alerta para que o consumo da carne não esteja atrelado a questões como desmatamento e trabalho escravo. 

A reportagem foi publicada Portal Amazônia, 30-07-2018.

“Sob a Pata do Boi” é um documentário que tem a direção de Márcio Isensee, e fala sobre os estragos da pecuária na Amazônia. Em 49 minutos de projeção, o documentário expõe através de entrevistas com produtores rurais e donos de frigoríficos o desmatamento na região. O filme é uma produção do site ((o)) eco, de jornalismo ambiental, e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

“Este documentário é resultado de 2 anos de investigação para a cadeia de pecuária da Amazônia. Conversamos com produtores grandes e pequenos em diferentes municípios, principalmente no Pará, que é um grande expoente da pecuária na Amazônia. E isso gerou uma série de reportagens que foram sendo publicadas e depois disso a gente fez o filme. Sempre com intuito muito claro de que as pessoas saibam que existe pecuária na Amazônia. A região hoje tem um rebanho de 85 milhões de cabeças de gado, 3 cabeças para cada pessoa no bioma”, aponta Márcio.

No documentário, ele tenta abordar o problema ao falar de boas práticas na pecuáriae também sobre questões como regularização fundiária e consciência do consumidor. O Pará foi o primeiro estado a se propor, através de um ajustamento de conduta firmado entre os frigoríficos e o Ministério Público, a tentar controlar essa cadeia para que os frigoríficos não comprassem de fazendas que tem o desmatamento,  trabalho escravo e outras questões relacionadas ao meio ambiente.

Exibido em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belém, o documentário estará disponível a partir de 9 de agosto nas plataformas digitais iTunes, Google Play e Net NOW.

Assista o trailer do documentário 



31 julho, 2018

Oração


"Senhor, quantas vezes me atiro contra o que está mal no mundo e na Igreja! Quantas vezes descarrego a minha fúria puritana contra este ou contra aquele, que é ou julgo pecador! Hoje, quero pedir-te por todos: pelos que praticam injustiças, pelos que fazem opções pouco respeitosas da dignidade e unicidade da pessoa humana, pelos que só pensam nos seus interesses… Mostra, mais uma vez, a tua indulgência, a tua paciência, a tua misericórdia para com todos. Continua a dar tempo e oportunidade de conversão a todos, também a mim. Dá-me um coração semelhante ao teu: indulgente, tolerante, misericordioso. Que, vendo facilmente o mal fora de mim, saiba também vê-lo em mim. Não Te canses de perdoar o meu excesso de zelo, a minha rigidez. Derrama o teu Espírito Santo sobre mim, e sobre todos os meus irmãos, para que façamos o bem e não o mal, para que contribuamos, cada um a seu modo, para um mundo mais feliz e uma Igreja mais santa. Amém."

Fonte: Dehonianos

Mateus 13,36-43 - Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos.


Naquele tempo:
36Jesus deixou as multidões e foi para casa.
Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram:
'Explica-nos a parábola do joio!'
37Jesus respondeu:
Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
38O campo é o mundo.
A boa semente são os que pertencem ao Reino.
O joio são os que pertencem ao Maligno.
39O inimigo que semeou o joio é o diabo.
A colheita é o fim dos tempos.
Os ceifadores são os anjos.
40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo,
assim também acontecerá no fim dos tempos:
41o Filho do Homem enviará os seus anjos
e eles retirarão do seu Reino
todos os que fazem outros pecar
e os que praticam o mal;
42e depois os lançarão na fornalha de fogo.
Ali haverá choro e ranger de dentes.
43Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai.
Quem tem ouvidos, ouça.'

Palavra da Salvação.

30 julho, 2018

Vigília pela Vida - Em Defesa da Vida dos Nascituros

Quinta-feira, 02 de agosto, às 20h na Praça da Catedral de Maringá, o Setor Família da Arquidiocese de Maringá irá promover a Vigília pela Vida. Os participantes irão em procissão até o prédio da Justiça Federal - esquina da Avenida Duque de Caxias com a XV de Novembro. Os organizadores pedem que os participantes levem velas.

Contra o aborto

O evento é uma resposta prática da Arquidiocese de Maringá contra o aborto. Mais uma vez, a legalização do aborto volta à pauta nacional em uma audiência pública convocada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF) para os dias 3 e 6 de agosto. Na ocasião, será debatida a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, discutida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442.

Diante dessa realidade, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reafirma a posição firme e clara da Igreja “em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”, condenando, “assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil”.

A ação sustenta que dois dispositivos do Código Penal que instituem a criminalização da interrupção voluntária da gravidez afrontam a dignidade da pessoa humana, a cidadania, a não discriminação, a inviolabilidade da vida, a liberdade, a igualdade, a proibição de tortura ou o tratamento desumano e degradante, a saúde e o planejamento familiar das mulheres e os direitos sexuais e reprodutivos.

A Audiência Pública será realizada no STF, Anexo II-B, sala da Primeira Turma. A CNBB apresentará sua posição no dia 6, às 9h10, por Dom Ricardo Hoerpers, Bispo da Diocese de Rio Grande (RS) e pelo padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco (SP).

Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

27 julho, 2018

Leigas e Leigos - protagonistas da história!

Um pequeno texto que escrevi 


Leigas e Leigos - protagonistas da história!

É desafiador saber que devemos ocupar um papel protagonista na história, e que não podemos aceitar que fechem os espaços para esse protagonismo. No cenário de nossos dias esta visível e/ou despercebido e até negado o protagonismo das leigas e dos leigos de todas as idades. Mas olha que lindo, papa Francisco nos ensina que existe “o simples testemunho habitual”, de todos os dias, desde o amanhecer quando se acorda, e termia à noite, ao dormir.

O protagonismo dos idosos - para o papa Francisco a sabedoria dos idosos deve ser valorizada, “Os idosos representam a memória histórica de toda comunidade, um patrimônio de sabedoria e de fé, que deve servir de exemplo, mantido e valorizado”. A Exortação Apostólica “A Alegria do Amor” trata com delicadeza o valor da pessoa idosa, “... Os idosos ajudam a perceber «a continuidade das gerações», com «o carisma de lançar uma ponte»(215) entre elas.

O protagonismo da criança - as pequeninas e os pequeninos são transformadores e protagonistas do reino de Deus, cumprem tarefas sacerdotais, proféticas, de serviço, de denúncia, etc. O protagonismo infantil é algo importante na Bíblia, alguns exemplos: uma menina intervém na cura de Naamã (2 Rs 5.2-3); um menino no centro da promessa messiânica (Is 9.6); as crianças são convocadas a participar na missão do povo de Deus (Jr 1.6); as crianças presenciam importantes episódios de reconciliação (Gn 33.1-7); as crianças gritam e louvam a Jesus, incomodando as autoridades. (Mt 21.15-16).

O protagonismo da juventude – o papa incentiva as/os jovens rejuvenescer o rosto da Igreja e afirma que jovens são os protagonistas da mudança. O nosso Deus fala através dos Jovens e adolescentes (1 Sm 3.1-21). “O Espírito Santo virá sobre você [...] Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. “Como a jovem de Nazaré, vocês podem melhorar o mundo, para deixar um sinal que marque a história”. (papa Francisco)
Durante cerimônia da Jornada Mundial da Juventude disse o papa "Tenho seguido atentamente as notícias sobre tantos jovens que, em muitas partes do mundo, têm saído pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna”.

O protagonismo da mulher - diz o papa para entender uma mulher é necessário antes sonhá-la, ela é a harmonia, é a poesia, é a beleza, traz harmonia à Criação, sem a mulher não há harmonia no mundo.  Para Francisco o primeiro apóstolo foi uma mulher: a samaritana que dialogou com Jesus à beira do poço de Jacó e, em seguida, saiu a anunciar que encontrara o Messias. A primeira testemunha da ressurreição foi Madalena. Afirma o papa “As mulheres têm muito a dizer-nos na sociedade atual. Às vezes somos demasiado machistas, e não deixamos espaço à mulher. Mas a mulher sabe ver as coisas com olhos diferentes dos homens. Todas as instituições, inclusive a comunidade eclesial, são chamadas a garantir a liberdade de escolha para as mulheres, para que tenham a possibilidade de assumir responsabilidades sociais e eclesiais, num modo harmônico com a vida familiar.”

A partir do Concílio Ecumênico Vaticano II atribui as leigas e aos leigos o caráter de “sujeitos”, como recomenda a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em seu documento “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5,13-14)”.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil (2016-2019) apontam a urgência da Igreja a serviço da vida plena através das leigas e dos leigos, “Em tudo isso, a Igreja reconhece a importância da atuação no mundo da política e incentiva os leigos e leigas, especialmente os jovens, à participação ativa e efetiva nos diversos setores voltados para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário. Daí, a urgência na formação e apoio aos cristãos leigos e leigas para que atuem nos movimentos sociais, conselhos de políticas públicas, associações de moradores, sindicatos, partidos políticos e outras entidades, sempre iluminados pelo Ensino Social da Igreja. Tão desacreditada em nossos dias, a política, no entanto, “é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”.

Papa Francisco por ocasião da Assembleia da Pontifícia Comissão para a América Latina, em 2016, recordou à idéia do Concílio Vaticano II dizendo que “a Igreja não é uma elite de sacerdotes, consagrados, bispos, mas que todos formamos o povo santo fiel de Deus”, não tem como negar, todas as cristãs leigas e todos os cristãos leigos devem participar plenamente da vida da Igreja, de modo especial, priorizando sua missão nas realidades em que se fazem presentes no dia a dia.

A Conferência de Santo Domingo confirma “Que todos os leigos sejam protagonistas da Nova Evangelização, da promoção humana e da cultura cristã.” (n.97) (…) “Um laicato, bem-estruturado com formação permanente, maduro e comprometido, é o sinal de Igrejas Particulares que têm tomado muito a sério o compromisso da Nova Evangelização.” (n.103).

Motivador o pronunciamento do Papa Francisco na Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, em 17/06/2016, quando propôs, como horizonte de referência para o imediato futuro, o seguinte binômio: “Igreja em saída” e “laicato em saída”, olhando para os que se encontram ‘distantes’ do nosso mundo, às tantas famílias em dificuldade e necessitadas de misericórdia, aos campos de apostolado ainda inexplorados, e as numerosas leigas e aos numerosos leigos, que devem ser envolvidos e valorizados pelas instituições eclesiais. Francisco concluiu seu discurso dizendo: “precisamos de leigos bem formados, animados pela fé cristã, que “sujem suas mãos” e não tenham medo de errar, mas que prossigam adiante. Precisamos de leigos com visão do futuro e não fechados nas pequenezas da vida, mas experientes e com novas visões apostólicas”.

Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta, que não nos deixa em PAZ! (Dom Pedro Casaldaliga)

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora leiga das CEBs na Arquidiocese de Maringá

Pastoral Popular Luterana envia carta de apoio ao ex-presidente Lula




Pastoral Popular Luterana envia carta de apoio ao ex-presidente Lula

A Pastoral Popular Luterana (PPL) enviou, nesta segunda-feira, 23 de julho, uma carta de apoio ao ex-presidente Lula. O documento, entregue a Lula pelo pastor luterano Inácio Lemke, 1º vice-presidente do CONIC e 2º vice-presidente da IECLB, foi assinada por mais de 200 pessoas. 
 
A seguir, confira o esclarecimento dado pela PPL sobre o assunto:
 
O momento que vivemos no Brasil é grave. Talvez nem tenhamos hoje a dimensão do que se passa na estrutura da nossa sociedade, que está sendo literalmente destruída. Nesse momento o canto dos ilusionistas pode estar convencendo muita gente de que o caminho para nossa redenção passa pela força, pelo autoritarismo mais deslavado, pelo simplismo travestido de firmeza militar. Será mesmo? O que estamos vivendo é, até onde nos é possível discernir com responsabilidade, uma encruzilhada. E numa hora dessas, temos de ter a coragem de ir pelo caminho estreito, como nos ensina o evangelho (Mateus 7.13s). O caminho largo (pois infelizmente, nesse caso, não existe caminho do meio) fatalmente nos levará ao absurdo, ao “todos contra todos e salve-se quem puder”.
 
Depois de muito refletir, nós resolvemos nos posicionar publicamente em relação à prisão do ex-presidente Lula. Fazemos isto por entender que vivemos um momento fundamental na história do nosso país. Quisemos nos posicionar, não como uma opção política partidária, mas como pessoas de fé que se sentem interpeladas pelas circunstâncias históricas em que nos encontramos. A tão necessária investigação da corrupção em nosso país corre o risco de se transformar num mecanismo de luta e favorecimento político, o que irá solapar ainda mais a já acentuada perda de credibilidade nas instituições operadoras do direito em nosso país, com consequências, talvez, irreversíveis a longo prazo. Em uma formulação sintética, entendemos que a democracia brasileira, já enfraquecida faz tempo, está em jogo. Ou queremos um país democrático e então lutamos por ele. Ou então cairemos no fascismo aberto e isto nos levará a uma situação sem volta (pelo menos não de modo pacífico e com enormes perdas humanas).
 
Tomamos a liberdade de compartilhar nossa iniciativa com algumas pessoas amigas e solidárias com o resgate da cidadania e da democracia. Foi para nós grande satisfação que mais de 200 irmãs e irmãos prontamente apoiaram nossa proposta de Carta a Lula com suas assinaturas. Elas vieram de diversas regiões do Brasil e dos sínodos da IECLB. Por iniciativa de um colega que vive na Alemanha, até de lá veio apoio com mais de 20 assinaturas, entre elas inclusive de um irmão que fez questão de colocar ao lado do seu nome a palavra “operário”. A carta dirigida ao ex-Presidente Lula, com as assinaturas, foi entregue pessoalmente a ele, no dia 23 de julho, pelo Pastor Inácio Lemke, Vice-presidente do CONIC e 2º Vice-Presidente da IECLB, juntamente com o livro Radicalizando a Reforma, publicado pela Editora Sinodal (São Leopoldo, 2017). Conforme relato do Pastor Inácio – que esteve sozinho com Lula durante uma hora em sua cela na Polícia Federal em Curitiba – ele recebeu a carta que leu na hora com muita alegria e emoção. Disse depois o seguinte: “Vocês são a minha voz lá fora. Transmitam muita esperança ao povo e especialmente aos jovens desse sofrido país”. Ao término da visita, a pedido de Lula, o Pastor Inácio proferiu com ele uma oração em que rogou a Deus por forças ao ex-presidente, por paz, democracia e justiça para o país.
 
É importante registrar que esta carta teve uma que a antecedeu. Um pequeno grupo de pastores eméritos da IECLB escreveu uma carta pastoral que igualmente foi enviada a Lula, assinada por eles e esposas. Inspirados naquela carta, redigimos esta que depois correu o país e recebeu o apoio que aqui divulgamos. Nossa opção não implica ausência de crítica aos governos Lula e Dilma. Pelo contrário, entendemos que a avaliação crítica de algumas políticas levadas a efeito é extremamente necessária, além da investigação séria e imparcial de eventuais malfeitos devidamente comprovados. Mas não podemos nos calar diante da condenação sem provas e da injustiça daí decorrente contra Lula e outras pessoas, principalmente pessoas mais pobres, vulneráveis e necessitados em nosso país. Como muitos juristas vem alertando a opinião pública brasileira, os regimes fascistas do passado usaram os temas da “corrupção” e da “criminalização da política” como motivo para justificarem suas medidas autoritárias que levaram à guerra e ao genocídio de milhões de pessoas. Não podemos permitir que esta história se repita em nosso país. Abaixo carta de apoio que enviamos ao Presidente Lula. 
 
Roberto E. Zwetsch e Lauri Emilio Wirth
 
Agora, leia o conteúdo da carta entregue ao ex-presidente Lula:
 
Caríssimo Presidente Lula,
 
Saudações fraternas. Deixe-nos chamá-lo como o povo o conhece e gosta de falar de você: Presidente Lula! Sua prisão é o atestado de que existe, sim, um golpe neste país. Golpe parlamentar-midiático, mas que também interfere na prática da justiça formal. Sua decisão de acatar a condenação injusta, porque não há nenhuma prova contra você que pudesse justificar tamanho absurdo jurídico, ao contrário do que quiseram seus algozes, o fortaleceu. Você ficou ainda mais forte na mente e no coração do nosso povo. Não por acaso seu nome está em primeiro lugar na preferência do eleitorado brasileiro que se manifesta sobre as próximas eleições. E esta posição aparece em qualquer pesquisa feita com isenção por diferentes institutos de sondagens eleitorais.
 
Mas pesquisa não ganha eleição, como sabemos. Por isto nós nos somamos ao movimento nacional Lula Livre! Sua libertação vai acontecer, mais dia menos dia. E quando isto ocorrer nós iremos às ruas para cantar seu nome e continuar a luta por Democracia e Justiça. Porque é disso que se trata.
 
Um país democrático, justo e livre deve ter uma justiça isenta, uma imprensa livre e imparcial e o direito de ir e vir garantido a todas as pessoas, independente de sua posição social, política ou econômica. E o sagrado direito da presunção de inocência como garante a Constituição cidadã de 1988. Ao submeter-se à prisão, você afiança crédito à Justiça brasileira, apesar de ela o ter condenado injustamente. E o faz para provar sua inocência. Com esta atitude, incompreensível para quem não entende a profundidade do seu gesto, você pedagogicamente demonstra ao nosso povo que temos de recuperar a dignidade da justiça e fazê-la funcionar para o bem do direito e a segurança das pessoas. Seu gesto instiga em nós a esperança de que isto um dia acontecerá. 
 
Desejamos que você renove suas forças a cada dia quando escuta do povo da vigília o grito em alto e bom som: - Bom dia, presidente! Que em suas muitas horas de meditação, estudo e acompanhamento cotidiano da situação brasileira, seu espírito se fortaleça na busca por um país mais justo, solidário e soberano. Desejamos-lhe saúde, serenidade e muita paciência, aquela que Nelson Mandela, seu amigo pessoal, aprendeu nos muitos anos de prisão injusta.
 
Como membros da IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, nos manifestamos pessoalmente. Estes são nossos votos e nossas orações por você e sua família. Porque apoiá-lo neste momento é para nós muito mais que uma opção. Nós o fazemos em fidelidade ao mandato que recebemos do próprio Cristo, de anunciar Boa Notícia aos pobres, libertação aos presos, recuperação da vista aos cegos, dar liberdade aos oprimidos e alimentar a esperança em um tempo no qual a justiça seja plena para todos e todas (Lucas 4.18-19). É por isto que apoiamos governantes que colocam as necessidades básicas da população na ordem do dia da gestão pública. Pois nossa fé nos ensina que facilitar a alimentação dos pobres, garantir vestimenta e moradia aos necessitados, acolher os estrangeiros e visitar os encarcerados é uma forma de prestar culto a Deus (Mateus 25.31-46).
 
Abraço solidário.
 
Fonte: PPL
Foto: Francisco Proner/Reuters

Fonte: Conic

Nota de Repúdio à “reportagem” da TV Band: quem de fato está devastando as margens do rio São Francisco?



Nota de Repúdio à “reportagem” da TV Band: quem de fato está devastando as margens do rio São Francisco?

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) – CPT Nacional e Regional Minas Gerais – vêm a público repudiar e exigir direito de resposta à Band (Rádio e Televisão Bandeirantes S.A.) em face da reportagem da TV Bandeirantes veiculada às 20h do dia 19 de julho de 2018 e disponibilizada também em seu sítio eletrônico, sob o título “Grupos invadem terras e destroem vegetação perto do rio”, que criminaliza os Povos e Comunidades Tradicionais e esconde a verdade a respeito dos conflitos agrários e socioambientais que acontecem às margens do rio São Francisco, no norte de Minas Gerais. Esta “reportagem” revela que o jornalismo da Band não entende nada sobre este tema e, ao se meter nele, está acintosamente a serviço dos ruralistas da região, usurpadores de terras públicas e os reais destruidores do chamado “rio da unidade nacional”. Na realidade a “reportagem” é uma propaganda disfarçada que mostra o compromisso do jornalismo da Band com os interesses de empreendimentos do agronegócio, que causam imensa devastação socioambiental e que não foram denunciados.

Já de início, a chamada da “reportagem” – “o processo de demarcação põe em risco o futuro do rio” – esconde a realidade para apoiar os latifundiários e empresários da região, que têm realizado ações para impedir a celebração do Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS) e outras ações de regularização fundiária entre as Comunidades Ribeirinhas e o poder público.

A bem da verdade, temos que informar que:

1) As Comunidades ribeirinhas com seus modos tradicionais de vida ocupam as margens do rio São Francisco, algumas há séculos. Vivem da pesca, do extrativismo e de pequenas áreas de plantio nas ilhas e vazantes, aproveitando a fertilização natural trazida pelas cheias do rio. Daí sua identificação como ribeirinhos, pescadores e vazanteiros, algumas também indígenas e quilombolas. Além da subsistência de suas famílias, produzem boa parte dos alimentos comercializados nas feiras da região e protegem as beiras do rio das quais depende este modo de vida. Para essas Comunidades “o Rio é Pai e Mãe”, e as margens, uma bênção. Logo, as Comunidades Ribeirinhas são as primeiras interessadas na sua preservação. Vale lembrar que neste ano umas das comunidades vazanteiras do Norte de Minas, dentre 5 casos no Brasil, recebeu o Prêmio BNDES de boas práticas para Sistemas Tradicionais, em parceria com a EMBRAPA. São “exemplos de convivência com a terra, amostras da genuína cultura do campo em que natureza e comunidades se misturam e se confundem num jeito de viver especial”, conforme publicou a EMBRAPA.

2) A partir dos anos 1970, com favorecimentos dos governos da ditadura civil-militar-empresarial, grandes projetos de irrigação se apoderaram destas áreas ribeirinhas. Entre eles o Jaíba, nos marcos do Projeto JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), à época tido como o maior do mundo, em parceria com o capital japonês.

3) Neste processo, milhares de famílias tradicionais ocupantes, diante da violência de jagunços, foram expulsas, algumas resistiram, muitas alojaram-se nas ilhas e periferias das cidades. São estas ainda hoje numerosas e lutam pela garantia da posse das áreas que lhes dão os meios de vida, para o que precisam preservá-las.

4) Fazendas de gado e empresas de irrigação ocupam áreas da União – as áreas inundáveis às margens de rios nacionais são de propriedade da União – de forma ilegal, muitas mediante mecanismos de grilagem de terras. Assim, além de usar as vazantes para colocar o gado nos períodos de seca, têm acesso ilimitado às águas do rio São Francisco para irrigação.

5) A grande irrigação na Bacia do São Francisco é, comprovadamente, o maior consumidor de água, cerca de 70%. Por isso é o maior responsável pela evidente diminuição do volume de água do rio, um dos mais degradados do mundo.

6) Os responsáveis maiores pela supressão de matas ciliares são os latifundiários e empresários, não as comunidades ribeirinhas que delas dependem. Para induzir ao equívoco dos telespectadores, a “reportagem” mostra imagens aéreas de vegetação seca, sem revelar que se trata do período natural da estiagem. Nos espanta que o Cerrado, Bioma responsável por mais de 90% das águas do Velho Chico, venha sendo devorado pelas grandes plantações de eucalipto, algodão, soja e cana, dentre outras monoculturas, e isso nem ao menos tenha sido citado pela “reportagem”.

7) As comunidades ribeirinhas no uso do direito de autodefinição buscam a efetivação da Política Nacional e Estadual de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais instituída pelo Decreto n° 6.040/2007 e pela Lei Estadual n° 21.147 de 14 de janeiro de 2014. Lutam pela regularização de seu território tradicional, que constituem os espaços necessários à sua reprodução cultural, social e econômica, sejam eles utilizados de forma permanente ou temporária. Desta forma, parte das comunidades tem seus processos de regularização iniciados, diferentemente de latifundiários que ocupam e degradam áreas da União sem autorização nenhuma.

8) A ação da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) tem por objetivo regularizar para proteger as terras públicas da União nas margens do rio São Francisco, rio federal, através da demarcação e aprovação de ocupações que as preservam. É dever da SPU demarcar os territórios tradicionais como prescreve a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) da ONU, da qual o Brasil é signatário, que determina que os direitos das Comunidades Tradicionais, após autor-reconhecimento, devem ser garantidos. A SPU, em Minas Gerais, planejou realizar seis audiências públicas em cidades à margem do rio São Francisco, mas todas elas foram canceladas em função das pressões e ameaças dos latifundiários do norte de Minas. O que revela que autoridades e funcionários da União e do Estado não estão isentos destas injunções escusas.

9) Os fazendeiros que aparecem na “reportagem” são lideranças dos ruralistas na região, latifundiários que ameaçam as comunidades, perseguem lideranças e agentes pastorais, buscam influenciar o Poder Judiciário, criam milícias armadas e estão envolvidos em crimes contra comunidades, movimentos sociais e o meio-ambiente. Como resultado de inquérito policial da Polícia Civil de Montes Claros, três fazendeiros estão foragidos e 12 pessoas presas, por planejar ataque e tentativa de assassinato a comunidade sem-terra. Segundo divulgado pela Polícia Civil, o ataque foi planejado no Sindicato Rural de Montes Claros, e 20 pistoleiros contratados pelos fazendeiros cometeram o crime. Armas foram apreendidas nas fazendas. Em 2014 Cleomar Rodrigues de Almeida, liderança que vivia com sua família em uma área de comodato, em Pedras de Maria da Cruz, foi assassinado por funcionário de um fazendeiro. Muitas lideranças populares na região estão ameaçadas e envolvidas em programas de defensores de direitos humanos.

10) Ruralistas influenciam ou mesmo controlam prefeitos e deputados da região, que juntos fazem campanha, como a chamada “Paz no Campo”, cujo intuito é impedir qualquer tentativa de regularização dos legítimos territórios das comunidades tradicionais ribeirinhas.

Como concessionária de um serviço público de comunicação, a TV Band tem por obrigação legal informar ao seu público, de modo isento e fiel, a verdade dos fatos. Como no presente caso descumpriu seu dever, acusando de forma leviana a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de apoiar ilegalidades que não existem, nós exigimos direito de resposta conforme garante a Lei 13.188/2015, para que a verdade dos fatos seja restabelecida e conhecida. E a luta legítima e fundamental das comunidades ribeirinhas do Norte de Minas Gerais e de todo o rio São Francisco seja apoiada e vitoriosa, a bem da dignidade humana e do Rio – suas águas, terras, matas e gentes – e do País.

Belo Horizonte / Goiânia, 24 de julho de 2018.

Coordenação da CPT Regional Minas Gerais

Diretoria e Coordenação Nacional Executiva da CPT Nacional

Mais Informações:

Cristiane Passos (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6406 | 99307-4305

Fonte: CNBB

26 julho, 2018

Caravana do Semiárido Contra a Fome percorre 5 cidades para denunciar retorno da miséria



Caravana do Semiárido Contra a Fome percorre 5 cidades para denunciar retorno da miséria

Serão pouco mais de 2.906 quilômetros do sertão de Pernambuco até a capital paranaense em trajeto iniciado dia 27 de julho que se estende até 05 de agosto.  A ideia de cruzar o país para denunciar a iminente volta do Brasil ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) se dá devido ao desmonte de políticas públicas sociais que afetam a segurança alimentar dos povos do Semiárido.

Para dom Enemésio Ângelo Lazzaris, bispo de Balsas (MA), a ameaça de o Brasil voltar ao mapa da fome da FAO se situa dentro de um contexto geral do desmonte dos direitos sociais e humanos no Brasil. “Estamos numa escalada muito forte contra os direitos adquiridos desde o processo da Constituinte de 1988”, afirmou.

Direitos adquiridos nos últimos governos federais, como moradia e acesso à alimentação, estão sendo retirados pelo atual governo federal, avalia o religioso. “No nosso sistema, os direitos dos pequenos estão sendo tolhidos e as poucas conquistas estão sendo retiradas”, disse. Em função disto, o bispo avalia que um número grande pessoas que haviam superado a pobreza infelizmente está sendo ameaçada novamente pela carestia.

Cerca de 90 pessoas sairão no dia 27 de julho de Caetés (PE) e seguirão em dois ônibus para Curitiba (PR). A Caravana terá paradas estratégicas em Feira de Santana (BA), Montes Claros (MG) e Guararema (SP), até a chegada ao Paraná no dia 02 de agosto. No percurso de volta, o grupo tem uma parada em Brasília, no dia 05, com o objetivo de pautar o tema no Supremo Tribunal Federal (STF).

A redução de pessoas subalimentadas no país é uma conquista recente. Isso porque as ações que contribuíram com a saída do Brasil do Mapa da Fome, no ano de 2014, foram iniciadas com a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em 2003, aliado à garantia de crédito, acesso à água potável – por meio da implantação de tecnologias como as cisternas de placas – e renda, a exemplo do Bolsa-Família.

Entretanto, menos de 4 anos depois do Brasil celebrar a saída do Mapa da Fome, esse fantasma volta a rondar as populações carentes do campo e da cidade em todo o país, e no Semiárido, região marcada historicamente pela miséria e ausência de políticas públicas, a situação se acentua por conta da redução de investimentos nas políticas sociais e de convivência com a região.

“A Caravana dos povos do Semiárido contra a fome tem como objetivo chamar atenção da sociedade brasileira sobre os riscos da volta da fome para a população mais pobre do Brasil. Considerando que o Semiárido e o Nordeste sempre tiveram os maiores índices de fome da história do Brasil – por ser a maior área rural do país e uma ausência da ação do Estado por muitos anos. Queremos chamar atenção da sociedade sobre esse período que vivemos na história, os avanços e conquistas que tivemos com políticas sociais que priorizaram recursos de atendimento da população mais pobre, especialmente a população rural”, explica o coordenador executivo da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Alexandre Pires.

A iniciativa dos movimentos, redes e organizações do campo Popular e democrático do Semiárido, contará com momentos de debate em universidades, atos públicos e ações de agitação e propaganda. “Na medida em que as organizações da ASA se propõem a realizar uma caravana como esta, ela sai com três grandes objetivos: o primeiro debater a situação política do Brasil; o segundo fazer uma denúncia muito clara sobre o tema da fome, e, por fim, a defesa da democracia. Vai ser um momento muito rico e acredito que à medida que ela [a caravana] for passando e debatendo com a militância ela vai ganhar nome, e vai obrigar os candidatos a falar sobre o assunto”, salienta o membro da coordenação nacional do MST, João Paulo Rodrigues.

Dados – Com a política de cortes do Governo Federal, chegamos à expressiva e preocupante exclusão de 1,1 milhão de famílias do Programa Bolsa Família, cerca de 4,3 milhões de pessoas, em sua maioria crianças. Além disso, houve cortes nos investimentos para ações que garantem a segurança alimentar e nutricional das populações como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Para completar, o número de desempregados vem aumentando exponencialmente.

Em março deste ano, especialistas e pesquisadoras que participaram da aula inaugural da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz) avaliaram que de 2014 a 2016 o número de pessoas em extrema pobreza no Brasil saltou de pouco mais de 5.162 milhões para quase 10 milhões, o que ratifica o risco de o país retroceder na missão de erradicar a pobreza. Os números só não foram piores porque as regiões Norte e Nordeste, que historicamente abrigavam as populações mais carentes, conseguiram manter um equilíbrio, graças aos investimentos recebidos por meio de ações como o Programa de Cisternas, Bolsa-Família, Seguro-Safra e aposentadoria rural.

Pensando nisso, o percurso da Caravana do Semiárido contra a Fome contará com paradas estratégicas em municípios da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo a fim de sensibilizar as populações para o problema da má-nutrição e a redução das políticas públicas sociais. “Com a mudança das prioridades do Governo atual, de aplicação dos recursos, vemos voltar uma situação de fome e miséria. Então, as paradas que devem ocorrer têm como objetivo chamar a população para refletir e mobilizar a sociedade para estar atenta a essa situação que se agrava. Esse é o sentido de mobilizar estudantes, movimentos sociais e urbanos, juventudes”, explica Pires.

Com informações da ASA | Imagem: João Zinclar

Fonte: CNBB

Oração


Oração: 

Senhor, aumenta a minha fé, para que possa ver e reconhecer as intenções do teu amor e corresponder-lhe. Vivo tão mergulhado nesta sociedade de consumo, cheia de coisas prontas a usar, a vestir, a comer, a ouvir, que Te perco de vista, e não Te consigo ouvir. Muitas vezes, prefiro ouvir palavras cintilantes mas inconsistentes, proclamadas pelo charlatão de turno. As tuas palavras são mais difíceis de compreender, mas dão a vida.
Perdoa-me, Senhor! Apoia misericordiosamente o meu desejo de conversão. Preciso de olhos limpos pela fé, de ouvidos capazes de discernir a tua voz no meio da confusão de tantos sons. Preciso, sobretudo, de um coração disponível para acolher a verdade sobre Ti e a verdade sobre mim; preciso de um coração pronto a amar e suficientemente humilde para se deixar amar no modo que quiseres. É o que Te peço, hoje, com toda a confiança. Amém.

Fonte: Dehonianos

Muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram.

Evangelho de hoje, 26/07/2018

Mateus 13,16-17

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
16"Felizes sois vós, porque vossos olhos vêem
e vossos ouvidos ouvem.
17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos 
desejaram ver o que vedes, e não viram,
desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram".
Palavra da Salvação.

Lançada Medalha do 6° Ano de Pontificado do Papa Francisco



Lançada Medalha do 6° Ano de Pontificado do Papa Francisco

Os seis anos do Pontificado do Papa Francisco serão recordados por uma medalha comemorativa que já está cunhada.

A partir de quinta-feira, 26 de julho, a medalha "VI Ano do Pontificado de Sua Santidade o Papa Francisco" já estará disponível e pode ser encontrada na Administração do Patrimônio da Sé Apostólica do Estado da Cidade do Vaticano e na Livraria Editora Vaticana, a medalha do

A Medalha está caracterizada em seu anverso por alguns raios de luz concêntricos que saem de uma pomba na parte superior, "iluminando" o brasão papal. 
Esta simbologia procura remeter para os dons que o Espírito Santo dá à Igreja.

Um certificado de Garantia, numerado, acompanha cada medalha. Para maior garantia, o Certificado traz ainda um carimbo da Secretaria de Estado e do Instituto Poligráfico e Casa da Moeda do Estado italiano.

As moedas foram cunhadas em metais diferentes e 20 delas foram colocadas em um trítico. As demais medalhas estão assim distribuídas: 30 medalhas de ouro, 1500 medalhas em prata e 2000 em bronze 2.000. (JSG)

Fonte:  Gaudium Press

25 julho, 2018

Não há paz para os ímpios


Não há paz para os ímpios

"Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5, 9).
Santo Agostinho define a paz como sendo a tranquilidade da ordem.Não se trata, portanto, de qualquer tranquilidade - como a que poderia existir num cemitério -, mas a da ordem.

Promover a paz significa primordialmente rezar e agir para que haja ordem em cada pessoa. E a ordem só será conseguida se ela evitar o pecado, obedecendo aos Mandamentos.

Plinio Corrêa de Oliveira assim define o pecado: "... um ato de revolta contra Deus, que o homem praticou violando a ordem por Ele instituída".

O pecado provoca a desordem não só no indivíduo, mas também na sociedade; e até mesmo no universo, conforme afirmou Paulo VI:
"Todo pecado, efetivamente, acarreta uma perturbação da ordem universal, por Deus estabelecida com indizível sabedoria e caridade infinita, e uma destruição de bens imensos, quer se considere o pecador como tal, quer a comunidade humana."

Diz a Escritura: "Grande paz têm aqueles que amam vossa Lei" (Sl 118, 165). Portanto, não há paz para os ímpios, pois desprezam a Lei de Deus.

E Jesus continuou: "... serão chamados filhos de Deus": Ensina o Apóstolo: "Se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, se, de fato, sofremos com Ele, para sermos também glorificados com Ele" (Rm 8, 17). Ou seja, o Criador os receberá no Reino dos Céus.

As perseguições morais são mais perniciosas

"Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos Céus" (Mt 5, 10-12).

"Justiça", nesse caso, significa santidade, a qual consiste não apenas na perfeição moral de si mesmo, mas na luta "pelos interesses e a glória de Deus, de Cristo, da Igreja".

As hagiografias demonstram como os santos sofreram perseguições físicas, que às vezes chegaram até ao martírio. Mas existem também as perseguições morais, que são mais perniciosas.

"No mundo de hoje, quantos perdem a Fé, por não aguentarem a pressão do ambiente de ateísmo prático que os envolve? E por isso, em nossos dias, talvez seja mais meritório proclamar a Fé diante do riso irônico de um círculo de pseudoamigos, do que o era ante o rugido das feras no Coliseu, nos primeiros tempos do Cristianismo.

"Por vezes, pior ainda do que a perseguição dos maus, é a incompreensão dos bons."

Os verdadeiramente bons sofrem não apenas devido às perseguições movidas contra suas pessoas, mas sobretudo por aquelas desferidas contra a Igreja Católica por inimigos externos ou internos. Estes últimos são "muito mais perigosos certamente e mais funestos do que os inimigos declarados, não só porque lhes secundam os esforços [...], como também porque, mantendo opiniões condenadas, mas dentro de certos limites, tomam uma aparência de integridade e de doutrina irrepreensível, aliciando os imprudentes amigos de conciliações e enganando as pessoas honestas, que se revoltariam contra um erro declarado."

Os que sofrerem essas perseguições com espírito altaneiro, pleno de Fé, de amor a Deus e ao próximo, receberão um prêmio eterno: o Reino dos Céus, infinitamente superior à felicidade que se pode conseguir neste mundo.

Antegozo, já nesta Terra, da felicidade eterna

"Com essas oito sentenças, Jesus indicou a via para alcançar o Céu, onde veremos a Deus face a face e participaremos da própria vida divina, possuindo a mesma felicidade da qual Ele goza. E quem rege sua conduta de acordo com elas começa por antegozar espiritualmente, já nesta Terra, a felicidade eterna.

"As Bem-aventuranças não são, portanto, frases para serem estudadas apenas com a inteligência, de modo frio, mas sim princípios de vida a serem lidos e meditados com o coração, com o calor de alma de quem quer se pôr a caminho, seguindo os passos de Nosso Senhor.

"Com uma suavidade toda divina, elas nos convidam à radicalidade na prática do bem, pois o padrão de virtude que nelas Cristo nos propõe não é outro senão Ele mesmo, o próprio Deus!"

O Sermão da Montanha é atualíssimo, pois "as raízes dos males atuais são idênticas às dos horrores da época de Jesus, que sinteticamente assim se poderiam enunciar: ‘a finalidade última do homem se cumpre nesta Terra; por isso ele deve fruir todos os prazeres que a vida e este mundo lhe oferecem'. Embora muitas pessoas afirmem que creem em Deus, vivem como se Ele não existisse.

"Falta à humanidade uma graça eficaz que a faça, como o filho pródigo, ter saudades da casa paterna e querer retornar às delícias das consolações de quem ama verdadeiramente a Deus, seus Mandamentos, e ao próximo como a si mesmo."

Peçamos a Nossa Senhora essa graça, a fim de que seja implantado logo e com todo esplendor o Reino de seu Imaculado e Sapiencial Coração.

Por Paulo Francisco Martos
(in "Noções de História Sagrada" 157)

Fonte:  Gaudium Press

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1 - Cf. A Cidade de Deus. Livro XIX, capítulo 13, n.1.
2 - CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A ordem natural e os Dez Mandamentos. In Dr. Plinio, São Paulo. Ano XIII, n. 144 (março 2010), p. 21. 
3 - PAULO VI. Indulgentiarum doctrina, n. 2. 
4 -FILLION, Louis-Claude. La sainte bible avec commentaires - Évangile selon S. Matthieu. Paris: Lethielleux. 1895, p. 105-106. 
5 - CLÁ DIAS, João Scognamiglio. EP. O inédito sobre os Evangelhos. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana; São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, v. VI, p. 87.
6 - PIO IX. Carta ao Presidente e membros do Círculo Santo Ambrósio, de Milão, de 6-3-1873, apud CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução. 5. ed. São Paulo: Retornarei.2002, p. 54-55. 
7 - CLÁ DIAS, op. cit., 2013, v. II, p. 55. 
8 - CLÁ DIAS, op. cit., 2012, v. VI, p. 88.

 

23 julho, 2018