16 julho, 2020

Novo normal: Brasil tem mais de mil mortes por dia e governantes festejam o tal “platô”

A barbárie está instalada massacrando os pobres. Bem-vindo ao novo normal, o mesmo de sempre no País da Desigualdade escreve Ricardo Melo, jornalista, em artigo publicado por Jornalistas Livres, 15-07-2020.

Eis o artigo.

A pandemia do coronavírus está fora de controle em todo o planeta. Sintomático: o país considerado o mais desenvolvido do mundo, os Estados Unidos, meca do capital financeiro, é incapaz de deter as mortes que se acumulam aos milhares. Lidera o ranking da morbidez. Atrás dele, disputando o pódium do genocídio, está o Brasil de Jair Bolsonaro.

Tem se falado muito sobre o primado da ciência, bla, bla bla. É bom que se aposte na certeza científica contra as feitiçarias, charlatanices e vendedores de remédios contra piolhos como salvação da humanidade. Ou contra mercadores de cloroquina que só fazem encher os bolsos(naros) de um dinheiro extra.

Os fatos, porém, ultrapassam este debate. Vamos falar do Brasil. Um governador como João Dória comemora que São Paulo aparentemente atingiu um tal “platô”. “Temos y infectados, x mortes e a situação parece estar se estabilizando.”

Ei, que negócio é este? Como assim? Tem gente morrendo. E não é madame que acha que morador de rua é folgado e gosta de viver ao relento. São na maioria trabalhadoras e trabalhadores abandonados à própria sorte e sem condições de se defender. Os números são inequívocos. Há um corte social evidente entre as vítimas. Aqui no Brasil, nos EUA e pelo mundo afora.

Há dinheiro de sobra rodando pelo mundo para debelar uma pandemia como esta. Ninguém de bom senso acredita que a colaboração entre cientistas de ponta de todo o mundo não poderia achar uma saída rápida para aplacar um vírus. Mas o que se vê é uma guerra entre laboratórios multinacionais gananciosos para ver quem vai chegar primeiro à pedra filosofal.

Enquanto isso, além das vítimas do vírus, assiste-se ao sacrifício desumano de milhares de profissionais de saúde que tentam fazer o que o capitalismo predador não faz. Salvar vidas. Eles trabalham sem proteção, em sistemas públicos de saúde desmantelados e entregues ao olho gordo do dinheiro grosso. As histórias de enfermeiros e médicos que morreram vítimas do vírus ou se mataram por não conseguir impedir a morte de pacientes recheiam as páginas dos principais jornais do mundo.
Novo normal no Jornal Nacional

Por aqui, a tragédia também virou o novo normal. O Jornal Nacional, da Rede Globo, já trata o assunto como uma seção. Colocou um apresentador que parece ter saído de uma impressora 3D para falar sobre os números do dia. Como se estivesse falando das cotações da bolsa ou do dólar. Ou da previsão do tempo. “Amanhã vão morrer tantos, sobreviver outros. Agora é com você, Bonner”. A rede Globo sempre será a Globo, a mesma que “descobriu” que havia uma ditadura no Brasil com quase meio século de atraso.
E seguem os enterros. Literalmente.

Vamos falar claro: as medidas de relaxamento do isolamento social são criminosas. Isto mesmo, senhor Dória e outros governadores e prefeitos. Vejam o caso da Índia e de outros países. Enquanto não houver uma vacina ou uma solução intermediária, a exposição de cidadãos a céu aberto equivale a uma sentença de morte distribuída por amostragem.

Sobre Bolsonaro é inútil falar. Faz tempo, cerca de trinta anos, que ele tá pouco se lixando para o Brasil. Tá mais preocupado com Queiróz e dona Márcia (a propósito: para quem não sabe, a avó da mulher dele, Michelle Bolsonaro, foi recolhida no meio da rua com o coronavírus. Neste momento, luta contra a morte num hospital ).

Enfim, é um escândalo. Os culpados estão identificados. São as autoridades, aliadas do capital gordo, que menosprezam a vida dos que não têm como se proteger e pregam o libera geral. Dane-se o povo. Aquelas excelências estão resguardadas por grandes hospitais, planos de saúde e benesses de todo tipo. Trump, Bolsonaro e Dória estão sãos e salvos.

Para a maioria, sobra o “platô” das covas.

Fonte: IHU

11 julho, 2020

Rezemos juntos

Rezemos juntos,
Para que Deus nos mostre "como da fé brota sempre uma esperança alegre, capaz de mudar o mundo." (papa Francisco)

Livro entrelaça a prática eucarística com as realidades sociais, econômicas e ecológicas

"Este sistema alimentar rompido e a atual crise ambiental exigem que tomemos a Eucaristia como uma fraternidade fundamental de refeição. Isso inclui reconhecer-nos como comunidade reunida, vocacionada a agir contra os males políticos e sociais do mundo. Para isso, precisamos nos reunir ao redor de uma mesa comum, onde nos engajemos não só em rituais, mas também no serviço diaconal a todos", escreve Marian Ronan, professora e pesquisadora de estudos católicos no Seminário Teológico de Nova York, seminário de maioria afro-americana em Manhattan, e autora e coautora de sete livros. O artigo foi publicado por National Catholic Reporter, 08-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.



Eis o artigo.


Há uma ironia na publicação de um livro sobre a Eucaristia como uma “Refeição que liga / conecta” quando, devido à crise de covid-19, muitos de nós não têm acesso físico a essa refeição, embora, em algumas regiões, as igrejas estejam sendo reabertas.

Depois de registrar essa ironia, no entanto, li o importante artigo de Michael Pollan, intitulado “The Sickness in Our Food Supply”, [1] que descreve os rompimentos nas cadeias globais de produção que acompanham a pandemia. Foi então que reconheci também a importância de uma teologia que liga, com grande clareza, a Eucaristia à crise alimentar em curso, visibilizada pela pandemia.

Em The Meal that Reconnects (A refeição que religa, em tradução livre), a Irmã Mary E. McGann – da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, professora de estudos litúrgicos na Faculdade Jesuíta de Teologia, da Universidade Santa Clara, em Berkeley, Califórnia – sustenta que uma forma de superar esses rompimentos e as múltiplas injustiças decorrentes é recuperando-se o caráter fundamental de refeição da celebração eucarística, como se vê claramente nos Evangelhos e conforme praticado nas reuniões da comunidade primitiva cristã. E uma dimensão essencial dessas “fraternidades de refeição” era a de alimentar os pobres e famintos, não só adorar um Deus transcendente ou encenar a Santa Ceia.

McGann divide em três partes este seu entrelaçamento extraordinário da prática eucarística cristã com as realidades sociais, econômicas e ecológicas atuais. Na primeira parte, “Eating as Relationship” (Comer como uma relação), a autora mostra que a maneira como comemos é uma manifestação do tipo de relação que temos com o mundo, seja de consagração, seja de profanação. O modo como comemos pode impactar enormemente nas relações entre o passado e o presente, bem como entre as comunidades.

A agricultura industrial é um exemplo perfeito dessa profanação, ao dissociar o ato de comer de suas dimensões humana e biológica. O papel essencial do alimento no ministério de Jesus, como vemos particularmente nos evangelhos de Lucas e João, nos dá uma alternativa revolucionária a essa dessacralização industrial, a essa desencarnação do ato de comer. O terceiro capítulo do livro, ao detalhar a centralidade dos banquetes na comunidade cristã primitiva e a ênfase desses banquetes na multiplicação de Jesus e na partilha de alimentos com os pobres, é, para mim, uma das partes mais reveladoras do estudo de McGann.

A parte dois, “Broken Relationships: Dining in the Industrial Food System” (Relações rompidas: comer no sistema industrial de alimentos), analisa o método corporativo / industrial de produção de alimentos no cerne das relações alimentares fraturadas de hoje. Nessa seção, McGann documenta como, após a Segunda Guerra Mundial, uma coalizão de empresários, economistas e especialistas em relações públicas desencadeou uma mudança das práticas agrícolas holísticas seculares na direção de um controle do mercado inteiro de alimentos, controle assumido por algumas poucas fazendas industrializadas. Isso levou à globalização da produção alimentar, à produção de cada vez mais alimentos processados e à desregulamentação do comércio. Tudo isso contribuiu para a cultura pouco saudável do fast-food, de lanches e refeições intermináveis em frente aos aparelhos de TV, e não em volta da mesa.

Outros efeitos da mudança para a agricultura industrial incluem: um declínio significativo na produção mundial de alimentos provocado pela destruição do solo; danos aos recursos hídricos decorrentes de escoamentos químicos; fome agravada pela mudança de culturas alimentares para uso na produção de biocombustíveis; aumento das emissões de CO2 com o transporte de alimentos não cultivados localmente; aumento da temperatura planetária com o desmatamento para a agricultura comercial; aumento dos preços dos alimentos; e o abuso de trabalhadores rurais em todo o mundo. Como alternativa, McGann propõe uma agricultura regenerativa: local, em pequena escala, de base orgânica e comprometida com a justiça alimentar para todos, e não com o lucro.

Mas como provocar uma transformação tão radical? A parte três do livro enfoca precisamente na Eucaristia como um meio de reconexão diante da crise alimentar mundial e nas relações humanas e planetárias subjacentes que acabaram rompidas. Para isso, no entanto, nós cristãos precisamos reconstruir radicalmente a compreensão que temos da Eucaristia e das formas rituais nas quais a celebramos.

Em primeiro lugar, este sistema alimentar rompido e a atual crise ambiental exigem que tomemos a Eucaristia como uma fraternidade fundamental de refeição. Isso inclui reconhecer-nos como comunidade reunida, vocacionada a agir contra os males políticos e sociais do mundo. Para isso, precisamos nos reunir ao redor de uma mesa comum, onde nos engajemos não só em rituais, mas também no serviço diaconal a todos. Também precisamos usar, como literalmente faziam os discípulos, um pão feito com grãos locais, não as hóstias industrializadas de hoje, e beber um copo de vinho produzido localmente.

E mesmo ao partilharmos essa refeição, precisamos demonstrar a abundância ilimitada da Terra, oferecendo alimento a todos, como faziam as comunidades cristãs primitivas, e não apenas o pão e o vinho consagrados. Por fim, esta fraternidade de refeição torna-se uma oferta em agradecimento a toda a criação, oferta que gerará uma “economia alternativa” por meio da celebração, educação e ação, que nos levará a abraçar a nossa integração terrena. É uma refeição que não só nos liga, mas nos religa, a Deus em todos.

Em uma resenha desse tamanho, é impossível fazer jus à riqueza da teologia eucarística de McGann e ao extraordinário leque de fontes que ela torna acessível ao construir seu texto. Fiquei particularmente impressionada com a integração matizada da encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’ – Sobre o cuidado da casa comum”, à parte final de seu estudo. Especialmente no último capítulo, onde aborda possíveis maneiras de revitalizar a integração ecológica, social e econômica da alimentação eucarística, o envolvimento de McGann com as obras de Norman Wirzba, Ched Myers, William Cavanaugh, Wenonah Hauter e muitos outros, expandiu grandemente a minha lista de leituras acadêmicas.

No entanto, livro algum, nem mesmo uma publicação esplêndida como The Meal that Reconnects, é escrito sem falhas pontuais. Neste caso, a ânsia da autora em tornar o seu debate acessível parece resultar em um uso exagerado de listagens numéricas em várias partes de seus argumentos. Fazer isso ocasionalmente é uma ideia sensata, mas fazê-lo com muita frequência, como McGann faz, corre o risco, às vezes, de confundir ao invés de esclarecer o material. Entretanto, à luz da muito necessária contribuição dada por The Meal that Reconnects, tal problema é bastante trivial.

Nota:
[1] “A doença em nossa cadeia alimentar”. Disponível aqui em inglês.

Qual o papel de um Animador Vocacional?



O Serviço de Animação Vocacional - SAV/PV da Arquidiocese de
Maringá está desenvolvendo seu trabalho por meio de vídeos com conteúdos
formativos e informativos. Todas as sextas-feiras terá um novo vídeo circulando
pelas redes sociais.

10 julho, 2020

Exclusivo: Dom Severino Clasen fala sobre Igreja, sociedade e política







Dom Severino Clasen fala sobre Igreja, sociedade e política

Ao falar das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, Dom Severino
diz que é  “uma necessidade para uma
Igreja viva” e que as CEBs são “canal muito bom para poder viver a dimensão
missionária, de transformar as realidades”

Coletiva de imprensa com Dom Severino Clasen 09 07 2020




Dom Severino Clasen tomará posse dia 15 de agosto
A Santa Missa em que será realizada a posse do 5º Arcebispo de Maringá será celebrada em 15 de agosto, sábado, às 9h30, na Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória - mesmo dia em que se celebra a padroeira da cidade e da Arquidiocese de Maringá, Nossa Senhora da Glória.
A data foi anunciada na tarde desta quinta-feira (09) durante Coletiva de Imprensa no Auditório São João Paulo II, anexo ao Seminário Arquidiocesano em Maringá.
A celebração será transmitida pelo canal da Arquidiocese de Maringá no YouTube https://www.youtube.com/user/Arquidio... e demais redes sociais da Arquidiocese, além da Rádio Colmeia FM (98,7).
Por causa das restrições impostas pela atual conjuntura, a Catedral de Maringá poderá acolher apenas 30% de sua capacidade de público. Os lugares serão destinados aos bispos, padres, diáconos, coordenadores de pastorais e movimentos, seminaristas, religiosos, autoridades civis e imprensa.

Coletiva de imprensa
Entre os destaques, Dom Severino falou sobre a conjuntura atual, as perspectivas pastorais pós pandemia, ecumenismo, diálogo inter-religioso e sobre o respeito às minorias.

Acreditamos no Amor - (cf. 1 Jo 4, 16) - Abraão, nosso pai na fé

Acreditamos no Amor - (cf. 1 Jo 4, 16)

Abraão, nosso pai na fé

8. A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes, com os primeiros testemunhos já no Antigo Testamento. Um posto singular ocupa Abraão, nosso pai na fé. Na sua vida, acontece um facto impressionante: Deus dirige-lhe a Palavra, revela-Se como um Deus que fala e o chama por nome. A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um carácter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contacto com o homem e estabelecer com ele uma aliança. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.

9. Esta Palavra comunica a Abraão uma chamada e uma promessa. Contém, antes de tudo, uma chamada a sair da própria terra, convite a abrir-se a uma vida nova, início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado. A perspectiva, que a fé vai proporcionar a Abraão, estará sempre ligada com este passo em frente que ele deve realizar: a fé « vê » na medida em que caminha, em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus. Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf. Gn 13, 16; 15, 5; 22, 17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um acto de memória; contudo esta memória não o fixa no passado, porque, sendo memória de uma promessa, se torna capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim se vê como a fé, enquanto memória do futuro, está intimamente ligada com a esperança.

10. A Abraão pede-se para se confiar a esta Palavra. A fé compreende que a palavra — uma realidade aparentemente efémera e passageira —, quando é pronunciada pelo Deus fiel, torna-se no que de mais seguro e inabalável possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho no tempo. A fé acolhe esta Palavra como rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes. Por isso, na Bíblia hebraica, a fé é indicada pela palavra ‘emûnah, que deriva do verbo ‘amàn, cuja raiz significa « sustentar ». O termo ‘emûnah tanto pode significar a fidelidade de Deus como a fé do homem. O homem fiel recebe a sua força do confiar-se nas mãos do Deus fiel. Jogando com dois significados da palavra — presentes tanto no termo grego pistós como no correspondente latino fidelis –, São Cirilo de Jerusalém exaltará a dignidade do cristão, que recebe o mesmo nome de Deus: ambos são chamados « fiéis ».[8] E Santo Agostinho explica-o assim: « O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete; o Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem ».[9]

11. Há ainda um aspecto da história de Abraão que é importante para se compreender a sua fé. A Palavra de Deus, embora traga consigo novidade e surpresa, não é de forma alguma alheia à experiência do Patriarca. Na voz que se lhe dirige, Abraão reconhece um apelo profundo, desde sempre inscrito no mais íntimo do seu ser. Deus associa a sua promessa com aquele « ponto » onde desde sempre a existência do homem se mostra promissora, ou seja, a paternidade, a geração duma nova vida: « Sara, tua mulher, dar-te-á um filho, a quem hás-de chamar Isaac » (Gn 17, 19). O mesmo Deus que pede a Abraão para se confiar totalmente a Ele, revela-Se como a fonte donde provém toda a vida. Desta forma, a fé une-se com a Paternidade de Deus, da qual brota a criação: o Deus que chama Abraão é o Deus criador, aquele que « chama à existência o que não existe » (Rm 4, 17), aquele que, « antes da fundação do mundo, (...) nos predestinou para sermos adoptados como seus filhos » (Ef 1, 4-5). No caso de Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser: permite-lhe reconhecer a fonte de bondade que está na origem de todas as coisas, e confirmar que a sua vida não deriva do nada nem do acaso, mas de uma chamada e um amor pessoais. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova da fé de Abraão, o sacrifício do filho Isaac, manifestará até que ponto este amor originador é capaz de garantir a vida mesmo para além da morte. A Palavra que foi capaz de suscitar um filho no seu corpo « já sem vida (…), como sem vida estava o seio » de Sara estéril (Rm 4, 19), também será capaz de garantir a promessa de um futuro para além de qualquer ameaça ou perigo (cf. Heb 11, 19; Rm 4, 21).

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CARTA ENCÍCLICA LUMEN FIDEI
DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO

Projeto "Caminhos de santidade: a vida dos santos” Santos Sete Irmãos.

Projeto "Caminhos de santidade: a vida dos santos” Santa Verônica Giuliani

09 julho, 2020

Sobre a Fé

SOBRE A FÉ 

1. A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Eis como Ele Se nos apresenta, no Evangelho de João: « Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim não fique nas trevas » (Jo 12, 46). E São Paulo exprime-se nestes termos: « Porque o Deus que disse: "das trevas brilhe a luz", foi quem brilhou nos nossos corações » (2 Cor 4, 6). No mundo pagão, com fome de luz, tinha-se desenvolvido o culto do deus Sol, Sol invictus, invocado na sua aurora. Embora o sol renascesse cada dia, facilmente se percebia que era incapaz de irradiar a sua luz sobre toda a existência do homem. De facto, o sol não ilumina toda a realidade, sendo os seus raios incapazes de chegar até às sombras da morte, onde a vista humana se fecha para a sua luz. Aliás « nunca se viu ninguém — afirma o mártir São Justino — pronto a morrer pela sua fé no sol ».[1] Conscientes do amplo horizonte que a fé lhes abria, os cristãos chamaram a Cristo o verdadeiro Sol, « cujos raios dão a vida ».[2] A Marta, em lágrimas pela morte do irmão Lázaro, Jesus diz-lhe: « Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus? » (Jo 11, 40). Quem acredita, vê; vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso. 

Uma luz ilusória? 

2. E contudo podemos ouvir a objecção que se levanta de muitos dos nossos contemporâneos, quando se lhes fala desta luz da fé. Nos tempos modernos, pensou-se que tal luz poderia ter sido suficiente para as sociedades antigas, mas não servia para os novos tempos, para o homem tornado adulto, orgulhoso da sua razão, desejoso de explorar de forma nova o futuro. Nesta perspectiva, a fé aparecia como uma luz ilusória, que impedia o homem de cultivar a ousadia do saber. O jovem Nietzsche convidava a irmã Elisabeth a arriscar, percorrendo vias novas (…), na incerteza de proceder de forma autónoma ». E acrescentava: « Neste ponto, separam-se os caminhos da humanidade: se queres alcançar a paz da alma e a felicidade, contenta-te com a fé; mas, se queres ser uma discípula da verdade, então investiga ». [3] O crer opor-se-ia ao indagar. Partindo daqui, Nietzsche desenvolverá a sua crítica ao cristianismo por ter diminuído o alcance da existência humana, espoliando a vida de novidade e aventura. Neste caso, a fé seria uma espécie de ilusão de luz, que impede o nosso caminho de homens livres rumo ao amanhã. 

3. Por este caminho, a fé acabou por ser associada com a escuridão. E, a fim de conviver com a luz da razão, pensou-se na possibilidade de a conservar, de lhe encontrar um espaço: o espaço para a fé abria-se onde a razão não podia iluminar, onde o homem já não podia ter certezas. Deste modo, a fé foi entendida como um salto no vazio, que fazemos por falta de luz e impelidos por um sentimento cego, ou como uma luz subjectiva, talvez capaz de aquecer o coração e consolar pessoalmente, mas impossível de ser proposta aos outros como luz objectiva e comum para iluminar o caminho. Entretanto, pouco a pouco, foi-se vendo que a luz da razão autónoma não consegue iluminar suficientemente o futuro; este, no fim de contas, permanece na sua obscuridade e deixa o homem no temor do desconhecido. E, assim, o homem renunciou à busca de uma luz grande, de uma verdade grande, para se contentar com pequenas luzes que iluminam por breves instantes, mas são incapazes de desvendar a estrada. Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direcção. 

Uma luz a redescobrir 

4. Por isso, urge recuperar o carácter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um carácter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Por um lado, provém do passado: é a luz duma memória basilar — a da vida de Jesus –, onde o seu amor se manifestou plenamente fiável, capaz de vencer a morte. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, dado que Cristo ressuscitou e nos atrai de além da morte, a fé é luz que vem do futuro, que descerra diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso « eu » isolado abrindo-o à amplitude da comunhão. Deste modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas. Dante, na Divina Comédia, depois de ter confessado diante de São Pedro a sua fé, descreve-a como uma « centelha / que se expande depois em viva chama / e, como estrela no céu, em mim cintila ». [4] É precisamente desta luz da fé que quero falar, desejando que cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho, num tempo em que o homem vive particularmente carecido de luz. 

5. Antes da sua paixão, o Senhor assegurava a Pedro: « Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça » (Lc 22, 32). Depois pediu-lhe para « confirmar os irmãos » na mesma fé. Consciente da tarefa confiada ao Sucessor de Pedro, Bento XVI quis proclamar este Ano da Fé, um tempo de graça que nos tem ajudado a sentir a grande alegria de crer, a reavivar a percepção da amplitude de horizontes que a fé descerra, para a confessar na sua unidade e integridade, fiéis à memória do Senhor, sustentados pela sua presença e pela acção do Espírito Santo. A convicção duma fé que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e na força da sua graça, animava a missão dos primeiros cristãos. Nas Actas dos Mártires, lemos este diálogo entre o prefeito romano Rústico e o cristão Hierax: « Onde estão os teus pais? » — perguntava o juiz ao mártir; este respondeu: « O nosso verdadeiro pai é Cristo, e nossa mãe a fé n’Ele ».[5] Para aqueles cristãos, a fé, enquanto encontro com o Deus vivo que Se manifestou em Cristo, era uma « mãe », porque os fazia vir à luz, gerava neles a vida divina, uma nova experiência, uma visão luminosa da existência, pela qual estavam prontos a dar testemunho público até ao fim. 

6. O Ano da Fé teve início no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II. Esta coincidência permite-nos ver que o mesmo foi um Concílio sobre a fé, [6] por nos ter convidado a repor, no centro da nossa vida eclesial e pessoal, o primado de Deus em Cristo. Na verdade, a Igreja nunca dá por descontada a fé, pois sabe que este dom de Deus deve ser nutrido e revigorado sem cessar para continuar a orientar o caminho dela. O Concílio Vaticano II fez brilhar a fé no âmbito da experiência humana, percorrendo assim os caminhos do homem contemporâneo. Desta forma, se viu como a fé enriquece a existência humana em todas as suas dimensões. 

7. Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal [7] — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a « confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho. 

Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria. Fé, esperança e caridade constituem, numa interligação admirável, o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus. Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto? 
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ARTA ENCÍCLICA LUMEN FIDEI 
DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO 

É por isso que eu digo na angústia

"É por isso que eu digo na angústia:
«Quem me dera ter asas de pomba
e voar para achar um descanso!
Fugiria, então, para longe,
e me iria esconder no deserto.
Acharia depressa um refúgio
contra o vento, a procela, o tufão»."

Salmo 54

Ó meu Deus, escutai minha prece,
não fujais desta minha oração,
Dignai-vos me ouvir, respondei-me:

a angústia me faz delirar!
Ao clamor do inimigo estremeço,
e ao grito dos ímpios eu tremo.
Sobre mim muitos males derramam,
contra mim furiosos investem.

Meu coração dentro de mim se angustia,
e os terrores da morte me abatem;
o temor e o tremor me penetram,
o pavor me envolve e deprime!

É por isso que eu digo na angústia:
"Quem me dera ter asas de pomba
e voar para achar um descanso!
Fugiria, então, para longe,
e me iria esconder no deserto.
Acharia depressa um refúgio
contra o vento, a procela, o tufão".

Ó Senhor, confundi as más línguas;
dispersai-as, porque na cidade
só se vê violência e discórdia!

Dia e noite circundam seus muros,
dentro dela há maldades e crimes,
a injustiça, a opressão moram nela!
Violência, imposturas e fraudes
já não deixam suas ruas e praças.

Se o inimigo viesse insultar-me,
poderia aceitar certamente;
se contra mim investisse o inimigo,
poderia, talvez, esconder-me.

Mas és tu, companheiro e amigo,
tu, meu íntimo e meu familiar,
com quem tive agradável convívio
com o povo, indo à casa de Deus!

Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto,_
e o Senhor me haverá de salvar!
Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia,
faço ouvir meu lamento e gemido.

O Senhor há de ouvir minha voz,
libertando a minh'alma na paz,
derrotando os meus agressores,
porque muitos estão contra mim!

Deus me ouve e haverá de humilhá-los,
porque é Rei e Senhor desde sempre.
Para os ímpios não há conversão,
pois não temem a Deus, o Senhor.

Erguem a mão contra os próprios amigos,
violando os seus compromissos;
sua boca está cheia de unção,
mas o seu coração traz a guerra;
suas palavras mais brandas que o óleo,
na verdade, porém, são punhais.

Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento,
e jamais ele irá permitir
que o justo para sempre vacile!

Vós, porém, ó Senhor os lançais
no abismo e na cova da morte.
Assassinos e homens de fraude
não verão a metade da vida.
Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário:
ponho em vós toda a minha esperança!

08 julho, 2020

Rezemos juntos


Rezemos juntos
Para que Deus nos conceda a graça de não nos tornarmos insensíveis ao “encontro com o outro” que é “um encontro com Cristo”. A graça de reconhecermos Jesus nos estrangeiros, pobres, doentes e descartados da sociedade.

Papa: inimaginável o inferno vivido pelos migrantes nos campos de detenção


Na missa de aniversário dos 7 anos da histórica visita de Francisco a Lampedusa, o Pontífice ressaltou que conhecemos uma "versão destilada" do que acontece nos campos de detenção na Líbia. O Papa também alertou novamente para a “globalização da indiferença”, “um pecado” dos cristãos de hoje, que nos torna insensíveis ao “encontro com o outro” que também é “um encontro com Cristo”. O convite à conversão - de reconhecer Jesus nos estrangeiros, pobres e doentes -, foi renovado pelo Pontífice na missa desta quarta-feira (8), na Casa Santa Marta.
Leia a matéria AQUI

07 julho, 2020

Projeto "Caminhos de santidade: a vida dos santos” Beato Bento XI

Sou quem viu a dor de perto! A dor e o silêncio a partir das Lamentações



Sou quem viu a dor de perto! A dor e o silêncio a partir das Lamentações

Por Rafael Rodrigues da Silva*

O Livro das Lamentações é um pequeno livreto de salmos e orações do povo que expressa a dor que sentiram diante da invasão do império babilônico que arrasou a cidade, matou muita gente, violentou mulheres e crianças e saqueou as riquezas da cidade.

Os Salmos de Súplica mostram a situação difícil e grave que uma pessoa ou comunidade está vivendo. O pedinte diante dos conflitos e tensões suplica para que Deus possa ouvi-lo. Seja o grito de um doente que pede a Deus a cura (Sl 6; 38) ou do justo que é injustamente caluniado e perseguido (Sl 7) ou que Deus não esqueça dos pobres no julgamento (Sl 10). Assim poderíamos percorrer todos salmos de súplica e perceber que as orações de lamento têm várias maneiras de apresentar as queixas diante de Deus (“Javé, escuta minhas palavras, leva em conta o meu gemido. Ouve atento meu grito por socorro…” – Sl 5).

No Livro das Lamentações encontramos uma mistura entre cantos fúnebres, lamentos individuais e coletivos. É um livro que gira em torno da situação de cerco, cativeiro, fome e destruição da cidade através da ação dos babilônicos (597-587 a.E.C.). Ali aparecem os lamentos em tom coletivo nos capítulos 1-2 e 4-5 e o grande lamento individual do capítulo 3, que está no centro do livro. Valeria a pena ler atentamente estas orações e perceber as marcas de opressão, os resultados do processo de desumanização e os sinais de resistência do povo. Os gritos e o silêncio pela dor de muita gente ecoam nestes cantos e revelam em cada linha o sangue derramado, a luta pela vida e a teimosia da esperança.

No Livro das Lamentações ecoa o silêncio de Deus diante do grito e da dor do povo. Por que está acontecendo tudo isto? Quais as causas? De quem é a culpa? Onde está Deus? Tudo aconteceu porque pecamos? E por aí seguem as interrogações que estão no silêncio e no grito do povo. Quando começam a juntar as incertezas e inquietações, abre-se um espaço fundamental tanto para ecoar a dor e sofrimento, quanto para descrever os instrumentos de opressão e de desumanização presentes por trás de cada lágrima e cada grito.

A terceira lamentação começa com esta afirmação: “Eu sou aquele que viu a dor de perto!” Este “ver” implica em olhar com atenção, ouvir, sentir e experienciar a dor. Certamente esta frase que abre o lamento quer provocar uma pergunta em meio ao silêncio: “qual foi a for que você viu?”

Eu vi muita gente gemendo com fome e na busca por pão (1,11); crianças pedindo comida e ninguém lhes dava nada (4,4); outras crianças morrendo no colo de suas mães (2,12); muitas crianças e bebês desfalecendo pelas ruas  (2,11); muita gente arriscando a vida para trazer alimento para casa (5,9) e os anciãos e lideranças foram mortos enquanto buscavam por comida (1,19); muita gente tentando desfazer de objetos para aplacar a fome em meio aos ataques (1,11). Nossa pele queima como forno, torturada pela fome (5,10).

Eu vi o povo pagando pela água para beber e pela lenha (5,4) e o sentimento de todos de que era melhor morrer pela espada do invasor do que morrer lentamente de fome (4,9).

Eu vi as mulheres sendo violentadas e as jovens sendo abusadas (5,11); os velhos sendo desrespeitados (5,12.14); os jovens sem alegria e obrigados aos trabalhos forçados (5,13.15). A morte reinava dentro e fora de casa (1,20; 2,20).

Eu vi muita tristeza e a cidade estava em completo luto e pranto (1,4), onde os jovens não cantavam mais (1,4; 5,14), os velhos não se reuniam nas portas (5,14), as festas se transformaram em lamentos (5,15) e as jovens não dançavam por causa da tristeza (1,4; 2,10). Acabou a alegria e não há consolo diante de muita dor (1,2.9.16; 2,13; 5,15).

Eu vi a opressão e a exploração, onde os jovens foram deportados e outros obrigados aos trabalhados forçados (1,18; 5,13). Não há quem nos livre e o jugo chegou ao nosso pescoço (4,17; 5,5). O povo esgotado pela opressão e sem descanso (1,3; 5,5).

No Livro das Lamentações ecoa a resistência e a luta do povo oprimido. Em cada canto da cidade e em cada canto do país começa um mo(vi)mento que lembra, recorda, recolhe histórias e experiências, resiste, protesta e teimosamente “esperançam” Recriam a vida a partir do grito e do silêncio. Na escuridão lembram uma antiga profecia: “O povo que era andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam uma terra tenebrosa. Multiplicaste sua alegria, aumentaste seu prazer. Vão alegrar-se diante de ti, como na alegria da colheita, como no prazer dos que repartem despojos de guerra. Porque como no dia de Madiã, quebraste a canga de suas cargas, a vara que batia em suas costas e o bastão do capataz de trabalhos forçados. Porque toda bota que pisa com barulho e toda capa empapada de sangue serão queimadas, devoradas pelas chamas. Pois criança nasceu para nós, filho foi dado para nós” (Is 9,1-5a).

Este momento novo de recriar a vida e de esperançar tem seu pontapé inicial no arriscar a vida pela vida (“Arriscamos a própria vida pelo pão” – Lm 5,9) e sua força na confiança do Deus da vida que escuta seus gritos, choros e silêncios. Em meio a tamanha dor era preciso desconstruir a necroteologia do “abandono de Deus” e do “castigo pelo pecado”. Ah! Teologia da escuridão que justificava tudo e determinava que o povo oprimido era o único culpado e responsável por sua dor e sofrimento.  Esta teologia descreva que a situação do povo empobrecido e oprimido era resultado do castigo de Deus. A cidade solitária e banhada em lágrimas, foi castigada/desolada/afligida por Javé (1,4.5.12; 3,32), que do céu  jogou um fogo e armou um laço contra a cidade(1,13). Tornou as culpas do povo um fardo e entregou-os nas mãos dos invasores (1,14), dispersou todos os fortes e pisou na cidade como pisa a uva no lagar (1,15) e ordenou que os opressores atacassem (1,17). Em sua ira, Javé escureceu o templo (2,1), arrasou sem piedade todas as moradas e em seu furor, destruiu as fortalezas (2,2), cortou o poder de Israel e cruzou os braços (2,3). Javé concluiu seu ódio e derramou sua ira (4,11), os espalhou e não cuida mais deles (4,16).

Desconstruir esta visão de um Deus que despreza, abandona. castiga e destrói, o povo oprimido e machucado não foi tarefa fácil. Aparece neste pequeno livro de cantos de lamento a dimensão da confiança em Deus: que Javé possa olhar para o sofrimento (1,9), “Olha, Javé, e presta atenção: como estou rebaixada!” (1,11), Javé é justo (1,18). A terceira lamentação que faz um contraponto entre um Deus surdo diante das súplicas (3,8) e as lembranças que transmitem esperança (3,21): a solidariedade e a compaixão de Javé (3,22 e 32 – práticas fundamentais na defesa e caminhada dos profetas, especialmente na profecia de Oséias). O canto reconhece que a força destas ações de Javé está na fidelidade, pois “Javé é bom para os que nele esperam e o procuram” (3,25). Bom aguardar em silêncio (3,26), porque Javé não rejeita para sempre (3,31).

A confiança e certeza da solidariedade e compaixão de Deus, tem reforço nestas duas estrofes do canto:

“Do fundo da fossa, invoquei teu nome, ó Javé.

Ouve minha voz, não feches o ouvido ao meu apelo.

Tu vieste na hora em que eu chamei, e respondeste: Não tenha medo.

Tu te encarregaste de defender a minha causa e resgatar minha vida.

Tu viste, Javé, que sofro injustiça: julga minha causa.

Viste a vingança deles contra mim.” (3,55-60)



A certeza maior que o povo tem é que Javé permanece para sempre e que se renova a aliança: “faze que voltemos para ti, Javé, e voltaremos; renova os tempos passados” (ver 5,19-22).

Portanto, no Livro das Lamentações o silêncio pela dor se transforma em resistência e faz da teimosia da esperança qual flor sem defesa, bonita e nascida em terra seca sem adubo”. Do silêncio, do grito e da dor brota uma flor que na teimosia aponta que Deus escuta os clamores do povo, enxuga as lágrimas, é solidário e faz justiça.

O povo desde o cativeiro transmitiu seus cantos e o silêncio pela dor. Canto que fortalece a resistência e a luta.  Canto que descreve a dor que viram e vivenciaram naqueles dias terríveis do ano de 587 a.E.C.  E recebemos deste povo uma pergunta: Qual a dor que vocês estão vendo no Brasil nestes dias da Covid-19 no ano de 2020?

Reflitam e demonstrem para tantos irmãos e irmãs a dor que vocês estão vendo.

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*Diretor Nacional do CEBI, assessor bíblico e professor.

Fonte: CEBI

05 julho, 2020

Empresa destrói lavoura do MST destinada a doação de alimentos na pandemia

Aconteceu na sexta-feira, nos fundões do Brasil, lá onde a vida pulsa e a solidariedade move o trabalho de trabalhadores rurais, no acampamento Valdair Roque, de Quinta do Sol, no Paraná, que plantam hortaliças para doar a famílias carentes durante a pandemia. 

Logo cedo, Victor Vicari Rezende, um dos proprietários da área, que pertencente à Usina Sabarálcool, acompanhado de 14 homens, alguns encapuzados, e de dois tratores, deu a ordem para a destruição das lavouras em fase de colheita plantadas por 50 famílias do Movimento Sem Terra (MST). 

No mesmo dia, a Horta Comunitária Antonio Tavares, das comunidades Terra Livre e Mãe dos Pobres, doaram 1500 quilos de alimentos orgânicos a...continue lendo...

Projeto "Caminhos de santidade: a vida dos santos” Santo Antônio Maria Z...

Ampliada das CEBs Regional Sul 2 realiza reunião on line

“Assim, justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. (...) E a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. ” Romanos 5, 1 ss.


A Ampliada das CEBs Regional Sul 2 esteve reunida no dia 04 de julho para encaminhamentos e reflexões necessárias nesse tempo de conjuntura complexa, agravado pela pandemia. Pela impossibilidade de deslocamento e cuidado com a vida, o encontro aconteceu virtualmente contando com a presença da maioria das dioceses paranaenses. Dom Manoel, referencial das CEBs Sul 2 participou no primeiro momento, em razão de compromisso previamente agendado.


Dentre os pontos de pauta tratados destacamos a leitura da Carta Consulta enviada pelo Secretariado do 15º Intereclesial acerca de mudança de data do encontro, em razão das dificuldades e impedimentos apresentados por esse contexto de pandemia que tem assolado as comunidades. Por unanimidade as CEBs do Regional Sul 2 aceitou a data proposta: 18 a 22 de julho de 2023, ressaltando a pertinência dos aspectos apresentados para que a mudança ocorra. 

Ficou também decidido ações de comunicação, animação e formação, visto que a realidade atual apresenta-se como oportuna para que se possa apropriar dos meios de comunicação e tecnologias, usando-as em favor da organização, formação e animação das comunidades. Um projeto será implementado para que se possa produzir, lives, rodas de conversa e material escrito, abordando os temas da Campanha da Fraternidade e do Intereclesial, fazendo um link com o contexto da/pós pandemia, trazendo luzes e esperança para nossas gentes. 

Também foram pensadas possibilidades e datas prováveis para a realização do 8º Intereclesial do Paraná, que não pode ser realizado em abril desse ano em razão das medidas de isolamento social. 

As dioceses presentes partilharam as dores e resistências vivenciadas nesse tempo, deixando claro o papel das lideranças em manter acesa nas comunidades e nas pessoas a chama da Esperança, fundada na Palavra de Deus, na Partilha e na busca da Justiça. 

As CEBs do Regional Sul 2 demonstrou alegria pela vinda de Dom Severino para a Arquidiocese de Maringá, o que por certo nos fortalecerá nessa caminhada, em sintonia com o Evangelho de Jesus de Nazaré e com as propostas do Papa Francisco para sermos “igreja em saída”, no cuidado da casa comum e especialmente junto aos que sofrem. Bem Vindo Dom Severino! 

Em sintonia com a humanidade que vive as dores desse momento de doença, morte, incerteza e descaso com a vida, agravado por governantes e autoridades indiferentes a dor do povo, a Ampliada das CEBs do Regional Sul 2 pediu a Nossa Senhora proteção, rezando a Oração Maria da Pandemia de Roberto Malvezzi, rogando que o Magnificat se faça e que os oprimidos sejam libertados, pela Palavra, pela fé e resistência esperançosa de povo de Deus. 

Oração MARIA DA PANDEMIA Roberto Malvezzi (Gogó) 
Maria da Pandemia, 
Rogai pelos que estão entubados nos hospitais, 
Buscando um pouco de ar para sobreviver, 
Agonizando e morrendo na solidão. 
Rogai por seus familiares e amigos, 
Nessa hora de angústia, 
Quando a dor é maior. E a esperança menor. 
Rogai pelos médicos, enfermeiras, 
Profissionais da limpeza, religiosos, 
Todos os que cuidam dos contaminados. 
Livrai-nos da indiferença e dos indiferentes, 
Dos adoradores da morte, 
Dos que celebram as desgraças alheias, 
Dos que deveriam ser os primeiros em responsabilidade 
E se colocam de forma fria e sórdida diante desses tormentos. 
Rogai para que Deus ilumine os cientistas, 
Que seja encontrado rapidamente um caminho 
Para neutralizar a ação do vírus. 
Quando tudo passar, 
Que o ar permaneça limpo, 
Que as águas permaneçam puras, 
Que as florestas permaneçam em pé, 
Que nossas ruas tenham o silêncio da paz, 
Que nosso céu permaneça azul 
Que todas as formas de vida continuem celebrando sua liberdade 
Que a humanidade aprenda que a Terra não é lugar só da humanidade. 
Que todos vivemos em uma Casa Comum Amém!

Texto: Leoni Alves Garcia - Comunicação das CEBs Regional Sul 2

03 julho, 2020

Silenciar!

Silenciar para compreender a si mesmo e aos outros. E também silenciar para levar os outros a te compreender...

Caetano Veloso - Terceira Margem do Rio

Reflexão sobre Maria Madalena, texto de Mercedes Lopes


Leia a reflexão sobre Maria Madalena, texto de Mercedes Lopes.
(CEBI – Boletim Por Trás da Palavra n. 143, 2004, p. 17-21)

Normalmente, quando se pergunta a uma pessoa quem foi Maria Madalena, ela responde quase sem pensar: uma pecadora arrependida. No entanto, nenhum texto dos evangelhos diz que Maria Madalena foi pecadora pública. Que dizem os evangelhos sobre ela?
Nos evangelhos, Maria Madalena é a mulher mais citada pelo nome. Além disso, ela aparece sempre realizando funções muito importantes para as origens do Cristianismo:
  • Como discípula de Jesus (Lc 8,1-3);
  • Como testemunha da sua crucifixão (Mc 15,40-41; Mt 27,55-56; Lc 23,49; Jo 19,25);
  • Como testemunha do seu sepultamento (Mc 15,47; Mt 27,61);
  • Como testemunha da sua ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-10; Jo 20,1;20,1 1-8);
  • Como enviada aos Onze com uma mensagem de Jesus (Mt 28,10; Jo 20,17-18).
Chama a atenção o fato de Maria Madalena ser citada em primeiro lugar em todos estes textos. A única exceção é Jo 19,25, onde a mãe de Jesus aparece em primeiro lugar. A citação de Maria Madalena em primeiro lugar parece indicar sua liderança no grupo das discípulas de Jesus. Além disso, o Evangelho de Marcos deixa claro que ela e suas companheiras eram modelo para as pessoas da comunidade que buscavam seguir Jesus: Elas o seguiam e serviam quando estava na Galileia. E ainda muitas outras que subiram com ele para Jerusalém (Mc 15,40-41). Sabemos que o serviço amoroso é uma das características que marcava a identidade dos discípulos e discípulas de Jesus, segundo a comunidade de João: Vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz (Jo 13,14-15). Na comunidade de Marcos, a pessoa mais importante é aquela que se coloca a serviço de todos (Mc 9,35). Então, como foi que transformaram a discípula modelo em pecadora arrependida?
Que horror, ela tinha sete demônios!
Teriam interpretado mal a expressão Maria Madalena, da qual haviam saído sete demônios? (Lc 8,2). Esta expressão, que aparece somente em Lucas e no apêndice de Marcos (Mc 16,9), criou uma série de preconceitos contra Maria Madalena. Mas para o Evangelho de Lucas, a possessão não significa pecado e, sim, doença. O número 7, sempre simbólico, parece indicar a gravidade da situação. Dentro do contexto de Lucas, podemos interpretar que Maria Madalena padecia de uma grave doença nervosa ou psicossomática. No encontro com Jesus, ela recupera a harmonia interior e entra em um processo de crescimento e amadurecimento pessoal, até atingir a plenitude do seu ser na experiência pascal.
Seu gesto era de arrependimento e muito amor 
Teriam confundido Maria Madalena com a pecadora anônima que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas e os secou com seus cabelos? (Lc 7,36-50). Porém, não há neste texto de Lucas nenhuma relação entre a moça do perfume e Maria Madalena. Segundo o texto de Marcos, que já citamos, Maria Madalena seguia Jesus desde a Galileia. Portanto, ela devia ser conhecida na tradição por seu nome: Maria, e sua procedência: Magdala. A mulher que é apresentada neste texto de Lc 7,37 parece que não pertencia à comunidade dos discípulos e discípulas. É uma mulher marginalizada, anônima, corajosa e decidida, que toma a iniciativa de entrar na casa de Simão, o fariseu, e fazer com Jesus o rito de acolhida que seu anfitrião havia omitido. Rito que era muito importante para as pessoas que percorriam longas distâncias a pé, pelas estradas poeirentas da Palestina.
Quanta confusão! 
E a confusão continua, pois aquela mulher anônima do episódio narrado por Lc 7,36-50 passou a ser identificada com as mulheres anônimas que ungiram Jesus para a sepultura (Mc 14,3-9 e Mt 26,6-13). Uma leitura atenta destes textos vai mostrar que os ritos que realizam são diferentes. No texto de Lucas, o próprio narrador trata de esclarecer que se trata de um rito de acolhida e coloca esta explicação no diálogo de Jesus com Simão. Nos Evangelhos de Marcos e de Mateus, o rito está situado no contexto da Páscoa. Marcos faz questão de informar que faltavam apenas dois dias para a Páscoa e os Ázimos (Mc 14,1). Mostra que o contexto era conflitivo, pois a execução de Jesus já estava decidida: os chefes dos sacerdotes e os fariseus apenas procuravam um ardil para matá-lo (Mc 14,1b). É justamente neste contexto que está a unção de Jesus, feita por uma mulher anônima (Mc 14,3-9). O texto de Marcos está muito próximo do texto de João 12,1-8. Tanto Marcos como João nos contam que o perfume derramado pela mulher no corpo de Jesus era nardo puro (Mc 14,3 e Jo 12,3). Marcos nos informa ainda que este episódio da unção para a sepultura se passou em Betânia (Mc 14,3). Tudo isso parece ligar os textos de Marcos, Mateus e João (Mc 14,3-9; Mt 26,6-13 e Jo 12,1-8) e ajuda a compreender a importância desde ritual. Sua protagonista parece ser Maria de Betânia, a irmã de Marta e de Lázaro. O gesto de unção de Jesus para a sepultura é ao mesmo tempo profético e solidário com seu projeto e sua entrega sem limites.
Mulher chorona, de cabelos compridos e perfumados 
A imagem de Maria Madalena está ligada a cabelos compridos, perfume e lágrimas. Sabemos que a tradição das lágrimas está relacionada à sua angustiosa busca do corpo de Jesus, naquela madrugada do primeiro dia da semana (Jo 20,1.11-18). Mas perfume e cabelos longos expressam a identificação de Maria Madalena com Maria de Betânia, a irmã de Marta, que segundo o Evangelho de João foi quem ungiu Jesus para o sepultamento (Jo 12,1-8). E aqui vale a pena falar um pouco mais de Maria de Betânia, a discípula que gostava de ficar sentada aos pés de Jesus, escutando-o (Lc 10,39). Discípula amada (Jo 11,5), que consegue encher a casa (comunidade) de perfume (Jo 12,3). Seu gesto amoroso será repetido por Jesus na celebração da Ceia (Jo 13,2-5). Segundo Jesus, em memória dela, seu gesto seria contado onde quer que fosse proclamado o Evangelho (Mc 14,9).
Ela foi investida de autoridade 
Maria permaneceu no jardim, procurando Jesus, depois que Pedro e o outro discípulo foram embora. Ela chorava angustiada e confundiu Jesus com o jardineiro. No entanto, ela o reconhece imediatamente quando Jesus a chama pelo nome. Em toda a Bíblia, chamar pelo nome faz parte dos relatos de missão. Às vezes, acontece mudar o nome, para indicar a missão que a pessoa vai realizar. Mas, em Jo 20,16, Jesus a chama pelo nome com que sempre a havia chamado – talvez do mesmo jeito e com o mesmo tom de voz. E provavelmente Maria responde também da maneira como sempre o tratou: Rabuni. Sem pretender ser fundamentalista, quero mostrar como neste relato simbólico se revela a importância da missão de Maria Madalena nas primeiras comunidades cristãs: Maria é chamada pelo nome; reconhece imediatamente a voz de Jesus; chama-o de Mestre em aramaico; depois, é enviada por Jesus com uma mensagem para os outros discípulos. Da maneira como este episódio é descrito, parece um evento de fundação, no qual Maria Madalena foi investida de autoridade.
De onde vem a confusão?
Esta confusão a respeito de Maria Madalena pode ter muitas causas. Uma delas pode ser uma leitura muito rápida dos textos bíblicos, ou mesmo um exemplo da pouca importância que se dá à memória do discipulado das mulheres. Até pode ser que a intenção tenha sido a de buscar na figura de Madalena como uma pecadora arrependida um apelo à conversão, mostrando como todos os pecados podem ser perdoados quando a pessoa se arrepende. No entanto, parece haver urna intenção menos explícita, parecida com estas propagandas que hoje se faz através das novelas. De maneira sutil, a deturpação da figura de Maria Madalena mantém uma velha atitude de suspeita em relação às mulheres, passando a ideia de que sua natureza e seus corpos são espaços perigosos, de possessão demoníaca, identificada com pecado. Os corpos inferiorizados e culpabilizados são mais facilmente submetidos.
Desta maneira, a discípula fiel, que acompanhou Jesus durante sua vida pública, a amiga e companheira que esteve presente na crucifixão e que permaneceu diante do túmulo; aquela que fez a maravilhosa experiência da ressurreição, podendo afirmar com toda a convicção Vi o Senhor!, foi transformada em pecadora arrependida. Mesmo que esta deturpação da figura de Maria Madalena não fosse muito consciente, ela é um desvelamento do medo que o androcentrismo tem de perder o poder. Se a tradição da discípula e apóstola permanecesse, haveria o perigo de que as mulheres descobrissem a sua importância nas origens do Cristianismo e se sentissem animadas a assumir com autoridade, dignidade e pleno direito seus espaços de reflexão, decisão e também no ministério ordenado das igrejas cristãs. Estariam lado a lado com os homens, mantendo a memória fiel de Jesus de Nazaré, fazendo circular o amor pleno e sem medo, exercendo o poder de defender e fortalecer a vida.
Fonte: CEBI

Com islâmicos, Brasil tenta esvaziar resolução sobre direito das mulheres

O governo de Jair Bolsonaro aprofunda uma postura ideológica em negociações diplomáticas sobre uma resolução que condena a discriminação de gênero e tenta fortalecer o direito das mulheres. O texto sob consideração no Conselho de Direitos Humanos da ONU ganhou importância principalmente no momento em que a pandemia revela a disparidade no mundo e como a crise vem afetando de forma desproporcional as mulheres...continue lendo aqui