20 outubro, 2021

237 LGBT+ morreram vítimas da homotransfobia no Brasil em 2020, revela relatório


Em 2020, 237 LGBT+ (1ésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) tiveram morte violenta no Brasil, vítimas da homotransfobia: 224 homicídios (94,5%) e 13 suicídios (5,5%). É o que mostra o Relatório: Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil.

Diferentemente do que se repete desde que o Grupo Gay da Bahia iniciou tal pesquisa, em 1980, pela primeira vez, as travestis ultrapassaram os gays em número de mortes: 161 travestis e trans (70%), 51 gays (22%) 10 lésbicas (5%), 3 homens trans (1%), 3 bissexuais (1%) e finalmente 2 heterossexuais confundidos com gays (0,4%).

O relatório mostra ainda que, comparativamente aos anos anteriores, observou-se em 2020 surpreendente redução das mortes violentas de LGBT+: de 329 para 237, diminuição de 28%. O ano recorde foi 2017, com 445 mortes, seguido em 2018 com 420, baixando para 329 mortes em 2019.

Não é a primeira vez que nessa série histórica há redução do número de mortes de um ano para outro, sem previsão nem explicação sociológica indiscutíveis. Em 1991, por exemplo, registrou-se uma queda de 153 para 83 em relação ao ano anterior (45%), oscilação sem nenhuma causa detectável.

Essa tendência de redução de mortes violentas foi observada em 2019 na população brasileira em geral, assim como entre transexuais e homossexuais, porém, em 2020, segundo dados oficiais dos 26 estados e distrito federal, houve no Brasil um aumento de 5% nos assassinatos em comparação com 2019. Um índice confirmado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais que registrou um aumento de 41% de mortes entre travestis e mulheres trans.

Contexto político

Segundo o prof. Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia, “a explicação mais plausível para a diminuição em 28% do número total de mortes violentas de LGBT em comparação com o ano anterior se deve ao persistente discurso homofóbico do Presidente da República e sobretudo às mensagens aterrorizantes de seus seguidores nas redes sociais no dia a dia, levando o segmento LGBT a se acautelar mais, evitando situações de risco de ser a próxima vítima, exatamente como ocorreu quando da epidemia da Aids e a adoção de sexo seguro por parte dessa mesma população.”

O comportamento preventivo também é observado devido à pandemia do Coronavirus, em que sobretudo os gays vem desenvolvendo novas e específicas estratégias de sobrevivência. A cada 36 horas um LGBT brasileiro é vítima de homicídio ou suicídio, o que confirma o Brasil como campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais, informação corroborada e ainda mais agravada pelos estudos do próprio Ministério dos Direitos Humanos, em relatório engavetado pelo atual Governo Federal, concluiu-se que em no país, entre 1963-2018, a cada 16 horas um LGBT foi assassinado.

Segundo agências internacionais de direitos humanos, matam-se mais homossexuais e transexuais no Brasil do que nos 13 países do Oriente e África onde persiste a pena de morte contra tal segmento. Mais da metade dos LGBTs assassinados no mundo ocorrem no Brasil.

Apesar dessa redução da violência letal observada nos dois últimos anos, o Grupo Gay da Bahia pontua que tais mortes cresceram incontrolavelmente nas duas últimas décadas: de 130 homicídios em média em 2000, saltou para 260 em 2010, subindo para 357 nos últimos quatro anos.

Durante os governos de Fernando Henrique Cardoso mataram-se em média 127 LGBT por ano; na presidência de Lula 163 e no governo Dilma 296, sendo que nos dois anos e 4 meses de Temer, foram documentadas uma média de 407 mortes anuais, caindo para 283 a média nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro.

Enquanto nos Estados Unidos, com 331 milhões de habitantes, mataram-se no ano passado 38 transexuais, no Brasil, com 212 milhões, foram assassinadas 118 trans. Incrível a inexistência de estatísticas globais sobre os homicídios e suicídios de LGBT: esse nosso levantamento, além do mais antigo é único divulgado nacional e internacionalmente.

Perfil das vítimas de homofobia

Os relatórios sempre insistiram que as pessoas trans representam a categoria sexológica mais vulnerável a mortes violentas. Esse total de 161 mortes, se referidas a 1 milhão de travestis e transexuais que se estima existir em nosso país, sinalizam que o risco de uma pessoa trans ser assassinada é aproximadamente 17 vezes maior do que um gay.

Já que o IBGE não inclui no censo nacional, apesar da insistente demanda do movimento social, com base em indicadores diversos produzidos pela Academia, instâncias governamentais e pelo movimento LGBT, que existam no Brasil por volta de 21 milhões de gays (10% da população), 12 milhões de lésbicas (6%) e 1 milhão de trans (0,05%).

Quanto à idade das vítimas, cinco eram menores de idade, a mais jovem, uma travesti de 15 anos, moradora em Fortaleza, na Granja Lisboa, foi encontrada agonizante num terreno baldio após levar diversos tiros. 33% das vítimas estavam na flor da idade, entre 15-30 anos e 8% com mais de 46 anos. O mais idoso, com 80 anos, era um gay branco morador em Recife, cego e abandonado pela família, suicidou-se jogando-se do quarto andar de seu prédio. 8,2% dos LGBT+ mortos tinham mais de 46 anos.

O quesito cor é variável bastante descuidada nas matérias jornalísticas, sendo desconhecida para 43% das vítimas. Encontramos 74 pardos e pretos (54%) e 62 brancos (46%), refletindo aproximadamente a mesma tendência demográfica do conjunto da população nacional.

Confirma-se a mesma tendência notada ao longo dessas quatro décadas de pesquisa: os LGBT+ mortos pertenciam a praticamente todos os estratos sociais, predominando 44,6% de profissionais do sexo, 10,6% cabeleireiros/as, 8,7% de professores/as. Constam ainda entre os morto LGBT+: empresário, estudante, mãe de santo, maquiador, pizzaiolo, representante comercial, advogado, agente de trânsito, agente socioeducativo, aposentado, arquiteto, atriz, dançarino, designer, digital influencer, empregada doméstica, fisioterapeuta, guarda municipal, médico, modelo, auxiliar de serviços gerais, bancário, oficial de justiça, pai de santo, pedreiro, terapeuta holística, vigilante, voluntário.

No tocante à tipologia das mortes violentas de LGBT ocorridas em 2020, registramos 15 homicídios (90,7%), seguido de 13 suicídios (5,4%) e 9 latrocínios (3,7%).

Quanto à causa, repete-se a mesma tendência observada regularmente nessas quatro décadas de pesquisa: predomínio de mortes violentas com arma de fogo (42,3%), seguido de armas brancas (23%) e espancamento (9,1%).

Registrou-se também uma dezena de diferentes formas desses crimes homotransfóbicos, muitos dos quais sendo precedidos por tortura e mais crueldades frequentes nos crimes de ódio: estrangulamento, pauladas, atropelamento, queima do corpo, descarga elétrica.

Também quanto ao local dessas mortes, confirma-se a mesma tendência observada desde o início da pesquisa: gays e lésbicas são assassinados dentro de suas residências com objetos domésticos (fios elétricos, almofadas, facas de cozinha) enquanto travestis e transexuais, notadamente as profissionais do sexo, são atingidas por disparos de revólver na pista: 60,8% de tais sinistros ocorreram em espaços públicos (praças, ruas, vias, vielas, terrenos abandonados), seguido da residência da vítima com 23,5% e, por fim, 15,6% em espaços privados (motéis, casas e comércios de terceiros).

Três quartos destes homicídios homotransfóbicos ocorreram a noite – evidenciando práticas espaciotemporais típicas de minorias sexuais urbanas que, devido ao estigma, encontram na noite a melhor ocasião para encontros íntimos via de regra clandestinos ou para a prática do lazer na chamada “cena lgbt.” 17% das mortes ocorreram no período matutino e 10% a tarde.

A violência materializada contra corpos de LGBTI+ é, principalmente, uma violência de gênero, atingindo diferenciadamente e a partir de múltiplas intensidades alguns segmentos, sobretudo, travestis e mulheres trans vitimadas em diferentes contextos e realidades socioespaciais. Das 113 travestis assassinadas, 72 (63%) foram executadas em espaços públicos, sobretudo, em ruas e vias, evidenciando um contexto marcado pela “prostituição de pista”: 90% das “meninas da noite” ainda vivem desse metier.

Suicídios de LGBT+ são de dificílima localização nos registros policiais e nas mídias sociais, pois sua subnotificação é ainda superior aos homicídios, sendo agravada por três estigmas: homossexualidade+gênero diverso+morte intencional. Pesquisas internacionais apontam que o índice de suicídios entre jovens LGBT+ é cinco vezes superior ao de heterossexuais. (Suicídios jovens LGBT, 2019). Em 2020 localizamos 13 suicidas, sendo 7 travestis e mulheres trans, 3 homens trans, 2 gays 1 sem identificação de gênero.

Dados por região

Em termos absolutos, o Nordeste ocupa o primeiro lugar em número de morte com 113 casos, seguido do Sudeste com 66, Norte e Sul com 20 mortes cada e o Centro Oeste, 18 mortes.

Em termos relativos, isto é, número de mortes por um milhão de habitantes, a média nacional foi 1,28 mortes. O maior índice de violência foi registrado na Região Nordeste, 2,12; Centro Oeste, 1,28; Norte, 1,26; Sudeste, 0,82 e Sul, 0,78. Nos últimos anos, Nordeste e Norte se revezam nessa sangrenta precedência. O risco de um LGBT+ ser assassinado no Nordeste é quase três vezes maior do que no Sul.

Fortaleza, inexplicavelmente, foi a capital mais homotransfóbica no ano passado: 20 LGBT+ mortos, o dobro de São Paulo (10), que é cinco vezes mais populosa. Os índices de criminalidade em Natal são igualmente preocupantes, pois teve o mesmo número de mortes de Salvador (5) que possui dois milhões a mais de habitantes. Pior ainda é a situação de alguns municípios interioranos que tiveram a mesma incidência de crimes letais de outras sete capitais mais populosas: em Alagoas, Rio Largo e São José da Laje e em São Paulo, São Bernardo do Campo.

Alagoas desponta como o estado mais violento do Nordeste e do Brasil, acumulando 4,8 mortes para cada um milhão de habitantes, seguido por Roraima no Norte, com 4,4; no Centro Oeste, Mato Grosso, com 1,97; Minas Gerais no Sudeste, com 0,96 e no Sul, o líder dos assassinatos foi Santa Catarina com 0,8 mortes. O risco de uma LGBT+ ser assassinada em Alagoas é 6 vezes maior do que em Santa Catarina.

Segundo o mestrando Alexandre Bogas, coordenador do Acontece LGBTI+, “2020 foi marcado pela maior e pior pandemia da história recente. No início de maio de 2021, há um ano do primeiro caso registrado no país, o Brasil se aproxima de meio milhão de óbitos, com perspectivas desanimadoras, potencializadas pela incapacidade, ineficiência e indisposição governamental. O negacismo do governo federal na condução da pandemia no Brasil chocou o mundo, resultado inclusive em denúncias aos órgãos internacionais.”

“Quantos LGBTI+ morreram nesta pandemia? Quantas dessas mortes seriam evitáveis, se medidas corretas tivessem sido adotadas pelas autoridades? Quatro vips da tribo LGBT+ morreram de Covid 19: o cantor Agnaldo Timóteo, a esteticista Rudy, o bailarino Ismael Ivo e o ator Paulo Gustavo. Quantos ainda morrerão? Quantos LGBT+ tiveram graves conflitos familiares devido ao confinamento social, sendo desalojados, agredidos física e moralmente, passando dificuldades, impedidos de encontrar seus parceiros? Quantas travestis de pista estão passando enormes privações materiais e stress devido às restrições de circulação urbana?”

Talvez uma das explicações para o aumento em 41% do número de trans e travestis assassinadas durante esse primeiro ano de pandemia se deve ao fato de que gays e rapazes de programa receosos da Covid 19 deixaram de frequentar os locais de “pegação” e seus clientes e parceiros procuraram mais então, alternativamente, às trans profissionais do sexo, surgindo desentendimentos e atritos de relacionamento, que redundaram no crescimento da violência letal contra o segmento mais vulnerável. A redução do policiamento ostensivo nas ruas, sobretudo à noite, como protocolo preventivo da epidemia, certamente facilitou as agressões e mortes contra as “damas da noite”.

Medidas a serem tomadas

O Grupo Gay enfaztiza a urgência de ações governamentais com vistas a reverter o quadro atual de violência e discriminação contra homossexuais, bissexuais e transexuais no Brasil.

• Educação sexual e de gênero em todos os níveis escolares para ensinar jovens e população em geral o respeito aos direitos humanos e cidadania da população LGBT;

• Cumprimento rigoroso das leis aprovadas garantindo a cidadania plena da população LGBT, sobretudo no reconhecimento do casamento homoafetivo e a equiparação da homofobia e transfobia ao crime de racismo;

• Políticas públicas na área da saúde, direitos humanos, educação, que contribuam para erradicar as mortes violentas e proporcionem igualdade cidadã à comunidade LGBT;

• Exigir que a Polícia investigue diligentemente e a Justiça puna com toda severidade os crimes homotransfóbicos.

• E um apelo aos LGBT+ para que evitem situações de risco de sua própria segurança vital e quando vítimas de qualquer ameaça ou violência, reajam e denunciem.

“Monitorar as mortes violentas de LGBT+ no Brasil é parte de um esforço de quatro décadas do Grupo Gay da Bahia e da persistência e luta do professor, antropólogo e decano do movimento homossexual brasileiro Luiz Mott. O resultado desse esforço é apresentado nos relatórios anuais, enquanto estratégia de mobilização da sociedade e do Estado em prol da cidadania de um dos segmentos mais vulneráveis a violência, pelo simples fato de amar alguém do mesmo sexo. O século XXI precisa também chegar para os homossexuais com mais políticas públicas, não apenas na área da segurança, mas na relação direta com a possibilidade de assegurar a todos nós oportunidades de inserção social, pois as vulnerabilidades sociais somadas à homofobia têm levado a morte, muito de nossos irmãos e irmãs LGBT+.”

Para acessar o relatório completo:

https://observatoriomortesviolentaslgbtibrasil.org/




18 outubro, 2021

Para essa semana, a provocação a nós e é do nosso amado profeta papa Francisco.

Um rosto humano aos nossos modelos socioeconômicos - Construamos pontes de amor!

“Devemos dar aos nossos modelos socioeconômicos um rosto humano, porque muitos modelos o perderam. Pensando nestas situações, quero pedir em nome de Deus:

Aos grandes laboratórios, que quebrem as patentes. Realizem um gesto de humanidade e permitam que todo ser humano tenha acesso à vacina.

Aos grupos financeiros e aos organismos internacionais de crédito, que permitam aos países pobres garantir as necessidades de seu povo e perdoar aquelas dívidas que muitas vezes contraíram contra os interesses daqueles mesmos povos.

Às grandes empresas de mineração, petrolíferas, florestais, imobiliárias, agroalimentares, que deixem de destruir a natureza, de poluir, de intoxicar os povos e os alimentos.

Às grandes empresas de alimentos, que deixem de impor estruturas de monopólio de produção e distribuição que inflacionam os preços e acabam por impedir o pão ao faminto.

Aos fabricantes e traficantes de armas, que cessem totalmente suas atividades que fomentam a violência e a guerra, muitas vezes no tabuleiro de jogos geopolíticos, cujo custo são milhões de vidas e deslocamentos.

Aos gigantes da tecnologia, que parem de explorar a fragilidade humana, as vulnerabilidades das pessoas, para obter lucros.

Aos gigantes das telecomunicações, que liberem o acesso a conteúdos educacionais e o intercâmbio com os professores através da internet, para que as crianças pobres possam receber uma educação em contextos de quarentena.

Aos meios de comunicação, que acabem com a lógica da pós-verdade, com a desinformação, a difamação, a calúnia e com aquela atração doentia pelo escândalo e o túrbido; que busquem contribuir à fraternidade humana.

Aos países poderosos, que parem com as agressões, os bloqueios e as sanções unilaterais contra qualquer país em qualquer parte da terra. Os conflitos devem ser resolvidos em instâncias multilaterais, como as Nações Unidas.

Aos governos e a todos os políticos, que trabalhem pelo bem comum. Não ouçam somente as elites econômicas e estejam a serviço dos povos que pedem terra, casa, trabalho e uma vida digna em harmonia com toda a humanidade e com a criação.

A todos nós, líderes religiosos, que jamais usemos o nome de Deus para fomentar guerras. Estejamos ao lado dos povos, dos trabalhadores, dos humildes e lutemos juntos para que o desenvolvimento humano integral seja uma realidade. Construamos pontes de amor."

CNBB SAI EM DEFESA DO PAPA FRANCISCO, DO ARCEBISPO DE APARECIDA (SP) DOM ORLANDO BRANDES E DO EPISCOPADO BRASILEIRO

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, comenta a fala agressiva de deputado da ALESP.





CNBB sai em defesa do Papa Francisco, do Arcebispo de Aparecida (SP) Dom Orlando Brandes e do Episcopado Brasileiro

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã deste domingo, 17 de outubro, uma Carta Aberta dirigida ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o deputado estadual Carlão Pignatari. No documento, a CNBB rejeita “fortemente as abomináveis agressões” proferidas da Tribuna da ALESP pelo deputado estadual Frederico D’Avila no último dia 14 de outubro, dia de seu aniversário de 69 anos de presença e serviços ao Brasil.

No vídeo (acima), o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, manifesta sua indignação e presta apoio ao Papa Francisco e ao arcebispo de Aparecida.

O político, diz a carta, agiu com ódio descontrolado e desferiu ataques ao Santo Padre o Papa Francisco, à própria CNBB e ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes. A CNBB defende que, com esta atitude, o deputado “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes” e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

Na Carta Aberta, a CNBB afirma se ancorar, profeticamente, sem medo de perseguições, no princípio contido na Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança” em latim) sobre o papel da Igreja no mundo contemporâneo, a única constituição pastoral e a 4ª das constituições do Concílio Vaticano II:
a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76)

A CNBB busca agora, por meio da presidência de seu regional Sul 1, um agenda para entregar pessoalmente o documento ao presidente da ALESP, deputado Carlão Pignatari. Confira, abaixo, a íntegra do documento em versão word e aqui em versão PDF.
CARTA ABERTA

P – Nº. 0325/21

Exmo. Sr.
Deputado Estadual Carlão Pignatari
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
Cidadãos e cidadãs brasileiros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, nesta casa legislativa e diante do Povo Brasileiro, rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes.

Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar. Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz.

A CNBB se ancora, profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76).

Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade – sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

A CNBB, prontamente, comprometida com a verdade e o bem do povo de Deus, a quem serve, tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei.

Nesta oportunidade, registramos e reafirmamos o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil. A CNBB aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres.
Em Cristo Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, fraternalmente,

Brasília-DF, 16 de outubro de 2021

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ


Secretário-Geral

15 outubro, 2021

Um país que tem uma educação de qualidade faz toda a diferença!

Recordamos hoje o Dia das Professoras e dos Professores, nosso carinho e respeito a quem nos prepara para o futuro. Um país que tem uma educação de qualidade faz toda a diferença.

A Constituição Federal de 1988 determina a aplicação de importantes políticas para a categoria profissional, mas até o presente momento, mesmo fortalecidas com leis complementares, estas políticas não estão sendo implementadas.

O apoio de toda população para avançar na aplicação das políticas já conquistadas nas leis nacionais e locais faz necessário.


14 outubro, 2021

Tudo tem começo, meio e recomeço - Aberto o Sínodo!

A sinodalidade pertence à própria natureza da criação, Deus criou a mulher e o homem à sua imagem e semelhança como ser social. Criou e os chamou para ajudá-Lo, para amar e cuidar.

Ao percorrermos as Sagradas Escrituras veremos a sinodalidade em toda ela. Olha que bonito, a unidade esta até entre o Antigo e o Novo Testamento. São muitas as mulheres e muitos os homens, em todas as Sagradas Escrituras e em Jesus a plenitude da sinodalidade.

Destaco a figura de uma mulher, nela vejo a revelação da sinodalidade de Deus. Uma mulher, Maria Santíssima, que Igreja Católica Apostólica Romana a reconhece como Mãe de Deus, Mãe da Igreja, nossa Mãe e primeira discípula. Em todos os momentos, nos momentos mais importantes da vida de Jesus o papel da mulher Maria Santíssima.

Não da para acreditar que ainda nos dias atuais, a mulher ainda não é acolhida no sacramento da ordem do presbiterado e não reconhecida na ordem do diaconato. Digo não reconhecida na ordem diaconato porque existem muitas diaconisas na Igreja Católica Apostólica Roma, no mundo, só não reconhecidas.

A sinodalidade pertence à própria natureza da Igreja, comunhão, participação e missão. Igreja como povo de Deus. Para Deus não há um povo específico e sim um único povo. A Igreja é uma grande unidade.

Podemos perguntar a sinodalidade presente nas Sagras Escrituras foi se perdendo do seio da Igreja Católica Apostólica Romana? Sim ou não, o que importa é que com a abertura do sínodo pelo Papa Francisco estamos vivendo um momento histórico que acredito jamais vivido no mundo, desde as periferias aos grandes centros, desde os grandes centros as periferias, todas e todos os batizados, o maior processo já realizado de escuta.

Um caminhar para a sinodalidade, Igreja povo de Deus, comunhão e participação ativa de todas e todos nas decisões e na missão missionária de evangelização. Utopia? Digo que tudo tem começo, meio e recomeço - Aberto o Sínodo.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá

Abertura do Sínodo dos Bispos na Arquidiocese de Maringá será domingo, 1...

11 outubro, 2021

Celebrar Nossa Senhora Aparecida!

Celebrar Nossa Senhora Aparecida é unir para envolver com as causas das juventudes, do Povo Pobre e Oprimido, a População LGBT, Povos e Comunidades Tradicionais.

Celebrar Nossa Senhora Aparecida é unir para envolver com as causas das mulheres que com ousadia resistem no meio de incertezas a violações e abusos.

Celebrar Nossa Senhora Aparecida é deixar-se envolver por sua humildade e o seu sim a serviço dos cuidados a nós suas filhas e filhos.

Celebrar Nossa Senhora Aparecida é deixar-se envolver na esperança de um Brasil e um mundo justo e fraterno.




Ajude a encontrar quem queira

Esse cachorrinho apareceu em casa sábado por volta das 10 horas.
Até hoje ninguém o procurou como seu dono.
Ainda é bebê. 
Castrado. 
Lindo e carinhoso.
Desconfio que tem mistura com fila. Raça grande.

Não tenho como ficar com ele.

PARA ADOÇÃO


Como mulheres e pessoas menstruantes, não podemos deixar que um projeto de grande avanço para nós perca sua finalidade, por conta de atos de um presidente fascista."


 

Manifesto ao Congresso Nacional na luta contra a pobreza menstrual

A higiene menstrual é uma questão de saúde pública mundial e de direitos humanos.

O manifesto é publicado por Sul21, 08-10-2021.

Coletivo de entidades e link para adesão (*)

Nesta data, 07 de outubro de 2021, foi sancionado o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, de autoria da Deputada Marília Arraes (PT-PE) e outros 34 Deputados/as, o qual tinha por objeto o combate assíduo à precariedade menstrual no país, o que significa, entre outras palavras, a falta de acesso ou a falta de recursos para a compra de produtos de higiene e outros itens necessários ao período que mulheres e pessoas menstruantes em situação de vulnerabilidade social enfrentam durante a menstruação.

Todavia, o que vimos hoje é mais um dos muitos atos de repressão do Governo Bolsonaro frente aos direitos da mulher, visto que o mesmo vetou o artigo que previa – exatamente – a distribuição gratuita de absorventes, com a fala absurda de que o projeto não estabeleceria formas de custeio.

Fala errônea, eis que no projeto aprovado na Câmara e no Senado, as fontes de custeio eram as dotações disponibilizadas anualmente pela União ao funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Logo, a intenção dada à legislação, que era, principalmente, oferecer a garantia de cuidados básicos de saúde com a distribuição gratuita de absorventes a estudantes de baixa renda matriculadas nas redes de ensino público, para as pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema, e para as presidiárias e adolescentes internadas em unidades de medida socioeducativas, cai por terra, em razão da perversidade do governo Bolsonaro que ataca nossos direitos mais uma vez.

A pobreza menstrual, embora ainda pouco tratada no Brasil, é um fenômeno multifatorial que envolve questões políticas, culturais, sociais e econômicas, e que acarreta riscos severos para a saúde em função do manejo inadequado da menstruação, além de danos emocionais, uma vez que não podendo arcar com esses gastos, muitas pessoas recorrem a métodos inseguros para conter o próprio sangue, como folhas de jornal, trapos, papelão, papel higiênico, miolos de pão, entre outros.

Tudo isso só aumenta com a ausência de saneamento básico, a falta de acesso à saúde pública de qualidade, os altos valores cobrados por itens menstruais, os preconceitos e tabus que impossibilitam mulheres e pessoas que menstruam de falarem sobre o assunto, acarretando nesse imenso problema social.

A higiene menstrual é uma questão de saúde pública mundial e de direitos humanos, portanto, deve ser garantida – obrigatoriamente – pelos órgãos públicos, eis que, no caso, falar sobre acesso a protetores menstruais e todas as questões sociais que envolvem a temática da pobreza menstrual é discutir sobre a vida de mais da metade da população.

Como mulheres e pessoas menstruantes, não podemos deixar que um projeto de grande avanço para nós perca sua finalidade, por conta de atos de um presidente fascista.

A luta ainda não acabou, e o veto presidencial poderá ser derrubado no Congresso Nacional.

Portanto, neste momento, nós, mulheres, pessoas menstruantes, organizações da sociedade civil, especialistas e afins, subscrevemos este manifesto, para defender as medidas retiradas do projeto, pressionando o legislativo para que derrubem o veto dado por Bolsonaro, na luta por diminuir, assim, o impacto da pobreza menstrual e da desigualdade entre gêneros no Brasil.


Observatório de Saúde e Garantia de Direitos das Mulheres, Meninas e LGBTQIA+ Porto Alegre

Fórum Municipal de Mulheres Porto Alegre

Marcha Mundial de Mulheres

Aliança Feminismo Popular

Coletivo Feminino Plural

Periferia Feminista

Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe

Querela Jornalistas Feministas

Frente Nacional de Mulheres na Política

Movimento de Mulheres Inclusivas

Fórum das Mulheres Feministas de Viamão

Coletivo Frida Kahlo

Coletivo Uma Mulher Ajuda a Outra

Rede Sapatà

Acarmo LBT Negritude

Coletivo Feminista Elza Soares

COMDIM Novo Hamburgo

GAMP Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas

UBM Porto Alegre

Mandato Popular – Vereadora Bruna Rodrigues

União Brasileira de Mulheres- RS.

Coletivo de Proteção a Infância Voz Materna

Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos

Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica. ABMCJ – Comissão Estadual do RS

Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres da ALRS

Comitê Gaúcho Impulsor do Movimento ElesPorElas HeForShe

Fórum de Mulheres do Mercosul RS

Força Tarefa de Combate aos Feminicídios da Assembleia Legislativa do RS

Ó MULHERES

Mandato Deputada Federal Maria do Rosário

RENAP/RS

Coletivo Sobre Elas

UBM – Santiago/RS

FLD – Fundação Luterana de Diaconia

COMIN- Conselho de Missão entre Povos Indígenas

CAPA – Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia

Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Reprodutivos

Associação das PLPS de Passo Fundo

Mandato da Deputada Estadual Sofia Cavedon

Associação de Moradores Vale dos Canudos

União Brasileira de Mulheres – RS

Partido dos Trabalhadores

Federação da Alimentação RS

Coletivo de mulheres petistas do Balneário Pinhal, RS

Espaço de Arte Viandantes

Pastoral da Saúde

Flávia Rosangela Ortiz Retamar

Marco Adiles Moreira Garcia

Ana Lucia Dias

Jaqueline Selva

Patricia Nascimento

Caroline Massetti

Clara Denise Fernandes Fórum de Mulheres do Mercosul

Maria Helena CUTRS

Cintia Rita

RONIMAR DEL PINO

Vera Elisa Fayette


*Acesse o link para adesão aqui.

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Fonte: IHU

08 outubro, 2021

Nesse momento recebendo uma visita em meu trabalho



“Sem os povos indígenas, tradicionais, quilombolas e ribeirinhos nenhum país evitará o aquecimento global”, alerta Angela Mendes na ONU

No Brasil, o papel ativo de povos indígenas, tradicionais, quilombolas e ribeirinhos na conservação da temperatura global, o que os classifica como agentes de mudança, são indispensáveis.

Leia a reportagem. Clique AQUI




Hino oficial da Campanha da Fraternidade 2022!

07 outubro, 2021

Veto de Bolsonaro a distribuição de absorventes expõe 'pobreza menstrual'; entenda o conceito

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, 25% das meninas entre 12 e 19 anos deixaram de ir à aula alguma vez por não ter absorventes.

O presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes íntimos. A decisão trouxe novamente ao debate o conceito de "pobreza menstrual" e a dificuldade de promover políticas públicas capazes de acolher estudantes de baixa renda de escolas públicas e pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema.

Entenda o que é o conceito, o que previa o projeto e a reação das sociedade, inclusive a reação de personalidades à decisão que foi apontada como "retrocesso." 

Clicando AQUI

Reportagem publicada no site G1 em 07/10/2021.

01 outubro, 2021

Discípulos Missionários

Jesus pede a todos nós, e a ti também, que sejamos discípulos missionários.
Estás preparado?

Basta estarmos disponíveis ao seu chamado e vivermos unidos ao Senhor nas coisas mais quotidianas, no trabalho, nos encontros, nas ocupações diárias, nas casualidades de cada dia, deixando-nos sempre guiar pelo Espírito Santo.

Se Cristo te move, se fazes as coisas porque Cristo te orienta, os outros notarão isso facilmente.

E o teu testemunho de vida provocará admiração, e a admiração fará com que os outros se perguntem:"Como é possível que seja assim?, "De onde esta pessoa tira o amor com que trata os outros, e amabilidade, o bom humor?"

Recordemos que a missão não é fazer proselitismo. A missão baseia-se no encontro entre as pessoas, no testemunho de homens e mulheres que dizem: "Eu conheço Jesus, gostaria que tu também O conhecesses".

Irmãos e irmãs, rezemos para que cada batizado participe na evangelização e que cada batizado esteja disponível para a missão através do seu testemunho de vida.

E que este testemunho de vida tenha o sabor do Evangelho.

(Papa Francisco)

Discípulos Missionários - O Vídeo do Papa 10 – outubro de 2021

30 setembro, 2021

Estado de saúde de Dom Anuar Battisti


Exames feitos nas últimas 24 horas identificaram que o Arcebispo Emérito de Maringá, Dom Anuar Battisti (68), está com Covid-19. Ele está internado no Hospital Paraná desde ontem, 29, quando foi transferido de Toledo.

Segundo parecer médico divulgado hoje, Dom Anuar está com a capacidade pulmonar comprometida, respira com ajuda de oxigênio e está sem febre.

Ele foi hospitalizado quinta-feira, 23, no Hospital Geral Unimed (HGU) em Toledo, diagnosticado com pneumonia e recebeu alta domingo, 26. No entanto, terça-feira, 28, ele teve que ser internado novamente.

Peçamos a Deus pela breve recuperação de Dom Anuar e pelo fim da pandemia.


Maringá, quinta-feira, 30 de setembro de 2021.

Ser Teu Discípulo - Edward Guimarães

 


Ser Teu Discípulo


Ser teu discípulo, Jesus
é chamado que me encanta
desafio que me amedronta:
por que me envias a tua frente
se sabes que a missão me ultrapassa?

Ser teu discípulo, Mestre de Nazaré
é causa de profunda alegria
fonte de temor que desassossega:
quando olho o tamanho da messe
confesso, minha pequenez aparece

Ser teu discípulo, Profeta da Galiléia
descortina vastos horizontes novos
destrói certezas e seguranças lógicas:
passamos a acreditar na fraqueza dos lobos
e apostar apaixonadamente na força dos cordeiros

No entanto, oh Mestre do caminho
por saber que me conheces por inteiro
teu jeito confiante de me enviar para a messe
é fonte que encoraja a enfrentar meus receios
e o contemplar tua alegria ante o Reino já presente
me dá a certeza de um Deus estradeiro sempre com a gente

Dai-me, então, estimado Irmão do caminho
o dom precioso de tua paz sempre inquieta
que me faz acreditar na força dos mais fracos
irmanar nas lutas dos pobres e dos oprimidos
discernir caminhos que nos levam ao bem viver
ser criativo na partilha da vida, no amar e no servir


Belo Horizonte, 30 de setembro de 2021
Poema oração provocado pelo Evangelho (Lucas 10, 1-12)

Debate sobre ordenação de mulheres cresce na Alemanha

O debate sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio na Igreja Católica está se intensificando na Alemanha. Em uma cerimônia de premiação promovida pela Conferência dos Bispos da Alemanha, o chefe da emissora internacional alemã Deutsche Welle pediu que as mulheres tenham acesso aos ministérios ordenados na Igreja.

A reportagem é de Katholische Nachrichten-Agentur, 29-09-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Estou profundamente convencido: uma organização que não é diversa fracassará hoje em dia”, disse Peter Limbourg, em Solingen, no dia 28 de setembro.

O novo presidente da Comissão Episcopal para a Fé, Dom Franz-Josef Overbeck, também defendeu a ordenação de mulheres sacerdotisas católicas. “Para as pessoas com profunda convicção da igualdade de todos os seres humanos, a abordagem atual aos ministérios da Igreja e ao acesso a eles não é mais compreensível”, disse Overbeck ao jornal Rheinische Post, no dia 28 de setembro.

Ele acrescentou que não há muitas pessoas que ainda acreditem que a prática atual é correta. “A grande maioria já não concorda que o ministério ordenado seja reservado exclusivamente aos homens”, disse o bispo.

Limbourg, que mencionou expressamente a sua filiação à Igreja Católica, também disse que a Igreja está sob pressão em todo o mundo. Mesmo no hemisfério Sul, os ritos religiosos são pouco participados, e “movimentos e seitas evangélicos duvidosos” estão crescendo na região, disse ele. Esse é um fenômeno deprimente “porque a mensagem de Jesus Cristo é mais relevante do que nunca em um mundo cheio de injustiça social, pobreza e isolamento”.

Limbourg estava hospedando uma cerimônia para a dançarina brasileira Lia Rodrigues, que recebeu o Prêmio de Arte e Cultura da Igreja Católica na Alemanha. O jornalista elogiou o trabalho artístico dela e também o seu compromisso sociopolítico. “Lia Rodrigues segue uma tradição que é também uma tradição do cristianismo: a resistência não violenta à opressão, à discriminação e à exclusão”, disse ele.

Overbeck, que lidera a Diocese de Essen, é copresidente do fórum sobre o poder e a divisão do poder no projeto de reforma do Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha. A segunda Assembleia Sinodal começa em Frankfurt no dia 30 de setembro.

Overbeck pediu mais voz aos leigos e leigas em questões como a eleição de um novo bispo. Ele disse que seu fórum quer encorajar a participação de todos os que pertencem ao povo de Deus. Ele acrescentou: “Teremos que dar respostas muito diferentes a questões semelhantes na Igreja universal no futuro, até porque o contexto é diferente”.

Overbeck disse que o Caminho Sinodal pode levar à decepção, por exemplo, se os padrões democráticos aos quais as pessoas estão acostumadas na Alemanha não puderem ser introduzidos na Igreja. No entanto, quem está ciente de pertencer a uma comunidade de fiéis de 2.000 anos “se alegraria” com sabedoria e serenidade a cada passo dado, disse ele.

O Caminho Sinodal lançado em 2019 na Alemanha é um projeto dos bispos e de representantes leigos e leigas para discutir o futuro da Igreja Católica no país. O ponto de partida é uma crise eclesial que já dura anos e foi exacerbada pelo escândalo dos abusos. O debate é principalmente sobre o poder, o sacerdócio e a moral sexual, assim como sobre o papel das mulheres na Igreja.

Fonte: IHU

“Catequese Permanente” – Parte 4/4 "E a Palavra habitou entre nós" - Est...

29 setembro, 2021

“Jovens, levantem o mundo”

Mensagem do Papa para a Jornada Mundial da Juventude de 2021

A XXXVI Jornada Mundial da Juventude deste ano será celebrada em nível diocesano, pela primeira vez na solenidade de Cristo Rei, no próximo dia 21 de novembro.


“Jovens, levantem o mundo”

Caríssimos jovens! Queria mais uma vez tomar-vos pela mão para prosseguirmos juntos na peregrinação espiritual que nos leva à Jornada Mundial da Juventude em Lisboa em 2023.

No ano passado, pouco antes da pandemia se alastrar, assinei a mensagem cujo tema era “Jovem, a ti te digo, levanta-te!" (cf Lc 7,14). Em sua providência, o Senhor já nos queria preparar para o árduo desafio que estávamos prestes a enfrentar.

Em todo o mundo, teve que ser enfrentado o sofrimento pela perda de tantos entes queridos e pelo isolamento social. A emergência sanitária também impediu que vocês jovens - por natureza projetada para o exterior - saíssem para ir à escola, à universidade, ao trabalho, para se encontrar ... Vocês se depararam com situações difíceis, às quais não estavam acostumados. Aqueles que estavam menos preparados e desprovidos de apoio sentiram-se desorientados. Em muitos casos surgiram problemas familiares, como como desocupação, depressão, solidão e dependências. Sem falar no estresse acumulado, nas tensões e explosões de raiva, no aumento da violência.

Mas, graças a Deus, esse não é o único lado da moeda. Se o teste nos mostrou nossas fragilidades, também revelou nossas virtudes, entre as quais a predisposição à solidariedade. Em todas as partes do mundo, vimos muitas pessoas, incluindo muitos jovens, lutar pela vida, semear esperança, defender a liberdade e a justiça, serem artífices da paz e construtores de pontes.

Quando um jovem cai, a humanidade em certo sentido cai. Mas também é verdade que, quando um Jovem se levanta, é como se o mundo inteiro se levantasse. Caros jovens, que imensa potencialidade existe em suas mãos! Quanta força vocês carregam em seus corações!

Por isso, hoje, mais uma vez, Deus diz a cada um de vocês: "Levanta-te!". Espero de coração que essa mensagem nos ajude a nos prepararmos para tempos novos, para uma nova página na história da humanidade.

Mas não há possibilidade de recomeçar sem vocês, caros jovens. Para se levantar, o mundo precisa de sua força, de seu entusiasmo, de sua paixão. É neste sentido que, juntamente convosco, gostaria de meditar sobre a passagem dos Atos dos Apóstolos em que Jesus diz a Paulo: “levanta-te e testemunha tanto das coisas que tens visto” (cf. At 26,16).

Paulo testemunha perante o rei

O versículo a que se inspira o tema da Jornada Mundial da Juventude de 2021 foi tirado do testemunho de Paulo perante o rei Agripa, enquanto ele estava na prisão. Ele, antes inimigo e perseguidor dos cristãos, agora é julgado precisamente por sua fé em Cristo. Após cerca de vinte e cinco anos, o Apóstolo conta a sua história e o episódio fundamental do seu encontro com Cristo.

Paulo confessa que no passado havia perseguido os cristãos, até que um dia, enquanto ia para Damasco para prender alguns deles, uma luz "que excedia o esplendor do sol" envolveu-o e aos seus companheiros de viagem (cf. At 26,13), mas apenas ele ouviu "uma voz”: Jesus falou-lhe e chamou-o pelo nome.

"Saulo, Saulo!"

Vamos aprofundar esse evento juntos. Chamando-o pelo nome, o Senhor deixa claro para Saulo que ele o conhece pessoalmente. É como se lhe dissesse: "Eu sei quem você é, sei o que você está tramando, mas mesmo assim estou falando com você". Ele o chama duas vezes, em sinal de uma vocação especial e muito importante, como havia feito com Moisés (cf. Ex 3,4) e com Samuel (cf. 1Sm 3,10). Caindo ao chão, Saulo reconhece que é testemunha de uma manifestação divina, uma revelação poderosa, que o confunde, mas não o anula, pelo contrário, o chama pelo nome.

De fato, apenas um encontro pessoal e não anônimo com Cristo muda a vida. Jesus mostra que conhece bem Saulo, que "o conhece por dentro". Mesmo que Saulo seja um perseguidor, mesmo que em seu coração haja ódio pelos cristãos, Jesus sabe que isso se deve à ignorância e quer mostrar a ele a sua misericórdia. Será precisamente essa graça, esse amor imerecido e incondicional, a luz que transformará radicalmente a vida de Saulo.

"Quem és, Senhor?"

Diante dessa presença misteriosa que o chama pelo nome, Saulo pergunta: "Quem és, ó Senhor?" (Atos 26,15). Esta pergunta é extremamente importante e todos na vida, mais cedo ou mais tarde, devem fazê-la. Não basta ter ouvido falar de Cristo por outros, é necessário falar com ele pessoalmente.

Afinal, isso é orar. É falar diretamente com Jesus, mesmo que nossos corações ainda estejam desordenados, nossas mentes cheias de dúvidas ou até desprezo por Cristo e pelos cristãos. Almejo que todo jovem, do fundo do coração, venha a fazer esta pergunta: "Quem és, Senhor?".

Não podemos presumir que todos conhecem Jesus, mesmo na era da internet. A pergunta que muitas pessoas dirigem a Jesus e à Igreja é precisamente esta: "Quem és?". Em toda a história da vocação de São Paulo, é a única vez que ele fala. E à sua pergunta, o Senhor prontamente responde: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (ibid.).

"Eu sou Jesus, a quem tu persegues!"

Com essa resposta, o Senhor Jesus revela a Saulo um grande mistério: que ele se identifica com a Igreja, com os cristãos. Até então, Saulo não tinha visto nada de Cristo, exceto os fiéis que ele tinha encarcerado (cf. Atos 26,10), para cuja condenação à morte ele próprio havia votado (ibid.). E tinha visto como os cristãos respondem ao mal com o bem, ao ódio com o amor, aceitando as injustiças, as violências, as calúnias e as perseguições sofridas em nome de Cristo.

Então, olhando bem, Saulo de alguma forma - sem saber - encontrou Cristo: ele o havia encontrado nos cristãos! Quantas vezes já ouvimos dizer: "Jesus sim, a Igreja não", como se um pudesse ser a alternativa à outra. Não se pode conhecer Jesus se não se conhece a Igreja. Não se pode conhecer Jesus exceto pelos irmãos e irmãs de sua comunidade. Não podemos nos dizer plenamente cristãos se não vivermos a dimensão eclesial da fé.

“Resistir ao aguilhão só lhe trará dor”

Essas são as palavras que o Senhor dirige a Saulo depois que ele caiu ao chão. Mas é como se já há tempo ele falasse com ele de forma misteriosa, tentando atraí-lo para si, e Saulo estivesse resistindo.

Nosso Senhor dirige aquela mesma doce "repreensão" a cada jovem que se afasta: "Por quanto tempo você vai fugir de mim? Por que você não ouve que estou lhe chamando? Estou esperando o seu retorno”.

Como o profeta Jeremias, às vezes dizemos: "Não pensarei mais nele" (Jr 20, 9). Mas no coração de cada um há como um fogo ardente: mesmo que tentemos contê-lo, não podemos, porque é mais forte do que nós. O Senhor escolhe aquele que até o persegue, completamente hostil a ele e aos seus. Mas não existe pessoa que para Deus seja irrecuperável. Através do encontro pessoal com ele é sempre possível recomeçar. Nenhum jovem está fora do alcance da graça e da misericórdia de Deus. Para ninguém se pode dizer: é muito distante ... é tarde demais... Quantos jovens têm a paixão de se opor e ir contra a maré, mas carregam escondida em seus corações a necessidade de se empenhar, de amar com todas as suas forças, de se identificar com uma missão! Jesus, no jovem Saulo, vê exatamente isso.

Reconhecer a própria cegueira

Podemos imaginar que, antes do encontro com Cristo, Saulo estivesse em certo sentido "cheio de si", considerando-se "grande" pela sua integridade moral, pelo seu zelo, pelas suas origens, pela sua cultura. Ele certamente estava convicto de que estava certo. Mas, quando o Senhor se revela a ele, ele é "aterrado" e fica cego. De repente, ele descobre que não consegue ver, não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. Suas certezas vacilam. Em seu espírito, sente que o que o animava com tanta paixão - o zelo para eliminar os cristãos - estava completamente errado. Ele percebe que não é o detentor absoluto da verdade, aliás, que está bem longe dela. E, junto com suas certezas, também cai sua "grandeza". De repente, ele se descobre perdido, frágil, "pequeno".

Essa humildade - consciência da própria limitação - é fundamental! Aquele que pensa que sabe tudo sobre si mesmo, sobre os outros e até sobre as verdades religiosas terá dificuldade para encontrar Cristo. Saulo, tendo ficado cego, perdeu seus pontos de referência. Estando sozinho no escuro, as únicas coisas claras para ele são a luz que viu e a voz que ouviu. Que paradoxo: justamente quando alguém reconhece que está cego, começa a ver! Depois da fulguração na estrada para Damasco, Saulo preferirá ser chamado de Paulo, que significa “pequeno”. Não é um apelido ou um "nome artístico" - hoje em dia muito usado também entre as pessoas comuns: o encontro com Cristo fez com que ele se sentisse realmente assim, derrubando o muro que o impedia de se conhecer em verdade. Afirma de si mesmo: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus” (1Cor 15, 9).

Santa Teresinha de Lisieux, como outras santas, gostava de repetir que a humildade é a verdade. Hoje em dia muitas "histórias" temperam os nossos dias, principalmente nas redes sociais, muitas vezes artisticamente construídas com set, câmeras, vários cenários. Procura-se cada vez mais o centro das atenções, orientados com competência, para mostrar aos “amigos” e seguidores uma imagem de si mesmos que por vezes não reflete a própria verdade. Cristo, luz do meio-dia, vem para nos iluminar e restaurar a nossa autenticidade, libertando-nos de toda máscara. Ele nos mostra claramente o que somos, porque nos ama como somos.

Mudar de perspectiva

A conversão de Paulo não é um voltar para trás, mas uma abrir-se para uma perspectiva totalmente nova.

De fato, continua o seu caminho para Damasco, mas não é mais o mesmo de antes, é uma pessoa diferente (cf. At 22,10). Podemos nos converter e renovar na vida cotidiana, fazendo as coisas que costumamos fazer, mas com um coração transformado e motivações diferentes. Nesse caso, Jesus pede expressamente a Paulo para ir até Damasco, para onde ele estava indo. Paulo obedece, mas agora a finalidade e a perspectiva de sua jornada mudaram radicalmente. A partir de agora, ele verá a realidade com novos olhos. Primeiro eram aqueles do perseguidor justiceiro, a partir de agora serão os olhos do discípulo testemunha. Em Damasco, Ananias o batiza e o apresenta à comunidade cristã. No silêncio e na oração, Paulo aprofundará a própria experiência e a nova identidade que o Senhor Jesus lhe deu.

Não dispersar a força e a paixão dos jovens

A atitude de Paulo diante do encontro com Jesus ressuscitado não nos é tão estranha. Quanta força e quanta paixão também vivem nos vossos corações, caros jovens! Mas se a escuridão ao seu redor e dentro de vocês, vos impede de ver corretamente, correm o risco de se perder em batalhas sem sentido, até mesmo se tornarem violentos. E, infelizmente, as primeiras vítimas serão vocês mesmos e as pessoas mais próximas de vocês. Há também o perigo de lutar por causas que na origem defendiam valores justos, mas que, levadas à exasperação, se transformam em ideologias destrutivas. Quantos jovens hoje, talvez movidos por suas próprias convicções políticas ou religiosas, acabam se tornando instrumentos de violência e destruição na vida de muitos! Alguns, nativos digitais, encontram o novo campo de batalha no ambiente virtual e nas redes sociais, recorrendo sem escrúpulos à arma das fake news para espalhar venenos e demolir seus adversários.

Quando o Senhor irrompe na vida de Paulo, não anula a sua personalidade, ele não cancela o seu zelo e sua paixão, mas coloca em ato essas suas qualidades para torná-lo o grande evangelizador até os confins da terra.

Apóstolo dos gentios

Paulo será mais tarde conhecido como "o apóstolo dos gentios": ele, que tinha sido um fariseu escrupuloso observante da Lei! Aqui está outro paradoxo: o Senhor deposita sua confiança justamente naquele o perseguia. Como Paulo, cada um de nós pode sentir no fundo do coração, esta voz que lhe diz: “Eu confio em você. Conheço sua história e a tomo em minhas mãos, junto com você. Mesmo que muitas vezes tenha estado contra mim, eu o escolho e o torno minha testemunha”. A lógica divina pode fazer do pior perseguidor uma grande testemunha.

O discípulo de Cristo é chamado a ser "a luz do mundo" (Mt 5,14). Paulo deve testemunhar o que viu, mas agora ele está cego. Estamos de volta ao paradoxo! Mas, justamente por meio dessa experiência pessoal, Paulo poderá se identificar com aqueles a quem o Senhor o envia. De fato, ele se torna testemunha "para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz” (At 26,18).

"Levanta-te e testemunha!"

Ao abraçar a nova vida que nos é dada no Batismo, recebemos também uma missão do Senhor: “Serás minha testemunha!”. É uma missão à qual se dedicar, que muda a vida.

Hoje o convite de Cristo a Paulo dirige-se a cada um e cada uma de vocês, jovens: Levanta-te! Não podes ficar no chão e "sentir pena de ti mesmo", há uma missão que te espera! Também podes ser testemunha das obras que Jesus começou a realizar em ti. Por isso, em nome de Cristo, digo-te:

– Levanta-te e testemunha a tua experiência de cego que encontrou a luz, viu o bem e a beleza de Deus em si mesmo, nos outros e na comunhão da Igreja que vence toda a solidão.

– Levanta-te e testemunha o amor e o respeito que se pode instaurar nas relações humanas, na vida familiar, no diálogo entre pais e filhos, entre jovens e idosos.

– Levanta-te e defende a justiça social, a verdade e a retidão, os direitos humanos, os perseguidos, os pobres e os vulneráveis, aqueles que não têm voz na sociedade, os imigrantes.

– Levante-se e testemunha o novo olhar que te faz ver a criação com olhos maravilhados, te faz reconhecer a Terra como a nossa casa comum e te dá a coragem para defender a ecologia integral.

– Levanta-te e testemunha que vidas fracassadas podem ser reconstruídas, que pessoas já mortas no espírito podem ressuscitar, que pessoas escravizadas podem se tornar livres novamente, que os corações oprimidos pela tristeza podem encontrar a esperança.

– Levante-se e testemunha com alegria que Cristo vive! Divulga a sua mensagem de amor e salvação entre teus colegas, na escola, na faculdade, no trabalho, no mundo digital, em qualquer lugar. O Senhor, a Igreja, o Papa confiam em vocês e os tornam testemunhas em relação a tantos outros jovens que encontram nas “estradas para Damasco” do nosso tempo. Não se esqueçam: “se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus (Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 120).

Levantem-se e celebrem a JMJ nas Igrejas particulares!

Renovo a todos vocês, jovens do mundo, o convite a participar nesta peregrinação espiritual que nos levará a celebrar a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa em 2023. O próximo encontro, porém, é nas vossas Igrejas particulares, nas diversas dioceses e eparquias do mundo, onde, na solenidade de Cristo Rei, se celebrará – em nível local - a Jornada Mundial da Juventude de 2021. Espero que todos nós possamos viver estas etapas como verdadeiros peregrinos e não como "turistas da fé"! Abramo-nos às surpresas de Deus, que quer deixar a sua luz resplendecer no nosso caminho. Abramo-nos para escutar sua voz, também através de nossos irmãos e nossas irmãs.

Assim nos ajudaremos uns aos outros a nos levantarmos juntos, e neste momento histórico difícil nos tornaremos profetas de novos tempos, cheios de esperança! A Beata Virgem Maria interceda por nós.


Francisco.


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A mensagem do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude de 2021 foi publicada por Avvenire, 28-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Fonte: IHU