06 março, 2024

“Na Faixa estão morrendo de fome e Netanyahu é o responsável”. Entrevista com Philippe Lazzarini

“A carestia é induzida e é fácil reverter: basta abrir as passagens”, explica Philippe Lazzarini, o Comissário geral da UNRWA, a agência da ONU para os refugiados palestinos, nesta entrevista ao La Stampa.


A entrevista é de Uski Audino, publicada por La Stampa, 02-03-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Conseguiu entender o que aconteceu com o massacre que custou a vida de 112 palestinos durante o trânsito do comboio de bens alimentares? Circulam diferentes versões. Qual é a sua?

Não tenho outros detalhes além do que ouvi pela mídia, mas tenho certeza que as investigações nos contarão o que aconteceu. É chocante que centenas de pessoas famintas tenham sido mortas enquanto esperavam desesperadamente os alimentos. A fome ameaça o norte de Gaza e, como UNRWA, não conseguimos mais levar ajudas desde 24 de janeiro. Quando tentamos novamente no início de fevereiro o nosso comboio foi bloqueado pelo exército israelense. Eu não tenho uma versão pessoal dos fatos, mas sei que o transporte de dois dias atrás não foi organizado nem pela ONU, nem pela UNRWA, nem por nenhuma associação humanitária conhecida. Parece que há uma iniciativa de outra natureza por trás.

De que natureza?

Nessa fase não faço suposições. Os fatos só podem ser apurados através de uma investigação séria, um acesso adequado ao local, um interrogatório adequado a quem dirigia o transporte e escutando testemunhas oculares.

Como está progredindo a assistência humanitária em Gaza neste último período?

Há semanas que nós e os especialistas da FAO falamos sobre uma iminente carestia. Em relação a essa situação de emergência e, apesar do Tribunal Internacional de Justiça de Haia ter pedido um esforço maior, aconteceu o contrário. A assistência humanitária caiu em média 50% em fevereiro em comparação com janeiro.

Por que diminuiu?

Faltou a vontade política. Existem dois acessos a Gaza atualmente operacionais: Rafah e Kerem Shalom. O segundo é a aquele permite maior capacidade de trânsito, mas está regularmente fechado quer por manifestações, quer devido a um sistema de fiscalização extremamente intrincado. Por exemplo, um caminhão vindo do Egito leva de cinco a sete dias para entrar. No fundo, falta a vontade.

De quem?

Se Israel quisesse, o acesso às travessias poderia ser mais rápido. Antes de 7 de outubro transitavam 700 veículos pesados por dia. Hoje temos uma média de 100-150 e nem todos os dias. Se houvesse a vontade de abrir outras passagens, por exemplo em Karni ou Erez, no Norte - onde atualmente temos uma população encurralada e faminta – poderíamos enfrentar a situação. Essa é uma situação puramente ‘manmade’, isto é, induzida pelo homem, artificial. Eu nunca vi na história recente um lugar onde a carestia fosse provocada artificialmente.

O que você quer dizer com carestia induzida?

Quero dizer que é criada por um sistema de segurança extremamente rígido. Se fosse afrouxado, o problema da fome poderia ser resolvido. É muito mais fácil enfrentar a fome em Gaza do que no Sahel, onde é ligada a condições ambientais. Aqui a resposta é conhecida: basta abrir as passagens e deixar entrar os comboios para prestar assistência às pessoas.

O governo israelense fez graves acusações contra a UNRWA, alegando que 12 dos seus colaboradores estariam supostamente envolvidos no massacre de 7 de outubro. Como você responde?

Quando tomei conhecimento em 18 de janeiro fiquei chocado. O caso foi levado muito a sério e não só as pessoas acusadas foram demitidas, mas denunciei tudo ao Secretário-Geral da ONU que abriu uma investigação independente. Estão em curso de revisão também os procedimentos do sistema de gestão de riscos, sob a orientação da ex-ministra francesa Catherine Colonna. Em breve teremos os resultados e estamos prontos para melhorar conforme necessário. Mas eu quero ser claro: estamos falando apenas de acusações.

Quais foram as consequências dessas acusações para vocês?

Cerca de 16-18 países congelaram as suas contribuições para a UNRWA. A menos que algo mude, a capacidade da Agência para enfrentar a pior crise humanitária da região ficará comprometida. Não poderemos fornecer serviços essenciais, como educação, a Jordânia, Síria, Líbano e Cisjordânia, onde há milhares de crianças e 450 milhões de dólares correm risco de congelamento.

O governo Netanyahu afirma que a UNRWA está comprometida com o Hamas e afirma que o seu data center ficava sob sua sede na cidade de Gaza. Como você explica isso?

Os israelenses nunca nos procuraram com as suas acusações, sempre as transmitiram pelas redes sociais ou pela TV. A acusação do data center é uma afirmação, mas nunca compartilharam conosco as provas. Quando for possível ter acesso a Gaza, será necessário realizar uma investigação séria sobre os túneis e a seus acessos. Enquanto isso, posso dizer que desde o início da guerra mais de 400 pessoas foram mortas enquanto se abrigavam sob a bandeira da ONU e essa é uma violação grave que exigiria uma investigação internacional.

Por que o governo israelense quer a sua demissão?

Israel quer desmantelar a UNRWA porque se tornou um símbolo dos direitos dos refugiados palestinos e dos seus pedidos de um percurso político. O pedido de demissão é a etapa preliminar para eliminar a Agência.

A UNRWA pode ser substituída agora?

A nossa não é apenas uma organização humanitária, mas também oferece educação. Só em Gaza, cerca de 300 mil crianças frequentam a nossa escola. O único que pode nos substituir é um estado, que agora não existe. Seria um erro terrível sacrificar o futuro de milhares de meninas e meninos. A alternativa é crescer no trauma, a melhor receita para aumentar ódio, violência e ressentimento.

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Fonte: IHU

22 fevereiro, 2024

Rezemos juntos, pelo esporte como inclusão de pessoas com deficiência!

Para Sara Minkara, assessora especial do Departamento de Estado dos EUA para os direitos das pessoas com deficiência, o esporte permite que as pessoas com deficiência "realmente entrem em contato com sua identidade, seu empoderamento, trabalho em equipe e envolvimento com os outros".

Fonte: Vatican News

20 fevereiro, 2024

Desenrola para empresas deve sair neste trimestre

O lançamento da versão para empresas e microempreendedores individuais (MEI) do Programa Desenrola deve sair no primeiro trimestre, disse nesta quarta-feira (17).

De acordo com Márcio França, a versão do Desenrola para as empresas deve contemplar dívidas do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Ele não descartou que o programa seja implementado em fases, como ocorreu com a versão para pessoas físicas do Desenrola, que começou em julho do ano passado e terminará em 31 de março.

Em relação ao Simples Nacional, França disse que o governo analisa uma possível prorrogação do prazo para as micro e pequenas empresas optarem pelo regime especial de tributação. Originalmente, o prazo de adesão ao Simples Nacional acaba em 31 de janeiro, mas a data pode ser adiada para abril ou maio.

Leia na íntegra a matéria publicada no site Agência Brasil


Retiro de Espiritualidade - COMIDI - Arquidiocese de Maringá

Conselho Missionário Diocesano (COMIDI)
Retiro de Espiritualidade
Orientador: Pe. Genivaldo Ubinge
Realizado dia domingo, 18 de fevereiro de 2024
 Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Glória
Arquidiocese de Maringá





14 fevereiro, 2024

O Evangelho encontrou seu lugar nas "CEBs”

O Evangelho encontrou seu lugar nas CEBs”

Às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) fizeram chegar à bíblia às mãos do povo, não só às mãos, más se fez o lugar do encontro do povo com a Palavra de Deus, onde a leitura era feita de forma comunitária, a bíblia tornou-se livro da vida de cada dia e levou o povo a redescobrir Jesus Cristo, não via pesquisas teológicos, mas onde o Evangelho encontrou seu lugar, às CEBs.

Lugar onde a Palavra era acolhida e iluminava a luta pela vida e ao fazer ligação entre a Palavra e a vida descobriram que Deus vê, ouve o clamor de seu povo e caminha com ele, e aí, deixaram-se guiar pela Palavra que é luz que ilumina e assim muitas lutas para transformar a realidade comunitária e social foram acontecendo, a luz da Palavra de Deus.

As CEBs sendo o lugar onde o Evangelho encontrou seu lugar, gerou muitas peregrinas e peregrinos da esperança que souberam deixar-se iluminar pelo Evangelho e lutaram para transformar as realidades.

O Evangelho continua encontrando seu lugar nas CEBs, não podemos abandonar o Evangelho.

A história das Comunidades Eclesiais de Base afirma, possível sim, mudar as realidades com a força do Evangelho.

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Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

09 fevereiro, 2024

Carnaval – disse Dom Hélder Câmara

 



Carnaval – disse Dom Hélder Câmara


Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida.

Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval.

Brinque, meu povo querido! Minha gente queridíssima. É verdade que na quarta-feira a luta recomeça, mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!”.


08 fevereiro, 2024

Para refletir!

"Os pecados mais graves se disfarçam com aparência angelical" Papa Francisco

O coração da Fiducia Supplicans é a acolhida, não se nega a bênção a ninguém

Sobre a benção a casais homossexuais, diz o Papa:

"Ninguém se escandaliza se eu abençoo um empresário que explora as pessoas, enquanto se escandaliza se eu abençoo um homossexual".


"Todos, todos, todos". O Papa disse isso em Lisboa e repetiu em várias outras ocasiões para reafirmar o princípio de acolhimento que fundamenta a missão pastoral da Igreja e enquadrar também as bênçãos a casais "irregulares", incluindo os homossexuais, conforme proposto pelo documento doutrinal Fiducia Supplicans. Também na revista Credere, publicada pelo Grupo San Paolo à qual concedeu uma entrevista veiculada nesta quinta-feira, 8 de fevereiro, Francisco volta à questão das bênçãos - que geraram diversas reações e polêmicas - e repete o que já havia mencionado durante uma audiência ao Dicastério para a Doutrina da Fé que elaborou a declaração: "Eu não abençoo um 'casamento homossexual', abençoo duas pessoas que se amam e também peço que rezem por mim", explica o Pontífice na conversa com o diretor, padre Vincenzo Vitale. "Sempre nas confissões, quando essas situações surgem, pessoas homossexuais, pessoas divorciadas, eu sempre rezo e abençoo. A bênção não deve ser negada a ninguém. Todos, todos, todos. Atenção, estou falando de pessoas: de quem é capaz de receber o Batismo".

Leia e ouça a íntegra da matéria, clique AQUI

06 fevereiro, 2024

Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2024

Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade


Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2024


Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade

Queridos irmãos e irmãs!

Quando o nosso Deus Se revela, comunica liberdade: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). Assim inicia o Decálogo dado a Moisés no Monte Sinai. O povo sabe bem de que êxodo Deus está a falar: traz ainda gravada na sua carne a experiência da escravidão. Recebe as «dez palavras» no deserto como caminho de liberdade. Nós chamamos-lhes «mandamentos», fazendo ressaltar a força amorosa com que Deus educa o seu povo; mas, de facto, a chamada para a liberdade constitui um vigoroso apelo. Não se reduz a um mero acontecimento, mas amadurece ao longo dum caminho. Como Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito (vemo-lo muitas vezes lamentar a falta do passado e murmurar contra o céu e contra Moisés), também hoje o povo de Deus traz dentro de si vínculos opressivos que deve optar por abandonar. Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperança e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos. A Quaresma é o tempo de graça em que o deserto volta a ser – como anuncia o profeta Oseias – o lugar do primeiro amor (cf. Os 2, 16-17). Deus educa o seu povo, para que saia das suas escravidões e experimente a passagem da morte à vida. Como um esposo, atrai-nos novamente a Si e sussurra ao nosso coração palavras de amor.

O êxodo da escravidão para a liberdade não é um caminho abstrato. A fim de ser concreta também a nossa Quaresma, o primeiro passo é querer ver a realidade. Quando o Senhor, da sarça ardente, atraiu Moisés e lhe falou, revelou-Se logo como um Deus que vê e sobretudo escuta: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das mãos dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel» (Ex 3, 7-8). Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu. Perguntemo-nos: E chega também a nós? Mexe connosco? Comove-nos? Há muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une.

Na minha viagem a Lampedusa, à globalização da indiferença contrapus duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: «Onde estás?» (Gn 3, 9) e «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9). O caminho quaresmal será concreto, se, voltando a ouvir tais perguntas, confessarmos que hoje ainda estamos sob o domínio do Faraó. É um domínio que nos deixa exaustos e insensíveis. É um modelo de crescimento que nos divide e nos rouba o futuro. A terra, o ar e a água estão poluídos por ele, mas as próprias almas acabam contaminadas por tal domínio. De facto, embora a nossa libertação tenha começado com o Batismo, permanece em nós uma inexplicável nostalgia da escravatura. É como uma atração para a segurança das coisas já vistas, em detrimento da liberdade.

Quero apontar-vos, na narração do Êxodo, um detalhe de não pequena importância: é Deus que vê, que Se comove e que liberta, não é Israel que o pede. Com efeito, o Faraó extingue também os sonhos, rouba o céu, faz parecer imutável um mundo onde a dignidade é espezinhada e os vínculos autênticos são negados. Por outras palavras, o Faraó consegue vincular-nos a ele. Perguntemo-nos: Desejo um mundo novo? E estou disposto a desligar-me dos compromissos com o velho? O testemunho de muitos irmãos bispos e dum grande número de agentes de paz e justiça convence-me cada vez mais de que aquilo que é preciso denunciar é um défice de esperança. Trata-se de um impedimento a sonhar, um grito mudo que chega ao céu e comove o coração de Deus. Assemelha-se àquela nostalgia da escravidão que paralisa Israel no deserto, impedindo-o de avançar. O êxodo pode ser interrompido: não se explicaria doutro modo porque é que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escuridão das desigualdades e dos conflitos.

Deus não Se cansou de nós. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos é novamente dirigida: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). É tempo de conversão, tempo de liberdade. O próprio Jesus, como recordamos anualmente no primeiro domingo da Quaresma, foi impelido pelo Espírito para o deserto a fim de ser posto à prova na sua liberdade. Durante quarenta dias, tê-Lo-emos diante dos nossos olhos e connosco: é o Filho encarnado. Ao contrário do Faraó, Deus não quer súbditos, mas filhos. O deserto é o espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decisão pessoal de não voltar a cair na escravidão. Na Quaresma, encontramos novos critérios de juízo e uma comunidade com a qual avançar por um caminho nunca percorrido.

Isto comporta uma luta: assim no-lo dizem claramente o livro do Êxodo e as tentações de Jesus no deserto. Com efeito, à voz de Deus, que diz «Tu és o meu Filho amado» (Mc 1, 11) e «não haverá para ti outros deuses na minha presença» (Ex 20, 3), contrapõem-se as mentiras do inimigo. Mais temíveis que o Faraó são os ídolos: poderíamos considerá-los como a voz do inimigo dentro de nós. Poder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedução desta mentira. É uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, à nossa posição, a uma tradição, até mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos pôr em movimento, paralisar-nos-ão. Em vez de nos fazer encontrar, contrapor-nos-ão. Mas existe uma nova humanidade, o povo dos pequeninos e humildes que não cedeu ao fascínio da mentira. Enquanto os ídolos tornam mudos, cegos, surdos, imóveis aqueles que os servem (cf. Sal 115, 4-8), os pobres em espírito estão imediatamente disponíveis e prontos: uma força silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo.

É tempo de agir e, na Quaresma, agir é também parar: parar em oração, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano em presença do irmão ferido. O amor de Deus e o do próximo formam um único amor. Não ter outros deuses é parar na presença de Deus, junto da carne do próximo. Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Então o coração atrofiado e isolado despertará. Para isso há que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimensão contemplativa da vida, que a Quaresma nos fará reencontrar, mobilizará novas energias. Na presença de Deus, tornamo-nos irmãs e irmãos, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de ameaças e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal é o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando saímos da escravidão.

A forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos, sugere que a Quaresma seja também tempo de decisões comunitárias, de pequenas e grandes opções contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os hábitos nas compras, o cuidado com a criação, a inclusão de quem não é visto ou é desprezado. Convido toda a comunidade cristã a fazer isto: oferecer aos seus fiéis momentos para repensarem os estilos de vida; reservar um tempo para verificarem a sua presença no território e o contributo que oferecem para o tornar melhor. Ai se a penitência cristã fosse como aquela que deixou Jesus triste! Também a nós diz Ele: «Não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam» (Mt 6, 16). Pelo contrário, veja-se a alegria nos rostos, sinta-se o perfume da liberdade, irradie aquele amor que faz novas todas as coisas, a começar das mais pequenas e próximas. Isto pode acontecer em toda a comunidade cristã.

Na medida em que esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um estremeção de criatividade: o lampejar duma nova esperança. Quero dizer-vos, como aos jovens que encontrei em Lisboa no verão passado: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim» ( Discurso aos estudantes universitários, 03/VIII/2023). É a coragem da conversão, da saída da escravidão. A fé e a caridade guiam pela mão esta esperança menina. Ensinam-na a caminhar e, ao mesmo tempo, ela puxa-as para a frente. [1]


Abençoo-vos a todos vós e ao vosso caminho quaresmal.

Roma – São João de Latrão, no I Domingo do Advento, 3 de dezembro de 2023.

FRANCISCO


[1] Cf. Charles Péguy, Il portico del mistero della seconda virtù, Milão 1978, 17-19.


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Fonte: site A Santa Sé

05 fevereiro, 2024

A organização do Povo faz nascer e crescer as CEBs!

Seque, um pequeno texto que escrevi, pensando nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


A organização do Povo faz nascer e crescer as CEBs!

O povo na base se organizam, e assim, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), continuam nascendo e crescendo do Povo pelo Espírito Santo de Deus. Participam da estrutura organizativa da CNBB e em muitas Arqui/Dioceses as CEBs fazem parte da estrutura, é a menor circunscrição territorial, porém, são as CEBs, o ambiente da Ação Evangelizadora. É o primeiro “ambiente” da sensibilidade da Igreja para com as questões missionárias, pastorais e para com as questões sociais. Primeiro “ambiente” do agir sinodal para uma Igreja em saída, como pede Papa Francisco. Não reconhecer essas verdades, negar essas verdades e fechar espaços é um pecado.

Diz o texto do Evangelho de Mateus (9,35-38), que Jesus “percorria todas as cidades e aldeias”. No caminho, encontrava as “multidões cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. Diante delas, Jesus sentia “compaixão”.

Compaixão é sentir a dor da outra pessoa e, juntos, buscar soluções alternativas. Se as Arqui/Dioceses querem doar-se seu próprio tempo; quer se colocar-se à disposição, enfim, quer caminhar junto com o povo que a ela está confiado; com aquelas e aqueles que tem cede e fome do evangelho; de pão e justiça, precisa reconhecer as CEBs como sendo o ambiente e fortalece-las.

Hoje, como no tempo de Jesus, as multidões dos que tem cede e fome do evangelho; de pão e justiça encontram-se “cansadas e abatidas”. A injustiça e a desigualdade social geram milhares de pessoas empobrecidas que se tornam excluídas, quando não exterminadas.

Diz um provérbio chinês que perguntaram a determinada mãe a qual dos filhos ela mais amava. Ela, como mãe, respondeu: ao mais triste até que sorria, ao mais doente até que sare, ao mais distante até que volte, ao mais pequeno até que cresça. Para ser uma Igreja mãe, tem que estender o amor de Deus a todas as suas e filhas e a todos os seus filhos e ter ações concretas para as diferentes situações.

As CEBs, sendo o primeiro “ambiente” podem concretizar em ações pastorais e sociais o pastoreio da Igreja, para continuar a ação de Jesus, o Bom Pastor, que doa sua vida pelas ovelhas. Ação real, sacerdotal e profética que testemunha e anuncia e coloca-se a serviço do Reino de Deus, e como Jesus, acolher e amar todas as pessoas.

31 janeiro, 2024

Que o "grito de dor" das vítimas, "toque os corações dos responsáveis pelas nações e suscite projetos de paz"

O Papa: tanta crueldade na guerra, o grito das vítimas civis suscite projetos de paz Francisco, no final da audiência geral, citou o Dia Nacional das Vítimas Civis de Guerra que é celebrado na Itália todo dia primeiro de fevereiro e, à memória dos que morreram nas duas guerras mundiais, uniu sua oração por aqueles que perdem a vida no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras áreas do mundo: "Que o grito de dor deles toque os corações dos responsáveis pelas nações". O Pontífice denunciou a "crueldade" dos conflitos: "Peçamos a paz ao Senhor, que é sempre manso, nunca cruel"

Mulheres em lágrimas em Gaza, diante dos escombros causados por bombardeios (AFP)


Publicado por Vatican News, em 31/01/204

O Papa: tanta crueldade na guerra, o grito das vítimas civis suscite projetos de paz

O Papa: tanta crueldade na guerra, o grito das vítimas civis suscite projetos de paz Francisco, no final da audiência geral, citou o Dia Nacional das Vítimas Civis de Guerra que é celebrado na Itália todo dia primeiro de fevereiro e, à memória dos que morreram nas duas guerras mundiais, uniu sua oração por aqueles que perdem a vida no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras áreas do mundo: "Que o grito de dor deles toque os corações dos responsáveis pelas nações". O Pontífice denunciou a "crueldade" dos conflitos: "Peçamos a paz ao Senhor, que é sempre manso, nunca cruel

Não há tempo, não há espaço, mas somente um longo rastro de sangue e de dor que une duas épocas: a das guerras mundiais e a atual dos conflitos "em pedaços" que dilaceram a humanidade. Francisco elevou aos céus uma recordação e uma oração por aqueles que morreram em batalha hoje e ontem, no final da audiência geral desta quarta-feira na Sala Paulo VI, quando - no momento das saudações em italiano - recordou o Dia Nacional das Vítimas Civis de Guerra que é celebrado na Itália todo dia primeiro de fevereiro.

À oração em memória daqueles que morreram nas duas guerras mundiais, associamos também os muitos – demasiados - civis, vítimas indefesas das guerras que infelizmente ainda mancham nosso planeta com sangue, como no Oriente Médio e na Ucrânia.

Pedimos paz ao Senhor, que não é cruel, mas manso

Notícias dramáticas que chegam nestas horas dos dois territórios em guerra: mais de dez civis mortos durante um bombardeio em uma casa em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza; ataques de drones, casas destruídas, civis feridos e mortos, em Karkhiv, Bakhmut e outros territórios ucranianos.

Que o "grito de dor" das vítimas, espera o Papa, "toque os corações dos responsáveis pelas nações e suscite projetos de paz". Pronunciando algumas palavras fora do texto previamente preparado, uma constatação amarga dos limites da desumanidade que a guerra sistematicamente rompe.

Quando se lêem histórias destes dias, na guerra, há tanta crueldade, tanta... Peçamos ao Senhor a paz que é sempre mansa, não cruel.

A recordação de Dom Bosco

Antes de conclui sua saudação aos de língua italiana, o Papa recordou hoje, 31 de janeiro, a memória litúrgica de Dom Bosco, sacerdote fundador dos salesianos, modelo de educação, cuidado e acolhimento dos jovens:

Invoco sobre vós a proteção de São João Bosco que hoje a Igreja recorda, a fim de que torne fecunda a vocação de cada um na Igreja e no mundo.

30 janeiro, 2024

Jubileu 2025 - Tema “Peregrinos de Esperança”.

“Peregrinos de Esperança”

Peregrinos de esperança, como não comungar com o nosso papa. 

A esperança é o que alimenta a nossa vida diariamente, e à aspiração de felicidade existente no coração de cada pessoa; quem perde a esperança mais profunda, perde o sentido da sua vida; sem esperança, viver não tem sentido.

Viver é também esperar, mas esperar com disposição para realizar todos os esforços possíveis a fim de que o esperado se concretize. A esperança ativa não é simples espera. É uma “paciência inquieta.

“Transformar a realidade social com a força do Evangelho, testemunhada por mulheres e homens fiéis a Jesus Cristo, sempre foi um desafio e, no início do terceiro milênio da era cristã, ainda o é. O anúncio de Jesus Cristo «boa nova» de salvação, de amor, de justiça e de paz, não é facilmente acolhido no mundo de hoje, ainda devastado por guerras, miséria e injustiças; justamente por isso (a mulher e) o homem do nosso tempo mais do que nunca necessita do Evangelho: da fé que salva, da esperança que ilumina, da caridade que ama.” ((Cardeal Renato Raffaele Martino, na apresentação do Compêndio da Doutrina Social).

A compreensão que as CEBs - Comunidades Eclesiais de Base (comunidades, setores, capelas), é o primeiro ambiente da ação evangelizadora, ambiente onde devem ser fomentados mulheres e homens a serem peregrinos da esperança - é uma esperança.


“Só tem capacidade de irradiar esperança quem espera. Se nós, cristãos, não somos mulheres e homens de esperança, como vamos contagiar o mundo com esperança?” (Dom Paulo Cézar Costa)

O Jubileu "pode ajudar muito a restabelecer um clima de esperança e confiança, como sinal de um novo renascimento, que todos percebemos como urgente" e será possível "se formos capazes de recuperar o sentido da fraternidade universal, se não fecharmos os olhos à tragédia da pobreza desenfreada que impede milhões de homens, mulheres, jovens e crianças de viver de maneira humanamente digna", afirmou Papa Francisco.

Um Jubileu é "ordinário" se celebrado após o período habitual de 25 anos, e "extraordinário" quando é proclamado por algum evento notável.

O último Jubileu ordinário teve lugar no ano 2000 durante o pontificado do Papa S. João Paulo II. Em 2015, o Papa Francisco proclamou um Ano Santo Extraordinário de Misericórdia.

A pedido do Papa Francisco os dois anos que antecedem o Jubileu 2025, estão sendo dedicados à redescoberta dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, e, no segundo ano, à oração.

- Ano de 2023 – Redescoberta dos ensinamentos do Concílio Vaticano II (Clique aqui para acessar)
- Ano de 2024 – Ano de Oração

Em segunda sessão do encontro em preparação ao Jubileu 2025, 29 e 30 de janeiro de 2024, dom Leomar Brustolin aborda os desafios atuais da evangelização e a necessidade de refletir sobre o papel crucial da Igreja Católica na sociedade brasileira e a participação laical na missão evangelizadora.

Os três principais aspectos dos desafios atuais da ação evangelizadora para dom Leomar são: os sinais dos tempos, a conversão pastoral e a missão. Para ele a análise partiu do ponto de vista do discipulado, observando o que o Senhor propõe a partir da realidade que nos interpela, com base no Documento de Aparecida que apresenta e impulsiona a viver um modo de ser igreja, ou seja, “comunidade de comunidades”.

Como a Igreja do Brasil está se colocando em estado permanente de missão, se está formando discípulas e discípulos ou adeptos do cristianismo - foi questionado por dom Leomar que destacou a importância de uma abordagem renovada na evangelização, especialmente nos diversos ambientes da sociedade, como escolas e hospitais.

Destacou também sobre a importância do reconhecimento do pluralismo cultural, da participação ativa dos fiéis leigas e leigos nas decisões da Igreja e da compreensão dos efeitos da globalização na religião.

O arcebispo enfatizou sobre a importância da sinodalidade para fortalecer o senso de pertença à comunidade na Igreja, a importância missionária laical e a prioridade das leigas e leigos nas ações evangelizadoras; a superação do ativismo pastoral em favor da espiritualidade e da missão.

Dom Leomar reforça a importância da transmissão da fé às futuras gerações, do sentido de pertença e comunhão na comunidade cristã e do enfrentamento da rejeição ao próximo, especialmente os mais vulneráveis.

Logo do Jubileu 2025

Logo do Jubileu 2025

A obra é de Giacomo Travisani.

Giacomo Travisani, explicou a sua ideia, ele imaginou todas as pessoas avançando juntas, "graças ao vento da Esperança que é a Cruz de Cristo e o próprio Cristo".


O logo mostra quatro figuras estilizadas para indicar toda a humanidade dos quatro cantos da terra. Cada uma delas abraçando-se mutuamente, indicando a solidariedade e a fraternidade que deve unir os povos. A primeira figura está agarrada à Cruz. As ondas subjacentes são agitadas para indicar que a peregrinação da vida nem sempre se faz em águas calmas.

A parte inferior da Cruz é alongada, transformando-se numa âncora, que domina o movimento das ondas. As âncoras com frequência são usadas como metáforas de esperança.

A imagem mostra como a viagem do peregrino não é individual, mas sim comunitária, com os sinais de um dinamismo crescente que se move cada vez mais em direção à Cruz.

"A Cruz não é estática", sugeriu Fisichella, "mas dinâmica, inclinando-se para encontrar a humanidade como se não a deixasse em paz, mas sim oferecendo a certeza da sua presença e a tranquilidade da esperança".

26 janeiro, 2024

Fundamentos bíblicos da CF 2024

“uma boa fundamentação para a CF 2024 seja recuperarmos a voz do mundo urbano da cidade do Rio de Janeiro, expressa nas contribuições do Profeta Gentileza (1917-1996), cujos Dez Mandamentos para a amizade social estão escritos nas pilastras que sustentam a antiga Perimetral” escreve Francisco Orofino, em artigo publicado por Portal das CEBs, 26-01-2024

Eis o artigo.

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2024 tem como Tema “A Fraternidade e a Amizade Social”. O Lema, tirado do Evangelho de Mateus (Mt 23,8), diz “Vós sois todos irmãos e irmãs”. Segundo o Texto-Base, a CF 2024 quer “despertar para o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todas as pessoas e povos”. Ou seja, a CF 2024 aponta para uma possível pacificação política no Brasil e o desejo de que os vários conflitos espalhados pela Terra sejam solucionados com diálogo, amizade e paz. Objetivos bem ambiciosos, sem dúvida.

Como a Campanha da Fraternidade virou uma máquina pastoral onde, antes de acabar uma já se pensa na próxima sem uma devida avaliação, fica sempre meio difícil saber exatamente o que teria levado a coordenação das CFs a escolher um determinado Tema. Podemos pensar em dois motivos. Um primeiro seria a polarização sócio-política que se instalou aqui no Brasil desde as jornadas de 2013, polarização esta que deixou clara a divisão política do Brasil, constatada nas últimas eleições presidenciais. Mas um outro motivo também é importante. A CF 2024 é uma boa ocasião para acolher e aprofundar a Carta Encíclica Fratelli Tutti do papa Francisco, “sobre a Fraternidade e a Amizade Social”. Neste artigo vou valorizar este segundo motivo.

O papa Francisco lançou sua Carta Encíclica Fratelli Tutti no túmulo de São Francisco de Assis no dia da festa do santo no ano de 2020. Em plena pandemia na Covid 19. O título desta Encíclica é tirado das Admoestações escritas por Francisco de Assis, uma pessoa que tinha plena consciência de ser portador de um projeto de evangelização em que ele “semeou a paz por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, enfim, dos últimos” (FT 2).

Depois de uma profunda análise da atual conjuntura no capítulo I de sua Carta, com o título “As sombras de um Mundo Fechado”, o papa Francisco faz a fundamentação bíblica de seu escrito no segundo capítulo (Um estranho no caminho – FT 56 a 86) com um belo comentário à parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37). Fica claro que Francisco se vale do método da Leitura Popular da Bíblia, bem desenvolvido aqui na América Latina. Creio ser esta também a fundamentação bíblica da CF 2024.

Ao fazer a análise das diferentes atitudes dos personagens da parábola (FT 72-76), Francisco ressalta que também hoje as pessoas religiosas, dedicadas a prestar seu culto a Deus, passam distantes dos caídos, ressaltando que “o fato de crer em Deus e adorá-lo não é garantia de viver como agrada a Deus” (FT 74). Esses que passam pelo caminho olhando para o outro lado e ignorando o caído, são tão violentos quanto os salteadores que atacaram e roubaram aquele infeliz.

Ressaltando as atitudes do samaritano, o papa convoca a todos e todas a serem irmãos e irmãs tendo consciência de sermos seres sociais capazes de iniciar e gerar novos processos e transformações. Ter amizade social significa empenhar-se em reabilitar os caídos e sanar sociedades feridas (FT 77). Lembrando que o samaritano fez o que lhe pedia a compaixão e a misericórdia, “partindo sem esperar reconhecimento nem agradecimentos” (FT 79).

O capítulo 6 da FT tem como título “Diálogo e Amizade Social”. Aqui, o papa aponta atitudes concretas de quem busca ter consciência de ser uma pessoa aberta aos outros e outras. “Aproximar-se, expressar-se, ouvir-se, olhar-se, conhecer-se, esforçar-se por entender-se, procurar pontos de contato: tudo isso se resume no verbo ‘dialogar’” (FT 198). A amizade social exige uma abertura para o diálogo social tendo em vista a construção de uma nova cultura do encontro (FT 215). Aqui, o papa se fundamenta nas atitudes ressaltadas por Paulo na carta aos Gálatas: “o fruto do espírito é amor, alegria, paz, generosidade, benevolência, bondade, fé, gentileza e autodomínio” (Gl 5,22-23). Francisco ressalta aqui o termo “benevolência” (em grego késtótês) uma palavra que no seu sentido original significa “prestabilidade ou vontade de ser útil a outrem” como uma boa atitude de quem busca construir amizades sociais (cf. FT 223).

Acredito que uma boa fundamentação para a CF 2024 seja recuperarmos a voz do mundo urbano da cidade do Rio de Janeiro, expressa nas contribuições do Profeta Gentileza (1917-1996), cujos Dez Mandamentos para a amizade social estão escritos nas pilastras que sustentam a antiga Perimetral. São eles:

1. Gentileza gera gentileza.

2. Nunca é tarde demais para a bondade, porque você nunca sabe quando será tarde demais.

3. Quem não veio para servir não serve para viver, deve desaparecer.

4. O dinheiro é a raiz de todo mal, a planta de toda infelicidade.

5. O diabo é o capital, que vende tudo e destrói tudo.

6. A gentileza é como a criança dentro de nós, basta deixar que ela exista.

7. Um amigo verdadeiro é capaz de ouvir sem críticas; é capaz de dar sem que ninguém perceba; A amizade não cobra, não impõe, não exige, simplesmente existe.

8. Todas as pessoas têm algum talento que pode ser explorado de alguma forma. Basta olhar para o que essas pessoas são boas.

9. Gentileza começa a ser praticada em casa, permitindo que nossos filhos pulem e sejam inocentes. A criança tem que ser criança!

10. Como ser feliz no trabalho? Amando. Como ser uma pessoa completa? Trabalhando. Como alcançar a plenitude? Sendo gentil.

24 janeiro, 2024

Poema - Para os que virão –Thiago de Mello

Para os que virão

Como sei pouco, e sou pouco, faço o pouco que me cabe me dando inteiro. Sabendo que não vou ver [a mulher] o homem que quero ser.

Já́ sofri o suficiente para não enganar a ninguém: principalmente aos que sofrem na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido no meu bolso de palavras. Sou simplesmente [uma mulher] um homem para quem já́ a primeira e desolada pessoa do singular - foi deixando, devagar, sofridamente de ser, para transformar-se - muito mais sofridamente - na primeira e profunda pessoa do plural.

Não importa que doa: é tempo de avançar de mão dada com quem vai no mesmo rumo, mesmo que longe ainda esteja de aprender a conjugar o verbo amar.

E tempo sobretudo de deixar de ser apenas a solitária vanguarda de nós mesmos.

Se trata de ir ao encontro. Se trata de abrir o rumo. Os que virão, serão povo, e saber serão, lutando.

Uma pessoa LGBTQIA+ foi assassinada a cada 34 horas em 2023

Apuração feita pelo Grupo Gay da Bahia contabiliza 257 mortes violentas de pessoas LGBT. Brasil é o país mais homotransfóbico do mundo.

Entre as 257 pessoas LGBTQIA+ assassinadas no ano passado é alarmante a violência contra gays, que representam 10% da população do Brasil e totalizam quase 22 milhões de pessoas.

A maior parte das mortes ocorreu na Região Sudeste.




Publicada por Extra Classe, 22-01-2024.


Em todo o ano passado, 257 pessoas LGBTQIA+ tiveram morte violenta no Brasil. Isso significa que, a cada 34 horas, uma pessoa LGBTQIA+ perdeu a vida de forma violenta no país, que se manteve no posto de mais homotransfóbico do mundo em 2023. O levantamento é do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização não governamental (ONG) LGBT da América Latina.

Há 44 anos, a ONG coleta dados sobre mortes por homicídio e suicídio dessa população LGBTQIA+ por meio de notícias, pesquisas na internet e informações obtidas com parentes das vítimas.

O número, no entanto, pode ser ainda maior. Segundo a ONG, 20 mortes ainda estão sob apuração, o que poderia elevar esse número para até 277 casos.

“O governo continua ignorando esse verdadeiro holocausto que, a cada 34 horas, mata violentamente um LGBT”, disse o antropólogo Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia.

Do total de mortes registradas pelo Grupo Gay da Bahia, 127 se referiam a pessoas travestis e transgêneros, 118 eram gays, nove foram identificadas como lésbicas e três, como bissexuais.

Pela segunda vez em quatro décadas, as mortes de travestis ultrapassaram em número absoluto a dos gays, observa Mott.

“Isso é preocupante, porque travestis e transexuais representam por volta de 1 milhão de pessoas e os gays representam 10% da população do Brasil, cerca de 20 ou 22 milhões de pessoas. Então, a chance ou o risco de uma trans ou travesti ser assassinada é 19 vezes maior do que para um gay ou uma lésbica”, ressaltou Mott.

O relatório da ONG revela ainda que a maioria das vítimas (67%) era de jovens que tinham entre 19 e 45 anos quando sofreram a morte violenta.

O mais jovem deles tinha apenas 13 anos e foi morto em Sinop, Mato Grosso, após uma tentativa de estupro.

Dentre essas mortes, 204 casos se referiam a homicídios e 17 a latrocínios. O Grupo Gay da Bahia também contabilizou 20 suicídios, seis a mais do que foram registrados em 2022.

Quanto ao local da violência, 29,5% das vítimas morreram em sua residência, mas uma em cada quatro pessoas (40%) LGBT morreram nas ruas ou espaços externos.

“Persiste o padrão de travestis serem assassinadas a tiros na pista, terrenos baldios, estradas, motéis e pousadas, enquanto gays e lésbicas são mortas a facadas ou com ferramentas e utensílios domésticos, sobretudo dentro de suas casas”, diz o relatório.

Homotransfobia por região

Outro dado que o Grupo Gay da Bahia considera alarmante é que a maior parte das mortes ocorreu na Região Sudeste.

Foi a primeira vez, em 44 anos, que o Sudeste assumiu a posição de região mais impactada, com registro de 100 casos.

A Região Nordeste apareceu na segunda posição, com 94 mortes. Na sequência, vieram as regiões Sul, com 24 óbitos, Centro-Oeste, com 22, e Norte, com 17.

“Chama a atenção o aumento inexplicado da mortalidade violenta dos LGBT+ no Sudeste, que saltou de 63 casos, em 2022, para 100 em 2023, ocupando o primeiro lugar nacional, fenômeno jamais observado desde 1980: aumento de 59%. Infelizmente, tais dados evidenciam que, diferentemente do que se propala e que todos aspiramos, maior escolaridade e melhor qualidade material de vida regional (IDH) não têm funcionado como antídotos à violência letal homotransfóbica”, constata Alberto Schmitz, coordenador do Centro de Documentação do Grupo Dignidade de Curitiba.

São Paulo, com 34 mortes; Minas Gerais, com 30; Rio de Janeiro, com 28; Bahia, com 22; e Ceará, com 21, são os estados que mais concentraram mortes violentas da população LGBT no ano passado.

Políticas públicas

Para a ONG, esses números alarmantes reforçam a urgência de ações e políticas públicas efetivas para combater a violência direcionada à comunidade LGBTQIA+.

A começar pela contabilização oficial dessas mortes.

“O Grupo Gay da Bahia sempre solicitou ou reivindicou que o poder público se encarregasse das estatísticas de ódio em relação a LGBT, negros e indígenas. Mas, infelizmente, nem o IBGE incluiu os LGBTs no seu censo de forma sistemática e universal, e muito menos as delegacias e secretarias de Segurança Pública deram conta de registrar, em nível nacional, todas as violências de assédio, bullying, espancamento e mortes de LGBT”, denuncia Mott.

“Consideramos que essa ausência do poder público em garantir a segurança da população LGBT é um dado grave, reflexo da homofobia e homotransfobia institucional e estrutural. E a inexistência de dados oficiais, que permitiriam políticas públicas mais eficientes, também é um dado que reflete homofobia e transfobia estrutural, institucional e governamental”, acrescentou.

O Grupo Gay da Bahia enfatiza que é importante esclarecer essas mortes. “Infelizmente, as autoridades policiais conseguiram elucidar os autores de apenas 77 casos de mortes violentas”, informou o relatório.

“Esse quadro reflete a falta de monitoramento efetivo da violência homotransfóbica pelo Estado brasileiro, resultando inevitavelmente na subnotificação, representando apenas a ponta visível de um iceberg de ódio e derramamento de sangue”, conclui.

18 janeiro, 2024

Catequeses do Papa Francisco sobre os Atos dos Apóstolo

Papa Francisco fez uma série de catequeses sobre os Atos dos Apóstolo, com o tema "esperar o cumprimento da Promessa do Pai"
Iniciou a catequese em 29 de maio de 2019 e concluiu em 15 de janeiro de 2020.

Segue o link de cada catequese:


- Ano de 2019

29 de maio - Esperar o cumprimento da Promessa do Pai: https://is.gd/30Gbf7

12 de junho – Matias, testemunha do ressuscitado, no lugar de Judas: https://is.gd/XE6cWh

19 de junho – Pentecostes e a dinâmica do Espírito que inflama a palavra humana e a torna Evangelho: https://is.gd/JkgLPZ

26 de junho – As primeiras comunidades cristãs: https://is.gd/REcsNV

07 de agosto - A comunhão integral na comunidade dos cristãos: https://is.gd/UtH6LD

21 de agosto - koinonia, o novo modo de relacionamento entre os discípulos do Senhor: https://is.gd/mDMy9A

28 de agosto - Entre os apóstolos, sobressai Pedro: https://is.gd/MYAlcm

18 de setembro - Os critérios de discernimentos propostos pelo sábio Gamaliel: https://is.gd/wBa6DQ

25 de setembro - Estêvão "cheio de Espírito Santo", entre diakonia e martyria: https://is.gd/uGPLzm

2 de outubro - Filipe anuncia o Evangelho: https://is.gd/Csp98p

9 de outubro - “É um instrumento escolhido por mim”: https://is.gd/uY3gDk

16 de outubro - “Em verdade reconheço que Deus não faz distinção de pessoas”: https://is.gd/0qQrol

30 de outubro - A fé cristã chega à Europa: https://is.gd/lJFn9e

6 de novembro - Paulo no Aerópago, exemplo de enculturação da fé em Atenas: https://is.gd/qCOApc

13 de novembro - Priscila e Áquila, um casal a serviço do Evangelho: https://is.gd/pnqCVE

4 de dezembro - O ministério de Paulo e a despedida dos anciãos: https://is.gd/t1GpuP

11 dezembro - Paulo prisioneiro diante do Rei Agripas: https://is.gd/b9eH3k

- Ano de 2020

08 janeiro - A provação do naufrágio: https://is.gd/7qNHxp

15 de janeiro - A prisão de Paulo em Roma e a fecundidade do anúncio: https://is.gd/G2Bzab - https://is.gd/3YMRPk