14 julho, 2015

10 coisas sobre o Mais Médicos que a mídia convencional não conta para você

O programa cobre 3.785 municípios, sendo que 400 deles nunca haviam tido médicos. Os 34 distritos indígenas contam hoje com 300 médicos; antes não tinham nenhum.

Por Cynara Menezes, do blog Socialista Morena

Há dois anos, no dia 8 de julho de 2013, o Brasil foi tomado por uma onda de ira corporativista contra um projeto que visava ampliar a oferta de médicos especializados em saúde da família no País. Naquele dia, o governo baixou a Medida Provisória (MP) criando o programa Mais Médicos, que previa a importação de médicos de diversos países, inclusive cubanos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a oposição ao governo tentaram, de todas as formas, impedir que os estrangeiros viessem suprir a carência de profissionais em áreas rejeitadas pelos médicos brasileiros.
Médicos cubanos chegaram a ser vaiados e insultados por colegas em sua chegada no aeroporto de Fortaleza (CE), em uma atitude que surpreendeu os dirigentes da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), parceira do governo federal no programa. “Nunca pensei que fosse chegar a este extremo de preconceito e até racismo, que fossem dizer que as médicas cubanas pareciam empregadas domésticas, que os médicos negros deveriam voltar para a África ou que eram guerrilheiros disfarçados”, lamenta o representante da OPAS/OMS no Brasil, Joaquín Molina.
Neste meio tempo, sempre que a mídia brasileira noticiou o programa foi para contar quantos cubanos fugiram para Miami ou os erros que porventura cometeram, ainda que nunca tenha se concretizado nenhuma condenação. Molina se queixa que, cada vez que era procurado pelos jornais para defender o programa, ganhava um parágrafo na reportagem, contra dez do presidente do CFM atacando a ideia. “Pessoalmente, acho que a mídia brasileira privilegia a notícia ruim. Nunca vi uma manchete positiva neste país”, critica.
Reuni neste post 10 pontos que a imprensa não destacou para que as pessoas possam conhecer melhor o programa Mais Médicos. Confira:
1. O número de médicos na atenção básica à população na rede pública do País foi ampliado em 36%: tinha cerca de 40 mil antes do programa e ganhou 14.462 profissionais, entre eles 11.429 cubanos e 1.187 com diplomas de outros países. A lei priorizou os brasileiros, mas apenas 1.846 se inscreveram na primeira convocatória. Este ano, a situação se inverteu e 95% das 4.146 vagas foram ocupadas por médicos brasileiros.
2. Além de serem reconhecidos como excelentes médicos de saúde da família, a principal vantagem dos médicos vindos de Cuba, segundo a OPAS, é que vieram todos de uma vez, em um pacote. Outra vantagem é que qualquer abandono que não seja por razões de saúde é coberto pelo governo cubano, que envia outro profissional sem nenhum custo adicional para o governo brasileiro. A OMS situa o sistema de saúde cubano entre os 39 melhores do mundo; o sistema de saúde brasileiro aparece na 125ª posição. Ao contrário dos brasileiros e profissionais de outros países, os cubanos também não escolhem para onde querem ir, é o ministério e a OPAS que decidem para onde serão designados.
3. Os médicos cubanos ganham R$ 3 mil por mês; os outros R$ 7 mil do salário previsto no acordo vão para o governo de Cuba. Ainda assim, o pagamento que recebem no Brasil é 20 vezes superior ao que receberiam em sua ilha natal. Além disso, os municípios arcam com todas as despesas: transporte, moradia e alimentação. Ou seja, o cubano praticamente não gasta o dinheiro que recebe.
4. Uma avaliação independente feita em 1.837 municípios revelou um aumento de 33% na média mensal de consultas e 32% de aumento em visitas domiciliares; 89% dos pacientes reportaram uma redução no tempo de espera para as consultas. Uma pesquisa feita em 2014 pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), baseada em 4 mil entrevistas em 699 municípios, revelou que 95% dos usuários estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o desempenho dos médicos. 86% dos entrevistados afirmaram que a qualidade da atenção melhorou após a chegada dos profissionais do Mais Médicos e 60% destacaram a presença constante do médico e o cumprimento da carga horária. Queridos por seus pacientes, vários médicos cubanos têm sido homenageados pelas câmaras municipais por seu trabalho no Brasil.
5. O programa cobre 3.785 municípios, sendo que 400 deles nunca haviam tido médicos. Os 34 distritos indígenas contam hoje com 300 médicos; antes não tinham nenhum. Entre os yanomami, por exemplo, houve um aumento de 490 atendimentos em 2013 para 7 mil em 2014, com 15 médicos cubanos dedicados à etnia com exclusividade. 99% dos médicos que atendem os índios no programa são cubanos.
6. Um dos trabalhos mais interessantes desenvolvidos pelos médicos cubanos nas aldeias indígenas é o resgate da Medicina Tradicional, com o uso de plantas. Na aldeia Kumenê, no Oiapoque (AP), o médico Javier Lopez Salazar, pós-graduado em Medicina Tradicional, atua para recuperar a sabedoria local na utilização de plantas e ervas medicinais, perdida por causa da influência evangélica. O médico estimulou os indígenas a buscar as canoas defeituosas e abandonadas nas beiras dos rios para transformá-las em canteiros de uma horta comunitária só com ervas medicinais, identificadas com placas e instruções para uso.
7. Ao contrário do que os jornais veiculam, os médicos e médicas cubanos não são proibidos de se casar com brasileiros. Existe uma cláusula que os obriga a comunicar os casamentos para evitar bigamia em seu país natal, segundo a OPAS. Os casos de romances entre médicos/as e brasileiros/as são numerosos. Houve até uma prefeita em Chorrochó, na Bahia, que se casou com um médico cubano.
8. Desde que o programa Mais Médicos começou, 9 médicos cubanos morreram: cinco por enfarto, 3 por câncer e 1 por suicídio (em 2014, um médico de 52 anos, ainda em treinamento, foi encontrado morto em um hotel de Brasília, possivelmente por enforcamento). Até agora, somente oito abandonaram o programa e deixaram o país rumo aos EUA.
9. O programa Mais Médicos virou modelo no continente e países como a Bolívia, o Paraguai, o Suriname e o Chile, que também sofrem com falta de profissionais, já planejam fazer projetos semelhantes.
10. Além do atendimento de saúde, o Mais Médicos inclui a ampliação da oferta na graduação e na residência médica e a reorientação da formação e integração da carreira. A meta é criar, até 2018, 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, em áreas prioritárias para o SUS. Os municípios onde serão instalados os novos cursos de medicina foram escolhidos de acordo com a necessidade social, ou seja, lugares com carência de médicos.

As figuras da ovelha e do pastor (P. Germanio Bender)

As figuras da ovelha e do pastor de ovelhas são símbolos muito conhecidos do povo de Deus. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento elas aparecem várias vezes. No Antigo Testamento Deus mesmo é o pastor que busca, apascenta, protege e cuida do seu rebanho, seu povo. Assim o lemos em Jeremias 23. Foi nesta mesma confiança que o autor do Salmo 23 confessou: O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. No Novo Testamento Jesus se torna o bom pastor, que conhece as suas ovelhas e as ama tanto que dá a vida por elas. O rebanho é formado pelos seus discípulos, seus seguidores, os que creem em Cristo, na igreja, o povo que foi reconciliado com Deus e passa a fazer parte de uma nova família. Assim o afirma o texto de Efésios 2.

É esta também a imagem, ou seja, a ilustração que aparece em nosso texto. Jesus se relaciona com os discípulos e com o povo como um bom pastor. Trata uns e outros como parte de um rebanho de ovelhas. Sobre como acontece este relacionamento entre o pastor e as ovelhas é o que queremos meditar.

1. Jesus, como pastor, com os discípulos!
 
Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado. E ele lhes disse: venham repousar um pouco à parte; num lugar deserto (v.30s). É importante notar que os discípulos aqui são chamados de apóstolos. Esta troca de termos é ilustrativa. Discípulo é aquele que foi chamado para seguir a Jesus. Apóstolo é aquele que foi enviado por Jesus para testemunhar e ensinar as verdades do Reino de Deus. Isso mostra que o discipulado cristão e a vivência da nossa fé acontecem nesta dupla relação entre a comunhão com o Senhor e o serviço no mundo! Os discípulos, que haviam sido enviados para anunciar a mensagem do Reino de Deus, agora voltam e relatam tudo o que fizeram, ensinaram e experimentaram. E Jesus ouve atentamente o que eles têm a dizer. Jesus ouve e se interessa pelos seus discípulos.

Depois de ouvir o relato dos enviados, Jesus conclui que eles precisam de uma folga, de um tempo de recolhimento para descanso e avaliação. Venham a um lugar deserto para descansar um pouco. (v.31). E foram sós para um lugar deserto (v.32). Os discípulos estão cansados, eles não tiveram tempo nem para comer. Mas Jesus, como bom pastor, é sensível a esta necessidade de seus seguidores. Ele convida para o recolhimento e oferece descanso. Venham a mim todos aqueles que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Assim ele disse em outra oportunidade (Mt 11.28). Será que este convite de Jesus para a quietude, o recolhimento e descanso poderia valer também para você?

A seguir, o texto dirige a atenção ao povo. Conforme ouvimos, era muita gente. E eram enormes as suas carências. As pessoas precisam de alimento e saúde e por isso correm atrás de Jesus (v.33). Levam a ele os enfermos (v. 55). Assim, ao desembarcar, Jesus vê uma multidão e se compadece das pessoas, porque reconhece que elas são como ovelhas que não têm pastor (v.34). É um povo desamparado e desorientado. Mas Jesus tem um coração sensível para as suas necessidades. Assim chegamos ao segundo ponto da nossa reflexão.

2. Jesus, como pastor, com a multidão!
 
Como vive uma ovelha sem pastor? Ovelhas são animais muito dóceis e sociáveis. Mas também são animais muito frágeis e sensíveis. A saúde e a sobrevivência de um rebanho dependem basicamente dos cuidados do seu pastor. Jesus afirma que a multidão que ele encontra está como ovelhas sem pastor. Ovelhas sem pastor enfrentam sérios problemas: a) Ficam expostas a muitos perigos - pragas, ataques de moscas ou animais ferozes; b) Ficam famintas e sedentas - pois não encontram pastagem; c) Vivem inseguras porque perdem o rumo a seguir.
 
Certo criador de ovelhas ensinava que uma ovelha precisa ter supridas três necessidades para que possa descansar e procriar: Ela precisa sentir-se segura; alimentada e livre do atrito com as demais ovelhas do rebanho. O pastor de ovelhas tem exatamente estas funções: deve proteger, guiar e alimentar o rebanho, bem como cuidar das ovelhas feridas e buscar as ovelhas perdidas. Sem estas necessidades supridas, as ovelhas ficam aflitas, angustiadas, cansadas, exaustas.

Um rebanho de ovelhas sem pastor está perdido. Uma história pode ilustrar isso. Aconteceu na Europa. Um rebanho de ovelhas perdidas e desorientadas invadiu uma autoestrada. A confusão no trânsito foi geral. A polícia corria atrás das ovelhas e não conseguia reunir as coitadas. Até que chamaram o pastor responsável por aquele rebanho. Este se aproximou e começou a chamar as ovelhas. Três minutos depois ele tinha reunido todo o rebanho e a autoestrada foi liberada.

Algo semelhante acontece com a multidão aqui avistada por Jesus. Estão como ovelhas sem pastor. Por isso correm atrás de Jesus e dos discípulos. Veem na mensagem de Jesus um sinal de esperança e de orientação. E Jesus se coloca ao seu lado como um bom pastor. Sua tarefa é reunir o rebanho, proteger as ovelhas e conduzi-las em segurança para a salvação. Por isso Jesus mostra-se sensível às necessidades do povo. Ele sente compaixão da multidão. Os discípulos estão próximos de Jesus, mas a multidão está abandonada. Por isso precisa de mais atenção do que os discípulos.

Amados irmãos e irmãs! Qual é a sua situação? Você está entre o grupo dos discípulos ou entre a multidão desorientada como ovelha sem pastor? Seja qual for a sua situação, Jesus é aquele que nos acolhe, convida e chama para o discipulado para então nos enviar ao mundo a fim de testemunhar o seu amor e proclamar a mensagem do Reino de Deus.

Como cristãs e cristãos e como comunidade vivemos a nossa fé neste duplo relacionamento. Por um lado é importante nos reunirmos em culto e participarmos nas demais atividades da Igreja. Nestes encontros aprofundamos nossa comunhão com o Senhor, nos fortalecemos na fé e nos auxiliamos uns aos outros. Por outro lado é importante e necessário que voltemos nosso olhar para fora dos muros da Igreja. Pois ainda há muita gente que vive abandonada e desorientada. Há muitas ovelhas desgarradas e rebanhos sem pastor. O mundo precisa de discípulos que anunciam a misericórdia de Deus para com aqueles que sofrem. Ainda há muita ovelha sedenta e faminta que precisa ouvir o Evangelho de nosso senhor Jesus Cristo. Como discípulos de Jesus, somos convidados a ver e ouvir as ovelhas desgarradas, desviadas, perdidas, aflitas, desorientadas e desesperadas do nosso tempo. Vamos olhar para estas ovelhas com os olhos da compaixão e anunciar a elas que o Reino de Deus está próximo, que o próprio Deus está perto de nós através de seu Filho Jesus Cristo.

Que Deus nos ajude e nos dê a mesma alegria experimentada pelos primeiros discípulos, no cumprimento da nossa missão. Que assim seja.

Pregação foi escrita por P. Germanio Bender 

Fonte: Portal Luteranos

07 julho, 2015

A Igreja precisa ser presença amiga e confortadora! (Lucimar Moreira Bueno)

Segue um pequeno texto que escrevi para uma reflexão

A Igreja precisa ser presença amiga e confortadora!

As palavras de São João precisam ressoar hoje em nossas vidas. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27). Assim como nos diz o Papa Francisco, pensando numa igreja inserida no meio do povo: “Uma Igreja que se sabe abrir para abraçar todos, onde todos podem ser renovados, transformados pelo seu amor: os mais fortes e os mais fracos, os pecadores, os indiferentes, os que se sentem desanimados e perdidos”.

Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de “saída”, que Deus quer provocar em nós.   Abraão aceitou o chamado para partir rumo a uma nova terra (cf Gn 12,1-3). Moisés ouviu o chamado de Deus: “Vai; Eu te envio” (Ex 3,10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3,17).  Maria sai para visitar Isabel, Lucas acentua a prontidão de Maria em atender as exigências da Palavra de Deus, o anjo lhe falou da gravidez de Isabel e, imediatamente, Maria saiu de casa para ir ajudar a uma pessoa necessitada (cf. Lc 1,39-40). A Jeremias disse: “Irás aonde Eu te enviar” (Jr 1,7). Naquele “ide” de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova “saída” missionária.

Cada um de nós e cada uma de nossas comunidades há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todas e todos são convidados a aceitar este chamado: “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.” (Evangelli Gaudium 20). Como são belos os pés das mensageiras e dos mensageiros que anunciam a Paz. (cf. Is 52,7).

04 julho, 2015

Crianças Guarani e Kaiowá desaparecidas depois de ataque são encontradas no MS


Geremia Lescano Gomes, de 14 anos, e Tiego Vasques Benites, de 12 anos, garotos Guarani e Kaiowá desaparecidos desde o último dia 24 de junho, foram encontrados nesta quinta-feira, dia 2, por indígenas da aldeia Taquapery, município de Coronel Sapucaia, cone sul do Mato Grosso do Sul. As crianças, debilitadas, foram localizadas a 20 km da retomada na fazenda Madama, tekoha de Kurusu Ambá, ponto de partida da fuga dos garotos durante ataque de fazendeiros ao acampamento em que estavam com suas famílias (assista vídeo do ataque aqui)

A Operação Guarani, da Fundação Nacional do Índio (Funai), confirma a informação e já presta assistência aos indígenas, que deverão permanecer mais alguns dias na aldeia Taquapery se recuperando dos dias de caminhada, fome e sede. Conforme informações apuradas com lideranças de Kurusu Ambá, a notícia animou a todos e todas no acampamento da retomada (foto) na fazenda Madama, mas os Guarani e Kaiowá exigem providências das autoridades quanto ao ataque que sofreram. 

Quando dezenas de caminhonetes invadiram a retomada Guarani e Kaiowá em Kurusu Ambá, a correria foi generalizada. Tiros, fogo nos barracos, destruição de pertences pessoais, caminhonetes manobradas de encontro aos indígenas em fuga. Nesse contexto, Geremia e Tiego saíram em disparada e quando caíram em si, com o medo um pouco mais dissipado, estavam perdidos, sem direção. Dormiram ao relento e passaram a caminhar no sentido da aldeia Taquapery. País afora a notícia do desaparecimento correu e 72 horas depois as buscas tiveram início. 

“Depois que Força Nacional tirou a gente e a Funai da operação, todas as aldeias da região passaram a procurar (os garotos). Nessas caminhadas, os parentes de lá (Taquapery) encontraram. Os dois estavam cansados, sujos, sem beber água e comer. Acho que eles talvez estivessem indo pra Taquapery, não sei. Estamos felizes, mas queremos saber quem vai ser punido por essa maldade que fizeram contra a gente e quando nossa terra será demarcada”, questiona uma liderança do tekoha de Kurusu Ambá. 

Fonte: cimi.org.br

02 julho, 2015

Era um adolescente negro, um celular... e a redução da maioridade penal (Edmilson Schinelo)



Era um adolescente negro, um celular... e a redução da maioridade penal (Edmilson Schinelo)


Meu filho Marcos, de 14 anos, saiu hoje de bicicleta para a escola de teatro e arte. Menos de vinte minutos depois, toca o celular. Vendo que era seu número, atendi como de costume: “Oi, filho!”.

O susto foi grande ao ser surpreendido com uma voz que não era a dele: “Você conhece o dono desse celular? O que você é dele?” Para o coração de um pai, um súbito e rápido silêncio parece durar muito mais tempo. O pensamento vai longe: “Caiu da bicicleta? Foi atropelado? Se tivéssemos ciclovia... Ou será mesmo um sequestro?”.

Não sei com que tom de voz respondi. Mas da outra ponta a resposta, portadora de alívio, parecia vindo dos céus: “Não é nada não, moço, é que eu achei esse celular caído aqui na rua e queria devolver. Liguei então para o último número discado. Você sabe de quem é?”.

Combinamos o local, fui até lá. Deparei-me com um adolescente negro e fico feliz que não preciso aqui apenas colocar as iniciais. Seu nome é Nelson. Sentado na calçada, me aguardava para devolver o aparelho... Olhei fundo nos seus olhos... Talvez ele não tenha entendido por que as lágrimas vieram nos meus...

Olhei fundo nos seus olhos e imediatamente pensei: “Essa noite, o Congresso tentou votar a redução da maioridade penal... bancada da Bíblia, do Boi, da Bala... A grande mídia, a serviço desse ‘BBB’, não daria importância à minha história. Fato corriqueiro, nem ‘daria notícia’. Notícias são as que eles fabricam!”.

Voltei para casa com o sorriso de Nelson impregnado em minha alma. Era um sorriso de gratidão. Mas voltei pensando: “Garoto negro e pobre de periferia... Por que meu filho num projeto de arte, música e teatro e ele não? O que estamos fazendo com os seus sonhos? Será que ele tem ‘boa índole’ e seus amigos também negros, fichados e expostos nas manchetes, não? Por que a mídia ‘martela’ tanto em nossas mentes casos de ‘menores infratores’?”.

Uma certeza eu tenho: tivéssemos nós um pouquinho mais de espaço na TV para contar histórias tão comuns como essa, as “pesquisas de opinião” seriam absolutamente contra a redução da maioridade penal! Por isso estou contando. Confesso que achei que a gratidão de Nelson também se deve ao fato de que a redução da maioridade penal não foi ainda aprovada. E que não venha a ser!

Edmilson Schinelo,
 Campo Grande/MS, 1º de julho de 2014.

NOTA: Escrevi o texto durante a manobra do presidente da Câmara, que forçou nova votação e primeira aprovação emenda à PEC 171.  Ao invés de desanimar, reafirmamos nosso compromisso em favor da vida e da dignidade da juventude!

23 junho, 2015

Arquidiocese de Maringá - Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)

Arquidiocese de Maringá - Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)

Quase de saída, hoje o nosso encontro será com a Região Pastoral São José Operário

Daqui a pouco, estaremos com a Região Pastoral São José Operário, o encontro será às 20h00, na Paróquia Nossa Senhora da Liberdade, Capela São Vicente de Paulo.
Partilhar um pouquinho da caminhada e dar continuidade a construção do  V Encontrão Arquidiocesano das CEBs.

Em sua 5ª edição o Encontrão Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Arquidiocese de Maringá, reunirá o povo de Deus das paroquias da Arquidiocese, no dia 23 de agosto de 2015, das 13h30 às 17h30, no Parque de Exposições na cidade de Maringá. Com o tema “CEBs: o rosto humano de Deus”, e o Lema “sua ternura abraça toda criatura” (cf. Sl 144(145),9).

O encontrão é organizado pela coordenação arquidiocesana das CEBs, procurando envolver o povo das paróquias no desenvolvimento do encontro, tornando-o dinâmico e participativo.

O Encontrão Arquidiocesano das CEBs, foi idealizado, com a intenção de proporcionar um espaço diferente e gostoso de envolvimento do povo de Deus das paróquias da Arquidiocese, descontração e confraternização. Um momento lindo revelando a face celebrativa, dinâmica, profética e acolhedora das CEBs.

18 junho, 2015

Foto Comovedora - Uma menina síria e seu pai fogem desesperados do Estado Islamico


Una niña siria aparece en esta foto con su padre tratando de cruzar la frontera con Turquía, en un intento desesperado de huir del terror impuesto por el Estado Islámico en algunas zonas del país. Mais informações aqui

"Salvar vidas humanas é obrigação moral e legal"

Forte apelo do Conselho Mundial de Igrejas sobre questões de imigração e acolhimento.
"Todos os membros da comunidade internacional têm a obrigação moral e legal de salvar a vida das pessoas em perigo, independentemente da sua origem e do seu status", reafirma o comitê executivo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em declaração emitida após a visita feita na semana passada a Echmiadzin, a sede da Igreja Apostólica Armênia.

O comitê ecumênico prestou homenagem às vítimas do Metz Yeghém, o genocídio do começo do século passado, e aproveitou a oportunidade para considerar questões prementes na Igreja e no mundo de hoje: em especial, a "profunda preocupação com a vida de um número crescente de pessoas, em todo o mundo, que, fugindo de situações de violência, opressão, ocupação ou privação econômica, são levadas a fazer viagens desesperadas e arriscadas". Por exemplo, a dos rohingya que fogem de Mianmar e a das pessoas do norte da África que fogem em massa para as costas europeias. 

Para o CMI, a imigração é um "crescente desafio global" que exige resposta rápida e eficaz nos "diferentes contextos". Basta pensar na "morte de um número sem precedentes de imigrantes e refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa" ou na tragédia dos "rohingya e de Bangladesh no mar de Andaman". Mas também preocupam "os recentes assassinatos de trabalhadores migrantes cristãos etíopes por parte do autoproclamado Estado Islâmico na Líbia e a violência xenófoba contra imigrantes na África do Sul". 

Todas estas situações têm em comum a "vulnerabilidade" de pessoas forçadas a deixar os seus países de origem em busca de uma vida melhor para si e para as suas famílias. Diante de tal situação, o Conselho Mundial de Igrejas "reconhece e respeita" a prerrogativa de cada Estado de "controlar suas fronteiras e as condições de entrada e residência", mas também reconhece "o desafio representado pelo volume de migrantes em situação irregular". 

A organização ecumênica espera que todos os países "honrem o espírito das suas obrigações de direito internacional, incluindo os direitos humanos e o direito dos refugiados". Neste sentido, "acreditamos que é legal e eticamente inaceitável que os países abdiquem às suas responsabilidades de salvar vidas humanas e de fornecer-lhes proteção". 

Fonte: Zenit.org

Voluntários colocam cabides nas ruas para doações de roupas de frio

Iniciativa é realizada pela segundo ano seguido em Londrina, no Paraná. São 14 cabides instalados pelo projeto em vários pontos da cidade.

Um grupo de voluntários colocou vários cabides espalhados em alguns pontos de Londrina, no norte do Paraná, para estimular a doação de roupas de frio durante o inverno. O objetivo do projeto “Amigos Solidários” é simples: as pessoas deixam as roupas no local para quem mais precisa recolher e usar.
O número de pontos aumentou em 2015, passando para 14 cabides instalados. A campanha segue até o fim do inverno. Aqui mais informações

Dois australianos saem às ruas lavando a roupa de mendigos

 Os dois australianos Lucas Patchett e Nicholas Marchesi elaboraram uma maneira brilhante de ajudar moradores de rua: implantaram em sua van duas máquinas de lavar e secar roupa e um gerador.
Os dois jovens de 20 anos, com a ajuda de doações, estão saindo às ruas de Brisbane desde Julho, 5 vezes por semana, no projeto que chamaram de Orange Sky Laundry Project, que se tiver sucesso vai ser espalhado por toda a Austrália. 
Os 20 quilos de roupa que eles conseguem lavar por hora já facilitaram a vida de centenas de moradores de rua nesses últimos meses.
Fonte: Catraca Livre

Amazônia: Velhos e Novos Instrumentos do Saque

No inicio da invasão europeia os índios eram tolerados porque os portugueses e espanhóis necessitavam deles para localizar as riquezas de seu interesse e como mão-de-obra para explorá-las. Mas na medida em que o invasor foi criando os seus próprios instrumentos para localização e exploração das mesmas, foi dispensando os donos da casa e ficou agressivo, criando leis e instrumentos de dominação. Dentre as leis a injusta lei da propriedade privada da terra é simplesmente arrasadora para os povos indígenas. A brutalidade contra os povos indígenas vem crescendo desde o início da colonização até hoje. No início atingia as comunidades enquanto retirava principalmente os homens das aldeias para escravizá-los aos interesses de exploração das riquezas descobertas e nas fazendas. No período moderno uma classe desses descendentes europeus procura simplesmente despojar os povos indígenas de seus territórios tirando-lhes todas as condições de sobrevivência, cultural e física.
Em meados do século XX todos os rios já haviam sido explorados e foi preciso ir território adentro para descobrir e espoliar os últimos depósitos das riquezas amazônicas. Agora os espoliadores já dispõe de todos os instrumentos, leis favoráveis, mapeamento das riquezas e maquinário para explorar o território, dispensando qualquer colaboração autóctone para transpor os obstáculos que se apresentam. Assim todos os governos, ditatoriais e democráticos, começam a romper as florestas e o alto dos rios e igarapés como se fossem “vazios demográficos”. A entrega dos empreendimentos novos na Amazônia à empresas, ficções criadas pelo homem e por isso, sem consciência e sem responsabilidade, alivia, aparentemente, a ciência congênita ou consciência dos mandantes dos crimes atuais. E o almoxarifado da Amazônia começa a ser conhecido e saqueado em todas as suas dimensões: terra, rios, peixes, seixo, minerais, madeira, plantas medicinais, fontes energéticas... A gente que está aí, “não existe mais” e se existe não deveria existir, porque é apenas “estorvo do desenvolvimento”!
A Zona Franca de Manaus, “vaca sagrada” dos governantes de hoje, foi um dos...continue lendo...

14 junho, 2015

Audiência Pública com o tema : Crianças, Adolescentes e Jovens - Direito à Cidade

O vereador Humberto Henrique , presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal de Maringá , convida para a Audiência Pública com o tema : Crianças, Adolescentes e Jovens - Direito à Cidade.
A Audiência acontecerá no dia 17 de junho de 2015, quarta- feira , a partir das 19h.



11 junho, 2015

Conselho Pastoral da CEBs (CPC)

Um pequeno texto que escrevi para uma reflexão

Conselho Pastoral da CEBs (CPC)

Sabemos que o CPC tem como objetivo executar as decisões, avaliar as ações realizadas e de forma criativa planejar as ações da comunidade levando-á a ser uma samaritana a serviço da vida para acolher e animar a vida pastoral, ouvindo e servindo a comunidade, estendendo a mão a todas as necessidades. Manter a Comunidade Eclesial de Base em comunhão com a paróquia.

Mas é preciso também, fazer com que o CPC, esse encontro das lideranças, seja um momento de sensibilizar quanto à ternura de Deus que abraça toda criatura, e que seu rosto humano precisa ser revelado a cada momento de encontro, precisa ser revelado no dia a dia, nas famílias,  em nossas Comunidades Eclesiais de Base, a CEBs, em nossa paróquia, em todos os lugares.

Ternura é afeto doce e delicado, vivido com participação viva, afetuosa e dinâmica, sair do eu para encontrar-se com o tu, uma relação real de dedicação, cuidado e reciprocidade. Ternura é força, vigor interior e desabrocha em coração livre, capaz de ofertar e receber amor.

A ternura é a força do amor humilde.  A ternura de Jesus revela o que de mais humano existe em Deus e o que de mais divino existe na mulher e no homem.

Onde não houver ternura, dificilmente haverá amor. Uma das características lindas do agir de Jesus é o seu fazer-se próximo com uma ternura de compaixão, de amizade, de serviço e de participação profunda na vivência com toda criatura de Deus.

A ternura exprime uma das qualidades mais belas do amor, a bondade. Amar é ser bom. Só a ternura pode curar os corações feridos, porque a ternura é generosa, tudo dá, tudo faz pelo bem do outro.

Isso é muito lindo, esperamos coma a graça Deus, pela intercessão de Nossa Senhora da Liberdade que em cada CPC, possamos sensibilizar quanto a ternura de Deus que abraça toda criatura.
                                                                                                             Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

“Louvado sejas” é o título oficial da nova encíclica do papa Francisco

"Louvado sejas”
“Louvado sejas” é o título oficial da nova encíclica do papa Francisco, a ser publicada no dia 18 de junho. O título não é em latim, como costuma acontecer tradicionalmente, mas num italiano arcaico falado por São Francisco de Assis: trata-se do primeiro verso do famoso “Cântico das Criaturas”. A encíclica é a segunda do papa Francisco.
O texto da encíclica estará disponível em italiano, francês, inglês, alemão, espanhol e português, nas versões impressa e digital.

06 junho, 2015

'Para que este gênio feminino seja reconhecido, deve ser ouvido’

Por que a paridade tem que significar que a mulher seja parecida com o homem e não ao contrário? Entrevista com Maria Giovanna Ruggieri, presidente da União Mundial das Organizações Femininas Católicas, sobre o Congresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O ano de 2015 será um ano crucial para a comunidade internacional já que nas Nações Unidas será preparado e discutido a nova agenda para o desenvolvimento, que constituirá para a comunidade internacional o novo quadro de referência para os próximos quinze anos. Um grupo de mulheres que trabalham no âmbito eclesial, se reuniu no Vaticano recentemente para discutir, debater e contribuir com seu ponto de vista a estes objetivos. O Congresso foi organizado pelo Pontifício Conselho de Justiça e Paz junto com a World Union of Women’s Catholic Organisations (WUCWO) e a World Women’s Alliance for Life and Family.
Maria Giovanna Ruggieri, presidente da União Mundial das Organizações Femininas Católicas, (WUCWO) explicou a ZENIT que "o objetivo do congresso era ouvir, da base, reflexões e prioridades no nosso papel de organizações e realidades a serviço da Igreja e da sociedade. Entender quais são os elementos que nos chamam e são emergenciais, que não podemos adiar". Também “dar uma contribuição como mulheres” porque o documento final que realizaram é oferecido “à Santa Sé para quando tenham que participar na ONU da discussão dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.
Por outro lado, a presidente Ruggieri disse que "isso também nos levou a verificar qual ideia de mulher oferecemos. Os objetivos são para todos, mas nós o vimos com olhos de mulher. E especialmente buscamos entender o que se quer privilegiar e o que está por trás dos objetivos propostos e oferecidos pelas diferentes realidades”. A ideia de mulher que deve emergir não é "uma mulher comercializada, uma mulher objeto ou uma mulher explorada”, mas “uma mulher respeitada na sua dignidade de pessoa”. Nossa proposta – afirma – é que brote esta dignidade que está em todos e cada um.
Também, adverte que em alguns aspectos estes Objetivos são muito "ocidentais" e que as prioridades, talvez, não sejam totalmente universais. O documento em que trabalharam durante o congresso está estruturado em quatro temas: “Ecologia humana”, “educação e trabalho”, “pobreza e ambiente”, “paz e desenvolvimento”.
O passo seguinte – nos diz Maria Giovanna – é como fazer para que os nossos organismos a nível nacional, local, “percebam estas coisas que falamos e se é possível dar um salto e estar atentos às prioridades desses Objetivos a serviço da pessoa”.
Uma das urgências que deve ser abordada é “a necessidade de trabalhar muito para que a dignidade da mulher seja realmente assumida”, destaca. E coloca o seguinte exemplo: “Se para vender qualquer produto é preciso colocar uma mulher linda do lado, isso fala muito do grau de dignidade que temos com a mulher”. Este problema – explica – afeta todo o mundo, é universal, de forma diferente, mas no fundo está sempre a ideia dessa mulher-objeto. “Objeto a ser usado para os meus interesses, para o trabalho, sexualidade... Infelizmente são muitas as novas formas de escravidão, que mostram quanto trabalho de educação e formação ainda é preciso ser feito para ajudar a todos, incluindo as mulheres, para terem respeito pela dignidade da pessoa”, adverte.
Falar sobre o valor das mulheres "não é nenhuma reivindicação, mas é pedir um reconhecimento de uma dignidade que, infelizmente ainda não tem totalmente", diz a presidente. E a Igreja – observa –  deve também ajudar-nos nisso porque, em algumas situações a dignidade da mulher não é respeitada totalmente, e a Igreja poderia incidir ainda mais.
A este respeito, se pergunta: "Pensando nestas meninas que são exploradas sexualmente me pergunto o que fazemos para sensibilizar as comunidades eclesiais sobre este problema? Estas meninas são exploradas porque há demanda. Qual educação e formação existe? Na Itália, país tradicionalmente católico, fomos educados nas paróquias a respeitar a menina, a jovem, as mulheres? Isto não é transmitido geneticamente, e acho que ainda temos muito a fazer”.
A presidente se questiona sobre a ideia e a forma de entender hoje em dia a paridade, “Por que a paridade significa que eu tenho que ser como o homem e não que o homem se aproxime da sensibilidade feminina?, Deve ser obrigatoriamente esse o nível máximo a ser alcançado, não existe uma possibilidade intermediária? Por que entender a paridade como ‘fazer o que fazem os homens’? Por que a ternura deve pertencer somente à mulher?, Por que o homem não pode mostrar os seus sentimentos?”
Portanto, ela reconhece que gostaria que "na paridade, ambos reconheçam no outro valores e princípios, modos, que podem enriquecer-me, e não que eu tenha que tirar o que me pertence”.
Finalmente, Maria nota que o Papa está falando muito do “gênio feminino” como um grande dom que deve ter mais espaço na sociedade, mas “se ele fala e depois não se coloca em prática, o que ele diz, na sociedade, nada mudará”. Ele nos está abrindo um caminho, mas e nós? E para que este gênio feminino seja reconhecido, deve ser ouvido.

Fonte: Zenit.org

05 junho, 2015

CEBs - Arquidiocese de Maringá

Amanhã, 06 de junho, estarei com a Região Pastoral Nossa Senhora Aparecida.

O encontro será às 14 horas, na Paróquia Santo Antônio de Pádua, cidade de Maringá.

Partilhar um pouquinho da caminhada e dar continuidade a construção do V Encontrão Arquidiocesano das CEBs.

Em sua 5ª edição o Encontrão Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Arquidiocese de Maringá, reunirá o povo de Deus das paroquias da Arquidiocese, no dia 23 de agosto de 2015, das 13h30 às 17h30, no Parque de Exposições na cidade de Maringá. Com o tema “CEBs: o rosto humano de Deus”, e o Lema “sua ternura abraça toda criatura” (cf. Sl 144(145),9).

O encontrão é organizado pela coordenação arquidiocesana das CEBs, procurando envolver o povo das paróquias no desenvolvimento do encontro, tornando-o dinâmico e participativo e foi idealizado, com a intenção de proporcionar um espaço diferente e gostoso de envolvimento do povo de Deus das paróquias da Arquidiocese, descontração e confraternização. Um momento lindo revelando a face celebrativa, dinâmica, profética e acolhedora das CEBs.

04 junho, 2015

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - Arquidiocese de Maringá

Veja em fotos como foi a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), da Paróquia Nossa Senhora da Liberdade, da Arquidiocese de Maringá, que tem como Pároco Pe. Dirceu Alves do Nascimento.

Aqui Confecção tapete
Aqui Tapete pronto









03 junho, 2015

A festa de Corpus Christi


Um pequeno texto que escrevi sobre a Festa de Corpus Christi

A festa de Corpus Christi
Jesus disse às multidões dos judeus: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.
Precisamos deste pão para crescer no amor para reconhecer o rosto de Cristo no rosto das irmãs dos irmãos.
Jesus não sabe fazer outra coisa a não ser amar toda a humanidade, toda a criação divina. Jesus entende que a vida é amar. “Eu serei e viverei para sempre como aquele que ama”.
A celebração de Corpus Christi nos revela a face acolhedora de Cristo, que acolhe a todas e a todos sem excluir ninguém, saciando a “fome”, resgatando a vida, a esperança, a dignidade humana. A celebração de Corpus Christi também nos revela que quem participa da Eucaristia, mas não é capaz de “partilhar” alimentos, amizade, solidariedade, fraternidade precisa rever suas atitudes, porque ainda não compreendeu e não foi capaz de entrar em comunhão com Ele.
A festa de Corpus Christi é celebrada com missa, seguida de procissão. A procissão nos faz recordar a caminhada do povo de Deus, que liberto da escravidão egípcia, vai ao encontro da terra prometida. Deus nunca abandona o seu povo, envia o seu Filho Jesus como caminho, verdade e vida, e ao mesmo tempo o seu Filho quis continuar no meio de nós como um sinal visível, sob as espécies de pão e de vinho.
Lucimar Moreira Bueno (Lucia)

02 junho, 2015

Pastorais do Campo do Nordeste se encontram, dialogam e convocam

“Quero uma Igreja solidária,
servidora e missionária,
que anuncia e saiba ouvir./
Ao lutar por dignidade,
 por justiça e igualdade,
pois eu vim para servir.

(cf. Mt 10, 45)

Representantes das Pastorais do Campo do Nordeste (Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Pastoral da Juventude Rural - PJR, Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM e Caritas) encontraram-se fraternalmente nos dias 25 e 26 de maio 2015, no Recanto do Pescador, em Olinda-PE, espaço de formação popular e articulação das lutas dos pescadores e pescadoras, que o CPP colocou à disposição. Além do encontro de amigos(as) e companheiros(as) ser sempre enriquecedor, o intuito principal foi aprofundarmos o momento conjuntural de nossa realidade, cujos dias, meses e anos “fazem pensar”.  Nosso horizonte é cotidianamente povoado pelas tribulações e esperanças dos povos indígenas e quilombolas, camponeses com suas múltiplas facetas, comunidades tradicionais pesqueiras, homens e mulheres da migração forçada, juventudes rurais, do meio popular e das periferias urbanas.
Compartilhamos nossas experiências, metodologias e desafios. Recobramos de nós mesmos vontade firme para renovarmos nossa opção: assumir, junto com os protagonistas, ao redor das terras, territórios e águas de nosso Nordeste, perspectivas conjuntas de colaboração e atuação mais eficazes. Apesar de vivermos uma realidade que se apresenta, cada vez mais, “diversa e adversa”, fomos unânimes em assumir que uma das dimensões que configura nosso ser e nos caracteriza chama-se: “pastoralidade, com as ressonâncias bíblicas e históricas que esta palavra evoca.
Nosso filtro de leitura, portanto, nos apontou algumas focalizações que, sinteticamente aqui elencamos como atitudes e opções de “trabalho pastoral”:
·         repudiamos a violência e expulsão de povos e comunidades tradicionais e camponeses de suas terras e territórios. Nestes últimos anos, de forma mais acelerada, uniram-se aos interesses vorazes do capital o Estado nos três níveis, federal, estadual e municipal. Capital e Estado, portanto, são promotores da expropriação e violência a serviço de seus interesses economicistas;
·         condenamos a privatização e mercantilização da natureza, de suas dádivas básicas e comuns  como a terra, água e a biodiversidade;
·         denunciamos, com a veemência que nos vem da ética que cultivamos e de nossa história, a forma premeditada e perversa com que executivo, congresso e judiciário, têm violado e produzido retrocessos em direitos adquiridos,  conquistados e consolidados pelas lutas dos povos ao longo de nossa história, que tiveram uma etapa positiva na Constituição Federal de 1988;
·         jamais aceitaremos e deixaremos de denunciar o extermínio das juventudes, em especial a negra e empobrecida. Este crime instalado no Brasil inteiro é promovido com uma violência institucionalizada, que nos envergonha como humanos;
·         Completa o nosso grito o repúdio ao preconceito e à falta de incentivo para com as juventudes rurais e das periferias e todas as formas de violência contra as mulheres.
Como cristãos e cristãs, no horizonte ecumênico, aberto e acolhedor para todas as denominações eclesiais e religiosas, no sentimos enraizados nesta dimensão, chamada pastoralidade, desde o Concílio Ecumênico Vaticano II, concluído em 1965. Nestes 50 anos, o Espirito Santo de Deus aponta para que as Igrejas sejam cada vez mais, sobretudo no nosso Nordeste do Brasil, populares, encarnadas nas experiências múltiplas das CEBs, vivendo espiritualidades e teologias libertadoras, a própria missão que Jesus assumiu e as primeiras comunidades assumiram (cf. Lc 4,18 e At 3,1-9).
Partilhamos assim os apelos do Espirito para:
·         Retomar o trabalho de base e nas bases das Igrejas e da sociedade;
·         reorganizar pequenos grupos, núcleos, comunidades, conselhos locais que sintam a força do Espirito de Deus para agir de modo autônomo e interconectado;
·         incentivar o hábito de rodízio periódico de cargos e tarefas ligadas aos ministérios de coordenação, como método “revolucionário e alternativo ao sistema” de renovação e radicalização da democracia. Estas palavras, para nós, são sempre uma exigência explicita e inseparável do chamado à comunhão;
·         favorecer a autogestão e auto sustentabilidade como exercício da autonomia e soberania dos povos, comunidades e movimentos.
Sentimos, nessa busca, o sopro do Espírito também quando nos impele a reavivar o nosso compromisso com a radicalização da democracia. Daí a importância também de promover mobilizações populares como forma de expressar a indignação diante do atual modelo hegemônico de desenvolvimento: violento, concentrador e excludente. Assumimos o compromisso de participação efetiva nos rumos do país, reconhecendo que, historicamente, os direitos garantidos que temos só foram possíveis pela organização e mobilização de toda sociedade.
Afirmamos a importância das mais diversas experiências locais para que sejam adequadas ao modo de vida dos nossos povos, à produção nos diferentes ecossistemas e biomas; a partir de perspectivas de convivência e sustentabilidade, em vista da vida com dignidade das atuais e futuras gerações. Sentimos como urgente aprofundar e apontar caminhos para um novo modo de produção, um novo modo de consumo e gestão da sociedade.
Neste quadro convocatório, sentimo-nos encorajados para fazer memória e reafirmarmos, como enraizados num sulco fecundo, os encaminhamentos do Encontro Nordeste da 5ª Semana Social (4-6 de abril de 2014). Com força crítica e aceitando a riqueza da diversidade, este momento unificou a inspiração do Espírito de Javé e a lucidez do discernimento humano diante dos desafios do hoje. A articulação de movimentos e pastorais populares, do campo e urbanos, continua nos apontando uma outra perspectiva para o Nordeste, a partir do próprio povo.
Nesta hora, tribulada e esperançosa, sopra também, em nossas vidas, o Espirito com que os posicionamentos de papa Francisco confirmam nossa fé e nossa ousadia evangélicas. Fé e ousadia poderão proporcionar eficácia ao sopro unificador da vida dos povos indígenas, quilombolas, camponeses e camponesas, ribeirinhos e ribeirinhas, pescadores e pescadoras. E através deles a toda a humanidade e ao nosso “planeta doente”.
Este sopro vem dar novo vigor à rica tradição cultural de fé, esperança e solidariedade amorosa da Terra sem Males, do Bem Viver e do Axé que a riqueza de nossas tradições históricas e culturais populares nos deixaram em preciosa herança e que nós assumimos ao gritarmos com lúcida vibração: Amém, Axé, Awêre, Aleluia!


OS/AS REPRESENTANTES DAS PASTORAIS DO CAMPO
DO NORDESTE DO BRASIL
Olinda – PE, 25-26 de maio de 2015

01 junho, 2015

Delegar e confiar são os maiores desafios

Um pequeno texto que escrevi para uma reflexão por parte das lideranças


Delegar e confiar são os maiores desafios

A importância da liderança se apoiar e confiar nas outras pessoas. Um maestro não precisa tocar os instrumentos de uma orquestra para conseguir extrair dos músicos o melhor ritmo e sonoridade num concerto. Da mesma forma, a liderança, não há necessidade de executar todas tarefas, é preciso confiar que as pessoas que assumiram são capazes e que as metas estabelecidas serão alcançadas.

Uma boa liderança não é aquela que esta presente em tudo, como se sem ela as coisas não vai acontecer como deveria, mas é proporcionar o crescimento, a participação e o compromisso e expressar solidariedade nas dificuldades e nas alegrias, ter espirito de abertura e confiança.

Uma liderança não pode viver no individualismo, porque pode cair e não ter força para levantar. O individualismo pode levar ao cansaço. Uma boa liderança e aquela que orienta sem dominar,  dá oportunidade a todos. Coordena de forma participativa. Confia, e assim delega e distribui responsabilidades e tarefas, sem precisar estar em tudo, evitando o cansaço.

Uma boa liderança, sabe utilizar o saber da comunidade, não é centralizadora, sabe apoiar e confiar nas outras pessoas. Tem capacidade para perceber que as pessoas tem saber, capacidade, valores, criatividade e intuições que contribuem.

Delegar e confiar são os maiores desafios.  Quando se lidera uma equipe, é preciso deixar de executar as tarefas como fazia antes e passar a delegá-las para que outros façam. É uma dinâmica diferente, pois ele vai obter resultados por meio das pessoas e não pelas próprias mãos.

Em função da relação autoridade-responsabilidade, afirma-se que delegar não é “delargar”, ou abdicar da tarefa, mas tão somente permitir que uma outra pessoa se encarregue da execução e da operacionalização de uma atividade.

Lucimar Moreira Bueno (Lucia)