13 julho, 2020
11 julho, 2020
Rezemos juntos
Rezemos juntos,
Para que Deus nos mostre "como da fé brota sempre uma esperança alegre, capaz de mudar o mundo." (papa Francisco)
Para que Deus nos mostre "como da fé brota sempre uma esperança alegre, capaz de mudar o mundo." (papa Francisco)
Livro entrelaça a prática eucarística com as realidades sociais, econômicas e ecológicas
"Este sistema alimentar rompido e a atual crise ambiental exigem que tomemos a Eucaristia como uma fraternidade fundamental de refeição. Isso inclui reconhecer-nos como comunidade reunida, vocacionada a agir contra os males políticos e sociais do mundo. Para isso, precisamos nos reunir ao redor de uma mesa comum, onde nos engajemos não só em rituais, mas também no serviço diaconal a todos", escreve Marian Ronan, professora e pesquisadora de estudos católicos no Seminário Teológico de Nova York, seminário de maioria afro-americana em Manhattan, e autora e coautora de sete livros. O artigo foi publicado por National Catholic Reporter, 08-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Eis o artigo.
Há uma ironia na publicação de um livro sobre a Eucaristia como uma “Refeição que liga / conecta” quando, devido à crise de covid-19, muitos de nós não têm acesso físico a essa refeição, embora, em algumas regiões, as igrejas estejam sendo reabertas.
Depois de registrar essa ironia, no entanto, li o importante artigo de Michael Pollan, intitulado “The Sickness in Our Food Supply”, [1] que descreve os rompimentos nas cadeias globais de produção que acompanham a pandemia. Foi então que reconheci também a importância de uma teologia que liga, com grande clareza, a Eucaristia à crise alimentar em curso, visibilizada pela pandemia.
Em The Meal that Reconnects (A refeição que religa, em tradução livre), a Irmã Mary E. McGann – da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, professora de estudos litúrgicos na Faculdade Jesuíta de Teologia, da Universidade Santa Clara, em Berkeley, Califórnia – sustenta que uma forma de superar esses rompimentos e as múltiplas injustiças decorrentes é recuperando-se o caráter fundamental de refeição da celebração eucarística, como se vê claramente nos Evangelhos e conforme praticado nas reuniões da comunidade primitiva cristã. E uma dimensão essencial dessas “fraternidades de refeição” era a de alimentar os pobres e famintos, não só adorar um Deus transcendente ou encenar a Santa Ceia.
McGann divide em três partes este seu entrelaçamento extraordinário da prática eucarística cristã com as realidades sociais, econômicas e ecológicas atuais. Na primeira parte, “Eating as Relationship” (Comer como uma relação), a autora mostra que a maneira como comemos é uma manifestação do tipo de relação que temos com o mundo, seja de consagração, seja de profanação. O modo como comemos pode impactar enormemente nas relações entre o passado e o presente, bem como entre as comunidades.
A agricultura industrial é um exemplo perfeito dessa profanação, ao dissociar o ato de comer de suas dimensões humana e biológica. O papel essencial do alimento no ministério de Jesus, como vemos particularmente nos evangelhos de Lucas e João, nos dá uma alternativa revolucionária a essa dessacralização industrial, a essa desencarnação do ato de comer. O terceiro capítulo do livro, ao detalhar a centralidade dos banquetes na comunidade cristã primitiva e a ênfase desses banquetes na multiplicação de Jesus e na partilha de alimentos com os pobres, é, para mim, uma das partes mais reveladoras do estudo de McGann.
A parte dois, “Broken Relationships: Dining in the Industrial Food System” (Relações rompidas: comer no sistema industrial de alimentos), analisa o método corporativo / industrial de produção de alimentos no cerne das relações alimentares fraturadas de hoje. Nessa seção, McGann documenta como, após a Segunda Guerra Mundial, uma coalizão de empresários, economistas e especialistas em relações públicas desencadeou uma mudança das práticas agrícolas holísticas seculares na direção de um controle do mercado inteiro de alimentos, controle assumido por algumas poucas fazendas industrializadas. Isso levou à globalização da produção alimentar, à produção de cada vez mais alimentos processados e à desregulamentação do comércio. Tudo isso contribuiu para a cultura pouco saudável do fast-food, de lanches e refeições intermináveis em frente aos aparelhos de TV, e não em volta da mesa.
Outros efeitos da mudança para a agricultura industrial incluem: um declínio significativo na produção mundial de alimentos provocado pela destruição do solo; danos aos recursos hídricos decorrentes de escoamentos químicos; fome agravada pela mudança de culturas alimentares para uso na produção de biocombustíveis; aumento das emissões de CO2 com o transporte de alimentos não cultivados localmente; aumento da temperatura planetária com o desmatamento para a agricultura comercial; aumento dos preços dos alimentos; e o abuso de trabalhadores rurais em todo o mundo. Como alternativa, McGann propõe uma agricultura regenerativa: local, em pequena escala, de base orgânica e comprometida com a justiça alimentar para todos, e não com o lucro.
Mas como provocar uma transformação tão radical? A parte três do livro enfoca precisamente na Eucaristia como um meio de reconexão diante da crise alimentar mundial e nas relações humanas e planetárias subjacentes que acabaram rompidas. Para isso, no entanto, nós cristãos precisamos reconstruir radicalmente a compreensão que temos da Eucaristia e das formas rituais nas quais a celebramos.
Em primeiro lugar, este sistema alimentar rompido e a atual crise ambiental exigem que tomemos a Eucaristia como uma fraternidade fundamental de refeição. Isso inclui reconhecer-nos como comunidade reunida, vocacionada a agir contra os males políticos e sociais do mundo. Para isso, precisamos nos reunir ao redor de uma mesa comum, onde nos engajemos não só em rituais, mas também no serviço diaconal a todos. Também precisamos usar, como literalmente faziam os discípulos, um pão feito com grãos locais, não as hóstias industrializadas de hoje, e beber um copo de vinho produzido localmente.
E mesmo ao partilharmos essa refeição, precisamos demonstrar a abundância ilimitada da Terra, oferecendo alimento a todos, como faziam as comunidades cristãs primitivas, e não apenas o pão e o vinho consagrados. Por fim, esta fraternidade de refeição torna-se uma oferta em agradecimento a toda a criação, oferta que gerará uma “economia alternativa” por meio da celebração, educação e ação, que nos levará a abraçar a nossa integração terrena. É uma refeição que não só nos liga, mas nos religa, a Deus em todos.
Em uma resenha desse tamanho, é impossível fazer jus à riqueza da teologia eucarística de McGann e ao extraordinário leque de fontes que ela torna acessível ao construir seu texto. Fiquei particularmente impressionada com a integração matizada da encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’ – Sobre o cuidado da casa comum”, à parte final de seu estudo. Especialmente no último capítulo, onde aborda possíveis maneiras de revitalizar a integração ecológica, social e econômica da alimentação eucarística, o envolvimento de McGann com as obras de Norman Wirzba, Ched Myers, William Cavanaugh, Wenonah Hauter e muitos outros, expandiu grandemente a minha lista de leituras acadêmicas.
No entanto, livro algum, nem mesmo uma publicação esplêndida como The Meal that Reconnects, é escrito sem falhas pontuais. Neste caso, a ânsia da autora em tornar o seu debate acessível parece resultar em um uso exagerado de listagens numéricas em várias partes de seus argumentos. Fazer isso ocasionalmente é uma ideia sensata, mas fazê-lo com muita frequência, como McGann faz, corre o risco, às vezes, de confundir ao invés de esclarecer o material. Entretanto, à luz da muito necessária contribuição dada por The Meal that Reconnects, tal problema é bastante trivial.
Nota:
Qual o papel de um Animador Vocacional?
O Serviço de Animação Vocacional - SAV/PV da Arquidiocese de
Maringá está desenvolvendo seu trabalho por meio de vídeos com conteúdos
formativos e informativos. Todas as sextas-feiras terá um novo vídeo circulando
pelas redes sociais.
10 julho, 2020
Exclusivo: Dom Severino Clasen fala sobre Igreja, sociedade e política
Dom Severino Clasen fala sobre Igreja, sociedade e política
Ao falar das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, Dom Severino
diz que é “uma necessidade para uma
Igreja viva” e que as CEBs são “canal muito bom para poder viver a dimensão
missionária, de transformar as realidades”
diz que é “uma necessidade para uma
Igreja viva” e que as CEBs são “canal muito bom para poder viver a dimensão
missionária, de transformar as realidades”
Coletiva de imprensa com Dom Severino Clasen 09 07 2020
Dom Severino Clasen tomará posse dia 15 de agosto
A Santa Missa em que será realizada a posse do 5º Arcebispo de Maringá será celebrada em 15 de agosto, sábado, às 9h30, na Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória - mesmo dia em que se celebra a padroeira da cidade e da Arquidiocese de Maringá, Nossa Senhora da Glória.
A data foi anunciada na tarde desta quinta-feira (09) durante Coletiva de Imprensa no Auditório São João Paulo II, anexo ao Seminário Arquidiocesano em Maringá.
A celebração será transmitida pelo canal da Arquidiocese de Maringá no YouTube https://www.youtube.com/user/Arquidio... e demais redes sociais da Arquidiocese, além da Rádio Colmeia FM (98,7).
Por causa das restrições impostas pela atual conjuntura, a Catedral de Maringá poderá acolher apenas 30% de sua capacidade de público. Os lugares serão destinados aos bispos, padres, diáconos, coordenadores de pastorais e movimentos, seminaristas, religiosos, autoridades civis e imprensa.
Coletiva de imprensa
Entre os destaques, Dom Severino falou sobre a conjuntura atual, as perspectivas pastorais pós pandemia, ecumenismo, diálogo inter-religioso e sobre o respeito às minorias.
Acreditamos no Amor - (cf. 1 Jo 4, 16) - Abraão, nosso pai na fé
Acreditamos no Amor - (cf. 1 Jo 4, 16)
Abraão, nosso pai na fé
8. A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes, com os primeiros testemunhos já no Antigo Testamento. Um posto singular ocupa Abraão, nosso pai na fé. Na sua vida, acontece um facto impressionante: Deus dirige-lhe a Palavra, revela-Se como um Deus que fala e o chama por nome. A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um carácter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contacto com o homem e estabelecer com ele uma aliança. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.
9. Esta Palavra comunica a Abraão uma chamada e uma promessa. Contém, antes de tudo, uma chamada a sair da própria terra, convite a abrir-se a uma vida nova, início de um êxodo que o encaminha para um futuro inesperado. A perspectiva, que a fé vai proporcionar a Abraão, estará sempre ligada com este passo em frente que ele deve realizar: a fé « vê » na medida em que caminha, em que entra no espaço aberto pela Palavra de Deus. Mas tal Palavra contém ainda uma promessa: a tua descendência será numerosa, serás pai de um grande povo (cf. Gn 13, 16; 15, 5; 22, 17). É verdade que a fé de Abraão, enquanto resposta a uma Palavra que a precede, será sempre um acto de memória; contudo esta memória não o fixa no passado, porque, sendo memória de uma promessa, se torna capaz de abrir ao futuro, de iluminar os passos ao longo do caminho. Assim se vê como a fé, enquanto memória do futuro, está intimamente ligada com a esperança.
10. A Abraão pede-se para se confiar a esta Palavra. A fé compreende que a palavra — uma realidade aparentemente efémera e passageira —, quando é pronunciada pelo Deus fiel, torna-se no que de mais seguro e inabalável possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho no tempo. A fé acolhe esta Palavra como rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes. Por isso, na Bíblia hebraica, a fé é indicada pela palavra ‘emûnah, que deriva do verbo ‘amàn, cuja raiz significa « sustentar ». O termo ‘emûnah tanto pode significar a fidelidade de Deus como a fé do homem. O homem fiel recebe a sua força do confiar-se nas mãos do Deus fiel. Jogando com dois significados da palavra — presentes tanto no termo grego pistós como no correspondente latino fidelis –, São Cirilo de Jerusalém exaltará a dignidade do cristão, que recebe o mesmo nome de Deus: ambos são chamados « fiéis ».[8] E Santo Agostinho explica-o assim: « O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete; o Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem ».[9]
11. Há ainda um aspecto da história de Abraão que é importante para se compreender a sua fé. A Palavra de Deus, embora traga consigo novidade e surpresa, não é de forma alguma alheia à experiência do Patriarca. Na voz que se lhe dirige, Abraão reconhece um apelo profundo, desde sempre inscrito no mais íntimo do seu ser. Deus associa a sua promessa com aquele « ponto » onde desde sempre a existência do homem se mostra promissora, ou seja, a paternidade, a geração duma nova vida: « Sara, tua mulher, dar-te-á um filho, a quem hás-de chamar Isaac » (Gn 17, 19). O mesmo Deus que pede a Abraão para se confiar totalmente a Ele, revela-Se como a fonte donde provém toda a vida. Desta forma, a fé une-se com a Paternidade de Deus, da qual brota a criação: o Deus que chama Abraão é o Deus criador, aquele que « chama à existência o que não existe » (Rm 4, 17), aquele que, « antes da fundação do mundo, (...) nos predestinou para sermos adoptados como seus filhos » (Ef 1, 4-5). No caso de Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser: permite-lhe reconhecer a fonte de bondade que está na origem de todas as coisas, e confirmar que a sua vida não deriva do nada nem do acaso, mas de uma chamada e um amor pessoais. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova da fé de Abraão, o sacrifício do filho Isaac, manifestará até que ponto este amor originador é capaz de garantir a vida mesmo para além da morte. A Palavra que foi capaz de suscitar um filho no seu corpo « já sem vida (…), como sem vida estava o seio » de Sara estéril (Rm 4, 19), também será capaz de garantir a promessa de um futuro para além de qualquer ameaça ou perigo (cf. Heb 11, 19; Rm 4, 21).
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CARTA ENCÍCLICA LUMEN FIDEI
DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO
09 julho, 2020
Sobre a Fé
SOBRE A FÉ
1. A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Eis como Ele Se nos apresenta, no Evangelho de João: « Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim não fique nas trevas » (Jo 12, 46). E São Paulo exprime-se nestes termos: « Porque o Deus que disse: "das trevas brilhe a luz", foi quem brilhou nos nossos corações » (2 Cor 4, 6). No mundo pagão, com fome de luz, tinha-se desenvolvido o culto do deus Sol, Sol invictus, invocado na sua aurora. Embora o sol renascesse cada dia, facilmente se percebia que era incapaz de irradiar a sua luz sobre toda a existência do homem. De facto, o sol não ilumina toda a realidade, sendo os seus raios incapazes de chegar até às sombras da morte, onde a vista humana se fecha para a sua luz. Aliás « nunca se viu ninguém — afirma o mártir São Justino — pronto a morrer pela sua fé no sol ».[1] Conscientes do amplo horizonte que a fé lhes abria, os cristãos chamaram a Cristo o verdadeiro Sol, « cujos raios dão a vida ».[2] A Marta, em lágrimas pela morte do irmão Lázaro, Jesus diz-lhe: « Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus? » (Jo 11, 40). Quem acredita, vê; vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso.
Uma luz ilusória?
2. E contudo podemos ouvir a objecção que se levanta de muitos dos nossos contemporâneos, quando se lhes fala desta luz da fé. Nos tempos modernos, pensou-se que tal luz poderia ter sido suficiente para as sociedades antigas, mas não servia para os novos tempos, para o homem tornado adulto, orgulhoso da sua razão, desejoso de explorar de forma nova o futuro. Nesta perspectiva, a fé aparecia como uma luz ilusória, que impedia o homem de cultivar a ousadia do saber. O jovem Nietzsche convidava a irmã Elisabeth a arriscar, percorrendo vias novas (…), na incerteza de proceder de forma autónoma ». E acrescentava: « Neste ponto, separam-se os caminhos da humanidade: se queres alcançar a paz da alma e a felicidade, contenta-te com a fé; mas, se queres ser uma discípula da verdade, então investiga ». [3] O crer opor-se-ia ao indagar. Partindo daqui, Nietzsche desenvolverá a sua crítica ao cristianismo por ter diminuído o alcance da existência humana, espoliando a vida de novidade e aventura. Neste caso, a fé seria uma espécie de ilusão de luz, que impede o nosso caminho de homens livres rumo ao amanhã.
3. Por este caminho, a fé acabou por ser associada com a escuridão. E, a fim de conviver com a luz da razão, pensou-se na possibilidade de a conservar, de lhe encontrar um espaço: o espaço para a fé abria-se onde a razão não podia iluminar, onde o homem já não podia ter certezas. Deste modo, a fé foi entendida como um salto no vazio, que fazemos por falta de luz e impelidos por um sentimento cego, ou como uma luz subjectiva, talvez capaz de aquecer o coração e consolar pessoalmente, mas impossível de ser proposta aos outros como luz objectiva e comum para iluminar o caminho. Entretanto, pouco a pouco, foi-se vendo que a luz da razão autónoma não consegue iluminar suficientemente o futuro; este, no fim de contas, permanece na sua obscuridade e deixa o homem no temor do desconhecido. E, assim, o homem renunciou à busca de uma luz grande, de uma verdade grande, para se contentar com pequenas luzes que iluminam por breves instantes, mas são incapazes de desvendar a estrada. Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direcção.
Uma luz a redescobrir
4. Por isso, urge recuperar o carácter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um carácter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Por um lado, provém do passado: é a luz duma memória basilar — a da vida de Jesus –, onde o seu amor se manifestou plenamente fiável, capaz de vencer a morte. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, dado que Cristo ressuscitou e nos atrai de além da morte, a fé é luz que vem do futuro, que descerra diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso « eu » isolado abrindo-o à amplitude da comunhão. Deste modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas. Dante, na Divina Comédia, depois de ter confessado diante de São Pedro a sua fé, descreve-a como uma « centelha / que se expande depois em viva chama / e, como estrela no céu, em mim cintila ». [4] É precisamente desta luz da fé que quero falar, desejando que cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho, num tempo em que o homem vive particularmente carecido de luz.
5. Antes da sua paixão, o Senhor assegurava a Pedro: « Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça » (Lc 22, 32). Depois pediu-lhe para « confirmar os irmãos » na mesma fé. Consciente da tarefa confiada ao Sucessor de Pedro, Bento XVI quis proclamar este Ano da Fé, um tempo de graça que nos tem ajudado a sentir a grande alegria de crer, a reavivar a percepção da amplitude de horizontes que a fé descerra, para a confessar na sua unidade e integridade, fiéis à memória do Senhor, sustentados pela sua presença e pela acção do Espírito Santo. A convicção duma fé que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e na força da sua graça, animava a missão dos primeiros cristãos. Nas Actas dos Mártires, lemos este diálogo entre o prefeito romano Rústico e o cristão Hierax: « Onde estão os teus pais? » — perguntava o juiz ao mártir; este respondeu: « O nosso verdadeiro pai é Cristo, e nossa mãe a fé n’Ele ».[5] Para aqueles cristãos, a fé, enquanto encontro com o Deus vivo que Se manifestou em Cristo, era uma « mãe », porque os fazia vir à luz, gerava neles a vida divina, uma nova experiência, uma visão luminosa da existência, pela qual estavam prontos a dar testemunho público até ao fim.
6. O Ano da Fé teve início no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II. Esta coincidência permite-nos ver que o mesmo foi um Concílio sobre a fé, [6] por nos ter convidado a repor, no centro da nossa vida eclesial e pessoal, o primado de Deus em Cristo. Na verdade, a Igreja nunca dá por descontada a fé, pois sabe que este dom de Deus deve ser nutrido e revigorado sem cessar para continuar a orientar o caminho dela. O Concílio Vaticano II fez brilhar a fé no âmbito da experiência humana, percorrendo assim os caminhos do homem contemporâneo. Desta forma, se viu como a fé enriquece a existência humana em todas as suas dimensões.
7. Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal [7] — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a « confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho.
Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria. Fé, esperança e caridade constituem, numa interligação admirável, o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus. Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto?
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ARTA ENCÍCLICA LUMEN FIDEI
DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO
É por isso que eu digo na angústia
"É por isso que eu digo na angústia:
«Quem me dera ter asas de pomba
e voar para achar um descanso!
Fugiria, então, para longe,
e me iria esconder no deserto.
Acharia depressa um refúgio
contra o vento, a procela, o tufão»."
Salmo 54
Ó meu Deus, escutai minha prece,
não fujais desta minha oração,
Dignai-vos me ouvir, respondei-me:
a angústia me faz delirar!
a angústia me faz delirar!
Ao clamor do inimigo estremeço,
e ao grito dos ímpios eu tremo.
Sobre mim muitos males derramam,
contra mim furiosos investem.
Meu coração dentro de mim se angustia,
Meu coração dentro de mim se angustia,
e os terrores da morte me abatem;
o temor e o tremor me penetram,
o pavor me envolve e deprime!
É por isso que eu digo na angústia:
É por isso que eu digo na angústia:
"Quem me dera ter asas de pomba
e voar para achar um descanso!
Fugiria, então, para longe,
e me iria esconder no deserto.
Acharia depressa um refúgio
contra o vento, a procela, o tufão".
Ó Senhor, confundi as más línguas;
Ó Senhor, confundi as más línguas;
dispersai-as, porque na cidade
só se vê violência e discórdia!
Dia e noite circundam seus muros,
Dia e noite circundam seus muros,
dentro dela há maldades e crimes,
a injustiça, a opressão moram nela!
Violência, imposturas e fraudes
já não deixam suas ruas e praças.
Se o inimigo viesse insultar-me,
Se o inimigo viesse insultar-me,
poderia aceitar certamente;
se contra mim investisse o inimigo,
poderia, talvez, esconder-me.
Mas és tu, companheiro e amigo,
Mas és tu, companheiro e amigo,
tu, meu íntimo e meu familiar,
com quem tive agradável convívio
com o povo, indo à casa de Deus!
Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto,_
Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto,_
e o Senhor me haverá de salvar!
Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia,
faço ouvir meu lamento e gemido.
O Senhor há de ouvir minha voz,
O Senhor há de ouvir minha voz,
libertando a minh'alma na paz,
derrotando os meus agressores,
porque muitos estão contra mim!
Deus me ouve e haverá de humilhá-los,
Deus me ouve e haverá de humilhá-los,
porque é Rei e Senhor desde sempre.
Para os ímpios não há conversão,
pois não temem a Deus, o Senhor.
Erguem a mão contra os próprios amigos,
Erguem a mão contra os próprios amigos,
violando os seus compromissos;
sua boca está cheia de unção,
mas o seu coração traz a guerra;
suas palavras mais brandas que o óleo,
na verdade, porém, são punhais.
Lança sobre o Senhor teus cuidados,
Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento,
e jamais ele irá permitir
que o justo para sempre vacile!
Vós, porém, ó Senhor os lançais
Vós, porém, ó Senhor os lançais
no abismo e na cova da morte.
Assassinos e homens de fraude
não verão a metade da vida.
Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário:
ponho em vós toda a minha esperança!
08 julho, 2020
Rezemos juntos
Rezemos juntos
Para que Deus nos conceda a graça de não nos tornarmos insensíveis
ao “encontro com o outro” que é “um encontro com Cristo”. A graça de
reconhecermos Jesus nos estrangeiros, pobres, doentes e descartados da
sociedade.
Papa: inimaginável o inferno vivido pelos migrantes nos campos de detenção
Na missa de aniversário dos 7 anos da histórica visita de Francisco a Lampedusa, o Pontífice ressaltou que conhecemos uma "versão destilada" do que acontece nos campos de detenção na Líbia. O Papa também alertou novamente para a “globalização da indiferença”, “um pecado” dos cristãos de hoje, que nos torna insensíveis ao “encontro com o outro” que também é “um encontro com Cristo”. O convite à conversão - de reconhecer Jesus nos estrangeiros, pobres e doentes -, foi renovado pelo Pontífice na missa desta quarta-feira (8), na Casa Santa Marta.
Leia a matéria AQUI
07 julho, 2020
Sou quem viu a dor de perto! A dor e o silêncio a partir das Lamentações
Sou quem viu a dor de perto! A dor e o silêncio a partir das
Lamentações
Por Rafael Rodrigues da Silva*
O Livro das Lamentações é um pequeno livreto de salmos e
orações do povo que expressa a dor que sentiram diante da invasão do império
babilônico que arrasou a cidade, matou muita gente, violentou mulheres e
crianças e saqueou as riquezas da cidade.
Os Salmos de Súplica mostram a situação difícil e grave que
uma pessoa ou comunidade está vivendo. O pedinte diante dos conflitos e tensões
suplica para que Deus possa ouvi-lo. Seja o grito de um doente que pede a Deus
a cura (Sl 6; 38) ou do justo que é injustamente caluniado e perseguido (Sl 7)
ou que Deus não esqueça dos pobres no julgamento (Sl 10). Assim poderíamos
percorrer todos salmos de súplica e perceber que as orações de lamento têm
várias maneiras de apresentar as queixas diante de Deus (“Javé, escuta minhas
palavras, leva em conta o meu gemido. Ouve atento meu grito por socorro…” – Sl
5).
No Livro das Lamentações encontramos uma mistura entre
cantos fúnebres, lamentos individuais e coletivos. É um livro que gira em torno
da situação de cerco, cativeiro, fome e destruição da cidade através da ação
dos babilônicos (597-587 a.E.C.). Ali aparecem os lamentos em tom coletivo nos
capítulos 1-2 e 4-5 e o grande lamento individual do capítulo 3, que está no
centro do livro. Valeria a pena ler atentamente estas orações e perceber as
marcas de opressão, os resultados do processo de desumanização e os sinais de
resistência do povo. Os gritos e o silêncio pela dor de muita gente ecoam nestes
cantos e revelam em cada linha o sangue derramado, a luta pela vida e a
teimosia da esperança.
No Livro das Lamentações ecoa o silêncio de Deus diante do
grito e da dor do povo. Por que está acontecendo tudo isto? Quais as causas? De
quem é a culpa? Onde está Deus? Tudo aconteceu porque pecamos? E por aí seguem
as interrogações que estão no silêncio e no grito do povo. Quando começam a
juntar as incertezas e inquietações, abre-se um espaço fundamental tanto para
ecoar a dor e sofrimento, quanto para descrever os instrumentos de opressão e
de desumanização presentes por trás de cada lágrima e cada grito.
A terceira lamentação começa com esta afirmação: “Eu sou
aquele que viu a dor de perto!” Este “ver” implica em olhar com atenção, ouvir,
sentir e experienciar a dor. Certamente esta frase que abre o lamento quer
provocar uma pergunta em meio ao silêncio: “qual foi a for que você viu?”
Eu vi muita gente gemendo com fome e na busca por pão
(1,11); crianças pedindo comida e ninguém lhes dava nada (4,4); outras crianças
morrendo no colo de suas mães (2,12); muitas crianças e bebês desfalecendo
pelas ruas (2,11); muita gente
arriscando a vida para trazer alimento para casa (5,9) e os anciãos e
lideranças foram mortos enquanto buscavam por comida (1,19); muita gente
tentando desfazer de objetos para aplacar a fome em meio aos ataques (1,11).
Nossa pele queima como forno, torturada pela fome (5,10).
Eu vi o povo pagando pela água para beber e pela lenha (5,4)
e o sentimento de todos de que era melhor morrer pela espada do invasor do que
morrer lentamente de fome (4,9).
Eu vi as mulheres sendo violentadas e as jovens sendo
abusadas (5,11); os velhos sendo desrespeitados (5,12.14); os jovens sem
alegria e obrigados aos trabalhos forçados (5,13.15). A morte reinava dentro e
fora de casa (1,20; 2,20).
Eu vi muita tristeza e a cidade estava em completo luto e
pranto (1,4), onde os jovens não cantavam mais (1,4; 5,14), os velhos não se
reuniam nas portas (5,14), as festas se transformaram em lamentos (5,15) e as
jovens não dançavam por causa da tristeza (1,4; 2,10). Acabou a alegria e não
há consolo diante de muita dor (1,2.9.16; 2,13; 5,15).
Eu vi a opressão e a exploração, onde os jovens foram
deportados e outros obrigados aos trabalhados forçados (1,18; 5,13). Não há
quem nos livre e o jugo chegou ao nosso pescoço (4,17; 5,5). O povo esgotado
pela opressão e sem descanso (1,3; 5,5).
No Livro das Lamentações ecoa a resistência e a luta do povo
oprimido. Em cada canto da cidade e em cada canto do país começa um mo(vi)mento
que lembra, recorda, recolhe histórias e experiências, resiste, protesta e
teimosamente “esperançam” Recriam a vida a partir do grito e do silêncio. Na
escuridão lembram uma antiga profecia: “O povo que era andava nas trevas viu
uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam uma terra tenebrosa.
Multiplicaste sua alegria, aumentaste seu prazer. Vão alegrar-se diante de ti,
como na alegria da colheita, como no prazer dos que repartem despojos de
guerra. Porque como no dia de Madiã, quebraste a canga de suas cargas, a vara
que batia em suas costas e o bastão do capataz de trabalhos forçados. Porque
toda bota que pisa com barulho e toda capa empapada de sangue serão queimadas,
devoradas pelas chamas. Pois criança nasceu para nós, filho foi dado para nós”
(Is 9,1-5a).
Este momento novo de recriar a vida e de esperançar tem seu
pontapé inicial no arriscar a vida pela vida (“Arriscamos a própria vida pelo
pão” – Lm 5,9) e sua força na confiança do Deus da vida que escuta seus gritos,
choros e silêncios. Em meio a tamanha dor era preciso desconstruir a
necroteologia do “abandono de Deus” e do “castigo pelo pecado”. Ah! Teologia da
escuridão que justificava tudo e determinava que o povo oprimido era o único
culpado e responsável por sua dor e sofrimento.
Esta teologia descreva que a situação do povo empobrecido e oprimido era
resultado do castigo de Deus. A cidade solitária e banhada em lágrimas, foi
castigada/desolada/afligida por Javé (1,4.5.12; 3,32), que do céu jogou um fogo e armou um laço contra a
cidade(1,13). Tornou as culpas do povo um fardo e entregou-os nas mãos dos
invasores (1,14), dispersou todos os fortes e pisou na cidade como pisa a uva
no lagar (1,15) e ordenou que os opressores atacassem (1,17). Em sua ira, Javé
escureceu o templo (2,1), arrasou sem piedade todas as moradas e em seu furor,
destruiu as fortalezas (2,2), cortou o poder de Israel e cruzou os braços
(2,3). Javé concluiu seu ódio e derramou sua ira (4,11), os espalhou e não
cuida mais deles (4,16).
Desconstruir esta visão de um Deus que despreza, abandona.
castiga e destrói, o povo oprimido e machucado não foi tarefa fácil. Aparece
neste pequeno livro de cantos de lamento a dimensão da confiança em Deus: que
Javé possa olhar para o sofrimento (1,9), “Olha, Javé, e presta atenção: como
estou rebaixada!” (1,11), Javé é justo (1,18). A terceira lamentação que faz um
contraponto entre um Deus surdo diante das súplicas (3,8) e as lembranças que
transmitem esperança (3,21): a solidariedade e a compaixão de Javé (3,22 e 32 –
práticas fundamentais na defesa e caminhada dos profetas, especialmente na
profecia de Oséias). O canto reconhece que a força destas ações de Javé está na
fidelidade, pois “Javé é bom para os que nele esperam e o procuram” (3,25). Bom
aguardar em silêncio (3,26), porque Javé não rejeita para sempre (3,31).
A confiança e certeza da solidariedade e compaixão de Deus,
tem reforço nestas duas estrofes do canto:
“Do fundo da fossa, invoquei teu nome, ó Javé.
Ouve minha voz, não feches o ouvido ao meu apelo.
Tu vieste na hora em que eu chamei, e respondeste: Não tenha
medo.
Tu te encarregaste de defender a minha causa e resgatar
minha vida.
Tu viste, Javé, que sofro injustiça: julga minha causa.
Viste a vingança deles contra mim.” (3,55-60)
A certeza maior que o povo tem é que Javé permanece para
sempre e que se renova a aliança: “faze que voltemos para ti, Javé, e
voltaremos; renova os tempos passados” (ver 5,19-22).
Portanto, no Livro das Lamentações o silêncio pela dor se
transforma em resistência e faz da teimosia da esperança qual flor sem defesa,
bonita e nascida em terra seca sem adubo”. Do silêncio, do grito e da dor brota
uma flor que na teimosia aponta que Deus escuta os clamores do povo, enxuga as
lágrimas, é solidário e faz justiça.
O povo desde o cativeiro transmitiu seus cantos e o silêncio
pela dor. Canto que fortalece a resistência e a luta. Canto que descreve a dor que viram e
vivenciaram naqueles dias terríveis do ano de 587 a.E.C. E recebemos deste povo uma pergunta: Qual a
dor que vocês estão vendo no Brasil nestes dias da Covid-19 no ano de 2020?
Reflitam e demonstrem para tantos irmãos e irmãs a dor que
vocês estão vendo.
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*Diretor Nacional do CEBI, assessor bíblico e professor.
Fonte: CEBI
06 julho, 2020
05 julho, 2020
Empresa destrói lavoura do MST destinada a doação de alimentos na pandemia
Aconteceu na sexta-feira, nos fundões do Brasil, lá onde a vida pulsa e a solidariedade move o trabalho de trabalhadores rurais, no acampamento Valdair Roque, de Quinta do Sol, no Paraná, que plantam hortaliças para doar a famílias carentes durante a pandemia.
Logo cedo, Victor Vicari Rezende, um dos proprietários da área, que pertencente à Usina Sabarálcool, acompanhado de 14 homens, alguns encapuzados, e de dois tratores, deu a ordem para a destruição das lavouras em fase de colheita plantadas por 50 famílias do Movimento Sem Terra (MST).
No mesmo dia, a Horta Comunitária Antonio Tavares, das comunidades Terra Livre e Mãe dos Pobres, doaram 1500 quilos de alimentos orgânicos a...continue lendo...
Ampliada das CEBs Regional Sul 2 realiza reunião on line
“Assim, justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. (...) E a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. ” Romanos 5, 1 ss.
Texto: Leoni Alves Garcia - Comunicação das CEBs Regional Sul 2
A Ampliada das CEBs Regional Sul 2 esteve reunida no dia 04 de julho para encaminhamentos e reflexões necessárias nesse tempo de conjuntura complexa, agravado pela pandemia. Pela impossibilidade de deslocamento e cuidado com a vida, o encontro aconteceu virtualmente contando com a presença da maioria das dioceses paranaenses. Dom Manoel, referencial das CEBs Sul 2 participou no primeiro momento, em razão de compromisso previamente agendado.
Dentre os pontos de pauta tratados destacamos a leitura da Carta Consulta enviada pelo Secretariado do 15º Intereclesial acerca de mudança de data do encontro, em razão das dificuldades e impedimentos apresentados por esse contexto de pandemia que tem assolado as comunidades. Por unanimidade as CEBs do Regional Sul 2 aceitou a data proposta: 18 a 22 de julho de 2023, ressaltando a pertinência dos aspectos apresentados para que a mudança ocorra.
Ficou também decidido ações de comunicação, animação e formação, visto que a realidade atual apresenta-se como oportuna para que se possa apropriar dos meios de comunicação e tecnologias, usando-as em favor da organização, formação e animação das comunidades. Um projeto será implementado para que se possa produzir, lives, rodas de conversa e material escrito, abordando os temas da Campanha da Fraternidade e do Intereclesial, fazendo um link com o contexto da/pós pandemia, trazendo luzes e esperança para nossas gentes.
Também foram pensadas possibilidades e datas prováveis para a realização do 8º Intereclesial do Paraná, que não pode ser realizado em abril desse ano em razão das medidas de isolamento social.
As dioceses presentes partilharam as dores e resistências vivenciadas nesse tempo, deixando claro o papel das lideranças em manter acesa nas comunidades e nas pessoas a chama da Esperança, fundada na Palavra de Deus, na Partilha e na busca da Justiça.
As CEBs do Regional Sul 2 demonstrou alegria pela vinda de Dom Severino para a Arquidiocese de Maringá, o que por certo nos fortalecerá nessa caminhada, em sintonia com o Evangelho de Jesus de Nazaré e com as propostas do Papa Francisco para sermos “igreja em saída”, no cuidado da casa comum e especialmente junto aos que sofrem. Bem Vindo Dom Severino!
Em sintonia com a humanidade que vive as dores desse momento de doença, morte, incerteza e descaso com a vida, agravado por governantes e autoridades indiferentes a dor do povo, a Ampliada das CEBs do Regional Sul 2 pediu a Nossa Senhora proteção, rezando a Oração Maria da Pandemia de Roberto Malvezzi, rogando que o Magnificat se faça e que os oprimidos sejam libertados, pela Palavra, pela fé e resistência esperançosa de povo de Deus.
Oração MARIA DA PANDEMIA Roberto Malvezzi (Gogó)
Maria da Pandemia,
Rogai pelos que estão entubados nos hospitais,
Buscando um pouco de ar para sobreviver,
Agonizando e morrendo na solidão.
Rogai por seus familiares e amigos,
Nessa hora de angústia,
Quando a dor é maior. E a esperança menor.
Rogai pelos médicos, enfermeiras,
Profissionais da limpeza, religiosos,
Todos os que cuidam dos contaminados.
Livrai-nos da indiferença e dos indiferentes,
Dos adoradores da morte,
Dos que celebram as desgraças alheias,
Dos que deveriam ser os primeiros em responsabilidade
E se colocam de forma fria e sórdida diante desses tormentos.
Rogai para que Deus ilumine os cientistas,
Que seja encontrado rapidamente um caminho
Para neutralizar a ação do vírus.
Quando tudo passar,
Que o ar permaneça limpo,
Que as águas permaneçam puras,
Que as florestas permaneçam em pé,
Que nossas ruas tenham o silêncio da paz,
Que nosso céu permaneça azul
Que todas as formas de vida continuem celebrando sua liberdade
Que a humanidade aprenda que a Terra não é lugar só da humanidade.
Que todos vivemos em uma Casa Comum Amém!
Texto: Leoni Alves Garcia - Comunicação das CEBs Regional Sul 2
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