26 fevereiro, 2026

Finalmente, justiça por Marielle e Anderson

O mundo sabe quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson. A justiça, enfim, foi feita.

Quem mandou matar a vereadora Marielle Franco (Psol) não podia imaginar que ela era semente. Provavelmente também não imaginava que um dia estaria sentado no banco dos réus e, mais do que isso, condenado a 76 anos de prisão.

Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, a poucos dias de se completarem oito anos do assassinato da parlamentar carioca e do motorista Anderson Gomes, a justiça, finalmente, se fez valer. Os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados como mandantes do assassinato que interrompeu precocemente a vida da vereadora, em 14 de março de 2018.

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu pena de 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção. Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar, foi condenado a 56 anos de prisão. Robson Calixto, ex-policial militar, recebeu pena de nove anos.

A luta das famílias de Marielle e Anderson por justiça começou naquele 14 de março e durou ininterruptos 2.905 dias. Ao longo desses oito anos, o Brasil de Fato acompanhou cada manifestação. Viu Marielle virar semente e brotar em cada luta contra a violência de gênero, de raça e por justiça social. Mulheres, como sua filha Luyara Franco, que multiplicam seu legado e defendem sua memória.

O choro de dona Marinete, mãe de Marielle, e de Ágatha Reis, viúva de Anderson, está registrado em imagens que revelam dor e indignação diante da impunidade que prevaleceu por quase uma década. As relações dos envolvidos com certos clãs da política também estão expostas.

Cada novidade sobre a investigação, que o BdF acompanhou de perto, inaugurava a possibilidade de que a justiça, um dia, fosse feita. Parte dela chegou em outubro de 2024, com a condenação de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, que apertaram o gatilho e executaram Marielle e Anderson.

Mas havia pistas, desde o começo, de que não se tratava de um homicídio comum. A atuação combativa de Marielle contra as milícias no Rio de Janeiro indicava que havia o envolvimento de figuras poderosas na articulação do crime.

Hoje o mundo sabe quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson. A justiça, enfim, foi feita. Ela não é capaz de trazê-los de volta, mas, como disse a irmã da vereadora e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a memória deles foi honrada e agora há esperança de que o Brasil inicie um novo marco histórico contra a violência política de gênero e raça, sem que haja espaço para a impunidade na nossa democracia.

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