09 outubro, 2020

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social Capítulo I - continuação

 


Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social 
Capítulo I - continuação 

Leitura da Carta Encíclica FRATELLI TUTTI do Santo Padre FRANCISCO sobre a Fraternidade e Amizade Social. 

Capítulo I: As sombras dum mundo fechado. 

nn. 29-31, Título 7: Globalização e progresso sem um rumo comum. 
nn. 32-36, Título 8: As pandemias e outros flagelos da história. 
nn. 37-41, Título 9: Sem dignidade humana nas fronteiras. 


CARTA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO SANTO PADRE FRANCISCO 
SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL 

Capítulo I 
AS SOMBRAS DUM MUNDO FECHADO 

Globalização e progresso sem um rumo comum 

29. O Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb e eu não ignoramos os avanços positivos que se verificaram na ciência, na tecnologia, na medicina, na indústria e no bem-estar, sobretudo nos países desenvolvidos. Todavia «ressaltamos que, juntamente com tais progressos históricos, grandes e apreciados, se verifica uma deterioração da ética, que condiciona a atividade internacional, e um enfraquecimento dos valores espirituais e do sentido de responsabilidade. Tudo isto contribui para disseminar uma sensação geral de frustração, solidão e desespero, (…) nascem focos de tensão e se acumulam armas e munições, numa situação mundial dominada pela incerteza, pela decepção e pelo medo do futuro e controlada por míopes interesses económicos». Assinalamos também «as graves crises políticas, a injustiça e a falta duma distribuição equitativa dos recursos naturais (…). A respeito de tais crises que fazem morrer à fome milhões de crianças, já reduzidas a esqueletos humanos por causa da pobreza e da fome, reina um inaceitável silêncio internacional».[27] Perante tal panorama, embora nos fascinem os inúmeros avanços, não descortinamos um rumo verdadeiramente humano. 

30. No mundo atual, esmorecem os sentimentos de pertença à mesma humanidade; e o sonho de construirmos juntos a justiça e a paz parece uma utopia doutros tempos. Vemos como reina uma indiferença acomodada, fria e globalizada, filha duma profunda desilusão que se esconde por detrás desta ilusão enganadora: considerar que podemos ser omnipotentes e esquecer que nos encontramos todos no mesmo barco. Esta desilusão, que deixa para trás os grandes valores fraternos, conduz «a uma espécie de cinismo. Esta é a tentação que temos diante de nós, se formos por este caminho do desengano ou da desilusão. (…) O isolamento e o fechamento em nós mesmos ou nos próprios interesses nunca serão o caminho para voltar a dar esperança e realizar uma renovação, mas é a proximidade, a cultura do encontro. O isolamento, não; a proximidade, sim. Cultura do confronto, não; cultura do encontro, sim».[28] 

31. Neste mundo que corre sem um rumo comum, respira-se uma atmosfera em que «a distância entre a obsessão pelo próprio bem-estar e a felicidade da humanidade partilhada parece aumentar: até fazer pensar que entre o indivíduo e a comunidade humana já esteja em curso um cisma. (...) Porque uma coisa é sentir-se obrigado a viver juntos, outra é apreciar a riqueza e a beleza das sementes de vida em comum que devem ser procuradas e cultivadas em conjunto».[29] A tecnologia regista progressos contínuos, mas «como seria bom se, ao aumento das inovações científicas e tecnológicas, correspondesse também uma equidade e uma inclusão social cada vez maior! Como seria bom se, enquanto descobrimos novos planetas longínquos, também descobríssemos as necessidades do irmão e da irmã que orbitam ao nosso redor!»[30] 

As pandemias e outros flagelos da história 

32. É verdade que uma tragédia global como a pandemia do Covid-19 despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho, que só é possível salvar-nos juntos. Por isso, «a tempestade – dizia eu – desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. (…) Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso “eu” sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, esta (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos».[31] 

33. O mundo avançava implacavelmente para uma economia que, utilizando os progressos tecnológicos, procurava reduzir os «custos humanos»; e alguns pretendiam fazer-nos crer que era suficiente a liberdade de mercado para garantir tudo. Mas, o golpe duro e inesperado desta pandemia fora de controle obrigou, por força, a pensar nos seres humanos, em todos, mais do que nos benefícios de alguns. Hoje podemos reconhecer que «alimentamo-nos com sonhos de esplendor e grandeza, e acabamos por comer distração, fechamento e solidão; empanturramo-nos de conexões, e perdemos o gosto da fraternidade. Buscamos o resultado rápido e seguro, e encontramo-nos oprimidos pela impaciência e a ansiedade. Prisioneiros da virtualidade, perdemos o gosto e o sabor da realidade».[32] A tribulação, a incerteza, o medo e a consciência dos próprios limites, que a pandemia despertou, fazem ressoar o apelo a repensar os nossos estilos de vida, as nossas relações, a organização das nossas sociedades e sobretudo o sentido da nossa existência. 

34. Se tudo está interligado, é difícil pensar que este desastre mundial não tenha a ver com a nossa maneira de encarar a realidade, pretendendo ser senhores absolutos da própria vida e de tudo o que existe. Não quero dizer que se trate duma espécie de castigo divino. Nem seria suficiente afirmar que o dano causado à natureza acaba por se cobrar dos nossos atropelos. É a própria realidade que geme e se rebela… Vem à mente o conhecido verso do poeta Virgílio evocando as lágrimas das coisas, das vicissitudes da história.[33] 

35. Contudo rapidamente esquecemos as lições da história, «mestra da vida».[34] Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam «os outros», mas apenas um «nós». Oxalá não seja mais um grave episódio da história, cuja lição não fomos capazes de aprender. Oxalá não nos esqueçamos dos idosos que morreram por falta de respiradores, em parte como resultado de sistemas de saúde que foram sendo desmantelados ano após ano. Oxalá não seja inútil tanto sofrimento, mas tenhamos dado um salto para uma nova forma de viver e descubramos, enfim, que precisamos e somos devedores uns dos outros, para que a humanidade renasça com todos os rostos, todas as mãos e todas as vozes, livre das fronteiras que criamos. 

36. Se não conseguirmos recuperar a paixão compartilhada por uma comunidade de pertença e solidariedade, à qual saibamos destinar tempo, esforço e bens, desabará ruinosamente a ilusão global que nos engana e deixará muitos à mercê da náusea e do vazio. Além disso, não se deveria ignorar, ingenuamente, que «a obsessão por um estilo de vida consumista, sobretudo quando poucos têm possibilidades de o manter, só poderá provocar violência e destruição recíproca».[35] O princípio «salve-se quem puder» traduzir-se-á rapidamente no lema «todos contra todos», e isso será pior que uma pandemia. 

Sem dignidade humana nas fronteiras 

37. Tanto na propaganda dalguns regimes políticos populistas como na leitura de abordagens económico-liberais, defende-se que é preciso evitar a todo o custo a chegada de pessoas migrantes. Simultaneamente argumenta-se que convém limitar a ajuda aos países pobres, para que toquem o fundo e decidam adotar medidas de austeridade. Não se dão conta que, atrás destas afirmações abstratas difíceis de sustentar, há muitas vidas dilaceradas. Muitos fogem da guerra, de perseguições, de catástrofes naturais. Outros, com pleno direito, «andam à procura de oportunidades para si e para a sua família. Sonham com um futuro melhor, e desejam criar condições para que se realize».[36] 

38. Infelizmente, outros são «atraídos pela cultura ocidental, nutrindo por vezes expetativas irrealistas que os expõem a pesadas decepções. Traficantes sem escrúpulos, frequentemente ligados a cartéis da droga e das armas, exploram a fragilidade dos imigrantes, que, ao longo do seu percurso, muitas vezes encontram a violência, o tráfico de seres humanos, o abuso psicológico e mesmo físico e tribulações indescritíveis».[37] As pessoas que emigram «experimentam a separação do seu contexto de origem e, muitas vezes, também um desenraizamento cultural e religioso. A fratura tem a ver também com as comunidades de origem, que perdem os elementos mais vigorosos e empreendedores, e as famílias, particularmente quando emigra um ou ambos os progenitores, deixando os filhos no país de origem».[38] Por conseguinte, também deve ser «reafirmado o direito a não emigrar, isto é, a ter condições para permanecer na própria terra».[39] 

39. Ainda por cima, «nalguns países de chegada, os fenómenos migratórios suscitam alarme e temores, frequentemente fomentados e explorados para fins políticos. Assim se difunde uma mentalidade xenófoba, de clausura e retraimento em si mesmos».[40] Os migrantes não são considerados suficientemente dignos de participar na vida social como os outros, esquecendo-se que têm a mesma dignidade intrínseca de toda e qualquer pessoa. Consequentemente, têm de ser eles os «protagonistas da sua própria promoção».[41] Nunca se dirá que não sejam humanos, mas na prática, com as decisões e a maneira de os tratar, manifesta-se que são considerados menos valiosos, menos importantes, menos humanos. É inaceitável que os cristãos partilhem esta mentalidade e estas atitudes, fazendo às vezes prevalecer determinadas preferências políticas em vez das profundas convicções da sua própria fé: a dignidade inalienável de toda a pessoa humana, independentemente da sua origem, cor ou religião, e a lei suprema do amor fraterno. 

40. «As migrações constituirão uma pedra angular do futuro do mundo».[42] Hoje, porém, são afetadas por uma «perda daquele sentido de responsabilidade fraterna, sobre o qual assenta toda a sociedade civil».[43] A Europa, por exemplo, corre sérios riscos de ir por este caminho. Entretanto, «ajudada pelo seu grande património cultural e religioso, possui os instrumentos para defender a centralidade da pessoa humana e encontrar o justo equilíbrio entre estes dois deveres: o dever moral de tutelar os direitos dos seus cidadãos e o dever de garantir a assistência e o acolhimento dos imigrantes».[44] 



41. Compreendo que alguns tenham dúvidas e sintam medo à vista das pessoas migrantes; compreendo-o como um aspeto do instinto natural de autodefesa. Mas também é verdade que uma pessoa e um povo só são fecundos, se souberem criativamente integrar no seu seio a abertura aos outros. Convido a ultrapassar estas reações primárias, porque «o problema surge quando [estas dúvidas e este medo] condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez até – sem disso nos apercebermos – racistas. E assim o medo priva-nos do desejo e da capacidade de encontrar o outro».[45] 

______________ 

[27] Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum (Abu Dhabi 4 de fevereiro de 2019): L’Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 05/II/2019), 21. 

[28] Francisco, Discurso ao mundo académico e cultural (Cagliari – Itália 22 de setembro de 2013): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 29/IX/2013), 8. 

[29] Idem, Carta «Humana communitas» ao Presidente da Academia Pontifícia para a Vida por ocasião do XXV aniversário da sua instituição (6 de janeiro de 2019), 2.6: L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 22/I/2019), 8-9. 

[30] Idem, Vídeo-mensagem ao encontro internacional TED2017 em Vancouver (26 de abril de 2017): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 04/V/2017), 16. 

[31] Homilia durante o Momento extraordinário de oração em tempos de epidemia (27 de março de 2020): L´Osservatore Romano (29/III/2020), 10. 

[32] Francisco, Homilia durante a Santa Missa (Skopje – Macedónia do Norte 7 de maio de 2019): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 14/V/2019), 11. 

[33] Cf. Eneida I, 462: «Sunt lacrimae rerum et mentem mortalia tangunt – são lágrimas das coisas, as peripécias dos mortais confrangem a alma». 

[34] «Historia (…) magistra vitae» (Cícero, De Oratore, 2, 36). 

[35] Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 204: AAS 107 (2015), 928. 

[36] Idem, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit (25 de março de 2019), 91. 

[37] Ibid., 92. 

[38] Ibid., 93. 

[39] Bento XVI, Mensagem para o 99º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado em 2013 (12 de outubro de 2012): AAS 104 (2012), 908. 

[40] Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit (25 de março de 2019), 92. 

[41] Idem, Mensagem para o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado em 2020 (13 de maio de 2020): L’Osservatore Romano (16/V/2020), 8. 

[42] Idem, Discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé (11 de janeiro de 2016): AAS 108 (2016), 124. 

[43] Idem, Discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé (13 de janeiro de 2014): AAS 106 (2014), 84. 

[44] Idem, Discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé (11 de janeiro de 2016): AAS 108 (2016), 123. 

[45] Francisco, Mensagem para o 105º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado em 2019 (27 de maio de 2019): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 04/VI/2019), 12. 

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social Capítulo I

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social Capítulo I 

Leitura da Carta Encíclica FRATELLI TUTTI do Santo Padre FRANCISCO sobre a Fraternidade e Amizade Social. 

Capítulo I: As Sombras dum fechado. 

nn. 18-21, Título 4: O descarte mundial. 
nn. 22-24, Título 5: Direitos Humanos nãosuficientemente universais. 
nn. 25-28, Título 6: Conflito e medo. 

CARTA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO SANTO PADRE FRANCISCO SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL 


Capítulo I 
AS SOMBRAS DUM MUNDO FECHADO 

O descarte mundial 

18. Partes da humanidade parecem sacrificáveis em benefício duma seleção que favorece a um setor humano digno de viver sem limites. No fundo, «as pessoas já não são vistas como um valor primário a respeitar e tutelar, especialmente se são pobres ou deficientes, se “ainda não servem” (como os nascituros) ou “já não servem” (como os idosos). Tornamo-nos insensíveis a qualquer forma de desperdício, a começar pelo alimentar, que aparece entre os mais deploráveis».[13] 

19. A falta de filhos, que provoca um envelhecimento da população, juntamente com o abandono dos idosos numa dolorosa solidão, exprimem implicitamente que tudo acaba connosco, que só contam os nossos interesses individuais. Assim, «objeto de descarte não são apenas os alimentos ou os bens supérfluos, mas muitas vezes os próprios seres humanos».[14] Vimos o que aconteceu com as pessoas de idade nalgumas partes do mundo por causa do coronavírus. Não deviam morrer assim. Na realidade, porém, tinha já acontecido algo semelhante devido às ondas de calor e noutras circunstâncias: cruelmente descartados. Não nos damos conta de que isolar os idosos e abandoná-los à responsabilidade de outros sem um acompanhamento familiar adequado e amoroso mutila e empobrece a própria família. Além disso, acaba por privar os jovens daquele contacto que lhes é necessário com as suas raízes e com uma sabedoria que a juventude, sozinha, não pode alcançar. 

20. Este descarte exprime-se de variadas maneiras como, por exemplo, na obsessão por reduzir os custos laborais sem se dar conta das graves consequências que provoca, pois o desemprego daí resultante tem como efeito direto alargar as fronteiras da pobreza.[15] Além disso, o descarte assume formas abjetas, que julgávamos já superadas, como o racismo que se dissimula mas não cessa de reaparecer. De novo nos envergonham as expressões de racismo, demonstrando assim que os supostos avanços da sociedade não são assim tão reais nem estão garantidos duma vez por todas. 

21. Há regras económicas que foram eficazes para o crescimento, mas não de igual modo para o desenvolvimento humano integral.[16] Aumentou a riqueza, mas sem equidade, e assim «nascem novas pobrezas».[17] Quando dizem que o mundo moderno reduziu a pobreza, fazem-no medindo-a com critérios doutros tempos não comparáveis à realidade atual. Pois noutros tempos, por exemplo, não ter acesso à energia elétrica não era considerado um sinal de pobreza nem causava grave incómodo. A pobreza sempre se analisa e compreende no contexto das possibilidades reais dum momento histórico concreto. 

Direitos humanos não suficientemente universais 

22. Muitas vezes constata-se que, de facto, os direitos humanos não são iguais para todos. O respeito destes direitos «é condição preliminar para o próprio progresso económico e social de um país. Quando a dignidade do homem é respeitada e os seus direitos são reconhecidos e garantidos, florescem também a criatividade e a audácia, podendo a pessoa humana explanar suas inúmeras iniciativas a favor do bem comum».[18] Mas, «observando com atenção as nossas sociedades contemporâneas, deparamos com numerosas contradições que induzem a perguntar-nos se deveras a igual dignidade de todos os seres humanos, solenemente proclamada há 70 anos, é reconhecida, respeitada, protegida e promovida em todas as circunstâncias. Persistem hoje no mundo inúmeras formas de injustiça, alimentadas por visões antropológicas redutivas e por um modelo económico fundado no lucro, que não hesita em explorar, descartar e até matar o homem. Enquanto uma parte da humanidade vive na opulência, outra parte vê a própria dignidade não reconhecida, desprezada ou espezinhada e os seus direitos fundamentais ignorados ou violados».[19] Que diz isto a respeito da igualdade de direitos fundada na mesma dignidade humana? 

23. De modo análogo, a organização das sociedades em todo o mundo ainda está longe de refletir com clareza que as mulheres têm exatamente a mesma dignidade e idênticos direitos que os homens. As palavras dizem uma coisa, mas as decisões e a realidade gritam outra. Com efeito, «duplamente pobres são as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos».[20] 

24. Reconhecemos igualmente que, «apesar de a comunidade internacional ter adotado numerosos acordos para pôr termo à escravatura em todas as suas formas e ter lançado diversas estratégias para combater este fenómeno, ainda hoje milhões de pessoas – crianças, homens e mulheres de todas as idades – são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura. (…) Hoje como ontem, na raiz da escravatura, está uma conceção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objeto. (…) Com a força, o engano, a coação física ou psicológica, a pessoa humana – criada à imagem e semelhança de Deus – é privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de alguém; é tratada como meio, e não como fim». As redes criminosas «utilizam habilmente as tecnologias informáticas modernas para atrair jovens e adolescentes de todos os cantos do mundo».[21] E a aberração não tem limites quando são subjugadas mulheres, forçadas depois a abortar; um ato abominável que chega mesmo ao sequestro da pessoa, para vender os seus órgãos. Isto torna o tráfico de pessoas e outras formas atuais de escravatura num problema mundial que precisa de ser tomado a sério pela humanidade no seu conjunto, porque «assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, assim também a ação para vencer este fenómeno requer um esforço comum e igualmente global por parte dos diferentes atores que compõem a sociedade».[22] 

Conflito e medo 

25. As guerras, os atentados, as perseguições por motivos raciais ou religiosos e tantas afrontas contra a dignidade humana são julgados de maneira diferente, segundo convenham ou não a certos interesses fundamentalmente económicos: o que é verdade quando convém a uma pessoa poderosa, deixa de o ser quando já não a beneficia. Estas situações de violência vão-se «multiplicando cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma “terceira guerra mundial por pedaços”».[23] 

26. Isto não surpreende, se atendermos à falta de horizontes capazes de nos fazer convergir para a unidade, pois em qualquer guerra o que acaba destruído é «o próprio projeto de fraternidade, inscrito na vocação da família humana», pelo que «toda a situação de ameaça alimenta a desconfiança e a retirada».[24] Assim, o nosso mundo avança numa dicotomia sem sentido, pretendendo «garantir a estabilidade e a paz com base numa falsa segurança sustentada por uma mentalidade de medo e desconfiança».[25] 

27. Paradoxalmente, existem medos ancestrais que não foram superados pelo progresso tecnológico; mais ainda, souberam esconder-se e revigorar-se por detrás das novas tecnologias. Também hoje, atrás das muralhas da cidade antiga está o abismo, o território do desconhecido, o deserto. O que vier de lá não é fiável, porque desconhecido, não familiar, não pertence à aldeia. Trata-se do território do que é «bárbaro», do qual há que defender-se a todo o custo. Consequentemente, criam-se novas barreiras de autodefesa, de tal modo que deixa de haver o mundo, para existir apenas o «meu» mundo; e muitos deixam de ser considerados seres humanos com uma dignidade inalienável passando a ser apenas «os outros». Reaparece «a tentação de fazer uma cultura dos muros, de erguer os muros, muros no coração, muros na terra, para impedir este encontro com outras culturas, com outras pessoas. E quem levanta um muro, quem constrói um muro, acabará escravo dentro dos muros que construiu, sem horizontes. Porque lhe falta esta alteridade».[26] 

28. A solidão, os medos e a insegurança de tantas pessoas que se sentem abandonadas pelo sistema, fazem com que se crie um terreno fértil para as máfias. Com efeito, estas impõem-se apresentando-se como «protetoras» dos esquecidos, muitas vezes através de vários tipos de ajuda, enquanto perseguem os seus interesses criminosos. Há uma pedagogia tipicamente mafiosa que, com um falso espírito comunitário, cria laços de dependência e subordinação, dos quais é muito difícil libertar-se. 

______________ 

[13] Idem, Discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé (11 de janeiro de 2016): AAS 108 (2016), 120. 

[14] Idem, Discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé (13 de janeiro de 2014): AAS 106 (2014), 83 84. 

[15] Cf. Idem, Discurso à Fundação «Centesimus annus pro Pontifice» (25 de maio de 2013): Insegnamenti I,1 (2013), 238. 

[16] Cf. São Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio (26 de março de 1967), 14: AAS 59 (1967), 264. 

[17] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de junho de 2009), 22: AAS 101 (2009), 657. 

[18] Francisco, Discurso no encontro com as autoridades e o corpo diplomático (Tirana – Albânia 21 de setembro de 2014): AAS 106 (2014), 773. 

[19] Idem, Mensagem aos participantes na Conferência internacional sobre «Os direitos humanos no mundo contemporâneo: conquistas, omissões, negações» (10 de dezembro de 2018): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 11/XII/2018), 16. 

[20] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 212: AAS 105 (2013), 1108. 

[21] Idem, Mensagem para o 48º Dia Mundial da Paz de 2015 (8 de dezembro de 2014), 3-4: AAS 107 (2015), 69-71. 

[22] Ibid., 5: o. c., 72. 

[23] Idem, Mensagem para o 49º Dia Mundial da Paz de 2016 (8 de dezembro de 2015), 2: AAS 108 (2016), 49. 

[24] Idem, Mensagem para o 53º Dia Mundial da Paz de 2020 (8 de dezembro de 2019), 1: L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 17-24/XII/2019), 8. 

[25] Francisco, Discurso sobre as armas nucleares (Nagasáqui – Japão 24 de novembro de 2019): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 03/XII/2019), 9. 

[26] Idem, Discurso aos professores e estudantes do Colégio São Carlos de Milão (6 de abril de 2019): L´Osservatore Romano (08-09/IV/2019), 6. 

Dom Severino - abertura dos trabalhos - conscientização - Eleições Municipais - Paróquias Santo Cura d'Ars e Jesus Bom Pastor - Equipe Paroquial de Intervenção Social – Paiçandu.

Por uma maior integração dos fiéis leig@s

Por uma maior integração dos fiéis leig@s, especialmente das mulheres, nas instâncias de responsabilidade da Igreja. 

“Ninguém foi batizado como padre ou bispo. Todos nós fomos batizados como leigos (...) leigos e leigas são protagonistas da Igreja. Rezemos para que, em virtude do batismo, os fiéis leigos, em especial as mulheres, participem mais nas instâncias de responsabilidade da Igreja, sem cair em clericalismos que anulam o carisma laical. (...) Devemos promover a integração das mulheres em lugares onde são tomadas decisões importantes”. (Papa Francisco)

09 É Missão de todos Nós Gustavo Aguerra

Mulheres nas instâncias de responsabilidade da Igreja - O Vídeo do Papa ...

08 outubro, 2020

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social Capítulo I


Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social 

Capítulo I 

CARTA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO SANTO PADRE FRANCISCO 
SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL 

A Carta Encíclica FRATELLI TUTTI tem 8 capítulos. Iniciamos a leitura do Capítulo I. Segue a visão global deste Capítulo e o texto o texto de 3 de 14 títulos. 

Capítulo I 
AS SOMBRAS DUM MUNDO FECHADO 

VISÃO GLOBAL DESTE CAPÍTULO 
nn. 9-55 
14 títulos 
Sonhos desfeitos em pedaços [10-12] 
O fim da consciência histórica [13-14] 
Sem um projeto para todos [15-17] 
O descarte mundial [18-21] 
Direitos humanos não suficientemente universais [22-24] 
Conflitos e medos [25-28] 
Globalização e progresso sem um rumo comum [29-31] 
As pandemias e outros flagelos da história [32-36] 
Sem dignidade humana nas fronteiras [37-41] 
A ilusão de comunicação [42-43] 
Agressividade despudorada [44-46] 
A informação sem sabedoria [47-50] 
Sujeições e autodepreciação [51-53] 
Esperança [54-55] 

Leitura da Carta Encíclica FRATELLI TUTTI do Santo Padre FRANCISCO sobre a Fraternidade e Amizade Social. Capítulo I: As Sombras dum fechado. Texto nn. 9.10-12, Título 1: Sonhos desfeitos em pedaços, nn.13-14, Título 2: O fim da consciência histórica e nn. 15-17, Título 3: Sem um projeto comum. 

Capítulo I 
AS SOMBRAS DUM MUNDO FECHADO 

9. Sem pretender efetuar uma análise exaustiva nem tomar em consideração todos os aspetos da realidade que vivemos, proponho apenas manter-nos atentos a algumas tendências do mundo atual que dificultam o desenvolvimento da fraternidade universal. 

Sonhos desfeitos em pedaços 

10. Durante décadas, pareceu que o mundo tinha aprendido com tantas guerras e fracassos e, lentamente, ia caminhando para variadas formas de integração. Por exemplo, avançou o sonho duma Europa unida, capaz de reconhecer raízes comuns e regozijar-se com a diversidade que a habita. Lembremos «a firme convicção dos Pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro assente na capacidade de trabalhar juntos para superar as divisões e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do continente».[7] E ganhou força também o anseio duma integração latino-americana, e alguns passos começaram a ser dados. Noutros países e regiões, houve tentativas de pacificação e reaproximações que foram bem-sucedidas e outras que pareciam promissoras. 

11. Mas a história dá sinais de regressão. Reacendem-se conflitos anacrónicos que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos. Em vários países, uma certa noção de unidade do povo e da nação, penetrada por diferentes ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social mascaradas por uma suposta defesa dos interesses nacionais. Isto lembra-nos que «cada geração deve fazer suas as lutas e as conquistas das gerações anteriores e levá-las a metas ainda mais altas. É o caminho. O bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam duma vez para sempre; hão de ser conquistados cada dia. Não é possível contentar-se com o que já se obteve no passado nem instalar-se a gozá-lo como se esta situação nos levasse a ignorar que muitos dos nossos irmãos ainda sofrem situações de injustiça que nos interpelam a todos».[8] 

12. «Abrir-se ao mundo» é uma expressão de que, hoje, se apropriaram a economia e as finanças. Refere-se exclusivamente à abertura aos interesses estrangeiros ou à liberdade dos poderes económicos para investir sem entraves nem complicações em todos os países. Os conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum são instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural único. Esta cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as nações, porque «a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos».[9] Encontramo-nos mais sozinhos do que nunca neste mundo massificado, que privilegia os interesses individuais e debilita a dimensão comunitária da existência. Em contrapartida, aumentam os mercados, onde as pessoas desempenham funções de consumidores ou de espectadores. O avanço deste globalismo favorece normalmente a identidade dos mais fortes que se protegem a si mesmos, mas procura dissolver as identidades das regiões mais frágeis e pobres, tornando-as mais vulneráveis e dependentes. Desta forma, a política torna-se cada vez mais frágil perante os poderes económicos transnacionais que aplicam o lema «divide e reinarás». 

O fim da consciência histórica 

13. Pelo mesmo motivo, favorece também uma perda do sentido da história que desagrega ainda mais. Nota-se a penetração cultural duma espécie de «desconstrucionismo», em que a liberdade humana pretende construir tudo a partir do zero. De pé, deixa apenas a necessidade de consumir sem limites e a acentuação de muitas formas de individualismo sem conteúdo. Neste contexto, colocava-se um conselho que dei aos jovens: «Se uma pessoa vos fizer uma proposta dizendo para ignorardes a história, não aproveitardes da experiência dos mais velhos, desprezardes todo o passado olhando apenas para o futuro que essa pessoa vos oferece, não será uma forma fácil de vos atrair para a sua proposta a fim de fazerdes apenas o que ela diz? Aquela pessoa precisa de vós vazios, desenraizados, desconfiados de tudo, para vos fiardes apenas nas suas promessas e vos submeterdes aos seus planos. Assim procedem as ideologias de variadas cores, que destroem (ou desconstroem) tudo o que for diferente, podendo assim reinar sem oposições. Para isso, precisam de jovens que desprezem a história, rejeitem a riqueza espiritual e humana que se foi transmitindo através das gerações, ignorem tudo quanto os precedeu».[10] 



14. São as novas formas de colonização cultural. Não nos esqueçamos de que «os povos que alienam a sua tradição e – por mania imitativa, violência imposta, imperdoável negligência ou apatia – toleram que se lhes roube a alma, perdem, juntamente com a própria fisionomia espiritual, a sua consistência moral e, por fim, a independência ideológica, económica e política».[11] Uma maneira eficaz de dissolver a consciência histórica, o pensamento crítico, o empenho pela justiça e os percursos de integração é esvaziar de sentido ou manipular as «grandes» palavras. Que significado têm hoje palavras como democracia, liberdade, justiça, unidade? Foram manipuladas e desfiguradas para utilizá-las como instrumento de domínio, como títulos vazios de conteúdo que podem servir para justificar qualquer ação. 

Sem um projeto para todos 

15. A melhor maneira de dominar e avançar sem entraves é semear o desânimo e despertar uma desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores. Usa-se hoje, em muitos países, o mecanismo político de exasperar, exacerbar e polarizar. Com várias modalidades, nega-se a outros o direito de existir e pensar e, para isso, recorre-se à estratégia de ridicularizá-los, insinuar suspeitas sobre eles e reprimi-los. Não se acolhe a sua parte da verdade, os seus valores, e assim a sociedade empobrece-se e acaba reduzida à prepotência do mais forte. Desta forma, a política deixou de ser um debate saudável sobre projetos a longo prazo para o desenvolvimento de todos e o bem comum, limitando-se a receitas efémeras de marketing cujo recurso mais eficaz está na destruição do outro. Neste mesquinho jogo de desqualificações, o debate é manipulado para o manter no estado de controvérsia e contraposição. 

16. Nesta luta de interesses que nos coloca a todos contra todos, onde vencer se torna sinónimo de destruir, como se pode levantar a cabeça para reconhecer o vizinho ou ficar ao lado de quem está caído na estrada? Hoje, um projeto com grandes objetivos para o desenvolvimento de toda a humanidade soa como um delírio. Aumentam as distâncias entre nós, e a dura e lenta marcha rumo a um mundo unido e mais justo sofre um novo e drástico revés. 

17. Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos de nos constituirmos como um «nós» que habita a casa comum. Um tal cuidado não interessa aos poderes económicos que necessitam dum ganho rápido. Frequentemente as vozes que se levantam em defesa do ambiente são silenciadas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que não passa de interesses particulares. Nesta cultura que estamos a desenvolver, vazia, fixada no imediato e sem um projeto comum, «é previsível que, perante o esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas sob nobres reivindicações».[12] 

______________ 

[7] Francisco, Discurso no Parlamento Europeu (Estrasburgo 25 de novembro de 2014): AAS 106 (2014), 996. 

[8] Francisco, Discurso no encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, (Santiago – Chile 16 de janeiro de 2018): AAS 110 (2018), 256. 

[9] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de junho de 2009), 19: AAS 101 (2009), 655. 

[10] Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit (25 de março de 2019), 181. 

[11] Card. Raúl Silva Henríquez sdb, Homilia no Te Deum em Santiago do Chile (18 de setembro de 1974). 

[12] Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), 57: AAS 107 (2015), 869. 

Dia do Nascituro Oito de Outubro

“Vale a pena acolher cada vida, porque cada pessoa humana vale o sangue do próprio Cristo. Não se pode desprezar o que Deus tanto amou!” (Papa Francisco)

Para refletir

“O fato de crer em Deus e O adorar não é garantia de viver como agrada a Deus. Há maneiras de viver a fé que facilitam a abertura do coração aos irmãos, e esta será a garantia duma autêntica abertura a Deus.” (Carta Encíclica FRATELLI TUTTI)

08 É Missão de todos Nós Alberto e Beliuza Kloster

07 outubro, 2020

Precisamos ler essa Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social do Papa Francisco

Comecei a ler apenas algumas linhas, que riqueza, quanta sabedoria e ternura ao trazer presente às realidades do mundo atual.

O Papa Francisco é um exemplo de quando se está em comunhão com Deus nos tornamos Seu instrumento. É Deus que nos fala através do Santo Padre.

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social - Introdução

CARTA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO SANTO PADRE FRANCISCO
SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL


1. «FRATELLI TUTTI»:[1] escrevia São Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, «o seu irmão, tanto quando está longe, como quando está junto de si».[2] Com poucas e simples palavras, explicou o essencial duma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita.
2. Este Santo do amor fraterno, da simplicidade e da alegria, que me inspirou a escrever a encíclica Laudato si’, volta a inspirar-me para dedicar esta nova encíclica à fraternidade e à amizade social. Com efeito, São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne. Semeou paz por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, dos últimos.
Sem fronteiras

3. Na sua vida, há um episódio que nos mostra o seu coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião: é a sua visita ao Sultão Malik-al-Kamil, no Egito. A mesma exigiu dele um grande esforço, devido à sua pobreza, aos poucos recursos que possuía, à distância e às diferenças de língua, cultura e religião. Aquela viagem, num momento histórico marcado pelas Cruzadas, demonstrava ainda mais a grandeza do amor que queria viver, desejoso de abraçar a todos. A fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quando estiverdes «entre sarracenos e outros infiéis (...), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus».[3] No contexto de então, era um pedido extraordinário. É impressionante que, há oitocentos anos, Francisco recomende evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma «submissão» humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé.

4. Não fazia guerra dialética impondo doutrinas, mas comunicava o amor de Deus; compreendera que «Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus» (1 Jo 4, 16). Assim foi pai fecundo que suscitou o sonho duma sociedade fraterna, pois «só o homem que aceita aproximar-se das outras pessoas com o seu próprio movimento, não para retê-las no que é seu, mas para ajudá-las a serem mais elas mesmas, é que se torna realmente pai».[4] Naquele mundo cheio de torreões de vigia e muralhas defensivas, as cidades viviam guerras sangrentas entre famílias poderosas, ao mesmo tempo que cresciam as áreas miseráveis das periferias excluídas. Lá, Francisco recebeu no seu íntimo a verdadeira paz, libertou-se de todo o desejo de domínio sobre os outros, fez-se um dos últimos e procurou viver em harmonia com todos. Foi ele que motivou estas páginas.

5. As questões relacionadas com a fraternidade e a amizade social sempre estiveram entre as minhas preocupações. A elas me referi repetidamente nos últimos anos e em vários lugares. Nesta encíclica, quis reunir muitas dessas intervenções, situando-as num contexto mais amplo de reflexão. Além disso, se na redação da Laudato si’ tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o Patriarca ortodoxo que propunha com grande vigor o cuidado da criação, agora senti-me especialmente estimulado pelo Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei, em Abu Dhabi, para lembrar que Deus «criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos».[5] Não se tratou de mero ato diplomático, mas duma reflexão feita em diálogo e dum compromisso conjunto. Esta encíclica reúne e desenvolve grandes temas expostos naquele documento que assinamos juntos. E aqui, na minha linguagem própria, acolhi também numerosas cartas e documentos com reflexões que recebi de tantas pessoas e grupos de todo o mundo.

6. As páginas seguintes não pretendem resumir a doutrina sobre o amor fraterno, mas detêm-se na sua dimensão universal, na sua abertura a todos. Entrego esta encíclica social como humilde contribuição para a reflexão, a fim de que, perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras. Embora a tenha escrito a partir das minhas convicções cristãs, que me animam e nutrem, procurei fazê-lo de tal maneira que a reflexão se abra ao diálogo com todas as pessoas de boa vontade.

7. Além disso, quando estava a redigir esta carta, irrompeu de forma inesperada a pandemia do Covid-19 que deixou a descoberto as nossas falsas seguranças. Por cima das várias respostas que deram os diferentes países, ficou evidente a incapacidade de agir em conjunto. Apesar de estarmos superconectados, verificou-se uma fragmentação que tornou mais difícil resolver os problemas que nos afetam a todos. Se alguém pensa que se tratava apenas de fazer funcionar melhor o que já fazíamos, ou que a única lição a tirar é que devemos melhorar os sistemas e regras já existentes, está a negar a realidade.

8. Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade. Entre todos: «Aqui está um ótimo segredo para sonhar e tornar a nossa vida uma bela aventura. Ninguém pode enfrentar a vida isoladamente (…); precisamos duma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente. Como é importante sonhar juntos! (…) Sozinho, corres o risco de ter miragens, vendo aquilo que não existe; é juntos que se constroem os sonhos».[6] Sonhemos como uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todos irmãos.

______________
[1] Admoestações, 6, 1: Fonti francescane, 155. Tradução da expressão italiana: «Todos irmãos».
[2] Ibid., 25: o. c., 175.
[3] São Francisco de Assis, Regra não bulada dos Frades Menores, 16, 3.6: Fonti francescane, 42-43.
[4] Eloi Leclerc ofm, Exilio y ternura (Madrid 1987), 205.
[5] Francisco – Ahmad Al-Tayyeb, Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum (Abu Dhabi 4 de fevereiro de 2019): L’Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 05/II/2019), 21.
[6] Francisco, Discurso no encontro ecuménico e inter-religioso com os jovens (Skopje – Macedónia do Norte 7 de maio de 2019): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 14/V/2019), 13.



Para refletir

"Quanto precisamos de fiéis, de cristãos zelosos que agem diante de pessoas que têm responsabilidade gerencial com a coragem de Elias, para dizer: “Isto não deve ser feito! " (Papa Francisco)

Rádio Colmeia Catequese Permanente CEBs de Maringá


 

Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social

O Santo Padre, o Papa Francisco lançou no último domingo, dia 4 de outubro, assinada sobre o túmulo de São Francisco de Assis a Carta Encíclica FRATELLI TUTTI sobre a Fraternidade e Amizade Social. 

Esta Carta Encíclica tem 8 Capítulos. 

A partir de hoje, 7 de outubro, vou postar aqui o seu texto correspondente deste Documento do Santo Padre. 

Precisamos ler essa Encíclica.


7 É Missão de todos Nós Pe Genivaldo Ubinge nova abertura

06 outubro, 2020

Primeira Catequese Permanente tema Missão 06/07/2020

Para refletir

“O pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspectiva do lucro, mas se opõe ao lucro a qualquer custo, ao lucro que esquece o ser humano, que o torna escravo, que o reduz a uma coisa entre as coisas, a uma variável de um processo que ele não pode de forma alguma controlar ou ao qual não pode de forma alguma se opor... pode testemunhar concretamente uma sensibilidade solidária, favorecendo o relançamento da economia real como força motriz do desenvolvimento das pessoas, das famílias e de toda a sociedade. Desta forma também é possível acompanhar o progresso gradual de uma nação e servir ao bem comum, com o esforço de multiplicar e tornar mais acessível a todos os bens deste mundo”. (Papa Francisco)

06 É Missão de todos Nós Adriana Nishiyama Abertura Nova

05 outubro, 2020

05 É Missão de todos Nós Luciane Oliveira abertura nova

"A boiada não vai passar e a mentira, mesmo que saia da boca de uma mesma pessoa, dita milhares de vezes não se tornará verdade, principalmente porque sabemos que o pai da mentira é o diabo. Vamos somente aprender com os índios, caboclos e pequenos produtores rurais a cuidar da floresta como cuidar do fogo para queimar os roçados nas roças de toco ou usar de modos agrossistêmicos e agroecológicos adequados em busca da sobrevivência e produção de alimentos em áreas já desmatadas", escreve Aloir Pacini, padre jesuíta, antropólogo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.

Leia o texto AQUI



Palavra de Deus 04/010/2020

03 outubro, 2020

CARTA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO SANTO PADRE FRANCISCO SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL

Encíclica "Fratelli tutti"

Disponível AQUI para ler e baixar

Encíclica "Fratelli tutti", cujo título é a mensagem de Jesus encorajando-nos a reconhecermo-nos todos como irmãos e irmãs e a viver assim na casa comum que o Pai nos confiou.


03 É Missão de todos Nós Denis Henrique Loures

01 outubro, 2020

01 É missão de todos nós Zé Vicente abertura Nova

É Missão de Todos Nós! 

01 de outubro, testemunho missionário do dia: 
Zé Vicente, cantor e poeta. 

"É missão de todos nós!” é uma série de vídeos com testemunhos de missionários relatando
suas experiências vivenciadas na missão.


23 setembro, 2020

"É missão de todos nós!" - Outubro mês dedicado as missões

Canal das CEBs da Arquidiocese de Maringá

No mês de outubro dedicado as missões, com o tema "É missão de todos nós!" uma série de vídeos com temática e testemunho de leigas, leigos, religios@s e padres.
Comecem hoje, a acompanhar, curtir e participar do Canal das CEBs da Arquidiocese de Maringá.

Já temos muitos vídeos em nosso canal. Todos os dias um vídeo novo.







“Onde esta a paróquia? esta em cada rua em nossos bairros, esta presente nas casas, na vida da pessoa”

“Onde esta a paróquia? esta em cada rua em nossos bairros, esta presente nas casas, na vida da pessoa”

A celebração do Padroeiro celebrada na segunda feira, dia 21 na paróquia São Mateus Apóstolo de Maringá, foi expressiva. 

Bonita a unidade das 15 Comunidades Eclesiais de Base que compõe a estrutura paroquial.
Alegria como comunidade oferecer um novo padre para a Arquidiocese de Maringá, o Donizeti Ganzá e a alegria da presença de dom Edmar Peron, Bispo de Paranaguá, como ele mesmo brincou na celebração “padre de Maringá”.


A fala do pároco o padre Genivaldo Ubinge causou um grande sentimento de acolhida e de alegria pela caminhada paroquial, constituída desde sua origem, antes mesmo de ser paróquia formada a partir das Comunidades Eclesiais de Base.

“Onde esta a paróquia esta em cada rua em nossos bairros, esta presente nas casas, na vida da pessoa, assistindo os mais frágeis pela enfermidade ou pela pobreza, estando junto com uma palavra de animo e conforto as pessoas que precisam dessa presença, esta ensinando na catequese, esta exortando e ajudando as pessoas a crescer na fé. Rede de Comunidades Eclesiais de Base, que manifestam a força e a presença de Deus, construindo a Igreja e como Igreja servindo o evangelho, testemunhando o amor a Jesus Cristo e manifestando a presença do Reino dos Céus. São Mateus que deixou exemplo a sermos convidados a nos levantarmos, a seguir Jesus, e deixar que Ele nos sustente. Nas comunidades Eclesiais de Base estão presentes todas as pastorais, todos os movimentos e serviços da nossa igreja.

A homilia de Dom Edmar uma ajuda para encorajar a caminhada pastoral na unidade na certeza que somos um povo chamado por Jesus para segui-lo e segui-lo onde Ele deseja ir e não onde nós desejamos ir. “Descobrir como paróquia onde Jesus quer os membros dessa paróquia, junto com quem, com quais pessoas afastadas Jesus deseja estar, é com essas pessoas que a paróquia São Mateus precisa estar em comunhão e sentar-se a mesa. Mesmo com o risco de não ser uma paróquia compreendida.” 
Dom Edmar iniciou a homilia dizendo que Festa do padroeiro não é a festa da comunidade onde esta situada a matriz a paroquial, é a festa da unidade da paróquia, de todas as suas comunidades conjuntamente e disse: 

“Comunhão, primeira expressão da carta de Paulo aos Efésios, caminhar de acordo com a vocação que recebemos. Enquanto paróquia a vocação é comunhão, unidade aplicar-se a guardar a unidade do Espírito pelo vinculo da paz, porque há um só corpo e um só espírito
A respeito dos serviços o bispo disse que se da em unidade com o cotidiano realizado em cada Comunidade e que Jesus capacita e sobre quem é mais importante, explicou:

“Quem é mais importante em cada trabalho? O mais importante é aquele que reconhece que todos nós recebemos a graça na medida em que cristo nos concedeu. Uns apóstolos, outros profetas, outros ainda evangelistas, outros pastores e mestres. Mas Ele capacitou a todos, para edificar o corpo da igreja, o corpo de Cristo.”

O mundo marcado pelo Covid-19, Dom Edmar diz que esta nos ajudando a rever a caminhada, ações e projetos.

“Nossos planos, agendas projetos precisaram ser revistos, isso é uma benção rever as coisas, poder rever o processo que estamos fazendo, rever o sentido de nossa participação na vida eclesial, rever o porquê a gente de fato participa. Por isso mais importante, é com humildade e mansidão ter paciência uns com os outros no amor.”

Entrando no Evangelho o chamado do Apóstolo Mateus explicou que Jesus é que toma a iniciativa de ir ao encontro de Mateus que não estava no templo e nem na sinagoga ouvindo a Palavra. Mateus estava sentado em uma banca cobrando impostos:

“Mateus sentado em uma banca cobrando impostos, servindo aos romanos odiados pelo povo de Israel, porque dominavam, roubavam de seu povo, aquelas riquezas tão necessárias para a vida.”

Dom Edmar abriu parêntese e colocou: “Mudamos de situações políticas, mas não dos roubos e corrupções que continuam a deixar o povo em situações sempre mais difíceis.” Fechou o parêntese.

Voltando para o Evangelho relatou que Mateus era homem mal visto pelo seu povo, considerado gente que não prestava e foi para esse homem que Jesus voltou seu olhar e chamou para segui-lo.

Sobre a resposta do apóstolo Mateus, explicou:

“A resposta a esse chamado não pode ser uma resposta bem elaborada em nossa cabeça, não pode ser algo abstrato, mas muito concreto, nós só respondemos a Jesus de verdade pelas nossas ações. Então o Mateus fez isso, diz o texto do evangelho, que tendo ouvido o chamado de Jesus ele se levantou e seguiu Jesus. Isso para nossa vocação comum, a vida cristã, ser cristã, ser cristão, não pode ser uma vida de belos planos e de palavras bonitas, mas nunca concretizados. Os belos planos e as palavras bonitas só tem sentido quando colocadas em prática. É isso que nos ensina São Mateus, ele não disse uma palavra. Diz o texto que ele não disse nada. Ele realizou o principal gesto de discípulos, do cristão, seguir Jesus Cristo.

Seguir Jesus, seguir Jesus a onde e para onde? Pergunta que devemos nos perguntar, segundo o bispo.

“Importante que nós nos perguntemos seguir Jesus a onde, para onde vai Jesus? E aqui nós encontramos que Jesus foi sentar-se a mesa com a patotinha do Mateus os amigos dele, gente de mau fama, condenada pelos fariseus, pecadores e publicano. Jesus e seus discípulos sentaram a mesa com essas pessoas”.

O desafio descobrir, como paróquia, onde Jesus quer os membros da paróquia vá e esteja. Com quais pessoas afastadas mesmo correndo o risco de não ser compreendido.

Disse o bispo “A pandemia não pode nos retirar o ideal de ir ao encontro das pessoas, nós para celebramos e fazermos nossas reuniões presenciais, estamos tendo muitas dificuldades, temos que selecionar que avaliar se a pessoa esta em condições de voltar a participar. Mas isso não pode nos retirar o principal, somos um povo chamado por Jesus para Segui-lo e Segui-lo onde Ele deseja ir e não onde nós desejamos ir. Descobrir como paróquia onde Jesus quer os membros dessa paróquia, junto com quem, com quais pessoas afastadas Jesus deseja estar, é com essas pessoas que a paróquia são Mateus precisa estar em comunhão e sentar-se a mesa. Mesmo com o risco de não ser uma paróquia compreendida. Isso também se manifestou no evangelho, os fariseus eles criticaram a Jesus perguntando aos discípulos, que mestre é esse mestre de vocês, que mestre é esse que come com os cobradores de impostos e pecadores, será mesmo um mestre e o texto disse que Jesus ouvindo a pergunta ele mesmo respondeu, dizendo que o medico não deve ficar esperando que venha o cheio de saúde mas sim o doente para ser curado.”

O grande problema apresentado por dom Edmar são os que hoje criticam as lideranças da igreja quando se colocam ao lado dos que são por muitos considerados piores.

“O problema não foram os fariseus daquele tempo, o problema são os que hoje criticam as lideranças da igreja quando se colocam ao lado das pessoas piores de seu bairro. Pessoas que estão ali prontas para dizer o que esta certo e o que esta errado, e se esquecem da misericórdia, se esquece do mais importante, Jesus não veio chamar quem se considera gente santa, para essa pessoas o seu orgulho não dá espaço a Jesus ao Evangelho, Jesus veio para quem se reconhece pecador.”

Prosseguindo disse: “Fariseus não conseguem trabalhar com as outras pessoas para na diversidade, edificar a Igreja, o corpo de Cristo, até que todos juntos cheguemos à unidade da fé.”

Explicou Dom Edmar que os enviados, no seguimento de Jesus, acolhendo a sua Palavra, indo onde Ele deseja ir, como nos diz São Lucas, os enviados foram à frente, por onde Jesus deveria passar.

“Então a primeira leitura com o salmo nos diz que acima de tudo como Igreja, Igreja aberta, Igreja missionária o nosso papel é proclamar a palavra como testemunhas. Não proclamar a Palavra porque eu aprendi sobre ela nas formações, proclamar a Palavra porque aprendi vivendo-a e por isso posso dar testemunho da palavra.”

Ressoar pelas palavras e pelas ações “É uma Palavra que nos anima porque Deus vem ao nosso encontro e nos chama, nos sacode para que possamos seguir seus paços nos da o espírito para formemos a unidade, na unidade do amor e da fé e nos tornemos testemunhas de cristo, fazendo com que a Palavra chegue a todo lugar.”

------------
Efésios 4,1-7.11-13
Salmo 18
Mateus 9,9-13

Francisco denuncia

Francisco denuncia: “Ouvimos mais as empresas multinacionais do que os movimentos sociais. Falando mais claramente, ouvimos mais os poderosos do que os fracos e este não é o caminho”




Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa disse que “para sairmos melhores de uma crise como a atual, que é uma crise de saúde e ao mesmo tempo social, política e econômica, cada um de nós é chamado a assumir a sua parte de responsabilidade".

A reportagem é de Mariangela Jaguraba, publicada por Vatican News, 23-09-2020.

O Papa Francisco prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre o tema da pandemia de coronavírus, na Audiência Geral desta quarta-feira (23/09).

“Curar o mundo. Subsidiariedade e virtude da esperança” foi tema deste encontro semanal, realizado no Pátio São Dâmaso, dentro do Vaticano, em que o Pontífice ressaltou que “para sairmos melhores de uma crise como a atual, que é uma crise de saúde e ao mesmo tempo social, política e econômica, cada um de nós é chamado a assumir a sua parte de responsabilidade. Partilhar as responsabilidades”.
Princípio de subsidiariedade para uma verdadeira reconstrução

Segundo Francisco, “devemos responder não só como indivíduos, mas também a partir do próprio grupo de pertença, do papel que desempenhamos na sociedade, dos nossos princípios e, se acreditamos, da nossa fé em Deus”.

Muitas vezes, porém, tantas pessoas não podem participar na reconstrução do bem comum porque são marginalizadas, excluídas ou ignoradas; certos grupos sociais são incapazes de contribuir, porque são econômica ou politicamente asfixiados. Em algumas sociedades, muitas pessoas não são livres de expressar a sua fé e os seus valores, suas ideias: se elas as expressam com liberdade, vão para a cadeia. Noutros lugares, especialmente no mundo ocidental, muitas reprimem as próprias convicções éticas ou religiosas. Mas assim não se pode sair da crise, ou contudo, não podemos sair melhores. Sairemos piores.

“Para que todos possamos participar no cuidado e na regeneração dos nossos povos, é justo que todos tenham os recursos adequados para fazê-lo”, disse ainda o Papa, ressaltando que “após a grande depressão econômica de 1929, o Papa Pio XI explicou a importância do princípio de subsidiariedade para uma verdadeira reconstrução. Este princípio tem um duplo dinamismo: de cima para baixo e de baixo para cima. Talvez não entendemos o que isso significa, mas é um principio social que nos torna mais unidos”. E Francisco explicou:

“Por um lado, e especialmente em tempos de mudança, quando indivíduos, famílias, pequenas associações ou comunidades locais são incapazes de alcançar os objetivos primários, então é justo que os níveis mais elevados do corpo social, como o Estado, intervenham para oferecer os recursos necessários para prosseguir.”

Por exemplo, devido ao lockdown causado pelo coronavírus, muitas pessoas, famílias e atividades econômicas encontraram-se e ainda se encontram em sérias dificuldades, por isso as instituições públicas procuram ajudar com intervenções apropriadas, sociais, econômicas e de saúde. Esta é a função. O que devem fazer.
Não colocar de lado a sabedoria dos grupos mais humildes

“Mas por outro lado”, disse ainda Francisco, “os vértices da sociedade devem respeitar e promover níveis intermédios ou menores. Com efeito, é decisiva a contribuição de indivíduos, famílias, associações, empresas, todos os organismos intermédios e até das Igrejas. Com os próprios recursos culturais, religiosos, econômicos ou de participação cívica, eles revitalizam e reforçam o corpo social. Existe uma colaboração de cima para baixo, do Estado para o povo e de baixo para cima. E este é o exercício do princípio da subsidiariedade. Cada um deve ter a oportunidade de assumir a própria responsabilidade nos processos de cura da sociedade da qual faz parte. Quando se ativa algum projeto que, direta ou indiretamente, diz respeito a determinados grupos sociais, estes não podem ser excluídos da participação; a sabedoria dos grupos mais humildes não pode ser colocada de lado”. A seguir, acrescentou:

“Infelizmente, esta injustiça ocorre muitas vezes onde se concentram grandes interesses econômicos ou geopolíticos, tais como certas atividades de mineração em determinadas partes do planeta. As vozes dos povos indígenas, as suas culturas e visões do mundo não são consideradas. Atualmente, esta falta de respeito pelo princípio da subsidiariedade propagou-se como um vírus.”

Pensemos nas grandes medidas de ajuda financeira implementadas pelos Estados. Ouvimos mais as grandes empresas financeiras do que as pessoas ou aqueles que movem a economia real. Ouvimos mais as empresas multinacionais do que os movimentos sociais. Falando em dialeto cotidiano, ouvimos mais os poderosos do que os fracos e este não é o caminho. Não é o caminho humano, não é o caminho que Jesus nos ensinou, não é implementar o princípio e subsidiariedade. Assim, não permitimos que as pessoas sejam “protagonistas do próprio resgate”. No subconsciente coletivo de alguns políticos ou alguns trabalhadores sociais há este lema: tudo para o povo, nada com o povo. De cima para baixo, mas sem ouvir a sabedoria do povo, sem implementar essa sabedoria na solução de problemas, neste caso, para sair da crise. Ou pensemos também na forma de curar o vírus: ouvimos mais as grandes empresas farmacêuticas do que os profissionais da saúde, que estão na linha da frente nos hospitais ou nos campos de refugiados. Este não é o caminho certo! Todos devem ser ouvidos. Os que estão no alto e os que estão embaixo.
Implementar o princípio de subsidiariedade

Segundo o Papa, “para sairmos melhores de uma crise, o princípio da subsidiariedade deve ser implementado, respeitando a autonomia e a capacidade de iniciativa de todos, especialmente dos últimos.

“Todas as partes de um corpo são necessárias e, como diz São Paulo, as partes que podem parecer mais frágeis e menos importantes são na realidade as mais necessárias. À luz desta imagem, podemos dizer que o princípio da subsidiariedade permite a cada um assumir o seu próprio papel no cuidado e destino da sociedade.”

A sua implementação dá esperança num futuro mais saudável e justo; e construímos este futuro juntos, aspirando a realidades maiores, alargando os nossos horizontes. Sair da crise não significa passar um verniz na situação atual. Sair da crise significa mudar e a verdadeira mudança é feita por todos, todas as pessoas que constituem o povo. Todos juntos em comunidade.”
A esperança é audaz

O Papa recordou que “numa catequese anterior vimos que a solidariedade é a saída para a crise: ela nos une e nos permite encontrar propostas sólidas para um mundo mais saudável. Mas este caminho de solidariedade precisa da subsidiariedade. Com efeito, não há verdadeira solidariedade sem participação social, sem a contribuição de organismos intermédios: famílias, associações, cooperativas, pequenas empresas, expressões da sociedade civil. Tal participação ajuda a prevenir e corrigir certos aspectos negativos da globalização e da ação dos Estados, assim como acontece no cuidado das pessoas atingidas pela pandemia. Estas contribuições “a partir de baixo” devem ser encorajadas. Como é bonito ver o trabalho dos voluntários nessa crise, voluntários provenientes de várias partes sociais, que vêm de famílias abastadas e mais pobres. Todos juntos. Isso é solidariedade e princípio da subsidiariedade”.

Durante o lockdown, o gesto de aplaudir médicos, enfermeiros e enfermeiras nasceu espontaneamente como sinal de encorajamento e esperança. Muitos arriscaram a sua vida e perderam suas vidas! Estendamos este aplauso a todos os membros do corpo social, pela sua valiosa contribuição, por menor que seja. Dar espaço para trabalhar. Aplaudamos os "descartados", classificados por essa cultura como "descartados", ou seja, os idosos, as crianças, as pessoas com deficiência, os trabalhadores, todos aqueles que se põem a serviço. Mas não nos limitemos apenas aos aplausos! A esperança é audaz, por isso encorajemo-nos a sonhar alto, procurando os ideais de justiça e amor social que provêm da esperança.

O Papa concluiu a sua catequese, convidando a “não reconstruir o passado, especialmente o que era iníquo e já doente. Construamos um futuro onde a dimensão local e global se enriqueçam mutuamente, onde a beleza e a riqueza dos grupos menores possam florescer e onde aqueles que têm mais se comprometam a servir e a dar mais a quem tem menos”.

Fonte: IHU

22 setembro, 2020

22 de Setembro Dia d@ Contadora/or

Conhecimento e ética é imprescindível

Parabéns a nós Contadores 



 

Catequese Permanente 22/09/2020

21 setembro, 2020

"Moldar a Paz Juntos" - Dia Internacional da Paz


 

Pela Paz

Pela Paz 


Você espera sempre mais 

Você não se conforma 

Você não se satisfaz 

Todo mundo diz acreditar na paz 


E você acredita ou não? 

E então, o que você faz pela paz? 

O que você faz pela paz? 

O que você faz pela paz? 


Todos são capazes da guerra 

Mas ninguém luta por você 

Você ainda está sozinho 

Ninguém acredita em ninguém 


E você acredita ou não? 

E então, o que você faz pela paz? 

O que você faz pela paz? 

O que você faz pela paz? 


(Titãs)

20 setembro, 2020

Padre Donizeti Aparecido Pugin Souza

 “Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir”

Parabéns padre
Donizeti Ganzá

Linda liturgia

Ordenação presbiteral de Donizeti Aparecido Pugin Souza


19 setembro, 2020

Padre Júlio Lancelotti - Pastoral do Povo de Rua de São Paulo


“Quem é esse homem idoso, que durante a pandemia, serve café da manhã todo santo dia, à milhares de pessoas em situação de rua, na cidade mais rica do país? 

Quem é esse homem idoso que acolhe, abriga e paga pela hospedagem de dezenas de famílias pobres em hotéis, quando o prefeito prometeu e não cumpriu? 

Quem é esse homem idoso que é um 'incômodo necessário' ao prefeito por exigir a aplicação de políticas públicas aos desgraçados pela vida e pela exclusão de uma sociedade injusta por sua própria natureza, capitalista? 

Quem é esse homem idoso que fica à frente de manifestantes e as forças de segurança jogam gás de pimenta em seus olhos e lhe dão borrachadas, e chamam de comunista filho da puta? 

Quem é esse homem idoso, que ao abraçar gente sem banho, sem desodorante, sem dente, sem casa, pessoas negras, mulheres pobres com filhos pequenos no colo ou ainda no ventre são encarceradas, pessoas LGBT+, e um deputado da extrema direita chama de "cafetão da miséria"? 

Quem é esse homem idoso, de modos afável, carinhoso, bem humorado e pacífico com todos, que profere em sermões dominicais palavras de paz, que provoca a ira de fascistas que o ameaçam de morte? 

Quem é esse homem idoso e sacerdote católico que até ateu se levanta para defendê-lo?

Esse homem idoso e humanista é a maior referência há décadas na luta em defesa dos direitos humanos na cidade de São Paulo e do país. Protejam o padre Júlio Lancellotti. "

(Wanderley Oliveira)

18 setembro, 2020

Oração Campanha da Fraternidade 2017

Deus, nosso Pai e Senhor,
nós vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinita bondade.
Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.
Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela
Casa Comum.
Cresça, em nosso imenso Brasil,
o desejo e o empenho de cuidar mais e mais
da vida das pessoas,
e da beleza e riqueza da criação,
alimentando o sonho do novo céu e da nova terra
que prometestes.
Amém!

Padre Genivaldo é nomeado Coordenador da Ação Evangelizadora





O Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, nomeou o padre Genivaldo Ubinge Coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Maringá. Padre Genivaldo é reconduzido à função depois de ter deixado a coordenação logo após a renúncia do Arcebispo Dom Anuar Battisti. 

Desde 2017, três padres coordenavam a Ação Evangelizadora: padres Ivaldir Camaroti dos Reis, Emerson Cícero de Carvalho e Genivaldo Ubinge. 

Na carta de nomeação, Dom Frei Severino destacou o desejo para que a Arquidiocese de Maringá seja uma “Igreja cada vez mais sinodal”. “O termo grego sínodo significa ‘caminhar juntos’. Quero uma Igreja em que todos são chamados a caminhar juntos, valorizando a escuta e o diálogo”, disse.

Padre Genivaldo é nomeado Coordenador da Ação Evangelizadora





O Arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, nomeou o padre Genivaldo Ubinge Coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Maringá. Padre Genivaldo é reconduzido à função depois de ter deixado a coordenação logo após a renúncia do Arcebispo Dom Anuar Battisti. 

Desde 2017, três padres coordenavam a Ação Evangelizadora: padres Ivaldir Camaroti dos Reis, Emerson Cícero de Carvalho e Genivaldo Ubinge. 

Na carta de nomeação, Dom Frei Severino destacou o desejo para que a Arquidiocese de Maringá seja uma “Igreja cada vez mais sinodal”. “O termo grego sínodo significa ‘caminhar juntos’. Quero uma Igreja em que todos são chamados a caminhar juntos, valorizando a escuta e o diálogo”, disse.