05 outubro, 2022

Nem só vitória nem só derrota - A eleição da contradição

"Outra coisa interessante é ver os mapas de votação. No Nordeste e em quase todo o Norte dá Lula. No Centro-Oeste, na maior parte do Sudeste e no Sul deu Bolsonaro. Dentro dos estados, as regiões mais empobrecidas, como a metade sul do RS, votam no Lula. As mais ricas, como a Serra Gaúcha, votam no Bolsonaro. Dentro das cidades, a questão de classe é muito nítida também. Em geral, bairros muito ricos elegem Bolsonaro; bairros pobres elegem Lula com uma vantagem enorme. Não são as pautas progressistas que dividem o país, pelo contrário. A gente vive num país dividido, absurdamente desigual, de gente muito rica de um lado e muito pobre de outro, de muito racismo, de feminicídio, LGBTQIA+fobia. Lutar contra essas coisas nos coloca, de fato, contra quem pratica essas coisas. Porque somos, insisto, um país desigual.


Se Lula de fato se eleger, como tudo leva a crer, seu governo não vai ser fácil. Lula vai enfrentar um Congresso conservador e uma economia mundial em crise. Mas é um recomeço. É o começo do fim do pesadelo."



Texto recebido por e-mail - Brasil de Fato


A eleição da contradição
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Quarta-feira, 05 de outubro de 2022

Nem só vitória nem só derrota: a esquerda (e o Brasil) teve ambas.

Estamos, na verdade, num cenário cheio de contradições.

Por um lado, é inegável que o PT foi o partido que mais foi alvo de ataques, de todos os lados, desde que surgiu lá nos anos 1980. Desde 2015, foi massacrado. Lula foi preso. Foi tirado da disputa eleitoral que liderava, depois de um processo judicial conduzido pelo juiz que viria a ser ministro de seu principal adversário. Desde então, a imprensa decretou várias vezes o fim do PT. E o partido está aí garantindo que o atual presidente não vá para o segundo turno na frente, o que nunca antes tinha acontecido, e quase elegendo um presidente da República.

Por outro lado, a gente viu a desgraça tomar conta do país nos últimos anos, viu presidente debochando de gente morrendo, viu discurso de ódio pra todo lado, viu violência pra caramba, e a gente achou que depois de tudo isso o bolsonarismo seria enterrado, o que não aconteceu. O bolsonarismo não só colocou Bolsonaro no segundo turno com uma votação considerável como elegeu muita gente, com muito mais votos do que a gente pensava. Ver o tamanho e a força do bolsonarismo é, sim, frustrante e assustador.

A direita tradicional à míngua

Enquanto isso, partidos de direita tradicionais, como o PSDB e o MDB, encolheram muito.

Não há dúvida de que todo o mundo que está no front democrático tem que se unir diante do bolsonarismo. O que talvez seja um pouco mais difícil é saber quem está no front democrático. Políticos históricos entenderam a importância desse posicionamento. Está aí Fernando Henrique Cardoso, adversário histórico de Lula, declarando apoio ao petista, pra não me deixar mentir.

Mas temos ao mesmo tempo o apoio "incondicional" de Rodrigo Garcia a Tarcísio e Bolsonaro, o desdém de Eduardo Leite ao PT e o anúncio bizarro de José Serra de que apoia Lula e Tarcísio ao mesmo tempo.

Talvez eles e outros estejam também iludidos pela força ainda grande do bolsonarismo, ao qual tentam se agarrar para sobreviver. Ou seja, parte do PSDB não está exatamente no front democrático. O PSDB está confuso. Está no meio de dois fronts. O que ele talvez não enxergue é que quem fica ali no meio é abatido e acaba morrendo.

O que nos leva à consolidação de uma mudança em uma das características principais da política nacional desde 1994. O pêndulo da polarização mudou. Ela deixou de ser entre esquerda e direita (PT e PSDB) e passou a ser entre a centro-esquerda e a extrema direita (o PT e o bolsonarismo). Diante disso, é preciso que se diga: posicionar-se neste momento não é só importante, é um imperativo ético.

O domínio das tais pautas morais

Insisto: essa é uma eleição de contradições. Temos Lula e Zema eleitos em MG. Lula quase eleito presidente enquanto governadores de extrema direita crescem em estados importantes. O deputado federal mais votado do Brasil é um guri ultraconservador do PL. Mas também temos Guilherme Boulos com uma votação histórica. Suplicy. Erundina, Benedita. Mulheres indígenas. Aumento do número de mulheres e de pessoas negras (que são, ambos, ainda baixo demais) no Congresso. Duas deputadas federais trans. Você deve ter visto circulando por aí uma lista de vitórias da esquerda nas urnas. Se não viu, clique aqui.

Enfim, a dialética.

Mas é interessante olhar onde se dá a disputa. Quando a gente fala de direita ultraconservadora, vem forte a lembrança da tal pauta de costumes. É, de fato, onde ela tem maior incidência. No bandido bom é bandido morto. Na criminalização do aborto, mesmo que crianças estupradas morram no caminho porque não conseguiram acessar o direito à interrupção da gravidez, pra eles não importa.

E isso cola numa sociedade empobrecida e esfacelada. Numa população que está sofrida. É muito mais difícil falar pra população que é um absurdo ela pagar mais caro pela comida e que pra que isso mude tem que mudar a política de preços da Petrobras. É mais fácil ver a luta contra o bandido, é mais próximo (mesmo que amanhã o filho dela seja morto pelo policial que o confundiu com um bandido e achou que tinha o direito de matar, mas quem acredita que isso vai acontecer com seu filho até que aconteça?). E isso não significa, em absoluto, que a população não sabe tomar decisões. Significa antes que o país está passando por uma profunda crise.

Ainda que fake news continuem circulando bastante nessas eleições, parece que elas pesaram muito menos do que no pleito de 2018. Não tivemos uma mamadeira de piroca ou kit gay, mesmo que o presidente continue propagando mentiras a rodo. O que se nota é que o bolsonarismo está mais consolidado pelo conservadorismo de suas pautas e talvez precise menos de fake news pra se sustentar. O que fazer com isso é outro problema.

Ao mesmo tempo (olha a contradição), a esquerda elegeu duas mulheres trans, como eu falava. Levou ao Congresso mulheres que defendem o direito da mulher ao seu próprio corpo. Ampliou a representação não só feminina, mas feminista. Mas sempre tendo que afirmar que Lula é cristão e não odeia evangélicos para que possa se eleger.

Isso tudo nos diz que a luta vai ser dificílima. Dificilmente essas representações progressistas vão nos conseguir fazer avançar de fato nas pautas mais progressistas, mas vão estar lá, tensionando, construindo e, acima de tudo, evitando retrocessos. É, infelizmente, um tempo de recuperar o básico e de reconstruir para no futuro avançar para um programa mais amplo de direitos.

A frente é ampla. E daí?

Faz falta conseguir enxergar na esquerda lideranças mais jovens que possam vir a construir uma alternativa para a Presidência no futuro (ainda que a luta seja coletiva, é fato que vivemos num sistema político ainda muito baseado em figuras individuais) pare que ela não precise depender apenas de Lula no processo eleitoral. Espero que já existam algumas se consolidando e que em breve sejam mais evidentes. Ao mesmo tempo, é ruim que não haja muitos nomes além do Lula, mas, ao mesmo tempo, felizmente há o Lula, porque sem ele é melhor nem imaginar.

A frente ampla que o Lula construiu nessa eleição é uma coisa inédita na história do Brasil. Ele colocou a Luciana Genro e o Henrique Meirelles sentados na mesma mesa. Isso não é pouco, e não é qualquer um que consegue aglutinar tantos setores da sociedade. Trouxe Marina Silva, Cristovam Buarque, Alckmin, as alas mais à esquerda do PSOL. Todo o campo democrático estava com Lula.

O ruim aí não é o Lula, é esse tanto de gente do campo democrático estar junta e ainda assim o bolsonarismo ter essa força que tem. E aí dialogo com José Genoino na mais recente edição do podcast Três por Quatro, que recomendo fortemente (é só clicar aqui pra ouvir no Spotify ou buscar em seu tocador preferido). O Lula articulou a frente ampla, importantíssima para recompor as forças democráticas e aproximar setores resistentes, mas quantos votos, no concreto, traz Henrique Meirelles? Talvez tenha faltado rua e redes, corpo a corpo. Ou talvez a força do discurso da extrema direita tenha sido maior do que o esperado mesmo. Talvez os setores democráticos tenham menos incidência na sociedade hoje.

Mas vale dizer ainda que a força da extrema direita é assustadora, mas também não é exclusividade do Brasil. A extrema direita está forte nos EUA, em diversos países da Europa, no mundo todo, o que talvez seja mais assustador ainda. Mas é isso, não se destrói o fascismo em quatro anos. Mas se vence. Esse dia vai chegar. O cenário, aliás, já é bem melhor do que era quatro anos atrás.

Nós contra eles?

Outra coisa interessante é ver os mapas de votação. No Nordeste e em quase todo o Norte dá Lula. No Centro-Oeste, na maior parte do Sudeste e no Sul deu Bolsonaro. Dentro dos estados, as regiões mais empobrecidas, como a metade sul do RS, votam no Lula. As mais ricas, como a Serra Gaúcha, votam no Bolsonaro. Dentro das cidades, a questão de classe é muito nítida também. Em geral, bairros muito ricos elegem Bolsonaro; bairros pobres elegem Lula com uma vantagem enorme. Não são as pautas progressistas que dividem o país, pelo contrário. A gente vive num país dividido, absurdamente desigual, de gente muito rica de um lado e muito pobre de outro, de muito racismo, de feminicídio, LGBTQIA+fobia. Lutar contra essas coisas nos coloca, de fato, contra quem pratica essas coisas. Porque somos, insisto, um país desigual.

Se Lula de fato se eleger, como tudo leva a crer, seu governo não vai ser fácil. Lula vai enfrentar um Congresso conservador e uma economia mundial em crise. Mas é um recomeço. É o começo do fim do pesadelo.



Cris Rodrigues
Coordenadora de redes sociais

Rezemos juntos pelo Brasil



Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar e que nos ensine a viver o perdão.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai amado e protetor nosso, nós vos pedimos pelo Brasil! Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não simplesmente dos interesses pessoais, partidários e de grupos.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia. Que a Paz reine em nossas fronteiras. Deus habita em nossas cidades.

Pai santo, nós vos pedimos pelo Brasil! Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão Eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Pai do céu, nós vos pedimos pelo Brasil! Nesses últimos anos em que tantas vidas foram ceifadas pela pandemia, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Vinde, Senhor, em nosso auxílio!

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira desse amado Brasil, Mãe do povo brasileiro, a quem invocamos com filial afeto, rogai por nós que recorremos a vós.

04 outubro, 2022

Bolsonaro acelera privatização da Petrobras e expõe Brasil a aumentos de combustível

Atual governo foi o que mais vendeu ativos da estatal, ampliando dependência nacional da importação de gasolina e diesel.

A Petrobras completou na segunda-feira (3) 69 anos em meio a um processo de desmonte, segundo um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse desmonte é causado por vendas em série de parte do patrimônio da empresa, que foram intensificadas durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Bolsonaro, aliás, já sinalizou que pretende manter a política de venda de ativos da Petrobras caso seja reeleito. Seu ministro da Economia, Paulo Guedes, já iniciou estudos para privatizar a Petrobras como um todo. Essa venda não seria imediata. Dependeria, portanto, de um eventual segundo mandato de Bolsonaro.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, é contra a privatização da Petrobras. Candidato mais votado durante o primeiro turno da eleição, com 48,4% dos votos válidos, Lula defende que a Petrobras sirva para aumento de investimentos no Brasil.

Clique Aqui e leia na íntegra a matéria publicada em 04 de outubro de 2022 no site Brasil de Fato.

Papa Francisco Deixa Mensagem Para o Povo Brasileiro.

03 outubro, 2022

“só peca aquele que não tem medo de se arriscar e comprometer pelos ‘sujos’”

Segue um pequeno texto que escrevi.


“só peca aquele que não tem medo de se arriscar e comprometer pelos ‘sujos’”

A utopia conquistada pouco a pouco, a cada dia em meios a questionamentos; angústias; inquietações; diante de tantas falas absurdas; diante do conservadorismo; de um fascismo impregnado em nosso país. Mesmo com a cegueira diante da fome; da redução do salário mínimo; do desemprego e informalidade; do desmonte dos serviços públicos em saúde e educação; da perca dos direitos trabalhistas da previdência; da inflação; da exclusão; do preconceito e diante da morte.

Não deixar manipular, não deixar que assustem e como ensina Carlos Mesters, “reencantar-se com a Esperança na vida”. O Livro de Ester revela que em rodas de conversa e celebrações a fé, a esperança e a força do povo manteve-se vivas em épocas de perseguição. História de resistência, de ousadia, de teimosia e coragem de criticar opiniões diferentes.

E um contexto parecido como nosso de hoje, de perigo iminente do extermínio do povo o livro de Ester mostra que em rodas de conversa a luta pela justiça ganha espaço e o povo oprimido ganha esperança de viver. Em rodas de conversa os oprimidos se conscientizam e se preparam para agir. É através da persistência teimosa dos justos que Deus inverte o sujeito da história, para criar uma nova sociedade, onde a justiça triunfa, no entanto, para que todos tenham vida é preciso denunciar a perversidade do sistema opressor.

O livro de Ester é uma provocação e uma luz, uma líder forte, que soube agir, aproveitar as oportunidades, para garantir que seu povo tivesse o direito à vida plena e, em rodas de conversa, a resistência e com ela os oprimidos, sem medo de falar vai desmascarando o opressor.

Que Igreja queremos?

Chega de boas intenções, belas palavras, belos pronunciamentos, como Papa Francisco ensina, não é falar de missão, é viver a missão, em sua mensagem enviada aos bispos latino-americanos Francisco incentiva a não ter medo “da lama da história” nem de se sujar pelo povo de Deus, pois “só peca aquele que não tem medo de se arriscar e comprometer pelos ‘sujos’”, sujar-se para renovar a esperança.

Queremos Igreja que assume as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, que é a Igreja comprometida com as pessoas e tudo o que as envolvem, o social, político, econômico e cultural, sem medo de sujar-se, sem medo de assumir e formar consciência social. É preciso perceber a sociedade ao redor e que como as ações individuais afetam os outros e a empatia, tão importante principalmente nos dias atuais, se não despertarmos para à capacidade de se colocar no lugar do outro, como será o amanhã?

02 outubro, 2022

30 setembro, 2022

Assim decidi - Eleição 2022


 

Minha decisão em quem votar!

Para Senado não será voto ideológico, isso faz necessário, vou de Alvaro Dias, um voto contra Sérgio Moro e Paulo Martins.








 

Leve sua colinha no dia da votação

O uso da cola em papel é permitido inclusive na cabine de votação

O Celular NÃO PODERÁ ser levado a cabine de votação, proibido pela legislação.


Estão em disputa cinco cargos eletivos.
Eles devem ser escolhidos na urna eletrônica na seguinte ordem:

- deputada ou deputado federal (quatro dígitos);

- deputada ou deputado estadual ou distrital (cinco dígitos);

- senadora ou senador (três dígitos);

- governadora ou governador (dois dígitos);

- e presidente da República (dois dígitos).

Confira a foto e confirme

Depois de digitar o número do candidato no teclado, eleitoras e eleitores devem conferir a foto na tela da urna eletrônica e, só então, confirmar o voto no botão verde “Confirma”. Caso digite algum número errado e a foto não corresponda à candidata ou ao candidato escolhido, é possível corrigir o voto.

Mas atenção: depois de confirmar o voto, não é possível voltar atrás. Isso porque ele já terá sido computado pela urna eletrônica.

Vale lembrar que a Justiça Eleitoral não solicita a digitação dos votos em nenhum meio que não seja a urna eletrônica. Contudo, pela primeira vez, a urna vai liberar a confirmação do voto após um segundo do preenchimento completo dos números do candidato para cada cargo. A cada uma das cinco confirmações de voto, a urna emitirá um som breve. Ao fim, depois da escolha do concorrente a presidente, o aparelho emitirá o clássico som, mas por um período mais longo.


Fonte: Tribunal Superior Eleitoral

O Vento Vai Responder ( Blowin in The Wind) - Zé Ramalho

 



O Vento Vai Responder ( Blowin in The Wind) - Zé Ramalho


Quantos caminhos se tem que andar
Antes de tornar-se alguém?
Quantos dos mares temos que atrevessar
Pra poder, na areia, descansar?
Quantas mais balas perdidas voarão
Antes de desaparecer?

Escute o que diz o vento, my friend
O vento vai responder

Quantas vezes olharemos o céu
Antes de saber enxergar?
Quantos ouvidos terá o poder
Para ouvir o povo chorar?
Quantas mais mortes o crime fará
Antes de se satisfazer?

Escute o que diz o vento, my friend
O vento vai responder

Quantos anos pode uma montanha existir
Antes do mar lhe cobrir?
Quantos seres ainda irão torturar
Antes de se libertar?
Quantas cabeças viraram assim
Fingindo não poderem ver?

Escute o que diz o vento, my friend
O vento vai responder

Escute o que diz o vento, my friend
O vento vai responder

28 setembro, 2022

“Abraçar e agasalhar as CEBs com mais amor e carinho por todas as forças pastorais e missionárias de nossa diocese”

Deixemo-nos provocar!

Uma vez ao ler um texto, uma frase chamou-me a atenção, hoje ao escrever, não encontrei o texto, infelizmente a não referência, a frase é essa:

“Abraçar e agasalhar as CEBs com mais amor e carinho por todas as forças pastorais e missionárias de nossa diocese”.

O Decreto Conciliar “Ad Gentes” sobre a Atividade Missionária da Igreja afirma: “A Igreja peregrina é, por natureza, missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai” (AG 2).

“Enviada por Deus à todos os povos para ser sacramento universal de salvação, por exigência íntima de sua catolicidade e obedecendo ao mandato do seu Fundador (cf. Mc 16,16), esforça-se por anunciar o Evangelho a todos os povos” (AG 1).

“De si mesmo disse Cristo, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo (cfr. Jo. 10,36): «O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a sarar os contritos de coração, a proclamar a libertação dos cativos e a restituir a vista aos cegos» (Lc. 4,18). E outra vez: «Veio o Filho do Homem para buscar e salvar o que estava perdido» (Lc. 19,10). (AG 3).

“E assim como Cristo percorria todas as cidades e aldeias, curando todas as doenças e todas as enfermidades, proclamando o advento do reino e Deus (3), do mesmo modo a Igreja, por meio dos seus filhos, estabelece relações com os homens de qualquer condição, de modo especial cm os pobres e aflitos, e de bom grado por eles gasta as forças (4). Participa nas suas alegrias e dores, conhece as suas aspirações e os problemas da sua vida e sofre com eles nas ansiedades da morte, trazendo-lhes a paz e a luz do Evangelho.” (AG 12).

⤴️ ⤴️ Vejam, são as nossas Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

É o Lula que confio para presidente


 

Apresento Humberto Henrique para Deputado Federal


 

27 setembro, 2022

Saboreando o profeta Dom Hélder Câmara deixemo-nos provocar!

É no pobre que Deus aparece de modo mais surpreendente. Poucos dias depois de chegar a Recife como Arcebispo, andando por bairros pobres, Helder é convidado por um morador a almoçar em sua casa:

No casebre miserável.

´mocambo’, como se diz aqui,

O pobre me convidou

Para o almoço.

Não estivesse tão acompanhado

E ficaria.

Que teria ele,

No barraco sórdido,

Metido na lama,

Para oferecer?

Pergunto por perguntar.

Ele apenas te emprestou os lábios.

O convite partiu de Ti,

O anfitrião eras Tu. (Carta Circular 18-19/4/1964, II, I, p. 21).


A presença de Deus no pobre sempre surpreende: de repente, comecei a conversar com Deus escondido no pobre. Aí foi conversa de doido (Carta Circular 22-23/3/1965, II, II, p. 295).


Fonte: Teologia Nordeste

25 setembro, 2022

Talvez não entenderão...,mas não tem problema!

Vocês já vivenciaram a experiência da certeza de estar em determinado lugar por que era necessário que lá estivesse pela vontade de nosso Deus?

Experimentei mais uma vez essa expressiva experiência nesse final de semana.


22 setembro, 2022

É Primavera

Curiosidade:

"22 de setembro é o 265.º dia do ano no calendário gregoriano (266.º em anos bissextos). Faltam 100 para acabar o ano. É o dia do equinócio de setembro, quando começa a primavera no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte."

Fonte: wikipedia org



19 setembro, 2022

CEBs E O ENCANTAR A POLÍTICA

«As CEBs se recusam a desistir. Vamos continuar cantando “Utopia” »


O texto é de Celso Pinto Carias, assessor da Ampliada Nacional das CEBs, publicada pelo site CEBs do Brasil, 17-09-2022.

Segue o texto

CEBs E O ENCANTAR A POLÍTICA

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) já nasceram encantadas pela política. E por esta razão, entre outras, também foram perseguidas. No DNA delas está a política, como está a dimensão sinodal e a espiritualidade do seguimento a Jesus de Nazaré.

Contudo, as últimas décadas foram permeadas com um forte movimento de descredibilidade de ações nas quais pudesse ter na política uma ferramenta de promoção da justiça. O poder dominador precisa criar inimigos nos quais se possam identificar as mazelas da sociedade e aí canalizar ações que desviem das causas mais profundas que verdadeiramente produzem a injustiça. Até setores consideráveis das igrejas sucumbiram diante de tal realidade. Como não lembrar o Evangelho: “Tudo isso te darei se prostrado me adorares”.

Mas as CEBs não sucumbiram. Diminuíram de tamanho, permanecendo firmes, atualizando-se diante dos novos desafios, como a cultura urbana, para manter vivo o Projeto de Jesus Cristo.

As CEBs são Igreja, e não movimento. Por isso, estamos juntos no projeto Encantar a Política, mas não como uma entidade, e sim como batizados que buscam estar dentro dos processos que procuram ser sinais da presença do amor cristão no meio do mundo. Muitos e muitas de nós participam em várias instâncias eclesiais, como no Conselho Nacional do Laicato do Brasil/CNLB, por exemplo. Queremos ser sal da terra, fermento na massa, luz no meio do mundo!

Nesta hora extremamente desafiante pela qual passa o nosso país não nos omitimos. Estamos juntos e juntas, apostando em iniciativas que possam cooperar para um mundo mais justo, fraterno e solidário, em profunda sintonia com os pobres, as pobres e marginalizados/as. E como diz o Papa Francisco, isso é Evangelho e não comunismo.

Nestes anos de perseguição avaliamos e aprendemos muito. Uma lição fundamental é que nunca devemos ajudar os pobres sem eles, mesmo que seja para eles. Alerta que Francisco vem dando com insistência. Não podemos abandonar os movimentos populares ou utilizá-los como ferramentas que servem a projetos específicos. Uma nova sociedade só surgirá com eles e de baixo para cima.

Sim, somos todos e todas irmãos e irmãs. Não podemos discriminar ninguém. O amor cristão é universal. A ética não pode ser apenas um conceito bem definido em documentos, mas um conjunto de princípios que direcionam o nosso agir na sociedade, em fidelidade ao legado de Jesus da Nazaré. Devemos, em cada novo momento da história, recordar quais são as grandes causas do Evangelho. Hoje, por exemplo, é impossível não colocar o cuidado da comum como uma causa fundamental.

Portanto, as CEBs, com humildade, mas com firmeza, não poderiam deixar de estar mergulhadas no projeto Encantar a Política. Projeto que não visa apenas a eleição do momento, mas que pretende deslanchar processos. Retomando a sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja, vamos cooperar para que a Política, sim com “P” maiúsculo, possa ser compreendida como “a melhor forma de fazer a caridade”, como já indicava PIO XI, repetida por São Paulo VI e agora retomada por Francisco.

Contudo, insistimos, também não nos omitiremos diante deste momento da história no Brasil. Ainda não temos à frente exatamente em qual modelo de sociedade iremos apostar, mas sabemos que para alcançar qualquer modelo precisaremos da Democracia. Destruir a Democracia é um crime hediondo, pois impossibilita que minimamente se possa defender a vida de forma ampla e irrestrita. Projetos de usurpação da força de trabalho de homens e mulheres que gastam suas vidas mais para sobreviver do que para viver, são apresentados com mecanismos que induzem mentes e corações a se submeter cada vez mais a uma escravidão de si mesmos, aproveitando de meios de comunicação que alcançam dores profundas da subjetividade humana.

As CEBs se recusam a desistir. Vamos continuar cantando “Utopia” enquanto não vislumbrarmos um Brasil, quiçá o mundo todo, onde a dignidade fundamental de toda e qualquer pessoa humana possa ser garantida. Por isso, estamos absolutamente de mãos dadas com o Projeto Encantar a Política.

16 setembro, 2022

A vida em movimento... Corpos femininos e masculinos em busca de libertação

     Era sábado, dia de festa. Dia de ir aquietando aos poucos os movimentos. Domingo chegando e vida pedindo descanso. Mas naquele salão a vida não para. O movimento se faz, e como é bonito.
   Sábado à tarde: encontro de mulheres e homens... Gente buscando vida... Gente gestando sonhos. Gente de movimento e em movimento.
Era sábado e naquele salão se reunia o movimento de população de rua... Mas o movimento não estava só, havia outros grupos, outros corpos em movimento dançando a dança da luta, dança do compromisso, dança da utopia, os catadores e catadoras de papel também se faziam presente e a força feminina trazia seu encanto e gingando.
   Era sábado e a tarde e a vida se fazia. Tempo de reflexão e questionamentos. Tempo de fazer política e construir com as próprias mãos os sonhos possíveis: as buscas pelos direitos fundamentais: moradia, alimentação, educação, saúde e lazer. Na história e em unidade diversa, os grupos se reuniam naquele salão para discutir, dialogar, aprender e reaprender desde a prática e desde a vida concreta. Assim,
ninguém aprende fora da história. Ninguém aprende individualmente apenas. Quer dizer, nós somos sócio-históricos, ou seres histórico-sociais e culturais, e que, por isso mesmo, o nosso aprendizado se dá na prática geral da qual fazemos parte, na prática social (Freire; Guimarães, 2000, p. 27)
     Era sábado e o encontro se aprendia que a luta se faz junto... Não existe caminho único. Naquela tarde, foi possível perceber que a luta dos moradores de rua se torna a luta dos catadores de papel e a luta dos catadores de papel se torna a luta das mulheres e assim vão se formando círculos interligados, pois a luta é uma só e é a luta pela vida. Ali onde a vida se encontra ameaçada, exatamente aí a vida precisa ser olhada.
    Círculos se formando e gente lutando... Alguns meio acanhados tomando a palavra. Ah! Tomar a palavra. Era isso que dizia Paulo Freire. É tomar a palavra... E...na história das mulheres, na vida de tantas mulheres, quanta palavra ficou ocultada, quanta palavra silenciada, quanta vida abafada, escondida... E naquela tarde de sábado: as mãos se erguiam, as vozes se soltavam e aos poucos o grupo ia tomando a palavra, fazendo política, fazendo de seus direitos, reclamando e clamando vida. Era tarde de sábado e a vida se fazia valer na luta daqueles corpos femininos e masculinos.
     A palavra, quando dita, anuncia ou denuncia e assim sendo faz com que o ser humano intervenha no mundo possibilitando sua transformação. Dentro da perspectiva de uma educação chamada bancária, as pessoas vivem aquilo que se chamou de cultura do silêncio. Ali, alguns dizem a palavra e outros escutam. A prática de uma educação libertadora, no entanto, ou ainda, os movimentos em dança mostram que a palavra deve ser dita e até mesmo proclamada. É pela palavra que as pessoas se libertam. A pronúncia da palavra possibilita àquelas se expressarem, inventarem, reinventarem, criarem e recriarem.
A palavra, tendo o poder quase mágico de criar mundos, está no centro do processo educativo como ação cultural. Romper o silêncio, subverter a histórica cultura do silêncio: condição primeira para os homens e mulheres se assumirem como seres culturais. Mas há um silenciar que a educação precisa cultivar. É aquele silêncio que torna possível o verdadeiro diálogo, a palavra autêntica. Que não escuta não pode falar com, mas fazer discursos para, ou e termos de cultura, vai continuar perpetuando invasões culturais (Almeida; Streck, 2008, p. 305)
     Era sábado e a palavra estava sendo dita por aquelas mulheres e homens. Mas também houve silêncio, um silêncio profundo e fecundo. Em determinado momento, um morador de rua compartilhou seus desafios: “Outro dia estava eu com uns colegas a rua... ai chegou os policiais e nos tiraram do lugar, batendo e agredindo. Tiraram as roupas das pessoas só porque eram moradores de rua. Isso não pode. Até as partes íntimas dos moradores deixaram à vista. Isso não pode [...]” (sic) E repetia: “Isso não pode”. Fez-se um silêncio no espaço. Uma das mulheres disse: “Nossa como eles sofrem... mas a gente também leva uma vida muito difícil.” (sic). De novo silêncio. Aquelas mulheres e homens que até pouco tempo falavam reivindicando, agora silenciavam, mas não era um silêncio fruto da educação bancária. Era o silêncio daquele e daquela que compartilha a dor. Silêncio. Pausa em meio ás discussões para escutar o grito, o sussurro da vida... Em meio ao caos, meio à luta, se faz necessário o silêncio, mas o silêncio que escuta o outro e se une a ele em sua dor.
     Em dia de sábado a vida recriava naquele salão e naquela tarde ficou ressoando a riqueza do movimento, ou melhor, a riqueza dos movimentos. Foi falado sobre movimentos sociais e a pergunta surgia e ressurgia a todo o momento: mas como fazer? De que modo? E resposta surgia e sumia... Sumia e surgia: para fazer o movimento acontecer é preciso tomar palavra e silenciar. Será possível? Sim. Mas como? Fazendo Política, construindo redes, movimentando-se, interligando-se.
     Segundo Paulo Freire, os homens e as mulheres se distinguem dos animais pelo fato de estarem no mundo e por serem pessoas de relação, seres inacabados, incompletos. O ser humano se debruça sobre a realidade, busca conhece-la e, a partir daí, produz cultura. Neste sentido, tomar a palavra e silenciar constitui parte fundamental do processo de fazer política, pois levam as pessoas a um caminho de escolhas e decisão.
     Segundo Brandão (2002), este processo nos leva àquilo que ele chama de “vocação de escolhas”, ou seja, isto implica escolha de sujeitos, de modo a desenvolver o processo de libertação.
     Nesse sentido, no caminho vão-se fazendo escolhas, mas estas podem e devem ser modificadas e ressignificadas se o caminho assim o pedir.
     Naquele sábado, homens e mulheres estavam ressignificando suas escolhas num processo educativo e ao mesmo tempo político. No encontro, enquanto o movimento se fazia. Segundo Freire,
ar de encontro de pessoas conscientes de si, de seus outros e de seu mundo, é qualquer tempo e lugar de envolvimento político. Porque, o desvelamento crítico da realidade social de algum modo obriga, no sentido mais essencial desta palavra, a uma “tomada de consciência”, como gostávamos de dizer “naqueles tempos, esta tomada deságua em alguma forma de ação política (Brandão, 2002.p. 335).
     Era sábado... E naquela tarde, mulheres e homens estavam tomando a palavra, silenciando e ao mesmo tempo tomando consciência, ou melhor, fazendo política. Tudo... tudo numa dança concêntrica, em movimentos circulares... Em movimentos onde a vida se recria... Em movimento onde a vida se entrelaça, grita e proclama palavras de liberdade ou ainda cantos de libertação.

Salvador, 20 de fevereiro de 2011.


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ALVES DA SILVA, Fernanda Priscila. Cartas da Vida: Relatos e vivências entre mulheres em contexto de prostituição. São Leopoldo. CEBI.

15 setembro, 2022

Humberto Henrique para Deputado Federal

Os dias passam, procurem conhece-lo.




Reconhecido como um dos melhores vereadores da história de Maringá pelo trabalho prestado ao município.

Em seus 12 anos no legislativo maringaense mostrou ser sim possível fazer uma política séria, competente e honesta, defendendo os interesses da população

Esse é quem confiou para Deputado Federal e no Congresso exercer seu mandado com honestidade e competência.

14 setembro, 2022

“50 milhões vivem como reféns”. Esse é o mundo dos escravos modernos

"Uma multidão que não tem um horizonte seguro para olhar, porque a nova escravidão está difundida em quase todos os países e afeta e sujeita sobretudo os sujeitos mais fracos e indefesos: grupos minoritários ou marginalizados, mulheres, crianças. Os menores são pelo menos 3,3% dos trabalhadores forçados, mais da metade forçados a se submeter à exploração sexual. Em um mundo onde as desigualdades estão se agravando, os “últimos” de cada realidade muitas vezes pagam o preço."




Está crescendo o número de escravos modernos. Um novo relatório resultante da colaboração entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização para as Migrações (OIM) e a Walk Free, organização australiana empenhada no combate à escravização de seres humanos, traça as coordenadas da série de fenômenos de abuso e exploração que definem o fenômeno.

O conteúdo do relatório Estimativas globais da escravidão moderna, apresentado ontem em Genebra, é alarmante: desde 2016, há dez milhões de “novos escravos” a mais, para um total de 49,6 milhões de “novos escravos”, 54 para cada cem são mulheres. Uma humanidade desesperada que se divide em dois grandes grupos: aquele obrigado ao trabalho forçado em um grande número de atividades desfavorecidas, perigosas e degradantes, incluindo a prostituição - 27,6 milhões -; e aquele dos 22 milhões de mulheres obrigadas a casamentos forçados.


A reportagem é de Stefano Vecchia, publicada por Avvenire, 13-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma multidão que não tem um horizonte seguro para olhar, porque a nova escravidão está difundida em quase todos os países e afeta e sujeita sobretudo os sujeitos mais fracos e indefesos: grupos minoritários ou marginalizados, mulheres, crianças. Os menores são pelo menos 3,3% dos trabalhadores forçados, mais da metade forçados a se submeter à exploração sexual. Em um mundo onde as desigualdades estão se agravando, os “últimos” de cada realidade muitas vezes pagam o preço. O paradigma, no entanto, está mudando.

O relatório destaca como 52 por cento do trabalho forçado e um quarto de todos os casamentos forçados são encontrados hoje em países de renda média alta e não por acaso - o documento especifica - os trabalhadores migrantes têm três vezes mais probabilidades de serem escravizados em relação aos colegas de cidadania local. A razão é óbvia: sem documentos, são facilmente chantageados, dada a condição de extrema necessidade. Os "escravos modernos" são, portanto, invisíveis. E o fenômeno está se tornando cada vez mais transnacional. Também por isso, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, ao apresentar o relatório falou da escravidão moderna como “uma realidade chocante” cuja persistência não pode ser justificada. O seu homólogo do OIM, António Vitorino, confirmou que “sabemos o que é preciso fazer e sabemos que pode ser feito.

Políticas e regulamentações nacionais eficazes são fundamentais, mas os governos não podem fazer isso sozinhos.

As normas internacionais fornecem uma base sólida e é necessária uma abordagem que envolva a todos”. Uma realidade global deve ser enfrentada com ferramentas globais e sem demora porque "a urgência é garantir que todas as migrações sejam seguras, ordenadas e regulares". Para Grace Forrest, fundadora e diretora da Walk Free, os governos precisam fazer mais e de forma consistente porque "em tempos de crises interconectadas, uma verdadeira vontade política é a chave para acabar com essas violações dos direitos humanos".

Nas recomendações finais, o relatório insiste na aplicação das normas para a segurança e a garantia do trabalho e sobre o empenho para acabar com o trabalho forçado promovido pelo Estado onde esse persistir. Por fim, o documento pede que a proteção social seja estendida e que as garantias legais sejam fortalecidas, especialmente para as mulheres, para quem a fronteira entre trabalho forçado e casamento forçado é tênue. Nesse sentido, a elevação universal da maioridade matrimonial para 18 anos continua sendo um compromisso a ser perseguido com firme determinação.


Fonte: IHU

09 setembro, 2022

Mensagem do Papa Francisco para o 15º Intereclesial das CEBs

"Continuem trabalhando, vão adiante!" 

Neste dia 9 de setembro de 2022 (sexta-feira) o Papa envia uma mensagem para as CEBs do Brasil. 

"Quero estar próximo de vocês nesse 15º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. Continuem trabalhando, vão adiante! 
Não se esqueçam: Igreja em saída. Este é o tema. 
Igreja em saída.
Sim, a Igreja é como a água. Se a água não corre no rio, ela fica estagnada, adoece. 
Por outro lado, a Igreja quando sai, quando caminha, se sente mais forte. 
Eu os abençoo, siga em frente. 
E que a Igreja de vocês seja sempre "em saída", não escondida. 
Deus os abençoe. a virgem cuida de todos (todas), e reze por mim."
 

Deixemo-nos provocar pelo nosso amado Papa Francisco

“ A caridade não é um simples assistencialismo, nem sequer um assistencialismo para tranquilizar as consciências. Não, isso não é amor, é comércio, é negócio. O amor é gratuito. A caridade, o amor é uma escolha de vida, é um modo de ser, de viver, é o caminho da humildade e da solidariedade. (...) esta palavra, solidariedade, corre o risco de ser eliminada do dicionário, porque é uma palavra que incomoda, importuna. Porquê? Porque te obriga a olhar para o outro e a dedicar-te ao próximo com amor. É melhor eliminá-la do dicionário, porque incomoda. (...) A humildade de Cristo não é moralismo, um sentimento. A humildade de Cristo é real, é a escolha de ser pequeno, de estar com os pequeninos, com os excluídos, de estar entre nós, todos pecadores. Atenção, não é uma ideologia! É um modo de ser e de viver que nasce do amor, nasce do coração de Deus. ”

(trecho do discurso do Papa Francisco no encontro com os pobres e presos, Catedral de Cagliari, 22 de setembro de 2013)

Papa Francisco recebe o ícone do 15º intereclesial das CEBs

Dom Maurício, bispo de Rondonópolis –MT entregou ao nosso amado Papa Francisco o 15º intereclesial das CEBs.


O tema e o lema do 15º intereclesial das CEBs que vai ocorrer em julho de 2023 em Rondonópolis (MT), Regional Oeste 2, motiva a caminhada - CEBs – Igreja em Saída, na busca de Vida Plena para Todas e Todos, "Vejam! Eu vou criar um novo céu e uma nova terra." (Is 65,17ss)

06 setembro, 2022

Padres se manifestam contra reeleição de Bolsonaro

Mais de 450 padres católicos denominados Padres da Caminhada e Padres contra o fascismo que refletem e se unem desde 2018 em vista da democracia ameaçada no Brasil, manifestam contra a reeleição do atual presidente da República.


Segue a carta


Carta Aberta
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Brasil, ao 07 de setembro de 2022


Padres alertam contra a reeleição do atual presidente da República


Encontramo-nos, novamente, no período eleitoral. Em 2018 a população, enganada por fake news, desmotivada por crises econômicas, escândalos de corrupção e insuflada por discursos de ódio acabou por eleger para a presidência da República Jair Messias Bolsonaro. Uma catástrofe anunciada! Hoje, distante quatro anos daquele momento, nós Padres, conscientes do nosso dever de pastores do povo de Deus, queremos alertar para o perigo de repetirmos o mesmo erro, que pode pôr o Brasil em uma crise humana muito profunda. Por isso, elencamos dez elementos pelos quais, claramente, opomos nossas consciências à reeleição do atual Presidente da República.

1 – Uso do nome de Deus: o atual presidente sempre manipulou o sentimento religioso da população brasileira, tentando convencê-la de que é um homem cristão, religioso e, por isso, digno e bom. Trata-se apenas de uma estratégia de controle das consciências, visto que todo o seu discurso e suas ações são uma total oposição ao Evangelho de Jesus;

2 – Discurso de ódio: o atual presidente insufla ódio na população por aqueles que considera inimigos seus ou do país (ainda que inimigos imaginários como os “comunistas”), tendo sempre um discurso ligado à violência, ao apelo às armas, a imposição da maioria e submissão das minorias, e um tom de agressividade e de desprezo pelos pobres, pelas mulheres, comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, população de rua, comunidade LGBTQIA+, migrantes, etc;

3 – Fake news: toda a eleição de 2018 foi movida por notícias falsas e alarmistas, colocando em pânico a população mais simples e vulnerável. Notícias falsas circularam por grupos de WhatsApp e pelas demais redes socias, desinformando e manipulando a população. Durante todo o seu governo as notícias falsas e caluniosas permaneceram e o Presidente mente de forma compulsiva na TV e em seus diversos pronunciamentos;

4 – Má gestão da pandemia de COVID-19: o governo atual, capitaneado pelo Presidente Bolsonaro, geriu de forma desastrosa e desumana a pandemia de COVID-19. O Presidente fez propaganda de medicamentos comprovadamente ineficazes, atrasou propositalmente a compra de vacinas, criou dificuldades para o estabelecimento de políticas de distanciamento social, demitiu ministros da saúde que contradiziam suas ideias infantis e, incrivelmente, ainda imitou pessoas morrendo sufocadas;

5 – Volta da pobreza: o país foi imerso na pobreza e 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil de hoje. Nós, que havíamos saído do mapa da fome em 2014, tornamos a ver a instabilidade alimentar em nosso meio. A inflação impede pessoas de comprarem alimentos básicos para a subsistência. Nosso povo passa fome enquanto super ricos cercam o atual Presidente por medo de perderem privilégios. Com tudo isso, o presidente ainda nega que existam pessoas com fome no Brasil;

6 – Aumento do desmatamento: O desmatamento ilegal, as políticas que favorecem o agronegócio irresponsável, favorecimento do garimpo ilegal, silêncio e despreocupação com as ameaças sofridas por ambientalistas e defensores da Amazônia, o uso de agrotóxicos proibidos em outras partes do mundo, o pisoteamento das comunidades indígenas, o desaparelhamento dos órgãos de controle ambiental e indigenista e a sistemática destruição da Amazônia são escândalos em nível mundial. O atual governo coloca em risco toda a confiabilidade do país e o equilíbrio ambiental através de suas políticas ecocidas;

7 – Sinais claros de corrupção: eleito com discurso anticorrupção, o atual Presidente vive soterrado e soterrando os escândalos de corrupção que o envolvem e envolvem sua família. Escândalos de corrupção na compra de vacinas, escândalos no MEC, interferência na Polícia Federal, desmonte das políticas de transparência fundamentais no combate à corrupção, compra do parlamento através do “orçamento secreto”, movimentações financeiras milionárias não esclarecidas (compra de 51 imóveis com dinheiro vivo), sigilo de 100 anos sobre ações pessoais sendo que somos uma República;

8 – Ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF): o Presidente da República tem sistematicamente atacado o STF, que diz intervir indevidamente no governo. Frases ameaçadoras contra ministros do STF são públicas e estão nas redes socias. A ameaça a um poder da República é um ataque à Constituição Federal e um perigo ao Estado Democrático de Direito. Além disso sustenta um discurso antidemocrático militarista;

9 – Questionamento sobre o processo eleitoral: mesmo tendo sido eleito pelo atual sistema de urnas eletrônicas, o Presidente da República questiona sistematicamente o sistema eleitoral brasileiro, afirmando que houve e que podem acontecer fraudes. Chegou mesmo a afirmar que existiam provas dessas fraudes, provas essas, que nunca pode demonstrar. O TSE já demonstrou que tudo não passa de retórica de mentira. Porém, com esse discurso cria desconfiança e instabilidade no sistema eleitoral do Brasil;

10 – Claros sinais de autoritarismo e fascismo: por fim, o lema do presidente Bolsonaro sempre foi: “Deus acima de tudo, Brasil acima de todos”, que se assemelha a propaganda nazista “Alemanha acima de tudo”, lema que deturpa patriotismo em perigoso nacionalismo. Em um Estado laico a única realidade que está acima de tudo é a Constituição, que existe para garantir a liberdade e o bem estar de todos os cidadãos, não importando suas etnias, religiões ou classes sociais. O Estado laico não é Estado ateu. Estado laico é a única garantia de que todos os cidadãos poderão viver e celebrar suas diversas crenças de forma livre;

Feitas essas considerações, como padres preocupados com o bem da nossa população, recordamos que Jesus veio para que tenhamos vida e vida em abundância (Jo 10,10). Um discípulo de Jesus consciente não pode reeleger um homem que com palavras e obras demonstra ser o oposto de tudo aquilo que Jesus é e anuncia. Deus nos ilumine para sermos fiéis ao Senhor da vida!


Comprometem-se com essa carta mais de 450 padres católicos
 de diversas Dioceses, Ordens, Congregações  e Institutos de 
Vida Consagrada   de todo o Brasil e fora dele, denominados
 Padres da Caminhada e Padres contra o fascismo, 
e que refletem e se unem desde 2018 em vista 
da democracia ameaçada no Brasil.

30 agosto, 2022

Ucrânia, Santa Sé: O Papa defende a vida, não toma posições políticas

Um comunicado responde às polêmicas que surgiram nos últimos dias sobre as palavras de Francisco, cita as "várias" intervenções na guerra do Pontífice e lembra que ele sempre condenou a agressão russa como "moralmente injusta, inaceitável, bárbara, insensata, repugnante e sacrílega".



Segue a reportagem publicada em 30/08/2022 pela Vatican News

O Papa fala como um pastor que defende a vida humana, não como político. Esta é a leitura correta a ser feita de suas várias intervenções sobre a guerra na Ucrânia. É o que afirma um comunicado da Santa Sé divulgado, nesta terça-feira (30/08), após as palavras de Francisco na Audiência Geral da quarta-feira, 24 de agosto, e seu aceno ao atentado no qual perdeu a vida na Rússia a filha de Dughin. Palavras que despertaram reações polêmicas também no âmbito político e institucional na Ucrânia.

"No contexto da guerra na Ucrânia", lê-se na declaração da Santa Sé, "são várias as intervenções do Santo Padre Francisco e seus colaboradores a este respeito. Elas têm como finalidade convidar pastores e fiéis à oração, e todas as pessoas de boa vontade à solidariedade e aos esforços para reconstruir a paz".

Segundo o texto, "em mais de uma ocasião, assim como nos últimos dias, surgiram discussões públicas sobre o significado político a ser atribuído a essas intervenções. Nesse sentido, reitera-se que as palavras do Santo Padre sobre esta questão dramática devem ser lidas como uma voz levantada em defesa da vida humana e dos valores ligados a ela, e não como posição política", ressalta o comunicado divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

"Quanto à guerra em larga escala na Ucrânia, iniciada pela Federação Russa, as intervenções do Santo Padre Francisco são claras e unívocas em condená-la como moralmente injusta, inaceitável, bárbara, insensata, repugnante e sacriléga", conclui o comunicado da Santa Sé.

24 agosto, 2022

Papa Francisco: a guerra é uma loucura de todos os lados

Trago no meu coração os prisioneiros, especialmente aqueles em condições frágeis, e peço às autoridades responsáveis que trabalhem para sua libertação e penso nas crianças, tantos mortos, tantos refugiados, temos aqui, são tantos, tantos feridos, tantas crianças ucranianas e crianças russas que se tornaram órfãs e a orfandade não tem nacionalidade, perderam o pai ou a mãe, sejam russos, sejam ucranianos.


“Renovo meu convite para implorar a paz do Senhor para o amado povo ucraniano que sofre o horror da guerra há seis meses”

Pensemos nesta realidade e digamos uns aos outros: a guerra é uma loucura. E aqueles que se beneficiam tanto da guerra quanto do comércio de armas são criminosos, que matam a humanidade.

Leia a íntegra da reportagem publicada no site da Vatican News AQUI

18 agosto, 2022

45 anos das greves do ABC

Organização:

- Jornal pela Criação de um Movimento Contra Carestia e Desemprego

- Coordenação Sindical de Maringá

- E S T E Programa de Estudos do Trabalho e Educação

- Espaço Marx


 

17 agosto, 2022

Candidato a Deputado Federal do Paraná, Humberto Henrique (7733)

Com alegria, confiança e com clareza do porquê desta postagem, apresento a vocês que me acompanham pelas redes sociais e por minhas atuações, o candidato a Deputado Federal do Paraná, Humberto Henrique (7733).


Conheci Humberto, quando comecei a atuar como catequista e de grupos de jovens, Humberto atuava como liderança das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

Desde então, com ele e sua família uma amizade bonita, nos tornamos companheiros nos serviços pastorais e foi ele também quem ajudou a despertar para olhar a realidade como um todo e perceber a importância da atuação no âmbito eclesial (ad intra) e na sociedade (ad extra).

Como esposo e pai, como liderança pastoral e como político tem mantido exemplo de cristão, um homem confiável, com amor a Deus e respeito ao próximo, exemplo de que quanto mais a pessoa é exigida na sua coerência de vida, mais ela é chamada a traduzir em atitudes os valores do Evangelho. Valores que nem sempre são compreendidos pela sociedade, mas que trazem transformações na sociedade, no meio político, transformação para o povo.

A realidade atual, uma realidade doida, marcada por angustias, dores, desesperanças, luto, um sistema econômico e político onde os que estão a frente deixaram se desumanizar, então semeiam ódio, guerra, injustiça, ferindo os direitos, a dignidade e a vida. Essa é a leitura da realidade atual.

Nosso voto precisa ser consciente, saber em quem estamos votando, para isso devemos buscar conhecer e aí sim, votar porque acreditamos na pessoa que estamos votando e nas suas propostas em vista do bem comum, para construirmos uma realidade onde a justiça, a paz, a igualdade e a democracia torne-se realidade.

Convido você a conhecer Humberto Henrique e conhecendo-o decidir seu voto nessa eleição de 2022. Não devemos abrir mão de princípios éticos e da importância do voto, sabemos que o voto não esgota o exercício da cidadania, mas ele é fundamental para que consigamos manter o Brasil vivendo a democracia.

Humberto Henrique foi vereador por três mandatos na Câmara de Maringá, ano de 2005 ao ano 2016. Por 12 anos desenvolveu no legislativo maringaense um trabalho exemplar, transparente, voltado ao bem comum.