14 junho, 2024

“Esperanza” de Alexis Valdés, o Poema que comoveu o Papa Francisco!

ESPERANÇA


Quando a chuva passar e se acalmarem os caminhos,
Seremos sobreviventes de um naufrágio coletivo.
Com o coração choroso e o destino abençoado
Nos sentiremos sortudos apenas por estarmos vivos.

E daremos um abraço no primeiro desconhecido
E louvaremos a sorte de conservar um amigo.
E então nos lembraremos de tudo aquilo que perdemos
De uma vez aprenderemos tudo o que não aprendemos.

E não teremos inveja, pois todos terão sofrido.
E não teremos apatia, seremos mais compreensivos.
Valerá mais o que é de todos, o que jamais conseguiram.
Seremos mais generosos, e muito mais comprometidos.

Entenderemos o quanto significa estarmos vivos.
Sentiremos empatia por quem está e por quem já se foi
Admiraremos o velho que pedia dinheiro no mercado,
Que não sabíamos o nome e que sempre esteve ao seu lado,
E talvez o velho pobre fosse o seu Deus disfarçado.
Nunca perguntou o nome dele,
porque estava com pressa.

E tudo será um milagre, tudo será um legado.
E se respeitará a vida, a vida que nos foi dada.
Quando a chuva passar, te peço
Deus, arrependido,
Que nos devolva coisas melhores, como tinha sonhado para nós.

Esperanza un poema de Alexis Valdés en su propia voz.

07 junho, 2024

Secretário-geral da ONU defende proibição de propaganda de combustíveis fósseis

Publicada por ClimaInfo, 07-06-2024.

Para António Guterres, as empresas de combustíveis fósseis são “padrinhos do caos climático” e não podem mais fazer publicidade às custas da destruição do clima.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez uma sugestão interessante: barrar a publicidade de empresas de combustíveis fósseis, como foi feito por vários governos com outras indústrias nocivas, como as do tabaco e das bebidas alcoólicas. Para ele, essas empresas são os “padrinhos do caos climático” e não deveriam mais se beneficiar com a divulgação publicitária de seus produtos.

“Muitos governos restringem ou proíbem a publicidade de produtos que prejudicam a saúde humana, como o tabaco. Alguns estão fazendo o mesmo agora com os combustíveis fósseis. Peço a todos os países que proíbam a publicidade dessas empresas, e apelo aos meios de comunicação social e às empresas tecnológicas que parem de aceitar publicidade de combustíveis fósseis”, disse Guterres em discurso em Nova York na última 4ª feira (5/6).

Guterres também destacou os dados recentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM) que colocaram maio de 2024 como o 12º mês consecutivo com recordes históricos de temperatura média global. Segundo a OMM, há 80% de chance de que pelo menos um dos próximos cinco anos seja o primeiro ano em que a temperatura média global temporariamente exceda 1,5oC acima dos níveis pré-industriais.

Mesmo com esse quadro desafiador, Guterres defendeu que a meta de se limitar o aquecimento global em 1,5oC neste século ainda é “praticamente possível”, mas que é necessário um esforço muito maior por parte dos países para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, para que se aumente o financiamento climático aos países mais pobres, e para que a indústria fóssil deixe de receber benefícios e facilidades governamentais.

“O custo de todo esse caos está atingindo as pessoas onde dói: desde as cadeias de abastecimento interrompidas, aumento de preços, aumento da insegurança alimentar e casas e empresas não seguráveis. Essa conta continuará crescendo. (…) Enquanto isso, os padrinhos do caos climático – a indústria de combustíveis fósseis – obtêm lucros recordes e festejam trilhões em subsídios financiados pelos contribuintes”, afirmou o chefe da ONU.

“O secretário-geral reconheceu uma verdade simples: a indústria dos combustíveis fósseis é a principal culpada pela escalada da crise climática”, observou David Tong, gerente de campanha da Oil Change International. “Apesar da necessidade urgente de se reduzir as emissões, a indústria continua a obter enormes lucros enquanto o nosso planeta arde”.

A fala de Guterres foi destacada em diversos veículos, com matérias em AFP, BBC, Bloomberg, Climate Home, Guardian, Independent, Reuters e Valor, entre outros.

06 junho, 2024

Seminário das CEBs Província Eclesiástica de Maringá


“Deus caminha com o seu povo” - tema da mensagem do Papa para o 110º Dia Mundial do Migrante

“Deus caminha com o seu povo” 
Tema da mensagem do Papa para o 110º Dia Mundial do Migrante

A mensagem do Papa Francisco para o 110º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, foi divulgada, na seguda-feira, três de junho, será celebrado em 29 de setembro sobre o tema “Deus caminha com o seu povo”.


Leia na íntegra


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 110º DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO 2024
(Domingo, 29 de setembro de 2024)

Deus caminha com o seu povo

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 29 de outubro de 2023, terminou a primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que nos permitiu aprofundar a sinodalidade vista como vocação originária da Igreja. «A sinodalidade apresenta-se sobretudo como caminho conjunto do Povo de Deus e como diálogo fecundo de carismas e ministérios ao serviço do advento do Reino» (Relação de Síntese, Introdução).

A ênfase posta na sua dimensão sinodal permite à Igreja descobrir a sua natureza itinerante de povo de Deus em caminho na história, peregrinante – poderíamos dizer «migrante» – rumo ao Reino dos Céus (cf. Lumen gentium, 49). Espontaneamente vem-nos ao pensamento a narração bíblica do êxodo, que apresenta o povo de Israel a caminho da Terra Prometida: uma longa viagem da escravidão para a liberdade, que prefigura a da Igreja rumo ao encontro final com o Senhor.

Da mesma forma, é possível ver nos migrantes do nosso tempo, como aliás nos de todas as épocas, uma imagem viva do povo de Deus em caminho rumo à Pátria eterna. As suas viagens de esperança lembram-nos que «a cidade a que pertencemos está nos céus, de onde certamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo» (Flp 3, 20).

As duas imagens – a do êxodo bíblico e a dos migrantes – apresentam diversas analogias. Como o povo de Israel no tempo de Moisés, frequentemente os migrantes fogem de situações de opressão e abuso, de insegurança e discriminação, de falta de perspetivas de progresso. Como os hebreus no deserto, os migrantes encontram muitos obstáculos no seu caminho: são provados pela sede e a fome; ficam exaustos pelo cansaço e as doenças; sentem-se tentados pelo desespero.

Mas a realidade fundamental do êxodo, de qualquer êxodo, é que Deus precede e acompanha o caminho do seu povo, dos seus filhos de todo o tempo e lugar. A presença de Deus no meio do povo é uma certeza da história da salvação: «o Senhor, teu Deus, vai contigo; não te deixará sucumbir nem te abandonará» (Dt 31, 6). Para o povo saído do Egito, tal presença manifesta-se de diversas formas: uma coluna de nuvem e de fogo indica e ilumina o caminho (Ex 13, 21); a tenda da reunião, que guarda a arca da aliança, torna palpável a proximidade de Deus (Ex 33, 7); a haste com a serpente de bronze assegura a proteção divina (Nm 21, 8-9); o maná e a água (Ex 16 – 17) são os dons de Deus para o povo faminto e sedento. A tenda é uma forma de presença particularmente querida ao Senhor. Durante o reinado de David, Deus recusa-Se a ser encerrado num templo preferindo continuar a viver numa tenda e poder assim caminhar com o seu povo «de tenda em tenda, de morada em morada» (1 Cr 17, 5).

Muitos migrantes fazem experiência de Deus companheiro de viagem, guia e âncora de salvação. Confiam-se-Lhe antes de partir, e recorrem a Ele em situações de necessidade. N’Ele procuram consolação nos momentos de desânimo. Graças a Ele, há bons samaritanos ao longo da estrada. Na oração, confiam a Ele as suas esperanças. Quantas bíblias, evangelhos, livros de orações e terços acompanham os migrantes nas suas viagens através dos desertos, rios e mares e das fronteiras de cada continente!

Deus caminha não só com o seu povo, mas também no seu povo, enquanto Se identifica com os homens e as mulheres que caminham na história – particularmente com os últimos, os pobres, os marginalizados –, prolongando de certo modo o mistério da Encarnação.

Por isso o encontro com o migrante, bem como com cada irmão e irmã que passa necessidade, «é também encontro com Cristo. Disse-o Ele próprio. É Ele –faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente, preso – que bate à nossa porta, pedindo para ser acolhido e assistido» (Homilia na Missa com os participantes no Encontro «Libertos do medo», Sacrofano, 15/II/2019). O Juízo Final narrado por Mateus, no capítulo 25 do seu evangelho, não deixa dúvidas: «era peregrino e recolhestes-Me» (25, 35); e, ainda, «em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (25, 40). Então cada encontro ao longo do caminho constitui uma oportunidade para encontrar o Senhor, revelando-se uma ocasião rica de salvação, porque na irmã ou irmão necessitado da nossa ajuda está presente Jesus. Neste sentido, os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto do Senhor (cf. Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres, 17/XI/2019).

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia dedicado aos migrantes e refugiados, unamo-nos em oração por todos aqueles que tiveram de abandonar a sua terra à procura de condições de vida dignas. Sintamo-nos em caminho juntamente com eles, façamos «sínodo» juntos e confiemo-los todos, bem como a próxima Assembleia Sinodal, «à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, sinal de segura esperança e de consolação no caminho do Povo fiel de Deus» (Relação de Síntese «Para continuar o caminho»).

Oração

Deus, Pai omnipotente,
somos a vossa Igreja peregrina
a caminho do Reino dos Céus.
Habitamos, cada qual, na própria pátria
mas como se fôssemos estrangeiros.
Cada região estrangeira é a nossa pátria
e contudo cada pátria é, para nós, terra estrangeira.
Vivemos na terra,
mas temos a nossa cidadania no Céu.
Não nos deixeis tornar patrões
da porção do mundo
que nos destes como habitação temporária.
Ajudai-nos a não cessar jamais de caminhar,
juntamente com os nossos irmãos e irmãs migrantes,
rumo à habitação eterna que Vós nos preparastes.
Abri os nossos olhos e o nosso coração
para que cada encontro com quem está necessitado,
se torne um encontro com Jesus, vosso Filho e nosso Senhor.
Amen.

Roma, São João de Latrão, na Memória da Bem-Aventurada Virgem Maria Auxiliadora, 24 de maio de 2024.

FRANCISCO

04 junho, 2024

24o CDL - 1o. Nível

 



24o CDL - 1o. Nível

24o CDL - 1o. Nível
Curso de Dinâmica para Lideres
30/05 a 02/06 de 2024
Casa Sagrado Coração de Jesus.
São Paulo










26 maio, 2024

Seminário da Classe Trabalhadora

Dia terça-feira, 28 de maio, as 19 horas

Seminário da Classe Trabalhadora

Convidamos você para participar conosco.

Em uma parceria entre o Sindaen e o SinteemaR, dia 28 de maio será realizado o “Seminário da Classe Trabalhadora”.

A assessora das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na Arquidiocese de Maringá, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia), fará a abertura com a mística falando sobre “O trabalho antifascista e a produção da riqueza”.

As comunicadoras Viviam Baddini e Mariana Tait, da Maré Viva Comunicação, trazem o debate “Os impactos das tecnologias digitais no mundo do trabalho”.

A Secretária Geral da CUT do Paraná, Vera Nogueira, conduz a palestra “Trabalho Decente”.

Finalizando, teremos a apresentação e aprovação da Carta Aberta da Classe Trabalhadora direcionada a autoridades e pré-candidatos à prefeitura de Maringá.


Dia terça-feira, 28 de maio
Às 19 horas
Local o auditório do Trabalhador do Sinteemar
Rua Prof. Itamar Orlando Soares, 357 - Maringá.


Seminário da Classe Trabalhadora


 

14 maio, 2024

Maringá comemora 77 anos com show gratuito!

Uma cidade precisa sim, celebrar proporcionando a participação da comunidade; muita gente, os meios de comunicação divulgaram 40 mil pessoas, acredito que tinha mesmo.

Lá estavam presente todas faixas etárias, desde o bebê levado no bebê conforto até aquelas e aqueles com rostos marcados pelos sinais do tempo.

O artista querido pelo povo, Leonardo. O horário pensado para acolher as famílias, a comunidade.

O show aconteceu na Praça do Antigo Aeroporto, excelente lugar, ao ar livre, que tornou-se na noite do dia 13 de maio de 2024, o local do encontro para um momento gostoso, de alegria e respeito uns para com os outros.





12 maio, 2024

10 maio, 2024

Tragédia de enchentes no Rio Grande do Sul!

"As paróquias e capelas da Arquidiocese de Porto Alegre se abriram para acolher a Deus nos corpos sofridos, fatigados e doloridos de milhares de pessoas da maior tragédia de enchentes da história riograndense"


Tragédia de enchentes no Rio Grande do Sul!

Enchentes assolam municípios do Rio Grande do Sul desde o último dia 27 de abril de 2024. Aproximadamente 85% dos municípios do Rio Grande do Sul já foram afetados pelas enchentes causada pela crise climática do estado.


Até o período da manhã, do dia de hoje, 10 de maio de 2024, conforme boletim divulgado pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, 337.116 pessoas encontram-se desalojadas, 146 estão desaparecidas, 756 feridas e 113 morreram.

Ação solidária lançada é acolhida por todos os cantos do Brasil, um grande mutirão de solidariedade acontecendo.

“Templos transformados em dormitórios, sacristia em hospitais e salões comunitários em refeitórios e abrigos. As paróquias e capelas da Arquidiocese de Porto Alegre se abriram para acolher a Deus nos corpos sofridos, fatigados e doloridos de milhares de pessoas da maior tragédia de enchentes da história riograndense. Como dizia o escritor judeu, Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. A mobilização solidária está em todas as regiões da Arquidiocese, do Estado e de todo o Brasil.” (Site CNBB)

09 maio, 2024

As orações e doações, de cada parte do Brasil, geram esperança! 💙

Continuemos a colocar nossos irmãos e irmãs em nossas orações, pedindo ao Deus da vida que, em sua infinita bondade e misericórdia, socorra e ampare o Rio Grande do Sul. 🙏

Doe por meio da chave PIX do Regional Sul 3: 
33685686001041 (CNPJ).

Banco: Sicredi (748)
Agência: 0116
Conta corrente: 08355-0

Você também pode conferir os pontos de coleta de donativos em sua cidade e fazer parte desse grande movimento de solidariedade e esperança.



CNBB pelo Rio Grande do Sul

07 maio, 2024

Momento de ajudar, pensar e agir! Artigo de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos

Padre da Arquidiocese de Londrina no Paraná, nasceu na cidade de Chaves, em Portugal.


“Nada será como antes! Pontes, estradas e construções não responderão mais a este “novo normal”! Serão arrastadas, destruídas e não ficará mais pedra sobre pedra! Uso uma linguagem apocalítica para sublinhar a gravidade do momento”, alerta Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos



“É hora de nos empenharmos na ajuda aos irmãos gaúchos, mas é também o momento de refletirmos sobre o futuro do nosso país, de norte a sul”, conclama.

Eis o artigo.


Tendo efetuado já a minha colaboração solidária através do regional Sul 3 e convocado os colegas da Arquidiocese de Londrina a fazerem o mesmo; tendo inclusive envolvido a minha paróquia numa campanha geral de arrecadação de dinheiro, alimentos e materiais de limpeza, eu sinto que devo escrever. Este é o momento, enquanto o ferro está quente na bigorna!

Em primeiro lugar quero me congratular com a sempre e rápida solidariedade do povo brasileiro. Nunca faltou o óbolo da viúva. Como costumo falar, é pobre ajudando pobre! O país inteiro está se mobilizando. Porém, infelizmente, isso é pouco. A questo punto, como dizem os italianos, não podemos usar apenas da sensibilidade e da boa-fé para enfrentarmos estas situações catastróficas como a que atingiu o Rio Grande do Sul. Se o povo é bom e Deus é sempre bom, os administradores federais e locais devem ser mais do que “bons”! Têm que ser eficientes! Isso implica, antes de mais, não serem negacionistas! Parece um pressuposto óbvio, mas carece de obviedade quando se trata de muitos políticos!

As mudanças climáticas são reais. São visíveis. São científicas. São perceptíveis, principalmente para quem as sente na pele, nos bens e na sua vida! Desde o final do século passado, pelo mundo afora, seja em forma de secas dilacerantes, de cheias arrasadoras, tornados, tufões, furacões etc., a humanidade tem assistido a esses eventos cada vez mais frequentes e sempre mais agressivos e devastadores. A isso se convencionou chamar de “novo normal”, pela incidência praticamente rotineira na vida das pessoas.

Soma-se, um desajuste gradual das tradicionais Estações do ano, manifestado nas temperaturas e na precipitação pluvial. Enquanto escrevo, por exemplo, parte de Europa, apesar da Primavera, ainda está com um clima hibernoso e no Brasil as temperaturas são de pleno Verão!

Costuma-se dizer que nesta mudança de época, os recursos e arcabouços mentais e culturais, oriundos da modernidade iluminista e racionalista, são inadequados para lidar com a pós-modernidade. E que qualquer adaptação de linguagem pode ser insuficiente, tratando-se da profunda e radical transformação do ethos humano deste século XXI. As Instituições (e a Igreja de modo especial) estão tendo muitas dificuldades em abordar este tsunami de novidades em forma de uma nova cultura que invadiu os espaços, questionando um modus operandi milenar.

Ora, as mudanças climáticas não são diferentes e o seu impacto junto à humanidade não está tão distante da mencionada grande mudança de época. Nada será como antes! Pontes, estradas e construções não responderão mais a este “novo normal”! Serão arrastadas, destruídas e não ficará mais pedra sobre pedra! Uso uma linguagem apocalítica para sublinhar a gravidade do momento.

Marina Silva cunhou uma expressão, no ano passado, que merece realce: “prevenção emergencial”! A sociedade, os políticos em particular, devem investir o máximo de recursos em prevenção! Ela ficará imensamente mais barata do que o socorro às vítimas de uma tragédia, para não mencionar, é óbvio, a perda de vidas humanas que é impagável! Trocando em miúdos, faz-se prioridade absoluta tratar o Meio Ambiente com a seriedade que ele merece e inclui-lo em bons debates de cunho eleitoral, muito acima do “bandido bom é bandido morto” que caracteriza a baixeza de muitas campanhas eleitorais municipais e federais.

O trato da questão ecológica, no sentido usado pelo Papa Francisco, vai muito além de plantar árvores com as crianças da escola! Ecologia integral faz com que o cuidado com a natureza esteja interligado com a atenção ao pobre e em paralelo com uma nova visão de Economia sustentável, solidária, a serviço da vida e, em última análise, anticapitalista. O mundo do futuro, que já começou, clama por uma mudança nos parâmetros ambientais e econômicos.

As nossas cidades não nasceram. Elas foram surgindo. A maioria delas foi programada para um décimo da sua população atual. O boom da urbanização na década de sessenta e setenta impulsionou esse fenômeno. Com isso, bairros foram surgindo com invasões, ocupações e, em seguida, regularizações fundiárias urbanas, à custa de barganha eleitoreira! E assim, surgiram as favelas e depois os bairros populares, em sua maioria em morros, fundos de vale ou banhados. A cidade, como um organismo vivo, foi-se acomodando e se configurando em uma sinergia espetacular.

Cidades são símbolos de vida; de muita vida. Mas, infelizmente, no turbilhão destas mudanças climáticas elas se tornam sinônimo de morte. Se na Idade Média o castelo ficava no alto do morro com a sua cidadela, e o povão nos vales adjacentes, sendo sempre as primeiras vítimas dos invasores, não é diferente no século XXI! Os mais pobres são as maiores vítimas destas tragédias ambientais e climáticas.

É hora de nos empenharmos na ajuda aos irmãos gaúchos, mas é também o momento de refletirmos sobre o futuro do nosso país, de norte a sul. Já tivemos secas severas no Norte, atingindo sessenta e cinco cidades e com o Amazonas atingindo níveis baixíssimos; no litoral norte de São Paulo e em inúmeros pontos, culminando agora no Rio Grande do Sul. Necessitamos, portanto, começar a falar sobre drenagem urbana.

Como sabemos, a drenagem urbana sustentável é uma abordagem que busca minimizar os impactos negativos da chuva nas áreas urbanas. Envolve o uso de técnicas e estratégias que permitem a infiltração da água da chuva no solo, a retenção temporária da água e a utilização de sistemas de drenagem que imitam os processos naturais. Telhados verdes, pisos permeáveis e bacias de retenção para a água da chuva tornam-se imprescindíveis. As prefeituras devem ter um serviço permanente de limpeza de bueiros. Mas temos que ir mais além!

Os planos Diretores das cidades são de fundamental importância e também não se reduzem a inviabilizar torres por causa do aeroporto! A liberação do espaço para novos bairros deve obedecer a critérios científicos claros, à luz do que já estamos vivendo e o uso de materiais para a construção também deve ser objeto de fiscalização. Em situações mais drásticas, a Prefeitura deve agir para retirar aglomerados habitacionais de lugares previsivelmente vulneráveis, dando àquelas famílias condições de novas moradias. Se não quisermos chorar os mortos e desaparecidos e lamentar prejuízos estratosféricos, devemos nos reinventar!

Contudo, a tragédia não é só urbana. Ela está lá no campo, nas bacias de rios médios e alguns de pequeno porte. E aí vem à tona o trato do solo, o desmatamento, as matas ciliares e até represamento inadequado e ilegal. Se até aqui tudo isso era tolerável, embora não justo e nem recomendável, agora, é questão de vida ou morte! A agricultura e a ecologia não poderão mais estar divorciadas! O Meio Ambiente não é inimigo da produção! E não deve continuar sendo visto como tal! O pacto pela vida e pelo futuro deve ser estabelecido entre os que semeiam e a natureza. Jornalistas ambientais devem parar de ser perseguidos. Eles são os profetas do nosso tempo!

Por último e não menos importante, se desejarmos viver bem e seguros a partir de agora, usemos a inteligência, pois ela não foi usada quando nos últimos duzentos anos agredimos o clima e colocamos a economia excludente e capitalista acima da vida humana. A natureza não perdoa nunca!

Fonte: IHU

03 maio, 2024

“o 1% mais rico ganha 40 vezes mais que a população mais pobre do país”

O relatório da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Pnad Contínua, com base no ano de 2023, traz dados alarmantes sobre a desigualdade brasileira: o 1% mais rico ganha 40 vezes mais que a população mais pobre do país. No país, o problema não é novo, mas histórico, onde as políticas de redução são ainda insuficientes. Embora o orçamento do Bolsa Família, importante programa de transferência de renda, tenha sido quintuplicado no último ano, há muito a ser feito. Outra frente relevante é a Reforma Tributária, aprovada em 2023, mas pendente de regulamentação, o que está previsto para ocorrer neste primeiro semestre. Há, porém, lacunas que precisam ser consideradas.

“A principal medida ainda a fazer é a tributação de lucros e dividendos, que hoje são isentos. Não faz sentido pessoas que ganham R$ 500 mil mensais não pagarem imposto de renda, enquanto seus funcionários pagam 27,5%”, defende Pedro Fernando Nery, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “Quem é rico para os padrões brasileiros, é rico também para padrões mundiais. Alguém que está entre os mais pobres no Brasil também está entre os mais pobres da distribuição do mundo”.

Confira a entrevista, clique AQUI