18 junho, 2026

Da Setorização às CEBs: o amadurecimento da comunidade missionária!

Nas paróquias da Arquidiocese de Maringá, o processo de setorização do espaço geográfico paroquial já foi realizado em sua totalidade. Essa iniciativa representou um importante passo na busca de uma Igreja mais próxima das pessoas, presente nos bairros, vilas e realidades onde o povo vive.

Ao longo desse caminho, os resultados foram diversos. Em algumas paróquias, apenas uma pequena parcela dos setores permanece organizada como setor. Em outras, muitos desses setores amadureceram e se transformaram em comunidades, desenvolvendo uma espiritualidade comunitária própria. Nelas, já existem grupos de reflexão organizados, celebrações frequentes, participação ativa na vida paroquial e iniciativas pastorais que fortalecem a comunhão e a missão.

Entretanto, os frutos mais significativos podem ser percebidos onde as comunidades deram um passo além e se constituíram como Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Nessas experiências, a comunidade deixa de ser apenas um agrupamento territorial e assume plenamente sua identidade eclesial missionária. O povo organiza-se para cuidar da vida da comunidade, da evangelização, da celebração da fé e da solidariedade entre as pessoas.

As CEBs tornam-se espaços onde os moradores se conhecem, partilham suas alegrias e dificuldades, cuidam uns dos outros e assumem corresponsavelmente a missão da Igreja. Além de olhar para sua própria realidade local, mantêm uma profunda comunhão com a paróquia, a Arquidiocese e a sociedade, contribuindo para a transformação social à luz do Evangelho.

A experiência tem demonstrado que a setorização alcança sua maior fecundidade quando gera comunidades vivas e missionárias, e estas, por sua vez, amadurecem como CEBs. É nesse processo que a Igreja se torna mais próxima do povo, fortalece o sentimento de pertença, forma lideranças e promove uma evangelização encarnada na realidade das pessoas. Assim, a comunidade deixa de ser apenas um lugar onde se participa de atividades religiosas e passa a ser uma verdadeira família de fé, esperança e compromisso com o Reino de Deus.
-------------------
Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Fim da escala 6×1: uma reflexão pastoral sobre o tempo e a dignidade da vida


O debate em torno da PEC nº 8, de 2025, ultrapassa a simples discussão sobre jornadas e escalas de trabalho. No centro dessa reflexão está uma questão profundamente humana e cristã: o valor do tempo na vida das trabalhadoras e dos trabalhadores.

O trabalho é uma dimensão essencial da existência humana. Por meio dele, mulheres e homens colaboram com a obra da criação, sustentam suas famílias e contribuem para o bem comum. Contudo, o trabalho não pode ocupar todo o espaço da vida. A pessoa humana é chamada também ao descanso, à convivência familiar, ao cultivo da espiritualidade, à participação comunitária, ao estudo, ao lazer e ao compromisso com a sociedade.

Quando refletimos sobre o tempo das trabalhadoras e dos trabalhadores, estamos refletindo sobre a qualidade das relações humanas. Estamos falando do tempo para acompanhar as filhas e os filhos, cuidar das idosas e dos idosos, participar da comunidade de fé, envolver-se nas ações solidárias, estudar, ler, ampliar conhecimentos e exercer a cidadania. Estamos falando do direito de viver plenamente.

A Doutrina Social da Igreja recorda que a economia e as estruturas sociais devem estar a serviço da pessoa humana, e não o contrário. Por isso, toda discussão sobre a organização do trabalho precisa considerar não apenas a produtividade, mas também a dignidade humana, a saúde física e mental, a vida familiar e a participação social.

Como comunidades cristãs, somos chamadas e chamados a olhar para esse debate com serenidade, consciência crítica e compromisso com o bem comum. Não podemos reduzir essa reflexão a uma questão meramente técnica ou econômica. Trata-se também de perguntar que tipo de sociedade queremos construir: uma sociedade em que as pessoas tenham condições de trabalhar com dignidade e, ao mesmo tempo, encontrem espaço para viver, conviver, aprender, celebrar a fé e participar da transformação da realidade.

A defesa de mais tempo para a vida não significa menos compromisso com o trabalho. Significa reconhecer que mulheres e homens são mais do que força de produção. São filhas e filhos de Deus, chamados a desenvolver todas as dimensões de sua existência: familiar, comunitária, cultural, espiritual, social e política.

Que este debate nos ajude a reafirmar um princípio fundamental do Evangelho: a vida humana vale mais do que qualquer lógica de produção. O trabalho deve servir à vida, e não a vida servir ao trabalho. Afinal, Deus não criou as mulheres e os homens apenas para trabalhar, mas para viver em plenitude, em comunhão com as outras pessoas e com toda a criação. Que cada trabalhadora e cada trabalhador tenham garantido o direito não apenas de sobreviver, mas de viver plenamente, participando da família, da comunidade e da construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.