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Olá, Flávio Bolsonaro tentou buscar ajuda lá fora, mas foi abduzido por Trump. E quem pilota agora a nave bolsonarista no Congresso é Davi Alcolumbre.
.O feitiço e o feiticeiro. Flávio Bolsonaro até tentou usar a poção da irracionalidade a seu favor, mas foi surpreendido pelo mago do irracionalismo político. O que começou como uma aparente vitória depois da visita a Washington, com Trump declarando o PCC e o CV como organizações terroristas, acabou virando pesadelo depois que o presidente norte-americano anunciou uma nova onda de tarifas ao Brasil. Ao contrário da primeira vez, quando Eduardo ajudou a articular pessoalmente o tarifaço e os Bolsonaros cantaram vitória, agora todo mundo sabe que a medida é impopular. Ainda mais porque o relatório que sustenta a nova taxação critica inúmeras vezes o Pix. O que Bolsonaro Júnior não entendeu é que Trump está mais preocupado com as eleições legislativas nos Estados Unidos do que com o sucesso da familícia brasileira. Rapidamente, o candidato do PL tentou evitar o pior, manifestando-se contra o tarifaço, mas o estrago já tinha sido feito. Lula aproveitou para denunciar seu adversário como traidor da pátria e uma enxurrada de memes tomou conta das redes. E, se a pauta não fosse mudada pelo OVNI do Paraná, a sangria continuaria. Assim, a jogada de trazer Trump para as eleições brasileiras pode ter sido um erro decisivo no esforço de bater Lula. A verdade é que Flávio já vinha sofrendo nas últimas pesquisas com os reflexos do escândalo Dark House. Depois de um empate técnico com Lula no início de maio, agora ele aparece 5 pontos atrás do atual presidente num hipotético segundo turno, segundo a Real Time. Outro dado importante da pesquisa é que Lula se sai melhor contra o candidato do PL do que contra Caiado ou Zema. Já a Genial/Quaest aponta que Flávio deixou de ser visto pelo eleitor insatisfeito como uma alternativa antissistema. E um levantamento em grupos de Whatsapp e Telegram mostra que a maior parte da população responsabiliza Flávio tanto pelo tarifaço quanto pelas ameaças ao Pix. E o que é ruim ainda pode piorar. O julgamento de Eduardo Bolsonaro por tentar influenciar o governo dos Estados Unidos contra o Brasil já tem data agendada no Supremo, e a exposição midiática do caso promete colar a pecha de traidores da pátria na família toda. Além disso, uma possível delação de Vorcaro pode envolver mais diretamente o “amigo” Flávio e o “irmãozão” Ciro Nogueira, esclarecendo as relações financeiras entre o banqueiro e o mundo da política.
.O Trump de Macapá. A capacidade dos Bolsonaros criarem os próprios problemas ajuda, mas não é suficiente para tornar a vida do governo mais fácil. Porque ao mesmo tempo em que joga xadrez contra Trump e damas contra Flávio Bolsonaro, Lula também disputa uma queda de braço com Davi Alcolumbre. Recolhido a cada fato novo do escândalo do Master e magoado que o governo não saiu em seu socorro, Alcolumbre está mais discreto, mas não imóvel. A má vontade do presidente do Senado com a PEC que acaba com a 6x1, mesmo depois da retumbante vitória na Câmara, tem um pouco de chantagem com o governo, mas também atende à pressão dos empresários e do bolsonarismo. Afinal, ao mesmo tempo em que Alcolumbre criou uma fictícia Comissão Especial para analisar e atrasar o tema, acelerou a tramitação da proposta da PEC do Patrão de Flávio Bolsonaro, que cria jornada de trabalho infinita e negociações individuais. A estratégia também é uma forma de driblar a própria Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde já se sabe que a 6x1 tem prioridade, ao contrário do projeto da extrema-direita. Alcolumbre também repete a tática em outros temas, bloqueia o governo com uma mão e acena ao bolsonarismo com a outra. Continuam paradas outras pautas de interesse do Planalto, como a PEC da Segurança e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, enquanto pautas da bancada evangélica e da extrema-direita foram desengavetadas, como aquela que restringe o aborto legal, aprovada em dois minutos, a CPI da Pedofilia e a discussão da “cura gay”. Tudo isso sem contar a provável nova indicação de Jorge Messias ao STF, que reafirmaria a prerrogativa do Presidente da República em indicar os ministros, mas também dobra a aposta da disputa com Alcolumbre. Por enquanto, quem tem ganho com a tensão é Hugo Motta, que cumpriu sua parte nos acordos com o governo e deve seguir no mesmo ritmo com outras pautas, como os data centers e Inteligência Artificial. Aliás, com a proximidade das eleições, esses temas ganham força pela capacidade das big techs interferirem nos resultados, daí a preocupação do STF em trazer de volta a discussão sobre regulação.
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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.


