10 dezembro, 2018

Demarcação já!

Demarcação já!
Letra: Carlos Rennó  

Já que depois de mais de cinco séculos
E de ene ciclos de etnogenocídio
O índio vive, em meio a mil flagelos
Já tendo sido morto e renascido

Tal como o povo kadiwéu e o panará

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que diversos povos vêm sendo atacados
Sem vir a ver a terra demarcada
A começar pela primeira no Brasil
Que o branco invadiu já na chegada
A do tupinambá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, tal qual as obras da Transamazônica
Quando os milicos os chamavam de silvícolas
Hoje um projeto de outras obras faraônicas
Correndo junto da expansão agrícola
Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que tem bem mais latifúndio em desmesura
Que terra indígena pelo país afora;
E já que o latifúndio é só monocultura
Mas a T.I. é polifauna e pluriflora

Ah!

Demarcação já!
Demarcação já!

E um tratoriza, motosserra, transgeniza
E o outro endeusa e diviniza a natureza
O índio a ama por sagrada que ela é
E o ruralista, pela grana que ela dá;

Hum, bah!

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que por retrospecto só o autóc
Tone mantém compacta e muito intacta
E não impacta, e não infecta, e se
Conecta e tem um pacto com a mata

Sem a qual a água acabará

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que não deixem nem terras indígenas
Nem unidades de conservação
Abertas como chagas cancerígenas
Pelos efeitos da mineração

E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que tal qual o negro e o homossexual
O índio é tudo que não presta, como quer
Quem quer tomar-­lhe tudo que lhe resta
Seu território, herança do ancestral

E já que o que ele quer é o que é dele já

Demarcação, tá?
Demarcação já!

Pro índio ter a aplicação do Estatuto
Que linde o seu rincão qual um reduto
E blinde-­o contra o branco mau e bruto
Que lhe roubou aquilo que era seu

Tal como aconteceu, do Pampa ao Amapá

Demarcação lá!
Demarcação já!

Já que é assim que certos brancos agem

Chamando-­os de selvagens, se reagem
E de não índios, se nem fingem reação
À violência e à violação

De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá

Demarcação já!
Demarcação já!

Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, voadeira
Que nem por isso deixa de ser índio
Nem de querer e ter na sua aldeia
Cuia, canoa, cocar, arco, maracá

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que o indígena não seja um indigente
Um alcoólatra, um escravo ou exilado
Ou acampado à beira duma estrada
Ou confinado e no final um suicida
Já velho ou jovem ou pior, piá

Demarcação já!
Demarcação já!

Por nós não vermos como natural
A sua morte sociocultural
Em outros termos, por nos condoermos
E termos como belo e absoluto

Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná

Demarcação já!
Demarcação já!

Pois guaranis e makuxis e pataxós
Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós
É quem dentro de nós a gente traz, aliás
De kaiapós e kaiowás somos xarás

Xará

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra não perdermos com quem aprender
A comover-­nos ao olhar e ver
As árvores, os pássaros e rios
A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara
E a flor de maracujá

Demarcação já!
Demarcação já!

Pelo respeito e pelo direito
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria
De cada espécie da comunidade
De seres vivos que na Terra ainda há

Demarcação já!
Demarcação já!

Por um mundo melhor ou, pelo menos
Algum mundo por vir; por um futuro
Melhor ou, Oxalá, algum futuro
Por eles e por nós, por todo mundo

Que nessa barca junto todo mundo tá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que depois que o enxame de Ibirapueras
E de Maracanãs de mata for pro chão
Os yanomami morrerão deveras
Mas seus xamãs seu povo vingarão
E sobre a humanidade o céu cairá

Demarcação já!
Demarcação já!

Já que, por isso, o plano do krenak encerra
Cantar, dançar, pra suspender o céu
E indígena sem terra é todos sem a Terra
É toda a civilização ao léu

Ao deus­-dará

Demarcação já!
Demarcação já!

Sem mais embromação na mesa do Palácio
Nem mais embaço na gaveta da Justiça
Nem mais demora nem delonga no processo
Nem retrocesso nem pendenga no Congresso
Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!

Demarcação já!
Demarcação já!

Pra que nas terras finalmente demarcadas
Ou autodemarcadas pelos índios
Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros
Mandantes nem capangas nem jagunços
Milícias nem polícias os afrontem

Vrá!

Demarcação ontem!
Demarcação já!

E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá

Demarcação JÁ - Música dedicada aos povos Indígenas

06 dezembro, 2018

04 dezembro, 2018

Feliz esperança!


Oração

"Senhor Jesus,
Infunde em nós o Espírito de Sabedoria 

Que nos ensine a viver E a buscar a verdadeira felicidade;
Infunde em nós o Espírito de Entendimento 
Que nos faça penetrar nos segredos do teu coração manso e humilde; 
Infunde em nós o Espírito de Conselho e de Fortaleza
Que nos leve a fazer opções corretas e a concretizá-Ias com perseverança, paciência e tenacidade; 
Infunde em nós o Espírito de Ciência
Que nos faça entender a nossa história à luz do projecto de Deus Pai;
Infunde em nós o Espírito de temor do Senhor 
Que nos leve a colocar a vontade do Pai no centro dos nossos pensamentos, desejos e projetos.
Infunde em nós o Espírito
Para que o teu amor ablativo caracterize a nossa vida e revele aos pequenos e pobres,
o rosto de Deus Pai. 
Amém."

Fonte: Dehonianos

03 dezembro, 2018

Confraternização CEBs - Arquidiocese de Maringá

Confraternização da coordenação Arquidiocesana das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.
01/12/2018.

A vocês visitantes do Blog!


30 novembro, 2018

Primeira Semana do Advento


Oração

"Senhor, ao menos uma vez por ano, a natureza, que nos rodeia, manifesta as suas capacidades escondidas quando, na Primavera, desabrocham folhas e flores, ervas e searas nos nossos campos. É o irromper improviso e violento da vida que escondeste no mundo material, e que nos revela as maravilhas que ele pode produzir, quando responde à tua palavra. Tal como a terra explode na Primavera em folhas, rebentos e flores, assim um dia explodirá, transformando-se num mundo de luz e de glória, onde será possível vermos os Santos e os Anjos que o habitam. Será a Primavera Eterna que aguardamos na fé. Sabemos que há-de vir e não tardará (cf. Heb 10, 37). Por isso Te suplicamos: Venha o teu Reino! Mostra-Te, Senhor, manifesta-Te; Tu que te sentas sobre os Querubins, mostra-te; ergue o teu poder e vem ajudar-nos. Amém.Fonte: Dehonianos



27 novembro, 2018

As freiras que, em vez de catequizar, defenderam cultura indígena e viram povo 'renascer'

Setembro de 2013, nordeste do Mato Grosso. A casa simples da freira Geneviève Hélène Boyé, a irmãzinha Veva, estava tomada por algumas dezenas de pessoas. No interior da residência, fora cavado um buraco retangular no chão de terra e, dentro dele, jazia seu corpo, pendurado em uma rede branca, a mesma na qual ela dormia todas as noites.  

As irmãs em 1976, antes de abandonarem as roupas tradicionais de freiras  

Ao redor, índios Apyãwa - conhecidos também como Tapirapé - batiam levemente os pés no chão, balançando sutilmente o corpo, enquanto entoavam um longo canto lamurioso. Depois de a cova ser fechada com tábuas, as mulheres, chorando, peneiraram quilos de terra por cima, conforme sua tradição. Alguns não indígenas acompanhavam o ritual e repetiam os movimentos, entre eles Odile Eglin, a irmã Odila.

'O que faz o Brasil ter 190 línguas em perigo de extinção

A cerimônia aconteceu a cerca de oito mil quilômetros da terra natal das duas, a França. Integrantes da fraternidade Irmãzinhas de Jesus, as freiras viveram por décadas com - e como - os Apyãwa. Veva, que chegou com o primeiro grupo em 1952, lá ficou praticamente todo o tempo até morrer, 60 anos depois, quando foi enterrada pelo costume indígena, segundo sua escolha.

Odila, que se juntou a ela em 1982, retornou a Paris em janeiro, encerrando um ciclo de 65 anos na comunidade: foi a última religiosa a viver com os Tapirapé.

Quando Veva e mais duas freiras chegaram para estabelecer a primeira missão das Irmãzinhas nas Américas, a população Apyãwa estava reduzida a cerca de 50 pessoas e corria o risco de desaparecer. Hoje são quase mil, aproximando-se do tamanho que tinham no início do século 20.

Epidemias entre indígenas

Direito de imagemCIMIImage captionIrmã Genoveva rema em canoa pelo rio Tapirapé; freiras abraçaram modo de vida dos indígenas

A forte redução populacional na primeira metade do século passado foi provocada principalmente por doenças transmitidas por não indígenas, como gripe e varíola, contra as quais os Tapirapé não tinham anticorpos. A situação depois foi agravada por um ataque dos índios Kayapó, então seus inimigos.

O papel das freiras para a recuperação desse povo...continue lendo, clique aqui.


Assim como a vida e o mundo são dinâmicos, assim também o cuidado do mundo deve ser flexível e dinâmico


25 novembro, 2018

Obrigada CEBI por não desistir de mim.

Obrigada CEBI por não  desistir de mim.
Foi especial a manhã deste domingo, 25 de novembro de 2018.
Agradeço ao Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos de Maringá-Pr , por não desistir de mim...Rsrsrsrs...
Diante  da não desistência em convidar-me durante esse ano, hoje estive com vocês e foi maravilhoso.

Dar as mãos

20 novembro, 2018

Da minha consciência negra do porvir



Da minha consciência negra do porvir:

Cotas

Caras pretas pedindo esmola
Caras pretas fora da escola
É assim que se vive a igualdade
No país da felicidade

Caras pretas, nas senzalas
Atrás da cozinha, longe da sala
Caras pretas, prostitutas
Se se atrevem a sair às ruas

Caras pretas, mais um suspeito
Longe do mundo acadêmico
Caras pretas se levantando
Deixando para trás o rebanho

Caras pretas aprendendo
Quebrando a sina do engenho
Ensinando ao país da felicidade
A porta da frente é igualdade


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O poema de Aline Djokic, publicado originalmente por Blogueiras Negras.

19 novembro, 2018

Gosto do que é simples: um abraço, um obrigado, um “se cuida”



Gosto do que é simples: um abraço, um obrigado, um “se cuida”

Gosto do que é simples: um abraço, um obrigado, um “se cuida”. Me considero um fiel admirador das pessoas simples, pois para mim são as mais belas aquelas que se deixam guiar pelo senso comum, pela sua intuição e pelo coração que não conhece artifícios.

Fato curioso e também inspirador é saber que na atualidade, tanto no aspecto do desenvolvimento pessoal como no campo das grandes organizações, passou a ser moda “resgatar” o valor do simples. De fato, muitos especialistas em marketing e publicidade têm um lema que quase nunca falha: “faça-o simples e algo acontecerá“.

Gosto do cheiro das pessoas simples, é a fragrância do respeito, de um “bom dia” juntamente com um grande sorriso, de um “se cuida” com imensa sinceridade… Não há falsidade nos belos olhares dessas pessoas, nem tampouco em suas almas.

Antonio Machado dizia que “é próprio dos homens de mentalidade pequena investir contra tudo aquilo que não lhes cabe na cabeça”. É sem dúvida um bom exemplo para descrever as personalidades para as quais as coisas sensíveis não têm sentido. Confundem o simples com o “simplista”. A simplicidade não tem nada a ver com ser ingênuo, muito menos com ser inocente.

Na verdade, este conceito contempla um grande poder do qual quase não temos consciência.

O poder do simples, das emoções e da inteligência

Recordemos por instantes um dos anúncios com maior impacto da televisão. Estávamos no ano de 2001 e a BMW quebrou padrões com o slogan “Adoro dirigir“. Nesse anúncio, foram deixadas de lado as características físicas do produto e sua tecnologia para falar exclusivamente das sensações que a direção nos proporciona.

Bastava uma mão. Uma mão que saía pela janela, que voava e fluía enquanto se apelava à universalidade de emoções e sentimentos que todos já experimentamos com este mesmo ato tão habitual durante a infância. Não era preciso ver o automóvel, a marca já estava criada de forma magistral.

É aí que se inscreve a modo de exemplo o poder do simples. Não obstante, este anúncio foi por si só um ato de coragem por parte da agência SCPF e dos seus diretores criativos. A eles, como a qualquer outra pessoa que deseja apelar ao valor do simples, do elemental e ao poder da emoções, só podemos dizer o seguinte:

 Quem pratica o valor do simples é um “simplista”, alguém que não se esforça em mostrar algo mais profundo, mais sofisticado e elaborado.
Se você é simples, todos serão iguais a você, você não poderá se destacar. No caso deste anúncio, o que alguns podem chegar a pensar é que é tão “simples e tem tão pouca coisa que qualquer um poderia fazer igual”.

Na realidade, quando alguém busca a simplicidade, deve estar ao lado dos melhores pensadores do mundo. Porque como disse Winston Churchill, “das complexidades intensas saem as simplicidades mais bonitas“.

A beleza da simplicidade nos atos do dia a dia

Costuma-se dizer que a vida é como uma teia de aranha. Nossas linhas se mesclam em ângulos estranhos, tomamos caminhos errados, nossos esforços não se correspondem ao que foi alcançado e, finalmente, ficamos presos a estas realidades terrivelmente complexas e sombrias.

“A falta de simplicidade estraga tudo.”
-Miguel de Unamuno–

Por que é tão difícil, então, nos deliciarmos com a simplicidade dos atos do dia a dia? Por que complicar tanto a vida? De certa forma, isso tem muito a ver com o que indicamos agora há pouco; a alma simples e o olhar humilde são dimensões que não se encaixam muito bem em uma sociedade que associa o complexo ao eficaz, e em consequência, à felicidade.

Nos vendem computadores com muitos programas, celulares com aplicativos infinitos, os salões de beleza nos oferecem inúmeros tipos de tratamentos para o cabelo, e todos os dias nos lembram que é bom ter muitos diplomas, muitos títulos, muitos amigos… A complexidade está associada à ideia de felicidade dourada, que na realidade nem sempre é verdade.

Algo que deveríamos levar em conta é que as coisas grandes acontecem quando se faz bem as pequenas, e para isso, nada melhor do que praticar a arte da simplicidade nos nossos atos do dia a dia.

Avançar com calma, sendo conscientes do que nos envolve e fazendo uso do senso comum e da intuição são sem dúvida as melhores estratégias para desfazer todos os nós dos nossos problemas mais complexos. Devemos confiar um pouco mais no nosso instinto e sermos receptivos à voz do coração.

Às vezes deixamos de lado grande parte da nossa “quota de vida” imersa em esforços infrutíferos que nos separam por completo daquilo que realmente desejamos. Por isso, lembre-se de que a complexidade não deve ser admirada, deve ser evitada, pois a arte de saber quais coisas devemos deixar de lado será o único caminho que nos permitirá encontrar aquilo que realmente merecemos.

A saber: amor, liberdade, integridade e realização pessoal.

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Testo de A Grande Arte De Ser Feliz, publicado em agrandeartedeserfeliz.com, 16 de novembro de 2017.

Não desanimar e não perder a esperança!