11 janeiro, 2021

Morre por Covid-19 Cantora Roci Mendoça!

Faleceu no final de semana deste sábado (9) a cantora da Amazonas Roci Mendonça. 
Mais uma vida tirada pela Covid-19. 
A cantora estava grávida e precisou fazer cirurgia de emergência para salvar seu primeiro filho. O bebê está na UTI neonatal.


Garantido 2019 - Roci Mendonça cantando trecho de "Rosas Vermelhas"

07 janeiro, 2021

Entrevista com Ailton Krenak

Entrevista com Ailton Krenak

"Próxima missão do capitalismo é se livrar de metade da população do planeta "

'A desigualdade deixa fora da proteção social 70% das pessoas. E, no futuro, não precisará delas sequer como força de trabalho’ 

‘Estamos no Brasil em uma situa­ção desgraçada, que mistura pandemia e essa miséria política. Fora do Brasil, ao menos, há esperança de abrir outros debates acerca das desigualdades que a pandemia agravou, as mudanças climáticas, os refugiados… Essa é uma questão muito importante até para entender a pandemia. Essa movimentação de gente, atravessando fronteiras no mundo inteiro, pode ser um vetor de novas pandemias que podem arrasar a gente.’ 

A entrevista é de Carta Capital, confira AQUI

Curso de Verão 2021 – Este ano online


O Curso de Verão 2021 será realizado no formato online. 
Participe e divulgue nas suas redes sociais. 
Você é convidada/o para estudar, refletir e buscar saídas para a vida na cidade, de forma sustentável.
Neste dia 7/01, às 20h teremos uma ANÁLISE DE CONJUNTURA, refletir sobre o impacto da pandemia em nossas vidas.

Nota da CNBB - Unidos e Responsáveis Rumo ao Novo que Desejamos

Ideia fundamental a necessidade de união! 


Leia a nota da CNBB 


Unidos e Responsáveis Rumo ao Novo que Desejamos 

“Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10) 

1. O novo que buscamos neste ano de 2021 requer a união de todos os cidadãos de boa vontade para enfrentamento da covid-19. Os números mostram que a pandemia está se tornando mais grave no Brasil. Já são cerca de 200 mil mortos. 

2. As vidas perdidas não podem simplesmente compor quadros estatísticos. É luto e dor no coração das famílias. São histórias interrompidas por uma ameaça ágil, perigosa e invisível, porém real. 

3. Para erradicar a covid-19, é imprescindível que todos caminhem juntos, solidariamente, sem exclusões. É preciso reconhecer que o vírus não respeita fronteiras, classes sociais e qualquer outra forma de categorização que, com tanta frequência, fundamentam lamentáveis discriminações. 

4. A palavra de ordem é, portanto, união. É preciso haver, cada vez mais, corresponsabilidade no enfrentamento deste desafio sanitário e social. Não se vence uma pandemia isoladamente. Cada pessoa deve cuidar de si e, principalmente, do outro, que é irmão e irmã, com profundo respeito ao distanciamento social e atenção aos protocolos sanitários indicados pelas autoridades em saúde. 

5. Não podemos nos render à indiferença de alguns, negacionismos de outros ou à tentação de nos aglomerarmos, permitindo que nos contaminemos e nos tornemos instrumentos de contaminação, sofrimento e morte de outras pessoas. Não deixemos que o cansaço e a desinformação nos levem a atitudes irresponsáveis. Sejamos fortes! Permaneçamos firmes! 

6. A vacina seja para todos. É uma questão de responsabilidade a rápida definição de estratégias para se começar imediatamente a vacinação, compreendida como fato social, não individual, para alcançar metas indicadas pelos epidemiologistas. 

7. Justiça, solidariedade e inclusão são os principais critérios a serem seguidos no enfrentamento desta pandemia. Cada instituição e segmento da sociedade têm graves responsabilidades neste processo. Por isso, a Igreja Católica assume seu compromisso de colaborar como força educativa e solidária rumo a um novo estilo de vida. 

8. A sociedade brasileira exige pronta união e atuação dos governantes, nas diferentes esferas do poder, guiados pela ciência e sérias indicações dos epidemiologistas, para que a vacinação comece urgentemente, pois, a cada dia, vidas são perdidas para a pandemia, agravada também por seus impactos econômico-sociais. 

9. Especial atenção seja dedicada aos mais vulneráveis e pobres. É inaceitável e pouco inteligente que a vacina chegue mais rapidamente a alguns, deixando a descoberto a maior parte da população. 

10. O Papa Francisco, na Carta Encíclica Fratelli Tutti, ensina que a palavra solidariedade expressa muito mais do que gestos esporádicos. “A solidariedade, no seu sentido mais profundo, é uma forma de fazer história” (Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 116). A humanidade está adoecida pela pandemia e só encontrará a cura se caminhar unida, adotando a solidariedade como princípio que orienta as relações, para que todos tenham a oportunidade de se vacinar, para que cada pessoa assuma a própria responsabilidade no cuidado com o seu semelhante e com a Casa Comum. 

11. Deus, que nos fez livres e corresponsáveis pela obra da Criação, pelo cuidado uns dos outros, ajude-nos a aprender com as lições desta pandemia, para que possamos superá-la e avançarmos na construção de um mundo mais saudável, a partir da fraternidade e da solidariedade universal. 


Brasília-DF, 6 de janeiro de 2021 

D. Walmor Oliveira de Azevedo 
Arcebispo de Belo Horizonte, MG 
Presidente 


D. Jaime Spengler 
Arcebispo de Porto Alegre, RS 
1º Vice-Presidente 


D. Mário Antônio da Silva 
Bispo de Roraima, RR 
2º Vice-Presidente 


D. Joel Portella Amado 
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ 
Secretário-Geral


06 janeiro, 2021

Dia Mundial da Infância Missionária

"Hoje é celebrado o Dia Mundial da Infância Missionária. Agradeço a todas as crianças e jovens envolvidos, encorajo-vos a serem alegres testemunhas de Jesus, procurando sempre levar a fraternidade  entre os vossos pares." (Papa Francisco)




O Papa e as vacinas. A caridade que humilha

"A vacina anti-Covid é o protótipo mais brilhante da “Klondike gold rush” da pandemia. Enquanto isso, ninguém mais fala da vacina como um "bem público global". A vacina é um elemento que faz disparar para o alto, aliás para muito alto, o lucro de quem a produz, transporta e distribui. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades e não de acordo com os meios disponíveis. Mas acontece exatamente o oposto. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades das populações e não de acordo com os caprichos dos políticos. Mas, novamente, acontece exatamente o oposto", escreve Alberto Bobbio, editor-chefe da revista Famiglia Cristiana, em artigo publicado por Eco di Bergamo, 05-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.

As doses de vacinas desaparecem no conflito político ou não chegam em muitos países que não conseguem atender as garantias do mercado. Assim, no início de uma campanha global de vacinação nunca vista na face da terra, os problemas previstos parecem superar os benefícios esperados. Provavelmente o Papa Francisco está certo quando, ainda no domingo no Angelus, reiterou que as coisas vão melhorar se “trabalharmos juntos para o bem comum”. Ninguém, nem mesmo o Papa, sabe como tudo vai terminar, mas ele está absolutamente convencido de uma coisa: tudo irá bem se cada um de nós e todos juntos nos comprometemos a cuidar uns dos outros e da criação, que é a nossa casa comum. "Cuidar" será a palavra-chave para 2021, o segundo ano da pandemia.

No entanto, "cuidar" é um conceito que contrasta, para ficar no tema apenas da Covid-19, com outra desventura que muitas políticas de saúde e muitas regras econômicas impuseram e agora se espalham em nível global. Chama-se "nacionalismo sanitário", uma espécie de corrida do ouro para garantir o melhor para si, fazendo tropeçar os vizinhos e mantendo distante os que já ficaram para trás. Bergoglio já vem dizendo isso há algum tempo, mas nos dias próximos ao Natal o repetiu com mais força.

A vacina anti-Covid é o protótipo mais brilhante da “Klondike gold rush” da pandemia. Enquanto isso, ninguém mais fala da vacina como um "bem público global". A vacina é um elemento que faz disparar para o alto, aliás para muito alto, o lucro de quem a produz, transporta e distribui. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades e não de acordo com os meios disponíveis. Mas acontece exatamente o oposto. Deveria ser distribuída de acordo com as necessidades das populações e não de acordo com os caprichos dos políticos. Mas, novamente, acontece exatamente o oposto.

No Peru, país da América Latina que registra um dos níveis mais altos de mortes em relação à população, as doses se perderam no embate político interno entre o ministério da saúde, o deposto presidente Vizcarra e o Congresso, que se acusam mutuamente de grandes confusões.

Nem um único frasco chegou à Nigéria, o maior país africano. Mas é toda a África que até agora está sendo deixada às margens: ela não tem garantias para oferecer ao mercado das Big Pharma.

A maneira de evitar acabar na areia movediça das finanças e, para muitos países, de ver sua dívida aumentar, seria desvincular todas as vacinas das propriedades intelectuais. Mas o petisco é saboroso demais para oferecê-lo de graça. A faixa de custo por dose é muito ampla, de US $ 2 a US $ 32 por dose. Mas ainda não se sabe quanto custam aquelas russas e chinesas. Depois, há custos e custos. São pagos em dinheiro vivo e influência geopolítica, sem regras ou com regras canalhas.

A saúde é um bom negócio para investimentos colaterais de uma ampla cadeia de suprimentos, desde os transportes até a construção de edifícios e descontos sobre as matérias-primas. A logística é o setor que promete excelentes retornos. Como se mantém o controle de quem é vacinado em países onde não há nem mesmo registros de nascimentos? Já apareceram sujeitos garantindo a alguns países africanos resolver os dois problemas. Em troca de uma gorda compensação.

Aqueles que prometem vacinas gratuitas na ausência de uma autoridade de controle ​​supranacional costumam fazer o jogo do gato e da raposa contra o pobre Pinóquio. Um Ente internacional havia sido proposto por Bergoglio no Natal, pois a OMS estava com problemas a esse respeito mas ninguém, absolutamente ninguém, aceitou a sugestão, nem mesmo para criticá-lo. Sinal de que atingiu o ponto mais delicado. Isso não significa que os pobres não terão a vacina nos próximos meses. Significa apenas que a terão por esmola, caridade que humilha, e não pela solidariedade dos cuidados entre iguais.

Fonte: IHU

04 janeiro, 2021

Deus nos dá sinais muito pessoais!

Segue um pequeno texto que escrevi para uma reflexão.


Deus nos dá sinais muito pessoais!

 Ao celebrarmos a epifania no domingo passado, vimos que a estrela foi o sinal de Deus para os magos.

 Qual o sinal que Deus dá para nós será que ainda não enxergamos. Todos nós recebemos sinais de Deus.

 Deus nos dá sinais muito pessoais, vamos estar atentos aos sinais dos tempos e aos sinais de Deus.

  A realidade em que vivemos hoje, o distanciamento social, a realidade virtual, muitas dessas realidades virtuais fechada em um pequeno grupo online, satisfazendo e até motivando desejos pessoais, realizações pessoais. Essas realidades podem nos levar a virarmos a costa para os sinais de Deus, aí corremos o risco de nos perdermos, desanimarmos em nossos compromissos, nossa vocação, aí as coisas de Deus, as coisas pastorais vão ficando em segundo plano. Isso é perigoso.

 A vida pública de Jesus nos da certeza que o caminho a percorrer é um caminho longo, caminho sem muitas certezas, mas é preciso nos colocar a caminho, procurando o rosto do Senhor.

  O Senhor já nos procurou. Com o batismo a certeza que devemos nos colocar a procura levando nossas irmãs e nossos irmãos também a ir a procura para uma experiência de Amor com o Senhor.

 Quando fazemos essa experiência de amor com o Senhor, nos leva a sermos solidários com as nossas irmãs e nossos Irmãos.  Com a justiça, com o projeto de Deus.

 Para essa experiência de amor com o Senhor é preciso repensar nossas certezas, nossas escolhas, nossas acomodações.

 Assumir nosso batismo é se colocar a caminho das irmãs e dos irmãos, para acolher e envolver nas suas alegrias e esperanças, dores e angustias.

 Jesus foi fiel a Deus e ao seu projeto até a cruz, não podemos desistir, quando passarmos por dificuldades e provações da fé. Não desistir e continuar, até o encontro definitivo com o Senhor.

 Penso que a missão nossa de batizadas e de batizados é levar pessoas a fazer linda experiência de amor com o Senhor, Jesus nos ensina como devemos agir, do jeito Dele, na oração, na solidariedade indo ao encontro para estar junto, sentir o cheiro, para acolher, olhar nos olhos, tocar, segurar as mãos, para isso é preciso sair de nossas acomodações e ir ás casas, nos abrigos, nas ruas, presídios, hospitais. Entrar na realidade do nosso povo, como Jesus.

  Celebrando o Batismo de Jesus, que se tornou tudo para todos, revisemos nossa consciência, nossas escolhas e assim o nosso Batismo. Pois, com Jesus aprendemos que o Batismo é saída, caminho, missão.

  É muito bom saber que todos nós, no mundo todo, independentemente de credo, de raça, de cor, em qualquer situação de vida somos convidados a aceitar a boa nova da paz por meio de Jesus Cristo.

   Animados e fortalecidos pelo Espírito Santo, iremos viver a vocação e a missão de batizados, de filhos e filhas de Deus, na vivência semanal do Mistério Pascal de Cristo, na Eucaristia Dominical e na vida feita eucaristia.

 No exercício do amor fraterno, comunitário e missionário prolonga-se o amor e o bem-querer divino pelo seu povo. O Espírito Santo desceu sobre Jesus enquanto rezava. Ele desce também sobre nós. Reconhecendo-nos como filhas e filhos bem-amados de Deus em Jesus Cristo.


31 dezembro, 2020

Bem vindo 2021!

Lhe desejo esperança, saúde, coração puro, olhar de ternura, sabedoria, fé e que em cada dia renasça em você a certeza de não apagar a importância da aproximação para um toque humano, o olhar, sentir e comprometer-se, sendo assim a presença amiga de nosso Deus, principalmente para quem mais precisa. 

Feliz 2021. 

Que o nosso Deus o abençoe.

 

A BÊNÇÃO de Dom Frei Severino Clasen para 2021

Carta do cacique indígena Ts’ial-la-kum, de Seattle/EUA ao presidente norte-americano em 1854

Carta que o cacique indígena Ts’ial-la-kum, de Seattle/EUA, enviou ao presidente norte-americano em 1854, e distribuída pelo Programa para o Meio Ambiente da ONU.






Nascimento: 1786

Território de Washington

Morte: 7 de junho de 1866 (79–80 anos)

Ocupação: chefe tribal

Obras destacadas: Chief Seattle's speech

Religião: Igreja Católica








Discurso feito pelo Chefe Seattle ao Presidente Franklin Pierce em 1854

(depois do Governo Americano ter dado a entender que desejava adquirir o Território da Tribo)

O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.

Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.

Minha palavra é como as estrelas - elas não empalidecem.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo, cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.

O homem branco esquece a sua terra natal, quando - depois de morto - vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia - são nossos irmãos. As cristas rochosas, os sumos da campina, o calor que emana do corpo de um mustang, e o homem - todos pertecem à mesma família.

Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que irá reservar para nós um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a tua oferta de comprar nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós sagrada.

Esta água brilhante que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, terás de te lembrar que ela é sagrada e terás de ensinar a teus filhos que é sagrada e que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os eventos e as recordações da vida de meu povo. O rumorejar d'água é a voz do pai de meu pai. Os riois são nossos irmãos, eles apagam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios são irmãos nossos e teus, e terás de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora, deixa para trás os túmulos de seus antepassados, e nem se importa. Arrebata a terra das mãos de seus filhos e não se importa. Ficam esquecidos a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos à herança. Ele trata sua mãe - a terra - e seu irmão - o céu - como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelha ou miçanga cintilante. Sua voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.

Não sei. Nossos modos diferem dos teus. A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende.

Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das assa de um inseto. Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende; o barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida é aquela se um homem não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O índio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superfície de uma lagoa e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou rescendendo a pinheiro.

O ar é precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum - os animais, as árvores, o homem.

O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo em prolongada agonia, ele é insensivel ao ar fétido. Mas se te vendermos nossa terra, terás de te lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar reparte seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro. E se te vendermos nossa terra, deverás mantê-la reservada, feita santuário, como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, adoçado com a fragância das flores campestres.

Assim, pois, vamos considerar tua oferta para comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bisões apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bisão que (nós - os índios ) matamos apenas para o sustento de nossa vida.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos animais, logo acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.

Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios.

De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.

Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, envenenando seu corpo com alimentos adoçicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mais algumas horas, mesmos uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para amigo, pode ser isento do destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo. Vamos ver, de uma coisa sabemos que o homem branco venha, talvez, um dia descobrir: nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgues, agora, que o podes possuir do mesmo jeito como desejas possuir nossa terra; mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira e é igual sua piedade para com o homem vermelho e o homem branco. Esta terra é querida por ele, e causar dano à terra é cumular de desprezo o seu criador. Os brancos também vão acabar; talvez mais cedo do que todas as outras raças. Continuas poluindo a tua cama e hás de morrer uma noite, sufocado em teus próprios desejos.

Porém, ao perecerem, vocês brilharão com fulgor, abrasados, pela força de Deus que os trouxe a este país e, por algum desígnio especial, lhes deu o domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é para nós um mistério, pois não podemos imaginar como será, quando todos os bisões forem massacrados, os cavalos bravios domados, as brenhas das florestas carregadas de odor de muita gente e a vista das velhas colinas empanada por fios que falam. Onde ficará o emaranhado da mata? Terá acabado. Onde estará a águia? Irá acabar. Restará dar adeus à andorinha e à caça; será o fim da vida e o começo da luta para sobreviver.

Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais as esperanças que transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os sonhos do homem branco são para nós ocultos, e por serem ocultos, temos de escolher nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as reservas que nos prometestes. Lá, talvez, possamos viver o nossos últimos dias conforme desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará vivendo nestas floresta e praias, porque nós a amamos como ama um recém-nascido o bater do coração de sua mãe.

Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Proteje-a como nós a protegíamos. "Nunca esqueças de como era esta terra quando dela tomaste posse": E com toda a tua força o teu poder e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus, esta terra é por ele amada. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.


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Os índios Duwamish habitavam a região onde hoje se encontra o Estado americano Washington - no extremo Noroeste dos Estados Unidos, divisa com o Canadá, logo acima dos Estados de Montana, Idaho e Oregon. No passado era um "paraíso na Terra", região inspiradora de uma das mais lindas 'poesias' dedicadas á natureza - o discurso que o Chefe indígena Duwamish (Chefe Seattle) fez ao Governo Americano na época -, hoje, ainda sendo bela, mas não mais um 'paraíso', sua cidade mais famosa é Seattle (nome dado em homenagem ao Chefe), uma beleza de outro tipo que infelizmente vem gerando graves problemas ecológicos. Os índios migraram pelo Puget Sound para a Reserva Port Madison. O Chefe Seattle e sua filha estão enterrados lá.

Existem muitas controvérsias sobre o conteúdo original do discurso. O primeiro registro escrito que se conhece, foi feito no Jornal Seattle Sunday Star em 1887 pelo Dr.Henry Smith, que estava presente no pronunciamento - ele publicou suas próprias anotações com comentários sobre o Grande Chefe, que segundo ele, era uma pessoa profundamente impressionante e carismática. Nos anos 70 (1970) foram divulgadas várias versões deste discurso em conexão com movimentos ecológicos e a favor da preservação da natureza; o discurso ficou muito conhecido, quase mitificado, ficando de lado as discussões sobre sua originalidade.

Aqui, após a tradução portuguesa de uma das mais famosas versões da década de 70, transcrevemos a publicação americana original do Dr.Henry Smith-1887. A foto do Grande Chefe Seattle (1787-1866), abaixo, é de E.M.Sammis e o original encontra-se na: "University of Washington Special Collection #NA 1511".

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Fonte:

https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/Carta_do_Chefe_Seattle_1263221069.pdf

29 dezembro, 2020

Perdas!

Perdas!

Tem perdas que machuca e deixa feridas, perdas que não encontramos respostas, choramos e vivemos o luto. Más há perdas que podemos revertê-las. Papa Francisco em sua Carta Encíclica Fratelli Tutti nos alerta para algumas perdas que são de nossa responsabilidade. Ele fala de uma «perda do sentido social» (FT 11), mas também «uma perda do sentido da história» (FT 13), que contribui para uma maior desagregação da sociedade. Fala de uma «perda daquele sentido de responsabilidade fraterna, sobre o qual assenta toda a sociedade civil» (FT 40), mas também de uma «perda progressiva de contato com a realidade concreta» (FT 43), o que dificulta o desenvolvimento de relações autênticas entre as pessoas. Deixemo-nos envolver por essa alerta.

Quinta Catequese: “Advento e Natal”

24 dezembro, 2020

Mensagem de Natal – Pe. Genivaldo Ubinge, assessor das CEBs

Feliz Natal!


Natal

O Deus presente que dá alegria e esperanças, força para vencer as tristezas e dificuldades.

Razão para vencermos as ilusões e os desejosos. Conduz para saborearmos a graça do perdão nos tirando os desejos de vinganças.

Guia-nos para o caminho da humildade nos afastando do orgulho, da autossuficiência.

O Emanuel, o Deus conosco, que se fez criança no Menino Jesus, que nos ensina a não fazer distinção de pessoas, ao contrário, é Aquele que sabe aproximar, amar, olhar e cuidar.

Feliz Natal!

22 dezembro, 2020

Quarta Catequese: “Advento e Natal”

Eu e o Padre Genivaldo Ubinge, estivemos presente no sepultamento da Elizete Santos, representando a presença amiga das companheiras e companheiros de nossas CEBs.

Eu e o Padre Genivaldo Ubinge, estivemos presente no sepultamento da Elizete Santos, representando a presença amiga das companheiras e companheiros de nossas CEBs.

“Presença muito positiva nas Comunidades Eclesiais de Base”

Sua presença alegre continuará em nossa caminhada.

“Não teve filhos, mais foi uma grande filha da Igreja e deixou muitos filhos”



Elizete Santos fez sua Páscoa!