24 maio, 2017

Oração

Senhor, purifica o meu coração, pela infusão do teu Espírito. Assim poderei compreender «Verdade completa», não só sobre Ti e sobre os teus projetos, mas também sobre o mundo e sobre a história. Purifica o meu olhar interior para que possa ver os teus caminhos, e o meu ouvido interior para que possa escutar a tua vontade. Purifica o meu instinto, para que se oriente para Ti.

Dá-me um coração desapegado e vazio para Te deixar falar. Dá-me um coração humilde para escutar a voz da tua Igreja. Dá-me a tua luz divina para que saiba julgar o mundo, a sua mentalidade e as suas obras. Purifica-me e ilumina-me, Senhor. Amém.


Fonte: dehonianos

22 maio, 2017

Para refletir:

"Às vezes..., o orgulho, as invejas, as divisões deixam sinais também sobre o belo rosto da Igreja. Uma comunidade de cristãos deveria viver na caridade de Cristo, e em vez é bem ali que o maligno ‘coloca a pata’ e nós, às vezes, nos deixamos enganar."

Papa Francisco

Oração:

“Senhor, abra-me o coração para que eu possa entender aquilo que Tu nos ensinaste. Para que eu possa recordar as Tuas palavras. Para que eu chegue à plena verdade”.

Papa Francisco

19 maio, 2017

Nota da CNBB sobre o Momento Nacional - Pela Ética na Política

Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.


No documento, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

Leia a Nota:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017
P – Nº 0291/17

Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.

Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB


Fonte: Portal CNBB

Ordenação Episcopal de Mons. padre Bruno Elizeu Versari - Arquidiocese de Maringá


O mundo nos propõe outros amores!

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder... São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar."

Papa Francisco

18 maio, 2017

Delação da JBS: quais são os cenários possíveis caso se confirmem denúncias contra Temer

O presidente Michel Temer é alvo de graves acusações após a divulgação pelo jornal O Globo, na noite desta quarta-feira, de que teria dado aval a uma suposta operação de compra de silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o jornal, os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, investigados em desdobramentos da Operação Lava Jato, negociaram uma delação premiada e entregaram aos investigadores uma gravação em que Joesley conta a Temer que estava dando a Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. O presidente então teria respondido: "Tem que manter isso, viu?".
A reportagem é de Mariana Schreiber e publicada por BBC Brasil, 17-05-2017.
De acordo com o jornal, as gravações foram produzidas com conhecimento da PolíciaFederal e da Procuradoria Geral da República, como parte da delação. Em nota, o Palácio do Planalto negou as acusações e defendeu "ampla e profunda" investigação de "todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."
"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar", diz ainda o comunicado.
Caso o teor da suposta gravação seja confirmado, Temer pode ser acusado de ter cometido crime de obstrução da Justiça no exercício do mandato, o que poderia comprometer sua sustentação política e a própria permanência no cargo.
Em caso de uma eventual saída, em princípio deveria ser realizada uma eleição indireta para escolha, pelo Congresso, do novo governante do país. Mas há também caminhos que poderiam levar a uma eleição direta antecipada.
Entenda abaixo cenários possíveis em caso de confirmação das denúncias:

Renúncia

Caso Temer decida renunciar, a Constituição determina que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assuma a Presidência de forma interina e convoque eleição indireta a ser realizada em 30 dias.
Nesse caso, a Constituição determina que o Congresso, e não o povo, deva escolher o novo presidente, pois já transcorreu metade do mandato presidencial de quatro anos.
Mas, segundo o constitucionalista Oscar Vilhena Vieira, diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, o Congresso também poderia aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) para permitir a realização de eleições diretas.

Em geral, tais propostas têm tramitação lenta e são de difícil aprovação, pois exigem ampla maioria dos votos dos parlamentares (três quintos de deputados e senadores).
No entanto, havendo forte pressão popular, Vieira diz acreditar que tal mudança possa ser aprovada com velocidade.

No caso de eleição indireta, o constitucionalista lembra que não há uma regulamentação sobre como esse pleito deve ser realizado. Em sua avaliação, qualquer brasileiro com mais de 35 anos poderia se candidatar ao pleito, mesmo sem ter filiação partidária.
Segundo a Constituição, nesse pleito devem ser eleitos um novo presidente e um vice para concluir o mandato atual, ou seja, até dezembro de 2018.

Cassação de Temer pelo TSE

Outro caminho possível é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer, vencedora das eleições de 2014, já que há uma ação sobre isso pronta para julgamento.
As informações divulgadas nesta quarta-feira não têm relação com essa ação do TSE, que analisa eventuais ilegalidades na campanha de 2014 que teriam influenciado o resultado do pleito.
A corte eleitoral não julga denúncias contra o presidente Temer que não tenham relação com processos eleitorais.
No entanto, caso as denúncias sejam confirmadas, Temer ficaria enfraquecido politicamente e isso poderia influenciar a decisão dos sete ministros do TSE na ação que tramita na corte.
"Evidentemente esse fato, embora não se comunique com esse processo no TSE, pode impactar o modo como o tribunal irá julgar a ação", afirmou Vieira.
Até esta noite, a percepção que prevalecia era justamente a contrária: mesmo com provas suficientes de ilegalidades na campanha de Dilma e Temer em 2014, a tendência parecia ser de preservação de Temer como presidente.
Caso o TSE casse Temer, há uma ação pronta para ser julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode levar à convocação de eleições diretas no país.
O argumento dessa ação é que, caso o TSE determine que a eleição de 2014 foi ilegal, nesse caso o direito ao voto do eleitor foi desrespeitado e por isso deveria haver nova eleição direta.
Se o Supremo tomar essa decisão, poderia ser convocada eleição direta, sem necessidade de aprovação de uma PEC no Congresso.

Impeachment ou julgamento pelo STF

Outros dois caminhos que poderiam levar à queda de Temer tendem a ser mais lentos. Caso fique comprovado que ele tenha incentivado Batista a comprar o silêncio de Cunha, ele pode tanto ser cassado por crime de responsabilidade como condenado no STF por crime comum.
Em ambos os casos, porém, seria necessário que a Câmara dos Deputados autorizasse o Senado a abrir um processo de impeachment ou o STF a iniciasse um processo por crime comum. No caso de Dilma Rousseff, por exemplo, demorou cerca de quatro meses para a Câmara autorizar a abertura do processo de impeachment e mais quatro meses e meio para o Senado concluir o julgamento.
Já no caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello. o processo todo foi mais rápido, mas ainda assim levou cerca de quatro meses no total.

Cada mulher e cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra!

“Como é belo pensar que a primeira aparição do Ressuscitado tenha ocorrido de modo assim tão pessoal!”. 
“Tem alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove e nos chama pelo nome. Em volta de Jesus, há muitas pessoas que buscam a Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há um Deus que se preocupa com nossa vida. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra. A cada um de nós Deus chama por nome, nos olha, nos espera, nos perdoa, tem paciência. É verdade ou não?”

Papa Francisco

17 maio, 2017

Violência e abuso sexual de crianças e adolescentes contam com omissão da própria família!


Violência e abuso sexual de crianças e adolescentes contam com omissão da própria família!


Cerca de 76.171 crianças e adolescentes podem ter sofrido algum tipo de violência física, psicológica ou negligência em 2016. Os números são relativos às denúncias feitas ao Disque-Denúncia, Disque 100, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça e Cidadania do Governo Federal.

Embora esse número represente uma queda de 4,23% em relação aos dados de 2015, quando foram registradas pelo Disque 100 um total de 80.473 denúncias, não há muito o que comemorar nesse dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Segundo a representante da Pastoral do Menor Nacional, Márcia Maria de Souza Miranda, de Tefé (AM) e também membro da Comissão Especial para o Enfrentamento do Tráfico Humano da CNBB, nomeada em março de 2017, é visível o aumento da exploração de crianças e adolescentes. “Temos que lamentar a omissão da família. A maioria dos casos acontece dentro das próprias famílias e são silenciadas”, disse.

Para a representante da Pastoral do Menor, é necessário mais esclarecimento. “As pastorais da Igreja, as escolas e os agentes de saúde podem desempenhar um papel importante no combate à violência e exploração de crianças e adolescentes, atuando na prevenção e denúncia”, disse. Esta situação, disse, é muito agravada na região Norte do país, onde os casos de violência são até naturalizados.

No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, existem 3 milhões de crianças e adolescentes. 46% deles vivem em domicílios com renda per capta até meio salário mínimo. Esse fator de vulnerabilidade incide diretamente sobre o problema, aumentando os dados de violação de direitos. Conforme a ONG, Childhood Brasil, dentre os principais fatores de violência contra crianças estão fatores como a pobreza, exclusão, desigualdade social, questões ligadas à raça, gênero e etnia.

Cerca de 28.525 das denúncias dizem respeito à violência sexual. São Paulo é o estado que registra mais denúncias, com 1.024 ligações, 12,61% dos casos. Roraima é o estado que tem menos denúncias para o Disque 100, com 96 ligações.

As denúncias apontam que as meninas, cerca de 44,34%, são as maiores vítimas contra 39,22% de meninos. 16,44% das ligações não identificaram o sexo das vítimas. Quanto à questão da idade, 21.192, 17,61%, das denúncias são de caso entre 0 a 3 anos; 25.492, 21,19%, entre 4 e 7 anos; e 24.647, 20,49%, são de crianças entre 8 a 11 anos.

Como denunciar?

Para denunciar qualquer caso de violência sexual infantil, é necessário procurar o Conselho Tutelar, delegacias especializadas, autoridades policiais ou ligar para o Disque-Denúncia Nacional, o Disque 100, vinculado à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

O serviço funciona de segunda à sábado, das 7h às 23h30, e têm parceria com Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) e conselhos tutelares, enviando as denúncias e solicitando providências.

A Data

No dia 18 de maio de 1973, uma menina de 8 anos foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espírito Santo. Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizado. Os agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos. A data ficou instituída como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a partir da aprovação da Lei Federal 9.970/2000.

Fonte: CNBB

15 maio, 2017

Para refletir!


Os cristãos e cristãs que acreditamos no projeto de Jesus de Nazaré (o Reino de Deus ou, em outras palavras, a “sociedade do bem-viver”, a “terra sem males”) renovemos a nossa esperança. Que o Espírito Santo - o Amor de Deus - nos torne verdadeiros profetas e profetisas de Jesus de Nazaré no Brasil e no mundo de hoje! E que os Profetas Dom Helder, Dom Paulo, Dom Tomás e muitos outros - sobretudo os profetas e profetisas de nossas Comunidades de Base e de nossos Movimentos Populares - que já partiram, mas que de outra forma continuam a caminhar conosco, intercedam por nós!
 
Frei Marcos Sassatelli. A Igreja no mundo de hoje.

A Igreja católica no Brasil de hoje!



"A primeira posição é a de uma Igreja profética, que anuncia o projeto de vida de Jesus de Nazaré (o Reino de Deus) e denuncia sem medo - se necessário, até com o martírio - tudo o que é contrário a esse projeto. A segunda posição é a de uma Igreja - cega, surda e muda - que fica em cima do muro (na realidade, com o seu silêncio, fica do lado do poder dominante, ou seja, do “status quo”) e que lava as mãos (como Pilatos). A terceira posição é a de uma Igreja claramente aliada dos ricos e poderosos (traindo - como Judas - Jesus de Nazaré nos pobres); Qual das três posições torna presente hoje a prática de Jesus de Nazaré? Sem dúvida nenhuma, é a primeira", escreve Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia (UFG). 
Eis o artigo.
Constituição Pastoral sobre a Igreja do Concílio Ecumênico Vaticano II tem como título “A Igreja no mundo de hoje” e não “A Igreja e o mundo de hoje”. A historia da Igreja - como também de toda e qualquer instituição, religiosa ou não - não é uma historia paralela ou oposta à história do mundo, mas parte integrante dela.
Concílio afirma: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco em seu coração (A Igreja no mundo de hoje, 1).
E ainda: “Para desempenhar sua missão (ser ‘Igreja em saída’) a Igreja, a todo momento (reparem: a todo momento!), tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da vida presente e futura e de suas relações mútuas. É necessário, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática" (Ib. 4). O método sugerido é “ver-julgar-agir” (“analisar-interpretar-libertar”).
A situação do Brasil hoje é uma situação de desigualdade social cada vez maior, de injustiça institucionalizada, de práticas políticas descaradamente interesseiras (do “toma-lá-dá-cá, do “vale-tudo”).
Para ilustrar essa situação iníqua, basta lembrar a barganha do governo ilegítimo Michel Temer a respeito das Reformas (Antirreformas). “Planalto parte para ‘vale-tudo’ (manchete). Na batalha da Reforma da Previdência “Michel Temer se prepara para a votação no plenário e sabe que terá que acenar a deputados com emendas e cargos (os chamados ‘agrados’ à base aliada) para chegar aos 308 votos necessários” (O Popular, 07/05/17, p. 4). É uma prática política nojenta!
Nesta realidade, que clama a Deus por justiça, qual é a posição ou quais são as posições da Igreja? Perscrutando - como nos ensina o Concílio - os sinais dos tempos e interpretando-os à luz do Evangelho, percebemos claramente (é uma leitura crítica da realidade e não um julgamento das consciências individuais, que só Deus pode fazer) que, no Brasil, temos hoje três posições da Igreja, representando três maneiras de ser Igreja.
A primeira posição é a de uma Igreja profética, que anuncia o projeto de vida de Jesus de Nazaré (o Reino de Deus) e denuncia sem medo - se necessário, até com o martírio - tudo o que é contrário a esse projeto. A segunda posição é a de uma Igreja - cega, surda e muda - que fica em cima do muro (na realidade, com o seu silêncio, fica do lado do poder dominante, ou seja, do “status quo”) e que lava as mãos (como Pilatos). A terceira posição é a de uma Igreja claramente aliada dos ricos e poderosos (traindo - como Judas - Jesus de Nazaré nos pobres); Qual das três posições torna presente hoje a prática de Jesus de Nazaré? Sem dúvida nenhuma, é a primeira.
Diante das Reformas (Antirreformas) Trabalhista e da Previdência e da Lei da Terceirização, que são uma iniquidade diabólica - planejada em favor dos ricos e contra os trabalhadores - a CNBB, diversas dioceses, cerca de cem bispos e outras lideranças da Igreja se posicionaram de forma profética - oralmente ou com Notas públicas - contra as Reformas, convidando o povo a se unir e a lutar por seus direitos e dando todo apoio à greve geral do dia 28 de abril último.
Infelizmente, porém, muitas dioceses, bispos e outras lideranças ficaram calados. É um pecado de omissão e um verdadeiro crime! Pior ainda foi a atitude repugnante - desumana e antievangélica - de certos lideres da Igreja, que - mesmo sendo bispos ou cardeais - não entenderam nada do que significa ser cristãos. Como exemplo desse comportamento vergonhoso, cito somente um fato, que é muito ilustrativo.
Conforme reportagem de Mauro Lopes, “no começo da tarde (do dia 26 de abril último), o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, rompeu o silêncio e falou. Um vexame que envergonhou a Igreja. Escalado para a entrevista coletiva da primeira tarde da Assembleia Geral da CNBB, pouco depois das 15h, o cardeal foi encarregado de falar sobre os temas sociais do país. Ao apresentar a agenda da Assembleia, ele ignorou a greve geral. Questionado por um jornalista, dom Odilo deu razão a todos os que o acusam de aderir ao regime do golpe. Disse secamente que ‘o povo tem direito de se manifestar’, disse que espera que a Reforma da Previdência seja boa (?) e arrematou: ‘dizer que somos a favor ou contra é muito simplista’”. Foi realmente um vexame que envergonhou a Igreja! Como nos faz falta - em São Paulo e no Brasil - o grande profeta Dom Paulo Evaristo!
O autor da reportagem afirma: “É significativo o silêncio dos cardeais de São Paulo (dom Odilo Pedro Scherer) e do Rio (dom Orani Tempesta), que tornam suas Arquidioceses bastiões do conservadorismo católico no país, em oposição ao Papa Francisco” (acrescento eu: oposição diplomática e silenciosa, que é a mais hipócrita de todas as oposições).
Mesmo fervendo de indignação profética diante desse tipo de comportamento vergonhoso (possível em nossa condição humana neste mundo) não perdemos a esperança.
Sabemos que a Igreja - embora de origem divina - é uma instituição humana e, como tal é santa e pecadora ao mesmo tempo. E, quando dizemos que a Igreja é pecadora, não falamos somente dos pecados pessoais dos cristãos e cristãs (todos e todas - enquanto seres em construção - somos limitados e pecadores), mas sobretudo do pecado estrutural da Igreja (a injustiça institucionalizada, muitas vezes em nome de Deus) e dos que o sustentam e fortalecem com sua prática.
Em pleno século XXI temos ainda bispos, padres, religiosos/as e outras pessoas que - por incrível que pareça - sonham com uma “Igreja imperial” (basiliké), com uma “Igreja feudal” ou com uma “Igreja capitalista”.
Por falar em Igreja capitalista, lembro-me de um fato, em si de pouca relevância, mas muito significativo. A imagem de Nossa Senhora da Terra (da Paróquia homônima, do Jardim Curitiba III - Goiânia - GO), cuja história remonta à luta pela terra no Pará, é vestida de trabalhadora rural (de mulher pobre) e o menino Jesus, de filho de trabalhador rural (de menino pobre). Já vi bispos, padres, seminaristas e outras pessoas que, diante da imagem, torceram disfarçadamente o nariz com um sorriso irônico contido de desaprovação. Por felicidade, porém, encontrei também o meu irmão dominicano frei Henri, advogado e defensor dos trabalhadores rurais no Pará (atualmente na França, cuidando da saúde) que, depois de ver a imagem, com o rosto iluminado sorriu e vibrou de alegria.
Quando a imagem de Nossa Senhora é vestida de mulher rica, a maioria das pessoas acha bonito. Com isso não estão dizendo que o ideal de vida é o da mulher rica?
Maria não foi uma mulher pobre? Jesus não nasceu numa manjedoura? À luz do Evangelho, essas pessoas não precisam rever totalmente sua escala de valores?
Os cristãos e cristãs que acreditamos no projeto de Jesus de Nazaré (o Reino de Deus ou, em outras palavras, a “sociedade do bem-viver”, a “terra sem males”) renovemos a nossa esperança. Que o Espírito Santo - o Amor de Deus - nos torne verdadeiros profetas e profetisas de Jesus de Nazaré no Brasil e no mundo de hoje! E que os Profetas Dom Helder, Dom Paulo, Dom Tomás e muitos outros - sobretudo os profetas e profetisas de nossas Comunidades de Base e de nossos Movimentos Populares - que já partiram, mas que de outra forma continuam a caminhar conosco, intercedam por nós!
Fonte: IHU

14 maio, 2017

Minha Mãe!
Que bom celebrar esse dia das mães com seu carinho.
Na foto meu pai, minha mãe e meu irmão.

A minha Mãe e a todas às Mães!


11 maio, 2017

Porta abertas aos gays e vigílias anti-homotransfobia: a reviravolta da Igreja também nas paróquias!


É preciso “acolher e acompanhar” homossexuais e transexuais, “é isso que Jesus faria hoje”. A reviravolta ocorreu depois dessas precisas e pontuais palavras proferidas pelo Papa Francisco há menos de um ano (era outubro de 2016), ao voltar da viagem à Geórgia e ao Azerbaijão. E contagiou parte do mundo católico. Tanto que, a partir desta sexta-feira até o fim de maio, serão diversas as paróquias, italianas ou não, que vão aderir (as primeiras cidades serão Milão e Sevilha) ao Dia Internacional contra a Homotransfobia.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 10-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Entre elas, também algumas comunidades católicas de Gênova e Palermo, as duas dioceses cujos arcebispos, em edições anteriores, vetaram aos fiéis a participação em vigílias organizados para a ocasião.

Em 2011, foi Paolo Romeo, cardeal de Palermo, que freou a vigília organizada pelo Pe. Luigi Consonni, pároco de Santa Lúcia, dizendo: “Nós nos inspiramos na Carta assinada em 1986 por Joseph Ratzinger”. Em 2015, foi o cardeal Angelo Bagnasco, em Gênova, que proibiu, no último instante, que o evento ocorresse na Igreja da Sagrada Família: “Em qualquer lugar, mas não em Gênova”, foi o que vazou da Cúria.

No entanto, como Francisco sempre repete, “o tempo é superior ao espaço”. E, nesse caso, ele foi gentil com os fiéis homossexuais que pretendem se unir às muitas pessoas que estarão na praça para que se diga a palavra “fim” à homofobia, à transfobia e a toda forma de discriminação. O que servirá de marco para a sua participação será um versículo da Carta de São Paulo aos Romanos“Abençoai aqueles que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis”.

A novidade deste ano não reside apenas no fato de que, pela primeira vez, não há notícias de intervenções de censura de bispos e cardeais. Mas também que – algo que não aconteceu anteriormente com estas proporções – participarão publicamente das vigílias inúmeras comunidades de ordens religiosas e associações católicas. 

Assim, em Gênova, onde a vigília não só será hospedada por uma paróquia, mas até hoje – a menos que haja mudanças de última hora sempre possíveis – conta com a participação do vigário-geral da diocese, Nicolò Anselmi

“Parece-me o sinal mais evidente de como a Igreja está começando a se interrogar seriamente sobre o que afirmava o Sínodo dos Bispos, sobre a necessidade de construir uma pastoral de acolhida para as pessoas LGBT e os seus familiares”, diz Innocenzo Pontillo, representante do projeto Gionata sobre fé e homossexualidade.

Em Milão, por outro lado, a vigília unirá idealmente, com uma procissão de velas, o templo valdense e a paróquia de Santa Maria da Paixão. Enquanto em Palermo a organização da vigília foi desejada não só pela Igreja Evangélica Luterana, mas também, dentre outros, pelos combonianos e pelos jesuítas da Igreja do Gesù. E, além disso, adesões importantes de paróquias em FlorençaReggio EmiliaCatâniaTrieste e Bolonha e em muitas outras cidades.

Pe. Franco Barbero, animador das comunidades cristãs de base – por ocasião da apresentação do explosivo livro de Ortensio da Spinetoli L’inutile fardello [O fardo inútil] (Ed. Chiarelettere), no qual o autor hoje falecido pede “uma saudável renovação teológica da Igreja”, indo além dos “pensadores medievais” –, afirma:

“Em Pinerolo, organizamos uma vigília na paróquia de São Lázaro, junto com a comunidade de base, a Igreja Valdense e a Scala di Giacobbe: decidimos sair, deixar os muros paroquiais e vigiar na praça, publicamente, na frente do monumento das vítimas de todas as perseguições. Essas vigílias são o sinal de uma Igreja que quer ‘mudar de pele’, embora, na verdade, ainda há uma parte que resiste, dentro da qual a indiferença se difundiu. Ainda há aqueles que não só não participam dos sofrimentos dos homossexuais, mas também se irrita um pouco com eles e se distancia. O motivo para mim é simples: quem se distancia, faz isso porque tem medo de si mesmo. Se a Igreja olha para dentro de si, de fato, descobre que tem homossexuais na hierarquia e tem medo dessa evidência. Substancialmente, tem medo de reconhecer nos outros o que é também em si mesma. São os nossos medos que nos tornam desconfiados em relação aos outros. Enquanto, por outro lado, a acolhida deve sem ser sem condições. Caso contrário, não é acolhida”.
Fonte: IHU

As Instituições Filantrópicas - Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Dom Murilo S.R. Krieger, scj – Arcebispo de São Salvador da Bahia (BA) e vice-presidente da CNBB
“A reforma da Previdência, proposta pelo Governo Federal, trouxe à tona o debate sobre o fim da isenção da contribuição para a Seguridade Social de inúmeras entidades, prevista no artigo 195 § 7 da Constituição Federal de 1988. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB reconhece que é necessário, de fato, rever a isenção de algumas entidades, para que elas se justifiquem pelo serviço prestado aos pobres.” 

Assim começa a Nota que a CNBB emitiu em defesa da isenção das instituições filantrópicas. É uma resposta aos que propugnam o fim dessas desonerações. Ora, as instituições filantrópicas que prestam reais serviços nas áreas da saúde, educação e assistência social são respeitadas pela sociedade. “Muitas destas instituições estão presentes onde, inúmeras vezes, há ausência do Estado. A isenção não significa doação ou favor, mas uma contrapartida do Estado, ao serviço que lhe caberia prestar aos mais pobres.”

Vejamos em números: existem, no Brasil, 1.400 instituições filantrópicas na área da saúde, mais de 2.100 na área da educação e mais de 5.000 na área da assistência social (cf. Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas). Isso significa que 53% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde – SUS são feitos por entidades filantrópicas; na educação, são 600 mil alunos que recebem bolsas; já no campo da assistência social, 62,7% de todo atendimento gratuito em assistência social é realizado por essas instituições.

“As entidades filantrópicas, acostumadas a fazer o mais com o menos, são fundamentais para a implementação de políticas públicas e para diminuir desigualdades sociais. Dados dos Ministérios da Saúde, Educação e Desenvolvimento Social e da Receita Federal revelam que, para cada “um real” de isenção previdenciária, a contrapartida pelas entidades é de “5,92 Reais”, ou seja, ‘seis vezes mais do que receberam em desoneração previdenciária’” (CNBB)”.

A maneira como a questão da isenção das entidades filantrópicas é por vezes colocada faz crer que os problemas da Previdência Social têm como causa tal isenção. Ora, na verdade, elas representam somente 3% da receita previdenciária. Quem está à frente de uma dessas instituições pode testemunhar que há uma contínua fiscalização feita pela Receita Federal, para verificar se a entidade preenche os requisitos legais para usufruir da isenção. Mesmo assim, podem estar ocorrendo abusos aqui e ali – abusos que devem ser punidos. O que não se pode fazer é querer resolver um problema (diminuir o déficit do orçamento) criando um outro maior (aumento dos problemas sociais).

Por fim, um convite: visite uma entidade filantrópica. Já prevejo o que, então, acontecerá: tal entidade ganhará mais um benfeitor…

Fonte: CNBB

10 maio, 2017

Para Refletir

“Na medida em que nos envolvermos com a vida de nosso povo fiel e sentirmos a profundidade de suas feridas, podemos ver, sem filtros clericais, o rosto de Deus”.

Papa Francisco

09 maio, 2017

O diálogo ecumênico é um dos grandes desafios do cristianismo. Reverenda Lucia Dal Pont- Por Luis Miguel Modino

“O Papa Francisco é um grande profeta, um grande companheiro na abertura para o ecumenismo.”


A Reverenda Lucia Dal Pont é clériga da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Desenvolve seu trabalho pastoral na Paroquia Anglicana São Lucas em Londrina, Pr, cidade que acolherá de 23 a 27 de janeiro de 2018 o 14º Intereclesial das CEBs, com quem tem um trabalho de colaboração em diferentes projetos. 
Nesta entrevista  concedida ao Pe Luis Miguel Modino  para  o  Religion Digital  da Espanha, a Reverenda Anglicana destaca o trabalho comum   entre as diferentes igrejas, sobretudo aquele que faz referência a promoção da vida. Acima de diferenças históricas, que em alguns casos permanecem de ambos os lados, tem que se destacar as tentativas de diálogo que se realizam e a importância da chegada de um Papa latino-americano.
Segue a entrevista:

Estamos no V Centenário da Reforma Luterana, um momento importante e que pode converter-se em decisivo para o diálogo ecumênico. O que se pode assumir nesse momento no caminho do diálogo?

Creio que pode ser muito importante as Igrejas se abrirem para estar juntas nesse processo de reflexão do que significou para o povo, para as pessoas, para nós, cristãos e cristãs do mundo inteiro, esse momento em que se inicia a Reforma Protestante.
Nesta reflexão vamos perceber a importância dos questionamentos e das posturas, de buscar novas formas de viver o cristianismo e olhar para isso como algo que pode trazer uma transformação nesse sentido e fazer que a própria Igreja Romana possa rever suas ações naquele momento. 
Este é um momento muito importante para que possamos fazer esse processo de reflexão, de buscar o que conduziu a essa reforma, quais foram as causas disso e o que trouxe de novidade para os cristãos e cristãs daquela época e nesse processo de quinhentos anos.
Creio que é necessário rever e refletir sobre isso e com muito carinho enquanto Igrejas diferentes da Igreja Luterana, o que está se dando através de diversos movimentos, reflexão, diálogo entre a Igreja Luterana, Romana, Anglicana...   Através de diferentes meios e formas, de encontros nesse sentido, para ver o que trouxe de benefício, o que aprendemos e as novas Igrejas que surgiram como novo modo de viver o cristianismo, pois não existe uma única reforma e sim várias reformas que nos leva a viver esse projeto de Jesus Cristo, o que creio que é muito importante para nossa caminhada.

Quais são as resistências que se encontram dentro da Igreja Romana e das diferentes Igrejas protestantes na hora de fazer avançar esse diálogo ecumênico?

As resistências que eu vejo estão mais na hierarquia das Igrejas, que tem medo de perder membros, de abrir-se ao novo, o qual assusta. Estamos comemorando quinhentos anos desse processo, no Brasil a Igreja Anglicana e Luterana já estão presentes a mais de cem anos e ainda percebemos a dificuldade para esta abertura.
Já tem mais de trinta anos, depois do Concilio Vaticano II, que veio essa abertura ao ecumenismo, em que as Igrejas Anglicanas e Luteranas começaram o diálogo com a Igreja Romana. Houve avanços nessa discussão, mas depois de certo tempo houve um retrocesso, um fechamento por parte das diferentes igrejas. 
Os líderes também influenciam, pois nas diferentes Igrejas, às vezes, existem bispos abertos ao diálogo, o que provoca um avanço. Mas em outros momentos aparecem bispos, clérigos, clérigas, pastores e pastoras mais fechados a essa abertura ecumênica, o que faz que se feche de novo.  Parece que sempre é um processo de idas e voltas, que depende muito de quem lidera e de como se leva adiante essa abertura, dentro de cada instituição religiosa, para com o outro, no sentido de reconhecer a outra Igreja, seja qual seja. 
Creio que o que mais impede esse processo são os próprios líderes, os lideres hierárquicos, bispos, clero, reverendos, reverendas, pastores e pastoras, como a liderança vê isso, a formação, a preparação, o meio de onde vem, como é visto esse diálogo ecumênico.

Pode ser decisivo a liderança do Papa Francisco na Igreja Romana e a vontade expressa que ele tem para avançar no diálogo ecumênico?

Vejo o Papa Francisco como um profeta, com esse novo jeito carinhoso latino-americano de ser, com essa abertura. Para nós da Igreja Anglicana, e também para os irmãos de outras Igrejas, nessa caminhada mais ecumênica, percebemos isso como um grande avanço para a Igreja Romana, essa abertura que ele tem, esse novo modo olhar para a vida, a partir de Roma, do Papa, essa busca do cuidado com a Criação, do cuidado com a vida, de acolher a mãe solteira, o pobre, o mendigo, as pessoas, acolher a vida de um modo geral.
Isso traz um grande avanço para a Igreja Romana e para a abertura ecumênica, pois, no ecumenismo devemos olhar para a vida, e não para as instituições, pois quando olhamos para as instituições vamos nos ficar fechados e voltados para nós mesmos. Quando começamos a ver a vida que sofre, que grita, que está cheia de necessidades, descobrimos o quanto podemos fazer juntos, e o Papa traz essa visão, apesar de que se percebe que esse olhar do Papa, ainda não chegou aos bispos e as dioceses.
Apesar disso, ele faz com que vejamos a Igreja Romana com outros olhos, com outra abertura. Por isso, para nós que formamos parte de outras Igrejas, o Papa Francisco vai ser um grande profeta, um grande companheiro nessa abertura para o ecumenismo, com essa visão de acolher a vida, de buscar as pessoas que sofrem. Isso eu creio que virá a ser um grande avanço, que já está sendo.

Como é a convivência entre os que fazem parte das diferentes Igrejas, entre Igreja Romana e a Igreja Anglicana, na base?

Temos uma convivência muito tranquila. Em Londrina temos o movimento ecumênico de Igrejas cristãs e temos o movimento macro ecumênico ou inter-religioso. A convivência é sempre boa, sobretudo quando tratamos de projetos de transformação da vida. Respeitamos muito a espiritualidade e a forma de viver essa espiritualidade em cada Igreja, cada um tem e vive a sua, mas nos momentos em que estamos juntos, nossas liturgias e celebrações são muito bonitas, participativas, criadas a partir do grupo ecumênico, não somente com uma Igreja preparando para todos.  Buscamos uma espiritualidade e projetamos trabalhos em conjunto.
Se falamos do Brasil, o diálogo entre Igreja Católica Romana e a Igreja Anglicana também é bom. Existe um grande trabalho em conjunto, pois estamos muito próximos a nível de liturgia, de trabalho sobretudo com as Comunidade Eclesiais de Base (CEBs).
Na Igreja   anglicana existe um trabalho que chamamos diaconia, através do qual nos envolvemos em movimentos em defesa da vida, com mulheres, nas periferias das cidades. Nesses trabalhos, quando vamos aos bairros com as pessoas da Igreja Romana, a convivência é muito boa.  
Eu faço parte do Conselho Nacional do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) e por isso tenho muita facilidade para estar nesse ambiente ecumênico, A Igreja Romana, sobretudo a Igreja das CEBs, tem muita abertura a leitura popular da Bíblia, o que facilita a convivência, também com a Igreja Luterana, que são as mais unidas nesse processo.

O que o caminho ecumênico traz para sua vivencia de fé?

 Para mim, Reverenda Lúcia, o ecumenismo, essa espiritualidade ecumênica, e o que me dá força na resistência e na luta pela vida. Enquanto cristã, tenho um compromisso muito grande com o projeto de Jesus Cristo, que é muito claro em sua busca pela transformação da vida. Quando falamos disso, não podemos avançar sozinhos como Igreja.
Em primeiro lugar, minha Igreja é pequena, em poucos membros no Brasil, mas para mim o que me faz sentir, viver, é perceber que podemos transpor as paredes da Igreja Anglicana e colaborar com outras Igrejas, iluminados por essa espiritualidade bíblica, fazer trabalhos, ir ao mundo a partir da transformação da vida. A questão ecumênica é muito forte e creio que isso é o que me motiva a viver essa espiritualidade a partir do projeto de Jesus Cristo.

Um dos impedimentos para avançar no diálogo ecumênico entre Igreja Romana e Igreja Anglicana é o papel da mulher na Igreja Anglicana. O que a ordenação das mulheres poderia significar para a Igreja Romana?

Ao analisarmos o trabalho da Igreja Romana percebemos que quem está na base como lideranças são as mulheres, ainda que estão como executoras do trabalho e não dentro do processo discussão e de criação, que forma parte da hierarquia. 
Creio que o trabalho das mulheres, si houvesse maior abertura, acolhida e as mulheres estivessem também dentro desse processo da ordenação feminina, a Igreja Romana teria uma outra vivencia, outra energia para a vida da Igreja e também para o mundo.
Mas eu sei também que a ordenação feminina não é uma coisa fácil, como também não foi para a Igreja Anglicana. Estamos no Brasil a cento e quarenta anos e somente a trinta e cinco anos que a Igreja do Brasil ordena mulheres, porque a Igreja Anglicana é uma comunhão de Igrejas, cada província tem sua organização.
No Brasil celebramos trinta e cinco anos da ordenação feminina no ano passado, e não foi um processo fácil, foi muito difícil, de luta, de exclusão, de enfrentamento, para chegar a esse momento. Creio que isso também tem que acontecer na Igreja Romana, pois são processos que se fazem.
No Brasil, quando a ordenação feminina foi aprovada, foram nas três ordens: diaconisa, presbítera, e bispa, mas até agora, depois de trinta e cinco anos, não conseguimos eleger uma bispa no Brasil, por culpa desse patriarcalismo que está presente. Somos pessoas, em nossa Igreja somos todos iguais, mas na Igreja Anglicana existe um patriarcalismo muito forte, inclusive por parte das mulheres, que nem sempre tem clareza sobre seu papel e como podem se parte importante para essa transformação, e no momento em que acontece uma eleição, pois na Igreja Anglicana o bispo é eleito e não indicado, a própria mulher, que não tem essa consciência, acaba não votando numa mulher como bispa.  É uma prova de como é difícil isso no Brasil, e talvez no mundo inteiro, como consequência do patriarcalismo e sexismo. Temos que avançar muito enquanto mulheres. 

Na Igreja Católica, o Papa Francisco está confiando papéis de responsabilidade para algumas mulheres no vaticano. Ele também está fazendo a proposta da possível ordenação de diaconisas. Crê que é suficiente, importante, o primeiro passo para poder chegar mais longe um dia?

 Pode ser importante, mas creio que não seja o suficiente. Penso que tem que haver outra mobilização, outra luta. Se olharmos para a sociedade, todas as conquistas vieram da base, pois a conquista não é algo que vem de cima.  Se as mulheres se organizam, pois, do meu ponto de vista, se as mulheres na Igreja Romana fizessem um movimento de dizer que vão parar e exigir seus direitos, a Igreja Romana pararia, pois, as mulheres são essa força, essa energia, essa luta, essa organização, são elas que trabalham.
Porém, creio que não é suficiente e que a abertura não vira por aí, mas pela mobilização das mulheres, de exigir seus direitos. Já ouvi muitas mulheres da Igreja Romana dizerem que não vão sair, pois querem estar dentro para incomodar e defender o que pensam.  Mas enquanto não houver uma maior resistência, uma tomada de decisão da própria mulher nesta busca, creio que não acontecerá. 
Publicado em http://www.periodistadigital.com/religion/america/2017/04/13

Nota Oficial da 55ª Assembleia Geral dos Bispos - O GRAVE MOMENTO NACIONAL

O GRAVE MOMENTO NACIONAL

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, por ocasião de sua 55ª Assembleia Geral, reunida em Aparecida-SP, de 26 de abril a 5 de maio de 2017, sente-se no dever de, mais uma vez, apresentar à sociedade brasileira suas reflexões e apreensões diante da delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI – Caritas in Veritate, 9).
O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais (cf. Documentos da CNBB 50– Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130)
O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. Dessa forma se poderá superar o fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro.
É sempre mais necessária uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja para a construção do bem comum. Daí, a necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, dá cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízo dos interesses públicos.
Intimamente unida à política, a economia globalizada tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população brasileira, uma vez que dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana e ao capital em detrimento do trabalho, quando deveria ser o contrário. Essa economia mata e revela que a raiz da crise é antropológica, por negar a primazia do ser humano sobre o capital (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Em nome da retomada do desenvolvimento, não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. Recorde-se, com o Papa Francisco, que “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).
O desenvolvimento social, critério de legitimação de políticas econômicas, requer políticas públicas que atendam à população, especialmente a que se encontra em situação vulnerável. A insuficiência dessas políticas está entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros. São catalisadores de violência: a impunidade; os crescentes conflitos na cidade e no campo; o desemprego; a desigualdade social; a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais; a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; a degradação ambiental; a criminalização de movimentos sociais e populares; a situação deplorável do sistema carcerário. É preocupante, também, a falta de perspectivas de futuro para os jovens. Igualmente desafiador é o crime organizado, presente em diversos âmbitos da sociedade.
Nas cidades, atos de violência espalham terror, vitimam as pessoas e causam danos ao patrimônio público e privado. Ocorridos recentemente, o massacre de trabalhadores rurais no município de Colniza, no Mato Grosso, e o ataque ao povo indígena Gamela, em Viana, no Maranhão, são barbáries que vitimaram os mais pobres. Essas ocorrências exigem imediatas providências das autoridades competentes na apuração e punição dos responsáveis.
No esforço de superação do grave momento atual, são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, com vistas ao bem comum. Do Judiciário, a quem compete garantir o direito e a justiça para todos, espera-se atuação independente e autônoma, no estrito cumprimento da lei. Da Mídia espera-se que seja livre, plural e independente, para que se coloque a serviço da verdade.
Não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, urge a construção de um projeto viável de nação justa, solidária e fraterna. “É necessário procurar uma saída para a sufocante disputa entre a tese neoliberal e a neoestatista (…). A mera atualização de velhas categorias de pensamentos, ou o recurso a sofisticadas técnicas de decisões coletivas, não é suficiente. É necessário buscar caminhos novos inspirados na mensagem de Cristo” (Papa Francisco – Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais – 24 de abril de 2017).
O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.
A CNBB está sempre à disposição para colaborar na busca de soluções para o grave momento que vivemos e conclama os católicos e as pessoas de boa vontade a participarem, consciente e ativamente, na construção do Brasil que queremos.
No Ano Nacional Mariano, confiamos o povo brasileiro, com suas angústias, anseios e esperanças, ao coração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Deus nos abençoe!

Aparecida – SP, 3 de maio de 2017.
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB