11 fevereiro, 2022

O evangelista Marcos hoje nos provoca (Mc 7,31-37)

Olha só, Jesus para tocar o coração toca nos sentidos do surdo-mudo. Abrir o coração. Uma provocação a nós e para nossas Comunidades Eclesiais de Base.

Papa Francisco nos ensina e pede a Mãe, ajude-nos a ser comunidade "Ser comunidade que vai ao encontro de todos, sair para encontrar os outros, mas sair também para deixar-se encontrar, porque o encontro é recíproco, não é uma esmola." (Fonte Vatican News).

Abrir o nosso coração, abrir nossas CEBs para ajudar o Povo de Deus abrir-se a Deus, à sua Palavra, ao encontro com Ele, ao Seu seguimento.

Abrir o coração, abrir nossa CEBs para poder ir ao encontro e abrir ao encontro do Povo, com carinho, ternura aberto ao diálogo, a manter relações fraternas e amiga com todas e todos.

As CEBs têm a missão de fazer ouvir e fazer falar, missão de continuar este gesto de Jesus, ouvir todo o povo que por Deus são amados e por isso podem falar.

Para isso nós, nossas CEBs precisam de ouvidos abertos para escutar o Senhor, que nos fala, e ser sua presença. Escutar ao Senhor para saber escutar o povo, e falar como Deus quer.

Romarias dos Mártires da Caminhada Latino-Americana em Ribeirão Cascalheira/MT

1976 – Martírio do Pe. João Bosco em Ribeirão Bonito/MT - 11-12/10.

1977 - 1 ano do martírio do Pe. João Bosco e Inauguração do Santuário dos Mártires da Caminhada - 12/10.

1986 – Ano dos Mártires da Caminhada – 1ª Romaria dos Mártires, 10 anos do martírio do Pe. João Bosco e inauguração do Mural dos Mártires pintado pelo Pe. Cerezo Barredo, pintor da Libertação - 11 e 12/10.

1996 – Vidas Pela Vida – 2ª Romaria dos Mártires, 20 anos do martírio do Pe. João Bosco - 27 e 28/07.

2001 – Vidas Pelo Reino – 3ª Romaria dos Mártires, 25 anos do martírio do Pe. João Bosco -14 e 15/07.

2006 – Vidas Pelo Reino da Vida – 4ª Romaria dos Mártires, 30 anos do martírio do Pe. João Bosco - 15 e 16/07.

2011 – Testemunhas do Reino – 5ª Romaria dos Mártires, 35 anos do martírio do Pe. João Bosco - 16 e 17/07.

2016 – Profetas do Reino – 6ª Romaria dos Mártires, 40 anos do martírio do Pe. João Bosco - 16 e 17/07.

2022 – Tudo Pelo Reino – 7ª Romaria dos Mártires, 46 anos do martírio do Pe. João Bosco - 16 e 17/07

08 fevereiro, 2022

Romaria dos Mártires da Caminhada

Leia o que segue com carinho e atenção.

É um convite que você precisa confirmar presença até o dia 17.



Romaria dos Mártires da Caminhada

Bem-aventuradas as perseguidas e bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque delas e deles é o Reino do Céu. (Cf. Mt 5,10)

Estamos nos organizando enquanto Arquidiocese de Maringá, convidamos com a ternura da brisa suave que toca nosso coração, as profetizas e os profetas do Reino de nossa Arquidiocese a juntar-se aos milhares de romeiras e romeiros.

Vamos manifestar nossa fé, esperança e, ao mesmo tempo, reafirmar a nossa disposição de fortalecer nossas Comunidades Eclesiais de Base, seu rosto social, fraterno e acolhedor na perspectiva de uma Igreja Missionária Samaritana a Serviço da Vida.

O Paraná está organizando-se para participar juntamente com tantas outras pessoas que querem celebrar e manter viva a memória daquelas e daqueles que deram suas vidas pelas causas maiores de nossas lutas e sonhos, que são as causas da vida, as causas do Reino.

A Romaria dos Mártires da Caminhada acontecerá em Ribeirão Cascalheira, prelazia de São Félix do Araguaia (MT), nos dias 16 e 17 de julho e na sexta-feira, dia 15, a noite tem uma bonita celebração com a comunidade local, equipes articuladoras e a prelazia, fazendo memória do Martírio do padre João.

O alojamento em famílias ou colégios, sem custo. Alimentação durante o período da romaria também sem custo. Não tem taxa.

O custo está sendo orçado em torno de R$ 500,00 de transporte, mais o custo com alimentação durante a viagem. É pedido pela organização da romaria uma ajuda de custo por caravana ou pessoas.

Precisamos, que até o dia 17 de fevereiro, confirmação de participação, para podermos organizar o transporte.

Previsão é a saída do paraná na quinta-feira à noite, portanto, a saída de Maringá poderá ocorrer durante o dia da quinta-feira, dia 14 de julho. O retorno será domingo dia 17 após almoço.

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Romaria dos Mártires da Caminhada
Tema: "Tudo pelo Reino"
Dia: 16 e 17 de julho de 2022
Na sexta-feira, dia 15, a noite tem uma bonita celebração com a comunidade local, equipes articuladoras e a prelazia, fazendo memória do Martírio do padre João
Local: Ribeirão Cascalheira, prelazia de São Félix do Araguaia (MT).


Faremos memória:
- Dos 46 anos do martírio do padre João Bosco Penido Burnier.
- Do bispo Pedro Casaldáliga.
- Das e dos mártires da Covid-19, encantadas e encantados pelo Reino da Vida, vítimas da pandemia.

03 fevereiro, 2022

Entrevista com Pe. Lourenço Gauci - grande articulador das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


Lourenço 'um dos grandes articuladores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da antiga Pastoral Rural.'


"Padre Lourenço Gauci relembra trabalho pastoral na Arquidiocese de Maringá. 

Ao comemorar 50 anos de ordenação presbiteral em 2022, padre Lourenço Gauci veio ao Brasil visitar cidades em que trabalhou nas décadas de 1970 e 1980. 

Nascido em Malta, país localizado no sul da Europa, padre Lourenço realizou importante atividade pastoral nas paróquias da Arquidiocese de Maringá, sendo um dos grandes articuladores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da antiga Pastoral Rural.

Nesta entrevista, o presbítero relembra fatos marcantes em sua passagem pela Arquidiocese de Maringá.

Brasil, que matas o Povo Negro e oprimis sua gente, que vergonha!

Brasil, Brasil, ainda não reparaste o crime de lesa humanidade, os três séculos de escravidão.


Brasil, que matas o povo negro e oprimis sua gente, que vergonha!


Desde o dia 24/01/2022, temos recebido notícias sobre a morte do jovem negro congolês Moise Mugenyi. O fato não pode ser visto isolado do contexto que vivem e passam milhares de jovens negros e negras mortos nos últimos tempos. Das 34 .918 mortes violentas de jovens divulgadas no final do ano de 2021, 80% são de jovens negros. O cenário é desolador para nossas famílias e comunidades negras. Queremos manifestar nossa solidariedade à família de Moise Mugenyi e às demais famílias, pela dor, sofrimentos e o luto.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que, a ninguém é lícito tirar a vida de um inocente, pois é um ato contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. “Não mates o inocente e o justo” (Ex 23,7). Entendemos que a missão da Igreja é evangelizar seguindo os passos e atitudes de Jesus, acolhendo seus ensinamentos e proclamando o Evangelho. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo dá” (Jo 14,27). Entendemos que a violência é contraria à verdade da nossa fé, à verdade da nossa humanidade. Portanto, a verdadeira paz é vida em plenitude.

Queremos externar nossa indignação com o genocídio de nossa juventude negra. Vidas negras importam. Somos 56% do total da população brasileira e por isso, conclamamos as autoridades civis e jurídicas competentes a tomar uma atitude em favor da vida, a favor das vidas negras. Pedimos que os autores destas mortes sejam punidos na forma da Lei.

Como Pastor, chamado a cuidar e consolar as pessoas, compartilho com todos, sobretudo que mais sofrem neste momento, minhas orações e bençãos.


Dom Zanoni Demetino Castro
Arcebispo de Feira de Santana (BA)

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Fonte: CNBB


01 fevereiro, 2022

Olha que provocação bonita nosso amado Papa Francisco nos faz:

A fé não é água que apaga, mas fogo que queima; não é um calmante para quem está agitado, mas uma história de amor para quem está enamorado! Por isso, Jesus detesta acima de tudo a tibieza (cf. Ap 3, 16). (Fonte: twitter do papa)

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(tibieza: estado de fraqueza, falta de ardor, de entusiasmo, frieza)

25 janeiro, 2022

Romaria dos Mártires da Caminhada "Tudo pelo Reino"

"convoca as Comunidades Eclesiais de Base, as Pastorais Sociais, os Movimentos Populares, as Organizações Sociais e Entidades que trabalham na defesa da vida, e todas as pessoas comprometidas com as Causas da Vida, para juntas e juntos, em mutirão, construir esta bonita celebração memorial: a nossa Romaria dos Mártires da Caminhada.”

“...Eu peço a vocês que não esqueçam os pobres, não esqueçam a opção pelos pobres. Os pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem terra, nos prisioneiros, e nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e liberdade. Não esqueçam o sangue dos mártires. Tem gente, dentro da própria Igreja, que diz que não vale mais a pena lembrar dos mártires. No dia que não valer mais a pena, a gente pode fechar o Novo testamento, porque Jesus foi um mártir... Não percam a Esperança, não desanimem, pois isso é pecado, é heresia. Podem nos tirar tudo, menos a Esperança!” (Pedro Casaldáliga)


Segue:

Carta convocando todas as romeiras e romeiros da Caminhada a se prepararem para este grande momento de fortalecimento das Lutas e Esperanças do Povo.

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Romaria dos Mártires da Caminhada
"Tudo pelo Reino"


O Reino de Deus é Paz e Justiça.
Romanos 14,17


Aos sonhadores e sonhadoras, Lutadores e lutadoras do Povo.

A Igreja de São Félix do Araguaia, ao celebrar os seus cinquenta anos de caminhada a serviço da vida, já está em peregrinação a caminho de Ribeirão Cascalheira onde, nos dias 16 e 17 de julho de 2022, faremos memória dos 46 anos do martírio do padre João Bosco Penido Burnier. Também nesta Romaria vamos fazer memória do bispo Pedro Casaldáliga. Na Romaria de 2011, ele nos deixou esse testemunho:

Essa é, provavelmente, minha última romaria com os pés no chão. A outra já estaria contando estrelas no seio do Pai.... Eu peço a vocês que não esqueçam os pobres, não esqueçam a opção pelos pobres. Os pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem terra, nos prisioneiros, e nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e liberdade. Não esqueçam o sangue dos mártires. Tem gente, dentro da própria Igreja, que diz que não vale mais a pena lembrar dos mártires. No dia que não valer mais a pena, a gente pode fechar o Novo testamento, porque Jesus foi um mártir... Não percam a Esperança, não desanimem, pois isso é pecado, é heresia. Podem nos tirar tudo, menos a Esperança!

Na mesma ocasião, faremos memória das e dos mártires da Covid-19, encantadas e encantados pelo Reino da Vida, vítimas da pandemia, deste governo de morte, assassino, genocida. Em tempo de luto e lutas, precisamos, cada vez mais, esperançar.

Esta grande Festa Pascal é um acontecimento de toda a Igreja de São Félix do Araguaia, de todas as Igrejas e de todas as pessoas que querem manter viva a memória daqueles e daquelas que deram e vêm dando suas vidas pelas Causas do Reino: causa da Casa Comum, da terra e dos direitos humanos.

Causa dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, guardiões de nossas matas, rios, florestas. Causas dos camponeses/as, juventudes, crianças, adolescentes, mulheres, população em situação de rua, LGBTQIA+. Nossas Causas valem mais que as nossas Vidas (Pedro Casaldáliga). Bem-aventurados/as os/as que são perseguidos/as por causa da justiça, porque deles/delas é o Reino do Céu (Cf. Mt 5,10).

O tema desta Romaria será: “TUDO PELO REINO”. Esse tema nasceu de conversas com o bispo

Pedro. No final da Romaria de 2016, numa roda de conversa, perguntamos a ele: “E o tema da próxima Romaria?” Criou-se um silêncio. Pedro nos olhou e disse: “Chegando em São Félix, vou pensar”. O silêncio continuou e em seguida ele disse: “Tudo pelo Reino!” Depois de alguns dias, fomos até São Félix do Araguaia e retomamos a conversa sobre o tema da Romaria, e Pedro disse: “Tudo pelo Reino! Tudo, tudo pelo Reino.”

Com este espírito de romeiros/as, preparando-nos para a Romaria; como peregrinos/as,

testemunhas do Reino, a Prelazia de São Félix do Araguaia convoca as Comunidades Eclesiais de Base, as Pastorais Sociais, os Movimentos Populares, as Organizações Sociais e Entidades que trabalham na defesa da vida, e todas as pessoas comprometidas com as Causas da Vida, para juntas e juntos, em mutirão, construir esta bonita celebração memorial: a nossa Romaria dos Mártires da Caminhada.

A Romaria já está acontecendo no coração e na vida das nossas comunidades, do Brasil, da Nossa América e do mundo. Com os/as nossos/as mártires, testemunhas fiéis, nós todos e todas também devemos dar esse testemunho no dia a dia, sendo coerentes com a nossa fé, assumindo as causas da vida, as causas pelas quais tantos irmãos e irmãs regaram este chão com o próprio sangue para que tivéssemos um mundo mais humano: a sociedade do bem-viver, bem-conviver, bem-cuidar e amar a nossa casa comum.

Esperamos você. Beijos no coração!
Equipe de Coordenação da Romaria

24 janeiro, 2022

Momento Muito Nosso - CEBs Arquidiocese de Maringá

Mensagem do Papa Francisco - Para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Escutar com o ouvido do coração


Queridos irmãos e irmãs!

No ano passado, refletimos sobre a necessidade de «ir e ver» para descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas. Continuando nesta linha, quero agora fixar a atenção noutro verbo, «escutar», que é decisivo na gramática da comunicação e condição para um autêntico diálogo.

Com efeito, estamos a perder a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil. Ao mesmo tempo, a escuta está a experimentar um novo e importante desenvolvimento em campo comunicativo e informativo, através das várias ofertas de podcast e chat audio, confirmando que a escuta continua essencial para a comunicação humana.

A um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: «O desejo ilimitado de ser ouvidos». Apesar de frequentemente oculto, é um desejo que interpela toda a pessoa chamada a ser educadora, formadora, ou que desempenhe de algum modo o papel de comunicador: os pais e os professores, os pastores e os agentes pastorais, os operadores da informação e quantos prestam um serviço social ou político.

Escutar com o ouvido do coração

A partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma perceção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O «shema’ Israel – escuta, Israel» (Dt 6, 4) – as palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). De facto, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano.

A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para o escutar.

O homem, ao contrário, tende a fugir da relação, a virar as costas e «fechar os ouvidos» para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (cf. At 7, 57).

Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.

Por isso Jesus convida os seus discípulos a verificar a qualidade da sua escuta. «Vede, pois, como ouvis» (Lc 8, 18): faz-lhes esta exortação depois de ter contado a parábola do semeador, sugerindo assim que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração «bom e virtuoso» e A guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. Lc 8, 15). Só prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a «capacidade do coração que torna possível a proximidade» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 171).

Ouvidos, temo-los todos; mas muitas vezes mesmo quem possui um ouvido perfeito, não consegue escutar o outro. Pois existe uma surdez interior, pior do que a física. De facto, a escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. O rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse «um coração que escuta» ( 1 Rs 3, 9). E Santo Agostinho convidava a escutar com o coração ( corde audire), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas espiritualmente nos corações: «Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração» [1]. E São Francisco de Assis exortava os seus irmãos a «inclinar o ouvido do coração» [2].

Por isso, a primeira escuta a reaver quando se procura uma comunicação verdadeira é a escuta de si mesmo, das próprias exigências mais autênticas, inscritas no íntimo de cada pessoa. E não se pode recomeçar senão escutando aquilo que nos torna únicos na criação: o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. Não fomos feitos para viver como átomos, mas juntos.

A escuta como condição da boa comunicação

Há um uso do ouvido que não é verdadeira escuta, mas o contrário: o espionar. De facto, uma tentação sempre presente, mas que neste tempo da social web parece mais assanhada, é a de procurar saber e espiar, instrumentalizando os outros para os nossos interesses. Ao contrário, aquilo que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro abeirando-nos dele com abertura leal, confiante e honesta.

Esta falta de escuta, que tantas vezes experimentamos na vida quotidiana, é real também, infelizmente, na vida pública, onde com frequência, em vez de escutar, «se fala pelos cotovelos». Isto é sintoma de que se procura mais o consenso do que a verdade e o bem; presta-se mais atenção à audience do que à escuta. Ao invés, a boa comunicação não procura prender a atenção do público com a piada foleira visando ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura fazer compreender a complexidade da realidade. É triste quando surgem, mesmo na Igreja, partidos ideológicos, desaparecendo a escuta para dar lugar a estéreis contraposições.

Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera que o outro acabe de falar para impor o nosso ponto de vista. Nestas situações, como observa o filósofo Abraham Kaplan [3], o diálogo não passa de duólogo, ou seja um monólogo a duas vozes. Ao contrário, na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se ambos «em saída», tendendo um para o outro.

Portanto, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar. Para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado prolongadamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais.

Com efeito, só se sairmos do monólogo é que se pode chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira locanda» – como ensinam os especialistas do oficio – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes.

Entretanto para quê enfrentar este esforço da escuta? Um grande diplomata da Santa Sé, o cardeal Agostinho Casaroli, falava de «martírio da paciência», necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de se obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Mas, mesmo em situações menos difíceis, a escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de se deixar surpreender pela verdade – mesmo que fosse apenas um fragmento de verdade – na pessoa que estamos a escutar. Só o espanto permite o conhecimento. Penso na curiosidade infinita da criança que olha para o mundo em redor com os olhos arregalados. Escutar com este estado de espírito – o espanto da criança na consciência dum adulto – é sempre um enriquecimento, pois haverá sempre qualquer coisa, por mínima que seja, que poderei aprender do outro e fazer frutificar na minha vida.

A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à «informação oficial», causou também uma espécie de «info-demia» dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas.

A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país. Mas então teremos diante dos olhos, não números nem invasores perigosos, mas rostos e histórias de pessoas concretas, olhares, expetativas, sofrimentos de homens e mulheres para ouvir.

Escutar-se na Igreja

Também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar. «Devemos escutar através do ouvido de Deus, se queremos poder falar através da sua Palavra» [4]. Assim nos lembra o teólogo protestante Dietrich Bonhöffer que o primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus [5].

Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar» (1, 19). Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade.

Recentemente deu-se início a um processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes.

Cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfónica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.

Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2022.


Francisco

[1] «Nolite habere cor in auribus, sed aures in corde» ( Sermo 380, 1: Nova Biblioteca Agostiniana 34, 568).

[2] Carta à Ordem inteira: Fontes Franciscanas, 216.

[3] Cf. «The life of dialogue» , in J. D. Roslansky (ed.), Communication. A discussion at the Nobel Conference (North-Holland Publishing Company – Amesterdão 1969), 89-108.

[4] D. Bonhöfffer, La vita comune (Queriniana – Bréscia 2017), 76.

[5] Cf. ibid., 75.


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Fonte: A Santa Sé

22 janeiro, 2022

Uma provocação: A provocação vem do nosso Papa Francisco

"Peçamos ao Senhor a força de desligar a televisão e abrir a Bíblia, de desligar o celular e abrir o Evangelho. Far-nos-á sentir próximo o Senhor e infundirá coragem no caminho da vida."

Fonte: twitter do Papa

Pela primeira vez, o ministério do Leitorado e do Acolitado será confiado também a leigos e leigas.


Domingo da Palavra de Deus: ministério do Leitorado e Acolitado confiado a leigos e leigas

Com a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio “Aperuit illis”, o Papa Francisco instituiu em 30 setembro 2019 o Domingo da Palavra de Deus, a ser celebrado no III Domingo do Tempo Comum, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo.




Em 23 de janeiro de 2022 será celebrado o terceiro Domingo da Palavra de Deus. Durante a celebração presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro, com início às 9h30, horário local, se sucederão alguns momentos muito significativos. Pela primeira vez, o ministério do Leitorado e do Acolitado será confiado também a leigos e leigas.

Na celebração, o Santo Padre realizará o rito pelo qual o ministério de catequista será conferido a fiéis leigos, mulheres e homens. Cada um desses dois ministérios é conferido por meio de um rito, preparado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, apresentado pela primeira vez.

Os candidatos serão convocados antes da homilia, chamados pelo nome e apresentados à Igreja. Após a homilia, queles que terão acesso ao ministério do Leitorado recebem a Bíblia, a Palavra de Deus que são chamados a anunciar.

Aos catequistas, por outro lado, é confiada uma cruz, reprodução da cruz pastoral usada primeiro por São Paulo VI e mais tarde por São João Paulo II, para recordar o caráter missionário do serviço que se preparam para administrar.

Representando o Povo de Deus, receberão o ministério do Leitorado alguns fiéis leigos provenientes da Coreia do Sul, Paquistão, Gana e de várias partes da Itália.

Para receber o ministério de catequista, estarão presentes dois leigos provenientes do Vicariato Apostólico de Yurimaguas (Peru), na Amazônia; dois fiéis do Brasil que já estão envolvidos na formação de catequistas; uma mulher proveniente de Kumasi, Gana; o presidente do Centro de Oratórios Romanos, fundado pelo catequista Arnaldo Canepa - que dedicou mais de quarenta anos de sua existência à fundação e direção de Oratórios para jovens, o primeiro dos quais em 1945 - e um leigo e uma leiga de Łódź e Madrid, respectivamente.

Por motivos relacionados às dificuldades de deslocamento provocadas pelas restrições sanitárias atualmente em vigor, não será possível a presença dos dois fiéis da República Democrática do Congo e de Uganda.

21 janeiro, 2022

Elza Soares- Lama (1973)

 

"Um dia descobri que cantava...

O meu filho mais velho, João Carlos, estava morrendo e eu já tinha perdido 2 filhos e não queria perder mais um. 

Eu não tinha dinheiro pra cuidar do meu filho e ouvi no rádio que o programa do Ary Barroso de calouros, o Nota 5, estava com o prêmio acumulado. 

Não sei como, mas eu sabia que ia buscar esse prêmio! 

Fiz a inscrição e me avisaram que eu precisava ir bonita. Mas eu não tinha roupa nem sapatos, não tinha nada! 

Então, eu peguei uma roupa da minha mãe, que pesava 60kg e vesti, só que eu pesava 32kg, já viu ne? 

Ajustei com alfinetes. Tudo bem que agora é moda ne? Hoje até a Madonna usa, mas essa moda aí fui eu que comecei viu? Alfinetes na roupa é muito meu, é coisa de Elza! 

No pé coloquei uma sandália que a gente chamava de “mamãe tô na merda”, e fui! 

Quando me chamaram, levantei e entrei no palco do auditório. O auditório tava lotado, todo mundo começou a rir alto debochando de mim Seu Ary me chamou e perguntou: 

- O que você veio fazer aqui
Eu vim Cantar!

- Me diz uma coisa, de que planeta você veio?
Do mesmo planeta seu Seu Ary.

- E qual é o meu planeta?
PLANETA FOME!!! 

Alí, todo mundo que estava rindo viu que a coisa era séria e sentaram bem quietinhos. 

Cantei a música Lama. 

O Gongo não soou e eu ganhei, levei o prêmio e meu filho está vivo até hoje, graças a Deus!

De lá pra cá, sempre levo comigo um Alfinete." (Elza Soares)

A Covid faz bem

A pandemia não foi uma derrota para todos. Para alguns (poucos) foi um maná dourado. O valor patrimonial de Jeff Bezos aumentou em US$ 81,5 bilhões desde março de 2020. A Oxfam calculou que apenas esse aumento na riqueza seria suficiente para vacinar com três doses toda a população mundial.



O comentário é de Tonio Dell'Olio, presidente da Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico di Pace, 19-01-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Este é um dos dados que podem ser consultados no relatório que a Oxfam todos os anos divulga às vésperas do megaencontro exclusivíssimo de Davos. E se somarmos a riqueza dos 10 super ricos do mundo, descobrimos que eles aumentaram no mesmo período em 821 bilhões de dólares sua riqueza. Ou seja, 15.000 dólares a mais por segundo, 1,3 bilhão por dia. São 10 pessoas que possuem uma riqueza "seis vezes maior que o patrimônio dos 40% mais pobres da população mundial, composta por 3,1 bilhões de pessoas", observou Gabriela Bucher, diretora da Oxfam International.

Em suma, haveria o suficiente para levar os governos nacionais e as instituições internacionais a adotarem medidas idôneas para redistribuir a riqueza e garantir que ela não aumente nos bolsos dos ricos enquanto a imensa maioria de pobres vive (ou morre) na miséria. Chama-se justiça.

Fonte: IHU

18 janeiro, 2022

Camponeses se formam em Direito da Terra no estado do Pará

Turma teve 48 estudantes de quatro estados brasileiros

Cerimônia de colação de grau aconteceu no estacionamento do Campus I da Unifesspa em Marabá. Foto: Reprodução

Por Reynaldo Costa
Da Página do MST - 14 de janeiro de 2022


Sábado, 08 de janeiro de 2022, foi um dia histórico no Pará. Um dos estados com mais elevados índices de violações aos direitos humanos e de violência contra camponeses realizou a formatura da primeira turma de Direito da Terra, uma graduação especial em direito para os povos do campo e de territórios tradicionais.

A turma que teve início em 2016 formou 42 alunos, filhos e filhas de assentados da reforma agrária, além de quilombolas, ribeirinhos, e de comunidades tradicionais de quatro estados (Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso). O Curso foi o primeiro desta área de formação oferecido pela Unifesspa – Universidade Federal do Sul e do Sudeste do Pará, instituição que já tem tradição em cursos especiais para educação do campo.

A cerimônia de colação de grau aconteceu no estacionamento do Campus I da Unifesspa em Marabá, unidade onde o curso se realizou. Respeitando todas as normas sanitárias, familiares e apoiadores acompanharam o evento que contou com uma mesa de formatura onde estiveram presentes membros da reitoria da Unifesspa e do Instituto de Estudos em Direito e Sociedade (IEDS).

Participaram da cerimônia também representantes dos movimentos sociais como a Comissão da Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (Mab), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Fetag), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Jorge Ribeiro, Coordenador do Curso de Direito da Universidade, afirma que o Curso de Direito da Terra da Unifesspa traz a concepção do direito crítico, direito emancipatório da justiça social, dos direitos humanos e todas as implicações que possam materializar no trabalho do jurista. Ele fala sobre a expectativa com os formados: “Nós esperamos que estes formados venham atuar no campo dos Direitos Humanos, dos direitos sócio ambientais, no direito agrário, na perspectiva que o projeto do Curso teoricamente já traz”.

Ayala Ferreira, do Setor de Direitos Humanos do MST, destaca que a turma faz parte de um sonho e de uma luta constante dos povos do campo, das águas e das florestas pelo acesso ao ensino superior. “O Direito à educação no Brasil ainda é um privilégio, e ter setores populares ingressando na universidade ainda é um sonho. A turma do Direito da Terra se soma a essa luta de universalizar o acesso à educação superior para qualquer área do conhecimento”.

Ayala ainda acrescenta sobre as metas e objetivos desta turma. “Objetivo é qualificar a atuação técnica destes sujeitos nas suas comunidades, onde aparecem demandas diversas em todos os setores e atuar como defensores do direitos das comunidades camponesas e também com demais setores pobres da sociedade”.

O Curso de Direito da Terra da Unifesspa formou pessoas como Thaiane Araujo, do município de Tucumã-PA, hoje do Movimento dos Atingidos por Barragens. Ela atuou vários anos na Pastoral da Terra na região do Auto Xingú no Pará, e passou pelas mesmas dificuldades que todos os povos da região tem de acessar o ensino superior.

Primeira da família, tanto da linhagem do pai quanto da mãe a cursar uma graduação, Thaiane fala que o Curso fortaleceu suas convicções junto as lutas dos trabalhadores. “O curso aprimorou minhas convicções e me ajudou a conhecer outras demandas, passei a defender os atingidos por barragens, a universidade pública, o Sistema Único de Saúde- SUS, as estatais, coisas que até então eram superficiais para mim”. E conclui reafirmando a luta: “O curso fortalece minha vida militante e da minha família que também luta, e é uma conquista do povo de onde venho”.

Turma Frei Henri

A turma de Direito da Terra que se formou no Pará tem o nome de “Frei Henri Burin des Roziers” uma homenagem à história permanente de luta do religioso na defesa e promoção dos direitos humanos, na defesa dos trabalhadores e de trabalhadoras rurais. Frei Henri atuou como advogado na Comissão Pastoral da Terra, na região do Bico do Papagaio no Tocantins e nas regiões sul e sudeste do Pará, desde a década 1980.

O Curso de Direito da Terra da Unifesspa foi o primeiro da Região Norte e o sexto já realizado no país. Duas turmas foram formadas em Goiás, outras duas no estado da Bahia e uma no Paraná. Segundo o professor Jorge Ribeiro, a Unifesspa vai manter o desafio de continuidade desse modelo de Curso de Direto e já está em andamento um projeto em parceria com o Governo do Pará para a segunda turma do Direito da Terra através do programa “Forma Pará”, que tem o objetivo de estender a formação superior para o interior do estado em municípios onde não há polos universitários.

*Editado por Fernanda Alcântara

A ajuda do Papa às Filipinas e aos migrantes na fronteira com a Belarus

Francisco enviou uma contribuição inicial de 100 mil euros à Igreja no país asiático para aliviar as consequências do tufão Rai e uma quantia semelhante à da Cáritas Polônia para o socorro a pessoas bloqueadas na fronteira com a Belarus

Por um lado, a catástrofe ambiental que atingiu o coração das Filipinas - pelo menos 400 mortos, dezenas de desaparecidos e 8 milhões de pessoas afetadas em 11 regiões, de acordo com os números da ONU. Por outro lado, o que tem sido chamado de "a fronteira da vergonha", entre a Belarus e a Polônia onde se encontram bloqueados há meses migrantes que continuam morrendo sem que nem mesmo a mídia informe sobre sua tragédia. Em solidariedade o Papa decidiu enviar como ajuda humanitária 100 mil euros a cada uma das situações de emergência.

Situação nas Filipinas depois da passagem do Tufão Rai (AFP or licensors)


Alessandro De Carolis – Vatican News


Por um lado, a catástrofe ambiental que atingiu o coração das Filipinas - pelo menos 400 mortos, dezenas de desaparecidos e 8 milhões de pessoas afetadas em 11 regiões, de acordo com os números da ONU. Por outro lado, o que tem sido chamado de "a fronteira da vergonha", entre a Belarus e a Polônia onde se encontram bloqueados há meses migrantes que continuam morrendo sem que nem mesmo a mídia informe sobre sua tragédia. Em solidariedade o Papa decidiu enviar como ajuda humanitária 100 mil euros a cada uma das situações de emergência.

Filipinas, ajuda imediata

Francisco confiou ao Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral a tarefa de mandar entregar o valor nas Filipinas, com a colaboração da nunciatura apostólica local. Os destinatários serão – segundo um comunicado do dicastério do Vaticano - as "dioceses mais afetadas pela calamidade" e a contribuição, destinada a "obras de assistência" nesta fase de emergência, pretende ser "uma expressão imediata do sentimento de proximidade espiritual e de encorajamento paterno do Santo Padre em relação às pessoas e territórios afetados", já expressa no Angelus de 19 de dezembro passado. A contribuição, deve-se notar, é "parte da ajuda que está sendo ativada em toda a Igreja Católica e que envolve, além de várias Conferências Episcopais, numerosas organizações de caridade".

Na “terra de ninguém"

A mesma decisão, por parte do Papa, diz respeito à longa emergência de migrantes na “terra de ninguém”, o trecho de terra que separa a Belarus da Polônia, onde se encontram pessoas sobretudo sem direitos e, portanto, um "paraíso" para todos os tipos de tráfico, a começar pelo tráfico humano. No local estão há cinco meses milhares de migrantes tentando entrar na Europa. Para aliviar a situação, Francisco destinou 100 mil euros apoiando assim a Cáritas Polonesa em seu trabalho de assistência em um cenário, diz a nota, no qual persiste uma "situação de conflito que se prolonga há mais de 10 anos".

14 janeiro, 2022

CF 2022 - Tema: Fraternidade e Educação

CF 2022
Tema: Fraternidade e Educação
Lema: Fala com sabedoria, ensina com amor (cf.Pr 31,26)



1. Quaresma é tempo favorável para a conversão do coração. Converter-se é também sair do individualismo, romper com a indiferença, vivendo a solidariedade em diálogo e como compromisso de amor. Coração transformado pelos exercícios espirituais que nos conduzem à celebração da Páscoa de Jesus Cristo. Um convite à transformação interior que tem incidências concretas no cotidiano.

2. Desde 1964, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade como um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal. Uma Campanha que contribui para uma mudança de vida profunda que nos leva, não somente a pedir a Deus perdão por nossos pecados, mas a unir forças na construção de uma sociedade que corresponda à mensagem do Evangelho (cf. Mc 1,15).

3. A Campanha da Fraternidade tem como grande objetivo despertar a solidariedade dos fiéis em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução à luz do Evangelho. A cada ano é escolhido um tema, que define a realidade concreta a ser transformada, e um lema, que explicita em que direção se busca a transformação. O Evangelho possui uma irrenunciável incidência social. “Deus está interessado no bem-estar completo do homem, e por isso também no desenvolvimento da comunidade na qual o homem participa de muitos modos”.²

4. A Campanha da Fraternidade é realizada no tempo quaresmal, porém, não se reduz a ele. Celebrando o amor redentor, a Páscoa de Jesus Cristo deve nos levar, já nesta vida, a passar de um mundo não fraterno, marcado pelo pecado, nas suas expressões de injustiças, omissões e opressões, para uma sociedade de irmãos. Em 2022, os bispos do Brasil nos fazem um convite de singular importância: à luz da fé, queremos refletir sobre a educação em nosso país, convictos de que ela é indispensável para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

5. A realidade da educação nos interpela e exige profunda conversão de todos. Verdadeira mudança de mentalidade, reorientação da vida, revisão das atitudes e busca de um caminho que promova o desenvolvimento pessoal integral, a formação para a vida fraterna e para a cidadania. Refletir e atuar a favor da educação é uma forma de viver a penitência quaresmal. É reconhecer que algo pode e deve mudar neste cenário e, principalmente, em nossas relações.

6. Somos convidados a ver a realidade da educação em diversos âmbitos, iluminá-la com a Palavra de Deus, encontrando e redescobrindo meios eficazes que favoreçam processos mais adequados e criativos a fim de que ninguém seja excluído de um caminho educativo integral que humanize, promova a vida e estabeleça relações de proximidade, justiça e paz. A educação é um indispensável serviço à vida. Ela nos ajuda a crescer na vivência do amor, do cuidado e da fraternidade.

7. Em 2022, pela terceira vez, a educação volta a ocupar as reflexões da Campanha da Fraternidade, agora, impulsionada pelo Pacto Educativo Global. Na carta de convocação, bem como no Instrumento de trabalho, o Papa Francisco apresenta alguns elementos constitutivos de uma educação humanizada que contribua na formação de pessoas abertas, integradas e interligadas, que também sejam capazes de cuidar da casa comum já que “a educação será ineficaz e os seus esforços estéreis se não se preocupar também por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza”.³

8. Em um tempo marcado pela pandemia da Covid-19 e por diversos conflitos, distanciamentos e polarizações, é preciso reaprender a amar, a perdoar, a cuidar, a curar, a dialogar e a servir a todos. Educar é construir a verdadeira fraternidade alicerçada na justiça e na paz. Isto será possível à medida em que Cristo, que nos liberta do egoísmo, for tudo em todos (1Cor 15,22).

9. “É necessária a contribuição de todos e cada vez mais urgente um coral de difusão da cultura da paz e uma comum educação para a paz, sobretudo das novas gerações. (...) O bem da paz é tão grande, escrevia Santo Agostinho, que também nos acontecimentos inseridos no porvir deste mundo, habitualmente nada se ouve de mais agradável, nada se deseja de mais atraente e, enfim, nada se alcança de mais belo”.⁴

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2 DoCat, n. 26.

DOCAT Doutrina Social da Igreja em linguagem jovem

3 FRANCISCO. Carta Encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado da Casa Comum.
(Documentos Pontifícios, 22). Brasília: Edições CNBB, 2016, n. 215.

4 BENTO XVI. Mensagem aos participantes do seminário internacional
organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz. 10/4/2008.

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Fonte: Texto Base

13 janeiro, 2022

Velhas Árvores - Olavo Bilac


Velhas Árvores - Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, — mais belas,
Do que as árvores mais moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas . . .

O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas . . .

Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

11 janeiro, 2022

Campanha da Fraternidade - CF 2022

CF 2022
Tema: Fraternidade e Educação
Lema: Fala com sabedoria, ensina com amor (cf.Pr 31,26)



Educar é um ato eminentemente humano. Somos renovados quando aprendemos mais a respeito da vida e seu sentido, quando nos ensinam novos conhecimentos e quando, percebemos que em nós existe a profunda sede de aprender e ensinar.

Educar é também uma ação divina. A Bíblia nos mostra a história de um Deus que educa seu povo, caminhando com ele, compreendendo suas fragilidades, respeitando suas etapas e alertando diante dos erros. Quando contemplamos as ações e palavras de Jesus, encontramos um caminhar educativo. Sua presença atenciosa junto às pessoas, a relação entre os milagres e a conversão, o uso de exemplos recolhidos do cotidiano, tudo, enfim, nos apresenta Jesus como o grande educador.

É, pois, com essa certeza que a Campanha da Fraternidade de 2022 nos convida a refletir sobre a indispensável relação entre fraternidade e educação. Já tendo, por duas vezes, se debruçado sobre essa relação (1982 e 1998), a realidade de nossos dias fez com que o tema educação recebesse destaque, dentre os vários sugeridos, e fosse escolhido para mais uma Campanha da Fraternidade.

De fato, o mundo e nele o Brasil estão diante de um desafio: redescobrir caminhos para uma reconstrução que não é parcial, mas global; que não atinge somente alguns aspectos, mas que deve chegar às raízes do modo como pessoas e povos compreendem e organizam a totalidade da vida. O mundo de nosso tempo precisa encontrar caminhos para se reconstruir, ouvindo os clamores dos vulneráveis em uma casa comum cada vez mais vulnerabilizada. Por isso, pergunta-nos o Papa Francisco: “O que acontece quando não há a fraternidade conscientemente cultivada, quando não há uma vontade política de fraternidade, traduzida em uma educação para a fraternidade, o diálogo, a descoberta da reciprocidade e o enriquecimento mútuo como valores?”.

Trata-se, portanto, de uma Campanha da Fraternidade em forte linha de continuidade com os temas que nos vêm sendo propostos pelo menos desde 2018, quando éramos convidados a encontrar caminhos para a superação da violência. Esses caminhos passam por políticas públicas (CF 2019), fundados na ética do cuidado (CF 2020), em profunda atitude de diálogo (CFE 2021). Nada disso poderá, entretanto, ocorrer se não se considerar a importância da educação: educarmo-nos para o cuidado dialogal, nas relações interpessoais, e para o compromisso socioambiental; educarmo-nos para a redescoberta das motivações mais profundas ao próprio ato de educar.

Essa é a razão pela qual, em 2022, mais do que abordar um ou outro aspecto específico da problemática educacional, a Campanha da Fraternidade nos convoca a refletir sobre os fundamentos do ato de educar. Ao longo da caminhada quaresmal, em que a conversão se faz meta primeira, recebemos o convite para buscar os motivos de nossas escolhas em todas as ações e, por certo, naquelas que dizem respeito mais diretamente ao mundo da educação.

Essa opção não implica o distanciamento das questões mais concretas e urgentes no campo educacional. Há, de fato, inúmeros passos a serem dados, escolhas a serem feitas, com ratificação ou ajustamentos de rumo. Cada uma dessas concretizações, porém, exige o discernimento dos motivos pelos quais são realizadas, fazendo, assim, emergir uma Campanha da Fraternidade que nos leva a alargar o horizonte de nossa compreensão a respeito da educação, entendida não apenas como ato escolar, como transmissão de conteúdos ou preparação técnica para o mundo do trabalho. Estes, sem dúvida, são aspectos importantes, porém não os únicos. A Campanha da Fraternidade nos adverte que mais importante e urgente é a pergunta pelos motivos, pela abrangência e pelas metas de qualquer processo educativo.

No texto bíblico referência para a CF 2022, Jesus Cristo, o grande educador, está no templo. A ele foram levadas algumas mazelas do mundo: uma mulher flagrada em adultério, um adúltero que se esconde, ardilosos utilizadores da lei e pedras como instrumentos de morte. Jesus não se encontra em uma sala de aula ou em atitude que demonstre ensino convencional. No entanto, mostra que educar é contribuir para a superação do pecado, preservando a vida, atingindo as consciências e transformando relações.

Em face a tudo isso, a Campanha da Fraternidade nos recorda que educar não é um ato isolado. É encontro no qual todos são educadores e educandos. É tarefa da própria pessoa, da família, da escola, da Igreja e de toda a sociedade. Afinal, como nos ensina o conhecido provérbio de origem africana, “é preciso uma aldeia para se educar uma criança”.

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Fonte: Texto base CF 2022